Harmonizando Vinho & Música

 

wine-and-music-pRecentemente a WofA (Wines of Argentina), promoveu um concurso lúdico bastante interessante que fez com que alguns bloguers, eu incluso, viajássemos  por águas pouco exploradas. Premiação, uma viagem á Argentina com roteiro de visitas a vinícolas.

Em 16 de Dezembro passado, alguns dos principais blogueiros de nossa vinosfera tupiniquim e também de outras atividades, receberam duas garrafas de vinho cada e uma lista com 150 músicas selecionadas. Objetivo > explorar sensações e tentar interpretá-las musicalmente. O comitê organizador teria a responsabilidade de apurar as três melhores harmonizações e os autores destas seriam premiados com uma viagem á Argentina com roteiro de visitas a vinícolas.

Afinal, vinho harmoniza com música? A resposta cabe a cada um, porém a meu ver; musica casa com momentos, humor e emoções tal qual vinho e quando este gera esses mesmos sentimentos dá-se essa harmonização; uma conjugação de estilos e uma interpretação particular de cada um!DSC03250

Eu recebi dois rosados, em 2013 fui perseguido por eles (!), um vinho tranquilo e um espumante. O tranquilo foi o Lagarde Blanc de Noir, um rosé de malbec que comentei aqui e que harmonizei com uma salsa cubana. O espumante, Navarro Correas Brut, harmonizei com heavy rock e, acreditem, foi uma das três harmonizações premiadas! Veja mais do evento aqui >http://www.winebar.com.br/2013/12/vinho-e-musica-com-wines-of-argentina/ e role até ao final onde está o arquivo com o anuncio dos premiados.

Bem, como disse no inicio, eram três as harmonizações a serem escolhidas e eu terei como companheiros de viagem o amigo Didu que ganhou com o post, Harmonizando Vinhos da Argentina e o Marcelo Costa (que ainda não tive o prazer de conhecer) com o post, Desafio: Harmonizando Vinho &.Música. Minha sugestão para os amigos é, façam também essa experiência lúdica e se estiverem a fins, encontrem os vinhos, abram as garrafas e façam vocês mesmos essa harmonização usando este link com as músicas pré-selecionadas fazendo seu próprio juízo de valor. No mínimo será uma viagem bem divertida! Salute e kanimambo, ótimo fim de semana e lhe vejo na Vino & Sapore para aproveitar o que restou da Mega Wine Sale promovida?

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Um Espumante Rosé Peso Pesado

DSC03250      Navarro Correas Brut Rosé de Malbec, eis aqui um espumante rosé diferenciado e isso a gente vê já na cor escura e densa na taça. A perlage é intensa e duradoura, porém o maior impacto vem na boca onde ele se mostra de forma mais marcante deixando claro que ele veio para ser diferente e certamente requer uma harmonização mais criativa e definitivamente não ó tipo de espumante ligeiro para se tomar descompromissadamente numa tarde verão. Extração mais intensa, denso e encorpado, notas de frutos vermelhos bem presentes, boa acidez que me fez pensar em duas coisas com que harmonizá-lo, musica e prato. No prato, acredito que deva ser uma ótima opção para acompanhar o inicio de um churrasco com costela de porco e linguiça, quem sabe até uma bela morcilla uruguaia ou panceta, porém foi muito interessante a harmonização com os figos com nozes!  Já na música, esse estilo mais pesado de personalidade marcante tem tudo a ver com uma batida sonora do mesmo peso e intensidade, algo como a Pork n Beans do Left Lane Cruiser

       Nunca tinha tomado um espumante rosé desse estilo o que só vem corroborar minha tese de que independente da “litragem” do enófilo, sempre há uma surpresa em cada esquina que nos coloca no lugar mostrando o quanto ainda temos a aprender e por isso curto essa viajem!  Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

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Nossa Vinosfera, a Cada Taça uma Descoberta!

È um pouco assim que sinto, pois por mais litragem que tenha há sempre algo novo a se encontrar numa taça de vinho. Prestar atenção nisso, apreciar o vinho e não somente tomá-lo é DSC03245um tremendo de um barato e o que faz desse hábito algo salutar e muito prazeroso sempre que praticado de forma moderada. As surpresas vêm normalmente de onde menos se espera e nesta Segunda veio numa taça de um rosado argentino, olhem só essa cor!

O visual na garrafa já é um convite a abri-la, ainda mais porque em seu rótulo aparece “Blanc de Noir”, algo mais comum em espumantes, enquanto o vinho é rosado! É na taça, no entanto, que o vinho inicia sua dança de sedução com essa cor linda e cheia de brilho já dando uma dica do que está por vir. Aromas de frutos do bosque frescos te convidam a levar a taça à boca onde ele surpreende a todos aqueles que dele esperam o básico moranguinho e groselha de muito dos vinhos rosados por aí no mercado. Sem qualquer residual de açúcar perceptível ao palato, o vinho, que não passa em madeira é seco e puro frescor, mas tem DSC03241mais! Os aromas vão dançando na taça em contínua metamorfose mostrando algo diferente que nos intriga enquanto acaricia a boca com um frutado intenso e fresco, vibrante que nos faz lembrar verão, férias, mar, mostrando que a “art de vivre” muitas vezes se encontra nas coisas mais simples, como numa taça deste saboroso vinho que no deixa nos lábios um sorriso de satisfação. Aliás, a satisfação que era uma das principais bandeiras defendidas pelo saudoso Saul Galvão que dizia; “ o vinho existe para te dar prazer e se o fez, cumpriu com seu papel”, é vero! !  Tem tudo a ver com nosso verão e nossa ceia de Natal, com o peru á califórnia e até o tender deve ficar da hora, ou para frutos do mar em geral ou, ainda, num voo solo somente com boa companhia, porque isso é essencial. Versátil e apetecível, é um vinho que curti demais e recomendo.

Blend de 50/50 Malbec com Pinot Noir,  é vinificado como branco com uma curta maceração e 48 horas de contato pelicular que lhe dá essa bonita cor salmonada. Um vinho sedutor com um ritmo próprio e marcante que eu harmonizaria com diversão e alegria, mas principalmente com boa companhia e alto astral ao som algo picante da salsa cubana de Rey Caney; Ajo, Cebolla y Tomate, porém como não mais está disponível na net, faço um link aqui para Luna Llena que também harmoniza!! rs  Have fun, salute e kanimambo! 

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Bodega Noemía Uma Grata Surpresa

Recentemente fui convidado a participar de uma degustação vertical dos vinhos deste que é um produtor ícone da região da Patagônia, produzindo, desde sua fundação, vinhos orgânicos e posteriormente biodinâmicos.  A Condessa Noemi Marone Cinzano e o enólogo Hans Vinding-Diers descobriram um vinhedo antigo e extraordinário, de apenas 3.000 parreiras – plantado em 1930 com vinhas velhas de Malbec em pé franco, sem enxerto e esse foi o embrião da Bodega. A região, diferentemente de Mendoza, é plana sem montanhas, de pouca variação térmica, porém de invernos frios, secos e longos e verões curtos não muito quentes o que gera vinhos com um teor alcóolico mais baixo que os das demais regiões argentinas, especialmente Mendoza. Água em fartura que vêm de dois rios de degelo, porém com poucas chuvas e, consequentemente, sem humidade.

Produzem tão somente quatro rótulos, todos de uvas plantadas em pé-franco, dos quais provamos três; o A Lisa que é seu gama de entrada de vinhedos mais jovens e uvas compradas, o J. Alberto no qual se usam uvas de vinhedos de 1955 (belo ano esse – rs) e o Noemía de vinhedos de 1930. Provamos as safras de 2009, 2010 e 2011 do A Lisa e do J. Alberto, sendo que do Noémia (1.500 gfs) somente o de 2008, um privilégio. No topo de todos e pouquíssimas garrafas produzidas muito de vez em quando, o Noemía “2” de produção limitada a cerca de 2000 garrafas, é um blend de 89% Cabernet-Sauvignon,  8% Merlot, 2% Malbec and 1% Petit-Verdot na safra de 2010.

Bodegas Noemia

A Lisa – interessante que apesar de ser o vinho de entrada da vinícola, foi o que mais mostrou as diferenças climáticas de cada safra, coisa que se sente muito na produção biodinâmica pois há pouco, se algum, espaço para eventuais correções. Malbec, porém leva um tempero de Merlot e uma pitada de Petit Verdot (sempre ela) para realçar o “suco”! O 2009 está pronto e delicioso de tomar, taninos maduros e muito equilibrado com um teor de álcool algo mais alto em função do verão atipicamente quente.  O 2010 está muito diferente, eucalipto mais presente, um certo toque de Brett* que encanta alguns e desgosta muita gente. O 2011 está ainda muito fechado e apresenta características intermediárias entre o 2009 e o 10, sem o Brett.  Sou mais o 2009 neste momento e acho um belo vinho. Já tinha provado há uns dois anos e realmente é um Malbec diferenciado para a faixa, cerca de R$110,00. Produção total deste gama de entrada beira as 90 mil garrafas..

J. Alberto – na Vinci (importadora) o preço sobe um degrau (de USD50 para 69,00), mas a qualidade e complexidade dá um pulo bem maior e eu me apaixonei por este vinho que me era desconhecido e do qual são elaborados somente cerca de 14/15.000 garrafas anualmente. Malbec 95% (vinhedo de 1955) com Merlot, é um vinho de excecional qualidade que passa por barricas francesas de 2º uso (30% do vinho), de 3º uso (30% do vinho) e o restante em tanques de cimento. O resultado é um vinho especial e exclusivo onde a fruta está presente com madeira inteligentemente usada de forma a “levantar” o conjunto dando-lhe complexidade. Vinhos densos, muito ricos, com um meio de boca delicioso e marcante, taninos aveludados e muito longo. O 2009 está maravilhoso e se fosse para escolher para tomar hoje, certamente seria o meu escolhido, porém o 2011 é uma joia a se guardar. Mostra-se, em minha opinião, num patamar acima dos demais e, podendo, compre umas três ou quatro garrafas e vá abrindo com parcimônia, uma agora, outra daqui a dois, anos, outra ……pois esse ainda vai dar o que falar! Considerando-se a taxa cambial hoje, falamos de um vinho entre R$150 a 160. Recomendo.

Noemía 2008 – 100% uvas Malbec de vinhedo datado de 1933, certamente um dos grandes vinhos argentinos! Tem gente pagando fortunas por algumas bombas alcoólicas sem qualquer equilíbrio e aqui nos deparamos com concentração, equilíbrio e elegância que marcam sem derrubar! Um vinho de personalidade própria, já pronto mas com muito para dar ainda e certamente veremos grande evolução nele, quem aguentar guardá-lo, durante os próximos 10 anos. Paleta olfativa viva e intensa implora para levar a taça á boca onde ele se mostra  fino e elegante, frutos frescos, boa acidez, meio de boca muito rico e complexo com uma certa mineralidade no final de boca que persiste uma eternidade. Não sei se os amantes da potência saberão apreciar as sutilezas deste vinho em que a madeira, apesar dos 20 meses de barricas novas francesas, está perfeitamente integrada, porém a mim me encheu de prazer.

Custa algo como US$160  (R$385 hoje na Vinci) o que vis-à-vis os preços de vinhos do mesmo porte, nem é caro, mas é muita grana. Para quem pode, bate de longe muito rótulo mais midiático na praça e, no meu conceito, vinho com cinco estrelas da Decanter tem que se tirar o chapéu, caso deste!

É isso e gostei muito do que provei, vi e escutei. Agora tenho que achar um nicho para o J.Alberto 2009 na Vino, fazer o quê, eta vinho bão e esse cabe no bolso mesmo que não facilmente! Salute e kanimambo

 

*Brettanomyces é uma família de leveduras que pode atacar o vinho ou o mosto em fase final de fermentação. Popularmente chamada de “Brett”, esta levedura produz aromas de couro, suor e bacon. No entanto, quando levemente presente, sem encobrir o caráter da fruta, pode adicionar complexidade ao fermentado. Podemos observar isto em muitos dos principais produtores do Rhône.  A “Brett” encontra predisposição especial para agir em vinhos com alto PH (baixa acidez) e teor alcoólico. Sendo assim, raramente a encontramos em vinhos brancos. Ainda não existe uma forma de corrigir este problema. Pode-se atuar apenas preventivamente durante a vinificação com a correta aplicação de sulfitos. (fonte – Revista Adega)

Cadus na Casa de Nieto, Boas Surpresas na Taça

Cadus Brut NaturePara quem não conhece, a Casa de Nieto Senetiner, onde em companhia de outros colegas blogueiros fomos recebidos com muita hospitalidade pelo “gerente” da casa e sommelier Mauricio Marcondes, é a base deste importante produtor argentino em São Paulo. Para a maioria de nós, a Nieto é sinônimo de vinhos simples e baratos, fama feita em cima de muitos anos de Benjamim e outros vinhos similares. Quem nesta vida de enófilo pode dizer que nunca provou um desses vinhos? Eu, por exemplo, sempre gostei de seu Benjamin Chardonnay, um vinho gostoso, fresco e fácil. Mas esta vinícola em atividade desde 1888 e desde 1998 nas mãos do grupo alimentício argentino, Molinos tem bem mais a oferecer e o ícone dos Bonardas, o Edicion Limitada, é um exemplo do que podem fazer e revolucionou a produção de vinhos com essa uva em terras argentinas. O que poucos conhecem, no entanto,  é sua linha top, a Cadus (ânfora no dialeto local), e eu também não, então deixa eu compartilhar com vocês essa experiência.

Fomos recebidos por um espumante Cadus Champenoise Brut Nature, um  Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir  (70%) e Malbec. Como a maioria dos Blanc de Blanc, sua cor nos remete a um rosado claro no estilo casca de cebola. Os vinhos base passam por um período de 3 a 6 meses de barrica e a segunda fermentação é de 18 meses sur lie e uma peculiaridade (nunca vi antes) que faz a diferença, um leve toque de grappa  no degorgement em vez de licor de expedição. Muito interessante, não é fácil, mas é muito interessante para os que curtem bons e diferente espumantes. Marcante de personalidade muito própria e inconfundível, harmonizou muito bem com os diversos canapés, especialmente com os de salmão e kani. Tomamos a garrafa 65 das poucas 7.000 produzidas.

Posteriormente fomos apresentados a três tintos e mais uma surpresa para lá de agradável ao final. Falemos dos tintos:

Cadus Grand Vin 08, elaborado pela primeira vez em 94, é um blend muito equilibrado de Malbec (50%) com Cabernet Sauvignon e Bonarda que passam por 24 meses de barricas novas francesas e pelo menos 12 meses de afinamento em garrafa antes de sair ao mercado. Um belo vinho que só vem confirmar o que venho falando já faz um tempo sobre os vinhos argentinos, os blends estão melhores, mais elegantes e complexos que os varietais por lá produzidos, ojo! O corpo e estrutura estão lá, o álcool mais comedido e bem integrado também, mas é cavalheiro de fino trato como demonstra na taça. Muito bem harmonizado com o filé com shiitake, é um vinho com preço ao redor dos R$170.

Cadus Blend of Vineyards Malbec 08, a primeira safra deste vinho que é composto de uvas de diversas sub-regiões de Lujan de Cuyo; Agrelo/Vistalba e Vistaflores, todos terroirs privilegiados! Doze meses de barrica e doze de garrafa, é um vinho franco de grande impacto na entra de boca, “amansa “ no meio de boca e temina com taninos fino e sutis com um frescor agradável e supreendente. Ótima fraldinha com legumes e um preço por farrafa ao redor dos R$150,00.

Cadus Single Vineyard 07, de Agrelo, foi elaborado pela primeira vez em 2000 com vinhas de mais de 35 anos de idade. Vinho premium, com 24 meses de barrica nova francesa e 24 messes de garrafa, é um vinho de guarda e mostrou isso na taça. Escuro, potente, grande estrutura, boca densa, álcool na casa dos 15,5% bem integrados no conjunto, um  bom vinho para os amantes deste estilo tomarem agora e quem aprecia mais elegância, como eu, terá um grande vinho em mãos dentro de três ou quatro anos. Bom já, mas certamente valerá a pena esperar um pouco mais. Aliás, já diz o ditado, o apressado come cru! Vinho já na casa dos R$200 que ficou divino com o ragu de cordeiro sobre polenta cremosa com que foi harmonizado. Uma bela “maridaje”!

Por falar em ditado, best things for last, como dizem os gringos! O Mauricio saiu e voltou com um vinho que decantava fazia 4 horas e nos ofereceu uma prova às cegas. Malbec, sem duvida! Cor rubi, escuro e denso, aromáticamente muito complexo com a tradicional fruta peculiar á casta, mas também notas animais e sutil floral. Muito estruturado, rico, vivo, poderoso, notas de frutos negros, final com chocolate, cacau, taninos aveludados muito presentes e longo, muito longo. Certamente um vinho TOP ainda muito jovem, acreditamos todos nós. Ledo engano!! Cadus Estiba 39, safra, pasmem, 2000!!!!!!!!!! Um vinho também single Vineyard (Agrelo) de vinhedos com idade superior a 45 anos de rendimento médio com fermentação e maceração prolongada por 25 dias a 28-32ºC em pileta (tanques de cimento) de pequeno volume (entre 3000 e 5000L) com amadurecimento por 24 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e dois anos de amadurecimento em garrafas.  Uma prova de que os vinhos argentinos podem sim ser longevos e envelhecer muito bem, pois a não ser alguns indicativos no nariz, só identificados após a divulgação da safra, não havia nada marcante que denotasse a idade avançada do vinho. Os privilegiados presente tiveram a possibilidade de tomar uma das últimas doze garrafas disponíveis com o produtor. Na importadora (Flora) o estoque está zerado e na maior parte das lojas também, mas na pesquisa (google) vi que essa raridade ainda existe em alguns poucos lugares a preço ao redor de R$280,00! Adoraria ter uma grana para comprar umas três garrafas e acompanhar seu amadurecimento nos próximos quatro a cinco anos, certamente deverá ser uma experiência e tanto para quem pode.

Noite extremamente agradável, ótimos vinhos e comida impecável (chef Lula está de parabéns) e muito bem harmonizada. São momentos preciosos  destes que nos fazem ver o quão pouco conhecemos de nossa vinosfera e do quanto ainda há por aprender. Aos amigos que tão bem nos receberam, meu muito obrigado pela oportunidade, salute e um kanimambo muito especial. As fotos, essas adicionarei em breve, meu celular está em recuperação!! rs

 

 

Destaques da Wines of Argentina

Mais uma bela coleção de vinhos bastante interessantes que o tempo não me permitiu provar a contento. Dentro que consegui provar, alguns vinhos se destacaram e gostaria de compartilhá-los com você;

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A Casarena (Magnum Importadora) também produz os vinhos Ramanegra dos quais me encantam um Cabernet Sauvignon da região de Agrelo e um Blend muito bom que andam na casa dos R$75 a 80,00 e valem. Estes dois rótulos são dois single vineyards da mesma uva, a Malbec. Uma vem de Pedriel e a outra de Agrelo, tomados juntos mostram tipicidade totalmente diferente um do outro. De Pedriel eu esperaria um vinho algo truculento,  muito encorpado com taninos ainda muito adstringentes em se considerando que é de 2010, mas o vinho se apresentou muito fino, fresco, taninos aveludados, elegante, um vinho muito bom num estilo, digamos, mais europeu. De Agrelo, veio a força, a estrutura, menor intensidade aromática mostrando-se ainda fechado, muito boa persistência num estilo mais novo mundo porém sem deixar de mostrar um lado mais elegante com um jeito, digamos, mais americano de ser. Cada um com seu estilo e sua mensagem, mas tenho que confessar que o Agrelo me chamou mais a atenção! Vinho que deverá estar na casa dos R$140,00.

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Conversei um pouco com o Mathias, jovem proprietário e enólogo da casa, que já é segunda geração de enólogos e traz este vinhos cheios de personalidade. O primeiro, da esquerda para a direita, seria a grosso modo seu vinho de entrada, mas já num patamar bem alto sendo elabrado com vinhas de cerca de 15 anos em Pedriel. O segundo é uma seleção de uvas de três vinhedos selecionados e mostra mais estrutura sem perder a classe e o último é um grande vinho que eu acredito deva chegar ao Brasil por volta dos R$200. Ainda não está no Brasil mas pelo que pude ver do assédio de diversos importadores creio que não vai tardar!  Marquem esse nome e estes vinhos.

2013-06-27 17.20.00    Uma grata surpresa, pois mostra que devagarinho a Alvarinho vai abrindo seu espaço no mercado. Por estas bandas já a podemos encontrar no Uruguai, no Brasil e agora na Argentina. Diferente, falta-lhe aquela acidez típica dos Alvarinhos de Rias Baixas e do Minho, porém mostrou-se muito agradável. Mais não consegui saber já que nem meu crachá de imprensa, ou talvez por isso (rs) sei lá, não me deram muita bola por aquelas bandas. Produtor Las Perdices e importador Bodegas.

Afora esses vinhos, minha bateria do celular arriou e não pude tirar mais fotos, gostei bastante dos vinhos Reserva e Gran Reserva do Penedo Borges agora com a Wine Lovers e revi, com muito  agrado, os vinhos da Suzana Balbo (Cantu);  Benmarco Malbec / Expressivo ambos muito finos e elegantes assim como o fantástico Nosotros e da Henry Lagarde (importadora Devinum), tanto o reserva, o Doc e o Guarda, mas especialmente o excelente Primeras Vinas que já comentei aqui no blog. Uma outra boa bodega é a Gougenheim (Importadora Almeria) que afora bons rótulos de entrada, possui um ótimo Flores del Valle Blend que merece ser conhecido.

Para finalizar, a impressão que ficou é que existe por lá uma guinada na busca de maior elegância nos vinhos, algo que aplaudo! Salute e kanimambo.

Os Vinhos do Argentina Winebar de 10 de Abril

        Como parte das festividades do Dia Mundial do Malbec em 17 de Abril, ocorreram uma série de eventos entre eles dois encontros do Winebar (clique para assistir). Como eu tinha uma degustação de Malbec comemorativa ao dia no próprio dia 17, tive a grata satisfação de participar na do dia 10 em que três vinhos foram degustados; O Andeluna Altitud Malbec 2010, Sottano Reserva da Familia 2008 e Lagarde Primeras Vinas 2009 que mostraram bem a diversidade dos estilos de vinhos elaborados no país da Malbec, mas não só! Afinal, tenho provado ótimos Cabernets de Mendoza, muito bons Tannats de Salta e belos Merlots e Pinots da Patagônia, então há muito por onde se escolher e ainda há um movimento de blends que tem dado o que falar e que poucos conhecem. Aliás, pensando nisso acho que vou armar uma degustação só com alguns belos blends que tenho provado!

      Bem, mas nosso papo de hoje tem a ver com os vinhos do Winebar, então deixa eu compartilhar com os amigos as minhas impressões sobre eles.

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Andeluna Altitud Malbec – quando estive em Mendoza em Novembro do ano passado, já tinha tido a oportunidade de conhecer esse vinho e esta amostra só veio confirmar minha primeira opinião. Se tudo, inclusive os vinhos, precisam de uma segunda chance, este a teve e comprovou uma falta de equilíbrio enorme (apesar da opinião contrária de alguns colegas) com seus excessivos 15.8% de teor alcoólico e enorme extração tânica com uma adstringência que toma conta da boca até a ponta do nariz . Não sou um técnico, a opinião é pessoal e calcada nos anos de janela e milhares de vinhos provados, porém este vinho é um claro exemplo de um estilo excessivo de vinhos produzidos na região e que não me agradam, porém tem lá seu séquito de seguidores mundo afora. Há poucos dias tive a oportunidade de provar um vinho do Douro, depois falo dele, com 16.5% de teor alcoólico que estava perfeitamente balanceado dando a percepção de 13,5 a 14% , então o excesso de álcool, pelo menos até a terceira taça (rs), não é um problema em si, mas seu equilíbrio sim. Sinceramente não me agradou, mas acredito que uma hora de aeração deverá trazer grandes benefícios ao vinho com uma maior integração de taninos e álcool.  Preço por volta dos R$70 a 80,00.

Sottano Reserva da Familia – o vinho de safra mais antiga (08) da prova, mas que, por sua estrutura, ainda vai longe devendo evoluir muito bem por mais uns dois anos (para quem conseguir esperar) quando deverá atingir seu ápice. Um vinho de toques algo florais e bem frutado (frutos negros) com nuances de especiarias e uma cor quase negra que tinge a taça. Na boca mostra grande estrutura , volumoso, equilibrado, firme e denso, taninos finos, um final bem especiado em que uma pimenta se manifesta de forma bastante intensa quando um pouco mais quente e menor quando algo refrescado. Vem da sub´região de Perdriel que tradicionalmente nos traz vinhos de grande concentração e estrutura, então demonstra bem a tipicidade do terroir. O teor alcoólico aqui é algo menor, 14,5%, e bem integrado no todo, mas mesmo assim uma meia hora de aeração certamente lhe fará bem. Para quem gosta de vinhos potentes, certamente uma grande pedida e um vinho que eu tomaria de bom grado na companhia de pratos igualmente substanciais com o um belo bife de chorizo ou paleta de cordeiro na brasa. Yummy!!! Preço ao redor de R$90 a 100,00.

Lagarde Primeras Vinas – um prazer hedonístico! Como mencionei na hora, o vinho que eu levaria para a cama!! rs Saltamos alguns degraus no sentido de complexidade e sofisticação num vinho. Este ainda está bem jovem, porém desde cedo mostra todo o potencial advindo de uvas de vinhedos de 1906 e 1930, as primeiras vinhas do produtor. O GRANDE vinho da noite! Aquele que consegue unir com maestria a potência com complexidade e elegância num vinho que literalmente empolga quem o toma e gosta de vinhos d essa estirpe. Um dos melhores Malbecs que já tomei, certamente entre meus top 10, e que me surpreendeu muito positivamente. Violáceo lindo e brilhoso na taça, paleta olfativa intensa e sedutora (ameixa madura com nuances de chocolate ao final) que chama a taça à boca e é lá que ele dá olé! Me entusiasmei, sei, mas fazer o quê, não é esse o grande barato do vinho? Despertar emoções e nos trazer prazer? neste caso, missão cumprida com louvor pelos produtores e enólogos responsáveis! Voltemos ao vinho porque já entrei em devaneios mil, mas quando me entusiasmo com algo os adjetivos rolam soltos e fáceis faltando objetividade, fazer o quê? Nessas horas a música é uma só; “deixa a vida me levar, vida leva eu, sou feliz e agradeço  por  tudo o que Deus me deu”! rs Na boca o vinho é de uma riqueza e complexidade únicas, confirmando a fruta e um perfeito equilíbrio entre taninos, álcool e acidez mostrando que ainda há muita vida pela frente e guardar algumas garrafas deste vinho será certamente um investimento bem feito no prazer. Os taninos são muito finos, daqueles que se apresentam sedosos na ponta da boca, sem excessos, bom volume de boca, untuoso, para tomar só ou bem acompanhado, um vinho de primeiro nível na constelação de grandes vinhos da vinosfera mendocina. O preço gira entre R$165 a 180,00 o que acho um pouco puxado. Fosse uns 135/140 Reais e seria um Best Buy entre seus pares!

        Uma bela experiência, bastante didática, que demonstrou bem o que se queria mostrar, a diversidade de estilos dentro de uma mesma região, neste caso Mendoza.  Eu curti muito e só pelo incrível Lagarde Primera Vinas (por sinal um belo rótulo também) já valeu muito a pena! Salute, kanimambo e amnhã tem mais.

Noite Mundial de Malbecs, The Day After!

        Noite de dia 17 de Abril, certamente a grande maioria dos aficionados pelos caldos de Baco tinham ontem uma taça de Malbec nas mãos. Em atos solitários, em confrarias, com a esposa ou amigos, em degustações, ontem foi dia de celebrar esta cepa e na Vino & Sapore levei adiante uma bela degustação de sete tintos e um espumante de malbec, todos argentinos. Presentes; Salta, Mendoza e San Juan. Não me estenderei muito sobre o tema nem sobre os vinhos, mas os mais diversos estilos foram contemplados e numa degustação às cegas o ganhador foi ………. Bem, primeiro a lista de participantes e um comentário especial sobre o espumante que entrou de última hora e surpreendeu, muito bom com grande equilibrio e bom corpo, o Alma Negra Rosé de Malbec Bru, talvez a maior surpresa da noite!

Vinhos Provados > DV Catena Malbec-Malbec, Bodega Riglos Quinto, Decero Malbec, Colomé Estate, AVE, Altos las Hormigas Terroir,Las Moras Black Label Malbec servidos na ordem da foto abaixo.

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Eis o resultado dos top 5 escolhidos pelos 12 felizes participantes do evento realizado às cegas e completado por um festival de empanadas argentinas:

  • 1º Lugar – Bodega Riglos Quinto Malbec
  • 2º Lugar – Las Moras Black Label Malbec ( o mais barato do painel)
  • 3º Lugar – DV Catena Malbec-Malbec
  • 4º Lugar – Colomé Estate Malbec
  • 5º Lugar – Decero Malbec

Uma observação; o Quinto foi degustado às cegas também, numa outra prova de 22 vinhos do mundo (Bordeauxs, Rhônes, Sicilia, Espanha, Portugal) de diversos preços tendo sido destaque do mesmo pois nesse dia havia vinhos bem caros na parada e ele levou o troféu! Salute, kanimambo e amanhã tem mais.

Todo o Dia é Dia!

       Dia das Crianças, dia das Mães, dos Pais, das Mulheres, etc., na verdade quando nos restringimos a um dia é porque decididamente há algo obscuro no horizonte. Se é para valer e para realmente valorizar, então todo o dia é dia! Há, no entanto, as convenções que se estabelecem, na maioria por necessidade comercial, e hoje não é diferente, pois para quem é apreciador dos caldos de Baco, hoje é dia de Malbec!

Malbec world Day       O correto, no entanto, talvez fosse chamar o dia de Dia do Malbec Argentino pois esse movimento foi criado pela Wines of Argentina e a data foi escolhida em função de ação regional. Malbec, porém, existe nas mais diversas localidades, mesmo que não com a mesma marca e importância dos vinhos argentinos para o mercado.  Há produtos muito bons na França, no Chile, na Austrália e até nos Estados Unidos e porquê não, também por aqui em terras brasileiras, mas é na Argentina que ela mostra todo o seu potencial. Foi a  Malbec argentina que alavancou novamente as vendas dos vinhos de Cahors seu berço de origem onde, por sinal, ela era conhecida como Auxerrois e subsistia basicamente com vendas regionais num mundo vínico cada vez mais globalizado. Quer gostemos ou não, foi o trabalho da Argentina com esta cepa, tanto qualitativamente como mercadologicamente, que fez os vinhos dela originados tomarem conta do planeta. Aliás, muito como o Uruguai fez com a Tannat e todo mundo pegou carona!

      Hoje é portanto, dia de celebrar essa reviravolta com um bom Malbec na taça e preferencialmente em boa companhia. Bons vinhos são sempre bem vindos, eu pessoalmente tenho uma queda por blends mais do que varietais, e há diversos Malbecs de muito boa qualidade e dos mais diversos estilos que podem hoje habitar nossas taças. Hoje tenho degustação com sete desses rótulos, mas se tivesse que escolher um para colocar na taça hoje, certamente seria um vinho que provei em recente viagem a Mendoza nas casa de Suzana Balbo, o Nosotros Malbec! Como não tenho bala para tanto, fica na imaginação e certamente os sete de hoje farão jus ao que de melhoros hermanos produzem sem que gastemos fortunas por isso! Agora, se preferir, porquê não um Malbec chileno ou francês só para citar dois dos mais fáceis de achar, pois o importante é celebrar. Salute, kanimambo e que Baco lhe ilumine na escolha do Malbec de hoje

Mais que o Dia Mundial do Malbec, a Semana do Malbec!

Malbec world Day        A Wines of Argentina promove mundialmente o dia 17 de Abril como o Dia do Malbec em função de ser a data, nos idos de 1853, que foi lançada a Quinta Agronomica, um projeto de desenvolvimento agrícola no país, com ênfase na reformulação da indústria vitivinícola do país. Foi Sarmiento, o 5º presidente do país, que nesse mesmo ano  instituiu a primeira escola de agricultura em Mendoza com a contratação do agrônomo francês Michel Aimé Pouget. Foi ele que trouxe as primeiras mudas de Malbec, entre outras, para Mendoza onde a cepa encontrou seu habitat tendo se tornado a uva ícone da Argentina e seu carro chefe responsável por cerca de 40% da produção anual, mas certamente bem mais do que isso se considerarmos somente as exportações.

        Para festejar esse dia diversas são as ações promovidas e começa hoje! Vejam o programa e aproveitem ao máximo a diversidade de estilos e sabores decorrentes dos inúmeros terroirs existentes na argentina.

10/04 – WineBar Malbec , diversidade de Mendoza – hoje ás 21 horas uma mesa redonda com gente que entende provando e comentando três rótulos ao vivo. Acesse http://www.winebar.com.br/

11/04 – Desafio ao Vinho de Daniel Perches. O Dani vai explorar as possibilidades de harmonização da Malbec e basta clicar no link para acessar o programa amanhã.

17/04 – Degustação de Malbecs às cegas na Vino & Sapore – Para comemorar o dia, uma degustação ás cegas com sete Malbecs de diversas regiões produtoras na Argentina, hoje o principal produtor de vinhos desta casta; San Juan, Mendoza e Salta.

DV Catena Malbec/Malbec – Alto los Hormigas Terroir – Colomé Estate – Decero Remolinos Vineyard – Bodega Riglos Quinto – Las Moras Black Label e AVE (Italian Wine Makers in the New World).

Venha sentir ás cegas, as diferenças que podem ser encontradas em vinhos da mesma cepa, porém de terroirs e produtores diferentes. Investimento de R$75,00 com R$15 voltando em crédito na compra de qualquer um dos vinhos em prova na noite. Inicio às 20 horas na Vino & Sapore, grupo limitado a doze pessoas e pagamento no ato da reserva. Ligue (4612.6343 ou 1433) ou envie logo seu e-mail (comercial@vinoesapore.com.br) para garantir seu lugar.

17/04 – WineBar Malbec II – desta feita um grupo de experts e aficionados pelos caldos de baco vão provar ao vivo uma série de outros rótulos mostrando a diversidade da Malbec. Acesse http://www.winebar.com.br/

18/04 – Desafio ao Vinho de Daniel Perches – ele de novo só que desta feita falando das diferenças dos malbecs provados, sempre uma boa dica.

Salute, desta feita com um bom Malbec, e kanimamb0 pela visita. Dois posts hoje, uau!!!! rs