Na Minha taça

Ribera del Duero na Taça – Briego Vendimnia Seleccionada

Provei este vinho neste último Sábado. Estava meio down e achei que para levantar o astral só abrindo algo que me surpreendesse. Não conhecia o vinho, porém as indicações eram boas então, what the heck, porquê abri-lo, porquê não, fui lá e filo! Corria o risco de ficar com o saco (desculpem o linguajar) ainda mais na lua porém foi uma escolha para lá de acertada!!

Briego vendimnia seleccionadaAo “descorchar”, os aromas já invadiram o ambiente, antes mesmo de servir na taça, o que me fez abrir um sorriso, meu dia estava a minutos de melhorar pensei, oba! Na taça mostrou que meu sorriso tinha razão de ser, que aromas intensos e sedutores, algo não muito comum a um 100% tempranillo, com muita fruta vermelha no nariz, um passeio no bosque! Na boca essa fruta aparece de forma fresca muito bem integrada com a pouca madeira (cerca de 8 meses) usada em sua elaboração. Taninos macios e finos, meio de boca guloso e de médio corpo, final que pede bis, um vinho apetecível e fácil de gostar numa faixa de preço muito parelha com que o vinho entrega de prazer, em torno dos R$80,00. Mais um tiro certeiro de meu amigo Juan Rodriguez da importadora Almeria. Estou com o crianza deles para provar, e esta experiência com o Vendimnia me deixou curioso!

Fiquei feliz com minha decisão e rapidamente meu astral melhorou. Um pouco depois meu neto chegou e aí pronto, foi a cereja que faltava para completar minha mudança de humor. Mais um bom vinho espanhol provado mostrando que as dificuldades econômicas deles fizeram que nos déssemos bem. Precisaram produzir melhor, com melhores preços e abrir novos mercados e nós acabamos nos beneficiando disso.
Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

Montelena Chardonnay Extravaganza!

Quem sabe faz a hora! Ganhei no meu aniversário e o guardava para um momento especial então decidi neste Domingo transformar o dia num dia especial abrindo-o. Acredito que há vinhos que têm essa capacidade, o de transformar o momento, e este confirmou isso!

Montelena 2011Tá certo que o almoço a quatro mãos não ficou atrás, pescada cambuco com molho branco e espinafre (bom pra dedéu), parceiro ideal para as sutilezas e finesse deste vinho que em seus tempos áureos deu um pau nos grandes chardonnays franceses. Ainda há poucos dias conversava com alguns colegas amigos que diziam que o vinho tinha decaído bastante e não era mais o mesmo, mas quem sou eu para dizer algo. Eu o tinha provado há alguns anos e mais recentemente tomei o da safra 2010 que estava sublime e ainda não foi desta vez que ele me decepcionou.

Ok, não está tão bom quanto o 2010, talvez (pelo que me lembro) lhe falte a estrutura e volume desse, porém segue sendo, a meu ver e para meu gosto, um grande vinho que só sinto não ter bala na agulha para me deliciar com ele mais vezes, afinal o preço por estas bandas anda na casa dos R$400,00!! Para um frugal almoço de Domingo, convenhamos que foi uma tremenda extravagancia, mas que diabos eu mereço um carinho especial volta e meia! rs

Este vinho de origem americana se tornou famoso ao ter ganho o Desafio de Paris (quem ainda não viu o filme deve colocar isso na lista como “trabalho de casa”) entre os brancos o que deixou nossa vinosfera boquiaberta há época (1976) e lançou o vinho americano para o mundo. Eu não tenho esse gabarito e tão pouco a litragem de grandes vinhos brancos, especialmente dos franceses, para poder opinar, mas posso confirmar que é realmente um vinho de muita classe e melhor que ele só um Puligny-Montrachet 1ºer Cru que tomei há tempos e está ainda mais caro que isso. Cheio de sutilezas, madeira muito bem integrada e suave dando suporte à fruta abundante, sabores cítricos, lima, macã verde, acidez e mineralidade bem presentes, cremoso, ótimo meio de boca, complexo e longo, um vinho de muitas qualidades (vinho desse preço tem que obrigatoriamente ter, mas nem sempre mostram), que harmonizou muito bem com o prato e me deu muito prazer. Fez meu dia e vai deixar saudades! Valeu filhote, seu presente foi bem curtido, beijo.
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Francos Reserva 2009 – De Volta às Origens

Olá meus amigos, bom dia e uma ótima semana para todos. Depois de muito falar de vinhos argentinos em decorrência de minha viagem e constantes degustações, volto às origens, a Portugal. Quero compartilhar com vocês um vinho que GarimpeirosIIdescobri há uns seis meses atrás e que fez minha cabeça, Francos Reserva 2009, um vinho de alta gama por um preço surpreendente.

Quem me acompanha sabe que sou um garimpeiro de achados, aquelas pepitas de todos os tamanhos, cores e preços que se escondem nessa imensidão que é nossa vinosfera. Vinhos que me deem a percepção de valor superior ao preço que paguei, e este é um deles.

Bons vinhos portugueses se acham em tudo o que faixa de preços e desafio qualquer um a, ás cegas, fazer um prova de vinhos entre R$25 a 40,00 (os do dia a dia) com qualquer dos países hermanos para ver quem leva! Em todas as gamas de qualidade e faixas de preços, os vinhos da terrinha se dão muito bem, todavia os bons vinhos encareceram, aliás, como boa parte dos vinhos dos Hermanos, para além do razoável razão do porquê este vinho ter me surpreendido tanto. Falamos de um vinho entre os TOP 100 escolhidos pela Revista de Vinhos em Portugal, um vinho de pequena produção sendo esta a primeira safra produzida em homenagem aos 30 anos de atividade de seu enólogo José Neiva, galhardeado com o titulo de Senhor Vinho, pela mesma revista, em função do conjunto de sua obra.

Foi um vinho que, à primeira fungada e primeiro gole, vi que estava diante de um caldo diferenciado. Nós que estamos habituados a exaltar os exuberantes e modernos vinhos alentejanos ou os sérios e complexos durienses, temos aqui uma mescla desses dois estilos mostrando que esta região também pode, e produz,Francos reserva II grandes vinhos. O Francos Reserva vem da região Lisboa, mais precisamente DOC Alenquer, produzido somente em grandes safras (até agora 2009/2011 e 2012) em quantidade limitada, tendo como composição majoritária a Touriga Nacional que é muito bem coadjuvada por Touriga Franca (duas uvas típicas do norte de Portugal) e Alicante Boushet (mais presente no sul). Um vinho que por terras portuguesas custa algo entre 30 a 35 euros!

Este vinho, pelo menos para mim, mostrou-se exuberante na boca e por que não dizer, algo enigmático conforme o descreveu a amiga Raquel Santos em seus comentários aqui mesmo. Já chama a atenção na primeira fungada onde a Touriga aparece de forma bem marcante com suas notas florais, chá preto com uma fruta vermelha (ameixa?) aparecendo por baixo desse pano numa paleta olfativa bastante interessante. É na boca, no entanto, que o vinho mais me marcou com ótima textura, um meio de boca frutado, rico e muito expressivo, bom corpo, notas de especiarias, final de boca fresco e longo que nos deixa pensando….! Os taninos estão bem presentes, porém já integrados, finos e aveludados formando um conjunto harmônico e extremamente apetecível. Meia horinha de aeração e uma garrafa será pouco! Rs

Depois da agradável sensação hedonista, vem a surpreendente sensação no bolso! Sim, porque se você vive do fruto de seu trabalho e não tem cartão corporativo liberado, este também é um fator de extrema importância. Pensando no que este vinho custa por lá, seria razoável prever que teríamos que desembolsar algo ao redor dos 300 Reais, daí para cima, o que o faria ser apenas mais um bom vinho caro. Ocorre que ele custa em torno dos 130 Reais e é aí que o vinho ganha uns pontos a mais e vira destaque já que o preço é muito similar ao que se paga em Portugal. Não sei quem tem “culpa” disso, se o produtor (DFJ) ou o importador (Lusitano Import), quem sabe são “cúmplices”, rs, porém adorei o resultado.

Enfim, mais um bom vinho português por aqui em Falando de Vinhos para abrir bem esta semana esperando que seja ótima para todos. Salute, kanimambo e agora nos encontramos por aqui!

O Outro Cabernet Chileno

È, há umas duas semanas falei de um e tinha prometido o segundo em seguida, mas o trampo está pesado então está faltando tempo para colocar a escrita em dia, porém não esqueço minhas promessas, não, só tarda! rs Falei do Lauca Reserva Cabernet Sauvignon e hoje quero compartilhar com os amigos e amigas o In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2010. Mais um vinho desta uva que mostra bem a boa adaptação aos diversos terroirs chilenos. O Lauca é do Vale do Maule e este é de Aconcagua, o que gera algumas diferenças, porém entre eles uma linha mestra, a ausência da excessiva piracina que tanto me incomoda em boa parte dos vinhos chilenos. O produtor é a Viña San Esteban e esta linha de produtos me atrai bastante porque afora o prazer na taça, também dá um alivio no bolso entregando mais do que se espera em função do preço.

Gosto do In Situ Big Red Blend (que nem é tão big assim!) que conjuga muito bem a Cabernet, com Petit Verdot e algo de Carmenére na casa dos R$56, mas este 100% Cabernet traz algo mais! O enólogo, Horácio Vincente, é  filho do proprietário, formado em Bordeaux e essa influência se sente bem em seus vinhos CAM00300com um algo mais de sofisticação. O In Situ Gran Reserva Cabenet Sauvignon, leva 90% desta cepa à qual ele adiciona um tempero de 5% cada Carmenére e Cabernet Franc, e deixa “amadurecer” em barricas francesas e americanas de 225 litros por cerca de doze meses.

O resultado é um vinho que atrai á primeira “fungada” mostrando uma fruta vermelha viva e fresca, e um toque algo terroso (bosque molhado), de boa estrutura tânica, densoe de bom corpo sem ser excessivo ou pesado,  complexo, elegante, textura aveludada, boa acidez e harmônico com uma leve pimenta de retrogosto e boa persistência. Um Cabernet muito bem feito, sem exageros nem maquiagem com a madeira a dar apoio ao conjunto sem jamais se sobrepor. Pelo preço, na casa dos R$75 a 80,00 acho que é uma boa opção a vinhos de marca mais famosa e mais caras, porém sem a qualidade e equilíbrio que este apresenta e prazer que nos dá. Como já disse anteriormente e por diversas vezes, é esse o barato do garimpo, encontrar estes rótulos menos midiáticos de produtores de menor porte que nos surpreendam. Se você gosta de Cabernet Sauvignon, eis uma boa opção ao seu dispor no mercado.

Espero que curtam! O VSE Cabernet, o de gama de entrada deles, é um vinho bem feito que já comentei por aqui há uns cinco anos atrás e dizem que o In Situ Laguna del Inca, seu vinho top, também é muito bom e esse eu botei na alça de mira para uma próxima oportunidade provar. Se você provar antes, ou já conhecer, me diz algo? Bem gente, a conclusão que tiro é que este produtor se dá bem com a Cabernet em sua propriedade e cantina o que pode ser um fator a se considerar quando nos depararmos com seus vinhos no mercado, ojo! Bem, hoje é só e amanhã falarei um pouco da degustação às cegas que armei com Malbecs chilenos, argentinos e franceses, mais surpresas! Kanimambo e uma boa semana para todos.

Dois Bons Cabernets Chilenos

Por mais que insistam em fazer da Carmenére a uva ícone chilena, ainda acho que as principais uvas comerciais chilenas são mesmo a Cabernet Sauvignon e a Syrah. Na Cabernet, o que mais me incomoda é o excesso de piracina (pimentão verde) em boa parte dos vinhos assim como aquela goiaba verde, aromas que não me seduzem e que, por muitas vezes, se repetem na boca. Quando provo um vinho que foge dessas características, isso já me aguça o palato e se o preço está em acordo com meu bolso, então me seduz de vez e foi isso que ocorreu com dois vinhos em dois patamares de preço diferentes, um Reserva e um Grande Reserva. O primeiro que compartilharei com os amigos hoje, foi mais uma revisita a um vinho que já tinha curtido muito em 2009, confirmei em 2011 e agora revisito mais uma vez e reconfirmo tudo o que já tinha comentado sobre ele e que o fez ser destaque aqui no blog há época, é o Lauca Cabernet Sauvignon Reserva, hoje importado pela Mercovino.

CAM00298Da região do Vale do Maule, passa por oito meses em barricas francesas e americanas. A primeira grande surpresa é a ausência total dos tradicionais aromas de goiaba e pimentão, com a paleta olfativa mostrando muito mais seu agradável e sedutor caráter frutado com notas de baunilha sutis mostrando o bom uso das barricas. Na boca, taninos muito bons, equilibrado, bom corpo, rico, álcool bem integrado formando um conjunto muito prazeroso e, como dizem meus conterrâneos, apetecível com um final saboroso de boa persistência que nos chama à próxima taça. Como o preço se encontra numa faixa ao redor dos 55,00 Reais, temos aqui, na minha opinião, um best buy com uma elegância e finesse pouco presentes em vinhos nesta faixa.
Ainda durante a semana voltarei a falar dos Cabernet Chilenos com um outro rótulo, um Gran Reserva. Até lá, Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos. Ah, ia-me esquecendo, reservem o período de 21 a 25 de Agosto para viajar comigo a Mendoza! Ainda esta semana os detalhes, porém será uma experiência enogastronomica como visita a 8 bodegas, lagar de azeite e 4 refeições harmonizadas descobrindo novos sabores, aguarde!!

Vinho de Reflexão, Um Moscatel Roxo de Setúbal 1998

Tem um monte de gente que, cada vez que você fala de vinho de sobremesa, viram a cara e dizem não gostar. O interessante é que em diversos eventos de degustação que promovi e coloquei um vinho doce, de sobremesa, em prova, estes acabaram sendo os rótulos mais vendidos do evento. O fato me leva a concluir que a maioria é do tipo; “não provei e não gostei” tudo aquilo que tentamos mostrar aos nossos filhos ser errado! O grande segredo desses vinhos é o profundo equilíbrio entre o residual de açúcar e a acidez. Já provei um Tokaji Essencia com 200grs/l de açúcar residual e estava magnífico, digno de vir acompanhado da famosa almofadinha!!

Já eu, salvo algumas exceções nojentas (rs) adoro provar de tudo e vinhos de sobremesa são uma de minhas paixões. É difícil encontrar bons vinhos de sobremesa baratos, a produtividade costuma ser pequena, mas há exceções sendo que a maioria destes são vinhos de colheita tardia sul americanos, mas hoje quero falar deste verdadeiro elixir dos deuses produzido pela Quinta da Bacalhôa com esta pouco conhecida e rara variedade de moscatel, aparentemente autóctone da região de Terras de Setúbal, o Moscatel Roxo, vinho licoroso, fortificado (adição de aguardente vínica), com cerca de 18º de teor alcoólico!

CAM00302         Como costumo dizer, há vinhos que não sabemos se cheiramos ou bebemos, pois este é daqueles por quem nos apaixonamos à primeira fungada e mais do que beber, é de lamber!!! Extremamente sedutor, com notas florais que me fazem recordar laranjeira e rosas, com algo de frutos secos e mel, talvez até influenciado pela incrível cor amarelo dourado, quase topázio, uma verdadeira preciosidade. Tudo isso, no entanto, não convence se quando chega à boca esses aromas morrem e são substituídos por um liquido xaropento, enjoativo e sem vida. Este Moscatel Roxo da Quinta da Bacalhôa é o oposto de tudo isso, pois possuí uma acidez maravilhosa que lhe aporta uma personalidade muito vibrante, elegante, de grande leveza e maciez que convidam ao próximo gole. Absolutamente encantador, um adolescente de dezesseis aninhos, nove ou dez dos quais envelhecendo em meias pipas de carvalho, anteriormente usadas na produção de whisky, devendo, conforme pesquisado, ainda evoluir por mais vinte, trinta ou mais anos! Para tomar devagar, após o almoço, jantar ou a qualquer hora, sorvendo todas as suas nuances e desfrutando de toda a sua riqueza de sabores.

Ele é a sobremesa, um vinho para tomar olhando o horizonte e ver o sol se pôr, um vinho de contemplação e reflexão, para agradecermos a dádiva da vida e o privilégio de poder tomar um néctar desses. Para quem queira acompanhar com algo, penso que um Toucinho do Céu (típico doce conventual português) ou um Panetone de Zabaione italiano poderão ser grandes parceiros.

A uva, de cor arrocheada em vez de branca como a Moscatel “comum”, é tida como uma mutação regional da mesma e algo rara (pouca área plantada) com volumes pequenos de produção, gerando vinhos algo mais secos e complexos que os Moscateís tanto das regiões de Setúbal como do Douro (Favaios). Considerando-se o que o vinho é, o preço nem é caro pois anda na casa dos R$200 a 230, porém quem tiver a chance de passar no Duty Free de chegada no Brasil, vi no site por USD37, uma baba! Para quem quiser se aventurar em outros vinhos Moscatel Roxo deste quilate, minha recomendação fica com o Domingos Soares Franco Coleção Privada 2001, outro néctar de lamber os beiços e não esquecer tão cedo.

Salute e kanimambo, uma ótima e doce semana para todos.

Mais Vinhos de Bom Preço a Curtir na Copa

Agora o próximo jogo do Brasil é Sábado ás 13 horas! Não é por nada não, mas estou louquinho para a copa acabar e podermos retomar nossas vidas. A indústria vai ter queda, o comércio vai ter queda, porém as contas insistem em chegar “no matter what”! Enfim, não tem jeito então vamos tocando e eu cá estou de volta para dar mais algumas dicas de vinhos para curtir na copa só que destes países os preços são algo menos atrativos. Tenho pesquisado, mas achar bons vinhos da Alemanha, EUA, Uruguai e Austrália abaixo, ou próximo das 50 pratas não tá fácil não. Para quem está a fins de curtir vinhos de um desses países, não vou colocar nada da Grécia nem Croácia pois o que conheço é bem mais caro e nem sempre facilmente encontrados, eis algumas poucas dicas.

Flag button UruguaiUruguai – assim como a Argentina reinventou a malbec o Uruguai fez o mesmo com a Tannat e tem muita coisa boa por lá, nem sempre a preços muito convidativos. Nas faixas mais baixas de preços os vinhos variam muito, porém na casa dos R$35 a 40 o Don Pascual Tannat/Merlot (tradicional corte local) é bem agradável. Não tenho provado muita coisa nessa faixa que tenha me agradado, porém a R$45,00 o Pisano Cisplatino tannat/merlot é um porto seguro e na casa dos R$55 gostei bastante do Rio de los Pájaros Tannat Reserva. Outra opção certeira, porém já na casa dos R$65 é o Carrau Tannat de Reserva todos vinhos mais densos, típicos da cepa, porém sem taninos agressivos, teores alcoólicos educados e bastante ricos.

 

Flag Button alemanhaAlemanha – paraíso dos vinhos brancos e eventualmente Pinot Noir nos tintos, porém difícil encontrar vinhos com preços mais convidativos. Rieslings já com qualidade garantida, tem muita coisa por aí bem meia boca, sugiro a garrafa de litro de Heinz Pfaffmann Riesling por cerca de R$72,00 um vinho de baixo teor alcoólico e fácil de tomar, o Loosen Dr. L por volta dos R$69 assim como o Anselmann Trocken, um pouco mais de corpo e estrutura, na mesma faixa. Da Anselmann, també interessante o Pinot Noir deles que mostra uma outra faceta da região, a dos tintos e este é bastante interessante, porém já na casa do R$79,00.

 

Flag Button AustráliaAustrália – outro país de onde é difícil encontrar vinhos a preços convidativos. Afora seus famosos Shiraz, há também bons vinhos brancos, Cabernets e blends a serem explorados, porém devemos abrir a carteira um pouco mais. Na faixa entre entre R$55 a 65,00 gosto do Down Under Chardonnay com pouca madeira e bastante frescor sem perder as características da cepa, o Lindemanns Bin 50 Shiraz um bom “entry level” aos bons Shiraz australianos assim como o Three Steps Shiraz que já mostra um pouco mais de complexidade e corpo.

 

Flag button EUAEUA – nos próprios Estados Unidos os vinhos nacionais são dos mais caros e os de baixo preço tendem à carregação, produtos demasiado industrializados de qualidade muitas vezes duvidosa, porém não sou expert nos vinhos de lá. Conheço alguns bons e lamentavelmente caros rótulos, porém por aqui há pouca disponibilidade de vinhos de qualidade com preço mais acessível. Conheci alguns poucos rótulos que me pareceram bastante honestos e que hoje rondam os R$60 mais ou menos R$5 que creio podem ser interessantes para o momento, pois em turma vendo jogo não me parece que haja muito foco para grandes vinhos. Busque o Crane Lake Zinfandel, Forest Ville Cabernet Sauvignon e Fox Brook Shiraz, não são nenhuma quintessência de vinhos, mas são agradáveis, bem feitos, fáceis de tomar e honestos em seu segmento de preço.

Com isso finalizei minhas dicas de vinhos para curtir na copa. Foram uma série de rótulos de onze diferentes países então até dia 13 de julho há muito o que experimentar! Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Mais Vinhos Bons e Baratos para Curtir nos Jogos da Copa

Uma boa parte dos colegas blogueiros e colunistas, sommeliers e profissionais do ramo costumam chegar nos eventos e buscar os grandes produtores e grandes vinhos para prova, o que respeito, porém meus caminhos normalmente me levam na contramão dessa tendência. Gosto de pegar outras estradas; as das descobertas e busca por aquelas pérolas escondidas no meio de uma enormidade de rótulos, aqueles bons vinhos de preços camaradas independentemente da faixa em que se encontrem. Não que esnobe os grandes vinhos, não sou idiota (!) rs,  e ao final sempre encontro um espaço para provar alguns deles, mas o que me dá satisfação mesmo é achar essas pérolas perdidas, o que me dá tesão nessa vinosfera é mesmo o garimpo, sair da mesmice procurar o desconhecido! Boa parte destas descobertas costumo compartilhar com os amigos aqui e os rótulos que sugiro nestes posts de vinhos Bons e Baratos para curtir durante os jogos da copa são fruto desse garimpo, espero que gostem.

Flag button ArgentinaARGENTINA – o Baladero Cabernet Sauvignon, Merlot e o Raza Malbec, entre R$35 a 40,00 são duas ótimas opções para quem quer gastar pouco e não fazer feio com os amigos. O Baladero Cabernet recebeu 89 pontos da Revista Adega e é um vinho surpreendente pelo preço enquanto o Merlot encanta por sua textura. Já o Raza  Malbec é de uma elegância e uma riqueza de meio de boca que agradam fácil a gregos e troianos primando pelo equilíbrio. Entre R$40 a 50,00 as opções são inúmeras porém gosto bastante dos vinhos do Gougenheim Valle Escondido Cabernet, do Syrah e do Bonarda/Syrah que está muito interessante e sedutor

 

Flag Button BrasilBRASIL – Recentemente falei do Salton Paradoxo Merlot e certamente esse teria que ser um dos sugeridos, pois por R$25,00 é uma bela relação qualidade x preço e sob o qual você pode ler mais clicando no link para post que escrevi há dias. Nessa faixa não tenho provado muita coisa, porém o Aracuri Merlot/Cabernet Sauvignon por cerca de R$48 é uma boa opção para quem quer algo mais, um vinho de Campos de Cima (R.S) que surpreende com boa estrutura, taninos finos e uma certa complexidade de final de boca. Óbvio que quando se fala de Brasil um espumante é sempre uma boa opção e se a galera for grande o negócio é apelar para um saboroso fresco Don Bonifácio Brut na casa dos 35 a 40 Reais, fácil de agradar e como já dizia Napoleão, “nas vitórias é merecido e nas derrotas necessário”!

 

Flag Button EspanhaESPANHA – há uns três anos descobri este rótulo que me encantou tanto na boca quanto no bolso, Legado Munoz Garnacha. Segue sendo uma ótima opção e uma surpresa para a maioria dos que o provam pela primeira vez já que é difícil crer que um vinho desses possa custar somente cerca de 42 Reais. Corpo médio, muita fruta, baunilha, acidez correta, final de boca especiado, um destaque na taça que impressiona nessa faixa de preço e que os críticos internacionais já pontuaram por diversas vezes entre 86 e 87 pontos. Já se preferir um 100% Tempranillo, recomendo o Canforrales Classico que surpreende entregando muito mais do que se espera de um vinho desta faixa com bom volume de boca, boa fruta e especiarias presentes. Considerado um dos melhores vinhos jovens de Espanha, foi escolhido para ser servido nos voos da Iberia. Sua versão rosé pode acompanhar bem uma paella ou camaróes empanados como aperitivo, uma família de respeito. A Espanha já nos disse adeus, mas…….. porquê parar?!

 

Flag Button ItáliaITÁLIA – O Paiara, blend de Negro Amaro com  Cabernet Sauvignon, vem da Puglia uma região menos conhecida e esta dupla está muito bem entrosada neste vinho que apresenta frutos negros bem presentes e algumas notas mais terrosas, equilibrado, médio corpo, taninos maduros e custa algo ao redor dos 45 Reais sendo uma ótima pedida para acompanhar a pizza ao final do jogo. Algo mais leves, os Sangiovese como; Confini, Villa Cardeto e o Alido entre R$40 a 48,00 são boas opções. Na mesma faixa de preço um gostoso e festivo Ballabio, rosé do Friulli á base de pinot nero e levemente frisante, um bom espumante Prosecco como o Cecilia Beretta Extra-Dry ou ainda, se quiser acompanhar um sashimi no jogo do Japão, o saboroso espumante rosé Contessa  Borghel,  são ótimas pedidas para acompanhar a Scuadra Azzura! Se quiser pular um degrau (por volta de R$10 a mais) vá de Surani Primitivo di Manduria ou Rubiolo Montepulciano de Abruzzo, satisfação garantida!

Durante a semana que vem volto com meu post final com dicas de vinhos da Austrália, Uruguai, EUA e Alemanha. Até lá, kanimambo e um ótimo fim de semana.

Vinhos Bons e Baratos Para Tomar na Copa

Aproveitando a maré, são 13 os países produtores de vinho presentes a esta Copa do Mundo que paralisa o país. Aliá, tem momentos que me assusto, gente isto é só um jogo! Legal, mas um jogo!! Enfim, voltemos ao vinho que este é assunto mais perene e podemos aproveitar esses momentos de êxtase para tomar alguns vinhos interessantes nos dias em que esses países jogam, ou não? Tá bom, tá bom, pode até iniciar com uma cervejinha, mas depois retorne à trilha! Eis algumas dicas interessantes, de 3 desses países, para os próximos dias com vinhos de custo mais acessível já que ainda tem muito jogo pela frente!

Flag Button FrançaFRANÇA, Roncier Tinto ou Branco – como ainda temos alguns jogos da França, podemos alternar entre um e outro. Vinho barato e bom francês não existe, certo? ERRADO! Este vinho sem safra, sem uva e sem região (sim é isso mesmo) que eu apelidei como Vin de Bistro, é alegre, vibrante e foi uma descoberta que fiz no Encontro de Vinhos OFF deste ano aqui em Sampa. O tinto deve ser tomado refrescado entre 12 a 14º e o branco a 6/8º e garanto que uma garrafa vai ser pouco nesses jogos, porque desce fácil. O Branco mais vibrante que o Tinto, mas ambos vinhos muito equilibrados elaborados para dar prazer sem compromisso. Anda na casa dos 35 Reais. Uma outra opção interessante é o Ondines, um Rhône barato e pero cumplidor!

Flag Button PortugalPORTUGAL, Vilaflor Tinto e Branco – Como nos jogos da França, agora chegou a vez de Portugal com o mesmo produtor nos trazendo vinhos muito agradáveis numa faixa de preço bem camarada. Sim, pode se preparar porque Portugal (inshala!) ainda vai sair em segundo na chave mesmo depois daquele chocolate amargo que a Alemanha providenciou afinal, acidentes acontecem! Do branco já cansei de falar aqui e foi ganhador na Expovinis na categoria brancos abaixo de R$50,00. Um branco do douro com conteúdo, saboroso e bem fresco. Já o tinto vem para confirmar a atual boa fase por que passam os vinhos lusitanos que conseguem nos surpreender com bons vinhos a ótimos preços. Também na casa dos 35 reais. Outras opções nessa faixa; Terras do Pó branco e tinto, Forja do Ferreiro (mais amadeirado) e Casa do Brasão, este último abaixo das 30 pratas!!

Flag button ChileCHILE, Millaman Condor Chardonnay e Carmenére – mais dois achados recentes. O Chardonnay foi muito bem avaliado pela Confraria de Sommeliers do Didu e Cia, e quando provei também me surpreendeu com seus frutos tropicais e vibrante frescor, tanto que me animei a provar o Carmenére que não chega a ser uma uva que normalmente me atrai muito. Mais uma surpresa, sem aquele verde herbácio forte o vinho traz uma fruta gulosa e bom equilíbrio calcado numa textura gostosa de meio de boca e taninos maduros e macios. Para não destoar, vinhos na casa dos 35 reais! Se quiser algo mais barato, o Promesa Sauvignon Blanc na casa dos R$28,00 é uma bela pedida!!

Na Sexta dou mais algumas dicas interessantes de outros países como Brasil, Itália, Alemanha, EUA, Espanha, Uruguai, Argentina, Austrália,…… Salute e kanimambo

Oito Anos Falando de Vinhos e Alguns Destaques – Brasil III

Neste primeiro lote de Destaques destes últimos oito anos dedicados aos vinhos do Brasil, os espumantes teriam que obrigatoriamente estar presentes e com eles termino esta série. Temos bons vinhos tintos, porém é nos espumantes que o vinho brasileiro se projeta internacionalmente como, em minha modesta opinião, a quarta força mundial no quesito Quantidade com Qualidade. São inúmeros os bons rótulos, porém dois vinhos são especiais, o Orus Rosé do Adolfo Lona e o Geisse Terroir Nature do Mário Geisse ambos conceituados enólogos com anos de serviço prestados ao desenvolvimento do espumante nacional.

DSC03152Orus Pas Dose Rosé– O provei pela primeira vez em 2011 num evento promovido pelos amigos de longa data e blogueiros, Evandro e Francisco (2 Panas). Postei o que segue; “um espumante rosé nature apaixonante, de pequena produção e uma incrível delicadeza! Daqueles caldos que deveriam vir, como costumo definir, de fraque e cartola para a mesa. Uma surpreendente criação de alguém que tem história na vinicultura tupiniquim, o Sr. Adolfo Lona, é o ORUS Pas Dose Rosé! A cor já impressiona saindo fora daqueles tradicionais tons rosados e cereja, para algo mais sutil. Visualmente a perlage se mostra muito fina, abundante e consistente nos convidando a levar a taça á boca onde ele se mostra em todo o seu esplendor deixando-nos sentir estrelas no céu da boca. Elegante e fino, rico, equilibrado, complexo e sedutor, um rosé que conseguiu desbancar vinhos de maior renome e preço. Corte de Chardonnay, Pinot Noir, Merlot vinificado em branco e Merlot vinificado em rosé. Doze meses em contato com as leveduras e mais doze descansando em garrafa e somente 608 garrafas produzidas, ou seja, mais uma daquelas raridades para poucos e entusiastas amantes do doce néctar.” De lá para cá já andou por diversas vezes em minha taça e nos meus posts, só confirmando a minha primeira impressão sobre este que se tornou um clássico dos espumantes nacionais e a cada ano estou lá na fila esperando algumas das poucas (não chega a 700) garrafas produzidas.

DSC03123Cave Geisse Terroir Nature 2009 – mais um nature, desta feita branco, e mais uma maravilha engarrafada. Já o conhecia de velhos carnavais, mas sempre achei que o Nature “básico” deles já era muito bom e que este não merecia as glórias que lhe atribuíam. Este da safra 2009 no entanto, me virou a cabeça e mostrou que é realmente um grande espumante que, entre os brancos, é a meu ver o que mais se destaca nacionalmente mesmo havendo alguns fortes concorrentes no mercado. Em Novembro de 2013 o coloquei numa degustação às cegas com mais outros sete concorrentes entre eles alguns grandes espumantes das regiões de; Champagne, Franciacorta, Cava e Trento tendo o Terroir Nature ganho a degustação na opinião de 23 consumidores que estiveram presentes ao evento. A produção não passa das sete mil garrafas e é um corte de meio a meio (varia em função das safras) do melhor Chardonnay e Pinot Noir do vinhedo localizado em Pinto Bandeira. Tremendamente sofisticado, com uma perlagem fina, intensa e de longa duração que explode na boca com notas de macã verde, citrinos e alguma levedura, o famoso brioche, sutil, delicado, fino e sedutor, um grande espumante que deixa muito champagne famoso no chinelo.

            Ambos os vinhos estão na casa dos 125 Reais, metade de alguns importados renomados, porém ainda tem gente insistindo em beber marca, que pena porque estão perdendo preciosos caldos, trocando qualidade e prazer por pretenso glamour! Enfim, hoje é Sexta, “the day after” a abertura da copa e por um mês só se vai falar disso, mas não aqui, porque navegar é preciso. Um ótimo fim de semana para todos e nesta Segunda (16/06) todo mundo de olho em Salvador quando Portugal e Alemanha protagonizam a final antecipada da copa! rs Salute e kanimambo.