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Tinto & Branco Chilenos na Taça

Não tive a oportunidade de participar do Winebar da Wines of Chile que antecedeu a Wines of Chile Tasting e lançamento oficial das novas denominações (áreas) Costa, Entre Cordilleras e Andes, então vou colocando aqui minhas impressões sobre os vinhos provados conforme os for degustando.

Comecei por uma dupla de tinto e branco de Casablanca, área da Costa na nova denominação. Mesmo a foto não sendo das melhores, nas taças estavam o Ventisquero Reserva Pinot Noir e o Terrunyo Sauvignon Blanc da Concha y Toro. Cada um do seu jeito e no seu patamar de qualidade e preço, foram bem na minha taça, sendo que o Terrunyo extrapolou por sua exuberância. Falemos dos vinhos e do que senti deles:

A Ventisquero produz bons vinhos em diversas gamas de qualidade e eu gosto bastante dos vinhos da família Queulat em especial o Merlot. Este Pinot Noir se mostrou muito agradável mostrando fruta abundante no nariz e uma cor rubi demonstrando uma extração maior o que é típico dos pinots chilenos. Na boca está bem redondo, saboroso e frutado fácil de gostar, boa acidez, taninos delicados como manda o figurino e um final com uma certa mineralidade. Cumpre bem seu papel considerando-se que é vinho na casa dos R$45 a 55,00 nos dias de hoje.

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Terrunyo Sauvignon Blanc da Concha y Toro, vinho de pontuação média, pelos grandes critico mundiais, ao redor de 90 pontos com alguns picos. Mudamos de patamar, não subimos um degrau, pulamos alguns! Nunca tinha tomado este vinho e tenho que confessar que me surpreendi pois é dos melhores Sauvignon Blanc que já tomei , não só do Chile mas das Américas. Paleta olfativa gostosa em que notas cítricas, maçã verde e notas de orvalho matinal nos fazem viajar um pouco. Na boca é pura sedução, repete as sensações da fruta fresca com uma mineral bem presente, um vinho em perfeita harmonia, elegante e marcante que faz lembrar muito os vinhos do Loire que me encantam. Um belíssimo exemplar de Sauvignon Blanc que não é para qualquer bolso, mas falamos de um vinho top de gama, então o preço acompanha, entre R$100 a 120 pelo que pude ver na internet.

Tenho mais uns três para provar, mas de saída me dei bem. Realmente os terroirs do Chile e uma enormidade de bons produtores são farto material para pesquisa (prova) como pude mais uma vez comprovar, inclusive na Wines of Chile Tasting! Em breve mais do Chile mas quem quiser uma experiência a mais, dia 28 de Agosto na Vino & Sapore farei uma apresentação sobre os vales, suas uvas e vinhos, com ênfase na introdução das novas áreas e, obviamente, provaremos alguns bons vinhos e serviremos um prato. Será a partir das 20 horas então caso tenha interesse, me enviem um comentário que entro em contato.

Ménage à Trois – Frio, Caldo Verde e Malhadinha

      Sem sacanagem, tem gente que só pensa naquilo (!)rs, na maior pureza e desta vez sem vinho! Friozinho, um caldo verde elaborado com chouriço português, ora pois, e um fiozinho do azeite Malhadinha sem filtragem que uma amiga me trouxe de Portugal porque o importador não conseguiu trazer devido a “problemas” com os órgãos competentes! A felicidade está, na maioria das vezes, nas coisas mais simples da vida e sei que hoje vou dormir feliz. Se tivesse em casa, certamente um bom Vinho Verde tinto como o Quinta de Linhares casaria à perfeição.

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    Olha, não vou dizer mais nada pois, como já diz o ditado, uma imagem vale mais que mil palavras! Agora, que esse azeite levanta até defunto, disso não tenham dúvidas, bão demais da conta sô!!!  Saboreiem isso por hoje, salute e kanimambo, amanhã tem mais e é chileno na taça!

Mandela (o vinho) na Taça, Uma Experiência Africana

Há algumas semanas tive a oportunidade de participar de mais um saboroso evento do Winebrar, uma degustação virtual, com os amigos Alexandre Frias, Daniel Perches e o Rogério da Ravin. Nessa oportunidade, provamos dois vinhos que recém chegaram ao mercado pelas mãos dessa importadora.

Os vinhos da House of Mandela têm por trás de si, toda a experiência e sabedoria do grupo Fairview na produção o que por si só já é uma boa razão para nos aventurarmos por seus aromas e sabores. Dois vinhos de gama de entrada que a importadora estava vendendo com desconto promocional de lançamento, não sei se ainda está, e saía por R$39 em vez do preço de tabela que é de R$49,00. Vieram três varietais, um Sauvignon Blanc, um Pinotage e um Syrah, porém nessa noite provamos somente os primeiros dois:

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Sauvignon Blanc – Gostei bastante pela ausência dos aromas e sabores fortes de aspargos no vinho, algo que não me agrada nos vinhos desta cepa. Este se apresenta bem fresco, mais citrino com grama molhada bem presente numa presença de boca toda ela mais sutil e elegante e balanceada terminando com uma certa mineralidade. Um vinho muito agradável de se tomar e certamente uma bela companhia para os queijos de cabra e frutos do mar grelhados ou fritos.

Pinotage – a meu ver mui agradável e cativante  no olfato, apresentando-se  franco e bem integrado, final saboroso e surpreendente persistência. Nada daquela típica borracha queimada mais presente nos vinhos de entrada de gama, aparecendo uma fruta pouco comum e um final com alguma especiaria.

Pessoalmente creio que o Sauvignon Blanc é mais harmonioso e vibrante com um potencial mais interessante para ser tomado solo, sem comida, enquanto o Pinotage tende a cansar um pouco depois da segunda taça o que poderia mudar com pizza de, peperoni , linguiça de javali e coisas do gênero. Pensei até num belo X-Picanha! Vale a prova e é uma boa introdução aos bons vinhos sul-africanos. Salute e kanimambo!

Cadus na Casa de Nieto, Boas Surpresas na Taça

Cadus Brut NaturePara quem não conhece, a Casa de Nieto Senetiner, onde em companhia de outros colegas blogueiros fomos recebidos com muita hospitalidade pelo “gerente” da casa e sommelier Mauricio Marcondes, é a base deste importante produtor argentino em São Paulo. Para a maioria de nós, a Nieto é sinônimo de vinhos simples e baratos, fama feita em cima de muitos anos de Benjamim e outros vinhos similares. Quem nesta vida de enófilo pode dizer que nunca provou um desses vinhos? Eu, por exemplo, sempre gostei de seu Benjamin Chardonnay, um vinho gostoso, fresco e fácil. Mas esta vinícola em atividade desde 1888 e desde 1998 nas mãos do grupo alimentício argentino, Molinos tem bem mais a oferecer e o ícone dos Bonardas, o Edicion Limitada, é um exemplo do que podem fazer e revolucionou a produção de vinhos com essa uva em terras argentinas. O que poucos conhecem, no entanto,  é sua linha top, a Cadus (ânfora no dialeto local), e eu também não, então deixa eu compartilhar com vocês essa experiência.

Fomos recebidos por um espumante Cadus Champenoise Brut Nature, um  Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir  (70%) e Malbec. Como a maioria dos Blanc de Blanc, sua cor nos remete a um rosado claro no estilo casca de cebola. Os vinhos base passam por um período de 3 a 6 meses de barrica e a segunda fermentação é de 18 meses sur lie e uma peculiaridade (nunca vi antes) que faz a diferença, um leve toque de grappa  no degorgement em vez de licor de expedição. Muito interessante, não é fácil, mas é muito interessante para os que curtem bons e diferente espumantes. Marcante de personalidade muito própria e inconfundível, harmonizou muito bem com os diversos canapés, especialmente com os de salmão e kani. Tomamos a garrafa 65 das poucas 7.000 produzidas.

Posteriormente fomos apresentados a três tintos e mais uma surpresa para lá de agradável ao final. Falemos dos tintos:

Cadus Grand Vin 08, elaborado pela primeira vez em 94, é um blend muito equilibrado de Malbec (50%) com Cabernet Sauvignon e Bonarda que passam por 24 meses de barricas novas francesas e pelo menos 12 meses de afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Um belo vinho que só vem confirmar o que venho falando já faz um tempo sobre os vinhos argentinos, os blends estão melhores, mais elegantes e complexos que os varietais por lá produzidos, ojo! O corpo e estrutura estão lá, o álcool mais comedido e bem integrado também, mas é cavalheiro de fino trato como demonstra na taça. Muito bem harmonizado com o filé com shiitake, é um vinho com preço ao redor dos R$170.

Cadus Blend of Vineyards Malbec 08, a primeira safra deste vinho que é composto de uvas de diversas sub-regiões de Lujan de Cuyo; Agrelo/Vistalba e Vistaflores, todos terroirs privilegiados! Doze meses de barrica e doze de garrafa, é um vinho franco de grande impacto na entra de boca, “amansa “ no meio de boca e temina com taninos fino e sutis com um frescor agradável e supreendente. Ótima fraldinha com legumes e um preço por farrafa ao redor dos R$150,00.

Cadus Single Vineyard 07, de Agrelo, foi elaborado pela primeira vez em 2000 com vinhas de mais de 35 anos de idade. Vinho premium, com 24 meses de barrica nova francesa e 24 messes de garrafa, é um vinho de guarda e mostrou isso na taça. Escuro, potente, grande estrutura, boca densa, álcool na casa dos 15,5% bem integrados no conjunto, um  bom vinho para os amantes deste estilo tomarem agora e quem aprecia mais elegância, como eu, terá um grande vinho em mãos dentro de três ou quatro anos. Bom já, mas certamente valerá a pena esperar um pouco mais. Aliás, já diz o ditado, o apressado come cru! Vinho já na casa dos R$200 que ficou divino com o ragu de cordeiro sobre polenta cremosa com que foi harmonizado. Uma bela “maridaje”!

Por falar em ditado, best things for last, como dizem os gringos! O Mauricio saiu e voltou com um vinho que decantava fazia 4 horas e nos ofereceu uma prova às cegas. Malbec, sem duvida! Cor rubi, escuro e denso, aromáticamente muito complexo com a tradicional fruta peculiar á casta, mas também notas animais e sutil floral. Muito estruturado, rico, vivo, poderoso, notas de frutos negros, final com chocolate, cacau, taninos aveludados muito presentes e longo, muito longo. Certamente um vinho TOP ainda muito jovem, acreditamos todos nós. Ledo engano!! Cadus Estiba 39, safra, pasmem, 2000!!!!!!!!!! Um vinho também single Vineyard (Agrelo) de vinhedos com idade superior a 45 anos de rendimento médio com fermentação e maceração prolongada por 25 dias a 28-32ºC em pileta (tanques de cimento) de pequeno volume (entre 3000 e 5000L) com amadurecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e dois anos de amadurecimento em garrafas.  Uma prova de que os vinhos argentinos podem sim ser longevos e envelhecer muito bem, pois a não ser alguns indicativos no nariz, só identificados após a divulgação da safra, não havia nada marcante que denotasse a idade avançada do vinho. Os privilegiados presente tiveram a possibilidade de tomar uma das últimas doze garrafas disponíveis com o produtor. Na importadora (Flora) o estoque está zerado e na maior parte das lojas também, mas na pesquisa (google) vi que essa raridade ainda existe em alguns poucos lugares a preço ao redor de R$280,00! Adoraria ter uma grana para comprar umas três garrafas e acompanhar seu amadurecimento nos próximos quatro a cinco anos, certamente deverá ser uma experiência e tanto para quem pode.

Noite extremamente agradável, ótimos vinhos e comida impecável (chef Lula está de parabéns) e muito bem harmonizada. São momentos preciosos  destes que nos fazem ver o quão pouco conhecemos de nossa vinosfera e do quanto ainda há por aprender. Aos amigos que tão bem nos receberam, meu muito obrigado pela oportunidade, salute e um kanimambo muito especial. As fotos, essas adicionarei em breve, meu celular está em recuperação!! rs

 

 

Já Provou um Vinho do Zimbabwe?

Eu já, Bushman Rock Estate Dry White Wood Matured .

ZIM - Clipboard

Adoro sair da mesmice, provar coisas diferentes de locais diferentes, isso faz parte, na minha opinião, da formação de um enófilo que se preze, pois creio que ganhamos muito com isso. Afora este vinho tomado na semana passada, ainda provei um Pinot Noir de Luxemburgo, do qual falarei outro dia, e estou armando junto com uns confrades, uma degustação somente de vinhos exóticos. Tem Tahiti, Venezuela, Peru, Holanda, Mexico, China e, lamentavelmente, a garrafa do Nepal sumiu! Depois falo para vocês sobre essas outras experiências, mas vi com bastante interesse no site da vinícola que entre outras uvas eles trabalham com a Alicante Bouschet, uma casta meio esquecida do sul da França que virou protagonista importante no Alentejo.

Ah, você quer saber desse branco? Bem, nem sempre se pode julgar, na maioria das vezes para ser sincero, um vinho ou qualquer outra coisa, por uma primeira impressão, então deixemos para lá! rs Digamos que estava “over wood matured” e valeu pela experiência que poderá ser repetida havendo a oportunidade. Ao amigo César Bueno que teve a gentileza de me trazer a garrafa e provar junto, um kanimambo especial e, por sinal, não foi nada para o ralo não!

Salute, ótima semana e kanimambo pela visita. Amanhã a lista dos vinhos que você poderá provar no próximo dia 10 na segunda edição do Saturday Night Wine Tasting que promoverei na Vino & Sapore, assim como a seleção de vinhos que comporá  a caixa (12 vinhos) a ser sorteada no dia, são cerca de R$1.000 em vinhos! Não perca.

PS. Se tiver algum vinho de origem exótica para provar e quiser compartilhar, me envie um comentário pois já estou montando uma segunda etapa dessas degustações em que cada um que aporta uma garrafa fica com direito a trazer um convidado. Seis vinhos fecham o encontro!

Meu Primeiro Rabigato, Gostei!

A primeira vez é sempre marcante ou, pelo menos, interessante e didática! Esta foi bastante marcante porque me surpreendeu. Rabigato, para quem não conhece, é uma uva autóctone da região do Douro onde é costumeiramente usada em cortes com a Viosinho, Verdelho e Gouveio e que, em função de sua baixa produtividade, está gradativamente  sendo substituída por castas mais interessantes comercialmente e de maior produtividade. Os vinhos de Portugal produzem sempre saborosas surpresas!

Clipboard Quinta da MieiraEste produtor, João Turégano da Quinta da Mieira, vai um pouco na contramão desse “trend” e nos traz esse Rabigato vinificado em estreme (varietal 100%) ou monocasta como eles por lá chamam estes vinhos que, neste caso, foram elaborados com uvas advindas de vinhedos com mais de 40 anos. Não teve jeito, como todo o enófilo apaixonado pelos mistérios de Baco, me meti a pesquisar antes de entrar na degustação deste vinho recebido da Importadora Winery para degustar em paralelo com o produtor e o amigo Breno num evento promovido no site www.tvgeracaoz.com.br do também amigo e saudoso (depois que ficou famoso sumiu!) Marcelo di Morais.

A Rabigato, por erro, no passado foi relacionada com a casta Rabo de Ovelha, variedade com a qual rabigatonão aparenta qualquer semelhança. Os vinhos oferecem acidez viva e bem equilibrada, boas graduações alcoólicas, frescura e estrutura, características que a elevaram ao estatuto de casta promissora no Douro. Apresenta cachos médios e bagos pequenos, de cor verde amarelada. Poderá, nas melhores localizações, ser vinificada em estreme, oferecendo notas aromáticas de acácia e flor de laranjeira, sensações vegetais e, tradicionalmente, uma mineralidade atrevida. É a boca, porém, que justifica a sua reputação, com uma acidez mordaz e penetrante, capaz de rejuvenescer os brancos do Douro Superior e com boa capacidade de envelhecimento..

Abri a garrafa a cerca de 8ºC o que não recomendo, pois foi-se abrindo muito conforme a temperatura aumentou mostrando que o contra rótulo está corretíssimo quando sugere a temperatura de serviço de 12ºC. Nariz de média intensidade, mas bastante complexo com notas cítricas (maçã verde) e tropicais com algum abacaxi maduro e suaves sensações de flor de laranjeira como pano de fundo, aparecendo até uma certa dose de baunilha mesmo não havendo o vinho passado em barrica.

quinta da Mieira Rabigato VNa boca é marcante, um vinho com personalidade, meio de boca seco, boa estrutura e acidez bem integrada transmitindo frescor, mas sem ferir o palato, balanceado e rico com um final mineral muito interessante. Um vinho gastronômico por excelência e logo comecei a pensar com o que harmonizar. Frutos do mar grelhados e bacalhau vieram rapidamente à cabeça, mas queria algo menos óbvio.  Não sei se daria samba, só testando, mas pensei numa moqueca sem dendê, será? Pensei em coisas menos atuais como um camarão á Mary Stuart do 50/50 (já falecido) lá de Santos e um delicioso Frutos do Mar á Bercy do Tatini (esse bem vivo), quem sabe até de arroz de polvo e, muito certamente, uns Rojões de Porco à Moda! Ai, deu uma fome!!!!! A sede eu matei, mas a fome vai ter que esperar.

Gostei do que provei e tomei, um vinho deveras interessante e parada obrigatória para quem gosta de sair da mesmice e curte as viagens de descobertas de novos sabores por nossa Vinosfera.  Deverá custar algo ao redor de 100 Reais, de acordo com o que o Leandro (Winery) disse no programa, então procure em sua loja preferida e depois me diga algo, adoro feedback! Salute e kanimambo pela visita, eu vou seguir pesquisando a Rabigato e buscando novos rótulos para melhor conhecer o potencial dessa uva, fui!

Herdade do Rocim, Um Alentejano na Taça

Recentemente tive o privilégio de participar de mais uma rodada do Winebar, desta feita um encontro  com os vinhos da Herdade do Rocim. Vinhos alentejanos de raça que chegaram para incorporar o vasto portfolio da World Wine e que neste lançamento oficial contou com a participação da simpática enóloga Catarina Vieira que, junto com António Ventura (outro enólogo da casa), assina este vinho.

Tínhamos dois rótulos a provar, o Olho de Mocho e o Herdade do Rocim. O Olho de Mocho (Coruja) é um vinho de alta gama porém não vou comentá-lo aqui porque minha garrafa estava prejudicada e muito lamentavelmente pelo que pude ler dos comentários dos colegas envolvidos no evento. Já o Herdade do RocimHerdade do Rocim Tinto Tinto 2009, um blend de Alicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira, esse apreciei e bem.

Começou por me chamar a atenção logo ao abrir em função da intensa paleta olfativa com leves toques florais se sobressaindo sobre uma base bem frutada. Fiquei sem saber, porém me parece que muito desse bouquet tem a ver com a nossa já conhecida Touriga Nacional que deve ter uma participação bastante grande nesse corte. Cerca de 60% do vinho passa por barricas (8 meses) e o restante em inox o que ajuda a preservar a fruta e deixa a madeira menos evidente e mais integrada ao conjunto que me soube muito bem. Corpo médio, fruta madura e alguma especiaria sentida no meio de boca, taninos finos, equilibrado,  final elegante e apetecível com um leve toque de cacau, média persistência formando um conjunto  envolvente e fácil de se gostar.

                 Um vinho bem feito que me agradou bastante, mas que poderia estar num patamar de preços algo mais convidativo. Hoje, o preço anda na casa dos R$98,00. Salute, kanimambo pela visita e no próximo dia 23 assista a mais uma degustação do Winebar, desta feita com vinhos Sul- africanos. até lá, e uma ótima semana para todos.

Rhône e seus Vinhos na Confraria Saca Rolha

Mais uma vez a amiga e confreira Raquel Santos nos relata sua experiência em mais um agradável encontro desta nossa gostosa Confraria. Mais que os vinhos, a oportunidade de pelo menos uma vez por mês podermos desfrutar da companhia dos amigos. Desta feita “viajamos” para a região de Côtes-du-Rhône na França e, para variar, uma diversa e saborosa seleção de rótulos culminando com uma soberba surpresa! Vejamos o que a Raquel tem a nos dizer:

  “O vale do rio Rhône, está localizado entre os Alpes Suíços e o mar Mediterrâneo. Ao norte, está a cidade de Lyon, que além de ser um polo industrial, também possui um entorno rural que abastece toda a região com uma produção de excelente qualidade. Ao sul, está a cidade de Avignon, que se desenvolveu quando no século XIV o Papado mudou o Castelo de Roma para a região e começaram a cultivar as primeiras videiras.

Mapa do Rhone - Dobra Vinoteka

Percorrendo os vinhedos que margeiam o rio Rhône de norte a sul, pode-se perceber uma grande diferença de clima, solo, e variedade das uvas. Ao norte, (Rhône Setentrional), o clima é continental com verões bem quentes e invernos frios. As videiras são plantadas em penhascos pedregosos de granito, entremeados de florestas de carvalho que refrescam o ar pela neblina ao amanhecer. A uva predominante é a Syrah. Resultam em vinhos robustos, de cor escura e longevos. Para os brancos, destacam-se a Marsanne, Roussanne e Viognier.

 Desta região, degustamos um “ Brunel de la Gardine” – 2007 – da região de St-Joseph.

        Syrah 100%, aparentemente um pouco fechado, mas aos poucos foi mostrando uma riqueza de aromas e sabores que seduziu os mais incrédulos. Talvez pelo equilíbrio, ficou mais difícil identificar uma característica isolada. Aromas de frutas, frescor e um leve defumado, alternavam-se com com a textura macia na boca sem perder intensidade.

        Continuando o passeio, em direção ao sul, (Rhône Meridional), podemos notar que à partir de Montélimar as características da região se transformam. O clima passa a ser mediterrâneo, com influências do mar. Os verões são quentes e o inverno ameno, mas as vezes chega a 0 grau. Os ventos frios que vem do sul (Mistral) fazem as chuvas serem fortes e rápidas, baixando a temperatura rapidamente à noite. Os vinhedos se expõem ao sol forte durante o dia, que também aquecem as pedras que cobrem todo o solo, protegendo a videira do frio à noite. Aqui predomina a uva Grenache que junto com a Mourvèdre, Cinsault, e também a Syrah. Das variedades brancas, encontra-se a Marsanne, Roussanne, Viognier, Clairette, Bourboulenc, entre outras que são vinificadas para tintos, brancos e rosés.

Clipboard Rhone

            Além das diversidades de solo e clima, a região do Rhône meridional, é mais recortada no que diz respeito às apelações de origem. A mais comum delas é a de Côtes du Rhône, usada genericamente. As denominações que indicam o nome das comunas provenientes, representam um fator de maior qualificação. É o que acontece no caso dos Côtes du Rhône-Village, que representa 95 comunas qualificadas.

Degustamos o “Clos Petite Bellane“-Valreas –  Um Côtes du Rhône-Village de 2007.

Logo já percebemos um aroma bem frutado, característica das castas mediterrâneas (Grenache/Syrah). Boa acidez, taninos presentes, porém delicados. De médio corpo e mostrou muita evolução na taça. Aromas herbáceos com algumas especiarias (pimenta verde e anis).

De outras duas pequenas propriedades (Cru), incrustradas entre Côtes du Rhône e Côte du Rhône-Village, foram degustados:

“Château Saint Roch Brunel” – Lirac -2008.

Aromas florais e frutas vermelhas. Bom equilíbrio entre acidez, taninos e extrato. Madeira bem incorporada. Corte de Syrah/Grenache/Mourvèdre.

Domaine la Monardière Les 2 Monardes” – Vacqueyras -2006.                                                            

Ataque floral, sobrando um pouco de álcool. O mais austero deles. Acidez e taninos bem  incorporados que alternavam com um sabor picante e frutas doces e maduras. Aromas que evoluíram bem na taça.

          Ainda circundando a região do Rhône Meridional, não poderíamos deixar de conhecer a região icônica de Chateauneuf du Pape. Conhecida não só pela sua história, mas também pela qualidade, produz vinhos com até treze castas, embora, na prática, nunca se utilize todas elas. A Grenache domina nos tintos. Os brancos, produzidos em menor quantidade, são encorpados e estruturados, com aromas delicados e grande persistência gustativa. A região demarcada fica ao norte de Avignon, onde está localizado o Castelo Papal de verão em ruínas. O clima é muito árido, pedregoso, onde só os arbustos de lavanda e tomilho selvagem, sobrevivem ao vento e a grande amplitude térmica do dia. Foi com grande prazer que conhecemos dois exemplares desse terroir:

“Domaine Font de Michelle” – 2010–

Elaborado com 70% Grenache/10% Syrah/10% Mourvèdre/10% outras: Cinsault/Counoise/Terret/Muscardin. A primeira sensação no nariz, é de frescor, ervas  aromáticas (alecrim/tomilho) e florais. Na boca, revelou-se voluptuoso, apesar de ser jovem. Me pareceu um pouco tímido (sem ser um defeito), necessitando que déssemos mais tempo a ele. Elegante muito bem equilibrado, com vocação gastronômica pela acidez bem incorporada. Grande potencial de guarda.

“Château de Beaucastel” – 2001

Essa preciosa garrafa veio da adega dos amigos Luiz e Ana, que gentilmente nos presenteou. O Beaucastel, juntamente com o Clos des Papes, são os únicos que ainda usam as 13 variedades das castas permitidas em Chateauneuf du Pape. Diferentemente do anterior, já mostrou todo seu potencial de prazer! Muito aromático (flores, frutos vermelhos silvestres, fruta seca, amêndoas, baunilha, etc….etc….e etc….). Na boca confirmava todas essas qualidades com muita elegância, mostrando através da rica paleta gustativa, as cores, sabores, e cheiros daquela paisagem.

O vale do Rhône  tem a questão do clima muito presente. Através dos seus vinhos pode-se viajar, como num filme, que nos conta a história e ensina a cultura de uma civilização. E o melhor dessa historia é quando nos identificamos com ela e temos a impressão que também podemos pertencer um pouquinho à tudo aquilo.

 Basta descobrir o caminho das pedras. “.

Alvarinho Que Te Quero Bem!

Alvarinho ou Albariño, tanto faz porque a essência é a mesma e os vinhos são sedutores. Falar desta uva é falar dos Vinhos Verdes do Minho (varietal ou em blend) e da Galicia, mais precisamente de Rías Baixas, mesmo que não sejam as únicas regiões no mundo em que a encontramos, porém é por essas bandas que ela mostra todo o seu esplendor. Vinhos marcantes de acidez rasgante, tudo a ver com a gastronomia local e por aqui uma maravilha com Bruschettas de ostras defumadas, feijoada, costela de porco na brasa e outras tantas diferentes iguarias. Um dia levei um Alvarinho barricado (Muros de Melgaço) para fazer par com Barreado, campeão da noite e ótima harmonização! Por aqui já falei do Xisto, do Soalheiro, do Paco & Lola, do Pazo de Señorans e outros diponíveis em blends, sempre belos vinhos. Adoro esta uva e quem não a conhece ainda não deixe de experimentar alguns dos rótulos abaixo que participaram da 2º Edição do ALVARINHO INTERNATIONAL WINE CHALLENGE. ef22d39ad1407e04fb03149e73a76431 A

Destaques da Wines of Argentina

Mais uma bela coleção de vinhos bastante interessantes que o tempo não me permitiu provar a contento. Dentro que consegui provar, alguns vinhos se destacaram e gostaria de compartilhá-los com você;

2013-06-27 18.39.10

A Casarena (Magnum Importadora) também produz os vinhos Ramanegra dos quais me encantam um Cabernet Sauvignon da região de Agrelo e um Blend muito bom que andam na casa dos R$75 a 80,00 e valem. Estes dois rótulos são dois single vineyards da mesma uva, a Malbec. Uma vem de Pedriel e a outra de Agrelo, tomados juntos mostram tipicidade totalmente diferente um do outro. De Pedriel eu esperaria um vinho algo truculento,  muito encorpado com taninos ainda muito adstringentes em se considerando que é de 2010, mas o vinho se apresentou muito fino, fresco, taninos aveludados, elegante, um vinho muito bom num estilo, digamos, mais europeu. De Agrelo, veio a força, a estrutura, menor intensidade aromática mostrando-se ainda fechado, muito boa persistência num estilo mais novo mundo porém sem deixar de mostrar um lado mais elegante com um jeito, digamos, mais americano de ser. Cada um com seu estilo e sua mensagem, mas tenho que confessar que o Agrelo me chamou mais a atenção! Vinho que deverá estar na casa dos R$140,00.

2013-06-27 17.45.41

Conversei um pouco com o Mathias, jovem proprietário e enólogo da casa, que já é segunda geração de enólogos e traz este vinhos cheios de personalidade. O primeiro, da esquerda para a direita, seria a grosso modo seu vinho de entrada, mas já num patamar bem alto sendo elabrado com vinhas de cerca de 15 anos em Pedriel. O segundo é uma seleção de uvas de três vinhedos selecionados e mostra mais estrutura sem perder a classe e o último é um grande vinho que eu acredito deva chegar ao Brasil por volta dos R$200. Ainda não está no Brasil mas pelo que pude ver do assédio de diversos importadores creio que não vai tardar!  Marquem esse nome e estes vinhos.

2013-06-27 17.20.00    Uma grata surpresa, pois mostra que devagarinho a Alvarinho vai abrindo seu espaço no mercado. Por estas bandas já a podemos encontrar no Uruguai, no Brasil e agora na Argentina. Diferente, falta-lhe aquela acidez típica dos Alvarinhos de Rias Baixas e do Minho, porém mostrou-se muito agradável. Mais não consegui saber já que nem meu crachá de imprensa, ou talvez por isso (rs) sei lá, não me deram muita bola por aquelas bandas. Produtor Las Perdices e importador Bodegas.

Afora esses vinhos, minha bateria do celular arriou e não pude tirar mais fotos, gostei bastante dos vinhos Reserva e Gran Reserva do Penedo Borges agora com a Wine Lovers e revi, com muito  agrado, os vinhos da Suzana Balbo (Cantu);  Benmarco Malbec / Expressivo ambos muito finos e elegantes assim como o fantástico Nosotros e da Henry Lagarde (importadora Devinum), tanto o reserva, o Doc e o Guarda, mas especialmente o excelente Primeras Vinas que já comentei aqui no blog. Uma outra boa bodega é a Gougenheim (Importadora Almeria) que afora bons rótulos de entrada, possui um ótimo Flores del Valle Blend que merece ser conhecido.

Para finalizar, a impressão que ficou é que existe por lá uma guinada na busca de maior elegância nos vinhos, algo que aplaudo! Salute e kanimambo.