Degustações

Antinori na Expand

               Com a presença do enólogo Renzo Cotarella, diretor geral da casa produtora Italiana Marchesi Antinori, tive o enorme prazer de degustar algumas preciosodades e confirmar que não é só de fama que esse pessoal vive. Realmente produzem vinhos de grande qualidade sustentada por mais de 600 anos de experiência e mais de 26 gerações envolvidas no processo do vinho. Foi do bate-papo com ele que registrei esta sábia frase:

“Não existe receita do vinho, existe tendência e estilo. Porque a natureza muda a matéria prima todos os anos e o enólogo tem que, respeitar essas variações e tirar delas o que de melhor geraram na safra.”

  • Começamos essa degustação com um Chardonnay da região da Úmbria que me surpreendeu. Bramito Del Chardonnay I.G.T. 2006, bonita cor amarelo palha, brilhante tem aromas bem frutados, de boa intensidade que vão se abrindo na taça. Bastante floral, pêra evoluindo para baunilha após um tempo. Na boca demonstra ser um vinho muito equilibrado, de boa acidez, suave, boa mineralidade evoluindo para uma certa cremosidade após um tempo, agradáveis traços de levedura no final de boca. Muito agradável, fácil de tomar e agradar, mas nada simples. Belo e saboroso vinho. Preço R$ 99,00.
  • Um delicioso corte de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Merlot e 20% Syrah, compôs o segundo vinho. Il Brusciato Bolgueri D.O.C 2005 produzido na Toscana é um vinho muito apetecível, muito elegante e extremamente saboroso. Boa paleta aromática em que sobressaem as frutas vermelhas, algo de especiarias e salumeria. Na boca é muito agradável, mostra boa estrutura, fruta madura e taninos leves e macios. Acidez moderada, elegante e harmônico com um bom e longo final de boca. Fosse mais barato e estaria diversas vezes sobre a minha mesa e na minha taça. Preço R$115,00.
  • Um ícone produzido com 80% Sangiovese, 15% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc. O primeiro Sangiovese amadurecido em barricas de carvalho Francês e o primeiro a usar assemblage com uvas não tradicionais mantendo, desde 1982, esta composição de cepas, não necessariamente porcentuais. Tignatello I.G.T. Toscana 2004, um graaaande vinho!Nariz intenso de grande complexidade onde aparecem frutas do bosque, alguma ameixa madura e algo de tostado. Na boca é de grande estrutura, complexo, taninos ainda firmes e aveludados, encorpado mas nada pesado, potente e de grande concentração buscando mais sutileza com foco em sabor e elegância. Um vinho difícil de descrever, mas inegavelmente um baita vinhaço, daqueles que chamo de vinhos de reflexão! Vinho de longa guarda, já está bom agora, mas daqui a cinco ou seis anos, deverá estar um espetáculo. Para quem pode ($), um senhor vinho por R$480,00 para fazer bonito na adega e, preferencialmente, na taça! Não é à toa que foi eleito melhor vinho Italiano em 2007 tendo figurado no Top 100 da Wine Spectator em que foi contemplado com 95 pontos.
  • Finalizamos com um vinho de sobremesa, Muffato Della Sala I.G.T 2004. Da Úmbria, este vinho é produzido com 60% Sauvignon Blanc, 40% Grechetto, ambas bortitizadas lhe trazendo a doçura natural, adicionados de uma ínfima parte de Gewurtzraminer e Riesling para lhe dar mais aromas e frescor. No nariz, é umespetáculo! Daqueles que você não sabe se cheira ou se toma. Muita intensidade exibindo notas de pêssego e algo de mel. Na boca é muito agradável faltando-lhe, para o meu gosto, um pouco mais de acidez e frescor. O vinho é doce e agradável, o preço nem tanto, R$195,00, provavelmente devido a produção ser muito limitada e a demanda alta.

Não degustado na ocasião, mas de importante destaque em minha opinião, a casa produz um outro vinho da Toscana, um corte de 60% Sangiovese, 20% Cabernet Sauvignon, 15% Merlot e 5% de Syrah, que me encanta e que tem uma boa relação Qualidade x Preço x Satisfação. É o Villa Antinori I.G.T. que custa normalmente R$98,00 e nas promoções costuma estar por voltas dos R$85,00, quando se torna bem mais atraente. Muito saboroso, elegante, aromático, corpo médio, equilibrado com taninos macios e bom final de boca, é um vinho de grande qualidade que enche a boca de prazer por um preço um pouco mais acessível.

Salute e kanimambo.

La Rioja Alta na Zahil

               É meus amigos, com a ajuda de vocês que prestigiam este blog e dão preferência aos nossos parceiros, cada vez tenho mais oportunidades de degustar vinhos e compartilhar com vocês essas experiências. O que falar de um grupo, união de cinco famílias que se juntaram em 1890, para preservar suas tradições vinícolas e elaborar vinhos de grande qualidade? A história fala por si próprio e os vinhos são o produto final. Por sinal, belos vinhos. Para gente como eu que aprecia os vinhos Espanhóis, especialmente os clássicos de Rioja, eis aqui um produtor de primeira, com rótulos de diversas origens, apesar do nome, e muita qualidade e caráter.

  • Lagar de Cervera 2006, um Alvarinho produzido em Rias Baixas na Galicia, parte de um mais recente projeto de expansão da Riojas Altas. A Albarinho apresenta, na Espanha, características bem diferentes dos vinhos Portugueses da região do Minho, produzidos com a mesma casta. O Alvarinho Português apresenta uma maior acidez e mineralidade, com mais frescor que os Espanhóis que, por sua vez, apresentam maior intensidade de aromas e melhor estrutura. Este vinho apresenta boa tipicidade, demonstrando toda a exuberância desta que é uma das minhas cepas preferidas nos vinhos brancos. Um nariz de boa intensidade, boca bem frutada, médio corpo, acidez correta, um belo vinho. Preço R$75,00.
  • Viña Alberdi Reserva (na Espanha vende como crianza) 2000. Boa intensidade aromática. Na boca, um vinho de boa estrutura, denso, corpo médio para encorpado, taninos ainda bem firmes, porém sem agressividade, num misto de potência e elegância. Final de boca de persistência média com retrogosto levemente tostado. Pode guardar e abrir daqui a dois anos, estará melhor ainda.Preço R$98,00.
  • Baron de Ona Reserva 1999, elaborado em parcela especifica com vinhas de até 90 anos de idade, é um vinho de grande concentração, sofisticado e elegante, com uma personalidade muito própria. Grande intensidade e harmonia num vinho elaborado com um estilo mais moderno. Preço R$132,00.
  • Áster Crianza 2002 , mais um vinho de fora da Rioja dentro do projeto de expansão da vinícola. Este vem de Ribera Del Duero que é, caracteristicamente, uma região de vinhos mais potentes e encorpados. O Áster não foge à regra e é um vinho bem encorpado, de grande potência, mas com taninos finos e macios. Vinho com grande potencial de guarda. Preço R$132,00
  • Viña Arana 1997, aqui meus joelhos começaram a dobrar! Adoro um Rioja clássico e este vinho é um belo exemplo deste estilo. Envelhecido por 3 anos em barricas e trasfegado duas vezes ao ano para que a madeira não impregne demais o vinho. Um corte de 95% de Tempranillo e 5% de Marzuelo, de extrema elegância com fruta madura com nuances defumadas e algo terroso ao final. Na boca é cremoso, corpo médio, com taninos finos, saboroso e harmônico num final de boca longo e muito prazeroso com um toque de baunilha. Uma delicia, um vinho que impressiona por sua sutileza e refinamento estando no ponto para ser aproveitado em todo o seu esplendor, e olha que 97 não foi uma grande safra!. Preço R$156,00.
  • Viña Ardanza 1999, agora já ajoelhei, mais um grande vinho obtido de uma safra que não foi aquelas coisas. Como 97, este ano de 99 se mostrou fraco, mas nas mãos de quem sabe, isso é mero detalhe. Divino, um vinho de grande impacto aromático em função dos 20% de Grenacha que é adicionada ao Tempranillo. É uma intensidade de fruta fresca e mineralidade impactantes no nariz, mas de forma muito delicada, que nos cativa à primeira “fungada”. Grande equilíbrio, acidez muito boa num vinho de corpo médio, taninos muito elegantes e doces formando um conjunto redondo, equilibrado e de grande sabor que nos transmite enorme satisfação ao tomar. Grande complexidade e persistência num vinho com uma personalidade muito própria que nos deixa com aquele gostinho de quero mais na boca. Preço R$192,00.

Um outro fator muito interessante, é que eles têm uma tanoaria própria. O grupo importa o carvalho e produz suas barricas em casa, dando-lhes o acabamento/queima que desejam. Gente, o único senão é que tive que sair com pressa em função do rodízio aqui em São Paulo, e não tive chance de fazer uma segunda rodada de prova por estes dois últimos vinhos que me encantaram. Este é o problema das degustações, só provamos e, quando são néctares deste porte, fica-nos uma vontade danada de tomar umas taças! Ta, já sei, choro de barriga cheia, né? Concordo, é um privilégio, mas que ficamos com água na boca, lá isso não resta duvida! Todos ótimos vinhos mas, para o meu gosto, havendo caixa, certamente recomendo o Ardanza e o Arana, vinhos encantadores com o caráter de Rioja estampados neles e o Lagar de Cervera. Belíssimos e deliciosos vinhos.
Zahil (*) (loja) (11)3071-2900 , http://winehouse.com.br/
Salute e kanimambo.

Ps. Fantásticos os queijos artesanais apresentados para acompanhar os vinhos. Depois conto!

Encontro Mistral Experience – II

                Na verdade foram 17 produtores visitados, não 16 como anteriormente mencionado; Joseph Drouhin, Louis Jadot, Chateau Tour de Mirambeau, Maison Chapoutier, Dopff au Molin, Domaine Baumard, Pascal Jolivet, Quinta do Monte D’Oiro, Quinta do Vale Meão, Graham´s, Anima Negra, Penfolds, Wynns, De Wetshof, Seghesio, Alion e Pisano. Provei diversos vinhos de muito boa qualidade, mas alguns me encantaram mais que outros. Gostaria de listá-los aqui abaixo com os preços estimados em R$ já que, como devem sabem, os preços da Mistral são em USD convertidos à taxa do dia.

  • Quartz de Chaume 2005, já escrevi um post sobre este vinho de sobremesa que é, para mim, um vinho muito especial, um vinho de reflexão. Um vinho de grande expressão e personalidade que merece ser reverenciado. O preço é condizente, mas arrisco dizer que vale cada gota, R$235,00.
  • Graham´s Tawny 40 anos, nunca tinha tomado um tawny 40 anos. O máximo a que tinha chego era um 20 anos e, este, é de cair o queixo! Que coisa gente, custa R$430,00 e, quem tiver bala na agulha e quiser impressionar alguém, sirva este vinho. Difícil descrever todas as sensações, mais um vinho de reflexão!
  • Quinta do Monte D’Oiro Reserva, nem sempre me encanto com aqueles vinhos cantados em verso e prosa pela grande maioria dos críticos. A expectativa criada é enorme e, na maior parte das vezes, a prova fica aquém disso. Não é o caso deste vinho que é, realmente, impressionante. Elaborado num estilo Cote Rotie, um corte de 95% de Syrah com um “tempero” de Viognier, é um vinho espetacular que enche a boca de prazer. Floral, especiarias, fresco, grande intensidade aromática, muito complexo na boca, uma baita vinho de grande elegância e finesse com um longo final e que faz jus a todos seus prêmios e reconhecimento internacional. Vinhaço! Quero mais, pena que o preço não cabe no meu bolso, R$ 210,00. Tem gente que gasta muito mais por vinhos tidos mais famosos, ficariam surpresos ao tomar este.
  • Arretxea Tannat/Petit Verdot, um novo lançamento, ainda muito jovem, mas espetacular. A Pisano tem vinhos a partir de cerca de R$20,00 até este de cerca de R$85,00 e, cada um deles vale cada centavo gasto. Desde os vinhos de baixa gama até este e o Axis Mundi (que descrevi como um vinho espetacular mas para guardar para tomar em 2020), todos são extremamente bem elaborados e muito saborosos, mas este vinho tem um algo muito especial. Gostei muito do Torrontés, dá um banho nos Argentinos, e do Fabula um late harvest delicioso. Encantei-me mesmo, porém, é com este inusitado corte que gerou um vinho de grande complexidade que enche a boca de prazer. É um vinho que recomendo, mas que precisa de um tempo de guarda para atingir todo o seu esplendor. Boa relação qualidade x preço x satisfação.
  • Penfolds Bin 389, chamam-no de Petit Grange e, imagino eu com razão. Digo imagino, porque não conheço o Granje que é um dos principais ícones da produção de vinhos Australiana. Este 389, corte de Cabernet Sauvignon com Shiraz, é denso, rico, carnoso, incrivelmente saboroso, de grande intensidade aromática e bastante elegante na boca, com grande equilíbrio e persistência. Um vinho de enorme qualidade que precisa de tempo para se abrir. Por cerca de R$117,00, me aparece um bom custo X beneficio.
  • Chryseia 05, eu conheci o 2001, estou para escrever sobre ele, que é um vinho de reflexão, um espetáculo de vinho e um dos melhores que já tomei. Este 2005, ainda muito novo, está diferente, mas similar na exuberância exalando finesse. Mais um vinhaço desta dupla Prats & Symington por um preço ao redor de R$300,00. Uma boa opção para quem, como eu, não pode arcar com este custo é o Post Scriptum, um segundo vinho deles, que está maravilhoso e custa “somente” R$95,00.
  • Seghesio Zinfandel, pela primeira vez experimentei um vinho elaborado com esta uva e comecei com o pé direito já que a Seghesio é Doutor Honoris Causa nesta cepa. Não sei se me encantou mais o Old Vines ou o Home Ranch, os dois de vinhas antigas, que estavam espetaculares, absolutamente deliciosos. Vinhos bem encorpados, mas com taninos finos, boa harmonia apesar de um teor alcoólico um pouco alto, muito saborosos e um final bem longo. Dois baita vinhos, ambos na faixa de R$167,00.
  • Wynns, um blend (corte/assemblage) de Cabernet Sauvignon/Shiraz e Merlot que me surpreendeu. Muito intenso concentrado, uma paleta aromática cativante,na boca se apresenta muito equilibrado, denso e muito elegante. Um belíssimo vinho com um preço muito camarada para um vinho Australiano com esta qualidade, R$ 55,00.
  • Pascal Jolivet Pouilly-Fumée, acho que foi o Les Grillotes (lembram, meu material sumiu?!) 2006. Um produtor de vinhos com uma filosofia de pouca intervenção nas vinhas, deixando com que a natureza trace seus caminhos. O vinho é de uma elegância, um finesse e um caráter muito próprios que impressiona tanto na boca como no nariz. Vinho para curtir com calma, o Sauvignon Blanc levado ás alturas. O preço, entre R$100 a 130,00 dependendo do rótulo.
  • Dopff au Moulin Riesling Grand Cru. Gostei muito do Gewurtzraminer deles, mas foi este Grand Cru que me encheu de prazer. Grande frescor, aromas cítricos que se confirmam na boca, boa estrutura, ótima acidez e bastante complexo. Mais um daqueles vinhos para curtir com tempo. O Gewurtzraminer está por cerca de R$64,00 e o Riesling Grand Cru por R$105,00. Vinhos que não são baratos, como a grande maioria dos vinhos da Alsácia, mas valem o que se cobra.
  • Graham´s Vintage 1980, espero que o Lilo importe este vinho que não está disponível no Brasil. Não sei quanto poderá vir a custar, mas é do ano em que minha filha nasceu e andava louco para comprá-lo. Tinha pedido para um amigo me comprar uma na Garrafeira Nacional em Lisboa, mas quando ele chegou, tinham levado a ultima garrafa um dia antes! Por incrível que pareça, mesmo com 28 anos nas costas, mais uma meia dúzia de anos não farão nada mal para este vinho que ainda apresenta um bom frescor e taninos presentes. Uma delicia na boca e um privilégio poder provar um Vintage que, apesar de não ser de um grande ano, mostrou grandes qualidades. Sem preço.
  • Graham´s LBV 2001 – O achado da feira. A melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação, do que provei. A Graham´s parece que está se especializando em produzir vinhos de grande qualidade com ótimos preços. O vinho de mesa deles com o rótulo Altano, é um Douro muito saboroso e fácil de gostar por cerca de R$35,00 o que é um dos grandes achados do mercado. O da safra de 05 está especialmente agradável. Este LBV é outro achado. Muito sedoso, frutado, taninos finos, elegante, pronto para beber por excepcionais R$62,00. Este vou colocar na adega, sem duvida alguma!

Grande furo da visita a este Encontro especial, o lançamento que Dominic Symington (leia-se Graham´s) está tramando para o inicio do próximo ano o “Pombal do Vesúvio Reserva”. Guardem este nome porque será, certamente, mais um grande vinho a ser produzido em Portugal e um sério candidato a ser mais um ícone a sair desta casa produtora. Ainda não está finalizado, o corte poderá sofrer algumas alterações ainda, mas mostrou grande intensidade, concentração e elegância com enorme potencial. Um verdadeiro Blockbuster, sem duvida alguma, e 2009 o confirmará!

              Previsto ver, mas que fiquei no desejo já que era impossível ver todos em tão curto espaço de tempo; os Alemães, em especial o Dr. Burklin-Wolf e o Robert Weil, Niepoort, Luis Pato, Campolargo, Quinta do Côtto, Quinta de Roriz, Bodegas Valdemar, Julián Chivite, Pazo de Señorans, Tokaji, Tikal, Finca Valpiedra, Perez Páscuas, Casa Lapostolle e Viña Carmen. Ficam para uma próxima oportunidade. Salute e kanimambo.

Semana do Vinho IV – Wine Company

               Não, não terminou ainda. O problema é sempre conciliar o acumulo de informações com a inspiração e minhas atividades profissionais. De qualquer forma, essa semana foi particularmente rica em experiências e informações adquiridas e ainda há muito  do que falar. Hoje, abordarei os vinhos que provei no stand da Wine Company, onde o Charlston me recebeu com extrema simpatia, uma importadora séria e, verdadeiramente “price conscious” (não sei bem como traduzir isto) que nos trás vinhos de ótima qualidade com preços bastante módicos, coisa que nós consumidores mais queremos. Quando do estudo sobre os vinhos Uruguaios, já tinha mencionado os deliciosos vinhos da Marichal que eles trazem e comentado dos preços. Aproveitando esta visita na Expovinis, provei sete vinhos e me surpreendi com alguns. Vamos lá, vamos falar dos vinhos:

  • Lyngrove Syrah 2005 da região de Stellenbosch, próximo à Cidade do Cabo, na África do Sul. Para quem pensa que a África do Sul é só Pinotage, esqueça. A grande uva, que produz hoje os melhores vinhos Sul Africanos, é certamente a Syrah. Boa fruta, especiarias, taninos firmes, porém sem qualquer agressividade, unindo potência e elegância num conjunto que surpreende pela relação Qualidade x Preço. Deve estar nas lojas, por algo próximo a R$39,00.
  • Pequenas Producciones Syrah 2003. Este é de uma região um pouco mais próxima, Mendoza, Argentina e produzido pela conceituada vinícola, Escorihuela Gascon. Esta linha de produtos passa um ano em carvalho e posteriormente por mais dois anos em adega, antes de ser comercializado gerando um vinho de grande estrutura que, certamente, melhorará muito com mais uns dois anos de garrafa. Muito fresco no nariz, na boca se apresenta bem frutado, com acidez adequada e com bastante tipicidade da cepa. Ótima persistência e muito balanceado. Preço R$108,00. Fiquei curioso para provar o Barbera 2002, uva não tradicional na região, que o Charlston diz estar divino.
  • Two Up Shiraz 2006, Austrália. Mais um desta cepa que me agrada sobremaneira, especialmente quando é tratada com mais elegância que potência. Este tem bastantante especiarias presentes, muito saboroso, toques de pimenta no final de boca, com taninos aveludados e muito redondo na boca formando um conjunto muito agradável. Preço R$72,22.
  • Kangarilla Road Zinfandel 2004. Aqui á maior surpresa da prova. Primeiramente dizer que este é um dos grande produtores Australianos, produz o Two Up também, muito respeitado e conceituado no mercado. Segundo que nunca pensei em tomar um Zinfandel, tradicionalmente Californiano, vindo da Austrália, com 16, repito, 16º de teor alcoólico e simplesmente me apaixonar! Certamente não deverá passar pelo meu teste da terceira taça, mas no nariz e na boca, esse teor de álcool simplesmente não existe. Um vinho absolutamente equilibrado, de taninos doces e macios, grande elegância e harmonia. Tenho que tirar o chapéu, mesmo que o preço não seja assim tão acessível, R$108,00. Dizem que Kangarilla Road Shiraz/Viognier é maravilhoso e, pelo que vi aqui, acho que irá entrar no meu wish list.
  • Nucho de Pegões Moscatel. Tà, pelo nome acho que não preciso dizer que é de Portugal, certo? A Adega de Pegões é uma cooperativa localizada na Peninsula de Setúbal (Terras do Sado), produzindo ótimos vinhos. O Moscatel de Setúbal é de renome internacional, sendo um vinho licoroso muito apreciado. Neste caso, por algumas das vinhas estarem fora da área demarcada, não pode ser denominado como Moscatel de Setúbal sendo, porém, um vinho de grande qualidade e um verdadeiro Moscatel de Setúbal na boca. Quatro anos de carvalho e ótima persistência, um achado por somente R$42,00.
  • Pinot Grigio 2006 da Casa Defra, região de Friulli, próximo a Verona, Itália. Muito fresco, ótima acidez, seco no ponto certo, um belo vinho para os nossos verões e para acompanhar frutos do mar ou peixes pouco condimentados. Mais um achado, por apenas R$36,00.
  • Pradio Rok 2004. Este foi para finalizar a prova e para não deixar pedra sobre pedra. Senhor vinho, também do Friuli, de muito boa estrutura, denso, complexo nos aromas com nuances herbáceas e na boca, boa acidez num conjunto de grande personalidade. Vinho para acompanhar uma carne bem condimentada, perna de carneiro ao forno, pronto já babei! Vinhaço, que tem um preço sugerido de R$110,00.

Bem é isso gente, conforme for dando vou adicionando mais reportes sobre a Semana do Vinho e os vinhos provados. No próximo post sobre este tema, falarei um pouco sobre os vinhos Brasileiros provados. Pena que faltou tempo, tinha ainda muito mais para ver, provar e conhecer. Para maiores informações e ver onde os vinhos estão disponíveis para compra, contatem a Wine Company em São Paulo no telefone (11) 3938-2895 ou na sede em Pinhais, no Paraná, Tel. (41) 3302-1300. Nos vemos por aí, ou melhor, por aqui. Salute e kanimambo!

Semana do Vinho III – Monte da Penha nos Jardins da Vinea

                 Dentro os diversos eventos que ocorreram paralelo a Expovinis, um destaque foi o almoço que a Vinea Store realizou para receber os produtores dos vinhos do Alentejo, Montes da Penha. Com mais de 100 anos ligados à produção de vinhos de qualidade, primeiramente com o conhecido “Tapada de Chaves”, a família tem gerações ligadas à vinha e ao vinho. Em 1987 o proprietário Francisco Fino, inicia este novo projeto na região de Porto Alegre ao norte do Alentejo, região de características bem diferenciadas do restante da DOC que é basicamente composta de planícies. O vinhedo é plantado em encostas com intensa exposição solar, em altitudes de 450 a 600 metros em solo difícil, de muita pedra, argila calcária e granítico.

                 Fomos recebidos com fidalguia, como já de praxe, pela equipe Vinea Store, no lindíssimo “Jardim Gourmet” onde tivemos o prazer de conhecer e trocar idéias com o apaixonado proprietário da vinícola Sr. Francisco Fino e sua simpática filha Rita Fino Magalhães. Antes do almoço, como de costume, um delicioso e refrescante Prosecco Incontri, um dos belos produtos que a Vinea trabalha com exclusividade. Impossível tomar somente uma taça! Para começar a degustação duas versões de um mesmo vinho, o Monte da Penha Reserva Branco. Duas safras e dois vinhos bem diferenciados, mas igualmente deliciosos.

  • Monte da Penha Reserva Branco 2006, é um vinho mais maduro, untuoso com nuances de pêssego e pêra, com bastante cremosidade na boca. O 2007 apresenta um estilo de bem maior frescor, com nuances de maçã verde e maior mineralidade. Ambos muito elegantes e saborosos, elaborados com um corte de uvas brancas autóctones da região: Arinto, Roupeiro, Fernão Pires e Trincadeira das Pratas. Sem madeira, com longa fermentação em tanque de aço inoxidável com temperatura controlada em torno de 15º. Incrivelmente, um vinho que, mesmo sem madeira, poderá evoluir positivamente por diversos anos. A Vinea sugere, e eu endosso, que seja tomado acompanhando um espaguete ao vongoli, tem tudo para ficar divino. Preço R$87,00.

Provamos, também, os vinhos tintos da casa, desde o Montefino que é a vinho de entrada de gama da empresa, passando pelo Monte da Penha Reserva, Monte da Penha Fino Reserva Tinto de duas safras, até chegar no Gerações, um vinho ainda não disponível no Brasil, mas que, certamente, a Vinea estará trazendo dentro em breve para deleite dos entusiastas enófilos e apreciadores de bons vinhos no Brasil. A linha é toda de vinhos de grande qualidade e muito saborosos, mas dois dos vinhos me chamaram a atenção e me encantaram.

  • Monte da Penha Reserva Tinto 2003, um corte de Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Moreto com 13.2º de teor alcoólico. Fica um ano em barricas de carvalho, das quais 30% do vinho em barricas de primeiro uso e o restante de segundo uso, para então, passar um período adicional de doze meses estagiando na garrafa antes de sair para o mercado. Boa paleta aromática em que sobressaem frutas vermelhas, ameixa, na boca é muito macio, com taninos sedosos e finos num conjunto de grande harmonia e elegância que encanta e nos dá água na boca. Um belo vinho com um bom final de boca, de boa estrutura, que certamente acompanhará maravilhosamente bem um arroz de pato ou, como foi o caso, um delicioso filé mignon de vitelo com purê de cará e hortelã. Belíssimo vinho. Preço R$125,00.
  • Gerações 2004 o, hoje, top de linha desta vinícola. Corte de Alicante Boushet, Aragonês e Trincadeira. Uma pequena parcela do vinhedo e as melhores uvas foram selecionadas para elaborar este vinho de grande classe. Doze meses de carvalho Allier Francês novo e mais um estágio em garrafa de mais doze meses. É um grande vinho, sedutor e ainda jovem devendo atingir sua plenitude em mais uns dois ou três anos. Fiquei entusiasmado com o vinho que se apresentou intenso no nariz em que se destacaram notas de frutas negras, maduras. Na boca é denso e untuoso, taninos finos, boa acidez  e persistência, encorpado, tudo em um perfeito equilíbrio que enche a boca de prazer e nos deixa com aquele gostinho de quero mais. Pena que só tinha uma garrafa para um monte gente (O Sr. Francisco gentilmente abriu a única garrafa que tinha) e, realmente, minha boca ficou pedindo bis! Um vinho de primeira que agrada sobremaneira. Nenhuma das, apenas, 3600 garrafas produzidas chegaram ao Brasil, então ainda não há preço disponível.

                 Como disse ao Sr. Francisco e à Rita, no final da refeição (por sinal a Chef Fabíola vem se superando) e da deliciosa degustação, os vinhos são muito bons e encantam, mas é a paixão e emoção com que eles falam das vinhas e dos vinhos que produzem, que termina nos conquistando de forma definitiva. Quem produz com tamanha dedicação e paixão, somente pode colher grandes resultados e os vinhos degustados são a prova disto. Mais uma tacada certeira da Vinea que detém a exclusividade da importação e fixe este nome, Monte da Penha, um produtor sério e apaixonado, que elabora vinhos de grande qualidade que merecem ser provados pelos gulosos enófilos e apreciadores de vinho de plantão. Para finalizar, aquele Porto Ruby Reserva Quinta Nova que eu adoro e sou fã incondicional. Salute e kanimambo.

Rua Manuel da Nóbrega, 1014, Paraiso, Tel. (11) 3059-5200

Semana do Vinho II – Expand

                 Bem, passado o fim de semana, volto com a seqüência desta maravilhosa experiência que tive na Expand. Sorvi alguns néctares especiais que realmente me fizeram sentir que estava no paraíso. Eis mais alguns dos belos vinhos provados:
  • Quimera 2005, Argentina. Sou suspeito para falar deste vinho, pois sou macaco de auditório de Achaval Ferrer, um produtor de grande qualidade e conceitos mercadológicos diferenciados, sobre o qual já teci comentários em post anterior, sobre vinhos Agentinos. Da safra de 2004, já tomei uma, e ainda tenho duas garrafas na adega, esperando 2010 para abrir e poder aproveitar o néctar em todo o seu esplendor. Gostei mais do 2004, que mostrou uma elegância impar e maior harmonia. Tendo dito isso, segue sendo um belo vinho, carnoso, gordo, bem encorpado, com taninos ainda muito firmes, é uma criança necessitando amadurecer. Bom teor alcoólico, 13,5º, para um vinho Argentino deste calibre. Vinho para comprar e aguardar mais um bom par de anos para tomar. Preço R$148,00.
  • Sassicaia Bolgheri 2004. Aqui é sacanagem, falar o quê deste respeitadíssimo vinho. Mais ainda, o que é que posso falar, que outros já não falaram antes e melhor? Só dizer que, se tivesse menos vergonha, ajoelharia e reverenciava o néctar, agradecendo aos Deuses por sua existência. É um GRANDE VINHO que desperta fortes emoções! Tem aromas ricos, intensos e complexos, para não dizer, inebriantes. Na boca é extremamente macio e sedoso com taninos doces, de grande elegância e muito, mas muito saboroso. Para tomar com calma, sem pressa, sorvendo todas as nuances deste elixir dos Deuses. Ai, que saudades! Eis um belo presente se alguém estiver a fim de me dar algo! Absolutamente maravilhoso, um dos melhores vinhos que já tomei na vida, daqueles a que chamo de “Vinho de Reflexão”. Verdadeiramente apaixonante e, dizem, ainda vai melhorar muito! Será possível? Preço R$680,00.
  • Taittinger Brut Reserve (R$198,00) e Gosset Brut Grand Milésime 99 (R$388,00). Iniciamos com estes dois! Falar o quê, novamente? O primeiro, muito fresco, com aromas delicados e maior leveza. O segundo, encorpado com grande complexidade de aromas e sabores onde imperam nuances de torrefação, pão e leveduras.
  • Seña 2003. Um dos ícones dos vinhos Chilenos, junto com Don Melchor, Almaviva e outros semelhantes. A critica especializada o coloca entre os grandes vinhos, não só do Chile, tendo derrotado grandes e premiadíssimos Bordeaux, em prova às cegas. Grande complexidade, boa acidez, potente e longo final de boca. Preço R$348,00.
  • Don Melchor 2003. Mais um dos ícones Chilenos que nesta safra se houve especialmente bem. Talvez o melhor Don Melchor de todos os tempos. Bom agora e ainda crescendo. Muita harmonia, ótima estrutura, taninos finos, elegantes e sedosos num vinho de grande concentração. Belo e sedutor vinho por R$380,00.
  • Porto Ruby, Quinta De La Rosa Finest Reserve 375ml. Finalizamos com uns Vinhos do Porto, entre os quais este reserva Ruby muito saboroso, com boa fruta, taninos redondos, muito elegante e de boa persistência. Gostei bastante, achei bem sedoso na boca, e o preço, R$55,00.
  • Quinta do Vale Dª Maria Porto Vintage 2003. Na minha opinião, chegou no ponto em que melhor é lhe dar um tempo. Boa fruta, algo terroso, taninos firmes ainda adstringentes, encorpado e com bom final de boca. Um belo Porto Vintage que promete muito se aberto na época certa. Como gosto dos Vintages mais maduros e sedosos, acho que daqui a dez ou quinze anos, este vinho estará cremoso e sedutor, com bem mais harmonia e equilíbrio do que hoje. PreçoR$298,00.
  •                  Para finalizar, vou ousar elaborar uma lista de preferidos em ordem de satisfação pessoal. São vinhos que possuem algo a mais que os tornam marcantes e os destacam entre os outros. São os vinhos que mais mexeram comigo, que me despertaram fortes emoções sendo que, alguns são, também, grandes custo x beneficio o que os fez serem incluidos na lista. Outros, são o que são, ícones com preços altos em qualquer lugar do mundo, vinhos de pouca produção e alta demanda em função de excepcional qualidade. Sujeito a chuvas e trovoadas, vamos lá para os meus dezoito vinhos preferidos entre os cerca de 28 provados:

    Sassicaia, Elderton Ashmead Cabernet, Família Deicas, Marqués de Murrieta Ygay, Roda I, Don Melchor,  Quinta do Vale Dona Maria Port Vintage, QuimeraAspire Cab/Merlot, Insoglio, Taittinger, Barrua, Brunello de Casanova di Neri, Porto Quinta de la Rosa Finest Reserve, Seña, Q Tempranillo, Lucilla e Goats do Roam Red.

      

     

     

     

Semana do Vinho I – Expand

                  Começo agora, a compartilhar com os amigos de “Falando de Vinhos”, um pouco do que tive o privilégio de conhecer e provar ao longo da semana que compõe o evento da Expovinis. Digo uma semana, porque, em paralelo ao evento em si, outros ocorreram aproveitando a presença de uma série de produtores, jornalistas e consumidores. Tudo começou com uma agradável comemoração na Expand com o lançamento do novo catálogo que, por sinal, está muito bonito e bem elaborado. Foi também, uma comemoração em função dos 30 anos desta pioneira empresa, tendo os convidados, sido agraciados com a prova de 30 de alguns de seus principais rótulos e algumas novidades. Primeiramente, das novidades:

     Dentre os diversos rótulos provados, desculpem, não deu para provar todos, alguns creio que se destacam.

  • Goats do Roam, Sul Africano, White e Red, já comentei em post especifíco e o Red é certamente um achado pelo preço, R$38,00.
  • Zuccardi A Bonarda, sobre o qual também já publiquei um post, só confirmou a minha primeira opinião sendo um vinho que me agrada muito. Preço R$55,00.
  • Lucilla I.G.T. Toscana 2004, de corpo médio, boa acidez, bem frutado, toques de especiarias, taninos elegantes presentes indicando que ainda evoluirá na garrafa. Corte de Sangiovese com Merlot e Cabernet Sauvignon, é um vinho que agrada agora e, certamente, ainda melhorará com mais um tempinho em garrafa. Belo vinho por um preço bastante convidativo, R$58,00.
  • Insoglio del Cinghiale I.G.T. Toscana 2005, vinho de ótimo nariz com boa intensidade aromática e muito harmônico na boca. Já pronto, mas mais um ano de garrafa deve favorecer muito este vinho. Gostei muito e parece que está em promoção nas lojas da rede. Preço R$98,00.
  • Barrua Isola dei Nuraghi 2003, vinho potente, ainda muito jovem apesar de seus cinco anos de vida. Bastante complexo nos aromas, encorpado, taninos firmes, mas finos. Corte de Carignan (85%) com Cabernet e Merlot. Preço R$225,00.

Dos vinhos top da casa, é difícil falar. Mas alguns me encantaram mais que outros e, na minha perspectiva, estes são os destaques que me chamaram a atenção e me despertaram emoção.

  • Marques de Murrieta Ygay Reserva 2002, Rioja, Espanha. Talvez umas das piores safras dos últimos anos na Espanha, mas este vinho serve para provar que um bom produtor é capaz de operar milagres em um ano ruim. Nariz intenso, cativante, na boca grande equilíbrio e harmonia num conjunto de muita elegância e ainda em evolução. Uma delicia. Preço R$128,00.
  • Roda I Reserva 2002, Rioja, Espanha. Mais um exemplo de um grande vinho num ano ruim. Grande elegância e classe num vinho de grande persistência. Belo Vinho. Preço R$288,00.
  • Aspire Cabernet/Merlot 2003, da Nova Zelândia. Vinho de médio corpo, taninos sedosos, elegante, pronto e absolutamente cativante. Preço R$88,00.
  • Casanova di Neri Brunello di Montalcino 2002, Italia. Muito corpo, carnudo, denso, quase mastigável, com aromas intensos e sedutores. Potente, de grande persistência e boa acidez, um vinho que pede comida. Preço R$298,00.
  • Q Tempranillo de Zuccardi 2004, Argentina. Realmente este pessoal, do básico Santa Julia ao divino Zeta, só faz coisa fina. Mais um belo vinho da Zuccardi, mas que ainda está bastante novo e, creio, ainda necessita de um tempinho em garrafa para amadurecer seus firmes taninos. Preço R$95,00.
  • Família Deicas Tannat 1er Cru Garage 2000, Uruguai. Um grande exemplar de Tannat. Uma paleta aromática absolutamente maravilhosa, intensa e complexa. Na boca é potente, mas elegante com taninos finos presentes e boa acidez com um longo final de boca. Uma enorme surpresa e um grande vinho. Preço R$285,00.
  • Elderton Ashmead Cabernet Sauvignon 2002, Austrália. Adorei o vinho. Deliciosos aromas de ameixas frescas, na boca é todo refinado, com taninos finos, redondos. Algum toque de especiarias, num longo e muito saboroso final de boca. Eu que não conhecia, nem nunca tinha ouvido falar, fui tolhido de surpresa e me conquistou. Preço R$328,00.

Tem mais, mas o post já está ficando muito longo, então deixarei para a Segunda-feira o restante da matéria. Alguns vinhos absolutamente divinos! Salute e kanimambo. Bom final de semana e um Feliz dia das Mães.

Noticias do Front III – A Ressaca

                   Desde Quinta da semana passada que se iniciou esta maratona. Foram diversos acontecimentos ocorrendo em paralelo à Expovinis, cinco dias de eventos em que, pelas anotações feitas, foram degustados 162 vinhos. É informação que não acaba mais e, lamento que não tivesse mais um dia ou dois para poder fazer tudo o que tinha programado. Simplesmente muita coisa e muito pouco tempo para poder se ver e provar tudo o que se quer. Não, não é essa ressaca, até porque bebemos muito pouco do que provamos, lamentavelmente. È ressaca mesmo de cansaço puro, são seis, sete, oito horas diárias andando, dói o corpo todo! Já sei, estão pensando que estou chorando de barriga cheia, estou não. Na verdade, pela primeira vez, encarei este evento de forma profissional e é diferente, a pessoa perde um pouco do prazer, apesar de ganhar muito em experiência. Uma troca justa que, creio, possibilitará maiores prazeres no futuro já que terei separado o joio do trigo tomando melhores vinhos e com mais certeza nas compras. No geral, muito legal.

                 Bem, dos vinhos provados ontem tenho uma clara conclusão; os vinhos Brasileiros melhoraram muitíssimo e o nível geral está bastante bom, com alguns de grande qualidade. As fronteira estendem-se de Pernambuco à Campanha Gaúcha, passando por Toledo no Paraná e os vinhos de altitude em Santa Catarina com produtos de grande qualidade e preço acompanhando. Já temos, sim, vinhos de ótima qualidade, não só espumantes, prontos para competir no mercado internacional sem medo de ser feliz. Eis os destaques que me chamaram a atenção com preços aproximados (referência):

  • Nucho de Pegões, moscatel da região de Setúbal (Wine Company) R$42,00
  • Tizziano, um branco italiano, diferente, orgânico (Marimpex) R$70,00
  • Pinot Grigio Casa Defra, mais um branco Italiano e um preço muito bom (Wine Company) R$39,00
  • Nubio Rosé da Sanjo, Santa Catarina R$35,00.
  • Portento tinto, Quinta Santa Maria de Santa Catarina, um surpreendente vinho fortificado de muito boa qualidade R$52,00. Tem também uma versão branca elaborada com Moscatel.
  • Chardonnay Cordilheira de Sant’Ana, de Palomas na Campanha Gaúcha, o ganhador do melhor Chardonnay da feira R$46,00. Ótimos também o Gewurtzraminer (safra nova chegando) e o Tannat.
  • Domaine de Granoupiac Coteaux de Languedoc Rouge, França (Vinea Store) fresco, equilibrado, elegante e muito saboroso. R$ 84,00.
  • Rio Sol tinto, corte de Syrah com Cabernet produzido em Pernambuco pela Expand em sociedade com a Dão Sul Portuguesa, R$19,00. Talvez o melhor custo x beneficio da feira tendo ficado entre os TOP 10 na categoria de vinhos nacionais.
  • Pizzato Fausto Rosé, muito fresco e agradável por R$22,00.
  • Bourgogne Hautes Cotes-de-Nuits AOC, delicioso, suave e elegante (Vinea Store) R$133,00.
  • Pizzato linha Reserva, o Egiodola e o lançamento, Alicante Boushet são muito bons e o preço acompanha, por volta de R$30,00.
  • Villagio Grando de Santa Catarina, grandes vinhos. Tantos os Brancos Chardonnay e Sauvignon Blanc como os tintos maravilhosos Merlot, Cabernet (no mercado dentro de uns 5 meses) e o incrível Innominabile II um corte muito elegante. Os brancos por volta de R$60 e os tintos R$80,00.
  • Prosecco Incontri VSAQ, Vêneto Itália, muito agradável com um delicioso frescor e equilibrio (Vinea Store) R$54,00.
  • Pizzato “Secretto“, nome fictício que acabei de criar agora, pois ainda não tem nome. A Pizzato é famosa por trabalhar muito bem a uva Merlot. Este é um projeto, ainda por ser lançado no mercado, de um Merlot  top de gama elaborado com uvas da safra de 2005. Dez meses de Carvalho Francês, treze meses de garrafa, um educado teor alcoólico de 13.5º e um final de boca excepcional. Preparem-se!

Com alguns destes produtores nacionais, ainda vou querer fazer matérias especiais que mostrem claramente todo o investimento e desenvolvimento que está ocorrendo entre nossos produtores. De todos estes vinhos, experiências e fornecedores, estarei fazendo diversos posts conforme for dando e eu conseguir organizar minhas anotações. Noticias do Front, terminam por aqui, mas podem voltar a qualquer momento. Salute e kanimambo.

Noticias do Front – “Storia” da Valduga

                 Oi pessoal, ontem passei boa parte do dia peregrinando pelas ruas da Expovinis buscando descobrir novos vinhos de qualidade, rever alguns amigos, repassar outros vinhos e acompanhando alguns lançamentos. Uma loucura! Hoje e amanhã tem mais, depois farei um post com os principais destaques que tive o privilégio de provar. Para já, só para ir adoçando a boca dos amigos, fui um dos poucos afortunados a ser convidado para o lançamento oficial do novo vinho da Valduga que somente deverá começar a ser vendido dentro de uns três meses.

 

“STORIA”

 

um símbolo da história da família Valduga e do vinho no Brasil. Um vinho de grande qualidade para comprovar que a Merlot é sim a grande uva Brasileira, que a safra de 2005 foi excelente e de que o Brasil é capaz de produzir ótimos vinhos tintos. Ainda fechado, taninos maduros ainda bem presentes e adstringentes, com ótima estrutura, bom equilíbrio, longo final de boca e uma paleta de aromas que prometem muito. Parece-me que fiquei frente a frente com um grande vinho e quem o guardar por uns dois a três anos poderá comprovar, pois é um vinho que promete uma enorme evolução. Como foram produzidas somente 6000 garrafas, fique de olho e assim que as vir nas lojas, compre umas duas ou três para poder acompanhar seu crescimento. Tome uma por agora no final do ano, outra ao final de 2009 e a ultima ao final de 2010, será uma grande e, de certo, deliciosa experiência. Salute e kanimambo.

Zuccardi “Serie A”

                 Mais uma vez me sinto um privilegiado ao poder participar de um agradável almoço de apresentação de um novo vinho. Neste caso, de diversos vinhos já que se tratava de uma nova linha de produtos que a Zuccardi, vinícola Mendocina, lança no Brasil em conjunto com a Expand. Afora o privilégio de tomar estes vinhos, tive o prazer de conhecer o homem por trás deste trabalho, José Alberto Zuccardi. Iniciamos com uma apresentação da vinícola em que, a meu ver, ocorreu o grande destaque do evento, uma frase dita por José Alberto; Não há vinhos de qualidade sem gente de qualidade. Não desmerecendo os vinhos, muito pelo contrário, mas esta é a essência de tudo, a espinha dorsal do projeto como um todo. Esta é uma filosofia que prezo muito e, de cara, ocorreu uma sinergia de idéias. Esta filosofia, conjuntamente com a capacidade de inovação, é que fez com que a Zuccardi, se tornasse a vinícola familiar líder na Argentina.

                 Para este projeto foram construídas instalações novas com 30% dos vinhedos orgânico, o restante muito próximo disto, sem uso de qualquer forma de pesticidas. A linha de vinhos Serie A, é composta de: um vinho branco, corte de Chardonnay com Viognier e três tintos varietais a 100%, um Malbec, um Syrah e um Bonarda. Falemos dos vinhos:

  •  Chardonnay/Viognier 2007, com 50% de cada cepa e 13.5% de álcool, resulta num vinho muito fresco, com ótima acidez, suave e ligeiro. Acompanhou uma entrada de Bobó de Camarão na mini moranga. Com a comida, cresceu assustadoramente me surpreendendo positivamente.
  • Syrah 2006, com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Com 14º de teor alcoólico muito bem balanceado, boa fruta madura, boa estrutura, levemente especiado com a tipicidade da casta. Foi o que melhor harmonizou com o risoto de ossobuco com ragú. Muito bom.
  • Malbec 2006, com 70% dos vinhos passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. Vinho saboroso, de muito boa acidez o que não é muito comum ao Malbec Mendocino, com taninos finos e elegantes.
  • Bonarda 2006, também com 30% do vinho passando por barricas de carvalho Francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período de dez meses. O teor alcoólico é bem comportado com 13º, boa estrutura e corpo numa soberba paleta aromática com frutas silvestres que se confirmam na boca com uma boa acidez, final de boca suave, redondo de média persistência. Individualmente, para tomar solo, talvez o mais interessante de todos os vinhos desta Serie A. Realmente a Bonarda, é a uva do futuro na Argentina!

No geral, bons vinhos, elaborados com muita competência, os tintos com uma previsão de guarda em torno de uns 4 a 5 anos, que a Expand coloca no mercado ao preço de R$55,00. Os destaques, para mim, foram o Bonarda e o Syrah que me agradaram muito e recomendo, cada um a seu modo. Acredito que, se este preço pudesse estar abaixo de R$50,00, teríamos aqui um grande custo x benficio.

                 Para finalizar, ainda pude provar o Zuccardi Zeta (top de linha da Zuccardi), um belíssimo e divino corte de Malbec e Tempranillo, dentro os grandes da Argentina e o MALAMADO. Para quem não conhece, um vinho fortificado à base de malbec elaborado à moda do porto, de onde advém o nome. Delicioso! salute e kanimambo.