Na Minha taça

Surpreendente, Valmarino & Churchill Extra Brut 2009

 

Pequena produção, somente 1250 garrafas disponibilizadas para venda, quatro meses de barricas francesas de primeiro uso, uma perlage e um colar que há muito não via numa taça de espumante. Tudo muito bonito e convidativo, mas e na boca? Eh, eh, é aí que ele surpreende para valer e adoraria ver esse espumante sendo servido ás cegas numa prova em que participassem os melhores rótulos nacionais e alguns champagnes. Delicioso, fino, muito fino, perlage consistente, muito equilibrado , fresco sem exageros, brioche, sutil fruta citrica, cremoso, complexo e absolutamente sedutor. Um belo espumante que não vai se encontrar por aí em qualquer lugar, só em lugares especiais como na Vino & Sapore (eh,eh), mas certamente daqueles que valem ser comprados de caixa e guardados porque, com esse pequeno volume de produção, vai faltar! Parabéns Nathan, mais uma tacada de mestre e essa parceria com a Valmarino, que já deu certo com o Cabernet Franc, realmente mostra que boas uvas, vinificação adequada e barricas de qualidade bem usadas rendem bons dividendos.

Um salute especial e kanimambo pelo privilégio.

Alvarinho Disfarçado de Riesling

      Me parece que há uma certa concordância de que a Alvarinho tem um “je ne se quois” (acordei cheio das frescuras hoje, rs) de Riesling e o Minho é o Mosel de Portugal ou, quem sabe, o Mosel é o Minho deles! Enfim, para os efeitos deste post isso não vem ao caso, pois corremos o risco do papo virar meio nacionalista, porém tenho que confessar que nunca pus na boca um Alvarinho tão Riesling apesar do corpo! Aliás, pelo corpo talvez mais Alsacia que Mosel, mas acho que já entenderam, certo?

Gloria, um vinho com a característica de acidez rasgante que faz o sucesso dos vinhos da região do Vinho Verde no Minho, norte de Portugal, porém com uma mineralidade muito presente que assume papel protagonista neste vinho. Aqueles aromas típicos dos vinhos bem minerais em que sobressaem o petróleo, e pedra de isqueiro surpreendendo á primeira fungada quem porventura esperasse aquela complexidade de aromas de frutas tropicais e cítricos da maioria destes vinhos. Sim, o mineral também é característica dos vinhos da sub-região de Monção, mas neste caso extrapola.

Já na boca essa mineralidade retoma um caminho mais equilibrado com a fruta cítrica aparecendo mais do meio de boca para o final com boa persistência e corpo, tendo também sentido agradáveis e sutis nuances de damascos frescos no retrogosto. No todo, um vinho bastante agradável que chega ao mercado numa faixa de preços em torno de R$60,00, bem razoável para um Alvarinho de boa qualidade que tem tudo a ver com nosso verão.   $

Aproveitando o ensejo, eis o que o site da Adega Alentejana nos diz sobre esta casta típica de Portugal que também produz belos vinhos na vizinha Rías Baixas, com o nome de Albariño, já do outro lado da fronteira na Galicia, Espanha:

          A casta Alvarinho é considerada uma das mais nobres castas brancas existentes em Portugal. Num país em que a grande maioria dos vinhos é de lote (vinhos elaborados com várias castas), os vinhos Alvarinhos foram os primeiros monocastas a se diferenciarem. O cacho de uvas Alvarinho é pequeno, pouco compacto e com uma forma peculiar, a “asa”. O bago é de tamanho médio, redondo, de cor amarela chegando a tons rosados quando bem maduro.

         A uva Alvarinho é cultivada sobretudo nos municípios de Melgaço e Monção, uma pequena subregião ao norte dos Vinhos Verdes. Nos últimos anos começou a ser plantada também em outras regiões mais ao sul. As videiras de Alvarinho produzem poucos cachos. O rendimento das uvas também é pequeno, sendo necessários 1,6 Kg de uva para fazer uma garrafa de 0,75 litro. Nas outras castas o normal é 1,0 Kg de uva para uma garrafa. Estas são as razões que justificam o preço mais alto deste vinho.

         Os vinhos Alvarinhos atingem facilmente a graduação alcoólica de 13%, os aromas são intensos a frutos citrinos (laranja e limão) e tropicais (manga e maracujá). São vinhos encorpados e com uma bela frescura ácida. Estas qualidades permitem que o Alvarinho possa ser consumido com até cinco anos de vida, o que não é comum nos outros Vinhos Verdes.

Salute, kanimambo e uma bela semana para todos

Soalheiro, melhor Vinho de 2010 para a Revista Wine.

            Soalheiro Primeiras Vinhas 2009 eleito o “MELHOR VINHO DO ANO” pela revista Wine – A Essência do Vinho em Portugal. De acordo com a revista, “Não raras vezes é apresentado como o “Riesling português”. A comparação é elogiosa, ainda que o Soalheiro seja um vinho bem português, do Alto Minho fronteiriço com a Galiza. Fruta, frescura e acidez são atributos que o fazem distinguir-se entre semelhantes e que também lhe permitem uma guarda por períodos mais longos que os habituais no caso dos brancos.” Eu tive a oportunidade de o tomar e comentar, tendo ainda há poucos dias falado dele para uns amigos. Realmente há Alvarinhos mais famosos em terras lusas, mas poucos são páreo para os vinhos deste produtor. Do mais simples rótulo aos mais complexos, sempre garantia de grande prazer e satisfação! ir a Portugal e não trazer umas garrafas na mala é crime inafiancável!! por aqui, quem o traz é a Mistral.

Um salute especial ao Soalheiro!

Tokaji e seus Puttonyos

Tokaji, o vinho de Tokaj ou Tokay, meras variações idiomáticas do lugar, é o nome desse inesquecível elixir dos Deuses! Até o ano passado ainda não tinha tomado um vinho de Tokaj e muito menos um seis puttonyos ou um Eszencia. Finalmente alcancei o nirvana ao provar o Pendits Eszencia 2000, que se tornou o melhor vinho que já tive oportunidade de saborear tendo me deixado deveras emocionado. Daqueles que, literalmente, deveria vir acompanhado da famosa almofadinha para nos ajoelharmos em longas preces de agradecimento! Absolutamente divino, emocionante e inesquecível. Dizem que harmoniza com sobremesas e queijos tipo roquefort e stilton, mas a meu ver isso me parece uma heresia. Melhor tomá-lo só, ele como protagonista maior sem nada para atrapalhar essa ligação direta entre ele e sua alma!!!

As pessoas acham que, só porque habitamos e exploramos com uma certa regularidade nossa vinosfera, sabemos e já provamos tudo. Ledo engano!! Existem sim uma dúzia de privilegiados que militam um patamar superior da critica e que sim, a convite na grande maioria, já tiveram a oportunidade de provar alguns desses grandes néctares como Chateau Petrus, Romanée Conti, Chateau d’Yquen, Chateau Margaux, Opus One, Penfolds Grange, Vega Sicilia Único, etc.. a maioria de nós no entanto, exceto talvez os mais endinheirados, nem rolha cheirou!

Bem, mas finalmente cheguei lá e degustei esses vinhos, um dia ainda preciso tomá-los, hoje, no entanto quero decifrar o que é um Tokaj, Puttonyos e o tal de Aszú que aprece nos rótulos desse néctar de origem Húngara.

Os vinhos são elaborados com uvas de uma região demarcada no nordeste da Hungria, conhecida como Tokaj-Hegyalja (colinas de Tokaj) e daí seu nome. Interessante que esta região está encostada na fronteira com a Eslováquia havendo um acordo para que esse país possa também produzir esse néctar, porém com um volume prédifinido que não pode ultrapassar 10% do total. Isso, no entanto, parece que está passando por reforma já que os eslovacos colocam pressão para mudar esse status-quo. Se alguém tiver mais informações, por favor colabore através de comentários.

As uvas usadas são essencialmente a Furmint e eventualmente a Hárslevelu com as quais se faz um vinho básico seco ao qual se adicionam cestas da uva botrytizada (Aszú) com capacidade de 20 a 25kgs. Quanto mais cestas destas, os famosos Puttonyos, são acrescidas às barricas de 136 litros (Gönci) mais intenso e mais doce será o vinho em função do aumento de açúcar residual. A categorização por níveis de Puttonyos se inicia no 3 e exige no mínimo um residual de açúcar de 60grs (6 a 9%). Veja o restante:

  • 4 Puttonyos – Minimo 90grs (9 a 12%) de açúcar residual .
  • 5 Puttonyos – Mínimo 129grs (12 a 15%) de açúcar residual .
  • 6 Puttonyos – Mínimo de 150 grs (15 a 18%) de açúcar residual.
  • Tokaj Eszencia Aszú – Minimo 180grs (mais de 18%) de açúcar residual.
  • Tokaj Eszencia – rarrissímos e caros exemplares com mais de  400grs (40 a 70%) de açúcar residual.

Alguns produtores se modernizaram e usam tanques, sendos puttónyos meras medidas de açucar residual.  Para efeitos comparativos, os não menos famosos Sauternes possuem um residual de açúcar similar aos Tokaj de 4 Puttonyos. Vinhos tão doces seriam, na percepção geral da nação, caldos extremamente enjoativos o que não é verdade em função de sua enorme acidez que balanceia essa doçura de forma espetacular. Esse alto teor de açucar e acidez colaboram para o tornar um dos vinhos mais longevos do mundo.

A primeira fermentação, em conjunto com o vinho básico, dura pelo menos oito horas e pode ir até três dias. A segunda  fermentação, é  lenta em função das baixas temperaturas das frias e humidas caves cavadas nas colinas, ainda na época das invasões Turcas, e o alto teor de açúcar. No caso do Tokaj Eszencia, produzido do caldo que escorre lentamente do acumulado de uvas colocadas nos tóneis, em grandes safras e sem qualquer pressão mecânica somente pela própria pressão do peso das uvas, gerando mais de 40% de residual de açúcar, a fermentação pode demorar anos e gera teores de álcool extremamente baixos.

Um vinho excepcional que obrigatoriamente tem que entrar no wish list de todos os amantes do vinho. Quem sabe 2011 não lhe traz essa “graça”? Eu torço por isso e recomendo os produzidos pela Pendits (Decanter) ou Oremus (Mistral), verdadeiros vinhos de reflexão.

Salute e kanimambo!

Fontes de pesquisa: WWW.tokaji.com e a Biblia do Vinho de acordo com Karen Macneil entre outros.

Salvar

Assassinei meu Bife Ancho

Arma usada, um Cobos “calibre” (rs) 2002! Como o João Pedro, amigo e colega blogueiro português, alentejano de boa cepa e autor do Copo de 3, gosto de meus vinhos mais “cordatos no trato do que abruptos e sem modos.”

         Bem, não posso deixar de reconhecer que cometi aqui um erro, devia ter me aprofundado ainda mais na escolha do vinho antes de o abrir. De forma simplista, pensei que um vinho Malbec de 2002, nove aninhos nas costas e que descansava em minha adega há cerca de sete anos, já deveria ter-se encontrado e apresentaria uma nuance mais equilibrada e fina até porque os vastos elogios, teve até um blog que se referiu a ele como uma “dama”, e alta pontuação o procediam e indicavam um vinho de excepcional qualidade. Ledo engano, o bicho veio soltando labaredas pelas ventas tendo como combustível seus enormes 15.8% de teor alcoólico e uma tremenda camada de borra solidificada nos ombros da garrafa.

            Já tive oportunidade de participar juntos com os amigos “panas” de uma degustação de poderosos Malbecs de Mendoza e minha opinião só se confirmou com este Cobos, não dá! Tudo bem, tem gente que gosta e respeito, mas são excessivos em tudo especialmente no álcool que toma conta do todo, não há equilíbrio que agüente!!! Pior é que dava para sentir, especialmente no palato, que existia uma base de boa qualidade por baixo, mas que o álcool não permitia que aparecesse. Pode até ser que daqui a mais uns dez anos ele se encontre e se torne um pouco mais cordato, mas neste momento, mesmo que podendo até existirem alguns potenciais predicados qualitativos a serem descobertos, deixa muito a desejar no aspecto hedonístico da degustação e certamente prejudica qualquer harmonização. Num momento desses, essencialmente hedonístico e não técnico, é dificil tentar desvendar esses potenciais predicados. No popular, é como se alguém chegasse para te conhecer e emvez de um abraço te desse um tapa na cara. Você perde o rumo e fica, justificavelmente, dificil buscar eventuais aspectos positivos nesse encontro!

          Sei que provavelmente levarei porrada de tudo que é canto e ignorante deverá ser o menor dos insultos , parte aceita em função da péssima escolha de harmonização, porém não poderia deixar de compartilhar com os amigos esta incrível experiência. De qualquer forma, ainda tentarei repetir a prova com outro prato ou solo, porque como já diz o amigo Álvaro Galvão “um dia podemos não estar bem, noutro o vinho então só há terceira podemos fazer uma avaliação mais justa”, mas o preço é bem puxado o que limita eventuais testes e “colheres de chá”. O de 2006 (RP 98/99) está por volta dos R$700 (não pago para ver!) e o 2002 (RP 92/94) é difícil de se achar e custava algo em torno dos R$300,00.

Bem, falar sobre meu bife ancho a esta altura dos acontecimentos é sacanagem,  o Cobos atropelou, deu ré passou por cima de novo sem dó nem piedade, fugindo deixando um rastro de destruição! Só nos restou o triste ritual de ter que enterrar o bife ancho que não resistiu a tamanhos maus tratos! Tenho minhas sérias criticas a este estilo de vinho  que, mais uma vez, comprova minha tese da “Terceira taça”, este nível de teor alcoólico num vinho não fortificado simplesmente não dá, meu genro que o diga, pois na segunda taça já estava assim……. digamos, em estado, quase, catatônico! Já eu, bem, eu não fiquei muito atrás e fui obrigado a dar um “time” para me recuperar.

          Apesar de tudo isso tenho que reconhecer, lá no fundo da alma esse vinho apresenta alguns predicados porém, a meu ver e dentro de meus limitados conhecimentos, nada que o catapulte ao estrelato, pelo menos este que tomei. Sim, apesar de tudo e numa visão mais técnica, a fruta estava lá e os taninos nem estavam assim tão agresssivos mostrando bastante qualidade, acidez correta, difícil foi apreciar tudo isso sob aquele manto de álcool encobrindo todas essas potenciais qualidades. Servi a cerca de 17 graus, quem sabe se eu o tivesse resfriado um pouco mais?! Enfim, para quem gosta do estilo certamente é um prato, digo, taça cheia, já eu, bem, eu dispenso!

         Salute e kanimambo

Rito de Passagem – Paella, Rosé de Navarra e Anna de Codorniu!

Gosto da passagem de ano. Me atrai esse sentimento de ter alcançado mais uma etapa da vida, de conseguir alcançar mais uma e de renovar esperanças. De rever erros e acertos aprendendo com eles, de reformular o que tem que ser, de traçar novas rotas e definir objetivos. É, tradicionalmente para mim, um momento de reflexão importante mas que antes tem que ser festejado com mesa farta e saborosa bem temperada por um vinho à altura e um bom espumante.

Desta feita minha festa foi algo prejudicada por uma visita ao hospital no dia 30 que acusou a presença, graças a Deus ainda leve, de uma diverticulite tratada á base de antibióticos por uma semana! Desnecessário dizer que a gula, companheira destes momentos, teve que ser controlada, porém não deixei de dar alguns poucos goles.

Na ceia, uma incrível Paella da Dona Sagrário, célebre aqui na região da Granja Viana, que estava absolutamente divina! Conheço a Dona Sagrário e sua paella há mais de 20 anos e incrível como a qualidade se mantém, sem um único deslize ao longo de todos estes anos. Só a chegada dela à mesa já é um motivo de festa e deleite para os olhos, esse você pode ver na foto, e olfato com seus aromas envolventes  anunciando o prazer que certamente sentiremos no palato à primeira garfada. Para acompanhar, certamente o melhor ainda é uma sangria (faço uma da hora e ainda publicarei minha receita) mas com todo o trabalho deste final de ano, abri a loja no dia 31 até as 16 horas, esqueci!Não seria por isso, no entanto, que passaríamos a seco, então escolhi três vinhos; um branco Verdejo, um Rioja tinto básico e um Rosé de Navarra. Aclamado por todos, foi com o Señorio de Sarría Rosé que a paella mostrou melhor harmonia. Uma bela pedida, mesmo que em doses homeopáticas no meu caso, tendo o vinho demonstrado ter corpo e perfil adequado para acompanhar muito bem este magnífico prato. Obviamente, rs, que repeti a dose no almoço de dia 1, mesmo que comedidamente!!

Para celebrar a entrada em mais um ano de nossas vidas, abrimos um cava que está entre meus favoritos desde há muito tempo e que, quando se encontra no Free Shop de chegada a cerca de USD17, é uma barganha irresistível, para comprar de caixa! Elaborada com Chardonnay, o Anna de Codorniu é um cava diferenciado que deixa marcas na memória.  Às cegas, certamente passaria por champagne e foi uma bela maneira de celebrar o Novo Ano, muito bom! Enfim, um rito de passagem hispânico  muito saboroso que espero seja um sinal de boa colheita neste novo ano.

Agora restam-me mais cinco dias de tratamento e no próximo Domingo um belo churrasco com Tannat ou Malbec, estou na dúvida se abro um Abraxas ou Cobos 2002,  me espera e aí tiro a barriga da miséria!

Amanhã, meus Deuses do Olimpo. A primeira de uma coletânea de listas com o que de melhor passou por minha taça em 2010. Salute e kanimambo!

Salvar

Salvar

Vinho do Mês na Confraria – Anakena Pinot Noir

O vinho escolhido pela Confraria Brasileira de Enoblogs para mais esta grande degustação virtual, foi um Pinot Noir de até R$100,00. Eu deveria ter publicado, assim é a regra do jogo, dia 1, porém, como sempre, estou atrasado.

          Até R$100 temos muitas opções inclusive francesas de bom nível, mas quis buscar algo mais pé no chão partindo da seguinte questão; pode um pinot de R$50,00 satisfazer? Minha escolha recaiu sobre este  Anakena Pinot do Vale de Leyda.

            A Anakena tem três níveis de Pinot, o básico que vem do Vale Central, este e o Ona de Casablanca que leva algo de Syrah, Merlot e Viognier que lhe aporta um tempero diferenciado e muito interessante.  De qualquer modo, falemos deste Anakena de Leyda, um Single Vineyard de 2009.

           Nariz muito interessante, de boa complexidade em que afloram toques terrosos e animais fazendo-nos lembrar de Borgonha. Na cor, algo intermediário entre Borgonha e Chile, porém ainda bem claro e brilhante. Na boca entrega menos do que promete no nariz, porém é agradável apresentando características mais de Velho do que Novo Mundista. Fino, saboroso, de razoável persistência para um vinho que não chega nos R$50,00. Deverá ser um bom acompanhamento para embutidos, arroz de pato ou perdiz e, yummy, abre bem na taça! Apesar de novinho, os leves taninos já se encontram bem incorporados e acredito deva chegar em seu pico durante o ano que vem.

               A resposta a minha indagação foi positiva, satisfaz e não deixa buraco no bolso, o que sempre é um fator a ser considerado, mostrando que garimpando sempre conseguimos encontrar algo interessante mesmo nas faixas mais baixas de preço. Salute e mais uma vez minhas desculpas aos confrades pelo atraso na publicação.

kanimambo

Pericó Icewine – Fazendo História.

e eu estava lá! Sim, fiz parte de um pequeno e privilegiado grupo de pessoas convidado para participar do pré-lançamento, em grande estilo diga-se de passagem, deste produto que é único no Brasil. Fui expectador de um momento importante da história vitivinicola brasileira, “history in the making” diriam os ingleses,  em que vieram á tona; a criatividade de Roberto Rabaschino que teve a idéia, de Wander Weege que “comprou “ a idéia e perseguiu o objetivo na sua Pericó,  assim como a maestria de Jefferson Nunes o enólogo encarregado da elaboração muito bem sucedida deste primeiro e único “vinho do gelo” brasileiro.

        No Canadá e Alemanha, onde este vinho já fez história e é objeto de cobiça dos amantes do vinho espalhados pelo mundo, as uvas usadas são essencialmente brancas porém neste caso usaram a Cabernet Sauvignon por ser a uva que com amadurecimento mais tardio nos vinhedos da vinícola capaz de persistir  nas parreiras até a chegada das temperaturas negativas do inverno na altitude na região de São Joaquim. Vem daí a cor rosada, puxando para o âmbar, que aparece na deslumbrante taça da Strauss especialmente desenvolvida para acompanhar este vinho.

        Baixíssimo rendimento de um cacho por broto, cerca de meio quilo de uva por planta, e um enorme problema, os pássaros que já com menos disponibilidade de comida em Junho, descobrem nas doces uvas maduras um verdadeiro pitéu! Por falar em doçura, estas uvas alcançaram 34 brix (340grs de açúcar por kg) atingindo 15% de teor alcoólico natural. Colhida congelada após a temperatura ideal de menos de seis graus negativos ter sido alcançada, exatos – 7,5°, em dois dias diferentes numa vigília diária entre os dias 4  e 22 de Junho de 2009, o pequeno volume de uvas chega à cantina onde as máquinas são cobertas por gelo para que o mosto obtido alcançasse a menor temperatura possível. A glória, quatro graus negativos!

         Com um total de cerca de 13.400 kgs de uva que geraram aproximadamente 600 litros de mosto, estamos diante de um vinho surpreendente do qual somente 3.676 garrafas foram produzidas, algumas das quais tivemos o enorme prazer de degustar após um ano de passagem por barricas francesas novas. São 84grs de açúcar residual perfeitamente balanceados por uma acidez total de 6,73 que conferem a este vinho um tremendo equilíbrio. Em 2010 não tiveram colheita e só Deus sabe quando terão novamente pois a dependência das condições ideais climáticas é total e todos sabemos que a natureza anda se revoltando contra os maus tratos sofridos, então há que se tratar bem cada uma dessas poucas garrafas produzidas.

       Não sou nenhum expert neste estilo de vinho e muito menos de Icewine, porém gosto de vinhos de sobremesa especialmente daqueles que conseguem esse equilíbrio tão delicado entre doçura e acidez. O Pericò Icewine tem esse predicado e mostra-se com uma cor linda, brilhante, límpido com nuances que fazem lembrar um Tawny Colheita 10 ou 20 anos, com aquele toque âmbar. Nos aromas é doce, sutil com um toque de licor de cereja inicial que evolui para algo mais complexo como figos secos, segundo alguns, e eu encontrei baunilha. Na boca é uma coisa! Muito rico, um equilíbrio perfeito do álcool, doçura e acidez extremamente bem integrados com um final de boca longo e persistente com notas amendoadas. Vibrante, sedutor, sem arestas, estamos diante de um vinho cativante, extremamente elegante e fino que deve ser tomado a uma temperatura em torno dos 10°.

          Vem numa latinha linda, aliás todo o projeto gráfico é muito bem feito e de extremo bom gosto mostrando uma eficiência profissional nos mínimos detalhes, preta com imagens extraídas do quadro “Vindima na Neve” da artista Tereza Martorano também Catarinense, mas bem que poderia vir de fraque e cartola que lhe caberiam muito bem! Na apresentação, a descoberta dos chocolates Nugali de Pomerode, um projeto todo Catarinense, que elaboraram para este momento tão somente, uns bombons exclusivos que têm como ingrediente um pouco deste Icewine, DI-VI-NOS!

        Já tenho preço para divulgar, mas com todos esses predicados e exclusividade, certamente não poderia ser barato. Esta pequena, delicada e linda garrafa com apenas 200ml, mais parecendo um perfume que uma garrafa de vinho, deverá estar nas prateleiras de algumas poucas lojas especializadas, em torno de R$280 a R$300,00  aqui em Sampa com toda a carga tributária em cima das “importações” de Santa Catarina. Caro? Sei lá, é único, é histórico, é exclusivo, é inovador e de quantidade limitada então me parece lógico que tenha que ser altamente valorizado, mas… Não o vejo como um produto de massas e sim como um objeto de desejo e curiosidade hedonista para os amantes dos doces néctares, algo diferente para aquele que já tem tudo, só não tem um Icewine brasileiro e, ainda por cima, de grande qualidade. Na vida tudo é relativo, preço também, então …….., sei lá. Desta feita não faço juizo de preço, mas acho que se estivesse em torno dos R$200 seria mais aceitável. De qualquer forma, o mercado será o julgador final desse quesito.

       Eu tenho uma garrafa e penso em adquirir mais uma. Tomo uma, dia 1 de Janeiro para que o ano se inicie doce e assim perdure, e a outra guardo, é história! Segue imagem do vinhedo a 7,5° abaixo de zero, lindissíma e idílica paisagem.

Salute e kanimambo. I’m Back!

 

Um Tinto Uruguaio de Respeito, Abraxas 2007.

                 É, nesta última Quarta fiz um suspense para falar deste vinho, porém aqui estou para o comentar, um senhor vinho. Daqueles que vestem fraque e cartola com eximia destreza e elegância apesar de um porte musculoso e viril. Abraxas, um vinho elaborado com 100% do melhor tannat plantado em Rocha, no norte do Uruguai já próximo de Punta Del Este.

Encorpado, grande estrutura, teor de álcool aquém do esperado com somente educados 12,5% que nos permitem passar da terceira taça! E olha que dá fácil para isso, uma pena que não tivesse um belo pedaço de bife ancho para acompanhar, pois seria divino. Frutos negros no olfato, como a cor que insiste em tingir a taça com laivos violeta, e terroso. Na boca explode numa complexa sinfonia em que prevalece o equilíbrio. Taninos aveludados de muito boa qualidade, rico, untuoso e sedutor com a madeira já bem integrada, denso, final longo em que aparece algum moka com toques de especiarias. Talvez não possua a mesma capacidade de guarda do 2002 que ainda está pujante, porém talvez seja mais rico em sabores e mais harmonioso, um conjunto mais cativante e apetitoso para ser curtido e apreciado sem pressa, mais do que meramente bebido.

              Realmente é de tirar o chapéu para o que os enólogos fazem por lá com essa uva.  Seus vinhos premium estão num patamar de grande qualidade e este não nega a raça. Um dos bons rótulos nesta gama de qualidade a um preço abaixo da média o que o faz saber ainda melhor, eheh! Acha-se por aí na faixa dos R$100,00 e este eu recomendo como um belo custo x beneficio que certamente faria alguns dos bons vinhos do Mandiran enrubescerem. Importado pela Dominio Cassis, sei que na Portal dos Vinhos tinha e também terá na Vino & Sapore, uma no Morumbi em Sampa e a outra na Granja Viana em Cotia. Ah, ia-me esquecendo, a garrafa é poderosa e, nas mãos erradas, pode virar uma arma letal. A bichinha deve pesar uns 5 kgs!!!!!!!

Salute e kanimambo

Um Branco Vibrante e Um Tinto de Tirar o Fôlego

             Pelo menos foram essas as principais sensações percebidas ao tomar esses dois vinhos neste último fim de semana. O primeiro, o branco de Chablis, quando me dei conta tinha acabado e faltou garrafa! Já o tinto, bem, esse dosei com parcimônia e veio confirmar a boa fase pela qual passa este produtor uruguaio de região pouco conhecida.

            Um Petit Chablis como os chardonnays têem que ser, pelo menos a meu ver. Sou um apaixonado pelos vinhos da região de Chablis assim como pelos brancos do Loire. Me encanta essa ausência total, ou quase, do uso de madeira nos vinhos junto com a acidez e mineralidade preponderantes do terroir que nos fornece enorme prazer e frescor. Um Petit Chablis é a base da pirâmide dos vinhos da região e não é incomun encontrar produtos bastante ralos e ligeiros que, em minha opinião, não valem o que pedem por eles. Provar um bom Grand Cru e Premier Cru é uma experiência que deixa marcas e até hoje me lembro de um que comprei em Londres, um delicioso Chablis 1er Cru Beauregard do Domaine Jean-Claude Martin, safra 2000 que tomei há uns cinco anos atrás. É, é isso mesmo, cinco anos e quando penso nele ainda me dá água na boca. Vinho bom é assim mesmo, de longa persistência…….na memória! Bem, já estou devaneando então voltemos ao meu J. Moreau & Fils Petit Chablis 2008.

             Longe de querer esperar a complexidade e profundidade de um Primer Cru, porém este está alguns degraus acima de outros Petit Chablis já tomados e me deu enorme prazer de tomar. Tudo de forma mais leve e suave, porém está tudo lá. A maçã verde, aquela mineralidade acentuada, o frescor, frutado com toques de limonada suíça (viajei legal agora, eheh), vibrante e balanceado, daqueles vinhos que nos fazem querer mais e mais e mais, e ……..enfim, um vinho divertido que alegra o palato e o espírito. Falta-lhe corpo, profundidade e persistência, mas se tivesse tudo isso seria um Chablis, talvez um Primer Cru! Os Chablis, mesmo os Petit, são tradicionalmente caros, este é um pouco menos, por volta dos R$90,00. Um bom cartão de entrada para esse maravilhoso mundo de Chablis, pequena comuna localizada no topo da região de de borgonha, tome-o acompanhando frutos do mar grelhados, salmão, lulas á doré e divirta-se!

           O segundo vinho foi um tinto encorpado, complexo, ainda muito jovem. Um vinho mais sério e compenetrado, um caldo mais contemplativo. Um Tannat Premium de uma região pouco explorada e de um produtor menos mediático. Já comentei aqui o 2002 que gostei muito, agora tomei a versão 2007, mas esse comentarei daqui a uns dias.

Salute e  kanimambo.