Países & Produtos

Malbec e Bacalhau, Não é que Deu Tango!

      Adoro essa experiências! Algumas dão errado, mas me esbaldo quando dão certo e esta deu muito certo porque há mil formas de preparar bacalhau e os mais diversos estilos de Malbec então é uma questão de prova e uma certa dose de sede de novidade com uma pitada de ‘aventura”. rs Na enogastronomia “inventar” pode ser uma muito boa pois vivemos nos surpreendendo e aprendendo.

     Faz uns quinze dias estava provando este vinho na loja e me surpreendi muito positivamente com sua elegância e finesse, algo não muito costumeiro nos vinhos dos Hermanos mais conhecidos por sua concentração e potência. Levei o resto da garrafa para casa para provar com mais calma e aproveitei para tentar harmonizá-la com um prato de Penne com Bacalhau e Brócolis, ficou da hora, mas vejamos por quê e que vinho é esse.

         O vinho é o Gougenheim Valle Escondido Malbec 2010 com educados 13.5% de teor alcoólico elaborado na sub-região de Tupungato em Mendoza a cerca de 1000 metros de altitude. Na cor é rubi com toques violáceos típicos da cepa sem a típica super extração que resulta em vinhos muito escuros. Nariz sedutor de frutos negros com nuances florais, pelo menos assim me pareceu, que convidam a levar a taça à boca onde ele se mostra extremamente sedutor, equilibrado e elegante com taninos macios e sedosos, boa estrutura, corpo médio e um final muito agradável algo especiado que pede mais uma taça. Leve passagem por madeira  (4 meses) muito bem balanceada que lhe aporta alguma complexidade de sabores ressaltando suas virtudes. Parker lhe deu 87 pontos, eu lhe daria talvez um pontinho a mais pela boa relação Qualidade x Preço x Prazer pois é um vinho de preço final ao redor dos R$49,00 a 55,00 dependendo da loja, mas o tenho visto em promoção por R$39,00 o que o torna irresistível e imperdível!  

        Tudo levava a crer que poderia encarar meu bacalhau com galhardia e efetivamente isso se comprovou. O prato é leve e o vinho deu-lhe um pouco mais de corpo sem se sobrepor em função de seu equilíbrio e elegância, uma harmonização como a que sempre buscamos em que ambos os players crescem quando juntos, o famoso 2 + 2 = 5 que faz com esse mundo da enogastronomia não seja binário e eu adoro isso! Não é sempre que conseguimos, mas nesta “maridaje” me dei bem. Por sinal, o prato foi regado com o incrível azeite não filtrado da Malhadinha (Alentejo) o que fez o prato crescer um montão, esse ando consumindo a conta-gotas!!

       Se ainda fizer um friozinho e você quiser aproveitar para tentar algo diferente, tente harmonizá-lo com Fondue de Queijo, acho que pode dar samba, ou harmonize-o com amigos num alegre bate papo acompanhando uma linguiça de pernil com ervas como aperitivo, também vale por sua versatilidade, e o preço está muito camarada! A importadora é a Almeria que vem primando por nos ofertar alguns “achados” por preços bem convidativos. Dizem que o Syrah deles também é muito bom, mas esse ainda não provei e quando o fizer vos conto.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para os amigos.

Vinhos Verdes e Vino & Sapore te Levam a Portugal

         Ou pelo menos te darão uma chance de concorrer a uma semana em Portugal! Para tanto, o primeiro passo é tomar Vinho Verde, mas pergunto quem realmente conhece o que é o vinho verde? Tem até gente que escreve sobre vinhos e não sabe que os vinhos verdes são oriundos de uma única região em Portugal, o Minho, então acho que uma pequena introdução não faz mal a ninguém.

         A região do Minho fica no extremo norte de Portugal e, afora ser das regiões mais verdes do país, é também berço da história do país tendo na cidade de Guimarães o berço da nação, tendo sido nomeada como a primeira capital do reino por Dom Afonso Henriques. De  Monção e Melgaço no norte a Amarante e Penafiel ao Sul, uma região de muita história,  e frescos vinhos que combinam bem com a comida regional. De extensa costa, rios e vales férteis a região oferece uma diversa e marcante gastronomia a começar pelo mais que tradicional caldo verde, passando pelo bacalhau, polvo e os famosos rojões de porco.

         Por aqui, estamos mais acostumados e ver os vinhos verdes brancos, porém por lá é muito comum a versão tinta que é tradicionalmente tomada fresca. As principais castas brancas são a Alvarinho, a Loureiro, a Arinto (por lá mais conhecida como Pedernã) e Trajadura já as tintas mais comuns são a Vinhão, Souzão, Azal tinto e Rabo de Ovelha. Estes vinhos têm como marca principal, a grande acidez dos vinhos produzidos e um teor de álcool bastante comportado o que o fazem um tremendo companheiro para os quentes dias de verão e ótima companhia para os pratos á base de frutos do mar elaborados das mais diversas formas, como por exemplo brusquetas de ostra defumada Marithimus, mas especialmente os fritos e grelhados. É, porém, também uma companhia perfeita ás carnes de porco e, como já postei por diversas vezes aqui, em especial à costelinha de porco na brasa ou a nossa feijoada. Podem provar sem susto, é satisfação garantida!

         Bem, para conhecer mais e se embrenhar nos segredos do Vinho Verde há dois caminhos; lendo (acesse o site http://www.vinhoverde.pt/default.asp ) e provando. A Comissão Vitivinícola Regional do Vinho Verde lançou no Brasil uma promoção para lá de especial e a Vino & Sapore embarcou nessa caravela a caminho de terras lusas. Na compra de qualquer vinho verde, você ganha um passaporte e registra nele toda a garrafa de vinho verde comprado (todas as garrafas possuem um numero de registro). Ao você juntar dez registros, basta preencher uma frase no passaporte e enviar para a CVRVV em  Sampa e pronto, já estará concorrendo a uma viagem de uma semana a Portugal ,obviamente ao Minho, a região dos Vinhos Verdes.

A CVRVV estará presente no 1º Granja Viana Wine Fest com quatro vinhos que demonstrarão bem toda a diversidade dos vinhos da região:

Quinta de Linhares Arinto  (importadora Premium)/ Xisto Alvarinho (Importadora Vínica) / Muros Antigos Loureiro (importadora Decanter) e Varanda do Conde (Trajadura com Alvarinho) .

Venha provar, compre e ganhe seu passaporte, a promoção será válida até dia 10 de agosto  e você pode saber mais dela clicando aqui > http://www.facebook.com/vinhoverdenobrasil#!/vinhoverdenobrasil/app_208527462518885. Lá, também, uma lista de outros locais onde você pode comprar seus vinhos e ganhar o passaporte, mas só no 1º Granja Viana Wine Fest você prova antes de comprar! Vos esperamos lá. Salute e kanimambo. Se quiser comprar seus convites e garantir sua presença no 1º Granja Viana Wine Fest, clique aqui.

Andresen Porto Colheita 1910, o Melhor Vinho de Minha Vida – PURA EMOÇÃO!

Bem, depois de tanto suspense finalmente citarei o nome do elixir que me seduziu e me levou ao nirvana. Me considero um degustador experiente com alguns milhares de rótulos na bagagem, de tudo o que é estilo, cor e origem, mas mesmo com esse “calo” me emocionei como nunca dantes perante um vinho. Como disse, a degustação se deu na Expovinis e foi algo fora deste universo, pois se tratava de uma prova vertical em que estavam presentes nada menos nada mais do que 13 vinhos de 13 safras diferentes, sendo a primeira de 1998 e a última a de 1900 tomados nessa ordem. Sim você leu corretamente, 1900! É até provável que você já tenha lido sobre elas em posts publicados por outros privilegiados participantes desse evento promovido pela  J.H. Andresen de Vila Nova de Gaia, onde história e grandes vinhos se misturam em perfeita harmonia. Hoje capitaneada por Carlos Flores, a empresa foi fundada por um jovem dinamarquês de apenas 19 anos de idade em 1845, Jann Hinrich Andresen nome que até hoje prevalece na porta desta casa produtora portuense mostrando que mesmo com as mudanças de proprietário a história e tradição foram mantidas.

Foi Carlos Flores que nos recebeu nesta magnifica degustação comentada com louvor pelo conceituado critico português e jornalista do vinho Rui Falcão – Revista Wine a Essência do Vinho, e os divertidos pitacos de quem hoje comanda as caves, o enólogo Álvaro van Zeller. Show de bolae uma tremenda sinergia entre os três só batida pela excelência deste Portos Colheita na taça e na boca. A maioria dos vinhos é mantida nos cascos (600 litros) sendo engarrafados aos poucos e de todos os vinhos provados, somente um já não existe no casco e está totalmente engarrafado, o de 1937 engarrafado em 1980, uma joia rara que meu amigo César tem o privilégio de ter em sua rica adega (me aguarde César! rs).

Carlos Flores teve o privilégio de seu antecessor ter sido um “colecionador” de Portos já que ao longo de sua vida só comprou e fez vinho sem vender, estocando e envelhecendo esses caldos com toda a paciência do mundo. Da mesma forma, Carlos já trabalha nos vinhos da próxima geração que provavelmente não verá saírem ao mercado, estranho não? Começam a entender a razão de tanta emoção na taça? É pura historia, tradição e cultura engarrafadas!!  Para elaboração desses Tawnies Colheita Velhos, Álvaro de Castro separa os melhores caldos em 50  cascos para envelhecimento nas caves da empresa. O restante dos vinhos é colocado no mercado com uma média de doze anos de idade e nunca menos de oito! Uma característica importante destes vinhos é que, depois de engarrafar, ele permanece dormente por cerca de 10 anos e só depois desse período é que se inicia um novo processo de evolução, agora na garrafa. Estes vinhos com mais de 40 anos em casco, ganham cor e taninos que tiram da madeira em que sencontram e devem ser servidos por voltas dos 10 a 12ºC.

Afora 0 1937, esgotado na adega, que está engarrafado e consequentemente com “packaging” final e comercial, todos os outros são amostra de cascos sem rótulos comerciais.  Iniciamos a degustação com o muito bom 1998 e eu tomando minhas anotações. Na sequência os 97 / 95 / 92 (divino) / 91 (excelente) a essa altura e já entrando em êxtase me perguntei, que diabos faço eu aqui tentando explicar o inexplicável, analisando estes elixires que são impossíveis de ser descritos? Parei de tomar notas, relaxei e curti a viagem pois chegaram á mesa o; 82 (grande!) / 81 (genial) / 75 (dá para ficar melhor?) / 68 (maravilha, uma obra de arte) / 63 (para tomar de joelhos) / 37 (impressionante) /10 (obrigado meu Deus por ter me dado este privilégio!) / 00 (acabaram-se os adjetivos qualitativos e os vinhos)!!!!!

Andresen Porto Tawny Colheita 1910 o Vinho da Minha Vida

 Se você esperava que eu ficasse aqui descrevendo este vinho com sua riqueza e complexidade, sua elegância, incrível textura e sofisticados aromas, acidez impressionante para um vinho de mais de 100 anos e um final interminável, esqueça pois o vinho é muito mais que isso! É indescritível, vai fundo, passa do olfato e palato mexendo com todas as nossa emoções, um vinho que beira a perfeição, se é que ela existe, e nos alcança a alma. Um ancião vibrante e cheio de vida!

Soberbo seria dizer pouco desse incrível elixir de Baco que, vi na Revista de Vinhos portuguesa, custa algo ao redor de 2.500 Euros a garrafa. Quem tiver essa grana eu sugiro ver com a vinícola se pode engarrafar em garrafas de 200ml (rs) e comprar umas duas dúzias para ir tomando ao longo da vida no escurinho do quarto, uma boa musica instrumental de fundo , olhos fechados deixando a emoção tomar conta e viajar no tempo! De chorar de felicidade e emoção á flor da pele ainda hoje quando escrevo estas linhas na tentativa de compartilhar com os amigos esta experiência que espero não venha a ser única em minha vida. Uma pena que não consegui uma garrafa dessas para meu altar de baco, mas vinho de excelência é assim mesmo, a persistência é interminável, na mente!

Hoje, um kanimambo muito especial ao pessoal da Essência do Vinho e ao Rui especialmente por sua apresentação, ao Carlos Flores por sua generosidade ao Álvaro de Castro pelo que está a fazer na adega, ao Jann Hinrich, ao Albino Pereira dos Santos que fundou esta nova fase da vinícola em 1942, a todos aqueles que contribuíram com estes incríveis caldos. pelo que sei ainda não enontraram o parceiro certo aqui no Brasil, então não sei quem o revende e tão pouco quanto custará por terras brasilis. Interessante que a grande parte dos vinhos que deixaram marcas na minha mente tenham sido doces; Pendits Tokaji Essenzia 2000, Porto Dalva Branco 63, S. Leonardo Porto Twany 20 anos, Moscatel Roxo 1971, Quinta do Vesuvio Vintage 2007, entre outros.  Não sei o que me espera amanhã, quanto mais o resto da minha vida, mas até hoje, nada melhor que o Andresen Colheita 1910 preencheu a minha taça!

Salute e que baco lhe proporcione a mesma experiência que tive num futuro não tão distante, seja com este rótulo ou com qualquer outro, pois sentir essas sensações é pura emoção, algo tão marcante que se torna inesquecível. Um vinho de reflexão e meditação para ser aplaudido de pé, e foi!

O Melhor Vinho de Minha Vida

         Aos cinquenta e sete anos, já tomei e provei muita coisa. Grandes e inesquecíveis vinhos, vinhos que são verdadeiras lendas, algumas zurrapas, muito vinho saboroso e bem feito que cabe no meu bolso e me deu muito prazer de tomar, mas igual a este nunca!

Meus leitores e clientes costumeiramente me fazem a mesma pergunta, “de que vinho você gosta mais?” Impreterivelmente a resposta é sempre a mesma, não sei!  Tenho uma queda por vinhos harmônicos, elegantes e bem equilibrados repletos de personalidade, adoro os vinhos ibéricos, mas já tive na boca incríveis vinhos franceses, italianos, australianos, sul africanos e até chilenos e argentinos, creio que mais do que tudo, adoro a diversidade. Até brasileiro já me encantou, porém igual a este nunca!

Tive alguma experiências hedonísticas de cair o queixo e deixar marcas na memória que não se apagam com o passar do tempo. Algumas já escrevi aqui no blog e nas colunas que escrevo, outras não como a recente prova dos Bordeauxs de 2009 ou o encontro com o Consorzio de Brunello que ainda aparecerão por aqui, mas igual a este nunca!

         A esta altura vocês já devem estar se perguntando, afinal, o que este Tuga está inventando, mas calma, pois como minha mãe já dizia, o apressado come cru e, afinal, o suspense faz parte deste momento, de abrir as cortinas e mostrar esse magnifico elixir digno do cálice de Baco e de meu altar de divindades. Lamentavelmente não fiquei com a garrafa vazia, só tirei foto, mas aguarde um pouquinho mais! Nada de glamour, não é nenhum produtor midiático, conhecido do mundo enófilo mundial, é um artesão do vinho que guarda há décadas, alguns há mais de cem anos, cerca de 6500 cascos e pipas do doce néctar em suas caves.

          Foi na Expovinis, no dia 25 de Abril de 2012 entre as 16:30 e 17:30, num salão repleto, gente saindo pelo ladrão, com cerca de uns 80 felizardos entre membros da imprensa, estudiosos e enófilos que tiveram o privilégio de conseguir entrar. Um evento quase que único no mundo, já que haviam vinhos sendo servidos que nos últimos 30 anos só tinham sido provados duas vezes! A grande maioria dos vinhos eram amostras dos cascos, não estava engarrafada para comércio à excessão do 1937. Para nos ungir  com estes néctares, nos esperavam um “apresentador” e reconhecido especialista, o pai das crianças, ou melhor dos anciões, e seu alquimista mor que, nunca tinha visto isso antes, foram ovacionados de pé por um longo tempo ao final do evento histórico.

           São vinhos que nos tocam a alma, que nos fazem viajar, que mexem com nosso imaginário e com todos nossos sentidos, em especial  com nossas emoções que afloram à pele de forma intensa e até meio desgovernada. Mesmo agora, quando tento escrever sobre eles, me arrepio e meus olhos emudecem, uma experiência absolutamente fantástica e inebriante. Como fala meu amigo Didu, o mundo dos parafusos não consegue fazer isso com a gente! Bem, mas depois de todo esse blá, blá, blá o post já ficou longo demais, então na Quinta falarei mais do produtor, dos caldos provados  e, em especial, desse que foi o Melhor Vinho de Minha Vida, até agora!

        Nesta Terça teremos a coluna da Eliza, na Quarta os finalistas do concurso das Vinopiadas, Quinta já sabem, e na Sexta dicas para um mês repleto de eventos de primeiro nível. Por hoje é só, uma ótima semana para todos, salute e kanimambo. A luta continua, abaixo com as salvaguardas e quem as apoia!

Toscana na Vino, Um Festival de Sabores

           Ultimamente tenho realizado uma série de encontros temáticos em que coloco em prova as sensibilidades sensoriais de cada um na busca da melhor harmonização entre vinhos e pratos. Neste caso, para um restrito grupo de no máximo 13 pessoas, nosso propósito era testarmos a capacidade de harmonização de grandes vinhos da Toscana até R$200,00 e um prato mais típico de outras regiões como o ragu de ossobuco que, no final, acabou mesmo é sendo um ragu de rabada por uma falta de comunicação entre mim e o chef, meu amigo Ney Laux. Isso no entanto, não tirou o brilho ao encontro, pois o prato estava, como de costume, soberbo.

         Para a provas de harmonização, ás cegas obviamente, cinco vinhos de grande qualidade que foram primeiramente degustados solitos. Nesta primeira parte da prova, os preferidos de cada um variaram mostrando a boa qualidade dos rótulos nas taças, mas um se destacou o de número cinco. Como, no entanto, com o prato tudo pode mudar, lá fomos nós para um repeteco de caldos para encarar o ragu de rabada sob uma cama de polenta que por si só já nos faziam aguar. Pessoalmente achei que o número três cresceu muitíssimo com o prato, porém  o ganhador por maioria foi novamente o número cinco.

        Enquanto somávamos os pontos dados pelos amigos presentes, começamos a preparar a sobremesa, uma deliciosa Torrada Elisé (que de torrada não tem nada) obra de um outro chef de primeira, Roberto Strongoli, que prepara este doce com uma massa coberta por lascas de amêndoas e um creme suave e muito saboroso com as ditas cujas. Para acompanhá-la, um excelente Vin Santo da Cantina Leonardo (W&W Wine)  que harmonizou á perfeição, digno de uma Gran Finale!

Ah, você quer saber quem era quem, pois bem os caldos concorrentes escolhidos a dedo por sua qualidade cobriam quase que toda a região da Toscana e diversos importadores: na mesa e na taça em ordem de serviço;

  • Da Vinci Chianti Riserva (W&W Wines) – um degrau abaixo dos demais (inclusive de preço) masdelicioso na taça tenso se ressentido um pouco na hora de acompanhar o prato. Por volta dos R$110,00 vale cada centavo.
  • Badia a Passignano Chianti Clássico Riserva (Winebrands) – literalmente um clássico de extrema elegância com uma paleta olfativa intensa e sedutora que encanta à primeira fungada. Já o comentei no blog antes e mais uma vez mostrou ao que veio! Vinho na casa dos R$180,00 e deixa saudades.
  • Villa di Capezzana  (Mistral) – o menos conhecido de todos os desafiantes e um vinho que há muito conheço e curto daí ter feito questão de o incluir neste saboroso exercício sensorial. Um vinho de uma das primeiras DOCs da Toscana, Carmignano, que demanda uma participação miníma de Cabernet Sauvignon no blend. Vinho fino, complexo e sedoso no palato. Custa ao redor de R$165,00, mas depende das variações cambiais.
  •  A Sirio (Zahil) – falar deste vinho é chover no molhado! Da safra de 2004, a mais antiga deste encontro, se mostrou o mais novo no quesito estrutura junto com o Rosso. Um vinho de guarda de altíssima qualidade que ainda vai fazer muita gente feliz nos próximos três a quatro anos, provavelmente mais. Custa por volta dos R$170,00.
  • Le Difese (Ravin) – faz jus à fama da vinícola que tem no Sassicaia, região de Bolgheri, seu vinho ícone. Um vinho absolutamente sedutor, bom agora e com um futuro promissor, que demonstra bem a capacidade desta vinícola em produzir grandes vinhos. Preço ao redor de R$180,00.
  • Caprili Rosso di Montalcino (Decanter) – vinho que mostra bem toda a estrutura e força, marca de um estilo de vinhos de Montalcino que tanto encantam os brasileiros. Um vinho vibrante e marcante que custa por volta dos R$135,00.

        Todos caldos abençoados por Baco, cada um com seu estilo e sua personalidade, vinhos que recomendo. O grande vencedor deste verdadeiro desafio sensorial e hedonístico foi o Le Difese, terceiro vinho da Tenuta san  Guido (leia-se Sassicaia) que mesmo sendo ainda bastante jovem (09) mostrou-se muito bem tanto só quanto acompanhando o prato, um vinho que encanta e seduz tanto os que apreciam vinhos mais estruturados quanto os que seguem uma linha de mais elegância. Um vinho sofisticado, rico, equilibrado tanto no olfato quanto no palato, caldo que seduz facilmente quem tem o prazer de o conhecer, sem duvida o melhor vinho da noite conforme os amigos presentes e, conforme pesquisado, talvez o melhor le Difese já produzido. O resultado final ficou sendo; Le Difese, Badia a Passiganano, A Sirio, Caprili Rosso di Montalcino, Villa di Capezzana e Da Vinci Chianti Riserva num desafio em que imperou a qualidade.

      Já que o evento era da Toscana, levei de casa meu azeite especial da Tenuta San Guido como “antepasto” acompanhado de mini ciabatas, absolutamente divina essa combinação e o azeite, verdadeiramente extraordinário! Mais um encontro bem sucedido e uma harmonização perfeita já que o momento foi extremamente agradável e é essa verdadeira razão do vinho, gerar prazer e convívio social harmonioso, o equilíbrio entre vinho + prato + momento + pessoas!

Salute e kanimambo

Revisitando um Clássico, Don Curro

          Cozinha minimalista não é minha praia. Não que não seja legal, uma experiência de sabores e texturas diferentes, mas gosto mesmo é de um prato farto em diversos sentidos. Existem em São Paulo alguns restaurantes que fizeram história e seguem sendo ícones de uma época, um deles eu frequentei há 30 anos e ultimamente revisitei por duas vezes com enorme felicidade pois vi que pouco mudou e, o que mudou foi para melhor!

        Falo de um clássico da cozinha espanhola, o Don Curro! Com mais de meio século nas costas, é um restaurante que não deixa duvidas ao que veio; celebrar suas raízes espanholas e a família, tanto no que se refere aos seus consumidores quanto à sua administração que é feita pelos irmãos Rafael e Zé Maria. A cozinha, como tem que ser, toda envidraçada, viveiro de lagostas na entrada, tapas incríveis, pratos para dois (sim, ainda há gente que cultiva esse bom hábito) e um preço justo face a quantidade e qualidade servida.

        No final do ano passado estive por lá numa degustação de Cavas e me deliciei com os diversos tapas servidos. Chorizo argentino e Presunto cru espanhóis de importação exclusiva, linguado á doré no azeite, croquete de jamon, polvo á la feria, manjubinha escabeche, camarãozinho alajillo,  não precisa nem pedir prato principal! Um vinho branco, sangria ou um Cava de sua adega subterrânea, boa companhia e a felicidade enogastronomica será completa! Já que falamos de clássicos, no entanto, suas paellas (pronuncia-se Paêlha e não Paeja) são a marca registrada da casa e famosas, para muitos a melhor da cidade.

        A primeira adega subterrânea e climatizada a ser construída nos restaurantes em Sampa, um viveiro de lagostas, uma peixaria de primeira com recebimento diário de produtos, tudo é pensado e executado com extremo detalhe e dedicação para dar, com excelência, sequencia ao projeto de Don Curro Dominguez (ex-toureiro) e Dona Carmen há 54 anos. Nesta última incursão, em que tive o privilégio de circular pelos bastidores do restaurante, um magnifico prato de lulas recheadas os quais foram acompanhados por um vinho branco diferenciado e também de importação exclusiva, o Ramon de Bilbao Viura fermentado em barrica. Comem três (!) e custa R$102,00 sacou?!

        O vinho me encantou tanto quanto a comida e a “maridaje” com o prato foi perfeita. A Viura se dá bem com madeira e envelhece bem, os Vina Tondonia que o digam, e este da safra de 2009 só vem confirmar isso. Extremamente aromático, seduz rapidamente por uma paleta olfativa deliciosa e cítrica. Na boca mostra um corpo médio, bem estruturado e finamente equilibrado por uma acidez gulosa que pede comida como esta lula recheada. Ah, ia-me esquecendo dos “postres”! A Torta de Santiago é demais de boa, mas me encantei mesmo pela Torta Espanhola! Vá até ao fim, não se acanhe não, pois as sensações palativas despertadas valem a pena e cada centavo gasto.

       História repleta de estórias, como a de quando foram parar na delegacia de Itanhaém há mais de 30 anos ao serem pegos retirando água do mar com um caminhão pipa para seu viveiro de lagostas! Ainda bem que a tecnologia solucionou esse problemas !! rs. Uma viagem ao passado com muita qualidade mostrando que, como os bons vinhos, a gastronomia também pode envelhecer com classe  evoluindo com o tempo. Uma experiência enogastronomica em São Paulo que recomendo a quem aprecia as coisas boas da vida. Ficam em Pinheiros, Rua Alves Guimarães 230 e você pode conhecer mais clicando aqui e visitando seu site onde poderá fazer uma visita virtual à linda adega da casa.

Salute e kanimambo.

Coluna da Eliza – O Languedoc

            Antes dela se apresentar e começar a introduzi-los no mundo enogastronomico do Languedoc, deixa eu falar um pouco da Eliza. Durante muitos anos ela foi a alma e força motora por trás da Lusitana de Vinhos, uma importadora que fechou há uns anos e deixou saudades. Lembro bem dos; Quinta Giesta, especialmente o rosé, vinhos bem honestos da região do Dão, do incomparável e inesquecível S. Leonardo Tawny 20 anos, dos Portos da Quinta de Baldias em especial o delicioso Tawny que mais parecia um reserva e os Barão do Sul e Barão do Sul Reserva que eram incríveis relações Qualidade x Preço x Prazer. Fechou a empresa e a Eliza alçou voo rumo a uma terra distante porém encantadora e repleta de cultura, conhecimento e muito vinho! Agora, enquanto não encontra seu caminho de volta, compartilhará conosco suas experiências. Benvinda amiga e espero ansioso por mais posts.

 

            Atualmente moradora do Sul da França (quelle chance) e completamente apaixonada pela cultura local, aproveito esse espaço (gentilmente cedido pelo queridíssimo João Filipe) para compartilhar com vocês algumas descobertas, minhas impressões e ainda muitas novidades do mundo vinícola francês, disponíveis ou não no Brasil.

            Neste primeiro momento, eu proponho um resumão da história da vinha e do vinho na região Languedoc-Roussillon. Preparados?

            Foram os gregos os primeiros a cultivar a vinha na região méditerrannée, 5 séculos A.C.. Naquela época, o vinho era uma importante moeda de troca e os proprietários das vinhas possuíam poder e prestígio.

            No entanto, quem realmente expandiu a cultura da vinha, desenvolveu o comércio do vinho e até criou as primeiras regras de produção, foi o povo romano. Imaginem que, um século antes do nascimento de Cristo, ao longo de toda a voie domitienne, os centuriões romanos cultivavam a vinha e vendiam o seu fruto mais precioso: o vinho. Mas, como nada dura para sempre, com o declínio do Império, as invasões germânicas e a expansão da presença muçulmana, o comércio se desestabilizou e muitos vinhedos foram esquecidos ou arrancados…

            Por mais de 15 séculos, a região perdeu a sua vocação vinícola… apenas os monges pareciam se interessar pelas práticas vinícolas herdadas da época romana. Muitas Abadias possuíam um pequeno vinhedo, instalações para a vinificação e ainda uma cave para estocar as preciosas garrafas. Mas atenção: tudo isso para consumação própria.

            Foi somente durante os séculos XV e XVII que algumas personalidades se interessaram em desenvolver o comércio no sul da França e, em consequência, a vinha. Mesmo sendo a rota de passagem mais importante entre a Itália e a Espanha, as estradas da região eram muito perigosas e o mar repleto de piratas, o que dificultava énormément o desenvolvimento do comércio. Com a construção do Canal du Midi, em 1681, tudo mudou! A vinha expandiu, expandiu sem parar… o Languedoc tornou-se, em apenas um século, o maio produtor de eau-de-vie, aguardente de uva, do mundo. E, logo em seguida, tornou-se o maior produtor de vinho barato da França. Títulos que marcam a reputação da região até os dias de hoje.

            Mas, atualmente, muita coisa mudou por aqui. Após anos de crise e de falências de caves cooperativas, os antigos produtores preocupados com a quantidade, cederam espaço à uma nova geração de vignerons. A região, enquanto produtora de vinho, se estrutura, descobre seu terroir, tão diverso e tão rico. E nós, hoje, podemos fazer parte dessa história, degustando os vinhos da região, com toda a atenção e o carinho que eles merecem!

EPU um Segundo que é Primeiro

       Pelo menos no meu bolso, porque pagar mais de 600 Reais pelo primeiro vinho da Bodega, o Almaviva, está fora do meu alcance e, cá entre nós, apesar dele ser um grande vinho compro coisas melhores por esse preço. Questão de gosto e opinião, claro, e certamente haverão controvérsias.  Já o EPU é um vinho que cabe no bolso, porém o problema é que só está disponível no Chile, apesar de alguns pequenos lotes serem trazidos por uma loja virtual. EPU, aparentemente pois apesar de minha pesquisa na net pouco consegui encontrar, quer dizer segundo e não as iniciais de algum nome próprio como um famoso crtitico sugeriu num programa de rádio, neste caso o segundo vinho da Almaviva, uma joint venture entre Concha y Toro e Baron Philippe de Rotschild célebre mundo afora.

        Nunca tinha provado estes vinhos, porém, como sempre, através do desapego e generosidade enófila de um amigo e colega blogueiro (Christiano Orlandi de Vivendo Vinhos – um amante das coisas do Chile e do EPU) que se predispôs a compartilhar os sabores e mistérios desse vinho numa mini vertical, 2001, 2006 e 2007 realizada lá na Vino & Sapore. Muito bons vinhos, cortes de Cabernet Sauvignon e Carmenére, sendo que o 2001 se mostrou divino comprovando que são vinhos de guarda. Mas falemos destes vinhos, apesar de que devo chover no molhado, que custam algo como um terço do “primeiro”.

EPU Dos Mil Uno

14% de teor alcoólico imperceptível e estupendamente integrado. Muito aromático, sua paleta olfativa nos mostra frutos negros em geléia, algo de eucalipto, terminando com toques animais após um tempo em taça. Na boca é denso, muito equilibrado, vivo ainda com boa acidez após 10 anos de vida, rico, complexo e longo com um final com notas achocolatadas. Um vinho hedonístico que está no ponto certo de ser tomado, sedutor e extremamente prazeroso. Aliás, estou por montar uma degustação de vinhos com mais de dez anos e ando á busca de uma garrafa dessas, se alguém a tiver me ajude, vai! Maravilha de vinho de profunda elegância, um dos melhores que tomei em 2011.

EPU Dos Mil Seis

Os mesmos 14%, as mesmas uvas, o mesmo corte porém um vinho totalmente diferente do anterior. Aquela elegância aromática do 2001 não está presente aqui em que tudo é mais franco; fruta, álcool e um quimíco forte que não existia no primeiro. Na boca mostrou-se também menos radiante, algo mais monocromático, com um tradicional perfil chileno que, mesmo bom, não chega a encantar. Será falta de tempo? Poderia ser, mas….

EPU Dos Mil Siete

Para os mais antigos de boa memória invoco a frase; “Eu sou você amanhã” para descrever este vinho com relação ao 2001 e, neste momento, desbanco a possível falta de tempo como “desculpa” para o 2006. Este vinho mostrou todas as aptidões do 2001 porém mais novinho, fechadinho, fruta um pouco mais presente e franca no nariz faltando-lhe, ainda, os aromas terciários do 2001, mas dá para sentir que está tudo lá, ainda escondidinho! Um grande vinho que pede tempo, porém já mostra grandes virtudes e nos dá um enorme prazer tomá-lo deixando-nos, não com vontade da próxima taça, mas sim da próxima garrafa! Quem conseguir algumas garrafas, compre para beber já e guardar por mais alguns anos, vai valer a pena! Grande vinho.

       Por hoje é só. Salute, kanimambo e já sabem, na próxima viagem ao Chile é trazer EPU na bagagem, um achado que deve estar custando por volta de 30 míseros dólares por lá!

Easy Sunday – Polpettone Voilá com Vasari Montepulciano d’Abruzzo

        Domingo preguiçoso a dois e nada de criatividade ou qualquer vontade, diga-se de passagem, de me enfiar na cozinha para preparar almoço que neste dia é tradicionalmente responsa minha! Como moro perto da loja (para quem ainda não sabe, a Vino & Sapore), decidi pelo mais simples, porém não menos saboroso. Peguei um Polpettone da Voilá, linha de pratos gourmet congelados, preparei  um pouco de Casarecce (como a Itália tem nome e formatos para pastas!) e abri uma garrafa de Vasari Montepulciano d’Abruzzo. O Polpettone estava uma delicia e combinou bem com o vinho que se mostrou muito versátil já que o que sobrou acompanhou bem um sanduiche de pernil acebolado no final de tarde. Talvez lhe tivesse faltado um pouco de corpo para encarar o Polpettone, foi bem com o pernil, mas o molho de tomate, muito bem feito por sinal, fez a liga. Gostoso vinho, macio, redondo, frutado e fácil de se gostar com taninos sedosos que cumpriu seu papel atendendo a minhas expectativas de um vinho saboroso, agradável que não complicasse nem me fizesse pensar muito, só curtir descompromissadamente. 

      Por vezes o menos é mais, e hoje foi um dia desses. Gostoso, simples, vinte minutos de cozinha e boa companhia, não dá para pedir muito mais que isso no dia da preguiça. Salute, kanimambo e a partir de amanhã a lista de meus Melhores de 2011 iniciando com meus “Best Buys” entre tintos e brancos.

Destaques 2011 – Brasil

        É achavam que eu não ia falar de Brasil né?! Bem, não ia deixar de fora não até porque a vitivinicultura brasileira, a despeito dos malfadados; Maledetto (selo fiscal) e Aberração (ST) vem comprovando que já sabemos fazer vinho e bom, restando-nos agora a esperança de, quem sabe num futuro não muito distante, também aprendamos a comercializá-lo! Enquanto isso, alguns bons rótulos vão surgindo, alguns ótimos, dos quais destaco estes que provei em 2011. Não estão aqui, mas devo dar menção honrosa a quatro vinhos que me surpreenderam muito positivamente na degustação de vinhos nacionais promovida pelo Gustavo (Enoleigos); Miolo Lote 43 2008, Salton Talento 2006, Dal Pizzol 200 anos Touriga Nacional 2009 e Pizzato Concentus 2005.

      Ainda deixarei pendentes os Destaques 2011 de vinhos de Sobremesa e Espumantes, mas como tinha prometido iniciar Fevereiro com minhas diversas listas de Melhores 2011 por faixa de preços, volto a estes Destaques mais adiante em Fevereiro. Falemos agora de meus caldos brazukas!

 

  • Valduga Identidade Arinarnoa – Já provei alguns dos outros rótulos desta linha da valduga, mas de longe é esse que mais me agrada. Arinarnoa é nascida de um enxerto entre a Merlot e a Petit Verdot, sendo uma uva que me agradou bastante. Preciso tomar outros, inclusive argentinos e uruguaios que também se iniciam nesta cepa. Muito elegante e fresco, com taninos macios, um vinho fácil de se gostar com notas olfativas e palativas diferentes e sedutoras. Preço ao redor dos R$70,00.
  • Churchill Cabernet Franc 2008 – Um projeto de Nathan Churchill com a Valmarino, é um vinho complexo e boa textura e nariz muito interessante em que frutos negros e notas tostadas dão suas caras. Mais para encorpado, este 2008 está muito jovem e precisa de uma de aeração para mostrar todo seu potencial e uma temperatura mais para alta, em torno dos 19 a 20º C. Um belo, complexo e elegante vinho que deve melhorar muito com o tempo e custa por volta dos R$70,00.
  • Chesini Gran Vin 2005 – este quem trouxe foi o amigo Gustavo (Enoleigos) e, pasmem, para abrir após uma vertical de seis safras de Don Melchor. Pessoalmente achava que o vinho iria sumir perto dos Hermanos mais robustos, mas se apresentou muito bem tendo surpreendido a maioria dos presentes. Vinho único porque o vinhedo de onde as uvas se originaram não existe mais! Coisas de nossa vitivinultura tupiniquim. Bom vinho, encorpado e equilibrado. Dificil de achar, porém ronda os R$65,00.
  • Bella Quinta Cabernet Sauvignon Reserva 2005 – na praça hoje é difícil de se encontrar o 2005, mas o de 2006 já provei e também está bem saboroso. O 2005 está algo mais complexo, taninos de boa qualidade já equacionados, boa fruta, um vinho muito agradável para se tomar no dia a dia e seu preço o permite, em torno dos R$38,00. Elaborado em Flores da Cunha sob encomenda para a Bella Quinta que é uma vinícola de São Roque, é um vinho que vale bem a pena e bateu por nariz um outro forte contendedor a estar aqui, o Don Giovanni Reserva Merlot.
  • Antonio Dias Tannat – do Alto Uruguai (RS), nova fronteira produtora de vinhos próximo a Chapecó, vem este vinho que mexeu com minhas estruturas ao primeiro gole na Expovinis de 2011 e de lá para cá só fez confirmar que estávamos diante de um vinho surpreendente de um produtor pioneiro numa nova e surpreendente região produtora. Já falei bastante sobre ele aqui no blog então não vou me extender, mas fiquemos de olho neste ano em dois lançamentos o Pinot Noir e o Touriga Nacional que provei de barrica e prometem muito! Por R$49,00 certamente uma boa compra.
  • Sesmarias  2008 – o melhor vinho nacional que já tomei e só por isso merece estar aqui com todas as honras. Seu preço é para colecionador, sua produção idem, e tem que comprar só na Miolo. Muitíssimo bom, equilibrado, complexo, bom volume de boca e gostosa textura, taninos finos e sedosos ainda por serem devidamente integrados (muito jovem), longo é um vinho que mexe com a gente e quem quiser ter uma garrafa dessas prepare-se para pagar a bagatela de R$250,00 ou mais. Pequena produção, cerca de 600 garrafas, e marketing do bom faz com que o preço seja esse disparate, mas como tem quem compra certos estão eles em cobrar tudo isso. Na minha avaliação, meramente hedonística e sem qualquer ciência, baseado no que tem por aí no mercado, um vinho que, apesar de alguns poderam me achar presunçoso, na minha opinião vale,  uns 130 a 160 Reais tops.

    Meus amigos, ontem cumpri mais um de meus muitos anos, ainda não sou um clássico, como meu saudoso sogro falava, mas estou a caminho! Tive o prazer de, via face, receber um montão de mensagens me felicitando pelo dia, uma prova de carinho e reconhecimento que me deixou muito comovido e certo de que a mensagem está sendo bem entendida. Vinho é, acima de tudo, desculpa para reunir GENTE em volta da mesa para COMPARTILHAR bons MOMENTOS, CALDOS e PRATOS independentemente de valores e espero seguir tendo saúde para seguir fazendo isso por algumas décadas mais dividindo essas experiências com vocês. Valeu GENTE, kanimambo e salute.