Tomei e Recomendo

Um Shiraz Para Chamar de Meu!

A primeira vez que o tomei foi nos idos de 2009 numa esbórnia enogastronomica entre colegas e amigos blogueiros. Depois mais uma vez em 2011 e finalmente a última visita que fez a minha taça foi numa gostosa degustação da Confraria Saca Rolha em 2015. Falo de uma obra prima de John Duval, criador de um ícone australiano, o Penfolds Grange reconhecido como um dos mais importantes vinhos de Down Under! Ao se aposentar virou um flying winemaker e abriu sua própria vinícola a John Duval Wines. O vinho, sem mais delongas e sem muito detalhe porque já faz anos que o tomei, é o John Duval Entity, talvez o melhor Shiraz que eu tenha tomado na vida e certamente o mais marcante.

Me lembro (vi minhas notas, rs) que há época o descrevi como um baita vinho, potente, encorpado, complexo e fino, classudo um belo exemplo do porquê a shiraz virou simbolo deste país. Na confraria Saca Rolha,2015, coube há amiga Raquel falar dele; mostrou-se muito elegante. Com o primeiro ataque bem seco na boca, um toque mineral que se funde com frutas maduras dando-lhe corpo e temperado com especiarias. No final um leve defumado mostrando a madeira bem colocada. Um exemplo de como o menos é mais, com muita categoria”. O resumo da história é que é um tremendo de um exemplo de shiraz com muita qualidade, classe e equílibrio. Na época custava umas trezentas pratas, mas num site brasileiro hoje vi por 1.100,00 Reais!!

Mas porquê deste post a esta altura? É que um amigo me pediu para listar alguns vinhos que ele poderia trazer dos Estados Unidos numa viagem próxima e fuçando me dei de cara com esta belezura por míseros 35 Dólares. Mesmo que o câmbio estivesse a 5 Reais, uma baba concordam?? rs Olha, ponham em vosso wish list e em encontrando nessa faixa, vi entre 33 a 40 USD, comprem ao menos umas três ou quatro garrafas sendo uma para o tuga aqui em função da dica!!! rs

Bem, por hoje é só e semana que vem no Domingo (dia 29/09) tem Wine Tasting na Vino & Sapore com vagas limitadas e convites vendidos antecipadamente! Um ótimo fim de semana e espero voltar a nos encontrarmos por aqui, na Vino & Sapore ou qualquer outra curva de nossa vinosfera. Kanimambo, saúde

Um Borgonha 1er Cru, Porque Eu Merecia!

É, de vez em quando porque o bolso anda curto, mas eu também mereço um carinho na taça! Quando me dei conta vi que não tinha tirado a foto com a taça, mas esses momentos têm dessas coisa, nos tiram o foco, rs. Bem, Borgonha 1er Cru é vinho para mais de 600 pratas, mais próximo aos 1000, porém há opções outras quando a gente garimpa um pouco e este fica abaixo das 400 pratas se conseguirem achar por aí. Segue sendo uma bela grana, porém já dá para uma eventual extravagância volta e meia, nem que seja numa confraria!

Les Clous Monthelie 1er Cru Pinot Noir 2008 – um Borgonha de muito bom nível com um preço bem camarada dentro desse mundo mais exclusivo. A AOC Monthelie possui algo ao redor de 120 hectares (nada!) de menor notoriedade que seus vizinhos Meursault, Pommard e Volnay, por isso mais em conta. Deste, apenas 36 hectares são denominados como 1er cru distribuídos em 15 climats* e este vem de Les Clous, elaborado por Domaine Reyane & Pascal Boulley, quinta geração, pequeno produtor com apenas 10 hectares distribuídos entre Monthelie, Beaune, Volnay (sede) e Pommard. Colheita manual com fermentação em cubas abertas (moda antiga), com maturação em barricas francesas por 18 meses, das quais somente 25% novas. Um vinho pronto a tomar, mas que vale até guardar por mais um par de anos porque certamente irá evoluir muito bem.

Boa intensidade aromática com bastante frutos do bosque (cerejas, mirtillos) ainda bem vivos, sous-bois (terra molhada) e um sutil toque floral, na boca taninos ainda bem presentes e finos, muito rico meio de boca, taninos elegantes e delicados mas bem presentes, aveludado, alguma especiaria, notas de bosque final bem prolongado, mineral e balanceado. Difícil encontrar este patamar de qualidade da Borgonha nesta faixa de preço e eu gostei muito. Quem conseguir segurar a garrafa por um tempo certamente se dará ainda melhor

*Climat – de acordo com a revista Adega, “Enquanto o terroir pode ser definido como o conjunto de tipo de solo, de clima, características da região e da interferência do homem, o climat pode ser considerado um aprofundamento desse conceito em cada parcela de vinhedo.” Para simplificar consideremos um climat como uma forma de um zoom, de filtro mais micro de uma região

Este foi um de meus vinhos selecionados para o Frutos do Garimpo do mês. Por hoje fico por aqui, kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer curva desta nossa vinosfera.

Saúde

Marilla, Mais Que Um Nome, Um Grande Vinho!

No Brasil não tenho provado vinhos doces, de sobremesa nada a ver com os tais de suave por aí (rs), que tenham me entusiasmado mesmo sendo um fervoroso apreciador destes vinhos. Me lembro de uns anos atrás de um delicioso Icewine produzido na Pericó, um projeto louco que deu muito certo, mas o problema é o clima que propicia isso muito raramente, acho que neste caso só uma única vez. Tem também um Licoroso, mais simples mas muito surpreendente de meu amigo Gustavo da Bella Quinta aqui mesmo pertinho de casa, em São Roque, que quebrou as pernas de muito “especialista” às cegas! rs

O VG Marilla é fora da curva e o conheci pela primeira vez na visita que fiz à Villaggio Grando em Fevereiro de 2016, nessa época ainda não pronto, uma amostra de barrica que mostrou estarmos diante de um grande vinho em ebulição e na época já o listei como um de meus destaques daquele Tour Pelos Vinhos de Altitude Brasileiros. Pois bem, finalmente e depois de dois anos volto a provar o vinho (lançado em 2017) na presença do orgulhoso amigo Guilherme Grando que o apresentava com toda a pompa que a criação merece, mas falemos um pouco mais do vinho.

Vinhedos das uvas Petit e Gros Manseng originariamente do sudueste francês, e plantado aqui a cerca de 1300 metros de altitude há 17 anos atrás. O projeto era desenvolver um vinho de sobremesa no estilo dos vinhos doces do Jurançon e para tanto, entre outros investimentos, o know how e experiência do conceituado enólogo português Antonio Saramago mestre na elaboração de grandes vinhos Moscate de Setúbal, entre outras preciosidades. Nas palavras do Guilherme Grando, ” Este vinho é da colheita 2012 após as primeiras geadas em final de Maio, portanto bastante desidratrada e concentrada. São 3 kg de uvas para poder produzir uma garrafa de 500 ml e o vinho é fortificado com um brandy produzido na própria Villaggio Grando (Água Doce no Oeste Catarinense próximo a Caçador), atingindo 17,5% de teor alcoólico. fermentação em tanques de aço inox passando posteriormente por um estágio de 3 anos em barricas francesas de tostagem leve. A filtragem é bem “fraca”, queremos um vinho mais natural possível e por isso acaba aparecendo alguma borra na garrafa mas sabemos que isso é de suma importância para sua perfeita evolução.”

Quantidade limitada a 3.500 garrafas ano, todas numeradas para os poucos dispostos a desembolsar R$300,00 por esta preciosidade e a encontrá-la já que não está disponível em qualquer lugar não, certo mesmo só na vinícola. Baunilha, mel, aromas e sabores amendoados, toque de damasco, acidez em perfeito equilíbrio com a doçura. Esse equilíbrio é o que faz com que este estilos de vinhos sejam palatáveis e quanto maior harmonia “mais grande” (rs) são os vinhos, este está soberbo, não cansa! Para quem gosta de Sauterns e Tokaji, guardadas as devidas proporções e limitações de terroir, eis aqui um vinho a provar e, provavelmente, se surpreender!

Antes que me perguntem do porquê do nome já vou informando que é o nome da irmã do Guilherme. Como meu amigo Didu costuma dizer, ainda bem que não falamos nem vendemos parafusos porque momentos como este não existiriam! Coisa boa Guilherme, grato pela oportunidade.

Kanimambo pela visita e um ótimo fim de semana.

Penne com Bacalhau e Chianti!

O Chianti óbviamente na taça! rs Num desses domingo fui visitar meu filho e minha netinha e optei por almoçar lá, porém para me garantir eu cozinharia, rs, brincadeira, foi um bem bolado. Levei o bacalhau e o vinho, pedi para que ele comprasse o Penne e o brócoli já que esse seria o prato do dia. Bem, foi quase isso pois o o brócoli faltou, porém e mesmo assim ficou bem bom e a companhia ajudou demais! Como meu filhote disse, faltou o brócoli, ressaltou o bacalhau!! rs

Para acompanhar levei um bom Chianti Colli Senesi da Montechiaro, o 345, tradicional corte de Sangiovese (70%) com Canaiolo, Colorino e outras castas regionais em menor proporção, passa 12 messes em barricas francesas de segundo e terceiro uso, mais seis meses em garrafa antes de sair ao mercado.

A região de Chianti tem diversas sub regiões afora as mais conhecidas Chianti e Chianti Classico, são 9 no total. O Chianti, mesmo DOCG, varia muito de qualidade e produz por muitas vezes vinhos mais comerciais e menos expressivos havendo a necessidade de se garimpar bastante para não comprar gato por lebre. As sub regiões Colli (7) são vinhos de diversas colinas que permeiam a região e costumam gerar vinhos de melhor qualidade com maior ênfase no terroir distinto de cada uma e normalmente passam por um maior período de amadurecimento seja em barrica seja em garrafa. Os melhores na minha opinião são os Colli Fiorentini, Colli  Rufina e Colli Senesi. Este vinho é um exemplo disso e ainda prefiro os cortes mais tradicionais como este sem o uso de castas internacionais como a Cabernet e/ou Merlot que cada vez mais tomam conta da produção da região.

A harmonização, modéstia ás favas (rs) ficou muito boa. A boa fruta da Sangiovese estava bem presente com aromas intensos, boa textura com taninos macios, rico meio de boca, fruta moderada, corpo médio, boa acidez e sedoso final de boca fazem com que uma garrafa acabe muito rapidamente! Um bom vinho na casa dos 100 a 110 Reais, que me agradou muito.

Por hoje é só, em breve mais algumas experiências a compartilhar. Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui. Boa semana a todos, saúde!

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Fabian Reserva 2005, Dignos da Mítica Safra Brasileira

Para quem não sabe, 2005 foi A safra no Brasil. Naquele ano a grande maioria dos produtores foram capazes de produzir grandes vinhos e agora após 13 anos vemos que não só a qualidade foi fora da curva como a longevidade. Até pouco tempo atrás ainda se encontravam alguns exemplares do excelente Tannat da Cordilheira de Sant’ana por aí, quem sabe fuçando ainda se ache algum perdido, o Storia 2005 que jamais foi igualado e por aí afora. Meus amigos do blog 2Panas fizeram uma degustação às cegas com 17 vinhos em 2015 e se mostraram surpresos com o resultado, pois este corte da Fabian foi para mim uma grande surpresa também. Aliás, não só o corte mas também o varietal de 100% Cabernet Sauvignon que também tive o prazer de tomar e está no mesmo patamar, dignos exemplos dessa grande e mítica safra.

O Tannat da Cordilheira 2007 também está muito bom e vivo, o Torii Cabernet Sauvignon 2008 do vinhedo mais alto do Brasil a 1427m de altitude está vendendo saúde, então me parece que temos que reconhecer que a longevidade nos vinhos brasileiros é uma realidade a ser explorada. Este corte de partes iguais de Cabernet Sauvignon e Merlot vem da região de Nova Pádua (próximo a Flores da Cunha) no Rio Grande do Sul onde a vinícola está localizada com vinhedos plantados entre colinas a 780 metros de altitude. Maturação das uvas perfeita, sem excessos de fruta madura ou notas herbáceas, doze meses de maturação em barricas francesas e americanas perfeitamente integrados no vinho após 13 anos. Nariz frutado com algumas notas de evolução, boca de boa textura, médio corpo, equilibrado, rico, acidez ainda presente o que me leva a crer que ainda há ao menos mais uns dois anos de vida nessa garrafa, se não mais, mas para quê arriscar se já está tão bom! rs Um vinho muito prazeroso de tomar, que vale o quanto cobram por aí, algo ao redor de R$75,00.

Minha garrafa abri comendo, sempre (rs) e harmonizou muito bem com a picanha na brasa durante o jogo Brasil x Suíça.

É isso por hoje, uma grande semana para os amigos e kanimambo pela visita. Saúde!

Uau, Costela de Ripa e Decero Tannat

Como dar errado? Este foi meu presente ás cinco Mães em minha casa no último Domingo! Visitei meu amigo Celso Frizon mais conhecido como Dr. Costela e peguei com ele costela de porco com molho agridoce (dos Deuses!) e um bom pedaço de costela de ripa. Afinal, se não dá para levar a família ao Dr. Costela a gente traz o Dr. Costela à família, são só 50 kms ida e volta, rs, mas as mães mereciam ao menos isso neste dia especial, um churrasco de prima. A introdução ao churrasco foi de linguiças diversas (a de cordeiro estava especial!)e terminei (esquentei?? rs) as costelas, nenhum trabalho, puro prazer poder servir tão seleto grupo de Mães!

20180513_163815Para acompanhar a Costela de Ripa, escolhi um vinho especial de pequena tiragem de uma de minhas bodegas preferidas de Mendoza, a Finca Decero, o Mini Ediciones Tannat 2012. Sim um Tannat de Mendoza e tão soberbo quanto seu primo Petit Verdot nascido na mesma casa, mostrando que Mendoza não é só Malbec e Cabernet Sauvignon! Desbunde este vinho, tá certo que a costela e as Mães presentes deram um tempero especial, mas o que tinha me encantado em Setembro passado na minha última visita, ficou melhor ainda com mais seis meses na minha adega.

Muito aromático com frutos negros bem presentes, na boca é rico, frutos negros se confirmam, ótima estrutura de boca, textura gostosa, taninos de boa tipicidade porém muito bem equilibrados sem qualquer agressividade, final longo, guloso e se mais garrafas tivesse mais tomariamos, perfeita harmonização! Um verdadeiro prazer hedonístico e mais um rótulo que recomendo a quem estiver por aquelas bandas ou em Buenos Aires, porque LAMENTAVELMENTE, ainda não tem ninguém trazendo estes vinhos. Tem gente trazendo tanta coisa meia boca e a Decero segue sem importador no Brasil coisa de louco! Ah, se eu tivesse uma graninha extra!! Alguém a fins de entrar nessa comigo?? rs

Dia lindo, gente linda, comida excelente e vinhos idem, nessas horas que cai a fixa! Um kanimambo e abraço especial cheio de carinho a todas as mães amigas que me visitam por aqui. Espero que tenham tido um dia lindo e que exijam de seus parceiros e filhos que a “festa” não fique só num dia, pois vocês são a essência da vida devendo ser devidamente reconhecidas sempre. Um brinde especial a todas vocês Mães!

Cheers Smile

 

Mi Terruño, Não é Só Cara Bonita!

Ultimamente tenho visto um melhor trabalho por parte dos produtores no sentido de desenvolver rótulos mais marcantes. Lógico que o visual não é tudo e nem tudo o que brilha é ouro, mas que ajuda a vender 20180317_125719ajuda e falo isso por experiência. Afinal, no meio de tanto rótulo nas prateleiras algo que se destaque chama a atenção e tem uma chance maior de venda quer se compre por rótulo, sim existe quem o faça, ou não. Nesta semana falarei sobre dois pares de vinhos em que os rótulos me chamaram a atenção. Uma dupla espanhola e uma dupla argentina, patamares de preço e qualidade diferentes, propostas diferentes, porém as duas me agradaram bastante. Seja pelo inusitado, no caso dos espanhóis, seja pela boa relação PQP (Preço x Qualidade x Produto) dos argentinos dos quais falo hoje.

Mi Terruño é uma bodega argentina trazida ao Brasil pela Palácio dos Vinhos e de sua linha de produtos me interessei por provar dois rótulos da linha Expression, a segunda gama de entrada da bodega, que se encaixam dentro do meu conceito de garimpo, vinhos de bom preço com qualidade da qual não abro mão. Um Sauvignon Blanc e um Malbec, dois vinhos que provei e aprovei e por tanto decidi compartilhar com os amigos.

O Sauvignon Blanc vem do Vale do Uco, fermentado em cubas de inox e apresenta boas características da casta com notas herbáceas puxando para chá verde e frutas cítricas de boa intensidade. Na boca é um vinho de acidez bastante equilibrada, cítrico com um final de boca em que despontam limão e algo de grapefruit com ele toquinho de amargor tipico da fruta. O álcool é um pouco alto para um vinho que tem como conceito ser leve, 13%, e 20180317_171347_Burst01aparece quando fora de temperatura. Sendo servido em torno dos 6 a 8 graus centigrados é imperceptível e o conjunto é bastante agradável. Vi no mercado com preços que variam ao redor de R$75,00 mais ou menos 5.

O Malbec, apesar de ter gostado do branco (SB acima), me chamou mais a atenção. Estou sempre em busca de vinhos deste estilo, vinhos mais elegantes com taninos mais finos mostrando harmonia em vez dos vinhos super extraídos em todos os sentidos e que, de tão maduros, se tornam enjoativos. Neste caso as uvas vêm de vinhedos da região de Maipu e Tupungato com 55% do vinho passando por barricas de 2º uso francesas e americanas durante parcos 4 meses. O bastante para fazer a diferença, porém sem afetar demais o vinho. Paleta olfativa de boa intensidade onde predomina frutas vermelhas em especial ameixa, taninos finos, médio corpo, boa textura, leves notas tostadas num rico meio de boca, alguma especiaria de final, um vinho muito agradável de tomar. Sem fruta madura demais, sem taninos excessivos, gostei bastante e me pareceu bastante versátil, de massas a carnes grelhadas ou só aquele papo amigo com frios e queijos. Mesma faixa de preço do Sauvignon Blanc e mais um vinho que gostei e aprovei na faixa de preço em que se encontra

Dois vinhos que vão além da cara (rótulo) bonita, valem a pena e não é todo o dia que podemos tomar grandes vinhos. No próximo falarei de dois Rosés de que gostei bastante e depois falo daqueles espanhóis que mencionei no inicio, um 100% Graciano e o outro um Tempranillo Branco, uma mutação da uva tinta que só recentemente (2007) foi incluída no rol das uvas autorizadas em Rioja.

Tenham todos uma ótima semana, kanimambo pela visita e seguimos nos vendo por aqui, na Vino & Sapore ou numa das várias curvas de nossa vinosfera.

 

* Disponível nas boas lojas do ramo entre elas na Vino & Sapore

 

 

Gewurztraminer & Curry, Deliciosa Combinação!

Clássica harmonização, Gewurztraminer e pratos condimentados asiáticos.  Uma uva cultivada em muitas regiões, principalmente na Alsacia (França) e nas regiões do Rhein e Pfalz (Alemanha), mas também na Austria, Itália (Alto Adige), Nova Zelândia, Austrália, Chile, Estados Unidos e alguma coisa por aqui no Brasil em que a Angheben elabora um que aprecio bastante.

Os vinhos de Gewürztraminer normalmente são de cor amarelo intenso, quase dourados. Por conta de sua composição e características da casca, são vinhos com grande estrutura em boca. Uma de suas “fraquezas” é a acidez, muito delicada e, que em anos mais quentes, tende a ser muito baixa e um açucar residual por vezes alto demais para os secos mas que é providencial para os vinhos de sobremesa como os Spätlese. São sempre muito aromáticos, com notas marcantes e características lembrando lichias e pétalas de rosas com toques, de maior ou menor intensidade, de especiarias. Apesar de, à primeira vista não parecer, graças às suas características aromáticas e gustativas, os vinhos de Gewürztraminer secos e jovens são ótimos parceiros para a culinária, especialmente pratos com riqueza aromática e bem condimentados, como a cozinha asiática – chinesa e indiana. Curries mais suaves aceitam bem os mais maduros como foi o caso deste Gustav-Lorentz 2013* de cor dourada brilhante e aromas intensos de damasco e lichias que nos convidam a levar a taça à boca que é onde o vinho realmente interessa!

O prato, um Curry de Frango com Maçã, chutney de manga levemente apimentado e coco polvilhado por cima, uma receita da família que dá um ibope danado aqui em casa. O vinho com suas nuances de frutos tropicais, levemente especiado, corpo médio e acidez equilibrada com um toque mineral de final de boca casou á perfeição e repetirei esta harmonização em muitas e muitas outras ocasiões porque o resultado, para o meu gosto obviamente, foi excelente! Tudo aquilo que buscamos numa harmonização, equilíbrio e uma “turbinada” nos sabores, quando 2 + 2 somam 6!! rs Melhor ainda a companhia, porque sem isso a harmonização fica manca, rs, bão demais da conta sô!

Curry e Gewurztraminer

 

Penso que deve ficar muito interessante com Moqueca, mas ainda não provei, vou colocar na minha lista de experiências enogastrônomicas. Por hoje é só, espero que curtam e partam para vossas próprias experiências porque como já dizem os ingleses, “practice makes perfect” então vamos praticar é muiiiito!! Kanimambo pela visita e seguimos nos encontrando por aqui, na Vino & Sapore ou em qualquer outra esquina de nossa deslumbrante vinosfera. Fui, saúde!!

 

* Disponível na Vino & Sapore e outras boas lojas do ramo

Verão na Taça

Há pouco mais de um ano publiquei aqui uma receita de Clericot (versão branca da Sangria) com Sotanillo que tem tudo a ver com nosso verão e férias, encontro de amigos e familiares uma ótima forma de “iniciar os trabalhos”! rs

Hoje trago uma versão mais light, fácil e rápida de iniciar esses mesmos “trabalhos”, bastando para isso uma garrafa de Sotanillo* gelada e morangos frescos que, por sinal, estão bem baratos no momento. O Sotanillo, da região de La Mancha na Espanha, é um frisante à base da uva Airén com apenas 8% de teor alcoólico, muito fresco, toque cítrico, frutos tropicais, final de boca seco porém deixando no retrogosto um muito leve dulçor, porém muiiito longe dos famosos Lambruscos!! Para desfrutar como um “abre alas” de encontros descontraídos, garrafa no gelo (6º está de bom tamanho), uma taça e um pote com pedaços de morangos e podemos começar a festa! Eu gosto de usar taça de vinho branco, mas há quem prefira as flutes de espumante, aí cada um segue o caminho que desejar e pronto, prazer garantido e uma garrafa é pouco, já vou avisando desde já! Se o dia estiver quente, praia ou piscina então nem se fala, ainda mais que a garrafa está abaixo de 40 pratas no mercado.

Ah, o som? Este vinho harmoniza bem com Morena Tropicana de Alceu Valença, prove e veja se não tenho razão. https://www.youtube.com/watch?v=NWalM6gHMXA

Sotanillo - Taça

Sem medo de ser feliz, explore, viaje, pule fora da caixinha! rs  Uma ótima semana para todos e kanimambo pela visita.

Saúde, tchin-tchin

Cheers Smile

 

 

 

 

 

 

* Importação e distribuição exclusiva Almeria, disponível na Vino & Sapore e outras boas lojas do ramo.

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SPERI – Grandes Vinhos de Valpolicella

Dando continuidade e finalizando meus comentários sobre os vinhos de Valpolicella provados na degustação promovida pela Mistral, chego na SPERI. Diz o Gambero Rosso que a SPERI tem notável importância histórica na região com 60 hectares de vinhedos orgânicos todos eles localizados na região de Valpolicella Classico. Eu não conheço o bastante para comentar essa afirmação, mas o que eu posso dizer é que provavelmente seja o melhor que eu já provei e isso, lamentavelmente, quer dizer preços mais altos! Não tem jeito, como sempre digo, “nem todo vinho caro é excelente, porém não existe vinho de excelência barato”, especialmente no Brasil!!

Neste caso, só vinhos de Valpolicella e difíceis de comentar, pois o nível aqui começa alto desde seu DOC Classico até um néctar dos deuses chamado Recioto la Roggia que entrou para meu wish list, inebriante. Da sPERI ClipboardSperi foram “apenas” cinco vinhos sobre os quais tecerei abaixo alguns comentários sobre as sensações despertadas, mais do que a qualidade em si que, a meu ver, é irrepreensível. Um toque antes, sempre que possível gosto de mostrar preços no mercado, sempre checando antes porque tem muito importador que chuta preços nesses eventos, e neste caso como no post sobre os vinhos da Campagnola os preços estão em dólares americanos pois assim trabalha a Mistral. Creio importante sempre colocar o preço pois, especialmente no Brasil, é fator preponderante na análise de um vinho quando falamos com seguidores de Baco, como faço aqui.

Valpolicella DOC Classico 2016 – para quebrar todos os eventuais preconceitos que um possa ter para com vinhos desta classificação. Bem frutado, fresco, gostosa textura de meio de boca com taninos suaves, mas presentes, formando um conjunto muito equilibrado de médio corpo que pede abrir diversas garrafas! Uma grande partida para vôos algo mais altos em sua linha de produtos. Preço USD38,00

Valpolicella Ripasso Classico Superiore 2015 – sedutor no nariz com bastante intensidade aromática, suculento na boca mostrando muito equilíbrio, bom volume,, taninos finos e aveludados mostrando garra e elegância, um vinho que surpreende por sua complexidade. Preço USD66,00

Sant’Urbano Apassimento Classico Superiore 2014 – é um single vineyard de um dos principais vinhedos da região, Sant’Urbano. As uvas passam por cerca de 20 a 25 dias no processo de apassimento (desidratação) o que lhe aporta mais concentração e complexidade. Potente, algo austero, mostrou-se ainda jovem com taninos firmes e denso na boca. Um vinho de respeito, maturado por 18 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês, num patamar acima! Preço USD74,00

Amarone Vigneto Monte Sant’Urbano 2012 – do mesmo vinhedo do anterior, e para resumir tudo, um baita vinho! Certamente entre os TOP 3 amarones que já tive oportunidade de provar e não hesitaria em o guardar por pelo menos mais uns dois anos antes de o “descorchar”, mas se o esquecer na adega por mais cinco certamente sua paciência será muito bem recompensada! Grande estrutura, vigoroso sem perder a elegância, frutos secos bem presentes, denso, alguma especiaria num final de boca interminável, vinhaço e o preço acompanha, não tem jeito quando um vinho chega neste patamar de qualidade, USD185,00. Para quem pode, uma adega cheia, se não pelo pelo menos três garrafas, uma para agora, outra para daqui a dois anos e a última para daqui a cinco!! rs

Recioto la Roggia 2013 (500ml) – Uau, paixão á primeira fungada! rs Inebriante foi o primeiro adjetivo que me veio à cabeça, uau! Também de um single vineyard, são 110 dias de apassimento até que as uvas percam 40 a 45% de seu peso, concentrando açúcar. Maceração em tanques de inox por 25 dias, posterior estágio de fermentação em barricas de 500 litros em adega refrigerada para posterior estágio de afinamento em barricas de carvalho por 24 meses com um um tempo de descanso em garrafa para finalmente ser colocada no mercado. Um vinho de meditação, para curtir tranquilo sem pressa, petiscando um eventual queijo, vendo o sol se pôr no horizonte agradecendo aos deuses pela possibilidade do momento. Precisa falar que gamei?? Preço USD140, que falta faz um din-din!!! rs

Bem amigos, foi uma viagem e tanto pela região com os mais diversos vinhos, estilos e preços neste 15 vinhos provados da Campagnola e agora da Speri e uma conclusão; quem ainda seguir com preconceitos a respeito deste pedaço de bom caminho está perdendo “big time” e sejam estes, sejam outros rótulos, explore!!! Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana para todos.

 

 

 

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