De Volta à Argentina – os Vinhos de Cafayate

      Em função do “paro” em Buenos Aires nosso voo para Mendoza rodou então ficamos uma dia a mais no pedaço, mas aproveitamos bem. Algumas surpresas, uma revisão de avaliação, quebra de preconceitos e vinhos de qualidade (mais de 65)  na taça, boas experiências vividas nestes últimos momentos de presença na região de Salta.

El Porvenir  – Enquanto estávamos na Felix Lavaque, tivemos a felicidade de receber a visita do Mariano Quiroga Adamo, jovem e talentoso enólogo da El Porvenir (recente nesta casa) um produtor de médio porte elaborando cerca de 400 mil litros anuais dos quais 85% se exportam. Provamos três de seus vinhos, e muitos mais nos dias seguintes, porém vou deixar aqui minhas impressões sobre os que mais me chamaram a atenção entre os diversos bons caldos que habitaram minha taça nestes últimos dias na região de Salta.

Laborum Torrontés 2012 – já mencionei antes de que me surpreendi com a enorme evolução qualitativa dos Torrontés e este vinho só veio confirmar a regra. Uvas colhidas em três fases diferente de maturação resultam num vinho fino e elegante, fresco, frutado com toques cítricos e muito, mas muito saboroso.

Laborum Malbec 2011 – Nariz bem intenso e linda cor purpura, nos convidam a levar a taça á boca onde mostra um meio de boca muito bom e frutado, boa acidez e final bem longo e muito apetitoso! Vinho para curtir nas calmas, sem pressa para dar-lhe tempo de se expressar na sua plenitude. Um belo vinho.

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San Pedro de Yacochuya – Confesso que fui com um pé atrás. Sei que é um marco da região, mas essa potência toda e super extração “Rollandistica “ não faz minha cabeça e numa degustação de há tempos já tinha me decepcionado com ele. Confesso que revi posição, mesmo não sendo meu estilo de vinho. Apenas 21 hectares aqui (+ seis em Tolombon  ), dos quais 8 hectares com mais de 100 anos. Michel Rolland é sócio comercial sendo responsável pela elaboração dos vinhos, porém não pelo estilo já que isso é uma filosofia dos irmãos  Marcos e Arnaldo Etchart. Maceração longa de 30/40 dias, uvas supermaduras, tudo busca o perfil superlativo que fez a marca deste produtor e projetou a região de Cafayate internacionalmente.

Coquena Tannat – provamos amostra de tanque deste vinho que vem do vinhedo de Tolombon e que deve estar por ser engarrafado. Mesmo não pronto, já mostrou qualidade e creio que deveremos estar diante de mais um bom tannat desta região e espero que chegue logo ao Brasil.

Coquena Malbec 2011 – na hora não me encantou, porém recentemente tomei uma garrafa que trouxe e me surpreendeu. Dependendo do preço a que chegar ao Brasil, pretende ser uma alternativa low budget da marca, vale a pena pois está muito equilibrado e as notas vegetais mais agressivas que senti na prova na bodega, deram espaço para notas mais frutadas bem saboroso e de bom volume de boca que é a assinatura da casa.

Yacochuya 2009 – 24 meses de barrica, especiarias bem presentes. Potente em boca, taninos ainda algo “amarrantes” na boca (muito jovem), untuoso, carnudo, para tomar de garfo e faca! Tenho, todavia, que rever minha posição sobre este vinho que me confirmou que tudo na vida merece uma segunda chance. Vinho potente sim, porém muito rico também e demonstra uma complexidade que não tinha conhecido na minha prova anterior. Para os amantes deste estilo de vinho, certamente um grande vinho com enorme capacidade de guarda.

El Transito – com uma capacidade de produção de cerca de 150 mil garrafas  produz uma linha algo mais comercial e um pouco rustica no estilo. Sua linha básica é bastante interessante, me atraiu mais, e fácil de gostar com especial destaque para o Cabernet Sauvignon 2009 com bom volume de boca, especiarias, frutas negras no nariz, taninos finos sem passagem por madeira.

Etchart – um gigante e um dos primeiros a estar presente por aqui. Comprado em 96 pelo grupo Pinot Ricard, esperava uma visita sem grandes surpresas, de vinhos fáceis sem grandes emoções e………me enganei redondamente. Vivendo e aprendendo que preconceito é uma …..! Enfim, são 450 hectares de vinhas e mais de 9 milhões de garrafas ano porém do que provei, muitas e boas surpresas, sem contar a hospitalidade e simpatia numa prova em baixo das árvores do lado da casa de hóspedes. Lugar lindo.

Torrontés, provamos três. O Privado é simples e fácil, o Reserva já mostra ao que vem, mas é o Etchart Gran Reserva Tinaje 2012 que mexe com a gente ou, pelo menos, comigo. Um dos melhores provados nesta viagem. Todo ele muito sutil e fino, leve floral com notas de pêssego no nariz. Na boca é delicioso e sedutor com notas de grama molhada recém cortada, alguma lima mostrando um frescor muito gostoso e de final longo.

Arnaldo B, um dos melhores custo x beneficio dos vinhos provados em todos os sete dias de viagem á Argentina. Caiu nosso queixo quando nos disseram que este vinho custa algo ao redor de R$50 a 60 no mercado brasileiro já que nossa percepção de valor foi bem superior a isso! É o vinho principal deles e provamos o 2008 que é um blend essencialmente de Malbec/Cabernet Sauvignon e Tannat, mas que no futuro próximo pode vir a receber o aporte de outras cepas. Elegante, fino, de bom corpo e ótima textura, untuoso e rico, daqueles vinhos que acaba muito rapidamente e uma garrafa sobre a mesa será certamente pouco, ainda mais a esse preço!

Amostras de barrica. O anfitrião e enólogo da casa, Ignacio Lopez, se entusiasmou e quis nos mostrar algumas de suas criações em processo de desenvolvimento. Eles estão experimentando coisas novas e nos deram o privilégio de provar algumas amostras. Das quatro variedades provadas (CS, Tannat, Bonarda e Ancelotta) curti muito o Tannat que apresentou um frescor e fruta muito interessante prometendo um futuro bem interessante tanto em blends como solo. Gamei no Ancelotta!! Fino, denso, notas achocolatadas, uma aposta do enólogo em algo novo na região (sugeri que ele visitasse alguns de nossos produtores no Sul) que vai dar o que falar, aguardemos. Em principio estes caldos devem vir para enriquecer ainda mais o Arnaldo B, porém não me surpreenderia se viesse também uma linha de varietais de alta gama.

      Por hoje é só, mas ainda tem a Vertical de Mas la Plana, mais posts sobre a viagem á Argentina que fiz a convite da Wines of Argentina, otras cositas más! Devagarinho retomo o ritmo do blog então kanimambo pela paciência e não se esqueçam, dia 17/04 é o Dia Mundial do Malbec, aguardem surpresas! Salute.

Argentina – Chegamos em Cafayate (parte I)

           Foram cerca de duas horas e meia de uma estrada estreita e sinuosa, de areia, entre esculturas rochosas esculpidas pela natureza ao longo de séculos. Mais um trecho inesquecível de nossa viagem pelo norte vinícola da Argentina. Colomé ficou para trás mas, como os bons vinhos, persiste na memória até hoje. Agora, no entanto, é hora de visitar e provar vinhos das mais diversas vinícolas de Cafayate, o epicentro da produção vinícola da região e mais uma vez me surpreendi. Terra do Torrontés, mas também da Tannat, bons blends e da sempre presente Malbec. Visitamos El Esteco (mais conhecida aqui como Michel Torino), Felix Lavaque (Quará), Etchart, Yacochuya,  Bodega El Transito e ainda provamos Quebrada de las Flechas e José Luis Mounier num total de cerca de 56 rótulos, bela e enriquecedora experiência. Não vou aqui vos cansar com um resumo de todos estes vinhos, porém há destaques que certamente os amigos deverão apreciar tanto quanto eu.

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El Esteco (Michel Torino) pertence ao grupo Penaflor e existe desde 1892. Deles provamos dez vinhos logo às 09:30 de la matina (!)

Toda a linha Collecíon se mostrou muito bem, Torrontés, Malbec, Tannat e cabernet Sauvignon, mas destaque deve ser dado tanto para o Tannat como para o Cabernet que entregam bem mais do que esperado mostrando um equilíbrio muito bom.

A linha Don David é um degrau acima e aqui o que mais me chamou a atenção foi o Torrontés que é parcialmente fermentado em barrica com malolática mostrando uma característica diferente dos outros vinhos desta cepa provados, já que possui mais estrutura e maior volume de boca.

Altimus – o top de linha, um blend que desde muito faz minha cabeça. Fermentado em cubas, passa por um período de 15 a 18 meses de barrica nova. As uvas que compõem o corte variam safra a safra dependendo do que de melhor os vinhedos deram. Normalmente leva Malbec, Cabernet Sauvignon aos quais se agregam Tannat, Syrah e Bonarda o que torna cada safra deste vinho uma surpresa de sabores e aromas diferentes. Vinho de Guarda, para tomar com seis, sete ou mais anos de vida.

Felix Lavaque – aqui recebemos uma aula no vinhedo afora a prova de seus bons vinhos. Uma das coisas que me estavam encucando nesta viagem é que via muito vinhedo plantado em Parral (algo ultrapassado pelo que conhecia) em vez de Espaldera. Aqui no entanto, devido ás condições climáticas, o sistema de parral gera as melhores uvas e, consequentemente, os melhores vinhos ao inverso de Mendoza.  Dos sete vinhos aqui provados, três se destacaram e fizeram a minha cabeça, e uma menção honrosa para o Felix Torrontés de vinhedos com mais de 100 anos de idade. Vinhos para comprar de olhos fechados e curtir.

Quará Reserva Cabernet Sauvignon 2011 – bem frutado, álcool bem integrado, boa textura, rico com final de boca muito saboroso.

Single Vineyard Vina El Recreo Tannat 2010 – ótima presença de boca, marcante, vino de boa tipicidade da casta que não faria feio numa degustação às cegas contra os bons tannats uruguaios. Mais uma prova de que esta cepa ainda vai dar muito o que falar nesta região!

Felix Blend 2007 – um belo vinho que combina cerca de 75% de Malbec com a gostosa Tannat. Resultado, um vinho complexo de ótima estrutura tânica , taninos finos e aveludados para beber e se deliciar agora ou durante os próximos dois anos.

Quebrada de Flechas – um projeto novo da família Lavaque num lugar em que poucos ousariam plantar algo, muito menos produzir vinho! Uma linha de bons vinhos básicos em que o reserva Torrontés se apresentou bastante interessante e já que passa parcialmente uns três meses por madeira e Inox porém o álcool pesa um pouco ao final.  Já Malbec reserva 2010 é o grande vinho deles com 8 meses de barrica, muita fruta, bons taninos, boca firme mas de qualidade e dizem que tem alguém, não consegui saber quem, que vende este vinho em Minas por meros R$30 ou algo parecido! Ótima opção de rótulo para ter em casa sempre.

       Bem, tem mais, porém este já estando ficando longo demais, então volto com os outros destaques dentro de alguns dias. Por agora, salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Finalmente – Os Vinhos de Colomé!

 JFC em Colomé    Demorou mas cheguei à segunda parte dessa epopeia que foi a visita a este lugar mágico. Já falei um pouco da vinícola, do local e dos vinhos Amalaya, porém hoje quero falar sobre os vinhos Colomé . As uvas vêm de vinhedos de três diferentes altitudes; 2300 (Calchaqui), 2700 (El Arenal) e 3100  (Payogasta – os vinhedos mais altos do mundo) e geram vinhos realmente surpreendentes, porém há também algo do vinhedo San Isidro situado a 1700 metros de altitude em Cafayate.

       Após visita ás instalações e ao incrível museu, fomos brindados por uma degustação muito especial em que quase todos seus vinhos passaram por nossas taças. Tecerei alguns breves comentários sobre estes vinhos, porém alguns deles me marcaram muito positivamente e esmo recomendando a todos, estes, a meu ver, são imperdíveis havendo a oportunidade!

Colomé Torrontés 2012 – divino exemplar de Torrontés, nariz sedutor e enorme equilíbrio de boca, fresco e amplo. As uvas são colhidas em duas etapas, uma mais cedo para garantir uma maior acidez e a segunda para uma maior complexidade de aromas e peso em boca. Um belo parceiro para as famosas empanadas salteñas e cozinhas especiadas como a Tailandesa e Mexicana. No Brasil por cerca de R$52,00 é uma bela pedida!

Malbec Lote Especial 2010 – Na verdade são três, um de cada vinhedo; Cafayate – Calchaqui e El Arenal, todos com 10 meses de barrica ½ a ½ francesas e americanas.  Foi da opinião de todos presentes que o de San Isidro é mais sedutor em tudo, tanto no olfato como no palato. Todos muito bons, porém o equilíbrio encontrado no San Isidro faz toda a diferença, um vinho delicioso que terei que encomendar já que por aqui não tem e eu esqueci, vejam só, de trazer umas duas ou três garrafas!.

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Colomé Estate Malbec 2010 – leva 85% de Malbec de El Arenal, porém os restantes 15% tem um pouco de tannat, Syrah e Petit Verdot c 20% do vinho passando por barricas francesas de 1º uso e o restante de segundo uso. Um belo vinho, muito marcante com personalidade própria, ótima textura, bom corpo mas repleto de finesse. Na linha de seus vinhos considerados top, me pareceu o de melhor relação qualidade x preço x prazer. Custa por aqui em terras brasilis, algo ao redor de R$98,00 e vale!

Autentico Malbec 2011 – Sem passagem por madeira, advindo de cepas oriundas dos vinhedos mais antigos (1854) e clones destes, consequentemente, caro e de baixa produção! Vinho para guarda devendo estar pronto daqui a três ou quatro anos, bebê-lo agora é puro infanticídio.

Colomé Reserva Malbec 2009 – Só 7000 garrafas produzidas, 90% malbec e o restante um tempero de Syrah e Petit Verdot. Potente, denso, untuoso, 24 meses de barricas novas francesas, boca quente com toques mentolados. Vinho para guardar e beber com calma, está muito novo ainda, porém demonstra muita complexidade e  capacidade de evolução. R$ 270 por aqui.

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Lote Especial Sauvignon Blanc – ao estilo neo zelandês , nariz de muito boa intensidade, fresco e equilibrado. Me surpreendeu!

Lote Especial Tannat 2010 – apenas 1430 garrafas produzidas, 14 meses de barrica e 14.9% de teor alcoólico. O DSC03397Vinho! Trouxe uma garrafa para cá (aqui no Brasil não há) e todos adoraram. Álcool perfeitamente enquadrado e imperceptível, macio, frutos negros, algum tabaco, extremamente rico e absolutamente sedutor. Meu primeiro contato com os tannats de Salta que posteriormente tiveram sua qualidade confirmada por rótulos provados de outros produtores. OJO na Tannat de Salta!

Syrah Lote Especial – não tem a mesma pegada do tannat, álcool mais aparente e algo disperso. Correto, mas não deixa marcas!

DSC03390Colomé Lote Especial Misterioso branco – um field blend em que até agora foram identificadas cinco cepas; chardonnay/semillon/sauvignon blanc/riesling e torrontés porém há mais! Complexo, muito aromático e vibrante na boca, delicioso, uma pena que só tem por lá. Produção de somente 1600 garrafas e as duas que trouxe já foram! Sniff….

       Uma das coisas que mais me surpreenderam nos vinhos foi o álcool bem integrado e moderado mostrando enorme elegância. Essa coisa de vinhos muito potentes, álcool desacerbado e de grande extração mostra ser muito mais a marca de um produtor da região, do que uma marca de Salta como somos erroneamente levados a crer, conforme pude sentir e comprovar nas visitas subsequentes realizadas. Enfim, hora de partir e a certeza de que este lugar vai deixar saudades. Alguns de seus vinhos estão no Brasil, ótimo, mas voltar aqui vai ser um projeto de médio prazo e, quem sabe, porquê não com um pequeno grupo?

Nem só de Vinho Vive o Homem!

ou mulher, tanto faz. Para quem for a Cafayate/Salta, por um momento apenas perca-se em outros atos de prazer que não o vinho porque tem uma loira por lá que vale a pena! Calma gente, a sugestão é bem mais inocente do que estão Me Echó La Burrapensando, a loira é gelada e muito gostosa, uma experiência diferente.  La Rubia, “Me Echó la Burra” é uma cerveja artesanal muito saborosa produzida em San Carlos, na Estancia Hotel “ La Vaca Tranquila”, a poucos quilômetros de Cafayate. O site deles vale bem a visita pois possui um acervo de fotos dos Vale de Calchaquíes que mostra bem a beleza da região que tanto me encantou.

          Não sou cervejeiro, mas curto uma boa cerva de vez em quando e esta eu recomendo. A  cor da rubia parece no copo uma Weissbier (cerveja alemã de trigo sem filtragem), mas longe disso já que é bem menos densa e o processo de elaboração é diferente. Aliás, como me ensinou meu amigo José Eduardo, uma cerva das boas bem geladinha limpa a “serpentina” antes de nos entregarmos aos prazeres de baco! Trouxe uma Rubia e a dividi com meu filho o que a fez ainda mais saborosa, pois a boa companhia, em qualquer situação, é sempre essencial.

Salute, hoje com a Rubia, e kanimambo.

Ps. A Vino & Sapore está de mudança no Carnaval então tá dificil dar a atenção devida ao blog, sorry. Ainda esta semana, no entanto, falo dos vinhos de Colomè e minha visita a esta região

Colomé, Um Oásis no Meio do Deserto

       Chegar em Colomé já é por si só uma odisseia! Vilarejo de cerca de 700 habitantes espalhados por pequenas casas de terracota (com aquecimento solar), fica situada no vale de Calchaqui a cerca de  250kms e cinco horas de carro (melhor SUV) da cidade de Salta no norte da Argentina.  Boa parte da estrada é asfaltada, mas os últimos 80kms são de estrada de areia de uma pista só (boa parte) subindo a mais de 3450 metros de altitude (Piedra del Molino) para depois chegar a cerca de 2300 metros após passar por um altiplano com uma reta de 10kms cercada de cactos por todos os lados e um paredão que cresce no horizonte.

Caminho de Colomé

        Não é um passeio para quem não tenha um mínimo de espirito de aventura! A região é linda, agreste, rios secos atravessam a estrada e a cidadezinha (que separa o asfalto da areia) de Cachi é uma graça com sua praça central em estilo colonial espanhol onde nos salta aos olhos a limpeza do local. De repente chegamos á Bodega, um espetáculo á parte pois aqui, entre o cinza/bege da areia, aparece o verde das vinhedos e alfazemas em flor, um verdadeiro oásis no meio do deserto.

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       A estância cheia de história circunda a primeira bodega argentina datada de 1831, repleta de obras de arte espalhadas pelos mais diversos cômodos (outra das paixões de Donald Hess proprietário da vinícola), decoração lindíssima, árvores centenárias, jardins delicados e algo minimalistas é um lugar que a vinícola hoje somente usa para receber convidados e mostra um certo toque místico comprovado pelo Buda que nos recebe logo no primeiro pátio. Acreditem ou não, no meio do vinhedo experimental e próximo à bodega, um museu construído para mostra das obras de um só artista, é o James Turrel Museum, uma experiência sensorial única!  O lugar em si, mesmo que não tivesse vinho, já valeria as longas horas da viagem, com vinho então……! Sou, decididamente, um privilegiado e não podería ter melhor forma de iniciar este tour pelos diversos terroirs argentinos, mas tinha mais ………….tinha vinho e do bom!

Colomé I

       A sala de jantar que nos recebeu para a primeira parte de nossa degustação é por si só, já uma obra de arte que nos seduz por completo ao entrar. Acompanhando um jantar delicioso que pouparei os amigos dos detalhes, provamos a linha de vinhos Amalaya (á espera de um milagre) que vem de vinhedos mais próximo a Cafayate a capital do vinho em Salta.

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Amalaya Branco – Este já conhecia e me agrada sobremaneira pois o Riesling adicionado ao Torrontés, transfere um frescor delicioso a este vinho.

Amalaya Rosé –  de malbec que leva uma pequena parte de Torrontés possui uma cor lindíssima e convidativa. O Torrontés dá um toque diferenciado a este vinho que surpreendeu a todos por seu frescor e final seco de boa persistência. Uma pena que o importador não traz este vinho para o Brasil.

Amalya tinto – sempre muito bom e consistente ano após ano, um velho e conhecido parceiro de taça. Redondo, saboroso, untuoso, taninos sedosos e um final muito apetecível é daqueles vinhos pouco midiáticos mas que satisfaz e surpreende mais ainda em função do preço, por volta dos R$40 aqui no Brasil, o mesmo do branco.

Amalaya Gran Corte –um vinho que surpreendeu, mais um, por diversos motivos; teor alcoólico de 14% o que para um vinho argentino desta região é mais do que educado e muito bem integrado, preço no Brasil ao redor dos R$70,00 e muito fino. Blend de Malbec, Tannat e Cabernet Franc com 12 meses de passagem por barrica é um vinho guloso com notas tostadas e fruta madura em abundância. Taninos aveludados e macios, bom volume de boca e um final muito saboroso.

     Começamos assim nosso primeiro dia de viagem a Salta e certamente não o poderíamos fazer de forma mais saborosa e para tanto vale aqui a mão e atenção que nos dedicou Pedro Aquino sommelier nascido e criado na região que foi nosso anfitrião. Os vinhos da Bodega Amalaya primam pela bela relação Qualidade x Preço x Prazer o que bate em cheio com minha visão de nossa Vinosfera e, portanto, merecem minha recomendação. O lugar tem muito mais a mostrar e no dia seguinte muitos mais vinhos foram provados, mas isso é papo para outro dia e outro post.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Ps. para dar zoom nas fotos clique duas vezes sobre elas.

 

 

 

 

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – Valles de Calchaquies, Você Conhece?

DSC01459         Numa região pouco conhecida entre nós, a de Salta, fica o coração dos Valles de Calchaquies uma sequência de vales que vão de Salta, passando por Tucuman até a região de Catamarca em longos 520kms, dos quais percorremos cerca de 200 nesta viagem. Uma região inóspita, de rios secos a maior parte do ano, de uma beleza agreste inacreditável e marcante, um lugar para não ir se você for do tipo que não vive sem uma balada e um shopping. Aqui, estamos num mundo diferente, com uma altitude média por volta dos 2000 metros e muita areia e cactos, um lugar seco, desértico com uma precipitação anual ao redor de 200ml ano! Como algo cresce por aqui é quase que um enigma que só o homem explica, uma região mística que tem em Colomé, primeira bodega Argentina datada de 1831 com vinhas de 1854 ainda produzindo, seu ápice. Lá, encontramos o vinhedo mais alto do mundo a 3100 metros, seguido de um vinhedo no Nepal e depois mais vinhedos da região de Colomé entre 2100 a 2600 metros, voltei de lá verdadeiramente enamorado pelo local, seu povo e seus vinhos que pouco conhecemos aqui no Brazil pois a grande mídia e importadores concentram suas ações em Mendoza e mais recentemente, a Patagonia.

      Nesta região, mais do que a Malbec que por si só já e diferenciada, sem aquela fruta compotada mais comum aos de Mendoza,  estamos em terra da Torrontés e estes vinhos evoluíram muito nos últimos anos desde meu Desafio de Torrontés realizado em Março de 2009, que agora me deu vontade de repetir com os mesmos corajosos degustadores da época! Estão menos enjoativos, mais equilibrados e finos, ótimos parceiros para as empanadas salteñas e frutos do mar grelhados ou fritos. Provei pelo menos uns sete que me deixaram muito entusiasmado então quero deixar aqui uma sugestão aos amigos, deixem de lado seu preconceito para com essa uva que a cada ano gera vinhos mais interessantes e quem a conheceu há três ou quatro anos, revisite estes vinhos. Tenho a certeza que, como eu, você também se surpreenderá.

DSC01456Amalaya Branco – Torrontés cortado com riesling que lhe aporta uma acidez muito gostosa. Está no Brasil e custa ao redor dos R$43,00 o que é uma ótima pedida para este verão e praia!

Colomé Torrontés 2011 – colhido em duas etapas, a primeira algo mais cedo para garantir uma melhor acidez e consequente frescor, possui uma paleta olfativa sedutora com toques sutis de flores brancas (jasmim), equilibrado, amplo certamente um belo companheiro para comida Thai ou Mexicana.  Muito bom, anos luz á frente do que tinha provado de 2007, e também está por terra brasilis custando algo ao redor de R$50,00.

Michel Torino Collecíon Torrontés – um degrau abaixo, mas muito saboroso na boca onde a fruta aparece de forma mais escancarada com final muito agradável e álcool bem integrado. Um bom vinho de gama de entrada para a cepa já que deve andar por aí ao redor dos R$30,00. Do mesmo produtor, bom também o Don David num patamar mais alto de preço e sofisticação que merece ser conhecido.

Felix Torrontés  – Um estilo diferenciado advindo de vinhedos com mais de 100 anos. Passa um tempo sur lie o que lhe dá mais complexidade e um nariz algo mais doce. Frutos sobre maduros, uma leve passagem por madeira que não atrapalha, um belo vinho que surpreende e custa por aqui algo ao redor de R$78,00, um outro patamar de produto e complexidade.

El Porvenir Laborum Torrontés 2012 – também faz colheitas em estágios, desta feita em três, para conseguir um vinho super elegante e equilibrado. Muito fino, encanta na boca com seu frescor e toques cítricos, um dos que me mais gostei desta leva de provas e só me arrependo de não ter trazido uma meia dúzia de garrafas. Preço em Sampa ao redor de R$60,00.

Yacochuya Torrontés 2012 – o vinho não agradou muito ao Marcos e Arnaldo Etchart, donos da respeitada vinícola, saindo algo fora do padrão deles, mas eu adorei! Que eles sigam errando sempre, modo de falar porque o vinho efetivamente reproduziu as características da safra! O desvio que não lhes agradou, no entanto, me seduziu o que mais uma vez comprova que nossa vinosfera não é, decididamente, binária. Por volta dos R$65,00.

Etchart Gran Linage 2012 – baita vinho. Sutil, fino, leve floral de flores brancas e algum toque de pessêgo, bom volume, balanceado, final de boca longo e muito agradável  com notas que nos fazem lembrar de grama molhada / lima e bom frescor. Uma seleção de uvas de diversos vinhedos que visam alcançar um estilo prédeterminado pelos enólogos da casa. Mais um que deixou saudades!

        Uma outra cepa que sequer sabia que se plantava por lá me surpreendeu muito positivamente com alguns rótulos realmente sedutores que me levam a querer provar mais, é a Tannat que aqui produz vinhos algo mais macios, taninos firmes e mais aveludados que o tornam algo mais apeteciveis  e fáceis de tomar. Dois rótulos (+ 1 em barrica) me chamaram muito a atenção mostrando que há aqui uma nova fronteira a ser explorada paraa tannat:

Colomè Lote Especial 2010 – que por aqui não chega, mas vi em Buenos Aires a 199 pesos, é um vinho de ótima paleta olfativa, frutos negros bem presentes e algum tabaco. Na boca é muito rico, sedoso e sedutor, adorei e está pronto a beber. Somente cerca de 1400 garrafas produzidas.

Quará Single Vineyard Vina El Recreo 2010 – marcante presença de boca, boa tipicidade, complexo, taninos aveludados presentes porém sem qualquer agressividade, um vinho que surpreende quem tem em mente os tannats dos vizinhos uruguaios e certamente disputaria com honras uma degustação comparativa às cegas.

Etchart – ainda em fase embrionária, porém provamos uma amostra de barrica de um vinho que faz parte de um novo projeto deles e foi de tirar o chapéu. Vem coisa boa por aí!

       Outra surpresa é que esperava vinhos bem mais estruturados, densos, alcoólicos e super extraídos, porém essa é mais a marca registrada de um produtor que escolheu esse caminho e tem sua leva de fiéis seguidores, do que da região como um todo, pelo menos considerando-se o que provamos e que não foi pouco, cerca de 70 vinhos! Durante este mês falarei um pouco mais dos vinhos que mais me surpreenderam e me seduziram, boa parte deles disponíveis por aqui no Brasil.

       Bem por hoje é só, mas seguirei postando mais de minha experiência pela diversidade dos vinhos argentinos. Sim, porque quem acha que na Argentina só há Malbec, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, está na hora de rever seus conceitos!

       Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Já reservou seu lugar na Grand Degustation 2012? Ainda existem seis lugares vagos, aproveite a oportunidade de curtir grandes vinhos, ótima comida e desfrutar do alto astral dos encontros enogastronomicos na Vino & Sapore num evento que, como os bons vinhos, promete ser de longa persistência, só que na memória!

Obs. Para boa ordem, esta viagem foi realizada a convite da Wines of Argentina. Fotos retiradas do livro Colomé 180 anos.

Descobrindo a Argentina e Seus Vinhos – II

Antes de falar dos vinhos da MOVI, que farei no próximo post, e 160 vinhos mais sábio sobre os vinhos e regiões produtoras dos Hermanos algumas constatações e dicas se fazem necessárias:

A diversidade de terroirs, ou terruños como eles os chamam, é imensa assim como os vinhos e produtores então a pesquisa e a prova é essencial. Saia da mesmice, vale muito a pena!

Não deixe de comprar seu Malbec, porém também não deixe de descobrir os Tannats de Salta, os Cabernet Franc de Mendoza, os Torrontés de Cafayate e os espumantes de Mendoza, todos grandes surpresas para mim que me seduziram. Produtos menos usuais, mas não por isso menos saborosos e de muita qualidade. Aventure-se, eu o fiz e adorei o que tive a oportunidade de conhecer especialmente a enorme evolução que tiveram os Torrontés. Só para que tenham uma ideia, separei pelo menos oito deles que acho imperdíveis!

A Argentina está cara, como já nos tinha informado um leitor amigo, verdadeiramente pela hora da morte no que se refere a preços em geral! Inflação alta, custos nas alturas e moeda fixa estão tirando a competitividade dos produtos argentinos e nos vinhos não seria diferente e há casos em que os preços nas lojas mais conhecidas estão iguais ou muito similares ao Brasil. Se carregar de peso por pouco mais de R$20 a garrafa nos vinhos comodities, quando muito, não vale a pena então minha sugestão é explorar os rótulos menos conhecidos e que não estão presentes no Brasil.

As lojas de vinhos padrão tipo Winery e Tonel Privado quase só vendem aquilo que já cá temos com pouca diversidade e um atendimento meia boca (pelo menos nas que entrei), então a dica vai aqui para duas lojas:

  • Lo de Joaquim Alberdi – Jorge Luis Borges 1772 – Palermo Soho com bons preços e produtos diferenciados. Loja bonita, atendimento de primeira, é minha preferida e há tempos que a indico aqui. Segue sendo uma exceção entre as obviedades do setor. www.lodejoaquinalberdi.com
  • Aldos Vinoteca & Restoran – Moreno 372 – aberto até tarde da noite com uma bela seleção de vinhos, certamente uma visita imperdível para os enófilos de plantão. www.aldosvinoteca.com

Parrilla em Buenos Aires tem aos montes, mas como o Don Julio (Guatemala 4699 – Palermo Soho) há poucos. Ótima carne e os vinhos acompanham o nível. Lá tomamos um Siesta Syrah 2007 (não muito fácil de se encontrar nas loja) muitíssimo bom, nota dez com as entradas (chouriço e morcilla) e carnes (ojo de bife, asado de tira)!

Em Mendoza não perca dois restaurantes, pelo menos, que possuem ótimos cardápios e excelentes cartas de vinho assim como uma loja com uma boa coleção de vinhos antigos, tinha até um Weinert estrela 1977!!

  • Siete Cocinas do Chef Pablo del Río, um cocinero de primeira e super boa gente. Releituras de pratos das diversas regiões argentinas com uma bela e diversa adega – Av. Mitre 794 Esquina com San Lorenzo. www.sietecocinas.com.ar
  • Azafrán com comida deliciosa, ambiente idem e uma cava de vinhos de primeira linha, tem a possibilidade de, tempo permitindo, de servir nas mesas da calçada para passar momentos muito agradáveis. Av. Sarmiento 768. www.azafranresto.com
  • Juan Cedrón – Não possuem site. Mas descendo a Sarmiento, atravessa a Plaza de Independenzia  e quando entra na parte da rua só para pedestre fica logo do lado direito, creio que no número 290. Vários rótulos de 97, 99 e verticais diversas de Enzo Bianchi, Achaval Quimera, Yscay, Angelica, Estiba Reservada, entre outros! Algumas boas promoções também, como um Achaval Malbec Mirador 2006 (Divino) por 600 pesos quando a média de mercado é 1000!

Por enquanto é só, depois falo um pouco daqueles rótulos e bodegas que, de alguma forma, mais me marcaram nesta viagem de descobrimentos e, em breve, uma cata de vinhos ainda não disponíveis para venda no Brasil que trouxe como um exemplo da enorme diversidade  e estilos descoberta nesta viagem. Aguardem o dia e, se quiserem, já me antecipem seu interesse através de e-mail ou através de comentário aqui no blog.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Descobrindo a Argentina – I

        Incrível viagem que se iniciou pelo norte do país com parada num lugar mistico chamado Colomé! Melhor forma de começar esta viagem de descobrimentos impossível e as surpresas têm se sucedido. Quando fazemos uma viagem destas é que nos damos conta de como as importadoras trabalham mal seus vinhos se atendo demasiado aos grandes nomes comerciais e se “olvidando” da enorme diversidade de rótulos, uvas, produtores e regiões que poucos conhecem.

     As dificuldades de comunicação aqui na remota região de Salta são tremendas, celular aqui esquece (!), e agora em Cafayate  consegui um sinal para rapidamente escrever este post, mas e-mails necas!. Já descobri algumas coisas muito interessantes e na volta farei duas degustações especiais. A primeira só com vinhos que curti por aqui mas que não estão disponíveis no Brasil e dos quais comprei uma garrafa para provarmos juntos, já a segunda serão com vinhos que não conhecia porém já são importados. Uma coisa eu sei, Baco certamente andou se escondendo por estas bandas!

      Vinho de 3.000 metros acima do nível do mar (sim andamos nestas alturas, na verdade a 3475 metros) , bons tannats, surpreendentes torrontés, malbecs diferenciados e cabernets de muita qualidade, o pessoal daqui mostra uma diversidade enorme a qual precisa ser explorada para extrair da região tudo o que ele pode dar.

    Não esqueci que devo as informações sobre os vinhos do MOVI e assim que der eu sento e coloco isso por aqui, mas haverá muito mais matéria para compartilhar com os amigos, pois em três dias já são mais de 45 vinhos provados. Aguardem, mas tenham paciência pois o tempo é escasso e as dificuldades grandes. Conforme for dando vou atualizando o Blog. Salute, kanimambo e abram sas mentes, corações e taças para a diversidade dos vinhos dos hermanos, pois, como estou descobrindo, há muita vida neste lugar para além dos óbvios Malbecs mais midiáticos.

     Salute, kanimambo e nos vemos por aqui

Nem Todo o Vinho Argentino é Igual!

         Para quem adora sistematizar e generalizar as coisas do vinho, eis aqui mais uma oportunidade de descobrir o porquê dessa prática não ser viável em nossa vinosfera. Rutini,  um produtor com uma grande diversidade de rótulos com uma vasta gama de produtos para todos os níveis e bolsos e um dos principais produtores argentinos, trazida ao Brasil pela Zahil. A linha dos Trumpeter talvez seja a mais conhecida, gosto muito do Syrah/Malbec e do Reserva, e daí subimos uma longa escada. Dessa vasta linha de produtos, a Zahil nos convidou a provar sete exemplares com maior ênfase nos Cabernets e me surpreendi.

         Começamos pelo Chardonnay que é um vinho que sempre me agrada pois, dentro do estilo mais amadeirado, é um vinho equilibrado, sem exageros e sempre traz um frescor de final de boca muito saboroso, não negou o que já conhecia dele e que já me acostumei a recomendar como um dos vinhos desta cepa elaborados na Argentina.

Todos vinhos muito bem feitos, me surpreendi com o grande equilibrio do saboroso Cabernet/Merlot que, em minha opinião se mostrou melhor que o já tradicional e amplamente conhecido Cabernet/Malbec, porém dois rótulos me chamaram a atenção e foram o destaque entre os que nos apresentaram:

      Rutini Cabernet – num estilo diferenciado mais para velho mundo do que novo mundo, puxando para a delicadeza e elegância, rico mas sem excessos com tudo no lugar. Bem aromático, nos convida a levar a taça à boca onde ele nos seduz. Rico, complexo, boa estrutura, taninos finos, com um final longo fazia tempo que não provava um cabernet deste naipe vindo da terra dos Hermanos. Muito bom e custa ao redor dos 135 Reais.

     Antologia – fazia muito tempo que queria provar este vinho, mas nunca tive a oportunidade que finalmente se fez presente. Valeu a pena esperar, um grande vinho na taça e pena que era só uma prova, pois a vontade era me apoderar da garrafa! Que beleza meus amigos, um senhor vinho que consegue unir potência, sem exageros, com elegância. Um vinho repleto de finesse, dos aromas complexos e bem integrados a uma sensação de prazer na boca que me entusiasmou. Um prova que derruba preconceitos de que argentino só faz vinhos potentes e excessivos em tudo, inclusive no álcool. Há de tudo por lá como em qualquer outro importante país produtor e este  vinho deixa isso muito claro. Este deveria vir á mesa de fraque e cartola!

Bons vinhos que valem ser conferidos pelos amigos. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Malbec e Bacalhau, Não é que Deu Tango!

      Adoro essa experiências! Algumas dão errado, mas me esbaldo quando dão certo e esta deu muito certo porque há mil formas de preparar bacalhau e os mais diversos estilos de Malbec então é uma questão de prova e uma certa dose de sede de novidade com uma pitada de ‘aventura”. rs Na enogastronomia “inventar” pode ser uma muito boa pois vivemos nos surpreendendo e aprendendo.

     Faz uns quinze dias estava provando este vinho na loja e me surpreendi muito positivamente com sua elegância e finesse, algo não muito costumeiro nos vinhos dos Hermanos mais conhecidos por sua concentração e potência. Levei o resto da garrafa para casa para provar com mais calma e aproveitei para tentar harmonizá-la com um prato de Penne com Bacalhau e Brócolis, ficou da hora, mas vejamos por quê e que vinho é esse.

         O vinho é o Gougenheim Valle Escondido Malbec 2010 com educados 13.5% de teor alcoólico elaborado na sub-região de Tupungato em Mendoza a cerca de 1000 metros de altitude. Na cor é rubi com toques violáceos típicos da cepa sem a típica super extração que resulta em vinhos muito escuros. Nariz sedutor de frutos negros com nuances florais, pelo menos assim me pareceu, que convidam a levar a taça à boca onde ele se mostra extremamente sedutor, equilibrado e elegante com taninos macios e sedosos, boa estrutura, corpo médio e um final muito agradável algo especiado que pede mais uma taça. Leve passagem por madeira  (4 meses) muito bem balanceada que lhe aporta alguma complexidade de sabores ressaltando suas virtudes. Parker lhe deu 87 pontos, eu lhe daria talvez um pontinho a mais pela boa relação Qualidade x Preço x Prazer pois é um vinho de preço final ao redor dos R$49,00 a 55,00 dependendo da loja, mas o tenho visto em promoção por R$39,00 o que o torna irresistível e imperdível!  

        Tudo levava a crer que poderia encarar meu bacalhau com galhardia e efetivamente isso se comprovou. O prato é leve e o vinho deu-lhe um pouco mais de corpo sem se sobrepor em função de seu equilíbrio e elegância, uma harmonização como a que sempre buscamos em que ambos os players crescem quando juntos, o famoso 2 + 2 = 5 que faz com esse mundo da enogastronomia não seja binário e eu adoro isso! Não é sempre que conseguimos, mas nesta “maridaje” me dei bem. Por sinal, o prato foi regado com o incrível azeite não filtrado da Malhadinha (Alentejo) o que fez o prato crescer um montão, esse ando consumindo a conta-gotas!!

       Se ainda fizer um friozinho e você quiser aproveitar para tentar algo diferente, tente harmonizá-lo com Fondue de Queijo, acho que pode dar samba, ou harmonize-o com amigos num alegre bate papo acompanhando uma linguiça de pernil com ervas como aperitivo, também vale por sua versatilidade, e o preço está muito camarada! A importadora é a Almeria que vem primando por nos ofertar alguns “achados” por preços bem convidativos. Dizem que o Syrah deles também é muito bom, mas esse ainda não provei e quando o fizer vos conto.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para os amigos.