Degustações

Desafio de Vinhos Portugueses – II

42-16335804 Começo a semana, depois de um fim de semana preguiçoso, com o Desafio de Agosto, num embate de vinhos das diversas regiões produtoras em Portugal tendo como teto de preço R$100,00.  Grande Desafio, para não dizer uma verdadeira maratona, porque desta feita, não consegui segurar a quantidade e não tenho estrutura para montar duas provas, então teremos 14 Desafiantes presentes e agora, finalmente, definidos. Tradicionalmente tento me manter em dez rótulos que é o que considero tecnicamente adequado e ao mesmo tempo já nos permite ter uma visão bem ampla do tema em pauta, mas enfim, sacrifícios fazem parte! Rsrs Podem não acreditar, mas ainda sobraram quatro rótulos, um do Douro e três do Alentejo, o que me motivou a promover um novo Desafio de Vinhos de Portugal, desta feita um Alentejo x Douro com dez rótulos, provavelmente em Outubro já que o de Setembro já está em fase final de definição e logo, logo compartilharei com vocês qual será o tema.

       Desta feita contarei com o inestimável apoio de um parceiro antigo e participativo, a Kylix. Frequentemente presente nestas páginas, especialmente no Dicas da Semana com diversos eventos e ofertas de bons vinhos a bons preços. Desta feita, usando sua estrutura de eventos e wine bar, o Desafio será feito lá com a presença dos seguintes Desafiantes, agora já definidos:

Altano Reserva 2006, corte de Touriga Franca (30%) e Tinta Roriz produzido pela Symington Family, leia-se Graham’s. Conheço bem seu rótulo básico que é efetivamente uma grande compra e um Best Buy em diversas revistas internacionais, mas este me é desoconhecido. WS 88 – preço médio R$93,00  (Mistral)

Aveleda Follies Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon 2004. Um Bairrada diferenciado, sem Baga, Medalha de Ouro no maior concurso internacional de vinhos da América do Norte, o Sélections Mondiales des Vins e Bronze no Decanter World Wine Awards. WS85 – preço em média R$72,00. (Interfood).

Terras do Pó Reserva 2004, 100% Castelão produzido pela Casa Ermelinda Freitas, o segundo vinho desta premiada casa de Terras do Sado mais conhecida por seu vinho top, o Leo d’Honor.  Preço médio R$72,00. (Lusitana de Vinhos & Azeites)

Caldas Reserva 2005 de Domingo Alves de Souza, um dos melhores produtores da região do Douro, corte de; Tinta Roriz, Touriga Nacional , Tinta Barroca, Sousão e Tinta Francisca. A Revista de Vinhos deu 15,5/20 pontos a este vinho. Preço médio R$100,00. (Decanter)

Callabriga Douro 2004 , mais um representante do Douro que, em uma degustação às cegas, já o vi bater o famoso Quinta da Leda. Corte de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, WS 87 – preço, R$93,00 (Zahil)

Ceirós Reserva 1998, produzido pela Quinta do Bucheiro, é um corte de Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Nacional, produzido no Douro . Preço por volta de R$85,00. (BR Bebidas/ Vinhos do Douro)

Falcoaria DOC 2004, medalha de bronze no Challenge International du Vin em Bordeaux, é um corte de Castelão e Trincadeira de vinhedos com mais de 80 anos situado no CVR Tejo (Ribatejo). Preço por volta dos R$74,00 (D’Olivino)

Herdade do Esporão Reserva 2006. Mais que tradicional corte alentejano de Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon que dispensa maiores comentários e apresentações. O 2005 obteve WS89 – preço médio por volta de R$90,00. (Qualimpor)

Herdade do Pinheiro Reserva 2003, escolha pessoal minha e um dos grandes vinhos do Alentejo nesta faixa, lamentavelmente pouco conhecido por aqui. Elaborado com as castas Aragonez, Trincadeira e Touriga Nacional com 9 meses de barricas novas francesas e americanas. Best Buy da prazers da Mesa com 91 pontos, 16/20 pontos da Nova Critica, medalha de ouro no Challenge International du Vin 2007, entre uma série de outros prêmios. Sem preço, mas deve andar por volta dos R$85,00.

Quinta da Chocapalha 2005, da Estremadura, hoje CVR Lisboa, um corte de Tinta Roriz, Touriga Nacional, Castelão e Alicante Bouschet elaborado pela premiada enóloga Sandra Tavares da Silva (Pintas e Vale Dª Maria entre outros). A safra 2004 teve WS89 e 88RP – Preço por volta de R$90,00. (Vinci)

Quinta de Cabriz Reserva 2006, um clássico vinho do Dão produzido pela Dão Sul, corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz . O da safra de 2005 obteve WS89 e 16,5/20 pontos na Revista de Vinhos – Preço ao redor de R$65,00.  (Winebrands).

Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2004, sobre o qual já teci comentários neste blog é um vinho que me encanta, produzido pela amiga Raquel Mendes Pereira, uma brasileira que produz tintos no Dão. Obteve ótimos 17 pontos na Revista de Vinhos (Portugal). Mudou de importadora recentemente e seus vinhos estão por chegar. O preço estimado é de R$95,00. (Malbec)

Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001, um dos meus alentejanos preferidos junto com o Herdade do Pinheiro e o Cortes de Cima que, lamentavelmente não estará presente. Estilo diferente, mais tradicional, corte de Aragonês, Trincadeira e Castelão. Medalha de Ouro na Vinalies International em 2007 e Prata no International Wine & Spirits em Londres. Preço ao redor de R$80,00. (Vinhos Seleto)

+ Um vinho surpresa, porque se não perde a graça e não gosto do numeral 13!

         Por falar em vinhos e produtores portugueses, andaram por cá diversos que nos deram alguns bons rótulos a degustar. Ainda durante esta semana publicarei posts com minhas impressões e comentários. São vinhos da vibrante Filipa Pato (Casa Flora), da Herdade do Esporão e da Quinta do Crasto (Qualimpor) e da CVR Tejo. Enfim, uma série de descobertas, surpresas, confirmações e, no geral, a presença da inquestionável diversidade e qualidade dos vinhos portugueses sempre mexendo com nossas sensações e emoções, mesmo quando pelas mãos e criatividade de um australiano (?). Ao fim e ao cabo a realidade é que, se existe um mundo cosmopolita, este é a nossa vinosfera. Em breve publicarei o resultado deste embate!

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Tour Mistral II – A Ressaca!

Tour Mistral I 001Brincadeira, se tem uma coisa que vinho não me dá é ressaca como a que costumeiramente conhecemos, até porque abasteço o tanque com bastante água. Esta ressaca é cansaço mesmo, muita coisa, muitos vinhos e o mundo não pára aqui fora, então …! Este segundo dia foi um pouco mais light, porém com maiores distrações que acabaram fazendo com que eu cometesse duas falhas; a primeira de não ter fotografado nem revisitado os vinhos da Graham´s, de novo, e a segunda de não ter feito a visita aos vinhos da Vallontano. Uma pena, mas ontem o salão estava especialmente cheio. Uma coisa legal; a primeira foto na mídia do novo espumante Vallontano Rosé, de que tanto gostei, saiu aonde, aonde? Aqui, eheheh.

           Bem, mas falemos do segundo dia e dos vinhos provados . Para começar fui visitar os estandes mais concorridos, já que cheguei cedo, da Anima Negra, Luis Pato (sim, novamente e não percam o espumante de Touriga Nacional) e Catena Zapata. Depois passei para provar os vinhos da linha mais “básica” do Castello Del Terricio, Badia a Coltibuono com seus chiantis mais acessíveis, Domaine D’Aussiéres, Quinta do Côtto, Viña Montes e uma breve passada por Penfolds, Viña Carmen e só. O resto foi muito papo com os amigos, leitores e colegas. Dois dias muito intensos e tenho que parabenizar o Ciro Lila por mais este evento e congratular a Sofia Carvalhosa pela esmerada organização.  

                Antes que fale sobre os vinhos, um comentário especifico sobre os vinhos Chilenos. Assustei-me com os teores alcoólico dos vinhos provados. Vinhos brancos com 13.5 a 14%, tintos de 14% para cima, complicado e um pouco na contramão do que o mercado começa a exigir mundialmente. Entendo as dificuldades climáticas, mas existem produtores que estão produzindo belos vinhos com teores mais civilizados. Por outro lado, quando falamos de vinhos de grande estrutura, vinhos de guarda com bastante corpo, o equilíbrio acaba sendo maior e sente-se menos a forte presença do álcool, mas nos brancos e nos vinhos de menor estrutura para consumo mais imediato, acho algo difícil de digerir. Enfim, o que fazer não sei, mas que algo precisa mudar, lá isso precisa. Pelo menos esta é minha opinião e tenho visto que o mercado caminha fortemente nessa direção.

  • Tour Mistral II 013Penfolds, um dos principais produtores australianos, que elabora o ícone Penfolds Granje, e a sempre simpática presença de Carlos Rodriguez, seu diretor comercial . Fazem parte do grupo empresarial, também a Wynns e a Coldstream Hills . Passei quase no final, e poucos rótulos provei, mas gostei do Coldstream Hills Pinot 2006 que necessita de um pouco mais de tempo em garrafa, do Wynns Coonawarra Shiraz 2006, Rawson´s Retreat Semillon/Chardonnay 2008 e o incrível BIN 389 Cabernet/Shiraz que acho um baita vinho. Muito rico, equilibrado e vibrante na boca, é um vinho que sedus e encanta com sua exuberância e elegância. Um dos meus favoritos!
  • Anima Negra, o produtor de Mallorca que se tornou algo “Cult” em nossa vinosfera tupiniquim, produzindo bons vinhos elaborados com uvas autóctones da ilha. Iniciamos pelo interessante branco Quibia, produzido com Premsal e Callet resultando num vinho muito aromático, balanceado e fresco com boa acidez e um final algo salgado. AN2 de 2005, o primeiro tinto, elaborado com 65% Callet, 20% Mantonegre-Fogoneu, 15% Syrah, é muito agradável, saboroso, equilibrado e sedoso, mas o que mais gostei foi do AN 2005, seu vinho principal elaborado quase que só com Callet, que apresenta maior complexidade  e volume, terminando com uma mineralidade cativante. Ainda possui mais um rótulo top, que vi que chegou quase ao final, o Son Negre que só se produz em safras muito especiais, mas que não tive oportunidade de provar. Cá entre nós, achei bons, mas pelo marketing e expectativa criada, esperava mais. Aqui vai uma sugestão aos amigos do Rio, de BH, Brasilia e Curitiba, provem estes vinhos e depois coloquem aqui suas impressões.
  • Catena Zapata, difícil falar desse que é o principal produtor argentino com bons vinhos, dos básicos aos Tour Mistral II 002grandes néctares, que primam pela elegância. Revi o bom Angelica Zapata Chardonnay 2004 que acho que começa a cansar, preferiria uma safra mais nova e fresca, e esqueci de provar o Catena Chardonnay 2007! Dos tintos; o bom Catena Malbec 2006 sedoso e de taninos doces, o DV Catena Cabernet / Malbec 2005, um vinho muito equilibrado, macio e sedutor; o muito bom Catena Alta Cabernet Sauvignon 2005, mas rever o Estiba Reservada 2004 (100% Cabernet Sauvignon de três vinhedos de altitudes diferentes) é sempre uma festa para o palato e um sopro revigorante para a alma. Para mim, um dos Tour Mistral II 003melhores vinhos argentinos mostrando que lá, também se podem produzir grandes vinhos de muita elegância e refinamento sem exageros de álcool, neste caso 14%.  Produzem umas 800 a 1000 cxs (12) por ano que ficam básicamente na Argentina e por aqui. Outro privilégio, provar o Catena Zapata Adrianna Vineyard Malbec (100%) dos quais se produzem meras 300 cxs anuais, quando a safra assim o permite, um outro baita vinho. Para finalizar, Catena Semillon Doux 2006, uma verdadeira maravilha elaborado no estilo de sauterne com uvas botritizadas que, ainda por cima, está com um preço muito bom!
  • Castel Del Terricio, onde tinha ficado de retornar para conhecer seus vinhos mais “básicos”. Gostei muito do Tassinais 2004,  corte Cabernet Sauvignon com Merlot, muito redondo, cremoso com ótima textura, saborosissímo com um final longo e aveludado, o melhor custo x beneficio deste produtor.
  • Tour Mistral II 012Badia a Caltibuono, produtor tradicional de vinhos de Chianti que começa por um rótulo de entrada muito saboroso, corte de Sangiovese com Syrah, o Cancelli 2006. O Chianti Cetamurra 2006 corte de Sangiovese e Canaiolo, é um vinho bem típico e gostoso,; Chianto Classico Riserva 2005 um vinho ainda duro, fechado (2 anos de madeira), mas de grande potencial; Sangioveto 2004 um baita vinho de grande estrutura, e o vinho que mais me agradou, mostrando todas as benesses da safra , o Chianti Classico 2006 muito sedoso, rico e sedutor.
  • Domaine d’Aussiere, da região de Corbiére, Languedoc. O A d’Aussiére, que hoje se chama Blason d’Aussiére 2005, sempre foi um dos meus vinhos preferidos da região em especial por sua boa relação custo x beneficio, um vinho muito saboroso e fácil de agradar. O topo de gama é o Chateau d’Aussiéres 2005 que é um vinho refinado, cremoso, taninos sedosos, redondo e absolutamente cativante, de muita elegância e um final algo mineral. Este é para provar e comprar!
  • Tour Mistral II 007Quinta do Côtto, onde conheci seu simpático diretor, Vasco Coutinho. O branco Paço de Teixeiró, elaborado com as uvas Loureiro e Avesso, é muito saboroso, fresco e balanceado e dos tintos; o Quinta do Côtto 2005, corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, é muito harmônico, rico e macio, com taninos finos já equacionados e o estupendo Quinta do Côtto Grande Escolha 2001, corte de Touriga Nacional e Tinta Roriz, um vinho de grande categoria e fino com civilizados 13% de teor alcoólico. Complexo, sedoso, um Tour Mistral II 006vinho para apreciar com calma e sem moderação depois de decantado por uma ou duas horas para melhor aproveitar toda a sua exuberância. Só produzido em anos excepcionais, o próximo será o de 2007. Estupendo vinho que já entrou na minha, enorme, wish list!
  • Viña Montes, vinícola de renome que dispensa apresentaçãoes em nosso mercado produzindo alguns vinhos dos quais sou fã, como o Montes Alpha Syrah e o selección Limitada Cabernet/Carmenére . Me assustei com os teores de álcool bastante altos, especialmente em sua gama de vinhos de entrada o que dificulta na boca, em especial nos brancos. Gostei bastante do Rosé Cherub 2008 elaborado com 100% de Syrah, aromas sedutores que encanta na boca com enorme frescor, Montes Alpha Pinot 2007 do Vale de Leyda, equilibrado, boa fruta e de boa tipicidade, mas foram os grandes Purple Angel e Montes M que acabaram por me seduzir e, devido ao corpo dos dois, encaixam melhor o alto teor alcoólico que aqui não se sente. Vinhos muito saborosos, encorpados, mas sem perder o refinamento num final de boca muito elegante e complexo. Dois baita vinhos.
  • Luis Pato, já comentei ontem porém revisitei para provar o novo espumante de Touriga Nacional, que está muito bom, e aproveitei dei um tapa no Vinhas Velhas e no Vinha Barrosa. Bão demais da conta sô! Com as fotos dos vinhos deste grande mestre e personagem raro, eu dou como finalizados meus comentários sobre este magnifico evento. Espero que estes posts possam lhe ser úteis, especialmente ao amigo das outras cidades por onde o TOUR , um verdadeiro playground etinerante para os amantes do vinho, passará. Eu me diverti á bessa, mas como sempre, ficou gente de fora que eu adoraria ter visitado. Enfim, nunca dá para tudo, salute e kanimambo!

Tour Mistral II 010

 

TOUR Mistral – Direto do Front

Tour Mistral I 001Ontem foi o primeiro dia e, como sempre, comecei pela Graham´s. Não, não é só por seus ótimos vinhos tranqüilos, entre os melhores de Portugal, ou por seus Vinhos do Porto, mas é a forma sempre simpática que o amigo João Machete Pereira nos recebe. Depois dei uma geral visitando produtores que desconhecia como Sileni Estates da Nova Zelândia, Castello Del Terriccio, Masi, Tenuta di Capezzana e Tasca D’Almerita vinícolas italianas. Ainda tive oportunidade de rever os deliciosos vinhos do Luis Pato, Pisano e da Quinta da Lagoalva de quem tive oportunidade de conhecer alguns rótulos quando de minha recente viagem a Portugal, assim como aproveitado para trocar umas idéias com o Luis Henrique Zanini sobre o “Maledetto” enquanto provava seu gostoso espumante Vallontano Rosé, um lançamento. Para finalizar, uma passagem pelas famosas grappas da Nonino com a simpática e bela presença de Elisabeta Nonino e sobrinha, uma experiência sensorial diferente, da grappas obviamente. Hoje já tenho em mira algumas outras vinícolas como; Catena Zapata, Domaine Aussiéres, Quinta do Cotto e Anima Negra entre outros. Desses falo amanhã.

  • Vallontano – enquanto discutíamos essa atrocidade, ou “maledetto” como o chamo, do selo fiscal, provei seuTour Mistral I 005 mais novo lançamento que é o Espumante Brut Rosé, eu que gosto de rosés, mas normalmente não me encanto com a versão espumante, tenho que reconhecer que estamos diante de um rótulo muito saboroso e fresco que me surpreendeu muito positivamente. Hoje volto para provar os vinhos tranqüilos.
  • Graham´s,  me empolguei tanto que até esqueci de bater uma foto, o que farei hoje quando for provar os Vinhos do Porto. Dizer o quê destes vinhos sempre muito bons e de renome internacional? O Altano é um Best Buy em qualquer lugar do mundo, o novo Altano Biológico 2007 por cerca de R$65,00 é uma estupenda compra, o Prazo de Roriz 2006 um saboroso achado, o Post Scriptum um estupendo “segundo” vinho do fantástico Chryseia  e os  novos Pombal Vesúvio e o Quinta do Vesúvio, duas obras primas que ainda darão muito o que falar e sobre os quais já tinha cantado a bola em 17 de Junho de 2008. Imperdível a visita a este estande!
  • Quinta da Lagoalva, uma vinícola da região do Ribatejo (hoje CVR Tejo) que vem produzindo alguns ótimos Tour Mistral I 002vinhos com os quais tive o primeiro contato em Abril último. Seu Castelão/Touriga Nacional é um achado que, com o fortalecimento do Real, o deixa também muito competitivo. Vinho fácil de gostar, saboroso e sedoso na boca, mas tem mais, como pude descobrir nesta visita. Eu que não chegado nos vinhos com forte presença da uva Alfrocheiro, tive que me render a seu Lagoalva de Cima Alfrocheiro 2006 absolutamente sedodo e muito rico, assim como a sua versão em Syrah, uma surpresa. Seu melhor custo x beneficio, no entanto, é o Quinta da Lagoalva Reserva, um delicioso corte de Syrah/Cabernet Sauvignon e Alfrocheiro que custa algo próximo a 65 Reais. Fomos apresentados também, a uma nova cria do Diogo Campilho, um Late Harvest de Gewurztraminer Botritizada cortada com Riesling congelada, gerando um um vinho muito complexo que terá uma produção muito pequena em torno de umas 2.000 garrafas. Tudo isso ali, do lado do Rio Tejo. Inovação e criatividade deste jovem enólogo.
  • Pisano, reconhecidamente um dos melhore produtores Uruguaios e a sempre simpática e charmosa presença de Tour Mistral I 009Fabiana Bracco. Um de seus vinhos, o Arretxea Tannat/Petit Verdot 2004, um vinho de grande estrutura e de uma riqueza e complexidade ímpares, foi um dos que listei nos meus TOP 50 vinhos provados ultimamente, uma homenagem que fiz na celebração da qüinquagésima edição do Planeta Morumbi, vinho para curtir hoje acompanhando pratos fortes, mas com pelo menos mais dez anos de vida! Muito bons e de ótimos preços seus Cisplatino Torrontés, Rio de Los Pajaros Tannat/Syrah/Viognier e seus sempre constantes e muito saborosos RPF Syrah, RPF Tannat e agora o Petit Verdot que deve ficar dos deuses acompanhando um tradicional cordeiro uruguaio. Muito bom, também, o Fabula Late Harvest provado.
  • Castello Del Terriccio, provei dois vinhos espetaculares o Lupicaia 2004, corte de Cabernet Sauvignon com Tour Mistral I 010Merlot que ainda é uma criança e o meu preferido, Castello Del Terricio 2004, por sua complexidade e inusitado corte de Syrah/Mouvédre e Petit Verdot, um vinho muito longo que persiste na memória mesmo após quase 12 horas e oito de sono . Não são baratos, custam uma bela nota, mas são excepcionais. Hoje pretendo provar seus vinhos mais acessíveis. Grandes vinhos!
  • Sileni Estates, um produtor da Nova Zelândia que nos visita, algo não muito comum, apresentando alguns de seus bons vinhos. O país e a vinícola são famosos por seus Sauvignon Blancs e Pinots. Para o meu gosto, excelentes o Chardonnay “The Lodge” que por volta de R$65,00 é um dos achados deste evento, e o Pinot Noir “The Plateau”. Dois vinhos que valem ser conhecidos.
  • Luis Pato, falar do mestre dos vinhos da Bairrada e seus vinhos é pura redundância, mas deixar de provar o Vinhas Velhas e o Vinha Barrosa (outro que está em meus TOP 50) é crime de lesa pátria a ser punido exemplarmente! Vinhos divinos, extremamente saborosos, equilibrados mostrando que se podem fazer grandes vinhos sem exageros no teor de álcool. Provavelmente retorno hoje, até porque a “carne é fraca”! O difícil é conseguir acesso ao estande, um dos mais procurados junto com o Anima Negra.
  • Tour Mistral I 006Tasca D’Almerita, da Sicilia tendo eu já recomendado seu Regalealli Nero D’Avola em meu post sobre esta uva no último Sábado. Agora conheci seus outros vinhos e o Regalealli, apesar de bom, fica ofuscado pelo muito bom Cygnus um corte de Nero com Cabernet Sauvignon e pelo saborosissímo Rosso Del Conte outro 100%  Nero d’Avola que me impressionaram muito. Seu Cabernet Sauvignon é excelente, mas talvez um pouco caro e tendo a me emocionar mais com as “autóctones”.
  • Tenuta di Capezzana, de Carmignano (linda cidade medieval que tive oportunidade de conhecer há uns 15 anos atrás), apresenta alguns vinhos muito saborosos a começar por seu branco Trebbiano, um baita vinho. Nos tintos começa-se pelo “básico” Barco Reale 2006, mas me encantei mesmo foi com o Villa de Capezzana Carmignano 2005, um delicioso e harmônico corte de cerca de 80% de Sangiovese com Cabernet Sauvignon que me seduziu. Outro longo, muito longo!
  • Grappa de Nonino, não sou muito chegado em destilados, já fui mais, mas gosto de ocasionalmente tomar uma aguardente  portuguesa, está no sangue, tanto batizando o meu café como tomando um cálice bem geladinho vez por outra, neste caso da envelhecida.  As grappas, que desconhecia, possuem basicamente o mesmo estilo e me Tour Mistral I 004identifiquei fácilmente. Provei todas, mas me encantei mesmo com duas, uma que é elaborada somente com uvas brancas gerando aromas cativantes e uma maciez na boca muito gostosa, a envelhecida (para quem conhece, faz lembrar muito as aguardentes velhas portuguesas) que foi muito bem acompanhada por um saboroso pedaço de chocolate  e a terceira é algo totalmente diferente e encantador, é a Amaro Nonino Quintessentia Infuso di Erbe Alpine. È quase como um licor, uma infusão de ervas com uma parte de grappa com um teor alcoólico de 35%, muito saboroso podendo ser servido gelado com uma rodela de laranja (pelo menos foi o que entendi). Eu gostei muito e recomendo uma visita. Aliás, minha sugestão é começar por aqui, depois limpar a boca e o palato comendo algo e tomando bastante água para encarar todas as tentações pela frente. Enquanto isso, visite o site (use o link acima) e conheça um pouco mais sobre esta empresa mais que centenária, responsável por uma reviravolta de conceito desta tipica bebida italiana.

Salute, kanimambo e Bon Voyage por este belo tour.

Amanhã tem mais.

Vinho do Porto – Uma Incrível e Rara Experiência

            Quantas vezes na vida se tem o privilégio de tomar um vinho com 36 anos de idade? E se esse vinho for um Porto branco?! Eu, apesar de ser gamado num Porto, nem sabia que havia brancos tão antigos! Pois bem, essas e outras foram palco de uma incrível degustação com harmonização realizada pelo IVDP (Instituto do Vinho do Douro e Porto) há alguns meses em São Paulo e repetida no Rio e Brasilia. A apresentação, esta ficou a cargo de José Maria Santana, representante do Solar do Vinho do Porto no Brasil junto com o “inventor” de delicados e saborosos docinhos, que harmonizavam com cada estilo de Vinho do Porto degustado, o Chef Pastissiére Henri Schaeffer do Le Vin Boulangerie . Como dizem que também comemos com os olhos, eis uma foto que mostra bem o que nos esperava!

 Porto e doces

Foram apresentados cinco estilos de Vinho do Porto, um deles uma verdadeira raridade, que marcaram este meu caminho de aprendizado pelos caminhos de nossa vinosfera. Adoro Vinho do Porto, dos Tawnies envelhecidos, passando pelos LBV até chegar aos maravilhosos Vintages e esta degustação foi um verdadeiro privilégio. Cada vinho foi harmonizado com dois docinhos (foto) especialmente criados para este evento, mostrando toda a capacidade deste incrível Chef, numa experiência sensorial magnífica.

 1 – Porto Branco Envelhecido Santa Eufémia (vide baixo)

  • Bugnes Lyonnaise com Mel
  • Creme Brulée Catalane com Framboesa

 2 – Vallegre Porto Tawny 10 anos (Muito bom – Importadora NOR-Import. Prove também o LBV)

  • Praline de Avelã com Sal no copo e Biscoito com Limão Siciliano
  • Torta de Amêndoas

3 – Noval Porto Tawny 20 anos (Grande vinho. Importadora Grand Cru)

  • Speculoos de Canela com Frutas Secas e Mousse de Chocolate Branco
  • Macaron de Nozes com Damasco e Roquefort

4 – Graham´s Porto LBV 2003 (Um dos mais tradicionais e bons LBVs no mercado – Mistral)

  • Calisson D’Aix eu Provence
  • Éclair Romeu e Julieta

5 – Niepoort Porto Vintage 2005 (Muito bom Vintage, mas muito jovem, prefiro com mais de 15 anos. Vintage é para comprar, guardar e deixar envelhecer – Mistral – Prove também o LBV 2004, está divino)

  • Mil Folhas de Chocolate Amargo
  • Cone de Mousse de Cassis.

         Pois bem, todas as harmonizações deliciosas e ótimos portos muito bem escolhidos, mostrando toda a tipicidade de cada estilo. Os participantes desta degustação, no entanto, foram agraciados com o especial privilégio provar um Porto Branco envelhecido, datado de 1973, uma verdadeira raridade e o néctar mais marcante de toda esta degustação, até em função de ser algo inusitado. Por isso mesmo destaco o Santa Eufémia Branco 1973, um verdadeiro néctar dos Deuses, desde já candidato a um dos assentos disponíveis no meu “Deuses do Olimpo” anual.

         Os Vinhos do Porto brancos, são tradicionalmente vinhos mais leves, secos ou doces, próprios para serem tomados jovens. Este Santa Eufémia 1973, foi obra do acaso e até hoje é a única safra engarrafada. Apesar de não ser muito comum, aparentemente começa a existir, de forma tímida ainda, um segmento de Vinhos do Porto brancos envelhecidos ainda por ser regulamentado pelo IVDP. Isto, no entanto, não é razão para que não nos esbaldemos nas delicias deste verdadeiro caudal de emoções que é este vinho. Certamente, a degustação como um todo ficou meio que ofuscada por este néctar, até porque foi o primeiro a ser servido, então vou me permitir expor minhas sensaçõesvinhos-eufemia e contar um pouco da história por trás do vinho que possui o nome correto de Reserva Especial Branco da Casa Santa Eufémia. Nas palavras do enólogo e proprietário, Pedro Carvalho; “Pois bem, este vinho é da colheita de 1973, não é um vinho datado porque o meu Pai deixou caducar o seu registro, na altura a Quinta de Santa Eufêmia só produzia vinho mas não comercializava, pois só estavamos sediados no DOURO (e não em Gaia), como tal vendíamos parte das colheitas para a casa Exportadora que melhor nos pagasse. Normalmente o meu Pai ia para Vila Nova de Gaia vender os vinhos entre Março e Maio e foi ai que no ano de 1974 houve a revolução Portuguesa de 25 de Abril (Revolução dos Cravos) e como tal o meu Pai nesse ano não vendeu nada. A partir daí, esse vinho branco começou a ficar mais louro deixando de ter interesse para os exportadores, pois eles só queriam brancos jovens, e foi ficando.”

             Foi dessa “sobra” que acidentalmente nasceu este grande vinho. Um Vinho com história, com V maiscúlo, caráter e personalidade. Um vinho que deixa rastros por onde passa tendo-me marcado a memória, daqueles vinhos de exceção que quando provados jamais são esquecidos. Uma obra, até hoje, única e rara, mas certamente ainda veremos novidades num futuro próximo. Quanto ao vinho, difícil descrevê-lo e mais ainda todas as emoções sentidas, é um vinho que mexe com a gente. De extrema complexidade tanto no nariz quanto na boca, possui, antes de mais nada, uma perfeita harmonia em que nada se destaca a não ser o conjunto. A cor é âmbar, mostrando sua idade, linda e convidativa. Nos aromas, algo de pêssego, frutos secos, damasco tudo muito sedutor e delicado. Na boca demonstra mais uma vez todo o seu equilíbrio de uma forma untuosa, gorda e macia num ótimo volume de boca lembrando um tawny envelhecido, enorme riqueza de sabores, complexo, muito equilibrado com a acidez ainda bem presente e balanceada, final muito longo em que as amêndoas, mel e frutos secos se apresentam muito presentes e com enorme persistência. Surpreendente e arrebatador!

          Mandarei vir umas garrafas, mas quem quiser comprar por aqui, a importação é da World Wine e é um daqueles néctares que não devemos deixar de provar, especialmente se acompanhando doces conventuais portugueses á base de ovos e amêndoas, algo para não esquecer fácilmente e para fazer de qualquer momento, algo muito especial! Preço aqui está ao redor de R$300.

Salute e kanimambo

Alfredo Roca – Vinhos com Alma

            Tive o grato prazer de conhecer Don Alfredo Roca, um senhor super simpático dono da vinícola que leva seu nome. Sou um consumidor de seus vinhos básicos, talvez uma das melhores opções de vinhos para o dia-a-dia disponíveis no mercado, especialmente o Malbec e o Pinot Noir, habitués na minha mesa e constante recomendação minha neste blog, uma prova inconteste de que vinhos baratos podem sim ser bons. A Bodegas Alfredo Roca, com 114 hectares destribuidos por quatro propriedades, produz cerca de um milhão de garrafas das quais cerca de 80% são exportadas. A produção está hoje nas mãos de seu filho Alejandro que junto com seus irmãos tocam a vinícola, ficando Don Alfredo com uma atividade mais de supervisão atuando como conselheiro. Desta feita fui conhecer seus vinhos de gama média e alta que só vieram confirmar minha opinião sobre esta vinícola.

 Alfredo Roca garrafas

             Para começar fomos recebidos na sempre simpática Praça São Lourenço, por uma taça de espumante Alfredo Roca Nature muitíssimo agradável de boa perlage, complexo no nariz com sutis nuances florais, ótima acidez, balanceado, saboroso, elaborado por um corte de Chardonnay e Chenin Blanc, cepa não muito comum por estas bandas. Estas vêm de um vinhedo antigo com mais de 60 anos na região de San Rafael. Por um preço ao redor dos 28 a 30 reais, é um verdadeiro achado.

            Da linha Dedicación Especial, um Sauvignon Blanc muito agradável de aromas sedutores e delicados e um muito bom Bonarda elaborado com uvas de vinhedos antigos com cerca de 60 anos e uma produção média controlada entre 7 a 9 toneladas por hectare. Muita fruta escura escorada numa madeira tímida e bem posicionada. Taninos doces, equilibrado e muito saboroso. Com um preço ao redor de R$40,00, possui uma ótima relação custo x benefício.

           Family Reserve Malbec 2005, o vinho que me encantou. Fazia tempo que não tomava um Malbec tão saboroso, equilibrado e amistoso como este. Me lembro que sentados comendo um saboroso risoto de funghi, Alfredo Roca mesaconversávamos sobre a excelência do vinho e quão sedutor ele era, quando nos demos conta de uma razão especial porque dessa sedução, o teor de álcool 12.7%!! Uma prova inequívoca de que a Argentina pode sim produzir bons vinhos sem exageros de potência e álcool, devendo caldos como este serem uma constante e não uma exceção à regra. Taninos maduros, elegantes, perfeita harmonia, corpo médio para encorpado, equilibrado e muito saboroso, rico, bom volume de boca e um final de muito boa persistência. Um vinho de muita finesse, para se curtir e alongar qualquer refeição numa charla gostosa. Prepare as garrafas, porque uma vai ser pouco! Com um preço ao consumidor estimado em cerca de 55 Reais, é uma das boas opções de Malbec no mercado e um potencial parceiro de minhas taças. Esta linha ainda possui um Pinot Noir, um Tempranillo, Chardonnay e um Sauvignonasse (uva branca pouco conhecida que pelo que pude pesquisar é prima-irmã da Tocai Friulano muito comum na região de Friulli na Itália e conhecida no Chile como Sauvignon Vert)

             Ainda tem um vinho muito especial dedicado a Don Alfredo e sua esposa, um segredo guardado a sete chaves pelos filhos até que a surpresa fosse consumada, é o Preciado o qual somente foi elaborado em uma única safra (creio de 2004) e em quantidade limitadíssima de 1.900 garrafas. Um corte de 50% Malbec, 30% Syrah e 20% cabernet Sauvignon. Desse não provamos, mas ficou uma curiosidade danada!

           Vinhos bem feitos, saborosos e sedutores com preços idem. Eis aqui uma harmonização perfeita (qualidade/preço) que certamente ajuda a fazer da Bodega Alfredo Roca o que ela é, um caso de sucesso, e nos alegra como consumidores. Gostei e recomendo, como já fazia com seus vinhos mais baratos de gama de entrada. Estes bons vinhos são de exclusiva distribuição nacional da Casa Flora.

Salute e kanimambo.

Cave de Amadeu e Enoblogs

logo_amadeu               É, foi lá, no primeiro encontro do Enoblogs que tive a oportunidade de sanar uma das minhas falhas como enófilo, conhecer e provar os espumantes da Cave de Amadeu e seus mais célebres produtos que ostentam a marca Cave Geisse. Para muitos pode pairar a dúvida, mas é a mesma casa que elabora as duas linhas de produtos. Cave de Amadeu é a Vinícola de Mario Geisse, competente enólogo e engenheiro agrônomo chileno, que por aqui aportou pelas mãos da Moet & Chandon nos idos de 1976.

             Rapidamente, Mario Geisse percebeu a enorme vocação e potencial da região para a produção de espumantes de qualidade tendo fundado a Cave Amadeu em 1979 com o intuito de produzir, ele próprio, seus espumantes de alto nível. Esta degustação, já amplamente comentada nos blogs dos amigos presentes foi sublime, tanto pelo local, pela simpatia do anfitrião Alexandre  e esposa (valeu Vanessa), pela refeição ao final, como, em especial, dos espumantes de Mário Geisse, exemplar e criativamente apresentados pelo Adilson Pilot representante da vinícola, que foram mui justamente, os protagonistas deste delicioso encontro. Os espumantes da cave Amadeus seriam, digamos assim, o caminho de entrada deste saboroso e divertido mundo das borbulhas, e os da Cave Geisse a verdadeira tropa de elite somente elaborados pelo método tradicional (champenoise) e todos safrados. Legal, também, o fato de que desde 2008, todo o vinhedo está livre de qualquer agrotóxicos. Nossa saúde e o planeta agradecem, kanimambo!

            No Diario de Baco, blog do Alexandre com link aqui do lado, a reportagem é bem completa, mas não posso deixar de dar meu testemunho e comentários sobre o que vi e provei lá. Os espumantes da Cave Amadeus são bons e primam pela qualidade, sendo o Brut o que mais me agradou. Já a linha Cave Geisse é, efetivamente, de tirar o chapéu. O muito bom Cave Geisse Brut sofreu, porque foi servido depois do Nature que é, na minha humilde opinião, o grandeEnoblogs - Cave Geisse 003 espumante da casa, inclusive pela relação custo x benefício, que me encantou e seduziu.  Mas falemos das maiores estrelas que eu tive a oportunidade de tomar nesta degustação:

  • Cave Geisse Nature safra 2005, aquele que varreu o chão debaixo dos meus pés e me levou ao nirvana tornando difícil degustar os que se seguiram. Estupendo, um grande espumante que encanta e seduz com sua perlage muito fina e abundante, como que acariciando seu céu de boca. Aromas muito agradáveis, com um leve brioche intermediado por algo cítrico e floral. Na boca é cremoso, acidez maravilhosa que aporta um incrível frescor, balanceado, final muito saboroso, delicado com notas minerais  e muito longo, certamente um dos melhores espumantes que já tive a oportunidade de tomar e que nos faz entender o que  o monge “Don Perignon” quis dizer ao comentar que estava “degustando estrelas”! A que eu comprarei e, certamente, se tornará assídua visitante em minha taça, pois tem um preço entre R$40 a 50 conforme pesquisei na rede, pena que a foto é fraquinha!

 

  •  Outro grande espumante deles e, técnicamente, realmente o mais evoluído de todos, é o Cave Geisse Nature Terroir da safra de 2003, complexo e sofisticado dotado de uma elegância ímpar, perlage abundante, fina e persistente com um colar de espuma bonito e chamativo, uma verdadeira dama! De maior intensidade aromática que o Nature, convida-nos a levar a taça á boca onde, como no anterior, mostra todas as suas sutilezas e nuances num final super fresco e muito agradável. Desta preciosidade que passa por 180 dias de fermentação e 3 anos de amadurecimento, foram produzidas somente cerca de 4800 garrafas então, se for um felizardo proprietário de uma, salute! Para fazer inveja a muito champagne por aí!

Para finalizar, eu que sou um apreciador dos espumantes moscatel de qualidade em que  a acidez esteja bem presente para se contrabalancear à tradicional doçura da cepa, descobri no Cave de Amadeu Moscatel, um digno representante destes bons espumantes que, como este, acompanham maravilhosamente uma sobremesa.

 Enoblogs - Cave Geisse 008

Um kanimambo especial ao amigo Alexandre pela oportunidade, ao Armazem Gourmet e à Cave Amadeus (Geisse) que apoiou o evento. Bom rever os amigos como o Cristiano (Vivendo Vinhos), conhecer pessoalmente o Paulo (Nosso Vinho), o Beto (Papo de Vinho), o Daniel (Vinhos de Corte) e estar com o companheiro de sempre Álvaro (Divino Guia). Termino com uma frase que o Alexandre me enviou e deu como de autoria de Sergio Valente:

“Baco não gostava de uva, gostava de gente e  inventou um jeito legal de gente boa ficar junto”
 
Brindo a isso, salute!

TOPS Argentinos – Charlando e Bebendo com os Panas.

                Vocês conhecem os Panas? Pois bem, antes que meus amigos portugueses venham a tirar conclusões precipitadas, “pana” é uma gíria venezuelana usada por amigos que se sentem mais que isso, se sentem irmãos! Foi daí que nasceu a confraria 2 panas, que já são cinco e se reúnem mensalmente para degustar grandes vinhos, com alguns dos confrades sendo participantes ativos do grupo que compõe a banca de degustadores de nossos Desafios de Vinhos. Desta vez fui convidado por dois deles, o Francisco (pana-mor) e o Evandro, com quem tive a agradável oportunidade de provar alguns dos grandes vinhos premium argentinos trazidos por este seleto grupo de panas.

              Encontramo-nos no Restaurante Pobre Juan da Vila Olimpia, restaurante que realmente é lindíssimo e cheio de charme com uma decoração muito bonita e aconchegante. Aliás, a da filial de Higienópolis também é assim. O serviço foi de primeiríssimo nível e as carnes boas com um especial destaque para a excelente morcilla, muito bem temperada e no ponto. Para quem gosta, como eu, um prato cheio!!

             Sete vinhos provados, alguns excepcionais rótulos de grande fama, mas que pecam, a meu ver, por uma certo exagero no teor alcoólico e falta de finesse, exceção feita aos três vinhos que mais me encantaram; Val de Flores, Caro e Alta Vista Alto, que conseguem mesclar potência com elegância numa riqueza de sabores que efetivamente encantam.Degustação Panas

 

  • Altocedro 2004
  • Yacochuya Malbec 2005
  • Caro 2005
  • Vistalba Corte A 2006
  • Alta Vista Alto 2004
  • Val de Flores 2004 
  • Mundvs Alto Cabernet Sauvignon 2005 * vinho surpresa 

             Não tenho tomado muitos vinhos argentinos porque tenho buscado sabores e sensações diferentes que dificilmente tenho visto na maioria dos vinhos de lá, mesmo os chamados vinhos premium ou super-premium, estando a maioria muito similares sem apresentar algo significante que os diferencie uns dos outros e sem produzir aquele UAU que esperamos de vinhos desse porte, salvo algumas exceções. Afora isso, pelo preço que estes, teoricamente, grandes vinhos estão chegando ao Brasil, temos hoje inúmeros grandes rótulos de outras origens com maior complexidade e riqueza de sabores que me têm atiçado mais a curiosidade. Por outro lado, tenho me assustado com o teor de álcool em constante elevação nesses vinhos, nesta degustação acho que o menor tinha 14%, nível que, para mim, costuma ser minha linha limitante. Tudo bem, há gente que gosta e respeito isso, mas eu não consigo encarar um Yacochuya com 16.5% de teor alcoólico fortemente sentido tanto no nariz como na boca, transpira álcool por todos os poros, mesmo com as altas notas que diversos críticos lhe deram. Acho que vinhos com essa potência perdem a função social, tanto que este não passaria no meu teste da terceira taça, mas nem a pau, aliás, nem na segunda!

               Um vinho que surpreendeu, até porque não é muito caro, é o Mundvs Alto 2005 que a casa Valduga produz em terras mendocinas e que mostrou muito boa estrutura e equilíbrio apesar de seus altos 15.5% de teor alcoólico, mas talvez o melhor custo x benefício de todos os vinhos provados tenha sido o Caro que, não por acaso, foi um dos meus preferidos e o único com “apenas” 14% de álcool. Legal a forma como o Evandro, confrade anfitrião da noite, preparou a degustação apresentando diversos cortes de carne para que sentíssemos as diversas harmonizações possíveis. Um exercício sensorial muito legal que você pode acompanhar melhor acessando o blog da confraria.

Valeu gente, uma bela experiência com vinhos que há muito queria conhecer e, muito mais que isso, o privilégio de poder desfrutar da agradável presença dos confrades.

Turma da Confraria Panas3

Salute e kanimambo

Ps. em função do Dia dos pais, adiantarei o Dicas da Semana para amanhã!

Desafio de Vinhos Portugueses

Agosto chegou, mês;  do cachorro louco, da Sexta-feira 13 azarenta, das liquidações de inverno e, Deus sabe lá porque cargas d’água, Dia dos Pais. Não, não vou falar do Dia dos Pais, ainda, mas fica a pergunta no ar, não dava para colocar o Dia dos Pais num mês mais nobre não?!! rsrs

              Bem de volta ao ponto principal, a verdadeira a razão para este post, em Agosto o Desafio de Vinhos será Portugal - mapa e regiões produtorasportuguês! Voltei ás origens e já estava com saudades, apesar de os vinhos portugueses estarem constantemente sobre a minha mesa e na minha taça. Já temos uma série de concorrentes escalados e, pela enorme quantidade de bons rótulos, participantes e regiões, estou achando difícil fechar este Desafio com menos de 14 Desafiantes, o que vai demandar uma atenção redobrada da banca de degustadores. Tentei incluir/convidar alguns rótulos dos quais sou fã, regiões menos conhecidas, mas que vêm despontando, assim como das mais tradicionais e mais representativas. São vinhos de gama média de preços que estão ao alcançe do bolso da maioria, uns mais conhecidos do que outros, porém todos de qualidade inquestionável. Vamos aos que já confirmaram presença, sendo que dois deles eu tive o prazer de negociar presença diretamente na fonte , a Herdade do Pinheiro (dos amigos Ana e Miguel) assim como da Quinta Mendes Pereira (da amiga Raquel):

  • CVR Alentejo: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2001 (Vinhos Seleto) / Herdade do Pinheiro Reserva 2003 / Herdade do Esporão Reserva 2006 (Qualimpor)
  • CVR Duriense – DOC Douro: Ceirós Reserva 1998 (BR Bebidas/ Vinhos do Douro) / Altano Reserva 2006 (Mistral) / Caldas Reserva 2005 (Decanter)
  • CVR Lisboa (Estremadura): Quinta da Chocapalha 2005 (Vinci)
  • CVR Tejo – DOC Ribatejo: Falcoaria DOC 2004 (D’Olivino)
  • CVR Beiras – DOC Dão: Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2003 (Malbec) e Conde de Santar Reserva 2003 (Winebrands), este ainda passível de mudança.
  • CVR Terras do Sado: Barão do Sul Garrafeira 2002 (Lusitana de Vinhos & Azeites)
  • CVR Beiras – DOC Bairrada: Aveleda Follies Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon 2004 (Interfood).

Ainda tenho mais dois convidados que não escalaram Desafiante, então poderemos chegar a 14 o que inviabilizaria a presença de um rótulo surpresa. Enfim, tenho mais uns dias para finalizar isso e depois divulgo. Também ainda preciso definir o local do embate e o jantar para o qual já tenho assegurado o vinho branco e o tinto, faltando tão somente o Porto ou Moscatel para encerrar este épico Desafio de Vinhos de Portugal até, mais ou menos 100 Reais. E aí, vai arriscar um palpite de quem será o ganhador?!

PROTOS, uma Família de Respeito.

Protos na Quick 010Tenho que tirar o chapéu, os espanhóis sabem fazer vinho! Brincadeiras à parte, apesar de minha declarada preferência pelos vinhos Ibéricos ser bastante conhecida dos amigos, a Bodegas Protos apresenta uma família de vinhos a começar pelo branco, passando pelo rosé, chegando na sequência de bons tintos até alcançar o topo com um belíssimo Gran Reserva, que são realmente de grande nível. Em uma agradável, como sempre, reunião com os amigos da banca de degustadores que tradicionalmente participam dos Desafio de Vinhos, na Quick Pizza e com o auxilio do Emilio (Portal dos Vinhos) que gentilmente nos emprestou suas taças, nos deliciamos com esta família Protos!

               A Bodegas Protos, palavra grega que significa primeiro, tem esse nome porque foi a primeira bodega a se instalar na região de Ribera, em Penafiel, bem no coração do rio Duero em 1927 tendo já em 2009, na Exposição Universal de Barcelona, sido agraciada com suas primeiras medalhas de ouro por seus saborosos vinhos. Foi esta região que posteriormente veio a ser conhecida como a D.O. Ribera Del Duero, umas principais zonas produtoras na Espanha e de grande prestigio internacional.

            São 100 hectares de vinhedos próprios, 500 hectares de associados e cerca de 300 hectares de viticultores da região com quem a empresa mantém acordos de fornecimento regular. A nova cantina, um projeto moderno com mais de 19.000m² de área construida e investimento de de 36 milhões de Euros, é um caso à parte que merece ser conhecido, especialmente pelos amantes da arquitetura e design, e sugiro clicar neste link para conhecer um pouco mais de seu projeto arquitetônico. Com uma imponente e arrojada arquitetura, túneis subterrâneos onde se dá o envelhecimento em barricas e garrafas, é uma bodega com o que de mais moderno o mercado dispões e que só vem a agregar excelência ao que eles já fazem há mais de meio século.

Bodega protos aos pés do castelo

             Em 2006, pela primeira vez produziram um vinho fora da Ribera Del Duero. Em um projeto novo em Rueda, invistiram numa bodega e cantina novas com tanques de inox para vinificação de vinhos branco á base da uva Verdejo. Este novo projeto com capacidade de vinifcar até um milhão de quilos por safra, é responsável pelo delicioso Protos Verdejo 2007 com o qual começamos nossa degustação. Já o comentei anteriormente, sendo um dos meus brancos favoritos e uma perfeita harmonia com um prato de lulas recheadas ou em caldeirada. Amarelo palha com laivos esverdeados, brilhante em todos os sentidos. Aromas de frutas tropicais de muito boa intensidade com algo de grama molhada e nuances florais. Na boca é vibrante, muito saboroso, fresco com uma acidez cortante porém balanceado, sem arestas com um final de boca longo em que mostra uma certa mineralidade e algo cítrico. Um vinho verdadeiramente sedutor e que, quando nos damos conta a garrafa já era!

Protos Rosado 2007, mais um vinho com o qual já tinha me encontrado em março durante o painel de Brancos & Rosés. Um dos muito bons vinhos rosados que tive oportunidade de provar elaborado com 100% “tinta del pais” (tempranillo) cor vibrante, aromas de boa tipicidade mostrando morangos e cereja, muito fresco, algo cremoso, concentrado e muito equilibrado com leve toque especiado e saboroso final de boca de boa persistência que chama a próxima taça, e a próxima, e a……., bem como aperitivo e melhor ainda se acompanhando uma paella à Valenciana.

Protos Roble 2006, o primeiro vinho da linha dos tintos. Um nariz bastante agradável (fruta, baunilha,madeira) que convida a tomar, mas na boca mostrou-se ainda algo duro e fechado. Tânico, madeira ainda por ser equacionada, encorpado, final algo especiado e média persistência. Um vinho jovem com apenas 5 meses de barrica, que não encantou mas que mostra qualidades que devem desabrochar melhor com mais um ano de evolução em garrafa.

Protos Crianza 2005, um belo vinho que encanta tanto ao nariz como na boca. Aromas de frutas escuras, toques de madeira muito bem integrados, algo de especiarias mostrando ser um vinho de maior complexidade.  No palato taninos ainda presentes firmes, porém sem qualquer agressividade, e aveludados, bom corpo, muito rico, final fresco , frutado e de muito boa persistência convidando à próxima taça. Vinho muito premiado em conceituados concursos internacionais, fazendo jus a sua fama.

Protos Reserva 2003, um vinho potente com muita tipicidade mostrando a firmeza dos vinhos da Ribera Del Duero, porém como já dizia Che, sem perder a ternura. Possui uma paleta olfativa sedutora e de boa intensidade, mostrando-se na boca com taninos aveludados, muito equilibrado, saboroso com boa profundidade, um vinho de grande gabarito que demonstra ainda ter muito anos pela frente.

Protos Selección 2005, talvez o vinho mais moderno e elegante da noite. Boa concentração e estrutura, taninos finos e sedosos ainda bem presentes, cremoso, muito rico com um final sedoso e encantador mostrando uma enorme harmonia, fazendo com que seus 14.5% de teor alcoólico passem desapercebidos tanto ao nariz quanto à boca. Talvez um tico de madeiro demais que, houvesse sido decantado, certamente teria sumido. Estilo novo mundista feito com a finesse do velho mundo,  resultando num vinho muito agradável, difícil de não gostar e dos quais, tivesse eu a disponibilidade, teria de caixa em casa.

Protos Gran Reserva 2001, estupendo, um daqueles com lugar reservado no meu altar dos Deuses do Olimpo de 2009, um verdadeiro clássico. Quem puder comprar, compre pelo menos duas, uma para se deliciar agora e a outra para um encontro do terceiro grau em algum momento no futuro, quem sabe daqui a uns 5 anos quando este verdadeiro néctar deve estar magnífico.  Passa 30 meses em barricas francesas e americanas e depois descansa em garrafa por mais cerca de 40 meses quando finalmente é colocado à disposição de nós consumidores. Falamos de quase seis anos o que quer dizer que este 2001 está no mercado há somente um par de anos! Eu me apaixonei pelo vinho, por sua complexidade de aromas onde os frutos silvestres se mostram muito presentes, mas de forma muito sutil e sedutora, com nuances de café tostado e especiarias. Na boca a madeira está muito bem integrada realçando a fruta e adicionando alguma baunilha e caramelo ao final de boca. De resto, mostra-se untuoso, gordo, muito saboroso, taninos muito finos e elegantes perfeitamente equilibrados com uma acidez adequada e muito persistente. Um grande vinho, sem dúvida alguma, que não só me encantou como me conquistou.

Protos na Quick 007

            Ao amigo Juan (Peninsula) que importa e distribui os vinhos da Protos no Brasil, os meus mais sinceros agradecimentos por esta grande experiência e oportunidade. Aos amigos fica a recomendação, após compartilhar minhas impressões e sensações, e convite para que tentem conhecer esses grandes vinhos, valem a pena. Se não quiserem gastar muito, uma boa oportunidade é seguir a Dica da Semana e participar da degustação com jantar HOJE! Não sei nem se ainda existem vagas, mas eu tentaria ir se fosse você, tanto pelo jantar no Rosmarino, como pela palestra e especialmente pelos vinhos.

Salute e kanimambo.

Desafio Bordeaux, Desvendando os Ganhadores

               Mais do que meramente desvendar os resultados de mais este gostoso Desafio de Vinhos mensal, mostro um resumo dos comentários sobre cada vinho, obtido das fichas de degustação preenchidas pelos 13 membros da banca. São valores e avaliações médias, nem sempre condizentes com que um ou outro membro do painel sentiu ao provar o vinho e no final mostramos a nota e vinho preferido de cada degustador.

              O sucesso destes eventos tem sido garantido pelo apoio de nossos parceiros os quais já mencionei ontem quando relacionei todos os Desafiantes a quem, mais uma vez reitero meus agradecimentos. Este Desafio foi especialmente prazeroso por ter sido realizado no Jardim Gourmet da Vinea Store que tem um astral muito especial, um local belíssimo recheado de gente muito especial e de muito charme. Afora os agradecimentos ao corpo diretivo da casa; Adriana, Ivan e troupe, tenho que ressaltar a extrema competência e simpatia da equipe do João Manoel; o Alexandre e a Fabiana, show de bola! Mais do que os vinhos, foi o carinho dessas pessoas e a alegria dos membros da banca de degustação convidados, que fizeram deste evento e desta noite, um momento marcante na história dos Desafios até agora promovidos. Cada um destes Desafios é uma história e o bom é que são todos estupendos porque as pessoas o fazem assim. Você, no entanto, veio para obter informação, então chega de blá, blá, blá e vamos aos finalmente!

             Onze vinhos, onze personalidades e um painel, na minha avaliação, muito equilibrado já que a minha menor nota foi 85 e a máxima 89,5. Agora vamos ver o que o grupo achou e o resultado final deste embate relacionando os vinhos por ordem em que se apresentaram (serviço):

 

Bordeaux 011Chateau Desclau Cuvée Marguerite 2002 (Vinea) – Fruta latente, delicada, algo vegetal com toques minerais numa paleta olfativa inicialmente bastante tímida e pouco complexa. Ao levar a taça á boca, encontramos taninos finos já domados, muito bem equilibrado com uma acidez presente lhe dando um agradável frescor, leve, saboroso com um final meio mentolado de média persistência. Com um tempo em taça, desenvolve uma complexidade de aromas impressionante e uma riqueza de sabores que encanta. O vinho que, ao longo da degustação, mais necessitou de ajuste para cima em função de sua evolução em taça. Mesmo sendo um 2002 que tinha sido decantado por uma hora, ao servi-lo dê-lhe tempo para desabrochar e se mostrar por inteiro. Média de pontos 86,82.

Bordeaux 002Chateau La Raze Beauvallet 2005 (Vinea) – Vinho que mais me tinha impressionado no evento “Bordeaux ao seu Alcance” (inspirador deste Desafio) organizado pela CIVB (http://www.bordeaux.com/Civb.aspx ) no mês passado.  Apesar de uma primeira impressão olfativa bastante atraente indicando uma certa complexidade  aromática, vai morrendo na taça mostrando-se algo monocromático com  forte presença de couro. Melhora muito na boca com taninos finos aveludados, corpo médio, saboroso com um final de boa persistência. Agradou mas não encantou, tendo sido prejudicado por sua performance olfativa em taça. Um vinho que merece uma nova avaliação num futuro próximo, hoje não foi bem tendo obtido uma nota média abaixo de seu potencial, ou assim penso, de 84,05.

Bordeaux 008Chateau Noaillac 2005 (Decanter) – Paleta olfativa complexa em que aprece bastante fruta compotada, caramelo, baunilha, algo floral com algumas nuances de defumado, muito interessante e convidativo. Na boca mostrou-se ainda algo novo, apesar de já muito saboroso e apetecível, com taninos finos ainda algo firmes, mas sem qualquer agressividade, corpo médio para encorpado, bom volume de boca, rico, harmônico com um final muito agradável de boa persistência. Nitidamente um belo vinho de maior guarda, que se beneficiará, e muito, com mais um par de anos em garrafa (*** na revista Decanter), que obteve uma média de 86,68 pontos.

Bordeaux 005Chateau La Guérinnière 2005 (D’Olivino) – nariz algo químico, fruta madura, evoluindo na taça para uma paleta láctea, café, baunilha, chocolate de bastante complexidade mesmo que não muito intensa, esbanjando elegância. Na boca é estupendo, para usar um dos muitos adjetivos usados pela banca, mostrando bom volume de boca, taninos firmes e sedosos, ótima acidez e de grande harmonia, com um final literalmente apetitoso que chama mais taça e chama comida. Vinho de muita personalidade que encantou a grande maioria dos mebros da banca degustadora tendo alcançado a nota média de 90,27 pontos.

Bordeaux 010Chateau Lamblin Cuvée Hommage 2003 (La Cave Jado) – paleta olfativa diferenciada (lembro que é orgânico, apesar de não saber se isso é efetivamente relevante nesta análise olfativa) com uva passa, algo floral e incríveis nuances cítricas. Muito boa textura, taninos ainda firmes mostrando ótimo potencial de guarda, acidez moderada, bem equilibrado, corpo médio para encorpado com bom volume e textura mostrando um final sedoso de boa persistência. Muito bom vinho que cresce bastante com tempo em taça, então curta sem pressa de ser feliz. Obteve uma média de 86,09 pontos .

Bordeaux 001Chateau Puycarpin 2006 (Zahil) – este desafiante escalado pela importadora é já bastante calejado no mercado mostrando-se ser muito confiável e constante safra após safra, um verdadeiro campeão de regularidade. Este não foi diferente mostrando boa intensidade aromática, fruta compotada e algo químico (verniz/acetona). Corpo leve para médio, equilibrado e saboroso, fácil de gostar e agradar. Macio, correto, honesto, um vinho que não tem erro, um verdadeiro porto seguro quando falamos de vinhos Bordeaux de gama de entrada. Obteve a média de 86,5 pontos.

Bordeaux 004Calvet Reserve Rouge 2005 (Interfood) – mostra-se agradável no nariz, com fruta madura, salumeria e algo resinoso, mesmo que algo sutil sem grande intensidade aromática. Na boca é leve, franco, sem grande complexidade, redondo e fácil de beber mostrando uma faceta mais moderna e vibrante, perdendo em caráter e tipicidade. Final de boca especiado e um pouco quente de média persistência. Não chega a empolgar, mas é um vinho fácil de se tomar e agradar, tendo obtido a média de 84,77 pontos.

Bordeaux 007Chateau La Monastére 2005 (Expand) – herbáceo, algo floral, balsâmico compondo um perfil aromático interessante, de boa intensidade e complexo. Na boca é leve, suave, taninos sedosos, macios, saboroso e bastante equilibrado, fácil de beber com um final mineral e algo de couro. Não é um blockbuster, mas é um vinho bastante agradável e amistoso que cumpre bem o seu papel mesmo que não transmitindo fortes emoções. Para um evento em que se queira fazer bonito sem gastar muito, esta é uma boa opção. Obteve uma média de 85,32 pontos.

Bordeaux 003Villa Francioni 2005 (Villa Francioni) – fruta madura, especiarias, algo defumado vibrante e franco ao nariz. Boca harmônica com as sensações aromáticas, mostrando-se algo apimentado, saboroso, ótima estrutura, taninos finos e elegantes ainda que levemente verdes neste momento, muito saboroso, equilibrado, complexo, boa textura, final longo, consistente e com grande evolução na taça. Pleno de caráter, não passa despercebido e marca posições apesar de a maioria não o ter identificado como fora de Bordeaux, enquanto outros entenderam que este era o rótulo surpresa, porém o identificaram mais como um top chileno. Dançaram, este é brasileiro mesmo, tendo obtido uma média de 88,73 pontos.

Bordeaux 006Chateau Mamin 2003 (D’Olivino) –  no nariz mostrou-se bastante quimico, vegetal com alguma fruta madura compotada. Houve menção a casca de laranja, mas sinceramente, não a consegui sentir. Na boca é macio, redondo, corpo médio, madeira sutil com acidez adequada e bem equilibrado. Absolutamente pronto a beber não devendo evoluir muito mais em garrafa. Vinho elegante, agradável e fácil de se gostar, tendo obtido a boa média de 86,27 pontos.

Bordeauxs 008Chateau Reynon 2006 (Casa Flora) – chegou em cima da hora, decantou, mas não descansou o que pode ter prejudicado um pouco sua performance. Notas vegetais, canela, mofo, algo floral que lembra violetas, compondo uma paleta olfativa nada sedutora e estranha apesar de a garrafa estar íntegra. Melhora muito na boca quando se mostra muito saboroso, bastante equilibrado, taninos doces e sedosos, cremoso com bom volume de boca e boa persistência com um final com toques de chocolate. Não empolga, mas é um vinho correto que obteve 87 pontos do Robert Parker. Nesta noite obteve a média de 84,68 pontos e mais um vinho que mereceria uma segunda chance.

 

            O resultado final mostra que sim, existe vida fora dos grandes bordeauxs. Com menos complexidade e sofisticação, mas estes “plebeus” estão aí confirmando ser vinhos amistosos e agradáveis, uma bela introdução aos vinhos de Bordeaux cabendo aos amigos fazerem sua própria avaliação, provando-os e confirmando, ou não, os resultados de mais este Desafio de Vinhos. Nesta noite e neste desafio,  esta banca de degustadores assim definiu:  Melhor Vinho , indiscutivelmente, o Chateau La Guérinnière tendo na sua cola o Villa Francioni que se confirma como um dos grandes vinhos brasileiros da atualidade. Em terceiro, com um sprint final impressionante para um vinho que começou mal e evoluiu muito na taça o Chateau Desclau Cuvée Marguerite que deixou para trás o Chateau Noaillac em quarto e o Chateau Puycarpin em quinto, completando o pódio . Com o Melhor Custo x Beneficio o La Guérinnière e a Melhor Compra o Chateau Puycarpin, preço imbatível, com votações quase que unânimes.

          Desta feita, somente dois vinhos foram aquinhoados com a maior nota de cada degustador, só confirmando o quanto estes dois rótulos se sobressaíram sobre os outros. Vejam os preferidos de cada degustador e suas notas:

Chateau La Guérinniére – O Campeão da Noite

  • Marcel Proença – 91,5
  • Alvaro Galvão – 89
  • Francisco Stredel – 91
  • Evandro Silva – 88
  • Dr. Luis Fernando Barros – 90,5
  • Fabio Gimenes – 95
  • José Roberto Pedreira – 93
  • João Filipe Clemente – 89,5

Villa Francioni 2005 – A surpresa

  • Jaerton Eduardo – 90,5
  • Ricardo Tomasi – 93
  • Simon Knittel – 88
  • Ralph Schaffa – 87,5
  • Emilio Santoro – 90

Para finalizar, um delicioso risotto de funghi acompanhado de um vinho italiano da casa (Vinea Store), para dar uma mudada na boca e nos sentidos, um gostoso Rosso Salento “Santi Medici” 2005 elaborado com 100% da uva negroamaro, vinho macio com taninos doces e muito agradável.

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Salute e um kanimambo muito especial a todos que apoiaram e ajudaram a fazer mais este Desafio de Vinhos.