Na Minha taça

Semana de Bons Brasileiros

Degustar é uma coisa, tomar é outra e é quando você consegue, efetivamente, “sentir” o vinho em toda a sua essência. Aliás, sempre digo que degustar dá é uma vontade danada de tomar vinho! Provei diversos vinhos brasileiros nos últimos dois meses, mas estes; tomei, aproveitei e apreciei, são vinhos que me fizeram feliz. Foi uma semana de qualidade que tenho gosto em compartilhar com os amigos de Falando de Vinhos, e desafio os incrédulos a fazer esta mesma prova e depois seguir dizendo que não temos bons vinhos no Brasil.

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Cordilheira de Sant’Ana Tannat 2004 – Da Campanha Gaúcha , recebe um corte de 10% de Cabernet Sauvignon e 5% de Merlot,  passando 85% do vinho por 18 meses de madeira, tudo com o intuito de domar os potentes  taninos da casta principal. O resultado é um vinho muito interessante de uma bonita cor rubi com nuances violáceas que chama a atenção. Nariz de boa intensidade, na boca apresenta taninos firmes, mas finos e elegantes mostrando que ainda pode evoluir por mais um ou dois anos. Harmônico, equilibrado, média persistência, um dos melhores tannats nacionais que já provei. Acompanhei um churrasco e harmonizou muito bem. Preço em torno de R$46,00. I.S.P

 

Villa Francioni 2004 – Da região de São Joaquim em Santa Catarina, um ótimo corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec que é, certamente, o melhor vinho nacional que já provei. Um vinho bastante complexo de nariz e boca, muito rico, repleto de sabor, de muito bom volume em boca mostrando enorme equilíbrio e elegância. Seus taninos são finos, aveludados, longo, de boa estrutura e com uma personalidade muito própria que toma conta de todos os nossos sentidos nos deixando na boca aquele gostinho de quero mais. Preço por volta de R$100,00. Harmonizei este vinho com ele mesmo e dois companheiros, não precisou de mais nada. Bem, nada é forma de falar, faltou mais vinho! I.S.P 

 

 

 

Villagio Grando Cabernet Sauvignon 2006 – De Caçador, região de Santa Catarina, não é só o rótulo que é bonito não, o néctar faz páreo! Um belíssimo vinho que prima pela enorme elegância e finesse. Nariz de boa intensidade, frutado e agradável. Na boca é redondo, macio, muito saboroso e harmônico mostrando ser muito sedutor, possuir boa textura e muito boa persistência. De médio corpo, encanta ao primeiro gole e persiste até ao final, encantando a paleta gustativa no processo. Quanto mais provo vinhos deste produtor, mais me encanto. Acompanhou um lagarto assado no forno com total maestria. Preço ao redor de R$75,00. I.S.P 

 

Marco Luigi Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2003 – Realmente a primeira garrafa provada não estava boa. Agora sim, entendo o porquê de tantos elogios a esse vinho que vem lá do Vale dos Vinhedos, realmente faz jus a tanta fama. Tem um estilo clássico, nariz de boa intensidade, taninos absolutamente domados e prontos não devendo evoluir muito mais. É elegante, característica da maior dos vinhos provados nesta semana, taninos aveludados, bom volume de boca e uma riqueza de sabores que nos faz desejar a próxima taça. Daqueles vinhos que, quando reparamos, a garrafa já está, tristemente, no fim. Vou esperar ansiosamente o 2005! Mais um que tomei solo e aproveitei até à ultima gota. Preço ao redor de R$65,00. I.S.P

 

Pizzato Reserva Eggiodola 2005 – Jovem, precisou de uns 45 minutos de decanter para começar a dizer ao que veio e falou bem. Cepa diferente, pouco usual, de origem do sudeste francês, tendo sido plantada pelos Pizzato em 1988, porém somente inciado sua vinificação como varietal a partir de 2002.  Fruta confitada, madura, algo de especiarias, vinho de grande estrutura, encorpado, boa concentração, taninos firmes mas de boa qualidade sem agressividade, final de boca longo e saboroso. Necessita de acompanhar comida mais condimentada e é, essencialmente, um vinho gastronômico. Uma carne assada com molho, ossobuco, eu gostei muito com uma massa recheada com carne de cordeiro coberta por molho ao funghi. Preço por volta dos R$37,00. I.S.P $

Espumantes que Tomei e Recomendo I – Dez/08

As dicas dos espumantes que tomei ao longo do ano e que recomendo como boas opções passam por todos os estilos e métodos de produção, seja ele tradicional (champenoise), charmat ou asti. Sem preconceitos, provei um pouco de tudo, desde proseccos a grandes champagnes, independente de faixa de preço, no sentido de posicionar o leitor de diversos tamanho de bolso e gosto. A partir de R$15 a 17,00 já encontramos vinhos de alguma qualidade que nos trazem bastante satisfação pelo preço especialmente se tomados no momento adequado. Neste primeiro Tomei e Recomendo, listarei rótulos até R$30,00, faixa em que encontramos alguma boas opções ligeiras, descompromissados bons para o dia-a-dia e eventos como festas, comemorações ou casamentos, inclusive os espumantes Moscatel nacionais, e algumas gratas surpresas, rótulos realmente muito bons por um preço muito convidativo. Os preços são médios e aproximados já que não conferi níveis sendo hoje praticados, podendo haver variações dependendo de Estado, loja, etc., e obtidos nas lojas da grande São Paulo. Por outro lado, tentarei não listar aqui os que já comentei no final do ano passado, tentando fazer com que esta lista seja uma adicional aquela e somente de vinhos que provei este ano, com algumas poucas exceções.

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Dois espumantes nacionais que surpreendem, são o Conde de Foucault Brut da Aurora (Casa Palla)) e o Tributo Brut da Marco Luigi. O primeiro foi um leitor que me recomendou e realmente é bastante saboroso, suave ligeiro e muito fácil de agradar, ótimo para grandes eventos. O segundo, a Marco Luigi recém lançou para explorar esse mesmo segmento de espumantes de baixo valor agregado direcionado a eventos e conseguiram uma perlage bastante abundante, muito frescor e aromas cítricos sendo que ambos saem por menos de R$18,00 e muito melhores que a grande maioria dos proceccos meia-sola que se encontram por aí nessa mesma faixa. Um pequeno degrau acima e encontamos o Terranova Demi-sec, produzido pelo método Charmat no Vale do São Francisco pela Miolo, que é uma grande opção também para eventos pois é muito fácil de agradar apresentando bastante frescor, apesar de um pouco curto. Num patamar de preços um pouco mais acima, mas ainda mantendo-me nos bons espumantes nacionais, tenho que tirar o chapéu para dois produtos imperdíveis nessa faixa, o Salton Reserva Ouro Brut e o Marco Luigi Reserva da Família, dois verdadeiros blockbusters e uma grata surpresa, não pela qualidade, mas por terem caído nesta faixa de preços. O Salton Reserva Ouro Brut  (BR Bebidas)está mais próximo dos R$24, razão pelo qual o recomendo muito para eventos, e é um espumante fácil de gostar, de boa intensidade, balanceado e de boa perlage fina e abundante; já o Marco Luigi Reserva da Família Brut 2006 (Saint Vin Saint) fica mais perto dos R$30 e está num degrau mais acima ainda, sendo elaborado pelo método champenoise, mostrando muita elegância e finesse, enorme frescor, muita frutuosidade, grande harmonia, perlage de boa intensidade, fina e persistente deixando aquele gostinho de quero mais na boca, uma beleza. Outros bons produtos nacionais disponíveis nesta faixa de preços, mesmo que sem o destaque dos outros, são o; Salton Reserva Brut, Terranova Brut e Peterlongo Brut. Para dizer que não falei dos estrangeiros nesta faixa, há pouquíssimos, afora os que já sugeri o ano passado provei um que certamente será interessante para os amantes dos vinhos de nossos irmãos Argentinos, é o Nieto Senetiner Extra Brut (BR Bebidas). Não sou fã dos espumantes argentinos, acho os nossos bem melhores, mas este não faz feio, apesar de ser bem diferente já que é um Blanc de Noir, ou seja um espumante à base de cepas tintas em que se sobressai a Pinot Noir. Espumante mais encorpado e denso, de uma bonita cor salmão, bem seco, de boa perlage que certamente acompanhará comida muito bem.

Das Cavas, a Don Roman Brut e a Cristalino Brut e Demi-sec, seguem imbatíveis nesta faixa podendo ser encontradas no mercado a partir de R$29 e, em média, chegam a cerca de R$35,00. Como, no entanto, encontrei-os abaixo de R$30, os inclui nesta lista. Ambos são super frescos, o que acho essencial num espumante, bastante frutados, algo cítricos, corpo médio, boa acidez, fáceis de beber e agradar, com boa perlage, vão muito bem com a época do ano pois ambos têm uma personalidade bem viva e festiva. Provei outras boas Cavas, mas todas acima desta faixa.

Dos Proseccos, provei alguns entre os quais destaco o Chiarelli (Casa Palla) e o Cassal Del Ronco que são bastante agradáveis, porém mais encorpados, secos com leve amargor no final de boca, que tem muito a ver com a própria casta. O Villa Fabrizia (Kylix), é mais ligeiro, mais frutado e fresco com um bom preço. Para o meu gosto, todavia, nesta faixa de preços o Corte Viola Extra Dry (BR Bebidas) ainda segue sendo imbatível com uma ótima relação Qualidade x Preços x Prazer.

Moscatel é o que mais abunda nesta faixa de preços e a produção nacional está muito boa, com diversos e bons rótulos no mercado variando de R$16 a 25,00 que combinam muito bem com sobremesa e bem geladinhos são uma ótima opção para aperitivos, especialmente aqueles menos doçes que são os que mais me atraem. O onipresente Marco Luigi Moscatel, que tanto elogio por seu incrível equilíbrio de acidez com açúcar residual e sua intensidade de aromas e sabores com grande tipicidade da cepa, é o principal deles e o meu preferido, mas o da Aurora também é bastante saboroso como já anteriormente dito. Este ano, todavia, tive a oportunidade de provar diversos outros espumantes deste estilo e obtive alguns bons resultados que quero compartilhar com você. A começar por um novo lançamento no mercado o .Nero, produzido pela Domno, um novo projeto da Família Valduga, que me agradou pelo bom equilíbrio encontrado, muito sutil na boca e no nariz, fácil de agradar e bem leve; detentor do maior market share neste estilo, o Terranova Moscatel, exemplo da Moscatel nordestina do Vale do São Francisco, que está de cara nova, é muito bom no nariz e na boca mostrando boa intensidade, perlage abundante e persistente com um final de boca muito fresco e agradável; Oremus, produzido em Flores da Cunha pela Fante Bebidas é o mais suave deles, pálido, quase incolor, muito ligeiro, fino e feminino, para agradar em encontros informais sem grandes compromissos e onde a presença feminina seja maioria;  o Salton Moscatel (Cia do Whisky), com ótima espuma que deixa um bonito colar na taça, possui boa intensidade de aromas, na boca é saboroso e fresco, apesar do residual de açúcar um pouco alto e o Cavalleri que possui uma cor diferenciada, amarelo palha, nariz de bastante intensidade com algo floral, maior corpo que os outros acima citados, de boa concentração e bastante doçe, o que não faz muito a minha praia, mas para quem prefere algo mais doçe ambos são boas opções assim como, certamente, boas companhias para uma sobremesa de salada de frutas com sorvete ou, aproveitando a época, panettone de frutas. 

Enfim, será uma questão de difícil escolha já que há opções diversas, mas acredito que pelo menos uma deva encaixar no seu bolso e lhe agradar ao palato. Salute e no decorrer da semana tem mais. 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

 

 

 

Mais uma Semana de Bons Vinhos

            Depois de um hiato em que mais participei de degustações do que tomei vinho, sim existe uma diferença, cá estou de volta comentando alguns bons vinhos tomados na ultima semana, ou algo parecido. Logo, logo começo a compartilhar um pouco dessas degustações, inclusive mais um excepcional vinho de reflexão que tive o privilégio de degustar, um Quinta da Bacalhôa Moscatel Roxo 97! Mas esse é outro post.

 

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Rutini Cabernet-Malbec 2005 – Sempre um porto seguro quando quero tomar um vinho de qualidade reconhecida. Não tem erro, anos após ano um vinho que me agrada sobremaneira e, pelo que entrega de prazer e satisfação, o considero um vinho de boa relação Qualidade x Preço. Possui um nariz de boa intensidade em que aparece bem a fruta vermelha madura, mas com alguns toques mais tostados e algo de baunilha. Na boca é de taninos finos, macios, corpo médio, muito equilibrado, um vinho apetecível e sem arestas que prefiro sempre tomar com uns três anos de garrafa, como este, pois fica mais redondo e amigável. Na Zahil por R$ 66,00. I.S.P   $

 

 

Vila Jusâ DOC 2003 – Mais um achado nestes meus garimpos, desta vez do Douro em Portugal. Um corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca com educados 13º de álcool, possui nariz muito gostoso, convidativo, cheio de muita fruta fresca e leves toques florais. Na boca apresenta um certo frescor devido à boa acidez, é macio, redondo de médio corpo, harmônico e um final de boca muito saboroso e agradável mostrando boa persistência. Um belo vinho, que encanta, por um preço muito convidativo. Seu símbolo, um Wine Bird, pássaro que habita os vinhedos da região. Deixa um gostinho de quero mais na boca! Na Vinhos Seleto por R$42,50.

I.S.P  $ 

 

 

Domaine de Pontfrac 2006 – Um rosé de Cotes de Provence no sul da França, elaborado com Grenache, Cinsault e Carignan. De cara aquela cor muito característica e bonita dos rosés desta região, salmão bem clarinho. Nariz de boa intensidade frutado e fresco com alguns toques florais. Na boca parece que vai ………, mas não vai! Tem uma entrada de boca interessante, mas some na boca de tão curto. Gostoso, mas muito aquém do que promete. Quando acompanhou um peito de peru assado, até melhorou um pouco, mas não chega a convencer, faltou personalidade. Na BR Bebidas por R$42,00.  I.S.P

 

 

Família Bianchi Cabernet Sauvignon 2004 – Um belo vinho com aromas de fruta madura compotada, mas nada enjoativa, com algo de especiarias e um certo defumado após um tempo de taça. Médio corpo, rico e de ótimo volume de boca, apresenta uma textura de taninos aveludados e maduros balanceados por uma acidez correta, final de boca bastante longo com um retrogosto meio achocolatado.  Acompanhou uma picanha na brasa com arroz carreteiro, com grande maestria, um belo vinho. Onde comprar não sei, trouxe de lá, mas o importador é a Mr. Man e o Everson me informou que o preço de referência no mercado é de R$55,00. $

 

 

Graham´s LBV 2001 – Lamentavelmente esta foi minha ultima garrafa deste saboroso LBV. Um Porto Late Bottled Vintage de muito boa qualidade por um preço ainda camarada, em função do “congelamento” da taxa em R$1,99 por parte da Mistral. De cor Rubi escura, está muito equilibrado com deliciosos e intensos aromas de fruta madura e algo de chocolate e caramelo, macio, vibrante, saboroso, rico, denso e equilibrado num agradável e muito saboroso final de boca. Disponível na Mistral ou em lojas especializadas por cerca de R$78,00.  I.S.P  $

Salute e kanimambo.

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Brasil, Vinhos que Tomei e Recomendo III

Chegamos numa faixa de preços difícil. O porquê do difícil é em função da enormidade de rótulos do mundo inteiro disponíveis no Brasil exatamente dentro desta faixa. Nas listas que tenho publicado em Tomei e Recomendo, nas Adegas do Mês montadas, nas Degustações, existe uma enormidade de opções de belíssimos e conceituados vinhos disponíveis à escolha de cada um de nós consumidores. Porquê então comprar um nacional? Problemático explicar, até porque, preço por preço, a maioria ainda escolhe um importado e tem lá sua dose de razão. Os vinhos nacionais seguem sendo ilustres desconhecidos em nossa própria terra, os preços nesta faixa estão, salvo algumas poucas exceções, supervalorizados e existe uma dificuldade em encontrá-los nas lojas por falta de uma distribuição comercial adequada. Já comentei alguns vinhos nacionais aqui no blog, e deixo claro que, não fosse o alto preço, freqüentariam minha mesa mais assiduamente. Depois, acompanhando a rede, vi diversas outras manifestações de blogueiros e jornalistas especializados, batendo na mesma tecla o que, acredito, cria um importante ponto de reflexão para todos nós, inclusive os produtores. Estará a política comercial e de preços adequada à realidade do mercado e à forte e diversa concorrência? Colocar a culpa nos impostos, bode expiatório tanto dos produtores nacionais como dos importadores que tem lá sua penalizadora influência sobre o preço, ou nos importados, me parece argumento já falido e passível de revisão reflexiva.

Bem, enquanto refletem sobre esse tema, eis alguns dos bons vinhos que tive a oportunidade de tomar ao longo deste ano. São todos vinhos de qualidade reconhecida, que recomendo, a nata da produção nacional.

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Vinhos de R$50 a 80,00

Começo pelo bom Joaquim 2005 da Villa Francioni, corte Cabernet Sauvignon com Merlot que mostra uma paleta de aromas muito boa com frutas vermelhas e algo herbáceo finalizando com uns aromas tostados após um tempo na taça. Na boca não apresentou a mesma exuberância que no nariz, mas achei um vinho bem equilibrado, com taninos finos bem posicionados e aveludados, de corpo médio para encorpado e acidez adequada. Talento 2004, da Salton outro vinho bem conhecido e já com um histórico de qualidade. O 2002 que provei o ano passado achei já passado da hora ou talvez tenha sido mal guardado, apesar de que compro sempre em lojas conhecidas e de qualidade, mas este 2004 me agradou sobremaneira e, na minha opinião, está no ponto para ser tomado. Um agradável corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat de bastante harmonia e acredito com mais potencial de guarda do que seu antecessor.  Da Miolo, o Merlot Terroir 2004 é um digno representante dos bons vinhos elaborados no Brasil com esta casta. Um bom vinho, mostrando boa estrutura e algumas especiarias, bom volume de boca e taninos aveludados tendo lido de que o 2005 se apresenta melhor que este. Ainda dentro dos vinhos premium elaborados com Merlot, dois outros rótulos que ma agradaram muito. O Desejo 2004 da Salton, está muito cremoso e elegante, saboroso e de boa persistência mostrando bastante equilíbrio, taninos presentes, mas finos sem qualquer agressividade e o Villaggio Grando Merlot  mostrando gostosa fruta madura, corpo médio, harmônico e de taninos macios, fácil de beber e gostar deixando aquele gostinho de quero mais na boca especialmente se levemente referescado a cerca de 16º.

Três Cabernet Sauvignon 100% que me encantaram, cada um com seu estilo; Gran Reserva da Família Cabernet 2003 de Marco Luigi um belíssimo e clássico vinho, taninos prontos, aveludados, muito rico e de bom volume de boca; o Villaggio Grando Cabernet 2006 recém lançado que me encantou e prima pela elegância e finesse, sedutor, macio redondo, saboroso, cativante entrada de boca e de muito boa persistência num longo final e o Gran Reserva 2004, da Marson, de muito boa estrutura, taninos equacionados, finos e elegantes, mostrando muito equilíbrio e harmonia num vinho muito saboroso e longo, de boa complexidade. Três belissímos vinhos!

Innominabile Lote II, vinho top da Villagio Grando produzido a 1400 metros de altitude em Caçador, Santa Catarina, um divino corte de cinco cepas (Cabernet Sauvignon/Malbec/Cabernet Franc/Merlot e Pinot Noir) e duas safras tendo como protagonista a de 2006, porém cortado com uma parte do Lote I de 2005, um dos melhores vinhos nacionais, tem boa complexidade e elegância, muito saboroso com grande equilíbrio e taninos doces, um vinho realmente sedutor e fino com uma característica muito velho mundo, talvez em função do enólogo que é francês.  Quinta da Neve Pinot Noir 2006 de Santa Catarina, talvez o melhor do Brasil, que apresenta um nariz de boa intensidade, corpo leve, equilibrado, rico, taninos macios e gostoso final de boca que invita à próxima taça e, para finalizar, o Portento 2005, vinho fortificado produzido em São Joaquim pela Quinta Santa Maria num estilo dos Vinhos do Porto fruto de um corte de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot e Aragonez. Um vinho surpreendente, muito bem feito, num estilo Porto Ruby muito cremoso, frutado e equilibrado. Produz um branco também, de uva Moscatel, que também é saboroso, porém longe to tinto que realmente é muito interessante.

Nos brancos gostei do Chardonnay da Villaggio Grando que mostrou qualidades apesar de não ser um blockbuster.

 

 

 

 

 

Vinhos de R$80 a 120,00

Provei alguns bons vinhos, entre eles o Boscato Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2002, de muito boa estrutura, boa acidez, vinho que combina bem, potência com elegância num conjunto de muito boa qualidade. Villa Francioni Francesco 2005, um bom corte de Merlot/Cabernet Sauvignon / Malbec / Cabernet Franc e Syrah. Muita fruta madura de boa intensidade no nariz, macio, taninos finos perfeitamente equacionados, saboroso repetindo a fruta levemente compotada com algo de salumeria num corpo médio bem balanceado. Não provei nenhum branco dentro desta faixa, mas dizem que o Sauvignon Blanc da Villa Francioni é de primeira. Dois tintos, no entanto, são de tirar o chapéu e são prova viva de que sim, o Brasil já possui alguns grandes vinhos para brigar de frente com alguns dos bons rótulos importados.

         Storia 2005, o merlot super premium da Valduga, um senhor vinho que foi, também, muito competentemente trabalhado do ponto de vista mercadológico. Ainda fechado, taninos maduros ainda bem presentes e adstringentes, com ótima estrutura, bom equilíbrio, potente, longo e saboroso final de boca e uma paleta de aromas em que sobressai fruta vermelha e algo de café. Em uma degustação às cegas realizado na Portal dos Vinhos com os vinhos varietais; Ventisquero Queulat Pinot Noir 2006, Achaval Ferrer Malbec 2005, Kaapszchit Shiraz 2004, Abraxas Tannat 2002 e Coppola Claret Cabernet Sauvignon 2004, levou a melhor sobre todos eles. Um grande merlot de bastante potência requerendo um tempo de decantação antes de servir e certamente melhorará muito dentro de mais um ou dois anos. Preço, se achar, é em torno de R$90.

         Villa Francioni 2004, o top de linha desta jovem vinícola catarinense, eleborado com um corte Cabernet Sauvignon/Merlot/Cabernet Franc e Malbec num típico corte bordolês e, dentre todos os nacionais que já tomei, gostei e recomendei, este é certamente o melhor! Vinho complexo, muito rico, equilibrado, saboroso, ótimo volume de boca, taninos finos de grande elegância e ótima persistência. Daqueles que quando você sente os aromas e toma o primeiro gole, já se dá conta de que está frente a frente com um grande vinho de muita personalidade tomando conta de todos os seus sentidos. Em mais uma degustação às cegas no Portal dos Vinhos, este Villa Francioni foi colocado à prova junto com outros bons e conceituados blends estrangeiros; Altimus 2004 e Chakana Estate Collection 2004 ambos da Argentina, Valdivieso Éclat 2005 do Chile, Francis Coppola Rosso Classic 2005 e Morkel Atticus 2003 Sul Africano. Deu Villa Francioni na cabeça e o preço está por volta de R$100 a 110,00!

           Painéis compostos essencialmente por consumidores, que são o júri mais imparcial, isento e pé no chão que podemos encontrar, aquele que realmente conta. O unico senão segue sendo o preço, especialmente nesta faixa mais alta onde temos inúmeros néctares de igual ou melhor nível a preços inferiores, dificultando a escolha por um destes ótimos produtos.

Salute e kanimambo.

L’instant Taittinger

comtes1Não vou entrar em detalhes da linha de champagnes Taittinger degustados hoje (19/11), até porque faz somente três horas que tomei um dos melhores néctares de minha vida e ainda estou em êxtase! Preciso reformular conceitos, rever anotações e ver como colocar no papel e na tela, todas as sensações que o Comtes de Champagne Brut Blanc de Blanc 1998 me fez sentir. Refinado é pouco e o momento, muito mais que um instante, é infinito enquanto dura, parafraseando o poeta Vinicius de Moraes, e este está durando um tempão. Estupendo, divino, maravilhoso, sedutor, todos adjetivos de pouca monta para tamanha finesse e refinamento neste verdadeiro elixir dos deuses!

Existem coisas que não são para serem ditas ou explicadas, mas sim vividas. Neste caso tomadas, pois nada do que eu jamais possa colocar neste texto chegará aos pés de tomar uma taça deste Champagne. É depois de experiências como esta que começamos a entender de onde vem tamanha fascinação pelo champagne e o que faz algumas destas verdadeiras preciosidades valerem o que vale. Mais um vinho de reflexão que tive o prazer e privilégio de degustar este ano. Como disse Clovis Taittinger, jovem herdeiro da Maison Taittinger; ” Por trás de nossos champagnes há muito mais do que técnica e estatísticas, há valores, alegria e sonhos”. Creio que o Comtes de Champagne 1998 é a essência de tudo isso numa garrafa!

Produzido somente com Chardonnay de vinhedos Grand Cru próprios, elaborado exclusivamente em anos em que as uvas atingem excelência de qualidade e em quantidades limitadas, é um mimo para poucos. É delicado, sedutor, muito rico e complexo, um verdadeiro prazer hedonístico. Espuma abundante que deixa um fino colar na borda da taça, perlage incrivelmente fina, abundante e persistente, enorme frescor (depois de 10 anos!), cítrico, vibrante, elegante com um final de boca muito longo, exuberante e bem mineral. Cor palha claro, límpido e brilhante, parece ter sido feito ontem! Para quem, como eu, gosta de espumantes menos pesados e carregados de sabores e aromas de leveduras, então alegre-se, este é o Olimpo, só precisa escolher os outros 11 deuses que lhe farão companhia.

Não sou um profundo entendedor de champagnes e muito menos tenho a experiência de ter tomado muitos neste nível, mas uma coisa é certa, esta é uma experiência única. Não acredito em perfeição, tanto que nunca dei nota dez a nada na vida, acredito que sempre existe espaço para melhora, inovação e evolução, mas se existem néctares próximos da perfeição, este é certamente um deles. Como disse, é para poucos ou para momentos muito, mas muito especiais com o preço sendo coerente com a exclusividade do produto. É muito dinheiro, tanto lá fora como aqui, mas vale montar um grupinho e rachar a conta ou, se você tiver a sorte de estar de bolso recheado, permita-se um trato e tome uma garrafa destas pelo menos uma vez na vida! A importação é da Expand e depois falo dos outros bons produtos que a Taittinger produz. Por enquanto, só precisava colocar toda esta emoção para fora e compartilhar esta experiência, que espero não seja tão unica assim, com os amigos, esperando que todos possam ter a chance de passar por instantes (infinitos) como este.

Salute!

Brasil, Vinhos que Tomei e Recomendo – II

Bem aqui, vai mais uma leva de bons rótulos a tomar numa faixa de preços muito competitiva e onde se encontram a maioria dos vinhos nacionais. Apesar da faixa ser até 50 reais, a verdade é que a grande maioria está entre 30 e 40 reais o que faz com que esta seja uma ótima opção aos vinhos estrangeiros, muitas vezes, de qualidade duvidosa, ainda mais agora que a grande probabilidade é de que os vinhos importados fiquem mais caros. John Lennon dizia “Give Peace a Chance”, mas poucos ouviram! Eu, na minha insignificância perto do grande mestre, digo “Dê uma chance aos vinhos brasileiros, desarme-se” e pergunto, será que alguém me atenderá? Não sei, mas quem não o fizer, certamente estará perdendo alguns bons vinhos a ótimos preços, por puro preconceito. 

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De R$30 a 50,00, é uma faixa de preços em que encontramos a maioria dos bons vinhos nacionais, com alguns melhores, ou mais conceituados, na faixa imediatamente acima e alguns ainda um degrau acima.

Dal Pizzol Tannat 05 vinho que me surpreendeu, Taninos macios e sedosos mostrando uma certa delicadeza na boca, elegante e equilibrado mostrando ser um vinho sedutor com um final de boca muito agradável. O Touriga Nacional 07 com jeitinho Brasileiro, possui uma paleta aromática muito interessante com um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem típicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, suave, pronto e fácil de tomar.

Casa Valduga Premium C.Sauvignon 05, de boa estrutura, nariz frutado onde aparecem bem frutas vermelhas e algo especiado num segundo instante, boa estrutura, muito harmônico, de médio corpo, um vinho muito agradável e de taninos já bem equacionados tornando-o um vinho fácil de se gostar e uma ótima companhia para uma carne de forno.

Cordilheira de Santa’Ana Tannat 04, com um tempero de cabernet sauvignon e merlot, está delicioso, muito fino e elegante, boa estrutura, taninos macios ainda presentes mostrando que ainda tem um bom par da anos pela frente.

Pizzato Reserva Egiodola e Merlot 05, são clássicos da Pizzato e estão muito bons e de cara nova com rótulos novos que modernizaram o visual dos vinhos da vinícola. O Merlot ainda está jovem, necessita de decantação, mas mostra boa estrutura e muita riqueza de aromas e sabores, um belo vinho de muito bom preço e boa complexidade, mostrando bem porquê a Pizzato é conhecida como uma das vinícolas nacionais que melhor trabalha com esta cepa. O Egiodola é um vinho encantador, a meu ver mais pronto para tomar, mas também requer decantação. Vinho diferente algo de fruta mais confitada, bom corpo e persistência, tendo acompanhado uma ravióli de cordeiro com creme de funghi de forma exemplar.

Marco Luigi Reserva da Família 03, um verdadeiro achado pelo preço e qualidade apresentada, tendo me seduzido por completo, até porque gosto muito de vinhos elaborados com merlot, especialmente os nacionais. De médio corpo com álcool bem comportado (13º), bom volume de boca, boa acidez, equilibrado, taninos maduros, finos e elegantes estando, na minha opinião, no auge para ser tomado.

Marco Luigi Tributo Cabernet/Merlot 2003, mais um vinho muito saboroso e sedutor da Marco Luigi. Esta linha é de, tradicionalmente, varietais mais baratos, quase que a entrada de gama da vinícola. Este no entanto é, do ponto de vista de produto, bem mais evoluído e complexo um vinho extremamente agradável de tomar e fácil de gostar com taninos doces, bom equilíbrio e volume de boca bastante interessante.

Don Abel Premium C.Sauvignon e Merlot 05, muito bons vinhos que já tomei por R$27,00 há pouco mais de um ano atrás e agora, em São Paulo, já está por R$40,00. Saindo um pouco dos produtores tradicionais, são vinhos de boa concentração, médio corpo e equilibrados que possuem uma personalidade muito própria.

Quinta da Neve Cabernet Sauvignon 06, um vinho de altitude de Santa Catarina. Os cabernets desta região estão muito interessantes e este não foge à regra. Aromático, macio, corpo médio, muito equilibrado e um final de boca saboroso e bastante persistente.

Dezem Cabernet Sauvignon 04, vem de Toledo, no Paraná, mais um Terroir Brasileiro não muito conhecido. A Dezem vem recebendo boas criticas. De cor rubi, aromas não muito intensos apontando para frutas escuras, madeira e algo resinoso. Na boca é cheio, de corpo médio, taninos maduros muito bem equacionados, boa acidez, saboroso, fácil de agradar e no ponto para ser tomado. Dizem que o Merlot também é bom.

 

 

Maestrale e Nubio Rosé 05. A Sanjo na primeira safra que está disponível nas lojas, só produziu vinhos com cabernet sauvignon e estes dois me entusiasmaram bastante, especialmente em função dos preços muito convidativos, aliás como é o caso do Cabernet da Quinta da Neve. Maestrale é o top de linha deles, muito saboroso e harmônico, mostrando boa estrutura e taninos aveludados que indicam alguma capacidade de guarda. O Nubio Rosé é muito aromático, saboroso e fresco na boca, mostrando uma estrutura maior que os vinhos rosé típicos, de boa acidez, mostrando características que o recomendam como um vinho gastronômico.

Larentis Reserva Especial C.Sauvignon e Ancellotta ambos 2002, foram vinhos que me agradaram sobremaneira tendo-os conhecido em uma visita à região em 2006. Lamentavelmente não obtive retorno a minhas continuas tentativas de contato, mas acredito que os vinhos de 2005, em função da safra, devam estar no mesmo patamar. Difícil de encontrar, mas quem tiver pelo Rio Grande do Sul ou em visita ao Vale dos Vinhedos e região, não deixe de experimentar.

Don Candido Marselan 4ª Geração, mais um daqueles vinhos que aparece no garimpo e nos surpreende. Uma mostra de que a vinosfera brasileira apresenta vinhos muito interessantes fora dos tradicionais cabernets e merlots. Frutado, macio, boa estrutura e harmônico, bom vinho.

Don Laurindo Assemblage 05, um vinho de boa complexidade fruto do corte de tannat/cabernet sauvignon e merlot. Este provei em loco, junto com uma série de outros de sua linha de produção, mas foi este que marcou e me lembro ainda hoje depois de 2 anos o que, creio, já diz muito sobre o vinho e o preço é super camarada pelo que oferece. Um vinho encorpado, uma decantação não lhe fará mal algum, mas nada agressivo, muito rico, taninos finos e elegantes, muito saboroso e apetecível.

          Dos brancos nesta faixa e apesar de não ser um apaixonado pelos nacionais, em que claramente prefiro os tintos, gosto bastante do Cordilheira de Sant’Ana Gewurtzraminer, porém o ultimo que tomei é o de 2004. Há dois anos estava, a meu ver, uma delicia que me conquistou. Provei há pouco tempo e já não achei o mesmo, tendo perdido muito do seu frescor. Nem melhor nem pior, diferente. Preferiria ver uma safra mais nova, mas segue sendo o melhor Gewurtzraminer nacional em meu modesto parecer, mostrando ótima tipicidade da cepa com um floral presente e, hoje, uma lichia compotada. Cordilheira de Sant’Ana Chardonnay 05 também é muito saboroso, com uma paleta olfativa em que aparece abacaxi e algo de pêra, muito agradável de tomar, macio, ótima acidez e bastante persistente. Outras interessantes opções de brancos nesta faixa, são; o Chardonnay da Pizzato e o Sauvignon blanc tanto da Dal Pizzol como da Casa Valduga Premium.

Salute, kanimambo e aproveitem estes bons vinhos

Brasil, Vinhos que Tomei e Recomendo – I

Ao longo dos tempos tenho tomado diversos vinhos brasileiros. Aliás, nos idos de oitenta não havia muitas opções, ou era isso ou tinha-se que ter o bolso bem recheado pois os importados eram caríssimos. Hoje existem muito mais opções no mercado, mas sempre tento provar os nossos nacionais e tenho visto um enorme salto de qualidade no produto. Acho que a nível comercial ainda há muito o que fazer já que é difícil encontrar os produtos, exceção feita a umas três ou quatro vinícolas maiores, nos diversos pontos de venda. O próprio consumidor conhece pouco de nossos produtos o qual olha com certo preconceito baseado em más experiências de anos anteriores. Por outro lado, em um ano de atividade tive somente um convite para degustação de vinhos brasileiros, a Cordilheira de Santa’Ana, a qual comentarei mais adiante, enquanto não tenho dedos para contar todos os convites que recebi de diversas importadoras. Isto, obviamente, reduz o nível do garimpo, conhecimento e capacidade de divulgação.

Por sinal foi incrível o baixo retorno das vinícolas, a grande maioria sequer se dignou a responder aos e-mails enviados, quando lhes informei do painel sobre vinhos brasileiros que estava realizando. Nada contra, ninguém precisa me atender e isto não é uma reclamação ou desabafo, cada um age da forma que acha devida e há que se respeitar isso, somente uma constatação de que o trabalho de pesquisa e garimpo certamente ficam prejudicados e esta ausência de informações, de acordo com conversas com diversos outros atuantes na área, parece ser uma característica do setor. Ou seja, o que quero externar, é minha opinião sincera de que grande parte das vinícolas brasileiras, obviamente que existem exceções e falo de forma genérica, são vitimas de seus próprios erros na ausência de uma política adequada de divulgação e distribuição. Num mercado competitivo que nem o Brasil, entre os quatro principais no mundo em termos de diversidade, com cerca de 18.000 rótulos só de importados, quem ficar sentado na vinícola esperando o cliente chegar ………

Enfim, o problema é mesmo dos produtores, não nosso e já dei palpite demais sobre esse assunto. Como consumidores o que queremos é tomar bons vinhos com bons preços e ter uma certa facilidade de acesso aos rótulos que mais gostamos. Nesse sentido, creio poder lhes sugerir alguns rótulos bastante interessantes, uns mais conhecidos, outros menos, baseado em minha experiência. Começo pelos mais baratos, como sempre faço, lembrando que as safras de 2002, 2004 e 2005 foram muito boas e são uma boa pedida para se procurar nas lojas, especialmente a 2005. Quanto aos vinhos brancos, melhor tomar o mais jovem possível e a safra de 2008 tem apresentado bons produtos.

 

Até R$30,00 uma série de vinhos que não têm a intenção de serem grandes, mas que são muito bons para o dia-a-dia e estão prontos a beber.

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  • A Miolo tem uma linha bastante grande de produtos, mas dentro desta faixa de preços os que mais me entusiasmaram foram o Miolo Reserva Merlot os Fortaleza do Seival Tempranillo e o branco Pinot Grigio. Uma ressalva, o Tempranillo 2005 estava muito bom porém não tenho tido boas informações sobre o 2006 então a safra é importante.
  • Marson Reserva Cabernet Sauvignon é um outro vinho de grande relação custo x beneficio que surpreende por suas qualidades com taninos finos e elegantes, muito harmônico, copro médio e saboroso passando seis meses em barrica de carvalho americano e mais seis meses em garrafa nas caves, uma bela pedida.
  • Marco Luigi Merlot, mais uma prova de que a nossa principal uva é a Merlot com bons produtos nesta faixa de preços e alguns ótimos em faixas acima. Um vinho muito redondo, equilibrado, boa fruta madura, boa acidez, muito apetecível com taninos macios e agradável final de boca.
  • Fausto Rosé da Pizzato, um rosé de merlot muito frutado, boa acidez, bem refrescante que acompanha muito bem comidas leves como um peru à Califórnia.
  • Adolfo Lona corte de Merlot/Cabernet 2004, um vinho diferente e bastante interessante com um nariz muito floral e intenso que assusta num primeiro momento mas que se encontra bem resolvido na boca com taninos doces, redondo e saboroso.
  • Cordelier Merlot, existe o reserva elaborado com uvas selecionadas, sem passagem por madeira e mais tempo de cave, e o básico com somente uns 4 meses de cave antes de ser lançado ao mercado e que vem acondicionado em uma garrafa que imita garrafa envelhecida. Os dois são bons, mas eu curto mesmo é o da garrafa envelhecida que tem uns aromas e paladar bem marcantes e uma ótima pedida pelo preço em torno de R$15 a 17,00, apesar de que o Reserva não fica atrás e pouco mais custa.
  • Rio Sol, um vinho surpreendente e, apesar de ser o mais barato da linha com preço ao redor de 20 Reais, é um dos meus preferidos. Corte de Cabernet Sauvignon com Syrah, é um vinho muito equilibrado, harmônico e saboroso que substitui amplamente a grande maioria dos vinhos nesta faixa trazidos do Chile e da Argentina.
  • Angheben Barbera 2007, provei ontem e é realmente uma grande pedida nesta faixa de preços, mostrando bom equilíbrio, taninos macios, médio corpo, redondo e muito agradável de tomar. O Touriga Nacional de que falam tanto não me conveceu e é bem mais caro.
  • Aurora Varietal Cabernet  Sauvignon e Merlot, são dois vinhos para aqueles dias de caixa baixo, já que estão abaixo do 20 Reais, mas que não negam fogo. São corretos, ligeiros, fáceis de beber e bastante agradáveis sendo ótima companhia para um belo sanduba de fim de semana, um caldo verde ou uma carne grelhada não muito condimentada.
  • Salton Volpi. Quero finalizar com esta linha de produtos da Salton que acredito ser uma das melhores, se não a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação no mercado. A Salton também possui uma linha mais barata, a Classic, que é correta, ligeira mas não me encanta. Já a linha Volpi recomendo sem pestanejar, especialmente o Merlot que é sempre muito bom, de taninos doces e sedosos num corpo médio, muito saboroso e de média persistência, um dos bons merlots nacionais e uma aposta certeira nesta faixa de preços, e os Pinot Noir e Sauvignon Blanc que tive o grato prazer de provar ontem. O Pinot 07 está em outra faixa de preços, falo depois, mas o Sauvignon Blanc 08 me encantou e conquistou desde a primeira fungada na taça! Surpreendente porque, apesar de ter alguns vinhos brancos nacionais de que gosto são poucos os que realmente me encantaram e este é uma delicia. Com baixo teor de álcool (11.9º), muito balanceado, nariz intenso em que aprece uma goiaba branca muito presente, e olha que meu nariz é meio fraquinho, frutado na boca, muito boa acidez o que o torna fresco, agradável e fácil de tomar deixando na boca aquele gostinho de quero mais.
  • Casa Valduga Premium. Esta linha possui vinhos de muita qualidade, porém com somente um rótulo que conheço e que cabe nesta faixa de preços, sendo um dos outros brancos nacionais de que gosto muito. É o Gewurtzraminer, que apresenta muita tipicidade com aqueles aromas florais e lichia, muito saboroso e ótima companhia para pratos orientais apimentados como curry de frango ou camarão.

É isso gente, conforme for dando vou publicando a seqüência dos posts sobre o Brasil já que ainda existe muito por falar e começo a receber novas e interessantes informações. Um abraço, bom fim de semana e amanhã tem a Coluna do Breno, depois no Domingo novidades, oportunidades e eventos. Volto na segunda-feira, Salute e kanimambo.

Mailly Champagne Grand Cru

Para comemorações em grande estilo, a sugestão é o Champagne Mailly Grand Cru Brut Reserve. Esta bebida dos deuses se destaca entre seus pares franceses, feitas de uvas provenientes de vinhedos especiais, classificados como grand cru, é composta de 75% Pinot Noir e 25% Chardonnay, apresentando um tom amarelo dourado claro e brilhante, de aroma complexo de brioche tostado e paladar sem igual. Tive a oportunidade de provar este Champagne muito especial na última Expovinis e realmente me encantou por sua leveza e finesse. Sua perlage é abundante, persistente e fina com sur-lie de 3 anos que lhe dá profundas notas de fruta com ótimo frescor que mexem com nossas pupilas gustativas. Um Francês vibrante e muito elegante que me encantou tanto que tenho duas garrafas na adega, pedido que fiz a uma amiga que esteve em Paris recentemente.

A vinícola foi fundada em 1929 e mantêm seu compromisso e original vocação de produzir uvas em um solo excepcional para buscar sempre os melhores frutos. Um dos poucos vinhedos Grand Cru, somente 17, entre os 324 crus da região a Mailly produz espumantes exclusivamente com uvas de sua propriedade e somente néctares 100% Gand Cru. Não é barato, nem poderia, mas é um grande espumante do jeito que eu gosto, com muito frescor, intenso mas leve, de grande persistência e muito saboroso. Um elixir para momentos especiais.

A Champagne-Mailly chega ao Brasil pela Ana Import com cinco de seus produtos: Brut Réserve; Brut Rosé, Le Feu, L’Intemporelle e Les Enchansons. Seus preços partem de R$ 247, 00, para o Brut Reserve. Quer conhecer mais do produtor, clique aqui.

Salute e Kanimambo.

Novas Descobertas

È meus amigos, estas minhas viagens pelo garimpo volta e meia me apresentam descobertas muito interessantes. Incrível os bons e saborosos vinhos que conseguimos encontrar por preços bem acessíveis, se realmente saímos e fuçamos um pouco no mercado. Na ultima semana tomei estes quatro rótulos muito interessantes que convido você a provar.

Primitivo San Marzano 06 IGT, um vinho da região da Puglia. Um vinho surpreendemente bom pelo preço, vindo para provar que nem todo vinho barato é ruim, mesmo quando italiano. Um verdadeiro achado do Fredo, Jorge e Cia lá da BR Bebidas. Quando se olha no contra-rótulo se descobre o porquê, é que a vinícola está ligada ao grupo Farnese um dos melhores produtores italianos com braços espalhados por diversas regiões produtoras e, desses mesmos vinhedos, produz alguns néctares de grande qualidade. Este é escuro, denso, chega a tingir a taça. De ótima concentração, na boca apresenta muita tipicidade da cepa com ótima acidez, taninos finos e aveludados. O final de boca é muito saboroso e agradável apesar de relativamente simples. A percepção de valor é bem superior ao preço de R$22,00 que a BR vende. Para o dia-a-dia, um vinho realmente muito bom! $ 

Les Salices Viognier 06 de Jaques e François Lurton, produtores franceses com investimentos espalhados pelo mundo inteiro. Produzem também, o ótimo Fuméss Blanche um Sauvignon Blanc muito bom e de bom preço. Este Viognier é um VdP (vin de pays) de boa tipicidade no nariz, boa intensidade mostrando frescor e algo floral. De corpo médio, bem balanceado, untuoso, algo cítrico, um bom exemplar desta cepa que começa a ganhar espaço no mercado.  Na Zahil por R$51,00.

 

Beringer Founder’s Estate Pinot Noir 05, da Califórnia, Estados Unidos. Uma novidade da Expand que o trouxe ao Brasil há pouco tempo e que, agora tenho oportunidade de  tomar e apreciar. Diferentemente das degustações, em que a gente basicamente “bica” o vinho, eventualmente duas vezes, nos vinhos da semana literalmente tomo e aprecio o vinho, muitas vezes acompanhado de comida, o que produz percepções e emoções diferenciadas. Provar uma novidade é sempre muito legal porque entramos desprovidos de informações e influências outras que não o da descoberta e esta safra foi especialmente boa o que aguçou minha curiosidade. Este Pinot é uma gostosa descoberta, mesmo não sendo um grande vinho e nem se propõe a isso. De médio corpo, taninos médios, um pouco genérico nos aromas e muito agradável de se tomar, mostrando estar muito redondo, harmônico e macio, fácil de agradar. Uma boa opção para conhecer o estilo dos pinots da Califórnia, tradicionalmente caros, sem que se tenha que provocar um rombo no bolso. Na Expand por R$59,00

 

Subsídio 06, do bom produtor alentejano, Lima Mayer, vem este vinho muito interessante, corte de Aragonez, Syrah, Alicante Boushet e Cabernet Sauvignon produzido na sub-região de Monforte. De nariz contido, necessita de um tempo em taça para se abrir em gostosos aromas de frutos silvestres. Sem ser um blockbuster, é um vinho correto, descomplicado, bom equilíbrio e estrutura, taninos arredondados e maduros, pronto a beber e de um final de boca bastante agradável e fácil de gostar. Na Seleto Vinhos por bons R$38,30.

 

Ps. os preços são de uns 15 dias atrás, há que conferir se ainda se mantêm.

 

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Semana Boa, Bons Vinhos com Bons Preços

           Em momentos de grande elegria pela celebração do primeiro aniversário da coluna Falando de Vinhos, em que estarei premiando os leitores com mais de setenta vinhos, acessórios e curso básico, uma semana de bons vinhos com bons preços e um valor meio mágico, R$38 a 39,00. Incrível a quantidade de bons rótulos que venho descobrindo nessa faixa de preços, mais uma prova contundente, de que não há que se gastar fábulas para conseguir tomar bons vinhos.

Cono Sur Reserva Pinot Noir 07 – Esta vinícola produz alguns dos melhores custo x beneficio do mercado e este rótulo não foge à regra. Para quem gosta de brancos, não pode perder o Riesling deles. Bem, mas é deste Pinot que quero falar. Um nariz de boa intensidade com muita fruta e algo floral. Taninos doces de boa textura e absolutamente sedosos, fresco, médio corpo, suave, extremamente equilibrado em que nada se sente de seus 14º de teor alcoólico, um incrível vinho muito saboroso, fácil de agradar e harmonizar por meros R$39,00 na Wine Premium e lojas da Expand, um grande achado. ISP  $  

Muscadet de Serve et Maine Sur Lie 05, Domaine des Perelins da região do Loire. No limite de sua vida útil, mas ainda muito gostoso de se tomar. Tome como aperitivo acompanhando uns três tipos de queijo de cabra, pedaços de baguete fresca e crocante e umas torradinhas acompanhando. É um vinho suave que combinou maravilhosamente com os queijos. De enorme frescor, fácil e agradável, bem balanceado, desprovido de compromissos, ligeiro e muito saboroso. Quando o comprei, há uns 60 dias atrás, a Mistral o vendia por R$28,00 e, a esse preço, um tremendo custo x beneficio altamente recomendável. Hoje já não sei, devido  à grande valorização do dólar, mas a esse preço tem meu aval! ISP $  

Luna Malbec 05, com ótima tipicidade da região de Agrelo do Vale do Cuyo, zona central de Mendoza, que geralmente apresenta vinhos que mostram boa fruta, taninos redondos e boa estrutura. Este é um desses exemplares, com uma pequena produção de somente umas 5.000 garrafas, em que a madeira está muito delicada dando aporte para uma fruta madura, taninos finos e bastante equilibrado apesar de um teor de álcool de quase 15º. Macio, redondo, um vinho que agrada bastante e possui uma persistência bastante boa. Na BR Bebidas por R$50,00. ISP

Rey de los Andes Reserva Syrah 07, mais um syrah do Chile que me agrada muito. Seu contra rótulo diz ser um vinho encorpado, porém não concordo, achando-o um vinho bem estruturado, mas mais para médio corpo. Apesar da tenra idade para um reserva, já está pronto a beber com gostosos sabores de fruta madura na boca devendo, todavia, melhorar com mais um ano de garrafa. Só que, quem esperar um ano para comprar, não achará mais essa safra, se encontrar, certamente não será a este preço. É saboroso, amistoso, vinho que agrada fácil, cremoso e aveludado com um final de boca muito agradável e de média persistência. A meu ver, mais uma prova que esta é a grande uva do Chile! Na Cia do Whisky por ótimos R$39,90, para comprar algumas garrafas, tomar agora e apreciar algumas um pouco mais para a frente. ISP $  

Santa Julia Torrontés Tardio 07, sempre um porto seguro e uma das melhores opções de vinhos de sobremesa de colheita tardia, disponíveis no mercado, com um preço que podemos pagar. Consegue balancear muito bem a doçura com a acidez, tornando-se muito prazeroso de tomar, com ótimo frescor, facilitando a harmonização com diversas sobremesas. Neste caso, acompanhou um strudel de maçã com sorvete de creme, muito yummy!! Na Expand por R$39,00. ISP $  

 

Salute e Kanimambo.

 

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