Tomei e Recomendo

Uma Páscoa da Hora!

Mais do que mesurarmos nossa Páscoa pelo consumo, fica a certeza de que a reunião familiar e a curtição de algumas tradições são o que realmente nos enche o coração de felicidade. Ontem foi um dia assim e mais do que nunca reiterei minha convicção de que alimentar a imaginação das crianças, deixando-as serem crianças, é essencial. Tudo tem seu tempo e o tempo de 5 anos é acreditar no Coelho!

Isso, obviamente, não impede que junto com as celebrações não possamos nos esbaldar em pratos e taças cheias do que de melhor podemos elaborar e/ou comprar. No nosso caso aqui em casa os dois! Para iniciarmos os trabalhos alguns queijinhos e patés enquanto esperávamos todo mundo chegar, devidamente regado com um saboroso Contessa Borghel Rosé Dry Spumante do Friulli (Itália). Como é fácil e gostoso este espumante, agrada até quem é chegado tão somente nos Brut da vida. Muito fresco, acidez muito bem balanceada faz com que a doçura acabe ficando em segundo plano. Gosto bastante, é muito versátil (comida japonesa, frutos do mar grelhados ou fritos, comida Thai, etc) e já escrevi aqui sobre ele.

Como preparo para o prato principal de Bacalhau à Brás, que aqui em casa leva batata frita mesmo não palha (argh!), abrimos uma relíquia de 1999, um Quinta da Bacalhôa. Um clássico português da região Setúbal, mostrou-se cansado, já arrastando os pés! Sem taninos nem fruta, notas acentuadas de evolução, um prazer porém sem vibe! Seguramos um pouco para ver se encarava o prato, mas acabamos por abrir o que seria o vinho da refeição, um ótimo Dão, o Casa da Passarela Vinhas Velhas CAM017462008 que estava tinindo. Como complemento ao Bacalhau à Brás, modéstia à parte ficou da hora, uma travessa só de batatas ao murro, pedido do neto que as queria esmurrar, e que mesmo não sendo o acompanhamento tradicional do prato, nos souberam muito bem!!

A Casa da Passarela é um dos cultuados produtores do Dão de quem meu amigo Pingus Vinicius é fã incondicional e eu, mesmo não os conhecendo com a mesma intimidade, aos poucos também me transformo num. Que belo vinho; rico, fino, de grande equilíbrio que casou com o prato à perfeição e nos encheu de prazer. O que faltou de “vibe’ no primeiro, sobrou aqui, um vinho para se tomar sem parcimônia. Também já falei dele aqui, então não vou me alongar mais do que o costume (rs) e você poderá ler mais no link. Bão demais, mas ainda não estava contente, faltava algo!

Cada um tem seu Secret Spot, este é o meu! Rs Moscatel do Douro, 40 anos, Casco VII. Elixir dos Deuses, poesia engarrafada, daqueles vinhos que deveriam vir acompanhados de uma almofada para nos ajoelharmos em preces de agradecimento. Impressionante este vinho elaborado pelo amigo Rui Cunha e que me foi trazido por um outro, o Leandro quando de sua viagem a Portugal. Acompanhou o Toucinho do Céu à perfeição, um verdadeiro nirvana, uma pena que só tinha uma garrafa, vai deixar saudades! Ontem não dava para comer mais nada à noite, então ficamos só nos chocolatinhos que o Easter Bunny nos trouxe e mais uns goles dessa preciosidade única! Rs

Eta Domingo de esbórnia enogastronomica! Muito bom, mas o melhor foi o sorriso estampado na cara de meu neto ao lhe lermos a cartinha que o coelho tinha deixado para ele pedindo sua ajuda na distribuição dos ovos! Como ajudante do Easter Bunny, se sentiu nas nuvens e nós viajamos com ele torcendo para que tenhamos pelo mais um ano destes, pois com cinco aninhos, em breve sabemos que o sonho se transformará na realidade e o dia perderá um pouco de seu encanto! Saúde a todos, kanimambo pela visita e ainda temos 4 vagas para o grupo que ira comigo a Mendoza no feriado de Tirandentes, vem comigo?!

Hummmm, que Delicia!!

Camarões á piri-piri (Moçambique), já publiquei aqui inclusive com a receita, e quando dá ($!) me lambuzo inteiro! Desta feita me tratei em dose dupla, a primeira com esse excelente Sauvignon Blanc da Loma Larga, Camarão piri-piri com Loma Larga Sauvignon Blancelaborado em Casablanca/Chile, que casou à perfeição não sobrando gota para contar a história. Bela acidez bem balanceada, frutos tropicais, fino, grama molhada sem excessos verdes, inebriante e sedutor, notas cítricas de final de boca com alguma mineralidade, estilo mais Loire de ser,  um vinho que certamente voltará mais vezes a minha taça! De entrada tivemos deliciosos mexilhões à vinagrete elaborados por meu genro Julio (bom de cozinha o garoto!) e o casamento com esse Loma Larga foi sublime.

.O segundo na taça, um ótimo branco luso, não poderia faltar um, o Morgado de Sta. Catherina Reserva da região Lisboa, DOC Bucelas. Um Arinto 100% fermentado em barricas borgonhesas,com 8 meses morgado e camarãosur-lie, que se integra com perfeição á fruta e acidez típicas da casta,com um final mineral e algo especiado. Cremoso e sedutor, é um vinho que me encanta normalmente e que mais uma vez confirma sua aptidão gastronômica. Um grande parceiro ao camarão, num estilo diferente do Loma Larga, um pouco mais encorpado, mas igualmente prazeroso.

Mexilhões, camarão, salada tropical, dois belos vinhos brancos, ótima companhia, nesses momentos a gente até esquece os problemas. Pena que no dia seguinte caímos na real, enfim, life must go on! Este foi meu presente de aniversário comemorado com quem mais amo (minha família) apenas faltando algumas peças nesse quebra-cabeça.Cheers, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Ótima semana para todos e espero que 2015 possa ser repleto desses momentos para todos nós.

ps. Clique nas imagens para ampliá-las.

Chaski Petit Verdot 2011 na Taça

A Perez Cruz é um velho conhecido (agora trazido pelas mãos da Almeria) e produz vinhos de muita qualidade e preço justo, gosto desse binômio! Seu Reserva Cabernet Sauvignon já demonstrou ser um dos melhores custo x beneficio chilenos em nosso mercado, acho muito bons os Limited Edition; Cabernet Franc, especialmente se com alguns anos nas costas, o Cot (malbec) que costuma surpreender os incautos apreciadores desta cepa sendo, talvez, o em que a madeira mais esteja presente, sem contar o excelente Syrah!

Este Chaski Petit Verdot, é de uma linha acima dos demais e há muito esperava na minha adega para ser provado, porém esperava a companhia certa, neste caso um Prime Rib, e a espera valeu a pena. Provei este vinho pela primeira vez em 2010, da safra 2008 e especialmente engarrafado para nós, pois ainda não estava disponível no mercado. Foi no Desafio de Petit Verdot que promovi com a participação de mais oito vinhos e amigos blogueiros, colunistas e especialisatas em geral assim como parceiros enófilos de longa data, vale a pena ver mais aqui.

Fazendo jus ao restante da família e á própria cepa que gera alguns ótimos vinhos varietais e faz mágica em blends, o Chaski mostrou ser um vinho másculo que, como aconteceu em 2010, mostra que precisa de pelo menos uma meia dúzia de anos em garrafa antes de se mostrar como um todo. Minha sugestão para quem o quiser abrir agora é aerá-lo por pelo menos uma hora ou dar umas três ou quatro passadas pelo magic decanter para que ele se integre melhor CAM01497e libere um pouco de seus potentes 14,5% de álcool.

Vinho potente, aromas de frutos negros maduros e um toque balsâmico. Na boca é denso, grande estrutura, taninos potentes porém finos mostrando a necessidade de tempo, agradável textura, especiarias, complexo, longo, vinho com boa presença, acidez que pede comida e o Prime Rib, mesmo estando um pouco bem passado demais para meu gosto, foi parceiro e aguentou o tranco.

The Day After

Sobrou e na segunda matei a garrafa, autre chose! De um dia para o outro com somente meia garrafa houve tempo para o vinho aerar com o oxigênio lá existente e isso provocou uma enorme mudança no vinho o que confirma minha sugestão de aerar por pelo menos uma hora em Decanter ou algo similar. Os taninos arredondaram, o álcool volatizou (também deixei na taça um pouco esperando aumentar a temperatura pois estava na geladeira) e o vinho todo se integrou mostrando uma elegância que não estava lá no dia anterior. Os frutos negros e especiarias mais presentes, final aveludado e apetitoso sem perder a concentração e volume de boca, ficou difícil não terminar com a danada e …….acabou!!

Chaski, o mensageiro, é mais um bom vinho da Perez Cruz e este exemplar anda na casa dos R$120,00. Aliás, acho que tá na hora de promover um outro Desafio de Petit Verdot pois há muita coisa interessante por aí! Na Sexta publico meu último post com os Brancos e Tintos que fizeram a minha cabeça em 2014, nos vemos por aqui? Cheers e kanimambo.

Briego Crianza, mais um Belo Ribera na Minha Taça

Recentemente abri este vinho na loja com alguns amigos para ver se entrava ou não no portfolio junto com seu irmão mais novo o Briego Roble sobre o qual já teci meus comentários aqui. Mais um vinho que agradou em cheio (a Rejane não me deixará mentir) e nos faz refletir sobre a quantidade de produtores pouco conhecidos por aí que fazem alguns caldos muito especiais. Por isso bato tanto na tecla da diversidade e da infidelidade no mundo do vinho. Seja fiel à sua família, à empresa, aos seus negócios e fornecedores, à sua loja ou lojas preferidas, porém não seja fiel ao vinho, deixe-se levar por novos produtores e descubra novas sensações, é muiiiito bom! Tudo bem, tenha seus portos seguros, mas não deixe de viajar pois o sabor da descoberta faz valer a pena.

Briego crianzaBem, mas voltemos ao vinho e ao produtor. Briego significa luta, pelo vinho e pelas terras de uma região na Ribera del Duero que prima por vizinhos de primeiríssimo nível como Veja Sicilia, Pingus, Mauro, Protos, Carraovejas, Pesquera, Alión entre outros famosos, uma região algo mais distante do rio Duero conhecida como “Milla de Oro”,a parte mais nobre da D.O.. Escondido entre tantas estrelas, se esconde este produtor que agora conhecemos, Bodegas Briego, um produtor a ficar de olho!

Um Crianza na região de Ribera del Duero (como em Rioja) necessita passar um mínimo de 12 meses em barricas de carvalho e 12 repousando em garrafas onde afina, antes que possa ser lançado no mercado, porém este Briego Crianza tem um pouco mais. O vinho passa 14 meses (8 em barricas americanas e 6 em francesas) e mais 14 em bodega para só depois chegar em nossas taças. Elaborado com 100% de Tempranillo.

Como no Roble, sua paleta olfativa surpreende por sua riqueza e intensidade chamando-nos a atenção já na abertura da garrafa e se superando na taça quando mostra todo o seu potencial de aromas que nos convida a levar a taça á boca! Surpreende porque os Ribera costumam ser mais exuberantes em boca do que no nariz, mas este exemplar consegue nos despertar sensações em ambos. Fruta madura explode no nariz com suaves nuances mentoladas e algum caramelo. Entrada de boca sedutora ganhando volume no meio de boca onde a parece a tradicional estrutura dos vinhos região. A fruta aqui está mais fresca, acidez média, harmônico com taninos aveludados mais presentes no final de boca deixando um retrogosto de boa persistência onde aparecem nuances de tabaco, tostado e algo de especiarias.

Complexo, é um vinho que agrada sobremaneira e custa na praça algo ao redor das 140 pratas, em linha com vinhos similares disponíveis no Brasil. Importado pela Almeria do amigo Juan, um cara que conhece bem os vinhos de Espanha! Salute amigos e kanimambo pela visita. Uma ótima semana a todos.

Chile Annual Wine Awards – Estes Eu Provei!

CAM01256Estes eu provei e gostei! Como disse ontem, enquanto o pessoal discursava e divulgava os ganhadores, nós comíamos e sorvíamos alguns dos medalhistas deste concurso. Alguns desses rótulos chegaram a ser indicados entre os três classificados para a final dos troféus, só belezuras! rs As fotos ficaram horríveis, mas…… Eis um curto resumo dos que mais se destacaram na minha taça.

Coyan – sempre um porto seguro. Muito rico e equilibrado, guloso e ainda por cima ôrganico o que é um plus.

Tralca – da Bisquertt é um corte de Cabernet Sauvignon, Carmenére e Syrah, tendo estado entre os três finalistas na categoria Premium Red. Um vinho marcante com ótima entrada de boca, boa estrutura e volume de boca. Um belo vinho para tomar agora e guardar por mais uns anos.

Cousino Macul Finis Terrae tinto – é a segunda vez que o provo e a segunda vez que me delicio com ele. Entre os finalistas na categoria Blends Tintos, é um vinho muito elegante e fino, um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot de dar água na boca. Desta feita também conheci o branco, um corte de Chardonnay, Riesling e Vignier muito bem balanceado e apetitoso que recomendo. Essas garrafas eu teria em minha adega fácil, dependendo do preço obviamente!

Millaman Reserve Zinfandel – uma grata surpresa com uma uva pouco comum fora dos Estados Unidos e Austrália. Muito agradável, com um toque mais chileno e final menos doce, uma garrafa para curtir e surpreender os amigos.

Odfjell Winemaker’s Travesy – gosto deste produtor e este blend foi desenvolvido com duas uvas que, em minha opinião, geram dois de seus melhores varietais; a Malbec e a Carignan que aqui ainda levou uma parte de Syrah. Concentrado, intenso e untuoso, belo vinho!

Casa Lapostolle Borobo – bem, para mim a grande surpresa. Tenho algum preconceito, confesso, para com este produtor pois sempre achei seus vinhos algo exagerados. Super extração, alto teor alcoólico, nunca fizeram minha cabeça com excecão do Cuvée Alexandre Merlot que reputo com um dos melhores do Chile junto com o Marques de Casa Concha. O Borobo é o oposto do conceito que eu tinha e tudo a ver com os vinhos que mais curto, daqueles que você não sabe se funga ou se bebe e, na dúvida, faz os dois com enorme prazer. Absolutamente sedutor, uma obra prima que me encantou e do qual sorvi vários goles recomendando a todos. Complexo blend de Cabernet Sauvignon, Carmenére, Syrah, Pinot Noir e Merlot extremamente elegante e fino sem perder a estrutura, meio de boca cativante, taninos aveludados, final longo, guloso, um vinho para curtir com calma como numa boa relação amorosa, nada de pressa! Gamei, ainda bem que é só vinho!!! Como não chegou na final de Premium Reds não sei, mas eu o indicaria com toda a certeza!

WC Clipboard gold medalists tasted

Bem gente, por hoje chega de “charla”. Ótima experiência essa promovida pela Wines of Chile e um privilégio ter podido estar presente nesse evento. Agora preciso arrumar tempo para finalizar minha reportagem sobre minha viagem à argentina em Outubro!! Aproveitando, não vai vir comigo no Tour Loucos por Vinho, olha que vai perder “big time”, heim?!  Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos!

Vinhos Abaixo de Quarenta Que Satisfazem

Díficil a tarefa de encontrar bons vinhos que satisfaçam tanto o palato como o bolso, especialmente abaixo das 40 pratas, mas os há por aí. Tem gente que não acredita, que tem preconceito para com vinhos mais em conta, porém num país de preços exorbitantes de tudo, há que se garimpar esses rótulos. Pessoalmente e não é de hoje, adoro pesquisar esses rótulos até porque sempre tive que pagar por meus vinhos e nem sempre a grana abundou. Estou sempre aberto a receber vinhos para prova nessa faixa de preços, porém é incrível como vem pouca coisa e desses, o tanto que rechaço!

Os vinhos chilenos nessa faixa não têm me agradado muito e mesmo os argentinos que conseguem fazer uns vinhos mais palatáveis estão perdendo para os vinhos Lusos e olha que existe aqui uma diferença alta de taxação, 27%, isso sem falar de custos de transporte! Para mim, a linha que separa o mediano do medíocre, indepentente de origem, é a traçada pelo preço de R$25,00 porém até aí existem exceções (sempre as há) mesmo que bem mais raras.

Portugal FixeJá me referi há um tempinho atrás, de que nessa faixa de preço não tem para ninguém, existe uma série maior de melhores vinhos portugueses nessa faixa de preço do que de qualquer outra origem e para todos os gostos; fruta madura, madeira, sem madeira, alto teor alcoólico, baixo, tintos, brancos, rosés e por aí vai. Hoje listo aqui três vinhos de três regiões diferentes que surpreendem os mais incautos e os esnobes de plantão. Tomados ás cegas, tradicionalmente transmitem uma percepção de valor bem maior, como se fossem vinhos entre os R$50 a 60,00 e desafio você a fazer esse teste. Para mim, uma seleção de bons vinhos para o dia-a-dia com preço para lá de convidativo e, muito mais que medianos, são muito bons vinhos nessa faixa mostrando uma qualidade acima da média.

Costumo dizer que os vinhos conversam com a gente, alguns mais que os outros, e estes já têm um papo bastante agradável, têm o que dizer e o dizem bem! Agora, só toma Carmenére, Cabernet Sauvignon e Malbec, bem nesse caso creio que está perdendo muiiiiito por não ousar e diversificar, mas respeito pois nem todos gostam de blends e esses são todos fruto de uma composição de uvas e muitas autóctones de Portugal. Como diz o ditado, o que seria do amarelo se todos só gostassem do vermelho?! Bem, eis os vinhos e minha rápida e sintetizada opinião sobre eles:

Vinhos lusos abaixo de 40 pratas

VilaFlor tinto – Produzido no Douro Superior pela Casa de Arrochela, é um vinho com blend típico da região; Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca com educados 13% de teor alcoólico, acidez bem equilibrada, ótimo meio de boca (bom de papo), rico, fruta e especiarias bem presentes, taninos aveludados com um final de boca de boa intensidade. O branco é outro achado que ganhou como o melhor branco abaixo de R$50 na Expovinis deste ano e já mencionei aqui.

Confidencial Tinto – Este vem da região Lisboa e conhecemos numa apresentação que o Master of Wine Dirceu Viana Jr., brasileiro que mora em Londres e é o único Master of Wines da língua portuguesa, fez numa máster Class sobre vinhos portugueses e da escolha de seus TOP 50 vinhos lusos para terras tupiniquins. Elaborada pela Casa Santos Lima, é um vinho elaborado com cerca de seis a oito castas não divulgadas. Bem frutado, médio corpo, rico, frutas silvestres, taninos maduros e suculentos, taninos finos com frutos do bosque, notas de baunilha, algum moka de final de boca, um verdadeiro achado que agrada fácil demonstrando perfeito equilíbrio com seus 13% de álcool muito bem integrados e médio corpo.

Monte Perniz – Chegamos ao Alentejo onde a modernidade se une à tradição o que se confirma neste blend de 40% Aragonez, 30% Syrah, 20% Alicante Bouschet e 10% Cabernet Sauvignon sem passagem por madeira. Um vinho mais leve, porém não ligeiro. Taninos mais suaves, fruta mais presente, mas sem aquela sobremadurês com que muitas vezes nos deparamos nos vinhos da região. Todo ele é mais fresco, macio e fácil de agradar. Para acompanhar a pizza de fim de semana ou pratos mais leves, um vinho que não nega a raça!

O bom de todos estes vinhos é que são uma ótima opção para eventos, jantares, casamentos e festas de fim de ano pois são baratos (normalmente se compram caixas), são saborosos e agradam fácil os convivas tanto os mais dedicados aos vinhos como os iniciantes. Tá na duvida do que comprar neste final de ano então viaje um pouco, vá de vinhos portugueses! Aqui estão apenas algumas boas dicas, mas o mercado tem muita coisa boa a ser provada então aventure-se um pouco.

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui ou melhor, vem comigo para uma experiência única em Mendoza!

O Outro Cabernet Chileno

È, há umas duas semanas falei de um e tinha prometido o segundo em seguida, mas o trampo está pesado então está faltando tempo para colocar a escrita em dia, porém não esqueço minhas promessas, não, só tarda! rs Falei do Lauca Reserva Cabernet Sauvignon e hoje quero compartilhar com os amigos e amigas o In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2010. Mais um vinho desta uva que mostra bem a boa adaptação aos diversos terroirs chilenos. O Lauca é do Vale do Maule e este é de Aconcagua, o que gera algumas diferenças, porém entre eles uma linha mestra, a ausência da excessiva piracina que tanto me incomoda em boa parte dos vinhos chilenos. O produtor é a Viña San Esteban e esta linha de produtos me atrai bastante porque afora o prazer na taça, também dá um alivio no bolso entregando mais do que se espera em função do preço.

Gosto do In Situ Big Red Blend (que nem é tão big assim!) que conjuga muito bem a Cabernet, com Petit Verdot e algo de Carmenére na casa dos R$56, mas este 100% Cabernet traz algo mais! O enólogo, Horácio Vincente, é  filho do proprietário, formado em Bordeaux e essa influência se sente bem em seus vinhos CAM00300com um algo mais de sofisticação. O In Situ Gran Reserva Cabenet Sauvignon, leva 90% desta cepa à qual ele adiciona um tempero de 5% cada Carmenére e Cabernet Franc, e deixa “amadurecer” em barricas francesas e americanas de 225 litros por cerca de doze meses.

O resultado é um vinho que atrai á primeira “fungada” mostrando uma fruta vermelha viva e fresca, e um toque algo terroso (bosque molhado), de boa estrutura tânica, densoe de bom corpo sem ser excessivo ou pesado,  complexo, elegante, textura aveludada, boa acidez e harmônico com uma leve pimenta de retrogosto e boa persistência. Um Cabernet muito bem feito, sem exageros nem maquiagem com a madeira a dar apoio ao conjunto sem jamais se sobrepor. Pelo preço, na casa dos R$75 a 80,00 acho que é uma boa opção a vinhos de marca mais famosa e mais caras, porém sem a qualidade e equilíbrio que este apresenta e prazer que nos dá. Como já disse anteriormente e por diversas vezes, é esse o barato do garimpo, encontrar estes rótulos menos midiáticos de produtores de menor porte que nos surpreendam. Se você gosta de Cabernet Sauvignon, eis uma boa opção ao seu dispor no mercado.

Espero que curtam! O VSE Cabernet, o de gama de entrada deles, é um vinho bem feito que já comentei por aqui há uns cinco anos atrás e dizem que o In Situ Laguna del Inca, seu vinho top, também é muito bom e esse eu botei na alça de mira para uma próxima oportunidade provar. Se você provar antes, ou já conhecer, me diz algo? Bem gente, a conclusão que tiro é que este produtor se dá bem com a Cabernet em sua propriedade e cantina o que pode ser um fator a se considerar quando nos depararmos com seus vinhos no mercado, ojo! Bem, hoje é só e amanhã falarei um pouco da degustação às cegas que armei com Malbecs chilenos, argentinos e franceses, mais surpresas! Kanimambo e uma boa semana para todos.

Dois Bons Cabernets Chilenos

Por mais que insistam em fazer da Carmenére a uva ícone chilena, ainda acho que as principais uvas comerciais chilenas são mesmo a Cabernet Sauvignon e a Syrah. Na Cabernet, o que mais me incomoda é o excesso de piracina (pimentão verde) em boa parte dos vinhos assim como aquela goiaba verde, aromas que não me seduzem e que, por muitas vezes, se repetem na boca. Quando provo um vinho que foge dessas características, isso já me aguça o palato e se o preço está em acordo com meu bolso, então me seduz de vez e foi isso que ocorreu com dois vinhos em dois patamares de preço diferentes, um Reserva e um Grande Reserva. O primeiro que compartilharei com os amigos hoje, foi mais uma revisita a um vinho que já tinha curtido muito em 2009, confirmei em 2011 e agora revisito mais uma vez e reconfirmo tudo o que já tinha comentado sobre ele e que o fez ser destaque aqui no blog há época, é o Lauca Cabernet Sauvignon Reserva, hoje importado pela Mercovino.

CAM00298Da região do Vale do Maule, passa por oito meses em barricas francesas e americanas. A primeira grande surpresa é a ausência total dos tradicionais aromas de goiaba e pimentão, com a paleta olfativa mostrando muito mais seu agradável e sedutor caráter frutado com notas de baunilha sutis mostrando o bom uso das barricas. Na boca, taninos muito bons, equilibrado, bom corpo, rico, álcool bem integrado formando um conjunto muito prazeroso e, como dizem meus conterrâneos, apetecível com um final saboroso de boa persistência que nos chama à próxima taça. Como o preço se encontra numa faixa ao redor dos 55,00 Reais, temos aqui, na minha opinião, um best buy com uma elegância e finesse pouco presentes em vinhos nesta faixa.
Ainda durante a semana voltarei a falar dos Cabernet Chilenos com um outro rótulo, um Gran Reserva. Até lá, Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. Ah, ia-me esquecendo, reservem o período de 21 a 25 de Agosto para viajar comigo a Mendoza! Ainda esta semana os detalhes, porém será uma experiência enogastronomica como visita a 8 bodegas, lagar de azeite e 4 refeições harmonizadas descobrindo novos sabores, aguarde!!

Vinho de Reflexão, Um Moscatel Roxo de Setúbal 1998

Tem um monte de gente que, cada vez que você fala de vinho de sobremesa, viram a cara e dizem não gostar. O interessante é que em diversos eventos de degustação que promovi e coloquei um vinho doce, de sobremesa, em prova, estes acabaram sendo os rótulos mais vendidos do evento. O fato me leva a concluir que a maioria é do tipo; “não provei e não gostei” tudo aquilo que tentamos mostrar aos nossos filhos ser errado! O grande segredo desses vinhos é o profundo equilíbrio entre o residual de açúcar e a acidez. Já provei um Tokaji Essencia com 200grs/l de açúcar residual e estava magnífico, digno de vir acompanhado da famosa almofadinha!!

Já eu, salvo algumas exceções nojentas (rs) adoro provar de tudo e vinhos de sobremesa são uma de minhas paixões. É difícil encontrar bons vinhos de sobremesa baratos, a produtividade costuma ser pequena, mas há exceções sendo que a maioria destes são vinhos de colheita tardia sul americanos, mas hoje quero falar deste verdadeiro elixir dos deuses produzido pela Quinta da Bacalhôa com esta pouco conhecida e rara variedade de moscatel, aparentemente autóctone da região de Terras de Setúbal, o Moscatel Roxo, vinho licoroso, fortificado (adição de aguardente vínica), com cerca de 18º de teor alcoólico!

CAM00302         Como costumo dizer, há vinhos que não sabemos se cheiramos ou bebemos, pois este é daqueles por quem nos apaixonamos à primeira fungada e mais do que beber, é de lamber!!! Extremamente sedutor, com notas florais que me fazem recordar laranjeira e rosas, com algo de frutos secos e mel, talvez até influenciado pela incrível cor amarelo dourado, quase topázio, uma verdadeira preciosidade. Tudo isso, no entanto, não convence se quando chega à boca esses aromas morrem e são substituídos por um liquido xaropento, enjoativo e sem vida. Este Moscatel Roxo da Quinta da Bacalhôa é o oposto de tudo isso, pois possuí uma acidez maravilhosa que lhe aporta uma personalidade muito vibrante, elegante, de grande leveza e maciez que convidam ao próximo gole. Absolutamente encantador, um adolescente de dezesseis aninhos, nove ou dez dos quais envelhecendo em meias pipas de carvalho, anteriormente usadas na produção de whisky, devendo, conforme pesquisado, ainda evoluir por mais vinte, trinta ou mais anos! Para tomar devagar, após o almoço, jantar ou a qualquer hora, sorvendo todas as suas nuances e desfrutando de toda a sua riqueza de sabores.

Ele é a sobremesa, um vinho para tomar olhando o horizonte e ver o sol se pôr, um vinho de contemplação e reflexão, para agradecermos a dádiva da vida e o privilégio de poder tomar um néctar desses. Para quem queira acompanhar com algo, penso que um Toucinho do Céu (típico doce conventual português) ou um Panetone de Zabaione italiano poderão ser grandes parceiros.

A uva, de cor arrocheada em vez de branca como a Moscatel “comum”, é tida como uma mutação regional da mesma e algo rara (pouca área plantada) com volumes pequenos de produção, gerando vinhos algo mais secos e complexos que os Moscateís tanto das regiões de Setúbal como do Douro (Favaios). Considerando-se o que o vinho é, o preço nem é caro pois anda na casa dos R$200 a 230, porém quem tiver a chance de passar no Duty Free de chegada no Brasil, vi no site por USD37, uma baba! Para quem quiser se aventurar em outros vinhos Moscatel Roxo deste quilate, minha recomendação fica com o Domingos Soares Franco Coleção Privada 2001, outro néctar de lamber os beiços e não esquecer tão cedo.

Salute e kanimambo, uma ótima e doce semana para todos.

Mais Vinhos de Bom Preço a Curtir na Copa

Agora o próximo jogo do Brasil é Sábado ás 13 horas! Não é por nada não, mas estou louquinho para a copa acabar e podermos retomar nossas vidas. A indústria vai ter queda, o comércio vai ter queda, porém as contas insistem em chegar “no matter what”! Enfim, não tem jeito então vamos tocando e eu cá estou de volta para dar mais algumas dicas de vinhos para curtir na copa só que destes países os preços são algo menos atrativos. Tenho pesquisado, mas achar bons vinhos da Alemanha, EUA, Uruguai e Austrália abaixo, ou próximo das 50 pratas não tá fácil não. Para quem está a fins de curtir vinhos de um desses países, não vou colocar nada da Grécia nem Croácia pois o que conheço é bem mais caro e nem sempre facilmente encontrados, eis algumas poucas dicas.

Flag button UruguaiUruguai – assim como a Argentina reinventou a malbec o Uruguai fez o mesmo com a Tannat e tem muita coisa boa por lá, nem sempre a preços muito convidativos. Nas faixas mais baixas de preços os vinhos variam muito, porém na casa dos R$35 a 40 o Don Pascual Tannat/Merlot (tradicional corte local) é bem agradável. Não tenho provado muita coisa nessa faixa que tenha me agradado, porém a R$45,00 o Pisano Cisplatino tannat/merlot é um porto seguro e na casa dos R$55 gostei bastante do Rio de los Pájaros Tannat Reserva. Outra opção certeira, porém já na casa dos R$65 é o Carrau Tannat de Reserva todos vinhos mais densos, típicos da cepa, porém sem taninos agressivos, teores alcoólicos educados e bastante ricos.

 

Flag Button alemanhaAlemanha – paraíso dos vinhos brancos e eventualmente Pinot Noir nos tintos, porém difícil encontrar vinhos com preços mais convidativos. Rieslings já com qualidade garantida, tem muita coisa por aí bem meia boca, sugiro a garrafa de litro de Heinz Pfaffmann Riesling por cerca de R$72,00 um vinho de baixo teor alcoólico e fácil de tomar, o Loosen Dr. L por volta dos R$69 assim como o Anselmann Trocken, um pouco mais de corpo e estrutura, na mesma faixa. Da Anselmann, també interessante o Pinot Noir deles que mostra uma outra faceta da região, a dos tintos e este é bastante interessante, porém já na casa do R$79,00.

 

Flag Button AustráliaAustrália – outro país de onde é difícil encontrar vinhos a preços convidativos. Afora seus famosos Shiraz, há também bons vinhos brancos, Cabernets e blends a serem explorados, porém devemos abrir a carteira um pouco mais. Na faixa entre entre R$55 a 65,00 gosto do Down Under Chardonnay com pouca madeira e bastante frescor sem perder as características da cepa, o Lindemanns Bin 50 Shiraz um bom “entry level” aos bons Shiraz australianos assim como o Three Steps Shiraz que já mostra um pouco mais de complexidade e corpo.

 

Flag button EUAEUA – nos próprios Estados Unidos os vinhos nacionais são dos mais caros e os de baixo preço tendem à carregação, produtos demasiado industrializados de qualidade muitas vezes duvidosa, porém não sou expert nos vinhos de lá. Conheço alguns bons e lamentavelmente caros rótulos, porém por aqui há pouca disponibilidade de vinhos de qualidade com preço mais acessível. Conheci alguns poucos rótulos que me pareceram bastante honestos e que hoje rondam os R$60 mais ou menos R$5 que creio podem ser interessantes para o momento, pois em turma vendo jogo não me parece que haja muito foco para grandes vinhos. Busque o Crane Lake Zinfandel, Forest Ville Cabernet Sauvignon e Fox Brook Shiraz, não são nenhuma quintessência de vinhos, mas são agradáveis, bem feitos, fáceis de tomar e honestos em seu segmento de preço.

Com isso finalizei minhas dicas de vinhos para curtir na copa. Foram uma série de rótulos de onze diferentes países então até dia 13 de julho há muito o que experimentar! Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.