Países & Produtos

Frio Congelante – Tristeza de Uns, Felicidade de Outros

          Há pouco mais de oito meses tive o privilégio de ter participado do lançamento do primeiro Icewine brasileiro, o Pericó Icewine, frutos do sonho de um empreendedor (Wander Weege) e de um técnico de muito conhecimento e sensibilidade, o enólogo Jefferson Nunes. Juntos transformaram  esse sonho em uma muito boa realidade na taça, por sinal, lindíssima!

          Escrevi sobre essa experiência e vinho aqui, mas pairava uma duvida em minha mente. Quando seria possível repetir a dose com as dificuldades climáticas que temos para produzir este tipo de vinho que requer uma temperatura superior a menos cinco graus centígrados! Pois bem, como diz o título, “Frio Congelante – Tristeza de Uns, Felicidade de Outro” e com esta onda de frio as condições de colheita nunca estiveram tão boas deixando o pessoal da Pericó pleno de felicidade! Em meados de 2012 devemos ser agraciados com uma nova safra nas prateleiras das melhores lojas do ramo com, espero, preços algo mais convidativos.

        Eu que acompanho desde o inicio as peripécias do Jefferson nos vinhedos da Pericó tentando materializar esse sonho, fico feliz de vê-lo ser concretizado mais uma vez e, quem sabe, não possa novamente vir a ser testemunha de mais esse êxito em Outubro de 2012! Vejam algumas das fotos recebidas da vinícola.

Colheita

Salute e kanimambo pela visita.

Penne com Bacalhau & Vinho

            Se tem uma coisa de que gosto, é de cozinhar com vinho. Ás vezes, até coloco algum na comida! rs. É, essa eu li em algum lugar e curto a mensagem não deixando de levar minha taça para a cozinha quando me meto a mestre-cuca, limitado por sinal, normalmente aos Domingos que é quando sobra um tempinho! Digamos que seja um test-drive para garantir que tudo saia certo no almoço! Pois bem, neste último Domingo sai fora do meu tradicional arroz de bacalhau com brócolis e me aventurei por um caminho luso-italiano trocando o arroz por um belo penne e ficou da hora! Servi no prato fundo, regado por bom azeite (sempre!) e acompanhado de um vinho que me agrada bastante e já recomendei aqui seu irmão mais nobre o reserva. Este Quinta do Valle Longo Colheita 2006 é o mais básico dos rótulos desta casa aqui no Brasil, pelo menos pelo que sei, e um vinho que agrada bastante estando no seu ápice, porém certamente ainda palatável até ao final de 2012, quiçá algum tempinho mais.

Sem os excessos cada vez mais presentes nos vinhos do Douro na busca de conquista de novos mercados no Novo Mundo, estamos diante de um vinho muito bem feito, equilibrado, de aromas não muito intensos em que desponta alguma fruta negra com toques balsâmicos e nuances mais terrosas. Já na boca, a riqueza do Douro muito bem balanceada, taninos sedosos sem se sentir aquela fruta madura e algo enjoativa que muitas vezes adornam os vinhos “mercadológicos” da região. Boa acidez, final com algum mineral a despontar e, mesmo não sendo lá muito  longo, dá conta do recado deixando-nos aquele gostinho de quero mais na boca. É incrível como os 14% de teor alcoólico conseguem ser tão imperceptíveis tanto no nariz quanto no palato, um belo trabalho dos enólogos! Não é um blockbuster, mas vale bem os cerca de R$50 a 55 que pedem por ele e, com este penne com bacalhau, o casamento foi muito feliz pois o vinho está bastante elegante compondo muito bem com o corpo do prato sem se sobrepor em nenhum momento.

             Sobrou um pouco do caldo na garrafa, meus parceiros de almoço não estavam lá muito animados no dia,  que á noite terminou sendo companhia para um Caldo Verde, o qual já comentei aqui nesta segunda-feira, tendo fechado o Domingo com chave de ouro!

Salute e kanimambo

Wines From “Down Under”.

        Dica para esta semana, um passeio pelos sabores da Austrália. Dia 16 de Junho, a partir das 20 horas, uma degustação e apresentação sobre a vitivinicultura australiana com a participação de mais um parceiro da Vino & Sapore, a Wine Society, aqui na Ganja Viana a pouco mais de 15 kms da zona Oeste de Sampa. É, desta vez vamos para o outro lado do mundo provar os vinhos de “Down Under”, como são conhecidos no universo inglês. Conheceremos um pouco mais da região e provaremos alguns rótulos interessantes que nos demonstrarão que existem bons vinhos de bom preço até por aqui! Provaremos:

    • Thomas Mitchell Chardonnay (grande pedida para acompanhar um fondue de queijo).
    • Banrock Station Cabernet Sauvignon.
    • Thomas Mitchell Cabernet Sauvignon/Shiraz.
    • Knappstein Shiraz.
    • Mitchelton Crescent um delicioso corte no estilo do Rhône, mas com personalidade própria.
    • Ainda temos mais um possível rótulo adicional a apresentar.

           O investimento para este encontro será de apenas R$40,00 por participante pagos no ato da reserva, com 50% retornando em crédito na compra dos rótulos provados e ainda teremos o lançamento dos vinhos BIB (Bag in Box) da Stanley para você conhecer. Uma ótima pedida para churrascos, eventos mais despojados ou para quem não abre mão da taça diária e não quer gastar muito porém também não quer abrir mão do mínimo de qualidade! Lembramos que o evento está limitado a 14 participantes então quem for mais rápido garante sua vaga. Entre em contato com comercial@vinoesapore.com.br , por telefone (11) 4612.6343/1433 ou clique no link aqui do lado.

Salute e kanimambo pela visita. Ainda nesta semana, Malbec Mendell (Expand revival) e os vinhos da Miolo com seu incrível Sesmarias, uma utopia na taça!

Douro, Vinhos de Excelência na Taça

          Há um bom tempinho que não falo dos vinhos portugueses! O mercado possui hoje uma imensidade de rótulos de todas as regiões produtoras da saudosa terrinha o que torna difícil a escolha, para que não caiamos sempre nos mesmos, na busca por novos sabores. Portugal produz vinhos de grande nível reconhecidos em qualquer lugar do mundo como tal, especialmente os produzidos no Douro, Alentejo e Dão, mas não só.

         Estes grandes vinhos, como a maioria dessa categoria, precisam de tempo e tomar um grande Douro, Alentejo ou Dão novinhos, é abrir mão da complexidade, exuberância e equilíbrio que eles ganham com o tempo. Sempre falo isso acerca dos vinhos portugueses, mas nos grandes isto é ainda mais importante. Um dos melhores vinhos que tomei na minha vida foi um Chryseia 2001 após oito anos guardado. O mesmo posso dizer de vinhos como os deliciosos alentejanos Malhadinha 2003 e Avó Sabica 2004, o Quinta do Monte d’Oiro 2001 (Lisboa), Quinta do Côtto Grande Escolha 2001 (Douro), Quinta da Pelada Touriga, Quinta das Marias e Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2004 (Dão) entre uma imensidade de outros grandes caldos tomados.

               Desta feita, dois vinhos maravilhosos um delicioso e sempre elegante Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2003, uma obra de arte clássica em estado liquido. Tomei em meu aniversário este ano na companhia da família e amigos, uma pena que só tinha uma garrafa pois deixou saudades. Entra ano sai ano e este vinho segue encantando, talvez uma das melhores relações Qualidade x Custo x Prazer que tinhamos no mercado em vinhos desta categoria, já que há cerca de dois anos o vinho rondava os R$120, daqueles vinhos que não só satisfaziam os sentidos como o bolso. Hoje creio que custa em torno dos R$180,00, o que me parece um pouco excessivo, mas…..é o custo da fama alcançada! Complexo, elegante, deveria vir de cartola e fraque para a mesa, possui boa estrutura com taninos macios perfeitamente integrados. Boa fruta, paleta olfativa agradável que convida a taça á boca, mineral com um longo e saboroso final é um vinho puramente hedonistico.  Compre todos as safras e vá guardando, eu não fiz isso e me arrependo! Dizem que a 2007 está divino, mas esse ainda estou procurando, já o de 2008 já garanti, mas para tomar somente daqui a quatro anos. Para este, a escolha de Bacalhau à Brás foi super acertada, casamento perfeito!

            Mais recentemente, acompanhando o sempre delicioso e especial strogonoff de filé mignon de minha esposa, um grande representante da mais clássica cepa portuguesa, a Touriga Nacional, o incrivelmente sedutor Quinta do Vallado Touriga 2005, absolutamente no ponto e divino! Tudo o que se espera de um grande vinho produzido com esta generosa cepa que tantos grandes vinhos produz e empresta sua exuberância a deliciosos vinhos de corte. Nariz gostoso, fruta negra, aquele típico aroma de violeta formando uma paleta olfativa sedutora e muito agradável. Na boca é exuberante, mais estruturado e denso que o Crasto Vinhas Velhas, taninos finos, rico e complexo com notas de tabaco, café num longo final que nos deixa aquele gostinho de quero mais, um belo vinho e finalmente mais dois tugas na taça que só vêm demonstrar a maturidade que a vitivinicultura portuguesa alcançou, especialmente no Douro, berço histórico de grandes vinhos. Este já beira os R$160,00 mas, considerando-se nossa irrealidade de preços, até que vale, mas poderia estar algo abaixo desse patamar para se tornar mais interessante ainda.

          São vinhos consagrados, mas que eu ainda não tinha comentado então resolvi que deveria compartilhar com os amigos mesmo sabendo que pouco ou nada acrescento ao muito que já se escreveu sobre eles. De qualquer forma, mais que os vinhos, é a importância de lhes darmos tempo para mostrar todo o seu potencial então, cabe aqui aquele célebre ditado de que “o apressado come cru”! Neste post iniciarei algo que pretendo vir a fazer de forma mais amiúde que é dar minha percepção, algo bem pessoal e consequentemente parcial, de valor ou seja aquilo que acho que estes vinhos valem considerando-se nossa absurda realidade de preços (acho que temos os preços de vinho mais caros do mundo). Neste caso minha percepção é de R$160 para o Vinhas Velhas e R$180,00 para o Vallado Touriga.

Salute e kanimambo pela visita

Alto Uruguai, uma Nova Fronteira!

Vivendo e aprendendo, se há uma coisa que me é clara é que nossa vinosfera não pára de nos surpreender e, pelo menos eu, descobri uma nova fronteira do vinho brasileiro. Pelo que pude ver ao falar destes vinhos e região para alguns amigos blogueiros, parece-me que não sou o único o que me levou a compartilhar com vocês um pouco mais desta região vitivinícola e seu pioneiro Antonio Dias.

             O conheci nesta Expovinis  tendo seu Tannat me surpreendido muito positivamente e ainda volto para falar do vinho, mas agora  gostaria de compartilhar com vocês a história por trás do vinho e mostrar um pouco essa região denominada Alto Uruguai. Assim pelo nome poderíamos pensar que estivesse próximo ao Uruguai, mas não, está bem distante no norte do Rio Grande do Sul quase fronteira com Santa Catarina tendo como epicentro a cidade de Três Palmeiras a apenas 75 kms de Chapecó (clique no mapa abaixo para ampliar). Na verdade, o nome da região advém de sua relação geográfica com o rio do mesmo nome e não com a país vizinho.

           Altitude ao redor dos 650 metros, solo pedregoso e bem drenado, estações bem definidas, boa amplitude térmica, aparentemente estamos diante de uma região que pode gerar vinhos bastante interessantes e que tem como pioneira a Vinícola Antonio Dias que produz espumantes, e vinhos tranquilos á base de Cabernet Sauvignon, Tannat, Chardonnay, Ancelota, Pinot Noir, Merlot e Touriga Nacional sendo que alguns rótulos já estão no mercado e outros estão a caminho. São apenas cinco hectares de vinhas num projeto iniciado em 2004 e que agora começa a dar seus frutos, porém é também o inicio de uma região já que outros produtores começam a aparecer nem todos, no entanto, ainda pensando em vinhos finos.

 

           Agora volto a falar do Antonio Dias Tannat que provei porque foi um vinho que me chamou a atenção na hora que o levei à boca, mesmo sendo ao final de minha visita à Expovinis ou seja, após ter provado uma boa leva de outros rótulos de diversas nacionalidades e cepas. É um vinho marcante de taninos firmes mas muito sedosos e bem trabalhados, madeira bem colocada dando suporte e não prevalecendo sobre a fruta, boa acidez, boa estrutura, denso, rico, enche a boca de prazer e deixa um retrogosto muito agradável e de boa persistência dando-me a impressão de que, ás cegas, faria bonito em uma prova contra os mais famosos vinhos uruguaios.

          Enfim, uma nova região e um novo produtor no nosso mapa vitivinícola brasileiro a ficar de olho para acompanhar sua evolução. Eu gostei do que provei e vou querer conhecer mais e depois compartilho com vocês. Enquanto isso, se tiver a chance prove esse vinho e me diga o que achou, quem sabe você também não se surpreende.

Salute, kanimambo pela visita e nos vemos por aqui.

Vertical de Don Melchor

          Quem quer marcar encontro comigo neste próximo dia 25 num evento para lá de especial? Juntamente com o amigo Jeriel Costa, experiente degustador, colecionador de bons rótulos e especialista nos vinhos do Chile, a Vino & Sapore promoverá uma degustação vertical para poucos!  Ícone chileno, estamos diante de uma rara oportunidade de provar este grande vinho de seis safras diferentes. Não é todo dia que aparece uma oportunidade destas e certamente completa uma programação de Maio em grande estilo. O Jeriel, um dos blogueiros do vinho mais conhecidos e respeitados do Brasil com seu Blog do Jeriel, traz esses vinhos de sua coleção pessoal e nos contará um pouco da história por trás deste mito chileno que desde 1993 alcança no minimo 90 pontos na avaliação da Wine Spectator com exceção dos anos de 98 e 96 quando obteve “somente” 89 pontos. Destas safras, estaremos provando seis e ás cegas, inclusive a 2005 reconhecida como o melhor Don Melchor de sempre, até agora:

 Safra

1999

2000

2002

2004

2005

2006

Wine Spectator

92

94

92

93

96

94

Robert Parker

93

89-91

90

94

95

95

Wine Enthusiast

91

      –

91

92

93

94

         Para esta degustação muito especial em que serão disponibilizadas somente 10 vagas, o investimento será de R$250,00. O Jeriel fará uma curta palestra sobre este mito chileno antes de iniciarmos a prova, enquanto preparamos o palato tomando um delicioso Valmarino & Churchill, e ao final uma surpresa que divulgaremos posteriormente. Por um custo menor do que uma garrafa desse prestigiado e renomado rótulo, você terá o privilégio de provar seis safras. Este tipo de evento não tem todo o dia, então não hesite pois já só sobram sete vagas. Abaixo a vitimas que serão traçadas no evento.

           Vai perder? A Granja Viana é bem pertinho, logo aqui no KM 24 da Rodovia Raposo Tavares, sim aquela dos móteis, então dá até para extender o programa! Para quem se interessar, ligue para (11) 4612.6343/1433 ou envie e-mail para comercial@vinoesapore.com.br e veja como garantir sua vaga.

 Bem, por hoje é isso, salute e kanimambo pela visita

Loja de Vinhos Procura!

             Chardonnay chileno de boa qualidade com menos de 14% de teor alcoólico, equilibrado, sem excesso de madeira e enjoativa intensidade de aromas de baunilha e abacaxi extra-maduro! Tem que custar, preço final, entre R$60 a 75,00, tem alguém aí que se habilite? Esse é um pedido especial que me faz o xará (rs) João Filipe da Vino & Sapore. Alguém tem alguma dica ou se candidata a um lugar nas prateleiras dessa agradável e simpática (rs) loja de vinhos na Granja Viana?

              Depois de muito provar só restou apelar para os universitários! Sugestões e dicas são mais que bem-vindas. Salute e kanimambo.

Malbec ou Tannat no Churrasco?

            Para quem está menos embrenhado nos segredos de nossa vinosfera, fica a impressão de que a Malbec é uma uva argentina e a Tannat uruguaia. Ledo engano, pois as duas se originam na França e daí saíram para o mundo tendo se tornado ícones da vinicultura nestes dois países. A Malbec é originária da região de Cahors sendo também uma das cepas autorizadas a fazer parte do corte bordalês, apesar de pouco usada, tendo encontrado em seu novo habitat, Mendoza/Argentina, sua Shangrila! A Tannat, por outro lado, nasceu no Madiran onde ainda se elaboram potentes vinhos de longa guarda, para mostrar-se em toda a sua plenitude no nosso vizinho Uruguai. Os vinhos tannat do Uruguai ainda são meio desconhecidos do grande publico, mas estes varietais ou blends com merlot, vêm gradativamente ganhando destaque na mídia especializada e espero que façam rapidamente a transposição para sua taça.

        Pergunte para um uruguaio e ele certamente lhe dirá que não tem nada como tannat para fazer companhia a uma boa carne. Já os argentinos, estes juram que a Malbec gera vinhos que têm tudo a ver com sua carne! Achei que estava na hora de conferir isso e no fim de semana fui a um churrasco na casa de um amigo com duas garrafas de baixo de braço; um Alta Reserva Tannat da Gimenez Mendez e um  Malbec  Reserva Tomero da bodega Vistalba.  Na churrrasqueira, os amigos Márcio e Raffa preparavam alguns cortes deliciosos que faziam antever um grande embate entre esses dois vinhos. Tinha costela de cordeiro, maminha, costela de porco com mostarda, picanha, enfim um verdadeiro pitéu que prometia! Sem bairrismos, somos neutros (um português e dois brasileiros), abrimos as duas garrafas e nos deixamos levar nas ondas dos mais intensos sabores.

           Com o cordeiro não teve nem graça, o Gimenez Mendez literalmente arrasou seu adversário combinando taninos firmes, mas elegantes com nuances terrosas e riqueza de sabores que harmonizou muito bem com a carne de gosto mais forte. O Tomero com seus 14.6% de álcool, taninos macios, doces e fruta compotada, não foi páreo. Porém, ainda tínhamos outras carnes a provar e vinho a tomar, a batalha mal começava!  Com a maminha, de sabores mais delicados, o Tomero mostrou suas armas mostrando-se mais equilibrado, mas na picanha e costela dançou de novo. Neste encontro, com estas carnes e estas pessoas, deu Gimenez Mendez na cabeça, mas faça você seu próprio juízo. No próximo churrasco, leve seu Malbec, mas não esqueça de colocar um Tannat na bagagem, você pode se surpreender!

Salute e kanimambo pela visita

Bela Cartada da Ravin

          Esta o Rogério e o Alberto, leia-se Ravin, guardaram na manga bem escondidinho até ao último momento, até para a maioria de seus colaboradores. Foi no lançamento do novo catálogo desta jovem importadora que ficamos sabendo da chegada de Frescobaldi a seu portfólio. Uma grande sacada já que são vinhos que não necessitam de apresentação pois sua reputação os procede. Alguns destes rótulos certamente farão seu caminho até as prateleiras da Vino & Sapore, quando efetivamente chegarem, mas não foi só isso que tinha lá não!

        Tinha os novos vinhos da Quinta de la Rosa, inclusive o bom Passagem com viés mais moderno em que a fruta e a concentração se encontram mais presentes,  tinha alguns consagrados como Sassicaia, Guidalberto e Le Difese, tem a chegada de alguns nomes ilustres como a chilena Valdivieso, Quantum e Groot Constantia Sul Africanas, Scharzhof Mosel  alemã, da Argentina a Bodega Chacra com seus incríveis pinots a lá Borgonha, uruguaios da Marechal e bons lançamentos da Santa Julia com o Magna e especialmente a linha Innovación com um intrigante Touriga Nacional, ótimos borgonhas, um muito saboroso corte de Syrah com Nero d’Avola da Calatrasi, enfim novidade e vinhos de qualidade não faltam num portfolio bem elaborado.

        Agora, sempre há um vinho de grande destaque e, para mim, não sobrou pedra sobre pedra após ter sido apresentado ao Quinta de La Rosa Tawny 10 anos. Absolutamente divino e sedutor com uma paleta olfativa inebriante e linda cor âmbar. Na boca é delicado, complexo, amêndoas, frutos secos, caramelo, equilibrado formando um conjunto essencialmente hedonístico que encanta desde a primeira “fungada” até ao ultimo gole deixando-nos a implorar por mais. Vinho longo, daqueles que fica na memória por muito tempo e, tentar harmonizá-lo com algo é desnecessário e inócuo já que ele faz, por si só, toda a festa sem contar que sua garrafa de 500ml é de uma classe e tanto que só vem valorizar seu conteúdo. Entre tantas beldades e seduções presentes nesse novo catálogo, certamente este estupendo Tawny é um rótulo que tem que ser observado e, preferencialmente porque não é passarinho (rs), ser sorvido com pouca ou nenhuma moderação! Maravilha, parabéns Sophia, ou será meu sangue Luso falando mais alto?!

Salute e kanimambo pela visita.

Degustando a Espanha com Luiz Otavio

          Mais uma vez o amigo Luiz Otavio do Enopira e VAM 2011, compartilha conosco sua experiência com uma degustação e desta feita com vinhos espanhóis. Vamos conhecer os vinhos provados e sua opinião?

Degustação de vinhos Espanhóis

Enopira- 17/02/2011

Vinhos apresentados:

 

1-      El Perro Verde 2009- DO Rueda

  • Produtor- Angel Lorenzo Cachazo- Pozaldez- Valladolid- Espanha.
  • Castas- 100% Verdejo
  • Teor alcoólico- 13%
  • Preço- R$ 69,00
  • Serviço- Servido a 8º C
  • Cor amarelo palha claro com reflexos esverdeados.
  • Nariz intenso e fresco, com vegetal, salsinha, alho porró, maça verde, capim e leve aniz.
  • Na boca mostrou-se  agradável, bem fresco, com boa acidez e sensações de vegetal, herbáceos, maça e pêra verdes, leve aniz e leve wasabi. Pouco encorpado, equilibrado, evolução muito boa; retrogosto intenso e muito bom, com boa persistência. Nota 78/15,5

 2-      Finca Nueva Tempranillo 2008- DOCa Rioja

  • Produtor- Finca Nueva- Briones- La Rioja- Espanha
  • Castas- 100% Tempranillo
  • Teor alcoólico- 13%
  • Preço- R$ 54,00
  • Serviço- Aberto meia hora antes e servido a 16º C
  • Cor rubi claro.
  • Nariz médio, meio artificial, com frutas vermelhas, ameixa, leve herbáceo e leve pimenta.
  • Na boca mostrou-se frutado, simples, com frutas vermelhas, leve verdor vegetal e uma impressão de tostado. Corpo médio, levemente desequilibrado, evolução neutra; retrogosto bom, com média persistência. Nota 70/14

3-      Finca Nueva Crianza 2006- DOC Rioja

  • Produtor- Finca Nueva- Briones- La Rioja- Espanha
  • Castas- 100% Tempranillo
  • Teor alcoólico- 13%
  • Amadurecimento- 12 meses em barricas de carvalho Francês Allier.
  • Preço- R$ 72,00
  • Serviço- Aberto uma hora antes e servido a 18º C
  • Cor rubi.
  • Nariz intenso com cocada preta, frutas vermelhas e pretas, pimenta, palha seca (chapéu de palha novo), leve acetato e caramelo ao leite.
  • Na boca mostrou-se agradavel, frutado, madeira presente e sensação de framboesa, cereja e ameixa maduras, caramelo, tostado e cocada preta. Corpo médio, equilibrado, evolução muito boa, retrogosto intenso e muito bom, com boa persistência. Nota 77/15,5

 4-      Martin Sarmiento 2005- DO Bierzo

  • Produtor- Martin Códax- Cambadas- Pontevedra- Espanha
  • Castas- 100% Mencia
  • Teor alcoólico- 14%
  • Amadurecimento- 6 meses em barricas de carvalho Americano e Francês Allier.
  • Preço- R$ 106,00
  • Serviço- Aberto uma hora antes e servido a 18º C
  • Cor rubi.
  • Nariz fechado, abrindo em sous bois, frutas silvestres, carne e leve madeira.
  • Na boca mostrou-se agradavel, típico, estilo meio rústico, taninos presentes (agradáveis), madeira discreta e sensações de frutas pretas maduras, amora, leve madeira, leve cravinho, carne de coelho/lebre. Encorpado, equilibrado, evolução muito boa, retrogosto intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota 79/16

 5-      L’Equilibrista 2007- DO Catalunya

  • Produtor- Can dez Mas- Barcelona- Espanha
  • Castas- 48% Syrah, 27% de Cariñena e 25% de Garnacha Negra
  • Teor alcoólico- 14%
  • Amadurecimento- 14 meses em barricas novas de carvalho Francês.
  • Preço- R$ 115,00
  • Serviço- Aberto uma hora antes  e servido a 18º C
  • Cor rubi escuro.
  • Nariz intenso com tostado, madeira, frutas vermelhas e pretas  maduras em compota, chocolate ao leite, leve frescor de menta/eucalypto canfora.
  • Na boca mostrou-se agradavel, intenso, com um ataque muito guloso e saboroso, pena que um pouco curto; frutado, viril, boa acidez e sensações de frutas vermelhas e pretas, tostado, tabaco, especiarias, tamarindo e chocolate. Encorpado, equilibrado, evolução muito boa, retrogosto intenso e muito bom, com media persistência. Nota 80/16.

 6-      Mestizaje 2009- VdT El Terrerazo (Vino de Pago a partir de 09/2010)

  • Produtor- Bodega Mustiguillo- El Terrerazo- Valência- Espanha
  • Castas- 55% Bobal, 15% Merlot, 15% Tempranillo, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Syrah
  • Teor alcoólico- 14%
  • Amadurecimento- 10 meses em barricas de carvalho Francês.
  • Preço- R$ 91,00
  • Serviço- Aberto uma hora antes e servido a 16º C
  • Cor rubi claro.
  • Nariz intenso com floral (hortênsia, gerânio), folha de tabaco, cereja, tostado, ameixa seca e pimenta.
  • Na boca mostrou-se muito agradavel, viril, complexo, elegante, taninos e madeira presentes (muito agradáveis), com sensações de frutas silvestres em geléia, tostado, cominho, pimenta e leve cocada preta. Encorpado, muito equilibrado, evolução muito boa; retrogosto muito intenso e muito bom, com boa persistência. Nota 84/17

 7-      Finca Terrerazo 2007- VdT El Terrerazo (Vino de Pago a partir de 09/2010)

  • Produtor- Bodega Mustiguillo- El Terrerazo- Valência- Espanha
  • Castas- 85% Bobal e 15% Tempranillo
  • Teor alcoólico- 14,5%
  • Amadurecimento- 18 meses em barricas de carvalho Francês.
  • Preço- R$ 174,00
  • Serviço- Decantado por uma hora e servido a 16º C
  • Cor rubi escuro.
  • Nariz fechado, abrindo com violetas, leve nanquim,  frutas vermelhas e pretas, chocolate e tostado.
  • Na boca mostrou-se muito agradavel, potente, complexo, lembrando um pouco os bons Touriga Nacional; com sensações de frutas maduras, tostado e chocolate. Encorpado, muito equilibrado, evolução excepcional; retrogosto muito intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota 86/17.

 8-      Quincha Corral 2007- VdT El Terrerazo (Vino de Pago a partir de 09/2010)

  • Produtor- Bodega Mustiguillo- El Terrerazo- Valência- Espanha
  • Castas- 100% Bobal
  • Teor alcoólico- 14,5%
  • Amadurecimento- 22 meses em barricas novas de carvalho Francês.
  • Preço- R$ 464,00
  • Serviço- Decantado por uma hora e servido a 16º C
  • Cor rubi escuro.
  • Nariz discreto com um leve floral, leve nanquim, frutas pretas, cedro, tostado e chocolate.
  • Na boca mostrou-se muito agradável, viril, harmônico, com sensações de frutas pretas maduras, chocolate, tostado e leve baunilha.
  • Encorpado, muito equilibrado, evolução excepcional; retrogosto muito intenso e muito bom, com ótima persistência. Nota 86/17.

 Saudações,

Luiz Otávio