Os Tubarões estão à Solta, Mas Quem são Eles?

      Até agora não consegui obter confirmações concretas, só tenho indicios subjetivos porque ainda não vieram a publico defendendo seus pontos de vista, que me possibilitassem desmascará-los aqui para que ações mais objetivas possam ser tomadas contra eles e onde lhes dói, no bolso! Por sinal, quem tiver informações fidedignas  sobre quem são, por favor me avisem. Enquanto isso e mostrando os verdadeiros números do setor, eis a carta aberta de Ciro Lilla que todos devem ler para saber o tamanho do golpe que estão armando contra nós! Os grifos são de minha autoria.

“Caro amigo,

O mundo do vinho no Brasil vive momentos decisivos. Agora é mais do que necessário fazer um alerta a nossos clientes sobre algumas notícias muito preocupantes para os amantes de vinho.

Por incrível que pareça, surgem outra vez notícias a respeito da pressão dos grandes produtores gaúchos sobre o governo para que haja um novo aumento de impostos sobre o vinho importado, como se a gigantesca carga tributária atual não representasse proteção suficiente para o vinho nacional. Fala-se agora em “salvaguardas”, como se a indústria nacional estivesse em perigo, em risco de falência, quando na verdade as notícias enviadas à imprensa reportam um grande crescimento de vendas. Afinal, é preciso definir qual discurso é o verdadeiro: o vinho nacional vai muito bem ou vai muito mal? Os comunicados e números oficiais dizem que vai muito bem, o que invalida o argumento a favor das “salvaguardas”. Além do que, os impostos atuais já são altíssimos, e representam o verdadeiro grande inimigo do consumo de vinhos no Brasil.

Além do aumento de impostos  — pediu-se um aumento de 27% para 55% no imposto de importação, o primeiro da longa cadeia de impostos pagos pelo vinho importado — desejam também limitar a importação pelo estabelecimento de cotas para a importação de cada país. Ficariam livre das cotas apenas os vinhos argentinos e uruguaios. Incrível: cotas de importação para proteger ainda mais um setor, o de vinhos finos nacionais, que cresceu cerca de 7% em 2011 — ou seja, nada menos do que quase o tripo do crescimento do PIB brasileiro! Se forem adotadas salvaguardas para um setor que cresceu o tripo do PIB em 2011,  que medidas de proteção se poderia esperar então para o restante da economia? Repito porque parece incrível, mas é verdade: pedem salvaguardas para um setor que cresceu cerca de 7% em 2011! É preciso dizer mais alguma coisa?!

Além de mais impostos e das cotas, os mesmos grandes produtores pedem também ainda mais burocracia, como se a gigantesca burocracia que já envolve a importação de vinhos no Brasil também não fosse proteção suficiente para o vinho nacional. Nem bem foi implantado o malfadado selo fiscal e já se pede agora que o rótulo principal do vinho, o rótulo frontal, contenha algumas das informações que hoje já constam dos contra-rótulos obrigatórios. Essa nova medida, se for adotada, vai afetar — como sempre acontece com a burocracia no caso dos vinhos — apenas os vinhos de alta qualidade e pequenos volumes, já que os grandes produtores mundiais não terão nenhuma dificuldade em imprimir rótulos especiais apenas para o mercado brasileiro. Isso, por outro lado, obviamente não será possível para aqueles produtores que embarcam menos de 50 ou 100 garrafas de cada vinho para o nosso país.

Quem, afinal, seria responsável pelo aumento no interesse pelo vinho no Brasil? Certamente são esses pequenos produtores, de tanto charme e história, cuja vinda se tenta dificultar aumentando a burocracia, em uma medida sobretudo pouco inteligente. A importação desses vinhos deveria ser incentivada por todos, inclusive pelos grandes produtores nacionais, porque são eles os grandes veículos de propagação da cultura do vinho no mundo inteiro.

Para completar esse quadro preocupante, agora também são os vinhos orgânicos de pequenos produtores que têm sua posição ameaçada em nosso país. A partir de Janeiro deste ano, os vinhos orgânicos ou biodinâmicos — mesmo os certificados como tal em seus países de origem ou por órgãos certificadores internacionais — não poderão mais ser identificados como tal no mercado brasileiro, a menos que sejam certificados por organismo certificador brasileiro. Expressões como “orgânico”, “ biodinâmico”,  “bio”,  etc, são proibidas agora nos rótulos, privando o consumidor dessa informação esencial — com exceção dos vinhos certificados por organismo certificador brasileiro. Acontece que o processo de certificação brasileiro é caro e demorado, sendo na prática inacessível aos pequenos produtores do mundo todo. Acreditamos que apenas os grandes produtores mundiais conseguirão se registrar aqui como orgânicos ou biodinâmicos, privando assim o mercado do conhecimento de um número já muito grande e sempre crescente de produtores orgânicos. O vinho é um produto muito particular e específico, em que a maior parte da produção mundial de qualidade está nas mãos de produtores muito pequenos, que não terão recursos para obter a certificação brasileira. Sem dúvida acreditamos que é o caso de adiar a aplicação dessa medida para os vinhos, pelo menos até que sejam assinados acordos de reciprocidade, que permitam o reconhecimento mútuo dos processos de certificação no Brasil e no exterior. Afinal, a quem interessa dificultar a propagação dos vinhos orgânicos a não ser a quem não tenha a intenção de produzir vinhos dessa forma?

Diante desse panorama triste, a pergunta que se impõe é a seguinte: qual o limite para a proteção necessária aos grandes produtores nacionais para que possam competir no mercado? Ou tudo isso seria apenas uma busca por maiores lucros? Algumas das medidas adotadas recentemente, como o malfadado selo fiscal, atingem fortemente os pequenos produtores nacionais também. Vale repetir que os pequenos produtores brasileiros deveriam ter um papel importante no panorama vinícola nacional, uma vez que não existe país com alguma relevância no mundo do vinho onde o mercado seja dominado por apenas alguns grandes produtores. Afinal, todos nos lembramos do período anterior ao início dos anos noventa, quando o mercado pertencia a um pequeno grupo de gigantes da indústria nacional, a maioria multinacionais, e a alguns gigantes da indústria vinícola internacional — situação que obrigava o consumidor brasileiro a consumir vinhos caros e medíocres, quando no país nem sequer se sabia o que significava a palavra sommelier.

Estaríamos na iminência de uma volta a esse passado triste para o vinho em nosso país? Será que serão perdidos todos os ganhos dos últimos anos, quando, à custa de tantos esforços, aumentou enormemente a cultura do vinho no Brasil, com o surgimento de muitos milhares de profissionais ligados ao vinho, de inúmeras publicações sobre essa bebida maravilhosa, de tantos novos empregos e de tantas novas possibilidades de crescimento profissional? Seriam os muitos milhares de brasileiros que trabalham nesse novo mercado criado pelo vinho importado, em particular o verdadeiro exército de sommeliers, menos brasileiros do que aqueles que trabalham nas grandes empresas produtoras de vinho nacional? E vale lembrar que de cada 5 garrafas de vinho consumidas no Brasil, entre vinhos finos, espumantes e vinhos comuns (produzidos com uvas de mesa), nada menos do que quase 4 (77.4%) já são de vinhos brasileiros! Os números de vendas e de crescimento do vinho nacional são gritantes, etornam absurdo se buscar ainda maior proteção!

O consumidor precisa se manifestar, precisa dizer não a esses verdadeiros abusos! É preciso ter uma agenda positiva para o vinho no Brasil, com todos lutando juntos para um aumento do consumo, para que o vinho obtenha o tratamento tributário de um complemento alimentar — como em diversos países da Europa — e não um tratamento punitivo com ocorre aqui, onde o ICMS pago pelo vinho é o mesmo pago por uma arma de fogo! É preciso também lutar para diminuir a burocracia, que tanto atrapalha os pequenos produtores de vinhos de baixo volume e alta qualidade — aqueles que criam mercado para o “produto vinho”.

É importante que se compreenda o quanto antes que o vinho não é uma commodity, onde o único fator a influenciar a compra é o preço. Vinho é cultura, é diversidade, é terroir, é arte. É como o mercado de livros: o brasileiro lê pouco, assim como bebe pouco vinho. E dificultar a venda de livros de autores estrangeiros não apenas não serviria para aumentar a venda de livros de autores brasileiros, como certamente inibiria ainda mais o hábito da leitura. O mesmo ocorre com os vinhos. É uma ilusão achar que encarecendo o vinho importado o consumidor vai substituí-lo automaticamente pelo vinho nacional. Na verdade o mais provável é que substitua por outro vinho importado mais barato, ou pela cerveja gourmet, ou pelo whisky, por exemplo. O que é preciso é popularizar o consumo do vinho pela diminuição dos preços e da burocracia, tanto para os vinhos nacionais como para os importados. Na verdade eles são aliados, e não inimigos como acreditam aqueles que defendem um protecionismo ainda maior para o vinho brasileiro.

O amante do vinho precisa reagir contra essa situação. Ou teremos todos que aceitar uma volta à situação de 20 anos atrás, com a perda de todo o esforço, todo o trabalho e toda a evolução obtida nesse período.

Cordialmente,

Ciro de Campos Lilla

Presidente das importadoras Mistral e Vinci”

     Não defendo nem alego que os importadores são santos. Em todos os setores há os bons e os maus, os honestos e sérios e os que se desviam do caminho, os gananciosos e os conscenciosos, etc.. Defendo sim, o consumidor e a livre escolha, a ausência de protecionismos de qualquer espécie tendo ao longo da vida deste blog deixado claro os graves erros de estratégia dos produtores locais. Não obstante, os vinhos do Brasil são a segunda ou terceira origem produtora mais comentada aqui, então creio que esteja sendo coerente com meu histórico. Os dados citados pelo Ciro Lilla acima e outros que estarei postando ao longo dos proximos dias, darão bem a noção do presente status quo do mercado e o tamanho da aberração desta petição que não tem explicação ou qualquer lógica técnica, como não tinha o Maledetto Selo Fiscal que passou meramente na força politica de um oligopólio em detrimento da grande maioria dos produtores nacionais menores e de pouca expressividade politica.

      Bem, e agora? O que você vai fazer? Ficar parado e fazer de conta que não é com você? Reaja, caso chegue ás mesmas conclusões que eu, pelo menos assine a petição criado pelo respeitado jornalista atuante no Rio, o Alexandre Lalas colunista do Jornal do Brasil, clicando aqui. Nos próximos dias estarei postando diversas matérias sobre o assunto, inclusive algumas das respostas que recebi de produtores nacionais que contatei, acompanhe o que alguns deles têm a dizer sobre tudo isto e as mentiras que foram expostas na petição apresentada ao Secex. Salute, kanimambo e acompanhe diariamente as noticias sobre este tema aqui mesmo neste blog.

Salvaguardas Protecionistas à Industria Nacional do Vinho estão em Estudo – Mais uma Tentativa de Golpe do Cartel Dominante da Produção Nacional Contra o Consumidor!

         Depois da invenção do Maledetto, nasce mais uma versão do Demo! Enfim, quando achamos que o pessoal  criou juízo, eis que surge das profundezas, mais uma ação descabida e cartelizada de meia dúzia de empresas que detêm o controle da produção nacional e que, como um rolo compressor, passam por cima de pequenos produtores locais, aterrorizam as importadoras e sacaneiam o consumidor final, você e eu! Para haver o estudo de salvaguardas há que haver um solicitante que, neste caso, são os testas de ferro desses produtores;  Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), a Federação das Cooperativas do Vinho (Fecovinho) e o Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (Sindivinho). Guardem bem esses nomes, alguns me surpreenderam estarem aqui, pois eles são seus algozes agindo em nome daqueles que por trás deles se escondem. Vade retrum! Não é assim que se divulga a cultura do vinho e se aumenta demanda, será que ninguém entendeu isso até agora!!!!!!!!

          O Mercosul, aqui diga-se Argentina e Uruguai especificamente, estão livres dessa eventual salvaguarda assim como Israel!!. Aliás, o Brasil já é o país capitalista e de livre mercado, em que o consumidor paga mais caro pelo vinho inclusive os de produção nacional! Não será pelo custo de impostos locais e de importação, pela falta de produtividade, pela ausência de estratégias comerciais adequadas, pelo custo financeiro ou mais um sem número de aberrações que eles preferem deixar de lado para nos punir enquanto consumidores, caso deixemos que as coisas fiquem por isso  mesmo?!

       Quando o trabalho é bem feito, o produto é bom e o preço adequado, os problemas com as importações não ocorrem, muito pelo contrário, e o crescimento de market share dos produtores nacionais cresce exponencialmente enquanto caem as importações. Um claro exemplo disto é o mercado de espumantes, dados sobre os quais nada foi incluído na CIRCULAR Nº 9, DE 14 DE MARÇO DE 2012 (Publicada no D.O.U. 15/3/2012) que dá o pontapé inicial neste estudo. Aliás, a circular mostra que os custo de produção de vinho na indústria nacional declinou cerca de 12.9%, e o preço 20%! Você viu preço de vinho fino no Brasil cair? Eu não!!!!!! Aliás, só vi aumentos e não foram poucos. Vai explicar!!!

       Quando do selo fiscal, aquele Maledetto de que tanto já falei aqui, os produtores nacionais foram rápidos no gatilho ao aumentarem em cerca de 10% seus preços!  Aliás, obtive informações de que um dos “targets” desse cartel com a criação do Maledetto foi o de atingir mortalmente uma série de pequenos produtores na região da serra e aparentemente conseguiram já que muitos fecharam as portas ou foram obrigados, por questões mercadológicas, a venderem produto ao cartel para sobreviverem. Caso nasça este novo monstrinho, alguém se candidata a dar-lhe uma cara e nome, de quanto será a facada em nossos bolsos desta vez? Xô, capeta!

        Foi com a abertura do mercado que o  consumidor tupiniquim evoluiu, tanto em exigência de qualidade quanto em volume demandado beneficiando, inclusive, os produtores nacionais que acordaram para a vida deixando de nos empurrar zurrapa goela abaixo e a qualquer preço investindo em melhoria de qualidade tanto no campo quanto na cantina. Tire essa concorrência fora e teremos um retrocesso. Com a permissão dos amigos, SALVAGUARDAS UMA OVA, isso é mesmo é protecionismo puro de gente que usa o Estado, neste caso bem próximo a eles pois seu lobby é pesadissímo, em interesse próprio. Não venham me dizer que um produtor europeu que vende seu vinho, de muito boa qualidade, diga-se de passagem, por 5 euros lá e vê seu vinho ser comercializado aqui por valor equivalente a 20 ou 25 euros, vai entender uma coisa dessas?!

         O que esse cartel e seus testas de ferro têm que fazer é pressionar e negociar com o Estado, afinal a Presidente – conforme discurso recente – é parceira; melhores condições de produção, custo financeiro mais baixo, investimento (equipamento) livre de impostos, redução no custo de insumos, redução na tributação direta, etc. O governo usando de suas prorrogativas econômicas está fazendo com que o dólar saia de um patamar de R$1,70 para 1,80 isso já não é salvaguarda bastante?!! Afora isso ainda temos; taxa de importação de 27%, custos de transporte internacional, taxa da marinha mercante (25% sobre o frete), pagamento de impostos antecipados, etc. e ainda querem mais!!! De quanto precisarão para esconder sua completa ineficiência e incapacidade na elaboração de estratégias comerciais adequadas? Na verdade, o fruto final disso é que aumentarão ainda mais seus preços e encherão os bolsos, coisas típicas de mercados cartelizados. Os empregos criados pelos importadores, lojas, cadeia de logística e distribuição serão reduzidos e certamente esses cartéis não os absorverão, ou seja, até essa conta seremos obrigados, ou não, a pagar, mas muito depende de você e eu.

          As redes sociais estão alterando o curso da história e os últimos acontecimentos nos países arábes mostram bem isso então juntos também temos força. Caso ainda se lembre em quem votou para deputado federal e senador, reclame com ele, diga-lhe quantos votos perderão caso apoiem eventual proposta do governo com estas salvaguardas. Tem gente por lá, Brasilia, que não tem noção do que fala, vejam só a pérola que o deputado Nelson Padovani soltou há poucos dias numa reunião da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul em Brasilia; “Ora, aquele que consome vinho importado, que é o segmento que mais cresce no Brasil, é porque tem poder aquisitivo então, que pague o preço!” Talvez entre seus pares isso seja verdade, mas creio que ele deve descer ao Brasil real para ver que o volume de vinhos que mais vende no Brasil, inclusive dos importados, é até R$50,00 e os vinhos finos nacionais não são exatamente os mais baratos e, quando o são, a qualidade é, salvo algumas raras exceções, altamente discutível! Ou seja, escutem o povo e não os lobistas! Se queremos tomar vinhos de boa qualidade com preços minimamente razoáveis para nossa realidade, necessitamos da presença dos importados para manter o mercado competitivo e evitar que os oligopólios locais, que certamente se esbaldariam com protecionismos desacerbados, ditem as regras. Essa é a verdadeira democracia de mercado.

      Como, todavia, o governo adora IMPOR ações deste tipo através de medidas provisórias que se tornam definitivas, há que se chegar a eles de outras formas, então a petição com link abaixo, é uma delas. Vamos exorcizar esse capeta? Recebi o link http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N22143 e já assinei, espero que isso possa ter algum alcançe prático e convido os amigos leitores a aderirem e divulgar esse abaixo assinado.

         Uma outra ação viável e prática é encher a caixa de e-mails dos responsáveis diretos por esta tentativa com sua mensagem de desagravo, com educação e respeito sempre, mostrando-lhes que o tiro pode sair pela culatra porque muitos, eu inclusive, poderão nunca mais comprar um vinho nacional desse cartel (tem gente boa por ai produzindo bons vinhos e que não compartilha dessas ações merecendo nosso apoio) caso consigam aprovar esse aumento sobre importações. No entanto, a mensagem tem que chegar mesmo é em quem em quem originou isso, os membros desse verdadeiro oligopólio, pois os laranjas e lobistas, esses não estão nem aí para nosso pleito pois, certamente, somo apenas um mal necessário nessa equação esdruxúla e mal concebida.

Crux Sacra Sit Mihi Lux // Nunquam Draco Sit Mihi Dux

Vade Retro Satana // Nunquam Suade Mihi Vana // Sunt Mala Quae Libas // Ipse Venena Bibas

Sorry pessoal, sei que prefeririam começar a semana com algo mais light, porém não posso me calar perante tamanho descalabro que mais uma vez corre o risco de atingir nossa vinosfera tupiniquim. Toda a ação, neste caso tentativa de, cabe uma reação e eu estou é muito P da vida por isso este post meio tétrico e pesado, fruto de minha profunda irritação!  Por enquanto ainda é estudo, porém cabe-nos, como consumidores, tomar uma atitude e já. Eu estou fazendo a minha parte e você, vai calar-se? Salute e kanimambo.

 

Preparem-se Para os Aumentos de 2012!

        Meus amigos, começamos o ano e, como sempre, chegam as más noticias de aumento de preços. A grande maioria das razões apresentadas pelos fornecedores (importadores e produtores nacionais) são meras desculpas esfarrapadas, mas algumas têm lá sua razão de ser. Uma delas, um imposto criado aqui no Estado de São Paulo e que é uma verdadeira aberração tributária nos dias de hoje chama-se Substituição Tributária, porém deveria-se chamar Antecipação Tributária! Esta Aberração e seu primo famoso, o monstrinho Maledetto do Selo Fiscal , só atazanam o bolso do consumidor e alimentam uma máquina governamental inchada, pouco produtiva e históricamente ineficiente sem falar de outros ralos.

        Este imposto parte do principio de que a loja ou distribuidor pratica uma determinada margem de lucro e o taxa na origem (produtor ou  importador). Primeiramente que esta estimativa de ganhos é muito superior ao que os lojistas, restaurantes é outro papo, efetivamente praticam e segundo, não contempla o fato de que existem vinhos (ainda bem que poucos) estragados, garrafas que quebram, promoções e liquidações, abertura de garrafas em degustações cortesia, etc que não geram qualquer receita ou a reduzem consideravelmente! Este  porcentual que era de 10,76% aumenta agora em 2012 para 14,35 ou seja, um aumento de, PASMEM, 25% o que provocará um aumento em cascata que deverá resultar em um acréscimo aproximado de 4% sobre o preço final. Se adicionarmos a isso  as diferenças cambiais a serem aplicadas mais os aumentos tradicionais decorrentes de inflação, novo salário minimo, aumento de aluguéis, etc., deve chegar a algo ao redor de 10% a 15%, até mais dependendo do importador e/ou produtor. Espero que o bom senso impere neste inicio de ano, vamos ver o que virá por aí!

       Por curiosidade, dêm uma olhada nos números abaixo. Chupei essas imagens do blog do Didu (link aqui do lado), aliás um ferrenho opositor dessas aberrações todas que só encarecem e complicam a comercialização e crescimento do mercado. Ao vermos este gráfico que não inclui o Maledetto e a ST entre outras aberrações como a taxa de Marinha Mercante e impostos em cascata, fica um pouco mais claro do porquê de nosso status quo de preços, não? Clique na imagem para aumentá-la.

       Não é fácil não moçada, eta país díficil de se trabalhar e agora talvez as pessoas entendam porquê o vinho é tão caro no Brasil. A carga fiscal, o custo financeiro, a inoperância dos orgãos estatais, custos portuários e de logistica, selo fiscal, tudo colabora para que tomemos os vinhos mais caros do mundo. Vai dormir com um barulho desses!

Semana do Saul

            Apreciador de vinho em função de minha vida como trader visitando o mundo e desfrutando de bons momentos enogastronomicos com clientes nos mais diversos países, me tornei enófilo quando um amigo me presenteou com o livro Tintos & Brancos de Saul Galvão. Foi paixão á primeira página e minha sede pelo saber do vinho se iniciou nesse momento. Depois desse muitos outros vieram, mas sou especialmente grato aos dois, ao James, o meu amigo, e ao mestre Saul Galvão que me iniciou nesta nossa intrigante vinosfera repleta de diversidade onde não existem verdades absolutas e as incertezas e variáveis fazem parte de nosso dia a dia. Acima de tudo, me ensinou que o nosso mundinho do vinho não deve ter frescuras nem este deve ser colocado em inatingíveis patamares. Quando comecei a escrever, tanto as colunas quanto este blog, uma frase dele me marcou e virou meu mantra. Quero aqui, neste dia especial em que ele nos deixou fisicamente, compartilhar com os amigos leitores essa frase que está em minha página “sobre” aqui acima.

“O vinho só existe para dar prazer. Se ele deu prazer, cumpriu sua função, independentemente de regras cânones e opiniões alheias. Costumo dizer que o vinho precisa descer do pedestal no qual foi colocado por alguns esnobes e pretensos entendedores e ser colocado em seu lugar, que é o copo. Nada mais chato que um esnobe do vinho, que fala pomposamente, como se ele fosse o único ungido a entender termos herméticos.”

        Salute mestre, saudades, meu brinde hoje é para você para quem tiro meu chapéu. Kanimambo e que teus ensinamentos sigam iluminando o caminho dos seguidores de Baco nesta eterna viagem de descobrimentos pelo saboroso mundo dos sabores. Bom fim de semana a todos.

Um Afago do Maledetto

Depois de tanta aberração e descompasso com a realidade, finalmente alguém teve o bom senso de alterar a legislação no tocante á obrigatoriedade de todos os estabelecimentos comerciais somente venderem vinhos selados independentemente de quando foram importados e comercializados a partir de Janeiro próximo. Agora essa obrigatoriedade só terá efeito em Janeiro de 2015. Na verdade é um pouco aquela história do bode na sala, pois não refresca muita coisa, mais um paliativo típico de nossa Terra Brasilis que adora tapar o sol com a peneira!

           Se quisessem, efetivamente, corrigir erros, o correto seria simplesmente definir que produtos importados antes da lei e devidamente cobertos pela documentação pertinente,  estão com sua venda liberada. Me parece, mesmo não sendo jurista,  que aí sim existiria justiça fiscal, até porque não dá para uma lei ser aplicada retroativamente.  Fácil, fácil, mas como adoram complicar as coisas…….ficamos com esse afago e damos vivas! Triste e frustrante, então me desculpem se não solto rojões. De qualquer forma, segue na íntegra a resolução:

IPI – ALTERADA A LEGISLAÇÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO SELO DE CONTROLE NO ENGARRAFAMENTO DE VINHOS
PUBLICADA EM 01/09/2011 – 08:51

Foi prorrogada de 01/01/2012 para 01/01/2015 o prazo de sujeição ao selo de controle pelos estabelecimentos atacadistas e varejistas que comercializam os vinhos classificados no código 2204 da Tabela de incidência do IPI
(TIPI). Os estabelecimentos artesanais e caseiros, não associados a cooperativas, com produção anual não superior a 20.000 litros de vinhos, estão dispensados da aplicação do selo de controle.

( INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N – 1.188/2011 DOU 1 DE 31/08/2011 )

Fonte:  Editorial IOB

Salute, kanimambo e bom fim de semana.

Absurdos que Lemos na Internet ou o Samba do Crioulo Doido!

            Incrível as coisas que a gente lê em blogs e sites! Não sou de ficar pichando ninguém, mas realmente há que se separar o joio do trigo e não consegui me segurar. Vejam só as pérolas que encontrei num blog que falava sobre os vinhos de Brunello di Montalcino, tema de minha pesquisa no momento:

  • “Isso significa ter uma grande variedade de estilos de Brunello di Montalcino, com os tradicionais vinhos envelhecidos em barris de diversos sabores, como cereja vermelha, groselha, canela e cedro, ou paladares mais modernos que combinam cereja preta, baunilha e especiarias.”
  • “O enólogo Niccolò d’Afflitto, explica que a “Sangiovese [uva] é muito difícil de trabalhar. Basta pensar que, se chover durante seu período de amadurecimento, uma uva Cabernet pode crescer até um máximo de 4%, enquanto uma Sangiovese pode crescer mais de 40% em apenas algumas horas… E quando isso acontece, jogamos fora o trabalho de um ano inteiro!”.

Numa outra matéria que publicaram sobre o Vinho do Porto DOW’s as derrapagens foram anda mais memoráveis:

  • Seja qual for o sistema, a fermentação deste tipo de vinho é relativamente lenta, levando de dois a três dias, o que torna os vinhos do Porto fortificados.
  • Esta conquista se deve, principalmente, aos enólogos da Dow’s, que desenvolveram um estilo próprio de fermentação longa, que faz com que o vinho do Porto seja mais seco, podendo ser apreciados quando vibrante e jovem, ou após o envelhecimento in-bottle, evoluindo para um vinho suave e delicado, de uma elegância aveludada.
  • A fortificação envolve a adição de uma espécie de aguardente natural ao mosto fermentado, que interrompe intencionalmente o processo de fermentação em um determinado ponto, onde cerca da metade do açúcar natural das uvas já tenha sido convertido em álcool
  • Ao olfato, os intensos e poderosos aromas afloram notas concentradas de violetas quando ainda jovem, evoluindo para canela e rosa-chá à medida que envelhece. É possível distinguir acordes de ameixas e cassis, além de leves toques de carvalho tostado e, em alguns casos, menta.
  • Ao paladar, o sabor dos abundantes frutos silvestres revela a elegância das amoras maduras e o porte gourmand do anis e de especiarias, que conferem profundidade e boa estrutura

E quando falaram do Romanée-Conti! Bem aí se esbaldaram e o besteirol, me perdoem, correu solto sem qualquer cerimônia ou constrangimento.

  • Como todo bom vinho, ele se encaixa perfeitamente na equação tipo de uva, solo, clima, orientação e irrigação. Mas ainda assim, é difícil distinguir a diferença entre os tintos da Borgonha e de Bordeaux. Os vinhos da Borgonha são caracterizados por sua produção mais complexa – apenas alguns poucos produtores obtêm êxito com os plantios da região. Suas melhores uvas produzem um vinho floral, que preenche o paladar e inebria, apelando mais para as emoções que para a razão. Quando foge à regra, o vinho se torna suave, magro e sem profundidade – o que é muito apreciado pelos amantes dos Bordeaux, e por esta razão, os vinhos de uma mesma região podem variar tanto em preço e qualidade. Os vinhos Bordeaux são mais lineares e de fácil ingestão, enquanto os da Borgonha são mais elusivos e sensuais.
  • Como algumas coisas boas da vida que ficam melhores com o passar dos anos, as colheitas do Domaine de la Romanée-Conti não devem ser tocadas por 20 a 30 anos. Para uma demanda menor de caixas, é preciso ter paciência para aguardar a fermentação e o descanso das uvas por pelo menos 15 anos. Isso significa dizer que a colheita de 2010, não vai gerar vinhos até antes de 2025! A maioria dos grand sommeliers irá direcioná-lo a escolher hoje, um vinho da safra de 1992, por exemplo

        É mole ou quer mais?! Sim porque, pasmem, tem mais de onde saíram estas preciosidades, coisas como esta sobre os Portos Vintage – “Com enorme potencial de amadurecimento, ele deve ser consumido dentro de 3 a 4 anos, sendo servido normalmente após as refeições e em pequenas quantidades” ou esta sobre os Portos Reserva – “Por não seguir envelhecendo dentro da garrafa, é um vinho que deve ser consumido em um prazo de seis meses”. Será um Porto Noveau??!! Vai dormir com uma coisa dessas! Já li coisa ruim na net, mas igual a isso aí duvido que seja possível.

       Salute e quem sabe o pessoal estuda melhor o tema antes de escrever ou, pelo menos, dá a matéria para alguém que seja do ramo revisar. Desculpem, normalmente não sou de baixar a lenha em nada nem ninguém, todos erramos volta e meia em menor ou maior escala, mas ler tudo isto num mesmo lugar foi demais para mim e transbordou minha taça! Matérias como estas, são um desserviço á causa do vinho.

Notas do Vinho. Um Mal Necessário?

       Já me manifestei em outras mídias sobre este tema, inclusive aqui, mas volto a este assunto devido a uma conversa de há poucos dias com um produtor estrangeiro sobre os senhores Robert Parker da vida. È, gente do porte de; Wine Enthusiast, Wine Spectator, Decanter, Stephen Tanzer, Penin e Jancis Robinson entre muitos outros formadores de opinião e críticos do vinhos. Certo ou errado, têm valor suas notas, ou não têm? Comprar baseado nisso? Na verdade quem lhes deu força e segue dando, são os próprios produtores, importadores e lojistas que viraram escravos e propagadores dessa cultura, ajudando a disseminar o fato que somente vinho bem pontuado é que é bom. Lamentavelmente, uma grande parte dos consumidores acaba caindo nessa armadilha de forma ingênua, falta de conhecimento ou até, muitas vezes, por puro esnobismo. Sabe, aquele que serve o vinho já falando quanto o vinho custou, especialmente se for caro, e quantos ponto ele tem?! Certamente você deve conhecer um enochato desses, pois abundam mais do que deveriam.

           Já comentei que essas notas são meras indicações de qualidade e os vinhos sem pontuação não devem ser descartados somente porque não possuem uma nota até porque, provavelmente, sequer passaram pelas taças de alguns desses “gurus” de nossa vinosfera. Por outro lado, um mesmo vinho avaliado por Robert Parker e Wine Spectator, de vertente americana, e Hugh Johnson, Tanzer, Decanter e Jancis Robinson, de vertente europeia, serão bem distintas devido a culturas, parâmetros e paladares diferenciados. Já cansei de provar vinhos super pontuados e me desapontar muitíssimo. De alguns efetivamente não gostei e de outros não consegui entender onde os conceituados críticos encontraram tanto fulgor!

         Caras como Jay Miller, degustador mor do Robert Parker para vinhos sul americanos e espanhóis, por exemplo, dá nota 90 e acima para quase qualquer coisa. Como costumo dizer, para ele água com gás argentina deve pelo menos alcançar seus 91 pontos! Com essa filosofia, a meu ver, ele torna todo o sistema de pontuação sob suspeita pois 90 pontos ou mais se tornam algo corriqueiro ou seja, a total banalização do sistema. Pessoalmente acho que a pontuação, agora falando como lojista, ajuda em rótulos menos conhecidos do grande publico pois é mais uma indicação de qualidade afora o “papo” do vendedor seja ele quem for.

          Por outro lado, com a enormidade de rótulos disponíveis no mercado e impossibilidade de conhecê-los a todos, essas avaliações podem sim nos ajudar a separar o joio do trigo. A prova final no entanto, a verdadeira nota, esta está no palato de quem toma o vinho e, especialmente, de quem paga por ele já que aí também se poderá formular opinião de valor ou seja, se o vinho vale o que se pagou por ele. O resto são meros subterfúgios mercadológicos que nem sempre condizem com a realidade encontrada na taça. Não que não lhes reconheça valor, a uns mais que outros, mas há que se considerar estas “avaliações” com uma certa parcimônia e como aquilo que elas são, meras indicações de qualidade especialmente quando diversos críticos de diversas origens convergem para um mesmo resultado. Quanto vale a nota para você? Como diz o Didu, de cima de seus muitos anos de experiência, o crítico deu 98 pontos e você, quanto dá?

       Amanhã conto que vinho foi aquele na minha taça. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Para Refletir e Agir – Vinho É Alimento

Eis uma imagem que vale por mil palavras e algo a que nossos poderosos conglomerados produtores e seus representantes deveriam prestar mais atenção exigindo dos governos federais e estaduais uma outra classificação para o vinho. Mais inteligente e são do que o maledetto selo fiscal e outras barreiras tarifárias, disfarçadas de exigências sanitárias!

 

Mais uma

Para Refletir!

Ditado popular lá da saudosa terrinha que penso estar mais atual que nunca. “Na política, futebol e amor, o que parece é!” Pelo menos foi de um amigo português que ouvi isso.

Bom fim de semana todos. Para quem puder, neste friozinho paulista, um fondue de queijo, bom vinho e a companhia certa,  não precisa de muito mais para ser feliz!

Salute e kanimambo.

Mais do Maledetto, Sempre Ele!

Sei que já estou ficando chato e alguns dos agentes por trás da geração dessa aberração não podem me ver pela frente, mas a verdade tem que ser dita por alguém, então faço coro com meia duzia de abnegados criticos desse maledetto selo fiscal. Vejam bem, depois de aprovarem uma lei esdrúxula e retrograda, ainda a colocaram em prática sem saber como nem a dimensão de que se tratava. Imprimir esse selo e distribui-lo é um verdadeiro caos logistico que em nada ajuda por estar nas mãos da burocracia estatal que, todos sabemos, não é das mais eficazes do mundo! Com a queda da liminar que permitia alguns importadores a trazerem seus vinhos sem a selagem, dizem que agora a Casa da Moeda não está conseguindo atender a demanda por eles. Ou seja, atrasos e mais atrasos nas entregas, mercadoria parada nos produtores, portos e fronteiras numa verdadeira zorra, que todos sabiamos que ia acontecer, gerando custos adicionais que alguém terá que pagar e imagino que todos saibam quem né?!! Certamente alguns já estarão soltando seus rojões!

        Não confundamos alhos com bugalhos! Defendo e sempre apoiei a produção nacional que melhorou muito com uma série de muito bons rótulos por aí que fazem bonito junto a seus pares importados, da mesma forma que critico as estratégias comerciais das empresas produtoras e falta de ação junto aos governos estaduais e federal no sentido de reduzir as tarifas cobradas sob o vinho  assim como eliminar as enormes desiguadades (quando se traz vinho de Santa Catarina ou Rio Grande do Sul para Sampa pagamos 31% enquanto os sites vendem direto ao consumidor sem essas tarifas, tremenda sacanagem!). Não é dizendo amén para tudo que estaremos ajudando e, pela educação que me deram, quem cala consente!

        Uma coisa não tem nada a ver com a outra, só ver a quantidade de posts sobre o Brasil publicados e arquivados em Países e Produtos aqui do lado, ainda recentemente garimpei o delicioso espumante Valmarino-Churchill e o incrível Antonio Dias  Tannat de uma nova fronteira vitivinícola no norte do Rio Grande do Sul o Alto Uruguay, só que o Maledetto é proteção corporativa e abuso do poder econômico que não ajuda em nada quem eles dizem querer ajudar! Aliás, não consegui ainda a lista dos associados da UVIFAM para uma ação assertiva de apoio  comercial incentivando compra de seus produtos, já que eles são contra o Maledetto, alguém aí nos consegue isso para que possa publicar? Eu penso no futuro do vinho e do consumidor brasileiro, talvez se mais gente pensasse assim não estariamos nesta situação vivendo um verdadeiro retrocesso provocado pelo Maledetto. Até quando?!!!!!!!!!!!!!

Pai,afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

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