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Um Trio Luso que Deixou Saudades!

Recentemente na confraria Saca Rolha, tivemos a enorme satisfação de nos debruçarmos sobre uma série de bons vinhos portugueses, dos quais três em especial me encheram a alma de emoção. A confreira Raquel já escreveu aqui sobre eles, porém face a importância dos mesmos, não me segurei e também os vou aqui comentar.

Soalheiro Alvarinho 2011 – abri uma primeira garrafa, porém não achei que estivesse boa. Não que estivesse estragada, porém lhe faltava aquela acidez vibrante tão marcante neste vinho, senti que essa garrafa “envelheceu” precocemente e não demonstrava seu verdadeiro ser. Achei por bem abrir uma outra, só que na temperatura só tinha a Magnum que me foi presenteada pela saudosa amiga Inês Cruz e já por isso, uma emoção diferente ao desarrolhá-la. Mas houve mais, porque esta sim estava divina com tudo aquilo que este vinho significa para a vinosfera portuguesa dos vinhos brancos. Faz anos que sou um profundo admirador dos vinhos da Soalheiro, e este rótulo é presença certa em minha adega. A Magnum foi a medida certa para os 12 confrades presentes e certamente, tivéssemos ficado com a de 750ml, sede sentiríamos! O vinho é especial e está sempre ranqueado entre os melhores brancos lusos, mostrando  o valor da casta Alvarinho na região do Minho onde ela mostra todo o seu potencial.

Este Soalheiro é um vinho de muita classe, grande intensidade aromática em que se sobressai aromas de damascos e flor de laranjeira com espectro floral e frutado que encanta. Na boca é exuberante com nuances cítricas com deliciosa textura (algo “crocante”) e riqueza de sabores, acidez vibrante, sedutor e um final mineral que nos deixa pedindo mais. Obrigado Inês!

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Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003 – Um grande vinho que cresce mais ainda quando fruto da generosidade de amigos confrades. Este desapego e desejo de compartilhar é uma das coisas que os enófilos têm de bom, especialmente quando uma garrafa mais especial está em jogo. É como viajar solo e ver uma paisagem lindíssima sem poder compartilhar o momento com ninguém. Não deixa de ser legal mas perde um pouco da graça e nos sentimos privilegiados ao sermos convidados a partilhar de tamanha experiência, porque este vinho é isso mesmo, uma tremenda experiência!

A histórica Casa Ferreirinha, adquirida pela gigante Sogrape em 1987, é a produtora do maior ícone português, o Barca Velha da região do Douro produzido somente em safras excepcionais. O Reserva Especial é o segundo vinho da casa e eu só fico imaginando, depois de tomar este, como será o primeiro! Não, ainda não tive a chance de provar um Barca Velha, muita areia para meu caminhãozinho (rs), mas este Casa Ferrerinha me encheu a boca de prazer. Mais do que por uma característica especifica, ele brilha pelo conjunto; pela complexa paleta olfativa e equilíbrio de boca com tremenda elegância e presença de taninos muito finos, riqueza de meio de boca e final longo. Um grande vinho em qualquer lugar do planeta!

Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2000 – mais um grande vinho para encerrar uma noite pra lá de especial e muito, muito agradável! A Moscatel brilha na região de Setubal, porém no Douro, mais precisamente na região de Favaios, também há belos exemplares a serem encontrados e este eu descobri na casa do amigo João Pedro em Portugal há cerca de 3 anos e gamei! Esta garrafa trouxe de Portugal há alguns anos e aguardava na adega o momento e as pessoas especiais com quem compartilhá-la. Não que seja cara (por lá não chega aos 20 Euros), até porque é pouco conhecido e frequenta pouco a mídia, mas porque desde a primeira prova me marcou profundamente. É um néctar dourado e marcante, doce no ponto e apoiado por uma excelente acidez que acompanha maravilhosamente bem doces conventuais ou torta de amêndoas, até panettone. Deste já falei aqui, então não vou me estender mais sobre ele, mas com estes três vinhos você faz a festa em qualquer lugar mostrando o alto nível da vinicultura e dos produtores portugueses!

Salute e kanimambo, seguimos nos encontrando por aqui. Tendo a oportunidade, não perca nenhum destes vinhos de Portugal, prazer garantido tenho a certeza.

Perez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva, um Básico de Peso!

Digo básico porque este é o rótulo de entrada desta pequena família de produtos da Perez Cruz que somente produz oito diferentes rótulos e um dos pioneiros em adotar o nome de COT (originalmente usado em Cahors na França – “Côt Noir”) para a Malbec no Chile, porque de básico só tem o preço que se mantém estável já faz uns dois anos! Esta é mais uma das garrafas que recebi quando do WineBar promovido pela Wines of Chile e é sempre bom rever alguns vinhos após uns anos pois checamos a quantas anda o vinho e nossa capacidade sensorial quando comparamos notas após 3 anos.  

  • Em Fevereiro de 2010 sobre a safra 2007 escrevi – “é o Reserva Cabernet SauvignonClipboard Perez Cruz CS Res responsável por 75% da produção da vinícola. É um vinho de muito boa tipicidade, frutado, taninos redondos, macio, muito equilibrado com um final muito agradável, porém um pouco curto. Um belo Cabernet chileno por um preço bem acessível, por volta dos R$65,00”. Importadora na época, Wine Company
  • Em Setembro 2013, safra 2011 – pode ser impressão minha, porém o vinho me parece que ganhou corpo. Está mais estruturado, meio de boca mais denso porém mantendo os frutos negros bem presentes e os taninos aveludados que são sua marca registrada. O final de boca continua muito agradável e levemente especiado porém ganhou a profundidade que não senti antes. Madeira e álcool muito bem integrados, nos trazem um conjunto realmente apetecível e guloso que vale muito o preço sendo um  dos bons achados chilenos disponíveis em nosso mercado a um preço que varia entre os R$55 a 65,00. Importadora hoje, Vinho Sul.

Não sei se eu mudei ou se o vinho que na safra atual leva um “tempero” de 5% entre Syrah e Carmenére ou, ainda, seja algo a ver com a safra, ou se todos os antes citados, porém gostei mais deste último. Desse WineBar ainda tem mais alguns vinhos por provar e assim que der os comento aqui, mas por hoje é só. Salute e kanimambo pela “audiência”. rs

Challenge de Vinhos – Brasil X América Latina

Participei do Wine In e comentei aqui alguns dos vinhos brasileiros que me surpeenderam na prova, mas fiquei devendo algumas informações adicionais sobre o Challenge de Vinhos realizado no último dia do evento. O 1º Wine In, idealizado e coordenado pelo amigo e ex-colunista deste blog, o Breno Raigorodsky,  teve como intuito principal discutir o potencial do mercado para o vinho brasileiro com os principais atores deste mercado: produtores, formadores de opinião e distribuidores. Pelo que tenho lido e pelo que vi, me parece que o objetivo foi alcançado.

           Para avaliar ás cegas o presente status-quo dos vinhos brasileiros viz-a-viz a dos hermanos chilenos e argentinos, foram realizados dois challenges, um com vinhos abaixo de R$50 e outro acima julgados por dois júris, um popular e o outro técnico tendo havido bastante similaridade nos resultados, porém com notas bastante dispares. Os vinhos que chegaram neste challenge passaram por uma primária no dia anterior, sistema igual de composição de júri, tendo o júri técnico  sido composto por; Beto Duarte (Papo de Vinho), Celito Guerra (Embrapa), Horst Kissman (Prazeres da Mesa), Jean Pierre Rosier (enólogo), Jeriel Costa (Blog do Jeriel), João Filipe Clemente (Falando de Vinhos), José Maria Santana (Gosto), José Luiz Pagliari (SBAV-SP / Senac-SP), Jorge Carrara (Prazeres da Mesa), Juliana Reis (SENAC São Paulo), Manuel Luz (consultor), Marcio Oliveira (Vinoticias), Mario Telles (ABS-SP), Mauro Zanuz (Empraba), Nicola Massa (enólogo), Silvia Mascella (Revista Adega), Silvia Franco (Vinho e Gastronomia) e Suzana Barelli (Menu). Também participaram os seguintes especialistas internacionais: Amy Friday e Andrew Shaw (Importadora Bibendum), Claudio Salgado (sommelier do Marriott de Hong Kong), Charles Byers (escritor e radialista canadense), Daniel Marquez (brand ambassador de vinhos e destilados nos EUA), James Lapsley (professor do departamento de Viticultura e Enologia da UC Davis), Olivier Bourse (representante da Université de Bordeaux) e Roberto Rabachino (jornalista, professor e sommelier italiano).

Resultados do Challenge  Brasil x América Latina abaixo de R$50

(clique na tabela para ampliar)

Challenge

Os meus TOP 5 no Challenge acima de R$50,00 foram, na ordem:

Achaval Ferrer Malbec – 2011 (R$85)

Lote 43 – 2011 (R$130)

RAR Cab. Sauvignon/Merlot – 2008 (R$70)

Clos de Los Siete – 2009 (R$105)

Kaiken Corte Malbec/Bonarda e Petit Verdot – 2011.(R$60)

        Não foi nenhuma surpresa o resultado pois há muito tempo que coloco vinhos nacionais em Desafios de Vinho às cegas, e na grande maioria das vezes se deram muito bem. Vejam aqui alguns desses momentos de destaque entre diversos outros:

Desafio de Uvas Ícones – Brasil foi segundo com um Merlot

Desafio de Bordeauxs até R$100 – Introduzi um corte Bordalês brasileiro, foi segundo

Desafio de Vinhos Portugueses – Mais um “intruso” brasileiro nesse meio e se dando bem entre feras..

Desafio Merlots do Mundo – Brasileiro em primeiro lugar.

Desafio de Blends até R$85,00 – Campeão foi Brasileiro

        O problema, como eu sempre digo, não é a qualidade e sim a política comercial, a ausência de estratégias e precificação dos produtos nacionais. Enfim, já cansei de bater nessa mesma tecla, os preços citados acima foram pesquisados na internet e se referem a vendas em São Paulo e toda a sua carga tributária absurda. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

PS. a escolha dos vinhos presentes ao Challenge foi de responsabilidade dos organizadores.


Uma Noite Portuguesa Com Certeza!

DSC02922A confraria Saca Rolha comemorou seu segundo ano de vida em grande estilo e as taças que aguardavam por nós nesse dia, eram muitas! A amiga Raquel, nosso porta voz aqui no blog, deu um show com seu texto aqui abaixo, mostrando bem o que aconteceu nessa noite tão especial. Um momento para lá de saboroso com a sempre gostosa companhia dos confrades e confreiras, bons vinhos e interessantes experiências enogastronomicas. Enfim, fiquem com o texto da Raquel que está maravilhoso e também me despertou saudades!

A emoção é um estado momentâneo em que o indivíduo que se expõe a uma experiência qualquer, se manifesta através de reações somáticas. Essas reações podem ser medo, alegria, raiva, etc… Isso tudo são explicações técnicas, psicológicas, mas e quando se tem a sensação nostálgica de algo que nunca vivenciamos? Como por exemplo: Saudade de Portugal, suas paisagens, cheiros, cores e sabores.  Esse é o ponto! Eu nunca estive em Portugal, e de alguma forma, matei as saudades de lá! Foi numa noite de comemoração com amigos, em volta de uma mesa portuguesa com certeza!Colina Brut Nature

            Logo que chegamos, brindamos ao encontro com o excelente espumante Colinas Reserva Brut Nature. Elaborado pelo método tradicional, super aromático, lembrando avelãs, creme pâtisserie, biscoito e um delicado floral ao fundo. Na boca, ao contrário do que sugeriam os aromas adocicados, era sequinho, com boa pérlage e longa persistência. Quem ainda não conhece os espumantes portugueses, não sabe o que está perdendo!

            Hora de sentarmos à mesa e para a surpresa de todos, a imagem de uma enorme garrafa alongada (Magnum), típica da região de vinho verde, nos deu a dimensão do que ainda estaria por vir!  Era um Soalheiro 2011, 100% alvarinho, que fez par perfeito com os camarões empanados e fritos. O Soalheiro é reconhecidamente um clássico dessa região, onde a ótima acidez, corpo, aromas frescos, cítricos, minerais e herbáceos, são perfeitamente equilibrados. Eu já me daria por satisfeita ali mesmo, mas o show devia continuar.

soalheiro magnum

            Esperávamos por uma harmonização inusitada: caldo verde e vinho verde tinto. Para acompanhar, foi-nos apresentada a famosa broa portuguesa que nada mais é que um pão camponês feito de farinha de milho branco. Apesar de já ter ouvido falar desse pão, que aparece como ingrediente nas receitas de bacalhau, é muito raro ser encontrada por aqui. Mesmo com tantas padarias e seus proprietários lusitanos em São Paulo, apenas uma delas fabrica a broa portuguesa como na sua origem, estilo camponês com sua côdea (casca crocante). Esse pão era um dos ingredientes da “sopa do cavalo cansado”, que os camponeses comiam regado pelo vinho verde tinto (quente e polvilhado com açúcar), Linhares Tintodepois de um dia de trabalho duro. Essa sopa levantava até defuntos!

            O vinho verde tinto tem sido menosprezado por sua rudeza. Com alta acidez, taninos potentes e baixa graduação alcoólica, faz dele um vinho duro e áspero. Por essa razão os produtores tem dado preferência aos brancos onde se consegue melhor qualidade. O vinho escolhido foi o Quinta de Linhares 2010, região do Minho. Como já era de se esperar, um vinho “duro” com taninos ásperos, boa acidez e bem aromático. Muitos torceram o nariz pra ele, até a hora de harmonizá-lo com o caldo verde, a partir daí, tudo ficou mais macio e principalmente dentro do contexto: A broa, azeite, caldo verde e o vinho. Não ficou difícil enxergar coerência nisso tudo. Os hábitos culturais aparecem ao acaso, mas não permanecem por acaso.

             Depois dessa imersão cultural (será que foi lavagem cerebral, rs..rs..), já estávamos até com sotaque(e saibam que portugueses de verdade lá só haviam 2!).

Então foi chegada a hora do Bacalhau. Muito bem executado, de maneira simples, com muito azeite, alho, cebolas e suas batatinhas. Para acompanhá-lo, três regiões importantes: Dão, Alentejo e Douro.

Clipboard Portugal & Bacalhau

            Casa da Passarela – Vinhas Velhas – 2008.(Dão)

            Aromas inebriantes logo de cara! Um leque enorme que alternavam-se com o passar do tempo na taça. Muito equilibrado na acidez, taninos macios e ótimo extrato. Um vinho que me surpreendeu pela elegância. Não dividiria a atenção dele com mais nada. Talvez……… só um queijinho da Serra da Estrela, rs..

            Herdade deSão Miguel  – Touriga Nacional  2010. (Alentejo)

            Mostrou-se bem discreto no nariz. Já na boca, cheio de fruta, bem encorpado e equilibrado. Junto com o bacalhau, salientou as ervas que temperavam o prato.

            Altano Reserva – Quinta do Ataíde -2008. (Douro)

            Produzido pela família Symington, um dos maiores produtores do Douro e  famosos pelo Porto Graham’s. Esse vinho, também elaborado com Touriga Nacional, mostrou aromas de azeitona, frutas secas e alguma mineralidade. Denso, enche a boca, com notas de madeira bem incorporadas. Quanto a harmonização, as opiniões divergiram. Eu gostei mais deste com o bacalhau.

            Depois de muito comer e beber, gostar mais desse ou daquele vinho, tínhamos que tirar a prova dos nove, certo? Pensando nisso, um dos confrades nos agraciou com um bônus e tanto!

           Casa Ferreirinha – Reserva Especial – 2003.Casa Ferreirinha

            Esse vinho é um ícone da região do Douro ao lado de seu irmão-mor “Barca Velha”. Os dois são produzidos a partir de uvas do mesmo vinhedo, são envelhecidos em barricas de carvalho, engarrafados e depois de anos, dependendo da qualidade da safra, são rotulados. As safras excepcionais serão Barca Velha e as outras Casa Ferreirinha. Só posso dizer uma coisa: se o Ferreirinha já é um vinhaço, imagino o outro!!!!!  Na taça ele já mostra uma cor intensa e escura. Aromas extremamente frescos e elegantes que vão evoluindo com o tempo, como se pedindo a nossa companhia, fica nos entretendo o maior tempo possível. Amável, robusto, cheio de sabor. Um vinho de caráter que valeu muito conhecer.

            E para encerrar a noite com chave de ouro, o vinho mais dourado que já provei!

            Quinta do Portal – Moscatel do Douro – Reserva 2000.

            Dizem que a primeira impressão é a que fica. Talvez……mas a última faz com que uma história tenha começo, meio e fim. E quando o fim é bom, vamos lembrá-la para sempre. Acho que nesse caso, esse Moscatel só deixou boas lembranças. A começar pela cor , um alaranjado brilhante, incrível. Os aromas, voluptuosos, de amêndoas, erva doce, anis, mel, etc… Por mais que eu tente descrever, jamais conseguirei chegar perto das sensações que vivi. Acompanhou como um imã o toucinho do céu.

             Comecei esse texto falando de emoções, nostalgia de lugares nunca antes visitados. Há quem diga que a linha que separa a fantasia da realidade é muito tênue. Partilhar algum tipo de experiência, que envolva a boa mesa, bons vinhos com bons amigos, nos ajuda a vivenciar situações inesquecíveis. Afinal, navegar é preciso!

Quinta do Noval Moscatel 2000 com Toucinho do Céu

Bem, depois disso, só me resta dizer um kanimambo especial à Raquel por esta descrição tão saborosa dos momentos vividos nesse encontro, e desejar que tenhamos condições de celebrar nosso terceiro ano com as mesmas emoções. Salute e uma ótima semana para todos com, preferencialmente, mais vinhos de Portugal.

 

 

 

Viña Maquis, você conhece?

Eu não conhecia e sigo conhecendo pouco, porém esse pouco me despertou a curiosidade esperando que num futuro não muito longínquo eu, e você, possamos ter a oportunidade de conhecer melhor seus vinhos. Conheci dois rótulos deles no recente encontro da Wines of Chile durante a Master Class (virou moda) apresentada pelo Jorge Lucki e posteriormente no salão de degustações por onde passei rapidamente.

Na Master Class provamos alguns ótimos vinhos chilenos que demonstraram bem as características de cada uma das novas denominações (Costa/Entre Cordilleras e Andes) entre eles destaco; o marcante Sauvignon Blanc Cool Coast da Casa Silva, o sempre confiável Cousino Macul com seu Finis Terrae um mui equilibrado e muito bom blend de Cabernet, Syrah e Merlot, o agradável Santa Carolina Reserva da Familia Cabernet Sauvignon, o complexo e bem estruturado Intriga da Montgras que mesmo sendo 100% Cabernet Sauvignon não apresenta as goiabas e pimentões muito presentes nestes vinhos e que, sinceramente, não me agradam, porém o maior destaque de todos foi o Maquis Lien.

Lien em Mapuche, quer dizer metal prateado que eles simbolizaram no rótulo com um lagarto prateado. Aliás, todos os Maquis lizardrótulos deste produtor possuem uma marca diferenciada e muito interessante. A Viña Maquis existe desde 1927, porém somente a partir de 2002 a família começou a engarrafar seus próprios vinhos e ainda não está presente entre nós. Pelos comentários e cochichos de bastidores, creio que logo, logo estarão por aqui, então fique de olho ou, se for passear por terras chilenas, eis um produtor a visitar. Estão localizados na região Entre Cordilleras do Valle de Colchagua estrategicamente posicionados entre dois rios o que lhe confere condições de solo diferenciadas. O Maquis Lien 2009, elaborado pelo enólogo bordalês Jacques Boissenot, é daqueles vinhos que exalam personalidade desde as primeiras fungadas e nos levam a rapidamente querer levar a taça à boca onde ele se mostra potente porém muito elegante (ótima combinação essa!) de taninos bem presentes mas finos e aveludados, equilibrado, frutos negros bem presentes (cassis), ótima estrutura, denso e muito jovem, um adolescente com promissor futuro mas já muito guloso e sedutor, de final apetecível, longo e algo especiado.  Mais uma vez um blend que seduz, comprovando que este estilo de vinhos realmente se mostra bem mais complexo que a grande maioria dos varietais, ainda mais quando no corte se coloca um pouco Maquis Rosede Petit Verdot (sempre ela!). A composição do vinho é um corte de Cabernet Franc (42%) Syrah (32%) Carmenére (23%) e aquele toque mágico, 3% de Petit Verdot!

Enfim, fique de olho no mercado pois esse vinho não deve tardar a chegar por aqui e merece toda a nossa atenção, só espero que venha a preços que caibam no bolso. No salão ainda provei seu Rosé de Malbec que é um vinho delicioso e refrescante que certamente fará sucesso em nosso verão por chegar.

Salute, kanimambo e um ótimo final de semana para todos.

 

Bodega Noemía Uma Grata Surpresa

Recentemente fui convidado a participar de uma degustação vertical dos vinhos deste que é um produtor ícone da região da Patagônia, produzindo, desde sua fundação, vinhos orgânicos e posteriormente biodinâmicos.  A Condessa Noemi Marone Cinzano e o enólogo Hans Vinding-Diers descobriram um vinhedo antigo e extraordinário, de apenas 3.000 parreiras – plantado em 1930 com vinhas velhas de Malbec em pé franco, sem enxerto e esse foi o embrião da Bodega. A região, diferentemente de Mendoza, é plana sem montanhas, de pouca variação térmica, porém de invernos frios, secos e longos e verões curtos não muito quentes o que gera vinhos com um teor alcóolico mais baixo que os das demais regiões argentinas, especialmente Mendoza. Água em fartura que vêm de dois rios de degelo, porém com poucas chuvas e, consequentemente, sem humidade.

Produzem tão somente quatro rótulos, todos de uvas plantadas em pé-franco, dos quais provamos três; o A Lisa que é seu gama de entrada de vinhedos mais jovens e uvas compradas, o J. Alberto no qual se usam uvas de vinhedos de 1955 (belo ano esse – rs) e o Noemía de vinhedos de 1930. Provamos as safras de 2009, 2010 e 2011 do A Lisa e do J. Alberto, sendo que do Noémia (1.500 gfs) somente o de 2008, um privilégio. No topo de todos e pouquíssimas garrafas produzidas muito de vez em quando, o Noemía “2” de produção limitada a cerca de 2000 garrafas, é um blend de 89% Cabernet-Sauvignon,  8% Merlot, 2% Malbec and 1% Petit-Verdot na safra de 2010.

Bodegas Noemia

A Lisa – interessante que apesar de ser o vinho de entrada da vinícola, foi o que mais mostrou as diferenças climáticas de cada safra, coisa que se sente muito na produção biodinâmica pois há pouco, se algum, espaço para eventuais correções. Malbec, porém leva um tempero de Merlot e uma pitada de Petit Verdot (sempre ela) para realçar o “suco”! O 2009 está pronto e delicioso de tomar, taninos maduros e muito equilibrado com um teor de álcool algo mais alto em função do verão atipicamente quente.  O 2010 está muito diferente, eucalipto mais presente, um certo toque de Brett* que encanta alguns e desgosta muita gente. O 2011 está ainda muito fechado e apresenta características intermediárias entre o 2009 e o 10, sem o Brett.  Sou mais o 2009 neste momento e acho um belo vinho. Já tinha provado há uns dois anos e realmente é um Malbec diferenciado para a faixa, cerca de R$110,00. Produção total deste gama de entrada beira as 90 mil garrafas..

J. Alberto – na Vinci (importadora) o preço sobe um degrau (de USD50 para 69,00), mas a qualidade e complexidade dá um pulo bem maior e eu me apaixonei por este vinho que me era desconhecido e do qual são elaborados somente cerca de 14/15.000 garrafas anualmente. Malbec 95% (vinhedo de 1955) com Merlot, é um vinho de excecional qualidade que passa por barricas francesas de 2º uso (30% do vinho), de 3º uso (30% do vinho) e o restante em tanques de cimento. O resultado é um vinho especial e exclusivo onde a fruta está presente com madeira inteligentemente usada de forma a “levantar” o conjunto dando-lhe complexidade. Vinhos densos, muito ricos, com um meio de boca delicioso e marcante, taninos aveludados e muito longo. O 2009 está maravilhoso e se fosse para escolher para tomar hoje, certamente seria o meu escolhido, porém o 2011 é uma joia a se guardar. Mostra-se, em minha opinião, num patamar acima dos demais e, podendo, compre umas três ou quatro garrafas e vá abrindo com parcimônia, uma agora, outra daqui a dois, anos, outra ……pois esse ainda vai dar o que falar! Considerando-se a taxa cambial hoje, falamos de um vinho entre R$150 a 160. Recomendo.

Noemía 2008 – 100% uvas Malbec de vinhedo datado de 1933, certamente um dos grandes vinhos argentinos! Tem gente pagando fortunas por algumas bombas alcoólicas sem qualquer equilíbrio e aqui nos deparamos com concentração, equilíbrio e elegância que marcam sem derrubar! Um vinho de personalidade própria, já pronto mas com muito para dar ainda e certamente veremos grande evolução nele, quem aguentar guardá-lo, durante os próximos 10 anos. Paleta olfativa viva e intensa implora para levar a taça á boca onde ele se mostra  fino e elegante, frutos frescos, boa acidez, meio de boca muito rico e complexo com uma certa mineralidade no final de boca que persiste uma eternidade. Não sei se os amantes da potência saberão apreciar as sutilezas deste vinho em que a madeira, apesar dos 20 meses de barricas novas francesas, está perfeitamente integrada, porém a mim me encheu de prazer.

Custa algo como US$160  (R$385 hoje na Vinci) o que vis-à-vis os preços de vinhos do mesmo porte, nem é caro, mas é muita grana. Para quem pode, bate de longe muito rótulo mais midiático na praça e, no meu conceito, vinho com cinco estrelas da Decanter tem que se tirar o chapéu, caso deste!

É isso e gostei muito do que provei, vi e escutei. Agora tenho que achar um nicho para o J.Alberto 2009 na Vino, fazer o quê, eta vinho bão e esse cabe no bolso mesmo que não facilmente! Salute e kanimambo

 

*Brettanomyces é uma família de leveduras que pode atacar o vinho ou o mosto em fase final de fermentação. Popularmente chamada de “Brett”, esta levedura produz aromas de couro, suor e bacon. No entanto, quando levemente presente, sem encobrir o caráter da fruta, pode adicionar complexidade ao fermentado. Podemos observar isto em muitos dos principais produtores do Rhône.  A “Brett” encontra predisposição especial para agir em vinhos com alto PH (baixa acidez) e teor alcoólico. Sendo assim, raramente a encontramos em vinhos brancos. Ainda não existe uma forma de corrigir este problema. Pode-se atuar apenas preventivamente durante a vinificação com a correta aplicação de sulfitos. (fonte – Revista Adega)

Conhece a uva Melon de Bourgogne?

choblet-fief-guerin-muscadet-534x712Francesa, mais uma, gosta de climas frios e solos de granito e xisto gerando vinhos vibrantes, leves e refrescantes sendo ótima companhia para frutos do mar, em especial de ostras. Não sei se o amigo Nilson vende bem esses vinhos no seu Armazem Conceição lá em Floripa, porém de lá aos camarões grelhados e lagosta do nosso quente nordeste, me parece a companhia ideal. Uma pena que os preços desses vinhos, assim como dos bons Gruner Veltliner austríacos, não sejam mais camaradas, porque abriria uma por semana tranquilamente. Falo dos Muscadet, como são mais conhecidos, que na verdade é uma região do Loire, e agora você já começou a conhecer a uva não? Só não DSC02915consegui saber, até agora e contribuições são bem vindas, em que momento a Melon vira Muscadet?!! rs Certamente modismo e marketing provavelmente, caiu na boca do povo já viu né!

Os vinhos desta região mais ocidental do Loire, em que a Muscadet (Melon de Bourgogne) é rainha dos vinhedos com bem mais área plantada que qualquer outra cepa, são normalmente bem secos, muito ligeiros e sem grandes atrativos, porém os que vem da região de Sévre-et-Maine e passam por uma elaboração Sur Lie, ganham essa algo mais tornando-se vinhos vibrantes com maior riqueza aromática e de sabores sem perder a sutileza que os caracteriza. São mais de 2500 produtores, alguns poucos engarrafando, que vendem seus vinhos para uma meia centena de negociants que engarrafam e distribuem esses vinhos. O frescor do vinho é essencial, então sugiro consumi-lo nos primeiros dois anos de vida, eventualmente três se o produtor for realmente bom.

Não sendo um campeão de vendas, muito em função do desconhecimento que as pessoas têm destes vinhos e um pouco por preço, em minha última promoção na Vino & Sapore “matei” umas garrafas dessas e sobrou uma que levei para casa matando saudades. Desta feita sem comida, só um queijinho de cabra, mas me deliciei com ele e seus educados 12% de teor alcoólico que permite que se tome sem muita moderação. Apesar da foto horrível acima (abaixo o rótulo para uma melhor identificação) este Domaine La Haute Févrie (Zahil) é um dos vinho de que gosto bastante e sempre tive por perto, porém o mercado possui diversas outras opções então aventure-se um pouco, saia fora de sua zona de conforto e descubra novos sabores e novos produtores, é tudo de bom!

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Salute e bom fim de semana.

Salvar

Salvar

Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2000

Quinta do Noval Moscatel 2000 com Toucinho do Céu          Este vinho conheci na agradável e saudosa companhia de dois dos mais consagrados e respeitados enoblogueiros portugueses, o João Pedro e o Rui Miguel numa noite para lá de inesquecível! Pois bem, ontem abri uma garrafa que guardava com carinho em minha adega, aguardando o momento certo! Não vou me alongar no texto porque a foto fala mais do que qualquer comentário meu, mas posso dizer que junto com um magnifico pedaço de Toucinho do Céu (obra da saudosa Dª Milu e do Sr. Vasco – melhores doceiros portugueses fora da terrinha premiados pela Veja por diversas vezes) e boa companhia de amigos, foi uma harmonização perfeita, néctar dos néctares, uma emoção diferente, uma experiência olfativa ímpar e na boca um verdadeiro extase! Faltou a almofadinha para agradecer de joelhos!!!!!

Salute e Kanimambo, sempre garimpando os bons vinhos de Portugal

Vinhos do Brasil, Ó eu Aqui de Novo!

Fazia tempo que não falava dos vinhos brasileiros como um todo, apesar de nunca me ter afastado dos pequenos produtores quando tenho a oportunidade. Falei de Geisse, de Lona, de Valmarino & Churchill, porém este ano ainda não tinha postado nada. Como a maioria sabe, meu problema com o vinho brasileiro está limitado ás estratégias negociais adotadas pela grande maioria dos produtores com destaque para os grandes barões, à política comercial e á precificação, nada contra a qualidade, muito pelo contrário conforme pode ser lido em meus diversos posts sobre o tema. Pois bem, voltei a ter a oportunidade de provar ao ser convidado para participar do evento de vinhos brasileiros promovido pela WineIn e fazer parte do júri de especialistas num challenge muito interessante.

Por uma questão de coerência e porque até hoje determinadas pessoas e empresas (mentores e apoiadores ferozes) não desceram de seu pedestal para se desculparem perante o consumidor, eu e você, pela tentativa malfadada de nos empurrar goela abaixo as tais das maledettas salvaguardas sem contar o tal do selo fiscal, seguirei não falando deles mesmo que os prove, porém aqui sempre haverá espaço para os pequenos em especial aos associados da UVIFAM e ACAVITIS.

Bem, mas chega de papo e deixa eu compartilhar com os amigos algumas descobertas deste evento realizado na Fecomercio semana passada em que pela primeira vez me debrucei sobre vinhos de uma região pouco conhecida da maioria, a de Campos de Cima da Serra –  “Os Campos de Cima da Serra ficam no nordeste gaúcho, na parte mais alta do Rio Grande, onde as nuvens fazem sombra nas montanhas. A leste estão os cânions dos Aparados da Serra e ao norte a Serra Catarinense. Região de história, tradição, hortências, uvas e vinhos” – e gostei!

Desta região que fica situada num platô de altitudes entre 900 a 1100 metros, frio e ventoso propiciando maior sanidade das uvas e uma maturação mais longa, provei os vinhos da Aracuri (em Sampa falem com o Miguel da Garrafeira do Carmo) e da Campos de Cima, falemos desses vinhos: “Ressalva, me equivoquei, a Vinícola Campos de Cima está localizada em Itaqui na Campanha Oriental, não na região de Campos de Cima da Serra”

Campos de Cima Extra-brut > chardonnay e pinot vinificados na casa da Família Geisse não podia dar noutra, um belo espumante com ótima perlage e muito equilibrado. Vale muito a pena.

Campos de Cima Viognier 2011 – não sabia, mas esta uva aparentemente está se dando muito bem por estas bandas, e este vinho comprova isso. Seco, corpo médio, boa tipicidade melhor na boca do que no nariz, uma bela pedida para quem gosta de se aventurar por cepas diferentes.

Campos de Cima Tannat 2006 – este exemplar passa seis meses em barrica e está no ponto para ser consumido. Equilibrado, taninos equacionados, rico e muito saboroso de tomar. Não sei se seguirão fazendo este vinho, mas eu não perderei essa chance e colocarei algumas garrafas em minha adega junto com o Viognier!

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Aracuri Vinhos Finos – me seduziram. Tanto pelos vinhos, meus parabéns á simpática enóloga Paula Guerra Schenato, como por seu projeto comercial em São Paulo. Em se mantendo nessa rota, terá todo meu apoio pois os vinhos apresentaram muita qualidade e preços condizentes e honestos face a realidade brasileira.

Aracuri Merlot 2009 – um merlot de bom corpo, taninos bem equacionados, harmonioso digno dos bons vinhos brasileiros elaborados com esta uva.

Aracuri Pinot Noir 2012 – há poucos pinots nacionais que me satisfazem e este mostrou ser um deles. Frutado, mas sem exageros de extração, elegante e fino na boca como manda o figurino.

Aracuri Cabernet 2008 – Parelho com o Merlot, completando uma linha de tintos bastante interessante com preços que, me parece, andam na casa dos R$45 a 50 aqui em Sampa e acho que valem.

Aracuri Collector Cabernet Sauvignon 2009 – o que já era bom ficou melhor ainda. Com passagem de 12 meses por barricas este vinho ganha maior estrutura e complexidade, uma riqueza de sabores sedutores e perfeito equilíbrio. Vinho que gostaria de ver em algumas provas às cegas, certamente fará bonito e quebrará um monte de paradigmas! Importante, educados 12.5% de álcool.

Não provei os brancos, era muita coisa (!), porém as criticas são boas então é um produtor que me parece possuir toda uma linha de bons vinhos que valem sua, e minha, atenção. Por falar em brancos, provei um vinho que certamente saciará a curiosidade dos que gostas de sair da mesmice, o Dunamis Merlot vinificado em branco, um vinho bastante interessante e gostoso de tomar, nem que seja pelo fator inusitado, porém vale ter na adega e este vem da Campanha Gaúcha próximo a Santa de Livramento tendo seus vinhos vinificados nas instalações da Cordilheira de Sant’Ana.

Para finalizar, a Vínicola Kranz de Treze Tílias em Santa Catarina, me surpreendeu com dois rótulos em especial; um rosé de cabernet com apenas 11,5% de teor alcoólico e nada docinho! Um vinho gastronômico, estilo italiano, de bom frescor complexo e já me vi acompanhando-o com um belo prato de atum selado! Seu espumante Rosé Brut elaborado pelo método charmat com 3 meses sur lie e também de Cabernet é surpreendente. Já seu Cabernet Sauvignon 2009, é bem típico dos vinhos catarinenses desta cepa que tendem muito mais à elegância do que à potência e grande estrutura. Um estilo que não seduz a todos mas que eu aprecio bastante.

Depois teve a prova (Challenge) de vinhos acima de R$50 Brasileiros versus vinhos argentinos e chilenos em que o Lote 43 de 2011 foi o ganhador (para mim o segundo por um ponto) sendo que na minha avaliação o Achaval Ferrer Malbec 2011 levou o troféu. Mas disso falo outro dia! Salute e kanimambo.