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Garimpando e Aprendendo num “Recorrido” Pela Argentina

Estou há quatro dias desbravando regiões produtoras argentinas que não conhecia fazendo jus ao prêmio que ganhei ao ser um dos três escolhidos pelo juri da WofA (Wines of Argentina) no concurso Harmonizando Vinho & Música. Alguns vinhos já tinham frequentado minha taça, outros não, e depois de alguns dias e mais de 70 vinhos adicionais ao currículo, tenho algumas descobertas que comentarei com os amigos no meu retorno. Aliás, aguardem para breve a data de mais uma degustação das pepitas que vou achando no caminho e que levarei para compartilhar com 12 amigos na volta.

Enquanto isso, podem me acompanhar no facebook (João Clemente) ou no Instagram joao.clemente.fv , porém como neste Domingo consegui um tempinho eis algo para vos manter entretidos.

10557272_932568523421519_1302182506060255175_nSão cerca de 26 produtores na região da Patagônia, Neuquen e Rio Negro, com seus vinhos apresentando um teor alcoólico algo mais baixo do que os de Mendoza e Salta e mostrando uma fruta mais fresca. As safras, como as do resto da Argentina não variam muito, o que lhes dá a condição de apresentar ano após ano vinhos de qualidade constante. Chove pouco, 120ml ano, porém os vales são férteis e formam verdadeiros oásis em função de da água abundante trazida pelos rios Neuquén, e Limay que se juntam para formar o Rio Negro. Alguns ótimos vinhos entre eles os de base Pinot Noir, Merlot, Cabernet Franc e até um surpreendente Riesling de vinhedos antigos (1937) eu provei.

A Patagônia ficou para trás e escolhi um produto diferenciado para a degustação da volta, um delicioso e muito bem elaborado Espumante Nature Rosé de Pinot Noir. Processo champenoise com 36 meses sur lie, algo único, não disponível no Brasil e que você que estiver nessa degustação vai ter o privilégio de o conhecer. Agora Mendoza (gosto muito), San Juan e La Rioja, vamo que vamo!

Em breve Falamos de Vinho e assim que der posto algo. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou nas outras mídias sociais. Uma ótima semana para os amigos.

Francos Reserva 2009 – De Volta às Origens

Olá meus amigos, bom dia e uma ótima semana para todos. Depois de muito falar de vinhos argentinos em decorrência de minha viagem e constantes degustações, volto às origens, a Portugal. Quero compartilhar com vocês um vinho que GarimpeirosIIdescobri há uns seis meses atrás e que fez minha cabeça, Francos Reserva 2009, um vinho de alta gama por um preço surpreendente.

Quem me acompanha sabe que sou um garimpeiro de achados, aquelas pepitas de todos os tamanhos, cores e preços que se escondem nessa imensidão que é nossa vinosfera. Vinhos que me deem a percepção de valor superior ao preço que paguei, e este é um deles.

Bons vinhos portugueses se acham em tudo o que faixa de preços e desafio qualquer um a, ás cegas, fazer um prova de vinhos entre R$25 a 40,00 (os do dia a dia) com qualquer dos países hermanos para ver quem leva! Em todas as gamas de qualidade e faixas de preços, os vinhos da terrinha se dão muito bem, todavia os bons vinhos encareceram, aliás, como boa parte dos vinhos dos Hermanos, para além do razoável razão do porquê este vinho ter me surpreendido tanto. Falamos de um vinho entre os TOP 100 escolhidos pela Revista de Vinhos em Portugal, um vinho de pequena produção sendo esta a primeira safra produzida em homenagem aos 30 anos de atividade de seu enólogo José Neiva, galhardeado com o titulo de Senhor Vinho, pela mesma revista, em função do conjunto de sua obra.

Foi um vinho que, à primeira fungada e primeiro gole, vi que estava diante de um caldo diferenciado. Nós que estamos habituados a exaltar os exuberantes e modernos vinhos alentejanos ou os sérios e complexos durienses, temos aqui uma mescla desses dois estilos mostrando que esta região também pode, e produz,Francos reserva II grandes vinhos. O Francos Reserva vem da região Lisboa, mais precisamente DOC Alenquer, produzido somente em grandes safras (até agora 2009/2011 e 2012) em quantidade limitada, tendo como composição majoritária a Touriga Nacional que é muito bem coadjuvada por Touriga Franca (duas uvas típicas do norte de Portugal) e Alicante Boushet (mais presente no sul). Um vinho que por terras portuguesas custa algo entre 30 a 35 euros!

Este vinho, pelo menos para mim, mostrou-se exuberante na boca e por que não dizer, algo enigmático conforme o descreveu a amiga Raquel Santos em seus comentários aqui mesmo. Já chama a atenção na primeira fungada onde a Touriga aparece de forma bem marcante com suas notas florais, chá preto com uma fruta vermelha (ameixa?) aparecendo por baixo desse pano numa paleta olfativa bastante interessante. É na boca, no entanto, que o vinho mais me marcou com ótima textura, um meio de boca frutado, rico e muito expressivo, bom corpo, notas de especiarias, final de boca fresco e longo que nos deixa pensando….! Os taninos estão bem presentes, porém já integrados, finos e aveludados formando um conjunto harmônico e extremamente apetecível. Meia horinha de aeração e uma garrafa será pouco! Rs

Depois da agradável sensação hedonista, vem a surpreendente sensação no bolso! Sim, porque se você vive do fruto de seu trabalho e não tem cartão corporativo liberado, este também é um fator de extrema importância. Pensando no que este vinho custa por lá, seria razoável prever que teríamos que desembolsar algo ao redor dos 300 Reais, daí para cima, o que o faria ser apenas mais um bom vinho caro. Ocorre que ele custa em torno dos 130 Reais e é aí que o vinho ganha uns pontos a mais e vira destaque já que o preço é muito similar ao que se paga em Portugal. Não sei quem tem “culpa” disso, se o produtor (DFJ) ou o importador (Lusitano Import), quem sabe são “cúmplices”, rs, porém adorei o resultado.

Enfim, mais um bom vinho português por aqui em Falando de Vinhos para abrir bem esta semana esperando que seja ótima para todos. Salute, kanimambo e agora nos encontramos por aqui!

4º e Último dia em Mendoza – Un Gran Finale para Nosotros

Manhã preguiçosa e como já disse no primeiro post deste diário da viagem, Deus escreve certo por linhas tortas! Não tínhamos conseguido ir à Domínio del Plata no primeiro dia, porém conseguimos transferir essa visita para este Domingo e que visita! Antes no entanto, uma passada por um dos shoppings da cidade com aqueles que estavam a fins de compras. Um agradável passeio de cerca de duas horas, mas os cafés, horríveis! Van com trailerAliás, disso senti falta por lá e só tomamos café decente em locais com nexpresso.

Treze horas, tempo para nosso check out do hotel e quase que o Paulão fica para trás! rs A van trouxe reforço pois a quantidade de “equipaje” deu uma crescida e aumento de peso. Finalmente a caminho da Dominio del Plata e o seu restaurante Osadia de Crear onde terminaríamos nossas visitas a bodegas e posteriormente visitaríamos um lagar de azeites, lanche e aeroporto. (clique nas imagens para ampliá-las)

A Domínio del Plata é a casa de Suzana Balbo, enóloga desbravadora  persistente, competente e de personalidade forte absolutamente necessários para sobreviver num mercado, à época, marcantemente machista. Simpática, embaixadora mundial dos vinhos argentinos com um lindo projeto á frente da Wines of Argentina é uma pessoa a se conhecer assim como a seus vinhos. Uma bodega familiar de médio porte para grande,  possui uma linha de vinhos que extrapola qualidade desde seus vinhos mais simples aos mais complexos de produção limitada como o fantástico Nosotros, um Malbec de grande classe. Localizado num dos melhores terroirs de Mendoza, em Agrelo, Lujan de Cuyo. Seu vinho ícone Nosotros,é uma homenagem ao grupo de pessoas que compõem a Bodega, pois de acordo com sua filosofia, uma empresa é composta de pessoas e não de produtos. Empresa jovem, com pouco mais de 12 anos, mas com uma bagagem técnica enorme, a bodega tem hoje uma capacidade de produção de mais de um milhão de garrafas distribuídos entre as linhas; Anubis, Crios (cerca de 50%), Benmarco, Suzana Balbo e Nosotros.

Dominio Clipboard

Demos uma rápida passagem pela bodega onde conhecemos seu mais recente investimento tecnológico com uma bateria de tanque de cimento conhecidos como Huevos. Neles, devido ao seu formato que gera a circulação continua do mosto evitando-se a battonage, ganha-se eficiência no processo de fermentação com temperaturas mais homogêneas e o vinho apresenta maior mineralidade, volume de boca e maciez. Chegando ao Osadia, uma bateria de belos vinhos que escolhemos junto com nossos anfitriões. Benmarco Torrontés, Crios Syrah/Malbec, Susana Balbo Signature Cabenet Sauvignon, Benmarco Malbec, Susana Balbo Brioso e Susana Balbo Malbec Late Harvest. Achou que tinha terminado? Terminou não, ainda tinha o vinho Ícone Nosotros que tomaríamos nos jardins da bodega. Como foram muitos eu vou tentar ser algo mais sucinto nos comentários dos vinhos, mas não posso deixar de falar também da saborosa e criativa comida do Osadia e como os vinhos harmonizaram maravilhosamente com os pratos, realmente um grande final!

Dominio del Plata vinhos bebidos 1

Benmarco Torrontés – Tinha conhecido há uns dois anos lá mesmo na Bodega quando estava recém engarrafado. O único que eu conheço que passa levemente por barrica e é excepcional, entre os melhores do país com uma sofisticação ímpar! Nossas boas vindas á altura de um almoço que se mostraria Inês-quecível.

Crios Syrah/Bonarda – para mim o melhor desta vasta família de vinhos junto com o rosé e o torrontés, todos na casa do R$50 para baixo. Comprovou tudo o que já comentei dele e casou muito bem com o prato servido. Um vinho muito saboroso e equilibrado, ótima escolha nesta faixa de preços.

Susana Balbo Signature Cabernet Sauvignon – altamente pontuado pelo Guia Descorchados e recomendação do amigo Eduardo Milan, estava louco para provar e curti demais, realmente um belo vinho mostrando o potencial desta uva mostrando-se muito equilibrado. Muito bom meio de boca com bom volume, cassis, ameixas, com notas tostadas e terrosas, taninos sedosos, um cabernet menos sisudo e mais vibrante valeu a espera, gostei muito.

Benmarco Malbec – estamos em Mendoza, não podia deixar de escalar um vinho com esta cepa. Madeira mais presente, jovem, untuoso café torrado, fruta madura mais presente taninos marcantes, especiarias, final longo e fresco com notas de baunilha. Um malbec algo mais tradicional porém sem a doçura de muitos, necessitando um pouco mais de tempo em garrafa para se integrar. A meu ver, nesta gama de vinhos (Benmarco) o grande destaque segue sendo o Expressivo (está a mais na foto) que é um assemblage complexo, rico e marcante.

Susana Balbo Brioso – Já falei dele recentemente aqui, blend de Cabernet Sauvignon / Malbec / Merlot / Cabernet Franc e Petit Verdot (corte bordalês completo) que mostra extrema complexidade aromática e explode na boca com muita harmonia e equilíbrio deixando um rastro de muito prazer, sem perder sua personalidade mendocina mostrando boa estrutura e volume de boca, porém com muita finesse. Um vinho de grande expressão, sutil, fresco e encantador tendo seduzido a boa parte dos amigos presentes.

Susana Balbo Malbec Late Harvest – uma enorme surpresa, a quantidade de late harvests de malbec hoje sendo produzido em Mendoza, mas este está num patamar acima com um frescor marcante, um vinho certamente sedutor. O melhor entre os que provamos nesta rápida viajem cheia de novos sabores e descobertas.

Os melhores pratos e harmonização desta viagem em minha opinião e isso não é falar pouco porque comemos e bebemos muito bem! Os pratos não só criativos como excepcionalmente bem executados pela equipe da Chef Robertina complementado pela eficiente Andrea nossa anfitriã, no salão e serviço dos vinhos.

Dominio Osadia Clipboard

Para finalizar no entanto, a cereja do bolo, o incrível Nosotros um dos melhores malbecs mendocinos em minha modesta opinião, brindando com os amigos nos jardins da bodega curtindo o dia lindo, it does’nt get much better than this!!

Nosotros Malbec – Pé franco, um vinho diferenciado entre o mar de malbecs de Mendoza. Uma seleção de uvas de vinhedos antigos, cinco vinhedos diferentes, geram um vinho que, mesmo com 24 meses de barrica francesa, prima pela elegância e riqueza de sabores com a madeira extremamente bem integrada. Um vinho muito fresco e longo, frutos negros bem presentes, floral, textura de boca aveludada, taninos finos, final especiado e bem longo que nos fazem pedir bis. Para mim, um daqueles vinhos que digo que precisam vir á mesa de fraque e cartola, uma dádiva dos deuses de extrema elegância. Teve gente arrumando mala para acomodar mais umas garrafas!!! rs

Nosotros clipboard

Teríamos que ir ao lagar de azeite, digo teríamos porque quando a contragosto da maioria conseguimos sair da Dominio del Plata, já não dava tempo e fomos então fazer um pequeno city tour acabando num restaurante muito típico da região onde nos acomodamos no final do dia para uns tapas e………, é isso mesmo que pensaram! Eta gente insaciável, mas tínhamos que fazer algo antes de irmos para o aeroporto, né! Gente, nem lembro do que pedimos, sei que um Série A Bonarda do Zucardi tinha, mas tenho a certeza que houve pelo menos mais dois outros rótulos, Roberto ajuda aqui!! O El Palenque é um lugar despojado mas bem interessante tendo curtido muito sua adega que é subterrânea e você a vê pelo piso que é de vidro, genial!

E Paenque Clipboard

Foi isso meus amigos e quem quiser sentir isso na pele, na alma, na taça e no prato sugiro já reservar os dias 21 a 26 de Janeiro quando estarei por lá com mais um grupo de “loucos por vinhos”! Em breve detalhes do novo roteiro com preços, porém deste Gran Finale eu não abro mão não. Aos amigos que estiveram comigo nesta viagem de descobrimentos de novos sabores e emoções, pelos meus cálculos algo ao redor de uns 56 vinhos provados (quantidade com qualidade), meu muito obrigado por terem me prestigiado neste recomeço da Wine & Food Travel Experiences. Pela paciência, pela confiança, pela colaboração, por entenderem eventuais deslizes, mas acima de tudo pela alegria de todos criando uma sinergia muito legal.  Um brinde de Nosotros com Nosotros, salute! Kanimambo e nos vemos pelas estradas de nossa vinosfera ou por aqui mesmo.

Nosotros com Nosotros

Dia 3 em Mendoza – Mais Duas visitas para Terminarmos o dia.

Depois da bela degustação na Achaval, foi hora de subirmos a montanha a 1200 metros de altitude para nossa segunda escala do dia no Vale do Uco em Tupungato, a Bodega Atamisque. Mais vinhos, obviamente, e almoço no Rincon Atamisque onde mais uma vez vimos a diversidade em ação; Chardonnay, Viognier, Pinot, Blends e, já que estamos por aqui, Malbec! (clique nas imagens para ampliá-las)

Atamisque clipboard Bodega
John du Monceau é um francês que se apaixonou pelo lugar e decidiu montar sua bodega por aqui em companhia de sua esposa Chantal, ela neta de vinhateiro borgonhês. Lugar idílico , 1.000 hectares de matas, rios e campo de golf, é muito mais que uma vinícola, é um marco sem marco! Explico, a bodega fica a uns dois ou três quilômetros do Rincon (restaurante e da sede da empresa) numa entrada sem sinalização. Quem não conhece passa batido, assim como nosso motorista! rs Enfim, chegamos e nos deparamos com uma construção bem diferente do que tínhamos visto até o momento, toda em concreto aparente e com telhados de pedra. Em 2007 lançou seu primeiro vinho elaborado nas novas instalações com um projeto bastante avançado todo focado na movimentação por gravidade sem uso de bombas, onde possuem capacidade para elaboração de cerca de 1 milhão de litros anuais e quatro diferentes linhas de produtos muito bem conceituados pela critica internacional. Produzem, no entanto, algo ao redor de 450.000 litros anuais com vinhedos localizados a 1300 metros de altitude. Força argentina com a alma e sutileza francesa, a conferir almoçando as trutas do lugar, uma pena a chuva!

Atamisque Clipboard Bodega interior
Fomos muito bem recebidos pela Ana Laura para uma curta porém interessante visita à Bodega. Após algumas visitas, passar pelo interior das Bodegas vira repetitivo e cansa, a turma quer mais é conhecer os vinhos, mas a Ana tirou de letra, curto porém educativo! A Bodega é toda bem clean e funcional, um projeto bem moderno elaborado com o que de melhor a tecnologia tem disponível na atualidade e rapidamente chegamos à bela sala de degustação repleta de vidro, tanto para a sala de barricas quanto para a paisagem da região que nesse dia pouco se via, uma pena. Primeiro nos debruçamos sobre uma diversa linha de produtos e depois iriamos para o Rincon para almoçar. A Atamisque possui basicamente três linhas de vinhos tranquilos começando pela Serbal que matura seus vinhos entre 6 a 8 meses em tanques de inox ou barrica (esta só com os tintos), a Catalpa que é a linha intermediária com passagem de 10 a 12 meses de barrica de 2ºuso e inox e a Atamisque que tem 14 a 16 meses de barricas de 1º uso e os usa uvas dos vinhedos mais antigos. Possui também uma interessante gama de espumantes.

atamisque vinhos degustados
Iniciamos a degustação como gosto, com um espumante para preparar o palato para o que estava por vir. Cave Extreme é um corte majoritario de Chardonnay com Pinot Noir com 12 meses de contato com as leveduras, método champenoise e muito equilibrado, com notas de brioche e cítrico, boa perlage e persistente, uma bela forma de abrir a degustação.

Iniciamos os vinhos tranquilos pela linha Catalpa. O primeiro, o qual estava muito curioso de conhecer, foi o Catalpa Chardonnay e gostei demais! Um vinho que prima pelo equilíbrio, barrica muito sutil e bem integrada, muito fresco, um vinho que dá vontade de tomar a garrafa, não uma taça. A altitude mostra seu serviço ao vinho aportando uma boa acidez, aliás algo que se mostrou marca dos vinhos deste produtor.

Catalpa Pinot Noir foi nosso segundo vinho e mostrou boa tipicidade da uva com menos extração, num estilo mais europeu, mas sem perder as raízes do terroir. Um vinho mais difícil de agradar os amigos presentes, Pinot não é uma uva tão popular assim e a maioria estava com a boca mais pendente para os vinhos de maior potência. Um bom vinho que chama a atenção!

Catalpa Assemblage, um vinho que mescla muito bem a Cabernet Franc e a Merlot em partes iguais (35%) mais a Malbec e Cabernet Sauvignon (15% cada) perfazendo um conjunto muito saboroso, nariz algo floral, taninos macios, corpo médio, suculento, elegante e com um rótulo que nos atrai. Sim, esse fator também ajuda nossa percepção quanto ao conteúdo e o vinho na taça confirma a atração provocada pela garrafa, muito elegante.

Atamisque é a linha top do produtor quase que na sua totalidade composta de uvas de vinhedos velhos com mais de 90 anos, provamos dois rótulos e ambos algo novos ainda. Atamisque Malbec 2011, realmente mostrou na taça toda a sua juventude. Bastante concentrado na cor, aromas ainda fechado mostrando algo de frutos secos como figo e uva passa, madeira bem integrada com grande estrutura, mas sem exageros de extração, final longo com notas de mocha e frutos negros, um vinho que merece ser revisitado daqui a uns dois ou três anos.

Atamisque Assemblage, para mim o melhor vinho da degustação elaborado com 50% Malbec e complementado com partes iguais de Cabernet Sauvignon e Merlot. Algum floral de nariz que demora a evoluir na taça onde também nos traz algumas notas mais terrosas. Mesmo sendo um 2009, demora a abrir mostrando que ainda tem muitos anos de evolução pela frente. Longo, complexo, taninos aveludados, boa estrutura, denso, notas tostadas, alguma especiaria, mas tudo colocado com um toque de elegância que deixa o conjunto muito apetitoso pedindo comida, um vinho que certamente crescerá muito se bem acompanhado por um prato untuoso. Belo vinho!

Bem, degustação terminada era hora de agradecer a Ana e dizer adeus porque a fome apertava. Fomos ao Rincon, onde o almoço seria servido com duas opções; trutas de produção própria ou, obviamente, carne e os vinhos servidos foram os de gama de entrada, os Serbal. O Serbal Malbec não me entusiasmou não, mas o Serbal Viognier me surpreendeu e uma pena que a World Wine, que importa os produtos da vinícola, não o traga! (fotos dos vinhos não disponíveis, sorry!)

O nosso amigo Paulão, fiscal da natureza e colaborador com algumas das fotos de hoje, se animou e pediu um Espumante Extréme, o top da casa, que estava excelente e complexo sem perder o frescor. Passou 18 meses sob as leveduras e foi elaborado também pelo método champenoise. Essas caves acho que teria sido interessante visitar, fica para uma próxima oportunidade. Mais uma grata surpresa que gostaria de ver num Desafio ás Cegas com alguns de nossos bons espumantes nacionais. O local é simples e despojado, porém a comida é bem saborosa em especial a truta, eis nosso menu nas fotos abaixo.

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Bem, hora de puxar o carro (digo van)  porque ainda falta mais um, o garagista e cult Carmelo Patti, mas isso fica para amanhã com o encerramento de mais um dia de descobertas e novas sensações! Até lá, salute e kanimambo pela visita.

Homenagem ao Vinho do Porto – O Básico que Você Precisa Saber Sobre Este Néctar.

Quem me conhece sabe que tenho uma paixão especial por Vinho do Porto tendo uma coleção em casa e escrevendo diversos posts sobre eles já que ainda há muita desinformação sobre estes vinhos no mercado brasileiro e não só. Hoje, em homenagem ao Dia do Vinho do Porto que se celebrou no último dia 10 de Setembro, vai aqui um resumo para os amigos que tenham interesse nesse que é mais que um vinho; é história, é cultura, é a tradição de um povo!

109090-Porto-Ponte Maria Pia e barco rabelo

Vinho do Porto é fortificado com aguardente vínica após ter sua fermentação interrompida quando atinge o grau de açúcar residual definido por seu enólogo o que gera um vinho com teor alcoólico entre 19 a 22%. Nem todo o Vinho do Porto é igual, então não adianta entrar numa loja e simplesmente pedir um Vinho do Porto, porque você pode levar para casa o que não quer caso o vendedor não lhe atenda da forma adequada. Afinal que Porto você quer? Branco, Tawny ou Ruby? Básico, Colheita, Reserva, Vintage, LBV ou com Indicação de Idade? O que são todas essas classificações?

1 > Branco, mais suave e menos comum por aqui. Este pode ser extra-seco,  seco, doce ou meio-doce (o Lacrima é muiiito doce) normalmente produzido com um corte das castas Malvasia Fina, Rabigato, Viosinho, Gouveio e Códega. È o de menor consumo e em Portugal na versão seco ou extra-seco, se tornou muito comum sendo preparado como um drink na forma de um Portônica. Uma dose de Porto branco seco, casquinha de limão, gelo e tônica a gosto. Super referescante e saboroso, ótimo para ser servido como aperitivo, um belo drink de verão. Existe também alguns raros exemplares de vinhos brancos de idade com safra declarada que são de tomar de joelhos e nos quais a Dalva se destaca assim como a Andressen. O Dalva 63 é a divindade em pessoa, depois de três anos da garrafa vazia, ainda exala aromas ao ser aberto!! Brancos de idade, 10 – 20 – 30 ou 40 anos são outras classificações a serem exploradas e são um espetáculo, provei um 40 anos da Dalva que é de ajoelhar!
2 > Tintos, dos quais existem basicamente dois estilos, o Tawny que é aloirado na cor, e o Ruby, de um vermelho mais intenso, cada um deles com algumas variáveis e características próprias conforme demonstrado abaixo. As uvas usadas na elaboração dos vinhos são a Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz (tempranillo), Tinto Cão, Tinta Amarela e Touriga Franca ou Francesa.

  • Ruby – Os vinhos Ruby, por seu pouco contato com a madeira, são vinhos tradicionalmente mais encorpados, densos, cor vermelho escuro (daí o nome), levemente doces e com aromas de fruta bem presentes e, na minha opinião, vão melhor com sobremesas á base de chocolate e com queijos fortes.  O Vintage (safrado) envelhece, inicialmente, em balseiros de mais de 5000 litros (existem balseiros de 20 até 50.000 litros) por um mínimo de dois anos quando o produtor o engarrafa onde envelhece e evolui por 15 a 50 anos, quando não mais, sendo colocado no mercado de imediato e é considerado como o top da escala de qualidade dos Vinhos do Porto, mas há controvérsias, rs. Quando os vinhos nos balseiros, não atingem qualidade de Vintage, eles podem permanecer por mais uns três a quatro anos no balseiro para serem posteriormente engarrafados, com ou sem filtragem, já vindo para o mercado pronto; são os LBV (Late Bottled Vintage), vintages engarrafados tardiamente. Normalmente são engarrafados entre quatro a seis anos após a colheita, dependendo do produtor e do produto pretendido, e também evoluem na garrafa mesmo que sem a longevidde dos Vintage. O Character, ou Reserva, é uma mescla de vinhos de diversas safras que ficam em balseiros entre 4 a 6 anos quando é engarrafado e colocado no mercado pronto para beber. Finalmente o Ruby básico que é uma mescla de vinhos de diversas safras envelhecido em Balseiros por um período de cerca de 3 anos. Não melhora na garrafa e vem pronto para beber.
  • Tawny – Da mesma forma do Ruby existem diversas categorias de Tawny. Seu processo de envelhecimento é realizado em pipas 550 litros onde permanecem pelo tempo determinado pelo IVP conforme a categoria do produto que se quer elaborar. Apesar da oxidação que se busca neste estilo de vinho se dar de forma mais rápida nas pipas, alguma parte do vinho poderá ser envelhecida em balseiros. Pelo maior contato com a madeira e maior oxidação, o vinho adquire uma cor mais aloirada e com aromas diferenciados dos Ruby. Nos Tawny, se sentem mais aromas tostados, chocolate, café, frutas secas e amêndoas. Servido levemente refrescado, uma ótima companhia para doçes conventuais Portugueses à base de ovos e amêndoas e, agora no final de ano, ótimo com panetone de frutas! Os Colheitas são tawnies de uma única safra envelhecido em pipas por, no mínimo, sete anos apresentando na garrafa a safra da colheita, porém importante ver no verso a informação de quando foi engarrafado, pois podem ficar envelhecendo por décadas. Vinhos de grande complexidade no nariz e na boca. Depois de abertos, poderão se manter relativamente bem por um período de um a quatro meses. Quanto mais idade tenham, mais aguentam, mas se você demorar mais que uma semana ou duas para tomar a garrafa, se tanto, ou existe algo de errado com o vinho ou com você! Os de Indicação de Idade, Tawny 10, 20, 30 ou mais de 40 anos, são uma mescla de vinhos de diversas safras que estagiam em madeira durante períodos de tempo variáveis, nos quais a idade mencionada no rótulo corresponde à média aproximada das idades dos diferentes vinhos participantes do lote, apresentando características inerentes a um vinho dessa idade e aprovados pelo IDVP. Veja o vídeo abaixo, vale a pena! O Tawny Reserva, é uma mescla de vinhos de diversas safras que, obrigatoriamente, passem por um mínimo de 7 anos em pipas. Finalmente, o Tawny básico são elaborados com vinhos de diversas safras e envelhecimento em pipas por um período de dois a três anos, podendo eventualmente também passar um tempo em balseiros. Dependendo da casa produtora, o vinho envelhece por bem mais anos, caso do Quinta de Baldias que envelhece por oito anos antes de ser engarrafado e uma pena que não mais esteja no Brasil.

Amigos, quem nunca tomou um Vintage com Queijo da Serra ou um Colheita Antigo com uma torta de amêndoas ou solito não conhece realmente o prazer em sua real dimensão. Eu fui um privilegiado e tenho uma abundante coleção dessas experiências ( caso queira pesquisar e saber mais detalhes navegue aqui , no site do IDVP com link aqui do lado ou nos vídeos da Hora de Baco e lhe digo, desse ao menos uma chance de ser feliz, pois ao tomar um bom Porto se descobre o verdadeiro significado de poesia engarrafada.

Salute, kanimambo e na próxima volto à viagem da Argentina e meu diário de visitas.  Uma ótima semana para todos, eu já abri meu Niepoort LBV 2004 para brindar e você, vai abrir o quê?

 

2º Dia em Mendoza – Deus Escreve Certo por Linhas Tortas

Pelo menos esse é o dito popular e constatamos isso na pele nesta saborosa viajem! Depois de um primeiro dia maravilhoso em que a sinergia integrou o grupo vindo de Minas, Rio, Bahia, Sampa e Granja Viana fomos informados que por falta de água na Dominio del Plata nossa visita agendada para as 10:30 não poderia ser realizada, e agora José, ou melhor, e agora João!! Foi aí que o anjo que nos acompanhou, (seria a Inês?), e protegeu nessa viagem deu suas caras. Telefone na mão e em 15 minutos estávamos a caminho da Benegas, bodega que não estava no programa inicial e agora não sai mais, onde a Susana em tempo recorde nos preparou uma recepção maravilhosa e “inolvidabile”, ao ponto de alguns dos amigos presentes a terem apontado como a melhor visita, e olha que o roteiro foi muito bom! Eta frase longa!!! rs Bem, falemos da Benegas.

A Benegas-Lynch é um verdadeiro mergulho na história do vinho em Mendoza e em belíssimos rótulos que faz com que essa visita seja um “must” numa passagem por esta linda região produtora. Começa em 1883 com o bisavô de Federico Benegas-Lych (atual proprietário), o Don Tiburcio Benegas que há época fundou a Trapiche que em 1970 foi vendida. Em 1998 Federico compra um vinhedo plantado por seu bisavô (Finca Libertad) e compra uma antiga bodega em Lujan de Cuyo que reforma inteira mantendo as características da mesma datada do século XIX, porém incorporando a mais moderna tecnologia na produção de vinho no sentido de produzir vinhos de excelência . Em 2000, lança seu primeiro vinho.

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O prédio de entrada é lindíssimo e as caves subterrâneas (8 metros de profundidade) onde descansam cerca de 400 barricas de carvalho francês são de tirar o fôlego, tendo sido lá embaixo, numa antiga “pileta” de concreto para fermentação dos vinhos (hoje desativadas), que a Susana nos recebeu para uma deliciosa e inês-quecível degustação de alguns de seus rótulos, entre eles seu top de gama Meritage! Em outras “piletas” (tanques) desativadas repousam cerca de 120.000 garrafas a temperaturas que variam ente 13 e 17ºC mantendo uma humidade entre 60 a 70% e uma penumbra que são fatores de grande valia para que possamos, na hora certa, provar os bons vinhos que aqui amadurecem aguardando seu momento de nos fazerem felizes. Lugar sedutor!!

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Numa seleção feita a quatro mãos, a Susana nos trouxe á taça quatro vinhos um branco de gama de entrada e três tintos cativantes entre eles seu vinho ícone, com produção limitada a apenas 3.000 garrafas das quais já tive o prazer de provar duas vezes, o Meritage! Como sempre falo demais, então chega de lero e vamos aos vinhos degustados:

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Clara Benegas Chardonnay com Sauvignon Blanc 2012 – um dos mais surpreendentes rótulos provados nesta viagem, até porque ninguém esperava muito dos vinhos brancos e este surpreendeu a grande maioria dos presentes. Sem madeira, o Sauvignon Blanc aporta um frescor gostoso ao já bom chardonnay compondo um conjunto de grande balanço e harmonia que agrada sobremaneira. Em tono dos R$55 por terras paulistas, é uma pedida para esta primavera / verão que se aproxima.
Benegas Estate Sangiovese 2008 – para quem queria exatamente trabalhar a diversidade nesta viagem, este vinho foi um prato, digo, taça cheia! Leve floral, folha de tabaco, na boca mostrou-se todo muito elegante com taninos sedosos e muito marcante pedindo um belo risoto para acompanhar. Acidez marcante típica da cepa. Por ser algo estranho ao ninho e de baixa produção, o preço é algo mais elevado o que não o faz tão comercial, mas é uma experiência no mínimo interessante e gostei bastante do vinho. Por aqui anda na casa dos R$135,00.

Benegas Estate Finca Libertad 2009 – um belo e fino assemblage sem Malbec na terra do malbecs! Partes iguais de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot formam um conjunto de fina estirpe em perfeita harmonia. Cada varietal passa por separadamente por barrica francesa por cerca de 8 a 10 meses quando se faz o blend final que passa mais 6 a 8 meses em barricas de primeiro uso. Um vinho sedoso que no nariz traz uma certa complexidade e notas herbáceas que me fizeram lembrar tapenade de azeitona, viajei?! Bom volume de boca, taninos bem integrados, algo especiado e notas terrosas de final de boca com boa persistência. O estilo de vinho de que gosto. Preço em São Paulo na casa dos R$135,00.
Benegas-Lynch Meritage 2007 – esta linha abrange também um Cabernet Franc de vinhedos com cerca de 120 anos (uma garrafa na adega para abrir nos meus 60º aniversário no ano que vem!), Um Malbec e este divino assemblage com somente 3.000 garrafas produzidas. O Meritage é fruto de um blend majoritariamente composto de Cabernet Franc de vinhedos de 120 anos, com Cabernet Sauvignon, Merlot e um toque de Petit Verdot para arredondar. Como no Finca libertad, os varietais são elaborados em separado e amadurecem em barrica francesa de 1º uso por cerca de 12 meses quando é feito o blend voltando para a barrica por mais 6 meses. O afinamento do vinho após engarrafamento se faz por 5 anos nas caves subterrâneas ou seja, este exemplar acabou de sair para o mercado e tem pelo menos mais dez belos anos de evolução pela frente. Estamos diante de um exemplar de fina estirpe para ser aberto em datas especiais até porque com um preço, justo em função do todo, em torno de R$270 a 300,00 não é para qualquer momento. Voltei a degustá-lo recentemente na degustação de Blends Argentinos (veja lá meus comentários sobre o vinho) que trouxe de viagem e quem esteve presente confirmou como este vinho é marcante, vinhaço!

Caímos na Benegas por mero acaso, mas não poderíamos ter melhor inicio do dia que esse. Uma visita marcante que encantou a todos e, se há bens que vêm por mal, esta visita foi uma benção só que tínhamos que seguir em frente! Já estávamos atrasados, como de praxe, para nossa próxima visita com almoço na Lagarde, outra bodega que aguardávamos, pelo menos eu, ansiosamente já que seus vinhos são excelentes e seu restaurante também bastante premiado servindo uma comida típica da região com elaboração sob brasas num fogo de chão. Curioso estava, também, para provar seus azeites outra de minhas paixões. Só que o dia foi cheio e este post, que já está longo, ficaria enorme então deixo a Lagarde para Quarta-feira e fico por aqui. Uma ótima semana para todos, salute e kanimambo. Para a Susana um “muchas gracias muy especial”!

Assemblages Argentinos – Sedução na Taça

Ontem conversando com a esposa de um amigo que também milita no setor, veio o comentário de que o vinho argentino está mudando e para melhor, algo em que acredito piamente. Perdendo um pouco dos excessos, seja de álcool ou extração, com fruta excessivamente madura, acidez pouco presente e taninos doces, por vezes enjoativos após umas duas ou três taças. Ish, já falei, mas que isso era a realidade lá isso era independentemente de ter um monte de gente que gosta do estilo, afinal o vinho é democrático! É o mundo produtor de Mendoza abrindo o olho para o mercado já que a malbec não ficará em alta ad eternum e a sobrevivência do setor certamente passará pela exploração de todo o potencial do terroir mendoncino através de outras castas e bons blends que produzem, tradicionalmente, vinhos mais complexos e mais equilibrados.

Nesta recente viagem creio que vimos um pouco dessa mudança inclusive uma maior diversidade e a prática de blends mais presentes mesmo que somente com duas uvas o que os Hermanos gostam de chamar de bivarietais. Esse conceito amplamente usado pelos produtores europeus, visa mesclar uvas de forma a extrair o que cada uma tem de melhor mostrando um resultado superior à mera soma aritmética dos fatores. A enologia argentina chega assim em sua maturidade produzindo alguns belos vinhos aos quais tiro o chapéu. Seja no blends da mesma uva de diversos vinhedos em variadas altitudes com cada uma aportando algo diferente, seja na mescla de diversas cepas onde a Cabernet Franc e a Petit Verdot invariavelmente se mostram presente tanto juntas como em separado, conforme pode ser conferido nos rótulos e contra rótulos abaixo. (clique na imagem para ampliar) Os porcentuais, esses variam ano a ano em função de como cada casta se comportou na safra e, consequentemente, são de pouca importância para nós consumidores sendo mero modismo.

Blends argentinos 001
Na última semana reunimos alguns privilegiados, na minha opinião porque o painel estava excelente, para provar seis vinhos (foto acima) que trouxe da viagem para compartilhar essa experiência que vivi e que me seduziu, a Degustação da Mala! Quem perdeu, realmente dançou e não sabe o que perdeu! O único senão, a meu ver, são os preços praticados pois me parecem altos demais e poderiam se estabilizar em cerca de 20% abaixo dos patamares hoje praticados. Por outro lado, do preço de prateleira os impostos são responsáveis por cerca de 58% do valor então já sabemos para onde apontar o dedo né?! Bem, muita “charla” e pouco vinho, já sei, então vamos falar dessas belezuras!
Desta feita não fiz desafio entre eles nem os servi ás cegas. Provamos os vinhos sabendo o que eles eram e os apreciando com a devida vênia! Fazia menos de uma semana que os tinha provado em Mendoza, porém vê-los e provando-os lado a lado prestando a devida atenção foi mais exultante ainda. Grande fase a dos Hermanos!

Melipal Front & BackMelipal Blend 2010 – Corte de Malbec com Cabernet Franc e Petit Verdot em plena harmonia, macio, redondo e já pronto a beber cumprindo o papel que o trouxe ao mundo, nos dar prazer e o fez muito bem! Belo vinho que agrada fácil, taninos macios já integrados,  notas de baunilha e alguma especiaria. As cepas são envelhecidas separadamente em barricas francesas por 12 meses e ao final é feita uma seleção das melhores barricas para se efetuar o assemblage. ) mais barato do plantel, lá em torno de 160 pesos e por aqui acho que vi em sites do sul em torno das 100 pratas.

Atamisque atamisque front & BackAssemblage 2009 – Estilo algo diferente e bem mais jovem na taça mesmo que na mesma faixa da maioria dos outros rótulos abertos. A região (Tupungato), a altitude (1200mtrs) e uma filosofia diferente nos apresentam um vinho com muita personalidade e muito gastronômico sendo prejudicado num comparativo em que comida não esteja presente. Grande estrutura de meio de boca, notas tostadas, uma vida inteira pela frente e certamente crescerá com um bom pedaço de ojo de bife. O único assemblage sem Cabernet Franc e/ou Petit Verdot no corte. Preço na casa dos R$160,00 por aqui

 

Brioso side by sideSusana Balbo Brioso 2010 – já o tinha comentado aqui. Provei-o novamente lá no almoço e agora por mais uma vez, não tendo muito mais a agregar de comentários a não ser que é um vinho que vale muito o preço que por aqui anda na casa dos R$160 a 170,00. Harmonioso, complexo, possui um frescor de final de boca que cativa e pede bis. Me gusta! Aliás, o que deste painel não me gustó?!

 

Achaval-Ferrer Quimera 2011 – Sou supeito para falar do Quimera aqui porque é chover no Quimera side by sidemolhado, basta digitar o nome do vinho em pesquisa e ver minha paixão pelo vinho. Recentemente tomei o último 2007 de minha adega e estava divino com seus sete anos de vida, então este 2011, que está divino com apenas quatro, promete ainda bem mais nos próximos dois a três anos. Um vinho sedutor que é um deleite para os sentidos e mostra que os bons vinhos argentinos não necessitam ser só força e potência, a elegância tem lugar nas mãos de quem sabe. Gosto de o manter em minha adega e custa em torno dos R$200.

 

Benegas Meritage side by sideBenegas Lynch Meritage 2007 – Adorei lá e confirmou aqui, estamos diante de um vinho de produção limitada a apenas 3.000 garrafas ano e produzido com esmero, um vinho que mexe com nossas emoções e nos faz lembrar os bons vinhos de Bordeaux. Café, notas terrosas, taninos integrados e aveludados, toque mineral no final de boca bem longo e prazeroso. Grande estrutura, um vinho com sete anos nas costas que dá prazer de tomar agora mas que seguirá evoluindo muito positivamente pelos próximos seis a sete anos. Vinhaço que aqui anda na casa do R$250,00.

Lagarde Henry Gran Guarda 1 2009 – mais um vinhaço na taça e também de produção limitada. Este não Henry side by sidemenciona as castas no rótulo ou contra rótulo, porém é um blend de Malbec (35%) e Cabernet Sauvignon (39%) e partes iguais de Cabernet Franc e Petit Verdot, para variar! Outro baby na taça e outra grande alegria de o poder desfrutar novamente. Ótimo volume de boca mas sem ser pesado, encorpado, complexo, grande equilíbrio, frutos negros, taninos finos e notas de especiarias num final interminável onde aparece algo de tostado e mocha. Mais um vinhaço que vem mostrar porquê é ícone da casa e que ficará ainda melhor dentro de alguns anos. Preço por aqui na casa dos R$270,00.

 

Terminou e fiquei triste, pois vai demorar um pouco para voltar a montar uma dessas. Por outro lado, vamos abrir o olho porque os vinhos argentinos vão muito além dos Malbecs e me surpreendem muito positivamente então minha dica para você é, baixe a guarda e deixe se levar por essa onda! Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. Ao longo desta e da próxima, minhas impressões da viagem a Mendoza, um lugar que cada vez mais me seduz!

Mendoza Um Oasis com Mais de 930 Vinícolas

Mendoza logo
Um deserto é uma zona geográfica com menos de 400ml de chuva ano e grande amplitude térmica entre dia e noite podendo ser áridos (até 250ml), semi-áridos (250 a 500ml) e gelados (desertos polares com menos de 5ml. O Sahara recebe algo como 250ml anuais / Atacama, o mais seco, algo ao redor de 1ml a cada 5 ou dez anos / Gobi recebe aproximadamente 180ml ano e Mendoza entre 200 a 250ml! A proximidade dos Andes e sua águas de degelo junto com as famosas acéquias (canais) inicialmente construídos pelos índios Huarpes, posteriormente desenvolvidos pelos espanhóis que por lá aportaram, complementam as necessidades hídricas e faz com que a água, mais do que a terra, seja o mais valioso bem da região.

Acéquias Clipboard
A partir de 1890, começa um trabalho de construção de diques que represam as águas de degelo possibilitando um maior crescimento e desenvolvimento de toda a região e da indústria do vinho. O Departamento de Irrigação é que controla a abertura das comportas que libera a água para as diversas vinícolas espalhadas pela região. Algumas terras também possuem poços o que faz com que sejam incrivelmente valorizadas, já que terra barata por estas bandas, quer dizer terra seca!

Clipboard Diques
Atrás deste terroir que produz aproximadamente 70% do vinho argentino, veio gente de todos os cantos do mundo; franceses, italianos, portugueses, americanos, espanhol e com eles uma rica gastronomia num complexo e diverso caleidoscópio de sabores e aromas que vale muito a pena ser conhecido, até porque toda essa riqueza está bem próxima da gente e possui preços bem acessíveis. Difícil é escolher entre essa imensidão de vinícolas e grandes vinhos, as que visitar em tão curto espaço de tempo. Fazer três ou quatro viagens destas com 6 a 9 vinicolas sem repetir nenhuma é algo não só viável como desejável! Ficaram de fora um monte de lugares a visitar e certamente outras viagens serão necessárias, até porque devemos ter provado uns 56 a 60 rótulos porém meu chute é que hajam disponíveis em Mendoza mais de 13.000 ou seja, mal raspamos a superfície desse mar de vinho abençoado por Baco.

Clipboard visits

Eu estive por lá mais uma vez, desta feita com a WFTE (Wine  Food Travel Experience) um projeto que retomei depois de um longo hiato, levando um grupo de 13 amigos e leitores numa viajem de descobrimentos que durou quatro saborosos e intensos dias que já deixam saudades do lugar, dos vinhos, dos pratos e especialmente dos agradáveis momentos passados com um grupo de pessoas especiais. Aqui no blog vou relatar e compartilhar com os amigos que não puderam nos acompanhar e ficaram curiosos, nossas visitas e jantares o que não deixa, também, de ser uma forma de reviver esses  momentos e matar saudades. Acompanhe nossas atividades e meus comentários sobre os locais, vinhos e comida nos próximos dias. Salute e kanimambo

Blends Argentinos – A Nova Onda

A onda dos Malbecs está mais do que concretizada não só na Argentina como no mundo. Os Cabernets e Bonardas trabalham para se mostrar ao mundo e mostrar que a Argentina tem muito mais a oferecer do que só Malbecs. A onda do momento, no entanto, é de blends ou pelo menos é esse o meu feeling então decidi montar uma degustação, mais uma eu sei, mas é provando que realmente conhecemos vinho então não vou esmorecer e no próximo dia 28 de Agosto vou montar um encontro que terá como tema; “ Blends Argentinos”.

Day 1 - amanhecendo em MendozaJá estou em Mendoza, amanhece nesta linda cidade e meu garimpo começa daqui a pouco pois os vinhos da degustação eu vou levar daqui. Escolherei seis vinhos e uma surpresa ao final que pode ou não ser um blend! Entre na onda, somente 12 vagas então não deixe para amanhã porque as vagas se esgotam bem rápido. Na Vino & Sapore a partir das 20 horas e o valor, a ser pago no ato da reserva, será de R$100 por pessoa. Salute e amanhã tem noticias aqui de Mendoza, eta cidadezinha bonita sô!

Reservas através do mail: comercial@vinoesapore.com.br

 

 

Mendoza logo

Você Sabe o Que Está Bebendo?

Um varietal pode estampar o nome da uva em seu rótulo quando esta possua predominância de no mínimo 85% na sua elaboração, porém algumas regiões isso pode chegar a 70% como em Cahors na França onde a Malbec comumente é cortada com Tannat e Merlot. No Brasil, esse porcentual é de 75% e a especificação das outras cepas que compõem o restante do vinho não é obrigatória vindo daí a pergunta, você sabe mesmo o que está bebendo?
Pessoalmente me preocupo com o todo, com a origem, com o produtor mais do que com a composição do vinho, porém há quem seja fissurado por saber das uvas que está tomando. Tem gente que só toma Cabernet Sauvignon e não toma blends porque acha que a “mistura” não faz bem ao vinho ou não gosta de Merlot, Malbec ou Carmenére. Será?!! Pode muito bem ser que esse tomador de vinho esteja tomando um “varietal” de Cabernet com uma boa dose de Merlot, Malbec, Petit Verdot ou até uma somatória delas sem saber!

Afinal, qual a diferença entre vinhos varietais ou vinhos de corte? Vinhos varietais são vinhos, a principio, feitos com um único tipo de uva, ou com predominância de um tipo de uva de acordo com a legislação da região produtora. Já os blends (de corte, assemblages, coupage, de lote ) são vinhos de misturas de diversas cepas o que requer grande experiência e sensibilidade do enólogo que vira um verdadeiro alquimista. Os vinhos de corte brancos, tintos ou rosés, misturam diferentes tipos de uvas para tirar o melhor de cada uva, buscando assim um vinho, mais equilibrado, mais complexo e mais completo. Eu adoro blends e um bom exemplo deles são os vinhos tintos de Bordeaux na França, que normalmente são uma mistura três uvas, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (há ainda outras possíveis, como Petit Verdot, Malbec e Carménère).

Qual o melhor, varietal ou blend? Este não é um fator de qualidade em um vinho e é certamente tema para muita discussão, porém numa lista dos maiores vinhos do mundo a maioria será, com grande probabilidade, composta em sua maioria por vinhos de corte pois o resultado dessa somatória vai muito além do mero resultado matemático e por isso insisto em dizer que nossa vinosfera não é binária! Pessoalmente tenho uma queda por blends como os portugueses do Dão e do Douro com suas castas autóctones em perfeita harmonia e os Chateaneuf-du-Pape, com até 13 uvas, que a meu ver crescem em complexidade e são meus preferidos, porém em primeiro plano o vinho tem que ser bom, isso sim é essencial!

Já que embarco para Mendoza nos próximos dias com um grupo de amigos e leitores, me veio á mente que esta região tem fama por seus varietais, porém há inúmeros exemplos de bons blends vindos tanto de lá quanto do Chile que poucos conhecem. Esse Susana-Balbo-Briosoaumento de produção de bons blends mostra que esses mercados produtores começam a atingir sua maturidade inclusive misturando a mesma cepa porém de vários vinhedos e sub-regiões ou altitudes (a Catena faz isso muito bem com a Malbec e a Las Moras com a Syrah), na busca da utópica perfeição. Um bom exemplo disso é o Suzana Balbo Brioso da Bodega Domínio del Plata de Mendoza, fruto de um blend de Cabernet Sauvignon / Malbec / Merlot / Cabernet Franc e Petit Verdot (corte bordalês completo) que mostra extrema complexidade aromática e explode na boca com muita harmonia e equilíbrio deixando um rastro de muito prazer, sem perder sua personalidade mendocina mostrando grande estrutura e se mostrando um vinho de guarda para tomar, preferencialmente, com mais de quatro anos de vida mas que dura dez tranquilamente!

Aproveitando essa dica, decidi que trarei dessa viagem alguns blends diferenciados e, como fiz da última vez que por lá estive, vou montar uma degustação só com eles! Essa degustação que fiz foi o maior sucesso e o pessoal até hoje fala disso, então reservem o dia 28/08  “Blends da Argentina” na Vino & Sapore a partir das 20 horas! Peça já a sua reserva através do mail comercial@vinoesapore.com.br, os rótulos só vou saber depois da viagem, porém o preço já está definido, R$100 por pessoa.

Uma uva ou diversas uvas, seu prazer é o limite, mas cuidado porque você pode estar tomando uma coisa achando que é outra então melhor rever seus conceitos ou comece a exigir aqueles rótulos em que o contra rótulo claramente especifique 100% do uso da cepa mencionada. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.