Degustações

Bodega Chacra – Pinots Surpreendentes!

                    Aos amigos amantes de bons Pinots fica uma pergunta, você conhece? Não, então não deixe de conhecer este que não é só o melhor Pinot Noir da Patagônia e sim, quiçá, da América do Sul. Vinhos de primeiro nível mundial com um estilo “borgonhês” de ser, deixando muitos deles enrubescidos, que tive o privilégio de tomar e que comento com vocês aqui abaixo. Em um encontro com almoço delicioso e muito bem harmonizado no Emiliano, a convite do novo importador e distribuidor da marca, Expand, provamos o Barda, o Chacra 55 e o Chacra 32. Antes de falar dos vinhos, no entanto, falemos de quem o produz. 

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       “Incisa della Rochetta” é um sobrenome de grande respeito em nossa vinosfera já que essa família é, nada mais nada menos, do que a “criadora” do ícone “Sassicaia”. Pois bem, é de Piero Incisa della Rochetta; um afortunado, criativo e apaixonado jovem que em 2004 decide comprar alguns vinhedos abandonados com vinhas datadas de 1932, a idéia de investir na “criação” de um vinho de terroir com manejo biodinâmico no longínquo Vale do Rio Negro na Patagônia. Os vinhos são elaborados artesanalmente, sem nenhum processo mecânico ou químico em seu processo de produção, com as uvas sendo colocadas inteiras, sem espremer, no barril de fermentação onde o próprio peso das uvas acaba fazendo esse trabalho. A fermentação é iniciada espontaneamente através de leveduras selvagens formando uma camada de dióxido de carbono que não é retirada nem empurrada para baixo. Uma vez que a fermentação alcoólica se completa, o vinho é transferido sem as cascas para pequenos barris de carvalho através de gravidade. Após a fermentação malolática em barril, em aproximadamente 6 meses, o vinho permanece intocável por um período de cerca de 12 meses, dependendo do vinho,  após o qual o vinho é engarrafado sem filtração. Resultado? Vinhos “single vineyard” de excepcional qualidade, extrema elegância, um verdadeiro retrato de um terroir muito especial e uma grande demonstração da globalização no mundo do vinho em que, um produtor italiano com um enólogo dinamarquês (Hans Vinding Diers) produzem vinho de cepa originariamente francesa na remota Patagônia Argentina.

 

Barda 07 – o “básico” da linha de somente três rótulos. Vinhedo chacras-barda1com 12.5 hectares de 15 anos de idade, produz hoje cerca de 20.000 garrafas. Um vinho sedutor que conquista já na cor, muito antes de chegar no nariz e boca. Cor rubi suave, translúcido com aquele jeitão de vinho da Borgonha, nariz delicado, frutado com suaves toques florais. A entrada de boca é cativante com fruta fresca, um frescor sutil, que mostrou ser característica de todos os vinhos, saboroso, taninos sedosos, redondo, média persistência, vibrante, suculento e extremamente agradável de tomar. Tinha 3 garrafas na adega que me foram oferecidas por um amigo argentino e esperava por uma maior guarda antes de abri-las. Depois desta degustação já só ficaram 2 e as outras não devem permanecer por mais tempo ali! O vinho está absolutamente pronto apesar de achar que pode melhorar com mais um tempo em garrafa.Só para efeitos de prova, “dever profissional” e para satisfazer minha curiosidade enófila, guardarei uma para tomar daqui a um ano. Preço na Expand, R$130,00.

Chacra Cincuenta y Cinco 07 – elaborado com uvas dos 5 hectareschacras-551 de vinhedos plantados em pé franco em 1955 (ano bom esse, rsrs) e uma produção total de apenas 9.255 garrafas. Talvez a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação dos três. Um degrau acima em todos os aspectos, tanto nariz como em boca, tendo se mostrado mais evoluído, pedindo tempo apesar de já estar muito apetecível. Aromas de fruta vermelha madura, talvez ameixa, com uma maior intensidade floral. Da taça para a boca, um mineral mais presente, bastante fresco e equilibrado, muito rico, de maior corpo sem negar seu estilo de elegância, boa textura com taninos aveludados, um final de boca bastante longo, fino e agradável que nos convida à próxima taça. Um belo vinho, com preço de R$180,00. 

 

chacras-32Chacra Treinta y Dos 07 – elaborado com aqueles primeiros vinhedos plantados em 1932 que eles veem recuperando aos poucos. São somente 2.2 hectares de vinhas e uma reduzida produção de apenas 7.445 garrafas por safra. Talvez o mais complexo de todos e, muito interessante, tivemos a oportunidade de provar de duas garrafas. A primeira aberta no almoço e a segunda aberta no final do dia anterior e guardada em garrafa somente com rolha sem vacu-vin. Pela ausência de produtos químicos, o vinho se mantém por muito mais tempo sem “ajudas” externas. São os mistérios, ou não, advindos de uma produção biodinâmica. Mostrou-se um vinho bem mais complexo de boa concentração aromática, muito harmônico, taninos finos de grande elegância, vinho de grande expressão que, caso fossem essas na minha adega, lá permaneceriam por mais uns dois anos antes de sorver de todo o seu esplendor. É um vinho de grande persistência e retrogosto algo especiado, ótima estrutura com bom volume de boca, mas sem perder a finesse, taninos firmes e sedosos mostrando que ainda terá alguns bons pares de anos pela frente. Acho o preço puxado, mesmo para um vinho desta qualidade, R$420,00

     

Nunca tinha provado Pinots desta categoria vindos da América do Sul e fiquei realmente impressionado, entendendo melhor o porquê dos preços, mesmo de um vinho produzido por estas bandas, ainda por cima por ser biodinâmico o que acarreta custos mais elevados de produção. Lição aprendida, “concentre-se no conteúdo não na origem ou no rótulo“! Difícil dizer qual o mais interessante; se o Treinta y Dos, de grande complexidade, mas de preço muito alto; se o Barda extremamente amistoso e sedutor ou se o Cincuenta y Cinco que me parece exatamente a otimização dos dois com um preço bastante interessante para o porte do vinho já que existem muito poucos Pinots no mercado, de qualidade similar, a esse preço. Qual comprar creio que seria uma opção baseado em um mix de; disponibilidade de caixa com ocasião e companhia adequada. Que Baco lhe ajude nesse processo que, acredite, não é fácil pois os vinhos são realmente estupendos, cada um a seu modo, e merecedores de sua escolha.

Salute e kanimambo.

Vinhos de 99 na Portal dos Vinhos

Só vinhos com 10 anos de idade, uma degustação para ninguém botar defeito. Os amigos Emilio e Fátima possuem um rico calendário de degustações em sua loja, que vale a pena as pessoas se programarem porque são concorridíssimas. Esta foi uma coletânea de vinhos de diversas regiões e estilos que, na minha opinião, teve um surpreendente ganhador da noite, ainda mais porque foi voto quase que unânime das mulheres presentes. Falemos dos vinhos, no entanto, para depois falar dos resultados.

  • Chambolle-Mussigny de Domaine Jacques Confuron – Bonita cor granada já tendendo ao atijolado, halo aquoso avantajado mostrando claramente sua idade. Aromas sutis de couro, café, na boca se apresenta com bastante complexidade, bem equilibrado tendo alcançado seu apogeu e já iniciando seu derradeiro caminho. Muita elegância e finesse num vinho que mostra bem as características desta região da Borgonha.
  • Cabo de Hornos – chileno, ícone dos vinhos produzidos pela Vina San Pedro mostrava uma cor rubi com bordas granada e um halo aquoso presente, mas menor do que o anterior. Nariz mais frutado e intenso, ameixa compotada. Na boca um vinho direto, franco, mostrando pujança apesar de sua idade, taninos muito bem equacionados que se sentem na entrada de boca,mas que harmonizam em perfeito equilíbrio terminando num vinho longo e bem saboroso que após algum tempo de taça mostrava deliciosos aromas de chocolate. 
  • Quinta da Portela da Vilariça Touriga Nacional – um português castiço, violáceo na cor e algo balsâmico nos aromas intensos de boa fruta mas sem mostrar aquele floral típico da cepa. Na boca ainda se mostra firme, talvez o mais jovem de todos os senhores presentes, mostrando taninos firmes, algo rústicos, mostrando que, mesmo com 10 anos de vida, agüentaria uma decantação mais prolongada ou mais dois a três anos de guarda para atingir todo o seu potencial.
  • Capafons-Ossó Mas de Masos, da região de Priorat na Espanha – rubi escuro, também bastante jovem apesar da idade, mostrando uma cor ainda bastante escura, rubi intenso. Na boca é denso, de grande estrutura, muito rico e de personalidade muito própria, madeira presente, porém bem equacionada, especiarias, fruta bem madura, grande concentração e um final longo e algo mineral. Vinho potente com 14,5% de teor alcoólico.
  • Livio Pavese Barolo o representante do Piemonte nesta degustação – cor ruby com reflexos alaranjados, mais um que precisava de tempo em decanter para se abrir. Muito saboroso, mas ainda pegando na boca com uma certa austeridade, taninos finos e aveludados, final de boca de boa persistência com um certo amargor. Não me encantou e acho que precisa de tempo. Vinho do qual esperava mais.
  • Roccato de Roca Delle Macie, um digno representante da Toscana – ainda está por aparecer um vinho deste produtor que eu não goste. Este mostrou grande complexidade, uma textura de boca encantadora e plena de sabor com taninos firmes, porém de grande elegância, algo terroso e tostado com aromas de fruta madura, um vinho de muito longa persistência que encanta ao paladar. Na minha opinião o mais equilibrado de todos os vinhos da noite, mostrando um ótimo volume de boca e uma relação potência x elegância deveras interessante. Certamente melhorará mais ainda com um ou dois anos de guarda, mas já é muito saboroso e apetecível.

         Para minha enorme surpresa, o ganhador da noite com o suporte maciço da ala feminina presente foi Mas de Masos do Priorat, o mais potente, de maior estrutura e, a meu ver, alcoólico de todos. Essa sensação de quente que ele deixa no final de boca, me fez, inclusive, tirar-lhe um ponto. Interessante o resultado e para mostrar o quão subjetivo pode ser uma degustação já que gosto é algo difícil de definir e muito pessoal. No meu caso, para quem tiver curiosidade, deu Roccato na cabeça, por uma margem de dois pontos, seguido de Chambolle-Mussigny e Cabo de Hornos só para mostrar minha diversidade gustativa!

         Pegando minhas avaliações da noite, tenho que ressaltar que o amigo Emilio não mede esforços para nos surpreender e colocar à prova vinhos de muita qualidade. Entre o mais pontuado (91) e o menos (87), apenas 4 pontos de diferença o que demonstra o bom nível dos vinhos apresentados. Por outro lado, uma demonstração de como não existem regras absolutas em nossa vinosfera e de como a relatividade impera. O Emilio foi absolutamente correto ao abrir as garrafas na hora de servir, decantando para evitar borras e servindo em seguida após leve passagem do decanter pelo gelo para refrescar o vinho trazendo-o à temperatura adequada. São vinhos de 10 anos de idade e não convinha exceder o tempo de decantação. Três vinhos, no entanto, se beneficiariam muitíssimo de uma meia hora ou quarenta minutos no decanter. Vai saber, só experimentando mesmo!

       Salute e para quem se entusiasmou com esta degustação, não deixe de clicar no logo acima com link direto para a Portal dos Vinhos onde você encontra a agenda, até junho, de outras deliciosas degustações temáticas. Se preferir, clique aqui.

Salute e kanimambo.

 

Brancos & Rosés – Vinhos que Tomei e Recomendo entre R$50 a 80,00

Demorei, mas cheguei nos finalmente. Tanto que as garrafas vazias, como de praxe, que estavam sendo guardadas para a foto, a minha assistente do lar deu um fim nelas! A solução foi correr atrás de imagens na rede para fazer uma montagem. Enfim, o que importa, de qualquer forma, são mesmo os comentários do vinho então, tudo bem. Normalmente minhas faixas vão até R$120 (de 80 a 120), mas neste caso, parei em R$80,00 já que somente tive uma única prova acima deste valor, o estupendo Albariño Don Pedro de Soutomaior 07 (Peninsula), que tratarei com a devida vênia nos posts sobre a minha maratona de aniversário que publicarei dentro de alguns dias, e dentro do contexto de vinhos de verão refrescantes, acho que a seleção apresentada está de bom tamanho.

Entre os posts Tomei e Recomendo, Vinhos da Semana e Desafio Torrontés, foram cerca de 62 vinhos comentados entre brancos e rosés para todos os gostos, estilos e bolsos. Ainda me falta terminar um especial sobre Vinhos Verdes brancos, sim porque os há tintos, que espero publicar muito em breve. Espero que todas essas informações lhe possam ser úteis e finalizarei este tema com a elaboração dos vinhos Branco & Rosés provados que comporiam a minha adega. Agora falemos dos vinhos entre R$50 e R$80 que tomei e recomendo que não são muitos, porém são muito bons, com uma mineralidade que me empolga e os marcados com asterisco são os meus favoritos.

 

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Brancos – Alguns vinhos surpreendentes que realmente fizeram a minha cabeça. Começando pelo estupendo Protos Verdejo 07* (Península) da região de Rueda na Espanha, um vinho vibrante e sedutor dotado de enorme frescor, cítrico, saboroso e longo, que já comentei em maiores detalhes em post anterior, que deixa-nos aquele retrogosto muito especial de quero mais! O Rutini Chardonnay 07* (Zahil) da região de Mendoza na Argentina, traz uma surpreendente mineralidade que me encantou tanto nos aromas como no paladar, possuindo um estilo mais leve, delicado e sedutor com aromas de frutos tropicais e grande equilíbrio de boca com um final de boa persistência lembrando frutas brancas e nuances suaves de baunilha, um belíssimo vinho de muita finesse. Do Chile, o Caliterra Tribute Chardonnay 06 (Wine Premium) fermentado Sur Lie, mostrou uma paleta olfativa gostosa em que se destacam baunilha e algo de abacaxi, enquanto na boca mostrou ser muito balanceado, macio, algo cremoso mostrando boa acidez e boa estrutura com corpo médio, um belo vinho que pede comida e o muito interessante Concha y Toro Riesling Winemaker´s Lot 06 (Expand) algo floral no nariz, bem cítrico, seco, intenso, corpo médio, ótima acidez com uma mineralidade muito presente num final de boca longo e muito saboroso. Da Alemanha, temos um vinho muito especial e introdução aos grandes, finos e inebriantes Rieslings alemães, é o Dr. L 06* (Expand) o vinho “básico” da Dr. Loosen de aromas cítricos sutis e algo florais, enorme frescor, seco, balanceado, de enorme mineralidade, muito leve e agradável, um vinho de grande delicadeza, absolutamente sedutor e, completando este painel, o Aspire Sauvignon Blanc 06 (Expand) da Nova Zelândia, um vinho que possui toda a tipicidade e intensidade dos elaborados com esta cepa nessas terras distantes, mostrando aromas de frutas tropicais com algo de grama molhada num conjunto muito agradável, na boca é bastante cítrico, corpo médio, boa concentração de fruta, muito boa acidez e um final longo com retrogosto que me fez pensar em maracujá.

 

Rosés – na faixa de preços anterior já tomei alguns excelentes representantes deste estilo de vinho. Agora, finalizo com mais cinco, entre eles três dos melhores; Abadal Rosado 06* (Decanter) de Pla de Bages, uma DOC da Catalunha, espanhol de primeiro nível, cor rosado escuro atraente, frutado, cremoso com ótima estrutura em boca onde a cereja e ameixa vermelha ressaltam ao paladar, untuoso, harmônico e rico, com um final de boca longo em que aparecem sutis toques de especiarias, mais que um aperitivo, é um vinho para acompanhar um preto de frango grelhado, risoto de frutos do mar, talvez uma peixada; na mesma linha,o delicioso Protos Rosado 07* (Península) elaborado com 100% “tinta del pais” (tempranillo) cor vibrante, aromas de boa tipicidade mostrando morangos e cereja, muito fresco, algo cremoso, concentrado e muito equilibrado com leve toque especiado e saboroso final de boca de boa persistência que chama a próxima taça, e a próxima, e a……., bem como aperitivo e melhor ainda se acompanhando uma paella à Valenciana; Vinha da Defesa Rosé 07* (Qualimpor) da Herdade do Esporão no Alentejo em Portugal, corte de Syrah com Aragonês, cor rosado forte e vivo, um páreo duro para os amigos espanhóis acima, mostrando grande intensidade olfativa em que sobressaem frutas vermelhas silvestres, bom corpo para um rosé, untuoso, bom volume de boca, muito boa acidez, vinho com “sustança” que chama comida, apesar de poder ser servido como um delicioso aperitivo acompanhado de umas tapas, digo acepipes, e uma persistência muito boa. Tem mais; tem o Chateau Saint-Roch Lirac 06 (Decanter) corte de Grenache, Cinsault e Syrah da região de Cotes du Rhône, na França com uma linda cor salmão clara e brilhante, aromas sutis e delicados, no palato mostra-se suave, algo ligeiro, mas pleno de sabor e muito fresco, ótima companhia para pratos leves delicioso com queijos brancos, tendo harmonizado especialmente bem com queijo de cabra e o Zolarosa Forli Rosato 06 (Interfood) da região de Emilia-Romagna, Itália, produzido com Sangiovese tem uma cor diferente, algo acobreada, bonita que nos invita a provar, no nariz é tímido difícil de decifrar mostrando-se na boca com um frutado sutil, sabores algo evoluídos, bem balanceado, final seco mostrando ótima persistência e uma leve adstringência, quando harmonizado com um fettucine com paillard de filé mignon grelhado, cresceu incrivelmente, mostrando suas aptidões como um vinho essencialmente gastronômico.

Contate os importadores, os lojistas parceiros ou pesquise junto a seu fornecedor predileto, mas não deixe de aproveitar estas delicias.

Salute e kanimambo

 

Desafio Torrontés

        Para o primeiro Desafio de Vinhos, que aconteceu na semana passada na Portal dos Vinhos contando com a presença de 8 amigos, escolhi os vinhos brancos elaborados com a uva Torrontés que está para os brancos como a Malbec para os tintos em terras argentinas. A banca de degustação foi composta de; dois outros blogueiros amigos o Alexandre do Diário de Baco e o Cristiano do Vivendo Vinhos, o Emilio proprietário da casa e profundo conhecedor, 4 enófilos leitores amigos do blog (Evandro Silva, José Roberto Pedreira, Fabio Gimenes e Dr. Luiz Fernando Leite de Barros) e euzinho aqui. Participaram do evento 9 rótulos de 7 diferentes importadoras, todos argentinos à exceção de um que era uruguaio. Enormes surpresas, algumas decepções e incrível como uma degustação às cegas pode contribuir para resultados inesperados.

Em um encontro descontraído, provamos os seguintes vinhos; Lorca Fantasia 06 de Mauricio Lorca (Ana Import), Crios 08 (Cantu/Br Bebidas), Alta Vista Premium 07 (Épice/Casa Palla), Santa Julia 07 (Expand), Alamos 07 (Mistral), La Linda 07 (Decanter) Don David 07 (Bruck/Portal dos Vinhos), Pisano Cisplatino 07 (Mistral) o único do Uruguai e o Colomé 06 (Decanter). Todos deram notas de degustação seguindo planilha básica e costumeira para este efeito, analisando-se os quatro parâmetros padrão; Visual, Olfativo, Gustativo e Final em que se determina o nível de equilíbrio e persistência em boca assim como o “conjunto da obra”. A soma de pontos dados por cada um foi somada e dividida pelo numero de membros da banca, apurando-se assim a média aritmética das notas, razão pela qual chegamos em notas fracionadas. Para efeitos comparativos, acho interessante, e sempre que disponíveis, relaciono n.os resultados as notas obtidas por estes vinhos na midia especializada tanto nacional como internacional.

Agora falemos dos vinhos, na ordem em que foram provados, que é o que interessa e razão pela qual você entrou neste post. Os comentários são uma composição das observações encontradas nas fichas de degustação tendo as garrafas sido cobertas por papel alumínio, numeradas e colocadas em baldes de gelo sendo servidas em torno de 7 para 9º.

 

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Alamos Torrontés 2007, produzido por Catena Zapata na região de Mendoza, importado pela Mistral com 87 pontos na Wine Spectator. Sem nenhuma passagem por barrica com boa tipicidade da cepa, mostrando um floral muito presente no nariz com algumas nuances de frutas tropicais. Na boca é suave fresco, equilibrado em seus parcos 13% de teor alcoólico, não muito comuns neste vinhos, com agradável final de boca com leve amargor que não chega a incomodar. Preço por volta de R$38,00 e nota média final obtida 80.43 pontos.

Colomé 2007, produzido em vinhedos biodinâmicos de cerca de 90 anos de idade, na região de Salta pela Bodega Colomé entre 1700 a 2300 metros de altitude, importado pela Decanter. Obteve 88 pontos da Wine Spectator. Uma paleta olfativa muito interessante e de boa intensidade lembrando maça verde e algo de chiclete, tipo tutti-fruti. Na boca mostrou um certo desequilíbrio alcoólico (teor de 13.6%), seco, com um final de boca amargo faltando-lhe frescor. Preço ao redor de R$42,00 e nota média final 73.86 pontos.

Don David 2007, produzido pelo grupo El Esteco, mais conhecido por aqui como Michel Torino, na região de Cafayate/Salta a 1700 metros de altitude. Importadora Bruck, tendo o vinho sido gentilmente cedido pela Portal dos Vinhos. O diferente deste vinho é que 10% do lote fica por três meses em barricas “sur lie”, um dos poucos torrontés no mercado que possui alguma passagem por madeira, tendo Robert Parker lhe dado 90 pontos e a Wine Spectator 81. Possui um nariz mais tímido, porém sedutor em que desponta o floral típico e algo de frutas brancas com toques de baunilha . Entrada de boca impactante, seco de bom frescor com algumas notas cítricas e um final de boca algo doce. Preço ao redor de R$37,00 e nota média final 77.43 pontos.

Cisplatino 2008, produzido no Uruguai pela Pisano, um dos melhores produtores daquela terras, com teor de álcool de 13.5% e trazido pela Mistral. Obteve 17 pontos/20 de Jancis Robinson. Nariz de grande complexidade, intenso e algo mineral que vai se abrindo na taça quando aprecem nuances de abacaxi, casca de laranja. Untuoso na boca, ótima acidez, leve, fresco, um torrontés diferente com uma personalidade muito própria, o que mais mexeu com as sensações dos presentes gerando calorosos comentários. Daqueles vinhos que precisa de um tempo em taça para se mostrar e o faz bastante bem mostrando um final de boca agradável e de média persistência. Preço ao redor de R$34,00 e a nota média final foi de 81.57 pontos.

Santa Julia 2007, linha de entrada da Família Zuccardi região de Mendonça na Argentina, importado pela Expand e com 83 pontos da Wine Spectator. O vinho apresentou-se com um nariz de uma certa tipicidade com um floral bastante intenso e só. Na boca é muito leve, magro, bastante desiquilibrado, final curto, algo verde com amargor forte. Pelo que conheço dos vinhos deste produtor, apesar da garrafa não aparentar quaisquer problemas, ainda acredito que tivemos azar com esta garrafa. Um dos membros da banca (Cristiano) tinha tomado um havia pouco tempo e estranhou a própria nota dada não se conformando até hoje! rsrs Acho que este vinho merece uma outra chance, até porque os R$23 permitem facilmente uma nova prova, porém desta feita a nota média final foi de 65.43 pontos.

Lorca Fantasia 2006, o único com um pouco mais de idade, é trazido pela Ana Import (www.anaimport.com.br) sendo produzido na região de Mendoza pela Bodega Mauricio Lorca de vinhedos de elevada densidade, apresentando um teor alcoólico de 14%. O Nariz e de boa tipicidade abrindo-se na taça quando aparecem aromas que lembram pêssego e damasco. Na boca é seco, untuoso, macio, algo desiquilibrado faltando-lhe frescor, final um pouco curto  com um amargor bastante presente. Em fevereiro de 2008 em uma degustação na ABS-SP, recebeu 86 pontos. Acho que a idade deve estar pesando. Preço em torno de R$36,00 e nota média final 71.29 pontos.

Crios 2008, um produto produzido nas Bodegas Domínio Del Plata na maestrina Suzana Balbo na região de Cafayate/Salta a 1760 metros de altitude, com 13.8% de teor alcoólico e importado pela Cantu. Paleta olfativa intensa e muito sedutora em que aparece maçã verde com nuances de algo químico. Balanceado, bastante cítrico, ótima acidez o que o deixa muito fresco e apeticível na boca que faz com que acabe rapidamente na taça. Final saboroso, vibrante e de muito boa persistência lembrando casca de laranja. O da safra de 2006 recebeu 84 pontos da Wine Spectator e ganhou medalha de ouro no último Argentina Wine Awards. O preço no mercado anda à volta de R$45,00, tendo recebido uma nota média final de 84.57 pontos.

Alta Vista Premium 07, mais um vinho da região de Cafayate/Salta trazido pela Épice e gentilmente cedido pela Casa Palla (Tel. (11) 4612-9402  e-mail casapalla@casapalla.com.br) para esta degustação. Possui 87 pontos na Wine Enthusiast e um teor de álcool de 14.5%. Bem claro, de aromas florais com algo de lichia e um jasmim desabrochando depois de um tempo em taça, na boca é macio e bem equilibrado, apesar do alto teor de álcool, agradável , bastante rico em sabores, fresco e vivo, final de boca de boa persistência e algo cítrica. Com preço em torno de R$50 teve uma nota média final de 81 pontos.

La Linda 2007, produzido pela Luigi Bosca na região de Cafayate/Salta é importado pela Decanter, possui 14.7% de teor alcoólico e passa 3 meses sur lie antes de engarrafar. Tem uma paleta olfativa muito intensa, mas delicada com algo que lembra flores do campo como lavanda, algo de rosas. Na boca fruta confeitada, seco, forte amargor, o álcool se mostra bem presente, mesmo variando a temperatura, o que desequilibra o conjunto. Na boca não cumpre as promessas do nariz, termina com uma persistência média e algo doce.  Preço em torno de R$35 e nota média final 70,56 pontos.

O podium fica então composto de: Crios 08, que ganhou este desafio, seguido do Alta Vista Premium, Cisplatino, Alamos e Don David.  Grato aos que participaram deste primeiro encontro, que serviu de aprendizado e preparação para os próximos a serem realizados, assim como a todos que cederam os vinhos para degustação devidamente sinalizados abaixo com o link para seu site. Lembrando, ser o ganhador do Desafio não necessariamente quer dizer que esse vinho seja melhor que todos os outros e sim a confirmação de que, nessa noite especifica; esse vinho, dessa garrafa caiu mais no agrado dos participantes de Desafio. Como um experiente atleta pode perder um jogo ou uma competição num dia e ganhar em outro, estar bem num dia e mal no outro, assim são os vinhos e nossa vinosfera.

Existem muitos outras dezenas de rótulos no mercado, impossível conhecer a todos, mas estes foram os rótulos que mais me tinham chamado a atenção. Uma avaliação importante resultante desta prova, e de alguns outros Torrontés tomados ao longo dos tempos, é que quanto mais jovens forem tomados melhor. Pela pesquisa que fiz e pelos vinhos que tenho provado, aparentemente esta cepa não envelhece bem, sendo recomendado seu consumo em até dois anos, até por uma margem de segurança. Então, compre e consuma com esta dica em mente

Salute e kanimambo

 

                                  

             

 

                             

 

      

Desafio de Vinhos

novidade

Esta é mais uma seção que estréio agora em Março com o “Desafio Torrontés”. Neste desafio, um painel composto de 6 a 8 vinhos sob um mesmo tema, preferencialmente da mesma safra e de faixa de preços similares (dentro das minhas já conhecidas faixas de Tomei e Recomendo), serão avaliados por um grupo de pessoas escolhidas a dedo (máximo 12), entre lojistas parceiros, colegas blogueiros, restauranteurs, enófilos, degustadores, sommeliers, colunistas e pesquisadores, enfim, um punhado de gente experiente nos caldos de baco. Nada de grandes críticos, somente gente que lida com o vinho, enófilos e apreciadores de vinho em geral. Uns com um pouco mais de experiência, outros menos, mas todos sem qualquer vinculo profissional com os vinhos e seus doadores ou seja, sem ter qualquer compromisso com nada a não ser com o vinho na taça e o seu prazer, um perfil do consumidor brasileiro. Aliás, incrível como tenho visto vinhos bem cotados pelos grandes críticos nacionais e internacionais, terem notas bem baixas na avaliação dos enófilos! O porquê disso, creio, é que a análise técnica deixa de lado o mais importante do vinho, o lado sensorial, deixando-se de considerar o prazer que esse vinho provoca na boca. Nestes “Desafios”, procuraremos, dentro do possível, dar maior ênfase à satisfação de cada um, sem deixar de lado aspectos práticos e técnicos. Neste caso, para evitar quaisquer influências externas, a degustação será sempre às cegas o que é melhor ainda e extremamente entusiasmante para quem participa, pois garrafa a garrafa, vai aumentando a expectativa sobre o que se tomou.

Como sabem, me recuso a dar notas ao vinho, mas neste caso será impossível não fazer isso. Usando uma planilha de degustação, cada participante dará sua nota, eventualmente comentários, e a soma das notas dadas por todos os presentes e dividido pelos numero de participantes, tirando-se a mais alta e a mais baixa para evitar eventuais restrições, será a nota média alcançada pelo vinho. A maior nota média ganha o Desafio, quando então, as garrafas serão descobertas e saberemos o rótulo ganhador. Simples e objetivo sem frescuras, com descontração e alto astral. Vejam o significado dessas notas:

  • Abaixo de 70 pontos – Vinho fraco, ralo, sem qualidade. Vinho a esquecer.
  • 70 a 74 pontos: Vinho médio, que se não encanta também não desencanta e, ao preço certo, até dá conta do recado.
  • 75-79 pontos : Bom vinho que já desperta sensações diferentes
  •  80-84 pontos: Muito bom vinho de boa tipicidade que já lhe desperta a atenção e lhe traz prazer.
  •  85-89 pontos:  Ótimo vinho,  daqueles que já despertam sua curiosidade e comentários na mesa, trazendo grande satisfação.
  •  90-94 pontos: Excelente vinho de primeira linha que já lhe oferece sensações diferenciadas, que marcam seu palato e seu olfato de forma marcante.
  •  95-100 pontos: Vinhos excepcionais, estupendos, grandes e todos os superlativos juntos! Vinhos de exceção e reflexão que marcam a memória e a alma, além do olfato e palato.

Ser o ganhador, por outro lado, não quer dizer que esse vinho seja necessariamente melhor que todos os outros e sim a confirmação de que, nessa noite especifica; esse vinho, dessa garrafa caiu mais no agrado dos participantes da banca de degustadores do Desafio. Como um experiente atleta pode perder um jogo ou uma competição num dia e ganhar em outro, assim são os vinhos e, nossa vinosfera. Certamente que ser o ganhador do Desafio é uma coisa interessante e terá o seu merecido destaque aqui no blog. Pretendo que se realize um por mês e conto com a ajuda de lojistas/restaurantes/wine bars/importadores e produtores para que as mesmas aconteçam de forma regular como programado. A idéia será realizar o evento em locais diferentes e com temas dos mais diversos. Poderemos, eventualmente, ter um convidado especial que será nosso guia da degustação, preferencialmente um sommelier, mas isso ainda depende de muito papo. rsrs.

Na semana que vem, publicarei o resultado do primeiro Desafio, piloto para os outros que virão, o “Desafio Torrontés” realizado na Portal dos Vinhos, quando, aproveitando o tema de Brancos & Rosés do mês, foram provados nove rótulos variando entre R$25 a 50,00 – Fantasia de Mauricio Lorca 06 (Ana Import), Alamos 07 (Mistral), Crios 08 (Cantu/Br Bebidas), Alta Vista Premium 07 (Èpice/Casa Palla), Pisano Cisplatino 08 (Mistral), Santa Julia 07 (Expand), Michel Torino Don David 07 (Bruck/Portal dos Vinhos), Colomé 06 (Decanter) tendo sido incluído, posteriormente, um La Linda 07 (Decanter).

Salute e kanimambo

 

PS. Patrocinadores serão bem-vindos!

Brancos & Rosés – Vinhos que Tomei e Recomendo de R$30 a 50,00.

Tomei e Recomendo vinhos brancos & rosés deste verão, parte dois, é de vinhos entre R$30 e 50,00, em que galgamos um degrau na qualidade com alguns belíssimos vinhos. Alguns estavam num patamar abaixo no quesito preços porém, com o advento dos problemas com o câmbio, lamentavelmente ultrapassaram a barreira dos R$30,00 o que, apesar de não os desabonar do ponto de visto qualitativo, tira-lhes algo da competitividade e glamour do preço. Eram fantásticamente bem “preçados” abaixo de R$30, porém ficaram apenas bons nesta faixa. É o caso dos brancos; Pascual Toso Sauvignon Blanc, Fonte do Nico Fashion ou o Calvet Sauvignon Blanc, todos vinhos muito gostosos e ainda atraentes, porém seriam campeões se estivessem 10% abaixo, alguns um pouquinho mais. Algumas das melhores relações Qualidade x Preço x Prazer vem exatamente desta faixa de preços e espero que você tenha a oportunidade de aproveitar alguns deste bons rótulos.

 

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Rosés – Três dos melhores vinhos provados neste painel vieram da Argentina e qualquer um deles é, a meu ver, uma grande escolha para quem gosta deste tipo de vinho. São todos vinhos de muita personalidade, sabor, enorme frescor e “sustança”, vinhos que têm o que nos dizer. Melipal 08* (Wine Company) rosé de Malbec verdadeiramente suculento, boa concentração e incrível textura, um vinho empolgante; Crios 07* (Cantu) mais um delicioso rosé de Malbec sedutor, vibrante, rico, ótima acidez e um longo e agradável final de boca, dois dos melhores provados neste painel, e o Reflejo Rosé de Syrah  (Vinea Store) muita framboesa e fruto doce, um vinho mais gastronômico porém sem perder o frescor e vivacidade, mostrando muita qualidade e equilibrio. Temos, no entanto, bem mais opções de igual nível de encantamento e satisfação; Branciforti Rosato 06* (Wine Premium) da região da Sicília elaborado com Sangiovese é um vinho de linda cor cereja, muito saboroso, boa acidez, que cresce muito com comida mostrando seu caráter eminentemente gastronômico; Majolica 07 (Santa Ceia) um rosé de Montepulciano d’Abruzzo bem balanceado, untuoso e fresco com final de média persistência; o estupendo Goats do Roam Rosé 07* (Expand) um sedutor assemblage sul-africano elaborado com 5 cepas diferentes, de aromas limpos e frescos lembrando frutas vermelhas, acidez excelente, boa concentração de fruta, groselha, mas seco e de boa persistência para um vinho destas características; o Estampa Rosé 07 (Decanter) corte de Cabernet Sauvignon e Syrah chileno de cor rosa pálido, suavemente frutado e delicado na boca, que garante satisfação como um aperitivo fresco e agradável apesar do teor de álcool um pouco alto; o Recorba Rosado 06 (Decanter) espanhol da Ribera Del Duero, de cor cereja escuro, encorpado de teor alcoólico alto, boa acidez e uma certa mineralidade, um vinho que pede comida sem a qual perde muito, complexo e, certamente, não do tipo de rosé que estamos habituados a bebericar sem grandes compromissos; o Rosato di Toscana 07 (Decanter) elaborado com Sangiovese, de boa tipicidade, correto, bem fresco na boca e fácil de beber, pode não empolgar, mas dá conta do recado se tomado como aperitivo num encontro informal de amigos. Para finalizar, dois franceses, um que me entusiasmou e outro nem tanto. O que mais me chamou a atenção foi o encantador Domaine Sorin 06* (Decanter) de linda cor salmonada que nos convida a provar, aromas tímidos, mas bastante agradáveis, boca suave, fresca, saborosa e equilibrada, ótima companhia para um peru à Califórnia ou um bate papo informal e o Domaine de Pontfrac 06 de Cotes de Provence no sul da França, elaborado com Grenache, Cinsault e Carignan, de cor muito característica e bonita dos rosés desta região, salmão bem clarinho, nariz de boa intensidade frutado e fresco com alguns toques florais e na boca parece que vai ………, mas não vai! Tem uma entrada de boca interessante e saborosa, mas some na boca de tão curto sendo interessante como um aperitivo leve.

 

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Brancos – Chardonnays, Vinhos Verdes, Sauvignon Blanc, Riesling, vinhos sedutores e sutis, vinhos francos e vibrantes, tem de tudo um pouco e muito bons. Dos vinhos verdes portugueses com tudo a ver com o nosso clima, farei um pequeno painel num futuro post, mas o Muralhas de Monção 06* (Barrinhas), Quinta do Ameal Loureiro* (Vinho Seleto) e Loureiro Muros Antigos 06* (Decanter), todos revisitados neste painel, e o Varanda do Conde 07* (Casa Flora) recém tomado, são vinhos vibrantes, de baixo teor alcoólico e ótima acidez, algo muito típico da região, verdadeiramente imperdíveis para serem tomados com frutos do mar grelhados, sós ou ainda acompanhando um bolinho de bacalhau ou até um acarajé!  Os portugueses famosos por seus tintos, mostram que seus brancos também são muito bons e vão além dos vinhos verdes afora possuírem preços muito corretos. É o caso do surpreendente Fonte do Nico Fashion 07* (Wine Company) que foi recentemente lançado em 2008 com uma estratégia de preços agressiva, tendo sido pego de calça curta pela crise mundial e o salto do câmbio que levou seus preço de fantásticos R$22 para R$35 o que foi uma pena. Mesmo a uns R$28 (ainda se encontram algumas garrafas por aí a esse preço) seria campeão em sua faixa, mas isto em nada altera seus sabores, frescor e prazer que dá ao ser tomado. Produzido na região de Terras do Sado, apesar de parecer um vinho verde, é um inusitado corte de Moscatel com um leve aporte de Arinto que resulta num vinho absolutamente sedutor e com tudo a ver com o nosso verão, seco na medida, aromas frutados, macio, balanceado de aromas frutados e algo floral bem aparentes, para ser tomado aos goles com seus parcos 10% de álcool. Já o Herdade Paço do Conde 07 (Lusitana) um corte de Antão Vaz e Arinto, é um vinho com mais corpo, curto e menos marcante, em que aparece um floral bastante intenso no nariz, vinho honesto que, se não encanta, também não desencanta,  sem contar todos os outros deliciosos rótulos já provados e comentados ao longo de 2008.

Saindo dos portugueses; um vinho alemão, coisa difícil de encontrar nesta faixa de preços, off-dry muito sedutor e equilibrado, um doce muito leve e muito bem equilibrado por ótima acidez, grande pedida como aperitivo é o Forster Mariengarten Kabinett 06* (Decanter) um riesling muito saboroso e agradável de tomar com apenas 10% de teor alcoólico, o estupendo Pascual Toso Sauvignon Blanc 07* (Interfood) argentino, mais um que estava por volta de campeonissímos R$25 e teve que ser aumentado para cerca dos, ainda muito bons, R$32,00, para ser tomado por volta dos 8º, mostra toda sua tipicidade com muita suavidade e boa intensidade aromática e de sabores, um vinho sedutor que encanta fácil e deve acompanhar maravilhosamente bem um spaghetti al vongole (sem tomate) que só de pensar me dá água na boca! Ainda na linha dos Sauvignon Blanc de que tanto gosto, o gostoso chileno William Cole Mirador 07* (Ana Import) ótimo nariz em que ressaltam os aromas de frutas tropicais e algo herbáceo, boa persistência e frescor, mostrando-se na boca com caráter cítrico muito saboroso e boa estrutura que o faz um vinho não só para um agradável bebericar, como para acompanhar um prato como um salmão grelhado, não sendo à toa que é considerado um dos melhores vinhos desta cepa sendo produzidos no Chile, o também chileno Casillero del Diablo Sauvignon Blanc 2008 (VCT Brasil) com screw cap, fechamento usado por eles nos vinhos aromáticos, de que gostei muito. Muito intenso no nariz e muito fino na boca onde apresenta bastante frescor, algo cítrico e uma certa mineralidade que me agradou muito e, ainda, o Francês Calvet Conversation 06 (Interfood) da região de Bordeaux, que só por R$1,50 não caiu na faixa anterior sendo um dos mais competitivos desta faixa, de nariz tímido é na boca que mostra todo o seu valor sendo macio, balanceado, suave, fácil de tomar e agradar sendo grande companhia como um aperitivo num bate-papo informal ou como acompanhante de entradas leves num almoço de verão. Da Espanha vem um delicioso Verdejo da região de Rueda e uma das melhores relações Qualidade x Preço x Prazer desta faixa de preços que é o Vega los Zarzales 07* (Wine Premium) de cor palha dourada como uma espiga de trigo ao sol, aromas de que lembram maça verde e algo floral, mas sendo na boca que ele explode mostrando todo o seu sabor, ótima acidez, cremoso e algo untuoso num conjunto muito agradável de boa persistência que acompanhou muitíssimo bem um prato de antipasti diverso, especialmente uma berinjela com uva passa e castanha de caju, muito yummy.

Por ultimo deixei três chardonnays muito agradáveis e diferentes entre si; Primeiramente o Trio Chardonnay 07* (Expand) da Concha y Toro chilena que é um corte muito bem elaborado tendo como protagonista a chardonnay muito bem escoltada por partes iguais de Pinot Grigio que lhe agrega frescor e Pinot Blanc que traz elegância e estrutura ao vinho, um daqueles vinhos que mostram a aptidão desta vinícola para produzir bons vinhos por bons preços e este não nega a raça, cremoso, macio mostrando estar muito balanceado com um frescor muito agradável e um final de boca com leves nuances de abacaxi e algo mineral que me agrada muito; os argentinos Família Gascon Chardonnay 07* (Wine Company) sem os excessos de madeira típico dos chardonnays da região, foi uma grata surpresa que me encantou por sua delicadeza de aromas de frutas tropicais com nuances leves de baunilha, pleno de frescor e sabor com ótima acidez e um saboroso final de boca de média persistência que nos deixa aquela sensação de quero mais e o Fabre Montmayour Chardonnay 07* (Wine Premium) elaborado com cepas extraídos de vinhedos de cerca de 60 anos, de grande estrutura, nariz intenso de ananás e algo de baunilha (mas sem madeira), na boca, todavia, aquela sugestão de madeira desaparece, é balanceado, rico, saboroso, delicioso final de boca, um vinho cativante e essencialmente gastronômico.

Afora o painel especifico de Vinhos Verdes que publicarei um pouco mais adiante, nesta próxima semana farei uma prova às cegas com alguns rótulos elaborados com a cepa Torrontés. Para este “Desafio Torrontés” separei alguns rótulos interessantes como o Crios, Alta Vista Premium, Alamos, Santa Julia, Colomé, Mauricio Lorca, Pisano Cisplatino e, talvez, mais um ou dois a serem definidos. Aguardem!

Assim que der darei sequência com os vinhos acima de R$50,00 que não são muitos, mas são de prima! Ao longo dos próximos dias seguirei mostrando um pouco mais de vinhos brancos e rosés provados, até porque o verão segue e as descobertas também, então continue passando por aqui. Gostou das sugestões, quer provar? Aproveite algumas das promoções ainda disponíveis no mercado e faça seu estoque. Contate os importadores, os lojistas parceiros ou pesquise junto a seu fornecedor predileto, mas não deixe de aproveitar estas delicias.

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Brancos & Rosés – Vinhos que Tomei e Recomendo até R$30,00

Cá estamos em pleno verão e este calor, intercalado por chuvas incessantes, (ou seria o inverso?) clama por comidas mais leves e vinhos mais suaves e frescos. Invariavelmente, vem-nos à mente o delicioso vinho branco com suas sedutoras e sutis nuances aromáticas assim como os, agora na moda, vinhos rosé. Para que se tenha uma idéia, no Reino Unido, um dos principais centros de consumo do mundo, as vendas de vinho rosé aumentaram 17% em 2008 e, muito, em função de sua versatilidade. No verão passado fiz matéria quase que só sobre vinhos brancos, porém neste ano optei por fazer um painel de vinhos brancos e rosés tomados e provados no ultimo trimestre de 2008, junto com uma série de novos rótulos neste ultimo mês de Janeiro. Desse volume razoável de rótulos, cerca de sessenta, algumas muito boas relações Qualidade x Preço x Prazer, as quais começarei e listar hoje neste post de Tomei e Recomendo até R$30,00.

 

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A maioria dos vinhos obtidos para montar este painel, foram de brancos, mas recebi alguns bons rosés e tentamos manter os preços o mais convidativos possível. Por outro lado, no caso dos rosés mencionarei alguns vinhos tomados no ano passado, mas que creio importante incluir para ter um universo de prova maior.  No palato, os rosés mais claros (de pouco contato com as peles) e suaves acabam tendo a mesma “funcionalidade” dos brancos, inclusive no quesito harmonização, mostrando muita delicadeza e frescor como a grande maioria dos vinhos franceses da região de Provence. Já os mais escuros (maior contato do mosto com as peles) costumam ser mais robustos, possuem sabores mais concentrados e ricos podendo chegar a ser, até, levemente tânicos. Em ambos os casos, no entanto, a origem tinta é muito evidente com uma forte presença de aromas e sabores de frutas silvestres como amoras, morangos e até groselha. Para quem quiser mais detalhes, publiquei um post há dois dias mostrando como se elaboram os rosés.

Dos rosés provados, alguns se destacaram por sua delicadeza de sabores, por seu equilíbrio ou, ainda, por sua intensidade aromática, sabor ou cor. Na grande maioria são vinhos muito agradáveis e fáceis de tomar já encantando pela cor. Já nos brancos, evitei falar daqueles já listados anteriormente no blog, exceção feita àqueles que revisitaram minha taça. Tanto nos brancos como rosés, tenho uma preferência por vinhos frescos e vibrantes de baixo teor alcoólico então muitos destes vinhos certamente revelarão essa influência, apesar de ter gostado de vinhos que não necessariamente atendam a esse quesito. Podem-me retrucar que teor de álcool não tem nada a ver se bem equilibrado, mas ai eu lembro do teste da terceira taça que neste tipo de vinho é essencial.  Uma pena que os aumentos de preço, tema que já comentei por diversas vezes, nos tenha limitado um pouco a disponibilidade de vinhos nesta faixa de preços, especialmente rosés, porém creio que ainda nos restaram uma porção de bons rótulos a serem apreciados. Bem, chega de lero e vamos logo as finalmente, aos vinhos que Provei e Recomendo lembrando que os meus preferidos eu marco com um asterisco, estes são aqueles com algo mais, que me seduziram.

Até R$30,00 – Não canso de repetir que a qualidade do vinho não está no preço da garrafa e sim em seu conteúdo e aqui, mais uma vez comprovo isso. Todos mais leves, frescos e fáceis de beber com teor de álcool comedido e muito agradáveis, alguns com preços campeões, especialmente aproveitando esta época de promoções e todos, dentro de seu contexto, de muita qualidade. São vinhos descompromissados, porém muito saborosos que valem muito o preço cobrado.

 

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Rosés – É o caso do sul africano Obikwa 07* (Interfood) elaborado com Pinotage, um vinho que me surpreendeu por seu imenso frescor, e riqueza de aromas e sabor, bem com a cara do verão; os argentinos Santa Julia 07* (Expand) rosé de Syrah, cor clarete, melhor na boca que no nariz, leve, refrescante e fácil de agradar e o Finca La Linda 07 (Decanter) rosé de Malbec, algo seco e sem o frescor esperado com final de boca quente em função do álcool, quando reduzida a temperatura para cerca de 6º, ficou mais amistoso; do espanhol Artero 07* (Decanter) rosé de Tempranillo com aromas de frutos silvestres tipo amora e morango, na boca é um pouco mais encorpado que os outros nesta faixa de preço, boa acidez, um estilo mais gastronômico, mas que também vai bem como aperitivo; os portugueses Quinta de Cabriz 07 (Expand) um corte meio a meio de Touriga Nacional com Alfrocheiro uvas típicas do Dão, é bem aromático tipo tutti-frutti, na boca é bem agradável, leve e fresco com uma certa dose de mineralidade e um leve residual de açúcar que deixa o final de boca meio adocicado, interessante opção para uma beira de piscina com petiscos variados e o Terra d’Uva 07* (Lusitana) elaborado com Aragonês possui linda cor cereja e os aromas repetem o visual, boa fruta, média concentração e textura muito agradável com ótimo frescor e álcool comportado, persistência boa, muito saboroso, um bom aperitivo que deve acompanhar bem pratos leves. Para finalizar, o brasileiro Fausto 07 (Pizzato) elaborado com Merlot é um vinho leve, bem frutado e fácil de tomar, delicado, saboroso, acidez balanceada que o deixa bem refrescante devendo ser tomado, idealmente, bem refrescado próximo dos 6º.

 

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Brancos – Dos vinhos brancos, que teimamos em só dar valor nesta época do ano, tomei alguns sensacionais. De diversos estilos e cepas e para todos os bolsos. A partir de R$20 já se encontram vinhos extremamente agradáveis, frescos e ótima companhia para aquele camarãozinho grelhado, bolinho de bacalhau ou lulas à dorê no final de tarde vendo o sol se pôr no horizonte. Sol, praia/piscina, frutos do mar, a combinação perfeita à qual só falta adicionar o vinho e companhia certos para atingir o nirvana. Vinhos da uva riesling, verdejo, verdichio e sauvignon blanc com sua boa acidez e frescor, são dos que melhor combinam com esse programa de final de tarde, especialmente se tiverem um baixo teor alcoólico e um preço condizente, que caiba facilmente no bolso. Mas não esqueça dos chardonnays, dos cortes, vinhos verdes, loureiro, semillon, etc… São inúmeros os rótulos e cepas a serem conhecidas e aproveitadas em todo o seu esplendor! Nesta faixa de até R$30,00 encontramos muitos destes vinhos. Rótulos como os nossos Salton Volpi Sauvignon Blanc 08* que me surpreendeu por sua tipicidade, equilíbrio e frescor e ainda por cima é um dos que tem melhor preço, uma bela opção e o Valduga Gewurtzraminer 08* um dos melhores produzidos no Brasil, com bastante tipicidade e bem refrescante, um companheiro fiel de meus pratos de curry; os chilenos Sucre 08* (Wine Company) produção própria num projeto super interessante buscando qualidade com preço baixo, com objetivo totalmente bem sucedido neste Sauvignon Blanc muito saboroso e suave e o Misioneros Del Rengo 07* (Épice) um Sauvignon Blanc que volta e meia está na minha taça e é um grande achado com boa intensidade aromática, balanceado, muito fresco, leve e fácil de agradar; todos estes S. Blanc são muito frescos e fáceis de encantar, ótima pedida para um aperitivo e até acompanhamento de pratos leves e menos condimentados como um peixe grelhado ou um fettucine com salmão. Mas tem mais; o italiano Verdichio dei Casteli di Jeisi de Umani Ronchi 07* (Expand) uma delicia de vinho, bem cítrico, mineral e muito refrescante, um verdadeiro achado nesta faixa de preços que acompanha maravilhosamente bem frutos do mar grelhados; o chileno Cono Sur Riesling 07* (Wine Premium) outro companheiro inseparável de meus pratos com curry, mas também ótimo para somente bebericar com os amigos, o uruguaio Filgueira Sauvignon Gris 07 (Decanter) um vinho elaborado com uma uva não muito comum e, a meu ver, um vinho muito saboroso com um pouco mais de corpo que serve como aperitivo, mas cresce quando acompanhando um prato. Tem mais; da Argentina o Trapiche Torrontés 07 (Interfood) um pouco tímido no nariz, seco e faltando-lhe um pouco de acidez dando conta do recado, mas não encantando, bom para bebericar descompromissadamente com os amigos e bem geladinho e o Septima Chardonnay/Semillon 06 (Interfood) um bom vinho, mais sério e seco, bem equilibrado, corpo leve para médio, que pede comida, devendo ser um ótimo acompanhamento para fondue de queijo, pizza mussarela ou, quem sabe, até um bacalhau cozido à portuguesa. Por falar em coisas portuguesas não poderia faltar o vinho verde neste caso um campeão na relação Qualidade x Preço x Satisfação o ótimo, Quinta da Aveleda 07* (Interfood) corte de Loureiro/Alvarinho/Trajadura de muito frescor, equilíbrio e sabor, ótima companhia para grelhados e frituras como um bolinho de bacalhau. Portugal, no entanto, não é só vinho verde e o Dão Quinta de Cabriz Branco 07 (Expand) corte de Encruzado, Cerceal, Bical e Malvasia-fina é um vinho muito correto, saboroso e fácil de beber tanto como aperitivo quanto acompanhando algum prato leve tanto á base de peixe e frutos do mar quanto de uma carne branca. A meu ver, uma seleção de vinhos que valem o preço cobrado e que podem fazer a festa neste verão sem grandes rombos no seu bolso.

Gostou das sugestões, quer provar? Aproveite algumas das promoções ainda disponíveis no mercado e faça seu estoque. Contate os importadores, os lojistas parceiros ou pesquise junto a seu fornecedor predileto, mas não deixe de aproveitar estas delicias. Na segunda-feira tem mais quando apresentarei vinhos um pouco mais elaborados e mais complexos, outros nem tanto, porém todos muito agradáveis de tomar só ou acompanhados, são os vinhos entre R$30 a 50,00. Tanto brancos como roses, algumas preciosidades imperdíveis. Talvez não para comprar de caixa, como alguns destes aqui acima, mas certamente ótimas opções para sua adega.

Salute e kanimambo.

Vinhos do Dão – Quinta Mendes Pereira, um Achado.

panorama-mendes-pereira3Há cerca de 50 anos, o Comendador José Mendes Pereira aporta no Brasil onde se estabeleceu profissionalmente e onde teve seus filhos. No contra-fluxo, Raquel, sua filha, volta a Portugal com Carlos, seu marido e parceiro, com desejos de revitalizar uma velha e histórica quinta da família. Nascida em Campinas, ela deu inicio a esse processo de renovação a começar com a mudança do nome da quinta de “Quinta da Sobreira” para “Quinta Mendes Pereira” em homenagem ao nome de seus ancestrais.

Apaixonada pela Quinta, onde já se plantavam vinhas desde o século XVII, sua dedicação e ambição de produzir vinhos de qualidade na região do Dão já dá grandes resultados apesar dos seus parcos cinco anos, já tendo sido premiada quatro vezes pela Comissão de Vinhos do Dão. Em 2006, e sob a insígnia “A Arte do Vinho”, dois dos seus vinhos tintos de 2003 – o Garrafeira e o Colheita DOC – foram incluídos na lista dos 160 melhores vinhos de Portugal. Em 2007 o Garrafeira 2003 foi reconhecido pela Revista de Vinhos como o melhor tinto do Dão desse ano de produção, num alargado painel dedicado a esta região demarcada. Não é pouca coisa, para quem há pouco aportou nestas coisas de fazer vinho. Pois bem, no limiar do ano de 2008, tive o enorme prazer e privilégio de bater um papo informal com ela e conhecer seus vinhos.

O que mais me surpreendeu, foi a opção por produzir vinhos sem madeira e por um vinho de quinta, artesanal, susceptível a precipitação e depósito natural na garrafa, vinhos como antigamente num lagar de pedra granítica com pisa a pé, de quatro a cinco dias. A propriedade possui 25 hectares dos quais 15 com vinhas em que as videiras foram parcialmente renovadas de forma a garantir a homogeneidade da produção e de acordo com as castas tintas selecionadas Touriga Nacional, Tinta Roriz (Aragonês) e Alfrocheiro, bem como as castas brancas Encruzado, Cerceal e Bical. Um lago com um hectare de extensão,assegura continuamente a riqueza de água do solo de profundidade, evitando a necessidade da rega e eliminando as doenças de podridão das plantas. Mantendo a tradição da região, a fermentação processa-se em cubas metálicas revestidas, sendo o estágio assegurado em cubas tradicionais de cerâmica. O vinho estabiliza com uma graduação alcoólica próxima a 13,5º, não estando previsto o estágio prolongado em madeiras de carvalho, por não ser julgado aconselhável para este tipo de vinho. O descanso mínimo dos vinhos é de 24 meses, o Garrafeira descansa por 36, sono este perturbado apenas pela recolha de amostras para análise e controle.

Muito simpática, Raquel, nos recebeu de forma simples e aconchegante, bom papo, bons vinhos e …. um azeite muito interessante que a Raquel trouxe da propriedade. Agora falemos dos vinhos.

Quinta Mendes Pereira Branco 2005, um vinho que já não é novo, mas segue com uma acidez muito boa, bem balanceado e muito saboroso. Tenho verificado que os vinhos à base de Encruzado tem uma capacidade de envelhecer muito bem preservando seu frescor. Uma boa introdução aos bons vinhos desta vinícola e aos brancos do Dão. Um saboroso corte de 50% Encruzado e o restante uma composição de Bical e Cerceal, que está com um preço em torno de R$ 52,00.

Quinta Mendes Pereira Rosé 07. Uma enorme e grata surpresa mendes-pereira-rose1porque foram apenas algumas garrafas que a Raquel trouxe consigo. Nem sei se a Lusitana já tem esse vinho em seu portfolio, mas este rosé de Touriga Nacional tem tudo a ver. Muito aromático, um delicioso vinho, com alguma estrutura e ótima acidez que lhe permite fazer frente a diversos pratos afora ser um agradável aperitivo. Deste primeiro lote engarrafaram somente 3.000 garrafas então. Um vinho cativante, de teor alcoólico comedido e muito frescor, como um rosé deve ser, porém acho que não virá ao Brasil em função da baixa produção.

Quinta Mendes Pereira Tinto Colheita 04, elaborado com um blend de uvas regionais como Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz e Alfrocheiro, permaneceu descansando por dois anos antes de ser engarrafado em Fevereiro de 2007. Um belo vinho algo herbáceo no nariz em que também aparece fruta madura em abundância e de boa intensidade, que se confirmam na boca com bastante elegância e equilibrio. Mostra boa estrutura com final de média persistência e taninos aveludados já equacionados. Bom preço pela qualidade, algo em torno de R$52,00.

mendes-pereira-garrafeiraQuinta Mendes Pereira Garrafeira 2003, engarrafado em 2006, foi, a meu ver, o melhor vinho provado neste agradável encontro e, certamente, um achado pelo preço, melhor relação Qualidade x Preço x Prazer, tanto que constou de minha lista de Melhores de 2008 em sua faixa de preços. Um vinho complexo, muito rico e denso, de ótima estrutura, untuoso e pronto a beber apesar de ainda poder evoluir algo com mais um par de anos em garrafa. Para mim, no entanto, eu traço agora em 2009, eheheh. Bom demais, um vinho vibrante, de boa paleta olfativa em que se destacam frutos vermelhos maduros com nuances florais, na boca é muito saboroso, boa acidez, grande harmonia, corpo médio, bom volume de boca, taninos finos, saboroso e looongo final de boca que deixa aquele gostinho de quero mais. A protagonista aqui é a Touriga Nacional com 80% do corte e o restante uma composição de Alfrocheiro e Tinta Roriz, talvez por isso o vinho tenha me encantado tanto. Para quem queira conhecer os vinhos do Dão, este é imperdível e por cerca de R$84,00 (espero que não tenha mudado) é uma excelente compra.

Duas observações finais. A primeira quanto à renovação da marca e rótulos que deram uma outra cara mais simpática, moderna e convidativa aos vinhos. A segunda, que fiquei com água na boca para provar os Touriga Nacional de vinificação em extreme (varietais). Produtor para ficar de olho, e na taça preferencialmente, com mais assiduidade, pois prometem muito. Para quem os quiser conhecer melhor clique aqui, ou melhor ainda, coloque um vinho deles na taça e sorva seus recados, imagens e sabores. A importação e distribuição no Brasil é de exclusividade da Malbec do Brasil.

Salute e kanimambo.

Brancos & Rosés, um Mundo de Cores

Antes de começar a postar alguns dos vinhos que Tomei e Recomendo dentro os vinhos provados neste painel de Brancos & Rosés, com tudo a ver com o nosso quente e chuvoso verão, creio interessante explicar como se faz um vinho rosé. Como sempre, muitos já saberão como, porém também existe muita gente por aí que desconhece os métodos usados e está curiosa, porém tímida de perguntar. Como um dos objetivos deste blog é também compartilhar conhecimento, vamos lá, vejamos as formas de elaborar um vinho rosé. Existem basicamente três formas de vinificação de rosados; mistura de tintos e brancos, prensagem e sangria.

 

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Mistura de tintos e brancos. Afora Champagne, onde a mistura de vinhos brancos e tintos é permitida na elaboração do Champagne Rosé, esta forma não é aceita pelo mercado e proibida na maior parte dos países produtores. Gera produtos be baixo nível de qualidade e pode, eventualmente, ser encontrado em vinhos de mesa elaborados de uvas americanas.

Prensagem direta como nos vinhos brancos. O vinho rosado de prensa é feito de uvas tintas esmagadas e a seguir prensadas em temperatura bem elevada com uma parcela dos pigmentos sendo dissolvida no mosto. Neste caso, a intensidade da cor dependerá da intensidade da prensagem utilizada. O mosto rosado é então fermentado sob as mesmas condições do mosto de uvas brancas a baixas temperaturas e bem protegido de oxidação.

Maceração rápida ou curta, método em que se obtém vinhos de melhor qualidade sendo o mais comum hoje em dia. Neste caso, a maceração (contato do mosto com as cascas das uvas) é restrita a um curto período de tempo, de cerca de 10 a 12 horas podendo chegar até 24 horas, até atingir a extração de cor e sabores que o enólogo deseja. Após esse tempo, o tonel é “sangrado” para remover de um terço a um quarto de seu conteúdo para elaboração do rosé, e o restante segue para a produção de vinho tinto.

         Abaixo segue uma figura, extraida do site Vins de Loire, que mostra claramente, mesmo que com legendas em francês, a diferença entre estes dois últimos métodos de vinificação de vinhos rosados.

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Os vinhos rosés podem ser elaborados com uma infinidade uvas, tanto como varietais como em cortes, depende da criatividade de cada enólogo e região produtora. Lá se vão os tempos de vinhos fracos, desiquilibrados e mal feitos. Hoje os vinhos rosados estão na moda em função do grande aumento de qualidade havendo diversos ótimos vinhos no mercado seja para um aperitivo descompromissado com os amigos num happy hour, ou vinhos mais elaborados e requintados que acompanham muito bem uma refeição e são bastante gastronômicos. Harmonizam bem com saladas, frutos do mar, paella, carnes brancas (frango e peru), comida chinesa (especialmente com molhos agridoces), salmão grelhado, lanches, etc.. Opte por buscar vinhos de menor teor alcoólico e boa acidez, tomando-os jovens (entre um a dois anos de garrafa), e bem refrescados entre 6 a 10º muito como você faria com um branco.

Ao longo dos próximos trinta dias postarei diversas matérias sobre deliciosos vinhos brancos e rosés pesquisados e provados ao longo dos últimos 60 dias. Foram cerca de 60 rótulos dos mais diversos estilos e preços, uns leves para bebericar outros mais evoluídos e gastronômicos no todo um painel que me agradou muito e deixará saudades. No final postarei a lista dos vinhos que mais me encantaram e comporiam a minha adega. De todos os vinhos, tentei evitar aqueles sobre os quais já falei em matéria especifica sobre brancos que publiquei aqui  e aqui , no ano passado. Alguns revisitei neste painel, mas poucos dentro do universo provado.

Salute e kanimambo

Caliterra, uma Bela Experiência

O ano de 2008 foi realmente pródigo tanto na quantidade quanto na qualidade das degustações de que participei. Tanto que até agora sigo postando matéria referente a esses deliciosos eventos. Caliterra, para quem não conhece, uma empresa do grupo Eduardo Chadwick que possui, entre seus rótulos, alguns dos principais ícones do mundo viníco chileno como Arboleda, Seña, Chadwick e Errazuriz Maximiano. Seguindo a filosofia de Eduardo Chadwick, de produzir qualidade e promover o Chile mundo afora através de seus vinhos, os vinhos da Caliterra mostram muito desse caráter. Como me dizia Gabriel Cancino, o jovem enólogo responsável pelos bons vinhos provados neste dia, “nosso campo é nossa fortaleza” e “a base de um bom trabalho enológico é a paixão pelo vinho e a formação de equipes de excelência”, creio que os bons vinhos provados demonstram bem a eficácia da aplicação desses conceitos.

 

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Caliterra, uma apaixonada fusão entre Calidad e Tierra  estabelecida em 1996 no vale de Colchagua, teve a participação acionária de Robert Mondavi durante alguns anos. Raízes chilenas, filosofia sustentável, relação amistosa com o meio ambiente através de conceitos de manejo sustentável da terra. É um vale fechado, no coração de Colchagua, entre o lago de Rapel e o vale de Alpata, a pouco mais de 60 kms do Oceano Pacifico. Cerca de 1100 hectares em que 75% da terra é virgem e no restante, vinhedos de Merlot, Carmenére, Cabernet Sauvignon e Shiraz. As variedades brancas, são plantadas em outras regiões, especificamente nos vales do Maipo, Curicó e Casablanca, sempre buscando produzir vinhos de qualidade de média e alta gama.

A razão principal para este encontro, foi o lançamento no Brasil, de seu rótulo top, um vinho premium que já em seu primeiro ano foi caliterra-vineyards0001contemplado com 91 pontos por Robert Parker o que, gostemos ou não, confere ao vinho um certo status que precisamos confirmar na taça e, especialmente na boca. Só que antes, até porque eu não os conhecia, passamos por toda a sua linha “intermediária”, a linha Tribute que, a partir deste ano, virá com o nome de Tributo e é importado com exclusividade pela Wine Premium. Falemos então, um pouco sobre o que provei e qual a impressão que estes vinhos me deixaram.

  • Chardonnay 2006 – O primeiro impacto não poderia ser melhor, da região de Casablanca e elaborado “sur Lie” apresenta ótima tipicidade com baunilha e abacaxi bem presentes, mas de forma sutil e elegante. Na boca é muito balanceado e rico, boa acidez, macio, de boa estrutura e, o que mais me agradou, uma mineralidade bem acentuada.
  • Shiraz , Carmenére e Malbec varietais da ótima safra de 2005 são vinhos bem saborosos, frutados e equilibrados, cada qual com suas características e tipicidade sendo o Malbec talvez o que esteja mais redondo e pronto a tomar. Um degrau acima, na minha opinião, está o excelente Cabernet Sauvignon que já começa a seduzir no nariz em que aparece fruta negra tipo cassis e mirtilo, com algo tostado. A entrada de boca é amistosa com taninos finos e elegantes, de médio-corpo e textura aveludada. Final de boca redondo e saboroso, com alguma complexidade e de longa persistência. De toda esta linha de tintos, o que mais me encantou e terminou rapidamente na minha taça. Ainda bem que tinha refil (rsrs)! Os preços desta linha estão em torno de justos R$55,00.

      cenit Só que viemos para conhecer o CENIT, o ponto mais alto de nossa esfera celeste, o nosso “zênite”. Safra 2005, três aninhos e ainda engatinhando, uma verdadeira criança. Delicioso assemblage de Cabernet Sauvignon, Malbec e Petit Verdot, com 18 meses de barrica (75% francesa e o restante americana) é límpido, escuro, púrpura com uma áurea rubi. Nariz complexo, fruta, tabaco, algo terroso uma imensidão de aromas difíceis deste pobre nariz decifrar. Toda esta complexidade se repete na boca, extremamente rico, grande volume de boca, ótima estrutura, ainda fechado pedindo bem mais do que a uma hora de decantação que ele teve. Taninos firmes, aveludados sem agressividade, grande harmonia, muito longo, estamos diante de um vinho de primeira grandeza que deverá evoluir maravilhosamente bem com mais uns dois a três anos de garrafa. Pontuação mais do que comprovada na boca, um ótimo vinho de grande potencial de guarda que gostaria de provar novamente em 2011. Preço, no nível dos grandes vinhos premium do Chile, por volta dos R$328,00.

         Tem mais, mas isso é um segredo que só posso contar dentro de um ou dois meses. Assim que me permitam divulgá-lo o farei, mas só para manter um certo clima de ansiedade, gamei! Por enquanto, explorem os vinhos que estão disponíveis na Wine Premium.

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