Uncle Scrooge e os Preço dos Vinhos

                 Há poucos dias, me disseram que, ao escrever neste blog, passo a impressão de que sou um pão-duro, munheca, sovina, muquirana, um “Uncle Scrooge” do vinho. Quem me conhece sabe que sou tudo menos isso, aliás, chego a ser um pouco, até já fui mais quando o bolso assim o permitia, perdulário. O que sempre me incomodou na vida foi de jogar dinheiro fora. Não me incomodo de gastar, dentro dos meus limites, mas incomoda-me sentir roubado e ser feito de trouxa. Não receber pelo preço, qualquer que seja, o justo valor do que paguei, é uma coisa que me irrita.  Quero receber o justo prazer pelo que paguei. Se pago um café R$5,00 e não estou em Veneza, Milão ou Paris, então espero que seja um BAITA café e que o serviço seja à altura do que desembolsei. É o tal negócio, algo pode custar muito dinheiro e não ser caro. Por outro lado, podemos pagar uma ninharia por alguma coisa, e este preço vir a ser extremamente caro.  Aliás, há coisas que, de graça, são caras! Há quem possa, e não se incomoda, pagar absurdos por uma garrafa de vinho ou um jantar num dos melhores restaurantes, nada contra, muito pelo contrário se isto lhe der prazer ou lhe for importante do ponto devista de status. Cada um sabe de si, e não existe aqui nenhuma forma de patrulhamento, muito pelo contrário. Cada um faz o que quiser com o dinheiro que honestamente ganhou e que, de certo, suou e sacrificou muito para ter e chegar a essa situação privilegiada, só não vale cartão Corporativo do Governo, aí já é sacanagem. Só que, este blog, não trabalha em função dessa minoria e sim da grande maioria dos consumidores, é outro projeto e outro conceito. Quero vinho bom por preço bom e, há espaço para isso, basta querer rever estratégias. Melhores Vinhos por Melhores Preços, essa é a filosofia.

              Todavia, quando se tem conhecimento de custos e preços internacionais, se tem oportunidade de viajar, quando se estuda e se lê bastante, quando se navega pelas diversas lojas on-line disponíveis por esse mundo afora, as comparações se tornam inevitáveis. Nosso nível de exigência, cresce na mesma proporção que o nosso conhecimento. Por exemplo, ao fazer um trabalho sobre Espumantes, verifiquei que um deles custava em 2001, cerca de USD32. Hoje, ele custa cerca de USD 75 (já com a nova taxa do Dólar, porque antes era 98)! Não tem nada que justifique isso e, certamente, o produtor pouco vê desse aumento absurdo. Quando vou a um restaurante, peço a carta de vinhos e verifico que o proprietário dobrou o preço (de empório ou loja), isto quando não ultrapassa este fator, me sinto roubado e perco o apetite. Daí a importância de restautantes Amigos do Vinho como o Villa, que trabalham com margens honestas nos possibilitando momentos de prazer enogastronômicos sem perigo de rombos enormes no bolso. Sei que estes estabelecimentos compram com desconto e, nenhum serviço, pode justificar tamanha diferença de preço. Obviamente que, nesse tipo de lugar, dificilmente volto a colocar os pés.

              Ainda existe no Brasil, um ranço antigo, de que o negócio é ganhar muito em cima de poucos quando, em economias mais avançadas, há muito já se entendeu de que o segredo da longevidade e saúde empresarial é exatamente o inverso e isso vale para os impostos também! Muitos já mudaram, como boa parte dos lojistas que são a parte frágil da equação, mas existem segmentos da economia que resistem ao tempo e ao bom senso. Por isso seguimos tendo um consumo de vinho per capita tão baixo. Não é só por razões culturais e climáticas não, a razão econômica e o coeficiente qualidade X preço, são fatores preponderantes a serem considerados, mesmo, ou talvez até mais, quando de vinhos nacionais! Agora, enquanto houver quem paga sem pestanejar ……

               Melhor mesmo, é quando me surpreendo. Quando recebo em troca do valor pago, e, repito, qualquer que seja o montante, mais prazer do que esse valor pago. Aí, me sinto ganhador e, em sendo uma ótima sensação, vou querer mais, sempre! Como profissional de mercado (comercial & marketing) que sou, acredito, piamente, que a longevidade de qualquer empreendimento se baseia na troca justa, no famoso ganha x ganha. Seja na qualidade do produto, na simpatia e eficiência do serviço, no aconchego do local, tudo deve se conjugar para nos trazer, neste caso,  o prazer da mesa, o prazer do vinho, o prazer da vida!

             Pão durisse? Sou bastante autocritico e penso que não. De qualquer forma, o mundo não se molda às minhas necessidades e minhas crenças. Tem que existir de tudo para todos e, o que busco, é achar os produtos e locais de justo retorno que atendam minha necessidade e compartilhar isso com os amigos. Se existe gente que se sente incomodado, paciência, eu também não me sinto à vontade de saber que um determinado vinho custa Euros 18 na Europa e, aqui, custa seis vezes mais, quando o razoável, baseado na nossa estrutura de impostos e cadeia de distribuição e comercialização, seriam umas três vezes nos vinhos de menor valor e de duas a duas e meia nos vinhos de valor mais alto! Não me sinto à vontade sabendo que um vinho é vendido por R$30,00 na maioria dos locais e, em determinado supermercado custa R$48,00, que o vinho na prateleira custa R$37 e o restaurante me pede R$76,00 e, por ai vai.  Ainda mais quando alguns importadores já se valendo da valorização do Dólar e com bastante gordura para queimar, saem dando aumentos que, pasmem, chegam a incríveis 25%! Com tudo o que já tivemos de aumento este ano, ainda mais esta?! Desculpem, preciso desabafar, mas depois não entendem porque o consumo não evolui e/ou os estoques estão altos!!! 

           Posso pagar? Talvez possa, não vem ao caso, mas não pagarei, afora por uma ou outra eventual, muito eventual, estripulia! De minha parte só comprarei daqueles que não aumentaram e, mais do que nunca, vou garimpar e separar o joio do trigo. Existem aqueles que baixaram preços quando o Real se valorizou, existem aqueles que trabalhavam com margens enxutas e preços baixos e nesses casos se entende eventuais alterações.  De resto mon ami, é hora de botar as barbas de molho e refletir sem entrar em furadas lembrando que o apressado come cru.

Salute e kanimambo.

“Os homens são como os vinhos. A idade azeda os maus e apura os bons”.

Marcus Cícero – Filósofo, orador e escritor Romano. 
 

Mercado em Alvoroço

            O mercado está em alvoroço. Para onde vai o Dólar, o Euro e quais serão suas conseqüências para nós pobres mortais amantes do vinho? Incrível que, a menos de quinze dias do inicio das turbulências financeiras que afetam o cambio, já tenha importadora avisando de deverá aumentar preços. O interessante é que a reação quando o Real seguia em forte valorização, simplesmente não ocorreu, salvo algumas poucas e elogiosas exceções que, eventualmente, possam ter que ajustar margens agora! Fizeram preço com USD a R$2,10 ou 2,20, quando não mais, jamais tendo mexido nos preços quando chegou a R$1,60! São aqueles mesmos que anunciaram que os preços poderiam aumentar cinco por cento com as mudanças de IPI que, efetivamente, só geravam alguns centavos de acréscimo por garrafa. Aliás, mesmo com todas essas benesses cambiais, muitos dos preços seguiam aumentando além do razoável.

          Não estou aqui querendo tecer juízo de valor sobre as atitudes desses, por enquanto, poucos importadores que já arregaçam as mangas, porém há que se ter um pouco de calma e discernimento neste momento. Obvio que o consumidor quer sempre comprar o melhor produto pelo melhor preço e, o vendedor quer a melhor rentabilidade para seu produto e retorno sobre investimento, é assim o mundo capitalista, é essa a regra do jogo e tudo bem, mas gente, vamos dar um tempo para que haja definição de tendências! Todavia, também podemos jogar o jogo e há que se comprar de quem nos respeita e nos serve melhor. Com mais de quinze mil rótulos no mercado, dezenas de importadores e algumas centenas de lojas espalhadas pelo país afora, porquê comprar de quem quer se aproveitar da situação? Esse pessoal mais afoito só irá aprender e mudar de atitude quando sentir queda de faturamento e falta de vendas. Enquanto sigam existindo compradores para todos os seus produtos, porquê fazer qualquer mudança de filosofia comercial? Quem vai com sede demais ao pote ……..

 Não quero, nem é de meu feitio, parecer que esteja aqui fazendo apologia de um movimento para parar de comprar ou secar um ou outro, não é isso! Como consumidor que sou,o que digo é; filtre, compare, separe o joio do trigo e compre somente daqueles que, a seu ver, o respeitam como consumidor, que não lhe metem a faca na primeira oportunidade ou lhe oferecem descontos que insultem sua inteligência! Respeite-se, para ser respeitado, vá à loja do lado, veja outros bons rótulos de importadoras mais maduras e corretas com uma postura comercial mais ética, exerça suas prerrogativas de consumidor, existe uma enorme diversidade de opções no mercado para que possamos exercer nosso direito de escolha. Aproveite o momento e explore essa imensidão de rótulos disponíveis no mercado, navegue um pouco por mares Brasileiros, enfim, busque novos caminhos evitando os abusos comerciais cometidos sob escusas pouco críveis, procure nossos parceiros. 

Salute!

Blogueiro não é Jornalista

Verdade ué! Num semo mesmo, mas que parecemo, parecemo! Brincadeira gente, mas é que vi essa chamada na capa da Revista Imprensa que encontrei sobre uma mesa no lounge de espera num restaurante, faz alguns dias. Me chamou a atenção, curioso que sou, e fui fuçar na rede buscando a matéria que cobre este tema um pouco polêmico, pelo que pude ver. Na verdade, existe no Brasil uma cultura de que qualquer um que escreva num jornal ou blog, pode se auto-intitular jornalista. Aliás, nem precisa, o próprio mercado de encarrega de rotular este pessoal, eu incluso, desta forma.

Um jornalista pode sim, ser blogueiro, porém o inverso não por uma questão de legislação e tipo de atividade. Apesar de o blogueiro, de certa forma atuar como um jornalista, não é esse o objetivo final e não sei nem porquê se discute isso. Aliás, não sei nem porquê escrevo este post, mas enfim, já que começei vamos até o fim. Um economista, um especialista em marketing, um médico, administrador, torcedor,    cozinheiro, arquiteto ou um enófilo que escreva sobre suas experiências e compartilhe seu conhecimento através de artigos em revistas, revistas e jornais, também não é um jornalista e sim um colunista. Se o fizer em seu próprio blog será um blogueiro, o que é bem diferente, mas de nenhuma forma depreciatvo. A grande diferença entre eles, é que enquanto o Jornalismo é uma profissão, o blogueiro é uma atividade que pode, ou não, ter graus diferentes de profissionalismo ou ser totalmente anárquico. Cada um tem a audiência que merece em função da credibilidade que conquistou e ponto final. O que torna qualquer atividade depreciativa, é a forma como um a executa e o seu conteúdo. Se o leitor não quiser te agüentar, não precisa nem passar pela dor de cabeça que é cancelar sua assinatura, ou pular a página em que você escreve, basta clicar em outro lugar!

Eu me considero um Colunista e Blogueiro, jornalista não sou. Me rotulem do jeito que quiserem, já que isso é meio que um esporte nacional, desde que sigam lendo este blog e a coluna no jornal, pois este é meu unico interesse; seguir crescendo e evoluindo através da fidelização do leitor. Rótulo só serve como mera indicação, funciona como filtro inicial, mas a verdadeira prova é na boca, no caso dos vinhos, e nos resultados no caso de alguma atividade profissional. Eventuais polêmicas me parecem coisa de alguns jornalistas, membros de um pequeno e medíocre grupo mais retrógrado, que se sentem incomodados, e eventualmente ameaçados em seu nicho de atividades, pelo simples fato de que aqui não existem manuais de redação e tão pouco linhas editoriais a serem seguidas, a não ser aquelas que o próprio blogueiro se impõe. Há mais liberdade, menos amarras, maior independência e ousadia, talvez por isso, os leitores busquem esse novo meio de comunicação opinativo, na minha opinião copiar e colar não está com nada, de forma cada vez mais assídua.

Como em tudo na vida, há que se separar o joio do trigo, mas esta é uma revolução impossível de parar e, certamente, de controlar e enquadrar. Há que se buscar formas de convivência madura, um complementando as ações do outro, potencializando os meios. Por outro lado, é uma área de informação e comunicação em franco crescimento e com amplas possibilidades de evolução como canal mercadológico direcionado e focado. Em muitas partes do mundo, este novo canal de comunicação já é bastante reconhecido pelo mundo corporativo, porém aqui ainda segue engatinhando sem que lhe seja dado o devido valor. 

Existe espaço para todos, basta ser competente, ético e sério naquilo que um se propõe a fazer. Não existe lugar cativo no setor e o profissional competente não tem medo de eventual concorrência, muito pelo contrário, pois essa vira um estimulo para evoluir. Só queria deixar registrado, de forma muito clara, a posição e opinião deste enófilo, blogueiro e colunista do vinho que pretende, sim, inovar e fazer diferença. Amanhã retorno Falando de Vinhos.

Salute e kanimambo.

Reféns das Notas.

postei matéria sobre o tema em Dezembro passado, mas volto a este assunto de Notas dos Vinhos, devido a uma conversa de há poucos dias, entre críticos, colunistas, importadores e produtores presentes a um almoço, sobre os senhores Robert Parker da vida e o valor de suas notas. È Wine Enthusiast,  Wine Spectator, Stephen Tanzer, Robert Parker, Decanter e Jancis Robinson entre muitos outros formadores de opinião e críticos do vinhos, formulando juizo de valor qualitativo. Certo ou errado, têm valor suas notas, ou não têm? Comprar baseado nisso? Na verdade quem lhes deu força e segue dando, são os próprios produtores, importadores e lojistas que viraram escravos, reféns e propagadores dessa cultura, ajudando a disseminar o fato que somente vinho bem pontuado é que é bom ou, eventualmente, para justificar preços. Depois reclamam que vinho sem pontuação não vende, ou de que seus vinhos foram mal pontuados! Lamentavelmente, uma grande parte dos consumidores acaba caindo nessa armadilha de forma ingênua, falta de conhecimento ou até, muitas vezes, por puro esnobismo. Daquele que serve o vinho já falando quanto o vinho custou, especialmente se for caro, e quantos ponto ele tem, saca?! Por outro lado, se criou um culto à nota difícil de se eliminar, pois isto requer mudanças culturais de valores já enraizados em nossa vinosfera do qual viramos efetivos reféns e, pensando bem, será que realmente queremos mudar esse “status quo”?

Já comentei que essas notas são meras indicações de qualidade e os vinhos sem pontuação não devem ser descartados somente porque não possuem uma nota. Por outro lado, um mesmo vinho avaliado por Robert Parker e Wine Spectator, de vertente americana, e Hugh Johnson, Decanter e Jancis Robinson, de vertente européia, terão resultados finais bem distintos devido a culturas, parâmetros e paladares diferenciados. Já cansei de provar vinhos super pontuados e me desapontar muitíssimo. Alguns efetivamente não gostei e, outros, apesar de bons, não consegui entender onde os conceituados críticos encontraram tanto fulgor para justificar suas notas!

A prova final, a verdadeira nota, a que interessa, esta está no paladar de quem toma o vinho e, especialmente, de quem paga por ele já que aí também poderá formular opinião de valor. Ou seja, se o vinho vale o que se pagou por ele, que será o que, em última instância, servirá de parâmetro para repetir a compra, ou não. O resto são meros subterfúgios mercadológicos que nem sempre condizem com a realidade encontrada na taça. Não que não lhes reconheça valor, a uns mais que outros, mas há que se considerar estas “avaliações” com uma certa parcimônia e até, talvez, um mal necessário em um mar de rótulos, nem sempre conhecidos, hoje disponíveis no mercado. Como diz o Didu, o crítico deu 98 pontos e você, quanto dá?

Salute e kanimambo.

Vinhos Brancos? Porquê não?

É estranho a enorme resistência aos vinhos brancos. Não, não é só por estas bandas, é no mundo inteiro onde a grande preferência recai sobre os tintos. No Brasil, país com uma cultura mais tradicional, de maior conservadorismo e uma boa dose de machismo, creio que é ainda pior. Por aqui, vinho branco é coisa para mulher. Preconceito dos bravos e, me parece, uma certa falta de conhecimento do sexo oposto, já que conheço um monte de mulheres que não abrem mão de um tinto!

Não vou dizer que já não fiz parte dessa trupe, pois seria muita hipocrisia, mas a vida nos ensina muitas lições e, nada como uma taça depois da outra para nos fazer rever posições. Não gostava de vinhos Italianos, de vinhos de sobremesa, de vinhos rosés, de vinhos brancos, e por aí vai. Só que, como costumo dizer, não é que não gostamos, é que nunca tivemos oportunidade de provar vinhos de real qualidade, ou seja há que esperar a taça certa para nos virar a cabeça. Isto aconteceu comigo diversas vezes, o bastante para me fazer parar de fazer este tipo de colocações. Posso ter preferências, sim e todos as temos, mas dizer que não gosto, é um pouco, a meu ver, xiita demais e devemos estar abertos para seguir provando. Eu, decididamente, me encantei por estes vinhos maravilhosos, só me incomodando o alto preço da maioria. De qualquer forma, é um caminho sem retorno e ainda vou preparar matéria com os mais saborosos brancos do mercado, aguarde!

Muitos dos vinhos que me têm agradado mais nestas ultimas degustações de que tenho participado, têm sido exatamente os brancos. Só para citar o Decanter Wine Sow, em que me encantei com diversos vinhos, mas dois em especial me conquistaram o paladar, o olfato e me despertaram sensações muito especiais. Ambos brancos; o Tiara da Viña Alicia (Argentina) e o Puligny-Montrachet 1er Cru Champs Gain do Chateau de La Tour (Borgonha – França). Um outro que provei recentemente é o Grainha, um Douro Português da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo (Vinea Store), um delicioso e complexo vinho! Dos mais simples a estes mais complexos, venho sendo positivamente surpreendido por diversos vinhos brancos de tudo o que é preço e origem. Não que não tenha provado incríveis tintos, provei, mas talvez a falta de expectativa e vivência com os vinhos brancos, nos torna mais suscetíveis às grandes surpresas e a gratas experiências, especialmente quando subimos um degrau.

Para cada momento existe a palavra certa, a musica certa e, também, o vinho certo! Talvez a nossa maior dificuldade seja a de saber harmonizar estes vinhos adequadamente, de uma forma que possamos aproveitar ao máximo suas características peculiares e bem distintas dos tintos a que estamos acostumados. Por outro lado, poucos vinhos são tão interessantes para tomar solo, do que os brancos. Meu conselho, sim já sei, se fosse bom vendia-se, mas sou teimoso, oops, perseverante por natureza, é de que baixe a guarda e reveja essa posição. Permita-se experimentar, eu tenho tido ótimas surpresas das quais, a maior parte, tenho compartilhado em diversos posts aqui no blog.

Para quem quer se aventurar por estes caminhos, eis algumas dicas que elaborei assim como algumas dadas pelo Nuno Guedes Vaz Pires, Diretor Executivo da revista Blue Wine em seu editorial de Março último:

  • Comece pelos vinhos mais descompromissados, conseqüentemente de valores mais baixos, para serem tomados jovens como aperitivo ou com uma entrada da refeição. Prove diversos varietais; Chardonnay, Riesling, Torrontés, Sauvignon Blanc, Viognier, Verdechio, Pinot Grigio, Alvarinho, Loureiro, etc. e diversas origens. Encontre o que mais lhe agrada e explore! Lembrando, estes vinhos de bom preço, quanto mais jovens melhor, evite vinhos com mais de dois anos se você não o conhece bem. Este ano, opte por vinhos de 2007, preferencialmente, ou no máximo 2006.
  • Sirva fresco, mas não gelado. Para o meu gosto, estes vinhos devem ser tomados por volta de 8 graus e se um pouco mais complexos podemos chegar a 10 ou 12. Se gelados demais perdem os aromas e se quente demais perdem o frescor e vivacidade inerentes e essenciais ao vinho branco. Este tema de températura é fundamental, mais ainda que nos tintos, aos vinhos brancos e sua positiva apreciação. Muita atenção ao servir, devendo-se manter a sua temperatura num balde com água e gelo ou uma luva de garrafa própria para isso.
  • Se optar por vinhos de maior qualidade, nada como levá-los à mesa. Siga a regra básica; se o prato for delicado, opte por um vinho mais suave, se for mais vigoroso com molhos fortes, vá de um vinho mais evoluído com alguma passagem por madeira.

       Na seção Brancos & Rosés, um tópico especifico, existem uma série de sugestões, mas também menciono algumas boas opções em Tomei e Recomendo, Boas Compras e Degustações, basta fuçar para encontrar. Comece por vinhos “aperitivo” e termine provando os bons vinhos de sobremesa, mais fáceis de harmonizar, duvido que você siga sendo um cético e continue desprezando um bom branco! Dentro do possível, estarei dando uma ênfase a esses vinhos, inclusive nos destaques de Boas Compras. Salute e Kanimambo

Harmonização

               Tem comido muita carne de caça? Um javalizinho, um cervo? Você não é chegado em carne de caça, tá bom entendo, então um Ratatouille, um franguinho trufado, filé de bisão ou um filé à Wellington? Também não?! Uma enguia defumada? Também não? Talvez um ensopado Irlandês, uma Shepperd´s Pie ou, ainda, Kedgeree, Gougère, Rodovalho, Sachertorte e Satay? Não, não baixou a pomba gira! Imagino que a esta hora você não tenha a menor idéia do que estou falando e queira saber que diabo são esses bichos estranhos?  Pois bem, essas são algumas das harmonizaçãoes sugeridas por alguns lojistas, importadores, especialistas, livros de harmonização e lojas virtuais, para os vinhos que estão oferecendo. Ainda hoje, recebi um e-mail que me oferecia um Malbec de R$35,00 que ficará delicioso com uma carne de cervo!!

               Concordo com vocês, eu também não entendi o que significam alguns desses nomes, não como caça, não que não goste, e muito menos sei o que é um filé à Wellington. Vão existir aqueles que me chamarão de ignorante gastronômico, posso até ser parcialmente analfabeto nessa arte, mas acho que está na hora do pessoal parar de complicar e começar a “tropicalizar” as informações colhidas lá fora. Ainda vou fazer uma matéria especial sobre harmonização, mas quero mesmo é saber que vinho tomo com, uma moqueca, leitão puruca,  madalena, strogonoff, um risoto de frango, um peru á Califórnia, uma Paella, lombo agri-doce, macarrão com shiitake, berinjela recheada, pernil assado, puchero, frango xadrez, picadinho, a pizza de Sexta, a macarronada da sogra no Domingo com o cunhado (rsrs) e, porquê não, um simples filé com fritas ou com arroz, feijão, couve e farofa. Ah, não adianta me sugerir um vinho de 200 pratas para harmonizar com hamburger, por mais sofisticado que este seja! Menos, gente, menos ……..

             Salute e kanimambo!

Consumidor Procura,……..

          Olá, muito prazer, permitam que me apresente. Meu nome é consumidor e busco um relacionamento de longo prazo em que encontre respeito, preço justo, satisfação e bons tratos! Quanto melhor cuidarem de mim, maior será a minha fidelidade! Alguém se habilita?

          Entro no ambiente e me deparo com uma moça bonita, por volta de uns 30 anos, mais ou menos dois, cerca de 1,70m e uns 60 e poucos quilos. Morena, olhos verdes (ou serão lentes?), “derrier” arrebitado e seios fartos com decote no umbigo. No recinto, diversas outras moças mais ou menos no mesmo estilo, mas tinha de tudo; ruivas, loiras, até uma oriental. Ao fundo diversos homens, meio barrigudos, longe do visual caprichado das meninas. Onde estou? Não, não é onde você está pensando, até porque sou um homem sério. Mesmo! Estou numa revenda de veículos, autorizada X, a marca é irrelevante. Apesar da descrição um pouco caricata, que me aconteceu realmente há alguns meses, é incrível como as armas e os conceitos comerciais continuam iguais, com muito pouca evolução, quando há. O mundo e as relações de consumo mudaram assustadoramente nos ultimos 10 anos, mas a área comercial segue padecendo das mesmas ultrapassadas técnicas. O pior é que, em plenos 34 graus, a moça me surpreende valorizando o fato de que o carro já vem com ar quente!! Pior ainda, que com isso mais; acendedor, break-light e retrovisor do lado direito, eles estavam agregando valor ao carro (?!!). O fato de o carro custar R$ 45.000 e sequer ter um som, qualquer um, não era fator preponderante em seu conceito de agregar valor. Bonitinha, mas ………..enfim, erro dela ou de quem a contratou e treinou?

         Poderia dar mais uma meia-dúzia de exemplos semelhantes no sentido de demonstrar como a área comercial tem investido pouco no treinamento e atualização de seu corpo de profissionais. Incrível, também, como se segue tratando clientes como se idiotas fossem. Agora, você me pergunta o que isso tem a ver com o vinho?! Tudo, porque esta mesma forma de pensar é, em grande parte, o que evidenciamos quando entramos em lojas e mercados espalhados por aí afora. A falta de preparo, tanto em como lidar com o vinho, quanto com o negócio e, especialmente, em como lidar com o cliente é ritual bem mais costumeiro do que seria recomendável. Não basta meninas, ou meninos bonitos, engajados e auto-intitulados “sommeliers”! Há que se conhecer o produto e, realmente, se colocar no outro lado do balcão para compreender o cliente, suas necessidades, suas capacidades e desejos.

            Há algum tempo, conversando com uma importadora, lhes perguntei se tinham alguma promoção ou oferta especial que gostariam que eu publicasse no blog. A resposta que recebi é de que eles não estavam dando descontos ou fazendo promoções já que estavam num processo de agregar valor aos seus rótulos (?!). Difícil de entender essa concepção de criação de mais valia num produto, até porque preço é uma coisa e valor é outra. Afora o essencial aspecto qualidade, que é imperativo, agregar valor requer; treinamento e investimento no sentido de criar junto ao cliente a efetiva percepção de valor. Isto é que é realmente agregar valor a seu produto e à sua venda, não o fato de vender mais caro, mais barato ou se recusar a dar um desconto e evitar uma promoção. 

Quando consigo encontrar a justa contrapartida; qualidade do produto, atendimento e serviço, ao preço pago, aí sim, adquiro uma real percepção de valor. Valor agregado é decorrência de ações tomadas que culminem nessa percepção por parte de todos nós consumidores, o resto, bem, o resto, em minha opinião, é pura balela, o famoso papo para boi dormir! Quem consegue se posicionar do outro lado do balcão ou, melhor ainda, logra eliminá-lo do relacionamento, certamente se dará bem pois terá visão do que o consumidor realmente quer e espera. A soberba que ainda assola o mundo do vinho, apesar de alguma tendência de reversão, começa na maioria das vezes no atendimento na loja/importadora.

Lembrando, o pequeno cliente de hoje pode ser o grande comprador de amanhã! Vai judiar?

Salute e Kanimambo

De boas intenções o inferno está cheio!

Já ouviram essa frase antes? A grande maioria, certamente sim e acho que o conceito se aplica a esta nova lei de Tolerância Zero no álcool com a redução do limite de dosagem para 0,2 grs. Apesar das, sempre dou o beneficio da duvida, eventuais boas intenções na elaboração desta lei, a verdade é que a mesma é míope, uma verdadeira aberração sócio cultural como muitas que existem por este Brasil afora em leis mal pensadas, mal redigidas e mal aplicadas. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, existe uma tremenda dificuldade em separar o joio do trigo e, generalizar é o caminho mais fácil e rápido para se solucionar um potencial problema.

A mídia, por outro lado, com medo de ser tachada como politicamente incorreta, entra na baila divulgando e apoiando, muitas vezes de forma sensacionalista, a nova legislação que quer ser mais realista do que o rei. O que gostaria de saber, aparentemente ninguém fez essa pesquisa, é quantos acidentes foram, efetiva e comprovadamente, gerados por motoristas com até 0,6 grs de álcool no sangue? Pelo que me consta, a quase totalidade desses acidentes e mortes no trânsito em função de irresponsáveis e criminosos motoristas alcoolizados, era de gente literalmente mamada! Já existia a lei, era só exercê-la e fiscalizar! As coisas corriam soltas por total falta de ação do Estado que não está devidamente capacitado e não exerce as prerrogativas da lei, nem sequer conseguindo inibir os criminosos rachas. A imprudência no transito é geral! Aliás, tenho sérias duvidas de que esse cenário irá mudar muito, apesar das mudanças na lei.

O que realmente se vai conseguir, é punir aquele pai de família que saiu para jantar com os amigos e tomou duas taças de vinho no jantar, ou jovem que saiu do escritório na Sexta, tomou dois ou três chopps e depois foi se encontrar com a namorada, ou seja, será punido o bebedor socialmente responsável. Acreditem, vai acontecer, e muito, só para dar o exemplo! Se a pessoa tiver o infortúnio de, com ou sem culpa, se envolver em um acidente, então será cana na certa! Pior, ainda são capazes de, por total despreparo, colocar essa pessoas numa cela junto com criminosos comuns! Aliás, parece que no Rio Grande do Sul a caça às bruxas já começou e com os, óbvios, excessos por parte de “nossos” defensores da ordem publica. Tivessem agido antes e não estaríamos chorando a morte de um monte de inocentes! Os habituais transgressores da lei, os mamados, esses já têm a manha. Porquê não fazer como no Canadá em que, o limite é 0,8 e os que se excedem, localizados através de fiscalização firme e regular, sofrem duras penas. Obviamente que no país da impunidade, Brasilia está aí cheia de exemplos para dar, isto seria inviável. Bastava colocar os orgãos publicos para trabalhar, começando por uma formação adequada nas escolas com aulas de cidadania e educação no trânsito!

Endurecer e criminalizar os atos irresponsáveis desses assassinos sobre rodas, é ação perfeita e obrigação do Estado que, ao longo dos anos, se isentou de suas responsabilidades. Generalizar de forma míope, que nem foi feito, é burrice é falta de vivência e distanciamento da realidade desses que vivem em gabinetes, possuem cartão corporativo e quando saem de carro, o fazem com motorista que eu e você pagamos. Depois nos chamam de elites !!! Tenho, inclusive, preocupações quanto ao impacto econômico que esta lei trará sobre os negócios de muita gente, sejam eles; restaurantes, bares, produtores, importadores, etc. que vivem disso. Quanto cairá o consumo? Quantos empregos se perderão? O tempo dirá.

Não quero passar a impressão, de forma alguma, de que apoio o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Nem para quem vai dirigir, nem para ninguém! Mas daí, até fazer o que fizeram, é um verdadeiro absurdo. Quanto cairá o numero de acidentes e mortes por irresponsáveis bêbados ao volante? Isto veremos dentro de um ano, após passar o auê que vão armar para cima de alguns a titulo de “mostrar trabalho” e dar o exemplo! Mais inteligente, seria manter os limites que já existiam, fiscalizar adequadamente e APLICAR a lei. Só que isso dá trabalho, esse é o verdadeiro cerne da questão!! Droga é proibida, tolerância zero, acabou o consumo e venda? Onde não existe fiscalização e aplicação da lei, não existe obediência, é óbvio e, não considerar isso na análise, beira a infantilidade. Achar que reduzir a zero (nada de bombons de cereja da Kopenhaguen antes de dirigir, por favor) vai eliminar os acidentes provocados pelos mamados irresponsáveis de plantão, é de uma inocência atroz.

Enfim, …….o que sei é que acabaram-se, em grande parte, as minhas degustações. Como vivo fora de São Paulo, taxi é carta fora do baralho, motorista muito menos, então vou ter que me contentar com uma ou outra eventual carona. Nas degustações, muito cuspimos, um ou outro gole engolimos, o bastante para que, numa eventual blitz me veja multado, desprovido de meu veiculo e, numa cidade sem alternativas decentes de transporte publico (onde será que essa gente coloca nossos impostos?), tenha meu direito de ir e vir cerceado e minhas atividades profissionais prejudicadas. Não posso me dar a esse luxo! Lei Seca, haja fígado para aguentar!!

Questão de opinião, é isso que penso. Desabafo feito, posição tomada, resta-me um brinde (em casa). Salute, apesar de tudo e de tantos! Beijo no coração e bom fim de semana.

 

Ps. Reduzida a desigualdade social no Brasil em 7%. Bandeiras desfraldadas e festa na corte, só esqueceram de divulgar que grande parte do resultado foi às custas da classe média que teve uma redução de quase 8%. Os ricos seguem ganhando cada vez mais, não são afetados. Ou seja, eu e você, para variar, pagamos a conta e, os “caras” levam a fama!

 

Sozinho? Nem tanto!

        Há alguns dias, sabe-se lá onde, já que navego bastante pela rede e volta e meia perco o rumo, li uma receita sobre a longevidade do casamento que dizia algo como; para que o casamento dure, o casal tem que ter três espaços ou lugares. Um para ela, um para ele e outro comum aos dois. Não sei é para tanto, mas a realidade é que, em qualquer relação, há que existir um espaço neutro onde cada um possa buscar a sua individualidade. A necessidade de momentos pessoais de reflexão, de poder estar só, é essencial. Mas, o que isto tem a ver com o vinho?

Tudo e nada. Na verdade, este tema me veio à mente en função de um texto da Helô (link aqui do lado) em que ela criticava uma suposta afirmação do Washington Olivetto, que é pensamento de muita gente, de que vinho nunca se deve tomar desacompanhado. Gente não vamos nos iludir, na vida há momentos em que é importante, sim, estar só e nessas horas, o vinho é o companheiro, junto com um bom livro, seus pensamentos, com uma boa musica, vislumbrando milagres da natureza com um formidável pôr-do-sol, o cheiro da grama molhada pelo sereno num amanhecer de azul anil, etc. e tal. De qualquer forma só , só mesmo, realmente nunca ficamos.

              Um bom vinho é poesia, é companheiro de bons e maus momentos, com comida ou sem, com gente ou sem! Há hora e momento para tudo nesta vida, inclusive para estar só. Nessas horas, melhor se com um bom vinho na taça. Salute e kanimambo.

Terceira Taça

                  Por mais que aceitemos o fato de que o nível de álcool no vinho não o chegue a afetar em função de um equilíbrio alcançado em sua elaboração, a pura verdade é que o teor de álcool se verifica mesmo é na terceira taça! O resto é papo para boi dormir. A meu ver, o vinho é para ser tomado em longos bate-papos e refeições sendo normal, nestes casos, que uma pessoa tome umas duas ou três taças de vinho. Se o vinho tiver 14,5 ou 15º como se verifica muito nos tintos por aí, por mais equilibrado que esteja, o álcool se sentirá na terceira taça! Nos brancos ocorre o mesmo, com vinhos de 13,5 a 14º com a agravante de que em muitas das vezes, estes vinhos são tomados sem, ou com pouca, comida, mais como aperitivo. O vinho é para termos prazer, para nos causar alegria, não para que fiquemos zonzos. Para isso existem bebidas mais baratas e mais eficazes! Com estes níveis de grau alcoólico, é difícil realmente aproveitar o vinho em sua plenitude social e é na terceira taça que está a prova final. Pessoalmente, tenho evitado os vinhos tão potentes, buscando aqueles mais elegantes e prazerosos de tomar. Agora parece que existe uma luz ao final do túnel, especialmente para aqueles que por motivos climáticos elaboram vinhos com alto teor alcoólico.

                O Instituto Nacional de Viticultura da Argentina autorizou um método de “desalcoolização” do vinho mediante osmoses inversa. De acordo com o blog El Malbec (link aqui do lado), esta resolução busca permitir a diminuição do teor de grau alcoólico nos vinhos em até 2%, conforme resolução da OIV (Organização Internacional do Vinho) aprovando esta “desalcoolização” através de técnicas subtrativas. Por enquanto somente os países do Novo Mundo estão colocando em prática esse processo já que na Europa, o procedimento ainda se encontra em fase de estudos, prevendo-se sua aprovação somente em 2009. Com esta aprovação na Argentina, quem sabe deixamos de ver vinhos brancos de 15º e tintos de 16,5 a 17º! Que falem os técnicos e enólogos.