Tomei e Recomendo

Iniciando-se nos caminhos de Baco – Parte II

             Como disse no post de ontem, nossa vinosfera não é monocromática, então pensar somente em vinhos tintos me parece um equivoco igual ao de só tomar vinhos franceses, só espanhóis ou só argentinos. Abra sua mente e amplie seus horizontes permitindo-se provar vinhos brancos, rosés, espumantes, generosos, etc.

             Tem gente que vai dizer que mulheres é que gostam de brancos e que no inverno só se devem tomar tintos. Pois bem, existem estudos que mostram que as mulheres preferem os tintos e lhes deixo uma pergunta; por acaso pára-se de tomar cerveja e sorvete no inverno? Pode até haver redução no consumo, mas as pessoas seguem consumindo gelado no frio, então porquê essa premissa não é válida para o vinho?

             Eu tenho me deliciado com vinhos brancos, mais que rosés, confesso, e espumantes de forma bastante regular, até porque existem pratos que pedem esses vinhos, e adoro abrir um encontro de amigos ou refeição tomando algumas dessas saborosas opções. Em Março fiz um painel bastante grande sobre Brancos & Rosés, mas eis aqui uma lista bastante enxuta que creio possa ser uma entrada para esta sedutora, diferente e vibrante paleta de sabores e aromas.

BRANCOS

 

Beginners list - white - Clipboard

 

Benjamin Senetiner Chardonnay Argentina Casa Flora

17,00

Santa Helena Varietal Chardonnay Chile Interfood

22,00

Septima Chardonnay/Semillon Argentina Interfood

23,00

Cono Sur  Riesling Chile Expand

23,00

Salton Volpi Sauvignon Blanc Brasil  

24,00

Missiones de Rengo Sauvignon Blanc Chile Épice

26,00

Varanda do Conde Vinho Verde (Corte) Portugal Casa Flora

32,00

Verdicchio dei Castelli di Jesi Classico Verdicchio Itália Expand

32,00

Crios Torrontés Argentina Cantu

39,00

Concha y Toro Late harvest Sobremesa Chile Expand

39,00

Danie de Wet  Sur Lie Chardonnay África do Sul Mistral

42,00

Muros Antigos Loureiro Portugal Decanter

52,00

Protos Verdejo Espanha Peninsula

54,00

Rutini Chardonnay Argentina Zahil

66,00

Le Vieux Clos Chard/Sauvignon Blanc França Decanter

73,00

ROSÉS

Rosé Clipboard

Obikwa Pinotage África do Sul Interfood

30,00

Crios Malbec Argentina Cantu

39,00

Melipal Malbec Argentina Wine Company

45,00

Terraza Isula Sciaccarellu/cinsault França (Córsega) Emporio Sorio

49,00

Protos Corte Espanha Peninsula

58,00

           Nos brancos certamente poderia adicionar um monte de rótulos mais como, o Dr. L, um Riesling de Dr. Loosen (Expand) da região do Mosel na Alemanha, o Valduga Gran Reserva Chardonnay ou mais dois vinhos portugueses, o Quinta do Ameal Loureiro (Vinho Seleto) ou o Prova Régia (Interfood) elaborado com 100% Arinto e nos Rosés o Vinha da Defesa (Qualimpor), também português, mas me auto-limitei em 80 rótulos, então as listas são essas mesmas.

            Antes de finalizar, no entanto, um recomendação provem, bebam e curtam os espumantes nacionais, estão muito bons. Na linha dos mais baratos (até R$25) o Salton Ouro, Marco Luigi Moscatel, Marco Luigi Brut Champenoise, Aurora Brut Blanc de Noir (100% Pinot) e o Blanc de Blanc (100% Chardonnay) são imperdíveis e botam no chinelo a grande maioria dos proseccos italianos disponiveis no mercado nessa faixa de preço e tão em voga em casamentos, festas e eventos. Num nível um pouco mais alto (até R$45) os; Pizatto, Miolo, Dal Pizzol, Marco Luigi Reserva da Familia, Cave Geisse Nature e Marson Champenoise são uma grande pedida.

            É isso meu amigo, com estas listas termino estas dicas para quem está começando a navegar nestas águas regidas por deus Baco. Não é uma rota fácil, está repleta de tentações, mas o resultado costuma ser extremamente prazeroso. Espero que, de alguma forma, tenha contribuido para uma viagem mais tranquila e lembre-se, nesta vinosfera, como na maior parte das situações em nossas vidas, é praticando que se melhora, o que em nosso caso significa litragem, mas com moderação e na hora certa!

Para ver como contatar os importadores e checar onde, mais próximo de você, o rótulo está disponível, dê uma olhada em Onde Comprar, post em que constam os dados dos importadores e lojistas assim como de produtores brasileiros.

Salute e kaimambo.

Iniciando-se nos Caminhos de Baco

             Recebi dois comentários, do Paulo Roberto e da Rachel, que me incentivaram a escrever este post. É que muita gente que se inicia nos prazeres, alguns dissabores também, de nossa vinosfera fica um pouco perdido devido á enormidade de possíveis escolhas que hoje está disponível.  Bem-vindo ao club meu amigo e não é só você não, somos todos nós, em maior ou menor escala, mas somos todos já que é impossível conhecer todos os mais de 18.000 rótulos hoje existentes no mercado. Aí ainda tem o cara que fala que vinho barato é ruim e vinho caro é bom (!) o que é, em minha opinião, uma tremenda bobagem. A tendência é essa, mas os próprios Desafios de Vinhos que promovo mensalmente, são prova evidente de que isto não é regra. Os riscos diminuem conforme você for subindo na escala de preços, mas segue lá e, quando se erra, a queda é maior. Com tanta informação e disponibilidade, a chance de dar um tilt e cair em estereótipos é bastante grande. Costumo brincar dizendo que, em nossa vinosfera a infidelidade não só é aceite como é desejável, então mãos á obra, ou melhor dizendo, mãos á garrafa e bocas á taça!

            Minha sugestão para quem começa é começar devagar e por baixo até você encontrar seu estilo de vinho não deixando de provar os brancos e rosés também. Nossa vinosfera não é monocromática, então arrisque um pouco e experimente de tudo deixando de lado quaisquer preconceitos existentes, aqui pode! Teste diversos rótulos baratos garimpando junto aos mais diversos blogs sendo que já aqui você encontrará diversas listas e sugestões de rótulos provados. Veja em Tomei & Recomendo, Vinho na Taça, Degustações, Vinhos da Semana, Brancos & Rosés, Melhores de 2008 entre outras categorias listadas aqui do lado. São, no entanto, um monte de rótulos a pesquisar, então hoje reduzirei esta lista para uns 80 vinhos com os quais você poderá se iniciar e apreciar essa jornada que se inicia. São vinhos que vão subindo em ordem de complexidade e sofisticação, sendo os mais baratos uma gama de rótulos mais amistosos e fáceis de beber, porém bem elaborados, normalmente equilibrados e saborosos. Bons para se iniciar nas alegrias do mundo de Baco e não fazer feito em festas e eventos. Depois, quando você já tiver provado uns 40 ou 50 destes vinhos, é tempo de alçar vôo e fazer seus próprios garimpos, saber onde gastar um pouco mais, definir seu estilo de vinho e aproveitar todas as delicias com que deus Baco nos tenta diariamente lembrando que uma boa taça e a temperatura adequada , junto com uma guarda adequada, são essenciais para quem por aqui se aventura. 

                Comecemos por uma lista de sessenta vinhos tintos que cobrem um spectrum bastante amplo com diversas uvas, origens e regiões. Os próprios cortes simbolizam bem cada região dentro do mesmo país. Os preços foram checados e são em reais, porém devem ser tomados apenas como referência. Indiquei os importadores, mas tente buscar seu vinho direto com sua loja especializada preferida próximo de você. Criar uma sinergia com o pessoal de lá facilitará muito sua vida nesta expedição de garimpo.

Beginners list Clipboard

Alfredo Roca Malbec Argentina Casa Flora

18,00

Alfredo Roca Pinot  Noir Argentina Casa Flora

19,00

Fincas Privadas Tempranillo Argentina Malbec

19,00

Quará Malbec Argentina  

19,50

Graffigna Cabernet Sauvignon Argentina  

22,00

Trivento Tribu Pinot  Noir Argentina Expand

23,00

Monsarraz Tinto Corte Portugal Vinho Seleto

24,00

Salton Volpi Merlot Brasil  

24,00

San Marzano Primitivo Itália Casa Flora

24,00

Las Moras Malbec Argentina  

24,00

Grand Theatre Bordeaux Corte França Expand

27,00

Casillero del Diablo Syrah Chile VCT Brasil

27,00

Casillero del Diablo Merlot Chile VCT Brasil

27,00

Don Roman Rioja Tempranillo Espanha Casa Flora

27,00

Quinta do Cabriz Colheita Corte Portugal Winebrands

27,00

Bonachi Motepulciano Montepulciano d’Abruzzo Itália Mistral

28,00

Marco Luigi Res. da Familia Merlot Brasil  

32,00

Angheben Barbera Brasil  

34,00

Robertson Pinotage África do Sul Vinci

34,00

Domaine Conté Seleccion Barricas Carmenére Chile Zahil

36,00

Marques de Borba Tinto Corte Portugal Casa Flora

37,00

Cono Sur Reserva Pinot  Noir Chile Expand

39,00

Masseria Trajone Nero d’Avola Itália Vinci

39,00

Los Cardos Malbec Argentina Grand Cru

39,00

Don Candido 4ª Geração Marselan Brasil  

40,00

Chianti Vernaiolo DOCG Corte Itália Expand

42,00

Famiglia Bianchi Cabernet Sauvignon Argentina Mr. Man

45,00

Trumpeter Syrah/Malbec Argentina Zahil

45,00

Bom Juiz Corte Portugal Vinho Seleto

46,00

Ochotierras Reserva Cabernet Sauvignon Chile BR Bebidas

46,00

Pasion 4 Bonarda Argentina Fasano

46,00

Alaia Corte Espanha Peninsula

47,00

Chateau la Gatte Tradition Bordeaux Corte França Mistral

48,00

Phillipe Bouchard VdP Syrah França Vinea Store

48,00

Les Bretaches Corte Libano Zahil

49,00

Códice Tempranillo Espanha Peninsula

49,00

Saint Esteves d’Uchaux Corte França Zahil

51,00

Pisano RPF Tannat Uruguai Mistral

52,00

Quinta da Cortezia Touriga Nacional Portugal Casa Flora

54,00

Travers de Marceau Corte França De la Croix

58,00

Alfredo Roca Reserva Familia Malbec Argentina Casa Flora

58,00

Valpolicella Classico Campo del Biotto Corte Itália Decanter

59,00

Chateau Piron Bordeaux Corte França La Cave Jado

59,00

Salton Talento Corte Brasil  

59,00

Belleruche Rouge Corte França Mistral

62,00

Melipal Malbec Argentina Wine Company

64,00

Quinta de Cabriz Reserva Corte Portugal Winebrands

65,00

Barão do Sul Garrafeira (02) Corte Portugal Lusitana

65,00

Valdipiata Rosso di Montalcino Corte Itália Zahil

68,00

Wynns Blend Corte Austrália Mistral

68,00

Arriero Reserva (03) Cabernet Sauvignon Argentina Vinea Store

69,00

Domaine du Ministre Corte França Zahil

72,00

Valfieri Barbera D’Asti Barbera Itália Vinea Store

72,00

Odfjell Orzada Carignan Chile World wine

75,00

Luis Cañas Crianza Tempranillo Espanha Decanter

75,00

Quinta Nova Douro DOC Corte Portugal Vinea Store

75,00

Montes Alpha Syrah Chile Mistral

80,00

J. Carrau Pujol Corte Uruguai Zahil

82,00

Bouchard Bourgogne Rouge La Vignée Pinot  Noir França Grand Cru

83,00

Chateau La Guérinnière Bordeaux Corte França D’Olivino

98,00

Amanhã completo o post com dicas de brancos e rosados. Serão mais 20 vinhos que valem a pena ser conhecidos e complementam seu ciclo de conhecimento. Se conseguir tomar uns cinquenta ou sessenta destes, determinando seus vinhos para o dia-a-dia, para festas, achando seu estilo, então a missão estará cumprida (rsrs). Óbvio que existe mais um sem número de rótulos, mas esta lista é somente um pequeno empurrãozinho para você começar seus próprios garimpos.

Salute e boa sorte na jornada, que deus baco lhe ilumine o caminho.

O Apressado Come Cru

Monbrison 2001 001Ou neste caso bebe, mas é um ditado que se encaixa muito bem em nossa vinosfera cada vez mais ávida por novidades e cada vez cometendo mais infanticídios. Os produtores, movidos por necessidades financeiras, descarregam no mercado seus produtos, muitos deles ainda “crus” e nós, em vez de os guardarmos pelo tempo necessário para amadurecimento, os “atacamos” repletos de ansiedade.  Bons? Muitas vezes sim e outras não.  Pessoalmente prefiro pecar pela demora , eventualmente tomando um vinho já em decadência, do que tomá-lo de forma afoita tentando fazer mirabolantes especulações de como ele irá se desenvolver no futuro e perder essa exuberância que só se desenvolve com o tempo. Foi assim com o Chryseia 2001 que tomei no inicio de 2008, o Malhadinha 2003 que tomei no final do ano passado e agora com este Chateau Monbrison 2001, entre outros, que tomei neste último domingo em função da pergunta do amigo Cristiano. Senti-me compelido a abrir a adega de guarda e dela sacar o que poderia ser um vinho de grande categoria e ele não negou fogo!

Existe um sem número de vinhos que podem ser tomados com dois, três ou até cinco anos e já se mostram estupendos, mas a grandes vinhos há que dar-lhes tempo para que possam desenvolver seu potencial e lhe inebriar com todos seu arsenal de complexos sabores e aromas. Este Chateau Monbrison pode até não ser um vinho que seja percebido por críticos e mercado como um Monbrison 2001 012grande vinho, pesquisei na rede, mas sua performance na minha taça, nariz e boca foram grandíssimos! Um Cru Bourgeois da região de Margaux, a mais elegante das AOCs da margem esquerda de Bordeaux, mostrou-se exatamente assim, um vinho de grande finesse. Um corte de 50% de Cabernet Sauvignon, 30% merlot, 15% Cabernet Franc e o restante Petit Verdot. A cor ainda era rubi com suaves nuances atijoladas, mostrando sua idade com halo aquoso condizente. O perfil aromático mostrava muita fruta e toques terrosos, complexo e muito atrativo que nos chamava à taça. Na boca era macio, taninos maduros, sedosos e de grande elegância, perfeito equilibrio ainda apresentando boa acidez, muito rico em sabores, boa textura, corpo médio com um final de boca algo especiado exuberante e longo, tendo eu e o vinho nos fundido num só, dá para ver na taça, em perfeita harmonia.  Pode até não ser grande, mas neste dia se comportou como tal dando-me um enorme prazer ao tomá-lo, deixando marcas que tardarão em sumir. 

Lamentavelmente faltou garrafa, porque minha esposa adorou e meu genro idem (snif)! Enfim, agora terei que esperar uma próxima viagem para trazer Monbrison 2001 002mais algumas garrafas desta belezura já que por aqui não encontrei quem venda, mas recomendo tomar o 2001 ainda esta ano, está perfeito, porém não guardá-lo por mais tempo. Esta garrafa comprei no free shop de Paris há uns três ou quatro anos atrás e, se me recordo bem, custou algo próximo a 20 euros. Vi  na La Maison du Vin na Suíça, para os amigos que estejam por essas bandas, os da safra 2001 e 2004, este último para tomar dentro de uns dois anos, onde estão por cerca de 43 francos suíços.

Por falar em Chateaus e Bordeaux, amanhã o primeiro post sobre o gostoso Desafio de Bordeauxs que Cabem no Bolso (até R$100) que realizei semana passada na charmosa Vinea Store. Estavam previstos 10 “desafiantes”, mas eu botei uma pimentinha nesse angu, um vinho surpresa totalmente às escuras, o que seria?!

Desafio Bordeaux 013

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Terrazzas Rosé, o Frescor da Córsega

Não são só os vinhos do Brasil que são exóticos e diferentes, ou de Israel ou do Líbano ou da China. Vinho europeu também pode ter um lado exótico corse-map-Mediterrquando produzido numa região pouco conhecida com uvas autóctones mais desconhecidas ainda. E o que dizer quando um vinho tem Terrazza Isula no nome, é produzida com uma uva chamada Sciaccarellu, mas é de origem francesa. Sim tudo é vero e, para lhe dar um toque francês, o corte foi elaborado com Cinsault. Tudo isso no entanto, tem a ver um pouco com a própria história dessa ilha mediterrânea chamada Córsega, mais conhecida entre nós por ter sido o berço de Napoleão, com pouco mais de 8500 km² e uma população ínfima de algo próximo a 280.000 habitantes coberta de muita vegetação e montanhas situada a oeste da Itália próximo a Pisa e à Sardenha.  Andou de mão em mão durante tempos pertencendo ao reino de Pisa (1077 – 1284) e ao de Génova (1284 – 1768), antes de ser vendida à França pela última. Desta forma, a existência de um dialeto Corso (parecido com o dialeto Toscano) e a influência de nomes e sabores não é mera coincidência.

               Foi aqui que o Empório Sorio veio buscar algumas preciosidades as quais já comentei anteriormente no blog, em especial em meu relato direto do front da Expovinis deste ano quando tive oportunidade de degustar 3B + Corsega Rosé 007Adiversos rótulos, porém não este que veio complementar estes dias de vinhos diferentes, em minha taça. Terrazza Isula 08 um corte de Sciaccarellu e Cinsault vinificado em rosé e uma verdadeira delicia. Um VdP (Vin de Pays) de l’Ile de Beauté, ilha da beleza, possui uma paleta olfativa muito vibrante e frutada convidando o vinho á boca onde ele explode de forma exuberante com enorme frescor. Atraente na cor, mostra na boca uma acidez acentuada, porém balanceada que umedece a boca chamando comida, ótima parceira para canapés de queijo de cabra e salmão, saladas, lombo agridoce e, como no meu caso, com peito de peru à Califórnia. Muito saboroso, é daqueles vinhos que acabam rápido e deixam aquele gostinho de quero mais na boca. Já tinha gostado muito de um outro vinho rosé que eles possuem em seu portfolio, Terra Nostra, e este é páreo ficando difícil escolher entre um ou outro. Muito bem elaborados e harmônicos, são vinhos para acompanhar comida, mas são ótimos parceiros de um papo informal como aperitivo e preparação do palato para a refeição principal. Em torno de R$50,00, são vinhos que tomei e recomendo, na minha modesta opinião melhores do que a maioria dos aclamados rosés da Provence onde ainda não consegui encontrar um rótulo que efetivamente me empolgasse.

Salute e kanimambo.

Confraria na Taça

Nestas últimas semanas tenho tido a oportunidade de provar alguns vinhos diferenciados, como o que comentei ontem. Desta feita, mesmo com o friozinho de nosso inverno, tomei  dois vinhos bConfraria brancos 2rancos portugueses que ainda não estão disponíveis no Brasil, mas que espero possamos tê-los por aqui dentro em breve, são os vinhos Confraria (nome sugestivo) da Adega Cooperativa do Cadaval pertencente à CVR Lisboa. Por pura coincidência, meu primo trabalha na prefeitura da cidade, ô mundinho pequeno esse!

A Adega Cooperativa do Cadaval produz seus vinhos de uvas plantadas nos vinhedos que cobrem as encostas soalheiras da Serra do Montejunto e que, em declive suave, se estendem pelo vale. Foi fundada em 1963 por um grupo de pequenos viticultores que processaram na ultima safra um pouco mais de 7.000 toneladas de uva.  Presentemente, passa por uma grande reformulação no sentido de colocar a ACC no mapa de nossa vinosfera mundial, mas já possui uma marca bem conhecida no mercado português que é esta linha de vinhos Confraria composta de um vinho tinto e estes dois brancos provados. Há cerca de uns três para quatro anos, cheguei a tomar o tinto (castelão/aragonês e trincadeira), foi-me dado por meu querido primo Álvaro, e me lembro que mesmo não sendo nenhum blockbuster, foi um vinho que me agradou como um vinho correto para o dia-a-dia. Este post, no entanto, é para falar dos vinhos brancos, pois estes tomei agora e com a devida atenção.

Confraria Branco Leve 2008, é elaborado com a uva Moscatel num processo de vinificação a frio que resulta num saboroso caldo com apenas 10% de teor alcoólico e um muito leve açúcar residual que lhe dá um toquinho doce, queConfraria branco leve me fez lembrar um vinho off-dry alemão ou francês (loire) guardadas as devidas proporções. Um vinho muito interessante devido a ser menos comum numa vinosfera cada vez mais monocromática; nariz de ótima intensidade que convida a tomar, vibrante, muito leve agulha na boca, muito boa acidez, ótimo aperitivo, muito saboroso e fresco, ótima persistência, uma delicia que agrada/seduz fácil, tendo sido tomado no sábado como aperitivo acompanhado de um queijo de cabra, patê de atum com torradas e lulas à dorê com molho tártaro, tendo se dado muito bem. Faltou garrafa! Creio que deve se dar bem com comida Thai, talvez até um caril (curry) de camarão, levemente picante fazendo as vezes de um gewurtzraminer. Para os amigos portugueses, em pleno verão, uma grande sugestão de um vinho que costumo chamar de BGB (bom, gostoso e barato) para acompanhar os mais diversos frutos do mar sentado numa esplanada à beira-mar. Se chegar ao Brasil por um preço camarada, será a perfeita companhia para uma beira de piscina, na praia com mariscos, para se comprar às caixas!

Confraria branco seco 2Confraria Branco Seco 2008 é um corte de Fernão Pires, Vital e Seara Nova, esta última me era desconhecida, com 13% de álcool. Também um bom vinho, porém com outro estilo, mais gastronômico de maior corpo, mostrando bom equilíbrio, acidez na medida e um leve amargor ao final que não chega a incomodar, mas que torna importante manter-se a temperatura, tendo acompanhado muito bem um prato de fettucine com bacalhau e azeitonas verdes regado com bastante azeite. Pensei em  Amêijoas à Bulhão Pato (quem ainda não conhece está perdendo um manjar dos deuses), filés/postas de peixe frito com um arroz de tomate, pataniscas de bacalhau e até uma eventual carne branca com temperos leves, como outros possíveis bons companheiros para este saboroso  vinho.

              Sentados na varanda, curtindo dois vinhos brancos num almoço gostoso de sábado com “as crianças” e fazendo descobertas enogastronômicas, não dá para ficar muito melhor que isso e agradeço por esse privilégio.  Enfim, mais um dia bastante agradável, bonito, de céu azul e sol batendo na cara, apesar do friozinho dentro de casa, fazendo-me sonhar com mais um cantinho de Portugal a ser conhecido. Salute amigos.

Clipboard ACC

Vinhos de Celebração

Há um tempo que estou devendo esta lista de vinhos tomados durante as celebrações de meu aniversário este ano. Já me pediram a data, não passo, mas sou Aquariano para quem interessar possa. rsrs Nestes momentos, é comum extrapolarmos orçamento e nos presentearmos com o que de melhor podemos comprar. No meu caso, um verdadeiro assalto à adega e algumas compras, a maioria no exterior. Por outro lado, desta vez decidi comemorar um mês inteiro, então houve tempo para eleger e curtir só vinhos de primeiro nível.

Como sabem, sou um firme defensor de buscar bons vinhos por bons preços, esse é um dos objetivos deste blog, e estes se encontram em qualquer gama de vinhos. Mesmo nos top, existem vinhos que se sobressaem pois entregam, ou pelo menos deixam essa percepção, mais valor do que o preço pago. Nesta lista, a maioria se encontra nessa faixa de mais valia, ainda mais quando comprados fora. Os novos preços em decorrência da taxa cambial e outros senões, lamentavelmente prejudicam qualquer avaliação mais criteriosa nesse sentido. De qualquer forma, em momentos de celebração o preço acaba virando fator secundário.

Nas próximas semanas comentarei os vinhos e sensações ao tomar estes deliciosos vinhos dividindo-os em dois posts. Por enquanto fiquem somente com a lista e imagem desses vinhos de primeiro nível, dos quais boa parte, disponíveis no mercado brasileiro. Já antecipo, são todos deliciosos, cada um com seu jeito e sua personalidade, mas todos de grande qualidade tendo me dado muito prazer tomá-los.

 

vinhos-de-aniversario-008

 

Esbaldei-me com vinhos de tudo o que é estilo e origem, mas ao escrever estas linhas é que me dei conta de que minhas preferências vieram à tona mesmo que inconscientemente. São quase todos vinhos de assemblage, exceção feita ao Albariño, ao Allende (tempranillo) e ao EMME (cabernet sauvignon) e do Velho Mundo!

  • Bindella 2004 – Toscana / Vino Nobile de Montepulciano – Não é importado no Brasil.
  • Peter Lehman Barossa Cab/Merlot 2004 – Barossa / Asutrália – Expand (não vi este rótulo no portfolio)
  • Il Brusciato 2005 – Toscana / Bolgheri – Expand
  • Chateau Les+Trois+Croix 1999 – Fronsac / Bordeaux / França – Mistral (?)
  • Abadia Retuerta Selección Especial 2001 – Sardon del Duero / Espanha – Peninsula
  • Prosecco Bedin –  Veneto / Itália – Decanter
  • D. Pedro de Soutomaior Albariño Rias Baixas 2007 – Galicia / Espanha – Peninsula
  • Chateau Milens 2001 Grand Cru – Saint-Emilion / França – Não importado no Brasil.
  • Prosecco Rústico de Nino Franco – Veneto / Itália – Expand
  • EMME Grande Escolha 2003 – Terras do Sado / Portugal – Lusitana
  • Allende 2004 – Rioja / Espanha – Península
  • Quinta do Noval LBV 2000 Unfiltered – Vinho do Porto / Portugal – Grand Cru

Salute e kanimambo.

Minha Adega de Brancos & Rosés

adega-2fQuando termino o tema do mês ou neste caso, do bimestre, já que foram muitos os rótulos provados, relaciono uma lista daqueles que compôem minha Seleção de Adega. Neste caso, selecionei os 35 vinhos que mais me entusiasmaram entre os bons rótulos que provei ao longo do mês e constantes dos meus posts Tomei e Recomendo, Vinhos Verdes, Desafio Torrontés, etc., publicados neste período. Dois ainda estou por comentar, o Valduga Gran Reserva Chardonnay e o Albariño Don Pedro de Soutomaior, mas já adianto sua seleção entre os meus preferidos desta incrível viagem por Brancos & Rosés disponíveis no mercado.

Os preços listados foram pesquisados junto aos importadores e lojas, tanto virtuais como fisicas, e são um retrato do momento. Alguns já aumentaram, outros ainda estão por sofrer algumas mudanças. Outros, ainda, se encontram por preços inferiores como o Crios que está or R$40,00 na BR Bebidas ou o Varanda do Conde na Casa Palla por R$28,00 ou o Quinta da Ameal Loureiro na Vinho Seleto por R$44,50 para os leitores de Falando de Vinhos, valores que negociei. Agora, porquê estes rótulos e não outros? Primeiramente porque só falo sobre minhas experiências, ou seja vinhos tomados. Segundo, porque dentro do universo desses vinhos tomados pontuo cada um deles com uma nota RB (Relação de Beneficio) de 1 a 5, que é o que, em ultimo caso, faz a diferença e o faz ser ranqueado numa lista de Melhores do Ano ou de uma Seleção de Adega. Para quem ache que isso tem a ver só com preço, ledo engano e permitam que esclareça. A nota de RB de cada vinho, que até hoje usei para uso pessoal e doravante comecarei a publicar, está diretamente relacionada com a equação pessoal e puramente subjetiva encontrada entre a Qualidade o Preço e a Satisfação que o vinho me tráz.

        Para que não pairem duvidas sobre a forma destas escolhas, cito o exemplo de um vinho que me agradou muito, o Fonte do Nico Fashion 07, que poderia estar aqui se o preço fosse mais baixo, só que existiram outros vinhos de igual qualidade e índice de satisfação (I.S.P), porém de melhor preço resultando num RB superior. No outro dia provei um Sauvignon Blanc de R$75,00 vindo da Nova Zelândia, preço até que razoável para um vinho desta origem, porém seu RB foi 3 enquanto um incrível Riesling da Austrália por R$93,00 teve um RB de 4, ou seja, superior a um vinho mais barato. A diferença entre eles é que posso comprar diversas boas opções de Sauvignon Blanc com qualidade similar a preços muito mais baratos, e não necessariamente do Riesling. Só para que não pairem duvidas. Espero que possam desfrutar de alguns desses ótimos rótulos de vários preços, para vários tamanhos de bolso, ocasiões e gostos. Em minha modesta opinião, certeza de satisfação. Salute!

Rótulo

Cepa

País

Estilo

Imp. / Prod.

Preço R$

Obikwa Rosé

Pinotage

África do Sul

Rosé

Interfood

24,00

Cono Sur

Riesling

Chile

Branco

Wine Premium

24,00

Salton Volpi

Sauvignon Blanc

Brasil

Branco

 Salton

24,00

Valduga Gewurtz

Gewurtzraminer

Brasil

Branco

 Valduga

24,00

Misioneros del Rengo

Sauvignon Blanc

Chile

Branco

Épice

27,00

Quinta da Aveleda

Assemblage

Portugal

Branco

Interfood

27,00

Umani Ronchi Dei Castelli di Jesi Classico

Verdichio

Itália

Branco

Expand

28,00

Sucre

Sauvignon Blanc

Chile

Branco

Wine Company

29,00

Varanda do Conde

Alvarinho/Trajadura

Portugal

Branco

Casa Flora

30,00

Terras d”Uva

Assemblage

Portugal

Rosé

Lusitana

30,00

Artero

Tempranillo

Espanha

Rosé

Decanter

31,00

Pascual Toso

Sauvignon Blanc

Argentina

Branco

Interfood

32,00

Goats do Roam

Assemblage

África do Sul

Rosé

Expand

35,00

Fabre Montmayou

Chardonnay

Argentina

Branco

Wine Premium

35,00

Vega Los Zarzales

Verdejo

Espanha

Branco

Wine Premium

36,00

Trio Chardonnay

Assemblage

Chile

Branco

Expand

37,00

Muralhas de Monção

Alvarinho/Trajadura

Portugal

Branco

Barrinhas

38,00

Reflejo de Syrah

Syrah

Argentina

Rosé

Vinea

38,00

Familia Gascon

Chardonnay

Argentina

Branco

Wine Company

39,50

Crios

Malbec

Argentina

Rosé

Cantu

45,00

William Cole Mirador

Sauvignon Blanc

Chile

Branco

Ana Import

45,00

Melipal

Malbec

Argentina

Rosé

Wine Company

45,00

Crios

Torrontés

Argentina

Branco

Cantu

45,00

Quinta do Ameal

Loureiro

Portugal

Branco

Vinho Seleto

49,50

Muros Antigos

Loureiro

Portugal

Branco

Decanter

50,00

Valduga Gran Reserva

Chardonnay

Brasil

Branco

 Valduga

50,00

Forste Mariengarten

Riesling

Alemanha

Branco

Decanter

51,00

Domaine Sorin Terre Rouge

Assemblage

França

Rosé

Decanter

55,00

Dr. L

Riesling

Alemanha

Branco

Expand

55,00

Vinha da Defesa

Assemblage

Portugal

Rosé

Qualimpor

55,00

Protos Rosado

 Tinta del País (tempranillo)

Espanha

Rosé

Peninsula

56,00

Protos

Verdejo

Espanha

Branco

Peninsula

56,00

Abadal Rosado

Cabernet Sauvignon

Espanha

Rosé

Decanter

57,00

Rutini

Chardonnay

Argentina

Branco

Zahil

66,00

Don Pedro Soutomaior

Albariño

Espanha

Branco

Peninsula

112,00

 

Quer contatar importadores ou lojas aqui mencionados, veja detalhes em “Onde Comprar” .

Acabou-se o que Era Doce

quinta-de-baldias-008Neste caso acaba, mas dá para passar na Lusitana e comprar outra garrafinha. Quinta de Baldias Tawny. Dos Vinhos do Porto, tenho uma preferência pelos Rubi, especialmente os Reservas e os LBV. Nos Tawny, gosto muito dos envelhecidos; 10, 20 e 30 anos o que não é para o bolso de todos nós, mas este tawny da Quinta de Baldias é muito especial, pois permanece por 8 anos em barricas antes de ser engarrafado. Possui aromas frutados e na boca a tipicidade acentuada de frutas secas e amêndoas, tudo de bom. A um preço bem competitivo e uma ótima relação Qualidade x Preço x Prazer é, nesta época do ano, um grande parceiro para um panetone. Em outros momentos, é grande companhia para os doces conventuais portugueses (ovos e amêndoas) ao final de uma refeição ou a qualquer hora. O meu acabou, snif, essa foi a ultima taça, mas logo/logo vou comprar mais uma garrafa porque sem Vinho do Porto não fico não! Na Lusitana e lojas por cerca de R$55,00.

Salute

Sobre a Minha Mesa

Seleto grupo de vinhos portugueses sobre minha mesa e na minha minha taça. Mesa portuguesa farta, repleta de sabores e de boa companhia. Para acompanhar um primeiro prato de bacalhau e um segundo de cordeiro com batatas e brócolis, ambos deliciosos, os confrades levaram algumas preciosidades. Cortes de Cima Reserva 03, Quinta do Corujão Dão Reserva 01, Esporão Reserva 04 e eu levei minha ultima, snif/snif, garrafa de Malhadinha Tinto 03. Para finalizar a refeição e acompanhar as rabanadas, um Vinho do Porto Fonseca Ruby, melhor só se fosse um LBV!

Lembrar de todos esses vinhos tomados com muito gosto faz quase seis meses, acompanhados de uma galera de bons gourmets, fica difícil até porque tomar notas numa hora dessas seria uma tremenda enochatisse! Então, se me permitem, copiarei algumas resenhas encontradas na rede, adicionado de algum comentário do que eu me lembrei. Agora, que foi inesquecível lá isso foi!

esporao-reserva-04Esporão Reserva 04, esta foi a avaliação do Pedro Barata do blog Os Vinhos com link aqui do lado. Diz ele; “Aromas de fruta madura bem vincados, com leves especiarias a acompanhar, tem um paladar cheio e volumoso, a madeira ainda está muito presente, mas denota alguma elegância, taninos maduros e complexidade muito interessante, o final é prolongado”. Apesar de todas as criticas favoráveis, tenho que confessar um pecado; não sou um fervoroso e apaixonado consumidor dos vinhos da Esporão, pelo menos dos que já tomei, mesmo os achando muito bons e bem feitos. Este, mais uma vez, lembro-me que não entusiasmou, mesmo sendo um vinho correto e muito bem feito. Será uma questão de incompatibilidade de gênios? rsrs. Sou teimoso por natureza então seguirei tentando e provando, afinal são vinhos de grande prestigio e respeitadissímos. Os vinhos da Herdade do Esporão são importados pela Qualimpor e o preço deste deve andar por volta dos R$90,00.

 

corujaoQuinta do Corujão Dão Reserva 2001, deste me lembro claramente, pois me surpreendeu muito positivamente, um vinho muito equilibrado, elegante, macio e de grande sabor, que me agradou sobremaneira. O provei novamente num recente encontro promovido pela ViniPortugal e esta primeira impressão se confirmou estando no ponto para ser tomado. Um vinho sedutor de corpo médio, boa acidez, de grande harmonia, taninos finos, boca de boa fruta e algo de especiarias com um final muito saboroso, agradável e longo implorando pela próxima taça. Um vinho que acaba rápido, com um estilo que me agrada muito e faz a minha cabeça. Este é certamente uma boa opção que recomendo aos amigos, até em função do preço que está por volta de R$82,00 na Vinci, que é quem importa.

 

cortes-de-cimaCortes de Cima Reserva 2003, um degrau acima dos demais, complexo, denso e ainda muito fechado, tanto que deveria ter passado por um decanter para melhor mostrar todas as suas nuances. Um belo vinho do qual tenho uma garrafa na adega, mas que a meu ver precisa de tempo. Nesse momento e dia, não apresentou tudo o que pode, mas mostrou muita qualidade, estrutura, grande riqueza de sabores e muito potencial do qual espero sorver e apreciar melhor no ano que vem em meu 55º aniversário. Devido às “condições” em que foi servido, nem deu para abrir na taça como deveria! Eu gosto muito do “básico” tinto Alentejo deles, que é um dos meus achados (Melhores de 2008 entre R$50 a 80,00) e um vinho muito especial. Diz Pedro Gomes no www.novacritica-vinho.com ; “Amplo e profundo na entrada, cheio e denso, sem ser excessivamente gordo. Rico na evolução, sedoso, muito envolvente, com uma acidez quase estranha para a região e taninos robustos mas ao mesmo tempo muito sedosos. Termina muito longo com uma dimensão frutada –amora e ameixa- plena de encanto. Grande Alentejo, grande tinto, grande vinho. Se tudo fosse assim…”. Um digno representante do que de melhor o Alentejo tem a oferecer. Quem o trás é a Adega Alentejana, mas não tenho noção de preços, creio que deve andar próximo dos R$290,00.

 

malhadinha-1Malhadinha Tinto 2003, desse eu lembro-me bem! Para mim e naquele momento, o vinho do dia. Aliás, poucos à mesa conheciam o vinho e ficaram entusiasmados, tendo dividido a preferência da mesa com o Cortes de Cima Reserva. Uma das principais diferenças entre os dois, todavia, foi o fato de que o Malhadinha estava absolutamente pronto, no momento ideal para ser tomado e apreciado. Por estar mais macio e pronto, se contrapôs melhor ao bacalhau, apesar de ter escoltado bem o cordeiro. Aliás, fosse um almoço normal e eu sugeriria essa harmonização, Malhadinha com o bacalhau e o Cortes de Cima com o cordeiro. Falemos desse Malhadinha, um vinho do Alentejo, corte de Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon muito frutado com o que me pareceu ser algumas nuances florais, denso, de muito boa estrutura, taninos finos, elegantes e sedosos, ótimo equilíbrio, com um final de boca complexo, longo, algo especiado e muito saboroso que pede o segundo, terceiro e mais goles. Estava perfeito, um grande vinho no ponto para ser tomado, companhia certa e pratos idem, só podia dar no que deu! A comprovação de que o Alentejo possui uma interminável coleção de grandes vinhos que, por caracteristica de seus cortes e terroir, necessitam de tempo para mostrar toda a sua exuberância. A importação é da Épice e o preço ronda os R$260,00. Comprei em Lisboa por uns 25 euros, hoje deve estar um pouco mais caro, e esta garrafita já deixou saudades!

 

fonseca1Fonseca Porto Ruby, esperar que depois de tudo isso eu lembrasse deste vinho seria exigir demais deste vosso amigo! Vinícola histórica produzindo Vinhos do Porto desde 1820, possui uma vasta gama de produtos, entre eles o BIN 27 que me agrada muito. Como só tenho uma vaga lembrança, recorri aos “universitários” (rsrs), neste caso ao www.portuguesewinesshop.com que diz: “Vinho jovem e encorpado, apresentando frescura e vigor, sabores de ameixa bastante prolongado, robusto,  rico e harmonioso.” Que era bom era e a combinação com a rabada, divina! Disponível na Vinho Seleto por R$55,00 e o BIN 27 por R$70.

 

         Os vinhos portugueses top estão já muito caros em Portugal e por aqui ficam quase que inacessíveis a nós pobres mortais, em função dos altos impostos e margens praticadas, porém sempre existem uns amigos viajando o que permite umas estripulia ou outra, opcionalmente se garimpa alguns bons vinhos menos midiáticos e de grande qualidade que abundam tanto aqui como especialmente por lá. Ao longo do ano passado comentei diversos e este ano, prosseguirei na mesma batida buscando os bons rótulos a preços melhores ainda, sem que haja necessidade de grandes perdas de qualidade. Enganan-se aqueles que pensam que a qualidade está no preço, qualidade está no conteúdo da garrafa! No caso do Malhadinha e do Cortes de Cima Reserva, e outros do mesmo calibre, o preço acompanha a qualidade do caldo, mas também o marketing e a produção limitada.  São néctares que todos gostaríamos de ter na taça mais assiduamente, porém estão no mesmo nível dos grandes espanhóis, italianos ou franceses, então não é de se estranhar os altos preços, mesmo que não seja do nosso agrado. Tendo a chance, no entanto, não perca a oportunidade pois são soberbos.

           Salute e kanimambo.

Espumantes que Tomei e Recomendo III – Dez/08

A principio, prefiro os espumantes elaborados pelo método tradicional já que o processo é mais elaborado e menos estressante sobre o vinho gerando, normalmente, produtos mais complexos, com maior intensidade de sabores e aromas, quase sempre mais cremosos apresentando perlage mais fina e delicada do que os elaborados pelo método charmat. Por outro lado, é comum os “charmats” apresentarem perlage abundante, de dimensão maior, porém de menor persistência, e bom frescor. Tudo isto, no entanto, tem suas exceções como é o caso de um dos melhores, se não o melhor espumante nacional, o Chandon Excellence, que possui todos os atributos do método tradicional mesmo sendo elaborado pelo método charmat. Resumo da história, apesar dos guias, dicas e sugestões, não existem verdades definitivas no mundo do vinho, tudo é mutável e nada supera a prova, então aproveite ao máximo a época, ótima desculpa, e diversifique o quanto possa até encontrar o estilo de espumante que lhe agrade mais.

A faixa de preços anterior é tão rica de bons produtos, que pouco tenho me aventurado nos rótulos acima de R$50,00, apesar de ter provado diversos bons espumantes tanto nacionais como importados. Neste post, pretendo cobrir as ultimas duas faixas de meus Tomei e Recomendo, de R$50 a 80,00 e de R$80 a 120,00.

 

50-a-8000-003

 

De R$50 a 80,00 – Meu garimpo por bons vinhos e espumantes com bons preços, gerou algumas pedras preciosas neste ano, e alguns deles estão presentes aqui.

Proseccos, tradicionalmente elaborados pelo método charmat, algums belos exemplares que mostram que existem proseccos, e PROSECCOS! Estes fazem parte dessa ultima leva, rótulos de muita qualidade e muitíssimo saborosos. Bedin (Decanter) e Incontri (Vinea Store) são produtos muito similares, até de preço, e de grande qualidade, verdadeiramente cativantes. Ambos apresentam um enorme frescor, algo de maçã verde no olfato, bem cítrico na boca, muito bem balanceados e sedutores com um final de boca muito agradável e longo, deixando na boca aquele gostinho de quero mais que faz com que a garrafa acabe rápido demais. Duas opções difíceis de resistir em função da incrível relação Qualidade x Preço x Prazer que entregam. Rústico (Expand) é um prosecco também muito fresco, porém um pouco mais complexo com aromas que me lembram pêra e algo de pêssego, mais encorpado sem ser pesado, muito harmônico, cremoso com suave presença de sabores de levedura na boca, um senhor prosecco com uma personalidade muito própria.

petit-kriter1Dos outros espumantes importados, dois franceses de tirar o chapéu e cair o queixo, ótima opção para quem é chegado num champagne, porém está com o bolso meio curto. Kritter Brut Blanc de Blancs (Decanter) crémant de bourgogne da região de Beaune, amarelo palha, límpida e brilhante, perlage muito boa, fina e abundante. De média estrutura é um espumante macio, algo cremoso, mais sério e compenetrado mostrando alguma fruta, bom frescor e algo de torrefação e leveduras bem ao estilo dos espumantes de champagne.  O Kritter Rose, me encantou mais ainda porque tenho uma certa dificuldade em gostar deste estilo de espumante, em função do forte amargor de final de boca que costumam apresentar, tendo-me deixado muito satisfeito e seduzido por seu saboroso e muito agradável final de boca com grande frescor. Os suaves aromas de frutas silvestres frescas, se confirmam na boca com muita sutiliza e harmonia. O legal é que estão disponíveis em doses quase que individuais em pequena e charmosas garrafinhas de 200ml.

Ainda dentro os importados, duas deliciosas Cavas, tradicionalmente elaboradas pelo método champenoise; a Raventos i Blanc L’Hereu Reserva Brut .(Decanter) muito equilibrada, saborosa, frutada, fresca, de perlage fina e abundante, aromas sutis e delicados, persistência média, muito fácil de tomar e agradar formando um conjunto muito refinado; a outra acaba de chegar e já está à venda na rede de supermercados do interior Paulista, a rede Paulistão, e é uma grata surpresa, verdadeiramente encantadora e complexa, é a Marrugat Gran Reserva Brut Nature 04 (Pinord) de produção biodinâmica que passa 36 meses em garrafa. De cor amarelo dourado, límpida e brilhante, na boca é cheia, cremosa, seca, porém sem nunca perder o frescor aportado por uma ótima acidez. Boa estrutura, perlage muito fina, abundante de enorme persistência (aproximadamente uns 30 minutos) mostrando todo o seu potencial. Aromas sutis de leveduras e frutas cítricas, uma cava de primeiro nível, muito bem elaborada, de delicado final de boca mostrando muita finesse e elegância. Enorme surpresa que esteja posicionada nesta faixa de preços e um grande achado.

Dos nacionais, alguns dos considerados tops e já amplamente comentados pela imprensa especializadada; Valduga 130, Miolo Millésime e Chandon Excellence, todos grandes espumantes, porém bem diferentes entre si, com estilos diferentes que atendem gostos diferentes. O Valduga 130, homenagem à idade da vinícola, é o mais encorpado deles, um espumante que passa 30 meses em contato com as leveduras e adquire aromas muito clássicos de brioche e algo tostado,  muito presente no nariz, boa estrutura de corpo médio, denso, mostrando boa concentração de aromas e sabores mostrando um leque de sensações bastante complexas e uma perlage de média intensidade. O Millésime 04 da Miolo, segue o mesmo estilo, mas tenho para mim que a melhor acidez lhe dá um frescor maior de final de boca que me atrai mais. Cremoso, algo de torrefação e leveduras no nariz, na boca apareceu uma certa mineralidade, algo de abacaxi que me agradou bastante. Perlage abundante e fina com leve amargor no final. O teor alcoólico de 13º incomoda um pouco, não na boca porque está bem equilibrado, mas na terceira taça (hic.. rsrs). O Chandon Excellence Brut Cuvée Prestige, único deles produzido pelo método charmat, é elegante e sedutor, mostrando uma perlage fina, abundante e concentrada de ótima persistência. Apresenta aromas sutis de padaria, algo de abacaxi com eventuais nuances florais. Ótima acidez aportando bom e refrescante frescor produzindo muito equilíbrio, cremoso com espuma abundante que forma um bonito colar. Final de boca saboroso e muito agradável, algo cítrico e amendoado, convidando a mais uma taça.

 

De R$80 a 120,00 – quase não provei espumantes nesta faixa de preços, exceção feita a um delicioso spumante italiano rose e um soberbo espumante francês que, lamentavelmente, subiu para esta faixa em função da forte valorização do Euro e do Dólar. Da faixa anterior, andei pulando direto para alguns champagnes realmente muito bons, mas sob os quais pouco falarei já que, certamente, a maioria é bem conhecida e já amplamente comentada pela critica especializada.

Começemos pelo Bailly-Lapierre Brut Reserve (Nova Fazendinha) um crémant de bourgogne de muita qualidade  e um verdadeiro achado, que já foi mais competitivo, mas segue sendo uma boa opção aos champagnes de maior valor, especialmente para os amigos do Rio de Janeiro, Niterói e região. Às cegas, é difícil identificá-lo como um cremant e não um verdadeiro champagne. É bastante complexo, elaborado com um corte de Pinot, Chardonnay e Aligoté, passa 18 meses em garrafa nas caves antes de ser lançado no mercado. Os aromas de panificação estão muito presentes, com algo de frutas brancas e uma acidez e mineralidade bem marcantes que ajudam a dar-lhe equilíbrio, tornando-o mito agradável e sedutor na boca.

O Faive Rosé (Expand), é mais um daqueles espumantes que me arrebatou e encantou. Começa a cativar pela bonita cor rosa pálido, quase cobre, e límpida. Corte de Cabernet Franc e Merlot, muito balanceado com a marca de frescor e frutuosidade que Nino Franco, produtor italiano, imprime a seus saborosos espumantes, é extremamente sedutor, cremoso, equilibrado e fácil de beber. Ótima perlage, fina, persistente e abundante algo de cereja fresca na boca, vibrante, levemente off-dry, suave e de boa textura, muito agradável e saboroso final de boca de muito boa persistência. Um dos meus favoritos.

 

Acima disto chegamos nos champagnes e aí o céu é o limite. Para quem pode, recomendo alguns “básicos” de excelente qualidade com os quais me identifico mais. Um dos mais baratos e, na minha opinião, um dos mais frescos e saborosos é a Piper-Heidsieck (Interfoods), depois temos a super-elegante Taittinger Reserva Brut (Expand) verdadeiramente aristocrata e fina plena de sabor, cremosa, algo de baunilha e caramelo na boca com grande frescor harmonizando o todo; a Gosset Excellence Brut (Expand) muito equilibrada e de estupenda perlage, fina, abundante e persistente e a Veuve Clicquot Ponsardin Brut, de grande frescor e frutuosidade todos entre R$180 a 200 exceto a Piper que costuma estar por volta dos R$140,00.  Uma das que mais gostei, sem considerar o Comtes de Champagne de Taittinger que é de reflexão e talvez o melhor vinho que tenha tomado este ano, está o Mailly Grand Cru Brut Reserve (Ana Imports), de perlage abundante, persistente e fina com sur-lie de 3 anos que lhe dá profundas notas de brioche, boa fruta com ótimo frescor que mexem com nossas pupilas gustativas, um champagne verdadeiramente inebriante e muito elegante.

Bem, este foi realmente longo, mas queria terminar isto hoje. Faltaram os Cave Geisse, eu sei Leandro, mas estes e mais uma série de outros bons rótulos nacionais e importados, serão um de meus focos para 2009. Salute amigos, com muita borbulha e muito sabor. Aproveitem com moderação, desfrutem das festas, de bons vinhos e de boa gastronomia. Espero que estas dicas de Tomei e Recomendo do mês tenham ajudado em sua escolha e termino aqui as indicações do ano. Kanimambo e nos vemos por aqui lembrando; Sábado a Coluna do Breno e Domingo Noticias e Eventos de nossa Vinosfera. Segunda tem mais.