Degustações

Portal dos Vinhos & Bruck Importadora

             Recentemente tive o privilégio de participar de mais uma prova de vinhos na Portal dos Vinhos. Desta vez foram apresentados alguns vinhos Italianos do produtor Duca di Salaparuta da Sicília e o Alianza da Espanha, todos do portfolio da Bruck. Provamos seis interessantes vinhos nessa noite e, na minha opinião, quatro se destacaram. Cada um com seu estilo e faixa de preço. Vamos lá:

Da Espanha

Bodega Altanza Oreades 2003 – 100% Tempranillo de Navarra.  No ponto para tomar, não evoluirá mais. Um vinho ligeiro, correto, aromas não muito intensos que meio que passam rápido pela boca com final curto. Agradável, fácil de beber, para aqueles encontros descontraídos e sem maiores compromissos. Preço R$29,50

Bodegas Altanza Lealtanza Crianza 2001 – Também 100% tempranillo só que, desta vez de Rioja, e de uma grande safra. Outro que está no ponto para ser tomado e apresenta boa tipicidade no nariz com boa fruta. Aromas francos, boa acidez, redondo na boca, elegante, boa estrutura e ótimo custo x beneficio. Ótimo vinho para quem, como eu, aprecia os tempranillos da Rioja, por R$76,00.

Da Itália

Passo delle Mule 2005, elaborado com 100% Nero D’Avola uma uva autóctone à região. Quanto mais eu me aventuro pelos vinhos Italianos, mais me surpreendo pela qualidade geral apresentada. Este vinho é uma dessas gratificantes surpresas com que tenho a oportunidade de me deparar de vez em quando. É muito bom e, na minha opinião, o vinho que ganhou a noite e me conquistou!  Muita fruta e toques balsâmicos, num vinho denso, cremoso e complexo, boa estrutura muito elegante e com enorme equilíbrio. Taninos maduros e aveludados, boa acidez com um longo final de boca. Daqueles vinhos para você tomar com calma, sorvendo e descobrindo todos os seus segredos. Preço R$97,50 e vale cada gota tomada, mas bem que poderia custar menos para frequentar mais assiduamente a minha mesa.

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Lávico 2003 elaborado com um corte de Nerello Mascalese, também uma cepa autóctone, e Merlot (10%) plantadas em solo vulcânico aos pés do vulcão Etna. Outro vinho de grande qualidade e persistência, bastante complexo no nariz com aromas que se vão abrindo na taça. Encorpado, taninos finos e elegantes com uma personalidade muito própria. Preço R$ 117,00

                   A partir de amanhã, inicio os posts com o tema do mês de Abril que tratará do Uruguai e seus vinhos. Intercalarei os destaques de nossos parceiros com boas oportunidades de tomar Bons Vinhos a Bons Preços, algumas ofertas e vinhos Uruguaios que Tomei e Recomendo junto com os devaneios de sempre e outras informações desta “Vinosfera”. Kanimambo, salute e seguimos nos vendo por aqui!

Vinea Store e Maison Philippe Bouchard

              Estive há poucos dias na Vinea Store onde tive o prazer de participar de um almoço para apresentação dos vinhos da Maison Philippe Bouchard, Bourgogne e Côte- du- Rhône, sendo importados pela casa. Existem momentos únicos em que se tem a oportunidade de curtir um lugar aconchegante, com gente simpática, boa comida e bons vinhos. Este foi um momento único! Os vinhos ótimos, a organização e harmonização perfeita e, mais ainda, a simpatia das pessoas presentes, o que faz, sempre, uma enorme diferença e não canso de ressaltar já que, como diz a minha amiga Rosario, há companhias que avinagram os melhores dos vinhos! Obrigado à Adriana pelo gentil convite e pela hospitalidade.    

             A Vinea Store, preciso fazer uma matéria só com eles, tem um “Jardim Gourmet” que é um local deslumbrante e onde o almoço foi servido sob a batuta da jovem Chef Fabiola Nogueira recém chegada à equipe da Central de Relacionamento com o Cliente. Fomos recebidos com uma taça de Prosecco Incontri, super fresco e muito agradável num dia de bastante calor. No almoço:

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  • Carpaccio de pêra com vinagrete de frutas vermelhas, harmonizado com um suave e bem fresco Chablis sem madeira. Combinação perfeita e muito agradável.
  • Escondidinho de carne seca com purê de abobrinha e queijo coalho divinamente escoltado por um Savigny-les-Baune 1er Cru, de aromas inebriantes. Um bouquet de aromas maravilhoso, de frutas vermelhas com toque florais e uma seda na boca. Não sabia se o cheirava ou se o tomava! Absolutamente maravilhoso, um vinho que é o sonho de qualquer enófilo, a personificação da elegância num vinho. Á parte disso, casou maravilhosamente com o delicioso escondidinho. Amei!
  • De sobremesa, um creme de manga com farofa crocante de castanhas.

Bem, a esta altura eu já estava nas nuvens, mas a Vinea ainda tinha uma surpresa guardada para nós. Para acompanhar a sobremesa eles serviram um Porto Ruby Reserve, Quinta Nova. Dos Deuses, o melhor Ruby que já tomei, um Grand Finale para um almoço divino! Acham que terminou, ainda não! A presença do diretor comercial do Grupo Corton André, a quem pertence a vinícola, o Sr. Christian Ciamos que nos presenteou com uma bela apresentação de seus vinhos, seus vinhedos e segredos da Bourgogne. Uma “aula” dada com extrema simplicidade e simpatia por alguém que, não só conhece muito, é um apaixonado pelo que faz e o faz com enorme prazer.

                Dê uma passada lá na Vinea tome um café, conheça os vinhos, no mínimo será um passeio muito agradável e, garimpar é bom demais. Para quem tem o bolso mais gordo, existem alguns néctares, como este Savigny acima ou o Corton Grand Cru, Aloxe Corton e Gevrey-Chambertain. Para quem não pode, eis algumas dicas que podem ser muito interessantes e me deixaram muito curioso; Bourgogne AOC Pinot Noir 2005 e o Cote-du-Rhône AOC Grand Mont 2006 de preços mais acessíveis. Ah, não esqueçam do Vinho do Porto Ruby!!

Dal Pizzol Touriga Nacional

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               Tive o enorme prazer de ter estado presente no lançamento do Touriga Nacional da Dal Pizzol. Prazer porque, mais do que comer e beber, é sempre bom estar em companhia de gente simpática e agradável como foi o caso. Não tenho um grande conhecimento da linha de vinhos da Dal Pizzol, a não ser por seu estupendo espumante Brut Champenoise e o Assemblage 30 anos. Tenho, também, ouvido falar muito bem de seu Ancelotta e, agora, o Touriga Nacional. Duas coisas, porém, me chamam a atenção na Dal Pizzol; a aptidão para experimentar e inovar assim como a sua filosofia comercial de trabalhar o mercado com preços módicos sem que haja detrimento de qualidade. Bem, chega de papo e vamos ao que interessa, a uva e o vinho!

               A Touriga Nacional é uma casta autóctone Portuguesa, nascida na região do Dão, onde brilha como corte em diversos vinhos e regiões produtoras, assim como em bons varietais que não são fáceis de elaborar. Guardadas as devidas proporções, o Dão está para Portugal como A Borgonha para a França e a Touriga Nacional para a Pinot Noir, gerando, normalmente, vinhos de extrema elegância e complexidade. A Touriga Nacional, todavia se espalhou pelo país produzindo maravilhosos rótulos de varietais tanto no Dão, quanto no Douro e no Alentejo.

             Sua reputação ultrapassa fronteiras, já existindo clones plantadas em várias outras regiões produtoras no mundo como, Austrália e Estados Unidos. No Brasil, algumas vinícolas começaram a experimentar com esta cepa há cerca de 10 anos, havendo já alguns poucos vinhos no mercado. Esta é a primeira colheita nacional desta uva plantada há cinco anos pela Dal Pizzol na região de Bento Gonçalves, gerando um vinho muito agradável que chega num momento oportuno já que estamos celebrando 200 anos da vinda da corte Portuguesa para o Brasil, na bagagem de quem, vieram as primeiras garrafas de Touriga Nacional.

               Com uma produção de 12.000 garrafas, o Dal Pizzol Touriga Nacional não passa por madeira sendo um vinho pronto para beber. No nariz, possui um primeiro ataque frutado e fresco de boa intensidade. Na taça evolui deixando aparecer alguns toques florais bem tipicos da casta. Na boca é suave, elegante, com taninos maduros e um teor de álcool bem comportado, 13º. Bastante equilíbrio e harmonia num vinho leve que, certamente, agradará fácil. Mudou o terroir, mas a essência da uva está lá. Gostei; um vinho correto, fácil de beber que recomendo, inclusive para esta Páscoa acompanhando um bom prato de bacalhau. O rótulo comemorativo aos 200 anos, é um caso á parte, de muito bom gosto, nos convidando a beber. O preço ao consumidor final, deve ficar ao redor de R$35,00, preço razoável, só que o Portal dos Vinhos está com uma promoção de lançamento de R$29,00, sujeito a disponibilidade de estoque, que é uma excelente dica.  Aliás, do ponto de vista do consumidor, acho que esse seria um bom nível de preço para este vinho. Salute!

Uruguai – Dominio Cassis, uma agradável surpresa

                Recentemente tive uma agradável surpresa ao participar da apresentação de uma vinícola recém chegada ao País. Pioneira, de uma região de colinas, próximo a La Pedrera e La Paloma ao norte de Punta Del Este e a cerca de 250kms de Montevideo, denominada Rochas. Foi nesta região de solo pedregoso, baixa fertilidade, pouca chuva e boa drenagem, que o enólogo Juan Ferreri se uniu a Carlos Tomasi para, em 1999, plantarem o primeiro vinhedo e a base do que é hoje a Bodega Domínio Cassis. Distante apenas 10 kms do do Atlântico, se beneficiam das brisas marinhas constantes, para amenizar temperaturas refrescando as noites e ajudando na manutenção da saúde do vinhedo que tem manejo orgânico.  Aqui se plantaram mudas de cepas com clones especialmente estudadas, selecionadas e totalmente adequadas ao tipo de solo existente na área. Resultado, um mix de parreirais de Cabernet Franc, Tannat, Cabernet Sauvignon e Syrah.

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             Seus vinhos são muito bem elaborados, com um claro projeto de qualidade no lugar de quantidade, o que se vem comprovar na boca ao provar seus saborosos e diferenciados vinhos. A primeira coisa que se pensa ao ser convidado para degustar vinhos Uruguaios, é que se vai provar basicamente Tannat e o tradicional corte de Tannat/Merlot,varietais de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot ou Syrah, um Torrontés enfim, variações dessa linha de tendência. Pois bem, eis que nos deparamos com a primeira grata surpresa desta degustação. A criativa diversificação de cortes e o uso forte da Cabernet Franc na elaboração dos vinhos desta vinícola e, mesmo quando nos deparamos com um Tannat, não é aquela mesmice a que estamos habituados a provar. A segunda surpresa se deve á qualidade provada nos vinhos que comento abaixo e a terceira, que a meu ver é a cereja no chantilly, a estratégia comercial adequada com uma politica de preços sensata e adequada. Vão longe estes nossos amigos, mas vamos aos vinhos!

              De entrada, temos o Eclipse 2006 (12.8º), vinho elaborado com 100% de Cabernet Franc vinificado pela Bodega Tomasi, elaborado com as uvas retiradas da parte mais baixa do vinhedo. Sem barrica e baixa filtragem, é um vinho simples, mas muito interessante com aromas de frutos negros e algo de tostado que se comprova na boca. Vinho bem equilibrado com uma acidez média para baixa, taninos doces e um pouco curto. Vinho básico que entrega muito mais do que os previstos R$17,00 a que deverá estar sendo vendido nas lojas.

              O segundo vinho provado foi o Recuerdo 2005 (13º), um criativo corte de Tannat (50%), Cabernet Franc (47%) e Syrah (3%) com seis meses de barrica produzido com as uvas da região intermediária do vinhedo. No nariz, o primeiro impacto olfativo é meio alcoólico, porém rápidamente dissipado na taça quando sobressai um frutado agradável, sem exageros, com toques de chocolate provavelmente advindos do tempo em barrica. Na boca, não se sente em nada o álcool  que está muito bem integrado e equilibrado, acidez um pouco baixa, persistência média, redondo, formando um conjunto saboroso de se tomar e fácil de agradar. Por cerca de R$23,00, pode variar de loja para loja, é campeão.

                O terceiro vinho foi o Oceánico 2005 (13.5º), um corte de Tannat (50%), Cabernet Franc (40%), Cabernet Sauvignon (6%) e Syrah (4%) elaborado com as uvas mais nobres da parte mais alta das colinas do vinhedo. Sem filtragem e sem clareamento, o vinho é negro opaco e brilhante de corpo médio para encorpado. Taninos finos, acidez muito boa, aromas e sabores complexos, boa persistência, um vinho de muito boa qualidade que entusiasma. Ainda um pouco jovem, certamente evoluirá bem por mais um ou dois anos. Por apenas R$39 a 40,00 é uma verdadeira pechincha, para comprar de caixa! Certamente o campeão da noite no quesito custo X beneficio.

               Para finalizar, um belíssimo vinho, o Abraxas 2002 (13.8º) um 100% Tannat com 18 meses de barrica Francesa de primeiro uso, elaborado com o que de melhor o vinhedo produz e que, somente em ótimas safras será engarrafado. Por enquanto é a uncia Safra disponível.  É um vinho suntuoso, negro, tinge a taça e precisa respirar. Ao final de uma hora de decanter e taça, ainda estava se abrindo, é vinho para alguns anos de guarda, apesar que já pronto para beber, e que valerá a pena conferir em mais um ou dois anos pois terá muito a evoluir ainda. Muito harmônico, taninos finos ainda firmes, aromas complexos, fresco, encorpado, elegante, realmente um vinho do qual se orgulhar e com características diferentes dos outros Tannats 100% que já tomei. Brisa marinha? Solo? É o famoso Terroir em plena atividade! Somente 600 garrafas foram produzidas nesta excelente safra e o preço condiz com tanto requinte e complexidade, em torno de R$120,00. No Portal dos Vinhos, o preço está com uma promoção especial de lançamento, R$95,00, e vale cada gota! Um boa compra a este preço e, como existem poucas garrafas disponiveis, não dá para bobear. Vinho de grande personalidade.

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               São vinhos que me agradaram bastante e que recomendo. Um jeito diferente de fazer vinho, fugindo da obviedade e de modernismos, com preços adequados que podemos pagar. Decididamente não são vinhos comuns. A boa parte da linha de produtos da Dominio Cassis, está disponível na excelente Portal dos Vinhos e na eclética BR Bebidas. Veja endereço e telefone em “Onde Comprar”