Vinhos da Semana

              Nesta ultima semana provei alguns fantásticos vinhos, já que tive o privilégio de participar do Encontro Mistral ou, como eu o chamei, Mistral Experience! Bem, mas provar não é tomar e aqui falo, somente, dos vinhos que efetivamente tomei. É interessante, mas apesar da experiência que é você provar vinhos e conhecer novos produtos, este exercício de degustações nos deixa é com uma vontade danada de tomar vinho! Vamos lá, vamos aos vinhos que por mera coincidência são todos de 2004.

  • Clos de Torribas Crianza 2004. Este é um vinho bastante confiável e regular com comportados 12.5º de teor alcoólico. Já tomei de diversas safras e apresenta uma qualidade bastante constante que sempre agrada e satisfaz e supera a expectativa em função do preço, ou seja, entrega mais do que cobram por ele. Elaborado na região de Penedés, próximo a Barcelona, com Tempranillo e um leve “tempero” de 10% de Cabernet Franc, é um vinho frutado, fresco, elegante de taninos finos, muito bem equilibrado, boa estrutura, é um porto seguro quando na duvida do que comprar por um preço abaixo de R$30,00. Como o San Roman Crianza, é um vinho que não tem erro e os dois melhores custo x beneficio dos vinhos Espanhóis disponíveis no mercado. Pão de Açúcar, quando não em oferta, tem um preço ao redor de R$28,00. Um vinho que aprecio bastante e, volta e meia, freqüenta minha mesa. 

          I.S.P. $   

  • Dezem 2004 Cabernet Sauvignon. Vem de Toledo, no Paraná, mais um Terroir Brasileiro não muito conhecido. A Dezem vem recebendo boas criticas e comprei este Cabernet para formar uma opinião própria sobre este vinho. Por sinal, dizem que o Merlot deles também é de muito boa qualidade. De cor rubi, aromas não muito intensos apontando para frutas escuras, madeira e algo resinoso. Na boca é cheio, de corpo médio, taninos maduros muito bem equacionados, boa acidez, saboroso, fácil de agradar e no ponto para ser tomado. Uma agradável surpresa que acompanhou bem um bacalhau à Brás. O preço poderia ser mais convidativo, já que nessa faixa de preço existem opções bem mais interessantes tanto nacionais como importados, mas sem duvida um bom vinho equilibrado com seus 13º de teor alcoólico. Este comprei na Vinea Store, preço similar ao que tenho visto por aí, por R$48,00. I.S.P.  .
  • Ciclos 2004. Um corte de Malbec e Merlot produzido pela Michel Torino (Del Esteco) na região de Salta e que já tinha recomendado quando da matéria sobre os vinhos Argentinos. Com 15 meses de barrica e surpreendentes 13.5º de álcool para um vinho Argentino, é um vinho de muito boa qualidade. Com uma paleta aromática que não chega a empolgar, ganha força na boca com boa estrutura, frutas vermelhas com algo de baunilha, acidez média, muito bem equilibrado, soboroso, com taninos finos e macios, formando um conjunto de boa complexidade e persistência. Bom para acompanhar pratos mais condimentados ou uma boa chuleta. Na Portal dos Vinhos, está por volta de R$58,00.

          I.S.P  

  • Meia Pipa 2004. Produzido na região de Terras do Sado pela Bacalhôa Vinhos. É um vinho que me agrada muito. Envelhecido por 12 meses em meias pipas (250 litros) de carvalho Português, usadas em primeiro uso para envelhecer o famoso Quinta da Bacalhôa, é um corte elaborado com as uvas Castelão, Cabernet Sauvignon e Syrah.. Outro vinho que é um porto seguro para mim. Já tomei diversas safras e nenhuma me desapontou, mas há que dar um tempo para que ele alcance seu apogeu. Por experiência, acho que este vinho alcança seus máximos sabores, tornando-se macio e aveludado no quarto ano da safra. Este 2004, está no ponto, muito saboroso, apetecível, bom corpo, cheio na boca, boa fruta com toques de tostado e algo de especiarias. Boa acidez, longo, elegante, teor alcoólico de 13.5%, um vinho de primeira. Como dicas de harmonização, um coelho à caçadora, bacalhau á lagareira e um bom churrasco. Já comprei este vinho por R$37,00, não faz muito tempo, subiu para algo ao redor de R$45,00, faixa em que ganharia o simbolo de boa compra, e agora já se encontra por aí com preços ao redor de R$55,00 (em Portugal este entre 4,50 a 5 Euros). Cada um sabe de si, mas acho que o importador está indo com muita sede ao pote, comprovado pela performance dos preços do restante de sua linha de produtos, e saindo fora de preço. Uma pena, porque o vinho é realmente muito bom. Bom que ainda tenho umas duas garrafas que comprei por R$38,00! Em São Paulo você pode encontrar na Kylix e na Portal dos Vinhos, nossos parceiros, entre outras lojas. I.S.P  

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção  “ONDE COMPRAR” 

Cinco Vinhos

                 Final de tarde de Domingo muito agradável, sentado no terraço enquanto me delicio com uma taça de Vinho do Porto Quinta de Baldias Tawny (Lusitana), escrevo sobre estes cinco vinhos tomados ao longo destes últimos dias, período no qual me debrucei na prova e descoberta dos vinhos de Bordeaux e Languedoc sob os quais estarei escrevendo a partir da próxima semana. Sem muita escolha, seleção ou ciência, na verdade apenas uma coletânea de opiniões e sensações que gostaria de compartilhar. São vinhos que cabem no bolso, com preços que variam entre R$25 a 37,00, e que me souberam bem.

 

La Florencia 2005, Mendoza, Argentina.  Este rótulo possui também outros varietais dos quais o mais conhecido é o Malbec. Eu tomei o Merlot, porque queria algo diferente e há muito busco encontrar um de qualidade e preço médio na Argentina. A cor é de um rubi profundo e bonito, com bom brilho. Os aromas não me chamaram a atenção, mas na boca aparece alguma fruta vermelha com algumas notas herbáceas e algo defumado ao final, de corpo médio, boa intensidade e um leve amargor no final. De taninos firmes já maduros sem grande adstringência e baixa acidez. Bem feito, mas seu estilo austero não me encantou. Vinho correto por cerca de R$32,00.

 I.S.P.  

 

Monte do Vilar Tinto 2005, Alentejo, Portugal. (Lusitana) Um vinho com a cara do Alentejo, elaborado com Aragonês e Trincadeira, corte típico desta região. Bela paleta aromática de boa intensidade onde aparecem claramente frutas vermelhas e algo de café tostado. Na boca, a sensação olfativa se confirma com acentuação em fruta madura e boa acidez num vinho de corpo leve e fácil de agradar que certamente se dará bem, levemente refrescado, acompanhando um arroz de bacalhau e brócolis ou um churrasco de carnes menos gordurosas ou, quem sabe, até um arroz de pato. Taninos maduros e macios num saboroso final de boca. Por cerca de R$28,00 meu I.S.P.  $   

Marco Luigi Reserva da Família Merlot 2003, Bento Gonçalves, Brasil. Este produtor tem uma série de produtos de que sou fã. Possui um Merlot básico varietal por cerca de R$22,00 que é muito saboroso, um Conceito Tempranillo por cerca de R$30,00 que também acho bastante interessante, assim como os espumantes dos quais destaco o Reserva da Família Brut e o Moscatel. Desta vez tive o prazer de tomar este muito saboroso Merlot da linha Reserva da Família. É realmente, um vinho mais evoluído, de médio corpo com álcool bem comportado em 13º, bom volume de boca, boa acidez, taninos maduros, finos e elegantes estando, na minha opinião, no auge para ser tomado. De interessante complexidade tanto no nariz como na boca, é um vinho de persistência média e bom final de boca que só vem comprovar minha tese de que, nos níveis médios de preço, os Merlots nacionais não devem para ninguém. Um dos bons produtos nacionais disponíveis no mercado e bem posiconado no quesito preço considerando-se a qualidade oferecida. Uma pena que em São Paulo não seja muito fácil de encontrar. Por cerca de R$33,00, vi no site da Costi Bebidas em Porto Alegre. I.S.P.  $ 

Callia Alta Shiraz (syrah)/Malbec 2006, Mendoza, Argentina. (BR Bebidas / Kylix) Pelo que pesquisei, este produtor parece trabalhar muito bem os vinhos de corte tendo a Shiraz, ou syrah, como sua casta dominante. Este corte, especificamente, achei muitíssimo agradável e fácil de tomar. Vinho correto, descompromissado, nariz de boa fruta fresca, taninos finos maduros, plenamente integrados, macio e sedoso, ótimo para acompanhar uma pizza, um bom cheese-salada, mesa de frios ou coisa do gênero. Dentro do estilo, e com um preço ao redor de R$26,00, é um vinho que satisfaz e que incentiva a  provar os outros cortes; Shiraz/Cabernet e Shiraz/Bonarda.

I.S.P. $

Masseria Trajone, Nero D’Avola, Sicília, Itália 2004. (Vinci/Portal dos Vinhos) Não sou um especialista ou grande conhecedor de vinhos Italianos, mas é o segundo vinho elaborado com esta cepa autóctone, que tomo e aprovo. O outro, o Passo Delle Mule, é um espetáculo de vinho que me encantou, tendo-o comentado num post anterior, e está num patamar de preços bem mais alto. Este é um vinho menos elaborado, mas segue sendo extremamente prazeroso de tomar. Tem uma paleta aromática bastante intensa e na boca é puro prazer. Muito equilibrado, boa estrutura, redondo, macio, boa acidez, enche a boca de prazer num final de boca médio e muito saboroso. Um belo achado por este preço de cerca de R$37,00, faixa em que contracena com o Altano, um vinho do Douro importado pela Mistral, mas que não faz parte desta análise, e que é outro belo produto por um preço incrível.

Meu I.S.P. $ 

 

Zuccardi “Serie A”

                 Mais uma vez me sinto um privilegiado ao poder participar de um agradável almoço de apresentação de um novo vinho. Neste caso, de diversos vinhos já que se tratava de uma nova linha de produtos que a Zuccardi, vinícola Mendocina, lança no Brasil em conjunto com a Expand. Afora o privilégio de tomar estes vinhos, tive o prazer de conhecer o homem por trás deste trabalho, José Alberto Zuccardi. Iniciamos com uma apresentação da vinícola em que, a meu ver, ocorreu o grande destaque do evento, uma frase dita por José Alberto; Não há vinhos de qualidade sem gente de qualidade. Não desmerecendo os vinhos, muito pelo contrário, mas esta é a essência de tudo, a espinha dorsal do projeto como um todo. Esta é uma filosofia que prezo muito e, de cara, ocorreu uma sinergia de idéias. Esta filosofia, conjuntamente com a capacidade de inovação, é que fez com que a Zuccardi, se tornasse a vinícola familiar líder na Argentina.

                 Para este projeto foram construídas instalações novas com 30% dos vinhedos orgânico, o restante muito próximo disto, sem uso de qualquer forma de pesticidas. A linha de vinhos Serie A, é composta de: um vinho branco, corte de Chardonnay com Viognier e três tintos varietais a 100%, um Malbec, um Syrah e um Bonarda. Falemos dos vinhos:

  •  Chardonnay/Viognier 2007, com 50% de cada cepa e 13.5% de álcool, resulta num vinho muito fresco, com ótima acidez, suave e ligeiro. Acompanhou uma entrada de Bobó de Camarão na mini moranga. Com a comida, cresceu assustadoramente me surpreendendo positivamente.
  • Syrah 2006, com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Com 14º de teor alcoólico muito bem balanceado, boa fruta madura, boa estrutura, levemente especiado com a tipicidade da casta. Foi o que melhor harmonizou com o risoto de ossobuco com ragú. Muito bom.
  • Malbec 2006, com 70% dos vinhos passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Vinho saboroso, de muito boa acidez o que não é muito comum ao Malbec Mendocino, com taninos finos e elegantes.
  • Bonarda 2006, também com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. O teor alcoólico é bem comportado com 13º, boa estrutura e corpo numa soberba paleta aromática com frutas silvestres que se confirmam na boca com uma boa acidez, final de boca suave, redondo de média persistência. Individualmente, para tomar solo, talvez o mais interessante de todos os vinhos desta Serie A. Realmente a Bonarda, é a uva do futuro na Argentina!

No geral, bons vinhos, elaborados com muita competência, os tintos com uma previsão de guarda em torno de uns 4 a 5 anos, que a Expand coloca no mercado ao preço de R$55,00. Os destaques, para mim, foram o Bonarda e o Syrah que me agradaram muito e recomendo, cada um a seu modo. Acredito que, se este preço pudesse estar abaixo de R$50,00, teríamos aqui um grande custo x benficio.

                 Para finalizar, ainda pude provar o Zuccardi Zeta (top de linha da Zuccardi), um belíssimo e divino corte de Malbec e Tempranillo, dentro os grandes da Argentina e o MALAMADO. Para quem não conhece, um vinho fortificado à base de malbec elaborado à moda do porto, de onde advém o nome. Delicioso! salute e kanimambo.

Argentina – Regiões & Uvas

               Retomando a sequência de análise do universo dos vinhos por país, falaremos um pouco da produção de vinhos na Argentina e, em separado em Tomei e Recomendo, sugestões de algumas boas opções desses vinhos que provei e aprovei. Na sequência, virá um post com as Boas Compras de vinhos Argentinos, um projeto em conjunto com diversas lojas. Tudo durante esta semana de 10 a 17 de Fevereiro.

                 Estamos diante de um claro exemplo de que a necessidade é a mãe da invenção. Quinto maior produtor mundial, a Argentina até 1990, tinha um consumo interno per capita anual, ao redor de algo como 90 litros estando hoje, por volta de 32 litros. O consumo, todavia, segue sendo um dos maiores, se não o maior, per capita fora da Europa. Esse alto consumo sem qualquer exigência de qualidade resultava em vinhos de baixa qualidade a preços baixos. Com a crise que atingiu o país, as vendas despencaram e os produtores se viram forçados a buscar o mercado internacional que tinha um outro nível de exigência. Somente após este momento, é que a Argentina realmente iniciou um projeto de desenvolvimento sustentável, de longo prazo, na industria de vinhos finos e os vinhos ganharam qualidade. Com muito investimento local, e especialmente internacional, a industria galgou degraus rapidamente em uma verdadeira revolução vinícola, com importante participação de Catena Zapata, produzindo vinho com boa qualidade média a preços competitivos. Neste sentido, a principal região vinícola do País, Mendoza, se tornou uma Babel com enorme participação de produtores e capital Francês, Espanhol, Chileno, Português, Americano, Holandês, Italiano, Americano e Austríaco.

             Suas exportações aumentaram em mais de 20 vezes e está, hoje, disputando palmo a palmo com o Chile, a primazia de ser o maior exportador de vinhos para o Brasil, disponibilizando produtos de todo o tipo, qualidade e preço. Em 1992, somente 1% da produção era exportada enquanto hoje esse porcentual está beirando os 20 a 23%. São vinhos, fundamentalmente, produzidos em altas altitudes, acima de 850 metros até 2000 metros, em regiões quentes e semi-árida com pouquíssima chuva (quase desértica) com irrigação sendo efetuada com águas captadas nos Andes. Estas características geram vinhos com tendência a grande concentração de fruta, alto teor alcoólico e baixa acidez, provocando em muitos casos, a necessidade de acidificação do vinho. Com o decorrer do tempo e necessidade de buscar novas terras com preços mais baixos e estudo de terroirs para determinados tipos de cepas, as fronteiras de Mendoza foram ultrapassadas e hoje se produzem vinhos de ótima qualidade em diversas outras regiões da Argentina, com uma diversidade de altitudes e climas como, por exemplo, na Patagônia.

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Principais regiões de produção de vinhos finos:

  • Mendoza, com os principais distritos sendo – Lugan de Cuyo (sub-regiões de Agrelo/Pedriel e Vistalba), Maipu, San Rafael e Vale do Uco (sub-regiões deTupungato e San Carlos). Responsável por cerca de 65% (já foi 80%) de todo o vinho produzido na Argentina e 80% de tudo o que é exportado.
  • Salta, com destaque para a sub-região de Cafayate e de vinhedos plantados em alturas muito altas, acima de 1.600 metros.
  • San Juan
  • La Rioja
  • Patagônia com destaque para as sub-regiões de Neuquen e Rio Negro, região mais Austral do mundo produzindo vinhos. É daqui que estão saindo alguns dos melhores vinhos elaborados com as uvas Pinot Noir e Sauvignon Blanc, cepas que gostam do frio.

Principais uvas:

  • Brancas: Chardonnay, Torrontés com especial ênfase nas regiões de Salta e La Rioja, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc.
  • Tintas: Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo, Bonarda e, em uma menor participação mas em evolução, Pinot Noir e Syrah.

                A Malbec é a mais emblemática das cepas Argentinas e originária da região de Bordeaux na França onde, fundamentalmente, é usada como assemblage (corte) na elaboração de vinhos de grande categoria e reconhecimento internacional. Aqui, ela superou suas origens e ganhou caráter e personalidade próprias, sendo muito usada como varietal e como corte em grandes vinhos. Geram vinhos de grande concentração de frutas, acidez moderada e taninos aveludados. No entanto, não é só de Malbec que se faz a reputação dos vinhos Argentinos. O Cabernet Sauvignon tem lugar de destaque, a Tempranillo se acomodou muito bem na região e já produz vinhos muito bons, sem contar a Bonarda que começa a produzir vinhos de excelente qualidade. A Merlot ainda tem poucos rótulos de qualidade e a Pinot Noir e Syrah começam a produzir vinhos de qualidade em várias faixas de preço. Nos brancos; a Torrontés gera vinhos excelentes nas regiões de Salta e La Rioja, a Chardonnay gera vários bons vinhos dignos de serem provados enquanto que, a Sauvignon Blanc, só agora começa a mostrar produtos de qualidade, em sua maioria produzidos nas regiões mais frias. São um total de cerca de 1200 vinícolas das quais, aproximadamente, 900 situadas na região de Mendoza.

                Na minha opinião, até em função das benesses tarifárias do Mercosul, é daqui que sai o real vinho do dia-a-dia. Vem muita coisa ruim de baixo preço, mas deixe de lado o preconceito de que vinho barato é ruim e, surpreenda-se. Existem boas exceções à regra e podem-se tomar vinhos bem razoáveis, bem feitos e agradáveis, já a partir de R$13,00 dependendo do local de compra. Em Tomei e Recomendo, post em separado a ser publicado concomitantemente com a distribuição do jornal por volta de dia 15, listo algumas dessas boas opções pessoalmente testadas e aprovadas. São vinhos de boa, para muito boa qualidade, em sua faixa de preço especifica e rótulos que, não só provei, como voltei a comprar e tomar.  Com grande diversidade de cepas, cortes e varietais a oferecer, sem duvida alguma, os vinhos da Argentina, assim como os Portugueses, são os que entregam o melhor custo X beneficio e nos fornecem os verdadeiros vinhos do dia-a-dia, mas vão além, presenteando-nos com outros belíssimos vinhos em diversas faixas de preço e algumas obras de arte, verdadeiros néctares de primeira grandeza.

           Importante lembrar que as legislações, tanto Argentina quanto Chilena, permitem um porcentual grande de participação de outras uvas num vinho varietal. Por exemplo, quando você compra um Cabernet Sauvignon, você poderá ter 10 ou 15% de Merlot ou Malbec ou, ainda Carmenére  de corte. O verdadeiro varietal é aquele com 100% da uva mencionada no rótulo. Nos restantes, a empresa pode até declarar o varietal, mas você poderá estar tomando um vinho de corte que muda, radicalmente, os sabores e paleta aromática do vinho.

Dois Tintos Divinos – Reguengos Garrafeira dos Sócios e Angelica Zapata Alta Malbec

                   Para inveja (boa) de minhas amigas Sandra, Regina e, especialmente a Juliana, que adoram este vinho, o Angelica Zapata Alta Malbec 2003, foi o vinho de minha ceia de reveillon.  Calma meninas, ainda existem mais de 300 dias neste ano para tomar outras garrafas!

 

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Bem, ainda prefiro o 2002 que acho um pouco superior, mas, por outro lado, acho que este Angelica merece mais um ano de garrafa apesar de já estar pronto. Catena Zapata em todo o seu esplendor, um dos grandes vinhos Argentinos. Segue sendo um vinho delicioso, muito bem estruturado, encorpado, saboroso, taninos finos, bem aromático e persistente. Nesta noite, escoltou um cordeiro com risoto de rucula com enorme fidalguia. Incomodou-me, um pouco, o alto teor alcoólico de 14,5º que acho um pouco exagerado. Aliás, este tema merece uma matéria especial sobre o qual me debruçarei muito em breve. Está, no entanto, muito bem equilibrado e não se sente ao tomar, porém na terceira taça ………. Mesmo assim, um belíssimo vinho que vale cada centavo pago e, na promoção da Casa Palla a R$78,00 é um custo X beneficio impressionante.

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                   Animado pela ótima ceia, e pela companhia, reuni o restante da família para um agradável churrasco neste primeiro dia de Janeiro. Adoro estar rodeado da família, o dia estava lindo e, para abrir o churrasco, um espumante Moscatel Marco Luigi para despertar e aguçar as papilas gustativas. Super fresco, uma delicia como sempre só, peninha, que lá se foram as ultimas duas garrafas e o verão só começando. Há que repor o estoque rapidamente! Para acompanhar o churrasco, chuleta e picanha, um divino Garrafeira dos Sócios Reguengos 2000, da região do Alentejo, Portugal.

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Um pujante e elegante vinho Alentejano com caráter e personalidade, elaborado com as uvas Aragonês, Trincadeira e Castelão.  Cor grená e, mesmo não sendo exuberante , possui boa complexidade aromática, com leves toques florais. Encorpado, mas ao mesmo tempo com uma suavidade impressionante. Com seus 13.5º de álcool, é um perfeito equilíbrio de sabores,  aromas, acidez, álcool e taninos que enche a boca de prazer. Literalmente, um vinho redondo, sem arestas. Um vinho que se orgulha de ser Alentejano e não se dobra a modernismos. Um grande e aveludado vinho, de pouco marketing, que deixa muitos famosos no chinelo. Não é de agora que conheço este vinho e é, sempre, como visitar a casa de um velho e querido amigo, confiável e afável. Daqueles vinhos em que você fica na duvida se pede, mais uma taça ou mais uma garrafa! Um dos meus favoritos, disponível na casa Santa Luzia, ou na Vinhos Seleto por cerca de R$78,00, um ótimo preço pela satisfação e qualidade que você leva para casa. Comecei muito bem o ano, inclusive no que se refere a assuntos etílicos! Ah, ia-me esquecendo, o churrasco estava muito do bom!!

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Los Cardos

              É, era muito bom para ser verdade (post de Dez. 13)! Cava Cristalino por R$19,90  foi um engano, durou um dia e depois sumiu. Bem, mas a promoção de Los Cardos no Pão de Açucar, é vero! Paga-se R$29,90 e, ao comprar duas, leva-se a terceira garrafa grátis o que significa R$19,90 cada e, neste caso, não tem para ninguém. Fiquei de comentar a compra na próxima coluna mas ai achei que ficava tarde e decidi antecipar para que os amigos possam ter a oportunidade de aproveitar a promoção antes que termine.                                   

            O Malbec 2006, é um vinho muito aromático, frutas do bosque, fresco, com boa intensidade, redondo com grande equilibrio, boa acidez e taninos finos. Jovem mas já pronto a tomar. Na boca repete os aromas com algun toque herbáceo e algo de especiarias. Muito bom, com bastante tipicidade da cepa, é um vinho de leve para médio corpo que certamente agradará à grande maioria.  Para esta época do ano quando a variedade de pratos é muito grande, creio que é um vinho que harmonizará fácil com quase tudo. Eu vou aproveitar e comprar mais, difícil encontrar esta qualidade por este preço!  Um desses belíssimos vinhos que supera expectativas e nos enche de prazer.  $ smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gifdancsmile1.gif

            O Cabernet Sauvignon 2006, como de esperar, é um vinho mais encorpado. De um vermelho granada, aromas de fruta madura, ameixa. Na boca, boa persistência, um leve apimentado e, ao final, se sente um pouco o álcool de 14º. Mais uma vez reflete bem a tipicidade da cepa, num conjunto agradável mas de acidez um pouco abaixo do que me agrada, mas que não prejudica o todo. Taninos presentes, mas finos e elegantes ainda levemente adstringente. Pronto para beber, mas acho que o vinho se beneficiará bastante com mais uns seis meses de guarda quando deve “arredondar”(os puristas vão me matar) mais. Belo vinho que, por esse preço, é uma verdadeira pechincha. Deverá harmonizar bem com carnes de sabores e/ou temperos mais fortes. Só faltou aquele algo mais ….smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gif

                 Não tomei o Sauvignon Blanc, mas pelo que li é uma boa opção de qualidade na área dos vinhos brancos.