Degustações

Merlot Brasileiro – Para quê outros?!

               No post sobre a degustação de Châteauneuf-du-Pape publicado nesta última Segunda, falei de que na seqüência provamos um painel de doze rótulos dos bons Merlots brasileiros. Pois bem, ficou claro que, por mais que os produtores busquem a uva ícone brasileira; Merlot, Cabernet Sauvignon, Marselan, Egiodola e Ancelotta entre outras, é na Merlot que nosso terroir mostra sua cara numa enorme quantidade de rótulos de muito bom nível. Na minha modesta opinião e para muitos dos que apreciam bons vinhos, enófilos desprovidos de preconceitos, é na Merlot que devemos apostar nossas fichas e, apesar de já estar claro que esta é nossa cepa principal, ainda não aprendemos a lidar com esse fato do ponto de vista mercadológico. A Merlot é decididamente nossa grande cepa e, como veremos na degustação abaixo, não só na Serra Gaúcha não. Reproduzo abaixo os comentários e resultados conforme constam na revista Freetime já nas bancas.

             Desta feita, apesar de minhas notas estarem bem parecidas com a média alcançada, somente acertei o primeiro (Storia) e o último, no meio uma salada só. Para terem uma idéia do equilibrio, nas minhas notas eu tenho nada mais, nada menos do que quatro rótulos empatados em segundo lugar! De ressaltar a boa média de pontuação, sem grandes variações, com dez, das doze notas, acima de 85 pontos ou seja, vinhos de muito boa qualidade. Costumo dizer que nossos Merlots,  preço por preço, batem a maioria dos importados e que na faixa mais baixa são invencíveis. Este painel só veio confirmar isso e agora resta-me colocar alguns destes vinhos num Desafio  de Vinhos Merlots no Mundo o que farei neste mês de Junho, colocando frente a frente nossos melhores contra vinhos da; França, Espanha, Argentina, Itália, Chile, Australia, Portugal e África do Sul. Nos próximos dias falarei mais dessa “contenda”. Maiores destaques e Best Buys deste painel, no meu conceito,  foram o Pizzato Reserva, o Dal Pizzol e o Cavalleri Reserva todos com preços médios no mercado entre R$ 28 e 35,00 (minha pesquisa). Vamos aos vinhos conforme notas e comentários da revista:

Merlot TerroirMIOLO MERLOT TERROIR 2005 – Rubi violáceo, alta concentração, sem halo. Complexo, predominando frutas vermelhas maduras, amora, tostado agradável, caramelo, especiarias. Potente com ótima acidez, taninos muito finos, envolvente, volumoso, persistência longa e retrogosto frutado com toques de alcaçuz – Preço R$ 60,00 – Nota 88.7

 

Merlot Storia labelVALDUGA STORIA GRAN RESERVA 2005 – Rubi intenso, brilhante, sem halo. Complexo, muito frutado, cerejas, ameixas, especiarias, café, menta, floral, baunilha e toques lácteos. Redondo, ótima acidez, taninos doces, estruturado, longo, retrogosto frutado muito agradável – Preço R$ 120,00 – Nota 88.7

 

Merlot Desejo labelSALTON DESEJO 2006 – Violáceo,alta concentração,sem halo. Complexo frutado, especiarias, pimenta preta, sous bois, anis, tabaco e toques de coco e baunilha. Jovem com ótima acidez, taninos finos, encorpado, persistência longa e final de boca agradavelmente frutado – Preço R$ 59,00 – Nota 87,3

 

LUIZ ARGENTA GRAN RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração,sem halo. Muito frutado, amoras em compota, especiarias, toques florais, e vegetais lembrando menta. Elegante, ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência, e final de boca muito agradável – Preço R$ 50,00 – Nota 87,0

 

Merlot Dal PizzolDAL PIZZOL MERLOT 2005 – Violáceo, média concentração, sem halo. Complexo com destaque para frutas vermelhas maduras, pimenta, couro, animal, toques de baunilha, lácteo. Acidez correta, taninos ainda ligeiramente verdes, corpo correto e boa persistência, final de boca agradável – Preço R$ 28,00 – Nota 86,6

 

Merlot Reserva PizzatoPIZZATO RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Frutado, vinoso, toques terrosos, especiarias, agradável  tostado e um delicado anis. Ótima acidez, taninos jovens finos, bom corpo e persistência. Retrogosto frutado – Preço R$ 37,00 – Nota 86,6

 

 

Merlot Villaggio LabelVILLAGIO GRANDO 2006 – Rubi, média  concentração e leve halo. Delicado aroma frutado, ameixas, sous bois, chocolate, toques químicos e defumado  agradável.  Alta acidez, corpo médio e persistência longa, final de boca elegante. Pede comida.  – Preço R$ 77,00 – Nota 86,6

 

LIDIO CARRARO GRANDE VINDIMIA 2004 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Aromas frutados evoluídos, passas, sous bois, café, chocolate, toque terroso. Ótima acidez, taninos presentes, bom corpo e persistência retrogosto de passas lembrando o olfativo – Preço R$ 79,00 – Nota 86,4

 

 CAVALLERI PECATO RESERVA 2005 – Violáceo, alta concentração sem halo. Frutado, framboesa, toque adocicado,caixa de charutos, e leve herbáceo .Acidez correta,taninos presentes ainda verdes, bom corpo e persistência. – Preço R$ 31,00 – Nota 86,0

 

VALDUGA PREMIUM 2005 – Violáceo, ultra concentrado, sem halo. Frutado com toques químicos, tabaco, chocolate amargo, torrefação. Ótima acidez, taninos verdes, bom corpo e persistência longa, final de boca amendoado. – Preço R$ 33,00 – Nota 85,8

 

DON LAURINDO ENCORPADO 2006 – Violáceo, alta concentrado, sem halo. Frutas vermelhas compotadas, cerejas, pimenta preta,toque de eucalipto. Boa acidez, taninos ainda jovens, bom corpo e persistência.  – Preço R$ 30,00 – Nota 84,6

 

CORDILHEIRA DE SANTANA 2004 – Rubi, média concentracão, leve halo. Frutas vermelhas evoluídas, ameixa, floral, toque mineral. Alta acidez, taninos ainda verdes, corpo médio e persistência longa, retrogosto frutado.  – Preço R$ 46,00 – Nota 81,5

 

Vejam agora os vinhos favoritos de cada degustador e a nota dada por ele ao exemplar escolhido.

  • Alessandro Tommasi – Merlot Terroir Miolo – Nota – 88,5
  • Beto Acherboin – Merlot Terroir Miolo – Nota – 89,5
  • Débora Breginski – Merlot Terroir Miolo – Nota – 89
  • Carlos Hakim – Salton Desejo – Nota – 88
  • Didú Russo – Dal Pizzol Merlot –Nota 85
  • João Filipe Clemente – Storia Valduga – Nota – 90
  • José Luiz Pagliari – Lidio Carraro Grande Vindímia – Nota – 88
  • José Oswaldo Borges – Salton Desejo – Nota – 92
  • Miguel Lopes – Storia Valduga – Nota – 91
  • Paulo Sampaio – Salton Desejo – Nota – 89
  • Renato Frascino – Merlot Terroir Miolo – Nota – 92
  • Walter Tommasi – Storia Valduga – Nota – 90

Salute e kanimambo

ASSEMBLAGE VINHOS – Fruto de uma Paixão.

É assim, com paixão, que a maior parte das coisas boas da vida se iniciam e foi isso que fez com que a Bete e o Marcel decidissem por abrir uma loja de vinhos. Moradores da Granja Viana, sentiam falta de uma loja diferenciada com foco exclusivo em nossa Vinosfera. Foi assim que a loja saiu do papel para a Praça do Sino aqui no centrinho da Granja Viana. Inicialmente sob a bandeira da Grand Cru, desde Abril deste ano a loja se tornou multimarcas, transformando-se na ASSEMBLAGE VINHOS. As amarras foram cortadas e surge uma loja com conceito mais amplo e de maior diversidade. Foi lá que, na Segunda-feira dia 25 de Maio passado, tivemos o privilégio de realizar nosso terceiro Desafio de Vinhos, o Desafio de Vinhos Assemblage do Novo Mundo que Cabem no Bolso sobre o qual, já postei os comentários sobre os vinhos assim como o resultado de Melhor Vinho, Melhor Relação Custo x Beneficio e Best Buy. Este post, no entanto, não é sobre o Desafio e sim sobre a Assemblage Vinhos, então falemos da loja.

Com cerca de 700 rótulos hoje disponíveis, é hoje uma das principais lojas da região mostrando uma grande diversidade em seu portfolio. Vinhos da Grand Cru, obviamente, fazem parte de seu mix que agora possui vinhos também da World Wine, Mistral, Zahil, Vinhos do Mundo, Reloco, Cone Leste, Prima Línea (importador especializado em vinhos italianos, também daqui do pedaço) e, certamente, outros ainda virão. Mas aqui não há só vinhos. Há taças da Schott Swiezel e outros acessórios, uma seleção de cervejas especiais com a carta ainda em fase de expansão, cursos, degustações, eventos, etc. Como diz a Bete, “Claro, a loja é um negócio, mas temos o “gosto” pelo vinho e continuamos achando que a Granja é um mercado interessante. Temos que conquistar os moradores que hoje fazem sua vida (inclusive enófila) por São Paulo e mostrar que aqui o R$ é o mesmo, estamos perto e prezamos pelo cliente, ele não é só mais um número que ligou para o telemarketing da Importadora XXX para fazer seu pedido”. Certamente algo a ser levado em conta.

Dentro os inúmeros bons rótulos constantes do portfolio da Assemblage Vinhos, a Bete e o Marcel pinçaram os que seguem abaixo. De acordo com eles, a loja está repleta de bons rótulos com preços justos, dos de menor ao de maior preço, e eu assino em baixo, mas estes são alguns que eles destacam:

  • Coronas Tempranillo – Catalunya – Espanha –  Intenso nas frutas vermelhas e negras, vinho direto e excelente combinação com queijos cremosos e paelha – R$45,00
  • Yacochuya – Salta / Argentina, um vinho de concentrado, viscoso e complexo, com 92/95 pontos de Robert Parker – R$245,00
  • Lagarde Syrah – Mendoza / Argentina – Com aroma terroso e final de café, remete às frutas secas, menta, tabaco e frutas vermelhas maduras, um excelente exemplar com  Syrah, com excelente custo benefício. – R$44,00
  • Andeluna Malbec –  Mendoza / Argentina – Complexo aroma de frutas e flores diversas, com toque de doce de leite e chocolate, proveniente do carvalho, vinho que também possui a consultoria de Michel Rolland – R$46,00
  • Casa Silva Gran Reserva Carmenere – Valle do Colchagua / Chile – Vinho de cor rubi, profundo e intenso, com aromas de chocolate, ameixas e café, que se completam em perfeita harmonia; Los Lingues é um vinho poderoso, contudo muito elegante e com longos finais – R$90,00
  • Panarroz – Jumilla / Espanha – Vinho de cor Rubi intenso, com notas condimentadas num frutado cheio e rico, tons achocolatados, frutas como cereja e cassis, vinho bem agradável, redondo e equilibardo na boca – R$50,00
  • Catena Malbec – Mendoza / Argentina – um grande Malbec argentino, o Catena já se tornou um grande clássico.- R$61,00
  • Chateau Pichon Baron –Longueville 2004 –  Bordeuax – França – Uma maravilhoso exemplar de Bordeuax, vinho muito marcante e de elegância indiscutível, com 93 pontos de Robert Parker – R$599,00
  • Clos de Lambrays Grand Cru – Borgonha / França  – Domaine de Lambrays – com 94 pontos da Wine Spectator – Um excelente tinto, com notas de cereja, roas e sândalos, estruturado de final forte e refrescante – R$706,00
  • Manso de Velasco – Chile – Complexo e intenso, vinho de força e elegância que em degustação às cegas ganhou de Almaviva e Sena – excelente custo benefício – R$155,00

Aliás, a Bete me confidenciou que chegou um Carmenére novo, por apenas R$25,00 ou próximo disso, que é uma grande pedida! Ou seja, vinhos para todos os gostos e bolsos. Para o dia-a-dia e para comemoração, do simples e gostoso ao sofisticado, fino e essência dos grandes néctares, você escolhe. Loja bonita, gente simpática, bons vinhos, certamente merece uma visita e eu a recomendo como mais uma das lojas parceiras que ajudam a fazer deste blog o que ele é. Na região, diversos bons restaurantes para você desfrutar de um agradável almoço ou jantar aproveitando o passeio. Ah, já estava me esquecendo, dependendo da região e pedido, dá para entregar também. Basta ligar e consultar.

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Rua José Felix de Oliveira, 866 – acesso pela Raposo Tavares Km24 – Tel. 4702.3832 ou 4617-4129

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Salute e kanimambo.

Châteauneuf-du-Pape na Freetime

                 A gostosa revista Freetime do amigo Walter Tommasi promoveu duas degustações muito interessantes para as quais fui convidado e não poderia deixar de compartilhar esta experiência com os amigos. Uma chateauneuf-mapgrande honra participar deste evento junto com gente de grande gabarito e experiência, sempre aprendemos muito nestas ocasiões e eu aproveitei demais. Esta de Châteauneuf-du-Pape, região do Rhône no sul da França próximo à linda cidade de Avignon, me foi especialmente gratificante já que há muito não provava estes bons e, normalmente, caros vinhos. Tradicionalmente, são densos, ricos, concentrados e potentes conseguindo, os melhores, unir tudo isto a grande complexidade, refinamento e harmonia resultado de um assemblage elaborado com até 13 diferentes cepas. Foram somente oito rótulos, um prejudicado, já que em seguida tínhamos mais uns 12 vinhos a provar, desta feita um embate de Merlots nacionais sob o qual publicarei post semana que vem. Veja o resultado da degustação conforme publicado na revista que já está disponível nas bancas e nas mãos dos assinantes. Por acaso, os três primeiros também foram os que eu escolhi como os melhores da prova, só que, o La Nerthe e o La Solitude, em posições invertidas por uma pequena margem de diferença. Best Buy, na minha avaliação, com uma baita relação custo x beneficio dentro do que são estes vinhos, certamente o La Solitude da Zahil.

 

Chateauneuf Pierre UseglioDOMAINE PIERRE USSEGLIO & FILS 2004 – Granada, média concentração, leve halo. Complexo, frutas negras maduras, floral lembrando rosas, toque resinoso, químicos, pimenta preta, e couro. Harmônico, ótima acidez, taninos  finos, estruturado, persistência longa e retrogosto frutado  – ENOTECA FASANO – 011 3168 1255 – Preço R$ 334,00 – Nota 88.4

Chateauneuf LaNerthe1CHÂTEAU LA NERTHE 2004 –  Rubi violáceo com alta concentração, sem halo. Elegante, frutas vermelhas maduras, animal, toques químicos, florais e especiarias destacando pimenta, ligeiro herbáceo. Jovem, acidez correta, ainda adstringente, corpo médio, e persistência adequada, retrogosto frutado com toque tostado – GRAND CRU – (011)3062 6388 – Preço R$ 232,00 – Nota 87,4

 

Chateauneuf La SolitudeDOMAINE DE LA SOLITUDE 2005 –  Rubi violáceo com média concentração, sem halo. Frutadíssimo,cerejas, especiarias, e tostado muito bem integrado. Boa acidez taninos finos ainda ligeiramente verdes, corpo médio, e persistência longa, retrogosto frutado confirmando o olfativo – ZAHIL –(011) 3071-2900 – Preço R$ 185,00 – Nota 87,1

DOMAINE FONT DE MICHELLE 2003 –  Rubi violáceo média concentração, sem halo. Frutas vermelhas em compota, agradável tostado, especiarias (canela), e toque lácteo. Acidez correta, taninos finos, corpo médio, e persistência adequada, retrogosto frutado com toque amendoado – PREMIUM – (031) 9922 5992 – Preço R$ 193,00 – Nota 87,1

CLOS DE L’ORATORIE 2005 – Rubi, boa concentração, leve halo. Nariz austero, com destaque para especiarias, sous bois, mineral e toques florais e frutados. Boa acidez, taninos finos, mas ainda verdes, bom corpo, persistência longa e final de boca herbáceo e alcolico  – EXPAND (011) 3847 4700 – Preço R$ 185,00 – Nota 87,0

 

MAISON PHILIPPE BOUCHARD 2004 –  Granada, média concentração, leve halo. Frutas vermelhas maduras, cereja, herbáceo, levemente quinado, toques lácteos. Acidez elevada, taninos presentes, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando frutas passas e ligeiramente amargo  – VINEA STORE (011) 3059 5200 – Preço R$ 217,00 – Nota 85,8

 

ABEL PINCHARD 2006 –  Rubi violáceo, média concentração, sem halo. Frutado, resinoso, sous bois, especiarias, pimenta preta. Alta acidez, taninos finos ainda verdes, bom corpo e persistência   – CASA FLORA (011) 3327 5199 – Preço R$ 185,00 – Nota 85,7

Eis as notas que cada degustador deu para seu vinho preferido:

  • Alessandro Tommasi – Domaine Pierre Usseglio  – Nota – 90
  • Aguinaldo Zackia – Abel Pinchard – Nota 91
  • Beto Acherboin – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 90,5
  • Débora Breginski – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 91
  • Carlos Hakim – Domaine de La Solitude – Nota – 88
  • Didú Russo – Clos de L’Oratorie – Nota 84
  • João Filipe Clemente – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 91
  • José Luiz Pagliari – Domaine Pierre Usseglio – Nota – 89
  • José Oswaldo Borges – Domaine de La Solitude  – Nota – 90
  • Miguel Lopes – Château La Nerthe  – Nota – 89
  • Paulo Sampaio – Château La Nerthe  – Nota – 89
  • Renato Frascino – Domaine Pierre Usseglio  – Nota – 90
  • Walter Tommasi – Domaine de La Solitude  – Nota – 89

Salute e kanimambo.

Noticias do Front Ibérico – I

          Nos últimos dois dias naveguei pela península Ibérica em busca de bons caldos e me esbaldei. Na Terça-feira uma interessante mostra de vinhos portugueses de diversas regiões em evento promovido pela Vini Portugal e na Quarta-feira a vez dos espanhóis em um acontecimento recheado de novos e bons produtores procurando importadores assim como alguns já nossos conhecidos. Como sempre, impossível ver tudo o que gostaria, mas deu para conhecer e rever alguns bons rótulos dos quais destaco alguns aqui:

ViniPortugal e a Diversidade de Vinhos e Regiões

  • Herdade Grande sai da Lusitana de Vinhos e Azeites, estando à busca de novo importador. No pouco tempo que milito nas coisas de nossa vinosfera aprendi a gostar destes bons vinhos alentejanos, especialmente do saborosissímo branco Colheita Selecionada, um vinho complexo elaborado com as uvas autóctones Antão Vaz e Arinto de bom frescor e bom corpo, um dos bons brancos portugueses. O tinto também é muito bom, e possui uma linha mais acessível para o dia-a-dia, Condado, mas fique de olho neste branco, é especial e espero que acertem logo com alguém.
  • Herdade do Perdigão troca a Interfoods Classics pela Ana Import. Com isso a Interfoods trata de esvaziar seu estoque e amanhã publico uma grande promoção com rótulos deste produtor.
  • Companhia das Quintas chega na Interfood Classics. É, perde de um lado e ganha de outro, é o vai e vém do setor. A Companhia das Quintas tem vinhos de várias regiões; Alentejo, Douro, CVR Lisboa (Estremadura). Provei alguns vinhos, uns mais baratos e mais acessíveis já sendo disponibilizados no mercado e outros topo de gama ainda em fase de definição se vêm ou não. Espero que venham, pois são grandes vinhos. Dos que vêm; o Prova Régia 08, um dos mais conceituados brancos portugueses elaborado com 100% Arinto que deverá estar com um peço por volta de R$50; o Portas da Herdade 07, tinto básico para o dia-a-dia por volta de R$25 e o Gaião 07, outro tinto num degrau um pouco acima que surpreende e deve chegar por volta de R$38. Com uma participação importante na elaboração de seus cortes, provei os estupendos Farizoa Reserva 06 do Alentejo, Fronteira Reserva 05 (esgotado devendo chegar o 2007) do Douro e por último, a meu ver o melhor de todos, o Quinta de Pancas Grande Escolha 05 um excepcional corte de Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot da CVR Lisboa, sub-região Estremadura, do qual foram produzidos somente 3.000 garrafas das quais o Brasil deve ser agraciado com umas 300! O preço deve vir nas alturas, mas que é um néctar lá isso não me restam duvidas!
  • Dão Sul, de casa nova com sua própria operação no Brasil através da Winebrands Brasil, provei três vinhos do Dão. O Cabriz Tinto Reseva 05, um vinho muito bom que, como todos os vinhos desta casa, está com um ótimo preço (por volta de R$65) e é uma das minhas recomendações de compra. Da Casa de Santar, o bom branco Santar Reserva Branco 08 um corte típico da região com as cepas encruzado/cercial e bical bem fresco, saboroso, e gastronômico com um preço camarada que deve ficar entre R$30 a 35 e o muito elegante e absolutamente pronto a beber Casa de Santar Reserva 05, vinho que me agrada bastante, aliás os três.
  • Casa Flora, com uma série de vinhos de seu extenso e sempre muito competitivo portfolio. Entre estes alguns vinhos freqüentadores de minha mesa como o vinho verde Varanda do Conde (delicia com costelinha de porco na brasa e/ou feijoada), Quinta da Cortezia Touriga Nacional (CVR Lisboa – Estremadura), Filipe Pato Ensaios Tinto e o espumante 3b (Beiras), Loios Tinto fácil e saboroso para o dia-a-dia, Marquês de Borba, um dos melhores custo x beneficio e o 2007 está especialmente bom, Vila Santa (todos do Alentejo) enfim vinhos de muita qualidade por um preço sempre muito coreto que valem cada centavo. Duorum 07, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz elaborado no Douro, ainda sem preço e por liberar no porto, grande vinho.
  • Bacalhôa Vinhos, aqui representada pela Portuscale, com seus ótimos vinhos a começar pelo sempre muito bem feito Meia Pipa, vinho que pede sempre de três a quatro anos para atingir seu apogeu, e os emblemáticos Má Partilha (Merlot), Quinta da Bacalhôa (Cabernet Sauvignon) e Palácio da Bacalhôa corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot todos da CVR Setubal.
  • Quinta do Carmo (Bacalhôa Vinhos) comercializada pela Mistral, com seus vinhos muito conceituados e uma sociedade com a Domaine Barons de Roschild no Alentejo. O Don Martinho , sem madeira, Quinta do Carmo e Quinta do Carmo Reserva são todos vinhos muito bons e já amplamente comentados na mídia. O que mais me chamou atenção foi o Quinta do Carmo Branco 07 , corte de Roupeiro, Arinto, Antão Vaz e Perrum, de aromas deliciosos e sedutores, fresco e mineral, mais uma prova de que os vinhos brancos portugueses estão cada vez melhores. Este está por volta de R$70.
  • Adega Alentejana, com um vasto portfolio, um dos principais importadores de vinhos portugueses. Revi o Cartuxa Colheita, sempre bom, e conheci o estupendo Selectio Vinea Maria Alicante Bouschet 05 obra do maestro Paulo Laureano, um grande vinho, muito complexo, harmônico e pronto a beber, mas com potencial de guarda, um grande vinho com preço ao redor de R$160.
  • Encosta da Guadiana, mais conhecida como a Herdade Paço do Conde, que comercializa seus vinhos aqui através da Lusitana de Vinhos e Azeites. Sempre muito bons, revi o Rosé, jardim de aromas de acordo com o Henrique e assino embaixo, o Paço do Conde Tinto, uma das boas relações custo x beneficio do mercado e o ótimo Paço do Conde Reserva, vinho que precisa d tempo e decantação para mostrar todas a sua exuberância.
  • DFJ Vinhos, uma série de importadores já que cada linha de produtos tem um. Já são três ou quatro e ainda procuram um mais para sua linha top conforme fiquei sabendo. Enfim, isso é uma questão de esstratégia, o que importa neste caso são os vinhos e provei alguns que a Malbec do Brasil começa a trazer. Uns cortes (bivarietais) interessantes e de bom preço (entre R$40 a 45), Tinta Roriz & Merlot, Touriga Nacional & Touriga Franca, Merlot & Touriga Franca e o que mais me agradou, Alvarinho & Chardonnay.

         Bem, por hoje é só, comentarei os vinhos da Espanha no inicio da semana que vem. Muita coisa boa, tanto de quem já está por aqui hà um tempo como a Protos (Península – Vinhos da Espanha), Grupo Pesquera (Mistral), Prado Rey (Decanter), La Estacada (D’Olivino) como de outras na busca de importadores como a incrível José Pariente (três ótimos e deliciosos brancos), Viña Santa Marina, Hacienda Del Carche, Santo Cristo, Elias Mora entre outros. Por enquanto, salute e kanimambo.

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Ps. Me entusiasmei com os vinhos e esqueci de fotografar. É, um dia ainda aprendo a fazer uma reportagem como deve ser! rsrs

Desafio de Vinhos – Blends que Cabem no Bolso.

Este foi o terceiro Desafio de Vinhos itinerante promovido por Falando de Vinhos e um dos mais interessantes já que busquei trazer desafiantes que fossem fáceis de encontrar e, acima de tudo, que fossem de preço bom, no máximo até R$85,00. Á lista dos sete rótulos previamente definidos: Fantail 2003 / Trumpeter Reserva 2005 / Salton Talento 2005 / Villaggio Grando II / Mitchelton Crescent 2005 / J. Carrau Pujol 2004 e Villard L’Assemblage Grand Vin 2005 , adicionei dois vinhos surpresa; o Palo Alto 2007 e o Rio Sol Assemblage básico 2006, perfazendo nove desafiantes aos titulos de; Melhor Vinho, Melhor Custo x Beneficio e Best Buy da noite. Antes de tudo, os meus agradecimentos à Expand, Decanter, Zahil, Wine Society, Salton, Villaggio Grando e Assemblage Vinhos por terem gentilmente cedido os vinhos para a prova.

A prova foi realizada na Assemblage Vinhos (fechada em finais de 2009) aqui na Granja Viana. Aqui compareceram, desta feita, um total de dez pessoas, mais a Bete e o Marcel (proprietários), perfazendo uma eclética banca julgadora de 12 membros. Estiveram presentes o Emilio Santoro (Portal dos Vinhos), Evandro Silva e Francisco Stredel (Confraria 2 Panas), Zé Roberto Pedreira, Fábio Gimenes, Alexandre Frias (Diário de Baco), Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos), Denise Cavalcante (Assessora de Imprensa), Jaerton e eu. Devido ao maior numero de participantes, optei por anular a pior e a melhor nota dada a cada vinho. Agora falemos dos vinhos e dos resultados obtidos, vamos descobrir quem ganhou a noite.

 

  • Fantail 2003 – corte sul africano de Merlot / Cabernet / Pinotage / Malbec / Pinot e Cabernet Franc – Importador Expand – preço R$55,00. Um vinho que poucos conhecem e que veio substituir um dos meus campeões de custo x benéfico, o Goats do Roam red que queria que o pessoal conhecesse assim como gostaria de ter visto como se comportaria frente a frente com vinhos bem mais caros. Não foi possível, estava esgotado, então veio seu substituto que fez bonito. Aromas não muito intensos onde aparecem suaves frutas do bosque e algo herbáceo. Na boca se apresenta muito macio, redondo com taninos sedosos e sem arestas, num final de boca não muito persistente lembrando café torrado. Obteve uma pontuação média de 83,65.
  • Rio Sol Assemblage 2006 – o mais básico da família elaborado com um corte igual de Cabernet Sauvignon e Syrah, vindo da região do Vale do São Francisco no nordeste brasileiro. Um dos vinhos surpresas da noite, estava aqui por duas razões; preço (carca de R$19 em média) e por ter sido eleito na Expovinis 2008, o melhor tinto nacional conjuntamente com o Marson Cabernet Sauvignon Gran Reserva deixando para trás grandes nomes da produção Brasileira. Esta era a prova dos nove. Pessoalmente, acho o vinho gostoso, fácil de beber, bastante equilibrado e um porto seguro nas horas de caixa mais baixo, concorrente direto dos vinhos argentinos de baixo valor para o dia-a-dia. Nesta noite não empolgou, especialmente na comparação direta com vinhos de maior gabarito, mas teve seus seguidores, inclusive com votos para Best Buy. Nariz tímido sem muita intensidade expressando-se melhor na boca quando apresenta um bom volume, frutado, especiado, final de média persistência com boa acidez e equilíbrio. Obteve a pontuação média de 79,85.
  • Trumpeter Reserva 2005 –  representante argentino, corte de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Malbec – Importador Zahil – Preço R$64,00. Um dos vinhos das Bodegas Rutini, Trumpeter, menos conhecido no mercado e, a meu ver, um dos melhores desta linha. Nariz frutado e algo floral bastante franco. Na boca é mais complexo, de boa estrutura, equilibrado com taninos maduros e aveludados, final de boca saboroso e elegante de média persistência, fruta, especiarias, algo de caramelo, boa acidez convidando a um bom prato, melhor se for carne. Pontuação média obtida, 85,35.
  • Salton Talento 05 – corte de Cabernet Sauvignon / Merlot e Tannat – Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha – Preço médio de R$58,00 e reconhecidamente um dos melhores vinhos nacionais. O nono e último desafiante a se apresentar na noite com uma diversa linha de opiniões que passando por todos os estágios, de fraco a sensacional, foi um vinho que causou discussão passando longe da uniformidade de pontuação. No olfato, uma certa timidez inicial que vai se abrindo na taça de forma sutil e delicada mostrando aromas de ameixa, cassis com algo de chocolate. Na boca mostra bom corpo, fruta madura, boa acidez, taninos finos e aveludados ainda bem presentes num final de boca bastante redondo e de boa persistência, harmônico enchendo a boca de prazer. Pontuação média obtida 87,10.

Desafio Assemblage 003

  • Villaggio Grando Innominabile II – corte de Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc / Merlot / Malbec e Pinot Noir com um toque especial, recebe um blend de 20% do vinho da safra anterior – Santa Catarina – Preço médio ao redor de R$60,00. Um vinho elegante e delicado que tenho recomendado bastante por aqui e tenho visto que o Saul Galvão também lhe tece bastante elogios em seu blog. Nesta noite apresentou-se floral e algo doce ao nariz, fruta madura e toques herbáceos. Halo aquoso bastante amplo na taça, mostrando um vinho já com boa evolução sem grandes perspectivas de maior guarda. Leve, taninos doces já equacionados, final de curta persistência e algo ralo. Pelo que conheço do vinho, mereceria abrir uma segunda garrafa na hora, mas esta estava em casa e fora das condições ideais de serviço. Pontuação média obtida, 78,40.
  • Mitchelton Crescent 2005 – representante australiano, corte de Shiraz, Mouvedre e Grenache importado por Wine Society com preço de R$81,00. Um corte no estilo do Sul da França, regiões de Languedoc e, especialmente, Rhône, muito bem elaborado. Já no nariz começa a mostrar sua complexidade com aromas de amoras silvestres, pimenta algo de cacau. No palato repete a complexidade com bastante elegância, suculento, rico, taninos finos em perfeito equilíbrio com uma acidez que nos dá água na boca e convida à próxima taça. Final saboroso de boa persistência com retrogosto que nos faz lembrar caramelo, café/capuccino. Pontuação média obtida, 86,50.
  • Juan Carrau Pujol Gran Tradicción 2004 – Tannat/Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – importador Zahil e gentilmente cedido pela ASSEMBLAGE vinhos- Preço ao redor de R$82,00. A meu ver um grande vinho, tanto que fiz questão que ele estivesse presente neste Desafio para mostrar a classe e pujança da industria de vinhos uruguaia. Lamentavelmente a rolha havia vazado e o vinho ficou comprometido. Em algum outro desafio o incluirei, é um belo vinho com uma boa relação Qualidade x Preço x Satisfação.
  •  L’Assemblage Grand Vin 2005 da Villard, um recém chegado rótulo desta excelente vinícola chilena. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah – importado pela Decanter com preço de R$78,30. Paleta olfativa de boa intensidade, complexa com muita fruta vermelha, algo balsâmico com nuances florais muito interessantes e bastante cativante. No palato mostra muito boa estrutura, taninos finos firmes, presentes sem qualquer agressividade, muito rico mostrando uma deliciosa complexidade de sabores que nos “obriga” a tomar a taça toda na busca de respostas. Macio, untuoso, final de boca algo mentolada com presença de especiarias e bastante longo. Pontuação média obtida, 86,55.
  • Palo Alto 2007, mais um dos vinhos surpresa da noite produzido por esta bodega chilena que faz parte do grupo Concha y Toro, e importado pela Expand. É um corte majoritário de Cabernet Sauvignon com Carmenére e Syrah que está no mercado por volta dos R$31,00. Fruta madura compotada, café e algo químico no olfato. Na boca é redondo, amistoso, taninos maduros e algo doces, cremoso apresentando uma certa untuosidade, boa persistência e volume de boca, muito fácil de gostar sendo um acompanhamento versátil para a maioria de nossos pratos do cotidiano, uma pasta, pizza de domingo, risoto de funghi, churrasco, etc. Talvez o vinho mais uniforme nas notas, tendo obtido a pontuação média de 85,10.

O grande campeão desta agradável noite foi o TALENTO 2005, seguido por decisão no photochart, pelo Villard L’Assemblage  Grand Vin e o Mitchelton Crescent em segundo e terceiro respectivamente, sendo o pódio completado pelo Trumpeter e Palo Alto. Escolhido como a melhor relação Custo x Beneficio o próprio campeão da noite, o Talento e como Best Buy o Palo Alto, o quinto colocado da noite.

Para começar o desafio e prepararmos o palato para os rótulos que estavam por vir, tivemos a presença fresca e mui agradável do .Nero Brut, ponto-nero brutum produto elaborado pelo novo projeto da Famiglia Valduga, a Domno. Elaborado pelo processo charmat longo, é um espumante muito bem feito, balanceado, boa e delicada perlage de média persistência, saboroso com um final bastante tropical em que sobressai o abacaxi. Este novo projeto caracteriza-se por duas frentes de negócios: a importação de vinhos e a elaboração e exportação de espumantes. A sede da nova empresa, fica as margens da RST 470 Km 224 – Garibaldi, terra dos espumantes, em uma área de mais de 60mil m2,cujas atividades comerciais iniciaram em agosto de 2008. Uma bela opção para iniciar os “trabalhos”, brindando ao que estava por vir e aos amigos presentes. Aos amigos da Domno, meus agradecimentos pela gentileza de prestigiar este Desafio, kanimambo!

O Próximo Desafio, de Junho, será de Merlots do Mundo quando espero poder reunir um total de 12 rótulos, depende de logística, dando-nos um perfil bastante eclético dos vinhos desta cepa vindos dos mais diversos terroirs. Sujeito a confirmação, teremos presentes desafiantes da França, Portugal, Espanha, Austrália, Brasil, Chile, Argentina, África do Sul, Estados Unidos e Itália. Em breve darei mais noticias sobre esse evento que promete muito! Um muito obrigado aos amigos (felizes na foto abaixo) que compareceram e abrilhantaram o resultado final de mais este Desafio de Vinhos.

Banca Desafio Assemblage

Salute e kanimambo.

Salvar

Trapiche Malbec com Filhote. Onde já se Viu?!

              Como no vinho, em que as pessoas tendem  a colocar sob suspeita as pseudo “frescuras”, a necessidade de decantar vinhos, das taças adequadas, temperatura, os altos preços, enochatisses, etc. , a gastronomia também tem lá seu séquito de suditos de pouca fé. Na gastronomia as indagações passam por pelas também pseudo “frescuras” dos restaurantes, composições estrambólicas, show bizz, pequenos pratos altos custos, marketing desacerbado de determinados chefs, etc.. As sinergias são tantas que não é à toa que caminham juntos e possuem um nome próprio, Enogastronomia, com tudo o que isso tráz de bom e de preconceito. Na vida, no entanto, valores e conceitos são constantemente colocados em cheque, passando por revisão quando nos deparamos com fatos e experiências concretas. Em Moçambique, uma propaganda de cerveja dizia que “contra fatos não há argumentos e um fato num copo era, ….” pois bem, neste caso foi um fato no prato e outro na taça formando uma harmonia “inargumentável”!

  • Momento – uma degustação de vinhos Argentinos da Trapiche.
  • Local – restaurante Skye do hotel Unique.
  • Chef – Emmanuel Bassoleil
  • Vinho – Trapiche Malbec Finca las Palmas 2006
  • Prato – Filhote (peixe do Amazonas) “roti” com molho denso de lentilhas com bacon.

EmmanuelAo primeiro olhar (uma pena que não tenha conseguido uma foto), a previsão de uma verdadeira catástrofe, peixe harmonizado com vinho tinto denso e tânico. Quem teria sido a “mente iluminada” a inventar tamanha aberração?! Após todas as exclamações possíveis misturando incredibilidade e entusiasmo pelo incrível resultado obtido nesta imprevisível, para os mais leigos que nem eu, harmonização de um prato com um vinho. Creio que a primeira harmonização, absolutamente divina, se iniciou pelo peixe com a lentilha e bacon, algo por si só já inusitado e uma composição absolutamente deliciosa. Segundo, a harmonização desse peixe, lembrando que é de rio e conseqüentemente não salgado, com um tinto, Trapiche Malbec Las Daniel Pi 2Palmas, de bom calibre levantando a ambos e levando ao nirvana o degustador que ficou em êxtase perante tanta ousadia e magnífico resultado obtido com uma longa, muito longa persistência. Todo o resto depois desta harmonização ficou em segundo plano, sendo extremamente difícil retomar o senso critico para uma avaliação do que ainda haveria por vir.

Dois maestros em ação; Emmanuel Basoleil, chef premiado e de renome com Daniel Pi, Chief Winemaker da Bodega Trapiche e responsável por alguns néctares produzidos pela casa. A criatividade e genialidade de cada um enaltecida à quinta potência, um almoço inesquecível, uma lição a mais e um enorme privilégio para um pobre marquês, um “gafanhoto”, (quem tiver mais que 30 e algo, certamente lembrará da série Kung Fu) da mesa e do copo perante tão grandes mestres, mas tinha mais.

Entrada Bodega Trapiche

               Sim porque na verdade o tema deste blog, é a degustação dos vinhos principais da Trapiche trazidos pela divisão Classics da Interfoods. Para nos receber, um gostoso espumante Trapiche Extra Brut elaborado com 70% Chardonnay, 20% Semillon e 10% de Malbec pelo processo Charmat. Nariz intenso, muito perfumado (Semillon?), fresco, perlage abundante e fácil de tomar – R$44,00. Para dar inicio aos “trabalhos” um Chardonnay Finca Las Palmas 2007 que passa 9 meses sur lie e apresenta um teor de álcool bastante alto para um vinho branco, 14.5%. Baunilha, coco, manteiga, frutas tropicais, está tudo lá com um final algo doce e de pouca persistência. Um estilo bem marcado pela madeira, possui um preço em torno de R$65,00.  O Las Palmas Malbec 2006 que passa 18 meses em barricas de carvalho francês, é um vinho de boa tipicidade com uma bonita cor violeta, muito frutado, mas a madeira sobressai um pouco o que talvez possa ser equacionado com uma decantação maior. Cresceu muito na combinação com o prato (Filhote) fazendo um conjunto muito saboroso, tendo mostrado boa persistência, tendo um preço de mercado sugerido, por volta dos R$65,00.

  Viña Federico Villafañe Malbec Single Vineyard 2006, o vinho que mais me entusiasmou neste agradável almoço, tanto por sua riqueza de sabores, como pela relação com seu preço em torno de R$192,00. É um Trapiche - VIÑA FEDERICO VILLAFAÑE 2006vinho muito harmônico que consegue equilibrar muito bem a potência com a elegância, o que não é muito comum. Vinho muito rico, de boa acidez, grande estrutura, com bom volume, macio com taninos maduros ainda firmes porém aveludados, tendo se sobreposto ao prato (risoto de malbec com rúcula e gorgonzola) que se mostrou demasiado delicado para um vinho de tão forte presença e caráter. Ótima persistência, um vinho de guarda que está bom agora e deverá estar maravilhoso dentro de mais dois, três ou quatro anos. O vinho ícone da Bodega veio a seguir, devidamente acompanhado por um lindo e saborosissímo Medalhão de Filé Migon a Rossini, era o Trapiche Manos 2004, nome alusivo á sua elaboração quase que artesanal. Um baita vinho, mas ainda extremamente novo, potente, álcool sobressaindo um pouco, caldo que precisa de mais alguns anos de garrafa para ser aproveitado em todo o seu esplendor. Com uma produção pequena de apenas 6.000 garrafas, elaborado todo ele manualmente com desengaço das uvas uma a uma em 1/3 do lote num processo em que elimina semente e polpa, deixando somente a casca para aportar maior concentração de cor e tanicidade. Passa 18 meses em barrica de carvalho nova e 24 am garrafa antes de ser colocado no mercado. Possui 15% de álcool e necessita de ao menos uma hora de decanter antes de servir. Se o Viña Federico Villafañe já não é um vinho para qualquer um no quesito preço, este se torna ainda mais seletivo com um preço de R$408,00.

                Para finalizar, o Trapiche Chardonnay Tardio 2005, nariz de muita intensidade,abacaxi em calda, mel mostrando-se bem denso na boca e terminando com um açúcar residual algo alto faltando-lhe um pouco de acidez para atingir um maior equilíbrio. Necessita de ser acompanhado com sobremesas de maior acidez. Preço ao redor de R$54.00.

               Salute e kanimambo.

Encontros Imediatos do 3º Grau na Vinea – Eu e um Syrah

                Existem momentos e momentos, vinhos e vinhos, mas mesmo me encontrando por diversas vezes com ótimos caldos, não é sempre que a paixão bate á porta e me carrega nos braços meio que sem rumo e sem controle de forma arrebatadora. Na vida amorosa senti isso umas três ou quatro vezes tão somente, convivendo com a última faz 33 anos. Já no mundo dos vinhos, isto também acontece de forma bem isolada, quase rara, mas é mais amiúde e talvez isso seja o grande barato de nossa vinosfera, descobrir novas paixões já que, pelo menos neste mundo, a infidelidade faz parte do jogo! Mesmo assim, somos uns felizardos se passarmos por isso uma duzia de vezes em mais de 900 vinhos provados anualmente.

                Na semana passada fui a uma degustação na Vinea Store, um parceiro que há muito não visitava, para provar diversos novos vinhos que a importadora está trazendo. Realmente uma nova safra de rótulos que me agradou bastante e sobre a qual falarei mais adiante, mas primeiro quero falar do Casa Marin Miramar Syrah 2005, um vinho que me arrebatou e mexeu com meus sentidos de uma forma que há muito não acontecia. Sedutor é uma palavra deveras limitada para descrever este vinho. É sutil, cativante e verdadeiramente empolgante, um vinho exuberante, pleno de sabor e de uma rica complexidade em perfeita harmonia. Aquela pimenta, típica dos bons Syrahs, colocada de forma sutil, suculento,  palato fresco, frutado, corpo médio, boa textura, comedidos 13.5% de teor alcoólico, boa acidez e taninos macios em perfeito equilibrio, um final de boca vibrante, algo mineral e longo, muito longo.

                  Daqueles vinhos em que os primeiros aromas já fazem o coração disparar e o primeiro gole, então, nos leva ao nirvana deixando todo o resto á sua volta em segundo plano como meros coadjuvantes de um verdadeiro Degustação Vinea 013elixir dos deuses. De uma elegância e finesse impares, um grande vinho de muita classe num estilo “velho mundista” que, incrivelmente, não vem do calor, mas sim de uma região fria o que, historicamente, não é o berço desta cepa. São 24 meses de carvalho e mais de 10 meses de garrafa antes que esse verdadeiro néctar chegue a nossas taças. Não me lembro de um Syrah, e olha que já provei um bocado deles ultimamente, e bons, que tenha mexido com minhas emoções de uma forma tão intensa e apaixonante. Por mim, tomaria garrafas e, só não fui embora com o que restou na garrafa da degustação por uma questão de educação, mas que pensei nisso pensei, eta tentação! Não é um vinho barato, vinhos excepcionais dificilmente o são, e este custa R$198,00 o que pode até não ser um vinho para qualquer um, eu incluso, mas é certamente um vinho a ser considerado caso se queira um vinho excepcional para um momento que o mereça.

                Este vinho, no entanto, é daqueles para o qual não existe um momento especial, pois ele faz de qualquer momento um verdadeiro acontecimento. Enquanto todos se derretiam frente aos bons Pinots desta casa, eu me satisfazia ( e me divertia) sorvendo todas as nuances deste incrível vinho, um sério candidato a um dos tronos de meus Deuses do Olimpo de 2009! Todos os vinhos da Casa Marin são de muito bons para cima, mas junto com seu Gewurtzraminer e Sauvignon Blanc Laurel, este Syrah forma uma trinca sublime para fazer bonito frente aos grandes vinhos do mundo, sendo meus rótulos preferidos dentre o portfolio deste pequeno produtor de grandes vinhos.

             Bem, tendo esparramado meu coração, falarei sobre os outros bons vinhos que tive o privilégio de conhecer na simpática e bonita Vinea Store, a começar por uma linha de vinhos muito bem posicionada do ponto de vista de preço, ainda nesta semana. Hoje não dá, preciso me recuperar! rsrs

Salute e kanimambo.

Vinhos do Dão e Bairrada

Luis Pato1Na sequência de boas degustações de que venho participando, mais uma boa leva de bons vinhos e desta feita, portugueses. Neste ano de 2009, a ViniPortugal e a ABS firmaram um acordo de divulgação das diversas regiões produtoras de vinho em Portugal. Projeto bastante interessante em que um produtor vem falar um pouco sobre a região e comentar seus vinhos em uma degustação realizada na ABS. Uma boa e criativa forma de difundir ainda mais o consumo dos bons vinhos portugueses, conhecer novas regiões e aprender coisas novas. Eu sei que aprendi ao participar desta estupenda degustação de Dão e Bairrada apresentada por Luis Pato, um homem que impõe respeito por seu passado e presente à frente de alguns dos melhore vinhos da Bairrada, o domador da Baga, um visionário e revolucionário na elaboração de vinhos na região.

                 Foram degustados seis vinhos, sendo três rótulos do Dão e três da Bairrada.  Seis vinhos de grandes qualidades e, na minha opinião e para o meu gosto, três deles estupendos. Falemos dos Vinhos:

Vinha Barrosa 2005, elaborado com vinhas velhas de vinhedos de mais de 80 anos! A baga, uva com a qual este vinho é produzido e cepa ícone da região da Bairrada é uma uva tânica que produz vinhos encorpados e, até pouco tempo atrás, de uma certa rusticidade que pede tempo para se equacionar e mostrar todo o seu potencial. Luis Pato o “domador” da baga nos traz um vinho esplendoroso e encantador na boca com apenas 4 anos de vida, genial! É daqueles vinhos que já nasce grande e promete prazeres especiais para quem souber, e puder, esperar mais meia dúzia de anos. Comprar uma garrafa dessas e guardá-la por oito, dez, 12 anos é trabalho hercúleo digno de pessoas que possuem uma tremenda capacidade de disciplina e auto-controle já que a tentação será enorme. Doze meses em barris de carvalho seguido de mais seis em pipas de 650 litros , o vinho se apresenta macio e aveludado na boca mostrando uma personalidade muito própria e uma tremenda elegância pouco esperada num 100% baga tão novo. Boa paleta olfativa com aromas florais e algo de eucalipto, na boca apresenta fruta de boa concentração, mas sem os exageros novo mundistas, fresco, algo de salumeria, expressivo mostrando grande harmonia com um final de boca longo e saboroso. Um grande vinho que me encantou e foi uma bela forma de começar a degustação. (Mistral por USD87,50)

Quinta da Bageiras Garrafeira 2003, resinoso, fruta compotada, taninos firmes ainda presentes apesar da cor já mostrar uma certa evolução. Um vinho potente que mostra toda a força da baga pedindo decantação longa ou mais alguns anos de garrafa para mostrar toda a sua exuberância. Um exemplo mais clássico dos vinhos da Bairrada apresentando um estilo austero. Frutos silvestres, algo terroso e especiado, grande estrutura e volume de boca, um bom vinho que pede tempo para mostrar todas as suas virtudes. (Luzitana de Vinhos e Azeites por cerca de R$154,00)

Casa de Saima Garrafeira 2001, vinho advindo de uma das melhores safras na Bairrada. Aromas de boa intensidade que mesclam fruta concentrada e algo animal, como couro , muito firme e algo rústico mostrando que mesmo com 8 anos de vida, é ainda uma criança e certamente é vinho para mais 8 anos. Na boca é corpulento, ostensivo e viril, muita estrutura, taninos firmes bem equilibrados por muito boa acidez e uma certa mineralidade, um vinho que, mesmo não sendo de um estilo que me agrade, apresenta qualidades e certamente deverá evoluir mauito ainda, Vinho para abrir em mais 4 anos ou deixar em decanter por pelo menos uma hora e meia a duas antes de servir acompanhada de um leitão pururuca daqueles. Que tal um porco no rolete? (Decanter por R$251,00)

Viniportugal

Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2000. Dão e Touriga Nacional, dupla que me seduz e este vinho é realmente encantador! Um vinho classudo com tudo o que o Dão e esta uva podem gerar de bom, idade certa, complexo e muito rico de aromas e sabores. Aromas terrosos, floral (violetas), algo herbáceo. Na boca de boa textura e volume de boca, aparece fruta silvestre com nuances de especiarias, taninos sedosos, muito equilibrado, boa estrutura, rico, final longo e algo especiado. Um vinho que mostra muita finesse e elegância, extremamente sedutor que certamente entrou para minha lista de tops deste ano. (Zahil por R$150,00)

Lokal Sílex 2005 de Filipa Pato. Uma das filhas do Luis que, apesar de usar a estrutura de cantina do pai, brilha com luz própria produzindo ótimos vinhos com uvas tanto da Bairrada como do Dão. Adoro o espumante 3b e o Ensaios tinto, dois vinhos que visitam minha mesa com uma certa assiduidade e que já recomendei anteriormente. Este é um corte de Touriga (75%) e Alfrocheiro que lhe dá o tom aromático com notas de chocolate ao nariz, especialmente depois de um tempo em taça. Resinoso, algo químico, escuro na cor e denso na boca com grande concentração. Taninos firmes, algo duros ainda mostrando uma certa rusticidade, grande estrutura indicando grande potencial de guarda. (Casa Flora por R$105).

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005.  Mais um Touriga do Dão e mais um grande vinho na taça! Aliás, este produtor faz, a meu ver, um dos melhores vinhos brancos de Portugal, o Quinta dos Roques Encruzado, um baita vinho. Este jovem Touriga é de grande complexidade aromática em que aparecem violetas, chocolate, talvez algo de caramelo, mostrando-se na boca ainda algo fechado, porém já mostrando seu enorme potencial. Suculento, gordo, corpo médio, harmônico mostrando um balance entre os taninos finos e acidez muito uniforme, frutos negros maduros e um final de boca longo, aveludado com um retrogosto algo especiado com nuances de baunilha. Um vinho muito bom que se tornará excepcional dentro de um par de anos mais e daqueles que devem fazer parte do “wish list” de bons vinhos portugueses a tomar. Uma de minhas, muitas, paixões! (Decanter por R$168)

Não preciso falar quais forma meus preferidos, preciso? Salute e kanimambo

Noticias do Front – Direto da Vinci

Vinci Experience 001Desta vez direto das trincheiras armadas pela Vini Vinci no Hyatt em São Paulo. Uma coletânea de grandes nomes do vinho e seus grandes produtos. Trabalho duro definir o que conhecer nesse emaranhado de tentações. Na maior parte das vezes, tomo a decisão da rota a traçar em função dos objetivos deste blog, ou seja; garimpo por coisas novas, garimpo por boas relações custo x beneficio, prova de vinhos que venham completar meus estudos sobre determinadas regiões e somente por último provar aqueles que estão na minha “wish list”. Pois bem, desta vez decidi inverter o processo já que, invariavelmente, não chego nunca ao final e minha “wish list” segue aumentando. Desta forma, meti as caras logo à entrada, nos vinhos espanhóis da Viña Tondonia e da CVNE, sem deixar de antes dar uma passada pelo Champagne Henriot para preparar o palato para os saborosos vinhos que estavam por vir e apreciar esse doce néctar. Vamos lá, falemos desta experiência:

Tondonia – meu batismo nos tradicionais e clássicos vinhos de Lopes de Heredia e um enorme privilégio já que são vinhos de alto valor, o mais barato está acima de R$120,00 (pelo cambio de hoje), mas imperdíveis para o enófilo que se preze e algo que faltava em minha formação. Brancos Vinci Experience 002incrivelmente longevos elaborados com a cepa viura que tem como característica a lenta evolução e capacidade de oxidação. Provei os brancos; Gravonia Crianza 96, amarelo ouro aroma complexo de jerez, casca de laranja algo resinoso que encanta na boca com notas especiadas e algo mineral e um Vina Tondonia Reserva 89 (20 aninhos!) de cor dourada mais clara como espigas de milho ao sol, nariz de menor intensidade apresentando aromas complexos algo terroso e floral. Na boca é de uma sutileza, complexidade e delicadeza ímpares mostrando uma acidez ainda presente e bem balanceada, mineral, final longo e saboroso, um baita vinho e um estilo de vinhos que requer um apreciador mais experiente para entender e digerir esse …….de sabores e aromas não usuais aos vinhos brancos com que estamos habituados.

              Já nos tintos, a longevidade segue sendo uma marca da casa que começa desde o Viña Cubilo Crianza 2001, ótima opção para quem queira ter um gostinho destes tradicionais vinhos cheios de classe e história. Como nos brancos, difícil falar dessas verdadeiras obras de arte! Subindo a escada de complexidade o Viña Bosconia Reserva 99 e o Vina Tondonia Grande Reserva 87 que deveria ser servido com uma almofadinha para agradecermos de joelhos por tamanha dádiva que nos é oferecida por Julio César Lopez de Heredia. Vinhos de alto valor, mas nada caros se comparado ao que existe no mercado. Kanimambo.

Champagne Henriot – perlage prejudicada pela falta de taças adequadas e um estilo mais sério e austero, secos com forte presença de leveduras, brioche, bem clássico fugindo um pouco dos vinhos mais frescos de forte acidez. Os puristas que me perdoem, mas não me encantaram a não ser pelo Brut Millesimé 98 mostrou ser o grande destaque com bom corpo, nariz evoluído, grande equilíbrio, complexo e com uma acidez mais presente, um grande Champagne.

Domaine Pallus – diferente da maioria das sub-regiões do Loire que primam pelos brancos elaborados com Sauvignon Blanc e Chenin Blanc, Vinci Experience 005Chinon é berço de tintos e da Cabernet Franc vinificada como varietal. Chinon Pensées de Pallus 06 um corte de cepas de 17 parcelas diferentes e o estupendo e impressionante Chinon le Pallus 05, fruto de corte de cepas de 4 parcelas, um vinho clássico de grande personalidade, finesse, taninos sedosos, boa acidez, certa mineralidade, longo com uma certa salinidade presente no final de boca. Uma verdadeira obra de arte que sai das mãos de Bertrand Sourdais. Talvez o vinho que mais me tenha surpreendido nessa mostra da Vini Vinci. Junto com os Tondonia, vinhos de grande classe e elegância que despertam nossos sentidos e deixam marcas.

Palácios Remondo, um a bodega que pertence ao famoso e talentoso Vinci Experience 004Álvaro Palácios, esta é da Rioja e faz vinhos mais modernos e de maior concentração como o La Vendimia 06, saboroso, bom preço e fácil de gostar, Herencia Remondo Crianza 04, Propriedad H. Remondo 05 de grande potência e concentração e o que mais me encantou, o Herencia Remondo la Montesa Reserva 2000 um vinho que passa 24 meses em carvalho e já no nariz mostra a tipicidade dos vinhos clássicos da Rioja. Muita sutileza, finesse, um grande vinho de preço módico para o que entrega de sabor e sensações.

CVNE (Cia. Vinícola Del Norte de España), mais um dos grandes produtores da Rioja com história para contar. Sempre fui um fã de seu Viña Real Crianza, tempranillo com um pequeno corte de Grenacha, um vinho que mostra bem as características de Rioja por um preço bem camarada. Depois de provar, recomendo também o Cune Crianza 2005, Cune Reserva 2000, o Imperial Reserva 2001 é Rioja na veia, um grande vinho só superado na casa pelo estupendo Viña Real Gran Reserva 1998 uma dádiva dos Deuses que mostra que ano de safra fraca não é empecilho para quem sabe fazer vinho tirando o que de melhor a vinha produz e agregando conhecimento na correção das dificuldades recebidas.

Alemanha – dois produtores que visitei muito rapidamente. Da região de Rheingau a vinícola Hans Lang me encantei pelo vinho de sobremesa Hattenheimer Hassel Auslese 2003 muito equilibrado, delicado e sensual. Da região do Mosel a Selbach-Oster renomado produtor dos quais destaco o saboroso, suave e levemente doce Bereich Bernkastel Selbach Riesling Qba 06 para substituir o chá da tarde (rsrs) e no mesmo estilo porém com mais corpo e maior intensidade de aromas e sabores o Wehlener Sonnenhur Selbach Riesling Kabinett 04 e ainda o vinho doce de sobremesa o Wehlener Sonnemburg Selbach Riesling Spatlese (late harvest) 2004 muito bom, mineral e referescante todos com preços bem convidativos. Estrela da casa, um degrau acima em complexidade, harmonia, persistência e de grande expressão aromática é encantador na boca, Wehlener Sonnenuhr Selbach Oster Riesling Auslese 2003.

Quinta da Chocapalha , há tempos que queria provar o Quinta da Chocapalha tinto e o Chocapalha Reserva. O Reserva não estava mas pude confirmar a qualidade do Quinta “básico”. Realmente um bom vinho que me agradou bastante e que de básico não tem é nada.  Corte de Tinta Roriz, Touriga Nacional e um leve têmpero de Alicante Boushet, é um vinho rico, concentrado, denso, carnudo, de bom equilibrio, taninos aveludados e um final longo e saboroso. Certamente uma garrafa a comprar num futuro muito próximo para poder aproveitar melhor todo o seu potencial.

Errazuriz, mais uma empresa do grupo Chadwick produtor de primeiro nível com vinícolas como Caliterra, Arboleda, Seña e Viñedo Chadwick. Max Reserva Cabernet Sauvignon 06 vinho potente, encorpado e denso, digno representante dos bons cabernets da região; The Blend 06, um vinho que me agradou mais, muito bom no nariz e equilibrado na boca com boa persistência e mostra que tem ainda alguns anos de evolução pela frente, mas é o Dom Maximiano Founder´s Reserva 06 o grande vinho da casa e o preço acompanha. Complexidade na paleta aromática que se repete na boca com um perfeito equilíbrio entre potência e elegância, taninos aveludados e um saborosissímo final de boca de grande persistência. Definitivamente um dos melhores vinhos chilenos e um dos grandes de nossa vinosfera. Bom também, o Late Harvest de Sauvignon Blanc, bastante refrescante e bom equilíbrio entre acidez e doçura.

Angheben – realmente o Barbera 2007 é um dos vinhos nacionais que Vinci Experience 003mais me atraem, tanto pelo preço, apesar de já ter estado bem mais barato, como por, especialmente, a qualidade e grande harmonia conseguida num vinho leve, mas rico e muito agradável de tomar. Vinho que é uma constante em minha adega. Provei seu espumante Angheben Brut, bom dentro de um estilo mais clássico, sério e austero com aromas claros de brioche e leveduras bem presentes tanto na nariz como na boca, elaborado em partes iguais com Chardonnay e Pinot Noir de seus vinhedos de Encruzilhada do Sul. Provei e gostei do Teroldego 2005, um vinho de maior complexidade e estrutura que está em sua segunda safra, mostra taninos aveludados, equacionados, redondo e macio com bom volume de boca e final especiado de boa persistência. Gostei, mas achei o preço um pouco salgado.

Low Budget – do pouco que consegui garimpar, alguns poucos vinhos me chamaram a atenção. Entre eles os vinhos da: La Posta (Argentina), especialmente o Bonarda e o Cocina Blend (malbec/bonarda/syrah); Tília (Argentina) especialmente o Chardonnay e o corte de Malbec/Syrah; Piccini (Itália) Chianti DOCG 2006 e o Chianti Riserva DOCG 2004.

Best Buys – Tondonia Viña Cubilo Crianza 2001 e Viña Bosconia reserva 99 / Palacios Remondo Herencia Remondo La Montesa Reserva 2000 / CVNE Viña Real Crianza 2005 / Errazuriz The Blend 2006 / Selbach Ester Bereich Bernkastel QbA 2006 e Wehlener Sonnenuhr Spatlese  2004 / Domaine Pallus Pensées de Pallus 05 e Angheben Barbera 2007.  

Tristezas – de não ter conseguido visitar ou provar mais a fundo : Masseria Li Veli e Argiano (Itália), Maison Champy e Chateau Saint Marie (França), Niña Nora e Bodegas Naia (Espanha), Monte da Ravasqueira (Portugal) e Hang Lang (Alemanha) 

                Era para ter ido na Terça-feira e não deu. Era para chegar nesta Quarta às 16 horas, abertura, e cheguei às 18. Era para sair às 22 horas, final, mas minha carona chegou às 21 porque não poderia perder o jogo do Corinthians! Já sei, não trabalhei direito, mas cada um tem o castigo que merece, no meu caso um filho mano!! rsrsrs Resultado final; de pelo menos 10 horas que previa ter para conhecer 40 produtores e mais de 180 rótulos, fiquei com cerca de 3, ou seja pouco pude ver e provar. O que mais me atraiu está listado aí acima e espero que lhes possa ser útil. O catálogo da Vinci é enorme e repleto de vinhos muito interessantes, dos produtores presentes poucos pude ver (passei por 20, mas realmente conheci uns 14 ou 15), então aventure-se você no garimpo de bons rótulos de mais esta bem sucedida empreitada de Ciro Lilla.

Salute e kanimambo.

Desafio de Vinhos ASSEMBLAGE

          Neste mês de Maio nosso Desafio de Vinhos contempla blends do novo mundo que cabem no nosso bolso. Blends, cortes, tudo é assemblage e nada mais próprio do que fazer esse Assemblage 001Desafio na ASSEMBLAGE VINHOS, uma linda e aconchegante loja aqui na Granja Viana. Na verdade a loja já existe há pouco mais de um ano porém era uma franquia que, como já visto anteriormente, coisa que dificilmente vinga neste setor. Agora os amigos Bete e Marcel ganharam asas para voar e já começaram. Isso, no entanto, será motivo para outro post.

              Hoje quero mesmo é falar do Desafio de Assemblages do Novo Mundo que cabem no bolso, ou seja, entre R$50 a 85,00 no máximo. Porquê assemblages? Pensei nisso porque a grande maioria dos vinhos do novo mundo disponíveis no mercado, são de varietais e nos acostumamos com isso, porém existem alguns ótimos rótulos de cortes para serem garimpados e provados, quis algo diferente. Com a ajuda de nossos parceiros e da ASSEMBLAGE VINHOS selecionamos alguns vinhos a serem degustados. Eis os desafiantes da noite:

  • Da África do Sul, Fantail 2003 – corte de Merlot / Cabernet / Pinotage / Malbec / Pinot e Cabernet Franc – Importador Expand – preço R$55,00
  •  Da Argentina, Trumpeter Reserva 2005 – corte de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Malbec – Importador Zahil – Preço R$64,00
  •  Do Brasil, Salton Talento 05 – corte de cabernet Sauvignon / Merlot e Tannat – Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha – Brasil – Preço médio de R$55,00
  • Do Brasil, Villaggio Grando Innominabile II – corte de Cabernet Sauvignon / Cabernet Franc / Merlot / Malbec e Pinot Noir com um toque especial, recebe um blend de 20% do vinho da safra anterior – Santa Catarina – Preço médio ao redor de R$60,00.
  •  Da Austrália, Mitchelton Crescent 2005 – corte de Shiraz, Mouvedre e Grenache importado por Wine Society e preço de R$81,00
  •  Do Uruguai, Juan Carrau Pujol Gran Tradicción 2004 – Tannat/Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc – importador Zahil e gentilmente cedido pela ASSEMBLAGE vinhos- Preço ao redor de R$82,00
  •  Do Chile, L’Assemblage Grand Vin 05 da Villard, um recém chegado rótulo desta excelente vinícola chilena. Corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah – importado pela Decanter com preço de R$78,30.

             Listei aqui sete vinhos, mas realmente serão degustados dois mais, perfazendo nove rótulos. Estes sete deixarei na adega climatizada da ASSEMBLAGE VINHOS ainda hoje, já os últimos dois serão surpresa e levarei de casa já envolvidos em papel alumínio de forma a evitar que qualquer um possa ter prévio conhecimento do que se estará degustando. Depois conto como foi.

Salute a kanimambo.