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Brunellos da Bueno-Cipresso – Eu Estive Lá.

Bem, não foi exatamante “lá”, o que teria um encanto diferente, rs, mas a Vinheria Percussi já vale bem a pena!  Pois bem, foi lá que provei recentemente em lançamento nacional e com a presença de alguns Vinheria Percussi Ijornalistas, críticos e colunistas especializados, entre os quais tive o privilégio de estar, os Bueno-Cipresso Brunellos di Montalcino. Curto demais a  Vinheria Percussi, um lugar para lá de especial que me encanta pelo seu charme, pela comida, pelo Lamberto e pelo mestre Jonas, um maitre á moda antiga, craque com quem tive a oportunidade de conviver por uns dez dias em viagem de trabalho que fiz à Argentina em 2012.

Não vou ficar aqui falando muito das pessoas, mas de um tenho que falar, do Roberto Cipresso que afora suas atividades em Brunello é também o enólogo da Achaval Ferrér e isso já diz muito sobre a qualidade de seu trabalho, adoro o Quimera e o o incrível e raro passito deles, sem falar do Mirador 2006 que talvez tenha sido o melhor Malbec que já tomei! Isso, por si só, já é uma tremenda recomendação que nos faz querer conhecer mais de seus vinhos,  mas pelo que provei nesse dia espumante Bueno Icreio que o Galvão acertou na escolha do parceiro e sócio com quem levar adiante esse projeto. Provamos nesse dia um espumante Bueno Cuvée Prestige Brut muito bem feito que reflete bem a qualidade de nossos espumantes, seguido de um Brunello 2007, um Brunello 2005 e um Brunello Riserva 2004, todos fermentados em carvalho Esloveno porém envelhecem em barricas francesas de 500ltrs. Perguntei do paradeiro dos 2006, um dos melhores anos da região em décadas, porém esse lamentavelmente está esgotado no mercado. De lembrança para os convidados, um agradável Bellavista Estates Sauvignon Blanc que eles fazem aqui no sul e que tem a “boa” mão do amigo e competente enólogo Miguel de Almeida.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007 – pelo que senti, é esse o vinho que eles querem trabalhar. São 24 meses de madeira e depois mais 36 de garrafa antes de sair ao mercado, Muito bom, mas todo ele mais pronto, uma homenagem ao equilíbrio. Muito fruto negro, aromas de boa intensidade com a madeira aparecendo de forma sutil. Na boca mostra todo esse equilíbrio de que falei, poderoso sem bombar, final aveludado, algo balsâmico e de boa intensidade. Bom, mais pronto e sedoso no palato, algo típico da safra, porém ainda com muita vida pela frente.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005 –  mesmo tempo de madeira do 2007, porém em função da safra algo diferente, mais jovem na boca. Nariz muito intenso e sedutor, mais escuro na taça, mais denso de boca, muito complexo, meio de boca muito rico, notas terrosas, final algo mineral, um vinho que consegue unir de forma irrepreensível a força com a elegância. Para mim, o vinho que fez minha cabeça, ainda com muito para evoluir, porém preço por preço (o 2007 e este têm um preço sugerido de R$350) tivesse eu essa grana disponível, este seria o meu escolhido. Muito bom vinho.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004 – um vinho explosivo! Robusto, uma criança irrequieta aos dez anos de vida. Pelo Consorzio di Brunello, que rege as normas de produção e comercialização do vinho, um Riserva não pode ser vendido antes de seis anos e este exemplar seguiu o escrito, três anos de madeira com mais três de estágio em garrafa. Safra quente, fruta madura, grande estrutura, escuro na taça, quase mastigável, incrível como está ainda num estágio infantil de sua vida com acidez bem marcante. Vinho para uma vida e para quem gosta de força bruta e quiser tomar já, será um prato, digo, taça cheia, mas é um vinho que, a meu ver, pede tempo e paciência para aproveitar tudo o que ele ainda tem por oferecer. Para momentos para lá de especiais e com preço digno de tal, deverá estar no mercado ao redor dos R$500,00 a garrafa. Um grande Brunello que mostra toda a exuberância da Sangiovese Grosso, a uva da região.

Bueno-Cipresso

Um comentário e opinião sobre o tema de precificação dos vinhos. Pelo que conheço de vinhos similares no mercado, creio que os preços estão em linha. Talvez uns 10% acima de alguns outros mais renomados, mas se pegar a média anda por lá. Como consumidor quero sempre melhores vinhos por melhores preços, então ……. os Brunelos ao redor de R$320 e o Riserva em torno dos R$450,00 me pareceriam mais condizentes com a realidade, but who am I to judge!

Ah,tinha iniciado este post com o texto abaixo, porém revi e achei que tinha ganho mais importância do que o vinho e isso me pareceu imperdoável, então editei o post e finalizo com esse mesmo texto; Gostaria de tecer um comentário sobre um outro tema que me incomoda. Tem gente que cai de pau nos vinhos da Bueno em função de sua opinião pessoal sobre o proprietário e investidor o jornalista Galvão Bueno, nada a ver! Na minha terra normalmente se perguntaria, mas o que é que o …. tem a ver com as calças?! Vou, no entanto, ser mais polido e dizer que simplesmente não se deve misturar alhos com bugalhos e pronto. Sinceramente, pouco me interessa quem é o proprietário pois na essência o que realmente importa é o enólogo envolvido na criação e o caldo dentro da garrafa ou, melhor ainda, na minha taça! Tem vinho do Ronaldo, do Messi, do Raul, etc., mas se o caldo não for bom, e não sei se é, de que adianta a marca? Da Bueno, o que provei até agora, tanto de produção local como importada, gostei. Posso tecer críticas a políticas comerciais e preços, inclusive a estratégias de relacionamento com o mercado como na malfadada tentativa das salvaguardas, isso são outros quinhentos, porém tenho que me ater aos fatos e não sou do tipo que compra ou recomenda algo só porque brilha, então o vinho é o astro a ser olhado, provado e avaliado, o resto é marketing e, em alguns casos, puro preconceito. Pronto, falei!

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui e não esqueça de nosso encontro no Riedel Tasting onde ainda temos algumas vagas disponíveis.

“Top 10 Vinhos Portugueses 2013”

Todos os anos a revista portuguesa “Wines – A Essência do Vinho” promove este evento no Palácio da Bolsa na cidade do Porto. Foi semana passada que alguns dos mais prestigiados especialistas da vinosfera, 18 no total, entre eles; críticos, sommeliers, líderes de opinião e jornalistas de Portugal, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Suécia e Reino Unido se reuniram para avaliar um conjunto de 55 vinhos: 10 Vinhos do Porto Vintage 2011 (uma graaaande safra, 13 vinhos brancos e 32 vinhos tintos, pré-selecionados pela revista WINE – A Essência do Vinho, de acordo com as classificações obtidas ao longo do último ano. O Vinho do Porto Vintage com melhor pontuação, o melhor vinho branco e os oito tintos mais bem classificados constituem o “TOP 10”.

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Pois bem, os vencedores deste ano foram; O Vinho do Porto “Graham’s The Stone Terraces Vintage 2011”, produzido pela Symington Family Estates, o tinto do Douro “Pintas 2011”, elaborado pela Wine & Soul, e o branco da região dos Vinhos Verdes “Soalheiro Primeiras Vinhas 2012”, do projeto VinuSoalheiro, são os grandes vencedores do “TOP 10 VINHOS PORTUGUESES”. Destaque aqui para o Soalheiro que segue sendo um de meus Alvarinhos preferidos e a Graham´s que sempre se sobressai entre os grandes do Douro.

A seguir e na ordem vieram os restantes dos tintos sendo que fiquei feliz por ver um dos vinhos listados em meus Deuses do Olimpo 2013, o Marias da Malhadinha, e um dos meus vinhos preferidos do Douro o CV – Curriculum Vitae! Pena que nenhum dos belos vinhos do Dão tenha encontrado seu espaço por aqui o que me faz querer conhecer melhor a lista dos 55 vinhos pré-selecionados. Rui, como deixaste acontecer isso meu amigo?!!

2º “Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2011” (, Regional Alentejano, Soc. Agr. D. Diniz)

3º “Quinta de São José Grande Reserva 2011” (, Douro, João Brito e Cunha)

4º  “Quinta da Touriga Chã 2011” ( Douro, Jorge Rosas)

5º “Estremus 2011” ( Regional Alentejano, J. Portugal Ramos)

6º  “CV – Curriculum Vitae 2011” ( Douro, Lemos & Van Zeller)

7º  “Marias da Malhadinha 2010” ( Regional Alentejano, Herdade da Malhadinha Nova)

8º “Procura 2011” (8º tinto, Regional Alentejano, Susana Esteban)

         Para verem noticia completa, acessem este link para o site da revista > http://www.essenciadovinho.com/pt/revista-wine/read/777-ja-sao-conhecidos-os-vencedores-do-top-10-vinhos-portugueses . Plena manhã de Segunda de carnaval, eu me preparo para abrir a Vino & Sapore enquanto a maioria descansa, ossos do oficio, afinal alguém tem que pegar no batente! rs Para quem estiver à toa na vida, quiser tomar um vinho ou comprar alguns diferentes saindo da mesmice, dê uma passada por lá, será um prazer vos receber, hoje até as 19 horas. Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Bacalhau Luso-Italiano e Tannat de Salta, Combinação Inusitada

Hoje falo de comida, meu prato de Domingo (rs), e de “prefácio” uso o texto que o Jair Oliveira (Jairzinho para os mais antigos) colocou no cardápio do restaurante de sua mãe aqui na Granja, o Escondidinho, onde em breve realizarei alguns eventos. Adorei, pura poesia de quem entende do riscado.

“Quando a boca torna-se a porta do paraíso,

a alma delicia-se sem juízo e o prazer cresce quase sem medida.

Pois é assim que é bom levar a vida; com o sabor escondidinho num sorriso

e o paraíso escancarado na comida.”

(Jair Oliveira)

Bacalhau Luso-Italiano, a união de Baca & Pasta deu samba em terras brasileiras acompanhado de um Tannat de Salta, é o samba do crioulo doido em véspera de carnaval!. Mais um prato fácil e gostoso para você testar em sua casa, tenho a certeza que o pessoal vai curtir, eu me deliciei. Já o vinho, esse fica a seu gosto, mas como já tinha um Tannat de Salta aberto, imaginem só,  tomei junto e ………….. surprise, “ornou” legal! Tannat com bacalhau, o João pirou? Pirei não minha gente, este Tannat é para lá de especial e deu muito certo! Vamos à receita para 4 pessoas com sobra para a marmita de Segunda! rs

400 grs de bacalhau em lascas ou desfiado Gadus Morhua.

1 cebola média

2 dentes de alho

600grs de spaghetti de grano duro

200grs de tomate cereja bem madurinho

Salsinha, cebolinha, azeitona preta picadinha, pimenta do reino a gosto, muito azeite e três ovos cozidos.

Dessalgue o bacalhau em água gelada na geladeira por 24 horas trocando a água pelo menos duas vezes. Guarde a água da segunda e terceira (derradeira) troca e adicione na panela em que o spaghetti será cozinhado. Como essa água já é salgada, sugiro esquecer o sal nesta receita! Escorra bem o bacalhau e deixe-o descansar por cerca de uma hora bem regado com azeite, um foi feito para o outro, pois realça o sabor do bacalhau. Desfie, lasque bem o bacalhau e guarde.

Bacalhau Luso-Italiano by JFC

Refogue no azeite a cebola, alho, tomate e salsinha finalizando com o bacalhau. Misture bem e quando o bacalhau começar a dourar adicione um pouco de cebolinha e pimenta do reino moída a gosto. Jogue a spaghetti na panela ou frigideira alta, que é a que gosto de usar, e misture bem. Desligue o fogo, termine adicionando o ovo cozido grosseiramente cortado por cima para finalizar o prato. Sirva com um bom azeite do lado, eu adoro regar bastante! Viu, não falei que era fácil!

Quanto ao vinho, recomendo um tinto não muito tânico e redondo, mas harmonize CAM00017como queira, afinal se há 1001 maneiras de fazer bacalhau, há outras tantas para harmonizar. Eu, que não sei cozinhar sem vinho, já tinha aberto um que curto muito e que, lamentavelmente, por aqui não chega, é o Colomé Lote Especial Tannat de Salta comprado no produtor.  Apenas 1430 garrafas produzidas, 14 meses de barrica e imperceptíveis 14.9% de teor alcoólico, juro! Macio, frutos negros típicos da casta, algum tabaco, meio de boca extremamente rico e absolutamente sedutor, sedoso com um final de boca longo e muito saboroso não tendo passado por cima não! Certamente que não é a harmonização clássica, mas ficou muito bom!  Bem, por hoje é só, mas na semana ainda falaremos mais de gastronomia aqui no blog com a participação da Rejane, pois onde há boa comida há sempre a presença de vinho e vice-versa. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

O vinho faz da refeição uma ocasião, torna a mesa mais elegante e cada dia mais civilizado.” Andre Simon, comerciante e wine writer francês.”

Viapiana Green, Uma Dose de Frescor na Veia!

Tenho que reconhecer que quando me deram esta garrafa para prova, estava um pouco cético já que tenho provado alguns exemplares de brancos brasileiros baratos, que têm deixado muito a desejar. Não, não tenho nada contra o vinho brasileiro, muito pelo contrário, apesar de alguns ainda acharem que tenho o que vem demonstrar como são cegas e surdas essas pessoas, pois basta pesquisar este blog e meus textos para saber em que banda eu toco! Meu problema não é com os vinhos brasileiros, mas sim com a falta de estratégia comercial, precificação equivocada e falta de respeito para com o consumidor no caso das salvaguardas por parte de alguns barões do vinho e de seu órgão representativo, Ibravin. Sorry, já comecei a viajar, vamos retomar ao vinho!!Viapiana Green

A primeira coisa a me surpreender, adoro ser surpreendido, foi o inusitado corte de uvas usado neste vinho; Glera, Chardonnay, Sauvignon Gris e Viognier, nunca tinha visto! Segundo fator de surpresa, o baixo teor alcoólico. Cor límpida, brilhante e clara, como diz a querida amiga e blogueira de prima Evelyn Fligueri, “carinha de frescor”! No nariz frutos cítricos, limão, grapefruit com algumas sutis notas florais. Na boca  vem mostrar que não é só a “carinha” não, é puro frescor, radiante, frutado  e a meu ver mais frutas brancas que cítricas, muito bem balanceado, final apetecível que pede bis e sem qualquer amargor, tudo a ver com nosso verão. Com 10.5% poderia se pensar que fosse um vinho insípido, ralo, mas nada disso. É saboroso, fácil de agradar e uma grande companhia para saladas, sushis e coisas do gênero. Não é nenhum grande vinho, despretensioso, mas tem tudo a ver com nosso clima, em especial estes dias tórridos, dando-me muito prazer de tomar me fazendo lembrar um vinho português que lamentavelmente sumiu do mapa junto com a Wine Company dos amigos Angela e Marcos (hoje bons produtores no Chile), o “Fonte do Nico Fashion”! Lembra Alexandre e Cristiano?

Viapiana, já tinha ouvido falar da vínicola, porém nada sei sobre eles já que é o primeiro vinho deles que provo, vou ter que pesquisar para os conhecer melhor. Quanto ao preço, sempre importante, vi que no Sul o vinho anda na casa dos 26 Reais porém aqui em Sampa deve chegar, em função do Estado ter das cargas tributária mais caras do país, entre R$30 a 35,00 imagino eu. Aliás, para quem não sabe, o Estado de São Paulo taxa o vinho com tributos maiores que a cachaça!!! Vai entender, mas enfim, de qualquer forma o difícil é fazer o consumidor comprar vinhos brasileiros de pequenos produtores, um verdadeiro parto, mas que neste caso vale bem o risco de colocar nas prateleiras, porque se o vinho não sair eu tomo!!rs

Salute e kanimambo, ótima semana para todos e seguimos nos vendo por aqui.

Cerasuolo, o de Abruzzo não tem nada a ver com o da Sicília

        Já não chegava a confusão entre a uva e a região de Montepulciano (um em Abruzzo e o outro na Toscana), Abruzzo também é palco Atum selado do Philippede mais uma confusão italiana a Cerasuolo. O Cerasuolo Vittoria é um  DOCG tinto da Sicilia,  normalmente elaborado como um blend de Nero ‘dAvola e Frappato. Já o Cerasuolo d’Abruzzo é um DOC de Abruzzo, com quatro regiões produtoras, em que a uva Montepulciano (min. 85%), cepa ícone da região, é vinificada em rosé. Neste Domingo tive a felicidade de abrir uma garrafa de Cerasuolo d’Abruzzo e me dei muito bem! Já faz alguns anos, mais precisamente em dezembro de 2009 , que tomei um rosé italiano harmonizado com atum selado no Philippe Bistro (aqui em Sampa na linda rua Normandia, rua de uma quadra só!) e nunca mais esqueci.

       O prato estava fantástico e a harmonização foi perfeita, porém desde aquela época que buscoVermiglio Cerasuolo um rosé daquele estilo (o importador cessou atividades) e finalmente achei, Vermiglio Cerasuolo d’Abruzzo 2012, que agradável surpresa, pena que faltou o atum, mas tinha boa companhia para compensar! Acabou rápido demais, uma tendência que os vinhos bons tendem a mostrar (sniff!), mas deixou boas lembranças. Esqueça os rosés de verão, aqueles leves e suaves para tomar na beira da piscina (quem tiver!), o Vermiglio milita em outro time, o dos vinhos gastronômicos. Cor linda, um vermelhão vivo (daí o nome?) e brilhante,  aromas de boa intensidade que chamam a taça á boca. Médio corpo, denso, fruta vermelha fresca e abundante, equilibrado e muito saboroso. Não é por nada não, mas senti falta daquele atum!! Kanimambo, salute e ainda temos 4 vagas para a degustação de Vinhos de Altitude na Vino & Sapore na próxima Quinta! se estiver afins me envie e-mail para comercial@vinoesapore.com.br. Uma ótima semana para todos!

Merlots Premium Brasileiros ás Cegas

Começamos o ano de 2014 encarando paradigmas sobre o vinho brasileiro. Decidimos provar alguns dos principais e mais conceituados Merlots nacionais colocando-lhes um adversário no mesmo patamar para que tivéssemos um real parâmetro comparativo, um exemplar da Patagônia argentina. Pessoalmente, acho que na relação Qualidade x Quantidade, temos hoje o melhor Merlot da América latina, quiçá das Américas. Há ótimos vinhos chilenos, argentinos e até americanos, porém a média de nossa produção é realmente muito boa e com os mais diversos estilos, afinal Michel Rolland andou por aqui e deixou seu legado, sendo vinhos aos quais os seguidores de Baco deveriam dar um pouco mais de atenção enterrando seus preconceitos. Não acredita?! Tudo bem, mas pelo menos lhes dê uma chance; prove e às cegas!! .     

         Tendo dito isso, vou deixar a amiga e confreira Raquel Santos, a porta voz da Confraria Saca Rolhas, nos passar sua opinião sobre o evento e vinhos e no final dou um pitaco sobre o que provamos. Diz aí Raquel!

          No nosso primeiro encontro do ano, resolvemos começar pondo o pé no chão e ordem na casa.  Não que o ano que passou tenha sido ruim, longe disso. Basta ver quantas vezes a Confraria Saca Rolhas foi citada na lista dos “Deuses do Olimpo” neste blog! Realmente foi muito bom. Ótimas degustações, ótimos vinhos!

         Resolvemos fazer uma degustação às cegas, com vinhos nacionais, equivalentes, de qualidade premium e elaborados com a uva Merlot, das safras entre 2005 a 2008. Sabíamos que entre eles havia um intruso e isso sempre é bom para desequilibrar as referências pré concebidas e mexer um pouco com nosso sensorial.

         O fato de conhecermos melhor o que temos por aqui, poderia nos dar parâmetros para compará-los com outros merlots já degustados em outras ocasiões, do mesmo nível, em termos de qualidade, faixa de preço, e perceber da evolução da produção brasileira. A uva Merlot, proveniente da região de Bordeaux na França, proporciona vinhos com taninos macios, aromas elegantes e sabores frescos, frutados que evoluem muito com o tempo. Atualmente já é consenso entre os enólogos que é a casta que melhor se desenvolveu na serra gaúcha.

         Pudemos comprovar isso na taça com os belos exemplares que nos foram selecionados:

Salton Desejo 2006 – Aromas muito frescos de ervas, especiarias, cítricos ( lembrando casca de laranja). Na boca era suave, com média acidez, taninos finos e pouco corpo. Com o tempo, evoluiu bastante na taça, mostrando outro lado, mais consistente de madeira, couro e chocolate. Bento Gonçalves/RS. Preço médio: R$75,00

Miolo Terroir 2008 – Ataque alcoólico com presença de acidez e taninos. Na boca é muito frutado e vai se equilibrando cada vez mais com o tempo. Vale lembrar que esse vinho foi promovido pelo produtor como “melhor Merlot do mundo” depois de vencer uma competição internacional em sua faixa de preço. Vale dos Vinhedos/RS. Preço médio: R$130,00

 Pizzato DNA 99 2005 – Sua primeira safra, proveniente de um único vinhedo, que gerou seu famoso Merlot de 99, mereceu destaque pela qualidade e complexidade. De aromas frescos, mentolados e elegantes. Muito equilibrado, e grande potencial de evolução na taça. Foi se modificando incessantemente, com sabores e aromas sedutores. Vale dos Vinhedos/ RS. Preço na Vinícola: R$170,00

Valduga Storia 2006 – Muito aromático, com especiarias, madeira e frutas. Na boca, a madeira se confirma e aparecem nuances de caramelo, tostado, chocolate amargo, etc….. evolui muito na taça. Muito equilibrado! Bento Gonçalves/RS. Preço médio R$160,00

 Patritti Primogénito 2009 – À primeira vista, ou melhor, à primeira fungada, causou estranheza, por algo químico ou muito forte que não conseguimos identificar. Pareceu-nos bem diferente dos anteriores. Sabores marcantes de especiarias (anis), pinho, ameixas, frutas vermelhas e madeira bem incorporada. E apesar da potencia inicial, demonstrou bom equilíbrio e vocação gastronômica, com destaque para a acidez que pedia algo que o acompanhasse ou fizesse um contraponto. Esse era nosso intruso, que chegou metendo o pé na porta, mas depois se comportou muito bem! Patagônia/ Argentina. Preço médio: R$110,00

Merlots na Confraria Saca Rolhas

 Ao fim da degustação, algumas características ficaram evidentes para nós: Houve uma significativa evolução dos vinhos de qualidade em nosso país. Apesar de não se mostrarem desde o início, na taça, deixam claro seu potencial evolutivo, porém ao mesmo tempo que crescem na taça, também se cansam  logo. São como crianças felizes e saudáveis, que depois de um dia de brincadeiras agitadas, caem no sono instantaneamente em qualquer canto.

         Outra questão que me chamou atenção, depois pesquisando o assunto, foi a tentativa da mídia ou mesmo do produtor, de equiparar o produto nacional com o estrangeiro. A ideia de igualar seu produto a um Bordeaux ou promover um vinho como “o melhor Merlot do mundo”, soa, a meu ver,  um pouco exagerado. Eu, defensora que sou do vinho brasileiro, acho que temos muito à caminhar nesse sentido. Além disso temos a questão do custo Brasil, onde os impostos aqui aplicados não são nada incentivadores, tanto para produtores como para consumidores. Enfim, isso é assunto para muitos outros posts e que temos que continuar pensando e adequando à nossa realidade.

         Essa foi uma degustação para refletirmos o que foi, o que é e o que poderá ser, no futuro a produção de vinhos no Brasil. Se olharmos para trás, nos anos 80, quando a produção era ínfima e o que é hoje, podemos ver que existe uma grande evolução. E se compararmos com os países que produzem vinho à séculos, nós estamos apenas começando.  

       Como disse deixei para o fim meus pitacos sobre mais este encontro da Confraria. Como a degustação foi ás cegas, deixei para abrir os rótulos somente após uma votação quanto ao melhor vinho da noite. Houve uma clara divisão, porém a maioria optou pelo vinho mais pronto e mais redondo de todos, o Salton Desejo, seguido do DNA e do Primogênito. Pessoalmente, achei que o DNA e o Primogênito roubaram a cena um degrau acima dos demais, mas isso é muito pessoal! Incrível a vida ainda presente nesse DNA com já oito anos nas costas e que ainda promete grande evolução na garrafa, quem conseguir guardar verá! Por outro lado, afora o posicionamento de preço do Desejo da Salton que está muito em linha com o mercado, o restante está num patamar que realmente pretende ser exclusivo, vinho para poucos e, considerando que cada um monta a estratégia que lhe for mais interessante, algo que temos que respeitar ainda mais quando vendem tudo o que colocam no mercado.

     Não podia deixar de ressaltar que o Storia 2005 segue sendo imbatível. Já tinha provado o 2008 e agora o 2006, mas ficaram bem aquém da primeira edição deste ícone da Valduga, uma raridade no mercado que quando achado passa das absurdas 400 pratas! Enfim, mais uma noite muito agradável em que aprendemos um pouco mais das coisas desta nossa complexa vinosfera com toda a sua diversidade e variáveis, tendo tido como abertura o saboroso e fresco Angas Brut, o espumante australiano mais exportado, que preparou nosso palato para o que estava por vir. Kanimambo, salute e um ótimo fim de semana para todos lembrando que ainda temos algumas poucas vagas disponíveis para dia 13 na Vino & Sapore.

 

      

Harmonizando Vinho & Música

 

wine-and-music-pRecentemente a WofA (Wines of Argentina), promoveu um concurso lúdico bastante interessante que fez com que alguns bloguers, eu incluso, viajássemos  por águas pouco exploradas. Premiação, uma viagem á Argentina com roteiro de visitas a vinícolas.

Em 16 de Dezembro passado, alguns dos principais blogueiros de nossa vinosfera tupiniquim e também de outras atividades, receberam duas garrafas de vinho cada e uma lista com 150 músicas selecionadas. Objetivo > explorar sensações e tentar interpretá-las musicalmente. O comitê organizador teria a responsabilidade de apurar as três melhores harmonizações e os autores destas seriam premiados com uma viagem á Argentina com roteiro de visitas a vinícolas.

Afinal, vinho harmoniza com música? A resposta cabe a cada um, porém a meu ver; musica casa com momentos, humor e emoções tal qual vinho e quando este gera esses mesmos sentimentos dá-se essa harmonização; uma conjugação de estilos e uma interpretação particular de cada um!DSC03250

Eu recebi dois rosados, em 2013 fui perseguido por eles (!), um vinho tranquilo e um espumante. O tranquilo foi o Lagarde Blanc de Noir, um rosé de malbec que comentei aqui e que harmonizei com uma salsa cubana. O espumante, Navarro Correas Brut, harmonizei com heavy rock e, acreditem, foi uma das três harmonizações premiadas! Veja mais do evento aqui >http://www.winebar.com.br/2013/12/vinho-e-musica-com-wines-of-argentina/ e role até ao final onde está o arquivo com o anuncio dos premiados.

Bem, como disse no inicio, eram três as harmonizações a serem escolhidas e eu terei como companheiros de viagem o amigo Didu que ganhou com o post, Harmonizando Vinhos da Argentina e o Marcelo Costa (que ainda não tive o prazer de conhecer) com o post, Desafio: Harmonizando Vinho &.Música. Minha sugestão para os amigos é, façam também essa experiência lúdica e se estiverem a fins, encontrem os vinhos, abram as garrafas e façam vocês mesmos essa harmonização usando este link com as músicas pré-selecionadas fazendo seu próprio juízo de valor. No mínimo será uma viagem bem divertida! Salute e kanimambo, ótimo fim de semana e lhe vejo na Vino & Sapore para aproveitar o que restou da Mega Wine Sale promovida?

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Um Espumante Rosé Peso Pesado

DSC03250      Navarro Correas Brut Rosé de Malbec, eis aqui um espumante rosé diferenciado e isso a gente vê já na cor escura e densa na taça. A perlage é intensa e duradoura, porém o maior impacto vem na boca onde ele se mostra de forma mais marcante deixando claro que ele veio para ser diferente e certamente requer uma harmonização mais criativa e definitivamente não ó tipo de espumante ligeiro para se tomar descompromissadamente numa tarde verão. Extração mais intensa, denso e encorpado, notas de frutos vermelhos bem presentes, boa acidez que me fez pensar em duas coisas com que harmonizá-lo, musica e prato. No prato, acredito que deva ser uma ótima opção para acompanhar o inicio de um churrasco com costela de porco e linguiça, quem sabe até uma bela morcilla uruguaia ou panceta, porém foi muito interessante a harmonização com os figos com nozes!  Já na música, esse estilo mais pesado de personalidade marcante tem tudo a ver com uma batida sonora do mesmo peso e intensidade, algo como a Pork n Beans do Left Lane Cruiser

       Nunca tinha tomado um espumante rosé desse estilo o que só vem corroborar minha tese de que independente da “litragem” do enófilo, sempre há uma surpresa em cada esquina que nos coloca no lugar mostrando o quanto ainda temos a aprender e por isso curto essa viajem!  Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

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Nossa Vinosfera, a Cada Taça uma Descoberta!

È um pouco assim que sinto, pois por mais litragem que tenha há sempre algo novo a se encontrar numa taça de vinho. Prestar atenção nisso, apreciar o vinho e não somente tomá-lo é DSC03245um tremendo de um barato e o que faz desse hábito algo salutar e muito prazeroso sempre que praticado de forma moderada. As surpresas vêm normalmente de onde menos se espera e nesta Segunda veio numa taça de um rosado argentino, olhem só essa cor!

O visual na garrafa já é um convite a abri-la, ainda mais porque em seu rótulo aparece “Blanc de Noir”, algo mais comum em espumantes, enquanto o vinho é rosado! É na taça, no entanto, que o vinho inicia sua dança de sedução com essa cor linda e cheia de brilho já dando uma dica do que está por vir. Aromas de frutos do bosque frescos te convidam a levar a taça à boca onde ele surpreende a todos aqueles que dele esperam o básico moranguinho e groselha de muito dos vinhos rosados por aí no mercado. Sem qualquer residual de açúcar perceptível ao palato, o vinho, que não passa em madeira é seco e puro frescor, mas tem DSC03241mais! Os aromas vão dançando na taça em contínua metamorfose mostrando algo diferente que nos intriga enquanto acaricia a boca com um frutado intenso e fresco, vibrante que nos faz lembrar verão, férias, mar, mostrando que a “art de vivre” muitas vezes se encontra nas coisas mais simples, como numa taça deste saboroso vinho que no deixa nos lábios um sorriso de satisfação. Aliás, a satisfação que era uma das principais bandeiras defendidas pelo saudoso Saul Galvão que dizia; “ o vinho existe para te dar prazer e se o fez, cumpriu com seu papel”, é vero! !  Tem tudo a ver com nosso verão e nossa ceia de Natal, com o peru á califórnia e até o tender deve ficar da hora, ou para frutos do mar em geral ou, ainda, num voo solo somente com boa companhia, porque isso é essencial. Versátil e apetecível, é um vinho que curti demais e recomendo.

Blend de 50/50 Malbec com Pinot Noir,  é vinificado como branco com uma curta maceração e 48 horas de contato pelicular que lhe dá essa bonita cor salmonada. Um vinho sedutor com um ritmo próprio e marcante que eu harmonizaria com diversão e alegria, mas principalmente com boa companhia e alto astral ao som algo picante da salsa cubana de Rey Caney; Ajo, Cebolla y Tomate, porém como não mais está disponível na net, faço um link aqui para Luna Llena que também harmoniza!! rs  Have fun, salute e kanimambo! 

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Guelbenzu Lombana, Eta Vinho Arretado Sô!

     Esta família de vinhos da Guelbenzu é realmente surpreendente. Este Lombana é bem diferenteGuelbenzu Amarelo de seu irmão Evo o que aliás, é algo bem comum tanto em nossa vinosfera como em na vida real! Já comentei o Evo recentemente, e esta garrafa abri com uns amigos entre eles o Marcelo que não vai me deixar mentir, eta vinho arretado sô! Da safra de 2005, crianza de 12 meses com parte em carvalho francês e parte americano, está absolutamente pronto para tomar e assim deve continuar pelos próximos um a dois anos. Elaborado tendo como protagonista a casta Graciano, tem como coadjuvantes a; Tempranillo, Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon formando um conjunto deveras apetecível. A Graciano aporta acidez, e estrutura aromática aos cortes com Tempranillo sendo muito usada nos Riojas, e tudo isso aparece bem neste vinho. Todo ele muito frutado com paleta olfativa intensa e convidativa em que se sobressaem os frutos negros. Macio de boca, cremoso, meio de boca rico e refrescante,  taninos sedosos e finos, longo com um mentolado sedutor que nunca senti tão vivamente na boca em qualquer outro vinho. Um belo vinho que nos chega de Ribera Queiles, encostado em Navarra, e mostra a beleza que é esse mundo de diversidade em que Baco reina absoluto e, mesmo com uma boa dose de litragem, segue com sua capacidade de no surpreender, não é verdade Marcelo?  Na casa dos R$125,00, como o Evo, mais um bom vinho espanhol em Terras Brasilis!

        Salute, kanimambo e não esqueça, dia 30, Sábado, armei um Taste & Buy Espumantes na Vino & Sapore em que você terá a oportunidade de provar ótimos vinhos para comprar somente na certeza. Vinhos que têm o meu aval, cada um em seu estilo, e espero que apreciem, mas reservem antes pois há limite de participantes em função do tamanho do local.