Tomei e Recomendo

Barão do Sul Garrafeira 2002, um belo tinto

               A Cachamoa, é um produtor Português da região de Terras do Sado que nos trás dois ótimos vinhos básicos, muito corretos que são o Barão do Sul tinto e branco os quais recomendei quando da coluna sobre vinhos Portugueses. São campeões no quesito custo x beneficio, vinhos de qualidade dentro de sua faixa de preços e próprios para o dia-a-dia. Após o grande sucesso alcançado pelo Barão do Sul Reserva, a vinícola lança uma edição limitada da versão Garrafeira 2002, seu top de linha.

               Deste topo de gama, a vinícola produziu somente 6.266 garrafas , todas numeradas, disponíveis para venda em todo o mundo! A Lusitana, em função da ligação com o produtor, importa com exclusividade o maior número possível delas para que você possa garantir a sua. O vinho foi produzido a partir das castas Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão, todas provenientes da propriedade em Azeitão, ali entre Lisboa e Setúbal onde, por sinal, existe um queijo regional absolutamente divino. Após três anos, o vinho fica pronto e é colocado no mercado.

               Para apreciá-lo em sua melhor forma, você também precisa ser paciente, decantando-o e deixando-o respirar por no mínimo 50 minutos. Surpreenda-se! A importadora descreve este vinho como de aromas complexos, cheios de notas frutadas e vegetais; muita elegância na boca, com corpo presente e pujante. Desenvolve aromas terciários intensos, nomeadamente o café torrado. Por ser um vinho de grande personalidade e complexidade, aconselhamos a escolha de pratos igualmente marcantes, como um pernil assado, arroz de pato, bacalhau a Gomes de Sá, etc. Temperatura de consumo aconselhada: 17 ºC

  • Produtor – Cachamoa
  • Região –  Terras do Sado
  • País – Portugal
  • Composição uvas – Corte de Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Castelão
  • Detalhes Produção – 18 meses em barricas de carvalho Francês. E 18 em garrafa, quando então sai para o mercado
  • Teor de álcool – 13.6º
  • Safra – 2002
  • Preço médio em Março/08 – R$60,00

0-barao-garra-custom.jpg Foi um vinho que me impressionou de diversas formas. Primeiramente na prova, um vinho realmente complexo, de muito boa estrutura e equilíbrio, gordo, taninos presentes mas de grande elegância, bom nariz com boa  paleta de aromas que se confirmam na boca com toques balsâmicos e boa acidez resultando em um vinho fresco que convida a comer. Vinho de boa persistência que nos dá enorme prazer ao tomar e nos deixa um gostinho de quero mais na boca. Importante frisar que o vinho tem teor alcoólico comportado e muito bem incorporado, o que é um fator importante a se ter em conta nos dias de hoje.  Todas esta satisfação e prazer, são elevados à enésima potência quando nos é anunciado o preço, R$60,00. Não existe nada deste calibre a este preço no mercado. Definitivamente, não de Portugal! Um belo vinho, que me entusiasmou e que recomendo a todos os amigos de Falando de Vinhos, certamente uma Boa Compra e um vinho diferenciado. Decididamente, um vinho com personalidade própria que me deu enorme satisfação ao beber. A decantação e sugestão de pratos que a importadora fornece, são uma bela dica a ser  seguida, especialmente o arroz de pato e o pernil assado, aos quais adicionaria uma bela perna de cabrito ou, para quem gosta de pratos mais exóticos, um javali na pucúra!  $ smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gif 

Vinhos Argentinos, na Argentina.

               Existem vinhos na Argentina que, por alguma razão não aparecem por aqui. Talvez até haja importadores trazendo estas preciosidades, mas desconheço e não os vejo em lojas em São Paulo ou aquelas que trabalham com vendas on-line. Como tive algumas consultas sobre este tema e, também, sobre que vinhos comprar no exterior, aqui vão algumas dicas sobre o que buscar por lá em sua próxima visita ou listar para seu amigo do peito que esteja indo:

              A Bodega Del Desierto elabora vinhos muito bons com preços muito acessíveis. Da sua linha 25/5, gostei muito dos dois que tomei, o Cabernet Sauvignon e o Chardonnay, mas existem outros varietais que devem ser interessantes, em especial o Cabernet Franc que é muito elogiado. Ainda na linha dos vinhos baratos e muito bons, a Família Cassone produz excelentes vinhos por preços inacreditáveis. Eu tomei dois da linha Finca Florencia, o Malbec e o Merlot, e fiquei bastante impressionado pela elegância e harmonia de ambos, especialmente o Malbec já que o Merlot é mais austero. O Posta Del Vinatero Malbec 2005 Angel Paulucci que tomei, também me agradou bastante apesar de ser num estilo mais carnudo e potente. Tomei-o acompanhando uma bela perna de cordeiro na casa de um amigo e a harmonização ficou perfeita. Uma boa opção para quem tenha preferência por este estilo de vinho. Patron Santiago, da Finca El Zorzal, é um outro rótulo muito interessante, apesar de um pouco mais caro do que os outros aqui mencionados,  do qual eu tomei um muito bom, Cabernet Sauvignon 2002.  Tomei, ainda, um Stradivarius, que deveria ser um tipo de um Porto, mas elaborado com Malbec. Óbvio que não tem nada a ver com um Porto, mas é muito interessante e combinou muito bem com uma torta de chocolate que foi servida. Algo diferente! Para finalizar, um vinho curinga, para aquelas refeições onde o pessoal pede pratos dos mais variados, é o Saint Felicien Cabernet/Merlot produzido por Catena Zapata. Um vinho muito agradável, equilibrado muito redondo que já provei em diversas ocasiões e de safras diferente, porém sempre confiável e de fácil harmonização.

               O que comprar por lá? Bem, aí é muito difícil e uma decisão muito pessoal de cada um. Depende muito do caixa disponível. Primeiramente, é importante saber que pela legislação Brasileira, se pode trazer até 12 garrafas de vinho desde que dentro de sua cota de USD500 (compras no free de chegada não entram nessa cota e são uma boa opção. Vale a pena checar antes pela internet). Tendo dito isso, você pode trazer qualquer um dos vinhos acima, porque aqui não os encontrará e, com isso, estará ampliando e diversificando seu conhecimento de vinhos argentinos e surpreendendo seus amigos enófilos, ou qualquer outro que eu listei anteriormente em meus posts recentes sobre vinhos Argentinos. Pessoalmente, quando compro vinhos no exterior, o faço com rótulos que, normalmente, eu não tenha condições financeiras de comprar aqui, mesmo que só possa trazer meia dúzia. Um vinho de R$30 ou 50 tenho mais facilidade de comprar, já um de R$150 ou 200 não. Considerando-se que os vinhos lá custam algo como 50% do preço aqui nas lojas, a economia real é maior nessa faixa mais alta e me permito, conseqüentemente, tomar vinhos melhores. Por cerca de R$45 a 50 compro um Angélica Zapata, Por R$70 um Quimera, Por R$40 um Clos de Los Siete, um Rutini Cabernet/Malbec por R$30, e por aí vai.

              É isso, boas compras, veja algumas dicas de onde comprar em meu post “Comprando Vinhos no Exterior” e aproveite com sabedoria. A Argentina tem inúmeros rótulos de boa qualidade que merecem ser conhecidos, somente listei uma pequeníssima parte desse universo em todos estes posts. Aventure-se, corra riscos, desbrave essa imensidão de sabores e aromas. Ah, não esqueça do Montchenot Gran Reserva, vinho diferenciado, meio cult, de grande complexidade e elegância que merece ser conhecido. Vinho de guarda e se você encontrar da safra de 98 compre, é garantido e o preço deve andar por volta dos R$30 a 35,00, uma pechincha. Lembrando, vinhos devem ser comprados em lojas em que fique claro que estes estejam sendo bem condicionados preferencialmente longe do sol e em locais refrigerados. Com vinhos de guarda o cuidado é maior ainda, pois são mais suscetíveis aos maus tratos que porventura venham a sofrer. Se já é importante comprar vinhos em lojas idôneas quando em casa, quando no exterior isto é essencial já que não dá para voltar à loja no caso de um eventual problema. Salute amigo e que Bacco lhe ilumine o caminho com boas escolhas!

CORREÇÃO – Encontrei hoje (1/03/08) os vinhos da Familia Cassone em São Paulo, realmente na Granja Viana em Cotia, na Casa Palla, veja dados em “Onde Comprar”. O Finca Florencia está por $29,00.

Uruguai – Dominio Cassis, uma agradável surpresa

                Recentemente tive uma agradável surpresa ao participar da apresentação de uma vinícola recém chegada ao País. Pioneira, de uma região de colinas, próximo a La Pedrera e La Paloma ao norte de Punta Del Este e a cerca de 250kms de Montevideo, denominada Rochas. Foi nesta região de solo pedregoso, baixa fertilidade, pouca chuva e boa drenagem, que o enólogo Juan Ferreri se uniu a Carlos Tomasi para, em 1999, plantarem o primeiro vinhedo e a base do que é hoje a Bodega Domínio Cassis. Distante apenas 10 kms do do Atlântico, se beneficiam das brisas marinhas constantes, para amenizar temperaturas refrescando as noites e ajudando na manutenção da saúde do vinhedo que tem manejo orgânico.  Aqui se plantaram mudas de cepas com clones especialmente estudadas, selecionadas e totalmente adequadas ao tipo de solo existente na área. Resultado, um mix de parreirais de Cabernet Franc, Tannat, Cabernet Sauvignon e Syrah.

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             Seus vinhos são muito bem elaborados, com um claro projeto de qualidade no lugar de quantidade, o que se vem comprovar na boca ao provar seus saborosos e diferenciados vinhos. A primeira coisa que se pensa ao ser convidado para degustar vinhos Uruguaios, é que se vai provar basicamente Tannat e o tradicional corte de Tannat/Merlot,varietais de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot ou Syrah, um Torrontés enfim, variações dessa linha de tendência. Pois bem, eis que nos deparamos com a primeira grata surpresa desta degustação. A criativa diversificação de cortes e o uso forte da Cabernet Franc na elaboração dos vinhos desta vinícola e, mesmo quando nos deparamos com um Tannat, não é aquela mesmice a que estamos habituados a provar. A segunda surpresa se deve á qualidade provada nos vinhos que comento abaixo e a terceira, que a meu ver é a cereja no chantilly, a estratégia comercial adequada com uma politica de preços sensata e adequada. Vão longe estes nossos amigos, mas vamos aos vinhos!

              De entrada, temos o Eclipse 2006 (12.8º), vinho elaborado com 100% de Cabernet Franc vinificado pela Bodega Tomasi, elaborado com as uvas retiradas da parte mais baixa do vinhedo. Sem barrica e baixa filtragem, é um vinho simples, mas muito interessante com aromas de frutos negros e algo de tostado que se comprova na boca. Vinho bem equilibrado com uma acidez média para baixa, taninos doces e um pouco curto. Vinho básico que entrega muito mais do que os previstos R$17,00 a que deverá estar sendo vendido nas lojas.

              O segundo vinho provado foi o Recuerdo 2005 (13º), um criativo corte de Tannat (50%), Cabernet Franc (47%) e Syrah (3%) com seis meses de barrica produzido com as uvas da região intermediária do vinhedo. No nariz, o primeiro impacto olfativo é meio alcoólico, porém rápidamente dissipado na taça quando sobressai um frutado agradável, sem exageros, com toques de chocolate provavelmente advindos do tempo em barrica. Na boca, não se sente em nada o álcool  que está muito bem integrado e equilibrado, acidez um pouco baixa, persistência média, redondo, formando um conjunto saboroso de se tomar e fácil de agradar. Por cerca de R$23,00, pode variar de loja para loja, é campeão.

                O terceiro vinho foi o Oceánico 2005 (13.5º), um corte de Tannat (50%), Cabernet Franc (40%), Cabernet Sauvignon (6%) e Syrah (4%) elaborado com as uvas mais nobres da parte mais alta das colinas do vinhedo. Sem filtragem e sem clareamento, o vinho é negro opaco e brilhante de corpo médio para encorpado. Taninos finos, acidez muito boa, aromas e sabores complexos, boa persistência, um vinho de muito boa qualidade que entusiasma. Ainda um pouco jovem, certamente evoluirá bem por mais um ou dois anos. Por apenas R$39 a 40,00 é uma verdadeira pechincha, para comprar de caixa! Certamente o campeão da noite no quesito custo X beneficio.

               Para finalizar, um belíssimo vinho, o Abraxas 2002 (13.8º) um 100% Tannat com 18 meses de barrica Francesa de primeiro uso, elaborado com o que de melhor o vinhedo produz e que, somente em ótimas safras será engarrafado. Por enquanto é a uncia Safra disponível.  É um vinho suntuoso, negro, tinge a taça e precisa respirar. Ao final de uma hora de decanter e taça, ainda estava se abrindo, é vinho para alguns anos de guarda, apesar que já pronto para beber, e que valerá a pena conferir em mais um ou dois anos pois terá muito a evoluir ainda. Muito harmônico, taninos finos ainda firmes, aromas complexos, fresco, encorpado, elegante, realmente um vinho do qual se orgulhar e com características diferentes dos outros Tannats 100% que já tomei. Brisa marinha? Solo? É o famoso Terroir em plena atividade! Somente 600 garrafas foram produzidas nesta excelente safra e o preço condiz com tanto requinte e complexidade, em torno de R$120,00. No Portal dos Vinhos, o preço está com uma promoção especial de lançamento, R$95,00, e vale cada gota! Um boa compra a este preço e, como existem poucas garrafas disponiveis, não dá para bobear. Vinho de grande personalidade.

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               São vinhos que me agradaram bastante e que recomendo. Um jeito diferente de fazer vinho, fugindo da obviedade e de modernismos, com preços adequados que podemos pagar. Decididamente não são vinhos comuns. A boa parte da linha de produtos da Dominio Cassis, está disponível na excelente Portal dos Vinhos e na eclética BR Bebidas. Veja endereço e telefone em “Onde Comprar”

Falando de Azeite

                Há cerca de uns 10 dias, fui convidado pela Lusitana de Vinhos & Azeites, para participar de uma degustação de alguns de seus vinhos novos e antigos. Para acompanhar os vinhos, uns queijos muito saborosos para petiscar, especialmente o parmesão, uns azeites que eles também estão importando e um delicioso Panforte que harmonizou muito bem com um bom Porto Ruby. Dos vinhos? Bem, provamos o Terras do Pó, branco, elaborado com a uva Fernão Pires, o Trincadeira Encosta do Estremoz 2004, o Barão do Sul 2005 com algumas alterações no corte, o Herdade Grande tinto 2005, um novo produtor em seu portfolio, o Vinhas Da Ira, um vinhaço, e os vinhos do Porto, Tawny e Ruby, da recém chegada Quinta das Baldias. De todos eles, falarei mais adiante em futuros blogs, mas desde já uma dica, caso você queira dar uma passada por lá, são todos muito bons e a Lusitana tem um histórico de preços justos.

azeite-santa-vitoria-custom.jpgAgora, me encantei com o azeite virgem extra da Casa de Santa Vitória. Bão demais, sô! Não vou negar adoro um bom azeite, está no sangue, e este é realmente muito bom! Mesmo não sendo um “entendido” no tema de azeites, vê-se que há muito esmero na produção deste que é proveniente do olival da propriedade Herdade da Malhada. As melhores azeitonas são selecionadas para confeccionar este azeite, como no vinho, um corte (assemblage) de diferentes variedades de azeitonas (cobrançosa, cordovil e picual) resultando em um produto de bastante complexidade. A extração a frio, por processos unicamente mecânicos, vem agregar qualidade a este néctar com acidez máxima de 0,3%. O resultado final é um azeite com aromas frutados, fresco, suave, elegante com final levemente picante. Por somente R$26,40, excelente preço para um azeite desta qualidade, ligue já para a Lusitana, (11) 4508-8880, e agende uma visita para pegar o seu azeite e conferir os vinhos. Provei e Aprovei, uma delicia e, tenho dito!

Argentina, Vinhos que Tomei e Recomendo – Parte III

                Ultima parte de minhas recomendações de vinhos Argentinos que “Provei e Aprovei”. Entramos na seara de vinhos de excelente qualidade, para curtir em boa companhia, preferencialmente com quem também seja apreciador destes néctares. Serão poucas, mas certamente, excelentes opções. Aqui começa aquele papo de chover no molhado, que critico tanto. Falar, ou escrever, sobre grandes vinhos é sempre complicado, a não ser que se queira cair na retórica, e agregar algo a tanto que já se falou é muito difícil, até porque, em sua maioria, são unanimidade. De qualquer forma, estas são minhas impressões sobre estes deliciosos néctares.

De R$80 a 120,00:

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De Catena Zapata, vem um dos melhores custo x beneficio desta faixa de preços, a linha Angélica Zapata (Portal dos Vinhos e Casa Palla). O Malbec é divino, o Cabernet Sauvignon de grande elegância (ótima promoção na Casa Palla), de ambos prefiro o 2002 que está mais redondo que o 2003. Ainda não provei, mas estão na lista, o Cabernet Franc e, especialmente, o Chardonnay do qual falam maravilhas. É a maestria de Zapata na elaboração de vinhos de grande complexidade e elegância, imperdível. O Clos de los Siete 2006 (Grand Cru) um potente e complexo corte de Malbec/Cabernet Sauvignon e Merlot produzido pela Bodega Monteviejo um projeto Francês sob a batuta do celebrado Michel Rolland.  Decante por uns 30 minutos e tome a cerca de 16% para domar este denso e encorpado vinho. Se encontrar uma safra mais antiga, 2004 ou 5, prefira, estará mais no ponto. Menos conhecido, o Altimus 2004 (Portal dos Vinhos) de Michel Torino é o topo de gama deles. Um vinho inebriante com um corte diferenciado de Malbec/Merlot/Cabernet Sauvignon e Bonarda, podendo a composição e participação porcentual de cada cepa, variar de ano a ano em função das características de cada safra. Muito elegante, harmônico, equilibrado, ótima paleta aromática, taninos finos e aveludados, é um vinho que me agrada muitíssimo e que tem um custo x beneficio incomparável.

                Ainda nos vinhos diferenciados, um ícone Argentino quando de fala de vinhos varietais elaborados com a uva Bonarda é o Nieto Senetiner Bonarda Partida Limitada (Portal dos Vinhos com um excelente preço). Inicialmente uma uva sem grandes atrativos gerando vinhos de mesa de baixa qualidade e muito rústicos, este é um exemplo do que se pode desenvolver com muito estudo, conhecimento, investimento e tecnologia. Não tomei o 2005, que é o que está disponível hoje no mercado, mas o 2002 é uma obra de arte, um grande vinho que deve constar da “wish list” de qualquer enófilo.  Achaval-Ferrer é uma Bodega suigeneris que já começou com vinhos topo de gama e, somente a posterior, é que elaborou vinhos mais “básicos”.  Interessante este conceito em que se inicia por um patamar altíssimo de forma a se estabelecer a excelência como parâmetro comparativo, gostei. Resultado, produtos de altíssimo nível de qualidade aclamados por críticos do mundo inteiro. O Achaval-Ferrer Malbec (Expand), é o melhor varietal 100% desta cepa que já tomei. Vinho encorpado, robusto, sem perder a maciez, taninos finos e aveludado, complexos aromas, grande persistência, explosão de sabores intensos na boca, boa acidez, elegante num conjunto diferenciado de estilo único, dentro do que já tomei. Sugiro tomar com um mínimo de três anos da safra, melhor com uns cinco anos de garrafa, e decantar por uma meia hora.  Nesta faixa de preços, ainda, existem alguns outros rótulos que, apesar de ainda não ter provado, estão todos em minha “wish list” e são unanimidade de qualidade; Luca Syrah, Humberto Canale Gran Reserva Merlot, Benmarco Malbec, Zucardi Q Tempranillo, Barda Pinot Noir e Gala 2 de Luigi Bosca

Acima de R$120,00:

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Nesta faixa de preços, menos acessível para nós pobres mortais, existem alguns néctares que fazem frente a qualquer grande vinho do mundo. Alguns eu listarei por reconhecimento à critica e suas avaliações: Catena Alta Malbec e o Cabernet Sauvignon, Riglos Gran Corte, Cheval des Andes, Cobos, Cinco Tierras Gran Reserva, Suzana Balbo Brioso, Cadus, Benmarco Expressivo, Magdalena Toso, Poesia, Nicolás Catena Zapata, Beso de Dante, Alfa Crux Malbec, Noemía, Zuccardi Zeta, Mendel Unus, Flechas de los Andes Gran Corte, Vistalba Corte A, Val de Flores Malbec, Achaval-Ferrer Mirador e Altamira, Chacra 32 Pinot Noir, entre muitos outros. Dos grandes vinhos Argentinos nesta faixa de excelência, tive o privilégio de tomar e posso recomendar, como se  de minha indicação precisassem, sem receios os seguintes néctares:

Achaval-Ferrer, Quimera (Expand), com outro significado na mitologia Grega, em Português a palavra quimera significa produto da imaginação, fantasia, sonho e é isso que o vinho é.  Nome muito bem escolhido para um vinhaço que busca a perfeição. Corte de Malbec/Cabernet Sauvignon/Cabernet Franc e Merlot, é  produzido com vinhas velhas de baixa produção o que equivale dizer, neste caso, que para cada garrafa se necessita de fruto de duas plantas. Cor escura, vinho denso e intenso em tudo, na cor, nos aromas e na boca. Encorpado, gordo com taninos finos num final de boca sedoso, longo e reflexivo. Com álcool de 13 a 13.5º, dependendo da safra, muito comportado e bem equilibrado, é um deleite para os sentidos. Vinho para decantar por volta de 45 minutos e tomar com o mínimo de 4 a5 anos da safra para poder desfrutar de todo o seu potencial. É um vinho que não se deve ter pressa para tomar. Tomei o 2003 faz três meses, dava para esperar mais um ano, ou dois, tranqüilamente, mas já estava uma maravilha. Vinho de longa guarda.

Catena Zapata Estiba Reservada Agrelo (Mistral), uma obra prima do gênio Catena Zapata. A elegância em pessoa. Muito equilibrado, bom corpo, estruturado, apetitoso com boa acidez e final de boca longo. Aromas complexos, daqueles vinhos que você toma e fica curtindo os sabores bem depois do gole já ter descido, deixando na boca aquele gostinho de quero mais. Tomei o 2002 que estava uma delicia, me encantando por sua sutileza e toque aveludado. Uma sedução, um vinho apaixonante que encanta ao primeiro contato!

Iscay um corte de Malbec e Merlot produzido pela Bodega Trapiche e seu topo de gama. Inicialmente desenvolvido com a consultoria de Michel Rolland, é o vinho ícone do produtor e um grande vinho. Carnudo, encorpado, denso, quase mastigável. Muito longo e concentrado, é de grande complexidade aromática, rico em sabores e de grande persistência.  Um vinho que precisa de tempo para se abrir e demonstrar todo o seu potencial, decantar é obrigatório. Gosto muito, mas é um vinho caro que normalmente só compro na Argentina, e mesmo lá ……!

                 Espero que tenham a oportunidade de curtir alguns destes bons vinhos e que tenham gostado das sugestões. No próximo dia 22, não deixe de passar por aqui e conhecer a Dominio Cassis, pioneira Bodega Uruguaia que chega ao Brasil com produtos diferenciados e boa filosofia comercial.

Endereços e Telefones das lojas/importadoras, aqui mencionadas, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Argentina, Vinhos que Tomei e Recomendo – Parte II

                Como prometido, aqui está a segunda parte desta lista de vinhos Argentinos que “Provei e Aprovei” e, consequentemente, posso recomendar. É de R$30 a 80,00 a faixa de preços onde se encontram belíssimos vinhos com preços razoáveis, alguns deles excepcionais custo X beneficio, dos quais já se obtém muito prazer ao tomar.  Conforme subimos na escala de preços, subimos também no nível de qualidade , é óbvio, mas também somente até certo ponto. Até R$120 isto é bem claro, mas acima deste nível, se sente cada vez menos este efeito já que o marketing começa a ter mais peso. Mas vamos lá a alguns vinhos, já muito interessante e de boa qualidade, que se você ainda não tomou, ponha na sua lista de vinhos a conhecer.

De R$30 a 50,00:

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             Nesta faixa de preços tenho especial apreço pela linha da Trumpeter (Wine House) em especial do Malbec e do corte de Syrah com Malbec que acho estupendo e me encanta, um vinho muito elegante e rico de aromas e sabores. Los Cardos (Gran Cru) que possui um excelente Malbec 2006, de deixar água na boca, assim como o Cabernet Sauvignon sobre os quais teci comentários em post anterior. O Luigi Bosca Reserva (Casa Palla) Cabernet Sauvignon é outro senhor vinho que me atrai muito por sua complexidade e elegância com boa tipicidade da casta. Aliás, falando de Cabernet Sauvignon, o Chakana (Portal dos Vinhos) e o Família Bianchi , são outros belos exemplares para comprovar que a Argentina não é só terra de Malbecs. O Valle Escondido Cabernet 2005 (Expand) é muito aromático e elegante, boa acidez, taninos finos e aveludados, muito saboroso.

               Michel Torino têm uma excelente linha de produtos tendo dois que se destacam nesta faixa de preços que é o Don David Reserva Torrontés (Portal dos Vinhos), uma beleza de vinho e um dos melhores desta cepa na Argentina, e o Malbec também de muita boa qualidade com bastante tipicidade e harmonia num conjunto que agrada muito na boca e têm um preço muito convidativo. Um vinho que me surpreendeu, foi o Amado Sur (Expand) produzido pela Trivento que é um corte, diferenciado, muito bem elaborado de Malbec/Bonarda e Syrah que enche a boca de prazer com muito equilíbrio e harmonia. O Altos Las Hormigas (Portal dos Vinhos) era um vinho do qual nunca tive, ao contrário da critica especializada, satisfação ao tomar. Como sou do tipo persistente, recém provei o 2006 e achei estupendo, muito equilibrado, taninos suaves, um verdadeiro veludo na boca e está por volta dos R$31,00, ou seja, um dos melhores custo x beneficio desta faixa. Ou mudou algo no vinho, ou mudei eu, não sei! O Saurus Pinot Noir (Casa Palla), de uma região onde esta cepa começa a gerar vinhos muito interessantes. Para finalizar, há que enaltecer os vinhos da grande dama do vinho Argentino, Suzana Balbo, uma enóloga de primeiríssima linha que produz uma linha chamada Crios (Confraria do Queijo & Vinho), que é muito boa e, prova de que se podem desenvolver vinhos de ótima qualidade com preços corretos. O Crios Malbec é bom, o corte Syrah/Malbec 2006 me encantou e o Torrontés 2007 uma verdadeira delícia, páreo duro para o Don David Reserva. Para a sobremesa, um colheita tardia muito agradável e balanceado (acidez/frescor/doçura) o Santa Julia Tardio (Expand) elaborado com a uva Torrontés, muito bom para finalizar uma refeição.

De R$50 a 80,00:

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           Três das melhores relações custo x beneficio desta faixa de preços são cortes similares. Acho que começo a demonstrar minha leve preferência por vinhos de corte e de maior elegância, influências do Velho Mundo! Aqui temos muita qualidade e elegância; um corte de ótima qualidade produzido por gente que entende muito do que faz, é o Amancaya 2006 (Casa Palla, com preço incrível). Corte de Cabernet Sauvignon com Malbec com jeito de Bordeaux devido á influência que o Chateau Rotschild traz para esta parceria com Catena Zapata, um vinho de grande classe. No páreo, o Ruttini Cabernet/Malbec 2005 (Wine House) e D.V. Catena (Casa Palla) Cabernet/Malbec 2006. Eis uma interessante prova, ainda vou promover isso, a ser elaborada; Amancaya, D.V. Catena e Ruttini juntos num embate em que, certamente, o grande ganhador será o degustador. Elegante e muito bom, o Petit Fleur 2005 (Grand Cru,) corte de Malbec/Cabernet Sauvignon/Merlot e Syrah que só peca um pouco pelo exagero de álcool, acima de 15º, mesmo que equilibrado. Ainda nos cortes, não deixe de tomar o Trumpeter Reserva 2004 (Portal dos Vinhos), Tempranillo/Malbec e Cabernet Sauvignon, um veludo na boca com muita harmonia de sabores e aromas e o Don David Ciclos 2006 (Portal dos Vinhos) corte de Malbec e Merlot.

              Dos Malbecs, gosto muito do Terrazas Reserva (Casa Palla), um vinho muito constante e saboroso, assim como do Luigi Bosca D.O.C. 2005 (Confraria do Queijo & Vinho) de excelente qualidade, denso, potente com muita personalidade devendo ser decantado por uma meia hora antes de servir. Um dos melhores Malbecs da atualidade, é o Kaiken Ultra (Confraria do Queijo & Vinho), um vinho para quem gosta de vinhos mais potentes e encorpados. Gosto muito também, do Cinco Tierras Reserva Malbec, não sei quem o vende hoje em dia, era a Grand Cru, mas nada souberam me informar e não consta mais do catálogo deles. É um vinho de excelentes qualidades, com bastante tipicidade da cepa, taninos aveludados, um conjunto de grande elegância, um produtor de grande qualidade. Imagino que deva aparecer de novo na mão de outro importador, não deve tardar muito. Um Merlot diferenciado, o Finca Sophenia 2005 (Expand), é uma ótima opção para quem quer conhecer esta uva e suas características Mendocinas. Um belíssimo exemplar de Sauvignon Blanc que me encantou, apesar de um pouco caro por aqui, é o Saurus Select (KMM) da Familia Schroeder.

              Neste próximo dia 20, levo ao ar o terceiro e ultimo post desta série de vinhos Argentinos que Provei e Aprovei. Serão os vinhos de R$80 a 120 e acima deste valor. Vinhos de grande qualidade, que recomendo com a maior tranquilidade, e aqueles que mais busco trazer de fora quando viajo.

Endereços e Telefones das lojas/importadoras, aqui mencionadas, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Argentina, Vinhos que Tomei e Recomendo – Parte I

             Dando sequência ao tema dos vinhos Argentinos, inicio, concomitantemente com a distribuição do jornal com a coluna do mês, as recomendações de vinhos tomados e aprovados com esta lista de vinhos até R$30,00.  É desta faixa de preços que saem os verdadeiros vinhos para o dia-a-dia. Quando algum critico, todavia, dá uma nota ou confere uma avaliação sobre um vinho para o dia-a-dia que vale R$50 ou 60,00 eu me pergunto, dia-a-dia de QUEM? Adoraria que fosse do meu, mas não é assim como não é da maioria dos apreciadores e “tomadores” de vinho. Eu considero vinhos de até R$30,00 como para o dia-a-dia e, preferencialmente, se estiverem ao redor de R$20,00. Para a maioria, vinho de R$50 ou 60,00 já são vinhos de “Fim de Semana”. O grande problema é achar vinhos, chamados corretos e honestos com qualidade aceitável nesses níveis de preço mais baixo. Em minha opinião, é na Argentina que se encontram alguns dos melhores rótulos de vinhos que atendem a esse preceito e que, realmente, devem ser conhecidos, até para quebrar o preconceito de que vinho barato é ruim. Sim a maioria não é grande coisa, acabam sendo muito rústicos, desequilibrados e despojados de qualquer elegância, isso quando não totalmente aguados, mas como venho dizendo, para todas as regras existem exceções e aqui temos várias a considerar.

              Lógico que os ótimos e grandes vinhos se encontram no topo das faixas de preços, mas espero que você se divirta com algumas das boas opções que listo abaixo. São vinhos descompromissados, mas que nos surpreendem exatamente porque pouco esperamos deles em função do baixo valor. Eu gosto de ser surpreendido, receber em troca, mais do que  paguei e, estes vinhos fazem exatamente isto. São vinhos que, tenho a certeza, sepultarão de vez o preconceito para com vinhos baratos onde, existe vida sim senhor. Espero que vocês gostem e aproveitem estas dicas. Como a lista de vinhos é grande, postarei primeiro a faixa de até R$30,00 e na seqüência, em alguns dias, os de R$30 a 50,00 e de R$50 a 80,00,  finalizando com os vinhos entre R$80 a 120,00 e os rótulos mais caros que, na sua maioria, são verdadeiros néctares, no nível dos melhores vinhos do Mundo. Certamente existem muitos mais rótulos que poderiam estar nesta lista, mas como não os tomei, não os posso recomendar. Ainda falta litragem! rsrsrs Também tomei diversos que não achei que tivessem qualidade para constar da lista. De qualquer forma, os amigos estão livres, e bem-vindos, para comentar e adicionar sugestões de vinhos outros que não estes.

Até R$30,00

Pela primeira vez, pensei em abrir uma exceção e iniciar esta lista por “até R$20,00”, mas achei melhor deixar assim por uma questão de padronização da coluna e da listagem geral que estou preparando e que espero disponibilizar neste blog ainda este mês. De qualquer forma, esta primeira parte de sugestão de vinhos, será de vinhos que beiram os R$15,00 (mais ou menos R$1,50 dependendo de onde comprar), mas que surpreendem.

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Começemos pelo Fincas Privadas Tempranillo uma delicia de vinho, fácil de agradar, um vinho correto com tudo no lugar, e o Malbec deles também é muito saboroso. Na mesma linha de preços, os bons Las Moras Malbec e Graffigna Cabernet Sauvignon. Pela qualidade destas dois vinhos e reputação destas Bodegas, creio que deva ser interessante fazer uma experiência e provar alguns outros rótulos destes dois produtores. Ainda nos varietais, a Alfredo Rocca têm um surpreendente Pinot Noir e um bom Malbec. Na linha dos cortes, duas boas opções são o Santa Julia Syrah/Malbec e o Fuzion Tempranillo/Malbec. A maioria deste vinhos, você poderá encontrar em bons supermercados, mas é na Casa Palla e na BR Bebidas que você os achará pelos melhores preços. No caso do Fuzion, somente nas lojas da Expand. Não tem erro, no caso de uma festa, um evento, aquele churrasco com número grande de pessoas a quem você não conhece bem o gosto, sirva um destes rótulos e você estará seguro, quem não é chegado a vinhos certamente elogiará e os “entendidos” de plantão certamente não porão defeito, sem gastar demasiado. Por falar em churrasco, o malbec Barrancas, uma boa opção para um encontro destes, está com um preço estonteante na BR Bebidas, veja a lista de Boas Compras de vinhos Argentinos que publiquei faz poucos dias.

Em uma escala de preços um pouco mais acima, a de R$20,00, mais ou menos R$3,00, encontramos opções de vinhos um pouco mais  elaborados que, mais uma vez, nos surpreendem. É o caso do Leonardo Tempranillo (Confraria do Queijo e Vinho) um encorpado e belo exemplar desta cepa clássica da Rioja Espanhola, mas bem acessível, assim como os Finca Flichman Oak Aged ou Roble (BR Bebidas) com bons Cabernet Sauvignon e Malbec. A linha de entrada de Catena Zapata é o Argento (BR Bebidas) que possui dois bons varietais, o Cabernet Sauvignon e o Malbec vinhos bem elaborados e sempre confiáveis. Ampakama Petit Verdot (Casa Palla), difícil achar um varietal com esta cepa e os críticos tecem bastantes elogios a este vinho. Surpreendente para valer mesmo, é a linha  Tribu da Trivento (Expand), que tem um Pinot Noir muito correto, bem elaborado, bastante elegante e redondo na boca que me deixou um gosto de quero mais, e que, por apenas R$23,00, é imperdível. Tem, também, um bom Tempranillo que vale provar e um Malbec que ainda não conheço. Vinhos fáceis de agradar, mas já possuidores de um certo caráter.

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No mais alto patamar desta faixa de preços, já encontramos vinhos de qualidade superior e bastante interessantes. Da Bodega del Fin del Mundo na Patagônia, temos o Postales (Confraria do Queijo e Vinho) com um corte muito interessante de Cabernet Sauvignon e Malbec que agrada pelo equilíbrio, da Finca Los Lirios (Portal dos Vinhos) provei um Malbec honesto, muito elegante e sedoso na boca, que vale o que cobram. Talvez uma das melhores opções de vinhos 100% Bonarda, nesta faixa de preços, seja o Alta Vista Premium 2004 (BR Bebidas), redondo, bons aromas e equilibrado na boca, realmente muito agradável. Também muito interessantes são os vinhos, pouco conhecidos, da Pascual Toso (Casa Palla). Bons o Cabernet Sauvignon e o Malbec, mas o Chardonnay ainda me parece o melhor deles, muito harmônico com bastante mineralidade e bastante frescor. Agora, no topo desta coleção de bons vinhos básicos, tem um que extrapola e é campeão, a linha Alamos de Catena Zapata. O Alamos Chardonnay 06 (BR bebidas com um preço incrível) também disponível no Portal dos Vinhos e Casa Palla, um vinho muito bem elaborado, equilibrado, sem exageros de madeira. De médio corpo, boa persistência e aromas que lembram pêra, leve amendoado com algo de biscoito amanteigado que se confirma na boca de forma cremosa. A boa acidez o deixa fresco e sedutor.  A linha Alamos, no entanto, não é só isso. É também um delicioso Pinot Noir, um bom Malbec e os muito interessantes Bonarda e Syrah.

Dentro de um par de dias, mais dicas de vinhos Argentinos em faixas de preço mais altos, porém, não caros. Até dia 20 espero poder postar todas estas dicas e aí, finalmente, mostrar uma nova Bodega Uruguaia que chega ao Brasil com vinhos muito interessantes e preços que cabem em nosso bolso.  Aguarde, a semana que vem estará recheada de informações interessantes. 

Endereços e Telefones das lojas aqui mencionadas, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

Marco Luigi Reserva da Familia Brut 2005

               Se é para tomar espumante e o bolso está recheado, sem duvida a escolha é por Champagne, mas  grana estando curta, vou de espumante nacional, um belo Chandon Excellence. Se ainda não dá, ia de Marson Brut que sempre foi um dos meus preferidos. Digo ia porque não vou mais, apesar de ser uma ótima opção. Neste ultimo fim de semana tive o prazer de reunir parte da família, o carnaval atrapalhou, para celebrar o 30º aniversário de minha filha e de meus jovens, mas bem vividos, 53. Brindamos com um espumante Marco Luigi Brut, Reserva da Família, safra 2005. Uma beleza, pena que eu só tinha uma garrafa pois era para tomar várias, tamanho o entusiasmo do pessoal!! A partir de agora será visita constante em minha adega e um dos meus preferidos.

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  • Produtor – Marco Luigi
  • Região – Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves.
  • País – Brasil
  • Composição uvas – Corte de Chardonnay, Pinot Noir e Merlot
  • Detalhes Produção – Método Champenoise, fermentado na garrafa.
  • Teor de álcool – 12º
  • Safra – 2005
  • Preço médio – R$35,00
  • I.S.P. $ smile1602.gifsmile1602.gifsmile1602.gif

               Eu que já era fã declarado do Moscatel deles, que considero o numero 1 do Brasil, e do espumante Brut Tradicional, me encantei com este Reserva da Família de apenas 3.000 garrafas produzidas. Muito bom, com bastante frescor, boa acidez, seco, mas sem exageros e sem qualquer amargor final do jeito que gosto dos espumantes. No nariz, aromas de mel, amêndoas e algum brioche bem típico de um espumante elaborado com Chardonnay e Pinot Noir pelo método Champenoise. Na boca, é longo e confirma tudo isto com algun toque, do que me pareceu, abacaxi fresco maduro tudo  em perfeita harmonia e equilíbrio. Boa espuma, cremoso, perlage fina, abundante e persistente num conjunto de grande elegância. O surpreendente corte com Merlot, gosto dessa ousadia em inovar, lhe dá um caráter próprio e único. Um espumante nacional de primeiríssima linha que tomei e recomendo a todos os amigos do Falando de Vinhos.  Para consumir a uma temperatura entre 6 e 8%.  Mais um belo produto que a Marco Luigi nos trás.

Salute e kanimambo.

Chose de loque!! Quarts de Chaume de Domaine des Baumard.

               Dia 16 de Janeiro de 2008 é uma data que, definitivamente, se tornou um marco em minha educação enófila. Uma data a ser convenientemente evocada. Foi uma noite de degustação de vinhos brancos da região do Loire, França, que ocorreu na ABS (Associação Brasileira de Sommeliers) com vinhos da Mistral, e que confirmou uma opinião que tenho, existem vinhos que não pedem avaliação, pedem reflexão!

             O vinho foi o Quarts de Chaume 2003, um vinho doce, branco, elaborado com a uva Chenin Blanc e produzido pelo Domaine des Baumard que alguém, não me lembro quem, na hora denominou como “Pura Poesia”. Difícil falar sobre este vinho depois de tão acertada, curta e certeira definição. Não é um prazer tomar este néctar, é um êxtase! Super fresco, aromas de compota, manga, toques de mel e frutas cítricas algum caramelo, bala toffee ou aquelas de leite da Kopenhagen, como alguém lembrou no evento. Muito equilibrado, longo, harmonia total entre álcool e acidez, ótima mineralidade, uma grande complexidade que o torna um vinho inesquecível. Dizem ser vinho para 15 a 20 anos de guarda, eu tomo todas agora, está delicioso! Em 15 anos o vinho deve se abrir nos aromas e, provavelmente, perder boa parte do frescor e mineralidade de hoje. Na verdade, vira um outro vinho, igualmente extraordinário assim dizem, mas um outro vinho despertando outras e diferentes emoções. Um vinho de sobremesa? Acho que não. A meu ver, ele É a sobremesa e um crime seria colocar algo para acompanhar, pois ele é, ao mesmo tempo, protagonista e coadjuvante. Antes, tomamos um ótimo Vouvray do Domaines Huët que, ficou ofuscado pelo brilho deste maravilhoso Quarts de Chaume.

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               Cheguei em casa tarde, pensando em comer algo já que estava com fome. Parei na cozinha com a porta da geladeira entreaberta, ainda sentindo aquele gostinho do vinho na boca, e pensei; se como algo agora acabo com esta sensação. Não comi foi nada! Sentei-me ao computador e escrevi estas linhas enquanto ainda sentia os aromas e sabores desta preciosidade, curtindo as sensações ainda vivas em minha boca e minha mente. Tudo isto, no entanto, tem um preço. Na Mistral o preço desta boa safra, o 2000 está mais barato e também deve ser excelente, está em USD125 o que daria hoje, algo em torno de R$225,00. Não é para qualquer um, mas se comparado com os preços no exterior, o preço não está ruim não. É que é um vinho excepcional mesmo, e isto tem seu custo. Do meu lado, ou melhor, na minha frente estava o Presidente da ABS e expert em vinhos, Arthur de Azevedo, que nos deu uma dica, que o Coteaux du Layon, do mesmo produtor, é também excelente, mesmo que não no mesmo nível, e com um preço bem mais acessível. O dinheiro nem sempre dá, mas acho que merecemos, de vez em quando, nos autopremiarmos com um presentinho destes. Vi o Coteaux de Layon Carte D’Or 2004 (WS92) no catálogo da Mistral por algo em torno de USD36,50 , a meia garrafa está por USD23,30, o que acho que já dá para bancar e sentir um pouco deste gostinho e destas sensações, ou seriam emoções? Vou provar o Coteaux e depois comento.

                Quarts de Chaume 2003,  Mon Dieu, que vinho! Depois de tomar um vinho como este, nossa educação enófila dá um pulo de qualidade enorme e, muitas das coisas sobre as quais tinha questionamentos, começam a fazer sentido. Certamente, uma obra de arte em forma de vinho, uma poesia na taça, um elixir divino que tem que ser apreciado, ao menos uma vez na vida.

Estação Verão – Vinhos refrescantes.

                Como no final de ano o papo é só de festa e venda de espumantes, sobrou pouco tempo para poder desenvolver a matéria sobre vinhos Argentinos da forma como gostaria. 662519-9834-it.jpgDesta forma, pensei que fosse melhor falar um pouco de vinhos refrescantes, alegres e saborosos, dignos da Estação Verão que estamos vivendo.  Optei por comentar alguns vinhos brancos, a maioria, um rosé, um tinto e um Moscatel, alguns dos quais já mencionados anteriormente em outros posts e coluna no Jornal Planeta Morumbi, mas que merecem uma atenção especial na estação.  Todos provei e todos aprovei como boas opções e ótimos custo x beneficio.  A edição do jornal com a coluna, começa a ser distribuido hoje, na região do Morumbi e Real Parque. Estes, são vinhos para serem tomados jovens preferencialmente com 1 a 2 anos da safra, o tinto até quatro. O bom é que, em média o preço deve estar em torno de R$25,00 e o mais caro não chega a R$50,00, ou seja, preço não será problema, existem opções para todos os bolsos. Certamente que existem vinhos melhores e bem mais caros, mas esse não era o foco da matéria.

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Los Lírios 07 – (R$14,50 no Portal dos Vinhos), é um corte de Chardonnay e Chenin Blanc produzido na Argentina. Vinho simples, leve, razoavelmente fresco com uma certa mineralidade. Límpido claro, amarelo palha para tomar sem arroubos e sem grandes expectativas, mas um vinho agradável de tomar. Ótima opção de um vinho para aperitivo. Preço incrível!

Etchart Rio de Plata Torrontés/Chardonnay 06 – (R$17,90 na Casa Palla) Eis mais uma bela opção de um vinho leve, fresco e agradável, fácil de tomar e, conseqüentemente, ótimo como aperitivo. Um corte, menos comum, que une as características mais perfumadas da Torrontés, com a maior sofisticação da Chardonnay formando um conjunto muito interessante. Seco, com toques de pêssego e abacaxi, bem equilibrado apesar de seus 13º de teor alcoólico, o que recomenda não exagerar nas doses.

Casa Valduga Premium Gewurztraminer 07 – (R$22,00 na Casa Palla) um dos melhores exemplares desta cepa, produzidos no Brasil. Demonstra bem a tipicidade da uva, muito aromático lembrando lichia e flores brancas, boa acidez, escolta maravilhosamente bem pratos da comida indiana levemente apimentados. Um curry, tanto de frango quanto de camarão, ficará uma delicia acompanhado deste bom vinho.

Cono Sur Riesling do Chile 06 – (R$23,80 na Expand) Este é um achado e talvez o melhor custo X beneficio de todos. Mais um que não deixo terminar na adega. De enorme frescor e ótima mineralidade, é um vinho que encanta como aperitivo e, certamente, acompanhando um prato de frutos do mar ou até um curry ou franguinho assado. Há que experimentar, um destaque nesta Estação Verão.

Marco Luigi Espumante Moscatel – (R$25,00 na Maison des Caves) Uma delicia, super refrescante, levemente doce e suave. Para curtir como aperitivo, final do dia no terraço, ou à beira da piscina. Opcionalmente, harmonize com salada de frutas, panettone e sobremesas diversas desde que não demasiadamente doces. Com uma torta de morango, merengue e chantilly, será um manjar dos Deuses!

Pisano Cisplatino Torrontés 07 – (R$28,00 no Portal do Vinho) do Uruguai, é um bom rótulo de entrada para este belo produtor. A Torrontés, mais famosa na Argentina, é destaque também no país vizinho e, em especial, nas mãos da família Pisano que produzem o ótimo Rio de Los Pajaros, exaltado de forma unânime pelos maiores críticos de vinho. Sem grandes complexidades neste vinho mais simples, nos deparamos com uma boa paleta aromática levemente perfumado e bastante suave na boca. Ótimo como aperitivo, acompanhando um queijo de cabra ou então, uma salada de frutos do mar, casquinha de siri ou lulas à dorê.

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Alamos Chardonnay 06 – (R$27,90 na Casa Palla) dica do Luiz Horta, a casa de Catena Zapata mostrando sua maestria em produzir vinho de qualidade em qualquer faixa de preços. Mais um vinho muito bem elaborado e sem exageros de madeira. De médio corpo, boa persistência e aromas que lembram pêra, leve amendoado com algo de biscoito amanteigado que se confirma na boca de forma cremosa. A boa acidez o deixa fresco e sedutor. Um vinho muito agradável que, até dá para se tomar como aperitivo, mas recomendo que seja tomado com comida. Pelo que pesquisei, um peixe ao forno com batatas, cebola e tomate, creio que seria um ótimo acompanhamento. Talvez uma truta com amêndoas? Incrivel qualidade por este preço!

Quinta Giesta Rose 06 – (R$ 30,00 na Importadora Lusitana) uma delicia refrescante elaborada com Touriga Nacional, a emblemática cepa Portuguesa que nos presenteia com aromas inesquecíveis de flores do campo e frutas vermelhas frescas, framboesas, morangos. Cor linda meio rosa puxando para salmão escuro, macio na boca com toques acentuados de groselha, levemente adocicado, mas seco. Ótimo para bebericar com os amigos e harmonizou maravilhosamente bem com um prato de lombo agridoce com arroz chop suey de presunto, de dar água na boca só de pensar! Também vai muito bem com Peru e Salmão grelhado. No contra-rótulo, o produtor recomenda servir entre 10 a 12º. Minha sugestão é de servi-lo um pouco mais gelado, entre 8 a 10º no máximo.

Muros Antigos Loureiro 06 – (R$35,00 no Armazém dos Importados) um branco Português, elaborado com a uva Loureiro. No nariz é suave e elegante, com notas cítricas e florais. Na boca, é exuberante, uma maravilha. Fresco, muito fresco, textura macia e muita fruta. Muito harmonioso, é um vinho imperdível, que fará bonito escoltando um peixe grelhado, caldeirada de lulas ou mesmo como um delicioso e estupendo aperitivo. Yummy!

Fumées Blanches 06– (R$37,00 no Portal dos Vinhos/Wine House) um delicioso vinho importado pela Zahil, elaborado com a uva Sauvignon Blanc na região de Languedoc na França. Um daqueles achados únicos porque, será difícil achar um Sauvignon Blanc tão bom por este preço. Muito mineral, cítrico, ótima acidez o que lhe dá um enorme frescor. Ótimo como aperitivo, uma maravilha acompanhando frutos do mar grelhados e certamente seria boa companhia para uma salada Caesar com frango.

Saint Estève D’Uchaux 05 – (R$39,00 no Portal dos Vinhos/Wine House) um Cote du Rhône tinto elaborado com a as uvas Grenache (80%) e Syrah bem suave, clarete, aromas finos de frutas silvestres, redondo, fácil de agradar, para tomar fresco, entre 12 a 14º. Acompanha bem um Peru à Califórnia, Pizza, prato de frios, um frango grelhado, rondele de presunto com molho rosé, etc.. Sem grandes arroubos, um vinho muito gostoso, sem arestas, para bebericar com os amigos e jogar conversa fora.

Deu la Deu 06 – (R$44,40 na Cia do Whisky) importado pela Barrinhas, este é, dentre os vinhos elaborados com a uva Alvarinho, o que possui o melhor custo X beneficio. Muito mineral e fresco na boca, cremoso, fino com aromas atrativos e cítricos. Na boca um vinho de corpo médio. Pode ser tomado como aperitivo, mas experimente acompanhar um churrasco num forte dia de calor. Uma experiência única e que certamente lhe trará prazer ou então tente, da forma mais tradicional, acompanhando umas sardinhas na brasa, ou ainda, como aperitivo. Ai,ai,ai, bom demais da conta!

Outros – Existem muitos outros vinhos que poderiam constar desta lista e fazer bonito. Entre estes, poderia citar o Chartron La Fleur Blanc (Mistral), um Sauvignon Blanc da região de Bordeaux, muito agradável, um outro Sauvignon Blanc muito bom é o Ventisquero Reserva do Chile (Portal dos Vinhos) . Ainda do Chile, uma dica do Saul Galvão no caderno Paladar do Estadão desta semana e que corri para conferir, o Emiliana Sauvignon Blanc (Casa Palla), com preço a abaixo de R$20, um vinho muito fresco e agradável.  Da Argentina o Don Pascual Chardonnay também é muito agradável puxando pela mineralidade e frescor e o Saurus Sauvignon Blanc Select (importadora KMM) da região da Patagonia que é muito bom. Os Portugueses, mestres do vinho verde; Quinta da Aveleda (Portal dos Vinhos), Barão do Sul Branco, Lisa branco e rosé, assim como o Dom Bastos Branco (todos da Lusitana), Conde de Barcelos e o Dom Rafael Branco (Portal dos Vinhos), este ultimo um vinho mais encorpado e de maior complexidade , ou ainda, um Aliança Reserva Dão Tinto (Casa Santa Luzia) bem refrescado. Da Itália o ótimo Pinot Grigio da Santa Margherita (Rei do Whisky/Portal dos Vinhos) e os vinhos Lambruscos tanto brancos como tintos. Para os Lambruscos, recomendo buscar vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada), que são melhores, como os da Riunite. Tente um tinto DOC bem fresco, acompanhando a feijoada. Da Austrália, o Hardy´s Stamp Riesling/Gewurztraminer um vinho bem acessível e muito interessante (Casa Palla).

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