Na Minha taça

Brancos Lusos I

        Portugal passa por um momento sublime em que todo o ano novos e muito bons rótulos brancos são lançados nas mais diversas regiões produtoras. Muitos são soberbos e com preços condizentes como o surpreendentes Cova da Ursa Chardonnay , Morgado de Sta. Catherina, Guru, C.V. , Primus ou Redoma Reserva Branco entre outros já mais conhecidos,  porém são novas estrelas que estão aparecendo nesta constelação de grandes vinhos elaborados em terras mais conhecidas por seus tintos. No entanto, minha chamada hoje, depois ainda publicarei mais algumas dicas de brancos e espumantes lusos acessíveis, é para vinhos que cabem no bolso da maioria e que certamente farão a alegria da maioria dos seguidores de Baco especialmente neste verão que está por chegar.  Uma dica importante, no entanto,  é prestar atenção na cor destes vinhos ao comprar  pois sua principal característica é a jovialidade e frescor. Cuidado com as ofertas deste estilo de vinhos brancosque já se encontrem bem amarelados e com preços lá embaixo, provavelmente o vinho já está passado e “moribundo” nem servindo para tempero! Melhor tomá-los com um ou dois anos de vida, três aceitável, mas cuidado com estes vinhos com idade superior a isso. Eis algumas sugestões de rótulos que andaram por minha taça recentemente numa revisão para uma matéria que preparo para uma revista, valem cada centavo!

Prova Régia – A uva Arinto produz vinhos de muito frescor e vem se dando muito bem na região Lisboa (ex-Estremadura). De aromas tropicais convidativos, na boca é refrescante, sedutor, rico e elegante mostrando-se algo crocante com notas citrinas refrescantes nos enchendo a  boca de puro prazer. Tem um estilo parecido com os Vinhos Verdes, dos quais também passarei algumas dicas mais adiante,  sendo assim, grande companhia para frutos do mar e comida japonesa, sushis e companhia, salmão. Um vinho delicioso, de média persistência que acaba de forma muito rápida na taça! Preço Médio: R$52,00

 Filipa Pato Ensaios Branco – mais um vinho da Filipa que faz vinhos realmente muito interessantes e saborosos dentro de uma faixa de preços bem camarada. Este é um blend (50/50) de duas uvas bem marcantes a Bical e a Arinto elaborado na região de Beiras que, para quem não conhece, fica ali próximo ao Dão e Bairrada. Passa um mês fermentando com leveduras indígenas, parte em tanques de inox e parte em madeira sendo o blend executado após este período. Aromas delicados e sedutores de boa intensidade, muito fresco, saboroso, cítrico e mineral, tem um final de boa persistência que convida á próxima taça. Por seu corpo médio e textura na boca, nos convida a alçar voos um pouco mais altos no quesito harmonização já fazendo par para pratos de peixe mais elaborados, até um bacalhau à Brás ou à Gomes de Sá. Mudaram o rótulo recentemente, preferia o antigo, mas importante é que o conteúdo continua igual! Preço Médio: R$50,00

        Na semana que vem tem mais dicas como esta e a coluna “Você Sabia?” retorna. Nesta semana faltou tempo, sorry. Salute, kanimambo e amanhã tem Dicas da Semana.

Argentinos Sedutores

        Sim existem, apesar das controvérsias, e falo dos vinhos! rs  Como já comentei, tenho provado bastantes ultimamente e dentro as diversas degustações de que participei alguns vinhos me chamaram a atenção provando que por lá também encontramos algumas surpresas. Hoje falo de um, mas tenho mais dois rótulos engatilhados e assim que der falarei sobre eles pois merecem um certo destaque entre os que provei.

Flechas de Los Andes  Gran Malbec 2008 – Tenho sempre um pé atrás com esses vinhos de alta gama argentinos pois tradicionalmente se excedem em quase tudo; muita concentração, álcool e taninos. Não falo do ponto de vista qualitativo, mas sim hedonístico pois são sensações essencialmente pessoais, simplesmente não me agradam! Ao levar essa taça á boca na degustação promovida pela Zahil para apresentar alguns de seus novos rótulos à imprensa especializada, uma enorme surpresa! Um Malbec 100%, 14 meses de barrica e 14,5% de teor alcóolico já pensei, lá vem mais bomba! Nada disso, ledo engano e uma sarrafada no preconceito inconsciente deste cronista do vinho!! Vinho delicioso, com toda aqueles frutos negros e exuberante dos bons Malbecs com nuances florais no olfato, boca de boa estrutura e volume, rico, saboroso, taninos finos e elegantes (uma meia hora de decanter lhe fariam bem) dando-lhe uma textura aveludada e sedutora que pedem mais uma taça. Encorpado porém, como no seu todo, sem exageros, finalizando com alguma baunilha, chocolate e algo de especiarias tudo muito bem balanceado por uma acidez no ponto que arredonda este vinho argentino de origem, mas de alma francesa já que os produtores são de Bordeaux.

        Com um preço ao redor dos R$90,00 me seduziu e certamente estará presente em minha taça mais vezes. Seu Gran Corte 2007, também é um belo vinho mas a “briga” é mais parelha na faixa de preço em que se encontra (R$180) e não chegou a me despertar suspiros ao contrário do Gran Malbec.

Por hoje é só. Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Branco na Minha Taça

       De repente, eis que os caldos da península Ibérica começam a ganhar espaço novamente por aqui! Incrível como esta região vem crescendo em qualidade e disponibilidade por aqui, com aumento de market share a preços convidativos sendo fortes concorrentes ao vinhos argentinos e chilenos. Só para citar dois rótulos importantes numa faixa de preços mais convidativa, o Boas Vinhas da região do Dão (Portugal) e o Ribereño que vem de Ribera del Duero (Espanha), demonstram que há vida interessante abaixo dos R$40,00 sim senhor. Enfim, mas esse papo é para uma outra hora e hoje falo de um rótulo, num outro patamar de preço e qualidade, que me agradou bastante. Um branco espanhol muito saboroso que recomendo aos amigos especialmente neste verão que se aproxima.

Paco & Lola um albariño fino e muito elegante produzido em Rias Baixas na Galícia, terra que, em conjunto com Rueda, produz os melhores brancos da Espanha, pelo menos dos que eu tenho provado e excetuando-se os Viña Tondonia que são hors concours! Muito refrescante, sutil e sensual tanto no olfato quanto no palato, rico com uma forte personalidade cítrica, mas pêssegos e damascos também abundam por aqui numa segunda análise, bem balanceado apesar da acidez marcante, boa persistência com um final de boca muito saboroso. Perfeito companheiro para frutos do mar, sugeri para os amigos Rejane & Helio harmonizar com polvo defumado da Marithimus e foi, pelas noticias recebidas, um “maridage” perfeito.  Um vinho alegre e cheio de vida que levanta o astral e nos deixa gratas lembranças com aquele gostinho de quero mais na boca. Quem importa é a Almeria, pequeno importador que agora tem a mão do amigo Juan Rodriguez, e custa ao redor dos R$98 . Meu I.S.P.   

 

Mais um Tuga na Taça

Fazia um tempinho que não falava de vinhos portugueses e, de repente, eis que dois aparecem na minha taça e os dois Alentejanos. Um já postei, o Tapada do Fidalgo Reserva, e este é o Solar dos Lobos Colheita Selecionada , um vinho de muito boa estrutura não negando suas origens, mostrando bem a tipicidade dos vinhos da região que tanto agradam os gostos brasileiros. Aroma de boa intensidade, onde se nota a fruta madura (ameixa) algo compotada. Toque herbáceo, taninos firmes mas finos e aveludados, bom corpo, denso com uma acidez bem balanceada e um final de boca muito rico e longo mostrando-se bastante complexo. Um vinho que consegue como poucos, unir elegância e potência formando um conjunto profundamente marcante. Picanha na brasa e Bife de Chorizo devem-lhe servir de boa escolta. Corte muito bem elaborado com uvas tradicionais, Trincadeira/Aragonês/Touriga Nacional e a Cabernet Sauvignon que agrada muitíssimo e vale a pena conhecer. Com um preço ao redor dos R$65,00 é uma bela relação custo x beneficio  e meu I.S.P para este vinho na minha taça é: $ . Importação Mercovino.

Salute e kanimambo. Bom feriado para todos e nos vemos por aqui!

Tapada do Fidalgo Reserva, Um Vinho – Dois Momentos

Começou na Sábado á noite. Ao fechar a loja após um dia bem puxado, me lembrei deste vinho que recebi para prova e o trouxe para casa. Papo vem, papo vai, queijinho na mesa, abri a garrafa e servi duas taças deixando-as descansar por uns 10 a 15 minutos antes de proceder à prova. Interessante vinho que, aparentemente, foi elaborado somente para o Brasil o que, a meu ver, já é algo que me incomoda, pois mostra bem a visão mercadológica do produtor que produz de acordo com a cara do cliente. Sei, este mundo do vinho também é business, mas  …… sei lá, não me cai bem, fazer o quê? Enfim, mas o propósito era o de degustar o vinho e tecer minha opinião sobre ele, então vamos seguir com o ritual e nos ateremos ao caldo.

              Como já disse, um vinho interessante elaborado com blend caracteristico alentejano (Aragonez/Alicante Bouschet/Trincadeira) que traz um primeiro impacto olfativo muito frutado, ameixa compotada, uva passa, seguido de nuances de tostado provavelmente advindas de seus 12 meses de barrica , porém o álcool (14%) insistia em se sobrepor incomodando um pouco. Na boca mostrou boa textura, taninos finos, maduros e sedosos já bem equacionados sem qualquer agressividade, corpo médio para encorpado, acidez no ponto, finalizando com especiarias, formando um conjunto interessante, porém com algumas arestas já que lhe faltava equilíbrio, descendo algo quente. Um vinho que não me chegou a empolgar, não tendo, num primeiro instante, me dado razões para concordar com a Gula que o premiou como melhor tinto do ano em recente edição da revista, tendo criado uma expectativa que o vinho, a meu ver, não alcançou.

Todavia, como já diz o amigo Álvaro Galvão, um vinho tem que sempre ter uma segunda chance e, considerando-se seus taninos já bem equacionados e seu teor alcoólico um pouco desbalanceado, achei que o vinho merecia ser provado, devendo melhorar bastante, com um serviço  a temperaturas algo mais baixas, já que o estava tomando em torno dos 18º e, por outro lado, a pizza de calabresa não harmonizou legal. Vacu-vin na garrafa e geladeira nele já que domingo iria preparar um bombom de búfalo que meu amigo Eduardo me recomendou.

Sequência, Domingo ao lado da churrasqueira. Carne devidamente preparada, peguei a garrafa para a segunda etapa desta degustação. Vinho na taça e cerca de quinze minutos depois o vinho chegou a uma temperatura que achei poderia ser ideal, algo ao redor de 15º e o vinho se houve maravilhosamente bem nessa faixa, encontrando seu equilíbrio sem perder a boa fruta, mantendo uma acidez correta , tendo seu corpo médio harmonizado muito bem com a carne bem delicada e sequinha, sem excessos de gordura. O álcool que insistia em se manifestar no Sábado, agora estava contido, harmonizado no todo de forma muito agradável e imperceptível. Segunda chance dada e entendi o resultado da Gula, pois o vinho mostrou ser realmente uma bela pedida numa faixa de preços ao redor de R$60,00, (ótimo a R$45/49 como pesquisei na net) só não seria o meu tinto do ano! No meu modo de pensar, para ser vinho do ano este ou qualquer outro caldo precisa ser aquilo que este não é, nem penso que seja essa sua pretensão, um grande vinho. Aí, no entanto, depende do que cada um provou para chegar nessa conclusão e dos degustadores participantes das provas, certo?! Por mais que queiram negar, existe uma enorme carga de subjetividade pessoal nessas avaliações.

       Agora, que o vinho é realmente saboroso, bom e bem feito não há sombra de duvida,  porém acho que há que se prestar bem atenção na temperatura de serviço pois fez uma tremenda diferença tomá-lo a 15/16º, contrariamente ao que o produtor recomenda, certamente um vinho que eu repetiria, já a 18º ou mais, não sei não. Bem pessoal, faz tempo que meus smiles não davam as caras por aqui então, só para matar saudades aqui vai meu I.S.P. para este vinho >    . Importação Adega Alentejana.

Salute e kanimambo. Uma ótima semana para todos e seguimos nos encontrando por aqui.

Que Vinho Era Aquele? Não Parecia mas é!

Para saciar a curiosidade dos amigos, especialmente da Brenda (rs), eis aqui o vinho que me inspirou a provocá-los com o quizz da semana passada. Concordo que talvez se estivesse no vosso lugar, teria chutado, como muitos fizeram, um Rioja antigo, quem sabe até um Tondonia  ou, quiçá,  um Pinot.  Charme, um belo vinho que me impressionou na degustação dos Douro Boys também seria candidato, mas gente, esse vinho é um Brunello di Montalcino e dos bons! Quem chegou mais perto, diria até que acertou, apesar de também ter sugerido um Rioja, foi o amigo Emilio da Portal dos Vinhos, mas ele é suspeito pois tem uma certa paternidade sobre o caldo. Poggio di Sotto Brunello di Montalcino 2006, sério candidato a melhor vinho tomado em 2011! O tal do Parker lhe deu 97 pontos e, desta feita, tendo a concordar com o dito “guru” das notas, o midas dos produtores!

Minha visita ao evento promovido pelo Consorzio di Montalcino reunindo 32 produtores ainda será alvo de um post especifico, mas este vinho, o melhor que provei na mostra, merece um destaque especial, e um post especifico pois é inebriante e me mostrou uma faceta dos Brunellos que eu desconhecia. Serviu, inclusive, para eu finalmente entender do porquê que todo mundo exaltava os Brunellos e eu nunca ter me seduzido por ele. Não que não gostasse, na maioria são ótimos vinhos, mas sempre os achei muito novo mundistas, muito densos, super extraídos e potentes, um pouco over eu diria. Estes vinhos mais comumente encontrados por aqui, descobri agora, porque os Brunellos não são lá muito a minha praia, até em função de preço, são vinhos intitulados modernistas, de maior sintonia com o mercado especialmente o americano. Talvez por isso, os poucos que havia provado não tenham feito a minha cabeça, que me perdoem os apreciadores do gênero, e esta cor na taça seja estranha para a maioria dos amigos.

O Poggio di Sotto é um produtor tradicionalista num estilo em que predomina uma elegância estruturada sem excessos, porém com enorme complexidade, tudo na medida certa sem arestas nem exageros de qualquer espécie.  Muito aromático e sedutor no nariz, na boca explode com uma riqueza de sabores difícil de descrever e, mais do que tentar entendê-lo, deixei-me levar pelas emoções que me provocou, uma verdadeira massagem na alma e no espirito. Profundamente equilibrado, médio corpo, taninos sedosos, uma acidez gulosa que chamava comida que era absolutamente desnecessária, pois o vinho em si já era uma tremenda viagem de reflexão e enorme satisfação com um final interminável. Eu, essa garrafa, uma boa musica de fundo, eventualmente uma boa companhia como minha esposa que bebe pouco, eh/eh, e mais nada! Uma verdadeira experiência hedonística á qual retornei três vezes e não sei quando poderei repetir, já que por volta dos R$750,00 (em 2014 por volta de R$1.000) não tem muitas chances de visitar minha adega pessoal. Para quem tem, eis uma despesa que vale a pena, um grande Brunello, um grande Vinho, assim mesmo, com V maiúsculo!  Divino, sublime, escolha seu adjetivo, o vinho é uma tremenda viagem pelo complexo mundo das sensações gustativas, um verdadeiro vinho de reflexão.

Seu Rosso di Montalcino também é um belo vinho, mas desse e outros comentarei em meu post da semana que vem sobre esse encontro com Brunellos e Rossos promovido pelo Consorzio no mês passado, por sinal uma das melhores degustações que tive a oportunidade de participar este ano. Uma experiência inesquecível que fiz questão de compartilhar com você, pois essa é a verdadeira essência deste blog.

Salute gente, um baccio per tutti deste mais  novo discípulo de Brunello!

Dois Surpreendentes Vinhos Brasileiros – Parte II

            Parte dois e, como passei por uma outra experiência muito interessante recentemente, acho que terei que incluir uma terceira!  Bem, mas falemos deste segundo vinho tomado que me causou muito boa impressão inclusive por sua faixa de preço, em torno dos R$20 a 21 a garrafa de 375ml . Interessante que este Reserva dos Pampas apresenta um corte levemente diferente da garrafa de 750ml, tendo sido engarrafado posteriormente. Nesta garrafa de 375ml, o porcentual de Tannat usado é maior o que deixa o vinho bem mais interessante e marcante do que o da garrafa tradicional que já é bem saboroso. A Cordilheira de Santana  é conhecida por seus bons e longevos vinhos, especialmente pelo Chardonnay, Gewurztraminer (melhor do Brasil) e Tannat  já amplamente conhecidos pela maioria dos leitores

           A vinícola tocada a quatro mãos pelo casal Rosana Wagner e Gladistão Omizzolo, é localizado na Campanha Gaúcha, fronteira com o Uruguai. Eis o que eles  falam sobre suas terras em Palomas, Santana do Livramento:  “A escolha da região de Santana do Livramento, ao sul do estado do Rio Grande do Sul, tem uma motivação técnica própria. Essa região fica localizada no paralelo 31º, o mesmo de regiões produtoras de vinhos na Argentina, África do Sul e Austrália, países que produzem vinhos de excelente qualidade. Verificou-se que a região oeste-central da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, representada, meteorológicamente, pelas localidades de Santana do Livramento e Bagé, apresenta o melhor conjunto de condições climáticas para a produção de vinhos finos, no Rio Grande do Sul. Uma vantagem da região oeste-central do Rio Grande do Sul, especialmente Palomas, é a sua continentalidade que, aliada a uma atmosfera límpida (em virtude da baixa umidade relativa do ar), determina maior amplitude térmica diária da temperatura, (diferença entre as temperaturas mínima e máxima). Tudo isso, juntamente com a maior insolação, favorece a fotossíntese líquida, determinando maior teor de açúcar da uva.  O solo arenoso e a pouca precipitação de chuvas, características favoráveis ao plantio, tornam a região muito especial.”

          Esta linha Reserva dos Pampas é sua gama de entrada buscando uma maior participação no mercado e tenho que reconhecer que acertaram em cheio, o vinho é bom e muito saboroso sendo uma ótima opção de vinho para o dia-a-dia. O Marcelo Copello, em seu painel de 80 vinhos brasileiros analisados por faixa de preço em Setembro de 2010, colocou este vinho da safra de 2004, a que está no mercado, como destaque em melhores compras até R$50,00 e estava certo. Apesar de ser um vinho mais comercial, diferentemente do Hex von Wein que possui uma outra proposta, é muito bem elaborado e muitíssimo saboroso. A Tannat lhe aporta um corpo que o torna muito atraente na boca com boa textura, muito equilíbrio com um teor de álcool muito bem dosado (13%), frutos negros, taninos finos e aveludados compondo um conjunto deveras prazeroso de persistência média algo especiada. Um vinho de boa acidez que se mostrou gastronômico, mesmo que não complexo e nem busca essa identidade, sendo boa companhia para carnes grelhadas, um risoto de funghi e coisas do tipo, até uma boa pizza de linguiça de javali. Mais uma grata surpresa fora do roteiro dos grandes produtores e regiões mais tradicionais da produção nacional e mais uma boa razão para jogar o preconceito contra vinhos brasileiros, ou qualquer outro tipo, no lugar onde merece estar, na lixeira mais próxima. Prove vinhos nacionais diferenciados de produtores idem e surpreenda-se você também.

         Para quem os quiser conhecer melhor, minha sugestão é, afora a óbvia prova de seus vinhos, visitar seu site que é bem legal mostrando bem o projeto que vêm desenvolvendo no extremo sul do Brasil, clique aqui. É isso e logo, logo tem mais. Por enquanto, salute, kanimambo e nos vemos por aqui ou na Vino & Sapore onde uma taça de vinho sempre espera os amigos.

Dois Surpreendentes Vinhos Brasileiros

              Apesar da descrença de alguns para com este cronista dos vinhos quando o assunto é vinho brasileiro, deixemos, espero que pela última vez, claro de que meu problema é com o maledetto selo fiscal e quem nos enfiou goela abaixo essa aberração, não com os vinhos nacionais como um todo, até porque apoiar não significa dizer amém para tudo e todos a toda hora! Gosto que me pelo quando provo um vinho que me surpreenda, especialmente quando é brasileiro pois confirma o fato de que estamos evoluindo na elaboração de bons vinhos que, ás cegas e sem preconceitos, acabam ganhando, ou se posicionando muito parelhos com a concorrência externa em provas temáticas. Ainda temos um longo caminho a percorrer, inclusive para ganhar uma maior consistência, porém caminhamos a passos largos numa trajetória muito positiva do ponto de vista qualitativo, faltando-nos ainda, no entanto, desenvolver melhor os aspectos estratégicos e mercadológicos do mercado, mas isso é papo para outro post.  Hoje quero falar de mais dois vinhos que provei recentemente, em meia garrafa, que me deixaram “saborosamente” feliz.

Hex Von Wein, (vinho da bruxa) – é nossa miscigenação cultural chegando  à vinosfera tupiniquim na Picada Café, Rio Grande do Sul no caminho de Gramado. Onde mais, um vinho poderia ter suas uvas plantadas por uma família de origem italiana, vinificado por um alemão e comercializado por uma cooperativa de produtos naturais?!  O Claudio Werneck, amigo blogueiro dos bons que junto com sua parceira Rafaela produzem o delicioso Le Vin au Blog no Rio de Janeiro, é que nos traz esta novidade que alguns outros amigos já provaram. O pessoal de lá devia te dar uma medalha Claudio e valeu, muito, por este agradável e surpreendente presente que degustei neste último Sábado na loja com alguns clientes. Sua peculiaridade começa pelo fato de que sua pequeníssima produção é orgânica e vendida majoritariamente em lojas do setor, não em adegas e lojas especializadas em vinho como a maioria. Vejam o que eles dizem sobre suas uvas; “As parreiras da Hex baseiam-se na BIODIVERSIDADE, ou seja, a eliminação da monocultura e cultivo de várias espécies no mesmo habitat.  Em resumo, na nossa produção voltamos aos antigos modelos de produção agrícola, equilibrando o meio ambiente naturalmente e amenizando as mudanças no sistema biológico. Assim, o solo produz uma fruta mais autêntica, particular, caracterizando o produto de acordo com a região e expressando o real terroir. Quando o solo recebe quimicamente os nutrientes que lhe faltam, até chegar ao ponto ideal de produção, ocorre a massificação da variedade, ou seja, qualquer lugar do mundo o produto tem as mesmas características. Já nossas uvas estão em total harmonia com a natureza”.

Sua filosofia:

“Mas ao fim e ao cabo, nada mais inteligente que comermos e bebermos menos e melhor, contemplando vinhos mais autênticos e expressivos, inspirados em velhos valores de felicidade e bem-estar e orientados pelo respeito ao elo entre a natureza e o homem. Dedicatória a meu Mestre Schleicher R. (Germany), o qual me ensinou a fazer bons vinhos, com lucro se possível, com prejuízo se necessário, mas sempre bons vinhos. Herzlichen Dank. “A qualidade nunca é alcançada por acaso; é sempre o resultado de um grande esforço “.

          A esta altura espero já ter captado sua atenção. O vinho da bruxa, ou da sogra como eu lhe apelidei (rs) , tem a ver com o fato de que estas eram sábias amantes da natureza e seus segredos. Pois bem, parece-me que aqui temos um bruxo da biodinâmica pois o Ricardo Fritsch balançou meu barco com este Cabernet Sauvignon 2007! Para quem gosta, como eu, de vinhos antigos com aromas e sabores de “vinho velho” certamente saberá ao que me refiro. São sempre vinhos que mechem muito com nossos sentidos e este possui estas características Corpo médio de boa textura, acidez no ponto, taninos suaves, sabores algo terrosos, rico, fruta presente de forma sutil e harmoniosa, muito equilibrado com um final de média persistência algo mineral que nos traz de volta à taça para curtir aromas diferenciados e sedutores. Quem me lê e vê minha empolgação pode até pensar que se trata de um grande vinho. Não é, nem pretende ser, cumprindo sim o papel que o Ricardo determinou; vinho bom e autentico que reproduz a essência do terroir através de manuseio o mais natural possível. É sim algo diferente, saindo da mesmice, sedutor e prazeroso para quem aprecia o estilo, outros talvez não o entendam ou gostem dele pois gosto é puramente subjetivo, mostrando a diversidade que podemos encontrar em nossa vinosfera, inclusive a nossa tupiniquim, sem ter que cair em receitas já batidas que pouco ou nada têm para nos surpreender. Para quem queira conhecer mais, faça uma viagem pelo site deles  clicando aqui. Lá, você encontra um link para compras on-line e vi que o preço da garrafa de 750ml está na casa dos R$35,00. Vou ver se acho algumas, das pouquissímas garrafas produzidas, por aqui algures em São Paulo! Por enquanto, ainda tenho mais uma meia garrafa (da foto) para abrir com alguém, tipo eu, que curte estas surpresas, e acho que já sei quem será, mas depois comento.

          Agora, o titulo fala de dois vinhos!  Como optei por começar com o Hex von Wein e acabei me alongando demais na matéria – me empolguei com o vinho, o produtor e o conceito, o segundo vinho, um saboroso Reserva dos Pampas, corte de Cabernet com Merlot e uma boa dose de Tannat elaborado na região de Campanha Gaúcha pela Cordilheira de Santana ficará para o próximo post.

Salute, kanimambo pela visita e nos vemos .

Douro, Vinhos de Excelência na Taça

          Há um bom tempinho que não falo dos vinhos portugueses! O mercado possui hoje uma imensidade de rótulos de todas as regiões produtoras da saudosa terrinha o que torna difícil a escolha, para que não caiamos sempre nos mesmos, na busca por novos sabores. Portugal produz vinhos de grande nível reconhecidos em qualquer lugar do mundo como tal, especialmente os produzidos no Douro, Alentejo e Dão, mas não só.

         Estes grandes vinhos, como a maioria dessa categoria, precisam de tempo e tomar um grande Douro, Alentejo ou Dão novinhos, é abrir mão da complexidade, exuberância e equilíbrio que eles ganham com o tempo. Sempre falo isso acerca dos vinhos portugueses, mas nos grandes isto é ainda mais importante. Um dos melhores vinhos que tomei na minha vida foi um Chryseia 2001 após oito anos guardado. O mesmo posso dizer de vinhos como os deliciosos alentejanos Malhadinha 2003 e Avó Sabica 2004, o Quinta do Monte d’Oiro 2001 (Lisboa), Quinta do Côtto Grande Escolha 2001 (Douro), Quinta da Pelada Touriga, Quinta das Marias e Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2004 (Dão) entre uma imensidade de outros grandes caldos tomados.

               Desta feita, dois vinhos maravilhosos um delicioso e sempre elegante Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2003, uma obra de arte clássica em estado liquido. Tomei em meu aniversário este ano na companhia da família e amigos, uma pena que só tinha uma garrafa pois deixou saudades. Entra ano sai ano e este vinho segue encantando, talvez uma das melhores relações Qualidade x Custo x Prazer que tinhamos no mercado em vinhos desta categoria, já que há cerca de dois anos o vinho rondava os R$120, daqueles vinhos que não só satisfaziam os sentidos como o bolso. Hoje creio que custa em torno dos R$180,00, o que me parece um pouco excessivo, mas…..é o custo da fama alcançada! Complexo, elegante, deveria vir de cartola e fraque para a mesa, possui boa estrutura com taninos macios perfeitamente integrados. Boa fruta, paleta olfativa agradável que convida a taça á boca, mineral com um longo e saboroso final é um vinho puramente hedonistico.  Compre todos as safras e vá guardando, eu não fiz isso e me arrependo! Dizem que a 2007 está divino, mas esse ainda estou procurando, já o de 2008 já garanti, mas para tomar somente daqui a quatro anos. Para este, a escolha de Bacalhau à Brás foi super acertada, casamento perfeito!

            Mais recentemente, acompanhando o sempre delicioso e especial strogonoff de filé mignon de minha esposa, um grande representante da mais clássica cepa portuguesa, a Touriga Nacional, o incrivelmente sedutor Quinta do Vallado Touriga 2005, absolutamente no ponto e divino! Tudo o que se espera de um grande vinho produzido com esta generosa cepa que tantos grandes vinhos produz e empresta sua exuberância a deliciosos vinhos de corte. Nariz gostoso, fruta negra, aquele típico aroma de violeta formando uma paleta olfativa sedutora e muito agradável. Na boca é exuberante, mais estruturado e denso que o Crasto Vinhas Velhas, taninos finos, rico e complexo com notas de tabaco, café num longo final que nos deixa aquele gostinho de quero mais, um belo vinho e finalmente mais dois tugas na taça que só vêm demonstrar a maturidade que a vitivinicultura portuguesa alcançou, especialmente no Douro, berço histórico de grandes vinhos. Este já beira os R$160,00 mas, considerando-se nossa irrealidade de preços, até que vale, mas poderia estar algo abaixo desse patamar para se tornar mais interessante ainda.

          São vinhos consagrados, mas que eu ainda não tinha comentado então resolvi que deveria compartilhar com os amigos mesmo sabendo que pouco ou nada acrescento ao muito que já se escreveu sobre eles. De qualquer forma, mais que os vinhos, é a importância de lhes darmos tempo para mostrar todo o seu potencial então, cabe aqui aquele célebre ditado de que “o apressado come cru”! Neste post iniciarei algo que pretendo vir a fazer de forma mais amiúde que é dar minha percepção, algo bem pessoal e consequentemente parcial, de valor ou seja aquilo que acho que estes vinhos valem considerando-se nossa absurda realidade de preços (acho que temos os preços de vinho mais caros do mundo). Neste caso minha percepção é de R$160 para o Vinhas Velhas e R$180,00 para o Vallado Touriga.

Salute e kanimambo pela visita

Malbec ou Tannat no Churrasco?

            Para quem está menos embrenhado nos segredos de nossa vinosfera, fica a impressão de que a Malbec é uma uva argentina e a Tannat uruguaia. Ledo engano, pois as duas se originam na França e daí saíram para o mundo tendo se tornado ícones da vinicultura nestes dois países. A Malbec é originária da região de Cahors sendo também uma das cepas autorizadas a fazer parte do corte bordalês, apesar de pouco usada, tendo encontrado em seu novo habitat, Mendoza/Argentina, sua Shangrila! A Tannat, por outro lado, nasceu no Madiran onde ainda se elaboram potentes vinhos de longa guarda, para mostrar-se em toda a sua plenitude no nosso vizinho Uruguai. Os vinhos tannat do Uruguai ainda são meio desconhecidos do grande publico, mas estes varietais ou blends com merlot, vêm gradativamente ganhando destaque na mídia especializada e espero que façam rapidamente a transposição para sua taça.

        Pergunte para um uruguaio e ele certamente lhe dirá que não tem nada como tannat para fazer companhia a uma boa carne. Já os argentinos, estes juram que a Malbec gera vinhos que têm tudo a ver com sua carne! Achei que estava na hora de conferir isso e no fim de semana fui a um churrasco na casa de um amigo com duas garrafas de baixo de braço; um Alta Reserva Tannat da Gimenez Mendez e um  Malbec  Reserva Tomero da bodega Vistalba.  Na churrrasqueira, os amigos Márcio e Raffa preparavam alguns cortes deliciosos que faziam antever um grande embate entre esses dois vinhos. Tinha costela de cordeiro, maminha, costela de porco com mostarda, picanha, enfim um verdadeiro pitéu que prometia! Sem bairrismos, somos neutros (um português e dois brasileiros), abrimos as duas garrafas e nos deixamos levar nas ondas dos mais intensos sabores.

           Com o cordeiro não teve nem graça, o Gimenez Mendez literalmente arrasou seu adversário combinando taninos firmes, mas elegantes com nuances terrosas e riqueza de sabores que harmonizou muito bem com a carne de gosto mais forte. O Tomero com seus 14.6% de álcool, taninos macios, doces e fruta compotada, não foi páreo. Porém, ainda tínhamos outras carnes a provar e vinho a tomar, a batalha mal começava!  Com a maminha, de sabores mais delicados, o Tomero mostrou suas armas mostrando-se mais equilibrado, mas na picanha e costela dançou de novo. Neste encontro, com estas carnes e estas pessoas, deu Gimenez Mendez na cabeça, mas faça você seu próprio juízo. No próximo churrasco, leve seu Malbec, mas não esqueça de colocar um Tannat na bagagem, você pode se surpreender!

Salute e kanimambo pela visita