2011 com vinho mais caro?!

            Só uma questão de tempo! Custos adicionais com o Maledetto do selo fiscal, não ele em si mas sim de todo o operacional e logística sem contar as “dificuldades” impostas pela receita, Anvisa, Ministério da Agricultura e outros orgão que se tornaram meros implantadores de politicas alfandegárias restritivas. Agora, não bastando os altíssimos impostos e taxas já cobrados, a presidente da república ainda mandou elevar os impostos sobre bebidas em 15%. Como até agora nossos iluminados produtores apoiadores do Maledetto e outras importantes estrelas de nossa vinosfera tupiniquim ainda não conseguiram, ou não lhes interessa, mudar a classificação do vinho para alimento como na maioria dos países produtores, esse novo aumento tarifário certamente virá a atingir os preços praticados hoje.

            Aliás, esse selo é ridiculo! Já comecei a receber vinhos com ele e nem sequer cola direto nas garrafas. Coisa feia, mal feita, bem a cara do Demo!!

Bom fim de semana e kanimambo pela visita.

Efeitos do Maledetto!

    É, não demorou muito para que parte dos efeitos desse maledetto selo fiscal se fizessem sentir e, já conhecendo o eleitorado, era de se esperar! Acabei de receber comunicado de que os preços de um produtor nacional, parece que é geral, estão sendo aumentados em 10% para cobrir custos, vejam abaixo. Que a polêmica do maledetto não tinha nada a ver com o contrabando e sim com os aspectos comerciais do mercado, isso já era amplamente conhecido e motivo de fortes criticas deste comentarista das coisas do vinho e os movimentos, para cima obviamente, dos preços era só uma questão de tempo. Fui um dos primeiros críticos dessa ação retrogada, um verdadeiro tiro no pé dos produtores e no bolso do consumidor que certamente seria chamado a pagar a conta. Pior, a existência do maledetto e o consequente aumento de preços afeta especialmente a gama de entrada do mundo dos vinhos tornando ainda mais caro a entrada de novos consumidores e aumento da demanda. Gente inteligente essa!

         Sei que os custos para os importadores que estão com operação de selagem no porto está em algo como R$2,00 por garrafa o que, num vinho de R$150 ou 200 pouco efeito causa. Agora, e no de R$15 ou 20? Os produtores nacionais, que estão estocados até as tampas, em vez de se aproveitar para ganhar mercado estão querendo faturar em cima, legal não? Para variar, pagamos a conta que nos é empurrada goela abaixo deixando um retrogosto de sabor duvidoso. O bastante, creio eu, para que nos sintamos impelidos a rechaçar esses caldos. Eu que sempre apoiei os produtores nacionais por entender que são elo importante na formação da cultura do vinho no país e por terem evoluido no quesito qualidade, começo a pensar de forma diferente e repensarei meus apoios. Me sinto ultrajado como consumidor! Aliás, todo este tema está me fazendo lembrar de uma célebre canção composta por Gil e Chico Buarque numa época em que também nos enfiavam um monte de coisas goela abaixo pela força bruta. Guardadas as devidas proporções e importância dos fatos, finalizo com as palavras deles e a apresentação de Chico e Milton, dois craques. Se este tema e este texto são um pé, pelo menos aproveite o video porque vale a pena recordar!

Pai,afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mTEiw4is4wI]

Salute e kanimambo

ps. Quer saber mais do Maledetto? Digite essa palavra em procurar e acompanhe a história por trás dessa atrocidade desde o inicio.

Estou Perplexo!

Viram o resultado de uma prova de vinhos Alvarinho/Albariño publicada na Prazeres da mesa deste mês?!! Não, então caso queiram ler a matéria completa comprem, peguem emprestado, leiam na banca, sei lá! De qualquer jeito, até para poder melhor tecer meus comentários, segue uma lista de parte dos resultados:

1º Quinta dos Loridos (Portugal/Lisboa) – 91 pontos

2º Bouza Albariño (Uruguai)  e Martin Codax (Espanha/Rías Baixas) – 90 pontos

3º Vale d’Algares (Portugal/Tejo) – 89 pontos empatado com Castro Valdes Sin Palabras / Dorado Superior e Lagar de Cervera.

4º Soalheiro (Portugal/Minho) – 88 pontos empatado com Portal do Fidalgo, Filaboa, Palácio da Brejoeira, Pazo Señorans, Rolan, Deu la Deu, Quinta da Lixa, Muros de Melgaço

seguidos de mais três rótulos com 87 pontos e três com 86 ou seja, no geral uma pontuação bastante alta para estes vinhos o que demonstra a capacidade desta cepa em gerar bons vinhos e o viés positivo dessa prova.

          No entanto, conheço as maioria dos vinhos provados, inclusive o melhor dessa  prova e, ver o Loridos levar o caneco e com tão alta pontuação me parece um absurdo. E o Bouza, já aqui comentado no blog há alguns anos atrás, que é realmente bom mas longe da complexidade e exuberância dos “vero”, também lá nas alturas! Não fosse a presença nessa degustação de gente do calibre de Didu Russo e Jorge Carrara, dois dos experts que mais respeito na nossa midia, provavelmente eu colocaria esse resultado em duvida, mas……. acho que tenho que me curvar aos fatos publicados. Dificil de digerir no entanto, tenho que confessar. Aliás, numa Expovinis, creio que 2008, também ocorreu uma dessas quando apareceu uma zebra chamada Rio Sol entre os TOP 10, então acho que fatos como estes podem ser classificados como acidentes de percurso que volta e meia pintam em nossos caminhos pela vinosfera!

           Tudo bem, sei que estas degustações são o retrato de um momento com aquelas pessoas e aqueles vinhos, mas que o resultado é surpreendente e me deixa perplexo pelo conhecimento (ou será desconhecimento?!) que tenho dos vinhos, lá issó não restam duvidas. Bem, mais uma para minha coleção de “vivendo e aprendendo” , mas fica aqui uma pergunta para satisfazer a minha curiosidade; quanto um resultado desses altera sua percepção de valor e motiva a compra? Pesssoalmente, sigo sendo mais Soalheiro, Muros de Melgaço, Pazo Señorans, Martin Codax, Muros Antigos, etc…….

Salute e kanimambo

TOPS Argentinos e Chilenos, Valem Tudo Isso?

 Momento de Reflexão para começar bem a semana! Afinal, esses aclamados e altamente pontuados vinhos dos hermanos valem mesmo essa “pipa de massas”, como dizem lá na saudosa terrinha, que pedem por aqui e mesmo lá na origem? São vinhos que variam aí entre os seus R$200 a 700,00! Só para trazer isso para um patamar mais universal, preços entre USD120 a 420 ou Euros 80 a 300!!!!! Sei que quem gosta de fazer suas perguntas semanais são os amigos Claudio e Rafaela (le Vin au Blog), mas não resisti já que ando me surpreendendo com os preços que tenho visto. O pessoal está todo aqui pertinho e cheio das benesses fiscais, os vinhos, bem; alguns muito bons, outros já ìcones, outros negam fogo (ou exalam em alguns casos) na hora H, etc. Será que valem mesmo toda essa grana?

          Fiquei curioso em saber o que os consumidores como um todo acham disso. Eu cá tenho a minha opinião formada e, não desprezando alguns ótimos vinhos que os hermanos produzem, não acredito que valham! Na minha percepção até encaro valores de cerca de R$200, mas acima disso acho um despautério, com algumas raras exceções, se comparado a Barolos, Brunellos, Bordeauxs, Douros, Alentejos, Riojas etc.. Tomar um delicioso Marques de Cáceres Gran Reserva 2001 por R$165, um Il Brusciato de Bolgheri 2006 por R$110, um Amarone Cinque Stelle por R$270,00, Chateau Tour de By Cru Bourgeois 2005 por R$140,00, um Jaffelin Savigny-les-Beaune Premier Cru 2007 por R$180,00, um Barolo Tré Ciabot 2003 por R$190,00 ou até um Cote Rotie La Divine por R$370,00, mesmo achando caro com relação aos preços de origem, ainda consigo entender, agora esses preços dos hermanos ……………..!!!!! Outra coisa, e as notas do tal de Jay Miller degustador mor do Robert Parker e seu Wine Advocate?!! Periga do cara dar 96 pontos para água com gás argentina, chose de loque, sô!

E você, o que você acha?

Salute e aguardo ansioso pelos comentários dos amigos. Kanimambo

A Importância do Preço

Grana, dindin, bufunfa, money ou, como dizem lá na saudosa terrinha, massas!  Mas afinal, o que isso tem a ver com o vinho e este blog? Bem, afora para alguns felizardos abastados e para quem o preço pouco importa (será?) a maioria dos consumidores de vinho, especialmente os aficionados que o tomam diariamente, têm sim esse fator como de importância preponderante de escolha, especialmente em terras brasilis onde se praticam alguns dos preços mais caros de nossa vinosfera que tendem a aumentar mais ainda em função do Maledetto do Selo Fiscal. Como consumidor e vejo esse mesmo padrão em muita gente amiga, o garimpo tanto de vinhos quanto dos rótulos preferidos por melhores preços ou descoberta de barganhas, o famoso bom e barato, são prática comum.

           Desde sempre, aqui no blog o preço tem tido preponderante importância em meus comentários. Tudo bem, preço não deve ser o único fator de compra, mas, certamente, em algumas situações é fundamental  na escolha já que na maioria das vezes não fazemos o que queremos e sim o que podemos. Conforme evolui o preço, a principio, aumenta a complexidade e a qualidade do vinho. Isto ocorre até uma faixa de uns R$300 a 400,00. A partir deste nível de preços o céu é o limite e nessas faixas, afora a qualidade, impera a lei da oferta e demanda e muito, mas muito marketing.

             Respeito os colegas que não publicam preços dos vinhos provados, porém acredito piamente que esse é um serviço a mais que deveria nortear os posts dos enoblogueiros de plantão quando de suas avaliações. Digo isto baseado no fato de que um vinho bem avaliado e considerado muito bom, quando custa R$300,00 simplesmente confirma expectativas, o que não o desmerece, porém também não lhe agrega nada. Já um vinho de R$30 / 40 ou 50,00 que surpreende por sua complexidade e excede expectativas tem que, acredito eu, receber um ponto ou comentário adicional por isso!

           Temos hoje mais de 20.000 rótulos de todos os países do mundo disponíveis no mercado o que torna nossa capacidade de escolha extremamente ampla e, ao mesmo tempo, de grande risco . Muita coisa cara que nem sempre cumpre expectativas e muita coisa barata, ruim e sem expressão que não valem o que pedem.  Tem, todavia e ainda bem para nós amantes dos bons caldos, também muita coisa boa e verdadeiros achados (por exemplo aqueles que marquei com A nas minhas listas de Melhores de 2010) em diversas faixas de preços. Ao logo destes últimos três anos de atividades mais focadas em nossa vinosfera, tenho provado um pouco de tudo e o fruto de meu garimpo está nestas páginas do blog, nos jornais para que escrevo, na minha coluna do site Viva a Granja e tento implantar isso na minha loja (Vino & Sapore) oferecendo diversidade com preços justos. Meu foco, como explorador e  garimpeiro que sou,  foi buscar alegria e prazer em vinhos bons de R$30 (que são poucos) nos de R$50 (que já são muitos) e nos de R$70 , 100 e 120 (que são um montão) e compartilhar isso com quem nutre os mesmos valores e interesses, ou seja, acredito piamente no que escrevo e pratico o que prego pois sou consumidor tanto como você.

         Óbvio que, se der para tomar grandes vinhos, muito melhor e felizes daqueles que os podem bancar com maior assiduidade.  No entanto, como o mundo do vinho é de enorme subjetividade, cabe a você fazer a prova final, mas fica aqui uma pergunta; você o que acha? Até que ponto o preço influi na sua busca por este prazer hedonístico que é tomar um bom vinho?  

 Salue e kanimambo

O Maledetto e Suas Artimanhas

         Esta deu no blog do Gustavo, Enoleigos (de leigo não têm é nada), mostrando que o Maledetto do Selo Fiscal, fazia tempo que não falava dele,  realmente se entranhou nas hostes do poder!  Vejam o item 3 do tema prazos de implantação!!!!

Obrigatoriedade para implantação do selo nos produtos nacionais e importados, nas vinícolas, engarrafadoras e importadoras, começa dia 1º de janeiro de 2011.
“A 8ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal negou um pedido de liminar impetrado pela Abrade (Associação Brasileira de Bebidas) contra a aplicação do Selo de Controle Fiscal, determinado pelo secretário da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.026, publicada dia 16 de abril deste ano no Diário Oficial da União. O juiz Márcio de França Moreira indeferiu o mandado de segurança coletivo da Abrade que solicitava o direito dos seus associados (um em Pernambuco e todos os demais no Rio Grande do Sul) de proceder a produção e a importação de vinhos sem a necessidade de implantar a “selagem especial”.
             O processo foi julgado extinto, sem resolução do mérito, portanto, sem possibilidade de recurso. “A competência para expedir atos administrativos de caráter normativo sobre matéria tributária federal é exclusiva do secretário da Receita Federal, ao passo que aplicar concretamente as normas gerais é privativa dos delegados e inspetores da Receita Federal do Brasil”, justificou o magistrado.
             Dessa forma, a implantação do Selo de Controle Fiscal para os produtores nacionais e importadores começa no dia 1º de janeiro de 2011. A medida determinada pela Receita Federal atende a um pedido das principais entidades representativas do setor vitivinícola brasileiro. Os selos a serem utilizados nos vinhos importados serão da cor vermelha combinada com marrom. Os selos dos vinhos brasileiros serão verdes com marrom.
           Esta semana, várias vinícolas já começaram a selar seus vinhos e espumantes que chegarão ao mercado em janeiro. A Cooperativa Vinícola Garibaldi já prepara um lote novo de espumantes todo selado. “Inicialmente, estamos colocando o selo manualmente. Mas nos próximos dias vamos colocá-lo junto com a rotulagem automática”, afirma o presidente Oscar Ló. “O selo não atrapalha em nada o visual dos produtos, será sim uma forma de combater o comércio irregular de vinhos e derivados”, destaca.
         Conforme a Receita Federal, os vinhos só poderão sair das vinícolas, engarrafadoras e importadoras com o Selo de Controle a partir de 1º de janeiro de 2011. Os atacadistas e varejistas deverão comercializar vinhos com o selo depois de 1º de janeiro de 2012. O objetivo do selo é aumentar o controle no comércio de vinhos brasileiros e importados, beneficiando quem trabalha dentro das obrigações legais e de mercado.
Confira os prazos de implantação do Selo de Controle Fiscal nos vinhos
1) As empresas que produzem, engarrafam e importam vinho tiveram até o dia 29 de outubro para pedir o Registro Especial, informando à Receita Federal a previsão de consumo de Selos de Controle para 2011.
2) A partir do dia 1º de janeiro de 2011, os vinhos só poderão sair das vinícolas e engarrafadoras com o Selo de Controle. O mesmo vale para os vinhos importados. A medida não vale para as safras mais antigas mantidas nos restaurantes.
3) A partir do dia 1º de janeiro de 2012, os atacadistas e varejistas só poderão comercializar os vinhos com selo de controle. Se a fiscalização da Receita encontrar nos estabelecimentos comerciais os vinhos sem o selo, apreenderá a mercadoria.
Fonte: OAJ Comunicação & Marketing”
          O mais interessante é que os caras não entendem nada de nadica deste ramo e querem botar regras!!  Vinhos de guarda comprados até este final do ano para serem vendidos e consumidos pelos próximos 10 anos, como as lojas fazem com o selo? De acordo com essa aberração de lei, conforme essa nota acima, um fiscal poderá entrar numa loja, pegar uma, ou várias, garrafas de  Chateau Petrus 1990, compradas com nota fiscal e tudo certinho há quatro ou cinco anos (antes da lei), e confiscá-las alegando que não possuem selo!! Mas que diacho de país é este?!!!!!!!!!!!!!!   
Hoje sem salute nem kanimambo e muito P……….. da vida precisando conferir isso, alguém pode confirmar? Ah, antes que me esqueça, vade retrum criatura nefasta!!! 

Incrível, Foi Abrir a Boca e Tomar Pancada!

        É gente, mal cheguei em casa da entrevista que dei para o Bom di Vinho do amigo Marcelo e já recebia dois e-mails bem azedos. Tudo bem, até entendo que a percepção tenha sido outra, a vida virtual é bem mais fácil que a ao vivo,  pois te permite pensar e revisar antes de publicar, então achei por bem responder publicamente. Antes, no entanto, não sem antes exaltar a audiência que o programa tem, show de bola Marcelo!

         Dois temas ou melhor, comentários que fiz parece que feriram a suscetibilidade de alguns então me permitam esclarecer já que pode ter havido uma percepção diferente daquilo que pretendi ao expor minha opinião;

1 – a falta de profissionalização do setor – tanto sommeliers mal formados como aqueles sem qualquer formação são um problema num meio em que trabalhar numa loja de lojas já dá status de tal ou então um curso básico na ABS. O Brasil está na lide do vinho, para valer, há cerca de dez anos então o nível de profissionalização ainda é muito baixo. Isso, no entanto, extrapola esse segmento dos sommeliers e passa também por outros profissionais do setor que acabam sendo explorados pelas próprias mídias com que colaboram. Ora, quem não se valoriza não pode esperar que seja valorizado por terceiros e é essa critica que faço. Não dá para contribuir com uma mídia paga que vende um conteúdo montado e elaborado por profissionais que nada recebem por isso sendo que são estes que efetivamente “fazem” o conteúdo que permite que essa mídia seja vendida. Não concordo com isso e acho que é falta de respeito para com o profissional.

2 – ainda nessa linha, falei da falta de responsabilidade de pessoas que escrevem blogs de baixíssima qualidade sem se ater á responsabilidade de seus atos já que a percepção de quem lê, especialmente os mais novos nestas coisas do vinho, tende a acreditar no que está escrito. Isto não foi uma critica aos blogueiros já que temos inúmeros casos de ótimos blogs e conteúdos extremamente contributivos á causa . Há no entanto, aqueles que deixam muito a desejar e, nesse sentido, quis alertar para separar o joio do trigo. Este mundo virtual permite que se divulgue qualquer coisa então há que se tomar cuidado porque os efeitos são multiplicados de forma exponencial. Erros todos cometemos, ninguém detém o monopólio do saber apesar de alguns se recusarem a descer de seu salto XV, porém existem coisas na net que são verdadeiros descalabros e temos que redobrar esforços para evitar falar sobre o que não conhecemos! Ter opiniões, devidir experiências, comentar um vinho tomado, tudo bem, cada um escreve o que lhe der na telha e lê quem quer. Agora, escrever algo mais técnico, aí o papo é outro e é importante o estudo e o conhecimento de causa, mesmo que só teórico, não dando para simplesmente chutar qualquer coisa pois temos muita responsabilidade sobre o que escrevemos.

         É isso gente, espero que tenha conseguido elucidar os amigos que me enviaram os mails e outros que porventura tenham tido a mesma impressão. Quem quiser assistir a entrevista, dê uma olhada no link abaixo lembrando que a primeira metade é da Bisol.

http://tvuol.uol.com.br/#view/id=roberto-actis-da-bisol–fala-de-proseccos-0402993372E48133E6/mediaId=7309933/date=2010-11-02&&list/type=tags/tags=168685/edFilter=all/

Salute e kanimambo

Senso 2010 e Outras Imposições

                Acho dever cívico de todos participar do Censo 2010, assim como acho que devemos todos votar e, JAMAIS em branco, mesmo quando a qualidade rareia como aqui em Sampa para o senado! Agora, estamos vivendo num país diferenciado em que os deveres viram obrigações e os direitos se multiplicam sem qualquer, ou muito pouco, contraponto de responsabilidades.

               Assim como poderíamos mudar o país se o voto não fosse obrigatório, acabando com o voto de cabresto, e sim uma participação espontânea e democrática de quem realmente se interessa pelos destinos da nação e sua população, também deveríamos ter o direito de responder ou não à pesquisa do IBGE. Não que eu seja contra, muito pelo contrário, pois se colhem informações extremamente importantes, porém me ameaçar com uma multa de R$5.000 porque não pude, repito, não pude e não que tivesse me recusado, atender a recenseadora numa hora em que saía para um compromisso e porque na outra visita dela eu não estava em casa, beira o absurdo!!! Aliás, o mesmo valor da multa que o presidente Lula tomou por diversas vezes por insistir em violar a lei eleitoral com uma constancia assustadora.

                Realmente as coisas andam de pernas para o ar em terras brasilis  onde moral e ética tiveram seus valores deturpados, a sem vergonhice foi institucionalizada e anda corremos o risco de ter mais um mandatário em que debaixo de suas saias corre solta a corrupção e aproveitamento pessoal do cargo mas que, obviamente; nada sabe, nada viu e não tem nada a ver com ela não, só lhe falta deixar crescer a barba! Com tanta safadeza, com tanta falta de pudor, com tanta deturpação dos mais básicos e elementares valores de cidadania, tolera-se tudo porque a economia vai bem, porque se ganha com isso e din-din parece ser o valor mais importante que toma conta dos passos de muitos que vendem a consciência por meia duzia de trocados.  Não que o vil metal (ainda se usa o termo?) não seja importante, é e muiiiito, porém para tudo há que se colocar limites! É o retorno ao velho slogan de cigarros que marcou para sempre a vida do grande Gerson, voltamos aos tempos da máxima de que “devemos levar vantagem em tudo”. Enfim, é sempre aquela velha retórica, o que mais me incomoda não é o brado dos maus, mas sim o silêncio dos bons. Vamos deixar correr solto?!

        Olho Vivo e nunca é demais postar este vídeo! Ah, não posso me esquecer de ligar para a recenseadora para marcar um horário. Lamentavelmente, diferentemente do presidente, uma multa dessas me incomoda e fere meu bolso!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Lo1gPVsKp5E&feature=player_embedded]

Salute e kanimambo. Desculpem, não quero gerar um debate politico neste blog, mas tinha que desabafar.  Por um estado menos tutor e policialesco, por um estado de direto e de liberdade de escolha, sem vergonha de mim, sem direito de desanimar e, acima de tudo, pela felicidade de não ter perdido a capacidade de me indignar!.

To Blog or Not To Blog?

           To blog or not to blog, eis a questão. Cada um o faz por razões e de formas diferentes, porém o blog quase sempre acaba adquirindo vida própria e, se não bem administrado, acaba fugindo ao controle do autor. Na verdade, acaba sendo uma extensão de nós mesmos, de nosso estado de espírito e, como os amigos já disseram, após um tempo o difícil é manter a criatividade já que, como no nosso caso de enoblogueiros, falamos sempre da mesma coisa, o vinho e seus prazeres. Ainda bem que há mais nessa vinosfera do que os caldos nas garrafas. Existe cultura, história, diversidade e uns caras que nem o Paulão (Nosso Vinho) que estão sempre inventando coisas novas como este “Crossing Blogs” ou corrente de textos,  sem prazos nem caminhos predefinidos, coisa meio anos sessenta, sem lenço e sem documento, viajando pelo prazer de viajar. Onde terminará, se é que isso acontecerá?!

           Tenho que reconhecer, aliás já o comentei aqui, que não é fácil seguir blogando depois de tanto tempo. Cresce a responsabilidade na mesma velocidade em que crescem o número de leitores. Cresce a nossa autocrítica que se torna cada vez mais exigente e quando vemos, somos envolvidos pelo blog virando passageiros numa viagem sem fim em que a criatura assume o controle sobre o criador. Sobra assunto/ falta tempo, sobra transpiração/falta inspiração  e, no meu caso, apareceu também aquela necessidade de querer parar de interpretar cada taça e simplesmente usufruir dela!

         Por essas e por outras estou tirando umas férias do blog, coisa pouca, uma semana a dez dias apenas, mas o bastante para recarregar as baterias, só não sei se conseguirei resistir á tentação de postar, nem que seja um vídeo musical! Sim, porque blogar pode se tornar viciante, então a abstinência em alguns momentos pode ser uma arma de controle, até porque existe vida para além do vinho  (belo nome de blog Peter) e como costumo dizer, vinho é bom mas não é tudo, não é vero Alexandre? É,  este vocês conhecem bem e se não o conhecem deveriam, pois é a alma do maior portal de vinhos da língua portuguesa, o Enoblogs, porém ele também foi picado pelo mosquito “vínicus egipcies” (rs) resultando na erupção subcutânea  do “Diario de Baco” com comentários e dicas sempre muito interessantes, sem contar o Menu de Baco de sua parceira, Vanessa. Vai ser interessante ver os caminhos que este post vai tomar ao pular de blog em blog, quem sabe até voltando a dar suas caras por aqui! Enfim, tá curioso, então siga a continuação deste texto, ou não porque o Alê pode querer fazer uma curva diferente e traçar outra rota,  aqui, no Diário de Baco. É com você Alexandre!

           Vamos eleger as 10 razões do porquê blogar? E do porquê de você visitar os blogs? Use o espaço de comentários e dê seus pitacos. Salute, kanimambo e até a semana que vem, fui!

Selo Fiscal, O Maledetto vai Vencer? Triste Noticia, Triste Dia!

Já tinha dito em artigo anterior datado de 27 de Agosto passado, que o Maledetto desse projeto que contempla o abominável selo fiscal deveria cair devido aos diversos pareceres técnicos e enorme impacto negativo junto aos pequenos produtores, a maioria, e a nós consumidores, porém que não me espantaria se uma canetada vinda de cima, se sobrepondo aos interesses da maioria e dos técnicos, viesse para nos afrontar. E não é que hoje acordei com esta notícia no meu computador! Parece que ao finalizar o post anterior sobre vinhos brasileiros provados, já estava prevendo algum desastre!

Mantega garante selo para os vinhos brasileiro e importado

 25 de março de 2010 – Os vinhos brasileiro e importado receberão a partir de abril um selo fiscal que assegurará a formalização de todo o setor. A garantia foi dada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira (25), em Brasília, ao presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Paulo Tigre. O industrial liderou uma comitiva que representa 95% da cadeia produtiva do setor no Brasil. “A medida visa coibir a informalidade, evitar a fraude do produto e contribuir com o fortalecimento do segmento”, afirmou Tigre, destacando que esta é uma conquista que vinha sendo apoiada pela entidade e beneficiará mais de 200 mil pessoas do setor rural e industrial. O ministro antecipou que irá fazer a divulgação oficial da implantação do selo no próximo mês, na sede da FIERGS, em Porto Alegre. “O selo será importante para avançarmos na formalização do setor e melhorar a competitividade do vinho brasileiro”, salientou Mantega.

“Queremos fortalecer o desenvolvimento de toda a vitivinicultura nacional e o selo é um passo importante nessa direção. Será um selo fiscal e de qualidade, pois inibirá o contrabando e garantirá a qualidade, atestando a pureza do vinho”, explicou a presidente do Sindicato da Indústria do Vinho do Rio Grande do Sul (Sindivinho-RS), Cristiane Passarin, que representa 700 indústrias gaúchas do setor, das 1.200 existentes no Brasil.

 “O selo é uma ferramenta fundamental, mesmo que não resolva todos os problemas do setor”, disse o coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, entidade que cuida dos interesses dos produtores rurais. “São mais de 20 mil famílias gaúchas e catarinenses que dependem do cultivo da uva e produzem em média 550 mil toneladas por ano. Fornecem a matéria-prima pura para a indústria e estão confiantes que o selo ajudará a evitar as distorções do mercado em relação à concorrência. Muitos produtos são rotulados como vinho, mas usam outras misturas para baixar os preços”, declarou, destacando que a remuneração dos produtores também será beneficiada.

Participaram da audiência com o ministro Guido Mantega dirigentes do Sindivinho-RS, Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Comissão Interestadual da Uva, Câmara Setorial da Uva e do Vinho no Brasil, União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) e Federação das Cooperativas Vinícolas do RS (Fecovinho).

             O que move essas pessoas? Porque razão insistem nessa aberração já devidamente comprovada como retrógada e ineficiente nos países onde foi aplicada, acho que nem Freud explica? Quer dizer, cada um tem lá suas idéias e desconfianças, porém como não temos imunidade parlamentar e corremos risco de ser precipitados no julgamento, melhor é simplesmente registrar o nosso total repúdio, depois não sabem porque é tão difícil comercializar o vinho brasileiro o que torna a luta de uma Eivin, e dos lojistas que apóiam esse trabalho, missão tão inglória.  Ou vocês duvidam de quem vai pagar essa conta?! Preparen-se para vinhos ainda mais caros, tanto importados como, especialmente, dos nacionais que já andam nas alturas com muitos deles já tendo aumentado entre 6 a 10% neste inicio de ano, mesmo com uma inflação e crescimento de PIB pífio assim como uma taxa cambial favorecendo a importação de insumos. Já estão faturando por conta?

        Reduzir essa enorme carga tributária que contribui para atravancar nossa produtividade e convida à sonegação, isso nem pensar né Sr. Mantega? Destaquei os nomes envolvidos na eventual aprovação do Maledetto só para que não nos esqueçamos de alguns dos responsáveis por um dos maiores retrocessos na história de nossa vitivinicultura. Vade reto satanás, vade reto Mantega, Paulo Tigre e companhia!

             O presidente da União das Vinícolas Familiares e de Pequenos Vinicultores, Luis Henrique Zanini, um dos poucos com bom senso e coragem para desafiar o “establishment” foi categórico em entrevista ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre, hoje pela manhã: ” Esse governo nos traiu e mostrou que está do lado do agronegócio. Desde o início, queríamos que essa questão fosse amplamente debatida, o que não ocorreu. Foi uma medida autoritária, de reserva de mercado para os grandes produtores.”  Hoje, sem salute, não é dia de brinde e estou é muito P da vida, mas agradecendo pela visita e pedindo desculpa pelo desabafo, kanimambo e que venham dias e gente melhores! 

Ps. quem ainda não conhece e quer conhecer mais sobre o assumto, digite “Selo Fiscal” no espaço para pesquisa acima e leia os diversos posts e impactos que essa aprovação pode provocar no seu bolso.