Na Minha taça

Guelbenzu Lombana, Eta Vinho Arretado Sô!

     Esta família de vinhos da Guelbenzu é realmente surpreendente. Este Lombana é bem diferenteGuelbenzu Amarelo de seu irmão Evo o que aliás, é algo bem comum tanto em nossa vinosfera como em na vida real! Já comentei o Evo recentemente, e esta garrafa abri com uns amigos entre eles o Marcelo que não vai me deixar mentir, eta vinho arretado sô! Da safra de 2005, crianza de 12 meses com parte em carvalho francês e parte americano, está absolutamente pronto para tomar e assim deve continuar pelos próximos um a dois anos. Elaborado tendo como protagonista a casta Graciano, tem como coadjuvantes a; Tempranillo, Syrah, Merlot e Cabernet Sauvignon formando um conjunto deveras apetecível. A Graciano aporta acidez, e estrutura aromática aos cortes com Tempranillo sendo muito usada nos Riojas, e tudo isso aparece bem neste vinho. Todo ele muito frutado com paleta olfativa intensa e convidativa em que se sobressaem os frutos negros. Macio de boca, cremoso, meio de boca rico e refrescante,  taninos sedosos e finos, longo com um mentolado sedutor que nunca senti tão vivamente na boca em qualquer outro vinho. Um belo vinho que nos chega de Ribera Queiles, encostado em Navarra, e mostra a beleza que é esse mundo de diversidade em que Baco reina absoluto e, mesmo com uma boa dose de litragem, segue com sua capacidade de no surpreender, não é verdade Marcelo?  Na casa dos R$125,00, como o Evo, mais um bom vinho espanhol em Terras Brasilis!

        Salute, kanimambo e não esqueça, dia 30, Sábado, armei um Taste & Buy Espumantes na Vino & Sapore em que você terá a oportunidade de provar ótimos vinhos para comprar somente na certeza. Vinhos que têm o meu aval, cada um em seu estilo, e espero que apreciem, mas reservem antes pois há limite de participantes em função do tamanho do local.

Diversidade na Taça no Fim de Semana Longo

      Feriado chegou, mas ainda dá tempo para garantir seu prazer neste longo fim de semana seja ele na praia, campo ou em casa mesmo num churrasco com os amigos! Por outro lado, as  festas de final de ano se aproximam e começamos nossa busca pelos vinhos que acompanharão nossos intermináveis almoços e jantares de confraternização com amigos, colegas e família. Eis aqui algumas dicas do que buscar, há um pouco de tudo e de todos os preços, pois a diversidade impera e há que aproveitá-la, então vamos lá começando pelos brancos e seguindo com rosés e tintos, alguns vinhos que provei e revi mais recentemente e os quais recomendo. Os preços são meramente indicativos e padrão Sampa, mas tem coisa para escolher!.

House of Mandela Sauvignon Blanc – Se apresenta bem fresco, mais citrino com grama molhada bem presente numa presença de boca toda ela mais sutil, elegante e balanceada terminando com uma certa mineralidade. Um vinho muito agradável de se tomar e certamente uma bela companhia para os queijos de cabra e frutos do mar grelhados ou fritos. R$45,00

Amalaya branco – Vinho á base da cepa Torrontés que produz alguns bons vinhos na Argentina, especialmente em Salta de onde vem este rótulo. Com um toque de Riesling para equilibrar a acidez, mostra aquele floral típico da cepa, porém de forma menos intensa com algo cítrico no nariz e na boca um frescor muito bom advindo da presença da Riesling que aporta um equilíbrio importante porque muitos torrontés por aí tendem a ficar algo enjoativos. Este é suave, balanceado e fácil de se gostar com um único inconveniente, a garrafa tem a tendência a acabar rápido demais! Preço na casa dos R$49,00.

Muros Antigos Loureiro – A uva Loureiro tem como característica, gerar vinhos muito frescos, por sua ótima acidez, e aromáticos. São ótima companhia para pratos de frutos do mar e gosto muito de harmonizá-lo com caldeirada de lulas. Este delicioso Muros Antigos, de aromas sutis com nuances de flor de laranjeira, muito cítrico, balanceado, fino, saboroso que nos seduz facilmente enquanto nos acaricia o palato com um toque mineral de boa persistência. Foi escolhido como um dos TOP 50 vinhos portugueses para o Brasil este ano e o preço é bem camarada para nossos padrões, R$69,00.

William Févre Espino Gran Cuvée Chardonnay – este anda mais amiúde por minha taça, mas sempre me satisfaz muitíssimo! Um dos melhores chardonnays chilenos com uma madeira suave muito bem colocada e um estilo bem chablisiano de ser com bastante mineralidade. R$85,00

Ballabio Vintage Rosé – um vinho com uma leve efervescência elaborado na Lombardia (Itália) e 100% Pinot Nero. Delicado, apesar de um bouquet pronunciado, com elegante perfume de frutas vermelhas e violetas. Seco, equilibrado, com um agradável fundo frutado, um vinho alegre e festivo que tem tudo a ver com o nosso verão. Wine for Fun por R$48,00!

Canforrales Rosado – um rosé espanhol da região de La Mancha á base de Garnacha, de ótimo custo x beneficio que vale muito a pena como um vinho de entrada, pois possui muito das característica dos brancos mais vibrantes. Notas de framboesa, acidez bem equilibrada que elimina eventuais sensações doces, uma mineralidade presente que me surpreendeu, boa textura com interessante volume de boca, certamente acompanhará bem um arroz de mariscos e um papo informal. Preço na casa dos R$42,00

El Milagro Syrah – chileno de ótima relação custo x beneficio, R$65, fazia tempo que não levava á taça e mais uma vez mostrou toda a sua qualidade. Muito equilibrado, aveludado na boca, redondo e muito, mas muito saboroso, é um achado entre os bons vinhos que o Chile vem elaborando com esta casta.

Hécula Monastrel – outro que fazia tempo que eu não revia e que mais uma vez me deu muito prazer rever. De casa nova, agora na Almería, um monastrel sem nada de doce, corpo médio, taninos finos muito bem integrados, não é á toa que possui tanta premiação e altos pontos pelos principais críticos internacionais. Melhor, o preço está na casa dos R$67,00.

Albert Bichot Pinot Noir Vieilles Vignes – não é fácil encontrar um pinot da Borgonha que satisfaça e tenha preços abaixo dos 100 reais, então este há que se destacar, pois está na casa dos R$98,00. Um bom e muito característico Borgonha que mostra muita qualidade na boca e deve acompanhar bem um Peru á Califórnia.

Perez Cruz Cabernet Sauvignon Reserva – Frutos negros bem presentes e taninos aveludados que são sua marca registrada. Final de boca muito agradável e levemente especiado e profundo. Madeira e álcool muito bem integrados nos trazem um conjunto realmente apetecível e guloso que vale muito o preço na casa dos R$60,00 mais ou menos cinco.

Aracuri Cabernet/Merlot – um representante brasileiro de uma região pouco comum, este vem de Campos de Cima ainda Rio Grande do Sul. Boa estrutura de boca, equilibrado, fruta bem presente, rico com taninos sedosos bem integrados que valem muito o preço na casa dos R$45,00. Não é Cepacol (rs), mas é bom de boca!

Pasíon de Bobal – esta uva, Bobal, espanhola pouco conhecida entre nós é surpreendente. Um vinho daqueles que acaba rápido e pede a próxima garrafa! Fresco, frutado, boa textura, taninos maduros e macios, com um final “pra lá” de apetecível fazem dele uma escolha muito interessante para quem gosta de sair da mesmice e provar coisas diferentes. Preço na casa dos R$80,00

In Situ Red Blend – um vinho de corte surpreendente entre Cabernet, Petit verdot e Carmenére que é a única coisa que ele tem chileno. No resto, ás cegas, tem gente que diz ser alentejano e outros bordalês. Muito bem equilibrado, ótima textura, corpo médio de taninos aveludados, é um vinho cativante que ainda tem a seu favor o preço, R$57,00.

Confidencial – da região Lisboa, um tinto elaborado com cerca de seis a oito castas não divulgadas. Bem frutado, médio corpo, rico, frutas silvestres, taninos maduros e suculentos, um verdadeiro achado que agrada fácil e custa pouco, apenas R$32,00.

Gougenheim Valle Escondido Malbec com educados 13.5% de teor alcoólico Na cor é rubi com toques violáceos típicos da cepa sem a típica super extração que resulta em vinhos muito escuros. Nariz sedutor de frutos negros com nuances florais, que convidam a levar a taça à boca onde ele se mostra extremamente sedutor, equilibrado e elegante com taninos macios e sedosos, boa estrutura, corpo médio e um final muito agradável algo especiado que pede mais uma taça Parker lhe deu 87 pontos, eu lhe daria talvez um pontinho a mais pela boa relação Qualidade x Preço x Prazer pois é um vinho de preço final de R$48,00

Enfim, são 15 sugestões para você curtir o feriado em boa companhia. o resto fica por sua conta! Salute, kanimambo e devagar nas estradas, quero ver todo mundo de volta na Segunda vendendo saúde e desestressado!! se estiver à toa no Sábado, vem me fazer companhia na Vino & Sapore porque estarei de plantão com uma garrafa aberta recebendo os amigos. Até!

Guelbenzu Evo, Um Retorno à Minha Taça

     Nossa, como fazia tempo! O nome tem algo assim de sinistro, mas desde os idos de 2007 a 2008 que este vinho me chamou a atenção sendo que na época era trazido pela Expand e o selecionei como destaque na faixa de R$80 a 120,00 num post de Dez/07 sobre vinhos espanhóis. Depois deu um sumiço. reaparecendo agora pelas mãos da Import Gourmet do amigo e quase vizinho Jordi, que também traz os bons vinhos de Señorio de Sarría que fazem parte do mesmo grupo produtor.  Minhas notas da época pouco me disseram, mas tinha lhe dado 4 smiles o que na minha avaliação pessoal da época, essencialmente hedonística, é muito bom.

     Tendo como protagonista a Cabernet Sauvignon, leva cerca de 25% de Merlot e 15% de Tempranillo compondo um blend pouco usual, ainda mais quando vindo da Espanha. Quando o provei era Navarra, porém este que abri agora (2007) já é um Vino de la Tierra de la Ribera del Queiles, zona produtura nova criada em 2003 e composta por 16 municípios ao sul do Rio Ebro, entre Navarra, Rioja y Aragón.  Doze meses de barrica francesa nova, é um vinho poderoso, muito aromático em que um festival de frutos do bosque e sutis notas florais invadem o olfato ao ser desarrolhado.

  Guelbenzu Evo   Estava na loja para ser avaliado, já que nada entra no portfolio sem ser provado, e na semana passada chegou a hora. No almoço, preparei uma pizza artesanal de carne seca e fui feliz! A harmonização ficou muito boa, até porque a estrutura do vinho, já com 5 anos de garrafa, está perfeitamente integrada e pouco sobrou para contar a história. Textura deliciosa, taninos aveludados presentes, boca densa, algum mentolado, tofee, toques balsâmicos e terrosos, o vinho mostra-se bastante complexo em boca com algum mineral e um final de boca longo com algo de especiarias. Com a carne seca, casou muito bem e certamente um prato de bom peso lhe será ótima companhia, não me parece que seja vinho para meramente bebericar!

  Um belo vinho que mostra bem a força dos vinhos espanhóis e que me agradou muitíssimo, ainda mais porque não é daqueles vinhos que se encontra em qualquer esquina e, importante, manteve a consistência qualitativa ao longo dos anos. Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos com muita saúde e bons vinhos.

O Ontem e o Ante Ontem!

Começo de semana bravo este! Na Segunda a extrema-unção de alguns velhotes, na Terça conhecendo os vinhos da Isabel Estates na nova Zelândia e com as Enoladies numa degustação só de brancos diferentes e muitas agradáveis surpresas. Não vou me estender muito não, só umas fotos e alguns curtos comentários que espero possam lhes ser úteis.

“Vinhos Velhos” com os amigos e por generosidade deles em os compartilhar. Vieram menos amigos do que esperado, então reduzimos o número de rótulos e sacrificamos tão somente, cinco!

Vellhotes do Ale

Marques de Casa Concha Chardonnay 98, miraculosamente vivo! Acidez, pouca, mas ainda se fazendo presente, madeira e cremosidade em abundância, muito interessante e surpreendente. Esperávamos encontrar um corpo estendido no chão, porém………..

Udaca Garrafeira 94, corte tradicional (Alfrocheiro/Jaen/Tinta Roriz e Touriga Nacional) do Dão, um velhinho já respirando por aparelhos mas incrivelmente apegado à vida!

Má Partilha 99, merlot da região Setúbal, ao abrir achamos que tinha ido para a glória com aromas fortes de uma certa oxidação que rapidamente começou a se dissipar. Na boca delicioso e depois de um tempo os aromas começaram a se desprender  da taça de uma forma tão sedutora que o fiquei “fungando” o resto da noite. Maravilha.

Chateau Kefraya 99, delicia! Cabernet Sauvignon, Grenache, Mouvédre e Cinsault (se não me engano) do Libano. Aromáticamente fraquinho, não sei como ele é mais novo, mas na boca estava absolutamente divino, aveludado, rico, muito bom. Agora fiquei curioso por tomar uma garrafa mais novinha e comparar.

Rocca de la Macie Chianti Classico 2000, tipicidade pura, mas a meu ver sofreu por vir depois do Má Partilha e do Kefraya , mas ainda apresentava algum fulgor mesmo que sem a intensidade que lhe é típica quando mais jovem, esse conheço bem.

Enfim, sacrificamos cinco das oito garrafas programadas e agora vamos atrás de mais umas três para formar outro lote ao qual dar a extrema-unção. Gostamos de nosso ato de misericórdia, agora é esperar o momento certo para seguir nossa missão.

Isabel Estate, Nova Zelândia. um Sauvignon Blanc, um Riesling, um Pinot Gris e um Pinot Noir. Ótima forma de começar um dia, mas desses falo amanhã, ok? Das Enoladies, a confraria de 12 amigas que tenho o enorme prazer de receber em gostosa confraternização na Vino & Sapore faz três anos, as delicias da descoberta de vinhos brancos elaborados com uvas diferente e um final surpreendente, mas falo disso depois também, é muita coisa junta, muita emoção, muita alegria e pouco tempo para compartilhar a totalidade desses momentos com os amigos mas visitando o grupo no face da Vino & Sapore você vai poder curtir um pouco. Kanimambo pela visita e nos vemos por aqui amanhã? Salute.

Um Trio Luso que Deixou Saudades!

Recentemente na confraria Saca Rolha, tivemos a enorme satisfação de nos debruçarmos sobre uma série de bons vinhos portugueses, dos quais três em especial me encheram a alma de emoção. A confreira Raquel já escreveu aqui sobre eles, porém face a importância dos mesmos, não me segurei e também os vou aqui comentar.

Soalheiro Alvarinho 2011 – abri uma primeira garrafa, porém não achei que estivesse boa. Não que estivesse estragada, porém lhe faltava aquela acidez vibrante tão marcante neste vinho, senti que essa garrafa “envelheceu” precocemente e não demonstrava seu verdadeiro ser. Achei por bem abrir uma outra, só que na temperatura só tinha a Magnum que me foi presenteada pela saudosa amiga Inês Cruz e já por isso, uma emoção diferente ao desarrolhá-la. Mas houve mais, porque esta sim estava divina com tudo aquilo que este vinho significa para a vinosfera portuguesa dos vinhos brancos. Faz anos que sou um profundo admirador dos vinhos da Soalheiro, e este rótulo é presença certa em minha adega. A Magnum foi a medida certa para os 12 confrades presentes e certamente, tivéssemos ficado com a de 750ml, sede sentiríamos! O vinho é especial e está sempre ranqueado entre os melhores brancos lusos, mostrando  o valor da casta Alvarinho na região do Minho onde ela mostra todo o seu potencial.

Este Soalheiro é um vinho de muita classe, grande intensidade aromática em que se sobressai aromas de damascos e flor de laranjeira com espectro floral e frutado que encanta. Na boca é exuberante com nuances cítricas com deliciosa textura (algo “crocante”) e riqueza de sabores, acidez vibrante, sedutor e um final mineral que nos deixa pedindo mais. Obrigado Inês!

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Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003 – Um grande vinho que cresce mais ainda quando fruto da generosidade de amigos confrades. Este desapego e desejo de compartilhar é uma das coisas que os enófilos têm de bom, especialmente quando uma garrafa mais especial está em jogo. É como viajar solo e ver uma paisagem lindíssima sem poder compartilhar o momento com ninguém. Não deixa de ser legal mas perde um pouco da graça e nos sentimos privilegiados ao sermos convidados a partilhar de tamanha experiência, porque este vinho é isso mesmo, uma tremenda experiência!

A histórica Casa Ferreirinha, adquirida pela gigante Sogrape em 1987, é a produtora do maior ícone português, o Barca Velha da região do Douro produzido somente em safras excepcionais. O Reserva Especial é o segundo vinho da casa e eu só fico imaginando, depois de tomar este, como será o primeiro! Não, ainda não tive a chance de provar um Barca Velha, muita areia para meu caminhãozinho (rs), mas este Casa Ferrerinha me encheu a boca de prazer. Mais do que por uma característica especifica, ele brilha pelo conjunto; pela complexa paleta olfativa e equilíbrio de boca com tremenda elegância e presença de taninos muito finos, riqueza de meio de boca e final longo. Um grande vinho em qualquer lugar do planeta!

Quinta do Portal Moscatel do Douro Reserva 2000 – mais um grande vinho para encerrar uma noite pra lá de especial e muito, muito agradável! A Moscatel brilha na região de Setubal, porém no Douro, mais precisamente na região de Favaios, também há belos exemplares a serem encontrados e este eu descobri na casa do amigo João Pedro em Portugal há cerca de 3 anos e gamei! Esta garrafa trouxe de Portugal há alguns anos e aguardava na adega o momento e as pessoas especiais com quem compartilhá-la. Não que seja cara (por lá não chega aos 20 Euros), até porque é pouco conhecido e frequenta pouco a mídia, mas porque desde a primeira prova me marcou profundamente. É um néctar dourado e marcante, doce no ponto e apoiado por uma excelente acidez que acompanha maravilhosamente bem doces conventuais ou torta de amêndoas, até panettone. Deste já falei aqui, então não vou me estender mais sobre ele, mas com estes três vinhos você faz a festa em qualquer lugar mostrando o alto nível da vinicultura e dos produtores portugueses!

Salute e kanimambo, seguimos nos encontrando por aqui. Tendo a oportunidade, não perca nenhum destes vinhos de Portugal, prazer garantido tenho a certeza.

Conhece a uva Melon de Bourgogne?

choblet-fief-guerin-muscadet-534x712Francesa, mais uma, gosta de climas frios e solos de granito e xisto gerando vinhos vibrantes, leves e refrescantes sendo ótima companhia para frutos do mar, em especial de ostras. Não sei se o amigo Nilson vende bem esses vinhos no seu Armazem Conceição lá em Floripa, porém de lá aos camarões grelhados e lagosta do nosso quente nordeste, me parece a companhia ideal. Uma pena que os preços desses vinhos, assim como dos bons Gruner Veltliner austríacos, não sejam mais camaradas, porque abriria uma por semana tranquilamente. Falo dos Muscadet, como são mais conhecidos, que na verdade é uma região do Loire, e agora você já começou a conhecer a uva não? Só não DSC02915consegui saber, até agora e contribuições são bem vindas, em que momento a Melon vira Muscadet?!! rs Certamente modismo e marketing provavelmente, caiu na boca do povo já viu né!

Os vinhos desta região mais ocidental do Loire, em que a Muscadet (Melon de Bourgogne) é rainha dos vinhedos com bem mais área plantada que qualquer outra cepa, são normalmente bem secos, muito ligeiros e sem grandes atrativos, porém os que vem da região de Sévre-et-Maine e passam por uma elaboração Sur Lie, ganham essa algo mais tornando-se vinhos vibrantes com maior riqueza aromática e de sabores sem perder a sutileza que os caracteriza. São mais de 2500 produtores, alguns poucos engarrafando, que vendem seus vinhos para uma meia centena de negociants que engarrafam e distribuem esses vinhos. O frescor do vinho é essencial, então sugiro consumi-lo nos primeiros dois anos de vida, eventualmente três se o produtor for realmente bom.

Não sendo um campeão de vendas, muito em função do desconhecimento que as pessoas têm destes vinhos e um pouco por preço, em minha última promoção na Vino & Sapore “matei” umas garrafas dessas e sobrou uma que levei para casa matando saudades. Desta feita sem comida, só um queijinho de cabra, mas me deliciei com ele e seus educados 12% de teor alcoólico que permite que se tome sem muita moderação. Apesar da foto horrível acima (abaixo o rótulo para uma melhor identificação) este Domaine La Haute Févrie (Zahil) é um dos vinho de que gosto bastante e sempre tive por perto, porém o mercado possui diversas outras opções então aventure-se um pouco, saia fora de sua zona de conforto e descubra novos sabores e novos produtores, é tudo de bom!

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Salute e bom fim de semana.

Salvar

Salvar

Tinto & Branco Chilenos na Taça

Não tive a oportunidade de participar do Winebar da Wines of Chile que antecedeu a Wines of Chile Tasting e lançamento oficial das novas denominações (áreas) Costa, Entre Cordilleras e Andes, então vou colocando aqui minhas impressões sobre os vinhos provados conforme os for degustando.

Comecei por uma dupla de tinto e branco de Casablanca, área da Costa na nova denominação. Mesmo a foto não sendo das melhores, nas taças estavam o Ventisquero Reserva Pinot Noir e o Terrunyo Sauvignon Blanc da Concha y Toro. Cada um do seu jeito e no seu patamar de qualidade e preço, foram bem na minha taça, sendo que o Terrunyo extrapolou por sua exuberância. Falemos dos vinhos e do que senti deles:

A Ventisquero produz bons vinhos em diversas gamas de qualidade e eu gosto bastante dos vinhos da família Queulat em especial o Merlot. Este Pinot Noir se mostrou muito agradável mostrando fruta abundante no nariz e uma cor rubi demonstrando uma extração maior o que é típico dos pinots chilenos. Na boca está bem redondo, saboroso e frutado fácil de gostar, boa acidez, taninos delicados como manda o figurino e um final com uma certa mineralidade. Cumpre bem seu papel considerando-se que é vinho na casa dos R$45 a 55,00 nos dias de hoje.

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Terrunyo Sauvignon Blanc da Concha y Toro, vinho de pontuação média, pelos grandes critico mundiais, ao redor de 90 pontos com alguns picos. Mudamos de patamar, não subimos um degrau, pulamos alguns! Nunca tinha tomado este vinho e tenho que confessar que me surpreendi pois é dos melhores Sauvignon Blanc que já tomei , não só do Chile mas das Américas. Paleta olfativa gostosa em que notas cítricas, maçã verde e notas de orvalho matinal nos fazem viajar um pouco. Na boca é pura sedução, repete as sensações da fruta fresca com uma mineral bem presente, um vinho em perfeita harmonia, elegante e marcante que faz lembrar muito os vinhos do Loire que me encantam. Um belíssimo exemplar de Sauvignon Blanc que não é para qualquer bolso, mas falamos de um vinho top de gama, então o preço acompanha, entre R$100 a 120 pelo que pude ver na internet.

Tenho mais uns três para provar, mas de saída me dei bem. Realmente os terroirs do Chile e uma enormidade de bons produtores são farto material para pesquisa (prova) como pude mais uma vez comprovar, inclusive na Wines of Chile Tasting! Em breve mais do Chile mas quem quiser uma experiência a mais, dia 28 de Agosto na Vino & Sapore farei uma apresentação sobre os vales, suas uvas e vinhos, com ênfase na introdução das novas áreas e, obviamente, provaremos alguns bons vinhos e serviremos um prato. Será a partir das 20 horas então caso tenha interesse, me enviem um comentário que entro em contato.

Já Provou um Vinho do Zimbabwe?

Eu já, Bushman Rock Estate Dry White Wood Matured .

ZIM - Clipboard

Adoro sair da mesmice, provar coisas diferentes de locais diferentes, isso faz parte, na minha opinião, da formação de um enófilo que se preze, pois creio que ganhamos muito com isso. Afora este vinho tomado na semana passada, ainda provei um Pinot Noir de Luxemburgo, do qual falarei outro dia, e estou armando junto com uns confrades, uma degustação somente de vinhos exóticos. Tem Tahiti, Venezuela, Peru, Holanda, Mexico, China e, lamentavelmente, a garrafa do Nepal sumiu! Depois falo para vocês sobre essas outras experiências, mas vi com bastante interesse no site da vinícola que entre outras uvas eles trabalham com a Alicante Bouschet, uma casta meio esquecida do sul da França que virou protagonista importante no Alentejo.

Ah, você quer saber desse branco? Bem, nem sempre se pode julgar, na maioria das vezes para ser sincero, um vinho ou qualquer outra coisa, por uma primeira impressão, então deixemos para lá! rs Digamos que estava “over wood matured” e valeu pela experiência que poderá ser repetida havendo a oportunidade. Ao amigo César Bueno que teve a gentileza de me trazer a garrafa e provar junto, um kanimambo especial e, por sinal, não foi nada para o ralo não!

Salute, ótima semana e kanimambo pela visita. Amanhã a lista dos vinhos que você poderá provar no próximo dia 10 na segunda edição do Saturday Night Wine Tasting que promoverei na Vino & Sapore, assim como a seleção de vinhos que comporá  a caixa (12 vinhos) a ser sorteada no dia, são cerca de R$1.000 em vinhos! Não perca.

PS. Se tiver algum vinho de origem exótica para provar e quiser compartilhar, me envie um comentário pois já estou montando uma segunda etapa dessas degustações em que cada um que aporta uma garrafa fica com direito a trazer um convidado. Seis vinhos fecham o encontro!

Meu Primeiro Rabigato, Gostei!

A primeira vez é sempre marcante ou, pelo menos, interessante e didática! Esta foi bastante marcante porque me surpreendeu. Rabigato, para quem não conhece, é uma uva autóctone da região do Douro onde é costumeiramente usada em cortes com a Viosinho, Verdelho e Gouveio e que, em função de sua baixa produtividade, está gradativamente  sendo substituída por castas mais interessantes comercialmente e de maior produtividade. Os vinhos de Portugal produzem sempre saborosas surpresas!

Clipboard Quinta da MieiraEste produtor, João Turégano da Quinta da Mieira, vai um pouco na contramão desse “trend” e nos traz esse Rabigato vinificado em estreme (varietal 100%) ou monocasta como eles por lá chamam estes vinhos que, neste caso, foram elaborados com uvas advindas de vinhedos com mais de 40 anos. Não teve jeito, como todo o enófilo apaixonado pelos mistérios de Baco, me meti a pesquisar antes de entrar na degustação deste vinho recebido da Importadora Winery para degustar em paralelo com o produtor e o amigo Breno num evento promovido no site www.tvgeracaoz.com.br do também amigo e saudoso (depois que ficou famoso sumiu!) Marcelo di Morais.

A Rabigato, por erro, no passado foi relacionada com a casta Rabo de Ovelha, variedade com a qual rabigatonão aparenta qualquer semelhança. Os vinhos oferecem acidez viva e bem equilibrada, boas graduações alcoólicas, frescura e estrutura, características que a elevaram ao estatuto de casta promissora no Douro. Apresenta cachos médios e bagos pequenos, de cor verde amarelada. Poderá, nas melhores localizações, ser vinificada em estreme, oferecendo notas aromáticas de acácia e flor de laranjeira, sensações vegetais e, tradicionalmente, uma mineralidade atrevida. É a boca, porém, que justifica a sua reputação, com uma acidez mordaz e penetrante, capaz de rejuvenescer os brancos do Douro Superior e com boa capacidade de envelhecimento..

Abri a garrafa a cerca de 8ºC o que não recomendo, pois foi-se abrindo muito conforme a temperatura aumentou mostrando que o contra rótulo está corretíssimo quando sugere a temperatura de serviço de 12ºC. Nariz de média intensidade, mas bastante complexo com notas cítricas (maçã verde) e tropicais com algum abacaxi maduro e suaves sensações de flor de laranjeira como pano de fundo, aparecendo até uma certa dose de baunilha mesmo não havendo o vinho passado em barrica.

quinta da Mieira Rabigato VNa boca é marcante, um vinho com personalidade, meio de boca seco, boa estrutura e acidez bem integrada transmitindo frescor, mas sem ferir o palato, balanceado e rico com um final mineral muito interessante. Um vinho gastronômico por excelência e logo comecei a pensar com o que harmonizar. Frutos do mar grelhados e bacalhau vieram rapidamente à cabeça, mas queria algo menos óbvio.  Não sei se daria samba, só testando, mas pensei numa moqueca sem dendê, será? Pensei em coisas menos atuais como um camarão á Mary Stuart do 50/50 (já falecido) lá de Santos e um delicioso Frutos do Mar á Bercy do Tatini (esse bem vivo), quem sabe até de arroz de polvo e, muito certamente, uns Rojões de Porco à Moda! Ai, deu uma fome!!!!! A sede eu matei, mas a fome vai ter que esperar.

Gostei do que provei e tomei, um vinho deveras interessante e parada obrigatória para quem gosta de sair da mesmice e curte as viagens de descobertas de novos sabores por nossa Vinosfera.  Deverá custar algo ao redor de 100 Reais, de acordo com o que o Leandro (Winery) disse no programa, então procure em sua loja preferida e depois me diga algo, adoro feedback! Salute e kanimambo pela visita, eu vou seguir pesquisando a Rabigato e buscando novos rótulos para melhor conhecer o potencial dessa uva, fui!