Sei que vou parecer pedante e metido, mas é que depois de carca de 20 anos fazendo isso tem hora que cansa, especialmente em eventos do porte do Encontro Mistral. O evento ocorre de dois em dois anos e se tornou pioneiro e referência entre os apreciadores de vinho. Neste ano foram mais de 450 vinhos de 78 produtores de todas as partes do mundo a saber França 13 produtores, Itália 12, Portugal11, Espanha 19, Argentina 7, Chile 4, Uruguai 2, Brasil 2, África do Sul 1, Estados Unidos 2, Hungria 1, Alemanha 3, e Austria1.
Gente, é uma verdadeira esbórnia vínica digna de deus Baco que cerca de 3000 visitantes tiveram o privilégio de estar presentes, 1000 por dia!! É gente pra dedéu, difícil conseguir provar os vinhos em diversos stands entupidos de gente na frente incapacitando sequer chegar perto da mesa!!! rs Ainda por cima nego estaciona na frente, complicado. Até entendo quem paga R$590 por convite quer se deliciar com os grandes vinhos presentes e ter a possibilidade de dizer para os amigos que tomou, na verdade provou, um Bric del Marchese Nizza 2018 do Coppo de 1.500 Reais, um Schidione Rosso do Castello di Montepó de 3.700 Reais, um Mas de Daumas Gassac Rouge de 1.100 Reais, um Chateauneuf du Pape do Chateau de Beaucastel Rouge de 1.800 Reais, um Veja Sicilia Valbuena 5ºAno de 3.700 Reais ou ainda um El Enemigo As Bravas Malbec de 1.600 Reais, Chateau Kirwan de Bordeaux de pouco mais de 1.300 Reais e um Lapostolle Clos Apalta de 2.200 Reais ou Quinta do Vale Meão de 2.200 Reais, ente muitos outros. Um sonho realizado por quem tinha esse objetivo e, pensando bem, pelo valor pago estão mais é certos. Esse, todavia, não era meu objetivo.
Sempre falei que para falar de grandes vinhos existem dezenas de bons críticos e comentaristas bem melhores que eu, porém meu foco sempre foi naquilo que chamo de vinhos terrenos, ou seja, vinhos que estejam ao alcance da maioria dos aficionados pelos caldos de Baco. Esse também foi o foco da Vino & Sapore quando a abri, trazer vinhos de qualidade, muitos sem nomes conhecidos, com preços que uma pessoa possa pagar. Não vinhos de elite, para poucos, algo que possamos pagar, os outros, esses que mencionei acima, esses são para quem tem gordura financeira para queimar ou podem, eventualmente, trazer de fora sem os impostos aviltantes no Brasil. Então, cá fui eu de novo fuçar por vinhos mais acessíveis porém de muita qualidade, porque mesmo os grandes produtores sempre têm alguma coisa mais acessível para satisfazer nossa sede por bons vinhos. Vejamos o que achei que penso que vale a pena e que entregam bem mais do que o preço cobrado hoje, alguns perigam até de ir parar nas prateleiras da Vino & Sapore! Não vou entrar em detalhes de cada vinho, este texto já está longo demais, mas seguem alguns bons rótulos a conferir que recomendo;
Da França
Famille Perrin Vinsobres le Cornuds – Rhône por volta das 300 pratas / Daumas Gassac Figaro Rouge – Longuedoc por volta das 140 pratas /
Da Itália
Castello di Montepó Bracalle – Toscana por volta das 265 pratas
De Portugal
Meandro Vale do Meão tinto – Douro por volta dos 375 Reais / Prazo de Roriz Tinto – Douro por volta dos 295 Reais / Luis Pato Maria Gomes Branco – Bairrada por volta dos R$150,00 / Luis Pato Maria Gomes Espumante Brut – Bairrada por volta dos R$190,00 / Vinha do Mouro Tinto – Alentejo por volta dos 230 Reais .
Da Espanha
Familia Martinez Bujanda 3 vinhos – Rioja. Vina Bujanda Crianza (R$215), Viña Bujanda Reserva (R$300) e o excelente e barato na comparação com outros Gran Reservas por aí com preço de R$438, um estrepolia para meus parâmetros mas vale muito a pena / Dehesa la Granja – Castilla y Leon na casa dos R$275 / Chivite Gran Feudo Crianza – Navarra na casa dos 175 Reais .
Da Argentina
El Enemigo Bonarda El Barranco – Mendoza por volta dos R$270 / Ernesto Catena Animal Malbec (R$206) e On The Road Merlot Patagonia (R$290). Aqui uma ressalva e um destaque especial, até porque tenho um certo pé atrás quanto a vinhos naturais e especialmente aos Pet Nat da vida, já provei alguns e não tinha achado graça a nenhum. Econtrei o Ramatis Russo por lá no stand da Stella Crinita, e ele manja desse segmento, então me aproximei para provar alguns dos vinhos sendo apresentados. Não fosse ele, provavelmente teria passado batido, ainda bem que ele estava por lá porque dois vinhos fizeram a minha cabeça! Problema é preço, mas aí fica para cada um decidir seu rumo né? Adorei um branco blend de Chardonnay com Viognier o Campo del Cielo por pouco mais de 500 pratas e um, pasmem, rs Pet Nat de Viognier que ainda não chegou ao Brasil, com preço a conferir. Enfim, nunca digas que desta água não beberei e assim que possa falo um pouco mais sobre o que é um Pet Nat para quem ainda não conhece o termo e o estilo do vinho.
Do Brasil
Vallontano – Vale dos Vinhedos – Espumante Nature LH Zanini (R$200), Vallontano Reserva Tannat (R$130) e Talise Pinot Noir (R$122).
Certamente deveriam haver diversos outros rótulos por lá a desbravar dentro dos quesitos que tinha colocado em prática, porém isso foi o que consegui ver e que recomendo, mas o catálogo da Mistral é rico demais, certamente o melhor do Brasil, e vale a pena fuçar por lá. É isso amigos, fui. Kanimambo e até breve.
PS. ia me esquecendo, dos grandes vinhos em prova nesse grande e importante evento vínico de nossa vinosfera, a internet está cheia, basta buscar no Facebook e Insta.










