Na Minha taça

Prova Freetime de Chardonnays do Novo Mundo

                           A Chardonnay é a uva branca mais conhecida e consumida no mundo. Originária da Borgonha e com excepcional poder de adaptação, espalhou-se por todos os países produtores, brindando-nos com vinhos de alta qualidade que servem de referência para as outras variedades brancas. Para surpresa de muitos não é a França seu maior produtor, ficando em segundo lugar, mas sim os Estados Unidos com 48 mil hectares plantados; dos países do Novo Mundo, vem a Austrália em terceiro e a África do Sul fica em sexto, o Chile em sétimo, a Argentina em oitavo e a Nova Zelândia em décimo. Por ser uma uva muito versátil, pode gerar vinhos elegantes e minerais como os Chablis, amanteigados como os Meursaults ou frutados e potentes como os vinhos do Novo Mundo. Foi baseado nesses dados que o amigo Walter Tommasi da Revista Freetime promoveu mais uma de suas sempre interessantes provas temáticas, Chardonnays do Novo Mundo.

          Juntos para avaliar os vinhos dessa prova, alguns craques de nossa vinosfera; Aguinaldo Záckia, Alessandro Tommasi, Beto Acherboim, Didú Russo, Fábio Miolo, Fernando Quartim, José Luiz Pagliari, Marcello Borges, Miguel Lopes, Nelson Luiz Pereira, Paulo Sampaio, Ralph Shaffa, Sergio Inglês de Souza e Walter Tommasi. Vejamos o resultado da média de suas opiniões e avaliações.

 EQ MATETIC 2007 – CHILE – Palha verdial, brilhante. Complexo, frutado, abacaxi, pêssegos, cítrico, pimentabranca, herbáceo, toque lácteo e tostado bem integrado. Macio, harmônico, ótima acidez, untuoso, bem estruturado, bom corpo e persistência longa, final de boca agradavelmente frutado. CASA DO PORTO –  Preço R$175,00 – Nota 87,4 e Campeão da Noite.

ANDELUNA RESERVE 2006 – ARGENTINA – Dourado Intenso. Abacaxi em compota, limão siciliano, pêssego, leveduras, lácteo e tostado. Leve agulha, ótima acidez, estruturado, corpo médio, persistência longa, quente, retrogosto com abacaxi e tostado, típico Novo Mundo. WORLD WINE – Preço R$ 55,00 – Nota 86,4

WILLIAM COLE COLUMBINE 2004 – CHILE – Amarelo dourado, toque de evolução. Abacaxi em calda, baunilha, lácteo e tostado, aromas evoluídos. Macio, bom balanço de acidez com álcool, persistência longa e retrogosto frutado, ligeiro amargor. ANA IMPORT – Preço R$ 76,00 – Nota 86,3

BILL 2007 – CHILE – Amarelo dourado, média concentração, brilhante. Cítrico, tostado, químico, pêssego, sottobosco e ervas aromáticas. Boa acidez e estrutura, fresco, persistência longa e retrogosto com toques de pêssego. ANA IMPORT – Preço R$110,00 – Nota 86,2 

BOGLE 2007 – EUA – Palha com toque verdial, brilhante.Químico, especiarias, cravo, tostado, floral, caramelo. Boa acidez, bom equilíbrio de boca. Corpo bom e persistência correta, retrogosto lácteo. WINE LOVERS – Preço R$ 89,00 – Nota 86.0

BOWL RIDGE 2005 – USA – Dourado brilhante. Abacaxi evoluído, caramelo, lácteo, toque de especiarias e tostado intenso. Na boca, equilibrado, acidez correta, corpo bom e persistência longa, retrogosto frutado e tostado reafirmando o olfativo, típico Novo Mundo, no limite. WINE LOVERS – Preço R$124,00 – Nota 86,0

VENTOLERA 2008 – CHILE – Palha verdial brilhante. Aromas florais, toques cítricos e minerais. Elegante, acidez correta, seco, corpo bom e persistência média, retrogosto cítrico. CASA DO PORTO – Preço R$ 68,00 – Nota 86,0

ARBOLEDA 2007 – CHILE – Palha verdial. Abacaxi maduro, pimenta, químico e toques de baunilha, lácteos e levedura. Boa acidez, corpo correto, persistência média para longa e retrogosto frutado com toque amanteigado. EXPAND GROUP – Preço R$ 85,00 – Nota 85,9

CRIOS SUSANA BALBO 2007 – ARGENTINA – Dourado, alta concentração de cor. Aromas intensos de abacaxi, lácteo, baunilha e toque herbáceo. Amanteigado, acidez correta, seco, corpo bom e persistência média para longa. CANTU – Preço R$ 50,00 – Nota 85,9

SOL DE SOL VIÑA AQUITÂNIA 2007 – CHILE – Palha verdial pouco intenso. Predominância cítrica, casca de laranja, abacaxi e toques herbáceos. Acidez marcada, bom corpo e persistência, final de boca com ligeiro amargor. ZAHIL – Preço R$ 155,00 – Nota 85,7

LARIVIERE YTURBE 2007 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Frutas exóticas, lichia, maracujá, manteiga e tostado. Boa acidez, corpo bom e persistência longa, ligeiro amargor final. – PORTO MEDITERRÂNEO – Preço R$ 65,00 – Nota 85,7

MEERLUST 2006 – ÁFRICA DO SUL – Amarelo com toques verdiais. Olfativamente floral, abacaxi em compota, lácteo, tostado e toques evoluídos. Redondo, muito bem balanceado em sua relação acidez, álcool, fresco, corpo e persistência corretos, com retrogostro frutado. PARALELO 35 –  Preço R$179,00 – Nota 85,6

TERRA 2006 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Mineral, especiarias, mel, abacaxi, herbáceo, erva-doce. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa. VINEA – Preço R$ 55,00 – Nota 85,3

RUTINI 2008 – ARGENTINA – Amarelo palha com toque verdial. Delicado, floral e frutas brancas frescas, melão. Vinho fácil, com acidez correta, corpo e persistência médios, final fresco. ZAHIL – Preço R$66,00 – Nota 85,3

DE MARTINO QUEBRADA SECA 2007 – CHILE – Dourado claro e brilhante. Floral com leve especiaria lembrando cravo, toque mineral. Harmônico, boa acidez, corpo e persistência médios, final de boca com ligeiro amargor. DECANTER –  Preço R$ 84,00 – Nota 85,2

FINCA DE LAS PALMAS TRAPICHE 2007 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Fechado, abacaxi, baunilha, tostado. Alta acidez, corpo médio, persistência longa, madeira evidente na boca, amargor marcado. INTERFOOD  – Preço R$ 53,00 – Nota 85,2

SEPTIMO DIA 2008 – ARGENTINA – Dourado com um leve verdial. Aromas químicos, especiarias como cravo e canela, toque floral. Boa acidez, ligeiramente alcoólico, bom corpo e persistência, amargor tolerável. INTERFOOD – Preço R$ 50,00 – Nota 84,8

DUETTE INDÓMITA GRAN RESERVA 2007 – CHILE – Amarelo intenso, brilhante. Químico, pólvora, marcado pela madeira. Boa acidez, estruturado, retrogosto amadeirado. BARRINHAS – Preço R$ 75,00 – Nota 84,4

BELLINGHAM OUR FOUNDER’S 2007 – ÁFRICA DO SUL – Dourado translúcido. Olfativo ligeiramente prejudicado, químico, sottobosco, lácteo, tostado, oxidação presente, ligeiro papelão. Boa acidez, maduro, bom corpo e persistência, retrogosto lácteo. EXPAND GROUP – Preço R$ 68,90 – Nota 84,0

ECHEVERRIA UNWOODEN 2008 – CHILE – Palha brilhante. Pera em calda, leve cítrico, casca de laranja e toque químico, sem tipicidade. Alta acidez, corpo médio, persistência média, retrogosto frutado. PARALELO 35 – Preço R$ 50,00 – Nota 83,3

           Como diz o Walter na matéria em sua revista; “No intuito de facilitar aos leitores, as principais características organolépticas (características percebidas pelos sentidos humanos, como cor, sabor e odor ) dos Chardonnays do Novo Mundo, por inicialmente terem sido produzidos em regiões quentes com uso intensivo de barricas, são: vinhos bem estruturados, marcados pela madeira, toques lácteos, muito frutados, tendo o abacaxi maduro e outras frutas tropicais como principais referências; costumam também ser mais pesados, alcoólicos e menos ácidos. Por outro lado, os irmãos do Velho Mundo que servem de referência a aqueles que buscam fazer a mudança são: vinhos mais elegantes, minerais, cítricos, frescos, menos estruturados e pouco marcados pela madeira. Muitos produtores do Novo Mundo já chegaram lá, outros estão a caminho e outros ainda mantêm o mesmo padrão que lhes deu destaque até hoje.”  Eu sou mais o estilo velho mundista, prefiro os vinhos menos “excessivos”, elegantes e minerais com pouca ou nenhuma madeira. De qualquer forma, faça você sua própria prova e defina seu estilo. Para ver um pouco mais desta uva, clique aqui em Uvas & Vinhos.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Atração Fatal.

               Na semana passada dei uma passada na importadora  Grand Cru dos Jardins em São Paulo no final da manhã para tratar de assuntos inerentes à loja. Como tinha uma degustação ás 15 horas ali perto, optei por forrar o estômago por ali mesmo. Duvida cruel; D’Olivino, Le Vin Bistrot ou Paris 6? Ao passar na frente do Paris 6, duas moças recebiam a sobremesa nas agradáveis mesas da varanda e me deparei com este prato, digo taça!

 

              Hummmm, pensei já aguando, dessa taça eu preciso provar! Dei uma olhada no cardápio e dei de cara com uma opção de prato principal que me atrai muitíssimo, truta grelhada com amêndoas, irresistível!! Serviço simpático, sentei e perguntei se tinham garrafa pequena de vinho branco. Não tinham, mas poderiam servir taça de um Muscadet da região do Loire por um preço que, mesmo não sendo exatamente barato, caro também não era, então mandei vir. Delicioso, bem refrescado, era um Muscadet que conheço bem, o Sur Lie do produtor Le Haute Févrie trazido pelos amigos da Zahil e que certamente seria um companheiro perfeito para a truta que estava por vir pois é um vinho leve, delicado e muito harmonioso, daqueles que nos deixa pedindo mais, e mais, e mais, ….. Ciente que o preço não tinha me agradado muito, o maitre Silvano caprichou na taça com direito a “chorão”, legal. A salada estava ótima e daí chegou o peixe que não era truta e sim um bacalhau grelhado coberto de bom azeite. Não fosse o fato de que ninguém me tivesse avisado da troca, certamente uma boa pedida também. Chamei o Maitre que me disse que a truta não estava boa então o chef optou por substituir o prato. Legal, só que nesse caso, melhor ter em casa estoque de postas dessalgadas, pois esta quase não dava para comer. Enfim, levei até ao final, até porque o maitre para compensar seguiu enchendo a taça, rsrs, e a simpatia do pessoal assim o pedia.

              Erros acontecem, mas como sempre digo o que importa é como você os corrige. Neste caso, a simpatia do serviço e o bom Muscadet conseguiram me fazer querer voltar para conferir dando-lhes uma chance de se recuperar em minha avaliação gastronomica. O local também é muito agradável, então eis aqui uma interessante dica a ser conferida pelos amigos. Dei azar no dia, mas certamente o restaurante merece uma segunda chance, inclusive pelas boas criticas que li na net. Ainda saí e passei pela Pátisserie do Le Vin que é um capítulo á parte! Aqueles macarrons são um negócio e os doces de uma leveza e delicadeza impares. Ainda bem que não ando muito por aqueles lados pois as tentações são inúmeras!

Salute, kanimambo e não esqueçam do vinho, lembrando que bons brancos adequadamente harmonizados, vão bem em qualquer época do ano, não é vero Cristiano?

Ps. Ia-me esquecendo, a sobremesa estava divina!

Fotos meia-boca tiradas com celular, mas é o que tinha à mão!

Mais uma Dupla Ibérica na Taça.

                Vou fazer o quê? Parte escolha e parte obra do acaso, ou do destino, em dois fins de semana diferentes mais uma dupla Ibérica de peso. Cá entre nós, se pudesse e fizesse sentido comercialmente, mais da metade dos vinhos em minha loja seriam desta região. Tanto Portugal como Espanha possuem enorme diversidade e uvas autóctones de grande prestigio, ótimos produtores e, na maioria das vezes, vinhos de boa relação preço x qualidade quando comparado a outras regiões de história e tradição similares com rótulos do mesmo porte. Estes tomados não são dos mais baratos, pois se tratam de vinhos já conceituados, mas fazem jus ao que se cobra por aqui, considerando-se da realidade Brasileira. Quando comparado aos preços que pagamos lá fora, aí é outra conversa!

Domingo de Páscoa – tenho que reconhecer que sou um apaixonado pela Touriga Nacional, cepa que faz parte do blend de grande parte dos vinhos portugueses e é vinificado em varietal resultando em alguns dos melhores vinhos lusos. Para acompanhar o bacalhau escolhi este Só Touriga Nacional, velho conhecido, um rótulo produzido pela Quinta da Bacalhoa na região do Sado (Setúbal), uma visita obrigatória para quem vai a Lisboa, pois fica a apenas 40 minutos do outro lado do Tejo. Menos na mídia do que os grandes vinhos, este é um rótulo que me agrada muitíssimo e um de meus preferidos que sempre compro em minhas viagens a Portugal. Aliás, vai aqui uma curta dica de vinhos obrigatórios para quem lá vai que valem muito o que lá se paga já que não passam dos 12 Euros; Só Touriga Nacional /  Cortes de Cima Alentejo / Vila Santa Tinto / Quinta do Camarate / Post Scriptum / Quinta do Ameal Escolha Branco / Alvarinho Soalheiro / Grainha Branco, vinhos que costumam compor minha bagagem de retorno. Falemos, no entanto, do que bebi, do Só Touriga Nacional 2005. È um vinho que está no ponto certo de ser tomado e tenho visto que os varietais de Touriga Nacional crescem bem com tempo em garrafa, desabrochando e mostrando todo o seu potencial entre os 4 e os 6 anos, obviamente havendo vinhos que amadurecem bem mais tarde como, por exemplo, um Vallado ou Quinta do Crasto.

            Como disse, abri esta garrafa no momento certo. Um floral muito típico sobe da taça ao nariz trazendo-nos aquele aroma de violetas de boa intensidade porém delicado, mostrando também algumas notas de fruta vermelha compotada compondo uma complexa e agradável paleta olfativa que nos incita a levar a taça á boca. No palato mostra-se um vinho muito equilibrado, rico, ótimo volume de boca sem ser pesado, taninos finos e aveludados, rico, um final saboroso, longo e especiado que encanta e pede bis. Pouca garrafa para tanta gula e um perfeito acompanhamento para o Bacalhau à Braz que preparamos. Fosse de uma safra mais nova e seus taninos firmes se sobressairiam, mas este encaixou á perfeição e mostrou ser um lobo em pele de cordeiro já que, no meu conceito, é um vinho que surpreende e ás cegas certamente bateria um monte de rótulos mais afamados e caros. Após aquele maravilhoso champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, um magnífico complemento para a primeira Páscoa com meu neto e uma digna celebração por sua chegada. Grandes vinhos, ótima comida e a companhia certa, receita para grandes momentos! O rótulo é trazido pela Portuscale anda na casa dos R$130 nas lojas especializadas.

Domingo Seguinte – mais uma celebração, a primeira visita de meu neto em casa. Lá fui eu para a cozinha preparar meu já tradicional Fetuccine com Salmão e Espinafre tendo como aperitivo polvo de caldeirada (esta em conserva) com um pãozinho italiano. O que acompanhar? Bem, certamente um vinho branco e pensei no delicioso Alvarinho Soalheiro que me aguardava na adega, mas aí caiu a ficha, porquê não algo diferente já que era um dia especial em que recebíamos um “convidado” para lá de especial? Busquei assim o presente que ganhei do Juan (Peninsula) quando do nascimento do Bruno, uma deliciosa cava, Juve y Camps Vintage Reserva 2006, estupenda! Mais uma vez faltou garrafa para tanta gula e a harmonização com ambos os pratos foi perfeita. Já tomei o Reserva da Familia Grand Reserva Nature 2004 deste mesmo produtor, por sinal também muito boa, mas tenho que reconhecer que para o meu gosto e para esta harmonização o Vintage 2006 se mostrou superior e desde já declaro que estará entre minha seleção de espumantes na Vino & Sapore.  Frutado (frutos brancos) no nariz com toques florais e nuances de brioche e leveduras sutilmente presentes. A perlage mostrou-se muito persistente, fina e abundante teimando em produzir estrelas no céu da boca. Bom corpo, cítrico, boa acidez, muito balanceado e agradável, crescendo muito com a comida e mostrando-se um ótimo companheiro de garfo afora se comportar maravilhosamente bem como aperitivo acompanhando umas tapas. É importado pela Peninsula e anda pela casa dos R$95 a 105 pelas lojas pesquisadas.

            Mais uma vez o Bruno iluminou o ambiente e me levou a tirar algumas preciosidades da adega que vieram alegrar o dia e dar enorme satisfação à família reunida em volta da mesa. Pena que ele ainda só tenha boca para leite, mas aguardo ansioso o dia em que tomaremos juntos a primeira taça.

Salute e kanimambo

Divindades Ibéricas

         Todo o ano publico uma lista de minhas Divindades que assumem um lugar entre os doze Deuses do Olimpo. Estamos longe do final do ano, porém alguns rótulos já mostraram que dificilmente deixarão de estar lá, entre eles o Champagne Mailly Blanc de Noir de que falei ontem, pois deixaram marcas que dificilmente serão esquecidas sendo, assim, vinhos de excecção, vinhos de enorme persistência na memória. Para se candidatar a entrar no Olimpo, o vinho necessita; ou de ser um grande vinho ou de despertar grandes emoções ou, melhor ainda, ser uma conjugação dos dois.

          Desta feita vou inumerar dois vinhos muito especiais; o primeiro português e uma raridade difícil de encontrar no mercado e certamente indisponível por aqui, e o segundo um Espanhol raro por estas bandas já que sua produção está sempre vendida com muita antecedência e a Peninsula conseguiu trazer algumas caixas este ano.

Tapada do Chaves – três blogueiros, 11 espumantes e para finalizar, dois belos vinhos, um deles inesquecível tendo ofuscado o também muito bom e mais “jovem”  Portalegre 1992 da Cooperativa desta região no Alentejo, terra do amigo João Pedro, foi o Tapada do Chaves Frangoneiro Reserva 1986, um Clássico Alentejano elaborado com Trincadeira, Grand Noir (baga?) e Castelão. Os parceiros de copo, gajos fixes e de grande gabarito enófilo, só engrandeceram este momento que espero não venha a ser único. Como falar sobre este vinho absolutamente inebriante? Gosto de vinho “velho” e, mesmo este já se achando numa trajetória declinante, mostrou muita elegância como um culto gentleman já de certa idade seduzindo-nos com suas estórias e experiências de vida. Ainda bem vivo apesar da idade, frutado, acidez presente e equilibrada, algo balsâmico na boca, aromas apaixonantes e convidativos, humos e tabaco bem presentes mostrando bem o terroir, enfim, uma dose tripla de êxtase engarrafada! Mais nariz que boca, mas daqueles vinhos absolutamente inesquecíveis e marcantes que nos encantam e seduzem de uma forma tal que perdemos o rumo. Da mesma forma que o Rui se agarrou aquela garrafa de Millésime da Miolo, eu me agarrei nesta, divino! Um vinho que vem demonstrar a grande capacidade de guarda de alguns vinhos do Alentejo, apesar do João ter nos confidenciado que uma outra garrafa aberta tinha ido direto para o ralo! Dizem que as novas safras estão longe dos vinhos que se faziam antes de 2000, não sei se é vero pois não conheço bem este afamado produtor, mas que eu não deixaria umas velhinhas dessas na prateleira, lá isso garanto que não! 

Carraovejas Crianza 2006 – trazido pelo Juan (Peninsula) numa visita que me fez aqui na Granja Viana para conhecer a Vino & Sapore, chegou fora de temperatura e fora de forma à mesa. Os vinhos deste produtor são cobiçados pelo mundo afora e há anos que o Juan e Javier buscavam trazer seus rótulos. Desta feita, devido á crise de 2009, conseguiram algumas caixas de dois rótulos, o Reserva já esgotado e este Crianza que certamente terá lugar de destaque em minha Seleção Especial do Enófilo (um canto com divindades que pretendo ter na loja). Pois bem, foi este vinho o protagonista do almoço, onde a comida do Ney (Pattio Viana, um marco do bairro), mesmo que boa, ficou em segundo plano sendo coadjuvante para um vinho que desabrochou quando atingiu a temperatura ideal. Café, chocolate, baunilha, couro, a complexidade é enorme tanto no olfato como no palato onde ele faz a festa. Bom volume de boca, taninos firmes porém de grande elegância, quase sedoso mostrando um grande equilíbrio, frutado com um final algo especiado, vibrante e rico, algum defumado, um vinho que encheu a taça e alma de alegria. Muito bom vinho, pronto agora mas que deve crescer muito com mais uns dois a três anos de guarda. Foto fraquinha, não fazendo jus ao vinho, feita com o celular.

Salute e kanimambo.

Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, Exuberante!

                 Eis aqui um espumante digno do meu pequeno Bruno. Nesta Domingo de Páscoa, iniciamos nosso almoço com um brinde especial a meu neto, á felicidade, á saúde e união da família abrindo uma garrafa que minha querida Karina me trouxe de Paris especialmente para este momento. Gente, existem vinhos que são realmente difíceis de serem descritos devido sua exuberância e impacto sobre nossas pupilas gustativas e este é um caso, um espumante que nos deixa sem palavras, literalmente boquiabertos enquanto nos deixamos levar pelo êxtase gustativo que mexe com nossas emoções. Champagne Mailly Grand Cru Blanc de Noir, elaborado com 100% de uvas Pinot Noir deste que é um dos únicos 17 Grand Crus da região de Champagne que espero, um dia, poder visitar.

Nariz que já desnuda o elixir que está por vir, não com estardalhaço, mas sim com sutileza e grande elegância deixando transparecer leves nuances florais, um brioche muito suave e um toque cítrico formando uma paleta olfativa complexa e de boa intensidade. Na boca segue o mesmo padrão mostrando-se de uma harmonia ímpar em que o todo é mais importante que as partes enchendo-nos de prazer e êxtase ao sorver o primeiro gole deste verdadeiro néctar abençoado pelos deuses. Frutado ( pêssego/nectarina) uma perlage muito fina e abundante que não termina nunca nem na taça nem na boca, cremoso, fino, muito looooongo e mineral! Já tinha gostado muito do Brut Reserve, mas este que pelo que sei o importador não traz, é excepcional e já é um de meus candidatos a tomar um lugar na minha lista anual de Deuses do Olimpo.

                Soberbo, delicado, sedutor e arrebatador, um espumante que quem tomou não esquece. Afora o incrível Comtes de Champagne 98 da Taittinger, de longe o melhor espumante que já tomei. Na Europa, o Mailly Blanc de Noir custa em torno de 30 a 40 euros, imperdível e um tremendo achado. Quem for a Paris não esqueça do Vô aqui!!!

Salute e kanimambo

Novidades da Quinta Mendes Pereira

Aproveitando minha ida à SISAB 2010, fora as visitas, garimpos e descobertas  na feira, ainda tive o enorme prazer de sair para jantar com os amigos Raquel e Carlos da Quinta Mendes Pereira vinícola que vem se destacando no Dão, tendo já sido alvo de diversos comentários meus e muito recentemente foi destaque na Revista de Vinhos onde foi agraciada com o titulo de Melhores de 2009 da região. Vale a pena acompanhar esta outra matéria feita pela revista mostrando em detalhes esta vinícola que desponta na região e que tem sangue brasileiro tocando a obra.

É uma produtora que produz vinhos num estilo de que gosto; complexos, médio-corpo para encorpados, elegantes, ricos, de taninos aveludados e muito saborosos dando-nos enorme prazer de tomar. Tive a oportunidade de provar dois novos vinhos e rever um outro. Revi o Rosé de Touriga Nacional, que é realmente um vinho muito fresco e saboroso que convida à próxima taça, um ótimo aperitivo ou pode acompanhar lulas ou polvo à provençal ou até uma paella. O Escolha da Produtora 2006, tem tudo a ver com o nome escolhido,  mostrando-se um vinho muito fino de taninos macios e sedosos, absolutamente pronto mas que pode, e deve, evoluir mais ainda com mais uns dois anos de garrafa, um vinho feminino no seu jeito delicado e sutil de ser. Já o Reserva 2007, uma amostra  do que ainda será engarrafado e preparem-se, porque vem aí mais um estupendo vinho. Apesar de a Raquel me ter dito que este só será engarrafado e colocado no mercado a partir do ano que vem, é um caldo que já mostra grandes predicados e que, por mim, podia vir para o mercado já.

Não tomei notas nem fotografei deixando-me tomar pelo prazer de rever amigos e desfrutar de uma boa refeição tomando bons vinhos, mas cada vez que provo os caldos desta produtora, mais me enamoro por seus vinhos. Kanimambo amigos por um ótimo jantar e minhas desculpas por não ter podido retribuir nesta semana passada em função da forte gripe que me pegou e derrubou! Fico devendo e pago na próxima vinda de vocês a Sampa (rs).

Salute e kanimambo

Três Surpresas na Taça

         Três vinhos que provei neste inicio de ano e que me surpreenderam. Um porque confirmou todas as expectativas geradas, o que nem sempre acontece, um outro porque comprova que a cara não é tudo e o que interessa mesmo é o conteúdo, finalizando com um pinot que surpreende pela relação qualidade x preço. Aliás,  essa relação é algo comum entre eles e uma coisa que faço questão de garimpar no mercado.

Farfão Colheita 2003 – rótulo de gosto duvidoso que esconde na garrafa um caldo diferenciado. A começar porque é um vinho do Douro elaborado por pisa a pé em lagares de concreto como antigamente. Não são muitas as lojas que trabalham com este vinho, esta garrafa veio da Portal dos Vinhos dos amigos Fátima e Emilio, importado com exclusividade pela D’Olivino. Um blend de Tinta Cão, Tinta Barroca, Touriga Franca e Tinta Roriz que compõem um vinho muito agradável e redondo, médio-corpo, já de boa evolução que se mostra pela cor e halo aquoso presente. Frutos negros, bom volume de boca, notas balsâmicas e um final algo mineral de boa persistência. É complexo na boca, diferente e misterioso, com uma certa rusticidade domada (isso existe?!), um vinho que vale bem os R$46,00 que paguei e acompanharia uma carne com maestria. Tomei solo, mas é um vinho que necessita de tempo em garrafa para amansar e desabrochar ou, eventualmente, um bom tempo em decanter, que este não mais necessita pois está no ponto e aveludado.

Espumante Valduga Arte Brut  – espumante elaborado pelo método champenoise com um blend de Chardonnay com Pinot Noir,  que anda pela casa dos R$30 a 35,00, aqui em Sampa, achando-se mais barato no Sul. Incrível poder tomar um vinho desta qualidade nesta faixa de preços mostrando que ainda há esperança, só falta os produtores capricharem nas contas quando elaboram os preços dos tranqüilos! Como gama de entrada, um senhor espumante, muito fresco, ótima perlage fina e consistente, frescura cítrica, ótimo como aperitivo ou acompanhando saladas e até uma costelinha na brasa. Gostei bastante e, junto com os espumantes Aurora Pinot/Marco Luigi Brut e Salton Reserva Ouro, um quarteto que vale o quanto pesa, digo, custa! Para ter em casa sempre.

Pacifico Sur Pinot Noir Reserva 2006 – um pinot chileno de muita qualidade pelo preço e que agora começa a ser importado pela Berenguer Imports.  Com um preço de loja ao redor dos R$69,00, é um vinho fácil de agradar, equilibrado e elgante com uma paleta olfativa bem frutada com notas terrosas, médio-corpo e uma boca de taninos finos e macios evidenciando-se alguma baunilha e um final saboroso com boa acidez presente que chama um bom prato, porém não muito pesado, e alguma especiaria. Uma boa opção de Pinot Noir do novo mundo que consegue aliar qualidade e bom preço sem excessos de extração, gostei e recomendo.

salute e kanimambo

Sabores de 2009 (I) – Eliminando Pendências

            O ano já está no seu segundo mês e eu ainda tenho que colocar em dia uma série de vinhos degustados no apagar das luzes de 2009. Neste ano, venho provando muito, até em função da escolha dos vinhos que farão parte do portfólio da Vino & Sapore, mas sobre esses vinhos falarei mais ao longo do mês.

            Pendentes do ano passado , entre outros, dois vinhos especiais que acabaram entrando no rol de meus Melhores de 2009, mas sobre os quais ainda não tinha conseguido tecer quaisquer comentários. Foram o Cremant Aimery Cuveé Brut 1531 Rosé e o AVE Premium Malbec, duas ótimas opções para você que ainda não teve a oportunidade, colocar em sua lista de vinhos a conhecer.

O Aimery Cuveé 1531 Rosé, um Cremant de Limoux, foi uma indicação do Megalvio, amigo de Santa Catarina que garimpou esse espumante rosado lá no Rio de Janeiro no ano passado. Ao ler meu post com o resultado do Desafio de Espumantes Rosados, teceu comentários sobre este rótulo que tinha tido uma excelente avaliação pela revista alemã Stern (dica do Rogério Rebouças) e pelo qual tinha caído de amores. Fiquei curioso e pedi ao Claudio (Le Vin au Blog) que é do Rio e vinha para um almoço de final de ano dos enoblogueiros (que acabou virando uma esbórnia enófila) que me trouxesse uma garrafa. Bem-dito Megalvio, que delícia, uma grande surpresa e uma pena que não soubesse antes já que seria páreo duro a bater naquele Desafio. É todo muito equilibrado, fresco, bom corpo e uma perlage estupenda abundante e persistente. Na boca os tradicionais sabores de morango e cereja colocados de forma sutil e harmoniosa, muito bem balanceado e de um frescor enorme. Levei para um almoço de ex-colegas e amigos de empresa tendo sumido muito rapidamente e nem foto tenho para contar a história tendo que recorrer ao site do Rogério. É importado pela rede de supermercados Zona sul e custou por volta dos R$49,00. Parece que tem também no supermercado Super Nosso em BH. Nós paulistas com nossa absurda, nociva e horrenda carga tributária imposta pelo governo, a tal de ST que deveria mesmo é chamar-se AT (antecipação tributária), não temos o privilégio e se o tivermos não será a esse preço, uma pena! Megalvio, grande dica meu amigo e o rótulo ganhou mais um amante!

AVE Premium Malbec 2007, esse é um projeto de Italianos que chega agora ao Brasil pelas mãos de Berenguer Imports de Curitiba, gerenciada pelo amigo Charlston Dalmonico. É um vinho diferenciado, um Malbec com aromas e complexidade da toscana, um vinho potente, masculo, mas delicado ao mesmo tempo. Incrível o que eles fizeram com os vinhos usando as mesmas cepas de todos! Cem por cento Malbec da região de Perdriel, fruto de um projeto de dois jovens italianos de berço toscano, é um vinho austero, firme que ainda precisa de cerca de uma hora de decanter para mostrar todo o seu enorme potencial. Rico em sabores, taninos maduros, grande estrutura, um vinho que marca presença mostrando uma personalidade muito própria que surpreende os mais experimentados. Um Malbec para os amantes dos bons tintos italianos, um dos Top Values da Wine Spectator em 2009 e um vinho que vale a pena ser conhecido. Eu que, normalmente, fujo dos grandes e potentes vinhos argentinos, me curvei a esse e recomendo aos amigos, um vinho que aqui em Sampa deverá estar por volta dos R$75,00 e em Curitiba um pouco menos. Certamente um vinho que entrará, uma hora, como surpresa numa degustação ás cegas de vinhos italianos, aguardem!

Salute e kanimambo

Do Natal ao Ano Novo

          Poucos dias repletos de muita festa e excessos, mas como diz meu cunhado, o problema não é o que você faz, come ou bebe entre o Natal e o Reveillon, mas sim entre o Reveillon e o Natal. Neste caso, até que o cunhado foi sábio e tem toda a razão, mas de qualquer maneira deixem eu compartilhar com vocês as experiências enogastronômicas deste final de ano.

         Para começar, o Natal foi algo diferente com maior parte da família viajando então optamos por fazer algo mais singelo e sem a mesma fartura excessiva que cometemos todos os anos. De ceia fomos de algo bem tradicional português, Bacalhau á Brás (como deve ser, com as batatas fritas na hora e moles misturadas na hora de servir e antes de colocar o ovo, nada de batata palha de saquinho!). Para acompanhar, duas opções um tinto que achava que seria over e foi (Quinta das Marias Garrafeira), e um branco potente do Alentejo com, salvo engano, cerca de 14% de teor alcoólico o que, convenhamos, é um pouco alto para um branco apesar de bem equilibrado, é o Herdade Grande Colheita Selecionada 2008, um belo vinho branco elaborado com antão Vaz e Arinto, castas tradicionais da região. Leve floral no nariz, frutas tropicais e algo vegetal, na boca mostra-se cheio, volumoso, porém muito fresco com ótima acidez e notas minerais tendo-se adequado bem ao bacalhau formando uma boa parceria.

         No o almoço de dia 26, falou mais alto a parte italiana da família e não poderia faltar a pasta acompanhada por pernil que reguei com o Quinta  das Marias Garrafeira 2005 , que trouxe de Portugal e ainda não está disponível por estas bandas,  aberto no dia anterior e já comentado aqui.

               Para o reveillon, decidimos que não faríamos nada em casa e acabamos por decidir passar a meia noite numa cantina italiana nas Perdizes. Nada muito fancy, boa comida variada de cantina e a família toda finalmente reunida pela primeira vez neste final de ano. Como sempre, a premissa maior é harmonizar o vinho com as pessoas e com o momento, então optei por algo que não complicasse, mas que combinasse bem com os pratos disponíveis. O Bonachi Montepulciano de Abruzzo 2008, vinho bem redondo, apetecível, fácil de gostar e bom de harmonização com os tradicionais pratos da culinária italiana, cumpriu fielmente seu papel não decepcionando assim como o Salton Reserva Ouro, sempre um espumante coringa e muito bem feito.

              No almoço de dia primeiro no entanto, em um grupo de gente de menor número em casa, tempo para me esbaldar e tirar alguns néctares da adega. Abri com um Piper-Heidsieck Rosé seguido por um Cheval des Andes 2002 e terminamos com um Late Harvest da Esporão 2007.

Piper-Heidsieck Rosé Sauvage, é um espumante muito bom fazendo jus ao nome, mostrando aquele frescor e vivacidade característico dos espumantes da casa. Este, com os tradicionais aromas de cereja, algo de morango muito sutis no olfato enquanto na boca é vibrante, jovem sem grande complexidade porém de um frescor incrível e uma perlage muito fina e elegante. Uma baita forma de iniciarmos o almoço e a comprovação do porquê os champagnes representarem o que representam em nossa vinosfera, uma dádiva dos deuses!

Cheval des Andes 2002, um dos grandes vinhos da Argentina de acordo com a critica especializada, que tirei da adega onde já repousava faz um quatro ou cinco anos, pois achei que seria a companhia adequada para o Bife Ancho na brasa com arroz biro-biro, prato com que decidi iniciar o ano. Tá, a carne não era a do Varanda (um pouco de excesso de gordura), mas garanto que estava uma delicia. Realmente um corte que me encanta canta vez mais e a escolta do Cheval foi perfeita pois já havia amaciado. O vinho, corte de Cabernet Sauvignon, Malbec e Petit Verdot, talvez já tivesse até passado um pouco de seu auge, porém mostrou uma complexidade digna de suas origens enólogicas francesas apesar de ter nascido em Mendoza. Não soubesse, às cegas apostaria num Bordeaux de boa idade, macio, complexo, grande riqueza de sabores, fruta madura, boa acidez, madeira bem integrada, taninos doces, finos e elegantes emoldurando a carne com muita classe. Um belo vinho, só acho um pouco exagerado no preço aqui por nossas bandas. Sugestão, vinho a ser tomado com cerca de seis anos de idade quando, penso, deve atingir seu pico de evolução.

Late Harvest Esporão 2007, a mão certeira de David desta feita num vinho de sobremesa com base num lote especial de uvas semillon colhidas pela técnica de Cordon-Cut em que o cacho é cortado do cordão principal da vinha mas deixado na planta por alguns dias quando, sem alimentação, ela desidrata rápidamente ganhando doçura sem perder a acidez. Bem, não sou enólogo, mas achei que ele acertou a mão, mesmo que para meu gosto o vinho pudesse ter um pouco mais de acidez para melhor equilbrar o alto açúcar residual. Acompanhando uma torta caseira de limão, no entanto, mostrou-se ótimo companheiro sendo um dos bons vinhos de sobremesa provados neste ano passado. Aproveitando vai uma dica para quem quiser comprar. o preço costuma rondar os R$70 a 80,00, mas vi no Makro speciale e o Rei do whisky por quase metade, algo em torno de R$45!

         Foram dias calmos, após um mês de árduas negociações para a compra da loja (Assemblage) e acerto de detalhes com os proprietários do imóvel. Depois da tormenta a bonança, ou pelo menos assim dizem, então senti-me tranqüilo vislumbrando um 2010 cheio de desafios, mas com um horizonte que há muito não via. Os vinhos, os pratos a companhia tudo transbordava paz, alegria e bem estar. Que  2010 seja assim, um ano de conquistas e pleno de fluídos positivos para todos.

Salute e kanimamno.

Esbórnia Enófila

              Juntar sete blogueiros do vinho em volta de uma mesa só podia dar nisso, uma esbórnia enófila! Das boas, diga-se por sinal, regada a um clima de amizade digna da comemoração em pauta, o final de mais um ano. Vitórias, derrotas, alegrias, tristezas, mas a certeza de lutas bem travadas e vislumbre de novos desafios tanto pessoais como profissionais, tudo motivo para regojizo e desculpa para trazer à mesa alguns néctares muito especiais. Antes de falar sobre os caldos no entanto, dizem que uma imagem fala mais do que mil palavras, ei-las!  

               No total foram treze as vitimas, começando pelo delicioso Cremant do Loire Brédif Vouvray Brut (Vinci) que a Vinci gentilmente nos cedeu para comemorarmos esta data. Este espumante, campeão do Grande Desafio de Espumantes em que competiram 42 borbulhantes caldos entre eles cinco champagnes bem mais caros, foi a overture do grande concerto que viria pela frente em que dez outros solistas de primeiro nível se apresentaram. Reunidos estavam; Paulo Queiroz (Nosso Vinho), Beto Duarte (Papo de Vinho), Daniel Perches (Vinhos de Corte), Alexandre Frias (Diario de Baco e genitor do Enoblogs), Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos), Claudio Werneck (Le Vin au Blog – RJ), este vosso humilde servo  e deram forfait por motivos profissionais, o Guilherme Lopes Mair (Um Papo Sobre Vinhos – Brasilia), André (Enodeco) e Álvaro Galvão (Divino Guia). O Álvaro, no entanto, deixou sua marca neste almoço de quase cinco horas no incrível restaurante Varanda Grill com a dica de darmos uma cortada nos tintos servindo uma das garrafas do Vouvray Brut (eram duas) entre eles.

            Dito e feito, iniciamos com o espumante, seguimos com dois tintos muito bons que nos foram oferecidos de última hora pela Cultvinho (nova importadora de vinhos espanhóis) o Prios Maximum Roble (já comentado aqui no blog) e o Abadia de San Quirce Crianza 2006  enquanto nos divertíamos com carne e lingüiça aperitivos, voltando para mais uma garrafa de Vouvray Brut acompanhando pedaços suculentos de uma imperdível picanha suína. Divina harmonização e uma grande entrada para uma tarde de atividades enogastronômicas absolutamente inesquecível! Depois desses dois tintos e duas garrafas de espumantes, hora para o prato principal e mais sete néctares dignos de vênia trazidos por cada um dos confrades. Erasmo 2005 (chileno), Juan Rojo 2005 (espanhol), Terrazas Afincado 2005 (argentino), Quinta da Leda 2003 (português), Farnese Primitivo di Manduria (italiano), Alain Brumont Montuz 2004 ( francês) e o John Duval Entity 2006 (australiano). Grande dia e, de lambuja, ainda tivemos a oportunidade de ver o Tiago Locatelli, um dos principais sommeliers brasileiros, em ação. Verdadeiro show que os milhares de auto intitulados sommeliers espalhados por aí deveriam ver pelo menos uma vez na vida para entender o verdadeiro significado da palavra.

         Tinha pensado em levar, afora o Quinta da Leda, um Porto LBV para encerramento, mas no final achei que era demais. É, pensei, não levei, mas o Paulão num ato destemido corrigiu o equivoco determinando que um concerto daqueles não podia ser encerrado sem um Grand Finale e nos presenteou com um magnífico Tignanello 2005, elixir que dispensa qualquer tipo de comentário (quem não conhece pode clicar aqui) e, nas palavras do Cláudio, fomos atropelados por uma Ferrari!

         Não vou aqui ficar falando dos vinhos, até porque o momento não era para isso,  prefiro exaltar o momento e as pessoas, porém elegemos os top 3 do dia com quase unanimidade para, sem ordem de preferência ou classificação e excluindo o Tignanello que é hors concour, Erasmo (uma grata surpresa, um chileno com cara de velho mundo), Quinta da Leda (especial, idade certa, elegante, um grande vinho) e John Duval Syrah Entity (um baita vinho, potente, encorpado, complexo e fino, classudo um belo exemplo do porquê a shiraz virou simbolo deste país). Interessante que todos pedimos o excelente bife ancho da casa, exceção feita ao Cristiano, sempre ele, que foi de bife de chorizo e a diferença de harmonização foi incrível. O Afincado que matou o bife ancho se deu maravilhosamente com o bife de chorizo enquanto os elegantes Quinta da Leda e Erasmo se encolheram timidamente perto dele! Já com o bife ancho, Erasmo e Quinta da Leda deram seu show particular numa perfeita harmonização seguidos de perto pelo estupendo Shiraz australiano de John Duval. No geral, uma coleção de grandes vinhos em diversos estilos, uma grande experiência de pessoas em perfeita harmonização. 

          Neste Sábado não perca, em Uvas & Vinhos a estréia do amigo e enólogo Miguel de Almeida falando da Touriga Nacional e, excepcionalmente, o primeiro Dicas da Semana de 2010 será nesta próxima Segunda-feira. Salute, kanimambo e aguardo o próximo encontro que, dizem, será no Rio de Janeiro!

Eta grupo de gente porreta e ainda saí com minha marmita!