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Portugal Enogastrocultural, uma viagem sensorial

           Dizem que s grandes perfumes vêm em pequenos frascos e, certamente, a enogastronomia deste pequeno país com pouco mais de 92 mil quilômetros quadrados, menor que Santa Catarina, faz jus ao ditado popular. Sua gastronomia  vai muito além do Bacalhau e seus incríveis doces conventuais, cada cidade com sua especialidade! É rica em frutos do mar e carnes diversas como borrego (cordeiro), leitão e cabrito, queijos deliciosos como os da Serra da Estrela e Azeitão com cada região produzindo uma culinária típica do pedaço, sendo um prato cheio para os amantes do vinho se esbaldarem em harmonizações das mais diversas, alimentando o corpo e, porquê não, a alma!

          Falar de vinhos neste país é falar de diversidade de sabores únicos advindos de uma enorme quantidade de uvas autóctones que nos fazem sair da mesmice dos Cabernets, Merlots e Chardonnays de nossa vinosfera. É uma viagem por sabores e emoções diferenciadas que vêm fazendo a alegria dos apreciadores do vinho pelo mundo afora desde muito tempo e é hoje considerado como a bola da vez! Pode-se pensar, no entanto, que a projeção do vinho português no mundo seja algo recente, mas muito pelo contrário! Desde o inicio do século XVII os ingleses já importavam vinhos que, mais tarde, se tornariam os Vinhos do Porto que conhecemos hoje. A primeira região produtora de vinhos demarcada no mundo, é exatamente a do Douro em 1756 ou seja, há muita história por trás dos vinhos portugueses. Com características únicas os vinhos Portugueses são, na sua maioria, elaborados com uma série de uvas autóctones pouco conhecidas fora do país como Trincadeira, Castelão, Alfrocheiro, Touriga Nacional, Baga, Jaen, Tinto Cão, Tinta Barroca nos tintos e Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Trajadura, Loureiro, Bical, Encruzado, Roupeiro, Rabigato, Gouveio e Fernão Pires entre os brancos. As uvas mais tradicionais como Cabernet Sauvignon, a Tempranillo que é uma casta típica da península Ibérica e que aqui se conhece como Aragonês (no Sul) ou Tinta Roriz (no Norte), a Syrah e Alicante Boushet muito presentes no Alentejo vêm também sendo usadas com sucesso tanto em vinhos varietais como em blends com maior ênfase  nas regiões produtivas mais novas como Tejo e Lisboa.

        Incrível como num país tão pequeno possa existir tamanha diversidade de regiões produtoras e com tantas diferenças entre si! Das mais importantes como Alentejo e Douro, de onde sai a produção mais emblemática do país, passando pelo tradicional Dão, a Bairrada da cepa Baga, Terras do Sado com seus bons tintos e emblemáticos vinhos Moscatel, Lisboa e Tejo com sua modernidade e o Minho dos vinhos verdes, entre outras. Já lá se vai o tempo de vinhos rústicos, pesados sem qualquer finesse! Estamos diante de um Portugal vínico revigorado que merece ser revisitado e conhecido sem preconceitos desde os vinhos mais baratos e jovens para consumo imediato até os vinhos de média e longa guarda de maior complexidade.  A maior parte dos vinhos portugueses são, historicamente, cortes (blends), elaborados com mais de um tipo de uva, na busca das melhores características que a safra produziu e do equilíbrio dos caldos. Ainda são poucos os vinhos varietais (de um só tipo de uva) ou monocastas, como os portugueses lhe chamam, e destes de destacam os elaborados com a Touriga Nacional, a grande uva Portuguesa. No mais, vinhos para todos os gostos e todos os preços, com nomes, por vezes, bem estranhos como; Pó de Poeira, Grilos, Bridão, Afros, Diga?, Má Partilha, Montado, Periquita, Blog, Anta da Serra, Bom Juiz, Óbvio, Claustrus, Corpus, Conversa, Adivinha, Palpite, Dados, Abandonado, Padre Pedro, Adega do Cálvario, Ninfa, Resrito, Bastardo, Tiara, HDL, Escultor, Pequeno Pintor, Cabeça de Burro, Cabeça de Toiro, Pintas, C.V., Gloria Reynolds, Olho no Pé, Varal, Curva, Cavalo Maluco, Pinote, Lobo Mau, Monte do Enforcado e por aí vai num interminável exercício de criatividade!

          Do Minho, no extremo norte, ao Alentejo no Sul passando por regiões como Douro, Dão, Bairrada, Tejo, Setubal  e Lisboa, estamos diante de um Portugal vínico revigorado que merece ser conhecido sem preconceitos desde os vinhos mais baratos e jovens para consumo imediato até os vinhos de média e longa guarda de maior complexidade.  A essa farta e gostosa gastronomia e seus vinhos saborosos adicionamos uma história rica decorrente das diversas invasões; romanas, francesa e moura que deixaram marcas e influências dignas de serem vividas e que tornam uma viagem enogastrocultural a este país, um programa imperdível e marcante!  Para quem já programa suas férias de 2012,  não deixe de conhecer a viagem que a Inês Cruz, jovem enóloga portuguesa, e eu concebemos para Fevereiro de 2012, aproveitando a semana de carnaval que já é meio perdida, que promete muito, mas enquanto isso que tal ir praticando? Eis algumas dicas de diversas gamas de preço para você se iniciar nessa viajem sensorial pelos vinhos lusos!

  • Dão – Boas Vinhas, Quinta de Cabriz Colheita Selecionada branco, Vinha Paz, Quinta de Cabriz Reserva, Quinta Mendes Pereira Garrafeira.
  • Douro – Caza da Lua, Quinta da Estação, Caldas, Quinta do Vallado, Vinha Grande, Altano Biológico, Duorum, Quinta do Crasto e Post Scriptum.
  • Tejo – Quinta da Lagoalva , Casal Branco
  • Lisboa – Fonte das Moças, Quinta da Cortezia Touriga, Prova Régia, Quinta de Pancas Grande Escolha
  • Setubal – Meia-Pipa, Quinta do Camarate, Quinta da Bacalhôa, Só Touriga Nacional, Moscatel JP
  • Alentejo – Vale da Mina, Fialho, Dom Rafael tinto e branco, Montoito, Cortes de Cima, Esporão, Herdade do Pinheiro, Vila Santa, Joaquim Madeira branco.
  • Minho – Muros Antigos Loureiro, Varanda do Conde, Muralhas, Quinta da Aveleda, Soalheiro Alvarinho, Deu la Deu, Portal do Fidalgo

entre muito outros deliciosos caldos lusos. Aventure-se por essas terras e descubra sabores únicos. Por hoje é só, mês está movimentado então dificil arrumar tempo para escrever, mas amanhã tem mais! Inshala!!!

Brancos Lusos I

        Portugal passa por um momento sublime em que todo o ano novos e muito bons rótulos brancos são lançados nas mais diversas regiões produtoras. Muitos são soberbos e com preços condizentes como o surpreendentes Cova da Ursa Chardonnay , Morgado de Sta. Catherina, Guru, C.V. , Primus ou Redoma Reserva Branco entre outros já mais conhecidos,  porém são novas estrelas que estão aparecendo nesta constelação de grandes vinhos elaborados em terras mais conhecidas por seus tintos. No entanto, minha chamada hoje, depois ainda publicarei mais algumas dicas de brancos e espumantes lusos acessíveis, é para vinhos que cabem no bolso da maioria e que certamente farão a alegria da maioria dos seguidores de Baco especialmente neste verão que está por chegar.  Uma dica importante, no entanto,  é prestar atenção na cor destes vinhos ao comprar  pois sua principal característica é a jovialidade e frescor. Cuidado com as ofertas deste estilo de vinhos brancosque já se encontrem bem amarelados e com preços lá embaixo, provavelmente o vinho já está passado e “moribundo” nem servindo para tempero! Melhor tomá-los com um ou dois anos de vida, três aceitável, mas cuidado com estes vinhos com idade superior a isso. Eis algumas sugestões de rótulos que andaram por minha taça recentemente numa revisão para uma matéria que preparo para uma revista, valem cada centavo!

Prova Régia – A uva Arinto produz vinhos de muito frescor e vem se dando muito bem na região Lisboa (ex-Estremadura). De aromas tropicais convidativos, na boca é refrescante, sedutor, rico e elegante mostrando-se algo crocante com notas citrinas refrescantes nos enchendo a  boca de puro prazer. Tem um estilo parecido com os Vinhos Verdes, dos quais também passarei algumas dicas mais adiante,  sendo assim, grande companhia para frutos do mar e comida japonesa, sushis e companhia, salmão. Um vinho delicioso, de média persistência que acaba de forma muito rápida na taça! Preço Médio: R$52,00

 Filipa Pato Ensaios Branco – mais um vinho da Filipa que faz vinhos realmente muito interessantes e saborosos dentro de uma faixa de preços bem camarada. Este é um blend (50/50) de duas uvas bem marcantes a Bical e a Arinto elaborado na região de Beiras que, para quem não conhece, fica ali próximo ao Dão e Bairrada. Passa um mês fermentando com leveduras indígenas, parte em tanques de inox e parte em madeira sendo o blend executado após este período. Aromas delicados e sedutores de boa intensidade, muito fresco, saboroso, cítrico e mineral, tem um final de boa persistência que convida á próxima taça. Por seu corpo médio e textura na boca, nos convida a alçar voos um pouco mais altos no quesito harmonização já fazendo par para pratos de peixe mais elaborados, até um bacalhau à Brás ou à Gomes de Sá. Mudaram o rótulo recentemente, preferia o antigo, mas importante é que o conteúdo continua igual! Preço Médio: R$50,00

        Na semana que vem tem mais dicas como esta e a coluna “Você Sabia?” retorna. Nesta semana faltou tempo, sorry. Salute, kanimambo e amanhã tem Dicas da Semana.

S. Leonardo Tawny 20 Anos, Inebriante!

        Pelo menos na minha modesta opinião. Já tomei diversos tawnies envelhecidos, inclusive este, em outros momentos de minha vida, todos muito bons, mas tinha-me esquecido como este S.Leonardo é impressionante. Daqueles vinhos que te deixam sem palavras ainda mais quando tomado em boa companhia como foi o caso. Esta garrafa comprei da Lusitana no desligar das luzes desta empresa que lamentavelmente não mais está por aqui. Não sei com quem ficou o produtor ou sequer se ele ainda se encontra presente no Brasil, mas certamente é um daqueles vinhos para compor o Wish List de qualquer enófilo amante dos caldos do Porto.

        Os aromas, a cor, os sabores, tudo é inebriante e sedutor. Um grande e inesquecível tawny elaborado com as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão. Elegante, macio, complexo, harmonioso e muito, muiiiiito longo, daqueles que apesar da taça vazia a gente teima em levá-la ao nariz e os aromas seguem nos preenchendo os sentidos de prazer. Um vinho excepcional, verdadeiro elixir dos deuses do qual preciso encomendar uma garrafas! Veio depois de um excelente Quinta Vale Do Meão 2001, finalizando um almoço para lá de saboroso na companhia de amigos, e o ofuscou, dá?! A última foto da direita, tirada pelo Alexandre, faz mais jus ao vinho!

Salute, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui

Argentinos Sedutores

        Sim existem, apesar das controvérsias, e falo dos vinhos! rs  Como já comentei, tenho provado bastantes ultimamente e dentro as diversas degustações de que participei alguns vinhos me chamaram a atenção provando que por lá também encontramos algumas surpresas. Hoje falo de um, mas tenho mais dois rótulos engatilhados e assim que der falarei sobre eles pois merecem um certo destaque entre os que provei.

Flechas de Los Andes  Gran Malbec 2008 – Tenho sempre um pé atrás com esses vinhos de alta gama argentinos pois tradicionalmente se excedem em quase tudo; muita concentração, álcool e taninos. Não falo do ponto de vista qualitativo, mas sim hedonístico pois são sensações essencialmente pessoais, simplesmente não me agradam! Ao levar essa taça á boca na degustação promovida pela Zahil para apresentar alguns de seus novos rótulos à imprensa especializada, uma enorme surpresa! Um Malbec 100%, 14 meses de barrica e 14,5% de teor alcóolico já pensei, lá vem mais bomba! Nada disso, ledo engano e uma sarrafada no preconceito inconsciente deste cronista do vinho!! Vinho delicioso, com toda aqueles frutos negros e exuberante dos bons Malbecs com nuances florais no olfato, boca de boa estrutura e volume, rico, saboroso, taninos finos e elegantes (uma meia hora de decanter lhe fariam bem) dando-lhe uma textura aveludada e sedutora que pedem mais uma taça. Encorpado porém, como no seu todo, sem exageros, finalizando com alguma baunilha, chocolate e algo de especiarias tudo muito bem balanceado por uma acidez no ponto que arredonda este vinho argentino de origem, mas de alma francesa já que os produtores são de Bordeaux.

        Com um preço ao redor dos R$90,00 me seduziu e certamente estará presente em minha taça mais vezes. Seu Gran Corte 2007, também é um belo vinho mas a “briga” é mais parelha na faixa de preço em que se encontra (R$180) e não chegou a me despertar suspiros ao contrário do Gran Malbec.

Por hoje é só. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Branco na Minha Taça

       De repente, eis que os caldos da península Ibérica começam a ganhar espaço novamente por aqui! Incrível como esta região vem crescendo em qualidade e disponibilidade por aqui, com aumento de market share a preços convidativos sendo fortes concorrentes ao vinhos argentinos e chilenos. Só para citar dois rótulos importantes numa faixa de preços mais convidativa, o Boas Vinhas da região do Dão (Portugal) e o Ribereño que vem de Ribera del Duero (Espanha), demonstram que há vida interessante abaixo dos R$40,00 sim senhor. Enfim, mas esse papo é para uma outra hora e hoje falo de um rótulo, num outro patamar de preço e qualidade, que me agradou bastante. Um branco espanhol muito saboroso que recomendo aos amigos especialmente neste verão que se aproxima.

Paco & Lola um albariño fino e muito elegante produzido em Rias Baixas na Galícia, terra que, em conjunto com Rueda, produz os melhores brancos da Espanha, pelo menos dos que eu tenho provado e excetuando-se os Viña Tondonia que são hors concours! Muito refrescante, sutil e sensual tanto no olfato quanto no palato, rico com uma forte personalidade cítrica, mas pêssegos e damascos também abundam por aqui numa segunda análise, bem balanceado apesar da acidez marcante, boa persistência com um final de boca muito saboroso. Perfeito companheiro para frutos do mar, sugeri para os amigos Rejane & Helio harmonizar com polvo defumado da Marithimus e foi, pelas noticias recebidas, um “maridage” perfeito.  Um vinho alegre e cheio de vida que levanta o astral e nos deixa gratas lembranças com aquele gostinho de quero mais na boca. Quem importa é a Almeria, pequeno importador que agora tem a mão do amigo Juan Rodriguez, e custa ao redor dos R$98 . Meu I.S.P.   

 

Espumantes Lusos

       Portugal é mais conhecido por seus tintos do que por seus espumantes e brancos, porém o que antes podia até ser entendido como surpresa é hoje um fato incontestável. Descubra os brancos e espumantes portugueses para sentir um pouco das sensações de que estou falando e confira você mesmo esta realidade. Como estamos entrando na primavera e em breve teremos as festas de final de ano e um verão para nos refrescarmos com caldos mais “energizantes” eis uma parelha de dois bons espumantes para você provar sem contar o gostoso rosé 3b da Filipa Pato que já comentei aqui ou aqueles que fizeram parte de meu Desafio Portugal x Brasil de espumantes.

Quinta da Romeira Bruto – não, não está errado não, é Bruto mesmo a denominação em Portugal. Da sub-região de Bucelas é um blanc de blanc, espumante produzido somente com casta branca, elaborado pelo método tradicional como a  maioria em Portugal. Boa perlage, espumoso perfazendo uma bonita coroa nas bordas da taça. Borbulhas finas de boa persistência, paleta olfativa algo tímida, é na boca, onde realmente importa, que ele se mostra. Boa Acidez, algum tostado com notas amanteigadas, frutos secos, um estilo mais sério do que estamos acostumado por aqui, mas muito bem feito e saboroso. Menos para bebericar e mais para comer, um espumante para acompanhar o buffet de ponta a ponta caso você esteja pensando num evento.

Produtor: Companhia das Quintas

Região: Lisboa

Cepas: Arinto

Importador: Interfood

Preço Médio: R$80,00

Luis Pato Maria Gomes Bruto – do famoso rei da Bairrada, o mais midiático dos produtores portugueses, um espumante que faz jus á fama do produtor. Nariz sedutor, em que as notas cítricas com algum floral estão bem presentes, nos convidam a levar a taça à boca onde as borbulhas finas e abundantes insistem em nos cutucar o palato despertando sensações muito agradáveis. Vibrante com boa acidez que se contrapõe a nuances de brioche e baunilha bem delicados, leve tostado, formando um conjunto muito apetecível que certamente acompanhará muito bem canapés de tartar de salmão e outros similares assim como comida Thai. Mais um tiro certeiro do mestre.

Produtor: Luis Pato

Região: Bairrada

Cepas: Maria Gomes (Fernão Pires) e Arinto

Importador:  Mistral

Preço Médio: R$75,00

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui com mais papo de espumantes e otras cositas más!

Imagem da Semana

Eh, eh, eh esta tirei na visita que fiz a Óbidos na companhia de meu primo Álvaro.

Para quem tem curiosidade de saber quem são elas, estas são as ginjas (um tipo de cereja). Divino, servido num copinho de chocolate e vira-se tudo de uma vez só! Quem for na viajem comigo terá a oportunidade de se esbaldar com as ginjas de Óbidos.

Salute, kanimambo e uma ótima semana par todos.

O Melhor Vinho Brasileiro?

        Como em qualquer tentativa deste gênero, certamente uma utopia, porém essas iniciativas são sempre interessantes pois provocam reflexão, trazem á prova uma série de rótulos menos conhecidos e quebram tabus. Utopia porque para que isso fosse verdade todos os vinhos produzidos no Brasil teriam que passar pela prova dos degustadores o que é inviável! Promovido pelo amigo Gustavo (Enoleigos) com apoio da Ibravin e a inestimável colaboração da Pizzaria Speranza no Bexiga, tive o privilégio de fazer parte de um pequeno grupo de pessoas convidadas a fazer parte desta banca de degustadores quando 19 vinhos foram colocados à prova. As fotos são do Gustavo e no blog deles você poderá ter ainda mais informação sobre esta degustação.

       No geral, um painel de vinhos de qualidade média boa e algumas surpresas tanto de resultado geral, fruto da média das notas, quanto de alguns vinhos que performaram muito bem e outros nem tanto. Vinho ruim, no entanto, não houve. Abaixo montei uma tabela de resultados da média da banca degustadora e a minha visão pessoal, mas antes alguns comentários:

  • Lote 43 2008 – A última vez que provei foi o 2004 e aquela garrafa me pareceu em franco processo descendente já procurando seu espaço de descanso eterno tendo me decepcionado. Este 2008 mostrou um enorme equilibrio, taninos finos bem presentes, frutos negros e alguma especiaria, complexo sendo ainda um vinho jovem que vai evoluindo na taça de forma muito agradável. Dei-lhe 87,5 pontos versus a média da banca que ficou em 86.
  • Dal Pizzol Touriga Nacional – estive presente em seu lançamento há pouco mais de três anos  e fico feliz que esta nova safra tenha comprovado tudo aquilo que achei naquele momento.  
  • Chesini Gan Vin – provei este vinho na loja após uma tremenda vertical de Don Melchor e o vinho se houve muito bem, mas ficou aquém nesta prova. Preciso abrir mais uma para conferir!
  • Storia 2006 – comprovou, pelo menos com esta garrafa, que está longe de seu incrível irmão mais velho o 2005. Esse sim um grande vinho e um dos melhores vinhos brasileiros que já tomei.
  • Salton Talento –  ano após ano esse vinho demonstra uma tremenda confiabilidade batendo muitos vinhos, inclusive estrangeiros, quando provado ás cegas.
  • Pizzato Concentus – a meu ver foi esta a grande surpresa do painel, já que foi minha terceira nota mais alta.
  • Tannat Don Laurindo – do ganhador, que foi meu sexto colocado, fica-me na memória sua paleta olfativa incrivelmente sedutora e marcante que só não ficou melhor na minha avaliação pois não entregou na boca aquilo que prometia no nariz, mas um belo vinho.
  • Angheben Teroldego e Minimus Anima do Marco Danielle – pouco conhecidos do grande publico comprovaram ser vinhos diferenciados a serem descobertos. Uma pena que não tivéssemos aqui um Valduga Arinarnoa e um Churchill Cabernet Franc, teria sido muito interessante. Dormi no ponto, deveria ter levado da mesma forma que fiz com o Minimus Anima!

Ranking da Banca

Ranking Pessoal

Rótulo

Safra

Preço

Dom Laurindo Tannat 10 anos 2005 R$105,00
13º Villa Francioni VF 2005 R$115,00
18º Rio Sol Paralelo 8 2007 R$70,00
12º Dal Pizzol 200 anos Touriga Nacional 2009 R$35,00
Miolo Lote 43 2008 R$100,00
Salton Talento 2006 R$70,00
Marco Danielle Minimus Anima 2008 R$75,00
Pizzato Concentus 2005 R$50,00
11º Valmarino Reserva da Familia 2005 R$70,00
Angheben Teroldego 2005 R$70,00
10º Cordilheira de Sant’Ana 2004 R$60,00
11º Aurora Millésime 2008 R$50,00
12º 17º Viapiana Gerant Sem Safra R$195,00
13º Boscato Gran Reserva Merlot 2005 R$75,00
14º 15º Valduga Storia 2006 R$115,00
15º 10º Pericó Pinot Noir 2010 R$50,00
16º 14º Lidio Carraro Quorum 2005 R$115,00
17º Marco Danielle Fulvia Pinot Noir 2009 R$120,00
18º 16º Chesini Gran Vin Cabernet Sauvignon 2005 R$55,00

         Os preços podem variar, até em função de sua origem já que os preços no Rio Grande do Sul são bem inferiores aos de São Paulo que paga 31% para os importar. O ganhador ficou com uma média de 87,15 pontos e o último colocado com 80,90. Já meu último ficou com 80 pontos, sendo que para finalizar meu ranking acabei desempatando alguns vinhos com uma análise mais criteriosa aqui em casa.

        Não poderia deixar de finalizar este post sem mencionar a Pizzaria Speranza e seu staff pelo ótimo serviço, simpatia e atendimento. Gente,  fazia tempo que não comia uma pizza de Margherita como essa, é certamente um motivo para dar uma passada por lá sem contar aquele pão de linguiça (Tortano) que é divino!

       Salute, kanimambo e sigo dizendo; vinhos brasileiros cresceram muito em qualidade valendo a pena fazer parte de sua mesa, o problema continua sendo preço e estratégia comercial. Um dia , espero, conseguirão equacionar esses três pontos, torço por isso!

Tour Enogastrocultural

       Conhecer os vinhos e gastronomia de um país é sempre um processo de mergulho na cultura de um povo.  Por outro lado, e a história desse povo fora da nossa vinosfera? Pois bem, eu e a amiga Inês Cruz da Viavitis, enóloga portuguesa da região do Dão, unimos esforços para com nosso conhecimento das coisas e vinhos de Portugal, montar uma viajem inesquecível e, modéstia á parte, show de bola!!

           Serão dezesseis noites e dezessete dias, saindo daqui dia 15 de Fevereiro (primeira semana é carnaval)  e voltando dia 3 de Março do ano que vem. Do Minho ao Alentejo descobrindo paisagens e lugares diferentes, conhecendo a cultura de um país pequeno mas repleto de história , aproveitando o melhor da gastronomia da terra que, pasmem (rs), não é só bacalhau e nos deliciando com os vinhos provados in loco em bate-papo com mais de doze produtores conhecendo incríveis vinícolas.

 

          Certamente uma viajem que ficará na memória de cada um dos 20 participantes que nos acompanharão. Em breve passo detalhes, mas quem tiver interesse de subir nesse avião conosco sugiro já antecipar seu desejo enviando-me seu comentário e solicitação de preços e roteiro, logo logo entro em contato. Nossa viagem partirá de São Paulo, mas amigos do Brasil inteiro são bem-vindos. Vamos nessa?!

Salute e kanimambo

Um Sassicaia Cortou o meu Caminho

         Até aí, nenhuma grande novidade!  Não que este seja visita constante, mas não chega a ser nenhuma grande novidade também, só que não foi esse rótulo que você conhece apesar deste também levar o selo de qualidade Incisa Della Rocchetta . Tão pouco foi o azeite que você já ouviu falar. Este Sassicaia foi diferente, algo mais inusitado e único que me seduziu por completo numa degustação em que estive ontem e olha que eu não sou assim tão chegado em destilados! Aliás, como dizem os ingleses. “it swept me off my feet”!

        O saudoso Angelo Fornara um dia me disse que sua mamma possuía uma sabedoria muito pessoal sobre vinhos que ele respeitava muitíssimo. Enchia o copo, olhava, cheirava, levava á boca e dava seu veredito; “mi piace ou no mi piace”! Invariavelmente estava certa. Minha relação com destilados, apesar de algum treinamento olfativo e palativo em decorrência do vinho, anda um pouco por aí e, neste caso, mi piace molto!!!

O Sassicaia que cruzou meu caminho foi esse aqui do lado da Poli Elegant, por sinal também muito boa. Uma grappa produzida pela Poli na região do Veneto e trazida pela Zahil. Jacopo Poli é um destilador que resgatou a história de seus antepassados, produtores desde 1898 e tem uma frase que acho genial; “O segredo de fazer uma boa grappa é simples. Um precisa de bom e fresco bagaço fermentado de uvas e 100 anos de experiência”!  Neste caso, bagaço fermentado de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon envelhecido por  quatro anos quando termina seu afinamento com seis meses em barricas usadas pela Sassicaia. Muito aromática, estruturada e elegante com a madeira lhe aportando uma complexidade adicional, difícil descrever todas as sensações sentidas,  mas  no site o produtor a chama de majestosa e tendo a acompanhar essa descrição!

          Uma grappa de meditação, como um vinho que lá provei e depois comentarei, para curtir com calma vendo o sol se pôr ou ao lado de uma lareira numa noite fria. Há muito não me entusiasmava tanto com algo de origem etílica. Não sei se é caro, não tenho parâmetros de comparação pois essa não é minha praia, mas custa uma grana legal, algo ao redor de R$520,00, que se estiver sobrando recomendo usar na compra de uma garrafita dessas e curtir com moderação, é excepcional!

        Dos vinhos provados falo num outro dia, mas garimpei um verdadeiro achado – um saboroso Rioja com 18 meses de Crianza por um ótimo preço – descobri um ótimo Malbec, que normalmente não me impressionam muito,  e confirmei a grandeza dos vinhos da Casa Ferreirinha! Por hoje é só, salute, kanimambo e bom fim de semana.