Degustações

Leonardo da Vinci e Jarno Trulli, Juntos na Santa Ceia

Eheheh, não é sacanagem não, é vero! Três eras juntas, algo imaginável que só poderia ser realizado em nossa Terra Brasilis e em nossa vinosfera! Tá legal, abusei da criatividade, porém é tudo verdade. Jarno Trulli, sim o da Toyota na Formula 1, é sócio de uma vinícola italiana, a Podere Castorani, com atividades em Abruzzo, Puglia e Sicília, e a Cantine Leonardo da Vinci é um produtor bastante conceituado com uma linha bastante ampla de vinhos na Toscana. Ambos são agora importados para o Brasil, com exclusividade, pela Santa Ceia, uma jovem empresa de Valinhos. Agora deixem-me compartilhar com vocês um pouco deste meu encontro com os três.

Primeiramente falemos da Santa Ceia, que são os responsáveis por este encontro de tão ilustres figuras (rsrs). Um sonho do Chef e restauranteur Rogério Bertazzoli (Cantina Família Bertazzoli em Vinhedo) que decidiu dar um tempo às panelas e abraçar uma outra paixão, os vinhos. Para realizar esse sonho, se unio a dois outros amantes do vinho buscando novos desafios; o Ricardo Selmi (Grupo Selmi) e Belarmino Marta (Rádio Campinas) para criar a Santa Ceia em Abril de 2008, uma importadora de vinhos buscando trazer ao mercado vinhos de qualidade com um posicionamento de preços competitivo. Para começar, quatro produtores e três países; da Itália os nossos protagonistas da chamada deste post, a Podere Castorani de Jarno/Enzo Trulli e seus sócios, assim como a Cantine Leonardo da Vinci com seus prestigiados e bem avaliados vinhos da Toscana, do Chile a Torreón de Paredes e da Argentina a linha Zolo da Fincas Patagonicas / Bodegas Tapiz. Tive a oportunidade de conhecer alguns destes bons vinhos que comentarei mais abaixo e, pelo que pude apreciar, creio que é mais uma boa opção para o enófilo consciente que quer bons vinhos por bons preços. É só o inicio de um trabalho que terei imenso prazer em acompanhar, até porque já falam de um bistrô aqui no endereço de São Paulo, e me parece que as bases plantadas são muito boas. Falemos dos Vinhos e seus criativos produtores com um incrível e atraente apelo visual.

leonardo-jarno-045         Os vinhedos da Podere Castorani, vinícola que data de 1793 mas que passou por diversas mãos até que chegou nos presentes 4 sócios, possuem uma idade média superior a 25 anos e são localizados na região de Abruzzo. As vinhas produzem, essencialmente, as cepas da região, ou seja; a Montepulciano, a Trebbiano d’Abruzzo e algo de Malvasia. Possui, também, vinhedos na Sicília e em Puglia de onde vêm, respectivamente, os rótulos Picciò e Scià. Gostei bastante do design da linha Majolica, que nos convida a provar os vinhos.

 leonardo-jarno-041

 

Provei dois dos três rótulos da linha Majolica que tem o Montepulciano, o Trebbiano e o Rosé.

O Montepulciano 07 mostrou bastante tipicidade, com uma paleta olfativa de muito boa intensidade e uma boca bem saborosa, mas de taninos firmes ainda presentes mostrando qualidades porém ainda muito novo. Necessita de decantação ou, pelo menos, mais um ano de garrafa para mostrar todo o seu potencial. Um pouco curto, mas de agradável retrogosto.

O Rosé 07, elaborado com 100% de Montepulciano é de uma cor rosada muito bonita e chamativa. Aromas frutados e frescos de fruta vermelha como cereja e morango, na boca mostra uma certa untuosidade, muito bem balanceado, bom frescor com um final de boca muito saboroso e de média persistência. Ótimo para ser servido a 8º de temperatura como aperitivo ou acompanhando pratos leves.

          Ainda preciso provar os outros rótulos disponíveis, especialmente o Scià, um vinho mais em conta, e os topo de gama, incluindo o Jarno, porém o aperitivo foi muito bom e me abriu o apetite para conhecer mais dos vinhos da Podere Castorani. Estes vinhos provados estão por volta de R$43,00.

         Cantine Leonardo da Vinci, um ilustre representante dos vinhos da Toscana com muito prestigio junto á critica especializada mundial, especialmente a Wine Spectator onde seus vinhos alcançam pontuações bastante altas. Em 1961, trinta produtores locais se uniram para produzir vinhos tendo a partir de 71, também entrado na comercialização para melhor controlar seu destino. Hoje são cerca de 200 pequenos produtores e mais de 500 hectares de vinhas distribuídos pela região de Chianti, Montepulciano e Maremma na Toscana, produzindo vinhos de qualidade sob a batuta do conceituado winemaker Alberto Antonini que já andou pelas bandas de casas famosas como Marchesi Antinori e Marchesi de Frescobaldi. Tendo estudado em Bordeaux e Califórnia, obteve seu doutorado em agronomia, o que lhe permite tratar a terra e o cultivo dos vinhedos de forma diferenciada. É uma ponte entre o clássico e o moderno que se sente nos vinhos elaborados pela casa. Uma das poucas vinícolas a ostentar DOCG em seus rótulos de chianti, somente 24 na região desde 2003, produzindo vinhos realmente encantadores. Das diversas linhas produzidas, provei alguns da linha Leonardo e da linha Vinci que comentarei abaixo, mas mais uma vez me encantei com o design e classe dos rótulos que realmente nos convidam a abrir a garrafa. Lógico que se o conteúdo não acompanhar o design de nada adianta e, neste caso, é um casamento perfeito.

 

 leonardo-jarno-012

Dos vinhos acima provei o Leonardo Chianti, o Maremma Morellino di Scansano, o Vinci Chianti e o Vinci Chianti Clássico. Lamentavelmente a fotografia não é uma arte que domino, mas garanto que os rótulos são realmente muito bem desenhados, clássicos mas com um toque de modernidade, assim como os vinhos.

label-morellino3 Morellino di Scansano 2006, notas frutadas com aromas delicados de ameixas vermelhas. Boca macia, harmônica com taninos finos, macios e sedutores. Um vinho muito fácil de agradar, tendo harmonizado muito bem com uma massa recheada de queijo brie e damascos, coberta com um molho de tomate caseiro. Preço por volta dos R$68,00.

 

label-leonardo Leonardo Chianti DOCG 2007, decididamente um vinho que ainda necessita de decantação, pois ainda se encontra meio viril, precisando ser domado. Depois de uns 40 minutos mostra suas qualidades. Não sendo um blockbuster, é sim um vinho bastante agradável, de boa tipicidade, nariz tímido, de bom equilíbrio na boca, taninos firmes e aveludados com um final de boca saboroso e levemente apimentado. Acompanhou muitíssimo bem umas polpetas com molho de tomate. Preço por volta dos R$54,00.

 

label-da-vinciDa Vinci Chianti DOCG 06, no meu conceito um degrau acima dos demais. Nariz intenso de frutas vermelhas, muito rico, sedutor, cremoso, fruta fresca na boca, taninos finos presentes, redondo, com uma acidez muito boa mostrando toda a sua aptidão para acompanhar um bom prato, neste caso braciola, yummy. De médio corpo e boa persistência, me agradou bastante. Preço ao redor de R$60,00.

 

 

label-vinci-classicoDa Vinci Chianti Clássico DOCG 06, surpreendentemente pronto para o ano, mas mostrando estrutura para guarda de alguns anos mais. Boa paleta olfativa, ótima entrada e meio de boca, final saboroso, de média persistência mostrando muita harmonia e equilíbrio. Taninos presentes, mas de grande elegância, finos e sedosos, muito rico de sabores, um vinho sedutor que dá grande prazer de tomar e nos convida à próxima taça. Este eu tomei acompanhando um bom bate-papo e um queijo parmesão. Com um preço de cerca de R$72,00 foi, para mim, a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer dentro os vinhos que provei.

         Ainda tem os chilenos e argentinos, tem Brunello e Rosso di Montalcino, tem Super Toscano, mas isso deixo para um outro dia. Agora que lhe apresentei aos protagonistas deste post, só me resta recomendar uma visita para conhecer a loja e seus vinhos, mais um que provei e aprovei. Se quiser conhecer mais e visitar um de seus três endereços (Valinhos / Campinas e São Paulo) dê uma olhada em www.santaceiavinhos.com.br. O endereço de São Paulo fica na Rua da Consolação alí próximo à Alameda Franca, local simples e sem frescura com projeto para se tornar um point de encontro para os amantes de vinho na região dos Jardins.

Salute e kanimambo

ViniPortugal II – O Jantar!

            Depois de uma primeira parte em que degustamos vinhos de grande qualidade, eis-nos chegando no jantar que, como já havia dito no post anterior, foi de lamber os beiços, a começar por aqueles acepipes que a incrível chef Helena Rizzo (Restaurante Mani), nos serviu para acompanhar o delicioso espumante da Filipa Pato, o 3b; Raviólis de manga com queijo de cabra, espetinhos de polvo com batata confitada e terrine de foie gras com galletas de uva assa, um mais gostoso que o outro! Mas era só o inicio de uma noite inesquecível repleta de gostosuras!

 

Entrada – Brandade de Bacalhau com geléia de pimentões e azeite de azeitonas pretas. Yummy! Para harmonizar, um Redoma Branco Reserva 05 muito elogiado pela critica especializada, mas que a meu ver, talvez pela harmonização, não se saiu tão bem. O vinho é muito bom, muito complexo, mas é um vinho já com um certo peso que se sobrepôs à delicadeza da Brandade de forma muito impositiva. Preferiria ter visto o Alvarinho aqui, creio que seria a harmonização, para o meu gosto, perfeita. Um exemplo claro de que harmonização é algo bem particular.

 

 

Primeiro Prato – Carne de Sol à Brás com palha de mandioquinha e azeite de coentros. Delicioso prato que teve o acompanhamento de um bi-varietal Touriga Nacional/Pinot Noir 2004 da Casa Santos Lima elaborado na região da Estremadura. Um clássico exemplo da arte de harmonizar. Sozinho o vinho era bom, mas não encantava, com a comida no entanto, foi um casamento perfeito tendo ambos – prato e vinho – crescido muitissímo.

 

Segundo Prato – um verdadeiro êxtase, uma explosão de sabores e harmonização difíceis de esquecer. Um divino Magret de Pato cozido em baixa temperatura com manga e rosas devidamente escoltado por um soberbo Zambujeiro 03 uma das mais recentes estrelas do Alentejo. Um vinho de muita qualidade, um complexo corte de Touriga Nacional, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Trincadeira de grande intensidade aromática, encorpado, denso e de grande concentração, potente com 15º de álcool, porém muito equilibrado de taninos doces e aveludados, um vinhaço! Teoricamente, este encorpado vinho deveria matar a delicadeza do prato, mas não! Para minha enorme surpresa, ambos se complementaram de forma absolutamente maravilhosa.

Fizemos, eu e o Álvaro Galvão, um teste meio aventureiro, fomos buscar no fundo da garrafa, um restinho do Moscatel Roxo 97 que haviamos degustado antes. Algo totalmente diferente e muito prazeroso. Não sei se acompanharia a refeicão inteira, mas foi uma harmonização muito especial e extremamente rica.

 

Sobremesa – Sorvete de gemas com espuma de côco e coquinhos crocantes, delicadeza e sabor que se completaram com um excelente, objeto constante de desejo meu, Madeira Justino Old Terrantez, um vinho da Madeira elaborado com esta cepa (terrantez) quase em extinção. Uma maravilha, após o qual me levantei e beijei a careca, com todo o respeito mestre, do Dr. Mário Telles Jr. sob a batuta de quem ficou a escolha dos vinhos que tomamos, afora seus primorosos comentários que são sempre fonte de grande aprendizado.

 

Uma noite única, um enorme privilégio que recebi como um prêmio pelo trabalho que Falando de Vinhos fez ao longo deste primeiro ano de vida, tanto nas colunas dos jornais como deste blog. Uma noite comprovando a excelente qualidade e versatilidade dos vinhos portugueses, das diversas regiões e da capacidade de todos aqueles que se envolveram no evento; da ViniPortugal, da ICEP, do Consulado, da Fernanda Fonseca (Propop), da Chef Helena Rizzo e equipe do Mani (valeu Felipe) enfim, uma mostra do grande potencial vinícola de Portugal, tanto nas gamas mais baixas como nos grandes néctares. Não existem mais duvidas, nasceu uma nova estrela nesse competitivo mundo dos produtores de vinho e, como já disse a Wine Spectator, Portugal é a bola da vez!

Salute e kanimambo.

ViniPortugal I – A Degustação

Uma das maiores experiências de minha curta, porém intensa, vida enófila e certamente uma que persistirá na memória por muitos anos. Mas o que é a ViniPortugal e que encontro foi esse?

 

viniportugal

 

A ViniPortugal foi criada em 1997 tendo como objetivo principal a divulgação e promoção dos vinhos, aguardente e vinagres portugueses tanto no mercado internacional como no âmbito interno. Na parte internacional, mantém estreita colaboração com o ICEP (Instituto de Comércio Externo de Portugal) tanto através da estrutura externa que esta mantém em mais de 50 localidades no exterior, como através das próprias embaixadas quando necessário. Seu site, com link aqui do lado, tem importantes e detalhadas informações sobre a viticultura em Portugal, informações estas de grande interesse para os enófilos de plantão, especialmente para quem quer aprofundar seus conhecimentos sobre os vinhos, regiões e cepas portuguesas. Para quem curte o enoturismo, nada como entrar na seção Rota dos Vinhos, e viajar pelas diversas regiões produtoras. Incrível como um país tão pequeno pode ter tamanha diversidade, numero de regiões e cepas autóctones!

Dentro as diversas atividades pelo mundo afora, a promoção de eventos e provas junto a membros da imprensa especializada, formadores de opinião e consumidores finais, é uma das principais. No final do ano passado tive o enorme privilégio de ter sido convidado a participar de um de seus eventos, desta feita realizado nas dependências do Consulado em São Paulo. Um bota-fora para 2008 em grande estilo e regado com algumas preciosidades, exemplo do que melhor se faz em Portugal nos dias de hoje. Divinamente organizado pela Fernanda Fonseca (Propop Comunicação e Marketing) o evento se dividiu em duas partes. Na primeira degustamos diversos néctares escolhidos e comentados por um mestre no assunto o; médico, enófilo, critico, diretor da ABS e editor da Revista Wine, Dr. Mário Telles Jr. Na segunda parte, ainda sob a batuta do mestre, um magnífico jantar servido pelo restaurante Mani com a presença da mui competente Chef Helena Rizzo que rivalizou par a par com os néctares servidos. Uma grande noite com vinhos e comidas deliciosas, uma verdadeira esbórnia (não, não é palavrão) enogastronômica.

 

Começo pelo 3b de Filipa Pato que acompanhou acepipes dos mais diversos, todos absolutamente saborosissímos. Foi meu primeiro contato com este espumante que surpreendeu por seu incrível frescor, estrutura e elegância, mostrando boa textura e uma cor levemente salmonada em função da cepa baga. Seduziu-me ao primeiro gole e foi, certamente, um dos espumantes mais agradáveis que tive a oportunidade de provar em 2008, tanto que tenho algumas garrafas na adega.

 

 

Morgadio da Torre Alvarinho 07 – Muita fruta tropical e aromas sutis, algo florais. Cremoso, muito balanceado, ótima acidez bem típico dos vinhos verdes, longa persistência um belo Alvarinho que agradou sobremaneira.

 

 

Quinta do Corujão Grande Escolha 04, um Dão nobre, rubi escuro, complexo, untuoso de boa acidez e taninos finos macios e elegantes mostrando muito boa concentração e estrutura. Já pronto, mas acredito que melhorará muito ainda nos próximos dois para três anos.

 

 

Paulo Laureano Alicante Bouschet 05, um digno representante do Alentejo. Potente, vinho de grande estrutura e ainda bastante fechado mostrando que tem alguns bons anos pela frente antes de atingir seu ápice. Muito rico, denso, macio com álcool ao redor de 14.5º porém equacionado e em equilíbrio, madeira ainda presente e taninos aveludados ainda bem presentes. Um grande vinho que precisa de tempo, bota tempo nisso, para se mostrar.

 

 

Lagoalva de Cima Syrah 05, da região do Ribatejo. Balsâmico, algo terroso, álcool presente no nariz. Na boca é especiado, algo apimentado, copo médio, boa acidez, um vinho que demanda comida. Não deixa de ser um bom vinho, mas não me cativou.

 

 

Quinta do Crasto Touriga Nacional 05, mais uma criança! Um ícone desta Quinta e um dos melhores varietais produzidos com esta nobre cepa portuguesa. Linda cor rubi com toques violáceos, nariz intenso onde aparecem violetas e frutas negras, especiarias tudo em uma enorme complexidade de aromas. Um vinho excepcional que já mostra grande equilíbrio e elegância, muito saboroso com uma textura muito especial e extremamente longo. Quisera poder comprar uma garrafa ou duas e esperar mais uma meia dúzia de anos para me deliciar com este verdadeiro néctar!

 

 

 

Moscatel de Setúbal Roxo 1997 da Quinta da Bacalhoa. Foi um dos meus entronados como Deuses do Olimpo 2008, um estupendo e impressionante vinho! Já me referi a ele anteriormente e, se há vinhos que não se sabe se cheiramos ou bebemos, existe agora uma outra categoria, a dos vinhos para serem lambidos! Absolutamente genial, um vinho doce fortificado, muito cremoso e absolutamente equilibrado entre seu nível de doçura e acidez. MARAVILHA!

        

          Você acha que terminou? Que nada, agora começamos o maravilhoso jantar servido pelo Mani e tenho que tirar o chapéu para esta incrível chef! Que comida maravilhosa e que belos vinhos. Disso, no entanto, falaremos em um outro post, este já está longo demais.

Salute e Kanimambo.

Dr. Loosen

dr-loosenQuem não conhece acha que é qualquer outra coisa, menos o nome de um produtor de vinho. Seu proprietário, Ernst Loosen, tem um jeito diferente de ser com um visual meio cientista e intelectual, um verdadeiro doutor com formação em arqueologia que se viu forçado a assumir os negócios da familia com a aposentadoria de seu pai. Com a mesma determinação e paixão aplicada a seus estudos arqueólogicos, em que mais se interessava pelas pedras da Roma Antiga do que pelo Riesling do Mosel, em 1980 mergulhou de cabeça em um novo e desafiante projeto, o de tocar os vinhedos da familia com mais de dois séculos de história. Após oito anos de estudos, em 88 assume totalmente a vinícola imprimindo sua filosofia de trabalho, projetos e conceitos já que, como ele diz, “os grandes vinhos começam na cabeça”. Os vinhos da Dr. Loosen trazem esse jeito vibrante e apaixonante, mostrando possuir muita elegância, personalidade, são caldos alegres, sedutores e extremamente prazerosos de serem tomados. Longe dos tempos das garrafas azuis, vinhos ralos e sem graça, aqui encontramos o verdadeiro vinho alemão em toda a sua essência e sabor. A Dr. Loosen possui propriedades em outras regiões da Alemanha, mas desta feita tive o grato privilégio de conhecer os vinhos do Mosel, e um de Pfalz, em especial de seus vinhedos em Urzig e região.

          Os vinhos alemães são difíceis de decifrar no rótulo, já que são menos conhecidos, o idioma alemão não é dos mais fáceis e seus vinhos brancos possuem diversos níveis de doçura. Seus vinhos vão do seco (trokken), meio-seco ou off-dry (halbtrocken) até o mais doces (passando por diversos estágios). Na hora da compra, se não conhecer e prestar atenção, fica fácil dançar e falo por experiência própria. Não tanto com relação à qualidade, já que a maioria hoje sendo importada pela principais importadoras é de muito boa qualidade, porém fica difícil de harmonizar um vinho bem doce com seu prato principal ou até como aperitivo ou um vinho seco com sua sobremesa. Ainda preciso falar do vinhos da Alemanha e aí entrarei em detalhes sobre o complicado sistema de classificação deles, porém sugiro se informar bem na hora da compra, especialmente se estivemos falando dos vinhos Riesling.

         Como disse Ernst Loosen, nesta degustação da ABS-SP, enquanto loosen-houseos ingleses recebem seus convidados com um chá da tarde, o alemães do Mosel o fazem com umas taças de Riesling devido ao seu baixo teor alcoólico (7 a 11º) e enorme refrescância. A alta acidez adicionada ás características únicas do solo da região, que lhe aportam uma ótima mineralidade, fazem do Riesling desta região um vinho muito mais leve, suave e delicado do que os da vizinha Alsácia  e permitem que se produzam vinhos doces absolutamente divinos e balanceados mesmo com um alto grau de residual de açúcar. Eu poderia ficar horas falando deste produtor ou encher páginas com informações, mas nada melhor do que você dar uma passada por seu completíssimo site e aproveitar e tomar uma aula sobre os Rieslings do Mosel. Conheça a maravilha do lugar e algumas características da região, seus solos e o que faz esta região ser um ícone quando se fala de vinhos elaborados com a uva Riesling. Preferencialmente, faça isso acompanhado por uma taça de seus vinhos, nem que seja o Dr. L, um vinho mais simples e mais barato, porém delicioso sendo uma ótima introdução a estes vinhos.

        loosen-harvest-1 Para finalizar, sempre me estendo demais quando me entusiasmo com algo, e para mostrar que não existem verdades absolutas em nossa vinosfera, imagine tomar um vinho de 30 anos, branco, sem passagem por madeira, compará-lo com o mesmo rótulo só que com dois anos de idade e você quase não encontrar diferença na cor! Incrível não? Pois este é mais um dos segredos e características dos vinhos da região, como veremos mais adiante, certamente devido á incrível e balanceada acidez originadas nestes vinhedos plantados nas colinas que margeiam o rio Mosel. Com colheita manual muitas vezes executada nas frias madrugadas, é daqui que saem alguns dos melhores Rieslings do mundo e onde a cepa encontrou as condições para exaltar todas as suas sutis nuances e grande finesse. Ernst Loosen soube, como poucos, explorar esse terroir em toda a sua plenitude extraindo alguns preciosos néctares. Mas, falemos dos vinhos degustados.

 loosen-panorama-1

 

Dr. L Riesling Qualitatswein 06

Aromas cítricos de boa intensidade e algo floral, enorme frescor, seco, balanceado, muito leve e agradável, uma ótima opção de entrada ao delicado mundo dos Rieslings. Elaborado, normalmente, com uvas compradas na região buscando oferecer um produto competitivo e de qualidade. Pela relação Qualidade x Preço x Prazer, volta e meia perambula por minha mesa! Teor alcoólico de 9º e o preço está por volta de R$55,00.

 

Urziger Riesling Kabinett 06

De vinhedos com cerca de 60 anos plantados em solo vulcânico vermelho, possui um nariz muito fresco e cítrico. A cor é um palha claro e límpido quase transparente e muito convidativa. Na boca é diferente, algo especiado misturado com fruta, mineral, cremoso e muito vivo na boca com alguma agulha. Vinho sedutor, muito equilibrado com um saboroso final de boca de boa persistência. Com teor alcoólico de 8º custa ao redor de R$110,00

 

Urziger Riesling Kabinett 78 – É isso mesmo, não errei não, 78!

O mesmo vinho de acima, porém totalmente diferente. A cor é impressionantemente similar á do 06, com exceção de que é um pouco mais escura, menos translúcida. Não tivesse os dois ali para comparar, certamente este 78 passaria por um vinho jovem. De acordo com Ernst Lossen, há pouco tempo tinha feito uma prova de vinhos antigos e um 1911 ainda apresentava leve acidez presente enquanto um 37 se encontrava em plena forma. Somente o 1900 estava já quase morto. Não é o mesmo vinho, como não somos aos 50 o que éramos aos 30! Mudou, adquiriu uma outra complexidade, perdeu os cítricos tendo ganho aromas vegetais de cogumelos/fungos e traços de “sous-bois” (matéria vegetal em decomposição), algo muito apreciado pelos especialistas, mas que não chega a me encantar. O final é longo, com a acidez ainda bem presente ressaltando os sabores, corpo médio e consistente. Pessoalmente, prefiro-o mais jovem e cítrico, mas sem duvida alguma é um grande vinho de muita complexidade. Sem preço.

 

Erdener Treppchen Riesling Auslese 06

Um vinho maravilhoso, doce, talvez o que mais me tenha entusiasmado nesta degustação, tendo alcançado status de um de meus Deuses do Olimpo. Muito boa paleta olfativa com forte presença de frutos cítricos. Na boca confirma com uma doçura muito bem balanceada pela ótima acidez e mineralidade em perfeita harmonia. Longo, saboroso, complexo, uma delicia para ser saboreado com calma aproveitando todas as suas nuances e melhor ainda, de acordo com Ernst Loosen, depois de uma meia duzia de anos. Duro é esperar e ficar só em uma garrafa! De vinhedos nas encostas do Mosel em solo de xisto/ardósia, álcool de 7.5º  com o preço por volta de R$138,00 (1/2 garrafa).

 

JL Wolf Pechstein Riesling Spatlese 05

Da região de Pfalz com terroir bem diferente, de vinhedos plantados sob basalto negro que trazem ao vinho características diferentes. Um vinho de mais corpo que é guardado em cave por dois anos antes de ser comercializado. Bem mineral, elegante, macio, meio-doce, concentrado, algo de mel no final de boca. Com 11º de teor alcoólico e um preço por volta de R$125,00

 

          Você poderá encontrar estes vinhos na Expand que é importador e distribuidor exclusivo (Era. A partir de 2011 é a Inovini) da Dr. Loosen. Legal mesmo deverá  ser tomar um desses néctares sentado num terraço olhando o Mösel e os vinhedos, aí sim seria o nirvana!

Salute e kanimambo, ou melhor, vielen dank.

 

Séptima

Final do ano passado tive a oportunidade de degustar, pela primeira vez, alguns vinhos que a Interfood importa, especificamente os da Bodega Septima, da Codorniu Sur na Argentina. Porquê Septima? Porque foi a sétima vinícola do grupo Codorniu, que hoje possui 11 empreendimentos espalhados pelo mundo. Porquê do convite a esta degustação? Principalmente para o lançamento do María, seu primeiro espumante a ser produzido em Mendoza!

Fui pra conhecer a María e descobri um Cabernet Sauvignon muito saboroso que quase, por muito pouco que não entrou, fez parte de minha lista de Melhores de 2008 dentro de sua faixa de preços. De qualquer forma, eis uma geral de todos os rótulos tomados num agradável almoço realizado no simpático e agradável Aguzzo Caffé e Cucina aqui em São Paulo.

maria-codorniu-sur-altaMaría, que já recomendei em meus posts sobre espumantes em Dezembro, é um produto bastante agradável e fácil de tomar, elaborado com um corte de 60% de Chardonnay e uns 40% de Tocai Friulano pelo método charmat. O resultado é um espumante muito aromático, provavelmente em função do inusitado corte com a Tocai Friulano, frutado, de cor muito clara algo pálida e transparente, de boa espuma e perlage fina, abundante e de boa persistência na taça. Na boca é bastante agradável, fácil de tomar, um pouco curto, com uma forte presença gustativa de maçã verde e leve amargor final que não chega a incomodar. Preço ao consumidor por volta de R$35,00.

Septimo Dia Chardonnay 07, bem cítrico e algo de baunilha mostrando estar muito bem balanceado com ótima acidez tendo acompanhado maravilhosamente bem uma endívia com queijo de cabra, tomate cereja e rúcula. O final de boca é bastante saboroso porém a madeira tende a aparecer um pouco quando sobe a temperatura do vinho na taça. Preço por volta de R$56,00.

Malbec Septima 06, cor típica, fruta intensa, o ácool desponta um pouco no nariz. Na boca mostra taninos doces (álcool acentuado porém equilibrado), se não encanta, também não espanta. Um vinho correto básico que vende por volta de R27,00 no mercado.

Septimo Dia Malbec 06, uma outra historia, de uma linha um degrau acima, elaborado com uvas originárias de vinhedos entre 10 a 25 anos que passa 11 meses em carvalho sendo parte em francês e a outra em americano. Com uma cor bem violeta, mostra grande concentração de fruta com algo floral. Na boca apresenta bom volume, corpo médio de boa estrutura, bem equilibrado com taninos firmes porém finos e elegantes de boa persistência. Preço por volta de R$56,00.

Septimo Dia Cabernet Sauvignon 06, para mim o vinho que mais me encantou tendo apresentado uma relação Qualidade x Preço x Prazer muito boa. De bonita cor ruby brilhante, é um pouco austero, puxado para o clássico, com aromas especiados e algo herbáceos. Ótima estrutura, com uma entrada de boca impactante que amacia na boca, textura sedosa de taninos muito bem equacionados com um agradável e saboroso final de boca de muito boa persistência. Um que certamente habitará minha mesa neste ano de 2009 e o preço é justo pelo qualidade oferecida, cerca de R$56,00.

Septima Gran Reserva 2005, um vinho de guarda aberto cedo demais. Está tudo lá, mas ainda muito fechado não mostrando toda a sua exuberância apesar de mostrar enorme potencial. Um corte de Malbec (55%), Cabernet Sauvignon (34%) e Tannat (11%) que mostra grande potência e estrutura, complexo e expressivo, taninos ainda muito firmes e presentes com um final de boca algo tostado. Para quem tiver paciência, um vinho que, pelo preço e qualidade, vale a pena ser guardado por mais uns dois anos quando acredito estará ótimo. Opcionalmente, deixe decantar por umas duas horas. Preço, incríveis R$80, ou por aí perto, por um vinho Gran Reserva. Este gostaria de provar novamente em 2010!

septima-panorama

Um aspecto muito interessante desta jovem Bodega de 306 hectares, comprada em 1999, é a busca por produtos e cepas diferenciadas. Nesta degustação me chamou a atenção o uso da Tocai Friulano no espumante e o Tannat no Gran Reserva, tendo o enólogo (Rubén Calvo) me informado que já se encontram experimentando com a Nebiollo e que a Tannat vem apresentando ótimos resultados. Uma vinícola a se prestar atenção pois inovar é preciso e parece que eles possuem esse conceito no gen. Como eu sou faminto por novidades, acompanharei com prazer a evolução destes vinhos de e com castas diferenciadas.

Por hoje é só, amanhã publico a lista dos Melhores de 2008 entre R$30 a 50,00. Nos vemos por aqui, salute e kanimambo.

Trio da Concha Y Toro

Os vinhos Trio são mais um dos muitos braços da Vinícola Concha Y Toro (VCT), um dos cinco maiores grupos vinícolas do mundo e chileno por nascimento, apesar de alguns investimentos fora do páis natal. O Trio é um conceito, e um vinho que primeiro conheci nos idos de 2002/3. Àquela época, o Trio era um nome basicamente mercadológico elaborado sobre um triângulo “marqueteiro” que juntava Terroir/Enólogo/Clima sendo que, a partir de 2004, esta nova fórmula, em que é elaborado um assemblage de três cepas tendo uma sempre como protagonista e duas coadjuvantes buscando harmonia e equilíbrio, é adotada. Os vinhos são vinificados em separado e somente ao final é feito o corte definitivo com resultados realmente muito bons para um vinho que chega ao consumidor por volta dos R$37 a 45,00 dependendo do lugar e região.

emporio-0023Para comemorar e divulgar as novas safras chegando ao mercado, a Concha y Toro em conjunto com a Expand fizeram um tour pelo Brasil acompanhados do famoso chef Sumito Esteves, venezuelano de renome internacional, em especial na América Latina, que preparou uma série de pratos harmonizados com os diversos Trios apresentados. Evento de primeira e uma bela e diferenciada idéia mostrando que, afora os bons vinhos, a Concha y Toro é também muito boa de marketing. Neste evento tivemos o prazer de provar três versões do Trio, todas muito boas;

  • Trio Chardonnay 2007 – saboroso corte de Chardonnay (70%), Pinot Blanc (15%) e Pinot Grigio (15%) em que as primeiras duas passam por cerca de 10 meses de barricas e o ultimo somente em tanques inox para preservar mais a fruta e a mineralidade que aporta ao corte. Possui um nariz bastante complexo com muita fruta fresca, algo cítrico de boa intensidade. Na boca é cremoso, macio mostrando estar muito balanceado com um frescor muito agradável e um final de boca com leves nuances de abacaxi. A harmonização com um salmão, curado com sal, açúcar e cachaça por 24 horas, que recebe delicioso e suave molho holandês puxado no maracujá, foi perfeita e me agradou muito. Muita delicadeza e finesse nessa combinação bem pensada e executada com primor.
  • Trio Merlot 06 – sempre um dos meus favoritos, e não é de agora. Este, é um corte de Merlot (65%), Carmenére (25%) e Cabernet Sauvignon (15%) que realmente me encanta e, na minha opinião, é o melhor deles. No nariz, uma paleta aromática de média intensidade em que sobressaem frutas negras como amoras e ameixas abrindo-se para algo de chocolate após um tempo na taça. Entrada de boca especiada, corpo médio, boa textura, harmônico e de taninos amistosos e aveludados, redondo, muito saboroso com um final de boca algo mentolado e de boa persistência. A harmonização com uma Massa Dobrada de Cacau recheada com vários tipos de funghi, ficou bastante interessante em função dessa relação aromática do chocolate do vinho com o prato.
  • Trio Cabernet Sauvignon 06 – tendo a Cabernet Sauvignon como protagonista (70%), coadjuvada por Shiraz (15%) e Cabernet Franc (15%), é um vinho ainda um pouco fechado. Apesar da Cabernet Franc lhe trazer um pouco mais de delicadeza, a parte de Cabernet Sauvignon com o Syrah necessitam de um pouco mais de tempo para mostrar todo o seu potencial. Na boca mostra maior potência, um vinho mais denso, concentrado, de muito boa estrutura, suculento, mostrando bom equilíbrio com taninos firmes, mas finos, ainda presentes. A harmonização foi com um frango ao vinho muito bem elaborado, mas achei que foi atropelado pelo vinho. Para meu gosto, creio que este vinho precisa de uma carne mais potente para acompanhá-lo. Quando provei o prato com um resto de Merlot que tinha ficado na taça, ficou perfeito mostrando-se a melhor harmonização do evento.

Opinião: Como já mencionado, os três são bons, mas acho que, talvez até por estar mais pronto, o Merlot é o meu vinho. Por outro lado, foi uma grata surpresa o Trio Chardonnay, tanto é que já comprei para servir na ceia junto com uma salada com salmão e como aperitivo também. Ótimas opções de bons rótulos com preços muito justos e um belo achado pelo preço. Estes, tomei e recomendo sem sombra de duvidas, encaixando-se perfeitamente no conceito de “Bons Vinhos com Bons Preços”. Meus agradecimentos à Concha Y Toro, Expand e Sumito, uma personalidade muito especial e chef inventivo, por um evento muito agradável. Sem contar que a Sandra Schkolnick (Suporte Comunicação), mostrou, mais uma vez, perfeição na realização e administração do evento. Valeu!

Salute e kanimambo.

 

Ps. Uma menção honrosa pelo contra-rótulo das garrafas que demonstram bem o respeito da empresa para com o consumidor, no sentido de lhe prover com informações pertinentes e úteis. Bela idéia, que podia ser levada um passo adiante com algumas informações adicionais como provável pico de consumo e data do engarrafamento. 

 

 

     chardonnay-006

Degustando Argentina II

Bem, afora me ter esbaldado e tomado alguns dos melhores vinhos Argentinos fora do alcance da maioria de nós pobres mortais, tive a oportunidade de também descobrir alguns verdadeiros achados com preços realmente inacreditáveis pela qualidade que entregam e prazer que geram.

 

Trivento, importação da Wine Premium produz alguns vinhos realmente muito interessantes por preço bem camarada. Desde a linha Tribu com um Pinot Noir muito gostoso para o dia-dia por preço ao redor de R$25 e o muito bom Amado Sur por cerca de R$ 45,00, vinhos que já conhecia e já recomendei, provei agora o espumante Brut Nature elaborado com um corte de 60% Pinot e 40% Chardonnay, muito agradável, balanceado e fresco com uma bonita cor decorrente da alta participação da Pinot. Está por somente R$37,00 o que concorre diretamente com nossos espumantes nacionais, e é um produto que me agradou bastante.

 

Bodega Augusto Pulenta da região de San Juan, é mais uma importação da Wine Premium que vale a pena conhecer pela incrível relação Qualidade x Preço x Prazer. Provei um rose de Syrah, mais um, que gostei demais e está por chegar ao Brasil, é o Valbonna Rosé 07 que, apesar de seus 14º de álcool, mostrou um equilíbrio muito bom. Não tem um nariz de grande intensidade, mas na boca é uma delícia, suave, fresco e muito agradável por cerca de R$35,00. A Maria Andréa Pulenta, simpática e bonita representante da Bodega, me explicava que eles estão desenvolvendo um trabalho com a Syrah em San Juan, que começa a apresentar ótimos resultados podendo-se transformar na cepa ícone da região. Tenho que concordar que me parece um projeto muito interessante já que o Valbonna Syrah 2007, um vinho de entrada sem madeira apresentando boa tipicidade no nariz em que afloram frutas vermelhas, é muito saboroso e tem um final de boca muito agradável e especiado. Uma ótima opção para quem quer iniciar seus conhecimentos na uva syrah, ainda por cima porque essa gostosura está por somente R$28,00, imperdível. Possui ainda um vinho top com produção limitada a 8 ou 10.000 garrafas anuais dependendo da safra, 100% Cabernet Sauvignon, por sinal uma marca registrada deles já que todos os varietais são 100%, muito agradável. O Augusto P. 2002, está absolutamente pronto a beber, mas já perdeu muito de seu fulgor e vida, não sendo um vinho de grande guarda apesar de seus doze meses de carvalho e outros tantos de garrafa em cave. É um vinho que deve atingir seu apogeu aí com seus quatro a cinco anos de vida.

 

Cuvelier Los Andes, uma das bodegas do projeto Los Siete na Argentina, uma associação de sete bodegas de investimento francês tendo o Michel Rolland como principal orientador técnico. Tem um Malbec puro que é bom, mas não me encantou. Agora o Grand Vin, corte que tem como protagonista a prória Malbec com 70% a qual se misturam a Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Syrah é um grande vinho, especialmente o 2006 que provei. O 2004 é um vinho potente, quente na boca (15.5º) de grande impacto na boca e taninos finos mostrando boa persistência, mas não me apaixonei. Já o 2006 está estupendo apesar de ainda muito fechado no nariz. Na boca explode em sabores complexos, ótimo corpo de grande estrutura, boa concentração, denso, rico, taninos firmes de muita qualidade e grande elegância. Vinho para decantar por uma hora e se deliciar com toda a sua exuberância. Gamei e está por cerca de R$198,00 na Expand que importa e distribui este rótulo nacionalmente. Parece que o 2006 ainda não está pronto, estando por chegar o 2005, que, de acordo com o enólogo da bodega, está superior. Que venha!

 

 

 

Fabre- Montmayou Patagônia e Mendoza, duas bodegas em um só projeto, produzir bons vinhos extraindo o melhor do terroir de cada região, a preços justos que remunerem adequadamente o produtor mas que permitam que o mesmo seja consumido por pobres mortais como você e eu. Adorei o conceito e adorei os vinhos! Comecei por um estupendo Chardonnay 07, que tanto eu como o Jorge Carrara apostávamos que tinha passado em madeira e teríamos perdido, elaborado com cepas extraídos de vinhedos de cerca de 60 anos, de grande estrutura, nariz intenso de ananás e algo de baunilha (mas sem madeira). Na boca, todavia, aquela sugestão de madeira desaparece, é balanceado, saboroso, um delicioso final de boca e um vinho essencialmente gastronômico. Um dos melhores Chardonnays de Mendoza que já tomei, por apenas R$35,00! Mas tinha mais!! Na mesma faixa de preço um Malbec 05, ainda demonstrando uma certa jovialidade e uma estrutura dificilmente vista em vinhos nesta faixa de preços. O Gran Reserva Malbec 06, um vinho já de outra grandeza que apresenta boca um pouco tostada, bem balanceado e de boa persistência e gostei muito do Gran Reserva Cabernet Sauvignon 04, ambos por cerca de R$59,00, que possui um nariz de boa intensidade, redondo, elegante com leve toque de pimenta num fim de boca muito agradável. O Grand Vin Mendoza 05, é um grande vinho, corte de 85% Malbec, 10% Cabernet Sauvignon e 5% de Merlot, especialmente longo na boca que e precisa de tempo de decantação sendo apenas uma criança tentando dar seus primeiros passos. Um belo vinho que deve estar divino em mais um ou dois anos, fazendo jus aos grandes vinhos de Mendoza.

         Da Patagônia, dois vinhos especiais para o meu gosto; o Barrel Selection Cabernet Sauvignon 2006 mostrando muita personalidade, ótima estrutura, taninos firmes ainda, mas de grande elegância por cerca de R$59,00 e o maravilhoso Merlot Gran Reserva 05, para mim o melhor Merlot argentino que já tomei e, se estiverem pensando num presente para mim, já acharam! Muito complexo, paleta de aromas intensa e gostosa, boca redonda, boa concentração, ótima textura muito harmônico uma delicia para ser saboreado com calma e tranqüilidade usufruindo tudo o que ele tem a oferecer. Por R$98,00, uma bom custo x beneficio num vinho que nos dá muito prazer. Mais uma exclusividade da Wine Premium.

 

Para finalizar, um passeio no meu parque de diversões preferido e, desta vez, com direito ao tratamento completo, Achaval Ferrer. Quem lê este blog com uma certa regularidade, sabe que sou um apaixonado pelos vinhos deles, que possuem uma personalidade muito própria, tendo alguns em minha adega. O Malbec “básico” 07, estava especialmente macio e muito saboroso sempre uma grande opção e desta vez mais pronto que o normal, não há o que falar do Quimera 05 que começa agora a mostrar toda a sua exuberância e os absolutamente exuberantes Finca Mirador 05 e 06. O 2006 está especialmente divino, um grandíssimo vinho com preço idem e se uma boa alma me presentear com uma garrafa, certamente terá minha eterna gratidão. Um vinho realmente extraordinário e inesquecível de enorme elegância e complexidade! Provei também o excelente Altamira, mas o estilo dos Mirador têm mais a minha cara. Não vou nem ficar com muito lero sobre estes vinhos, compre ao menos uma vez uma garrafa do básico, vá do 2007 que está ótimo, e depois conversamos.

         Os grandes achados, Augusto Pulenta Valbonna Syrah, Trivento Tribu Pinot Noir e Fabre-Montmayou Chardonnay. Preferidos que, eventualmente, cabem no bolso, Fabre-Montmayou Patagonia Merlot Gran Reserva e Achaval Ferrer Malbec “básico” 2007. O grande vinho, sem dúvida alguma o Achaval Ferrer Mirador 2006. Os preços podem variar já que esta zorra financeira com explosão da taxa cambial, pode comprometer os preços de importados caso a situação persista e me parece que muitos já aumentaram entre 15 a 20%. Se tiver uns trocados, que não tenham ido na bolsa, aproveite e faça um pequeno estoque preventivo, se ainda encontrar.

Salute e Kanimambo!

Degustando Argentina I

         

           Neste últimos dez dias, tive a oportunidade de provar uma série de vinhos Argentinos. Uns foram verdadeiros achados, outros me surpreenderam bastante, enquanto outros só vieram confirmar a excelência pela qual sua produção é regida.

         Neste primeiro post, falarei da Hacienda Del Plata, de importação da Vinea e disponível na Vinea Store. Alguns vinhos muito interessantes, de boa qualidade e preços bastante convidativos. Três linhas; a básica composta do Sauvignon Blanc 2007, o Reflejo Rosé de Syrah 2007 e o Zagal Malbec 2003; a linha intermediária Arriero Reserva com um Syrah, um Malbec e um Cabernet Sauvignon e o topo da linha os Gran Reserva Mayoral nas versões Syrah e Malbec. Falemos um pouco daqueles que tive oportunidade de degustar.

Me surpreendeu o delicioso Nevisca Sauvignon Blanc 07, advindo de clones italianos e plantados em uma área da vinícola mais baixa e mais quente, a cerca de 600 metros de altitude quando o tradicional é buscas zonas mais frescas. Possui uma paleta olfativa intensa em que aparecem frutas tropicais e algo cítrico. Sem madeira, suave e bem balanceado mostrando bom frescor na boca. Após um tempo em taça, o vinho abriu ainda mais, mostrando aromas algo florais de forma sutil e muito delicada. Gostei muito, ainda mais pelo preço que está em R$38,00.

O Reflejo Rosé de Syrah 07, também me agradou muito, sendo um vinho diferente do que estamos habituados a ver e em que aparece muita framboesa e fruto doce. Este é mais gastronômico porem sem perder o frescor e vivacidade, típicos de vinhos deste estilo. Certamente acompanhará muito bem um peru á Califórnia ou como entrada, como foi o caso, acompanhando uns canapés de carpaccio com pesto e bruschetas de búfala. Legal o preço que também está em R$38,00.

Zagal Malbec 04, um vinho que já tinha dado uma chamada aqui no blog em função de um artigo de Eric Asimov do “The Pour” com link aqui do lado. Vinho de bom nariz com fruta madura e algo floral. Na boca é denso, rico, bem especiado, bom equilíbrio, corpo de boa estrutura, boa acidez, taninos finos, tudo muito correto com final de boca muito agradável e de boa persistência. Qualidade surpreendente para um vinho nesta faixa de preços, R$48,00.

O Arriero Reserva Syrah 2004 apresentou um nariz de boa tipicidade, fruta algo caramelada, bom corpo, entrada de boca firme que arredonda no meio de boca e termina aveludado. Mostrou estar bem balanceado, apesar de seu alto teor de álcool em torno de 14.5º que refletiu num final de boca um pouco quente que não chega a incomodar. Um vinho muito bom, mostrando que a Argentina também possui bons exemplares de Syrah. Preço de R$69,00.

Arriero Reserva Cabernet Sauvignon 2003, para mim um vinho extremamente sedutor e encantador que mexeu com as estruturas de grande parte dos convidados presentes. A meu ver, o grande campeão no quesito Qualidade x Preço x Prazer que, ainda por cima está com um preço muito acessível. Quis comprar, mas ainda não tinha chego do porto, quem sabe você ainda acha! O incrível é que em 2004 o vinhedo foi dizimado por uma tempestade de granizo e não mais conseguiu repetir o mesmo nível de qualidade. É único e não dá para perder. Vinho de muita personalidade, aromas gostosos, taninos doces, boca harmônica, delicioso final de boca, me conquistou, é o meu vinho! Não vou falar muito, compre e confira, duvido que se arrependa. Preço R$ 69,00.

Mayoral Gran Reserva Malbec 2005, vinho de grande potência, ainda jovem, meio amarrado, taninos ainda bem firmes, mas mostrando enormes qualidades que devem desabrochar em mais um ano ou dois. Já o 2004, está pronto, redondo, sedoso com muita fruta, grande equilíbrio, um belo vinho por R$98,00.

No bate papo com o produtor, duas frases importantes que mostram bem o porquê desses bons vinhos:

  • Barricas e tecnologia todos os têm, o que difere um produtor de outro é o pequeno pedaço de terra que cada um possui.
  • Espero que tenham gostado, porque é uma parte de mim.

Logo, logo a segunda parte dessas degustações de vinhos Argentinos.

Salute e kanimambo.

Cosecha Histórica 2007.

Foi com essa chamada que fui gentilmente recebido pelo pessoal da Concha Y Toro que apresentou seus vinhos da Casillero Del Diablo 2007 ao mercado. Vinhos já conhecidos de boa parte do consumidor Brasileiro, que chegam pela primeira vez pelas mãos do próprio produtor depois de muito passear por mão de terceiros  e já chega arrebentando a boca do balão, coisa do capeta mesmo, pois os vinhos estão realmente muito bons. Grandes safras necessitam de pouca chuva, especialmente na época da colheita, temperaturas mais apenas e mais homogêneas sem grandes picos e baixa produtividade gerando uvas de maior concentração. Pois bem, os astros se juntaram em 2007 e produziram no Chile uma das melhores safras de todos os tempos e, “para variar”, num ano impar!

Uma primavera fria conteve o entusiasmo das plantas em produzir excessivamente, chuva no verão refrescando os vinhedos e um outono cálido que permitiu um melhor amadurecimento das uvas. Resultado final; quase 30 por cento de redução de volume de uvas produzidas, temperaturade cerca de 10 por cento abaixo da média e 25  por cento menos de chuva na época da colheita gerando vinhos Premium de grande concentração, teor alcoólico mais baixo, muito suaves, de taninos finos e maduros mostrando muita elegância. Os varietais tintos da Casillero del Diablo, mostram tudo isso com muita personalidade e foram especialmente abençoados.  Nós consumidores idem, porque podemos desfrutar desses bons vinhos sem que para isso precisemos estourar nossos orçamentos já que estarão no mercado por preços que variam de R$30 a 35,00 dependendo do local de compra.

São cinco os varietais que nos chegam ao mercado e que tive a oportunidade de degustar; Merlot, Malbec, Carmenére, Syrah e o Cabernet Sauvignon. Todos muito bons, mas a meu ver três se destacam e me chamaram a atenção.

Merlot, sou um amante dos nacionais e sempre tive alguma dificuldade em encontrar rótulos chilenos que me agradassem. Pois bem, minha busca cessou, achei! Este Merlot está muito bom, muito suave e elegante, bem frutado com boa paleta aromática, fresco, daquelas garrafas que certamente acabarão rápido demais deixando aquele gostinho de quero mais na boca. Rubi intenso, opaco, denso, rico e muito harmônico com um saboroso final de boca de taninos maduros e sedosos. Um vinho sedutor, fácil de agradar e ablutamente pronto a beber.

  • Malbec foi uma enorme e grata surpresa, até porque é novidade por estas bandas. Prima pelo equilíbrio, boa textura, nariz de boa intensidade em que a fruta, madeira e especiarias se mesclam em perfeita harmonia. Na boca é rico, de taninos finos e aveludados, corpo médio, suave, muito elegante apresentando uma boa e agradável persistência com algo de caramelo ao final. Muito bom, pronto para beber, mas mais um aninho de garrafa só lhe fará bem.
  • Syrah é um vinho de mais corpo, maior estrutura e só vem confirmar o que venho falando sobre as qualidades dos vinhos chilenos produzidos com esta cepa. No nariz apresenta fruta madura com algo de especiarias mostrando boa tipicidade. Na boca ainda está um pouco fechado, muito rico de sabores, taninos firmes, porém finos e bastante sedosos mostrando boa integração sem qualquer agressividade. Um vinho cativante, de boa complexidade, longo que certamente escoltará maravilhosamente bem um belo pedaço de picanha. Um vinho que já está bom, mas crescerá muito ainda por pelo menos mais uns dois anos quando a elegância deverá se sobrepor a uma certa virilidade jovial do momento. Uma verdadeira pechincha pelo preço e um dos grandes achados do ano.

         Não é da Cosecha Histórica e sim de 2008, então teoricamente não deveria estar por aqui, mas não resisti. Provei o Sauvignon Blanc 2008 com screw cap, fechamento usado por eles nos vinhos aromáticos, de que gostei muito. Muito intenso no nariz e muito fino na boca onde apresenta bastante frescor, algo cítrico e uma certa mineralidade que me agradou muito. Na mesma faixa de preços dos tintos, mais um que certamente visitará minha mesa com uma certa assiduidade.

           Para quem, como eu, gosta de conhecer um pouco mais da história por trás do vinho, a Concha Y Toro é o maior grupo produtor de vinho no Chile, com vendas, somente da linha do Casillero del Diablo, de cerca de 3 milhõres de caixas, dos quais aproximadamente 18% é de brancos. Com 95% da produção exportada, só o Cabernet Sauvignon, que é a grande mola propulsora de toda a linha, responde por um total de 33% da produção e vendas. Está entre os dez maiores grupos vinicultores mundiais, com uma vasta e ampla linha de produtos sempre muito bem posicioanda do ponto de vista da relação Qualidade x Preço x Prazer. Números impressionantes e incrível  como conseguem manter este padrão de qualidade com tamanho volume de produção! Mas de onde vem um nome tão incomum para um vinho? Diz a lenda, que foi Don Melchor, fundador do grupo, que nos idos do século 19 no intuíto de coibir roubos de suas mais preciosas garrafas que alí envelheciam, lançou o boato de que em suas caves mais profundas habitava o demo. Aparentemente funcionou, tanto que os roubos cessaram e até hoje seus melhores vinhos envelhecem nessas caves. Casillero del Diablo ou “Cave do Diabo”, na verdade, tornou-se foi uma benção para nós consumidores àvidos de bons vinhos por bons preços. Gracias Don Melchor

Salute e Kanimambo!

Marqués de Murrieta, Rioja na Veia.

Bem, confesso, sou suspeito para falar, porque é um dos meus produtores preferidos já tendo elogiado bastante o Reserva 2002, a tal ponto que no dia dos pais, recebi uma garrafa de presente. Estupendo vinho com preço bastante acessível. Pois bem, agora conheci um pouco mais da história por trás do vinho, provei outros vinhos e minha admiração só cresceu. Dos clássicos Riojas, agora só me falta conhecer os vinhos da Tondonia que o amigo Luiz Horta tanto curte. Ainda chego lá!

O atual gestor é o Conde Vicente Dalmau Cebrián-Sagarriga y Suarez-Llanos, nome pomposo para uma pessoa extremamente agradável e destemida. Em 1983 a empresa com mais de 160 anos de história passava por dificuldades, tendo sido comprada pelo pai de Vicente, que faleceu precocemente aos 47 anos, tendo a empresa caído no colo dele que, nesse momento tinha parcos 24 anos. Após um curto tempo de estudo e análise, optou por revolucionar a empresa, nomeou como enóloga chefe Maria Vargas, também uma jovem de 25 ou 26 anos, trocaram gente, investiram e conseguiram, quando todos achavam o contrário, transformar o conceito do clássico sem perder as raízes e essência de Murrieta construída ao longo de mais de século e meio de história. Tinha tudo para dar errado, mas deu foi muito certo! Investiram mais de USD70 milhões nessa revolução de gente e vinhedos, e os vinhos estão aí para mostrar o acerto do projeto. São somente cinco vinhos que buscam, não só qualidade, mas especialmente personalidade com uma produção total de cerca de um milhão e quatrocentas mil garrafas produzidas. Os vinhos são de importação e distribuição exclusiva da Expand, de quem partiu o amável convite para conhecer estes belos vinhos. Falemos então dos vinhos degustados.

Fora da Rioja, em Rias Baixas na Galicia, com produção de somente 10.000 caixas anuais, vem o Palácio de Barrantes 2006, um Albariño de primeiro nível. Vindimado à mão, cinco meses em tanques de inox e três em garrafa, abriu muito bem na taça exalando gostosos aromas de frutas secas. Na boca é cremoso, denso, boa estrutura, untuoso e muito bem balanceado com um final de boca de boa persistência. Um belo vinho, de bom frescor que agrada sobremaneira e está nas lojas da Expand por R$120,00.

Uma vez um enólogo Português me confidenciou que, sua fama tinha sido construída de forma muito eficaz, em cima de um parâmetro básico, somente produzir grandes vinhos de restrita quantidade. Posteriormente um outro, desta feita francês, também me deixou claro que elaborar grandes vinhos em quantidades limitadas é relativamente simples se a matéria prima for boa. Não entendo disso, mas entendo de lógica e a colocação faz todo o sentido. Quanto maior o volume de produção, mais difícil será manter os níveis de qualidade. Pois bem, dos um milhão e quatrocentas mil garrafas de produção anual, cerca de 1 milhão e trezentos mil são de um só vinho o Marqués de Murrieta Reserva, e que vinho! O de 2002 que era o que conhecia, é um estupendo vinho e um excelente custo beneficio já que o preço anda ao redor de R$128,00. Incrível fazer um vinho desta qualidade numa safra tão ruim como a de 2002 na Espanha (na Itália também) e em tamanha quantidade, porém o vinho é divino demonstrando a enorme capacidade da bodega e sua gente. Este Marqués de Murrieta Reserva 2004, conseguiu superar o 2002 inclusive pelo fato de que foi uma grande safra na Espanha. Um corte de 91% de tempranillo, 3% mazuelo e 6% garnacha vindo de parcelas do vinhedo com idade média de 36 anos. Especiado, levemente amadeirado, na boca é sedoso, rico em sabores, complexo, muito elegante, ótima textura e incrível final de boca de longa persistência. Um grande vinho por um preço realmente convidativo.

Castillo Ygay 2000 Gran Reserva, as jóias da coroa, o top de linha desta bodega elaborado com 87% de tempranillo e 13% de mazuelo, que nos chega agora depois de 3 anos de barrica e 4 anos de garrafa. Nariz muito intenso, fruta confitada e evoluída mostrando aromas complexos meio oxidados típicos destes grandes Riojas clássicos. Taninos finos, aveludados, uma entrada de boca impactante que termina muito longo e marcante. Um vinho clássico, de muita personalidade, com uma produção anual de apenas umas 80 mil garrafas, que está nas lojas por cerca de R$330,00.

Para finalizar um outro branco, desta vez o Capellania Reserva Blanco 2003, só que este é uma outra história e bem que tinha estranhado que tivessem deixado este vinho para o final. É um branco muito diferenciado, muito bom, porém não muito fácil de beber. A principio, um vinho para paladares experientes, pois é um vinho branco de grande complexidade, algo resinoso, untuoso, denso, de grande estrutura, muito rico de aromas algo oxidados lembrando jerez. O Vicente sugeriu tomá-lo com um prato de rabada, e achei muito interessante, deve ser uma harmonização maravilhosa. Produzido com a uva Viura, de difícil trato, meio insípida quando jovem, mas que quando estagia em carvalho cresce muito, ganhando grande complexidade e, neste caso, são 9 meses em carvalho americano e 9 em francês num mix de barricas novas e usadas. Um vinho complexo, difícil e muito saboroso de se tomar, especialmente com comida. Na Expand por R$115,00.

Todos excelentes vinhos, mas a meu ver, certamente o Marqués de Murrieta Reserva guarda a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer e o 2004 realmente imperdível!

Salute e kanimambo.