Na Minha taça

Falando do Meia Pipa

              Um dos mais conhecidos vinhos top de gama portugueses será certamente o Quinta da Bacalhôa da vinícola do mesmo nome situado em Terras do Sado, ou seja região Setúbal. Podemos até discordar, mas o vinho fez a fama no mercado internacional e muitos são fãs de carteirinha, virou um clássico! Cá entre nós, apesar de o achar um vinho muito bom, de grandes atributos especialmente quando tomado com cerca de uns seis para sete anos de vida, acho que é um pouco sobre valorizado havendo na casa outros vinhos que, talvez menos midiáticos, valem mais a pena em função da relação Qualidade x Preço x Prazer que oferecem. Acho o Só Touriga um grande vinho e uma pena que seu preço deste lado do atlântico seja tão caro, pois é um exemplar varietal dessa nobre casta lusa que dignifica a vitivinicultura portuguesa.

            Uma das melhores opções e, na minha opinião, um dos mais injustiçados rótulos produzidos pela casa é o Meia Pipa que com três a quatro anos de guarda nos presenteia com uma riqueza de sabores que me encanta e não é de hoje! É um pouco como o Quinta de Camarate Tinto, o branco também é muito bom,  vinho da mesma região produzido por José Maria da Fonseca e que por aqui andou há cerca de uns cinco para seis anos atrás pelas mãos do Pão de Açucar. De lá para cá desandaram a trazer rótulos mediáticos e caros, esquecendo-se desse belo vinho. Bem, mas voltemos ao Meia Pipa, um blend da tradicional Castelão com Cabernet Sauvignon e Syrah que passa cerca de 11 meses em meias pipas de carvalho Allier, daí seu nome. Boa estrutura, taninos doces e finos, boca macia, textura sedosa, aromas bem frutados, notas de chocolate, alguma baunilha, madeira bem colocada, sem exageros, no geral bem balanceado e muito apetecível. O único senão talvez seja um teor de álcool levemente acima da média nas proximidades dos 14% que, apesar de não aparecer nem no nariz como na boca devido a seu enorme equilibrio, torna-se um pouco mais pesado depois da terceira taça, até porque ele é tão cativante que a tendência é passar fácilmente da terceira! rs.

             Trazido pela Portuscale e disponível nas boas lojas do ramo, (criativo não?),  por cerca de R$50 a 55,00, venderia maravilhosamente bem se a R$45,00, é um rótulo que vale a pena ser conferido antes de partir para os big brothers da casa e este 2007 confirma tudo aquilo que já conhecia e um pouco a mais. Eu gosto e minha avaliação é bem positiva, então esta é minha dica para este fim de semana alongado com feriadão na terça. Salute, boa comida, bons vinhos e boa companhia, a vida não fica muito melhor que isso!

Kanimambo e nos vemos por aqui.

Bom Vinho Rima com Boa Comida

              É, dá para tomar bons vinhos solo, mas a grande maioria foi feita para acompanhar comida, preferencialmente bem acompanhado(a).  A minha dica de hoje, na verdade duas, tem a ver com essa constatação e não deixem de brindar. Não interessa ao quê, pegue uma garrafa de espumante e faça deste dia um dia especial!

Restaurant Week – no Dicas da Semana da semana passada, tinha dado destaque e sugerido a visita ao Hitan, um local diferente a ser conferido. Hoje tenho o prazer de de destacar um restaurante pertinho de casa, o Açafrão da Terra. Local muito agradável que possui a Chef Cacilda (conhecida na região) comandando a cozinha, é um restaurante jovem com menos de seis meses de vida, mas que já começa a mostrar ao que veio com muito dinamismo e competência. Melhor ainda, é aqui na Granja Viana, um local especial com ampla carta de vinhos e uma ótima opção á zorra que se tornou Sampa. Vejam abaixo e não deixem de prestigiar, especialmente os moradores da região da Raposo Tavares.

Chef Márcia é Ideia Gourmet – estamos em plena Restaurant Week,  mas tem gente que gosta mesmo é de receber e se aventurar pelos segredos da boa culinária, em casa! Nesse caso, tanto você pode encomendar os serviços da simpática e sempre alegre Chef Márcia de Paula como aproveitar de seu conhecimento tomando umas aulas e visitando seu site da Ideia Gourmet. Eu tenho isso no meu wish list! Agora com a abertura da loja, não pude nem pensar nisso, mas deixa a coisa acalmar que estarei batendo na sua porta para marcar minhas aulas.

               Para acompanhar as dicas acima, um bom vinho sempre vai bem. Desta forma fica aqui a minha sugestão para um espumante. Falo muito destes vinhos borbulhantes, mas já faz um tempinho que não publicava nenhum comentário aqui. Desta feita venho recomendar um de uma casa produtora nacional, mais precisamente de Garibaldi, relativamente nova porém com um respaldo enorme de conhecimento já que pertence ao grupo Valduga, é a já muito premiada Domno. Sua marca, Ponto Nero, da qual sou gamado no Extra-brut que já comentei aqui por diversas vezes,  vem crescendo em diversidade e incorporando marcas importadas usando sua rede de ditribuição. Hoje gostaria de comentar o Ponto Nero Brut, seu espumante “básico” desta gama (tem outros) produzido pelo método charmat e mui recentemente premiado na avaliação do Guia 4 Rodas, em que ficou no segundo lugar na classificação geral de melhores espumantes do Brasil, sendo o mais bem colocado na categoria charmat.

Corte de Chardonnay com Pinot Noir e um tico de Riesling, mostra-se muito fresco e especialmente vivaz, talvez por esse tempero do riesling que lhe dá um toque mais mineral. Cremoso e de perlage fina, creio que advindo do uso do método charmat longo em que passa seis meses sobre lies, é cítrico com nuances de tostado e levedura, possui interessante volume de boca e é  muito bem balanceado dando-nos enorme prazer ao tomar. Pode ser tomado solo, como eu fiz no Domingo, ou acompanhando saladas, peixes grelhados sem grandes temperos, frutos do mar fritos (lula, camarãozinho), etc.. Um espumante que se vende no mercado por volta dos R$35,00 preço justo para o que entrega e, mesmo não sendo exuberante, não é esse seu papel e se buscar isso vá de extra-brut, é um espumante muito agradável e fácil de se gostar. Tomei e recomendo.

Salute e kanimambo

Frei Gigante e Invisível, dois Brancos em Tempo de Tintos

          É, o tempo anda frio e pede um tinto, porém há muito que me deixei levar pelas sutilezas e sedução dos vinhos brancos e não vejo porquê não me aventurar por essas bandas especialmente se a comida assim o indicar. Desta feita dois vinhos lusos, que por aqui ainda não chegaram, bastante diferentes e curiosos.

Começemos pelo Frei Gigante, um vinhos dos Açores (ilha do Pico) que provei na Sisab, mas esta garrafa me foi oferecida pelo meu amigo e solicitador em Portugal, o Sérgio Pinto que esteve nos açores de férias e se lembrou de mim. Bem, os amigos daqui pouco ou nada devem conhecer dos açores, exceção feita aos de Santa Catarina e parte do litoral paranaense onde a colônia é grande. Assim que tenha tempo, se algum amigo leitor quiser contribuir sinta-se á vontade para me enviar matéria que a publicarei com os devidos créditos, farei uma pesquisa para falar um pouco mais dos açores e de seus vinhos. Uma outra coisa muito boa lá da ilha que vale a pena provar e carregar alguns exemplares, são os queijos, deliciosos!

           Este vinho branco é muito interessante, passando por fermentação em barricas americanas e inox, é muito agradável e diferenciado na boca, com uma bela cor palha com laivos dourados cor de mel que pouco aparecem na foto, mas estão lá! rs É untuoso, quase gordo, corpo médio, muito bem balanceado, cremoso no palato com bom volume de boca, frutado, acidez correta, sem excessos, final muito agradável e saboroso algo amendoado com toques de manteiga bem sutil. Um vinho que me surpreendeu muito positivamente, até porque sai fora dos padrões mostrando uma personalidade muito própria.

Já que falei de personalidade própria, eis um outro vinho que se mostra diferente, é um Blanc de noir, ou seja um vinho elaborado com uvas tintas, neste caso aragonês, porém vinificado em branco, no Alentejo! “Exquisite”, seria a melhor palavra para o descrever, mas não consegui traduzir isso para português. É o Quinta da Ervideira Invisível 2009, um vinho realmente diferenciado a começar pela cor que lhe dá o nome, quase transparente com laivos rosa que já nos deixa curiosos na análise visual. No nariz, algo floral e frutas brancas que nos levam a pensar em melão e pêra, algo que se repete no palato onde o equilíbrio predomina com bom volume e um resultado de final de boca levemente adocicado.  Quem sabe uma boa companhia para a bem condimentada comida asiática. Não é um blockbuster, diferentemente do Antão Vaz que produzem, mas é bastante agradável de tomar. Este trouxe da SISAB em Fevereiro, por sinal estou em divida com o pessoal de lá, e era lançamento, tanto que a garrafa nem rótulo tinha.

            Pelo que sei, lamentavelmente nenhum dos dois está disponível no mercado e a Quinta de Ervideira que trabalha o mercado brasileiro com, creio, três diferentes importadores, ainda não conseguiu convencer nenhum a trazer este rótulo. De qualquer forma, se estiver programando uma viagem a Portugal, eis aqui duas dicas interessantes e diferentes para você conferir.

Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos.

Quimera, um sonho alcançado!

Fazia tempo que minhas garrafas da 2004 piscavam para mim cada vez que abria a adega e me mandavam mensagens telepáticas, me toma, me toma, me toma! Ontem olhei e pensei, porquê fazê-lo, porquê não, ai fui lá e fi-lo, peguei uma garrafa. Antes de falar do vinho, no entanto, vejamos o que diz o, falho mas prestativo, Wikipedia sobre o nome Quimera; “Quimera é uma figura mítica que, apesar de algumas variações, costuma ser apresentada como um ser de cabeça e corpo de leão, além de duas outras cabeças, uma de dragão e outra de cabra. Outras descrições trazem apenas duas cabeças ou até mesmo uma única cabeça de leão, desta vez com corpo de cabra e cauda de serpente, bem como a capacidade de lançar fogo pelas narinas. Graças ao caráter eminentemente fantástico de tal figura mítica, o termo quimerismo e o adjetivo quimérico se referem a algo que não passa de fruto da imaginação, uma ilusão, um sonho.”

             Achaval-Ferrer, Quimera 2004 um sonho perseguido e alcançado, é isso que o vinho é.  Uma enorme fonte de prazer, um nome muito bem escolhido para um vinhaço que busca a perfeição, tanto que não conseguimos nos manter em uma só garrafa tendo consumido duas já que minha cunhada que não gosta de vinhos argentinos, eheh, gamou. Como diria meu amigo mineirinho, “bão demais da conta, sô”!

            Corte de Malbec/Cabernet Sauvignon/Cabernet Franc e Merlot, é  produzido com vinhas velhas de baixa produção o que equivale dizer, neste caso, que para cada garrafa se necessita do fruto de duas plantas. Cor escura, vinho denso e intenso em tudo, na cor, nos aromas e na boca. Encorpado, gordo com taninos finos num final de boca sedoso, longo e reflexivo, um vinho exuberante. Com álcool de 13 a 13.5º, dependendo da safra, muito comportado e bem equilibrado, é um deleite para os sentidos e mostra que os bons vinhos argentinos não necessitam ser só força e potência, a elegância tem lugar nas mãos de quem sabe. Vinho para decantar por volta de 45 minutos ou tomar com o mínimo de 4 a 5 anos da safra para poder desfrutar de todo o seu potencial. Este 2004 com seis anos de idade está no seu apogeu, uma maravilha que seduz os sentidos e ao qual se deve dedicar tempo para apreciar, não é um vinho para se ter pressa para tomar. Quando tomei o 2003, em 2008, tinha dito que que estava uma maravilha mas que dava para esperar mais um ano, ou dois, tranqüilamente, pois este confirma essa minha primeira impressão.

        Ano que vem tomo minhas garrafas de 2006, de uma safra magnífica na Argentina, mas guardarei pelo menos uma para 2012 pois acho que o vinho evoluirá mais ainda. Agora, deste produtor tudo é bom. Do Malbec “básico” ao seu magnífico Mirador, o de 2006 foi um dos melhores vinhos que já tomei, obras de artista que valem cada tostão, se não aos preços de cá, pelo menos nos de lá. Muitos amigos me perguntam o que comprar quando vão à Argentina, então fica aqui minha dica, vinhos da Achaval Ferrer.

       Sei, hoje é dia de Dicas da Semana, mas depois de tanto tempo sem falar de vinho e depois desta soberba experiência de domingo, tinha que falar do Quimera. O Dicas vem amanhã ou Quarta!

Salute e Kanimambo

Churchill Cabernet Franc, um Vinho Diferenciado.

             A CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs) escolheu um Cabernet Franc brasileiro para prova e este já há tempos piscava para mim de dentro da adega. Um produto diferenciado, sem dúvida alguma, que mostrou que precisa de tempo ainda, ou pelo menos um tempinho de aeração no decanter, pero no mucho. A tipicidade da cepa, de acordo com Oz Clarke em seu livro Grapes & wines, tradicionalmente gera vinhos perfumados, frutados de textura sedosa e menos tânica que sua prima mais famosa, a Cabernet Sauvignon. Pode ser influência de Oz Clarke, mas senti tudo isto de forma surpreendente neste vinho, porém não no primeiro dia e sim dois dias depois após o ter guardado com o uso do Vacu-vin.

           A primeira taça me apresentou um vinho ainda fechado tanto no nariz quanto na boca e achei com um amadeirado excessivo que não me incentivou a dar seguimento à degustação. Fechei, podia ser eu ou o vinho, abrindo-o dois dias depois e a conversa mudou de tom. Agora a fruta apareceu, algo compotada como a maioria dos vinhos nacionais, mas cheia de vigor mesmo que não exuberante. Na boca, onde ele mostra todo o seu potencial, a madeira estava harmoniosamente colocada, mesmo que com 11 meses de barrica, sedoso, taninos finos , médio corpo com um volume de boca gostoso, rico com toques de salumeria e um leve tostado. Final longo, sem qualquer amargor, algum café e toffee de retrogosto, um vinho que me surpreendeu neste segundo encontro e me deixou com aquele gostinho de quero mais. Faltou vinho nessa garrafa, pelo menos essa foi a sensação, será que colocaram menos na garrafa para render ?!  rs Uma observação, tomei-o mais refrescado que o normal, talvez uns 15 ou 16º, e achei que isso também fez diferença porém creio ser essencial aerar o vinho num decanter por pelo menos uns 30 a 45 minutos dando-lhe o tempo necessário para que ele se encontre e mostre toda a sua personalidade.

         O nome vem do sobremome do idealizador e produtor deste projeto que rendeu meras 600 garrafas deste belo caldo nesta safra de 2006. Nathan Churchill é americano e vive no Brasil onde vende barricas americanas. Com este projeto Nathan tentou e conseguiu, mostrar as qualidades exponenciais que podem ser obtidas através do uso adequado de suas barricas usando uvas da Valmarino onde o vinho também é vinificado. Certamente um vinho que espero poder rever, agora da safra de 2008, já que aparentemente foram produzidas um pouco mais do dobro das garrafas e é um belo de um produto. Por outro lado, aguçou a minha curiosidade para provar o vinho da Valmarino. Interessante o rótulo que é uma homenagem ao Romanée-Conti.

Salute e kanimambo

Polkadraai Branco

               O vinho do mês escolhido pelo Luis Sérgio (http://vitisvinifera.wordpress.com) . para a Confraria dos enoblogs foi um Sauvignon Blanc da África do Sul. Bem, eu tinha escolhido o Fairview, porém o amigo Jeriel já o tinha comentado no mês anterior e eu gosto de aproveitar estas oportunidades para trazer algo novo, então consultei o Gil e mudei. É sul africano, é branco, tem Sauvignon Blanc, porém a cepa protagonista é a Chenin Blanc, uva do Loire que se deu muito bem na região do Cabo. Este é o Polkadraai Branco, assemblage de 60% Chenin com Sauvignon Blanc que nos chegou recentemente pelas mãos da Mercovino e que comento agora.

Antes de falar do vinho, no entanto, falemos de Polkadraai Hills uma AOC nova na região e que por aqui se denomina W.O. (Wine of Origin). Polkadraai se refere a uma região de colinas acompanhando uma estrada sinuosa, porta de entrada para Stellenbosch. Draai, em Afrikaans, quer dizer curva e polka a dança que os carros faziam na antiga estrada repleta de curvas apertadas e perigosas. Hoje, uma estrada ainda sinuosa, porém menos perigosa, nos leva a vinhedos que em sua maioria se encontram na face sul e sudeste das colinas recebendo o efeito das brisas oceânicas que refrescam a região e dão ás uvas brancas uma característica muito própria. Polkadraai Hills comporta cerca de 12 produtores entre eles esta vinícola, Stellenbosch Hills que também produz um Pinotage/Merlot muito saboroso e possui uma linha de gama alta que me pareceu bastante interessante.

O Polkadraai Branco com 12.5% de teor alcoólico é um vinho suave, seco, que marca pela acidez muito presente sendo ótima companhia para pratos de comida oriental, especialmente os sushis e sashimis, saladas, frutos do mar grelhados, camarãozinho frito, lulas á dorê, etc. Possui uma paleta olfativa simples, direta, bem frutada com um toque floral e algo de grama molhada de intensidade média. Na boca é uma profusão de frutas tropicais, muito fresco, agradável e balanceado, final de boca seco com algum amargor final que deverá sumir se servido mais próximo dos 6º. Não é nenhum blockbuster, mas dá conta do recado e agrada fácil, tendo se dado bem com um queijinho de cabra e um bom e descompromissado papo entre familia antes do jogo Argentina e México. Custa em torno de R$37,00.

É isso aí, navegue pelos vinhos sul africanos e os blogs da confraria para conhecer um pouco mais dos rótulos de Sauvignon Blanc disponíveis no mercado. Por hoje é só, salute e kanimambo pela visita.

Hoje é Dia!!

               Toda a Sexta é dia de alto astral já que anuncia a chegada do fim de semana! Hoje é mais ainda, é dia de festa já que daqui a pouco tem um embate que pode ser um joguinho ou jogão! Amigos portugueses e brasileiros grudados na televisão, outros no estádio para ver um Portugal x Brasil na copa do mundo, coisa que não se via desde 1966 e que espero possa repetir o placar. É, não adianta reclamar não, o Brasil já está classificado, então sou Portugal desde criancinha! Eheh. Tem mais, seria uma bela lição no prepotente e arrogante “professor” de más maneiras, o tal de Dunga que está merecendo uma lição para ver se desce de seu salto XV! Nunca uma seleção esteve tão distante de seu povo, mas enfim, sinal dos tempos. Mais uma, Carlos Queiroz, o técnico de Portugal, é primo de meu padrasto e Macua como eu, nascidos que somos em Nampula, norte de Moçambique, ou seja; quase familia e conterrâneo! Bem, mas este não é o lugar para falar de futebol então minha sugestão de hoje é também por um embate entre dois vinhos, obviamente um luso e outro brasuca, numa faixa de preço média acessível à maioria.

Escalei o Ceirós Tinto 2006, um vinho para quem não tem pressa pois vai desabrochando na taça conforme o papo corre solto, mostrando-se menos rústico que o 2004. Um tradicional blend duriense de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca é vinho complexo produzido pela Quinta do Bucheiro uma vinícola familiar com mais de 250 anos localizada na região de Sabrosa (será que é de lá que vem o Simão, jogador português?!) no Douro. Direto da garrafa para a taça, o vinho é impactante, vinhoso de aromas em que a fruta madura predomina com boa intensidade.  Deixe-o respirar e desfrute de um vinho untuoso, fruta madura (ameixa), bom volume de boca, rico, taninos presentes mas bem equacionados num final de boca longo, macio e algo apimentado. Um vinho muito particular e marcante, equilibrado e guloso com boa acidez que pede comida e agrada sobremaneira. Importado pela Vinhas do Douro custa por aí em torno dos R$50,00.

 

uma escalação complicada, mas devido á falta de opções no mesmo patamar de preços, sim porque há que se manter um mínimo de bom senso comparativo, caí num hibrido! Sim, porque a mão do enólogo é português e as castas também de lá se originam, o bom Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz produzido pela Miolo na região de Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai. Surpreendente e prova inequívoca da melhora de qualidade dos vinhos brasileiros num projeto muito interessante. Frutos negros maduros com algo resinoso no nariz, madeira, fruta passa, bem estruturado com taninos finos, equilibrado, saboroso com um final de boca agradável e de boa persistência em que se manifestam nuances herbáceas. Está pronta a beber, é um de meus “nacionais” mais requisitados à mesa e meu amigo Rui Miguel do excelente blog português Pingas no Copo (link aqui do lado) o elogiou demais e comentou, “Olhando para o prontuário, dicionário e outros acessórios gramaticais apenas ocorreu a seguinte definição: Complexo e distinto.” Veja o resto dos comentários dele aqui.  O preço anda também pela casa dos R$50 a 59,00 dependendo de onde estiver.

           Que ganhe o que performar melhor, mas não deixe de levá-los á mesa acompanhados debons amigos e pratos. Se o jogo for tão bom como esse embate viníco, estaremos bem servidos! Que assim seja e como o jogo começa às 11, já dá para abrir um espumante no intervalo, algo leve, suave e fácil sem muita complexidade, um espumante brasileiro vai muito bem ou até um Prosecco como o Moinet. Brasileiros, podem ser; um leve Moscatel bem equilibrado como o da Marco Luigi ou Garibaldi, ou os; Marco Luigi Brut, Ponto Nero Brut, Valduga Arte Brut ou Aurora Blanc de Noir elaborado com Pinot Noir, todas ótimas opções de espumantes secos, mas vibrantes e cheios de vida que ajudam a alegrar o momento.

           Como, espero, o resultado final deverá ser empate, daí Portugal se classifica e sai em segundo pegando jogos mais “fáceis” na sequência, celebrarei com um Vértice Gouveio, um dos melhores espumantes hoje produzidos em Portugal. Para quem quer algo mais jovial, uma garrafita do rosé 3b da Filipa Pato também não é má pedida, não! Na eventualidade, mesmo que remota (eh,eh), de dar Brasil, bem, aí um Miolo Millésime/ Cave Geisse Nature ou Ponto Nero Extra Brut cairão muito bem. Aliás, já dizia Napoleão, “merecido nas vitórias e necessário nas derrotas”!

Salute, kanimambo e Segunda estarei de volta com Dicas da Semana, inclusive de boas compras.

Ps. Bolas, faltaram e muito para o meu conterrâneo Queiroz. Metesse o Hugo Almeida enfiado entre o Juan e o Lucio (este o melhor da partida de hoje) e acho que meu desejado 1 x 0 teria sido possível. Joguinho, não?! Sabem qual a diferença entre o rugby e futebol? É o seguinte; rugby é um jogo de animais jogado por cavalheiros, enquanto o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por animais! O Felipe Melo não é uma prova disso?!!!

Cuatro Pasos e um Repto

          Dois tintos que me souberam muito bem e ganharam espaço em minha adega. Um espanhol e outro português, mais uma vez uma dupla Ibérica muito apetecível.

O Cuatro Pasos 2007 é um vinho da região de Bierzo elaborado com 100% da cepa Mencia que no Dão (Portugal) é conhecida como Jaen. Esta cepa vem ganhando espaço nos vinhos de ambas as regiões e este é um dos poucos rótulos que provei com ela, mas certamente o que mais me agradou. Não é um grande vinho nem pretende sê-lo, porém é um vinho vibrante, jovem e bem feito que seduz facilmente, com leve passagem de dois meses por barricas de carvalho e faz aquilo que é essencial a um vinho, nos enche de prazer e alegria. Franco, nariz de frutas vermelhas maduras e algo balsâmico apresentando-se muito redondo na boca com taninos finos já integrados, frutado e fresco com um saboroso final algo mineral de média persistência que certamente se dará bem com fondue de queijo, caldo verde, bacalhau, rondele 4 queijos com molho rosé,  até uma carninha grelhada sem grandes condimentos. Aqui em casa se deu muito bem com queijos e frios, num gostoso bate-papo em família. Para o que se propõe, um bom vinho que agradou sobremaneira e, como sugestão, uma garrafa é pouco pois acaba muito rapidamente. Custa em torno de R$65,00 e é importado pela Peninsula.

Repto 2007 é um vinho produzido por brasileiro no Douro, em Portugal. (recebi comentário abaixo que contesta esta informação então resolvi fazer este adendo ao post neste dia 15/12/2010 – “”Os vinhos repto são produzidos e engarrafados na região do Douro por um Português chamado João Carlos C. P. Teixeira Bessa (como podem verificar no rotulo”). Mauricio Gouveia se prepara para trazer suas criações para o Brasil e me deu uma garrafa do Repto Gran Reserva 2007 a provar e confesso que gostei. Blend das castas típicas do Douro; Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinto Cão e Touriga Franca de vinhedos em encostas de xisto com exposição solar abundante, o vinho vem comprovar a característica de elegância dos vinhos desta safra produzidos na região. Fermentado em lagares de inox, estagia em barricas de carvalho por cerca de seis meses e depois por mais um período em garrafa antes de chegar ao mercado. Um vinho de linhagem mais moderna, bem frutado com nuances florais no nariz. Taninos finos e aveludados, rico, boa acidez, equilibrado nos seus imperceptíveis 14% de teor alcoólico muito bem integrados no conjunto de boa estrutura e volume de boca onde a madeira foi muito bem usada aportando uma certa complexidade sem que se tenha destacado em momento nenhum. Final de boca longo e um vinho que certamente deverá evoluir por mais um par de anos em garrafa, mas que já se mostra muito bom. Ainda não está disponível no Brasil, mas sei que o Mauricio está trabalhando nisso e em breve teremos boas noticias.

           Neste ano o foco seria conhecer mais vinhos italianos, o que até tenho feito, mas é incrível o que cai de vinho Ibérico na minha taça! Será que é perseguição ou destino? Melhor é que a qualidade tem comprovado a excelente fase porque passam os vinhos desta região.

Salute e kanimambo

Dois Pinots que Cabem no Bolso

             Quem adentra a vinosfera borgonhesa tem que saber que está se metendo numa seara difícil do ponto de vista de preço e relação custo x beneficio. Pequenas propriedades, grande demanda, complexidade, preços nas alturas e qualidade nem sempre o que esperamos. É a marca da Pinot Noir, uva de difícil trato que na mão de quem sabe produz maravilhas e em outras, …..bem, em outras deixa a desejar. Ainda bem que ainda encontramos algumas exceções à regras na região e temos a opção dos vinhos do Novo Mundo como alternativa. Provei e recomendo dois Pinots bem diferentes entre si que demonstram algumas das peculiaridades inerentes a terroirs bem diferentes, tendo em comum o fato de serem acessíveis e, a meu ver, entregarem o que se propõem entregar.

Chateau Dracy Bourgogne Rouge 2006, produzido por Albert Bichot que durante muito tempo foi trazido pela Expand e agora nos chega pelas mãos da Winebrands. É um pinot de estilo francês, delicado, vermelho rubi brilhante, levemente translucido,de corpo médio e muito agradável de tomar sendo uma bela porta de entrada para o complexo mundo desta cepa e região. No nariz, fruta madura e leves especiarias formam uma paleta relativamente simples, porém de boa qualidade e tipicidade. Na boca, taninos de boa qualidade já equacionados, finos e sedosos, equilibrado com uma acidez adequada, saboroso e fácil de se gostar num final de média persistência. Gostei, não é exuberante, mas dá conta do recado e vale o que pedem por ele, cerca de R$70,00, deve crescer com comida e este está no momento certo para ser tomado não devendo evoluir mais na garrafa.

Pacifico Sur Reserva Pinot Noir 2008 do vale do Curicó no Chile. Anteriormente trazida pela Wine Company, chega-nos agora pelas mãos da Berenguer Imports capitaneada pelo amigo Charlston. Um digno exemplar dos Pinots do Novo Mundo onde a tipicidade da Borgonha tem pouco espaço, até em função do terroir, mas tem a alma da cepa presente. Cor mais escura, um vermelho grenada, denso e uma paleta olfativa mais rica, intensa e frutada onde as frutas vermelhas se mostram mais presentes junto com uma presença herbácea destacada. Na boca mostra-se mais estruturado, também é mais novo, com taninos finos e aveludados, apetitoso e rico, vibrante, com um final de boa persistência com toques de especiarias. Em Sampa custa em torno dos R$65,00 e é uma boa alternativa de Pinots num estilo mais moderno e novo mundista.

                 Uma boa brincadeira, vinho também é diversão, é juntar uns quatro ou cinco amigos, comprar uma garrafa de cada e curtir essas diferenças que são o que fazem nossa vinosfera tão intrigante. A mesma cepa pode produzir vinhos totalmente diferentes pois as variáveis são enormes, tanto de terroir como de tecnologia e objetivos do enólogo que cada vez tem mais ‘mão’ sobre os destinos dos caldos elaborados. Minha dica para a região da borgonha é, mesmo tendo caixa, começar com os pinots mais básicos, prove diversos produtores e depois evolua gradativamente. Para a Pinot como um todo, a dica é a temperatura que deverá estar ao redor de 15º. Tome-o a 18 ou 19º e provará um outro vinho!

             Um ótimo fim de semana, espero que um jogo melhorzinho no domingo e nos vemos por aqui na semana que vem. Salute e kanimambo.

ps. uma outra indicação legal que cabe no bolso e é bastante interessante, é o Terranoble Pinot Noir, também do Chile e num patamar mais alto mas estupendo, o argentino Barda o mais borgonhês dos Pinots sul americanos. Cinco vinhos e diversos estilos, dá uma bela degustação!

Goats do Roam Red, um Tinto Jovial.

               Pela primeira vez participo da degustação/post tema da CBE, para os menos íntimos a Confrararia Brasileira de Enoblogs, que mensalmente, no mesmo dia, publicam seus posts sobre o vinho (s) de acordo com um tema pré-determinado por um dos confrades. Neste mês de Junho abriram uma exceção e aproveitando a Copa escolheram um tema extra para que os confrades comentassem nesta Quarta  dia 16 de Junho, dia de ressaca após um joguinho muito meia boca, e eu embarquei nessa viagem. Vinhos sul africanos, uma grande coleção de rótulos provados que os amigos devem explorar visitando o site dos Confrades que listo abaixo com os links. Deverão ser cerca de 31 rótulos diferentes avaliados e comentados, que certamente aguçarão a curiosidades dos amigos apreciadores de bons caldos. Eu certamente fuçarei muito, pois gosto de viajar por esta vinosfera atrás de novidades e sabores nunca dantes provados. Vamos á lista dos blogues:

Amando Vinhos / De Vinho em Vinho / Atlan Vitis / Azpilicueta / Bebendo com Os OlhosEnodeco / Blog do JerielDegusteno / Diário de Baco /  / Enoleigos / Escrivinhos / Gourmandise / I Vini Vinhos / Le Vin Au Blog / Nosso Vinho / O Avaliador de Vinhos / O Tanino / Pequenos Prazeres / Vim, Vinho, Venci / Vinho com Prosa / Vinhos de Corte / Vinhos e Vinhas / Vitis Vinifera / Viva o Vinho / Vivendo Vinhos / Tintos, Brancos e Borbulhas / Notas Etilicas / Vinho Para Todos / Le Vin Quotidien / Marcelo di Morais e espero não ter esquecido nenhum.

        Eis alguns rótulos, entre vários outros, que serão ou foram, acho que dei um fora na data e era ontem (15) postados, então há que navegar:

  • AVONDALE RESERVE MUSCAT  BLANC 2007 (Le vin Au Blog) 
  • ENGELBRECHT ELS 2007 (Notas Etílicas)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinhos de Corte)
  •  NEDERBURG CABERNET SAUVIGNON 2008 (De Vinho em Vinho)
  •  RUST EN VREDE MERLOT 2008 (EnoDéco)
  •  SPICE ROUTE PINOTAGE 2008 (Blog do Jeriel)
  •  TRIBAL ESPUMANTE (Marcelo Di Morais)
  •  CLUB DES SOMMELIERS PINOTAGE (Amando Vinhos)
  • AVONDALE CHENIN BLANC (Pequenos Prazeres)
  • THE WOLFTRAP BLEND 2008 (Vinho para Todos)
  • GUARDIAN PEAK CABERNET SAUVIGNON 2007 (Nosso Vinho)
  • NEDERBURG TWENTY 10 DRY ROSÉ 2009 (Enoleigos)

              A minha escolha recaiu sobre um vinho que não visitava minha taça já fazia dois anos e mostrou que, mesmo de cara nova, preferia o rótulo mais clássico, o vinho continua sendo um belo achado mesmo que com mudanças no blend. Goats do Roam Red, que tem esse nome tanto por razões criativas já que o produtor também é criador de cabras e bodes, como para criar uma certa alusão aos vinhos de Cotes du Rhône já que é um blend de Syrah, Cinsault, Grenache, Mourvedre e Carignan, originárias das regiões de Paarl e Swartland na província do Cabo. A Goats do Roam Wine Company pertence ao grupo Fairview capitaneado pelo criativo Charles Back e produz além deste vinho alguns outros que hoje fazem parte do portfólio da Ravin.

                O vinho é franco, sedutor, produzido num estilo moderno com fruta vermelha (ameixa) abundante tanto no olfato como no palato, notas defumadas e um certo toque de anis. Na boca mostra-se  fresco, médio corpo, taninos equacionados e sedosos, macio e redondo, vibrante, fácil de gostar com um final de boca de média persistência e algo mineral com toques de especiarias que convidam á próxima taça. O 2005 possuía Cabernet e Pinotage o que lhe dava um pouco mais de corpo e estrutura, mas segue sendo um vinho muito agradável e saboroso para ser tomado jovem, entre dois a quatro anos de vida, enquanto ainda mantém essa personalidade jovem e sedutora por um preço que acredito seja bastante convidativo já que seus R$42,00 são bastante justos versus o prazer que ele nos proporciona. Como dica, sugiro servi-lo um pouco mais refrescado que o normal, mais para os 15/16º dos que os 17/18º.

Por hoje é só, amanhã tem mais Curiosidades do País da Copa. Salute e kanimambo.