Países & Produtos

Lágrimas Irresistíveis do Casa da Passarela Vinhas Velhas

      Já comentei aqui sobre o vinho básico deles o Colheita que é um achado nesta terra brasilis de preços nas alturas, vinho gostoso, fácil de se gostar e como diria meu amigo Rui Miguel, apetecível, por um preço bem camarada para os padrões locais. Pois bem, agora veio parar nas minhas mãos uma garrafa de Vinhas Velhas para prova, Mon Dieu!

     Foi abrir este 2008 e ser tomado por aromas inebriantes, um verdadeiro bouquet que seduz o mais cético e frio apreciador de vinhos, um ato de pura emoção. Vertendo seu néctar na taça, esta ficou tomada por longas, lentas e irresistíveis lágrimas que teimavam em decorar a taça! Na boca é pura elegância e aí um entende do porquê chamarem o Dão de a Borgonha portuguesa, mas é mais que isso, uma boa garrafa de vinho da região como este belo Vinhas Velhas, ganha uma complexidade e finesse com o tempo que deveria ser servido de fraque e cartola!

casa da passarela vinhas velhas

    Depois da primeira taça pedi uma deliciosa salteña argentina e fiquei ali sentado contemplando o verde e movimento da rua enquanto me deliciava com o vinho e uma gostosa e simples harmonização. Mais duas salteñas e mais duas taças e se não chegasse gente acho que não sobraria nada para contar a história!

   Não vou ficar aqui falando das qualidades organolépticas, eta palavra complicada (!!), do vinho porque este é pura emoção hedonística. É um vinho mais para quem quer sentir do que interpretar, mais para poesia do que para matemática, um vinho para curtir sem estar interessado em quantos por cento tem de que uva, um vinho para desfrutar sem parcimônia.

  Custa algo em torno das 130 pratas e a amiga Paula me convenceu! Salute, kanimambo e tendo a oportunidade, deixe-se levar pelo Casa da Passarela Vinhas Velhas, é uma viagem e tanto!

Os Vinhos do Argentina Winebar de 10 de Abril

        Como parte das festividades do Dia Mundial do Malbec em 17 de Abril, ocorreram uma série de eventos entre eles dois encontros do Winebar (clique para assistir). Como eu tinha uma degustação de Malbec comemorativa ao dia no próprio dia 17, tive a grata satisfação de participar na do dia 10 em que três vinhos foram degustados; O Andeluna Altitud Malbec 2010, Sottano Reserva da Familia 2008 e Lagarde Primeras Vinas 2009 que mostraram bem a diversidade dos estilos de vinhos elaborados no país da Malbec, mas não só! Afinal, tenho provado ótimos Cabernets de Mendoza, muito bons Tannats de Salta e belos Merlots e Pinots da Patagônia, então há muito por onde se escolher e ainda há um movimento de blends que tem dado o que falar e que poucos conhecem. Aliás, pensando nisso acho que vou armar uma degustação só com alguns belos blends que tenho provado!

      Bem, mas nosso papo de hoje tem a ver com os vinhos do Winebar, então deixa eu compartilhar com os amigos as minhas impressões sobre eles.

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Andeluna Altitud Malbec – quando estive em Mendoza em Novembro do ano passado, já tinha tido a oportunidade de conhecer esse vinho e esta amostra só veio confirmar minha primeira opinião. Se tudo, inclusive os vinhos, precisam de uma segunda chance, este a teve e comprovou uma falta de equilíbrio enorme (apesar da opinião contrária de alguns colegas) com seus excessivos 15.8% de teor alcoólico e enorme extração tânica com uma adstringência que toma conta da boca até a ponta do nariz . Não sou um técnico, a opinião é pessoal e calcada nos anos de janela e milhares de vinhos provados, porém este vinho é um claro exemplo de um estilo excessivo de vinhos produzidos na região e que não me agradam, porém tem lá seu séquito de seguidores mundo afora. Há poucos dias tive a oportunidade de provar um vinho do Douro, depois falo dele, com 16.5% de teor alcoólico que estava perfeitamente balanceado dando a percepção de 13,5 a 14% , então o excesso de álcool, pelo menos até a terceira taça (rs), não é um problema em si, mas seu equilíbrio sim. Sinceramente não me agradou, mas acredito que uma hora de aeração deverá trazer grandes benefícios ao vinho com uma maior integração de taninos e álcool.  Preço por volta dos R$70 a 80,00.

Sottano Reserva da Familia – o vinho de safra mais antiga (08) da prova, mas que, por sua estrutura, ainda vai longe devendo evoluir muito bem por mais uns dois anos (para quem conseguir esperar) quando deverá atingir seu ápice. Um vinho de toques algo florais e bem frutado (frutos negros) com nuances de especiarias e uma cor quase negra que tinge a taça. Na boca mostra grande estrutura , volumoso, equilibrado, firme e denso, taninos finos, um final bem especiado em que uma pimenta se manifesta de forma bastante intensa quando um pouco mais quente e menor quando algo refrescado. Vem da sub´região de Perdriel que tradicionalmente nos traz vinhos de grande concentração e estrutura, então demonstra bem a tipicidade do terroir. O teor alcoólico aqui é algo menor, 14,5%, e bem integrado no todo, mas mesmo assim uma meia hora de aeração certamente lhe fará bem. Para quem gosta de vinhos potentes, certamente uma grande pedida e um vinho que eu tomaria de bom grado na companhia de pratos igualmente substanciais com o um belo bife de chorizo ou paleta de cordeiro na brasa. Yummy!!! Preço ao redor de R$90 a 100,00.

Lagarde Primeras Vinas – um prazer hedonístico! Como mencionei na hora, o vinho que eu levaria para a cama!! rs Saltamos alguns degraus no sentido de complexidade e sofisticação num vinho. Este ainda está bem jovem, porém desde cedo mostra todo o potencial advindo de uvas de vinhedos de 1906 e 1930, as primeiras vinhas do produtor. O GRANDE vinho da noite! Aquele que consegue unir com maestria a potência com complexidade e elegância num vinho que literalmente empolga quem o toma e gosta de vinhos d essa estirpe. Um dos melhores Malbecs que já tomei, certamente entre meus top 10, e que me surpreendeu muito positivamente. Violáceo lindo e brilhoso na taça, paleta olfativa intensa e sedutora (ameixa madura com nuances de chocolate ao final) que chama a taça à boca e é lá que ele dá olé! Me entusiasmei, sei, mas fazer o quê, não é esse o grande barato do vinho? Despertar emoções e nos trazer prazer? neste caso, missão cumprida com louvor pelos produtores e enólogos responsáveis! Voltemos ao vinho porque já entrei em devaneios mil, mas quando me entusiasmo com algo os adjetivos rolam soltos e fáceis faltando objetividade, fazer o quê? Nessas horas a música é uma só; “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço  por  tudo o que Deus me deu”! rs Na boca o vinho é de uma riqueza e complexidade únicas, confirmando a fruta e um perfeito equilíbrio entre taninos, álcool e acidez mostrando que ainda há muita vida pela frente e guardar algumas garrafas deste vinho será certamente um investimento bem feito no prazer. Os taninos são muito finos, daqueles que se apresentam sedosos na ponta da boca, sem excessos, bom volume de boca, untuoso, para tomar só ou bem acompanhado, um vinho de primeiro nível na constelação de grandes vinhos da vinosfera mendocina. O preço gira entre R$165 a 180,00 o que acho um pouco puxado. Fosse uns 135/140 Reais e seria um Best Buy entre seus pares!

        Uma bela experiência, bastante didática, que demonstrou bem o que se queria mostrar, a diversidade de estilos dentro de uma mesma região, neste caso Mendoza.  Eu curti muito e só pelo incrível Lagarde Primera Vinas (por sinal um belo rótulo também) já valeu muito a pena! Salute, kanimambo e amnhã tem mais.

Noite Mundial de Malbecs, The Day After!

        Noite de dia 17 de Abril, certamente a grande maioria dos aficionados pelos caldos de Baco tinham ontem uma taça de Malbec nas mãos. Em atos solitários, em confrarias, com a esposa ou amigos, em degustações, ontem foi dia de celebrar esta cepa e na Vino & Sapore levei adiante uma bela degustação de sete tintos e um espumante de malbec, todos argentinos. Presentes; Salta, Mendoza e San Juan. Não me estenderei muito sobre o tema nem sobre os vinhos, mas os mais diversos estilos foram contemplados e numa degustação às cegas o ganhador foi ………. Bem, primeiro a lista de participantes e um comentário especial sobre o espumante que entrou de última hora e surpreendeu, muito bom com grande equilibrio e bom corpo, o Alma Negra Rosé de Malbec Bru, talvez a maior surpresa da noite!

Vinhos Provados > DV Catena Malbec-Malbec, Bodega Riglos Quinto, Decero Malbec, Colomé Estate, AVE, Altos las Hormigas Terroir,Las Moras Black Label Malbec servidos na ordem da foto abaixo.

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Eis o resultado dos top 5 escolhidos pelos 12 felizes participantes do evento realizado às cegas e completado por um festival de empanadas argentinas:

  • 1º Lugar – Bodega Riglos Quinto Malbec
  • 2º Lugar – Las Moras Black Label Malbec ( o mais barato do painel)
  • 3º Lugar – DV Catena Malbec-Malbec
  • 4º Lugar – Colomé Estate Malbec
  • 5º Lugar – Decero Malbec

Uma observação; o Quinto foi degustado às cegas também, numa outra prova de 22 vinhos do mundo (Bordeauxs, Rhônes, Sicilia, Espanha, Portugal) de diversos preços tendo sido destaque do mesmo pois nesse dia havia vinhos bem caros na parada e ele levou o troféu! Salute, kanimambo e amanhã tem mais.

Todo o Dia é Dia!

       Dia das Crianças, dia das Mães, dos Pais, das Mulheres, etc., na verdade quando nos restringimos a um dia é porque decididamente há algo obscuro no horizonte. Se é para valer e para realmente valorizar, então todo o dia é dia! Há, no entanto, as convenções que se estabelecem, na maioria por necessidade comercial, e hoje não é diferente, pois para quem é apreciador dos caldos de Baco, hoje é dia de Malbec!

Malbec world Day       O correto, no entanto, talvez fosse chamar o dia de Dia do Malbec Argentino pois esse movimento foi criado pela Wines of Argentina e a data foi escolhida em função de ação regional. Malbec, porém, existe nas mais diversas localidades, mesmo que não com a mesma marca e importância dos vinhos argentinos para o mercado.  Há produtos muito bons na França, no Chile, na Austrália e até nos Estados Unidos e porquê não, também por aqui em terras brasileiras, mas é na Argentina que ela mostra todo o seu potencial. Foi a  Malbec argentina que alavancou novamente as vendas dos vinhos de Cahors seu berço de origem onde, por sinal, ela era conhecida como Auxerrois e subsistia basicamente com vendas regionais num mundo vínico cada vez mais globalizado. Quer gostemos ou não, foi o trabalho da Argentina com esta cepa, tanto qualitativamente como mercadologicamente, que fez os vinhos dela originados tomarem conta do planeta. Aliás, muito como o Uruguai fez com a Tannat e todo mundo pegou carona!

      Hoje é portanto, dia de celebrar essa reviravolta com um bom Malbec na taça e preferencialmente em boa companhia. Bons vinhos são sempre bem vindos, eu pessoalmente tenho uma queda por blends mais do que varietais, e há diversos Malbecs de muito boa qualidade e dos mais diversos estilos que podem hoje habitar nossas taças. Hoje tenho degustação com sete desses rótulos, mas se tivesse que escolher um para colocar na taça hoje, certamente seria um vinho que provei em recente viagem a Mendoza nas casa de Suzana Balbo, o Nosotros Malbec! Como não tenho bala para tanto, fica na imaginação e certamente os sete de hoje farão jus ao que de melhoros hermanos produzem sem que gastemos fortunas por isso! Agora, se preferir, porquê não um Malbec chileno ou francês só para citar dois dos mais fáceis de achar, pois o importante é celebrar. Salute, kanimambo e que Baco lhe ilumine na escolha do Malbec de hoje

Mais que o Dia Mundial do Malbec, a Semana do Malbec!

Malbec world Day        A Wines of Argentina promove mundialmente o dia 17 de Abril como o Dia do Malbec em função de ser a data, nos idos de 1853, que foi lançada a Quinta Agronomica, um projeto de desenvolvimento agrícola no país, com ênfase na reformulação da indústria vitivinícola do país. Foi Sarmiento, o 5º presidente do país, que nesse mesmo ano  instituiu a primeira escola de agricultura em Mendoza com a contratação do agrônomo francês Michel Aimé Pouget. Foi ele que trouxe as primeiras mudas de Malbec, entre outras, para Mendoza onde a cepa encontrou seu habitat tendo se tornado a uva ícone da Argentina e seu carro chefe responsável por cerca de 40% da produção anual, mas certamente bem mais do que isso se considerarmos somente as exportações.

        Para festejar esse dia diversas são as ações promovidas e começa hoje! Vejam o programa e aproveitem ao máximo a diversidade de estilos e sabores decorrentes dos inúmeros terroirs existentes na argentina.

10/04 – WineBar Malbec , diversidade de Mendoza – hoje ás 21 horas uma mesa redonda com gente que entende provando e comentando três rótulos ao vivo. Acesse http://www.winebar.com.br/

11/04 – Desafio ao Vinho de Daniel Perches. O Dani vai explorar as possibilidades de harmonização da Malbec e basta clicar no link para acessar o programa amanhã.

17/04 – Degustação de Malbecs às cegas na Vino & Sapore – Para comemorar o dia, uma degustação ás cegas com sete Malbecs de diversas regiões produtoras na Argentina, hoje o principal produtor de vinhos desta casta; San Juan, Mendoza e Salta.

DV Catena Malbec/Malbec – Alto los Hormigas Terroir – Colomé Estate – Decero Remolinos Vineyard – Bodega Riglos Quinto – Las Moras Black Label e AVE (Italian Wine Makers in the New World).

Venha sentir ás cegas, as diferenças que podem ser encontradas em vinhos da mesma cepa, porém de terroirs e produtores diferentes. Investimento de R$75,00 com R$15 voltando em crédito na compra de qualquer um dos vinhos em prova na noite. Inicio às 20 horas na Vino & Sapore, grupo limitado a doze pessoas e pagamento no ato da reserva. Ligue (4612.6343 ou 1433) ou envie logo seu e-mail (comercial@vinoesapore.com.br) para garantir seu lugar.

17/04 – WineBar Malbec II – desta feita um grupo de experts e aficionados pelos caldos de baco vão provar ao vivo uma série de outros rótulos mostrando a diversidade da Malbec. Acesse http://www.winebar.com.br/

18/04 – Desafio ao Vinho de Daniel Perches – ele de novo só que desta feita falando das diferenças dos malbecs provados, sempre uma boa dica.

Salute, desta feita com um bom Malbec, e kanimamb0 pela visita. Dois posts hoje, uau!!!! rs

Vertical de Mas la Plana na Saca Rolha

        Mais uma vez a confreira Raquel Santos compartilha suas impressões conosco sobre a última reunião da confraria Saca Rolha. Desta feita um clássico da modernidade espanhola,  um vinho único na região, uma deliciosa vertical do Mas la Plana. vejam o que ela tem a nos dizer:

Mas la Plana Vertical

Quem gosta de vinhos, gosta de falar sobre eles. Uma hora ou outra vai querer comparar aquela garrafa que conheceu e gostou, com as experiências de outras pessoas. Esse desejo de partilhar sensações, nos leva a uma eterna busca: “ O vinho essencial “. Aquele que nos transporta a um mundo de experiências agradáveis que tivemos ou ainda queremos ter.

Nas degustações que chamamos de “ verticais “, essa prática pode ser estabelecida comparando o mesmo vinho,  produzido em anos diferentes. Ou seja, podemos observar com o passar dos anos,  sua maturidade, o potencial de evolução, através da cor, aromas e sabores. No último encontro da Confraria Saca Rolhas, tivemos a oportunidade de conhecer quatro safras do mítico vinho espanhol MAS LA PLANA.

Foi o 1º vinho espanhol moderno que ganhou destaque mundial.  Miguel Torres, seu criador, movido por seu espírito inovador,  produz um vinho na região do Penedés/ Catalunya – terra dos Cavas – elaborado exclusivamente com a uva  Cabernet Sauvignon – terra dos Tempranillos . Em 1979, foi eleito o melhor vinho desta casta na Olimpíada Gaut Millau de Paris, à frente do Chateau La Tour, ambos de 1970.  A família Torres produz vinhos desde 1870 na região da Catalunya, mas sua inquietude fez com que estendesse seus domínios ao Chile, EUA e mais recentemente à China.

Todo vinho tem um apogeu, um momento que nunca se sabe quando acontece, a partir do qual traçam uma curva descendente. O tempo de vida de um vinho varia de acordo com a sua qualidade, isto é, vinhos de boa qualidade tendem a ser mais longevos. Daí, a necessidade de prová-los em anos diferentes. As safras degustadas foram: 1996, 1999, 2005, 2007 e a primeira dúvida que tive foi: Qual a ordem da sequência da degustação? Do mais novo para o mais antigo ou o contrário? Decidimos começar pelo mais antigo, já que o mais jovem normalmente tem mais frescor, uma cor vermelha mais vibrante , os taninos mais ásperos,  que com o tempo ficam mais macios. Também tendem a serem mais frutados tanto no nariz quanto na boca. Com o tempo seus componentes vão se integrando, tornam-se mais intensos e aprimoram toda a gama de aromas e sabores. Optamos por começar pelo mais antigo que provavelmente seria o mais “ domado “ entre eles.

Mas la Plana na Taça

Mas La Plana 1996

Na taça já se podia ver sua evolução pela cor rubi bem escuro com halo alaranjado. Aromas potentes de frutas negras compotadas e madeira bem integrada. Na boca confirma a presença de frutas com bom corpo, boa acidez e taninos presentes bem finos. Muito elegante e apesar dos seus 17 anos ainda demonstrou capacidade de evolução na taça.

Mas la Plana 1999

Aqui já pudemos ter a perfeita noção do que seria a diferença entre as safras. De cor mais vibrante e aromas um pouco fechados de início, mas que dado o seu devido tempo, revelou-se com muito frescor.  Além de frutas, podia-se notar algumas flores e madeira perfumada. Na boca, mostrou bom extrato, além de taninos e acidez presentes,  muito bem equilibrados. Notamos que continha a maior graduação alcoólica entre eles(14,7º), porém  estava bem integrado  e não chegou a interferir. Foi o que mais evoluiu na taça! Com final longo e ( confesso ) deu vontade de parar por aqui mesmo!

Mas La Plana 2005  

Sua cor não era muito diferente do anterior (1999). Porém, os aromas apareceram com mais desembaraço. Notei também uma presença mais acentuada de álcool (14º) , que talvez por essa razão, fez com que parecesse algo mais vibrante, mais jovial, porém com muito equilíbrio. Deixou a sensação de que essa safra será igual ao 1999, daqui a seis anos. Um irmão mais novo, mas irmãos  podem ser parecidos, nunca iguais!

Mas La Plana 2007.

Apresentou as mesmas características de equilíbrio e elegância notadas anteriormente. Aromas que vão se abrindo pouco a pouco, revelando ótima integração entre  madeira e frutas. Taninos finíssimos, porém presentes que vão amaciando cada vez mais com a evolução na taça. Acidez que pede comida.

Este exercício comparativo entre esses quatro exemplares do MAS LA PLANA  me fez pensar em várias  coisas:

  • Uma das qualidades de um vinho é quando identificamos nele uma personalidade,  que se mantém, independente das alterações climáticas e a maturação do tempo, senti isso aqui.
  • O que os espanhóis chamam de “ crianza “ ou seja “ criação “, está diretamente ligado ao tempo de maturação de um vinho, que quando somados à qualidade da vinha, ao terroir e à mão do seu criador, percebemos suas características e seu potencial de evolução.
  • Outra coisa, que chamou a atenção de todos, foi o teor alcoólico, que tende a aumentar cada vez mais com o passar dos anos em função do aumento de temperatura no mundo. As mudanças climáticas estão na nossa taça também!
  • E finalmente, que o homem é o elemento mais importante na criação de um vinho. A partir de um desejo, talvez de perpetuar sua passagem pela Terra,  movido pela criatividade,  e utilizando todas as ferramentas que  dispõe para criar algo que se assemelhe o máximo com ele mesmo.”

     Valeu Raquel e agora meu comentário pessoal: o 99 está divino e o 2005 segue o mesmo caminho, me encantei com os dois e assino embaixo, dois grandes vinhos! Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Caçando Trufas No Piemonte e Muito Mais

    Wine & Food Travel Experiences é o fruto de um projeto que se iniciou no inicio de 2012, com a vibrante e ativa participação de minha saudosa amiga e parceira Inês com duas viagens a Portugal, que agora se materializa num voo solo explorando outras regiões. Aguardem para breve mais detalhes, mas só para aguçar vossa curiosidade pensem numa viagem pela Toscana, Piemonte, Veneto com Veneza e opcional de Alto-Adige com visita a Bolzano. Jantar no lago di Garda, visita a feira artesanal de queijos promovida pelo movimento Slow Food e já que andamos por aquelas bandas, porquê não uma visita ao museu da Ferrari?! Serão 13 dias (saindo dia 12/Set 2013) num grupo pequeno de no máximo 15 pessoas visitando 10 vinícolas tops e provando seus vinhos, almoços em restaurantes de outras vinícolas com seus vinhos, cafés históricos, certamente uma viagem Inêsquecível de muitos sabores, história e cultura. Eis um teaser com algumas imagens:

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Salute, kanimambo e espero poder ter alguns de vocês a bordo desta nau que zarpa dia 12 de Setembro para terras de Enotria. Uma ótima semana para todos e arriverdeci.

De Volta à Argentina – os Vinhos de Cafayate

      Em função do “paro” em Buenos Aires nosso voo para Mendoza rodou então ficamos uma dia a mais no pedaço, mas aproveitamos bem. Algumas surpresas, uma revisão de avaliação, quebra de preconceitos e vinhos de qualidade (mais de 65)  na taça, boas experiências vividas nestes últimos momentos de presença na região de Salta.

El Porvenir  – Enquanto estávamos na Felix Lavaque, tivemos a felicidade de receber a visita do Mariano Quiroga Adamo, jovem e talentoso enólogo da El Porvenir (recente nesta casa) um produtor de médio porte elaborando cerca de 400 mil litros anuais dos quais 85% se exportam. Provamos três de seus vinhos, e muitos mais nos dias seguintes, porém vou deixar aqui minhas impressões sobre os que mais me chamaram a atenção entre os diversos bons caldos que habitaram minha taça nestes últimos dias na região de Salta.

Laborum Torrontés 2012 – já mencionei antes de que me surpreendi com a enorme evolução qualitativa dos Torrontés e este vinho só veio confirmar a regra. Uvas colhidas em três fases diferente de maturação resultam num vinho fino e elegante, fresco, frutado com toques cítricos e muito, mas muito saboroso.

Laborum Malbec 2011 – Nariz bem intenso e linda cor purpura, nos convidam a levar a taça á boca onde mostra um meio de boca muito bom e frutado, boa acidez e final bem longo e muito apetitoso! Vinho para curtir nas calmas, sem pressa para dar-lhe tempo de se expressar na sua plenitude. Um belo vinho.

clique para ver slide show II

San Pedro de Yacochuya – Confesso que fui com um pé atrás. Sei que é um marco da região, mas essa potência toda e super extração “Rollandistica “ não faz minha cabeça e numa degustação de há tempos já tinha me decepcionado com ele. Confesso que revi posição, mesmo não sendo meu estilo de vinho. Apenas 21 hectares aqui (+ seis em Tolombon  ), dos quais 8 hectares com mais de 100 anos. Michel Rolland é sócio comercial sendo responsável pela elaboração dos vinhos, porém não pelo estilo já que isso é uma filosofia dos irmãos  Marcos e Arnaldo Etchart. Maceração longa de 30/40 dias, uvas supermaduras, tudo busca o perfil superlativo que fez a marca deste produtor e projetou a região de Cafayate internacionalmente.

Coquena Tannat – provamos amostra de tanque deste vinho que vem do vinhedo de Tolombon e que deve estar por ser engarrafado. Mesmo não pronto, já mostrou qualidade e creio que deveremos estar diante de mais um bom tannat desta região e espero que chegue logo ao Brasil.

Coquena Malbec 2011 – na hora não me encantou, porém recentemente tomei uma garrafa que trouxe e me surpreendeu. Dependendo do preço a que chegar ao Brasil, pretende ser uma alternativa low budget da marca, vale a pena pois está muito equilibrado e as notas vegetais mais agressivas que senti na prova na bodega, deram espaço para notas mais frutadas bem saboroso e de bom volume de boca que é a assinatura da casa.

Yacochuya 2009 – 24 meses de barrica, especiarias bem presentes. Potente em boca, taninos ainda algo “amarrantes” na boca (muito jovem), untuoso, carnudo, para tomar de garfo e faca! Tenho, todavia, que rever minha posição sobre este vinho que me confirmou que tudo na vida merece uma segunda chance. Vinho potente sim, porém muito rico também e demonstra uma complexidade que não tinha conhecido na minha prova anterior. Para os amantes deste estilo de vinho, certamente um grande vinho com enorme capacidade de guarda.

El Transito – com uma capacidade de produção de cerca de 150 mil garrafas  produz uma linha algo mais comercial e um pouco rustica no estilo. Sua linha básica é bastante interessante, me atraiu mais, e fácil de gostar com especial destaque para o Cabernet Sauvignon 2009 com bom volume de boca, especiarias, frutas negras no nariz, taninos finos sem passagem por madeira.

Etchart – um gigante e um dos primeiros a estar presente por aqui. Comprado em 96 pelo grupo Pinot Ricard, esperava uma visita sem grandes surpresas, de vinhos fáceis sem grandes emoções e………me enganei redondamente. Vivendo e aprendendo que preconceito é uma …..! Enfim, são 450 hectares de vinhas e mais de 9 milhões de garrafas ano porém do que provei, muitas e boas surpresas, sem contar a hospitalidade e simpatia numa prova em baixo das árvores do lado da casa de hóspedes. Lugar lindo.

Torrontés, provamos três. O Privado é simples e fácil, o Reserva já mostra ao que vem, mas é o Etchart Gran Reserva Tinaje 2012 que mexe com a gente ou, pelo menos, comigo. Um dos melhores provados nesta viagem. Todo ele muito sutil e fino, leve floral com notas de pêssego no nariz. Na boca é delicioso e sedutor com notas de grama molhada recém cortada, alguma lima mostrando um frescor muito gostoso e de final longo.

Arnaldo B, um dos melhores custo x beneficio dos vinhos provados em todos os sete dias de viagem á Argentina. Caiu nosso queixo quando nos disseram que este vinho custa algo ao redor de R$50 a 60 no mercado brasileiro já que nossa percepção de valor foi bem superior a isso! É o vinho principal deles e provamos o 2008 que é um blend essencialmente de Malbec/Cabernet Sauvignon e Tannat, mas que no futuro próximo pode vir a receber o aporte de outras cepas. Elegante, fino, de bom corpo e ótima textura, untuoso e rico, daqueles vinhos que acaba muito rapidamente e uma garrafa sobre a mesa será certamente pouco, ainda mais a esse preço!

Amostras de barrica. O anfitrião e enólogo da casa, Ignacio Lopez, se entusiasmou e quis nos mostrar algumas de suas criações em processo de desenvolvimento. Eles estão experimentando coisas novas e nos deram o privilégio de provar algumas amostras. Das quatro variedades provadas (CS, Tannat, Bonarda e Ancelotta) curti muito o Tannat que apresentou um frescor e fruta muito interessante prometendo um futuro bem interessante tanto em blends como solo. Gamei no Ancelotta!! Fino, denso, notas achocolatadas, uma aposta do enólogo em algo novo na região (sugeri que ele visitasse alguns de nossos produtores no Sul) que vai dar o que falar, aguardemos. Em principio estes caldos devem vir para enriquecer ainda mais o Arnaldo B, porém não me surpreenderia se viesse também uma linha de varietais de alta gama.

      Por hoje é só, mas ainda tem a Vertical de Mas la Plana, mais posts sobre a viagem á Argentina que fiz a convite da Wines of Argentina, otras cositas más! Devagarinho retomo o ritmo do blog então kanimambo pela paciência e não se esqueçam, dia 17/04 é o Dia Mundial do Malbec, aguardem surpresas! Salute.

Chianti e Bacalhau Pode?

         Pode! Vinho bom, companhia ótima e prato idem, porquê não? Sem enofrescuras, quando as partes são tão boas é dificil algo dar errado e mesmo com um bacalhau algo mais light (Bacalhau do Capitão) e o vinho complexo e bem estruturado com ótimo volume de boca, complexo e vibrante; foi bão demais da conta sô! Familia, um belo vinho e um baca saboroso, fomos abençoados nesta sexta-feira santa. Como dizem, uma imagem vale mais que mil palavra então fico por aqui com a esperança de que vosso feriado de Páscoa tenha sido igualmente bom.

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Na Quinta tem vertical de Mas la Plana por aqui, te aguardo. Salute e kanimambo.

Argentina – Chegamos em Cafayate (parte I)

           Foram cerca de duas horas e meia de uma estrada estreita e sinuosa, de areia, entre esculturas rochosas esculpidas pela natureza ao longo de séculos. Mais um trecho inesquecível de nossa viagem pelo norte vinícola da Argentina. Colomé ficou para trás mas, como os bons vinhos, persiste na memória até hoje. Agora, no entanto, é hora de visitar e provar vinhos das mais diversas vinícolas de Cafayate, o epicentro da produção vinícola da região e mais uma vez me surpreendi. Terra do Torrontés, mas também da Tannat, bons blends e da sempre presente Malbec. Visitamos El Esteco (mais conhecida aqui como Michel Torino), Felix Lavaque (Quará), Etchart, Yacochuya,  Bodega El Transito e ainda provamos Quebrada de las Flechas e José Luis Mounier num total de cerca de 56 rótulos, bela e enriquecedora experiência. Não vou aqui vos cansar com um resumo de todos estes vinhos, porém há destaques que certamente os amigos deverão apreciar tanto quanto eu.

Clique

El Esteco (Michel Torino) pertence ao grupo Penaflor e existe desde 1892. Deles provamos dez vinhos logo às 09:30 de la matina (!)

Toda a linha Collecíon se mostrou muito bem, Torrontés, Malbec, Tannat e cabernet Sauvignon, mas destaque deve ser dado tanto para o Tannat como para o Cabernet que entregam bem mais do que esperado mostrando um equilíbrio muito bom.

A linha Don David é um degrau acima e aqui o que mais me chamou a atenção foi o Torrontés que é parcialmente fermentado em barrica com malolática mostrando uma característica diferente dos outros vinhos desta cepa provados, já que possui mais estrutura e maior volume de boca.

Altimus – o top de linha, um blend que desde muito faz minha cabeça. Fermentado em cubas, passa por um período de 15 a 18 meses de barrica nova. As uvas que compõem o corte variam safra a safra dependendo do que de melhor os vinhedos deram. Normalmente leva Malbec, Cabernet Sauvignon aos quais se agregam Tannat, Syrah e Bonarda o que torna cada safra deste vinho uma surpresa de sabores e aromas diferentes. Vinho de Guarda, para tomar com seis, sete ou mais anos de vida.

Felix Lavaque – aqui recebemos uma aula no vinhedo afora a prova de seus bons vinhos. Uma das coisas que me estavam encucando nesta viagem é que via muito vinhedo plantado em Parral (algo ultrapassado pelo que conhecia) em vez de Espaldera. Aqui no entanto, devido ás condições climáticas, o sistema de parral gera as melhores uvas e, consequentemente, os melhores vinhos ao inverso de Mendoza.  Dos sete vinhos aqui provados, três se destacaram e fizeram a minha cabeça, e uma menção honrosa para o Felix Torrontés de vinhedos com mais de 100 anos de idade. Vinhos para comprar de olhos fechados e curtir.

Quará Reserva Cabernet Sauvignon 2011 – bem frutado, álcool bem integrado, boa textura, rico com final de boca muito saboroso.

Single Vineyard Vina El Recreo Tannat 2010 – ótima presença de boca, marcante, vino de boa tipicidade da casta que não faria feio numa degustação às cegas contra os bons tannats uruguaios. Mais uma prova de que esta cepa ainda vai dar muito o que falar nesta região!

Felix Blend 2007 – um belo vinho que combina cerca de 75% de Malbec com a gostosa Tannat. Resultado, um vinho complexo de ótima estrutura tânica , taninos finos e aveludados para beber e se deliciar agora ou durante os próximos dois anos.

Quebrada de Flechas – um projeto novo da família Lavaque num lugar em que poucos ousariam plantar algo, muito menos produzir vinho! Uma linha de bons vinhos básicos em que o reserva Torrontés se apresentou bastante interessante e já que passa parcialmente uns três meses por madeira e Inox porém o álcool pesa um pouco ao final.  Já Malbec reserva 2010 é o grande vinho deles com 8 meses de barrica, muita fruta, bons taninos, boca firme mas de qualidade e dizem que tem alguém, não consegui saber quem, que vende este vinho em Minas por meros R$30 ou algo parecido! Ótima opção de rótulo para ter em casa sempre.

       Bem, tem mais, porém este já estando ficando longo demais, então volto com os outros destaques dentro de alguns dias. Por agora, salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.