Tomei e Recomendo

Três Vinhos Que Fazem a Minha Cabeça

Recentemente num gostoso, sempre, Domingo em família aqui em casa tive o privilégio de abrir estes três vinhos que fazem a minha cabeça.

Vallontano L H Zanini Extra Brut safrado, neste caso um 2015. Certamente um dos melhores espumantes nacionais que não faz feio, como a maioria por sinal, perante a concorrência estrangeira nesta faixa de preços. Limitado a pouco mais de 4 mil garrafas e só algumas poucas safras (08,10,11,12,13,15 e 16) no mercado até agora, é um corte clássico de Chardonnay (75%) com Pinot Noir elaborado pelo método tradicional/champenoise. Dois anos de autólise (contato com as leveduras) antes do degorgement (colocação da rolha). Incrível perlage e espuma abundante formam um bonito colar na taça, aromas de brioche compõem com frutos cítricos uma sedutora combinação que nos fazem querer levar a taça à boca sem muita delonga! rs Na boca uma textura deliciosa, cítrico com toque de frutas brancas, as borbulhas intensas “penicam” o céu da boca, como diriam meus colegas e amigos lusos, um verdadeiro gozo que perdura na boca e na memória! Preço na casa das 100 pratas em Sampa, vale cada centavo.

Montesco Água de Roca Sauvignon Blanc já é um habitué por aqui e na minha mesa, sempre que posso peço para alguém me trazer umas garrafas. Clicando aqui dá para ler alguns comentários já realizados, mas este 2017 estava diferente, mais peso e estrutura, álcool bem mais alto do que os primeiros tomados que variavam entre 9,5 a 11% e este, ao que me lembre, bateu os 12%. Continua ótimo, imagino que tenha sido algo a ver com a safra, porém prefiro os de teor alcoólico mais baixo, acho que tem mais a ver com a proposta.

Cara Sur Criolla é mais um daqueles que sempre que posso encomendo com amigos. Não provei até agora qualquer outro vinho elaborado com esta uva que me desse tanto prazer de tomar e é um porto seguro. Também já o comentei diversas vezes então clique aqui para ler mais, porém esta uva está presente toda a costa leste das américas sendo conhecida como Criolla Grande na Argentina, leva o nome de País (Criolla chica) no Chile de onde ainda não consegui gostar de nenhum vinho provado e Mission que é seu nome original trazido pelos colonizadores espanhóis e também encontrada no México e região do Texas nos Estados Unidos. Este Cara Sur é um fetiche vínico para mim, rs, gosto demais. Não é um grande vinho, mas me dá prazer como poucos.

É isso por hoje, achou compra, qualquer um dos três, valem muito a pena e quando lembro deles é que me dou conta do porquê ando por esta vinosfera. Saúde e kanimambo pela visita.

Um Francês no Altiplano Catarinense!

Mais um vinho brasileiro que me impressiona e mais uma grata surpresa na taça, o Elephant Rouge.

Ah, mas esse vinho existe faz tempo podem dizer alguns e sim, existe o nome e o projeto que é do amigo Jean Claude Cara, porém mudou tudo, menos o nome. Há tempos o Jean Claude se aproximou da Larentis em Bento Gonçalves e em parceria produziu um vinho em 2008 e outro em 2011 que levavam esse nome em função de seu restaurante, destino principal do vinho. O primeiro foi elaborado tendo como protagonista a Cabernet Sauvignon associa à merlot e um tico de Pinotage e o segundo seguiu tendo como base a Cabernet Sauvignon porém a Alicante Bouschet  tomou o lugar da Pinotage. Conheci o 2011 e tenho que ser sincero, não fez minha cabeça mesmo sendo um vinho que se deu bem no mercado. Bom, mas a meu ver a fruta muito madura, confitada com taninos algo doces não me entusiasmou, achei um vinho muito tradicional brasileiro, mas que tem seus seguidores. O restaurante foi-se, o Jean Claude foi para Beaune/Borgonha (com períodos por aqui), mas o nome do vinho ficou.

Ao longo do tempo conheci melhor o perfil vínico do Jean Claude, de seu trabalho na Borgonha e achei que este Elephant Rouge 2014 sim, é a cara dele e o novo terroir ajudou muito. Desta feita o parceiro escolhido foi a Villaggio Grando com vinhedos a 1300 metros de altitude no altiplano catarinense em Água Doce, poucos quilômetros de Caçador. Desta feita a coluna dorsal do vinho é a Merlot (70%) associada à Cabernet Sauvignon e 20% de uvas que são o segredo dele e que aguçaram minha curiosidade. Cabernet Franc, Pinot e Marselan me veem à mente como possíveis coadjuvantes nesse blend, será?? Se o Jean fosse João, eu acreditaria em todas essas e mais ainda ou Petit Verdot ou Alicante Bouschet, mas como é Jean … sei lá! rs

Aquela elegância, finesse, equilíbrio e sofisticação que tanto marcam os bons vinhos da Borgonha estão claramente presentes neste vinho, é a marca que Jean Claude quis trazer a este vinho e o terroir da Villaggio Grando ajudou. A fruta presente é fresca, teor alcoólico com  educados 12,5%, a acidez pede a segunda taça e comida, um vinho que foi se abrindo na taça com o tempo e com isso novas sensações, meia hora de aeração é certamente algo que eu recomendaria neste momento de sua vida ou, se não tiver pressa, deixa ir abrindo com calma na segunda e terceira taça. Frutos silvestres frescos, corpo médio, paleta olfativa bem frutada e viva com sutis notas terrosas e algo tostadas, taninos finos e aveludados, final de boca algo apimentado de média persistência, rico, um vinho que me deu enorme prazer tomar e certamente abrirei outras pois mostrou estrutura com potencial de evolução.

De acordo com o Jean é vinho para dez  a quinze anos de guarda e guardarei algumas para checar isso. Não mais dez anos, mas uma a cada 2 por mais seis acho que rola porque depois dos 70 não vou é guardar mais nada! rs O vinho passou por 24 meses de barrica, mas pela sutileza acredito que devam ter sido de segundo ou terceiro uso, com eventual pequeno porcentual de novas, madeira bem trabalhada esta.

Tomado com amigos com quem gosto de fazer o teste de percepção de valor, pessoal chutou entre 90 a 110 pratas. Bem perto da realidade que é entre 100 a 110 Reais em São Paulo e acho que vale.

Bem, por hoje é só, boa semana e bons vinhos. Se não tiver na adega passa pela Vino & Sapore que sempre tenho boas garrafas por onde escolher e com preços camaradas. Saúde

Pinot Bom de Preço e Bom de Taça!

Pinot Noir bom abaixo das 60 pratas não é fácil de encontrar em terras brasilis seja lá de que origem for. Ou é ralo demais ou extraído demais difícil encontrar vinhos equilibrados. Normalmente quando é barato não possui qualquer característica da casta e já me perguntei algumas vezes o que diabo colocam na garrafa, porque Pinot tinha a certeza que não era. Gostava bastante do Maycas Sumaq que era fora da curva, mas não está vindo mais para o Brasil ou mudou de importador não sei ao certo, só sei que fiquei sem! rs Bom e abaixo das 60 pratas, valia muito a pena e tinha que encontrar um substituto à altura, porque barato e ruim tem de montão.

Depois de um bom período sem garimpar nada que valesse a pena, eis que me chega o Nancul Elegant Reserva Pinot Noir que veio atender a meus anseios. Os vinhos da Nancul têm como seu ponto forte uma boa relação Qualidade x Preço e não tem nenhum que eu tenha provado que negasse fogo dentro de sua faixa de preço, este não nega a marca que carrega.

O produtor é Hugo Casanova, uma vinícola do Maule que produz diversas marcas e está presente em todas as faixas de preço com vinhos sempre sempre bem feitos e agradáveis, especialmente nas gamas de entrada. Este Pinot segue essa receita, sendo muito balanceado sem extrações excessivas para que as características de cor e taninos fossem mantidos. Apenas 60% do vinho passa por barricas francesas, que imagino sejam de segundo ou terceiro uso, por cerca de 4 meses o resto em tanques de cimento para preservar a fruta. Não pretende ser um grande vinho, mas é “cumplidor” nesta faixa de preços, fruta abundante, paleta aromática viva, algum floral, mas é na boca que ele mostra ao que veio. Muito agradável de tomar, com taninos sedosos bem típicos da casta, algo de framboesa/cereja madura, boa textura com rico meio de boca, leve sem ser ralo, finalizando com um certo frescor e alguma especiaria.

Gostei, acompanhou muito bem o risoto de calabresa e chouriço português com um toque de pimenta biquinho e finalizado com parmesão ralado que improvisei neste último Domingo. Era para ser de funghi, mas as formigas chegaram antes de mim! rs Enfim, deu certo e certamente será um vinho que frequentará mais minha taça e minha mesa. Preço na casa dos 55 a 60 Reais, aqui em São Paulo, nas boas casas do ramo e restaurantes, recomendo.

 

 

Trebbiano & Bacalhau?

Olha, apesar de ter ficado só nos bolinhos de bacalhau, a prova me faz concluir que, definitivamente SIM! rs Para tudo o que é fritura creio que um vinho branco de acidez impactante vai sempre muito bem e tradicionalmente minha escolha recai sobre um vinho verde.

Neste caso os bolinhos foram assados no forno, não fica tão bom nem tão “bronzeado” mas…, porém o resultado teria sido o mesmo, quiçá melhor. Quis enovar,  afinal “navegar é preciso” e eu gosto (rs), tendo gostado do resultado porque este Arenile Trebianno d’Abruzzo produzido pela Cantina Ripa Teatina, uma cooperativa de cerca de 400 viticultores, nos entrega essa acidez bem característica da casta e casou muito bem com os bolinhos.

Esta garrafa é de 2016, tendo se mostrado com uma cor algo mais dourada, nariz cítrico mas tímido, na boca médio corpo, seco, notas amendoadas, maçã verde, porém no final de boca uma “limonada” bem fresca se faz presente dando um up no conjunto, um vinho muito agradável e bem balanceado que se deu bem com os bolinhos e certamente irá bem com outras versões de pratos com bacalhau como pataniscas, Bacalhau na brasa, à Brás, à Gomes de Sá, pil-pil, ouse!

A Trebbiano disputa com a Pinot Grigio a coroa de uva branca mais plantada na Itália e está presente em mais de 80 docs. Na França é conhecida como Ugni Blanc sendo muito usada na produção de Cognac e Armagnac. Na Emilia Romagna é base do azeite balsâmico, ou seja, uma uva bastante versátil que se dá bem numa variedade de terroirs. Eu gosto dos vinhos que trazem a influência do mar Adriático e minha sugestão é buscar exemplares dessas regiões. Este está na casa dos 78 a 84 Reais no mercado de São Paulo e é um bom exemplar da casta. O mesmo produtor elabora um delicioso Pecorino sobre o qual falei aqui, prove ele também, uma dupla que vale muito a pena.

 

La Carrasca 2010, Um Grande Reserva Espanhol

Este vem de La Mancha (região central vermelha no mapa ao lado), a maior região produtora de vinhos na Espanha, e por isso bem diferente dos vinhos de Rioja e Ribera regiões que muitos de nós estamos mais acostumados a ver com denominação Grande Reserva. De La Mancha, a grande maioria dos vinhos são Jovens (sem madeira) ou Roble (permanência mínima em barrica de carvalho de 60 dias) ou Crianza (período mínimo de envelhecimento de 24 meses, dos quais pelo menos 6 em barricas de carvalho), de preços mais acessíveis e que nos últimos anos têm melhorado e muito o nível de qualidade.

Vemos poucos Gran Reservas (período mínimo de envelhecimiento é de 60 meses, dos quais ao menos 18 deverão ter sido de barricas de carvalho e em garrafa o restante do período) por aí e portanto fiquei curioso para conhecer mais e provar óbviamente! rs Afora uma exigência menor de tempo em barrica que Rioja e Ribera, aqui também a diversidade de uvas homologadas é bem maior > Bobal, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Cencibel (Tempranillo), Garnacha, Graciano, Malbec, Mencía, Merlot, Monastrell, Moravía dulce o Crujidera, Petit Verdot, Pinot Noir y Syrah e aprodutividade maior. Consequentemente, nos deparamos com melhores preços e uma maior diversidade de estilos já que os produtores estão mais livres para criar.

Este Marqués de La Carrasca Gran Reserva 2010 é elaborado pela Bodega Lozano, uma empresa familiar (desde 1853) que está já na quarta geração em atividade. Um corte de 80% Tempranillo com Cabernet Sauvignon que passou por 24 meses de barrica, parte americana e parte francesa, e o restante dos 36 meses em garrafa nas adegas antes de sair ao mercado em 2015. Tomado em conjunto com amigos, a avaliação foi bastante positiva tendo sido ressaltado que para um Gran Reserva espanhol a madeira estava muito bem trabalhada e bem integrada ao conjunto o que me leva a crer que ao menos parte desse estágio em carvalho tenha sido em barricas de segundo uso.

O vinho se mostrou bastante frutado, com algumas notas mais químicas (acetona) tanto no nariz quanto em boca, taninos muito finos e bem integrados, macio, médio corpo, com uma gostosa acidez de final de boca e boa persistência. Fácil de agradar, teor alcoólico educado (rs) de 13.5% em perfeito equilíbrio, um vinho que em São Paulo está na casa dos 110 Reais o que, para um Grande Reserva espanhol, é uma tremenda barganha que vale bem o preço, mas longe dos vinhos de grande estrutura e potência, se você gosta desse estilo este não é seu vinho. Este é um vinho para quem valoriza elegância, se você gosta então vai se dar bem com ele.

Kanimambo pela visita, saúde

Chenin Blanc com Risoto de Camarão, Brie e Limão Siciliano

Pouca gente conhece a Chenin Blanc o que é uma pena, é um vinho muito fresco e vibrante que acompanha maravilhosamente frutos do mar e peixes. Originária da região do Loire onde se produzem alguns néctares tanto secos como de sobremesa e espumantes, especialmente na AOC de Vouvray, se deu muito bem na África do Sul onde existe um pouco de tudo entre eles alguns ótimos vinhos como o deste produtor KWV o qual produz também um bom pinotage. A Chenin chegou na África do Sul com os Huguenots expulsos da França por motivos religiosos em 1580, tendo sido uma das primeiras cepas a florescer por lá onde também era conhecida como Steen.

Por muitos anos a superprodução e falta de controle nos vinhedos geraram vinhos de qualidade duvidosa, mas de uns 15 anos para cá novos investimentos, redução na produtividade dos vinhedos e tecnologia aplicada mudaram essa onda. Hoje há muitos grandes vinhos elaborados com Chenin Blanc na África do Sul e normalmente com preços mais acessíveis que os nobres do Loire. Entre eles gosto muito deste KWV Classic Collection que volta e meia habita minha taça.

Neste final de ano, noite de reveillon, preparei um jantar especial a dois, um delicioso (humildade sempre foi meu ponto forte! rs) Risoto de Camarão com Brie e Limão Siciliano que harmonizei com esse vinho de leve nuance floral, crocante, fresco, com notas cítricas bem presentes, maçã verde, ótimo meio de boca e persistente final com um toque mineral que ornou à perfeição. Está certo que a presença de minha loira, a luz de velas e mais uma passagem de ano juntos (a 42º), ajudam a tornar o momento especial, mas a harmonização atingiu seu objetivo com louvor porque, acima de qualquer coisa, ela gostou!

Explorem a Chenin Blanc sul africana, para quem gosta de vinhos brancos e desta casta, acredito que o resultado será muito positivo e eu recomendo muito esse que anda na casa dos R$129 aqui em São Paulo.

Dicas do risoto? Nada complicado. O caldo faço com os rabinhos do camarão, para acrescentar sabor, e um tablete daqueles prontos. Os camarões tempero antes com limão, tico de sal e um pouco de salsinha e deixo descansar por uma meia hora. Refogo cebola, alho e quase todo o camarão ( os maiores reservo para finalização) que ao ficar rosadinho retiro e guardo para acrescentar mais ao final para não cozinhar demais. Arroz, vinho branco e caldo, colher grande manteiga, aos poucos ir acrescentando as raspas do limão (eu também coloco um tico do suco para aumentar a acidez), quando o arroz começar a ficar no ponto acrescento os camarões e finalizo com queijo Brie para dar aquela cremosidade. Na frigideira coloco um tico de manteiga para grelhar os camarões maiores que vão na finalização do prato. É isso, facinho, facinho, mas não esqueça que pilotar o fogão esquenta, mantenha a taça do “chef” abastecida, porque taça vazia dá azar e cozinhar sem vinho não rola e aí o prato pode desandar!! rs

Saúde, kanimambo pela visita e até a próxima!

 

Nebbiolo D’Alba no Frutos do Garimpo!

Pensamos em Nebbiolo e primeira coisa que nos vem à cabeça são os famosos e caros Barolos! Falamos do Piemonte, norte da Itália, onde foi identificada no século XIII. Seu nome advém de nebbia (neblina) que é muito presente na região. Uva de longa maturação que possui uma forte identificação com seu terroir piemontês não se dando muito bem fora de sua região. Um ou outro exemplar aparece em outros países, inclusive Brasil, mas não é comum. Mesmo na itália não se encontra fácil e certamente sem o mesmo destaque que no Piemonte, porém na região da Lombardia (Valtellina) se encontram alguns ótimos vinhos e por lá a uva é conhecida por outro nome, Chiavennasca.

Afora os Barolos, a nebbiolo também é a alma dos Barbarescos outro ícone regional da uva, porém podemos encontrar muito bons nebbiolos em toda a região, especialmente em Gheme, Gattinara, Langhe e Alba de onde vem este bom exemplar e, tradicionalmente, com preços cerca de 50% abaixo das duas principais regiões produtoras.

Cascina Boschetti Gomba Nebbiolo d’Alba “Albié” 2015 é uma versão mais pronta do que os Barbarescos e Barolos, mas não por isso menos prazerosa de apreciar. Das colinas de Cuneo, passa 12 meses em barrica e posteriormente por um período em tanque de inox antes de ser engarrafado e onde permanecerá por seis meses descansando em cave antes de sair ao mercado. O solo arenoso com calcáreo lhe aporta uma acidez e frescor que se sente especialmente no final de boca.

Frutos do bosque bem presentes no nariz, nuances florais, um vinho de corpo médio, madeira bem integrada, com frutas frescas, notas de especiarias, riqueza de meio de boca mostrando uma certa complexidade típica da uva, taninos presentes e bem integrados e acidez agradável, bem balanceada e notas terrosas. Uma bela companhia para uma polenta mole com ragu de carne ou calabresa! Aguei!!

Esse foi mais uma das pepitas que caíram em minha peneira da Confraria Frutos do Garimpo e espero que apreciem tanto quanto eu. Kanimambo pela visita, sáude e uma ótima semana.

Mestizaje 2011, um Bobal de Fina Estirpe.

Uma Espanha diferente na taça, Mestizage 2011, um corte de  85% Bobal (vinhedo com mais de 50 anos), 9% Tempranillo, 3% Cabernet Sauvignon, 2% Garnacha e 1% Merlot de Pago El Terrerazo perto de Valencia. Um Pago é uma classificação espanhola que trata de uma microrregião, neste caso 87 hectares, de excepcional qualidade independentemente de estar, ou não, dentro de uma DOC, são 18 no total. A Bobal é uma uva bastante comum, porém poucos são elaborados como varietais, lembrando que com 85% ou mais de uma uva o vinho é considerado um varietal, sendo mais presente em cortes onde aporta cor, taninos e acidez.

A uva é nativa da região espanhola de Valência, Urquiel-Rellena, La Mancha e é uma das uvas mais apreciada no país, segunda tinta mais plantada, possui caráter denso e rústico. Ao longo do tempo a uva Bobal conquistou o apreço dos produtores contemporâneos por oferecer vinhos de boa qualidade, taninos abundantes, cor escura (alto teor de resveratrol), com muito boa acidez e tudo isto se encontra presente neste vinho que, após sete anos está, em minha opinião, em seu apogeu, mas ainda vai dar o que falar por mais um par de anos.

Elaborado pela Bodega Mustiguillo, fermentou em barrica e depois estagiou em tanques de aço inox e barricas francesas por 9 meses. A idade lhe fez muito bem! A fruta está bem presente numa paleta olfativa de boa intensidade, na boca deliciosa textura com bom volume, notas terrosas, frutos negros, taninos finos bem integrados, acidez viva, final de persistência média, um vinho que dá um prazer enorme de tomar. Tinha tomado faz tempo, mas está melhor! Uma pena que se acabou!!

Saúde, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou em qualquer outra curva de nossa vinosfera!

Wine Tasting Best In Show!

Já escrevi um post sobre os campeões de bilheteria na Wine Tasting da Vino & Sapore que você pode ler clicando aqui, já este é um post sobre o vinho que mais produziu uaus nesse Sábado, o Best in Show entre diversos muito bons vinhos. Na escolha dos vinhos junto com o amigo e parceiro Juan Rodriguez da Almeria, optamos por escolher um vinho algo mais caro porém com, obviamente, a qualidade que o respalda. Estoquei pouco, imaginei que não sairia tanto mesmo considerando que certamente agradaria a grande maioria. Não é que acabou e ainda esta semana estou atendendo alguns pedidos que não pude atender no dia!

O vinho em questão é espanhol, a praia do Juan, de Ribera del Duero e de vinhedos orgânicos (reconhecido em 2004) e parcialmente bio que é um plus no final das contas. É o Domínio de Basconcillos Eco 6 Meses, um vinho 100% Tempranillo ou Tinta Fina como ela é conhecida na região. Leveduras selvagens, apenas seis meses de barrica para lhe dar aquele algo mais sem atrapalhar a fruta. Bem aromático com notas de frutos vermelhos e um sutil abaunilhado.  Ameixa, cereja, médio corpo para encorpado, ótima textura, bom volume, muito rico meio de boca, complexo, alguma especiaria (pimenta), taninos finos ainda bem presentes mostrando que ainda há muita vida por viver nesta garrafa. O final de boca apresenta uma acidez mais marcante e algumas notas minerais em função do solo calcário da região e uma maior altitude dos vinhedos. Um vinho marcante com a personalidade da região mostrando-se um pouco mais austero, porém sem perder a elegância que o caracteriza.

Um vinho que por aqui em São Paulo anda na casa dos 150 a 165 Reais o que está em linha com a qualidade entregue. Um belo vinho para comprar e curtir sem medo de ser feliz.

Kanimambo pela visita, saúde

Dois Blends Inusitados!

Tem qualidade em toda a faixa de preço, mas é lógico que nas mais baixas esse garimpo tende a produzir resultados menos abundantes. Por filosofia, apesar de adorar tomar grandes vinhos como todos, adoro fuçar o mercado por vinhos que a maioria possa tomar e neste fim de semana provei dois vinhos sob o mesmo rótulo que me agradaram bastante e gostaria de compartilhar com os amigos. São vinhos que ficam numa faixa de preço entre 45 a 50 Reais, faixa esta que tradicionalmente traz vinhos algo mais ligeiros e aí minha primeira surpresa, especialmente no branco. A segunda surpresa é com referência aos blends, bastante inusitados, ambos sob um mesmo rótulo, La Pradera produzido em Mendoza pela Bodega Toneles que acredito sejam vinhos para serem tomados jovens, entre este e o próximo ano.

Blend de Blancs 2017 – vejam só, Viognier + Torrontés + Chenin Blanc! No nariz aquele aroma floral da Torrontés bem presente, na boca vem o frescor da Chenin com a Viognier dando-lhe corpo, ótima sacada do enólogo que conseguiu elaborar um vinho frutado, fresco, mas de mais corpo do que normalmente se esperaria num vinho nesta faixa de preço. Um vinho muito agradável e fácil de se gostar, inclusive para quem tenha algo mais de litragem. Para um apreciador de brancos como eu, uma surpresa muito agradável

Blend de Tintas 2017 – mais uma vez um corte diferente, Bonarda + Merlot + Syrah sem nada de malbec! rs Outra coisa que me deixou algo com um pé atrás antes de abrir, o vinho é elaborado com maceração carbônica o que tradicionalmente não me encanta pois por muitas vezes me deparo com um certo gás carbônico inicial que me incomoda. É uma maceração muito comum na Espanha para vinhos jovens sendo que o mais famoso entre nós é o Beaujolais na França. Aqui não senti traços disso e tão pouco dá para obter grandes recados das uvas lá presentes, o corte está muito uniforme, uma uva não sobressai sobre as outras, existe equilíbrio numa harmonização muito bem conseguida. Aqui impera a fruta, o frescor, um vinho descompromissado, taninos bem macios, cor clara, para tomar refrescado (15º) e de golão. Gostei, ótimo para o verão que está por chegar.

Saúde, kanimambo pela visita e uma ótima semana