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Finalmente – Os Vinhos de Colomé!

 JFC em Colomé    Demorou mas cheguei à segunda parte dessa epopeia que foi a visita a este lugar mágico. Já falei um pouco da vinícola, do local e dos vinhos Amalaya, porém hoje quero falar sobre os vinhos Colomé . As uvas vêm de vinhedos de três diferentes altitudes; 2300 (Calchaqui), 2700 (El Arenal) e 3100  (Payogasta – os vinhedos mais altos do mundo) e geram vinhos realmente surpreendentes, porém há também algo do vinhedo San Isidro situado a 1700 metros de altitude em Cafayate.

       Após visita ás instalações e ao incrível museu, fomos brindados por uma degustação muito especial em que quase todos seus vinhos passaram por nossas taças. Tecerei alguns breves comentários sobre estes vinhos, porém alguns deles me marcaram muito positivamente e esmo recomendando a todos, estes, a meu ver, são imperdíveis havendo a oportunidade!

Colomé Torrontés 2012 – divino exemplar de Torrontés, nariz sedutor e enorme equilíbrio de boca, fresco e amplo. As uvas são colhidas em duas etapas, uma mais cedo para garantir uma maior acidez e a segunda para uma maior complexidade de aromas e peso em boca. Um belo parceiro para as famosas empanadas salteñas e cozinhas especiadas como a Tailandesa e Mexicana. No Brasil por cerca de R$52,00 é uma bela pedida!

Malbec Lote Especial 2010 – Na verdade são três, um de cada vinhedo; Cafayate – Calchaqui e El Arenal, todos com 10 meses de barrica ½ a ½ francesas e americanas.  Foi da opinião de todos presentes que o de San Isidro é mais sedutor em tudo, tanto no olfato como no palato. Todos muito bons, porém o equilíbrio encontrado no San Isidro faz toda a diferença, um vinho delicioso que terei que encomendar já que por aqui não tem e eu esqueci, vejam só, de trazer umas duas ou três garrafas!.

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Colomé Estate Malbec 2010 – leva 85% de Malbec de El Arenal, porém os restantes 15% tem um pouco de tannat, Syrah e Petit Verdot c 20% do vinho passando por barricas francesas de 1º uso e o restante de segundo uso. Um belo vinho, muito marcante com personalidade própria, ótima textura, bom corpo mas repleto de finesse. Na linha de seus vinhos considerados top, me pareceu o de melhor relação qualidade x preço x prazer. Custa por aqui em terras brasilis, algo ao redor de R$98,00 e vale!

Autentico Malbec 2011 – Sem passagem por madeira, advindo de cepas oriundas dos vinhedos mais antigos (1854) e clones destes, consequentemente, caro e de baixa produção! Vinho para guarda devendo estar pronto daqui a três ou quatro anos, bebê-lo agora é puro infanticídio.

Colomé Reserva Malbec 2009 – Só 7000 garrafas produzidas, 90% malbec e o restante um tempero de Syrah e Petit Verdot. Potente, denso, untuoso, 24 meses de barricas novas francesas, boca quente com toques mentolados. Vinho para guardar e beber com calma, está muito novo ainda, porém demonstra muita complexidade e  capacidade de evolução. R$ 270 por aqui.

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Lote Especial Sauvignon Blanc – ao estilo neo zelandês , nariz de muito boa intensidade, fresco e equilibrado. Me surpreendeu!

Lote Especial Tannat 2010 – apenas 1430 garrafas produzidas, 14 meses de barrica e 14.9% de teor alcoólico. O DSC03397Vinho! Trouxe uma garrafa para cá (aqui no Brasil não há) e todos adoraram. Álcool perfeitamente enquadrado e imperceptível, macio, frutos negros, algum tabaco, extremamente rico e absolutamente sedutor. Meu primeiro contato com os tannats de Salta que posteriormente tiveram sua qualidade confirmada por rótulos provados de outros produtores. OJO na Tannat de Salta!

Syrah Lote Especial – não tem a mesma pegada do tannat, álcool mais aparente e algo disperso. Correto, mas não deixa marcas!

DSC03390Colomé Lote Especial Misterioso branco – um field blend em que até agora foram identificadas cinco cepas; chardonnay/semillon/sauvignon blanc/riesling e torrontés porém há mais! Complexo, muito aromático e vibrante na boca, delicioso, uma pena que só tem por lá. Produção de somente 1600 garrafas e as duas que trouxe já foram! Sniff….

       Uma das coisas que mais me surpreenderam nos vinhos foi o álcool bem integrado e moderado mostrando enorme elegância. Essa coisa de vinhos muito potentes, álcool desacerbado e de grande extração mostra ser muito mais a marca de um produtor da região, do que uma marca de Salta como somos erroneamente levados a crer, conforme pude sentir e comprovar nas visitas subsequentes realizadas. Enfim, hora de partir e a certeza de que este lugar vai deixar saudades. Alguns de seus vinhos estão no Brasil, ótimo, mas voltar aqui vai ser um projeto de médio prazo e, quem sabe, porquê não com um pequeno grupo?

Surani Costarossa Primitivo de Manduria, Muito Prazer!

          È assim com nome e sobrenome que este caldo de Baco se apresenta aos seguidores do nobre Baco. Primitivo, para quem ainda não conhece, é uma uva prima-irmã da americana Zinfandel e com ela possui uma série de similaridades já que advém da mesma origem, uma uva de nome impronunciável, a Crljenak Kastelanski da costa da Croácia. Na itália estava relegada a um segundo plano, mas com o crescimento de popularidade da Zinfandel, a Primitivo começou a desabrochar tanto local como, especialmente, no cenário internacional.

        Na Itália, está especialmente presente na região da Puglia (calcanhar da bota) tanto em Manduria, onde se projetou mais com alguns bons e caros produtos, como em Salento e outras regiões menos midiáticas.  Quando mais baratos, têm a tendência a serem meio esquálidos e sem graça, já quando de grande estrutura tendem a ser longevos e caros pra dedéu! Sei, não se usa mais, mas gosto da expressão. rs Uma boa opção é buscar vinhos intermediários entre uma coisa e outra em Salento com vinhos, a meu ver, algo mais honestos.

 Surani     Este Surani, em função de tudo isso foi e segue sendo uma enorme surpresa, meus amigos Rejane e Hélio não me deixam mentir, eta vinho arretado, sô! Tá tudo lá; qualidade, sabor, aromas sedutores bem frutados, e preço legal! Um dos meus achados de 2012 sobre o qual ainda não tinha falado aqui, o Surani Primitivo di Manduria é muito saboroso. Equilibrado, bom corpo e acidez balanceada, rico, de boa textura de boca sem extrapolar em nada, taninos algo doces (típico da cepa) e aveludados com um final temperado por alguma especiaria. Creio que pode ser um bom companheiro para massas (lasanha bolognesa), Filé Parmigiana, Costelinha de porco com molho barbecue e um bate–papo gostoso e descontraído com os amigos acompanhado por antepastos, queijos e frios.

        Tudo isso por apenas cerca de R$55 em Sampa, certamente um importante fator que só vem acrescentar prazer ao vinho que é importado pela pequena mas eficiente e competitiva Vinica. Há muito tempo que não dava aqui minha nota em smiles, meu I.S.P (Índice de Satisfação Pessoal), mas este vinho me traz um sorriso à boca cada vez que o tomo, então aqui vai e espero que curtam tanto quanto eu.   $    

 

Salute e kanimambo.

A Influência das Castas na Elaboração de Blends.

        Meus amigos, qual a influência das castas na formação dos blends? O que busca o enólogo quando usa uma ou outra uva em maior ou menor escala? Eis aí um tema extremamente complexo com uma enormidade de variáveis, pois depende de cada Terroir e região produtora, porém este conhecimento das castas e suas influências objetiva a busca, essencialmente, da excelência na produção de vinhos. Recentemente recebi da Ana Grimaldi (RP da ótima Herdade da Malhadinha no Alentejo) uma curta e objetiva lista de cepas plantadas na vinícola que o enólogo da casa usa. Eu achei muito interessante pois nos ajuda a melhor entender esses vinhos e outros da região, por isso compartilho com vocês.

Cepas Brancas

Antão Vaz – pouca acidez ,mas tem uma boa fruta tropical (abacaxi) e normalmente dá vinhos com boa estrutura e untuosidade. (pessoalmente acho que faz lembrar bem a Chardonnay*)

Roupeiro – casta essencialmente de lote, vinhos neutros, mas limpos de aroma.

Verdelho – tem-se mostrado muito frutado e com notas minerais, em termos de prova também dá vinhos com boa boca.

Arinto – grande acidez, nariz um pouco mais contido e sério. Bom potencial de envelhecimento

Chardonnay – gordo, frutado, primeira casta a ser vindimada normalmente

Viognier – quando maduro é exuberante no nariz, flores brancas e aroma a pêssegos dominam a prova. Acidez relativamente baixa.

Cepas Tintas

Aragonez (Tinta Roriz no Douro e Tempranillo em Espanha) – taninos macios e notas de fruta vermelha quando maduro, baixa acidez. Se for colhido verde dá vinhos muito taninosos e desequilibrados

Touriga Nacional – exuberância aromática, violeta, bergamota e alguma laranja mesmo. Bom corpo e bons taninos

Syrah – casta que dá aos vinhos estrutura mas ao mesmo tempo elegância. Notas de fruta preta, violeta e algum animal. Vinhos com potencial de envelhecimento

Tinta Miúda (Graciano em Espanha) – casta cada vez mais importante possui grande acidez natural. Vinhos não tão exuberantes e fáceis como das outras castas, mais elegante, notas de terra. Taninos firmes gerando vinhos com potencial de envelhecimento

Cabernet Sauvignon – Aporta notas vegetais mesmo quando  está madurão, grande estrutura e taninos bem presentes.

Trincadeira (Tinta Amarela no Douro) –notas de alguma ameixa passa; predominando um aroma herbáceo associado a especiarias e alguma pimenta,; na boca, os vinhos são geralmente macios e com algum acídulo, mostrando notas semelhantes ao aroma. No geral, apresentam boa aptidão para envelhecimento.

Alicante Bouschet – base dos tintos da região, esta casta tintureira origina vinhos muito concentrados de cor, ricos em substâncias fenólicas (encorpados) com aromas vinhosos bem evidentes lembrando compota de ameixa bem madura.

         Óbvio, que só isso não adianta sendo o homem um elo essencial na formação do Terroir. O conhecimento, o cultivo das vinhas (é de lá que se originam os bons vinhos), a criatividade e tecnologia, tudo colabora para conseguir gerar grandes vinhos como são os da Malhadinha! Com esse conhecimento das castas e suas influências, no entanto, dá para se ter uma ideia do que o enólogo pretendia elaborar ao fazer determinada mescla de uvas. É uma verdadeira alquimia que quando bem executada, os portugueses são mestres nisso, resulta em vinhos de qualidade pois se tira de cada uva o que esta tem de melhor. Desta forma, na maioria das vezes o resultado são vinhos bem mais complexos e interessantes do que vinhos monocasta. No caso da Malhadinha, ótimos!

       Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Crise de Abstinência

      Como escriba, deixemos isso bem claro! rs A crise é minha e não de meus leitores então, por um curto espaço de tempo enquanto ponho a casa em ordem, vou me aproveitar dos amigos e postar aqui algumas boas matérias de amigos de nossa vinosfera para que você não perca a viagem da visita. Começo pelo amigo Marcio Oliveira, autor da newsletter Vinoticias que recebo semanalmente e não deixo de ler para me manter antenado com as coisas de nosso mundinho. Na  penúltima newsletter recebida, duas matérias muito interessantes me chamaram a atenção, como especial destaque para esta sobre  Portugal, até porque tem tudo a ver com o conceito que minha saudosa amiga e sócia, Inês Cruz, e eu impusemos a nossos programas de viagens que claramente detêm o titulo de viagens Enogastroculturais. Eis o texto do MárcioClipboard Sabores

“ AROMAS E SABORES PORTUGUESES ” – Dizem que a melhor maneira de se avaliar a cultura de um povo é visitar seu mercado. Por onde passo, procuro conhecer um mercado com frutas frescas, carnes, peixes, temperos e vinhos; e se não o consigo, tento ver nos supermercados a variedade de ingredientes culinários e vinhos que cada povo tem.

            A história da gastronomia portuguesa está diretamente relacionada com as qualidades  dos produtos qe o seu solo e o oceano lhes fornece. A base da tradição mediterrânica assenta-se na trilogia do “pão, vinho e azeite”. Esta tendência, espalhada um pouco por todo Portugal, encontra diferentes nuances em cada região. São as influências climáticas, geralmente demarcadas pelas mesmas fronteiras geográficas que delimitaram os trajetos dos povos pelo território em que passaram, que cunharam várias tendências e caracterizam cada uma das cozinhas regionais. Dos fenícios aos romanos, dos mouros às novas gerações, a cozinha portuguesa é uma consequência de todas as contribuições trazidas pelos ocupantes da Península.

            Daí, Portugal ter uma gastronomia tão rica e variada como a sua paisagem e o seu patrimônio cultural, que de certa forma está muito presente na culinária mineira e brasileira.

            No entanto, em Portugal, penso eu que é o mar que imprime a característica mais marcante à culinária local. Um simples peixe grelhado é sempre fresquíssimo, bem como o marisco que abunda em todo a costa litoral. As descobertas marítimas e o intenso comércio de especiarias inspiraram a cozinha lusitana e certamente introduziram novos sabores. Outros produtos de base, como a batata, ou curiosamente o arroz e feijão (tão brasileiros), chegaram durante este período da história de conquista de territórios e, de Portugal, partiram para vários países europeus.

            Em pratos de carne, uma sugestão de todo o país: o celebrado cozido à portuguesa mistura carnes e legumes, cozidos de forma suculenta. A carne e os enchidos consolidam a base de produtos essenciais em muitos pratos portugueses, sobretudo na região Norte, onde também se poderá saborear as tripas à moda do Porto, uma variedade de feijoada, que é feita à moda de Trás-os-Montes (de onde saiu meu bisavô para o Brasil).

            Lembremos também do mais fino azeite português, de grande qualidade, que está sempre presente e integra todas as receitas de bacalhau (dizem que há 1001 azeites diferentes em Portugal), tipicamente lusitana na forma de preparar e apreciar.

            E os queijos então, basta lembrar dos feitos na Serra da Estrela, mas há vários, como os do Centro de Portugal e do Alentejo, que são todos deliciosos.

            Os doces, com origens nos conventos onde eram preparados, criaram uma doçaria especialíssima. Nunca deixe de provar um pastel de nata, que é uma “bomba” calórica (3 pastéis somam 1000 calorias e são mais do que muita gente consome diariamente no mundo), que vai muito bem se acompanhado de um bom café “expresso”. Isto sem falar de pão, que é uma verdadeira “perdição”!

            Cada prato tem um vinho certo para companhia. Portugal neste aspecto é um país impar em variedades e diversidades. Se o vinho do Porto e da Madeira fizeram fama inicial do país, hoje os tintos do Douro, do Dão, da Bairrada, do Alentejo e tantos outros fazem a festa de qualquer amante de vinhos.

            E como na recente viagem que fiz pela terrinha a convite da ViniPortugal, muita gente perguntou-me sobre os vinhos que acompanham as “Maravilhas da Gastronomia Portuguesa”, preferi começar estes artigos falando sobre gastronomia e nas semanas seguintes sobres os vinhos provados. 

            Alheira de Mirandela, Queijo Serra da Estrela, Caldo Verde, Arroz de Marisco, Sardinha Assada, Leitão da Bairrada e Pastel de Belém, foram as 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, eleitas por quase um milhão de votos via internet (Facebook).

As 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa por suas regiões:

Entradas: Alheira de Mirandela (IG) – Trás os Montes e Alto Douro

Entradas: Queijo Serra da Estrela – DOP – Beira Interior / Beira Litoral

Sopas: Caldo Verde – Entre Douro e Minho

Marisco: Arroz de Marisco – Estremadura e Ribatejo

Peixe: Sardinha Assada – Lisboa e Setúbal

Carne: ‎Leitão da Bairrada – Beira Litoral

Doces: Pastel de Belém – Lisboa e Setúbal

         Bem, por hoje é só, mas Quarta tem mais. Por enquanto, fica aqui um Kanimambo especial ao Marcio, aos amigos e fiéis leitores que mesmo com essa crise seguem prestigiando este blog de acordo com as estatísticas de acessos. Salute e não deixe de ler mais textos do Marcio no seu blog http://vinoticiasbh.blogspot.com .

Nem só de Vinho Vive o Homem!

ou mulher, tanto faz. Para quem for a Cafayate/Salta, por um momento apenas perca-se em outros atos de prazer que não o vinho porque tem uma loira por lá que vale a pena! Calma gente, a sugestão é bem mais inocente do que estão Me Echó La Burrapensando, a loira é gelada e muito gostosa, uma experiência diferente.  La Rubia, “Me Echó la Burra” é uma cerveja artesanal muito saborosa produzida em San Carlos, na Estancia Hotel “ La Vaca Tranquila”, a poucos quilômetros de Cafayate. O site deles vale bem a visita pois possui um acervo de fotos dos Vale de Calchaquíes que mostra bem a beleza da região que tanto me encantou.

          Não sou cervejeiro, mas curto uma boa cerva de vez em quando e esta eu recomendo. A  cor da rubia parece no copo uma Weissbier (cerveja alemã de trigo sem filtragem), mas longe disso já que é bem menos densa e o processo de elaboração é diferente. Aliás, como me ensinou meu amigo José Eduardo, uma cerva das boas bem geladinha limpa a “serpentina” antes de nos entregarmos aos prazeres de baco! Trouxe uma Rubia e a dividi com meu filho o que a fez ainda mais saborosa, pois a boa companhia, em qualquer situação, é sempre essencial.

Salute, hoje com a Rubia, e kanimambo.

Ps. A Vino & Sapore está de mudança no Carnaval então tá dificil dar a atenção devida ao blog, sorry. Ainda esta semana, no entanto, falo dos vinhos de Colomè e minha visita a esta região

Colomé, Um Oásis no Meio do Deserto

       Chegar em Colomé já é por si só uma odisseia! Vilarejo de cerca de 700 habitantes espalhados por pequenas casas de terracota (com aquecimento solar), fica situada no vale de Calchaqui a cerca de  250kms e cinco horas de carro (melhor SUV) da cidade de Salta no norte da Argentina.  Boa parte da estrada é asfaltada, mas os últimos 80kms são de estrada de areia de uma pista só (boa parte) subindo a mais de 3450 metros de altitude (Piedra del Molino) para depois chegar a cerca de 2300 metros após passar por um altiplano com uma reta de 10kms cercada de cactos por todos os lados e um paredão que cresce no horizonte.

Caminho de Colomé

        Não é um passeio para quem não tenha um mínimo de espirito de aventura! A região é linda, agreste, rios secos atravessam a estrada e a cidadezinha (que separa o asfalto da areia) de Cachi é uma graça com sua praça central em estilo colonial espanhol onde nos salta aos olhos a limpeza do local. De repente chegamos á Bodega, um espetáculo á parte pois aqui, entre o cinza/bege da areia, aparece o verde das vinhedos e alfazemas em flor, um verdadeiro oásis no meio do deserto.

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       A estância cheia de história circunda a primeira bodega argentina datada de 1831, repleta de obras de arte espalhadas pelos mais diversos cômodos (outra das paixões de Donald Hess proprietário da vinícola), decoração lindíssima, árvores centenárias, jardins delicados e algo minimalistas é um lugar que a vinícola hoje somente usa para receber convidados e mostra um certo toque místico comprovado pelo Buda que nos recebe logo no primeiro pátio. Acreditem ou não, no meio do vinhedo experimental e próximo à bodega, um museu construído para mostra das obras de um só artista, é o James Turrel Museum, uma experiência sensorial única!  O lugar em si, mesmo que não tivesse vinho, já valeria as longas horas da viagem, com vinho então……! Sou, decididamente, um privilegiado e não podería ter melhor forma de iniciar este tour pelos diversos terroirs argentinos, mas tinha mais ………….tinha vinho e do bom!

Colomé I

       A sala de jantar que nos recebeu para a primeira parte de nossa degustação é por si só, já uma obra de arte que nos seduz por completo ao entrar. Acompanhando um jantar delicioso que pouparei os amigos dos detalhes, provamos a linha de vinhos Amalaya (á espera de um milagre) que vem de vinhedos mais próximo a Cafayate a capital do vinho em Salta.

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Amalaya Branco – Este já conhecia e me agrada sobremaneira pois o Riesling adicionado ao Torrontés, transfere um frescor delicioso a este vinho.

Amalaya Rosé –  de malbec que leva uma pequena parte de Torrontés possui uma cor lindíssima e convidativa. O Torrontés dá um toque diferenciado a este vinho que surpreendeu a todos por seu frescor e final seco de boa persistência. Uma pena que o importador não traz este vinho para o Brasil.

Amalya tinto – sempre muito bom e consistente ano após ano, um velho e conhecido parceiro de taça. Redondo, saboroso, untuoso, taninos sedosos e um final muito apetecível é daqueles vinhos pouco midiáticos mas que satisfaz e surpreende mais ainda em função do preço, por volta dos R$40 aqui no Brasil, o mesmo do branco.

Amalaya Gran Corte –um vinho que surpreendeu, mais um, por diversos motivos; teor alcoólico de 14% o que para um vinho argentino desta região é mais do que educado e muito bem integrado, preço no Brasil ao redor dos R$70,00 e muito fino. Blend de Malbec, Tannat e Cabernet Franc com 12 meses de passagem por barrica é um vinho guloso com notas tostadas e fruta madura em abundância. Taninos aveludados e macios, bom volume de boca e um final muito saboroso.

     Começamos assim nosso primeiro dia de viagem a Salta e certamente não o poderíamos fazer de forma mais saborosa e para tanto vale aqui a mão e atenção que nos dedicou Pedro Aquino sommelier nascido e criado na região que foi nosso anfitrião. Os vinhos da Bodega Amalaya primam pela bela relação Qualidade x Preço x Prazer o que bate em cheio com minha visão de nossa Vinosfera e, portanto, merecem minha recomendação. O lugar tem muito mais a mostrar e no dia seguinte muitos mais vinhos foram provados, mas isso é papo para outro dia e outro post.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Ps. para dar zoom nas fotos clique duas vezes sobre elas.

 

 

 

 

Geisse – sinônimo de bons espumantes brasileiros

        Há tempos que conheço, gosto e recomendo os espumantes da Familia Geisse não sendo esta a primeira vez que falo deles por aqui no blog e minhas colunas. Recentemente, no entanto, tive a oportunidade de conhecer seus novos lançamentos; os Blanc de Blanc e Blanc de Noir nacionais e seu Champagne 1er Cru elaborado, em quantidade limitada,Geisse Champagne a quatro mãos com o produtor francês, Philippe Dumond. Das meras mil e quinhentas garrafas produzidas, metade vieram para o Brasil e farão neste final de ano a alegria de alguns poucos e privilegiados enófilos curiosos e amantes de bons espumantes.

        Falemos rapidamente dos Geisse e me refiro á família não aos vinhos. Mário Geisse é a alma por trás de tudo, enólogo experiente há muitos anos radicado no Brasil, também exercita suas atividades profissionais na Casa Silva, bodega chilena, em seu país de origem.  Seu cantinho de céu encontrou por aqui, mais precisamente em Pinto Bandeira, onde hoje com uvas de seus 22 hectares plantados e na companhia de seus três filhos (Rodrigo, Ignácio e Daniel) produz alguns dos melhores, se não os melhores, espumantes nacionais com reconhecimento internacional tendo Jancis Robinson pontuado seu Brut Magnum 98  com 18,5 pontos sobre 20, coisa que muito champagne de primeira linha ainda está na fila para conseguir! Sua plantação possui cerca de 65% de vinhedos de Chardonnay e o restante de Pinot Noir sendo as melhores parcelas usadas para estes dois novos lançamentos.

DSC01261Geisse Blanc de Blanc 2009 – incrível perlage, ótima mousse com colar de espuma completo, bonito e de boa duração. Aromas sutis com nuances cítricas. Na boca é pura elegância, borbulhas finas que expldem no céu da boca com muita persistência, fresco e muito agradável de tomar. Bom companheiro para frutos do mar e celebrações em geral. Safrado, 2009, é elaborado com as melhores parcelas de Chardonnay de vinhedos próprios.

Geisse Blanc de Noir 2009 – mais uma vez a presença de um colar e perlage exemplares que são características dos espumantes deste produtor, só que desta vez com uma cor diferenciada pois o breve contato com a película da Pinot Noir lhe dá uma cor com notas mais salmonadas do que verdeais que mais comumente verificamos nos espumantes tradicionais. Nariz algo mais frutado com maior volume de boca. Um espumante de mais corpo, cremosos e gastronômico tendo acompanhado maravilhosamente uns pedaços de pancetta que peguei no buffet.

Champagne Geisse / Philippe Dumond  2008 1er Cru – Tomamos história engarrafada! O primeiro sul americano a produzir vinho em Champagne, pelo menos é isso que me consta, num dos poucos produtores 1er Cru, só 43 de cerca de duzentos produtores na região. Um espumante de alma francesa com atitude brasileira! Chardonnay e Pinot Noir meio a meio gerando um vinho cremoso de espuma bem espessa e olfato com maior presença de brioche, leveduras e alguma fruta. É na boca que ele mostra a atitude brasileira onde o cítrico e ótimo frescor estão mais presentes, sustentado por uma magnifica perlage que resulta num final mineral longo e muito saboroso.

       Fui para conhecer esses três, porém também nos foi servido o Nature que é meu xodó e me esbaldei! Como já disse Cave Geisse natureantes, sempre gostei e recomendei estes vinhos porém foi com o tema das Salvaguardas que eles finalmente encontraram seu caminho para A Vino & Sapore. Como sabem, fui um ferrenho adversário da tentativa de golpe que boa parte dos produtores nacionais tentaram dar em nós consumidores então risquei de meu portfolio todos os que apoiaram aquela excrecência promovida pelos barões do vinho. Foi aí que me decidi por ter em meu portfolio a linha da Familia Geisse quase que completa (a linha de entrada Amadeu toda champenoise, é também muito boa e otimamente precificada),  fazendo companhia ao Valmarino & Churchill, Espumantes Bossa e, quem sabe um dia, ainda terei o Orus Rosé do Adolfo Lona. Bons vinhos de quem também se declarou contrário ás Salvaguardas, atitude que temos que valorizar.

      Por hoje é só, mas estes são mais alguns dos bons espumantes nacionais que você pode tomar neste final de ano e sempre, porque como já dizia Napoleão; nas derrotas é necessário e nas vitórias merecido!

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – Valles de Calchaquies, Você Conhece?

DSC01459         Numa região pouco conhecida entre nós, a de Salta, fica o coração dos Valles de Calchaquies uma sequência de vales que vão de Salta, passando por Tucuman até a região de Catamarca em longos 520kms, dos quais percorremos cerca de 200 nesta viagem. Uma região inóspita, de rios secos a maior parte do ano, de uma beleza agreste inacreditável e marcante, um lugar para não ir se você for do tipo que não vive sem uma balada e um shopping. Aqui, estamos num mundo diferente, com uma altitude média por volta dos 2000 metros e muita areia e cactos, um lugar seco, desértico com uma precipitação anual ao redor de 200ml ano! Como algo cresce por aqui é quase que um enigma que só o homem explica, uma região mística que tem em Colomé, primeira bodega Argentina datada de 1831 com vinhas de 1854 ainda produzindo, seu ápice. Lá, encontramos o vinhedo mais alto do mundo a 3100 metros, seguido de um vinhedo no Nepal e depois mais vinhedos da região de Colomé entre 2100 a 2600 metros, voltei de lá verdadeiramente enamorado pelo local, seu povo e seus vinhos que pouco conhecemos aqui no Brazil pois a grande mídia e importadores concentram suas ações em Mendoza e mais recentemente, a Patagonia.

      Nesta região, mais do que a Malbec que por si só já e diferenciada, sem aquela fruta compotada mais comum aos de Mendoza,  estamos em terra da Torrontés e estes vinhos evoluíram muito nos últimos anos desde meu Desafio de Torrontés realizado em Março de 2009, que agora me deu vontade de repetir com os mesmos corajosos degustadores da época! Estão menos enjoativos, mais equilibrados e finos, ótimos parceiros para as empanadas salteñas e frutos do mar grelhados ou fritos. Provei pelo menos uns sete que me deixaram muito entusiasmado então quero deixar aqui uma sugestão aos amigos, deixem de lado seu preconceito para com essa uva que a cada ano gera vinhos mais interessantes e quem a conheceu há três ou quatro anos, revisite estes vinhos. Tenho a certeza que, como eu, você também se surpreenderá.

DSC01456Amalaya Branco – Torrontés cortado com riesling que lhe aporta uma acidez muito gostosa. Está no Brasil e custa ao redor dos R$43,00 o que é uma ótima pedida para este verão e praia!

Colomé Torrontés 2011 – colhido em duas etapas, a primeira algo mais cedo para garantir uma melhor acidez e consequente frescor, possui uma paleta olfativa sedutora com toques sutis de flores brancas (jasmim), equilibrado, amplo certamente um belo companheiro para comida Thai ou Mexicana.  Muito bom, anos luz á frente do que tinha provado de 2007, e também está por terra brasilis custando algo ao redor de R$50,00.

Michel Torino Collecíon Torrontés – um degrau abaixo, mas muito saboroso na boca onde a fruta aparece de forma mais escancarada com final muito agradável e álcool bem integrado. Um bom vinho de gama de entrada para a cepa já que deve andar por aí ao redor dos R$30,00. Do mesmo produtor, bom também o Don David num patamar mais alto de preço e sofisticação que merece ser conhecido.

Felix Torrontés  – Um estilo diferenciado advindo de vinhedos com mais de 100 anos. Passa um tempo sur lie o que lhe dá mais complexidade e um nariz algo mais doce. Frutos sobre maduros, uma leve passagem por madeira que não atrapalha, um belo vinho que surpreende e custa por aqui algo ao redor de R$78,00, um outro patamar de produto e complexidade.

El Porvenir Laborum Torrontés 2012 – também faz colheitas em estágios, desta feita em três, para conseguir um vinho super elegante e equilibrado. Muito fino, encanta na boca com seu frescor e toques cítricos, um dos que me mais gostei desta leva de provas e só me arrependo de não ter trazido uma meia dúzia de garrafas. Preço em Sampa ao redor de R$60,00.

Yacochuya Torrontés 2012 – o vinho não agradou muito ao Marcos e Arnaldo Etchart, donos da respeitada vinícola, saindo algo fora do padrão deles, mas eu adorei! Que eles sigam errando sempre, modo de falar porque o vinho efetivamente reproduziu as características da safra! O desvio que não lhes agradou, no entanto, me seduziu o que mais uma vez comprova que nossa vinosfera não é, decididamente, binária. Por volta dos R$65,00.

Etchart Gran Linage 2012 – baita vinho. Sutil, fino, leve floral de flores brancas e algum toque de pessêgo, bom volume, balanceado, final de boca longo e muito agradável  com notas que nos fazem lembrar de grama molhada / lima e bom frescor. Uma seleção de uvas de diversos vinhedos que visam alcançar um estilo prédeterminado pelos enólogos da casa. Mais um que deixou saudades!

        Uma outra cepa que sequer sabia que se plantava por lá me surpreendeu muito positivamente com alguns rótulos realmente sedutores que me levam a querer provar mais, é a Tannat que aqui produz vinhos algo mais macios, taninos firmes e mais aveludados que o tornam algo mais apeteciveis  e fáceis de tomar. Dois rótulos (+ 1 em barrica) me chamaram muito a atenção mostrando que há aqui uma nova fronteira a ser explorada paraa tannat:

Colomè Lote Especial 2010 – que por aqui não chega, mas vi em Buenos Aires a 199 pesos, é um vinho de ótima paleta olfativa, frutos negros bem presentes e algum tabaco. Na boca é muito rico, sedoso e sedutor, adorei e está pronto a beber. Somente cerca de 1400 garrafas produzidas.

Quará Single Vineyard Vina El Recreo 2010 – marcante presença de boca, boa tipicidade, complexo, taninos aveludados presentes porém sem qualquer agressividade, um vinho que surpreende quem tem em mente os tannats dos vizinhos uruguaios e certamente disputaria com honras uma degustação comparativa às cegas.

Etchart – ainda em fase embrionária, porém provamos uma amostra de barrica de um vinho que faz parte de um novo projeto deles e foi de tirar o chapéu. Vem coisa boa por aí!

       Outra surpresa é que esperava vinhos bem mais estruturados, densos, alcoólicos e super extraídos, porém essa é mais a marca registrada de um produtor que escolheu esse caminho e tem sua leva de fiéis seguidores, do que da região como um todo, pelo menos considerando-se o que provamos e que não foi pouco, cerca de 70 vinhos! Durante este mês falarei um pouco mais dos vinhos que mais me surpreenderam e me seduziram, boa parte deles disponíveis por aqui no Brasil.

       Bem por hoje é só, mas seguirei postando mais de minha experiência pela diversidade dos vinhos argentinos. Sim, porque quem acha que na Argentina só há Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, está na hora de rever seus conceitos!

       Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Já reservou seu lugar na Grand Degustation 2012? Ainda existem seis lugares vagos, aproveite a oportunidade de curtir grandes vinhos, ótima comida e desfrutar do alto astral dos encontros enogastronomicos na Vino & Sapore num evento que, como os bons vinhos, promete ser de longa persistência, só que na memória!

Obs. Para boa ordem, esta viagem foi realizada a convite da Wines of Argentina. Fotos retiradas do livro Colomé 180 anos.

MOVI – Vinhos Chilenos com Personalidade Própria

Os vinhos do MOVI (Movimento dos Vinhateiros Independentes) do Chile, como falei um pouco antes de minha viagem, me surpreenderam muito positivamente . Alguns baita vinhos , outros muito bons num nível de qualidade poucas vezes provado numa degustação do genêro. São vinhos a nível geral mais caros, porém têm razão para sê-lo!

Dos 21 vinhos provados, alguns merecem um destaque especial tendo separado os que mais me marcaram para comentar:

I-Wines Chardonnay 2011 – Já conhecia o excelente e potente Syrah, porém este Chardonnay me impressionou. Bastante expressivo, untuoso, madeira bem integrada, um belo vinho de final bem longo e fresco. Importadora Berenguer

Lagar de Bezana Aluvion 2008 – um blend Syrah/Cabernet Sauvignon de muita qualidade onde a syrah é protagonista e dá suas caras com muita qualidade. Consegue equilibrar de forma harmoniosa a potência, extração e elegância o que nem sempre ocorrer. Rico e complexo, é um vinho marcante. Importadora Magnum

Meli 2010 – Carignam com mais de 50 anos que leva um tempero de 7% de Cabernet Sauvignon. Encorpado, denso, taninos finos e mito saboroso. É na boca que ele mostra todos seus encantos. Importadora La Charbonade

Garage Field Blend Carignan Old Vines 2010 – de vinhedos de Carignan com mais de 50 anos e um toque de Grenache, por volta de 10%, o vinho é vibrante, de bom corpo, taninos aveludados e um certo frescor de final de boca que nos seduz. Poucas garrafas, algo ao redor de 3500 gfs, para poucos apreciadores.  Importadora Premium

Rukumilla 2008 – Cabernet Sauvignon com Cabernet Franc num encontro muito saboroso e bem feito. Nariz intenso e mito atrativo nos faz levar a taça à boca onde taninos aveludados nos recebem com bom volume de boca onde se destacam notas achocolatadas e tem mais, um teor alcoólico de cordatos 13.2% que nos faz pedir bis. Procurando importador (eu acho!)

Tunken Wines Malbec 2011 – para quem é amante da  uva, è a chance de experimentar algo diferente pois esta interpretação da cepa é algo diferenciada do que se está habituado a tomar da Argentina e os produtores primam por vinhos sempre mais equilibrados e elegantes. De  boa estrutura, denso, extração correta sem exageros, bem frutado de final sedoso e apetecível mostrando bem a matiz do terroir e do conceito do produtor. Procurando importador.

Starry Night  2010 – Puro Syrah de região mais fresca (Maipo Costa – Cordilheira da Costa). Um vinho de muita classe e personalidade, sedutor na boca e no nariz, arrisco dizer que deve ser um dos melhores syrahs chilenos que já passaram por minha taça. Um excelente vinho, apetitoso, elegante, frutado com equilibrados toques de especiarias típicos da cepa, para mim o melhor vinho do evento, sem desmerecer qualquer um dos outros, porém este está um degrau acima dos demais e me seduziu. Procurando importador, acho, porém vi alusões à Vinoart que não conheço?

Para não alongar muito mais este post, listo mais alguns rótulos que estão pouco abaixo destes em minha avaliação, porém todos muito bons que merecem que você gaste um pouco de seu tempo e grana para conhecer e curtir:

Erasmo 2007, Flaherty Aconcagua blend 2008, Gillmore Hacedor de Mundos Cabernet Franc 2008, Von Siebenthal Carabantes blend 2009 e Lafken 2009, também um blend, todos muito bons e diferenciados.

         No total, doze vinhos de tirar o chapéu e despertar muitos uaus pelas mesas mostrando sua capacidade de seduzir, mas os outros ficam pouco atrás. Acho que o “selo” MOVI é certamente um selo a buscar nas garrafas menos conhecidas, fique de olho e aproveite. A foto, tirada a esmo, mostra alguns dos rótulos provados, clique nela para aumentá-la.

Salute e kanimambo

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – II

Antes de falar dos vinhos da MOVI, que farei no próximo post, e 160 vinhos mais sábio sobre os vinhos e regiões produtoras dos Hermanos algumas constatações e dicas se fazem necessárias:

A diversidade de terroirs, ou terruños como eles os chamam, é imensa assim como os vinhos e produtores então a pesquisa e a prova é essencial. Saia da mesmice, vale muito a pena!

Não deixe de comprar seu Malbec, porém também não deixe de descobrir os Tannats de Salta, os Cabernet Franc de Mendoza, os Torrontés de Cafayate e os espumantes de Mendoza, todos grandes surpresas para mim que me seduziram. Produtos menos usuais, mas não por isso menos saborosos e de muita qualidade. Aventure-se, eu o fiz e adorei o que tive a oportunidade de conhecer especialmente a enorme evolução que tiveram os Torrontés. Só para que tenham uma ideia, separei pelo menos oito deles que acho imperdíveis!

A Argentina está cara, como já nos tinha informado um leitor amigo, verdadeiramente pela hora da morte no que se refere a preços em geral! Inflação alta, custos nas alturas e moeda fixa estão tirando a competitividade dos produtos argentinos e nos vinhos não seria diferente e há casos em que os preços nas lojas mais conhecidas estão iguais ou muito similares ao Brasil. Se carregar de peso por pouco mais de R$20 a garrafa nos vinhos comodities, quando muito, não vale a pena então minha sugestão é explorar os rótulos menos conhecidos e que não estão presentes no Brasil.

As lojas de vinhos padrão tipo Winery e Tonel Privado quase só vendem aquilo que já cá temos com pouca diversidade e um atendimento meia boca (pelo menos nas que entrei), então a dica vai aqui para duas lojas:

  • Lo de Joaquim Alberdi – Jorge Luis Borges 1772 – Palermo Soho com bons preços e produtos diferenciados. Loja bonita, atendimento de primeira, é minha preferida e há tempos que a indico aqui. Segue sendo uma exceção entre as obviedades do setor. www.lodejoaquinalberdi.com
  • Aldos Vinoteca & Restoran – Moreno 372 – aberto até tarde da noite com uma bela seleção de vinhos, certamente uma visita imperdível para os enófilos de plantão. www.aldosvinoteca.com

Parrilla em Buenos Aires tem aos montes, mas como o Don Julio (Guatemala 4699 – Palermo Soho) há poucos. Ótima carne e os vinhos acompanham o nível. Lá tomamos um Siesta Syrah 2007 (não muito fácil de se encontrar nas loja) muitíssimo bom, nota dez com as entradas (chouriço e morcilla) e carnes (ojo de bife, asado de tira)!

Em Mendoza não perca dois restaurantes, pelo menos, que possuem ótimos cardápios e excelentes cartas de vinho assim como uma loja com uma boa coleção de vinhos antigos, tinha até um Weinert estrela 1977!!

  • Siete Cocinas do Chef Pablo del Río, um cocinero de primeira e super boa gente. Releituras de pratos das diversas regiões argentinas com uma bela e diversa adega – Av. Mitre 794 Esquina com San Lorenzo. www.sietecocinas.com.ar
  • Azafrán com comida deliciosa, ambiente idem e uma cava de vinhos de primeira linha, tem a possibilidade de, tempo permitindo, de servir nas mesas da calçada para passar momentos muito agradáveis. Av. Sarmiento 768. www.azafranresto.com
  • Juan Cedrón – Não possuem site. Mas descendo a Sarmiento, atravessa a Plaza de Independenzia  e quando entra na parte da rua só para pedestre fica logo do lado direito, creio que no número 290. Vários rótulos de 97, 99 e verticais diversas de Enzo Bianchi, Achaval Quimera, Yscay, Angelica, Estiba Reservada, entre outros! Algumas boas promoções também, como um Achaval Malbec Mirador 2006 (Divino) por 600 pesos quando a média de mercado é 1000!

Por enquanto é só, depois falo um pouco daqueles rótulos e bodegas que, de alguma forma, mais me marcaram nesta viagem de descobrimentos e, em breve, uma cata de vinhos ainda não disponíveis para venda no Brasil que trouxe como um exemplo da enorme diversidade  e estilos descoberta nesta viagem. Aguardem o dia e, se quiserem, já me antecipem seu interesse através de e-mail ou através de comentário aqui no blog.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.