Grito de Alerta – Estão Querendo Meter a Mão no Nosso Bolso!

       Meus amigos, estamos numa semana decisiva na batalha contra as Salvaguardas ao Vinho Brasileiro e por isso mais este manifesto final e longo contra elas. Já escrevi muito sobre este tema, mas tenho visto que o consumidor segue estando muito pouco informado sobre o tema, em grande parte por falta de clareza dos formadores de opinião, por falta de postura de alguns, da dubiedade mostrada por outros, etc., então cá vão mais algumas, muitas porque o tema é complexo, linhas. Faltou coerência,  faltou determinação, faltou posicionamento pois muitos ficaram estes últimos meses acendendo uma vela para Deus e outra pro diabo just in case! Uma tristeza, fatos que me causaram muita decepção, mas com os quais aprendi muito também, pois pude separar o joio do trigo! Por outro lado, respeito por aqueles que se posicionaram contráriamente, discordo radicalmente e os contestarei sempre mas respeito pois todos têm direito a sua própria opinião e liberdade de escolha, e estes, pelo menos, se posicionaram clara e abertamente, mostraram cara e a deram para bater uma pena que poucos tenham tido essa coragem se escondendo de mim, de você e do consumidor em geral.

     Antes que saia o resultado final e o MDIC se manifeste oficialmente, tem fofoca de tudo o que é lado – passa não passa -, quero pela última vez antes do veredito, tecer alguns outros comentários que sintetizam um pouco tudo o que já falei.Vamos deixar claro, de uma vez por todas, estão querendo meter a mão no nosso bolso! A Ibravin ( Instituto Brasileiro do Vinho) em conjunto com outras entidades de classe ligadas aos produtores de vinho, devidamente apoiados pelos maiores produtores de vinho Brasileiro como Miolo, Lovara, Valduga, Domno, Dal Pizzol, Aurora, Perini, Garibaldi, Don Giovanni, entre outros, pleiteou ao governo federal a instituição de salvaguardas ao vinho brasileiro que podem estabelecer mudanças nas tarifas do vinho importado extra-zona (produtores fora do Mercosul inclusive do Chile) e/ou o estabelecimento de quotas de importação a ser determinado pelo MDIC (ministério da Industria e Comércio). Tudo isso foi claramente colocado sob bases falsas e de graves deturpações dos números visando eludir os órgãos competentes pela análise da petição e o publico em geral, como pôde ser comprovada na defesa impetrada pelos mais diversos órgãos nacionais e internacionais.

         Agindo sem base justificável, já que não cumpre a premissa básica estabelecida pela OMC que determina que tais ações somente são válidas em casos extremos de grande prejuízo á indústria local ou risco eminente de, conforme pode ser comprovado pelos próprios sites desses produtores e seus balanços, já existe um enorme repudio internacional a esta tentativa de verdadeiro golpe contra o consumidor e retaliações certamente deverão ocorrer causando enormes prejuízos á nação. Aparentemente não aprendemos nada com o retrocesso tecnológico causado pela reserva de mercado da informática e restrição ás importações de veículos quando nos faziam andar em verdadeiras carroças pagando absurdos valores por isso e querem repetir a dose em que o principal lesado será você que, por mais uma vez, será chamado a pagar mais essa conta gerada pelos barões do vinho brasileiro que por grave erro estratégico, pegaram altas somas a quase custo zero do BNDES sem se preocupar do que fazer para escoar sua produção e produzindo mais do que a demanda de mercado.

       Apesar dos esforços de diversas entidades e profissionais do setor em trazer a Ibravin para dialogar e construir um projeto conjunto para o vinho no Brasil, lamentavelmente eles se recusaram a descer de seu pedestal preferindo o embate e a imposição de ideias por razões que desconhecemos porém desconfiamos. Querem salvaguardas pela concorrência nos vinhos finos que é uma infima parte seus negócios porém seus balanços mostram que faturamento e market share não é o real problema ou então mentem em seus sites! Concluindo, os problemas dos vinhos finos brasileiros no mercado, assim como outros produtos de nossa vitivinicultura, estão diretamente ligados a causas internas graves como; o excesso de impostos locais sob toda a base de insumos, da produção e da comercialização do vinho que é tratado tributariamente como bebida alcóolica porém é fiscalizado como alimento, da falta de estrutura de distribuição, da falta de investimento mercadológico visando divulgar a cultura do vinho como fonte alimentar, falta união entre os produtores no sentido de um trabalho conjunto de estimulo de consumo, um projeto mais focado tanto interna como internacionalmente no suco de uva natural (grande arma comercial que temos), etc., etc., etc.. O problema é consequentemente de ordem interna e as salvaguardas não são a solução, mas sim mera ação paliativa de empurrar o problema com a barriga. Somos a favor do vinho e sua cultura, independentemente de sua origem, porém claramente contrários ás salvaguardas e aqueles que estão por trás desta aberração por entender que caso isso venha a ser instituído, estaremos iniciando um período de trevas em que todo o crescimento qualitativo da última década será jogada no lixo e sofreremos um enorme retrocesso tanto na produção quanto no consumo.

      É sabido que, a cada vez que se aumentam impostos por uma questão de proteção á indústria local, o status quo não se altera pois, em vez desta adotar uma estratégia para aproveitar e conquistar market share, eles aumentam seus preços no mesmo porcentual faturando uma grana extra. Eles e o governo que já não precisa de grandes desculpas para aumentar impostos de forma a alimentar um estado cada vez mais paquidérmico de custos fixos para lá de administráveis! Ninguém nos dias de hoje muda seus hábitos de consumo por decreto, os produtores nacionais têm que ser competentes, como já mostraram ser no segmento de espumantes, e deixar de lamúrias pois suas vendas de vinhos finos não vão aumentar enquanto seus preços não estiverem condizentes com a qualidade entregue. Não adianta produzir mais do que seu mercado consome ou de sua capacidade de escoamento comercial, como têm feito de forma equivocada, mas sim de focar em seus pontos fortes e brigar, usando seu forte lobby, por ações mais positivas como as defendidas pelo pessoal da UVIFAN que reúne um grupo de pequenos produtores do sul que, estes sim, merecem nosso apoio, lembrando que há que se separar o joio do trigo!

        Da forma como está proposto pelos peticionários das salvaguardas, o retrocesso  será inevitável. No fritar dos ovos, seremos nós consumidores que, mais uma vez, vamos ser chamados a arcar com a conta gerada pelos barões do vinho. Chega de os carregar no colo, estão grandinhos (e gordos) demais para isso. Como se já não pagássemos um absurdo pelo que compramos aqui, seja nacional ou importado,  isso será um verdadeiro assalto á luz do dia! Estão querendo meter a mão no seu bolso e, quando o fizerem, não nos esqueçamos dos que estão por trás de tudo isto.

      Podemos ter surpresas e o técnico se sobrepor ao politico, coisa difícil de ver neste país especialmente nos últimos dez anos, mas as marcas deixadas pela tentativa de golpe e de meter a mão nos nossos bolsos, vão demorar para cicatrizar. Dizem que a esperança é a última que morre, mas também o faz e se as salvaguardas passarem será o fim da esperança por bom senso e seriedade nas hostes do poder.

      Dei meu recado final, venho atuando e fazendo o que está ao meu alcance para reverter esta possível aberração, especialmente tentando esclarecer ao leitor amigo sobre o golpe que armaram contra nós. Não é o primeiro, os selo foi o primeiro, e certamente não será o último pois já mostraram do que são capazes e diálogo não está no DNA deles, mas agora só nos resta esperar. Aproveite este momento, no entanto, para separar o joio do trigo e faça algo. Tome uma atitude, chame seus amigos e mostre-lhes o tamanho do golpe e quem está por trás disso, propague a mensagem e mostre que você se importa, porque depois não adianta ficar se lamentando!

      Falo de separar o joio do trigo e, dentro do que conheço, tento sempre fazer um contraponto ressaltando uma lista de produtores nacionais contrários a toda essa safadeza, selo e salvaguardas, elaborada pelos barões do vinho e seu oligopólio. São gente que merece nosso apoio; Vallontano, Angheben, Cave Geisse, Adolfo Lona, Villaggio Grando, Antonio Dias, Maximo Boschi, Courmayeur, Villa Francioni, Quinta das Neves e Bella Quinta que em algum momento se manifestaram publicamente contrários.

     Por uma vinosfera mais sã e mais coesa, salute e kanimambo lembrando que você tem armas constitucionais para lutar contra esse status quo, use-as, tome uma atitude. NÃO ás salvaguardas, NÃO aos barões do vinho que a defendem, NÃO a quem quer meter a mão nosso bolso!

Dicas Para Comprar Melhor

Mais do que perguntas e respostas, hoje toco num tema bem básico porém nem sempre do conhecimento de todos, como pedir seus vinhos em uma loja e dou algumas dicas nesse sentido. Tá certo que o atendimento e, especialmente, o conhecimento dos pseudo sommeliers que atendem nas lojas não é o que deveria ser, mas até por isso é importante que você seja objetivo deixando claro o que você quer. Por exemplo; não entre numa loja pedindo uma Champagne quando o que você quer é um espumante básico para a festinha do escritório, pois certamente se surpreenderá com o preço! A pedido de alguns amigos, eis algumas dicas do que evitar e outras do que mencionar para quem o atenda de forma a possibilitar que seus anseios sejam atendidos. Não é uma lista de regras a seguir, mas dicas fruto de minha experiência que  acredito fazem muita diferença na hora da compra:

Vinho do Porto – ao pedir estes vinhos certifique-se de que tipo de Porto você quer. Tawny, Ruby, envelhecido, reserva, etc. Aqui mesmo no blog tenho alguns posts sobre o tema que podem lhe ser úteis nesse processo basta procurar em Categorias – Vinhos do Porto. No entanto, estes dois posts sobre os diversos estilos de Tawny e também de Ruby são bem esclarecedores.

Espumantes – Champagne e Prosecco não são sinônimos de espumantes. Mais uma vez, entender o que se está pedindo é essencial para ser bem atendido. Leia o post que escrevi nos idos de 2007 que continua bem atual.

Estilo e Origem do vinho – indique ao atendente o estilo de vinho que procura. Se é vinho encorpado, se é vinho mais elegante e macio, se tem preferência por um país de origem ou uva preferida e não tenha medo de experimentar novos sabores.

Faixa de preço, isso é muito importante pois há bons vinhos em todas as faixas. Quando for comprar e precisar de consultoria na compra, sempre especifique a faixa  de preço que está buscando. Se for baixa e o atendente virar o nariz, faça o mesmo e procure outra loja onde você possa ser melhor atendido, pois serviço e educação são essenciais em qualquer situação.

Vai dar um presente? Se não conhecer o presenteado muito bem, tente descobrir que vinhos (pelo menos uva ou origem) essa pessoa tem tomado e passe essa informação na hora da busca, junto com faixa de preço que pretende gastar, pois ajudará muito sua causa. O atendente não é adivinho e o tal do bom e barato é muito relativo a cada um.

Conhecimento em nossa vinosfera se ganha com litragem e diversidade. Tente frequentar o máximo de degustações possíveis onde você poderá conhecer os vinhos antes de os comprar reduzindo sua margem de risco. Vinho neste país, aliás não só vinho(!) é muito caro então comprar bem é economizar. Compre alguns vinhos que já conheça e goste, seu porto seguro, mas não deixe de provar coisas novas e diferentes pois aí que jaz o grande barato do mundo do vinho, a descoberta de novos sabores!

Monte uma planilha simples em casa em que conste o nome do rótulo, safra,origem, uvas se souber, estilo – branco/tinto/sobremesa, etc. – preço, onde e quando comprou, quando tomado e sua avaliação. Essa avaliação tem que ser algo que lhe faça sentido, nada de criar ou copiar algo complexo, tem que ser algo que na hora seja fácil de lembrar seus sentimentos ao tomá-lo. Eu usava referências muito objetivas tipo:

  • Qualidade – Grande vinho / muito bom / bom / medíocre
  • Observação – só escrevia se o vinho valesse a pena e tratava de sabores e emoções percebidas usando palavras chaves. Quando não valia a pena somente marcava – sem comentários.
  • Preço – Vale o que paguei / superou expectativas / fraco demais da conta
  • Compra – comprar de novo / só em promoção / para esquecer

Dessa forma, com um leve olhar eu já sabia o que era descartável e o que não. Até hoje volta e meia recorro a essas planilhas para me lembrar de um ou outro vinho.

Crie um vinculo com a loja que produzir a maior sinergia consigo. A que acerta mais no atendimento de suas expectativas e alimente essa relação, você só sairá ganhando pois nada melhor que você tratar com alguém que entenda do produto, de suas necessidades e as atenda de forma agradável e sincera.

Não suponha que o mais caro é o melhor. É comum pensar que os vinhos mais caros sejam os melhores, porém isto nem sempre é verdade e a precaução na compra de um vinho de alto valor tem que ser precedido de muita pesquisa e, preferencialmente, prova. Há inúmeros casos de ótimos vinhos de preço intermediário que batem grandes nomes e preços idem então, pesquise antes e, se já tiver uma relação de confiança com seu fornecedor, peça-lhe ajuda.

Tenha especial cuidado quando se compra vinho em sites de compra coletiva, clubes de vinho e lojas virtuais. Você não tem como conferir as condições do produto e como ele viajará até você, lembre-se que é algo que você irá ingerir! Por outro lado, se der zica, o que ocorre mesmo que amiúde, vai reclamar para quem?! Compras on-line só em situações muito especificas e com um retrospecto bem conhecido ou por recomendação de alguém que confie.

Cuidado com ofertas mirabolantes, compare preços, não descontos! Mais uma vez, a relação com o lugar onde compra é essencial pois dela advém a confiança. Um vinho branco muito abixo da média de preços da concorrência, comprado sem ver e sem alusão de safra na internet, pode lhe trazer uma dor de cabeça danada! As margens neste ramo são bem menos altas do que a maioria pensa então se os porcentuais que lhe estão oferecendo são muito altos, coloque as barbas de molho e prossiga com muita precaução lembrando que, quando a esmola é demais o santo desconfia! Preferencialmente,restrinja suas compras de promoções e barganhas de quem você já conhece e nunca o faça quando em viagens longe de sua residência. Se o vinho apresentar problemas vai reclamar pro bispo!

Seja feliz! O vinho, como já dizia o saudoso mestre Saul Galvão que nos deixou à quase três anos, existe para nos dar prazer então compre bem para que isso se concretize e depois, tome-o em boa companhia. Salute e kanimambo, nos vemos por aqui ou aonde a taça nos levar.

Salvaguardas – 300 milhões de Litros de um dos Melhores Vinho do Mundo em Estoque!

         Pelo menos foi essa a aberração citada por mais um iletrado deputado nas coisas do vinho. Primeiramente ele deveria se inteirar do assunto e ter conhecimento de causa antes de sair por aí falando besteira, vai que acreditam nessa falácia?! O nome do nobre deputado gaúcho é Ernani Polo (PP), mais um a ser lembrado nas próximas eleições a que se candidatar.  A competitividade, meu caro deputado, não vem de taxar os outros (produtos importados) tapando o sol com a peneira numa ação fantasiosa de pouca dura e sim de melhorias internas como evitar a super produção, reduzir custos e tributos em toda e cadeia produtiva, criar condições para inserir o suco integral nas merendas escolares de milhões de pequenos brasileiros, etc, etc, etc.

Agora que consegui sua atenção, a verdade  é que o que deverá ocorrer é que os estoques de vinhos de mesa, suco e vinho fino deverão atingir esse volume declarado pela Ibravin devido ás boas condições climáticas da safra que geraram uma enorme produção. A produção de vinhos finos, para os quais os Salvaguardistas pedem proteção especial e o deputado coloca entre os melhores do mundo, não passa dos 25 milhões de litros (salvo erro) ou seja, menos de 10% do total desse enorme estoque!!!! O problema, consequentemente, não está nesse segmento de mercado (muito menos dos vinhos vindos do Velho Mundo) e sim no restante que eles insistem em não querer enxergar deturpando tudo o que é números e informações no sentido de ludibriar o publico, o produtor menos desinformado que reza na cartilha dos barões em função da dependência econômica e os órgãos competentes numa atitude declaradamente oligapolizada. A cave é mais embaixo, basta querer enxergar!

Sem qualquer trabalho mercadológico no sentido de preparar o mercado para seu volume de produção, investiram no sentido de produzir muito mais do que têm capacidade de escoar. Nos últimos dez anos, os coitadinhos aumentaram a produção de uva (todos os tipos) em 50% porém sem investir nos canais adequados de distribuição e o funil transbordou!! Para isso, pegaram um monte de grana do BNDES a custo quase zero, que nem eu nem você temos acesso, e ao terem que pagar a conta viram que a matemática não batia. Culpa nossa? Não, obviamente que não, porém eles (os barões, seus lacaios, Ibravin e Cia agora apoiados por uma série de políticos desinformados á cata de votos na próxima eleição ou, eventualmente, pagando dividas da anterior) querem que nós paguemos essa conta! Se essas salvaguardas se confirmarem. Muitos dos rótulos mais interessantes dos pequenos produtores internacionais vão sumir do mercado, os produtos aumentarão de preço (os locais também que eles não são nada bobos) e o negócio como um todo sofrerá um enorme retrocesso com grande perda de empregos e muitas operações comerciais fechando. Os culpados não são os vinhos importados, não os defendo só constato fatos, que muito pelo contrário têm trabalhado bastante na divulgação do vinho fino no Brasil, o problema é interno!

Você irá consumir mais vinho brasileiro em especial da Miolo / Valduga / Perini / Dal Pizzol / Don Giovanni / Aurora e outros tantos, só porque eles assim o desejam? Duvido e a grande probabilidade, pelo menos esse é o meu mantra em tudo isto, é que eles dancem! Boicote neles, essa é a única arma que temos para nos defender dessas atitudes insanas de um monte de gente arrogante e prepotente que não desce de seu pedestal para discutir democraticamente com os outros players de mercado uma solução para o setor como um todo, só se preocupam com o próprio bolso e dane-se o mundo! Não sou contra o vinho brasileiro, já deixei isso mais que claro e o histórico deste blog é clara evidência disso, mas sou radicalmente contra as salvaguardas e quem as defende. Essa falta de tato, do gosto pela polêmica, do desrespeito ao consumidor, a falta de bom senso e ausência de diálogo (adoram um monológo de frases feitas!), a teimosia em nos tratarem como se idiotas fossemos, as mentiras, enfim todo um saco de maldades para conosco e o próprio vinho brasileiro são atitudes deploráveis que me entristecem muito. Deles; tirei tudo da loja e no blog não provo, não recomendo e não falo podendo muito bem viver sem os ter nunca mais na taça, não merecem minha atenção por mais que eu respeite alguns de seus produtos e a capacidade de quem os elabora. Há, no entanto, gente que pensa e age diferente lá no Sul então devemos separar o joio do trigo o que tenho feito com uma certa regularidade aqui e na loja. Por exemplo, troquei o que tinha de Domno, Valduga, Marco Luigi e Don Giovanni (Miolo nunca tive por não concordar com sua estratpegia comercial) por produtos da Cave Geisse, Bella Quinta, Antonio Dias e outros como Dom Abel, Villagio Grando, Adolfo Lona, Marco Danielle, Vallontano e Angheben que gostaria de ter se o negócio permitir. Se possível, faça isso também você, evite os vinhos dos Barões nacionais e mude de produtor dando apoio a quem seja contrário a esse embuste.

Me perguntaram a quantas anda este assunto. Pois bem, quem quiser acompanhar em maiores detalhes, existe um grupo no Facebook chamado Chatos da Salvaguarda que é constantemente atualizado e vale ser acompanhado. É aberto então, mesmo você não podendo tecer comentários, pode acompanhar os posts e comentários ou, caso queira, pode pedir para fazer parte do grupo e interagir com ele. Premissa básica, ser contrário às Salvaguardas e seus mentores. Espera-se que o ministério (MDIC) dê seu veredito entre o final deste mês a inicio do próximo e ninguém sabe o que vai sair dali. Se os governistas de plantão tiverem que pagar suas dividas da eleição passada e, consequentemente, a decisão for politica, estaremos de luto em Outubro! Caso a análise seja essencialmente técnica, respiraremos aliviados pois não há base para tal. Neste momento porém, existem fofocas, leituras e expectativas dúbias que não nos deixam em condições de apontar nenhuma tendência, mas o receio é grande e desde já é uma mancha no setor que dificilmente será removida a curto prazo independentemente de resultado. Como diz o Chiquinho Badaró, Xô Salvaguardas!

Salute e kanimambo

Salvaguardas, mais Um Bufão Nessa Trama

      Eu bem que falei em meu post do recente dia 21 para colocar as barbas de molho e nada de festejar e soltar rojões pela nota publicada na revista Veja, pois não seria a primeira vez que eles passariam por cima de parecer técnicos para satisfazer os barões, os donos do oligopólio produtor do Rio Grande do Sul num conchavo de interesses jamais tratado de forma tão desavergonhada e publica! É incrível a capacidade deles se multiplicarem nesse emaranhado de excrescências que são, tanto o Selo Fiscal repetidamente recusado pelas autoridades judiciárias do país nas mais diversas instâncias basicamente pela inexistência de razão de ser conforme o próprio parecer técnico da Receita, como essa coisa do capeta que agora inventaram as tais das Salvaguardas. Pela segunda vez, o ministro de estado, codinome Pepe Vargas, que tem a seu favor ser membro da corte real e fiel parceiro do governador da província, vem a publico para deixar claro que as decisões nestes casos não são técnicas e sim politicas com claro ranço autoritário e uma tremenda prepotência típica de quem se acha acima do bem e do mal.

  • A Receita deu parecer negativo, então vai-se direto ao ministro que manda instituir o selo.
  • A Justiça veta essa imposição, então vão nos empurrar goela abaixo através de uma possível edição de Medida Provisória já em fase de estudo.
  • Deixa claro que  as coisas estão meio paradas na análise do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio) órgão competente e autônomo, em função do tempo necessário para estudo e defesa,  mas que a decisão das salvaguardas já está tomada! Palpite em seara alheia que é, no mínimo, falta de cortesia para com seu colega ministro,  para não dizer ser pura prepotência e arrogância pelega.

       Ou seja, é de dar nojo tanta sujeira, tanta falta de compostura dessa quadrilha que vem tomando conta do país. Triste, muito triste e difícil continuar escrevendo pois o que tenho vontade de colocar neste post de hoje é impublicável e certamente me poderia trazer problemas de ordem jurídica.

       Uma coisa é certa, quanto mais esses bufões abrem a boca, mais claro fica que isso é coisa do capeta, dos tubarões de plantão e de que tanto descaramento só gera uma enorme irritação que culminará em retaliações que sairão muito caro ao país como um todo. Porém, como para essa gente o país pouco importa  já que por trás de uma bandeira nacionalista fascista e retrógrada só pensam mesmo é no poder e em outras coisas tão podres quanto, não será de se estranhar que essa excrescência passe e aí não tem mais como, a punição terá que ser nas urnas e no boicote, uma pena, pois em vez de falarmos de vinho falamos de safadeza no vinho!

       Quer ver, ouvir  e entender melhor toda essa mixórdia, então acesse as matérias publicadas pelo Alexandre Lalas no seu Wine Report  e pelo amigo Didu em seu blog. Hoje não termino como meu tradicional “salute e kanimambo”, não tou com humor para tal e brinde hoje não se aplica, mas sim com uma frase do Lalas e um recado meu.

Xô capeta, vade retro e “ Cala a Boca Pepe”!!

Salvaguardas – Será que o Bom Senso e Análise Técnica Prevaleceram?

       Li neste domingo em diversos blogs de amigos, não vi a noticia pessoalmente, que a petição por Salvaguardas dada entrada pela Ibravin, Uvibra e outras entidades pouco representativas da maioria dos produtores nacionais, teria sido rechaçada por motivos técnicos lá no Ministério do Desenvolvimento,  Industria e Comércio Exterior de acordo com nota na revista Veja desta semana. Aparentemente, o crescimento recente tanto das vendas internas quanto em mercados externos, demonstra que as Salvaguardas são desnecessárias (aliás os preceitos básicos á instalação das Salvaguardas nunca existiram) e se estuda a desoneração da produção. Inshala!

      Bem, me perdoem por ser cético e não sair soltando rojões, porém eu já tinha comentado isso quando a Receita deu parecer técnico negativo ao Selo Fiscal e aos 47 do segundo tempo com gol impedido e de mão, deram um jeitinho e aprovaram o Maledetto direto no ministério. Como cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, eu coloco minhas barbas de molho até que veja documento oficial do Ministério! Esta história ainda vai longe então não podemos nem devemos baixar a guarda até que tenhamos uma definição real. De qualque forma, minha posição permanecerá inalterada quanto á Ibravin, Uvibra e seus patrocinadores.

      De qualquer forma, nosso desejo é por paz e diretivas claras para que possamos, quem trabalha no meio, seguir adiante com nossas vidas. Salute , kanimambo e uma ótima semana para todos. Quem sabe conseguimos mesmo exorcizar esse filho do capeta!!!

Salvaguardas – Dizendo Sim aos Que Dizem Não

        No Aprazível, importante baluarte da boa gastronomia e de vinhos brasileiros no Rio de Janeiro, um grupo de pequenos produtores se juntou a consumidores e jornalistas engajados na luta contra as salvaguardas. Momento único que marcou a posição de muita gente nesta luta por mostrar a diversidade de nossos vinhos e realidades distintas entre os grandes coronéis de nossa indústria e os pequenos produtores que têm no terroir sua mais importante fonte de inspiração e que os ditadores de plantão se recusam a escutar já que estes não comungam da mesma cultura pelega. Mais importante, pois escancara de forma clara e poética, não tivesse sido redigida pelo Zanini (Vallontano), foi a a “pequena” mensagem lida pelo jornalista Alexandre Lalas na abertura do evento. É um texto magistral que merece ser lido por todos os que se importam pois mostra bem a realidade de nossa vinosfera tupiniquim!

Prezados senhores, senhoras, jornalistas, enófilos, sommeliers, chefs, lojistas, produtores, amantes do vinho, pessoas de bem.

É com imensa alegria que iniciamos este encontro. Hoje é um dia de júbilo inebriante, um dia de celebração. Estamos aqui para resistir a tentativa de genocído da diversidade do vinho no Brasil. Estamos aqui para resistir ao fim da pluralidade, estamos aqui para dizer a verdade, a nossa verdade, a única verdade. Estamos aqui porque não queremos ser engolidos pelo monstro da economia de escala. Estamos aqui para defender os vinhos brasileiros, e sobretudo para debater a tentativa perversa de privilegiar apenas a grande indústria de vinhos no Brasil em detrimento da artesania.

O Aprazível, já foi palco de outras batalhas e novamente abre suas portas para um momento importante e histórico, e sem precedentes para os rumos da vitivinicultura no Brasil. O Aprazível é para nós, pequenos produtores brasileiros, o fórum legítimo para discutir a vitivinicultura brasileira. O palco perfeito para quem não tem vez e voz em sua própria terra. É o púlpito para ressonarmos nosso descontentamento com as políticas impostas pelo setor, e por todas as entidades que apóiam o Selo Fiscal e a Salvaguarda.

Falam em patriotismo, falam em brasilidade, falam em responsabilidade, falam em abrir a cabeça, falam em erguer a taça, falam em dizer sim. Mas também nos acusam de boicotadores, de traidores do vinho brasileiro. Pois bem, gostaria de questionar quem são os traidores de fato. Será que nos venderíamos por 30 moedas? Será que teríamos todo este poder que agora nos imputam? Se não, vejamos:

  • quem boicotou as mais de 400 vinícolas que foram contra o Selo Fiscal?
  • Quem boicotou os cidadãos que firmaram de próprio punho, através de abaixo assinado, esta contrariedade?
  • Quem boicotou o pequeno produtor ao pedir que derrubassem a normativa que isentava o Selo fiscal para vinícolas que produzissem até 20.000 litros de vinho?
  •  Quem está boicotando a discussão sobre o sistema tributário Simples para as pequenas vinícolas?
  • Quem boicotou as vinícolas familiares que foram fechadas por não respeitarem a impraticável normativa IN 05 (normativa esta que impossibilita qualquer agricultor de fazer vinho em sua própria propriedade?)
  • Quem boicota os pequenos agricultores e os trata como verdadeiros criminosos por fazerem vinho para seu próprio consumo?
  • Quem são os boicotadores do vinho brasileiro?

Acusam indiscriminadamente os pequenos produtores, por estarem ligados a esta ou aquela importadora, acusam pequenos produtores por serem desta ou daquela etnia, acusam os pequenos produtores de serem deste ou daquele estado,acusam os pequenos produtores de estarem promovendo o cáos. Acusam os pequenos produtores de serem manipuladores de informações. Assim assistimos perplexos a tudo isto, a falta de elegância destas pessoas que estão botando abaixo a imagem do vinho brasileiro. Prezados cidadãos e cidadãs, o marketing não esconde atos fascistas, o marketing não limpa a alma, o marketing não forja caráter, o marketing não faz vinho! Mas querem reverter através dele a insanidade que foi o pedido de Salvaguarda.

Ora vejamos sobre a luz da razão esta abominação, Quem pediu a Salvaguarda para os vinhos brasileiros? Segundo um renomado enólogo e produtor de vinho brasileiro, foram as entidades “representativas” do Setor que pediram a Salvaguarda, mais ninguém. E quem são estas entidades? De que elas são formadas? De que matéria? De seres inanimados? De biomas desconhecidos? De lontras, leões marinhos, salames, porcos, raposas? Quem são seus dirigentes? Será que estas entidades abririam suas atas publicamente para termos acesso a estas votações? Tanto do Selo Fiscal quanto da Salvaguarda? Ou elas não existem? De onde surgiram estas idéias? Da caixa de pandora? Onde estas idéias foram debatidas? Quando, como e com quem? Estas atas não apareceram e nem vão aparecer, porque apenas poucas vinícolas decidem por centenas de produtores. Fácil agora recorrer a cortina obscura das “entidades representativas” do setor, para safarem-se do imbróglio.

 Disseram também que a Salvaguarda é um ato social, pois dela dependem 20.000 famílias. Gostaria de saber se as 20.000 famílias sabem das contrapartidas da Salvaguarda? Para que o governo adote as medidas protecionistas o setor se compromete a implementar diversas medidas compensatórias. Vejamos algumas delas:

  • “a implantação de 1.500 ha de vinhedos em áreas fora das áreas tradicionais”, quem sabe propomos as 20.000 famílias serem os novos pedestres do mar vermelho protagonizando mais um êxodo na história? Quem tem mais condições de implantar estes 1.500 hectares?
  • Outro exemplo, será a diminuição de até 15% do custo de produção da matéria-prima e redução em 35% com relação a regiões tradicionais, onde hoje habitam estas 20.000 familias. Além disso, teremos que aumentar 37% a produtividade dos nossos vinhedos, ou seja, teremos que piorar a qualidade de nossa uva? Isto é insano!
  •  E pasmem, a Salvaguarda incentiva fusões de empresas para ganho de escala, e pretendem investir do 3º ao 8º ano, 40 milhões de reais em promoção “coletiva”. Quem pagará esta conta? Para quem está sendo direcionada esta “coletividade”?

É revoltante saber que nos últimos anos as grandes corporações conseguiram tudo do IBRAVIN, e este mesmo instituto não apresentou um único plano para melhorar a competitividade das vinícolas familiares. Ao contrário, nos presenteou com o burocrático e ineficaz Selo Fiscal. Não apresentou uma única proposta para financiar pequenos produtores e incentivar a vitivinicultura familiar, ao contrário está exigindo cursos de qualificação para o implantação de uma normativa utópica e impraticável para os colonos, a IN05. Não há um único projeto para vinhos artesanais no país, ao contrário puniu os agricultores que elaboravam vinhos em suas propriedades.

 Novamente pergunto quem está sofrendo o boicote durante anos? Quem são os boicotadores. A grande indústria brasileira usa a ardilosa estratégia de se colocar como vítima. Queremos saber quem está de fato boicotando o vinho brasileiro? Meus caros, por isto estamos aqui, para dar nossa resposta de forma elegante e prazerosa, ao evento que simultaneamente acontece neste exato momento em outro local promovido pelos defensores do Selo Fiscal, da Salvaguardas e das Normativas, que servem apenas de instrumentos de defesa, numa vergonhosa e escancarada tentativa de reserva de mercado. Se fizeram dívidas e dimensionaram mal o seu mercado e suas expansões agora que paguem! Não dividam sua dívida com o setor, se fosse assim, também gostaríamos que o governo pagasse nossos Proger e Prodefrutas. Mas ao invés da choradeira estamos aqui, no verdadeiro campo de batalha “o mercado” tentando vender nossos vinhos sem nenhuma salvaguarda, sem recorrermos ao “tapetão”!

Não poderia deixar de fazer referência a um grande homem de coragem, e proprietário do restaurante que possui a melhor carta de vinho do Brasil, Pedro Hermeto. Parabéns pela coragem, pela determinação e entendimento. O Aprazível foi e sempre será a grande referência para o vinho brasileiro. Também agradeço a todos que se empenharam nesta luta de defesa do pequeno produtor brasileiro. Certamente o sacrifício e o sudário impressos em nossos dias, não nos roubaram a dignidade, nem execraram de nós a sensibilidade; ao contrário, nossas gárgulas inundaram as nossas vidas de alegria e serenidade. O vinho imaculado corre em nossas veias como o Vesúvio em seus tempos de glória!

Somos parte de um mesmo corpo, amantes de um mesmo amor, fugitivos de guerra procurando a paz. Como homens e mulheres de um novo tempo, temos somente um dever: procurar a verdade. Que ela nos guie e nos liberte, que ela nos desvende outros caminhos além daqueles indicados por outros, que ela nos esclareça e nos dê essência. Sigamos então a verdade da luz da lua numa noite de verão, bebamos um vinho autêntico com nosso melhor amigo, sejamos um pouco o corpo do Criador, sejamos os ramos da videira a frutificar pela eternidade, sejamos odres novos para o vinho novo. Cantemos os salmos da vida, festejemos o Cântico dos Cânticos, sempre e sempre. Façamos do vinho o nosso filho unigênito, respeitando suas nuances e suas estações, façamos dele nossa vida, como nossos sonhos, outrora verdadeiros, como o mar calmo depois do verão. Que os sonhos de cada um que se encontra hoje aqui, se tornem uma vinha fértil, que nossos braços sejam como os ramos e frutifiquem, que as nossas mãos toquem com delicadeza e carinho nossa colheita, e que nossos olhos habitem o infinito para sentirmos então todos os aromas indescritíveis, jamais sonhados, degustando a paz, e encontrando a vida plena.

No vinho a luz, no vinho a vida, no vinho o escárnio, a ousadia, no vinho o corpo, o sopro, a luz…

No vinho o mar,

No vinho o amor, o amor, o amor.

Assim seja

Luis Henrique Zanini”

     Entenderam o tamanho do problema armado pela Ibravin e Cia.? Orgãos que deveriam defender o vinho brasileiro, se tornaram entidades marionetes na mão dos grandes coronéis que formam o oligopólio de nossa vitivinicultura, os mesmos que conseguiram juros de pai para filho que só o BNDES consegue dar e que publicaram números de crescimento para lá de enormes numa economia que pouco cresceu em 2011. Como tenho dito, a reformulação da Ibravin com outro projeto e outra direção me parece a forma mais adequada de rever de forma democrática nosso futuro vitivinicola sem o cunho politico estadual e pelego hoje existente nas entidades dominadas pelos barões da região. Quem sabe ainda se faz a luz e algo de positivo sai desta mixórdia generalizada?

Prestigie as pequenas vínicolas brasileiras que dizem NÃO ao presente status quo! Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui! A luta continua e, aproveitando o ensejo já que está na moda, que tal montar uma comissão da verdade para analisar as razões reais por trás do pedido de Salvaguardas?

Petição Contra as Salvaguardas – Já Passamos de 10.000 !

        Um recadinho a quem de direito, já são mais de 10.000 chatos que subscreveram a Petição Publica contra essa excrescência que pretendem nos enfiar goela abaixo! Esses são consumidores que certamente já estão vendo a produção nacional de forma diferenciada e, lamentavelmente, de forma negativa. Mesmo que quisessem, os concorrentes como as cervejas gourmet, não seriam tão eficientes quanto foram Ibravin, Uvibra e seus patrocinadores em derrubar a boa imagem do vinho brasileiro que vinha sendo contruída. No entanto, como bem disse o amigo Rogério em seu comentário, ainda é muito pouco para o tamanho da indignação e é importante que tomemos atitude em vez de só ficar resmungando pelos cantos então, se ainda não o fez, assine logo clicando no link aqui do lado

       A luta continua!

Mais uma Triste Noticia na nossa Tumultuada Vinosfera Tupiniquim

       Hoje não falo das Salvaguardas, mas sim da pequinês de boa parte de nossos produtores nacionais e não falo de dinheiro ou porte, mas sim de visão empresarial ou falta dela, sei lá! Sei que quanto mais leio e vejo as coisas por baixo dos panos, mais me decepciono com o que vejo e leio. Não é á toa que nos encontramos na situação em que estamos e a leitura completa do link que relacionarei abaixo é um “must” para que possamos entender o imbróglio em que essas entidades nos meteram, lembrando que elas são a cara de seus associados e tentar desvincular isso é um exercício inútil e vazio pois carece de qualquer fundamento lógico!

       Para quem ainda não conhece a Academia do Vinho, link aqui do lado em “Meus Sites Preferidos” desde os primórdios deste blog, deveria! Quando pouco ou nada havia no mercado que ajudasse os apreciadores de vinho a se aprofundarem neste mundo mágico do vinho, este site era um porto seguro repleto de informações num estilo fácil de entender. Foi e segue sendo, um exemplo de apoio ao enófilo, uma fonte de informações imensa e bem estruturada. Aliás, em junho de 2008 publiquei um post “chupado” deles (com os devidos créditos obviamente) em que uma frase se destacava;

“No século 17, a Igreja Católica dava pão e vinho às famílias pobres! Vinho era considerado item de primeira necessidade, fazia parte da cesta básica! Todo mundo deveria ter a oportunidade de aprender a tomar vinhos, sem achar que o vinho e sua cultura representam chatice ou um bicho papão, cheio de mistérios e dificuldades”.

 Essa junto com algumas outras poucas, especialmente do Saul Galvão e do Albert de Villaine, se tornaram meus mantras particulares nesta minha cruzada do vinho que trata, entre outras coisas, de desmistificar o vinho.

        Posteriormente, deram inicio a um projeto que também se tornou o norte, o mais completo informativo disponível no mercado, para quem se interessava pelo vinho brasileiro, nascia o Site do Vinho Brasileiro. Me ajudou muito quando ao iniciar meu blog com uma série de matérias sobre países, tive que falar de Brasil, seus vinhos, cepas e regiões. Não existe nada igual até hoje, ou melhor, EXISTIA! Recebi para minha enorme tristeza, decepção e perplexidade a noticia do fechamento do site, acabou-se!  Isso, mesmo que triste, pode até se entender porém as causas, essas são estarrecedoras assim como os fatos por trás da decisão. Vai-se um sonho, mas ficam as pessoas, sua reputação e seu caráter, parabéns Carlos e Karin Arruda pela dedicação á causa do vinho e por compartilhar conosco tanto conhecimento e informação necessária à formação do enófilo de língua portuguesa e em especial, dos brasileiros amantes do vinho. Leia a nota integral na página do Site do Vinho Brasileiro  mas vou adiantar  para vocês a razão básica para esse triste acontecimento, as vinícolas não queriam pagar R$39,00, sim todo esse absurdo de dinheiro, para ajudar na manutenção do site e a Ibravin, bem sobre essa é melhor ler a nota e aí tirar sua próprias conclusões. Eu já tirei as minhas faz tempo e estas informações só vêm corroborar com tudo o que já sabia!

       Amanhã falo de vinhos, duas descobertas frutos de meu garimpo, Quarta tem Vinopiadas (concurso está terminando dia 16/05), Quinta a Eliza Leão, direto do Languedoc, estreia sua coluna aqui e sexta, bem aí é dia de Dicas da Semana. Quanto a Salvaguardas, os “Chatos das Salvaguardas” não param nunca e no Face o grupo já passa dos 830, com noticias diárias,  e por aqui não haverá dia especifico, todo  o dia é dia, para falar dessa  excrescência. Semana que vem vou falar de mais vinhos, coisas novas bem interessantes, de um encontro enogastronomico no histórico e respeitado Dom Curro, enfim, há muito que compartilhar então fique por aqui.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. A Luta Continua!

Salvaguardas – Pensamentos Soltos

       Semana que vem volto a falar de vinhos e experiências gastronômicas, tenho um monte de coisas represadas em função desta excrescência chamada Salvaguardas! Também iniciarei a postar os textos de uma amiga que se mandou para terras francesas (Eliza Leão) e que agora nos falará esporadicamente sobre a região do Languedoc e seus vinhos, enfim vou retomar as rédeas de meu blog antes que seja tarde! Rs Hoje, como chato (de galocha) assumido contra as salvaguardas que sou, ainda vou tecer alguns comentários com algumas das coisas que tenho ouvido e visto, porém antes deixo aqui um pensamento para reflexão:

“Quase todos os homens podem suportar a adversidade,

mas se você quiser testar o caráter de um, dê-lhe  poder.” Abraham Lincoln 

Debate do Vinho:

     O debate ficou aquém do desejado, até porque os homens da Ibravin falaram tanto que pouco tempo sobrou para debate. No entanto algumas coisas ficaram claras, para mim pelo menos, e gostaria de ressaltar alguns tópicos para reflexão:

1 – todas as decisões são unânimes e a ACAVITIS faz parte da Ibravin, então me parece que os produtores Catarinenses têm que buscar resposta em sua associação que aderiu, ou se absteve, quando, pelo menos ao que consta, a maioria de seus associados é contrária ás Salvaguardas. Seria interessante uma manifestação oficial de sua presidência.

2 – O Sr. Leocir Bottega, que deveria falar do custo de produção no Brasil, passou o tempo inteiro numa manifestação de defesa da Ibravin e de números pouco falou. Quando o fez, me lembrou aquela frase do economista Rodrigo Constantino que diz que estatísticas são o “ato de torturar números até que eles confessem qualquer coisa”. Ninguém acreditou naquela salada apresentada de forma apressada!

3 – Interessante o quanto a Ibravin faz questão de dizer que os produtores não têm nada a ver com a ação tomada e que isto foi orquestrado pelas entidades peticionárias. Chegaram a instruir produtores a não se manifestarem, mas estes não têm nada com isso! As entidades não são formadas por associados? Estes não são consultados pelas entidades, especialmente quando de um assunto tão sério?

4 – Orlando Rodrigues, diretor da importadora Premium, ressaltou o fato de que o Brasil é o dos poucos mercados, se não o único, em que não existe uma sistemática de distribuição pré-estabelecida. Aqui todo mundo vende para todo mundo, transformando clientes em concorrentes. Realmente algo a se repensar até em função da guerra fiscal que gera brechas e práticas comerciais desleais e predadoras inclusive no âmbito do comércio virtual.

5 – O mesmo Orlando informou que o setor, através de suas entidades, estaria apresentando uma proposta de reconciliação e discussão construtiva do caminhos do vinho no Brasil e se a Ibravin aceitaria recuar em seu pedido de Salvaguardas para discutir o tema no fórum adequado. Vejam aqui a Carta Aberta, item 9. Disse o Paviani, diretor geral da Ibravin, que ao recebê-la a analisaria, mas não senti firmeza não!

Vinhos Finos e a Similaridade de Produtos X Salvaguardas ao Vinho Nacional

Este tema será, certamente, um dos mais discutidos no âmbito do Ministério e cito um exemplo, sem qualquer desrespeito á história e importância da marca no âmbito nacional como uma porta de entrada á nossa vinosfera tupiniquim, mas é difícil, se não impossível, entender a validade das salvaguardas quando a Cooperativa Garibaldi diz querer dobrar sua participação em vinhos finos com a compra da Granja União! Ora, as salvaguardas não contemplarão a Argentina de onde vem a vasta maioria de vinhos de entrada de gama e maior concorrente da produção nacional e sim atingirão, do ponto de vista da circular, os “similares” vinhos da Borgonha, Bordeaux, Rioja e Douro. Em sã consciência, isso não faz o mínimo sentido!

Entrevista do Adriano Miolo à Revista Menu

A ibravin diz que consultou as víncolas, já o Adriano diz que a Miolo não foi! Quem se esqueceu do quê? O Adriano diz que falou com seus clientes, quais? Lojistas, restaurantes distribuidores? Sim, porque o consumidor, esse nunca recebeu nenhuma resposta, inclusive eu e pelo menos mais um dos leitores que já se manifestou aqui no blog sobre esse mesmo tema. Lavar as mãos e dizer que isso é coisa das entidades, é lamentável e traz uma percepção ao mercado (consumidores) que não condiz com a história da empresa e do empresário. Parafraseando  o conceituado jornalista Sardenberg da CBN, meteu o pé na jaca, uma pena!

Resumo da Ópera

O enófilo apreciador de vinhos finos de qualidade certamente pagará mais caro porém não deixará de tomar bons vinhos, sejam eles importados ou não, deixando as zurrapas de qualquer origem á margem.  Os grandes concorrentes da produção nacional são; os impostos locais e federais, a quem os salvaguardistas e seus defensores deveriam dirigir suas ações e seu forte lobby politico, os vinhos baratos da Argentina (que não serão atingidos por essas Salvaguardas) e do Chile, vinhos de origem duvidosa (se policiarem e controlarem as fronteiras reduzindo os estimados 40 milhões de litros de contrabando seria ótimo para todo o setor) não os vinhos da Borgonha, Bordeaux, Rioja ou Douro que as Salvaguardas atingirão diretamente. Aumento de vinho nacional por decreto é uma utopia tal que fica dificil entender e aceitar que ainda haja gente que nos dias de hoje ainda acredite nisso! Tem hora que penso que deve haver algo mais por trás desta estratégia adotada ao botarem o bode na sala, só não consegui ainda solucionar o inigma, pois ignorantes eles não me parecem ser!! As pessoas tomarão menos preservando a qualidade a que se habituaram ou migrarão para outras bebidas e toda essa zorra que armaram só trará prejuizos para o setor como um todo.

      Sou um ferrenho adversário das Salvaguardas como enófilo estudioso do vinho e do mercado, comerciante de vinhos e colunista que sou. Me sinto ultrajado, desrespeitado porque não buscam soluções de fato para os problemas do setor e sim formas absurdas e prepotentes de atingir a livre concorrência sem atacar os problemas essenciais, fazendo-nos de idiotas com suas explicações sem nexo para um ato absolutamente truculento e desnecessário. Sou a favor do vinho brasileiro, especialmente dos pequenos produtores que penam para levar o dia a dia num ambiente tributário inóspito, mas sou radicalmente contra a ganância, o oligopólio, a ditadura e truculência, a falta de democracia e transparência, a politização das entidades, o peleguismo, a Ibravin e restante das entidades peticionárias das Salvaguardas que não nos levarão a lugar nenhum como o Selo Fiscal não o fez!

      Amanhã Dicas da Semana e outros papos. Na Semana que vem voltarei a Falar de Vinho, porém não esquecerei as Salvaguardas não!  Aproveitando, a petição publica está chegando em 10.000 assinaturas e você, já assinou? Acesse o site e vamos em frente porque a luta continua. Salute e kanimambo.

Salvaguardas – Finalmente o Adriano Falou

         Suzana Barelli (Revista Menu) conseguiu entrevistar Adriano Miolo que, aparentemente, fala pela primeira vez sobre o imbroglio das Salvaguardas. Eu cá tenho a minha opinião, mas leia você a entrevista clicando aqui neste link e faça seu juizo de valor. Para mim, me chamaram a atenção três pontos abordados:

“Por que a Miolo demorou a se pronunciar?

Assim que saiu a notícia da salvaguarda, começou o tiroteiro. Decidimos deixar as coisas acontecerem antes de nos pronunciarmos na imprensa. Mas temos falado com nossos clientes desde o primeiro dia, explicado nossa situação. Só não dá para dizer que foi a Miolo que pediu a salvaguarda. A Miolo não é sócia do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho). Foi o Ibravin que apresentou a proposta da salvaguarda e não as empresas. O Ibravin fez isso a partir de seus sócios, que são 52 associações. As associações de produtores são os sócios do Ibravin. A Apex-Brasil é sócia do Ibravin. A Abrabe é sócia do Ibravin. Não são as vinícolas que são sócias. E o setor tem fóruns legítimos para estas discussões, que é a Câmara Setorial da Uva e do Vinho.

Mas a salvaguarda não foi discutida nesta câmara. O Ibravin e mais três entidades do setor apresentaram a proposta diretamente para o Ministério da Indústria.

Não entendo porque a salvaguarda não foi discutida neste fórum. Mas não adianta atacar as empresas. Temos de fazer a discussão de como resolver a crise do vinho brasileiro. E nós, da Miolo, somos pelo entendimento, não pelo enfrentamento, como algumas empresas, alguns importadores e alguns jornalistas.

A Ibravin diz que a ideia da salvaguarda foi discutida antes com as vinícolas.

Nunca fomos convidados para discutir este tema com o Ibravin.

         Pelo acima exposto, acho incrível a autonomia que a Ibravin tem para tomar as rédeas da vitivinicultura gaúcha e brasileira sem consulta nem satisfação aos grandes produtores nacionais! Por outro lado, pelo que outras vinicolas têm falado e pelas respostas acima, me parece que existe aqui um festival de incongruências, mas enfim……..cada um que acredite no que quiser; Papai Noel, Coelhinho da Páscoa,……….

A luta continua!