TOPS Argentinos – Charlando e Bebendo com os Panas.

                Vocês conhecem os Panas? Pois bem, antes que meus amigos portugueses venham a tirar conclusões precipitadas, “pana” é uma gíria venezuelana usada por amigos que se sentem mais que isso, se sentem irmãos! Foi daí que nasceu a confraria 2 panas, que já são cinco e se reúnem mensalmente para degustar grandes vinhos, com alguns dos confrades sendo participantes ativos do grupo que compõe a banca de degustadores de nossos Desafios de Vinhos. Desta vez fui convidado por dois deles, o Francisco (pana-mor) e o Evandro, com quem tive a agradável oportunidade de provar alguns dos grandes vinhos premium argentinos trazidos por este seleto grupo de panas.

              Encontramo-nos no Restaurante Pobre Juan da Vila Olimpia, restaurante que realmente é lindíssimo e cheio de charme com uma decoração muito bonita e aconchegante. Aliás, a da filial de Higienópolis também é assim. O serviço foi de primeiríssimo nível e as carnes boas com um especial destaque para a excelente morcilla, muito bem temperada e no ponto. Para quem gosta, como eu, um prato cheio!!

             Sete vinhos provados, alguns excepcionais rótulos de grande fama, mas que pecam, a meu ver, por uma certo exagero no teor alcoólico e falta de finesse, exceção feita aos três vinhos que mais me encantaram; Val de Flores, Caro e Alta Vista Alto, que conseguem mesclar potência com elegância numa riqueza de sabores que efetivamente encantam.Degustação Panas

 

  • Altocedro 2004
  • Yacochuya Malbec 2005
  • Caro 2005
  • Vistalba Corte A 2006
  • Alta Vista Alto 2004
  • Val de Flores 2004 
  • Mundvs Alto Cabernet Sauvignon 2005 * vinho surpresa 

             Não tenho tomado muitos vinhos argentinos porque tenho buscado sabores e sensações diferentes que dificilmente tenho visto na maioria dos vinhos de lá, mesmo os chamados vinhos premium ou super-premium, estando a maioria muito similares sem apresentar algo significante que os diferencie uns dos outros e sem produzir aquele UAU que esperamos de vinhos desse porte, salvo algumas exceções. Afora isso, pelo preço que estes, teoricamente, grandes vinhos estão chegando ao Brasil, temos hoje inúmeros grandes rótulos de outras origens com maior complexidade e riqueza de sabores que me têm atiçado mais a curiosidade. Por outro lado, tenho me assustado com o teor de álcool em constante elevação nesses vinhos, nesta degustação acho que o menor tinha 14%, nível que, para mim, costuma ser minha linha limitante. Tudo bem, há gente que gosta e respeito isso, mas eu não consigo encarar um Yacochuya com 16.5% de teor alcoólico fortemente sentido tanto no nariz como na boca, transpira álcool por todos os poros, mesmo com as altas notas que diversos críticos lhe deram. Acho que vinhos com essa potência perdem a função social, tanto que este não passaria no meu teste da terceira taça, mas nem a pau, aliás, nem na segunda!

               Um vinho que surpreendeu, até porque não é muito caro, é o Mundvs Alto 2005 que a casa Valduga produz em terras mendocinas e que mostrou muito boa estrutura e equilíbrio apesar de seus altos 15.5% de teor alcoólico, mas talvez o melhor custo x benefício de todos os vinhos provados tenha sido o Caro que, não por acaso, foi um dos meus preferidos e o único com “apenas” 14% de álcool. Legal a forma como o Evandro, confrade anfitrião da noite, preparou a degustação apresentando diversos cortes de carne para que sentíssemos as diversas harmonizações possíveis. Um exercício sensorial muito legal que você pode acompanhar melhor acessando o blog da confraria.

Valeu gente, uma bela experiência com vinhos que há muito queria conhecer e, muito mais que isso, o privilégio de poder desfrutar da agradável presença dos confrades.

Turma da Confraria Panas3

Salute e kanimambo

Ps. em função do Dia dos pais, adiantarei o Dicas da Semana para amanhã!

Tremenda Semana de Bons Vinhos

              Já fazia um tempinho que não postava sobre os vinhos da semana e desta feita uma bela quina de rótulos tomados que me trouxeram grande satisfação. Ah se pudesse ser sempre assim?! Para começar, tenho mais ou menos cumprido minha promessa de ano novo, tomar mais espumantes, tendo feito isso mais uma vez num gostoso fim de semana ensolarado. Por sinal, nesse mesmo fim de semana minha filha e meu genro estiveram em casa então tinha que ter um vinho do porto para o final da refeição, e que belo exemplar de LBV! Enfim, vamos aos finalmente, vamos falar de vinho.

2 weeks 003

Veuve Paul Bur Blanc de Blancs Brut, um dos bons espumantes disponíveis no mercado e opção para quer um produto mais sofisticado que não seja de origem nacional, elaborado com Chardonnay/Sauvignon Blanc e Chenin Blanc na região de Bordeaux. Ainda tenho umas duas garrafas sobrando de minha última compra, e é sempre um saboroso porto seguro. A perlage é abundante e persistente, de tamanho médio , enorme frescor, equilíbrio, corpo leve e equilibrado, ótima acidez, aromas em que aparece um sutil brioche, boa fruta e leve floral que encanta e se repete na boca. Tudo isso sem perder a personalidade Francesa, difícil é deixar de terminar a garrafa!  Na Zahil por R$49,00, mas estas eu comprei em promoção por cerca de R$35,00, se não me engano, lá para Outubro do ano passado. Uma bela compra que segue me dando muito prazer ao abrir. I.S.P.$

Altimus 2004 um argentino que conheci há uns dois anos, produzido por Michel Torino e situada na alta gama de seus produtos. De lá para cá esta é a terceira garrafa que tomo e tem-se mostrado em plena evolução, sendo esta a melhor de todas elas. Um corte de malbec, cabernet, merlot e bonarda, no mínimo diferente, mas para o meu palato um vinho que me agrada sobremaneira. Sai um pouco da mesmice que ultimamente impera por terras argentinas, talvez pelo aporte de Bonarda que lhe traz uma concentração de fruta diferenciada. É bastante aromático, convidando á taça e na boca mostra-se bem redondo, macio, rico e harmonioso com boa acidez, um vinho para curtir e tomar nas calmas permitindo que se abra na taça. O preço, por volta dos R$85,00,  poderia ser algo mais barato, mas comprado na argentina é um vinho que vale a pena ter na adega. I.S.P .  

Ser Gioveto 2000, um super toscano, elaborado com sangiovese, como protagonista, mas tendo a cabernet sauvignon e merlot como coadjuvantes de primeira linha, que aos 9 anos começa a mostrar-se por inteiro. Já o tinha tomado há cerca de um ano atrás quando ele se mostrara mais fechado. Sua paleta olfativa  abriu-se mostrando-se bem frutado com nuances de especiarias que nos impelem a levar a taça à boca. Encorpado, denso, carnoso, ainda se mostra vigoroso, com uma personalidade muito própria, potente, porém elegante de boa textura e taninos sedosos, equilibrado com ótima acidez que implora por um bom prato. Um senhor vinho, de longa persistência e um saboroso final de boca algo terroso. Muito bom,  aliás como tudo o que a Rocca dela Macie faz já que não tem nenhum vinho deles, baixa, média e alta gama, que eu não goste. As minhas garrafas se acabaram, mas quem ainda tiver algumas, esteja certo que tem vinho por mais um bom par de anos. Na Expand por cerca de R$118,00. I.S.P. $ 

Selvapiana Bucerchialle Chianti Rufina Riserva 2003, mais um da Toscana desta feita um tradicional corte de Sangiovese com Canaiolo. Ganhei de uma amiga e ainda me resta uma garrafa, de três, que acho deverá ficar na adega por mais um tempinho, pois ainda se encontra fechado. Muito encorpado, potente, aromas algo defumado com ameixa vermelha e nuances florais, na boca é extremamente saboroso, muito concentrado, grande volume de boca, taninos ainda firmes, mas refinados, final de boca algo terroso e longo, muito longo. Um vinhaço que precisa de tempo. Uma pena que não esteja disponível no Brasil, mas certamente um vinho que os amigos podem buscar em uma viagem ao exterior, certamente um vinho que o amigo Paulo Queiroz (amante dos vinhos italianos) apreciará. Na Inglaterra custa algo em torno das 18 Libras e nos Estados Unidos entre USD25 a 30. I.S.P. . 

Niepoort LBV 2004, um grande final para uma tremenda de uma semana de bons néctares. Já gostava do 2000 e do 2001, mas a Niepoort extrapolou desta feita e elaborou um dos melhores, se não o melhor, LBV que já tomei. Esta meia garrafa eu trouxe de Portugal e é no mínimo imperdível para quem gosta deste tipo de vinho. Aromas intensos de frutos negros, chocolate, especiarias, uma paleta olfativa sedutora e complexa que convida a tomar. Na boca está cremoso, elegante, vibrante, ótima textura e muito equilibrado com um final longo e muito saboroso. Numa próxima viagem certamente trarei algumas garrafas, mas enquanto não dá compramos na Mistral por bons R$90,00, (considerando-se o restante da concorrência) ou próximo disso. I.S.P. .$ 

Que venham mais semanas destas, salute!

Vinhos da Semana

             È, fazia tempo que não publicava nenhum post destes “vinhos da semana” que vou tomando e compartilhando com os amigos. A periodicidade não é bem essa, mas isso é o que menos importa, o que vale mesmo são os vinhos e esta foi uma semana das boas, entre outras coisas porque matei saudades do gostoso Quinta de Camarate, mas tem mais!

Camarate + 003 

 

Ochotierras Gran Reserva Carmenére 2005, a última de minhas garrafas (snif,snif) deste vinho realmente estupendo sendo um dos varietais desta cepa que mais me encantaram até hoje. Está com uma paleta olfativa cativante de ótima intensidade, na boca é de grande elegância, muito harmônico com ótima acidez o que lhe dá uma vivacidade muito interessante, taninos finos e aveludados, rico, boa estrutura um leve apimentado final de boca com boa persistência. É importado pela Brasart e da última vez que vi estava disponível na Kylix e BR Bebidas com preço ao redor de R$90,00. Para tomar hoje e aproveitar por mais um bom par de anos.   I.S.P. 

 

Orzada Malbec 2005, ganho do amigo Cláudio do Le Vin au Blog em sua promoção de sugestão de perguntas para sua enquete semanal, é um Malbec chileno e, conseqüentemente, diferente dos argentinos que estamos habituados a tomar. É um vinho muito agradável ao olfato com presença de frutos negros, na boca é untuoso, macio e elegante sem a concentração exagerada que vemos muitas vezes nos vinhos argentinos, equilibrado, saboroso, taninos finos e sedosos, final de boa persistência uma pena que o preço seja tão caro. Na World Wine por R$86,00, em São Paulo, acho além da conta. Este produtor também produz um estupendo varietal de Carignan. I.S.P.  

 

Elos Malbec/Cabernet Sauvignon 2006, da linha dos topo de gama da Lídio Carraro é um vinho muito bom que me agradou bastante. Nariz agradável de frutas do bosque maduras, algo vegetal, aparecendo um caramelo em segundo plano e após um tempo em taça. Na boca mostra-se bem equilibrado com taninos maduros e macios, untuoso, médio corpo, bom volume de boca, saboroso e de boa persistência. Pelo preço aqui em São Paulo, variando entre R$55 a 65,00 acho um pouco puxado. Pelos R$40 que vi em lojas do Sul (na Costi Bebidas em Porto Alegre vi em oferta por R$36 e a este preço compraria de caixa) é uma das boas opções do mercado nos dias de hoje. I.S.P.

 

MUMM Cuvée Reserva Brut, espumante produzido por esta Casa de Champagne na Argentina. Pouca espuma, cor palha, perlage de tamanho médio com razoável persistência. Aromas de boa intensidade com forte presença de leveduras e brioche num estilo aromático mais tradicional. A sensação no palato segue o nariz, bem balanceado e frescor adequado sem ser vibrante com um leve amargor final. Para quem gosta do estilo, é interessante, mas não chega a empolgar. Pelo preço, em torno de R$26,00, vale, mas acho que temos melhores opções nacionais nessa faixa. I.S.P.

 

Quinta de Camarate 2005, um dos meus vinhos portugueses preferidos e que há muito não tomava, daqueles que a gente compra e não só bica em degustações ficando somente no desejo. Da Terras do Sado (CVR Setúbal) é produzido Diversos 117pela José Maria da Fonseca, uma das mais antigas vinícolas portuguesas, a primeira a engarrafar vinhos no país lá pelos idos de 1850. Conheci este vinho no Brasil por volta de 2005 quando o Pão de Açúcar o importava tendo, inclusive, comprado diversas caixas junto com amigos. Depois, voltei a tomá-lo num delicioso jantar com um amigo que há muito não via, lá Quinta do Anjo em Palmela “esquina” com o Azeitão, no gostoso restaurante Alcanena. Pelo que me lembro do vinho, melhorou mais ainda, ou será o fator saudade e uma certa nostalgia influindo? De qualquer maneira, vinho tem que mexer com as nossas emoções e este mexeu, e muito, com as minhas. Corte de Touriga Nacional (sempre ela) com Aragonez e Castelão, está com quatro anos de vida, e no ponto para ser bebido. Nariz muito frutado “red berries”, floral com nuances tostadas, muito rico em sabores em que a fruta se mostra muito presente, bom volume de boca, corpo médio, taninos macios, ótima acidez, mineral, redondo e harmônico com um final levemente especiado e longo. Um vinho para tomar levemente refrescado, por volta de uns 16º e muito, muito agradável de tomar. Está na faixa do 7,50 para 9 euros e foi uma das boas compras que fiz na ultima vez que estive em Portugal. Dizem que o branco também é muito bom, mas ainda não tive oportunidade de o provar, está na lista. Não entendo como nenhum de nossos importadores traz este vinho!! I.S.P. 

Salute e kanimambo.

Domno Traz Vistalba

                Domno, o novo projeto da Famiglia Valduga tem como objetivo produzir bons espumantes em sua sede em Garibaldi, no Vale dos Vinhedos, e importar e distribuir vinhos em geral. Uma de suas primeiras aquisições como importador foi a Vistalba, como já informado, e fui convidado a conhecer a linha de produtos trazidas por eles degustando alguns dos rótulos já disponíveis no mercado. Duas linhas principais de duas regiões diferentes, a Tomero e a Vistalba com os cortes A, B e C.

Foto  Tomero Petit VerdotA Linha Tomero é bastante ampla com oito varietais elaboradas com uvas do Valle do Uco advindas de 400 hectares de vinhedos plantados a cerca 1.100 metros de altitude. Destes oito, provamos o Sauvignon Blanc, Semmillon,  Malbec, Malbec Gran Reserva, Pinot e Petit Verdot Reserva. Todos bons vinhos; o Sauvignon Blanc por sua sutileza, frescor e equilíbrio resultando num vinho muito agradável de tomar. O Malbec Gran Reserva é um vinho de grande potência, robusto, firme e, em se tratando de um 2006, ainda muito novo para se apreciar todo o seu potencial. Pinot agradável, de maior potência e volume de boca do que estamos acostumados mostrando uma cara bem “novo mundista”, mas foi o Petit Verdot que me encantou. Já tinha provado alguns varietais desta cepa, comumente usada em cortes, e não me tinham agradado por sua rusticidade e agressividade. Este mostra força, mas sob controle, nariz de boa intensidade, boa concentração, taninos finos e aveludados com um final algo quente, mas de boa persistência e muito saboroso, um vinho que surpreende e é isso que mais me agradou.

         A gama de vinhos Vistalba é diferente a começar pelo conceito, já que são todos cortes. Vêm de Vistalba, LujanVistalba Corte B 2004 de Cuyo, de um vinhedo de 53 hectares plantado a cerca de 980 metros de altitude onde se plantam Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Bonarda. A linha é composta de de três cortes. O Corte “C” que é um blend  majoritário de Malbec com Merlot, o Corte “B” um pouco mais complexo em que se juntam quatro cepas; Malbec, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Merlot e, finalmente, o topo da linha o Corte “A” em que se usa a Malbec e Cabernet Sauvignon em partes iguais e complementa-se com 20% de Bonarda. Já tinha provado anteriormente e mais uma vez confirmei a minha impressão, os Cortes B e C me parecem mais equilibrados e harmônicos do que o A que, ainda por cima é bem mais caro e com algo de excesso de álcool que já se sente no nariz e confirma na boca. Já os outros dois me agradam muito, em especial o Corte B que se apresenta muito bem equilibrado, rico e denso na boca com boa concentração, mas sem excessos mostrando taninos sedosos e uma acidez equilibrada num final de boca aveludado e longo, um belo vinho.

         O único senão desta equação é o preço já que estes rótulos estão chegando mais caros do que na importadora anterior que já não tinha fama de econômica. Talvez fosse interessante rever a estratégia, mas essa não é seara minha e sim de quem está envolvido com o negócio. De minha parte ficam aqui duas ótimas dicas de vinhos muito bons que valem a pena ter na adega, o Tomero Petit Verdot Reserva e o Vistalba Corte B. Esses eu teria na minha.

Salute e kanimambo.

Trapiche Malbec com Filhote. Onde já se Viu?!

              Como no vinho, em que as pessoas tendem  a colocar sob suspeita as pseudo “frescuras”, a necessidade de decantar vinhos, das taças adequadas, temperatura, os altos preços, enochatisses, etc. , a gastronomia também tem lá seu séquito de suditos de pouca fé. Na gastronomia as indagações passam por pelas também pseudo “frescuras” dos restaurantes, composições estrambólicas, show bizz, pequenos pratos altos custos, marketing desacerbado de determinados chefs, etc.. As sinergias são tantas que não é à toa que caminham juntos e possuem um nome próprio, Enogastronomia, com tudo o que isso tráz de bom e de preconceito. Na vida, no entanto, valores e conceitos são constantemente colocados em cheque, passando por revisão quando nos deparamos com fatos e experiências concretas. Em Moçambique, uma propaganda de cerveja dizia que “contra fatos não há argumentos e um fato num copo era, ….” pois bem, neste caso foi um fato no prato e outro na taça formando uma harmonia “inargumentável”!

  • Momento – uma degustação de vinhos Argentinos da Trapiche.
  • Local – restaurante Skye do hotel Unique.
  • Chef – Emmanuel Bassoleil
  • Vinho – Trapiche Malbec Finca las Palmas 2006
  • Prato – Filhote (peixe do Amazonas) “roti” com molho denso de lentilhas com bacon.

EmmanuelAo primeiro olhar (uma pena que não tenha conseguido uma foto), a previsão de uma verdadeira catástrofe, peixe harmonizado com vinho tinto denso e tânico. Quem teria sido a “mente iluminada” a inventar tamanha aberração?! Após todas as exclamações possíveis misturando incredibilidade e entusiasmo pelo incrível resultado obtido nesta imprevisível, para os mais leigos que nem eu, harmonização de um prato com um vinho. Creio que a primeira harmonização, absolutamente divina, se iniciou pelo peixe com a lentilha e bacon, algo por si só já inusitado e uma composição absolutamente deliciosa. Segundo, a harmonização desse peixe, lembrando que é de rio e conseqüentemente não salgado, com um tinto, Trapiche Malbec Las Daniel Pi 2Palmas, de bom calibre levantando a ambos e levando ao nirvana o degustador que ficou em êxtase perante tanta ousadia e magnífico resultado obtido com uma longa, muito longa persistência. Todo o resto depois desta harmonização ficou em segundo plano, sendo extremamente difícil retomar o senso critico para uma avaliação do que ainda haveria por vir.

Dois maestros em ação; Emmanuel Basoleil, chef premiado e de renome com Daniel Pi, Chief Winemaker da Bodega Trapiche e responsável por alguns néctares produzidos pela casa. A criatividade e genialidade de cada um enaltecida à quinta potência, um almoço inesquecível, uma lição a mais e um enorme privilégio para um pobre marquês, um “gafanhoto”, (quem tiver mais que 30 e algo, certamente lembrará da série Kung Fu) da mesa e do copo perante tão grandes mestres, mas tinha mais.

Entrada Bodega Trapiche

               Sim porque na verdade o tema deste blog, é a degustação dos vinhos principais da Trapiche trazidos pela divisão Classics da Interfoods. Para nos receber, um gostoso espumante Trapiche Extra Brut elaborado com 70% Chardonnay, 20% Semillon e 10% de Malbec pelo processo Charmat. Nariz intenso, muito perfumado (Semillon?), fresco, perlage abundante e fácil de tomar – R$44,00. Para dar inicio aos “trabalhos” um Chardonnay Finca Las Palmas 2007 que passa 9 meses sur lie e apresenta um teor de álcool bastante alto para um vinho branco, 14.5%. Baunilha, coco, manteiga, frutas tropicais, está tudo lá com um final algo doce e de pouca persistência. Um estilo bem marcado pela madeira, possui um preço em torno de R$65,00.  O Las Palmas Malbec 2006 que passa 18 meses em barricas de carvalho francês, é um vinho de boa tipicidade com uma bonita cor violeta, muito frutado, mas a madeira sobressai um pouco o que talvez possa ser equacionado com uma decantação maior. Cresceu muito na combinação com o prato (Filhote) fazendo um conjunto muito saboroso, tendo mostrado boa persistência, tendo um preço de mercado sugerido, por volta dos R$65,00.

  Viña Federico Villafañe Malbec Single Vineyard 2006, o vinho que mais me entusiasmou neste agradável almoço, tanto por sua riqueza de sabores, como pela relação com seu preço em torno de R$192,00. É um Trapiche - VIÑA FEDERICO VILLAFAÑE 2006vinho muito harmônico que consegue equilibrar muito bem a potência com a elegância, o que não é muito comum. Vinho muito rico, de boa acidez, grande estrutura, com bom volume, macio com taninos maduros ainda firmes porém aveludados, tendo se sobreposto ao prato (risoto de malbec com rúcula e gorgonzola) que se mostrou demasiado delicado para um vinho de tão forte presença e caráter. Ótima persistência, um vinho de guarda que está bom agora e deverá estar maravilhoso dentro de mais dois, três ou quatro anos. O vinho ícone da Bodega veio a seguir, devidamente acompanhado por um lindo e saborosissímo Medalhão de Filé Migon a Rossini, era o Trapiche Manos 2004, nome alusivo á sua elaboração quase que artesanal. Um baita vinho, mas ainda extremamente novo, potente, álcool sobressaindo um pouco, caldo que precisa de mais alguns anos de garrafa para ser aproveitado em todo o seu esplendor. Com uma produção pequena de apenas 6.000 garrafas, elaborado todo ele manualmente com desengaço das uvas uma a uma em 1/3 do lote num processo em que elimina semente e polpa, deixando somente a casca para aportar maior concentração de cor e tanicidade. Passa 18 meses em barrica de carvalho nova e 24 am garrafa antes de ser colocado no mercado. Possui 15% de álcool e necessita de ao menos uma hora de decanter antes de servir. Se o Viña Federico Villafañe já não é um vinho para qualquer um no quesito preço, este se torna ainda mais seletivo com um preço de R$408,00.

                Para finalizar, o Trapiche Chardonnay Tardio 2005, nariz de muita intensidade,abacaxi em calda, mel mostrando-se bem denso na boca e terminando com um açúcar residual algo alto faltando-lhe um pouco de acidez para atingir um maior equilíbrio. Necessita de ser acompanhado com sobremesas de maior acidez. Preço ao redor de R$54.00.

               Salute e kanimambo.

Vinhos da Semana

               Semana de revisitar alguns rótulos amigos e provar um novo que, se não chegou a encantar, também não decepcionou. Vinhos que cabem no bolso da maioria, vinhos fáceis de beber e, majoritariamente, portos seguros já que nem sempre nos apetece singrar novos mares nem gastar muito!

Vinhos da Semana - Alaia 002

 Alaia 2004. Nome completo; Dehesa de Rubiales Alaia vindo de La Tierra de Castilla y León na Espanha. Apresenta bastante complexidade de sabores e aromas para um vinho nesta faixa de preço e uma experiência única já que é um corte muito bem elaborado com uma uva autóctone pouco conhecida por aqui, a Prieto Picudo, que é a cepa protagonista, tendo a Tempranillo e Merlot como coadjuvantes e um leve aporte de madeira passando 4 meses em carvalho francês novo. Aromático, muita fruta negra no nariz, já mostrando sua face mineral. Na boca está tudo lá, a fruta fresca, algo de chocolate, num corpo médio e equilibrado, redondo mostrando boa textura e taninos finos, mas acima de tudo o que mais me encanta neste vinho é sua identidade e personalidade. Não é um vinho tradicional com aromas e boca comum. É um vinho que atrai, cativa e seduz com algo diferente saindo da mesmice e nos fazendo experimentar sensações e sabores diferenciados. Desde a primeira garrafa que tomei lá atrás, no final de 2007 quando a Península trouxe seu primeiro lote experimental, deixei-me levar por essas experiências diferenciadas. Pela primeira vez creio que concordo com o tal do Jay Miller que lhe dá 89 pontos no Wine Advocate, um vinho que me traz grandes prazeres por um preço justo. Preço na Península, por volta de R$47,00. I.S.P.

 

Alfredo Roca Pinot Noir 2006,esta bodega Argentina faz vinhos de diversos níveis e de diversos preços. Quem se meter a grandes harmonizções, fartos jantares ou esperar muito dele, certamente se desapontará. Por outro lado quem o encarar como aquilo que ele é, um vinho básico, para o dia-a-dia, para traçar a pizza de Domingo, um belo sanduba, para aquele momento descontraído e descompromissado, aquela massa de domingo com o cunhado, aí eu acho que o vinho cumpre o seu papel e agrada.  Não é um vinho de grande tipicidade, mas é gostoso no nariz e, apesar de um pouco ralo, é gostoso, macio, redondo mostrando bastante equilíbrio. Ainda prefiro o Malbec básico deles, especialmente se for para um churrasco com um monte de gente ou até um casamento mais á vontade, mas este Pinot cumpre o seu papel e é sempre um companheiro seguro, ainda mais pelo preço em torno de R$16,00. Sirva levemente refrescado, a cerca de 15 ou 16º e opte por uma safra mais nova. I.S.P. $ 

Vale da Clara 2005, bom vinho português por um preço muito correto. Produzido por uma das boas casas vinícolas da região do Douro, a Quinta de la Rosa. A safra de 2005 foi muito boa na região e este vinho se valeu muito dessas condições. De boa estrutura, é suave, madeira bem equacionada, simples sem grandes aspirações, porém muito correto e saboroso. Bem equilibrado, taninos finos e boa acidez o que lhe confere um frescor muito agradável ao palato, apesar de começar a sentir um pouco o peso da idade. Já perdeu um pouco da vivacidade e personalidade que me conquistou na primeira vez que o tomei e que me surpreendeu pela relação Qualidade x Preço, então a sugestão é optar por uma safra mais nova, preferencialmente a de 2007 se já estiver disponível. Na Expand por volta de R$38,00. I.S.P.  $

 

Dal Pizzol Touriga Nacional 2007, mais um vinho revisitado, cerca de um ano após seu lançamento. Há época escrevi; “No nariz, possui um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem tipicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, 13º. Bastante equilíbrio e harmonia num vinho leve que, certamente, agradará fácil. Mudou o terroir, mas a essência da uva está lá. Gostei; um vinho correto, fácil de beber”. Pois bem, não mudou muito e o que mudou foi para melhor. A fruta está mais presente, o vinho arredondou, ganhou maior harmonia e persistência mostrando bastante elegância. Um vinho gostoso que evoluiu bem e que surpreende, inclusive em função do preço, por volta de R$29,00, o que o torna uma das boas opções de compra dentro da faixa de preços. I.S.P.  $ 

 

Yalumba Y Series Shiraz/Viognier 2005. Do sul da Austrália, um corte típico dos vinhos de Cote-Rotie no Rhône francês. Este vinho é algo mineral, quente, especiarias, taninos ainda mostrando uma “pegada” firme que, certamente, mereceria ter passado uma meia hora ou quarenta e cinco minutos de decantação. Bastante fruta madura compotada, algo floral no nariz (viognier), encorpado, boa concentração e volume de boca, certa austeridade na boca e média persistência com final apimentado, um estilo bem novo mundo. Fechado, algo desequilibrado, não encantou. O problema de copiar cortes ou vinhos de reconhecida qualidade é criar uma expectativa comparativa, mesmo que involuntária, difícil de ser alcançada. Culpa de quem compra com essa percepção? Talvez. Boa companhia para um churrasco. Importado pela KMM com um preço ao consumidor por volta de R$75,00. I.S.P.

Salute e kanimambo

Vinhos da Semana

                  Mais um mix de agradáveis vinhos tomados na semana (longa) que compartilho com os amigos. Um pouco de tudo; confirmações, descobertas, surpresas, enfim, emoções geradas por vinhos que valem a pena serem conhecidos. Argentino, brasileiro, espanhol e, obviamente, a já costumeira presença de vinhos portugueses que são parte integrante de minha adega e meu constante garimpo.

Trivento Nature e outros 002

Trivento Brut Nature – um dos mais saborosos espumantes argentinos que tenho tido a oportunidade de provar. Com a Pinot Noir como protagonista e a Chardonnay de coadjuvante nesse corte, o espumante é levemente rosado e muito bonito na cor. Nos aromas aparece algo de maçã verde, mas na boca os sabores puxam um pouco mais para abacaxi, bastante interessante. Muito boa acidez que lhe transfere ótimo frescor e um final de boca bastante agradável. A Perlage é abundante, delicada, de média persistência e, apesar de ser um nature, está muito bem equilibrado sendo bem seco, porém amistoso ao palato. Uma boa opção, que me agrada bastante, trazido pela Wine Premium, que também importa os bons vinhos tintos deste produtor que pertence ao grupo chileno Concha y Toro, com um preço ao redor de R$37,00.  I.S.P. 

Artadi Viña de Gain 2003 – esperava mais. Na nariz aromas tostados, couro algo floral e frutado. Na boca está um pouco mais para Novo Mundo do que velho Mundo e diferente do que eu provei em 2007. Mostra-se escuro,algo duro, encorpado, de grande estrutura, taninos presentes ainda por equacionar, concentrado, final de boca especiado. Bom, mas senti falta daquela finesse presente nos vinhos da rioja que encantam pelo equilíbrio. Pelo histórico e presença na mídia, merece mais uma chance, até porque me lembro que o que tomei antes estava bem melhor. Desta feita procurarei uma safra mais nova. A importadora é a Mistral e o preço ao redor de R$150,00.  I.S.P. 

Negreiros 2004 – Mais um bom fruto de um garimpo na Expand Sales. Assemblage das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, plantadas na Quinta das Amendoeiras, no Douro Superior. São cerca de 10 hectares de vinha, que produzem cerca de 50 toneladas de uvas/ano, das quais, apenas 10 a 15 toneladas são viníficadas para este rótulo. Neste vinho, a mão mágica de Anselmo Mendes, entre outros enólogos, nos presenteia, com um vinho muito rico e equilibrado que está, provavelmente, no seu apogeu e melhor momento para ser desfrutado. O nariz, algo tímido, mostra fruta madura e algum vegetal. Cresce na boca, no entanto, mostrando-se bem harmônico, palato agradável com boa entrada de boca, taninos redondos e macios, acidez sem excessos formando um conjunto bastante equilibrado. Pelo preço que paguei na Expand Sale (R$28,00) uma bela pechincha. Preço normal R$58,00 disponível na Expand.  I.S.P.   

Perini Marselan 2006 – se não é um blockbuster, é um vinho saboroso e fácil de se gostar. Aromas de fruta madura, cantina, algo vinhoso. Na boca é agradável, fácil de tomar, redondo com taninos doces e equilibrados com um teor de álcool bem comportado o que o torna bastante amistoso no palato. Vinho correto, bem feito que melhora quando levemente refrescado a 14º. Esta uva parece ser bastante interessante para a região, já que as chuvas que tradicionalmente afetam a colheita de outras castas, na Marselan, de acordo com o enólogo da casa, é do que esta vinha gosta. Aos poucos, vemos diversos novos rótulos de vinhos elaborados com esta cepa sendo elaborados no Vale dos Vinhedos como este da Vinícola Perini. Fiquemos de olho, com os anos certamente veremos evolução. preço ao redor de R$28,00. I.S.P.  

Quinta da Lagoalva 2005 – um delicioso e macio corte de Castelão com Touriga Nacional. O vinho de entrada deste produtor do Ribatejo que me foi apresentado por meu primo Chico e sua simpática esposa Bia, quando lá estive no mês passado. Não é um grande vinho e não se propõe a isso, porém é um vinho correto, bem feito e equilibrado do qual poderia tomar garrafas. Com 50% passando em madeira, é um vinho que está absolutamente sedutor, leve para médio corpo, muito rico em sabores que encantam o palato, macio, equilibrado com boa acidez o que lhe dá um certo frescor, mostra taninos redondos, sedosos e amistosos que alongam o final de boca deixando um gostinho de quero mais. Grande surpresa, ainda mais quando lá o compramos por cerca de 3, 60 Euros. Aqui, é importado pela Mistral e custa algo ao redor de R$49,00.  I.S.P.

Salute e kanimambo.

Vinhos da Semana

Mais uma série de vinhos tomados e, mais uma vez bem escolhidos. Tá, já sei estou puxando a sardinha para a minha brasa, mas fazer o quê, foram boas escolhas mesmo! Rsrs Brincadeiras à parte, alguns eram vinhos já conhecidos e agora revisitados, outros foram fruto de garimpo e, outro, presente recebido de uma amiga italiana. No todo, 5 vinhos muito agradáveis e de boa qualidade de que gostei bastante e espero que você também caso tenha a oportunidade de se deparar com um deles por aí. Eu me diverti bastante!

 

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Trio Chardonnay 07 – este é um vinho que freqüenta a minha mesa com uma certa assiduidade em função de ótima relação Qualidade x Preço x Prazer. Como já havia comentado, é um saboroso corte de Chardonnay (70%), Pinot Blanc (15%) e Pinot Grigio (15%) em que as primeiras duas passam por cerca de 10 meses de barricas e o ultimo somente em tanques inox para preservar mais a fruta e a mineralidade que aporta ao corte. Possui um nariz bastante complexo com muita fruta fresca, algo cítrico de boa intensidade. Na boca é cremoso, macio mostrando estar muito balanceado com um frescor muito agradável e um final de boca com leves nuances de abacaxi. Foi grande companheiro para um gostoso risoto de salmão. Com um preço ao redor de 40 reais, é uma das boas opções do mercado e um curinga para se ter na adega. I.S.P. $

 

 

 

Lorca Fantasia Malbec 07 –  mais um que vem nos lembrar que para ser bom o vinho não precisa ser caro. Aromas de boa tipicidade com aporte de frutas silvestres e algo mineral com nuances terrosas e cor violeta típica da cepa e da idade. Entrada de boca gostosa com leve especiado, boa estrutura e acidez balanceada que pede um belo bife de chorizo. Taninos finos, algo aveludados com final de boca sedoso e levemente quente (olho na temperatura) de boa persistência com retrogosto suavemente tostado. Um vinho que agrada fácil e uma ótima pedida para um churrasco com os amigos.  Trazido pela Ana Import, tem um preço sugerido em torno de R$36,00 e vale. I.S.P. $

 

 

 

Quinta do Encontro Merlot/Baga 04 – comprado na Expand Sale do inicio do ano e ainda tenho mais três garrafitas guardadas. Grande escolha. Tem gente que reclama de produtos comprados nesses grandes mata/mata e até concordo que tem muita coisa que não é lá nenhuma Brastemp ou já está em franca decadência, quando não é já um pobre corpo estendido na prateleira. Agora, para ir num lugar desses tem que fazer lição de casa e eu fiz direitinho. Tenho outros rótulos comprados e me dei bem em todos. Mas vamos a este portuga da Bairrada em que a Merlot aparece em conjunto com a Baga, cepa habitualmente vigorosa, amaciando-a e tornando o vinho mais amistoso. Boa fruta silvestre no nariz, corpo médio, na boca mostra fruta madura, bom equilíbrio, sente-se um certo frescor fruto de uma acidez bem dosada, saboroso final de boca de média persistência com taninos sedosos já totalmente equacionados gritando me bebe, me bebe! Um porto seguro, pronto a beber e quem comprou pelos míseros R$17,50 que paguei, se deu muiiiito bem. O preço normal é de R$35,00, ou por aí, o que segue sendo uma boa pedida. Pelo preço que paguei, vai receber um meio smile extra. I.S.P.  $  

 

 

Rio Sol 06 – um corte muito bem elaborado de Syrah com Cabernet que, não tem uma vez que ponho na boca e não me impressiono. Incrível como os portugueses da Dão Sul acertaram a mão neste vinho e, de certo, o terroir de alguma forma ajuda e muito no processo. Já fazia mais de ano que não tomava este vinho e só me surpreendi positivamente. Melhorou, ou eu melhorei minha percepção, desde a última safra provada mostrando-se um vinho realmente muito saboroso, de grande harmonia, taninos sedosos, boa textura e volume de boca, corpo médio formando um conjunto difícil de não gostar. Um dos melhores vinhos abaixo de 20 Reais hoje disponíveis no mercado e, á cegas, acho que daria um banho em muito rótulo medalhado que há por aí, como aliás já o fez na Expovinis de 2008. Um vinho para acabar com o reinado argentino de vinhos bons e baratos, só precisa o brasileiro descobrir. Na Expand por R$19,00 e uma opção para não deixar de lado. I.S.P. $  

 

 

 

Fattoria di Bagnolo Chianti Colli Fiorentini 2006 – de Marchesi Bartlini Baldelli, de vinhedos DOCG localizados nas colinas ao sul de Florença, vem este agradável exemplar de Sangiovese/Colorino e Merlot num corte bastante agradável. Rubi escuro, aromas intensos de fruta vermelha com algum floral. Na boca possui corpo médio, bastante equilíbrio com taninos finos ainda presentes, aveludados de boa textura, num estilo mais puxando para a elegância,com final de boca macio e saboroso. Fácil de beber, é um vinho que, ao preço certo, poderia muito bem virar assíduo frequentador de minha mesa. Boa companhia para massas (agnolotti de vitelo) e uma carne grelhada. Este me foi trazido de presente por uma amiga, trader de vinhos que representa o produtor no mercado externo. I.S.P.  

 

Salute e Kanimambo

Vinhos da Semana – Só Latinos

Enquanto não começo a compartilhar com os amigos os néctares com que me presenteei ao longo de um mês de festividades de aniversário, eis mais uma coletânea de Vinhos da Semana tomados. Desta vez só de vinhos latinos de grande diversidade entre si, adoro garimpar de tudo, em que se sobressaem um espumante e um gostoso syrah.

 

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  Marson Charmat – Para aqueles que, como eu, são fãs dos produtos da Marson, e especial de seu espumante Brut Champenoise, a casa traz agora uma versão elaborada com o método charmat. Como seu irmão mais conhecido é um espumante de primeiro nível muito saboroso, um blanc de blanc já que é produzido com 100% de chardonnay. Cítrico, de ótimo frescor e perlage abundante e fina, algo cremoso, leve e delicado na boca uma ótima pedida para um aperitivo e entrada de melão com presunto cru, como foi o caso. Um dos meus espumantes preferidos e ótima opção para preparar o palato para uma refeição substituino o vinho branco como aperitivo. O preço está por volta de R$35, porém não é incomum encontrá-lo por cerca de R$30, só precisa garimpar um pouco. I.S.P. $     

 

 

Lima Mayer Alentejo 2004 – um vinho muito elogiado pela imprensa especializada, corte de Aragonez, Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. Um vinho potente, untuoso e austero. Aromas algo balsâmicos, taninos firmes, precisando de mais tempo ou decantação antes de servir, grande estrutura, encorpado e vigoroso não é um estilo de vinho que me encante. Bom, talvez um pouco rústico, vinho para quem gosta de vinhos potentes e sérios. Na Vinho Seleto por R$45,00. I.S.P.  $

 

 

Torreon de Paredes Reserva Syrah  06 – um chileno de primeira que me agradou bastante. O nariz, onde aparece alguma fruta negra, não é seu forte, mas desperta na boca com uma entrada impactante, rico, ótimo volume num corpo médio, taninos amistosos e aveludados. Harmonioso e equilibrado, cresce na taça e termina com um final de boca algo herbáceo e especiado típico da casta. Um vinho muito agradável que está por R$53,00 na Santa Ceia. I.S.P. $  

 

 

 

Valle Escondido Bonarda/Syrah 06 – no nariz já mostra sua origem Argentina com intensos aromas de fruta madura. Na boca mostra ameixa escura, madeira com algo de especiarias, taninos suaves equacionados depois de 30 minutos de decantação. O final de boca é aveludado e agradável em linha com seu preço. Foi bem com um prato de berinjela recheada. Ainda prefiro o Cabernet Sauvignon deles, mas este também mostrou qualidades. Comprei na Expand sale por R$19,00 (uma pechincha) porém o preço normal é de R$39,00, justo pelo que oferece. I.S.P.     

 

Terragnolo Cabernet Sauvignon 05 – esta cepa vem mostrando que nossos bons vinhos nacionais não estão dependendo somente da ícone Merlot. Tenho provado muitos Cabernets bem feitos e saborosos vindos do sul do Brasil; Encruzilhada, Vale dos Vinhedos, Santa Catarina, etc. Este é a primeira experiência de engarrafamento próprio desta pequena vinícola do Vale dos Vinhedos que sempre vendeu suas uvas. Cor rubi de boa intensidade, fruta madura com ameixa aportando ao nariz e se confirmando na boca de forma bem harmonizada. Boa acidez, taninos finos já equacionados num final de boca bastante agradável e fácil de tomar. Não é um blockbuster, mas dá conta do recado. O preço não encanta, por R$44 na EivinI.S.P. 

 

Salute e kanimambo

 

Ps. Quer contatar importadores ou lojas aqui mencionados, veja detalhes em “Onde Comprar” .

Bodega Chacra – Pinots Surpreendentes!

                    Aos amigos amantes de bons Pinots fica uma pergunta, você conhece? Não, então não deixe de conhecer este que não é só o melhor Pinot Noir da Patagônia e sim, quiçá, da América do Sul. Vinhos de primeiro nível mundial com um estilo “borgonhês” de ser, deixando muitos deles enrubescidos, que tive o privilégio de tomar e que comento com vocês aqui abaixo. Em um encontro com almoço delicioso e muito bem harmonizado no Emiliano, a convite do novo importador e distribuidor da marca, Expand, provamos o Barda, o Chacra 55 e o Chacra 32. Antes de falar dos vinhos, no entanto, falemos de quem o produz. 

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       “Incisa della Rochetta” é um sobrenome de grande respeito em nossa vinosfera já que essa família é, nada mais nada menos, do que a “criadora” do ícone “Sassicaia”. Pois bem, é de Piero Incisa della Rochetta; um afortunado, criativo e apaixonado jovem que em 2004 decide comprar alguns vinhedos abandonados com vinhas datadas de 1932, a idéia de investir na “criação” de um vinho de terroir com manejo biodinâmico no longínquo Vale do Rio Negro na Patagônia. Os vinhos são elaborados artesanalmente, sem nenhum processo mecânico ou químico em seu processo de produção, com as uvas sendo colocadas inteiras, sem espremer, no barril de fermentação onde o próprio peso das uvas acaba fazendo esse trabalho. A fermentação é iniciada espontaneamente através de leveduras selvagens formando uma camada de dióxido de carbono que não é retirada nem empurrada para baixo. Uma vez que a fermentação alcoólica se completa, o vinho é transferido sem as cascas para pequenos barris de carvalho através de gravidade. Após a fermentação malolática em barril, em aproximadamente 6 meses, o vinho permanece intocável por um período de cerca de 12 meses, dependendo do vinho,  após o qual o vinho é engarrafado sem filtração. Resultado? Vinhos “single vineyard” de excepcional qualidade, extrema elegância, um verdadeiro retrato de um terroir muito especial e uma grande demonstração da globalização no mundo do vinho em que, um produtor italiano com um enólogo dinamarquês (Hans Vinding Diers) produzem vinho de cepa originariamente francesa na remota Patagônia Argentina.

 

Barda 07 – o “básico” da linha de somente três rótulos. Vinhedo chacras-barda1com 12.5 hectares de 15 anos de idade, produz hoje cerca de 20.000 garrafas. Um vinho sedutor que conquista já na cor, muito antes de chegar no nariz e boca. Cor rubi suave, translúcido com aquele jeitão de vinho da Borgonha, nariz delicado, frutado com suaves toques florais. A entrada de boca é cativante com fruta fresca, um frescor sutil, que mostrou ser característica de todos os vinhos, saboroso, taninos sedosos, redondo, média persistência, vibrante, suculento e extremamente agradável de tomar. Tinha 3 garrafas na adega que me foram oferecidas por um amigo argentino e esperava por uma maior guarda antes de abri-las. Depois desta degustação já só ficaram 2 e as outras não devem permanecer por mais tempo ali! O vinho está absolutamente pronto apesar de achar que pode melhorar com mais um tempo em garrafa.Só para efeitos de prova, “dever profissional” e para satisfazer minha curiosidade enófila, guardarei uma para tomar daqui a um ano. Preço na Expand, R$130,00.

Chacra Cincuenta y Cinco 07 – elaborado com uvas dos 5 hectareschacras-551 de vinhedos plantados em pé franco em 1955 (ano bom esse, rsrs) e uma produção total de apenas 9.255 garrafas. Talvez a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação dos três. Um degrau acima em todos os aspectos, tanto nariz como em boca, tendo se mostrado mais evoluído, pedindo tempo apesar de já estar muito apetecível. Aromas de fruta vermelha madura, talvez ameixa, com uma maior intensidade floral. Da taça para a boca, um mineral mais presente, bastante fresco e equilibrado, muito rico, de maior corpo sem negar seu estilo de elegância, boa textura com taninos aveludados, um final de boca bastante longo, fino e agradável que nos convida à próxima taça. Um belo vinho, com preço de R$180,00. 

 

chacras-32Chacra Treinta y Dos 07 – elaborado com aqueles primeiros vinhedos plantados em 1932 que eles veem recuperando aos poucos. São somente 2.2 hectares de vinhas e uma reduzida produção de apenas 7.445 garrafas por safra. Talvez o mais complexo de todos e, muito interessante, tivemos a oportunidade de provar de duas garrafas. A primeira aberta no almoço e a segunda aberta no final do dia anterior e guardada em garrafa somente com rolha sem vacu-vin. Pela ausência de produtos químicos, o vinho se mantém por muito mais tempo sem “ajudas” externas. São os mistérios, ou não, advindos de uma produção biodinâmica. Mostrou-se um vinho bem mais complexo de boa concentração aromática, muito harmônico, taninos finos de grande elegância, vinho de grande expressão que, caso fossem essas na minha adega, lá permaneceriam por mais uns dois anos antes de sorver de todo o seu esplendor. É um vinho de grande persistência e retrogosto algo especiado, ótima estrutura com bom volume de boca, mas sem perder a finesse, taninos firmes e sedosos mostrando que ainda terá alguns bons pares de anos pela frente. Acho o preço puxado, mesmo para um vinho desta qualidade, R$420,00

     

Nunca tinha provado Pinots desta categoria vindos da América do Sul e fiquei realmente impressionado, entendendo melhor o porquê dos preços, mesmo de um vinho produzido por estas bandas, ainda por cima por ser biodinâmico o que acarreta custos mais elevados de produção. Lição aprendida, “concentre-se no conteúdo não na origem ou no rótulo“! Difícil dizer qual o mais interessante; se o Treinta y Dos, de grande complexidade, mas de preço muito alto; se o Barda extremamente amistoso e sedutor ou se o Cincuenta y Cinco que me parece exatamente a otimização dos dois com um preço bastante interessante para o porte do vinho já que existem muito poucos Pinots no mercado, de qualidade similar, a esse preço. Qual comprar creio que seria uma opção baseado em um mix de; disponibilidade de caixa com ocasião e companhia adequada. Que Baco lhe ajude nesse processo que, acredite, não é fácil pois os vinhos são realmente estupendos, cada um a seu modo, e merecedores de sua escolha.

Salute e kanimambo.