Degustações

Prova e Contra-prova com Eduardo Chadwick

Poderíamos chamar essas provas de “Batalhas de David com Golias” ou “ Embates do Século” ou, ainda de “Desafio de Gigantes”, na verdade pouco interessa o título e sim os resultados. Foram provas comparativas realizadas com degustações às cegas de vinhos top, tendo a primeira sido realizada em 2004, iniciativa de um visionário empresário e vinicultor Chileno. Em destemida ação mercadológica para posicionar seus vinhos no exigente mercado internacional, Eduardo Chadwick optou por tentar repetir a façanha dos vinhos Californianos no famoso Julgamento de Paris em 1976, quando em uma degustação às cegas os ainda jovens e pouco conhecidos vinhos dessa região, bateram grandes vinhos Franceses. O tiro poderia ter saído pela culatra, mas Eduardo, sexta geração da família a tocar esta importante vinícola Chilena, assumiu esse risco mostrando coragem e, acima de tudo, convicção no seu trabalho, em sua equipe e em seus produtos. Não contente com os resultados da primeira prova, a vem repetindo em diversos outros locais ao longo dos últimos anos, acompanhe as provas e os resultados:

 

Ano: 2004

Local: Berlin, Alemanha.

Participantes: Seis grandes vinhos Franceses, quatro grandes vinhos Italianos e seis Chilenos.

Rótulos e Safras: Da mítica safra de 2000 na França, os clássicos Chateau Latour, Chateau Margaux e Chateau Lafite. Ainda da França, mas safra 2001; Chateau Margaux e Chateau Latour. Os Italianos, todos da safra de 2000; Sassicaia, Tignanello, Solaia e Guado el Tasso Bolgheri famosos Supertoscanos. A isso se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2001, Seña 2000 e 2001 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2001.

Júri: Dezesseis jornalistas especializados e um seleto grupo de vinte clientes enófilos convidados, todos formadores de opinião vindos do Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Dinamarca e Rússia.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2005

Local: São Paulo, Brasil.

Participantes: Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Da França; Chateau Latour e Chateau Margaux de 2001 e Chateau Lafite-Rothschild 2000. Os Italianos, todos da safra de 2000; Sassicaia e Guado el Tasso Bolgheri famosos Supertoscanos. A isso se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2001, Seña 2000 e 2001 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2001.

Júri: Quarenta dos mais renomados e experientes jornalistas especializados, seleto grupo de enófilos, sommelieres, expoentes de nossa vinosfera.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2006

Local: Toronto, Canadá..

Participantes: Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Todos os participantes europeus da safra de 2000;  Chateau Latour, Chateau Margaux e Chateau Lafite e os Italianos Tignanello e Sassicaia. A eles, se agregam os Chilenos; Viñedo Chadwick 2000 y 2003, Seña 2000 e 2003 assim como o Don Maximiano Founder´s Reserve 2003.

Júri: cerca de 24 convidados entre imprensa especializada, clientes, enófilos, sommelieres e especialistas.

Mediador da Prova: O renomado jornalista da revista Decanter, Sr. Steven Spurrier.

 

Ano: 2008

Local: Copenhague, Dinamarca.

Participantes Três grandes vinhos Franceses, dois grandes vinhos Italianos e cinco Chilenos.

Rótulos e Safras: Da França os Chateau Latour, Lafit e Mouton Rotschild todos de 2005. Os Italianos Sassicaia e Solaia 2004, mais os Chilenos Don Maximiano 2004 e 2005, o Seña 2004 e 2005 assim como o Viñedo Chadwick 2005.

Júri: Dezesseis jornalistas especializados e um seleto grupo de vinte clientes enófilos convidados, todos formadores de opinião vindos do Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria, Dinamarca e Rússia.

Mediador da Prova: Soren Frank e Niels Lillelund, dois dos mais importantes jornalistas do mundo do vinho na Dinamarca.

 

Berlin 2004

Resultado: ZEBRA !!

São Paulo 2005

Resultado: Zebra ?

 

1º – 2000 Viñedo Chadwick

2º – 2001 Seña 

3º – 2000 Château Lafite

4º – 2001 Château Margaux

4º – 2000 Seña 

6º – 2000 Château Margaux 

6º – 2000 Château Latour 

8º – 2001 Viñedo Chadwick

9ª – 2001 Don Maximiano Founder’s

Reserve

10º – 2001 Château Latour

10º – 2000 Solaia

 

 

1º – Château. Margaux 2001

2º – Viñedo Chadwick 2000

3º – Seña 2001

4º – Château Latour 2001

5º – Seña 2000

6º – Viñedo Chadwick 2001

7º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2001

8º – Guado Al Tasso Bolgheri D.O.C. 2000 Superiore 2000  

9º – Château Lafite-Rothschild 2000

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

Toronto 2006

Resultado: Zebra? Não mais.

Copenhague 2008

Resultado: Zebra? Não, a constatação de um fato!

 

1º – Château. Margaux 2000

2º – Chateau Latour 2000

3º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2003

4º – Tignanello 2000

5º – Seña 2003

6º – Viñedo Chadwick 2000

7º – Seña 2000

8º – Viñedo Chadwick 2003    

9º – Château. Lafite 2000

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

 

1º – Château. Lafite 2005

2º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2004

3º – Château Mouton Lafite 2005

4º – Solaia 2005

5º – Seña 2005

6º – Don Maximiano Founder´s Reserve 2005

7º – Château Latour 2005

8º – Viñedo Chadwick 2004

9º – Seña 2004

10º – Sassicaia Bolgheri D.O.C. 2000

 

 

 O interessante e o que me faz aplaudir estas iniciativas, é que podia ter dado tudo errado, tendo certamente demandado muita determinação e muita fé no próprio taco! Os resultados, para quem ainda não conhecia, estão aí. Não é acaso, não é sorte e, definitivamente, não é zebra. É a constatação de um fato e, como já me diziam quando pequeno, contra fatos não há argumentos! Sem contar que em Tokyo e Beijing também foi assim, consolidando uma tendência que demonstra a grande qualidade destes vinhos Chilenos, em linha com o que de melhor existe em nossa vinosfera. Para quem quiser conhecer mais, visite o site www.theberlintasting.com. Uma coisa que esquecia de dizer, é que todos este vinhos e vinhedos Chilenos que geram esses néctares, pertencem a um mesmo grupo, a “Viña Errázuriz”.

Tive o recente privilégio de participar de uma vertical de vinhos Seña e provar o Viñedo Chadwick, na companhia de; ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Eduardo Chadwick, presidente e maior divulgador dos vinhos de sua bodega. Gente, tenho que ter a humildade de reconhecer que pouco posso acrescentar aos resultados acima, que falam por si só, e a tudo o que já foi falado sobre estes vinhos na imprensa especializada. No entanto, como dizia o velho Vicente Mateus eterno presidente daquele time, quem sai na chuva é para se queimar, então aqui vai um pequeno apanhado das sensações que essa degustação me fez sentir.

Seña 2003 – Já tinha provado antes, mas nunca foi um vinho que me entusiasmasse. Bom, muito bom, sem dúvida alguma porém, eresia, não me encantava. Comentei exatamente isso com o Eduardo Chadwick após o almoço, talvez até em função do excessivo marketing que gerou uma expectativa alta demais e, por outro lado, uma questão de paladar pessoal. Sigo com a mesma opinião, mas, de qualquer forma, é um grande vinho com nariz de boa intensidade, fruta madura, cassis, algo de azeitona? Na boca está bastante equilibrado, saboroso, complexo e de ótima persistência.

Seña 2004, vem de uma safra complicada com muito frio e de difícil maturação. Na nariz de boa intensidade aromática, um pouco mais de pimentão e salumeria. Na boca está pronto, redondo de taninos macios e finos com um final de boca especiado mostrando algo de mentol. Para uma safra difícil, eu achei um grande vinho.

Seña 2005, grande, grandíssimo! Vindo de umas melhores safras de todos os tempos no Chile, o vinho é verdadeiramente deslumbrante. Na nariz ainda se encontra um pouco fechado, precisando de decantação para se aproveitar todo o seu potencial aromático. Na boca é maravilhoso, com taninos de grande finesse, bom corpo, ótima acidez, grande harmonia, enorme complexidade de sabores e deliciosa textura aveludada num final de boca interminável. Pronto para beber desde já, mas certamente melhorará muito com mais uma meia dúzia de anos, se é que alguém agüenta esperar todo esse tempo. Este é o meu Seña, um vinho vibrante!

Viñedo Chadwick 2004, um elixir dos deuses que nunca tinha passeado, lamentavelmente, por minha boca. Desta feita passeou e com grande impacto! Um puro Cabernet Sauvignon com 18 meses de barrica e 12 de adega antes de sair para o mercado. Um vinho verdadeiramente sedutor e encantador. Um vinho classudo, sóbrio, meio austero, porém de grande elegância com taninos de enorme finesse, encorpado, denso, rico, de textura sedosa, um verdadeiro elixir dos deuses com um final de boca extremamente prazeroso, complexo e apaixonante, que não termina nunca. Demonstra um enorme equilíbrio da madeira, álcool e acidez, formando um conjunto inesquecível e de enorme delicadeza, apesar de sua boa estrutura que lhe renderá ainda muitos anos de evolução.

 Uma pena que foram só alguns goles, pois este é daqueles para tomar a garrafa, no máximo a dois, e bem devagar para curtir todas as suas nuances. Grande vinho e o Eduardo me disse que o 2005 está ainda melhor, pode?! Para mim, este Viñedo Chadwick foi o grande vinho da degustação e, se tivesse R$2 a 2.500,00 para comprar um Chateau Lafite, ou similar, certamente optaria por comprar uma caixa com um mix de Chadwick 04 e Seña 2005. Talvez menos pompa, mas certamente mais sabor e mais prazer, por mais tempo! Para o meu paladar, o melhor de todos os vinhos super premium Chilenos que já provei e, um dos grandes em todo o mundo. A importação e distribuição exclusiva está a cargo da Expand, um de nossos parceiros do vinho, com vasto portfolio repleto de qualidade e este rótulos são um claro exemplo disso.

Salute e Kanimambo.

Barolo II

Dando seqüência ao post de ontem sobre Barolos, a Expand convidou-me para uma degustação de quatro vinhos de diferentes vinhedos e terroirs, do produtor Batasiolo. Esta casa produz algo em torno de 4 milhões de garrafas de vinho anuais, das quais cerca de 300.000 são de Barolo. Em cerca de 50 hectares plantados com nebbiolo para a produção de barolo, a Batasiolo produz vinhos somente com uvas próprias o que lhe dá um maior controle sobre todas as etapas de elaboração do vinho, em especial das vinhas onde o vinho é efetivamente construído. São quatro vinhedos denominados crus, cada qual com seu terroir muito próprio gerando vinhos da mesma “linhagem” porém com características diferentes entre si, mesmo que muito próximos um dos outros. São quatro esses crus, que compõem a “Beni di Batasiolo”, ou os Bens da Batasiolo, numa tradução bem ao pé da letra; o Bofani junto aos municípios de Monforte d’Alba e Barolo, o Boscareto em Serralunga d’Alba, Cerequio em La Morra e o Corda della Briccolina, também no município de Serralunga d’Alba. Quatro vinhos provados com diferenças entre eles, que tentarei compartilhar com os amigos;

Barolo Cerequio 2001, o mais pronto e um dos que mais me agradou, talvez em função disso mesmo. Não é por estar pronto a tomar que não deve ainda evoluir por mais uns cinco ou seis anos, certamente o fará, mas já está delicioso com taninos aveludados e com muita elegância. De boa estrutura,  aromas de boa intensidade, vivos em que aparecem fruta do bosque com nuances de menta e algum floral. Na boca está muito saboroso, rico, franco e equilibrado com boa acidez que lhe dá um frescor muito agradável, e um delicioso final de boca de boa persistência. De todos, foi o que me pareceu mais frutado, porém sem os exageros novo mundistas, tendo realmente me encantado. Um barolo, talvez mais leve e mais moderno, muito saboroso e agradável de tomar

Barolo Bofani 2001, um pouco mais fechado e contido do que o Cerequio, mas o segundo mais pronto a tomar. Os taninos estão um pouco mais marcantes pedindo um decanter por cerca de uma hora quando devem se acomodar. Senti nos aromas algo diferente, talvez um pouco balsâmico, algo herbáceo. Na boca mostrou menos complexidade de sabores, mas tem uma entrada de boca muito agradável e equilibrada, apesar de não apresentar o mesmo frescor do Cerequio. Taninos finos e refinados, boa estrutura, bastante longo, um senhor vinho que precisa de um pouco mais de tempo

Barolo Boscareto 2001, de todos o mais fechado com taninos ainda muito firmes e adstringentes. No nariz apresenta uma fruta em passa que se comprova na boca de forma viril mostrando bastante potência, boa acidez, algo de especiarias e longa capacidade de guarda. Se existe um infantícidio no mundo dos vinhos, cometemos um com este. Sem duvida alguma um vinho para se tomar daqui a mais uma meia dúzia de anos quando se poderá usufruir de toda a sua exuberância. É comprar e guardar.

Barolo Corda Della Briccolina 2003, para o meu gosto, o meu vinho da degustação. Certamente está novo, mas já é adorável e sedutor com um nariz muito agradável de frutas dos bosque madura. Este é o único que passa por barricas de carvalho francês de 225 litros para estagiar o vinho antes do engarrafamento. Todos os outros passam pelos tradicionais tonéis de carvalho esloveno de 5 a 6000 litros como nas fotos. Está ainda um pouco duro, mas ao deixá-lo no decanter por cerca de 45 minutos (levei um resto para casa) abriu maravilhosamente. O que mais me surpreendeu nele foi uma certa mineralidade que, em conjunto com a ótima acidez e harmonia, lhe dá um enorme frescor. Na boca é encantador, fino, elegante com taninos doces e aveludados, muito harmônico com sabores meio tostados, algo de especiarias bem sutis e uma tremenda persistência com um agradável retrogosto que faz lembrar café. Um vinho sedutor e muito saboroso que já se aprecia muito bem hoje e certamente evoluirá mais ainda dentro de uns três ou quatro anos. Não me parece que tenha a mesma estrutura e potencial de guarda do Boscareto, mas como quero é tomar o vinho e não guardá-lo, creio que seus cinco ou seis anos de vida estão de bom tamanho! Se qualquer forma, se pudesse compraria duas, uma para tomar por agora e outra em uns dois anos quando, creio, estará à perfeição!

O Cerequio me encantou e o Briccolina me conquistou. Todos ótimos vinhos, mas para o meu paladar, estes são os dois vinhos que eu colocaria na minha adega. Os preços variam muito pouco, entre R$280 a 300,00 então a escolha não passa por aí. Será uma questão de preferência de estilo que, para mim, ficou muito claro. O que também fica claro, é que são vinhos realmente de guarda que não devem ser tomados com menos de uns cinco anos e, por uma questão de preços, são para poucos, assim como os bons Barbarescos também elaborados com 100% de Nebbiolo, só que em outra região do Piemonte e com outras características.

Salute e kanimambo

Barolo I

De uma das principais regiões produtoras Italianas, o Piemonte (norte da Itália), vem este que, junto com o Brunello de Montalcino da Toscana, é um dos grandes ícones de nossa vinosfera. Definido pelos Piemonteses como o rei dos vinhos e vinho dos reis, é elaborado com a uva Nebbiolo cultivada em vinhedos de uma restrita área de colinas que se estende por 11 vilarejos da província de Cuneo, entre elas Barolo, Serralunga d’Alba e La Morra (clique no mapa para ver região). Pelo caráter peculiar de vinho, pela área restrita de vinhas, e diversidade de terroirs, é um vinho caro tendo por característica o fato de serem vinhos concentrados, robustos, austeros que necessitam de tempo de envelhecimento e aeração para serem devidamente apreciados. Pela legislação da DOC (Denominazione di Origine Controllata), o Barolo envelhece por pelo menos três anos, sendo dois em tonéis de madeira, sendo que muitas casas produtoras ainda o deixam por um a dois anos em caves após engarrafamento.

Com abundancia de taninos potentes, típicos da uva nebbiolo, é um vinho com características duras, muita estrutura e de enorme complexidade devendo sempre acompanhar uma refeição com peso idem, em especial pratos de carne. Até pouco tempo atrás, um excelente Barolo necessitava de uns dez anos de guarda e decantação por seis, dez, até 24 horas para que toda a sua exuberância pudesse ser devidamente mostrada e apreciada.  Hoje em dia isto ocorre com cada vez menos assiduidade já que grande parte dos produtores modernizaram sua forma de produzir o vinho com novas técnicas de vinificação, introduzidas na região a partir dos anos 80, gerando vinhos mais amenos e prontos para tomar mais cedo. Hoje em dia a produção se divide entre produtores mas clássicos e tradicionais, e aqueles de estilo mais moderno. Cada um a seu estilo, mas certamente ambos produzindo excelentes vinhos. Em qualquer dos casos, vinhos que requerem paciência com, pelo menos, uns cinco a seis anos de guarda quando começarão a mostrar toda a sua exuberância aromática e complexidade de sabores.

Nestes últimos sessenta dias, tive oportunidade de provar uma meia dúzia de rótulos e iniciar meu aprendizado nos vinhos Piemonteses, em especial o Barolo. Primeiramente dizer que me ficou muito clara as diferenças nos vinhos causado pelos diferentes terroirs, segundo, que me encantei pela complexidade descoberta. Dizem não ser um vinho fácil que requer alguma litragem para ser melhor entendido, mas tenho que reconhecer que não me foi difícil entendê-lo só lamentando não ter podido acompanhar estes vinhos com um prato que lhes fizesse jus. Pelo que li, é parceiro ideal para carne assada, um ensopado, carnes grelhadas e por aí afora. Pessoalmente, penso que talvez um ensopado de carne com batatas, deve ser a perfeição e aí, penso naquele Javali na Pucura com Castanhas que comi no 1715 em Ribeira da Venda em Portugal, e BINGO!!! De qualquer forma, já me encantei assim mesmo com estes vinho tomados solos num estilo mais moderno, mais prontos para beber.

No Decanter Wine Show, tive oportunidade de provar os vinhos de Pio Cesare um dos principais e antigos produtores e negociantes da região do Piemonte. Entre os vinhos provados, o Barolo Ornato 03, criação top do produtor e, efetivamente, um grande vinho. Ainda austero fechado, teria se beneficiado muito de uma decantação de algumas horas, mas já mostrou uma ótima paleta aromática muito frutado com algumas nuances florais que não consegui identificar. Na boca é denso, carnoso, untuoso, taninos ainda firmes porém sem qualquer agressividade, complexo sabor de frutas maduras com algo terrososo e alguma presença de especiarias, terminando em um longo final de boca em que aparecem elegantes toques de baunilha. Uma criança que necessita de mais tempo, devendo crescer muito ainda nos próximos quatro a cinco anos adquirindo maciez e elegância. Na Decanter por R$413,50.

Do mesmo produtor, o Barolo 03, um “básico” da região. De grande intensidade aromática, perfumado, na boca é cheio, encorpado, taninos finos e macios, bem equilibrado, final de boca muito agradável com um retrogosto que me lembrou especiarias. Não tem a mesma complexidade do Ornato e é um vinho um pouco mais pronto a tomar apesar de que se beneficiará muito com mais uns dois anos de garrafa. Na Decanter por R$310,50.

Amanhã veremos a seqüência dos Barolos provados. Como disse no inicio, não são muitos, mas são vinhos que me fizeram mudar alguns conceitos ou, talvez, preconceitos para com os vinhos Italianos em geral. Aliás, estes vinhos não foram os únicos, pois diversos outros rótulos mexeram com minhas emoções. Tudo isto veremos ao longo do mês.

Salute e Kanimambo.

Viñedo Chadwick

           Só um teaser; descobri o melhor vinho do Chile! Genial e grande privilégio que tive ao participar de uma degustação muito especial ontem. Viñedo Chadwick, um excepcional Cabernet Sauvignon de enorme finesse e elegância que enche a boca de prazer e a alma de alegria, nobreza pura. Preciso de um tempinho para preparar a matéria, pois tem muita informação sobre este e outros néctares provados que são grandes vinhos, em qualquer lugar do mundo, como comprovado em algumas provas cegas realizadas. Aguardem, assim que der preparo o post.

Salute e kanimambo

Ochotierras Chegou!

Ochotierras, nome alusivo às oito colinas e campos da região de Limarí no norte do Chile, onde a vinícola se instalou há cerca de uma década tendo, a primeira colheita sido realizada em 2005. A região de Coquimbo no Vale do Limarí, onde a vinícola está situada, é uma zona semi-árida com um clima privilegiado com ausência de chuvas na época da colheita, temperaturas amenas com média de 28º, alta luminosidade e solos pobres, características perfeitas para obter uvas de qualidade e gerar belos vinhos. A água, um problema, é coletada do degelo da cordilheira Andina. Eles estavam presentes no evento da ProChile, mas não os visitei já que tínhamos agendado uma degustação específica no dia seguinte.

Na verdade, estes eventos de degustação, ou feiras, qualquer que seja o nome que se queira chamá-las, são ótimos para nos dar uma vaga idéia dos vinhos provados e conhecer as linhas completas dos produtores presentes, ou pelo menos aqueles que conseguimos visitar. Não, não estou cuspindo na taça que bebi, os eventos são válidos e os prezo muito, mas é numa degustação específica e harmonizada, que realmente conseguimos conhecer o que o produtor se dispõe a fazer, quais são seus planos e como, realmente são seus vinhos. Felizmente, a BrasArt, jovem importador exclusivo da vinícola, teve a grande idéia de convidar alguns enófilos e jornalistas para um bate-papo e degustação de seus vinhos num lugar que só vem a acrescentar qualidade aos vinhos, na Praça São Lourenço em São Paulo. Local lindíssimo e um oásis/restaurante tranqüilo e simpático em plena paulicéia, cada vez mais, desvairada. O melhor do local, é que no almoço é servido um enorme, diverso e super saboroso buffet o que possibilita que “brinquemos de harmonizar” os vinhos, levando aos píncaros essa experiência.

Mas, voltemos a falar da vinícola que, a principio, nos traz somente varietais de cepas produzidas em seus três vinhedos com 75 hectares, dos quais cerca de 35 plantados. Os varietais básicos que são vinhos mais jovens, de concentração média e fáceis de beber; os reservas que já passam um tempo maior em carvalho, são de maior estrutura, elegância e concentração mostrando toda atipicidade do vale; e finalmente os Gran Reservas, pura expressividade do terroir do Vale do Limarí com pelo menos 12 meses de barricas de carvalho e mais uns seis meses de adega após engarrafamento. Vejamos os vinhos que, a meu ver e para o meu gosto, mais se destacaram;

Dentro os brancos, Sauvignon Blanc e Chardonnay, o que mais me impressionou e me cativou, foi o Chardonnay 07 que passa levemente pela madeira para ressaltar a fruta. É um vinho de cor palha claro, límpido, de boa tipicidade e sutileza aromática. Na boca invoca as frutas cítricas, é fino, mineral, sedutor e, apesar de um teor de álcool alto, está perfeitamente equilibrado com ótima acidez resultando num vinho bastante fresco e fácil de tomar. Um delicioso branco para o da-a-dia extremamente bem posicionado no preço que agrada e satisfaz por meros R$22 a 25,00. Um verdadeiro achado que acompanhou muito bem, uma salada à base de kani. Certamente será presença constante na minha mesa.

Dos tintos, provamos a linha Reserva com três varietais; Cabernet Sauvignon, Syrah e Carmenére e, na linha de Gran Reservas os varietais de Carmenére e Syrah. No buffet, peguei três carnes para harmonizar com os vinhos; um pernil com molho de laranja, um medalhão de filé com molho de gorgonzola e um galeto com ervas.

  • Cabernet Sauvignon Reserva 2006 com 13.5º, está absolutamente redondo e pronto a tomar.No nariz se sente boa fruta madura com nuances florais, enquanto na boca apresenta taninos doces e sedosos, algo achocolatado, absolutamente elegante e fino com um final de boca longo e levemente especiado. É um Cabernet diferenciado, suave no palato e cativante. A principio, escolhi o galeto para harmonizar com este vinho e até que ficou bastante saboroso. Foi com o suave pernil na laranja, todavia, que o vinho, e o prato, demonstraram todo o seu potencial numa combinação divina. Um vinho muito agradável, fácil de harmonizar por um excelente preço de cerca de R$42,00, uma pechincha e mais um que irá freqüentar minha mesa com uma certa assiduidade.
  • Carmenére Reserva 2006 com 13.5º, ao contrário de muitos Carmenéres que tendem para aromas e sabores muito vegetais que, a meu ver, incomodam e demonstram uma certa agressividade, este é absolutamente frutal, amável e saboroso. Um Carmenére de primeira, de grande harmonia e aveludado na boca, para balançar quem não é chegado nos vinhos desta cepa. Acompanhou bem o pernil com molho de laranja. Gostei muito, preço R$ 53,00 somente disponível na BR Bebidas.
  • Syrah Reserva 2007 também com 13.5º,  possui um nariz mais intenso, muita fruta vermelha, algo de especiarias, corpo médio, carnoso, boa concentração, cremoso e muito saboroso. Por ser um pouco mais novo, seus taninos ainda se encontram mais presentes, porém são finos e elegantes sem qualquer agressividade, já está bom, mas promete melhorar com algum tempo mais de garrafa. Harmonizou muito bem com o medalhão de filé mignon. Preço sugerido R$42,00
  • Gran Reserva Carmenére 2005 com 14,8º absolutamente equilibrado. Um belo vinho, num degrau bem acima dos outros. Eu, que não sou fã desta cepa, tenho que reconhecer que este está maravilhoso e, a meu ver, o melhor vinho de todos eles. Os Gran Reservas são da primeira colheita realizada pela vinícola, então a previsão é de que teremos ainda melhores vinhos nos próximos anos. Este, está com uma paleta olfativa cativante de ótima intensidade, na boca é de grande elegância (aliás uma característica de toda a linha), muito harmônico com ótima acidez o que lhe dá uma vivacidade muito interessante, um leve apimentado final de boca com boa persistência. Encantou-me e achei um senhor vinho, talvez o melhor Carmenére que já tomei, tendo harmonizado muito bem tanto com o pernil, quanto com o medalhão de filé. Um vinho sem arestas, de quantidades limitadas, que deixa lembranças muito prazerosas. Preço de R$105,00 e somente disponível na BR Bebidas.
  • Gran Reserva Syrah 2005 é um vinho bem mais concentrado e potente com mais de 15º de teor alcoólico, com taninos finos e aveludados ainda por amaciar. O nariz é de boa intensidade em que aparecem notas de frutas vermelhas e negras.  Na boca está bastante harmônico, necessitando de um tempo em taça para mostrar todas as suas virtudes, final de boca em que aparecem as especiarias típicas da casta. Mais uma comprovação de que o Chile é hoje um grande produtor de bons vinhos elaborados com esta casta, tendo este, harmonizado muito bem com o medalhão de filé. Preço ao consumidor de aproximados R$110,00.

      Fritar dos ovos, ou melhor, final de taças porque não sobrou nada, é de que estamos frente a frente com um produtor novo com um terroir especial que está produzindo ótimos vinhos que chegam por preços muito competitivos em todas as faixas de qualidade. Há que se acompanhar, mas eu fiquei muito satisfeito com o que provei, e recomendo aos amigos comprar e apreciar estes vinhos. A BR Bebidas, nosso parceiro, é um dos locais onde seus vinhos podem ser encontrados já tendo, inclusive, dado destaque a estes rótulos no último Boas Compras de Agosto. Em Sampa podem ser encontrados também nos supermercados Empório São Paulo, no Varanda Frutas e na Galeria dos Pães. Cheque endereços e contatos em nossa seção “Onde Comprar” ou chame o pessoal da BrasArt (11-5575.8725) que certamente lhe indicará um local mais próximo de você. Ah, ia-me esquecendo, indo almoçar na Praça São Lourenço, não deixe de pedir um, ou mais, desses vinhos para acompanhar as delicías gastronômicas do lugar. Estes rótulos, ou parte deles, já constam da carta.

Salute e kanimambo.

Quinta Nova na Vinea

Há algumas semanas, tive a grata oportunidade de conhecer melhor o projeto Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e seus vinhos. Luisa Amorim, diretora e propietária esteve presente nos jardins encantados da Vinea Store, onde nos deu a conhecer um pouco de sua história e alguns de seus vinhos. É uma propriedade datada do século XVII, de 120 hectares dos quais 85 com vinhedos em que florescem as castas típicas da região como; Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca e Tinta Cão.  A família Amorim está á frente deste projeto desde 1999, tendo em 2007 produzido cerca de 140 mil garrafas e prevendo, para este ano, algo ao redor de 180 mil. As castas brancas que compõem seus vinhos, são compradas de produtores vizinhos escolhidos a dedo e sob sua orientação.

 

Para a maioria que lê este blog, o nome Quinta Nova não vos será estranho já que sou fã ardoroso de seus Vinhos do Porto Ruby Reserva e LBV, os quais já comentei aqui anteriormente. Os Vinhos do Porto, no entanto, são somente cerca de 10 a 15% do total da produção que, estrategicamente, está mais voltada para vinhos de mesa finos. Após esta degustação e do bate-papo que a acompanhou, creio, que descobri o segredo desta Quinta para fazer vinhos de grande qualidade.

Em um almoço maravilhosamente preparado pela talentosa chef  Fabiola Gouveia com a assessoria de Lílian Barros, cada vez melhores, degustamos um Grainha DOC Branco 2006, um Quinta Nova Douro DOC 2004 e para finalizar o delicioso Quinta Nova LBV Porto 2003. Isto, sem mencionar o incrívelmente fresco Prosecco Incontri com que a Vinea, tradicionalmente recebe seus convidados. Sem duvida nenhuma, uma experiência extremamente prazerosa para o olfato e palato. Sei que querem mesmo é saber dos vinhos então, vamos lá, vamos aos finalmente.

  • Grainha DOC Branco 2006, um surpreendente vinho, de grande categoria e finesse, elaborado com um corte das uvas autóctones Gouveio (25%), Viosinho (25%) e Rabigato (50%) com um teor alcoólico de 13.5%, passando 8 meses em barricas de carvalho francês. De um amarelo brilhante e dourado, possui um nariz de boa intensidade e frescor com finos aromas de frutos tropicais e leve floral. Na boca não é ligeiro apresentando um corpo médio, muito balanceado, de boa acidez e uma certa mineralidade que lhe dão um ótimo frescor, muito agradável final de boca com boa persistência confirmando a fruta e alguma complexidade de sabores. Um vinho feito para acompanhar comida, o que provou dignamente ao acompanhar um delicioso camarão crocante com folhas verdes regadas com vinagrete cítrico. A Fabiola se excedeu desta vez e esta harmonização ficou perfeita. Ando com os brancos na cabeça, mas esta delicadeza de sabores é realmente encantadora. Os amigos presentes sugeriram que o vinho deve escoltar um cassoulet com galhardia, até concordo, mas esse camarão ……enfim, vinho para tomar por mais uns dois anos tranqüilamente e o preço de R$107,00 faz juz ao vinho que é.
  • Quinta Nova Douro DOC Tinto 2004, um vinho totalmente produzido em inox sem nenhuma passagem por madeira, coisa rara hoje em dia, especialmente em vinhos desta categoria. A madeira tanto pode melhorar, como esconder eventuais falhas de vinificação maquiando o vinho e, este,não precisa de nada disso. Um corte de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, sendo que na safra de 2006, esta última cepa foi deixada de lado. Bonita cor ruby viva e brilhante com uma fruta madura muito direta e franca, porém sem exageros novo mundistas, denotando desde o nariz, uma grande elegância. Na boca mostra ser muito harmônico, com taninos finos e sedosos, boa acidez e um saborosíssimo final de boca de boa persistência. Foi muito bem acompanhado por um sirloin steak com purê de abóbora e cebolas carameladas. É um tinto que certamente, também fará muito boa companhia a um bacalhau ao forno, regado com boa dose de bom azeite virgem português e umas batatas ao murro (quem ainda não comeu não sabe o que está perdendo!). O preço de R$75,00 está condizente com a qualidade apresentada, um belo vinho que agradou sobremaneira.
  • Quinta Nova LBV Porto 2003, um néctar, já conhecido, que acompanhou um delicioso mousse de chocolate com purê de castanhas portuguesas. Talvez o Vinho do Porto mais próximo de um Vintage, que eu já tenha tomado. Perfeitamente equilibrado, denso, rico, cremoso, amplo, absolutamente redondo com taninos macios e aveludados, bom frescor e muito, mas muito saboroso. Na cor e no nariz mostra boa intensidade com forte presença de fruta vermelha madura e nuances de chocolate muito bem harmonizado. Um LBV de primeiríssima, cativante e encantador! O preço é de R$122,00 e vale cada gota do doce néctar.

         Estes foram os que provamos, mas a linha de produtos é bem mais extensa. O topo de gama é o premiadíssimo Quinta Nova Grande Reserva 2005 (já na minha Wish List), sobre o qual a critica especializada vem tecendo elogios mil. Elaborado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é, reconhecidamente, um dos melhores vinhos de Portugal na atualidade. Na gama de entrada, a linha de rótulos 3 Pomares, do qual peguei uma garrafa após o almoço para apreciá-la condignamente com calma e tranqüilidade, também dizem ser muito bom e, assim que o tomar, compartilharei com os amigos a experiência. O delicioso Porto Ruby Reserva é outro rótulo imperdível enfim, conheça toda a excelente linha da Quinta Nova entrando no site da Vinea, www.vineastore.com.br e salute!

         Ah, o segredo da Quinta da Nova? Bem, há o de sempre; trabalho duro, carinho, cuidados nos vinhedos, tecnologia, conhecimento, dedicação e terroir, mas estes não são mais segredos. O segredo é que aqui, tem tudo isso com algo especial que é a conjugação perfeita da Touriga Nacional com este terroir, daí os preciosos néctares que têm nesta casta sua principal fonte de sabores e aromas. Tanto é, furo de reportagem (eheheh), que não tardará muito e teremos o prazer de degustar um varietal de Touriga Nacional elaborado por esta Quinta. Este eu não perderei, pois sou louco por um Touriga Nacional em extreme! Para quem quiser conhecer mais sobre a vinícola, pesquei esta matéria sobre a Quinta Nova no You Tube. Mais uma boa reportagem da “Hora de Baco” da Rádio e Televisão de Portugal com lindas imagens da região. A vista do terraço da casa sede, é um bálsamos para os olhos e para a alma. Imagine-se sentado alí com um belo vinho na taça num final de tarde de primavera, ai meu bom Jesus! Essa visita também vai para meu Wish List.

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Salute e kanimambo.

Noticias do Front Chileno

A ProChile é uma entidade do governo Chileno que promove os negócios do país pelo mundo fora. Nesta semana promoveram um evento com vinhos Chilenos em que estiveram presentes diversos produtores, uns com importadores, outros procurando importadores e outros, ainda, debutando no mercado Brasileiro. Falarei um pouquinho sobre o que provei, lamentavelmente sempre menos do que gostaria em função do tempo versus diversidade e quantidade de expositores, começando por aqueles de grande persistência que mais me marcaram, estejam eles já presentes no mercado ou não. Aliás tenho uma tese sobre os vinhos longos, de ótima persistência. Os verdadeiros vinhos de longa persistência, são aqueles que persistem na memória no dia seguinte ou, eventualmente quando excepcionais, por tempo indefinido. Para minha alegria, provei alguns nesta última Terça-feira que me deixaram com água na boca na Quarta, Quinta, …., afora uma série de outros que, mesmo não deixando essa marca de forma tão intensa, são merecedores de destaque e me cativaram os sentidos de uma forma ou de outra. Uma pena a qualidade das taças que não fizeram jus ao evento e aos vinhos provados, unico senão do evento.

 

Primeiramente aqueles de looonga persistência.

Ona Branco 07, uma linha Premium da Anakena que recém trocou de importador e começa a trabalhar o mercado novamente. Estes vinhos são cortes muito interessantes e este branco é campeão. Corte de Viognier (35%)/Riesling(35%) e Chardonnay, possui um nariz exótico e complexo que, de forma coerente se sente na boca. È fresco, balanceado, harmônico, enche a boca de prazer e deixa na boca aquele gostinho de quero mais, Uma beleza, uma fonte de prazer que está por cerca de R$79,00. Sua versão tinta Ona Pinot, é um corte muito agradável, único e diferente, de Pinot, Merlot, Viognier e Syrah. Vinho muito elegante, macio de taninos finos, outro marcante e sedutor campeão na mesma faixa de preços. (Mercovino – 16.3625-4715)

Perez Cruz Quelen 05 um vinho conceito, somente 500 caixas produzidas, com um corte único e criativo. O conceito era pegar as três uvas coadjuvantes nos vinhos de Bordeaux e torná-las protagonistas deste vinho. Grande sacada, e o corte de cerca de 42% de Petit Verdot, 25% de Malbec e 33% Carmenére é divino! Original, complexo, boa intensidade aromática, algo herbáceo, boa concentração e ótima estrutura, harmônico, entra potente e com grande impacto,  amaciando na boca com um delicioso e muito longo final de boca. Um vinho de boutique, raro, um grande prazer e privilégio ter podido degustar um vinho desta categoria. Na Wine Company por R$240 e alguma coisa, não me lembro ao certo e não consta do catálogo. Um vinhaço e uma satisfação enorme! Para quem tiver caixa, imperdível, compre e guarde, só vai melhorar!

Duette Gran Reserva, creio que 06, um verdadeiro achado e um dos melhores custo x beneficio que provei no evento. O produtor é a vinícola Indomita, que produz um Pinot Noir básico muito agradável (já o comentei aqui no blog) e de ótimo preço. Agora nos presenteia com este belíssimo vinho, um corte de Cabernet Sauvignon com Carmenére que passa cerca de 15 meses em barrica. É muito elegante, boa estrutura, ótima acidez em perfeito equilibrio com taninos finos e sedosos, frutos negros, algo de eucalipto e um longo e suculento final de boca. Quem traz é a Barrinha e o preço ao consumidor está por apenas cerca de R$70,00, o que é uma pechincha pela qualidade apresentada.

Botalcura, este é o nome da Vinícola não dos vinhos que comentarei em seguida. Estavam no mercado com um importador, mas cancelaram o acordo e estão em busca de novos parceiros. Os três vinhos que provei foram todos eles de grande qualidade e surpreendentes. Lamentavelmente não tenho preços para repassar, mas espero que, quem venha a trazer estes vinhos, os posicione de forma competitiva. Três grandes vinhos; La Porfia Gran Reserva Cabernet Franc elaborado com uvas de vinhedos de cerca de sessenta anos, formam um conjunto realmente suculento, franco, equilibrado, muito elegante, complexo, longo e sedoso com toda a tipicidade da casta e, acima de tudo, profundamente saboroso. O segundo vinho que provei é um Nebbiolo, diferente dos Italianos com menos potência e maior elegância, num conjunto elegante e aveludado que cativa ao primeiro gole. Leva um tempero de 14% de Carignan, o que o faz um Nebbiolo à Chilena, muito agradável, aromático e macio. Para finalizar, um grande vinho, o Cayao 05, corte de cerca de 45% de Cabernet Sauvignon, 40% de Carmenére, 12% de Malbec e 3% de Syrah. No nariz, deliciosos aromas de fruta madura algo especiado. Na boca é suave, sutil e sedutor num estilo bem velho mundo, porém sem perder a energia e vivacidade que a ótima acidez lhe trás. Taninos finos e elegância ao cubo num vinho impactante e de grande qualidade. Espero que os preços sejam tão bons quanto os vinhos!

 

Outros belos vinhos que encantaram foram os:

Perez Cruz Reserva Syrah Limited Edition 06 / Wine Company / Preço ao redor de R$99,00 um belíssimo exemplar dos bons Syrah Chilenos. Do jeito que gosto dos Syrah, com muita elegância e boa intensidade, levemente especiado num muito agradável final de boca.

De Martino Single Vinyard Sauvignon Blanc 06 / Decanter / Preço ao redor de R$97,00. Um Sauvignon Blanc de muita classe e finesse, dentro os melhores da região.

De Martino Cabernet Sauvignon Gran Família 03 / Decanter / preço ao redor de R$190,00. Grande vinho de reconhecimento internacional, taninos finos e macios, rico, de grande estrutura, potente, ótima concentração, um vinho de guarda de grande qualidade.

Villard Equis Gran Vino 04 Cabernet Sauvignon + Merlot / Decanter / preço ao redor de R$127,00. Nariz contido (ou já tinha cheirado vinhos demais?) mostrando-se todo quando entra na boca com grande intensidade e impacto. Frutas silvestres e algo de pimentão, bem típico dos Cabernets da região. De ótima estrutura, é denso, muito equilibrado, com taninos maduros ainda presentes denotando potencial de guarda.

Antu 06 Syrah 100% / Bruck / preço ao consumidor em torno de R$87,00. Mais um Syrah de primeira, muito harmônico com especiarias bem presentes, algo terroso, saboroso final de boca num conjunto muito agradável e de grande finesse.

Odfjell Orzada Carignan 04 / World Wine / Preço ao consumidor ao redor de R$75,00. Um dos meus Chilenos preferidos vindos de videiras de Carignan com mais de sessenta anos e uma parcela de Cabernet Sauvignon. É um vinho clássico de muita finesse, taninos finos e sedosos, bom corpo, cheio, rico em aromas de boa fruta vermelha madura com nuances de chocolate e baunilha num final de boca extremamente agradável e saboroso.

 

Grandes Achados:

Ochotierras, um produtor novo, recém chegando ao Brasil pelas mãos da Brasart, que comentarei em post em separado na semana que vem, já que fizemos uma degustação específica de toda a sua linha no dia seguinte ao evento da ProChile. Deliciosos vinhos com preços idem.

Estampa Reserva Carmenère+Cabernet Sauvignon+Cabernet Franc 05 / Decanter / R$48,00. Um corte muito bem elaborado e rico. É muito equilibrado, taninos finos, macio e muito saboroso.

Castillo de Molina Pinot Noir 05 / World Wine – La Pastina / R$39,00. Vinho fácil de gostar e agradar. Sem grandes complexidades, nem se propõe a isso, é um vinho muito correto com boa tipicidade, redondo e muito agradável para ser tomado levemente refrescado a cerca de 14º.

Sucre, o campeão desta seção tem seus vinhos trazidos pela Wine Company, num projeto vinícola próprio que começa no Chile, e possui três varietais. Entre estes, se destacam os muito agradáveis e surpreendentes; Sucre Sauvignon Blanc 2008 de aromas intensos com muita tipicidade da casta, ótimo frescor e equilíbrio e o muito bem elaborado, frutado, suave, redondo de taninos finos e muito saboroso Cabernet Sauvignon 2007. São vinhos imbatíveis e excepcionais considerando-se o preço de, inacreditáveis, R$21,66! Vinhos imbatíveis nesta faixa e uma prova de que sim, podem existir bons vinhos por ótimos preços e não me venham com papo de impostos. Estes, certamente, farão parte do meu dia-a-dia.

 

Salute e kanimambo.

 

Endereços e Telefones para contato, encontre na seção “ONDE COMPRAR”

 

Noticias do Front II – Decanter Wine Show

           Bem pessoal, a primeira coisa que quero fazer é me desculpar perante os amigos que não puderam estar presentes a este grande evento e esperavam belas dicas por preços camaradas. Não que não os haja, mas tenho que fazer mea culpa porque, como bom consumidor que sou, deixei-me envolver pelo clima sendo seduzido pelos grandes produtores e grandes vinhos presentes. O controle, foco e força de vontade que tive no dia dos vinhos brancos, perdi quase que totalmente no dia dos tintos. Provei muita coisa boa, de grande qualidade, alguns excepcionais, mas deixei de visitar stands e provar vinhos de produtores mais em conta, com aqueles vinhos que podemos bancar sem grandes sustos financeiros. Enfim, depois falarei com o pessoal da Decanter, quem sabe existirão outras oportunidades? Mas vamos ao que interessa, vamos aos vinhos provados e algumas belas dicas.

  •  Altas Quintas – Um dos muito novos produtores que assolam Portugal. Este é de primeiríssima linha. Afora o João Lourenço, produtor, que é uma pessoa extremamente simpática, a visita me deu um prazer muito grande já que me encantei com o Altas Quintas Colheita 04, um senhor vinho e, na minha humilde opinião, mais interessante que o Reserva. Com 12 meses em Balseiros de 10.000 litros de carvalho Francês, um corte de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet com toda a tipicidade do Alentejo, é cheio, rico, muito equilibrado, de taninos finos e redondos com ótima persistência. Um vinho realmente encantador por cerca de R$131,00.
  • Bouza – Uma das mais interessantes Bodegas Uruguaias com um projeto boutique de vinhos em que se sobressaem; a pequena escala de produção e cultivo, assim como o respeito ao meio-ambiente. Afora querer conhecer seu novo vinho topo de gama, tinha que voltar a provar o Tempranillo/Tannat 06 que é corte realmente diferenciado e muito saboroso, já o tendo recomendado por diversas vezes e custa algo ao redor de R$90,00. Lamentávelmente o Tannat/Merlot  deles, que é dos melhores no mercado, não estava disponível para degustação, então cheguei em casa e matei minha última garrafa, muito bom! O novo topo de gama deles é um corte de Tannat/Merlot e Tempranillo com o rótulo de Monte Vide Eu 05, um dos grandes vinhos do Uruguai, sem duvida alguma! É um vinho retinto na cor, ainda muito fechado, mostra grande potência e taninos aveludados. Nariz complexo de boa paleta olfativa, final de boca longo, é um baita vinho para guardar por mais uns três anos quando suas qualidades devem apurar e se mostrar em toda a plenitude. Um baita vinho por R$241,00.
  • Domaine Antonin Guyon – Um dos que não pude deixar de visitar. Da Borgonha, os dois vinhos “básicos” deles, Hautes Cotes de Nuits Cuvèe e Savigny-les-Baune, são bons mas não chegam a encantar. Diferentemente dos vinhos num patamar mais alto; o Aloxe-Corton 1er Cru Lês Fourniéres 04, um vinho de R$265,00 que tem uma paleta aromática muito boa com bastante tipicidade Borgonhesa, levemente floral, taninos suaves e delicioso final de boca, o Chambolle-Musigny Clos du Village Monopole 04 de R$266,50 que foi uma primeiro rótulo desta AOC a realmente me encantar por sua complexidade de sabores, perfeito equilíbrio, intenso, cremoso e elegante com um longo final de boca e o Volnay 1er Cru Clos de Chênes 05, que se apresentou ainda muito fechado, denso, rico, mostrando algo de frutas negras maduras, um vinho que precisa de tempo e que, lá para 2010 ou 12, mostrará todo seu potencial. Um grande vinho por cerca de R$333,00
  • Domaine Pierre Labet & Chateau de la Tour – Já tinha me encantado com os brancos, e me apaixonei de vez pelos tintos. O Bourgogne Pinot Noir Vieilles Vignes 06, está pronto a beber, linda cor, redondo, muito saboroso e uma boa introdução ao mundo da Borgonha, por R$79,00. O Beaune Clos du Dessus dês Marconnets 06, por outro lado, está totalmente fechado, taninos ainda muito firmes, bastante complexo mas necessitando de uns três anos de guarda para se mostrar totalmente e tem um preço de R$247,00. Num patamar ainda mais alto, um grande Gevrey-Chambertin 1er Cru Fonteny 05, um vinho marcante, intenso, encorpado, algo de frutas negras e nuances terrosas, grande estrutura e final de boca muito longo e agradável por cerca de R$471,00. Para finalizar, um dos melhores vinhos que já tomei, o Clos-Vougeot Grand Cru 05, um baita vinho de enorme complexidade, paleta olfativa exuberante, muita elegância e de uma persistência incrivelmente longa. Pudesse eu pagar os R$908,00 que ele custa, decorrente de reconhecida excelência e baixa produção com somente cerca de 20.000 garrafas para o mundo, e certamente compraria umas duas garrafas para tomar ao longo dos próximos seis anos.
  • Casa Filgueira – Mais um produtor do Uruguai sobre o qual já teci diversas opiniões. Não tinha provado seus brancos, Sauvignon Gris 07 (surpreendente) e Chardonnay Reserva 06, que são bastante saborosos e têm preços bem razoáveis em torno de R$33,00. Gostei muito do Estirpe Super Premium 02, um vinho que somente foi produzido nessa safra, apenas 3000 garrafas, creio que existem muito poucas garrafas disponíveis. Um corte muito interessante de Cabernet Sauvignon / Merlot / Cabernet Franc / Syrah e Pinot Noir com 20 meses de barrica, bastante harmônico, taninos aveludados, ainda demonstrando estar muito vivo com bons anos de vida pela frente. Belo vinho por R$88,50. Produtor de saborosos vinhos e preços idem.
  • Michele Castellani (I Castei) – Vinícola tradicional Italiana e muito simpática. Do básico Valpolicella Clássico Campo Del Biotto 06 por R$47,40 ao incrívelmente delicioso Amarone Clássico Ca’del Pipa Cinque Stelle 04 por R$258,00, só vinhos muito saborosos em que sente a mão cuidadosa do produtor. Gostei muito de todos os vinhos, sendo o Ca’del Pipa extraordinário, mas o Seral Corvina Veronese IGT 04 por R$47,40 também é muito agradável diferente e uma ótima relação custo x beneficio. O Valpolicella Clássico Ripasso Costamaram 04 por R$79,20 é realmente especial e o tinto doce Recioto della Valpolicela I Castei 03 é um vinhaço de primeira linha por R$190,00. Um produtor de muita qualidade com preços muito justos, opção certeira!
  • Nicodemi – Já me tinha encantado com os brancos. Estes vinhos de Montepulciano d’Abruzzo são realmente excelentes custo x benefício sobre os quais falarei mais em Setembro quando chegarmos à Itália, suas regiões, uvas e vinhos. O Montepulciano d’Abruzzo 05, um “básico” delicioso e surpreendente por R$55,00 e o Notári 04 um vinho realmente apaixonante por R$108,00. mais uma bela opção de belos vinhos com preços bem acessíveis.
  • Raka – Da África do Sul dois vinhos do qual gostei muito, o Figurehead 04, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Pinotage e Malbec realmente muito bom, um grande vinho, muito complexo e equilibrado por R$120,00 e o Biography 05 que é um 100% Syrah e um vinhaço de primeira categoria, literalmente impressionante e, com tal qualidade, o preço de R$137,00 nem é caro. Uma surpreendente descoberta e ele ainda nos fez provar um vinho que está por chegar, que é um Merlot muito bom. Para ficar de olho e não deixar de provar.
  • Pio Cesare – Fundada em 1881, esta casa produtora está em sua quarta geração e é referência no Piemonte. Do “básico” Il Nebbio Langhe 06, um vinho muito bom, muito saboroso já pronto a beber por R$105,00 até o genial Barolo Ornato 03, a expressão do terroir dos grandes barolos, um vinho que requer decantar por pelo menos uns 60 minutos e custa R$413,00, eu ficaria com um vinho que me encantou e que tem, na relação custo x befício, um importante diferencial, o Barbera d’Alba Fides 04, de ótima concentração e intensidade, taninos firmes e de grande elegância, acidez correta, boa estrutura e um longuíssimo e saboroso final de boca por R$210,00. Vinhaço, grande produtor e preços idem! Para quem pode, vinhos imperdíveis.
  • Domingo Alves de Souza – Só pela simpatia do Domingos, a visita ao stand já vale a pena. Os vinhos, todavia, também são muito bons e merecem ser provados. Eu gostei muito do Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional 03 com aquele nariz muito típico da casta, boa estrutura e muito redondo na boca por R$190, do Quinta da Gaivosa Douro 03 elaborado com vinhas velhas de mais de 60 anos, que é muito complexo, encorpado, que pede decantação e comida, por R$193,00 , mas me encantei mesmo pelo Porto Quinta da Gaivosa LBV 99, um baita LBV de muito sabor, ótima concentração e frescor, uma delícia ded R$149,50.

Não consegui me debruçar de forma adequada sobre as seguintes vinícolas que acho que valem a pena ser melhor exploradas em função da relação Qualidade x Preço x Satisfação que seu portfolio apresenta; Maison Coquard (Beaujolais), Villard (Chile), Bodegas Callia (Argentina), Azul Portugal e Estampa (Chile). Foi uma bela experiência, e seguimos aprendendo tanto com os acertos, quanto com os erros. Salute e kanimambo!

 

Noticias do Front, agora do Decanter Wine Show – SP

É pessoal, ontem foi o primeiro dia do Decanter Wine Show em São Paulo, e que SHOW! Cerca de cinqüenta produtores com grandes vinhos expostos, o local de primeira e o simpático atendimento já marca registrada da Decanter. Não vou me alongar muito sobre todos os vinhos degustados, o que pretendo fazer durante a semana que vem, porém não poderia deixar de ressaltar algumas sensações muito especiais.

Ontem me debrucei única e exclusivamente sobre os vinhos brancos e espumantes tendo provado alguns vinhos de muita qualidade. Alguns com bons preços e outros em que só conseguimos colocar a boca em eventos como estes já que, com os preços nas alturas, estão longe da maioria de nós pobres mortais. Não entro no mérito, mas que realmente são néctares muito especiais, lá isso são!

Anselmo Mendes – Um grande enólogo e produtor de vinhos verdes na região do Minho (vinhos verdes). Para começar, o já conhecido e saboroso Loureiro Muros Antigos (R$45,40) sempre muito fresco, franco e delicioso. Agora, o Alvarinho Muros de Melgaço 06 (R$135,90) muito especial, passando seis meses em barricas, cremoso, balanceado, sedutor, cheio de sabor, é um grande vinho. O Anselmo, também nos apresentou a um lançamento muito agradável, 3 Rios, só que deste eu falo na semana que vem.

Callia – A Bodegas Callia elabora uma série de bons vinhos por preços bem convidativos que a maioria pode pagar. Este Callia Magna Viognier 06 (R$40,20), é muito bom, bem floral, fresco e muito agradável. Surpreendente para a região.

Chateau Bel Air Perponcher – Da região de Bordeaux, os dois brancos disponíveis são muito aromáticos e saborosos. O Grand Cuvée (R$104,50) com 8 meses de barrica, é muito complexo e de grande finesse implorando por comida, enquanto o Reserve (R$63,30) é muito equilibrado, ótima acidez, sutil e classudo. Duas ótimas opções.

Domaine du Salvard – Aqui, tive a oportunidade de reencontrar o delicioso Cheverny le Vieux Clos 06 (R$63,70), que só confirmou as minhas impressões, já postadas sobre os vinhos do Loire, delicioso vinho por um preço muito justo. Desta vez provei, também o Cheverny L’Hertière 05 (R$149,50) um vinho muito sofisticado que mexe com os nossos sentidos.

Quinta dos Roques – Um importante produtor da região do Dão em Portugal. Este Dão Encruzado 05 (R$89,20) é excelente e uma das boas compras desta mostra. Encruzado é uma cepa autóctone da região que, neste caso, passa sete meses em barrica. Muito balanceado, complexo, cremosos com madeira muito bem equacionada. Se decantado por uns dez minutos, abre-se em deliciosos aromas.

Viña Alicia – Da Argentina, este produtor boutique produz vinhos de grande qualidade que, espero degustar hoje. O branco, no entanto, já provei ontem e é de tirar o chapéu, um vinho surpreendente. Tiara 06 (R$139,15), é excepcional com um nariz fantástico que faz com que um não saiba se “funga” ou se toma o néctar! Depois de devidamente conquistado pelo nariz, a boca só vem confirmar todas estas sensações num inusitado corte de Riesling, Alvarinho e Savignin. Divino e vou repetir a prova hoje!

Nicodemi – Já conhecia o produtor devido ao estudo que venho fazendo para a matéria sobre Itália na semana que vêm. Não havia degustado os brancos que só vieram confirmar minha opinião sobre os vinhos deles. Trebbiano d’Abruzzo 06 (R$48,30), o primeiro contato olfativo não encanta, mas abre-se na taça de forma bastante agradável e fresca na boca, muito saboroso. O Notári 05 (R$67,90), uma seleção especial de Trebbiano com idade superior a 40 anos, é uma maravilha no nariz que confirma estupendamente, na boca, tudo o que promete no nariz. Muito equilibrado, intenso, uma outra grande compra.

Estampa – Talvez a maior pechincha dos vinhos brancos provados e, certamente não só pelo preço. O que faz ser uma pechincha é a relação Qualidade x Preço x Satisfação. Um corte de Viognie/Chardonnay 07 (R$31,00), muito saboroso com o Chardonnay dando a este vinho uma riqueza e acidez que o deixam muito balanceado e agradável de tomar.

Espumante – provei vários inclusive os Champagnes disponíveis. Todos muito bons, mas tem um que já havia provado há dois anos e que confirmou ontem que é dos melhores Proseccos no mercado. Bedin (R$52,90), muito boa perlage fina e persistente, espuma abundante, enorme frescor, muito balanceado e algo que para mim é essencial num prosecco, mas difícil de ver, que é a total ausência de amargor. Comece por aqui, excelentes produtos de várias origens e produtores.

Domaine Pierre Labet-Chateau de La Tour – Difícil descrever estas preciosidades, mais um que vou ter que revisitar hoje ! Produtor de primeira linha da Borgonha, tem em seu portfolio uma lista de rótulos de grande qualidade que vou ter que conferir. Ontem fiquei no Chardonnay Vieilles Vignes 06 (R$75,90), um “básico” de grande qualidade, muito cremoso e saboroso e no estonteante Puligny-Montrachet 1er Cru Champs Gains 05 (R$443,00)! Literalmente estonteante e, se estivesse sentado certamente cairia da cadeira, absolutamente maravilhoso e impactante. Aí você diz; mas com esse preço, só podia! É, deveria, mas nem sempre é assim e eu, ao longo das diversas degustações de que tenho participado, por mais de uma vez tomei vinhos com preços nesse nível e não os recomendei ou comentei neste blog. Este, apesar do preço realmente muito alto, é absolutamente divino e, quem tiver bala para pagar, não se arrependerá da compra. É um elixir dos deuses, um néctar em toda a sua concepção que, só de poder bicar dele, já vale o ingresso e dirigir os 900 kms como o Palma fará na ida a Curitiba. Difícil descrever tanta emoção e satisfação, simplesmente um prazer hedonístico, um deleite para o olfato e papilas gustativas!

             Existem bem mais rótulos de qualidade, eu provei vários, mas estes são os que mais me chamaram a atenção, que mexeram com minhas emoções, que me conquistaram. Acho que este é o papel do vinho, te encantar, mexer com tuas sensações e este rótulos fizeram isso comigo. Salute amigos e, amanhã, falarei dos vinhos que mexeram comigo no dia de hoje.

Juanicó

                É, por este nome do produtor, poucos saberão de que vinhos falarei hoje. Juanicó é nome da vinícola que produz os famosos vinhos Don Pascual, Prelude e Família Deicas, agora está mais fácil não? Já deu para se situar? Pois bem, a Juanicó talvez seja o maior produtor Uruguaio de vinhos finos, exportando cerca de 20% de sua produção e detendo algo ao redor de 35% do mercado Uruguaio com uma produção total de cerca de cinco milhões de garrafas anuais. Apesar de já conhecer alguns de seus produtos como o ótimo Prelude e o excepcional Família Deicas 1er Cru Garage, desta vez tive o privilégio de, não só voltar a tomar estas preciosidades, mas também conhecer a linha básica e uns lançamentos.

  • Don Pascual Viognier Reserva 2005, eis aqui um vinho branco muito agradável, de boa concentração e frescor. Trinta por cento dele passa por barris de carvalho Francês por seis meses. No nariz muito cativante com os aromas de pêssego tendendo a se sobressair. Na boca é cremosos, de corpo médio, acidez controlada e muito saboroso. O preço normal é de R$39,00, mas neste mês de Julho está em promoção por R$32,00.
  • Don Pascual Tannat Roble 2006, uma parte passa por carvalho Francês e outra por Americano dando-lhe características muito interessantes. Um Tannat muito equilibrado, redondo e macio, absolutamente pronto para beber. O Preço normal é de R$45,00, porém nesta promoção de Julho, está por R$39,00.
  • Prelúdio Barrel Select Branco 2004. Lançamento do primeiro Prelúdio branco e um senhor vinho que vem para dividir atenções com seu irmão mais velho, o tinto. Um corte de 90% de Chardonnay, 8% de Viognier e 2% de Sauvignon Blanc. De 9 a 11 meses de barrica de carvalho Francês, elaborado de forma quase artesanal que resulta em somente umas 2500 garrafas disponíveis para todo o mercado. No nariz não desperta, pelo menos para min, grandes euforias. Na boca, no entanto, é bem mais evoluído, complexo, um vinho que clama por comida. Elegante, rico é um vinho de grandes qualidades. Preço R$88,00.
  • Prelúdio Barrel Select Tinto 2002, um corte de Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot e um tico de Marselan. Vinho de guarda com ótima estrutura. Este 2002 apresentou aromas complexos, taninos firmes sem qualquer agressividade na boca, fruta madura, boa acidez, muito equilíbrio num conjunto que preza pela elegância. Já muito bom e, certamente, melhorará ainda mais com mais um ano de garrafa. De R$115,00 por R$99,00.
  • Don Pascual Tannat/Merlot, o célebre corte Uruguaio que vai excepcionalmente bem com uma carne na brasa. Este corte produz um equilíbrio e harmonia tal no vinho, que explica o sucesso que o faz ser um campeão de vendas. Redondo, fácil de beber, um vinho para quem não quer errar. Nos restaurantes, uma escolha certeira.
  • Família Deicas 1er Cru Garage 2000. Produzido em associação entre a Juanicó e a família Magrez, dona de diversos Chateaus em Bordeaux, em especial o Chateau Pape Clement, com uvas de vinhedos de baixíssima produção de onde se extrai algo como meio quilo de uvas por planta o que significa que, para elaborar uma garrafa deste néctar, se usam uvas de três plantas! Já tinha me apaixonado pelo vinho quando de uma degustação de aniversário da Expand e, repetir a experiência foi um enorme privilégio já que este vinho me encanta, é exuberante! Repito o que já tinha comentado antes, uma paleta aromática absolutamente maravilhosa, intensa e complexa. Na boca é potente, mas elegante com taninos finos presentes e boa acidez com um longo final de boca. Não mais uma enorme surpresa e sim, a confirmação de estar perante um grande vinho! Preço especial na promoção. De R$285,00 está por R$248,00. Para quem tem essa grana, não deixe de comprar, não se arrependerá.
  • Licor de Tannat 2004. Um licor produzido à base de Tannat com adição de álcool viníco ao estilo dos vinhos do porto. Bom para tomar  acompanhando uma sobremesa de chocolate ou em vôo solo. Preço R$78,00.

Estes vinhos são de importação exclusiva da Expand. Procure-os em qualquer uma de suas 33 lojas espalhadas por este Brasil afora. Veja telefones e endereços em http://www.expand.com.br/ .

 

Salute e kanimambo.