Degustações

Carrau na Zahil

                 Andei participando de algumas interessantes degustações as quais gostaria de compartilhar com os amigos. Para dar inicio a Carrau0001esta seqüência, quero começar pela Carrau, um dos bons produtores uruguaios que recentemente nomeou como seu exclusivo importador a Zahil. A Carrau é repleta de história sendo fundada em 1930 por emigrantes catalães vindos de Barcelona onde a família já produzia vinhos desde 1752. No Uruguai, produzem em duas regiões; Em Canelones (Lãs Violetas) e em Cerro Chapéu (fronteira com o Brasil) de onde vem um dos mais conhecidos e laureados rótulos de tannat uruguaio, o Amat; elaborado com cepas vindas de vinhas de baixo rendimento com apenas 5.000kgs por hectare. Dos cerca de um milhão de garrafas produzidas, 75% é de tannat. Alguns projetos interessantes são; o da nova bodega em Cerro Chapéu com um eventual novo vinho binacional e um Merlot Reserva.

         Da linha Cepas Nobles, gama de entrada, são vinhos simples fáceis de beber sem grande complexidade, nem se propõem a isso. Melhor o Tannat 2006 que passa 9 meses em barril, e é uma boa introdução aos outros rótulos do produtor. Saboroso, equilibrado, amistoso um vinho correto sem arestas e fácil de gostar.

         O Tannat de Reserva 2006 é um vinho que passa por 18 meses de carvalho e ainda se mostra um pouco fechado, de boa estrutura mostrando a tipicidade muito característica dos bons tannats da região. Para quem não quiser gastar muito e tomar um bom tannat uruguaio, esta é uma das boas opções no mercado por cerca de R$52,00. Eles não estão trazendo o Cabernet Sauvignon, mas tive o prazer de o tomar em viagem que fiz a Colônia de Sacramento e  também foi um vinho que me agradou bastante.

         O Amat 2004 é um vinho ainda criança apesar de seus já cinco anos e não é a toa que é um dos mais premiados vinhos uruguaios. Um grande vinho que mostra bem a qualidade da tannat assim como a capacidade dos produtores uruguaios em trabalhar esta uva. Foi, no entanto, pelo Carrau carrau pujolPujol Grand Tradicción 2004, um soberbo corte de tannat/cabernet sauvignon e cabernet franc, que me encantei. Algo resinoso no nariz é na boca que mostra todo o seu esplendor e elegância. Complexo, equilibrado, taninos finos e boa acidez compõem um dos melhores assemblage elaborados no Uruguai e, a partir de agora, sério candidato à minha lista de melhores deste ano. Ainda por cima possui uma tremenda relação Qualidade x Preço x Satisfação. Grande pedida por R$82,00 e a minha principal recomendação dos vinhos da Carrau. Quer conhecer mais da história deste grupo familiar (10º geração), acesse seu site clicando aqui.

Salute e kanimambo.

Grande Desafio Decanter de Vinhos Syrah

                   Na aconchegante Enoteca Decanter cercados de grandes vinhos e simpatia, iniciamos nossa degustação através de um bom Logo Enoteca Decantere bem refrescante espumante Espanhol, o cava L’Hereu de Raventos i Blanc Brut muito saboroso, fresco de perlage fina e abundante, quiçá algo curta, de final mineral. Bem o que precisávamos para preparar as papilas gustativas para o que estava por vir. Os vinhos selecionei junto com o Fred Rezende, gerente da casa, e a degustação seguiu as normas já estabelecidas para os Desafios. Veja o que provamos, a avaliação dos grandes críticos da mídia especializada e as notas da banca degustadora composta pelo Emilio Santoro (Portal dos Vinhos), Dr. Luis Fernando Leite de Barros (médico), Evandro Silva, Francisco Stredler, José Roberto Pedreira, Fabio Gimenes, Cláudio Gomes Werneck (Le Vin au Blog) e eu. Também participou o Gelson, sommelier da casa, porém suas notas não foram contabilizadas por razões óbvias. Vejam os contestantes e resultados:

Desafio Decanter Syrah 012

Do norte do Rhône, um Crozes-Hermitage de Jean-Luc Colombo, o Les Fées Brunes 05 com 90 pontos de Wine Spectator e 93 da Wine & Spirits, um clássico da região. Um pouco fechado, talvez devesse ter sido decantado por mais tempo. Nariz tímido sem grandes atrativos, mas já sugerindo um mineral bem acentuado. Na boca mostrou uma certa seriedade e austeridade, encorpado, acidez acentuada que clamava por comida, que não tínhamos! Final refinado, em que aparece o mineral, as especiarias típicas da casta mostrando ser um vinho de qualidade que precisa de tempo para se mostrar, tendo evoluído bem em taça. Prejudicado pela falta de um prato digno do vinho. Preço R$171,00 e nota média obtida 86,13.

Da Argentina, o Callia Magna Shiraz 06 da região de San Juan, onde a Syrah vem despontando como uva ícone da região, um vinho que vem se destacando na mídia internacional estando presente entre os top 10 do concurso Syrah du Monde tanto em 2007 como em 2008 e Parker lhe deu “meros” 94 pontos. Foi escolhido para ser a surpresa da noite já que é um vinho de valor baixo versus a seus oponentes. Corpo médio, aroma frutado intenso. Na boca é macio, equilibrado redondo com taninos sedosos. No final de boca, o álcool aprece um pouco saliente recomendando a manter a temperatura durante o serviço. Fácil de agradar, um Syrah amistoso sem grande complexidade que se mostrou bem saboroso e uma ótima pedida para o dia-a-dia inclusive devido ao bom preço de R$46,50. Nota média obtida 84,44.

Da África do Sul vem o Biography 05, vinho produzido pelo personagem Piet Dreyer em sua vinícola Raka aninhada na ultima cadeia de montanhas do continente africano. Um vinho que já ganhou status de “cult” na África do Sul onde é reconhecido como um verdadeiro clássico, entre os melhores 25 vinhos sul africanos da atualidade de acordo com John Platter um dos mais importantes críticos da região e autor do guia South African Wines. Na cor é escuro como breu, chegando ao nariz com aromas intensos e muito peculiares (café tostado/mineral/tabaco), complexos e inebriantes. Encorpado, entrada de boca impactante mostrando uma personalidade muito própria e diferenciada de todos os outros vinhos tomados. Taninos finos presentes , aveludados, potente e elegante, um grande vinho de longa persistência que nos deixa pensando, pensando,  pens…… Preço de R$130,60 e nota média obtida de 91,63.

Da Austrália, que fez fama em cima da Syrah como uva símbolo do país e aqui denominada como Shiraz, tivemos dois participantes;

  • Killerman´s Rush de Clare Valley 05, produzido pelo maestro (mesmo) Kevin Mitchell proprietário da Kilikanoon, ao qual Parker deu 92 pontos chamando-o de “super-sexy”. Paleta aromática atraente e refinada de boa intensidade sem ser exuberante. Na boca mostra uma certa complexidade, boa tipicidade da cepa, grande equilíbrio, mostrando ser um vinho de grande qualidade que se destaca na boca, Muito saboroso no palato, encorpado pedindo uma maior decantação, consegue harmonizar muito bem sua potência com um caráter elegante que seduz. Um vinho que agradou bastante. Preço R$116 e nota média obtida de 88,19.
  •  Schild Estate Shiraz 05 de grande complexidade segundo a Wine Spectator que lhe deu 93 pontos. Cor rubi puxando para grenada, escuro e denso ao olhar. Nariz efetivamente complexo e sedutor convidando-nos a levar a taça à boca. No palato especiarias (cravo da Índia, pimenta) e muita fruta vermelha (ameixa), corpo médio para encorpado, com ótima textura e volume na boca mostrando grande harmonia na boca com uma riqueza de sabores que impressiona. Final de boca encantador que nos pede para encher a próxima taça, e a próxima, e a próxima, ……Efetivamente um grande vinho e um grande exemplo de que um vinho desta cepa australiano, pode sim ser elegante e refinado. Preço de R$127,00 e nota média obtida de 92,56.

Do Chile o Estampa Gold Assemblage Syrah 04 c/Carmenére, que ficou entre os TOP 5 assemblages tintos do Chile pelo Guia de Vinos de Chile 06, tendo recebido 4 estrelas da Revista Decanter entrando como um dos “TOP 10 Chilean Reds” em 2005. Nariz tipicamente Chileno em que se destaca o Carmenére de forma muita acentuada mostrando especiarias e nuances de goiaba com a madeira se mostrando algo saliente. Taninos firmes ainda presentes, algo aveludados e sem qualquer agressividade. Corpo médio para encorpado, acidez moderada mostrando capacidade de guarda de pelo menos mais uns dois anos quando o vinho deverá evoluir e atingir uma melhor harmonia. Preço R$77,00 e nota média obtida de 82,75.

Da Itália, o Fatasciá Aliré Syrah & Nero d’Avola 05, mais precisamente de Palermo na Sicília, aonde a Syrah também vem crescendo em importância. Aromas intensos de frutas vermelhas maduras, algo defumado mostrando uma certa complexidade. Na boca é sedutor, agradável, amistoso, de boa estrutura, taninos finos e macios mostrando muito equilíbrio e um final de boca muito saboroso com agradáveis toques de especiarias (pimenta do reino) presente no retrogosto de boa persistência. Vinho de R$87,20 e nota média obtida de 87,63.

Panorama Banca Julgadora - Syrah

                  O grande campeão desta noite de vinhos deliciosos selecionados entre um portfolio repleto de preciosidades (veja a expressão de felicidade  nos rostos antes e depois da degustação na foto acima. rsrs) que a Decanter possui e aumenta ano a ano, foi o australiano Schild Estate Shiraz, seguido muito de perto pelo surpreendente sul africano Biography de Raka e em terceiro de novo um australiano o Killerman´s Rush.  Destaque também para; a  melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação, que a meu ver foi  o Aliré, italiano da Sicília um vinho de preço muito bom que superou o francês Lês Fées Brune alcançando a quarta posição e a boa compra do desafio, certamente o argentino Callia Magna Syrah. Mais um grande e interessante Desafio promovido por este blog, desta feita com o apoio irrestrito da Decanter. O próximo será de blends do Novo Mundo que cabem no seu bolso, tendo como teto R$85,00. Quais serão os rótulos que conseguiremos com nossos parceiros para este novo desafio você saberá muito em breve. O local? Desta vez será na Granja Viana na Assemblage Vinhos, (ex-Grand Cru Granja Viana) que tem tudo a ver com o tema do Desafio (corte/blend/assemblage – tout le même chose!). Desde já os meus agradecimentos à Bete e Marcelo por receberem este Desafio itinerante. Acompanhem por aqui  logo, logo mais noticias sobre este evento.

Salute e Kanimambo

Direto do Front – 3º Dia na Expovinis

Nau no Porto Terceiro e último dia de mais uma jornada por esta incrível, diversa e instigante vinosfera. Viagem terminada, porém não totalmente finalizada em seus objetivos. Atracado para reparos e manutenção ( rsrs), faltaram-me pelos menos uma  dúzia de portos que não consegui visitar, mas garimpei bastante e fiz algumas interessantes descobertas. Deixei de conhecer alguns dos vinhos espumantes da Perini, os tintos da Valdemiz, o chardonnay da Góes Venturini e da Pizzato, o Cabernet Gran Reserva Villa Lobos da Valduga, mais vinhos da Decanter, Cantu, Vinea e D’Olivino, o Casillero Reserva Sauvignon Blanc e novo espumante da Concha y Toro, Londrivinus, os estandes portugues da AEP, da Fenadegas, CVR Lisboa e dos Vinhos da Madeira (já sei, pecado para quem prova e fala tanto dos vinhos portugueses), entre outros. São simplesmente portos demais e pouco tempo para escalá-los a todos, desta forma foram para um caderninho de portos a visitar e certamente ao longo do ano estarei compartilhando com você essa experiência pois viraram prioridade. Falemos do terceiro e último dia desta viagem por nossa vinosfera e algumas preciosidades descobertas.

Vinhos da Córsega no Empório Sorio, era para ter retornado antes para conhecer os tintos, mas só ontem consegui. Revi o jovem casal que iniciou uma viagem especial trazendo vinhos desta Ilha da Beleza, o que já me inspirou a estudar sua história, cultura e vinhedos, assim como o homem que toca essa cooperativa de produtores o Alain Mazoyer. Um tinto gostoso, equilibrado algo especiado e de de aromas muito frutados ao nariz, é o Terranostra Niellucciu 07, uma uva da família da Sangiovese; o Terra Mariana Pinot Noir 07 , com uma paleta olfativa olfativa agradável e algo floral se sobrepondo à fruta, taninos finos, longos de muita harmonia e macio elaborado com uvas de vinhedos de 15 a 20 anos de idade, deve ainda evoluir bem nos próximos dois a três anos (ambos por volta dos R$65) e o topo de gama deles o muito bom Domaine Pasqua 04, corte de Cabernet com Syrah de maior estrutura de boca mostrando ser um vinho de guarda que, após 5 anos de garrafa, ainda mostra boa presença de taninos. Dê-lhe mais dois anos de garrafa para que demonstre toda a sua beleza. Esta nova importadora umbilicalmente ligada às coisas da Córsega foi realmente uma das boas pepitas garimpadas nesta viagem e deve ser acompanhada e checada pelos amigos deste espaço. Gostei dos tintos mas adorei os brancos doces Muscat e Chardonnay Doux.

Miolo, voltei com o amigo Miguel, enólogo desta linha Seival, para provar os tintos e conferir o Fortaleza do Seival Pinot Noir, entre outros. O Pinot é um vinho agradável, fácil de tomar e honesto. Sem grandes arroubos de emoção, é um vinho que atende ao dia-a-dia de forma correta. Gostei mais do Tempranillo 07 que voltou aos níveis de qualidade do 2005 (o 2006 não tinha me agradado) com boa estrutura e volume de boca para um vinho nesta faixa de preços. Por último o Castas Portuguesas 2005 que ainda não tinha tomado, devido a uma certa decepção com a safra de 2003 que não me tinha deixado uma impressão favorável. Com 12 meses de barricas francesas novas, este é um vinho diferente mais evoluído, saboroso e equilibrado com taninos mais equacionados, mas presentes mostrando que ainda agüenta um bom par de anos, gostei. O vinho foi elaborado com partes iguais de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro que é uma uva que se dá muito bem nos cortes do Dão, mas que não me encanta pois, para meu gosto, aporta um pouco de rusticidade ao vinho. O Miguel me disse que o 2006 virá com uma boa redução desta cepa no corte o que, acredito, deva tornar o vinho mais amistoso e elegante. Esperemos para comprovar. Faltou-me provar o RAR Pinot Noir que o Miguel disse que está muito bom, mais um que vai para o meu “wish list”, que fica cada dia maior! rsrs

Zahil, dei uma passada rápida pelo estande e provei somente um dos vinhos disponíveis que me agradou bastante, um branco saboroso, Muscadet Sevre et Maine Sur Lie do Domaine Lê Haut Févrie 07, uma grande companhia para mariscos e frutaos do mar grelhados que está por volta de R$51,00. Nos eleitos TOP 10 da Expovinis 2009, um dos novos rótulos da importadora Zahil levou premiação como o melhor vinho branco de outras cepas apresentado na feira, que aconteceu entre os dias 05 e 07 de maio, no Transamérica Expo Center, aqui São Paulo. Na ocasião, foram avaliados vinhos brancos nas categorias “Chardonnay”, “Sauvignon Blanc” e “Outras Cepas”. A Zahil conquistou o júri nesta terceira categoria com o Riesling Les Pierrets 2001, da região da Alsácia, na França, do prestigiado Domaine Josmeyer. A escolha vem ao encontro da tendência de alta de brancos feitos com a riesling, que parece ser a “uva” da vez. Para os enófilos que não puderam comparecer ao evento, a importadora já  disponibiliza o vinho, por R$ 220,00.

 Na Decanter, alguns rápidos goles em três vinhos de boa qualidade e preços diversos. Da Espanha o Pago de Cirsus D.O. Navarra, Selección de La Família 2004, um senhor vinho! Corte de Tempranillo, Cabernet e Merlot, possui um nariz de boa intensidade com a madeira aparecendo bastante. Na boca, no entanto, essa madeira não aparece, havendo uma predominância de fruta compotada, taninos aveludados num vinho encorpado, denso, mas elegante que está no mercado por volta dos R$250,00. Da Itália o San Fabiano Calcimaia Cabernet Sauvignon 2005,de R$180,00, mais um vinho de muita boa estrutura, concentrado e rico que agrada bastante e finalmente um Colomé Reserva 2004, corte de Malbec com Cabernet Sauvignon que impressiona por sua elegância e equilíbrio num vinho com 15.5% de álcool. Macio, longo, saboroso, porém duvido que passasse no meu teste da terceira taça e certamente um vinho para acompanhar um bom prato, vinho que anda por volta dos R$200,00. Bons, mas difíceis de encaixar no orçamento, pelo menos no meu. Para quem pode, um prato, oops, taça cheia!

 Tinto da Alemanha, o Wuerttenberger Trollinger (cepa autóctone)  2007, que deve andar por volta dos R$40 a 50,00, é um clarete de bonita cor, leve e suave devendo ser uma ótima companhia para um galeto na brasa. Já o Lemberger (outra uva autóctone) 2007 é um vinho que apresenta maior corpo, nariz frutado, sedutor, saboroso, com taninos finos já equacionados, mostrando-se um vinho interessante para acompanhar carnes. Preço por volta de R$ 60,00.

Henriques & Henriques Madeira, dos poucos vinhos da Madeira que consegui provar, este é importado pela Expand. O 5 Year Full Rich, é um vinho fortificado, branco, assemelhando-se aos tawnies envelhecidos, um vinho muito agradável de doçura equilibrada, concentrado, cremoso, aromas de frutos secos e mel,alguma especiaria, uma ótima companhia para uma torta de nozes ou amêndoas. Já o Medium Rich Madeira Single Harvest 98, é meio-doce cor dourada, na boca caramelo, café com alguns toques cítricos de final de boca dando-lhe a necessária acidez, mas o de tirar o chapéu mesmo, é o Verdelho 15 anos! Verdelho, uma das castas usadas na elaboração dos vinhos da Madeira, aporta um sabor de nozes ao vinho com um estilo meio-seco ou que se costuma chamar de off-dry, um seco com nuances doces. Um senhor vinho de cor muito bonita tipo ouro velho oxidado, incrível paleta aromática e delicioso na boca com os frutos secos aparecendo bem na boca.

Quinta Mendes Pereira, a amiga Raquel, produtora de vinhos no Dão, está de casa nova, agora na Malbec do Brasil, importadora do grupo La Rioja, que com esta aquisição inicia um novo projeto dentro da empresa trabalhando com produtores de ponta e vinhos topo de gama. Tomei o delicioso e fresco branco, o Garrafeira 2004, sempre uma satisfação, ficando melhor a cada mês que passa e, pela primeira vez o premiado e conceituado Touriga Nacional Reserva 2005, um senhor vinho que figura entre os estupendos vinhos top de gama elaborados com esta uva em Portugal. Taças ruins e temperatura fora do que seria o ideal, mas o vinho mostra um enorme potencial. Cor violácea, aromas de boa tipicidade apesar de ainda timidos, ótimo volume de boca e bem harmônico com taninos finos e aveludados e um final de boca de boa persistência, fresco, jovem a pedir ar! Uma decantação, taças adequadas e temperatura por volta dos 16 a 17 graus e teremos um vinho de primeira! Como tenho uma garrafinha na adega, comprada em Lisboa na minha última viagem, certamente irei me deleitar com ela logo, logo e aí comento mais. Quanto a preço, teremos que esperar um pouco para ver com que níveis a importadora sairá ao mercado.

Wine Society, voltei ao estande pra mais um round de degustações, deta vez com um pouco mais de calma bem no inicio da feira. Sempre um monte de surresas e vinhos muito agradáveis. Desta vez exploramos um pouco mais da linha de produtos da Leasingham, uma empresa do grupo Constellation. Excepcional, para mim que gosto de um estilo de Riesling mais suave e refinado como no Mosel (Alemanha), o Bin 7 de 2007 é encantador e absolutamente sedutor, um vinho de cerca de R$110,00, metade de seu primo mais evoluído e top de linha o Classic Clare Riesling. O Bin 56 de 2006, corte de Cabernet com um tempero de 8% de Malbec, é um vinho muito agradável. Redondo, fino,de taninos macios e final de média persistência bem agradável por cerca de R$115, o Classic Clare Cabernet 2004, um grande cabernet australiano que necessita de tempo, grande estrutura, denso e muito complexo por R$200,00. Um outro branco, desta feita da Mitchelton, o Airstrip 06 é um peculiar corte do Rhône produzido pelos Aussies, um blend das uvas Marsanne/Viognier e Roussane com 14% de teor alcoólico, dourado e poderoso, um vinho que precisa de comida, por cerca de R$80 e um interessante Marsanne 08, da região de Victoria, de nariz bem frutado mostrando algo de pêssego com nuances citrinas lembrando aromas mais típicos da Sauvignon Blanc. Na boca mostra boa acidez com persistência média, entrando seco na boca mas terminando com nuances algo off-dry. Fácil de tomar e agradar, será uma boa companhia para o verão e papo solto e descontraído com os amigos, eventualemente acompanhando alguma salada asiática e custa somente cerca de R$38,00.

ACHADO do dia os espumantes Blanc de Noir da Pericó uma produtora de altitude situada em São Joaquim na será de Santa Catarina elaborando dois incríveis espumantes brut á base de Cabernet Sauvignon com Merlot. Incrível pelo fato de o branco ser de absoluta cor palha verdeal, diferente dos argentinos que também trabalham muito com Blanc de Noir, porém sempre apresentando uma cor mais rosada. O Rosé é de uma cor salmão linda e na boca sedutor, ambos mostrando um frescor incrível para as castas usadas neste blend. O branco mostra muita maçã, algo cítrico na boca, grande equilíbrio e o rose com um pouco mais de corpo e volume de boca com aromas mais frutados lembrando frutas vermelhas, morangos, mas mantendo as mesmas características de frescor. São duas novas opções de espumantes vibrantes, saborosos e muito agradáveis de tomar que podem ser encontrados em São Paulo no Le Tire Bouchon e Cantina Materello com preços estimados por volta de R$35 a 38,00.

TOP 10 da Expovinis. Ainda corro atrás de informações adicionais à mera lista de ganhadores que você já dever ter cansado de ter lido. De qualquer forma a foto dos ganhadores está no slide show abaixo e se quiser acessar a lista de ganhadores, veja aqui, no blog do Gerosa.

[rockyou id=137333765&w=900&h=300]

Final de semana com a programação atrapalhada. Hoje este Direto do Front e no domingo a Coluna do Breno. Na segunda voltamos à nossa programação normal. Dicas da Semana e Noticias do Mundo do Vinho retornam na semana que vem. Nos vemos!

Salute e kanimambo

Direto do Front – 2ºdia da Expovinis

Dia intenso, mar revolto, ventos fortes ainda segurando um pouco a velocidade, mas permitindo que a viagem seguisse seu rumo com apenas alguns pequenos desvios de rota o que significou que alguns portos não foram alcançados (desculpe Elisia, fica para hoje). Corpo cansado, hoje será um dia muito puxado já que não há mais tempo de sobra, esta viagem tem que terminar hoje e tenho que fazer todas as escalas programadas! Ontem, entre um emaranhado de coisas, algumas belas descobertas que compartilho aqui com você.

Villagio Grando, a confirmação de seus bons vinhos, noticias de algumas dia-2-003novidades ainda no forno e uma grande noticia, preços mais acessíveis aqui em São Paulo. Num acordo com a AOC Brasil (visitarei semana que vem para poder compartilhar com você) na Rua Atílio Innocenti no Itaim, seus bons vinhos (Innominabile, Merlot, Cabernet e os brancos Chardonnay e Sauvignon Blanc) cairam de pouco mais de R$70 para algo em torno de R$55,00. O Sauvignon Blanc 2008 ainda sem rótulo, lacrado com uma cápsula de mel de abelha, é bem mineral e frutado mostrando um bom volume de boca, refrescante e longo. Uma mostra de que os jovens vinhedos, desde 99, começam a mostrar evolução.

Quinta das Neves, famoso por seu Pinot Noir, agora também emplaca seu dia-2-004Cabernet Sauvignon. No ano passado já tinha comentado aqui, que seu Cabernet, apesar de menos badalado, era tão bom quanto, se não melhor, que o Pinot. Pois bem no TOP 10 dos vinhos nacionais expostos na Expovinis, um terceiro lugar para o Cabernet, um quinto para o Pinot e um radiante Acari (sócio) que caminhava com um enorme sorriso no rosto. Valeu Acari, melhor ainda porque estes bons vinhos mantèm seus preços competitivos com o Cabernet por volta de R$39,00 (Decanter).

Vinícola Sto. Emilio, uma das boas descobertas do dia. Mais uma das boas vinícolas que surgem em Santa Catarina produzindo vinhos de altitude. dia-2-001Só dois vinhos mas de muito boa qualidade. O Leopoldo 06, corte de Cabernet e Merlot de cor rubi escura, saboroso, especiado, muito boa acidez com um nariz de boa intensidade, um belo vinho. Já o Stellato é uma preciosidade escondida que espero possa logo, logo estar mais disponível em Sampa. É um espumante Rosé de cor bonita, boa perlage, espuma abundante, balanceado, fresco e muito saboroso que está com uma estratégia de preços muito boa chegando ao mercado por volta de R$28,00. Muito bom e pena que a foto não mostre tudo o que é este espumante, mas aí é culpa do fotógrafo que não é lá essas coisas.

Gimenez Mendez, bons vinhos Uruguaios trazidos pela Hannover. O atendimento precário e não muito atencioso por parte dos atendentes, foi amplamente compensado pela simpatia do Sebastian o gerente de exportação da bodega. Foram poucos os vinhos provados, mas um ligeiro, gostoso e agradável Sauvignon Blanc de boa tipicidade, fácil de gostar e um tannat super premium Luis Gimenez Tannat 2006 de grande potencial foram os que mais me chamaram a atenção. O Luis Gimenez Tannat tem um particularidade, que é o fato de ser produto de uma segunda colheita no vinhedo. Na primeira colheita é deixado um racimo por planta por mais uma semana. Sozinho, esse racimo adquire maior concentração, complexidade e cor que vem gerar este belíssimo vinho. Lamentavelmente, era final de dia e o estande estava meio zorreado com muita gente à volta, não dando muita chance para papos e maiores avaliações dos vinhos. De qualquer forma, alguém para ficar de olho e, tendo uma chance, conhecer melhor.

Na Wine Society, onde acabei não vendo os Bag in Box, tive oportunidade de provar três belos brancos e três Shiraz de grande qualidade com preços, dia-2-005dentro da política da empresa, muito bons pela qualidade apresentada. Knappstein Three, corte de Gewurtzraminer/Riesling e Pinot Grigio muito efrescante e complexo por cerca R$64; o Leasingham Clare Valley Magnus 2008 (44º no TOP 100 da Wine Spectator do último ano, com 91 pontos)de R$77,00 é muito mineral, balanceado e bom volume de boca, e do que mais gostei, o Barossa Valley Estate Chardonnay E-Minor 08 possui um nariz algo floral, o aporte de madeira é sutil e refinado, muito fresco e harmônico, um belo chardonnay por m preço convidativo de R$83,00. Dos Shiraz, três estilos de vinhos saindo do mais macio e amistoso Leasinham Shiraz Magnus 06 (R$85), passando pelo Barossa Valley Estate E-Minor 06 (R$83), algo mais encorpado, consistente, muito equilibrado e pleno de sabor, chegando no E-Bass 05 (R$90), encorpado, firme, de grande personalidade , absolutamente harmônico com um final algo herbáceo.

AAA (Amadio South América) e Santa Margherita, meus ACHADOS do dia! A maioria conhece o Pinot Grigio da Santa Margherita, grife dePinot Grigio pelo mundo, mas poucos sabem que essa é só a ponta do iceberg de um grupo que possui vinhedos no Alto-adige, na Toscana, no Piemonte e até na Sicília. A empresa AAA que tem no José Cláudio seu diretor, é o representante destas preciosidades importadas pela Bruck. Do Alto-adige, a poucos quilômetros de Bolzano no Sud-Tirol, norte da Itália quase fronteira com a Áustria vem a ótima linha Kettmeier; um aromático e delicioso Gewurtzraminer 08; um muito bom Muller Thurgau 08 cepa branca com forte presença na região, (ambos sem madeira), de muito frescor, frutado e soberbo na boca; Lagrein 07, uva autóctone da região, um tinto de boa fruta madura e intensidade no nariz, corpo leve, redondo, com taninos finos e macios e o Maso Reitner, um Pinot Nero 06 de respeito, ainda jovem, firme, elegante mostrando grande harmonia, um vinho que me surpreendeu. Da Toscana vem um Chianti Classico Lamole Riserva 2005 vinificado em inox e depois passando por 2 anos de barrica, elaborado com 100% de Sangiovese advindo de vinhedos de baixo rendimento, um belo vinho que mostra a característica dos grandes vinhos de guarda de 10 anos mostrando-se já pronto a beber e riquíssimo em sabores. Para finalizar, um Lamole Vin Santo 2004, maravilhoso vinho de sobremesa que passa por barricas de 60 litros, de cor âmbar / dourado oxidado lembrando um tawny 20 anos semo álcool já que este possui somente 13.5%, cremoso na boca, no nariz muito fruto seco como amêndoas e figos, algo de mel, delicioso, equilibrado por uma ótima acidez e de longa persistência. Todos estes variando entre R$90 a 130,00, estando a grande maioria disponível na Portal dos Vinhos.

dia-2-006

Os TOP 10 da Expovinis em seus diversos segmentos, publicarei amanhã junto com a última resenha de noticias e dicas do front.

Salute e kanimambo

Direto do Front – 1º Dia de Expovinis.

caravela1Bem que tentei me ater ao plano de navegação pré estabelecido, mas os ventos bateram forte e tive que recolher velas durante determinados momentos o que não permitiu que pudesse ver tudo o queria ontem.  Talvez o melhor fosse viajar incógnito, mas não dá né? E o papo, como fica?! Comecemos pelo primeiro fato, a feira está muito rica repleta de coisas novas para garimpo e os portos seguros como Zahil, Decanter (talvez o estande mais movimentado da feira), D’Olivino, KMM, Vinea, Interfood repletos de novidade que que quer dizer que terei um dia ainda mais cheio hoje.

Ontem me ative aos vinhos brancos e espumantes, porém não vi metade do que gostaria. Hoje começarei por aí,  em especial pelos amigos da Marco Luigi que estão com o novo Moscatel 08 já engarrafado e apresentam outras novidades como chardonnay não barricado. Falemos um pouco dos destaques que me entusiasmaram neste primeiro dia de Expovinis.

O bonito estande da Vinhos do Brasil, logo à entrada é parada obrigatória com cerca de 20 diferentes produtores entre eles a Marco Luigi que já comentei, a Caves Amadeu/Geisse, Marson, Cordelier, Lídio Carraro (também com estande próprio), Cordilheira, Gheller, entre outros. Nesta Terça tive oportunidade de provar o novo Gewurtzraminer da Cordilheira de Sant’Ana , safra 2008 que nos mostra a evolução do vinhedo nesta segunda safra e a primeira depois da de 2004. Não perca a oportunidade de conhecer este vinho que se apresenta mais estruturado e muito equilibrado. Muito bons, também, os espumantes da Cave Geisse e Amadeu, em especial o Brut Nature de perlage abundante e fina.

Passando pelo estande da Miolo, onde o Miguel de Almeida, simpático enólogo português do projeto do Seival, me apresentou aos Fortaleza do Seival Pinot Grigio 09 e Viognier 2008, ambos sem madeira para manter o frescor da fruta. O Viognier possui mais corpo, bom volume de boca apresentando aromas típicos da cepa com um floral bastante interessante. Já o Pinot Grigio me encantou mais, bem balanceado, sutil, saboroso e muito fresco. Dois brancos interessantes e de bom preço (por volta de R$20 a 24) e hoje volto lá para checar o Pinot Noir que o Miguel tanto me recomendou. De acordo com ele o melhor custo x beneficio de Pinot Noirs no mundo! Tenho uma aposta nisso e vou conferir hoje, rsrs.

Na Salton dei uma passada bem rápida, retorno hoje também, para conhecer um de seus últimos lançamentos, o Lunae branco e rosé. Na verdade, vinhos frisantes e baratos que buscam conquistar espaço ao Lambrusco no mercado Brasileiro. Corte de moscato/semillon e riesling, demi-sec, o branco é um verdadeiro vinho de beira de piscina bem balanceado, muito fresco, bom para tomar bem gelado no verão, para levar no cooler em piqueniques ou até para a praia já que possui tampa de rosca, mas um pouco doce para o meu gosto. O rosé, que afora essas uvas leva também um pouco de cabernet sauvignon, apresentou-se mais equilibrado com menor residual de açúcar e mais saboroso permitindo acompanhar alguns pratos leves, sanduíches e coisas do gênero, interessantes opções.  Muito bom o novo Chardonnay VIRTUDE 08, vinho premium elaborado 100% com uvas da Campanha Gaúcha que passa seis meses em barrica (metade americana e metade francesa) muito equilibrado em seus 13.9% de teor alcoólico por uma acidez muito boa. Cremoso, untuoso, madeira sutil e final de boca aparecendo baunilha e manteiga. Bom vinho que deve chegar ao mercado logo, logo com preço um pouco abaixo dos R$60,00, talvez uns 55.

Vinea, os sempre saborosos, frescos e encantadores espumantes da Piera Martellozo; o prosecco Incontri que me encanta, e ontem descobri o Muller Thurgau extra-dry, um espumante de muitos atributos que vale a pena conferir. Estando na Vinea não poderia deixar de trocar dois dedos de prosa com Luisa Amorim da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo uma vinícola de primeiríssimo nível da região do Douro em Portugal sobre a qual já publiquei matéria. Seu 3 Pomares branco, recém chegado ao mercado, um corte das uvas autóctones viosinho/gouveio e rabigato, é o irmão mais novo e do grande Grainha branco um vinho de excepcionais qualidades e uma das minhas paixões. Este é muito fresco, vibrante, franco que chega e diz logo o que é. Fácil de tomar e de gostar é um tiro certeiro para acompanhar pratos de fruto mar grelhados.

Na MMV entrei para conhecer os vinhos da Cinco Sentidos, da região de Mendoza, Argentina. A bodega chama-se Algarve, em função de seus fundadores, avós dos presentes donos, serem portugueses! Sinergia estabelecida, provei um gostoso Late Harvest 2007 de torrontés com chardonnay que poderia ter um algo mais de acidez para um melhor equilíbrio, mas que se mostrou bem agradável, assim como um Chardonnay 2006, de boa textura, com corpo e bem agradável passando só 30% em madeira. O Torrontés 2008 lamento não o ter conhecido antes já que poderia ter participado do Desafio Torrontés e teria se dado bem. Boa tipicidade, álcool um pouco alto, mas bem equilibrado e saboroso de se tomar que por cerca de R$35,00 no mercado, é certamente uma boa opção para se conhecer vinhos com esta cepa.

Na Domno, afora os já tradicionais espumantes de produção própria em Garibaldi, Moscatel e Brut, agora chega o Rosé e o Extra-brut. Ambos os vinhos bem gostosos e de boa perlage, mas talvez um pouco exagerados no peço com níveis ao redor de R$45,00. O mesmo padrão de estratégia comercial se vê nos vinhos argentinos da Vistalba, de importação exclusiva, que também estão à prova no estande. Já os conheço e não os revisitei desta feita, mas tendo a oportunidade não perca o Tomero Reserva Petit Verdot e os Vistalba Corte B e Corte A.

VCT Brasil (Vina Concha y Toro) – lança sua nova linha de vinhos premiums – Serie Riberas Gran Reserva – elaborados com uvas de vinhedos ribeirinhos, que se posicionará um pouco abaixo do Marques de Casa Concha ficando ao redor de R$60 a 65,00. No Chile, cada vale tem seu rio e estes vinhedos estão plantados às margens destes rios o que gera um terroir diferenciado. A apresentação digna da empresa, uma das melhores no quesito marketing, e os vinhos, como de praxe, sempre muito bem feitos. Foi lançada uma linha de varietais bastante ampla composta de; Sauvignon Blanc, Chardonnay, Carmenére, Syrah e Cabernet Sauvignon. Todos bastante agradáveis, mas a meu ver três se destacaram; o Sauvignon Blanc sem barrica com muito frescor, cítrico e mineral; o Chardonnay muito macio e equilibrado mostrando também bons traços de mineralidade e frescor e, finalmente o Cabernet Sauvignon que achei com uma personalidade muito própria, de boa acidez, ótima estrutura, agradável textura com taninos ainda firmes por sua tenra idade, mas mostrando finesse com aromas frutados ainda fechados e meio tímidos. Promete muito e certamente um ano a mais de garrafa ou uma hora e pouco de decanter devem permitir que mostre todo o seu potencial

ACHADO – Union des Vignerons Corsican (Emporio Sorio), dizem que os últimos serão os primeiros e, neste caso, é vero. Certamente o maior achado de ontem, quiçá de toda a feira, a conferir aqui na Sexta-feira. Já tinha dado uma noticia sobre a chegada dos vinhos da Córsega ao Brasil pelas mãos do Empório Sorio, e agora tive a oportunidade de os conhecer e provar alguns dos vinhos (hoje retorno para os tintos) e caí de quatro! Em um dos boxes do grande estande da França, um bate-papo muito agradável com a Andréia, o Thierry e o produtor provando os seus bons vinhos com uvas autóctones e outras que são verdadeiras “aventuras” deste enólogo treinado em Bordeaux e que viu nesta região a possibilidade de dar asas a sua imaginação e criatividade. Sair da mesmice e buscar o novo, eis o que me encantou nesta visita. Muito bons o branco Terranostra Vermentinu 2007 fresco, de acidez mediana e bom cítrico ao nariz e boca assim como o Chardonnay Domaine de Lischetto 07, sem madeira , peculiar e pura demonstração do terroir, de enorme frescor e muita fruta um vinho delicioso. O Rosé Terranostra Sciaccarellu, uva autóctone, de bonita cor salmão é delicioso, exótico, crocante, vibrante e pleno de sabor um dos muito bons rosés provados ultimamente e, cá entre nós, deixa no chinelo a grande maioria dos aclamados Rosés de Provence que tive a oportunidade de provar. Divinos dois vinhos de sobremesa com teor de álcool com 11% o que nos permite esticar aquele almoço ou jantar ad-infinitum! Na minha opinião particular, são estes vinhos de baixo teor alcoólico e plenos de sabor que cumprem a verdadeira função social do vinho, o de juntar as pessoas em volta de uma mesa por um tempo longo e muito bate-papo. Muscat Felix Pietri, de aromas encantadores e sedutores, flores brancas, pêssego, macio na boca, perfeitamente equilibrado com uma ótima acidez  e o Domaine Pasqua Impassitu, um Vin Doux de Chardonnay. Elaborado por método similar ao Passito italiano, em que as uvas são secas ao sol sobre esteiras, perdendo grande parte de seu suco por evaporação, aumentando o nível de açúcar até que cheguem ao ponto ideal determinado pelo enólogo. Nunca tinha provado um vinho doce tendo como base a uva Chardonnay e fui absoluta e completamente enfeitiçado por este vinho que, apesar de seus 120 grs de açúcar residual, apresenta um frescor inigualável balanceado que é por uma ótima acidez e uma cor dourada que apaixona o olhar. Na complexa paleta olfativa, algo de figo confitado e mel. Na boca extremamente elegante, cremoso, refinado e harmonioso, com um final extremamente saboroso e de grande persistência que fará qualquer final de refeição se tornar inesquecível! Duvida de tudo o que falei? Passa no estande e prova! Depois falamos, mas hoje volto lá para provar os tintos. Fui!

[rockyou id=137211835&w=510&h=376]

Salute kanimambo

Aviso aos Navegantes na Rota da Expovinis

               É HOJE, É HOJE!! É hoje que inicia mais uma viagem de descobertas enófilas.  descobridores-1Aos amigos desbravadores dos sete mares que estarão se aventurando pelas águas da Expovinis, algumas dicas para aproveitar ao máximo esta experiência de descobrir um sem numero de vinhos de diversos países do mundo e de uma enormidade de produtores. Basicamente um repeteco de posts já publicados anteriormente, mas acho importante retomar o assunto e relembrar o tema.

                Realmente a Expovinis é uma experiência única para se descobrir e conhecer uma enormidade de rótulos, de uma vasta lista de produtores das mais diversas origens tudo num mesmo local e em um curto espaço de tempo, um verdadeiro playground de tentações mil, uma verdadeira viagem ao paraíso ou um tremendo naufrágio!  Para os profissionais é um acontecimento, mas para nós consumidores que temos que alocar rótulos em nossos orçamentos de uma forma mais precisa, evitando erros e fazendo render nosso suado din-din, eis uma especialíssima oportunidade para garimpar os vinhos que iremos comprar, sem receio e sem desperdício financeiro, no futuro. 

  • Programe-se, tente traçar sua rota passando primeiramente por aquelas terras que você não quer perder de jeito nenhum.
  • Tente começar pelos brancos e espumantes para só depois fazer prova de tintos. Provavelmente navegará mais, mas aproveitará melhor!
  • Tente evitar as tentações que Baco e Netuno colocarão em seu caminho, deixando-as para o final.
  • Não ultrapasse os limites da embarcação! Se necessário recolha-se a um porto seguro para recuperar as forças e retomar viagem.

Cuidado, não exagere nas doses. São pequenas, mas se tomar muitas, vira um problemaço para sair de lá e falo por experiência própria de alguns anosnavegacao_portuguesa atrás. Os marinheiros de primeira viagem, especialmente, têm que tomar cuidado já que o célebre ditado de que; “quem nunca comeu mel quando come se lambuza”, é regra e, mais uma vez, por experiência própria. Aprendi há tempos e quebrando a cara, que é essencial; se alimentar bem antes de ir e seguir se alimentando por lá, tome muita, mas muita água e, finalmente, CUSPA! Sei que é difícil fazer isso com a maioria dos vinhos, quase um sacrilégio, mas mantenha-se firme no timão, cuspa e mantenha a rota.

                       Não, não estou de sacanagem não, e a maioria sabe do que estou falando. Esta é a forma que os degustadores profissionais encontraram para poder fazer a prova de um grande numero de vinhos sem que fiquem “borrachos”.  Eu, por pura necessidade, já aprendi e o faço cada vez que tenho mais de oito vinhos para prova, questão de sobrevivência. É, certamente, uma das formas de você conseguir provar muito sem cair de quatro ou naufragar na primeira esquina! Para melhor comentar este assunto, nada como um experiente mestre no assunto, o amigo Luiz Horta, que escreveu um post genial sobre o tema em Agosto de 2007 em resposta a um comentário recebido em seu blog.

 “Numa degustação como este encontro que acontecerá semana que vem, estarão reunidos cerca de 30 produtores, cada um mostrando vários vinhos. Se você tomar um golinho de cada, calculando no chute, terá engolido 300 golinhos. Se cada gole tem uma colher de sopa, serão 4 litros e meio de vinho, ou seja: 6 garrafas inteiras!

 Como queremos provar de tudo, para conhecer, saber quais iremos comprar depois, ou mesmo experimentar um vinho novo, cuspir elimina boa parte do álcool, deixando que avaliemos o que nos interessa: a qualidade, o aroma, o sabor.

Mesmo assim, um pouco fica, entra no organismo através da mucosa da boca, então -mesmo cuspindo – teremos ingerido uma garrafa de vinho, mais ou menos, que não é um exagero para as cinco horas de duração do evento, onde há coisas para comer e água para hidratar.

Agora, é feio cuspir? Seria, se fosse no chão e com exagero, mas tem uns potinhos discretos, a gente leva a vasilha perto da boca e cospe delicadamente, mantendo a pose, sem ruído, ou abaixa e deixa o líquido sair da boca, sem respingar.”          

naufragio                Imagine, agora, um local em que estejam presentes, não 30, mas  300 expositores! Não cinco horas, mas oito! Não um dia, mas três!! Então, devagar com o andor que o santo é de barro amigos! Se ainda não fez sua programação de visitas (quem sabe o meu post do último domingo ajude)  primeiro dê uma passada geral, destaque aqueles que mais lhe despertam curiosidade e, só depois, inicie suas provas tomando os devidos cuidados de seguir comendo algo, bebendo bastante água e, pelo menos em boa parte dos casos, cuspir. Melhor ainda, faça tudo isso e, se puder, vá e volte de táxi ou arrume carona. Bon voyage por terras e vinhos nunca dantes navegados, com algumas escalas em portos conhecidos para rever amigos. A Expovinis é isso mesmo, uma grande e saborosa viagem para ser apreciada com sabedoria. Evite as tormentas e o naufrágio que seria muito triste depois de tão intensa viagem de descobrimentos! Saiba a hora de recolher velas e lançar âncora. Lembre-se, tão bom quanto navegar é voltar a terra firme são e salvo.

Salute,  kanimambo e Bon Voyage!

Desafio Decanter de Vinhos Syrah

               Como já disse antes, o Desafio de Vinhos deste mês de Abril será uma degustação às cegas de grandes vinhos Syrah do ótimo portfolio da importadora Decanter. Parceiro antigo de Falando de Vinhos, a Decanter possui um projeto de Enotecas, já são cinco (Camboriu/Santos/BH/Curitiba/São Paulo), tendo a de São Paulo sido inaugurada em 2008. São 350 m2 em que você encontra todo o portfolio dos produtos importados pela Decanter, e uma vasta e especial seleção de vinhos disponíveis à taça no wine bar, ambientados num projeto arquitetônico de muita beleza e extremo bom gosto num ambiente super aconchegante. Sua área para cursos e degustações, onde faremos o desafio, é de primeira, muito aconchegante e espaçosa.

No wine bar, O «Le Verre du Vin», equipamento desenvolvido na Inglaterra e trazido ao Brasil com exclusividade pela Decanter, é uma máquina que, depois de abertas as garrafas, preserva a frescura do vinho por até 3 meses, na medida em que lhes retira o ar que ficou entre o líquido e a rolha, criando um vácuo e evitando assim que o néctar oxide. Nesse wine bar, 50 rótulos diferentes fazem a festa dos enófilos que queiram desfrutar de bons vinhos à taça e degustar alguns acepipes elaborados pelo renomado chef italiano Sauro Scarabotta do Fricó.

Um grupo de experientes sommelieres, capitaneados pelo gerente Fred Rezende, o atenderão e assistirão na compra dos mais diversos rótulos de mais de 100 produtores. Dos vinhos mais em conta como os saborosos cortes elaborados pela Estampa (Chile) e Callia (Argentina) até grandes vinhos como um Cote-Rotie la Divine de Jean-Luc Colombo ou um Barolo Ornato de Pio Cesare ou, ainda, um Champagne Grand Cru como o Millésime Brut 1998 da Barnaut, há néctares para todos os gostos e bolsos. São mais de 700 rótulos, então impossível conhecer todos, mas eis uma lista de alguns dos vinhos que conheço e recomendo:

  • Domaine du Salvard – Cheverny Le Vieux Clos – branco do Loire, apaixonante e de bom preço.
  • Chateau de Tracy – Mademoiselle de T – um Pouilly Fumée delicioso com um dos melhores preços do mercado.
  • Prosecco Bedin – um dos melhores disponíveis no mercado.
  • Despagne – Chateau Bel-Air Perponcher Reserve – um Bordeaux diferente feito por gente diferente.
  • Pio Cesare – Barbera d’Alba Fides – um verdadeiro elixir dos deuses, sem contar o Barolo e Barbaresco!
  • Castellani  I Castei – Valpolicella Clássico Superiore Ripasso Costamaran – grande vinho por um preçinho! Toda uma linha de excelentes vinhos entre eles o divino Amarone Cinque Stelle.
  • Nicodemi – Vinhos da região de Abruzzo tanto brancos, elaborados com a Trebbiano, como os tintos com Montepulciano d’Abruzzo. Todos, muito bons.
  • Luis Canas – Rioja Crianza – um belo vinho de boa tipicidade por um preço bem abaixo de outros Riojas do mesmo nível.
  • Domaine Bouzeron – o Puligny-Montrachet 1er Cru Champs gains é verdadeiramente inebriante, um grande vinho.
  • Domaine Pierre Labet – muito bom o Bourgogne Pinot Noir Vieilles Vignes, uma bela introdução ao mundo da Borgomnha.
  • Abadal – Rosado Pla de Bages – Delicioso e um dos campeões de meu painel de vinhos rosés.
  • Anselmo Mendes – Loureiro Muros Antigos – um dos excelentes brancos de Anselmo que possui uma bela relação Qualidade x Preço x Satisfação.
  • Quinta dos Roques – Encruzado – um dos melhores vinhos brancos portugueses da atualidade, divino!
  • Raka – produtor Sul-africano com uma série de ótimos rótulos com destaque para o Figurehead (um complexo blend) e o Biography (Syrah).
  • Estampa – Gold Assemblage Syrah – um dos muitos bons rótulos deste produtor que ainda por cima tem preços muito camaradas.
  • Bouza – produtor urugaio produzindo vinhos maravilhosos e cheios de caráter. Entre eles o Albariño, Tannat/Merlot, Tempranillo/Tannat e Monte Vide Eu .
  • Luigi Bosca – dispensa apresentações, mas o Cabenet Sauvignon Reserva e o Malbec DOC são dois dos meus preferidos.
  • Viña Alicia – Tiara, um branco divino e único produzido com Riesling, Albariño e Savagnin.
  • Bodega Callia – um produtor em ascenção na região de San Juan fazendo vinhos de corte (maioria bi-varietais) e varietais de muito bom nível com preço lá em baixo! Olho nos Syrah e Magna Viognier, muito interessante.
  • Domingos Alves de Souza – o Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional e o o Porto  Quinta da Gaivosa LBV são estupendos.

Tem muito mais, mas estas são algumas dicas para você se iniciar nos vinhos da Decanter e se deliciar no wine bar da Enoteca que fica na Rua Joaquim Floriano 838, Itaim, logo após a João Cachoeira, Tel. (11) 3073-0500. Delicie-se com o slide show de fotos que tirei de lá, mais um Parceiro de Falando de Vinhos. 

[rockyou id=136601630&w=600&h=450]

Planeta Sicilia

Vinhos Planeta, caldos com história apresentados pelas bonitas e simpáticas; Penny Murray, uma inglesa siciliana, e Coleen Clayton, uma americana mendocina, que são por si só exemplos vivos da globalização em nossa vinosfera. Mais uma vez no Aguzzo, um conceituado restaurante e café que harmoniza divinamente com os vinhos servidos, recepcionados pela equipe simpática da Interfoods e organização impecável da Fernanda Fonseca. Há muito que andava curioso para degustar estes vinhos, procedidos que são de comentários preciosos dos maiores críticos internacionais e mídia especializada, que os colocam num patamar de qualidade bastante alto. Finalmente cá estou com as taças na mão provando alguns desses néctares.

Sicília, um total de 22 DOC’s e 1 DOCG (Cerrasuolo de Vitória) com terroirs dos mais variados que vão de vinhedos ao nível do mar até 1200 metros de altitude, produção total em torno de 5 milhões de garrafas (somente 15% da produção é engarrafada), das quais 64% de vinhos brancos,  450 produtores dos quais somente 7 são responsáveis por 80% do vinho engarrafado. planeta-sicilia-mapUm destes grandes, é a Planeta que está aqui presente desde o Século XVII. Hoje são cinco vinhedos em diferentes partes da Ilha produzindo cerca de 13 rótulos de vinhos brancos e tintos assim como azeites. Engarrafa cerca de 2 milhões de garrafas com vinhos originados de seus 391 hectares de vinhas. Deste volume, 50% fica na Itália e o restante é exportado para 65 países. Dos vinhos produzidos, tive o privilégio de provar seis rótulos os quais comento abaixo.

Da principal linha, La Segreta que representa 50% da produção da empresa gerida por 7 irmãos e 15 sobrinhos, tomamos o Bianco e o Rosso, vinhos que estão na faixa de excelentes R$46

 

la_segretabianco07_72La Segreta Bianco 2006, com passagem de 100% em inox, é um corte de Grecanico, Chardonnay, Viognier e Fiano que possui aromas muito complexos e intensos em que aparece um floral bastante acentuado com nuances doces. Na boca apresenta uma certa mineralidade, acidez e equilíbrio um pouco prejudicados pela idade, boa persistência, um vinho marcante para quem busca algo diferente. Gostaria de ter provado o 2007, ou melhor ainda o 2008 que certamente deverão apresentar uma outra vivacidade. Este 2006, a meu ver, já se encontra em final de vida.

 

la_segretarosso07_72La Segreta Rosso 06, também fermentado em inox, foi decididamente a melhor relação Qualidade x Preço x Satisfação encontrada nesta prova. Corte de Nero d’Avola, Merlot, Syrah e Cabernet Franc, produz aromas de fruta madura, algo compotada, de boa intensidade que te chamam à taça. Ao primeiro gole sente-se um vinho redondo e macio, taninos finos já equacionados mostrando uma boa harmonia e acidez equilibrada que nos convida a tomar a próxima taça. Um vinho jovem, alegre, saboroso, fácil de tomar e agradar que deve ser tomado entre dois a três anos de vida. Um vinho muito saboroso com preço idem que o torna imperdível.

 

         Na escala de qualidade e preço, damos um pulo quando iniciamos a prova dos vinhos da linha mais conhecida deles com os varietais Merlot e Syrah.

 

planeta-merlot07_72Planeta Merlot 05, um vinho que leva um tempero de Petit Verdot que lhe dá uma complexidade a mais. Fica um ano em adega após um ano em carvalho francês e mostra uma personalidade bem Novo Mundo, com muita potência, alto porcentual de álcool (14.8%) e concentração de fruta. O nariz é intenso, bem frutado com algo de menta ao final. Muito boa estrutura, taninos firmes mostrando estar ainda jovem e com um longo tempo de evolução pela frente, ótimo volume de boca, rico e complexo de grande persistência. Dentro do estilo, um vinho que me agradou bastante por um preço de R$142.

 

planeta-syrah06_72Planeta Syrah 03, talvez o mais emblemático dos vinhos deste produtor, elaborado com uvas de vinhedos plantados em 95 tendo gerado as primeiras garrafas na safra de 99. Os aromas mostram toda a tipicidade da cepa de forma intensa e agradável em que a pimenta aparece de forma abundante. Entrada de boca impactante, especiado, taninos finos com um final de boca muito saboroso e extremamente longo. Efetivamente um belo vinho que mostra bem todo o potencial da Syrah nesta parte do mundo. O preço, R$142,00 é compatível com o nível de qualidade do vinho.

 

         Para finalizar provamos algumas novidades e vinhos de exceção produzidos pela Planeta. Um tinto poderoso e um vinho de sobremesa de primeiro nível.

 

planeta-et_burdese_2005_72Burdese 04, um corte de 70% Cabernet Sauvignon com Cabernet Franc fermentado em barricas de carvalho francês por cerca de 14 meses e um conteúdo de álcool próximo a 14.5%. Muito potente ainda muito jovem o que prejudicou, pelo menos para mim, uma melhor avaliação. Mostra muito potencial, mas o nariz ainda está algo desiquilibrado com o álcool sobressaindo-se à fruta. Na boca está mais harmônico, mostrando-se algo balsâmico, muito rico e concentrado, opulento, taninos firmes porém finos e uma ótima acidez que demonstram uma enorme capacidade de guarda e evolução, final de boca saboroso e muito longo. Não chegou a me encantar, mas ainda é muito jovem e tenho a certeza que quem tiver paciência e souber esperar, dizem que o apressado come cru, certamente estará diante de um grande vinho dentro de mais uma meia dúzia de anos. O preço R$165,00 é bastante bom quando comparado aos produtos similares disponíveis no mercado.

 

planeta-moscato06_72Moscato di Noto, com 180grs de açúcar e 9 graus de acidez um senhor vinho de sobremesa realmente encantador, produzido com 100% da uva Moscato Bianco. O nariz não entusiasma, muito químico com aromas intensos de acetona, mas na boca explode em grande complexidade de sabores (cítricos, chá, nectarina?) e perfeita harmonia. Estupendo, com uma acidez que equilibra perfeitamente a doçura do vinho tendo-se harmonizado de forma perfeita com torta quente de nozes, avelãs e amêndoas com sorvete de creme. Disponível em meia garrafa por R$150,00.

        

         Salute e Kanimambo.

 

Para quem eventualmente tenha visto este post anteriormente, houve uma revisão em função da grande redução de preços negociada com o produtor o que possibilitou um novo reposicionamento, mais correto a meu ver, estratégico de preços por parte da Interfood.

 

Junho 2009

Embate de Syrahs na Enoteca Decanter

logo-enoteca-decanterO Desafio de Vinhos iniciado no mês passado com o Desafio Torrontés, desta vez será realizado na bonita Enoteca Decanter com um grande Desafio Decanter de Vinhos Syrah. Nesta próxima semana terei o privilégio de dar uma volta ao mundo conhecendo os diversos estilos de vinhos elaborados com a cepa Syrah em 6 países diferentes, acompanhado de nove amigos e leitores convidados a participar da banca avaliadora deste incrível desafio. Vejamos quem serão os concorrentes desta disputa:

  • Do norte do Rhône, um Crozes-Hermitage de Jean-Luc Colombo, o Les Fées Brunes com 90 pontos de Wine Spectator e 93 da Wine & Spirits, um clássico da região. Este produtor, por sinal, produz um dos melhores vinhos que já tomei e que fez parte de meus “Deuses do Olimpo 08”, o Cote-Rotie La Divine.
  • Da África do Sul, aonde esta cepa vem ganhando grande destaque, vem o Biography, vinho produzido pelo personagem Piet Dreyer em sua vinicola Raka aninhada na ultima cadeia de montanhas do continente africano. Um vinho que já ganhou status de “cult” na África do Sul onde é reconhecido como um verdadeiro clássico, entre os melhores 25 vinhos sul africanos da atualidade de acordo com John Platter um dos mais importantes críticos da região e autor do guia South African Wines.
  • Da Austrália, que fez fama em cima da Syrah como uva símbolo do país, temos dois participantes; Killerman´s Rush de Clare Valley, produzido pelo maestro (mesmo) Kevin Mitchell proprietário da Kilikanoon, ao qual Parker deu 92 pontos chamando-o de “super-sexy” e o Schild Shiraz de grande complexidade segundo a Wine Spectator que lhe deu 93 pontos.
  • Da Argentina, especificamente da região de San Juan, onde vem despontando como uva ícone da região, o Callia Magna Shiraz, vinho que vem se destacando na mídia internacional estando presente entre os top 10 do concurso Syrah du Monde tanto em 2007 como em 2008 e Parker lhe deu “meros” 94 pontos.

Para sentir como este vinho se dá em assemblage, escolhi dois vinhos de regiões bem diferentes entre si.

  • Do Chile o Estampa Gold Assemblage Syrah que ficou entre os TOP 5 assemblages tintos do Chile pelo Guia de Vinos de Chile 06, tendo recebido 4 estrelas da Revista Decanter entrando como um dos “TOP 10 Chilean Reds” em 2005.
  • Da Itália, mais precisamente de Palermo na Sicília, aonde a Syrah também vem crescendo em importância, o Fatasciá Aliré Syrah & Nero d’Avola.

Serão sete “competidores” de primeiro nível lutando pela atenção e preferência da banca de provadores na busca pelo titulo de vinho da noite, o grande ganhador do “Desafio Decanter de Vinhos Syrah”. As garrafas e seus rótulos estarão encobertos por papel aluminio e os membros da banca não os verão até ao final da degustação, já que esta se dará às cegas. Imperdível e somente viável pelo apoio da Decanter e Enoteca Decanter a este evento, a este blog e ao amigo leitor que terá todas informações sobre esta admirável noite de degustação, aqui mesmo em Falando de Vinhos.

Salute e kanimambo.

Sauvignon Blanc – Grande Prova Freetime

sauvignon_blanc_white_grape_varietyVinte rótulos de Sauvignon Blanc em prova, eis o presente que o amigo Walter Tommasi, experiente degustador, enófilo e editor da revista Freetime, me deu de presente no fim de semana.  Este é o resultado de sua mega degustação e desafio de Sauvignon Blanc entre a Nova Zelândia e o Chile, que não poderia deixar de compartilhar com os amigos leitores de Falando de Vinhos. Foram um total de 20 rótulos provados por uma banca de primeiro nível tendo dado Nova Zelândia na cabeça, com a Casa Marin (Vinea Store) e Bill da William Cole (Ana Import) dando o tom pelos vinhos chilenos. O Cipreses, assim como o Laurel (este ultimo não participou) da Casa Marin, são sim grandes vinhos, uma pena que sejam tão caros, o dobro dos primeiros colocados.

Vejam o resultado e comentários desta grande degustação e desafio entre brancos de dois países que primam pelos bons vinhos produzidos. Chamo a atenção para o fato de que preço não é sinônimo de qualidade, mas sim tendência, e o mais caro não necessariamente é o melhor como ficou demonstrado pelo resultado, haja visto a comparação entre o primeiro e o último colocado nessa prova.

          

   Nova Zelândia x Chile

 

 

 

Palliser Estate 2006 – Nova Zelândia 

 Palha claro brilhante, Complexo e elegante com delicados aromas florais, frutados e cítricos, toque mineral e de aspargos. Na boca muito equilibrado, com ótima acidez, cremoso, bom corpo, persistência longa e retrogosto frutado. PREMIUM  (31) 9222-5992. Preço- R$ 76,00- Nota 89,1

Mount Nelson 2006 – Nova Zelândia 

 Palha brilhante. Complexo com predominância de aromas cítricos, herbáceos e minerais, frutas brancas como pêra, toque de borracha. Boa acidez, corpo médio e persistência longa, retrogosto cítrico. EXPAND GROUP – (11) 3847 –4700. Preço – R$ 78,00 – Nota 88,3

Casa Marin Cipreses 2006 – Chile 

 Amarelo dourado brilhante. Complexo, cítrico (grapefruit), herbáceo,mineral e toques frutados. Na boca bem estruturado, com acidez correta e persistência longa, retrogosto frutado. VINEA STORE – (11) 3059-5200. Preço – R$ 145,00 – Nota 88,3

Nautilus Estate 2006 – Nova Zelândia

 Amarelo com toques verdeais  brilhante. Aromas minerais, casca de limão, melão, borracha, um toque fumê e ligeiro lácteo. Equilibrado com alta acidez, bom corpo e persistência longa. WINE PREMIUM (11) 3040-3434. Preço R$ 95,00 – Nota 88,0

Saint Clair 2007 – Nova Zelândia 

 Palha claro, brilhante. Elegante com aromas cítricos (grapefruit), minerais  e frutados (maracujá) . Na boca ótima acidez, seco, bom corpo e persistência e retrogosto cítrico. GRAND CRU (11) 3062-6388. Preço R$ 84,00 – Nota – 87,6

“Bill” William Cole Limited Edition 2007 Chile 

 Palha verdial. Elegante e complexo, cítrico, herbáceo, aspargos, mineral, com ligeiros toques lácteos e tostados. Boa acidez, seco, corpo e persistência corretos retrogosto lácteo. ANA IMPORT (71) 3337-1111. Preço R$ 95,00 – Nota – 87,4

Hunter’s 2007 – Nova Zelândia 

 Palha verdial. Aromas delicados de frutas (maça verde), cítrico (lima da pérsia) e toques florais. Alta acidez, bom corpo e persistência, retrogosto cítrico. PREMIUM (31) 9222-5992. Preço R$ 73,00 – Nota 87,3

Shingle Peak Matua 2006 – Nova Zelândia 

 Palha brilhante com toques verdeais. Complexo, aspargos, petrolato, herbáceo, feno e casca de limão. Equilibrado, acidez correta, leve elegante, ótimo final de boca. VINHOS DO MUNDO (51) 3012-8090. Preço R$ 70,00 – Nota 87,3

Sileni Estate 2008 – Nova Zelândia 

 Palha bem claro. Aromas delicados herbáceos, aspargos, florais e frutados (maracujá) e toques minerais . Boa acidez, corpo médio persistência correta. MISTRAL (11) 3372- 3400. Preço R$ 66,60 – Nota 87,3

10º Jackson Estate 2007 – Nova Zelândia 

 Dourado pálido brilhante. Mineral, e frutado, maracujá e pêra, toques cítricos. Alta acidez, seco, corpo e persistência média, ligeiro amargor. PREMIUM (31) 9222-5992. Preço R$ 78,00 – Nota 87,2

11º Anakena Ona 2007 – Chile 

 Palha brilhante. Complexo, cítrico, herbáceo, mineral com toques frutados, maracujá e grapefruit. Acidez correta, bom corpo, macio, longo com um agradável final de boca com toques minerais. MERCOVINO (16) 3635-5412. Preço R$ 79,00 – Nota 87,1

12º Maycas Limari Reserva Especial 2007 – Chile 

 Dourado brilhante. Frutado, abacaxi, toque de melaço, aromas evoluídos, ligeiro toque tostado. Boa acidez, corpo e persistência média, retrogosto evoluído. ENOTECA FASANO (11) 3168-1255. Preço R$ 89,00 – Nota 86,7

13º Quintay 2006 – Chile 

 Palha brilhante. Feno, frutado, lichia,mineral,pedra de isqueiro. Boca volumosa, boa acidez, boa persistência, final de boca agradavelmente frutado.  PREMIUM (31) 9222-5992. Preço R$ 61,00 – Nota 86,6

14º De Martino Parcela 5 Single Vineyard 2007 – Chile 

 Palha verdial. Elegante, mineral, cítrico, floral e toque fumê. Vinho delicado, com alta acidez, corpo e persistência média. DECANTER (47) 3326-0111. Preço 97,30 – Nota 86,3

15º Alto Vuelo William Cole 2007 – Chile 

 Amarelo claro brilhante. Delicado, frutado, goiaba, maracujá, herbáceo (arruda),mineral, cítrico. Elegante,seco,corpo e persistência média,acidez bem dosada. ANA IMPORT (71) 3337-1111. Preço R$ 51,85 – Nota – 86,3

16º Brookfields Hawke’s Bay 2006 – Nova Zelândia 

 Palha verdial.Cítrico, mineral,herbáceo, toques frutados (maçã ). Acidez correta, seco, corpo médio, persistência longa, retrogosto herbáceo, ligeiro amargor final. PREMIUM (31) 9222-5992. Preço R$ 78,00 – Nota 85,8

17º Tres Palacios Reserva 2006 – Chile 

 Palha verdial brilhante. Elegante, herbáceo, aspargos, mineral, leve fruta( pêra). Boa acidez, seco, bom corpo e persistência, final de boca agradável, frutado. ENOTECA FASANO (11) 3168-1255. Preço R$ 67,00 – Nota 85,6

18º Montes Selection 2007 – Chile 

 Amarelo palha verdial. Cítrico, frutado, pêssegos e maracujá, mineral, herbáceo. Acidez marcante, bom volume, persistência longo retrogosto cítrico. MISTRAL (11) 3372- 3400. Preço R$ 49,55 – Nota 85,6

19º Casa Lapostolle 2007 – Chile 

 Palha claro brilhante. Herbáceo, arruda, cítrico, mineral, pimenta branca. Boa acidez, alcoólico, encorpado, persistência longa retrogosto cítrico,ligeiro amargor. MISTRAL (11) 3372- 3400. Preço R$ 47,56 – Nota 85,1

20º Cariblanco Kingston 2006 – Chile 

 Amarelo palha com toques verdiais. Delicado com aromas florais e minerais. Alta acidez, corpo e persistência média. MERCOVINO (16) 3635-5412. Preço R$ 100,00 – Nota 84,6

 

 Salute e kanimambo