Degustações

Desvendando o Desafio de Uvas Ícones

Zahil - Loja 300  Em Setembro, o Desafio de Vinhos teve como temas as Uvas Ícones de cada país. Difícil determinar qual a uva ícone italiana ou francesa, mas optei pela Pinot Noir por ser a principal casta vinificada em varietal, e na Itália optei pela Barbera por uma questão de disponibilidade, mas poderia ter sido Sangiovese, Nebbiolo, etc.. De qualquer forma, reuni nesta prova de vinhos ás cegas, um total de onze vinhos representando onze países e uma surpresa, um rótulo para dar nó na cabeça de todos os participantes da banca de degustação. Como sempre, já tradição neste tipo de prova, interessantes surpresas no evento realizado com o apoio da Zahil, onde a degustação ocorreu, e das demais importadoras e produtores que enviaram seus representantes para mais este embate. Sem este apoio todo seria impossível realizar estes Desafios, razão pela qual inicio meus posts sobre os resultados com este agradecimento. É o mínimo que posso fazer pelo apoio e confiança depositados neste trabalho de garimpo, de mostrar através destes eventos que há vida, e muito boa vida, abaixo de R$100,00 e quem nem sempre o melhor vinho é o mais caro. Insisto na tese de que nome, origem e camisa não ganham título, mas sim performance o que, no nosso caso, significa o caldo na taça e na boca, o resto é marketing.

            Colaboraram, enviando seus Desafiantes, os já costumeiros parceiros como Decanter, Zahil, D’Olivino, Peninsula e Wine Society, os amigos da Brasart, Dominio Cassis e Portal dos Vinhos com o Emilio nos cedendo o que já se tornou uma raridade, o Valduga Storia 2005, assim como o produtor, Quinta Mendes Pereira e, “last but not least”, um novato nestas degustações, a Wine Lover´s, uma importadora nova especializada em rótulos americanos que, no apagar das luzes, nos cedeu um Zinfandel. Como já comentei, a degustação foi realizada às cegas e os vinhos foram todos decantados por cerca de 40 minutos e retornados às garrafas e adega climatizada de onde saíram para serviço devidamente envolvidas em papel alumínio e numeradas de forma aleatória.

             Para escolher o Melhor Vinho, melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra, uma banca composta de 14 pessoas: Emilio Santoro (Portal dos Vinhos) / Zé Roberto Pedreira e  Fábio Gimenes (Confraria de Embu) / Simon Knittel (Kylix) / Ralph Schaffa (Restauranteur) / nosso convidado especial José Luiz Pagliari (Colunista e pesquisador) / Dr. Luis Fernando Leite de Barros (Enófilo) / Ricardo Tomasi (Sommelier/Specialitá) / Marcel Proença (Assemblage Vinhos) / Bernardo Silveira (Sommelier da Zahil) / Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) / Francisco Stredel e Evandro Silva (Confraria 2 Panas) e eu. Dos 13, desconsideramos o Bernardo por uma questão ética, mesmo considerando-se que a prova foi às cegas, com notas em ficha de avaliação padrão ABS sendo a mais alta e a mais baixa eliminadas e o restante somado e dividido por 11 dando-nos o resultado de pontuação e ganhador, o Melhor Vinho do Desafio. Você arrisca chutar quem foi o ganhador?

Uvas Ícones 002

             O Melhor Custo x Beneficio que sempre foi eleito pelos degustadores presentes, desta feita virou uma equação matemática sendo apurado através da divisão pura e simples da nota obtida pelo preço. Para a Melhor Compra, foi mantida a regra, sendo apontada por voto direto. Quem serão os ganhadores? Isto veremos amanhã, porém já antecipo o vinho surpresa que, tivesse sido servido com rótulo aberto, certamente teria notas bem menores que as recebidas e muito provavelmente teria comentários pejorativos só por sua origem o que me leva a reforçar a necessidade de arquivar todos os eventuais preconceitos que possamos ter ao levar uma taça à boca. O vinho, que acabou surpreendendo a todos e obtido boas notas como veremos amanhã, foi nada mais nada menos que um Pomar Reserva 2006 da região de Lara na, na, na… ……. Venezuela! Veja mais sobre este vinho trazido pelo confrade Francisco, que é venezuelano e um amante do vinho, gracias viejo, amanhã.

           Mas estes desafios não servem somente para provar os vinhos do Desafio, garimpar novos rótulos e mostrar que existe vida em nossa vinosfera sem ter que gastar muito, nestes casos limitados a R$120,00 preferencialmente em torno de R$100. Serve também para provarmos novos espumantes disponíveis no mercado que são tomados na Desafio Uvas Ícones - Zahil 006recepção dos degustadores com o objetico de prepararmos as papilas gustativas para o que vem a seguir. Temos, com isso, tido o privilégio de tomar diversos espumantes de boa qualidade e muito saborosos. Desta feita, o amigo Bernardo (Zahil) nos apresentou um espumante argentino elaborado pelo método tradicional com um corte de Chardonnay e Pinot Noir, que foi muito bem comentado pelos membros da banca, o El Portillo Brut das Bodegas Salentein, importação e distribuição exclusiva desta simpática importadora que possui um excelente portfólio com preços bastante convidativos. Bastante aromático com forte presença de frutos tropicais convidando a beber, na boca apresenta bom volume, bom frescor, com uma acidez não muito comum aos espumantes argentinos, balanceado com um final algo cítrico e um sutil toque de leveduras muito sedutor. Perlage bastante abundante, fina e de boa persistência. Uma grata e agradável surpresa que merece ser conferida pelos amigos leitores e que espero faça bonito em uma degustação às cegas de espumantes que estou tentando orquestrar para o mês de Novembro.

Salute, kanimambo e amanhã veja os resultados e comentários apurados.

Wines of Argentina em Seis Destaques

          Para variar com tempo curto para tanta coisa disponível, mas eis as minhas impressões sobre os destaques, a meu ver, dentro aquilo provado.

Wines of Argentina 002Familia Shroeder – importante produtor da Patagônia trazido pela KMM que possui um ótimo Sauvignon Blanc e que apresentou como novidade nesta pequena feira, um espumante diferenciado. No nariz teve gente achando que fosse Chenin Blanc, outros Viognier. Na boca, muito saborosa, balanceada e fresca apostávamos que era Moscatel, o que não é comum na Argentina. Na verdade, um incrivelmente aromático espumante elaborado com TORRONTÉS, pelo método tradicional com perlage fina, abundante e persistente que encanta na boca. Uma opção muito interessante e um espumante a ser conhecido.

Wines of Argentina 003Septima – dois lançamentos desta bodega que pertence à Codorniu e já foi aqui comentada, tendo uma linha de bons vinhos importada pelos amigos da Interfood. Das novidades, um Pinot Noir interessante, mas o que mais me chamou a atenção foi o Septimo Dia Chardonnay 2008 que se apresentou diferente do 2007 que já tinha provado. Os aromas estão mais delicados, sem grande intensidade, na boca mostra-se muito elegante mais fresco e com menos presença de madeira do que o da safra de 2007, um caldo cativante e bem equilibrado em que a madeira serve de apoio á fruta ressaltando os sabores e não os abafando. Muito bom.

Wines of Argentina 011Zuccardi – com sua nova importadora no Brasil, a Ravin, apresentou sua boa linha “Serie A” e, apesar da foto horrível, provei este Chardonnay/Viognier muito gostoso e sedutor com toques de frutos brancos e pêssego em contraponto ao abacaxi e alguma leve baunilha advinda do Chardonnay formando um conjunto de boa complexidade, corpo médio, mostrando um ótimo frescor e um mineral cativante. Um dos bons vinhos brancos disponíveis no mercado que pode tanto acompanhar entradas com frutos do mar, saladas com queijo de cabra, peixe ou até carnes brancas. Eu arriscaria com um Peru à Califórnia ou, quem sabe, uma costelinha de porco na brasa!

Wines of Argentina 001Famiglia Bianchi – um dos tradicionais produtores argentinos importado pela Mr. Man. Seu Cabermet Sauvignon é campeão e um dos que mais gosto neste país mais conhecido por seus Malbecs. Este, da ótima safra de 2005, só vem confirmar a classe deste rótulo de médio corpo para encorpado, taninos finos e aveludados, rico, algo terroso e especiado, harmônico com um final agradável e saboroso de boa persistência, um belo vinho que me agrada sobremaneira.

Wines of Argentina 007Pascual Toso – Faltei a uma degustação para a qual tinha sido convidado e, portanto, fiz questão de me demorar um pouco mais por aqui até porque a simpática e bonita presença de Maria Laura assim o exigia. Uma boa decisão já que revi seu gostoso Sauvignon Blanc que já recomendei aqui no painel de brancos em Março deste ano e conheci a linha inteira de muito bons vinhos dos quais destaquei três. Gostei muito do Pascual Toso varietal Malbec 2008, um vinho muito agradável, equilibrado, redondo e fácil de agradar, ainda por cima com um ótimo preço. Muito bom o Malbec Reserva também 2008 com aromas especiados e toques florais (violeta?) que, apesar de ainda muito novo, apresenta taninos muito finos, aveludados algo firmes ainda, mostrando ótimo volume de boca, grande riqueza de sabores, boa estrutura e boa acidez.

          Uma menção honrosa ao Malbec Alta Reserva 2007, mas o vinho que mais me encantou foi mesmo o Fincas Pedregal Single Vineyard 2005, um vinho vibrante corte de Malbec com Cabernet Sauvignon que possui uma entrada de boca sedutora e impactante com grande elegância e finesse, complexo, harmônico, um grande vinho que, por cerca de R$135,00 é um achado que certamente ainda poderá ser apreciado por mais três ou quatro anos, mas que já está absolutamente delicioso com um final de longa persistência. Um senhor vinho de muita classe.

Wines of Argentina 008Melipal – Estava com a Wine Company, onde permanecerá até ao final do ano, mas busca novo importador. Uma bodega que acredito não terá problemas para encontrar outro bom canal, porque seus vinhos são muito saborosos, a começar por sua linha básica Ikella, mas é na linha Melipal que eles mostram toda a sua categoria. Em Março quando fiz o painel de Brancos & Rosés, destaquei seu Rosé como um dos melhores na Argentina, muito rico, saboroso e fresco com gosto de vinho e não suco de frutas. A razão por isso é que colhem uma parte das uvas mais cedo, preservando a acidez, e o restante deixam madurar no pé por mais uns 30 dias para obter a fruta que desejam e aí fazem a mescla das colheitas resultando nesse vinho delicioso que acompanha muito bem lombo agridoce e paella valenciana. Seu Melipal Malbec 2007, com apenas seis meses de garrafa, ainda está um pouco duro, mas tradicionalmente é macio, rico, com taninos finos e aveludados, carnoso, médio corpo, boa textura, muito equilibrado e um longo e saboroso final de boca com alguma mineralidade. Um dos meus malbecs preferidos.

           Pela primeira vez provei o Reserva, este da Safra 2006, que é um vinho elaborado com vinhas de mais de 80 anos com uma produção de apenas cerca de 500grs por planta, mostrando grande concentração. Setenta por cento do caldo passa por barricas francesas novas por 18 meses e é um vinho na linha dos grandes e encorpados malbecs argentinos, porém com um toque de elegância, acidez e equilíbrio que demonstram enorme potencial. Não é, a meu ver e para o meu gosto, um vinho para se abrir agora, e sim um vinho de guarda, para se tomar dentro de mais uns três ou quatro anos pelo menos ou, eventualmente, tomá-lo agora, porém após pelo menos uma hora e meia de decanter. Vinhos ótimos e a simpática presença de Santiago Santamaria fizeram o fechamento desta minha breve, intensa e muito agradável visita aos vinhos argentinos.

          Provei alguns outros rótulos, outros fiquei sem provar, mas nada mais que pudesse efetivamente destacar. Como disse em entrevista ao Didu, tremo só de o ver chegar com aquela pequena “derringer” que ele chama de câmera, os vinhos argentinos estão com uma tendência a serem meio  que monocromáticos, com muita extração, muita fruta, muito álcool, muito tudo, muito iguais! Algo que os produtores devessem, talvez, rever já que os consumidores mundialmente começam a mostrar cansaço com essa receita. Enfim, enquanto existirem compradores para esse estilo creio que ainda veremos muito desses vinhos por aqui e, na crise mundial, o pessoal anda mais condescendente ajustando o vinho ao bolso. Ainda bem que existem vinhos e produtores como estes acima!

Salute e kanimambo

Desafio de Vinhos – Uvas Ícones

        O Desafio de Vinhos deste mês é no mínimo “sui generis”. Cada país baseia sua imagem mercadológica em cima de alguns parâmetros, entre eles a escolha de uma uva especifica que simbolize os vinhos dessa terra. Foi atrás dessas uvas que saí neste novo Desafio. Do ponto de vista técnico é inviável comparar bananas com maçãs e abacaxis, todavia acredito que qualquer um de nós tem a capacidade de analisar dentre elas, quais as que gosta mais, no sentido de percepção sensitiva, e o que lhe dá maior prazer. Logicamente que uma maçã tem que ter gosto de maçã assim como o abacaxi terá que apresentar suas próprias características, isso é essencial, mas a partir daí vem outra etapa que é a subjetividade sensorial de cada um. O principal objetivo deste Desafio será avaliar se o vinho de determinada uva apresenta as características básicas dessa cepa assim como a qualidade do vinho e sua capacidade de nos encantar com seus aromas e sabores. Qual será o vinho que mais encantará a banca de degustadores nessa noite?

          Acredito que será mais um interessante exercício que, posteriormente, compartilharei com os amigos tanto aqui como na coluna mensal do Jornal Planeta Morumbi e Planeta Oceano de Niterói. Por enquanto, fiquemos com a lista dos Desafiantes da noite aos títulos de; Melhor Vinho, Melhor Relação Custo x Beneficio e Melhor Compra em evento a ser realizado nas bonitas e aconchegantes instalações da loja da Importadora Zahil.

Clipboard Zahil

         Eis a lista dessas Uvas Ícones dos 11 países escolhidos, cepas que claramente indicam o país de origem, não necessariamente as que originam seus melhores vinhos, com rótulos em torno de R$100, tendo como limite máximo o valor de R$120,00.

  • Malbec – Argentina – Rutini Malbec 2006 – Importado pela Zahil com preço ao redor de R$119,00, é um vinho muito bem avaliado pela Wine Spectator que, entra ano/sai ano, lhe confere notas entre 89 e 91 pontos. Nesta linha de produtos da Bodega, é seu principal rótulo e um dos mais vendidos. Nunca tive a oportunidade de provar este vinho, conheço diversos outros rótulos deles que me seduziram, então estou bastante ansioso para o conhecer.
  • Tannat – Uruguai – Abraxas 2002 – Importado pela  Dominio Cassis com preço ao redor de R$105,00. A Dominio Cassis produz este vinho no “departamento de Rocha”, ao norte de Punta Del Este e a 10kms do Atlântico, uma região produtora menos conhecida e quando provei este rótulo pela primeira vez, há cerca de uns 18 meses, me encantei pelo vinho e por seu potencial de evolução que iremos conferir agora. Do pouco que se produziu, poucas garrafas restaram, mas acho que estaremos frente a frente com um grande vinho. Publiquei post sobre esta vínicola e os vinhos degustados, em Fevereiro de 2008, se quiser rever, clique aqui.
  • Carmenére – Chile – Ochotierras Gran Reserva 2005 – Importado pela Brasart com preço ao redor de R$90,00. Não sou fã desta cepa, mas ocasionalmente me deparo com alguns bons rótulos. Destes, o Ochotierras foi um dos que mais me seduziu e fiz questão que o amigo Fernando participasse com este rótulo que é de sua importação exclusiva.
  • Pinot Noir – França – J. Cacheux Bourgogne Les Champs D’Argent 2006 – Importado pela Decanter com preço ao redor de R$117,00. Produtor com apenas 5 hectares em Vosne Romanée, Echézaux e Nuits-saint-George , produz vinhos com um estilo rico, macio e elegante sendo umas das estrelas em ascensão na região. Este é seu vinho de entrada, impossível obter Pinots outros nesta faixa de preços, que esperamos possa mostrar toda a tipicidade desta grande cepa e região.
  • Zinfandel – EUA – Pezzi King Sonoma County 2005 – Importado pela Wine Lover’s, uma nova importadora especializada em vinhos americanos, com preço ao redor de R$110,00. De acordo com os importadores, um vinho de lamber os beiços mostrando bem a tipicidade dos bons Zinfandel da região de Sonoma County famosa por produzir alguns dos melhores exemplares desta cepa nos Estados Unidos. Ansioso por provar!
  • Pinotage – África do Sul – Morkell PK 2004 – importadora D’Olivino – preço ao redor de R$120,00 e uma cepa difícil de ser trabalhada com poucos rótulos que possam ser considerados grandes. Os grandes vinhos sul africanos vêm sendo os Syrah, tanto em varietal como em corte, mas existem vinhos Pinotage de categoria sim, e este da Bellevue Estates, um dos pioneiros a trabalhar com esta cepa em varietal, foi sugestão de um dos membros de nossa banca degustadora, o Emilio Santoro. De acordo com ele, um vinho para mudar a percepção de quem não aprecia vinhos elaborados com esta cepa.
  • Touriga Nacional – Portugal – Quinta Mendes Pereira Reserva 2005 – Importador Malbec do Brasil – Preço ao redor de R$90,00 e um velho conhecido meu sobre o qual falei faz poucos dias, tendo finalizado o nosso Desafio de Vinhos Portugueses com fidalguia. Foi a própria produtora (Raquel Mendes Pereira) conjuntamente com seus familiares aqui em São Paulo que fizeram questão de atender a meu pedido, entregando-me esta garrafa para mais um Desafio. No de Portugal participaram com o Garrafeira. Este Touriga Nacional obteve 16,5/20 pontos da Revista de Vinhos em Portugal.
  • Shiraz – Austrália – Bridge Water Mill Shiraz 2005 (Adelaide Hills) – Importador Wine Society – Preço de R$87,00 e um rótulo muito elogiado pela imprensa australiana tendo a safra de 2005 sido considerada a melhor já produzida. Vejamos como se comporta neste embate.
  • Barbera – Itália – Barbera d’Asti  “Le Orme” 2006 – Importadora Zahil – Preço de R$79,00, um Best Value da Wine Spectator  com 88 pontos, um dos representantes indicados pelo Bernardo para esta contenda. Já tomei o ano passado, e foi um vinho que me agradou muitíssimo, porém estava acompanhado de comida. Vamos ver como se comporta solo e numa degustação às cegas.
  • Merlot – Brasil – Storia Valduga 2005 – Preço, quando se acha, ao redor de R$110,00, um vinho que virou ícone da vinícola e reconhecidamente um dos grandes vinhos da atualidade no Brasil. Aqui mesmo neste blog, já faturou o Desafio de Merlot contra uma série de desafiantes de peso, obteve também a vitória numa degustação da Freetime com Merlots brasileiros tendo se tornado objeto de desejo de muitos. É hoje uma raridade no mercado e quem o tem está cobrando uma bela grana por garrafa, não fosse a contribuição do Emilio Santoro da Portal dos Vinhos e certamente não estaria aqui.
  • Tempranillo – Espanha – Sierra Cantabria Crianza 2004 – importador Peninsula – preço ao redor de R$109,00 e um vinho muito confiável que obteve 90 pontos da Wine Spectator tendo ficado entre os top 100 da lista da revista no ano passado. Boa concentração, porém mantendo as características riojanas que fizeram fama da região mundo afora. Certamente um digno representante desta importante casta espanhola.

Como décimo-segundo vinho, uma rótulo surpresa e muito pouco habitual. Um verdadeiro enigma a ser desvendado por uma seleta banca de degustadores que desta feita será ainda mais abrilhantada pela presença de Bernardo Silveira, sommelier da Zahil, e do respeitado pesquisador enófilo e colunista José Luiz Pagliari, pessoa que aprendi a respeitar muito neste pouco de tempo de estrada e que, como o Saul, é um verdadeiro gentleman e profundo conhecedor. Os outros componentes da banca são os experientes enófilos e profissionais do ramo, já costumeiramente presentes a estes Desafios; Ralph Schaffa (restauranteur); Simon Knittel (Kylix); Emilio Santoro (Portal dos Vinhos); Marcel Proença (Assemblage Vinhos); Ricardo Tomasi (sommelier/Specialità); Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos); Francisco Stredel e Evandro Silva (Confraria “Dos Panas”); Fábio Gimenes e José Roberto Pedreira (Confraria de Embu); Dr. Luis Fernando Leite de Barros (enófilo) e eu.

             Como sempre, a degustação será realizada ás cegas e sem ordem de serviço, passando todos os vinhos por um período de decantação antes de voltarem à adega para que voltem à temperatura adequada de serviço. Como é usual nos casos em que o Desafio é realizado nas dependências de uma loja ou importadora, o anfitrião tem o direito de nomear dois desafiantes, o que a Zahil fez. Desta feita estou mais ansioso que o normal, quem será o ganhador?

Salute e kanimambo

Loureiro e Touriga Nacional, um Grande Final!

               Falei do Desafio de Vinhos Portugueses e publiquei os resultados, com aquele espetacular desempenho da Herdade do Pinheiro Reserva 2003, mas não falei do jantar de confraternização que tradicionalmente realizo com os amigos presentes à degustação. Dois belos vinhos, um dos quais estará participando deste próximo Desafio de Vinhos de Uvas Ícones a ser realizado ainda este mês, e pratos bem gostosos.

murosantigos-2007Iniciamos o jantar, após a maratona de 14 vinhos, nos deliciando com o Muros Antigos Loureiro 2007 (Decanter), uma das melhores relações custo x beneficio de vinhos brancos hoje disponíveis no mercado. É elaborado pelo mago Anselmo Mendes que entende como poucos os mistérios dos vinhos verdes, mas não só. A uva Loureiro tem como característica, gerar vinhos muito frescos, por sua ótima acidez, e aromáticos. São ótima companhia para pratos de frutos do mar e gosto muito de harmonizá-lo com caldeirada de lulas. Desta feita, este delicioso Muros Antigos, de aromas sutis com nuances de flor de laranjeira, muito cítrico, balanceado, fino, saboroso que nos seduz facilmente enquanto nos acaricia o palato com um toque mineral de boa persistência,bolinho-bacalhau acompanhou uma entrada de bolinhos de bacalhau e azeite. Uma nota especial aos bolinhos de bacalhau, uma especialidade dos amigos Paulo e Filomena Martins, show de bola!

Como prato principal, um delicioso risoto de pato, uma especialidade da cozinha do amigo Simon da Kylix, que estava muito delicado e gostoso. O vinho, um Touriga Nacional Reserva 2005 da Quinta Mendes Pereira que decantou por uma hora e estava estupendo, apesar de não ter se adequado muito bem ao prato por ser um vinho de um corpo bem superior ao quinta-mendes-pereirarisoto. Nada que, a esta altura do campeonato, afetasse nossa percepção de satisfação, até porque a ótima acidez gerando um certo frescor, fruta vibrante, volume de boca e riqueza de sabores, grande equilíbrio e taninos aveludados do vinho, compensavam qualquer coisa.  Estou muito curioso para ver este vinho no embate de Uvas Ícones, pois já o havia provado antes e senti que ele evoluiu muito bem nestes últimos oito para dez meses. Um belo vinho que agradou sobremaneira a todos, uma ótima forma de finalizar este encontro. Por outro lado, a harmonização maior já estava criada; bons vinhos, bons pratos e bons amigos, o resto, bem, o resto vira perfumaria.

           Os papos de anjo e o cafezinho, aliás, vários, fizeram o complemento de uma noite muito agradável repleta de gostosos sabores e, mais que tudo, gente amiga. Mais uma vez meus agradecimentos especiais à Kylix. O Simon e sua equipe nos receberam muito bem e, o ambiente, simpatia e diversidade de produtos nesta bonita loja, são realmente um colírio para os olhos.

         Salute, kanimambo e aguardem o Desafio de Uvas Ícones que desta feita será realizado nas agradáveis e simpáticas instalações da Zahil nosso anfitrião deste mês de Setembro. As fotos, afanei do blog do amigo Alexandre (Diario de Baco) membro titular da banca de degustação destes Desafios, as minhas estavam muito ruins!

Conferindo as Novidades na Zahil

Novidade          Para quem ainda não conhece, duvido que haja alguém, a Zahil é uma das boas importadoras que temos com rótulos bastante interessantes e bastante convidativos tanto do ponto de vista de qualidade como de preços. Tem de tudo, mas possui uma linha de vinhos de muito bom preço que surpreendem por sua qualidade. Alguns desses rótulos que tanto me empolgam estão numa faixa de até R$60,00 o que permite que alguns desses rótulos volta e meia estejam sobre minha mesa e na minha taça. Vinhos como; Trumpeter Malbec/Syrah, Domaine Conté Selección de Barricas Carmenére, Les Bateaux Syrah, Chateau Kefraya Les Bretaches, Cotes du Rhône St. Estève d’Uchaux, Vila Regia Douro Tinto, Juan Carrau Tannat de Reserva, Tosca Chianti Colli Senesi, Veuve Paul Bur Brut, Les Fumées Blanche,  entre outros saborosos  rótulos de valor um pouco mais acima como os sempre confiáveis Rutini Cabernet/Merlot, Chateau Puycarpin e Jourdan. Um bom e bonito lugar para se garimpar.

               Desta feita fui conhecer alguns dos novos vinhos de seu portfólio que acabaram de chegar. Algumas pérolas e outras grandes descobertas. Eis alguns dos que, a meu ver, se destacaram entre os vinhos provados, sendo vinhos que certamente merecem ser conhecidos.

Sauvignon Blanc – provei dois vinhos, ambos muito bons, porém de estilos totalmente diferentes. O primeiro évacheron_sancerre[1] vibrante, franco que nos atinge com grande impacto e é da Nova Zelândia, uma nova frente sendo aberta pela gigante portuguesa Sogrape, região de Marlborough do produtor Framingham. O Segundo é oposto, uma caricia sedutora ao palato onde impera a finesse e elegância, muito mineral e um verdadeiro deleite hedonistico , é o Sancerre (Loire) do Domaine Vacheron um vinho a qual o respeitado Stephen Tanzer deu 92 pontos.

Muscadet – que nada tem a ver com moscatel, é uma uva que gera vinhos secos e leves na região do Loire, mais precisamente na sub-região de Sévre-et-Maine, próximo à cidade de Nantes. Advindo de vinhedos de mais de 35 anos e sem a utilização de químicos no cultivo, o Domaine Le Haute Févrie nos apresenta dois rótulos. O que mais chama atenção por sua sutileza e frescor, é o Le Gras Moutons que passa cerca de 10 meses sur lie, dando-lhe uma complexidade cativante, balanceado, apresenta um ótimo final de boca de boa persistência. Uma deliciosa e estupenda opção para você acompanhar ostras e frutos do mar em geral. De dar água na boca!

La Coudraye, um Cabernet Franc da sub-região de Bourgueil de aromas convidativos, boca muito rica em sabores, complexo e equilibrado, uma boa opção para quem procura vinhos desta cepa produzido no Loire.

SequilloSequillo, um vinho Sul Africano elaborado com um corte de Syrah, Mourvédre e Grenache, absolutamente divino. Um grande vinho de muita complexidade aromática, vibrante, ótima entrada de boca, firme, taninos finos, robustez com elegância, para mim o melhor vinho provado e uma enorme surpresa.

Framingham Pinot Noir – num estilo que me agrada. Nariz intenso, na boca explode em sabores mostrando todas as características do terroir, rico, final com leve toque de especiarias, um vinho muito bom e muito agradável que nos deixa aquele gostinho de quero mais na boca.

Hacienda La Laguna, uma linha de vinhos chilenos produzido pela Beringer Blass, a preço bastante convidativo R$42,00. Especialmente interessantes os Reserva Cabernet/Merlot e o Cabernet/Syrah sedosos, prontos e muito saborosos apresentando uma boa persistência e corpo médio.

Itália, três vinhos bastante interessantes. De Michele Chiarlo o Cipresi dalla Court Barbera d’Asti Superiore, possui uma paleta olfativa de boa intensidade com muita fruta escura e toques animais convidando a taça à boca onde é Gravnermarcante com taninos sedosos, algo especiado com ótima acidez pedindo comida e o Stefano Accordini Acinatico Valpolicella Classici Superiore Ripasso, um ótimo exemplo do que melhor se faz na região do Vêneto, mostrando muita complexidade e riqueza de sabores. Absolutamente diferentes, os caros e raros vinhos da Gravner que me chamaram a atenção já na entrada da loja devido ao design dos rótulos. São vinhos complexos, elaborados “à mão” em ânforas de barro num processo artesanal, sendo vinhos para o apreciador experiente, aquele que acha que já conhece tudo!

Alsácia, não poderia finalizar sem falar da chegada de dois importantes produtores da região, o Domaine Ostertag e o Domaine Josmeyer, ambos biodinâmicos. Do que provei, me chamaram a atenção o Riesling Le Kottabe da Josmeyer e o Fronholz Pinot Gris da Ostertag.

         Enfim, garimpar os novos rótulos, mais uma razão para você dar uma passada por esta simpática loja. Dos vinhos mais em conta e para o dia-a-dia até os mais sofisticados, um portfolio bastante completo e diverso. Afora todos os rótulos já mencionados, mais seis derradeiras dicas; Callabriga Douro 2004 / Domaine La Soumade Rasteau Village 2006 / Domaine du Ministre – St. Chinian 2004 / Juan Carrau Pujol Gran Tradicción / Chateau des Erles Cuvée des Ardoises Fitou / Vina Arana Reserva 1998 e Domaine Conté (Chile) Gran Reserva Cab/Merlot 2005, ou seja, inúmeras razões para você dar uma passada pela loja da importadora que fica aqui no Itaim em São Paulo, na Rua Manoel Guedes, 294, eu recomendo.

Salute e kanimambo

Caliterra Tributo Edición Limitada – Belos Vinhos!

           No final do ano passado, quando a Caliterra ainda era trazida pela hoje extinta Wine Premium, tive o prazer de conhecer toda a linha, inclusive o topo de gama Cenit, e o privilégio de sentar por um tempo com o enólogo Gabriel Cancino trocando idéias e conhecendo este vinho Premium que estavam por lançar. Naquela época publiquei post sobre a degustação, mas não pude mencionar estes lançamentos pois ainda estavam por chegar. Como não chegavam, a matéria foi para a gaveta de onde ressurgiu agora. Ressurgiu da gaveta, mas não da memória, tanto que foi uma de minhas encomendas a meu filho quando esteve em Santiago de onde me trouxe umas garrafas, o que teria sido impossível sem a ajuda do Gabriel porque até lá não é fácil de encontrar. Pois bem, nove meses se passaram, a Caliterra está de casa nova no Brasil – Decanter – e eu liberado para postar minhas impressões sobre esta linha top de gama. .  Uma informação interessante e para ficar de olho, é que eles já pesquisam a Touriga Nacional em um projeto de desenvolvimento de novidades e variações enológicas, então não me surpreenderia caso pintasse algo bem arrojado num futuro não muito longínquo, inclusive com alguma potencial presença de Carignan, uma outra aposta da vinícola.

           A linha Tributo Edición Limitada é composta de dois vinhos elaborados com uvas tintas especialmente selecionadas no vinhedo da Caliterra no Valle de Colchagua e um de Chardonnay, porém este de Casablanca. Esta propriedade em Colchagua,  possui 1.085 hectares e está situado a 150 metros de altitude, sendo que somente 25% das terras está cultivada. Ambos os vinhos passaram por 14 meses de barrica com a semelhança entre os dois, terminando neste ponto. 

  • Tributo Edición Limitada Carmenére/Malbec 2006 – fermentado por vinte e cinco dias em tanques de inox para posterior assemblage, com a fermentação malolática e envelhecimento sido realizada em barricas de carvalho, 75% americanas e 25% francesas,, passando por leve filtragem antes do engarrafamento em Outubro de 2007. Muita fruta vermelha e algo especiado com nuances terrosas ao nariz. Na boca as especiarias estão bem presentes, macio e sedoso com taninos finos mostrando bastante elegância, harmônico com uma certa “crocância” e um teor de álcool alto, 14.5%, porém absolutamente integrado.

 

  • Tributo Edición Limitada Shiraz/Cabernet Caliterra Tributo Edicción 003Sauvignon/Viognier 2006 – o meu vinho desta degustação e aquele que meu filho e o Gabriel correram atrás para me trazer. Um vinho apaixonante que me seduziu por completo. Maceração longa (30 a 35 dias) em tanques de inox com a fermentação sendo terminada nas barricas (81% em barricas americanas e 19% em francesas) onde o vinho permanece por 14 meses antes de ser levemente filtrado e engarrafado. Possui uma complexa paleta olfativa de boa intensidade em que se destaca a fruta madura com toques florais provavelmente advindas da Viognier. Òtimo ataque de boca com bom volume mostrando-se muito complexo, ótima estrutura, textura diferenciada, aveludado, fino, sóbrio, toque de frescor que encanta, rico em sabores e muito gostoso num final longo, muito longo! Um vinho delicioso e sedutor que nos deixa querendo mais e mais, …….Incrível o que 6% de uma cepa (Viognier) pode fazer por um vinho. Por essas e por outras é que acho que vinhos declarados como varietais deveriam possuir um minímo de 95% da cepa mencionada!

          A Decanter os está vendendo ao redor de R$120, o que, em se considerando a qualidade dos vinhos, sua complexidade e sua origem, arriscaria dizer que é um achado que o amigo deve conferir, especialmente o Shiraz/Cabernet Sauvignon/Viognier. Também existe um Edición Limitada Chardonnay, mas este não conheço. Todos disponíveis na bonita Enoteca Decanter.

Salute, kanimambo e bom proveito.

Desafio de Vinhos Portugueses: e o vencedor é?

           Ufa, finalmente chegamos ao resultado deste Desafio de Vinhos que apresentou uma diversidade de vinhos e regiões bastante interessante. Foi um exagero de rótulos o que torna a degustação mais complexa, porém é interessante verificar que os últimos não foram prejudicados nas notas, ou seja, mesmo com tanto vinho o pessoal conseguiu segurar esse rojão.

         Como sempre, começo os comentários dos vinhos com suas respectivas notas conforme a ordem de serviço, uma coletânea de todas as fichas preenchidas pelos degustadores que compuseram a banca deste desafio  e finalizarei com os resultados apurados. São 14 vinhos então, tenha paciência, este seu amigo prolixo tentará ser um pouco mais conciso desta vez.

Desafio Portugal 032Callabriga Douro 2004 (Zahil), produzido pelo gigante Sogrape com interesses também na Argentina e Nova Zelândia entre outros locais. De cor rubi, translúcido, parecia um Pinot na cor, sem grande concentração. Aromas sutis em que aprecem frutos negros frescos, algo herbáceo com toques florais. Na boca é sedutor, delicado, corpo médio, taninos finos, equilibrado e fácil de tomar e gostar mostrando boa persistência. Obteve 87 pontos da Wine Spectator (WS) por sinal semelhante à nota que lhe dei, mas a média obtida nesta prova foi de 85,67 pontos, custa R$93,00.

Desafio Portugal 017Quinta da Chocapalha 2005 (Vinci), da CVR Lisboa (ex-Estremadura) vinho de qualidade, internacionalmente reconhecida tendo obtido WS89 e RP88 com sua safra de 2004, mas que nesta noite não se houve bem. Fechado, apresenta uma paleta olfativa complexa com fruta madura, chocolate e madeira bem equacionada. Na boca mostrou-se robusto e algo duro, taninos ainda firmes, boa acidez e algum desequilíbrio harmônico com um leve amargor de final de boca. Novo, precisa de mais tempo em garrafa, ou de decanter, para mostrar todo o seu potencial. Obteve uma nota média de 82,28 pontos e custa por volta de R$90,00.

Desafio Portugal 031Altano Reserva 2006 (Mistral),  um vinho do Douro que dispensa apresentações produzido pela família Symington, um grupo que reúne diversas vinícolas na região.  Algo terroso, hortelã e fruta vermelha com toques florais mostrando uma paleta olfativa de boa complexidade. No palato, taninos doces, finos ainda relativamente firmes, fruta compotada, boa acidez e estrutura, equilibrado, com um final lembrando café e caramelo de boa persistência. WS88, porém neste embate obteve a média de 85,72 pontos, custa por volta de R$93,00.

Desafio Portugal 022Esporão Reserva 2006 (Qualimpor), mais um vinho que dispensa apresentações, produzido pela Herdade do Esporão no Alentejo (CVR Alentejo). O da safra de 2005 obteve 89 pontos da Wine Spectator. Muito frutado e especiado, uma paleta olfativa intrigante e de boa intensidade que convida a levar a taça à boca. Na boca é rico, sedoso e macio, frutado, boa estrutura, equilibrado, médio corpo. Um belo e saboroso vinho que pede comida e possui muito boa persistência. Obteve a média de 88,06 pontos, custa em torno dos R$89,00.

Desafio Portugal 018Quinta de Cabriz Reserva 2005 (Winebrands), produzido pela Dão Sul, é um vinho muito agradável e sedutor que teve 89 pontos na Wine Spectator. No Nariz, presença de couro, especiarias e algo de baunilha advindo da madeira ainda por se integrar totalmente e bem balanceada. Na boca é muito harmônico, taninos aveludados ainda presentes, rico, com um final de boca longo que invoca chocolate. Obteve a média de 85.11 pontos e possui uma ótima relação Qualidade x Preço x Satisfação devido a seu bom preço, em torno de R$65,00.

Desafio Portugal 034Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002, (Vinho Seleto 011.3815-5577 ) um vinho alentejano (CVR Alentejo) diferenciado feito á moda antiga com menos álcool, menos fruta intensa, menos taninos, menos novos tempos e novo mundo. Talvez por tudo isso, não tenha se dado tão bem neste embate, mesmo reconhecendo que esta safra está bem inferior à de 2001. O nariz é doce, lembrando frutas doces (assadas) e algo herbáceo com toques de baunilha tudo bem sutil. Cresce bastante em boca onde o vinho ganha corpo, taninos aveludados bem integrados, denso sem perder a elegância , mas faltou-lhe a riqueza de sabores, equilibrio e pujança que lhe são peculiares. A safra não ajudou, mas fica a pergunta, será que a garrafa não tinha algum problema? Não me pareceu . Será que foi somente mal compreendido? Muito diferente do que conheço e nota média de 82,83 pontos e o preço está ao redor de R$80,00.

Herdade ReservaHerdade do Pinheiro Reserva 2003, (Beirão da Serra) um vinho pouco conhecido em terras brasílis, exceção feita ao Rio de Janeiro. É um pequeno produtor alentejano (CVR Alentejo) que possui um belo portfólio em que se destaca este Reserva. Cor granada com halo atijolado já mostrando sua idade, uma paleta olfativa de boa intensidade e atraente com frutas maduras aparentes, mineral, leve amadeirado que lhe confere uma certa complexidade. Na boca é vibrante de ponta a ponta, complexo, muito rico, saboroso, uma acidez muito boa que nos deixa a boca salivando e pedindo comida. Taninos finos, elegantes e macios perfeitamente integrados num corpo médio de ótima textura, harmônico com um final muito longo, gostoso e um retrogosto que sugere uva passa. O Vinho que incendiou a prova e provocou suspiros na grande maioria que lhe deram adjetivos como; fantástico, excelente, encantador entre outros de menor expressão. Um vinho sem arestas que obteve nota média de 92,11 pontos e custa em torno de R$75,00.

Desafio Portugal 033Falcoaria DOC 2004, (D’Olivino) o representante da CVR Tejo (ex-Ribatejo), um vinho robusto de cor rubi intenso, quase retinto, mostrando-se ainda bem fechado. Nariz não muito aromático, fruta sutil com maior ênfase em aromas animais (couro)e algo terroso. Cresce em boca, porém sem despertar grandes encantamentos, mostrando-se um pouco rústico de taninos firmes, mas bastante rico em sabores que demonstram uma certa complexidade. Um vinho interessante e diferente que acredito cresceria muito se acompanhado de um bom cabrito assado da região. Obteve a média de 83,94 pontos e custa em torno de R$74,00.

Terras do PóTerras do Pó Reserva 2004, (Lusitana de Vinhos & Azeites) o único varietal presente à prova elaborado com 100% de castelão uma cepa difícil de ser trabalhada solo, dando-se, tradicionalmente, melhor em cortes. Elaborado pela casa Ermelinda Freitas, um dos bons produtores da região de Terras do Sado (CVR Setúbal), famosa por trabalhar muito bem esta cepa. Aromas animais, na boca é potente mostrando alguma sobra de álcool, macio denso com uma característica diferente de evolução na taça quando, após um tempo, começa a apresentar aromas de mostarda. Nota média obtida 82,94 pontos e custa ao redor de R$72,00.

Desafio Portugal 035Aveleda Follies 2004, (Interfood) um Bairrada diferente que não possui baga em sua composição, mas sim Touriga nacional e Cabernet Sauvignon que obteve 85 pontos da Wine Spectator. É um vinho de aromas vivos de fruta vermelha (ameixa), cativante, com boa e saborosa entrada de boca. Redondo, fácil de se gostar, corpo médio com bom voluma de boca, expressivo, talvez um pouco mais updated do que os demais num estilo mais novo mundo mostrando´se equilibrado com teores de álcool civilizados. Um vinho bastante apreciado que obteve uma média de 85,67 pontos e custa ao redor de R$72,00.

CeirósCeirós Reserva 1998, (BR Bebidas/Vinhos do Douro), o vinho mais antigo da prova sendo elaborado no Douro pela Quinta do Bucheiro, ainda surpreendentemente vivo, pleno de frescor e complexidade mostrando-se em prefeito equilíbrio apesar da idade. Do nariz à boca, mostrou uma personalidade muito própria, boa persistência, corpo médio, algo resinoso e especiado. Muito apetecível, corpo médio, boa acidez que o faz um vinho muito gastronômico e diferenciado. Para mostrar que longevidade não vem de álcool nas alturas, temos aqui civilizados 12.5%! Média de 86, 28 pontos e um preço ao redor de R$88,00.

Desafio Portugal 038Quinta Mendes Pereira Garrafeira 2004, (Malbec do Brasil) da região do Dão, um vinho do qual gosto muito tendo sido agraciado com 17 (de 20) pontos, pela Revista de Vinhos portuguesa. Elaborado por pisa a pé, prima por ser um vinho que faz jus à tradição do Dão por vinhos mais encorpados, algo rústicos, porém de grande elegância e complexidade obtidos com tempo em garrafa. Ainda muito fechado após uma hora de decanter, mostra-se robusto, notas de madeira e frutos vermelhos, taninos firmes porém sem agressividade, boa textura e equilibrado, complexo, saboroso, final aveludado e de muito boa persistência com nuances florais e uma acidez que pede comida. Vinho para mais meia dúzia de anos e, pelo que eu conheço do vinho, nesta noite esteve muito aquém de seu potencial. Obteve uma média de 82,89 pontos e custa ao redor de R$95,00.

Desafio Portugal 037Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, um corte de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz produzido pela Miolo na região de Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai. Surpreendente e prova inequívoca da melhora de qualidade dos vinhos brasileiros num projeto muito interessante que conta com a participação do amigo e enólogo português Miguel de Almeida. Frutos negros maduros com algo resinoso no nariz, madeira, fruta passa, bem estruturado com taninos finos, equilibrado, saboroso com um final de boca agradável e de boa persistência em que se manifestam nuances herbáceas. Nota média de 84,89 pontos e custa ao redor de R$50,00.

Desafio Portugal 021Caldas Reserva 2005, (Decanter) do renomado produtor Domingos Alves de Souza tendo obtido 15,5/20 pontos na Revista de Vinhos portuguesa. Fruta doce e especiarias aparecem de forma tímida ao olfato. Cresce na boca, mostrando boa riqueza e complexidade de sabores, taninos finos de presença marcante, médio corpo para encorpado, madeira bem integrada. Obteve média de 84,61 pontos e o preço é de R$100,00.

            Nesta noite, a banca degustadora avaliou e definiu como grande ganhador, o Melhor Vinho deste Desafio, por mais de um corpo de vantagem, o Herdade do Pinheiro Reserva 2003. Em segundo, outro alentejano, o Esporão Reserva 2006 e em terceiro o surpreendente Ceirós Reserva 1998. Completando o nosso pódio com os primeiros cinco vinhos da noite, temos o Altano 2006 em quarto e o Callabriga 2004 em quinto. Na eleição do Melhor Custo x Benefício e Melhor Compra, novamente o Herdade do Pinheiro Reserva 2003 o primeiro dos vinhos a participar destes Desafios que levou os três prêmios máximos, a tríplice coroa ou, como se diria nos velhos tempos, fez; cabelo, barba e bigode. De ressaltar a boa posição do Castas Portuguesas da Miolo que obteve a oitava colocação e dois votos como melhor compra, votos estes também alocados ao Quinta de Cabriz 2005.

            Normalmente relaciono as notas dadas aos vinhos preferidos de cada jurado, mas como o Herdade do Pinheiro foi o escolhido de doze dos treze degustadores, creio que isso não seja necessário. Ah, o Ralph quebrou a unanimidade escolhendo o Esporão Reserva por meio ponto o que foi bom, porque como já dizia Nelson Rodrigues, guardadas as devidas exceções, “toda a unanimidade é burra”! Finalizamos o Desafio com um jantar regado a Muros Antigos Loureiro 2007 (Decanter) e Quinta Mendes Pereira Dão Touriga-Nacional Reserva 2005, mas esse é papo para outro dia e outro post, só adianto que foi muito bom e os vinhos ótimos.

            Sobraram rótulos não apresentados na prova, então em Outubro faremos um Desafio de Vinhos diferente, um Alentejo x Douro em que o Herdade do Pinheiro, como vencedor desta noite, terá lugar cativo. Será que faturará de novo?! Já em Setembro, nosso Desafio de Vinhos viajará pelo mundo na busca de representantes das cepas ícones de cada país produtor. Alguns vinhos mais conhecidos, outros menos já que estes Desafios também visam garimpar novos vinhos e sabores, mas sempre com rótulos em torno de R$100,00.

Desafio Portugal 006

Salute e kanimambo.

(PS. Houve um equivoco nos cálculos médios das notas que acabei de revisar no texto acima (11:00). Peço desculpas pelo inconveniente, mas pouco alterou o resultado. O efeito maior fo efetivamente nas notas em si.)

Desvendando o Desafio de Vinhos Portugueses

Kylix 003Mais um Desafio de Vinhos ocorreu e desta feita com vinhos portugueses degustados às cegas. Como sempre, já tradição neste tipo de prova, interessantes surpresas no evento realizado com o apoio da Kylix, onde a degustação ocorreu, e  das importadoras e produtores que enviaram seus representantes para mais este embate. Sem este apoio todo seria impossível realizar estes Desafios, razão pela qual inicio meus posts sobre os resultados com este agradecimento. É o mínimo que posso fazer pelo apoio e confiança depositados neste trabalho de garimpo, de mostrar através destes eventos que há vida, e muito boa vida, abaixo de R$100,00 e quem nem sempre o melhor vinho é o mais caro.

             Colaboraram os já costumeiros parceiros como Decanter, Interfood, Zahil, Mistral, Vinci, D’Olivino, Lusitana de Vinhos & Azeites,  BR Bebidas, Vinho Seleto (011.3815-5577), Qualimpor e a recém chegada Winebrands, assim como os produtores Herdade do Pinheiro, Quinta Mendes Pereira e Miolo. Sim, a Miolo escalou o Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005 da Campanha Gaúcha quase fronteira com o Uruguai, que foi o nosso vinho surpresa da noite e, mais uma vez, um vinho brasileiro que mostrou ótima performance num embate com vinhos bem mais conceituados internacionalmente. Como já comentei, a degustação foi realizada às cegas e os vinhos foram todos decantados por uma hora e retornados às garrafas e adega climatizada de onde saíram para serviço devidamente envolvidas em papel alumínio e numeradas de forma aleatória. Após esta maratona de vinhos, 14 ao total, foi servido um jantar tendo como entrada bolinhos de bacalhau caseiros acompanhado de um saboroso e fresco Muros Antigos Loureiro 2007 (Decanter), branco português de ótimo custo x beneficio, um dos que prequentemente visita minha mesa, e um risoto de pato muito bem ancorado por um muito bom Quinta Mendes Pereira Touriga Nacional Reserva 2005, também previamente decantado, finalizando com papos deDesafio Portugal 003B anjo e um cafezinho, bão demais sô!

             Para escolher o Melhor Vinho, melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra, uma banca composta de 13 pessoas: Emilio Santoro (Portal dos Vinhos) / Zé Roberto Pedreira e  Fábio Gimenes da Confraria de Embu / Leandro Chicarelli (Winery) / Simon Knittel (Kylix) / Ralph Schaffa (Restauranteur) / Silvia C. Franco (Vinho & Gatronomia) / Dr. Luis Fernando Leite de Barros (Enófilo) / Ricardo Tomasi (Sommelier) / Alex Martins (Pinord do Brasil) / Alexandre Frias (Diario de Baco e Enoblogs) / Cristiano Orlandi (Vivendo Vinhos) e eu. Das 13 notas em ficha de avaliação padrão ABS, a mais alta e a mais baixa foram eliminadas e o restante somado e dividido por 11 dando-nos o resultado de pontuação e ganhador, o Melhor Vinho do Desafio.  O Melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra, são apontados por voto direto e tudo isto você verá no post de amanhã quando desvendaremos os ganhadores e comentaremos os vinhos participantes.

               Como de costume, iniciamos a degustação provando um espumante de forma a preparar o palato para o desafio por vir e, desta vez, tivemos a colaboração da bodega espanhola Pinord, Desafio Portugal 042através de seu gerente no Brasil o Alex Martins que também participou da banca de degustadores como convidado. Veio com seu Cava topo de gama o ótimo Marrugat Brut Nature Gran Reserva 2004, que estará chegando em breve ao Brasil num projeto tocado a quatro mãos entre o produtor e a Winery Distribuidora, que passa 36 meses em garrafa. Cor amarelo dourado, límpida e brilhante, na boca é cheia, cremosa, seca, porém sem nunca perder o frescor aportado por uma ótima acidez, com um final saboroso e longo. Boa estrutura, perlage muito fina, abundante, de enorme persistência (aproximadamente uns 30 minutos) mostrando todo o seu potencial. Aromas sutis de leveduras e frutas cítricas, uma cava de primeiro nível, muito bem elaborada, de delicado final de boca mostrando muita finesse e elegância. Enorme surpresa que certamente tomará o mercado de roldão quando chegar no final de setembro com um preço final consumidor ao redor de R$60,00, um verdadeiro achado que você não vai querer perder. Seus cavas básicos também são muito bons e deverão chegar por volta dos R$35,00, uma outra grande pedida.

Desafio Portugal 016

Nos vemos amanhã por aqui. Salute e kanimambo.

Descobertas no Pró-Chile

              Ontem dei uma passada, literalmente porque tinha me esquecido de um compromisso familiar e, desta forma, tive que abortar minha viagem por uma série de boa vinícolas presentes neste evento. Com isso fiquei por lá um pouco mais de duas horas, quando me dei conta do compromisso, o que foi uma pena porque o Chile é sempre muito rico em surpresas e novos rótulos a serem conhecidos, mas …..fazer o quê? De qualquer forma valeu a pena.

            Do pouco que consegui provar, uma constatação de algo que vem crescendo dentro de mim, minha preferência por Malbecs chilenos e pelos Cabernet Sauvignons argentinos . Para quem duvida, comece a prestar atenção e a tomar vinhos com essa inversão de origens, acho que irá se surpreender. Para confirmar  uma parte desta afirmação, prove os Malbecs ; Orzada da Odfjell (World Wine), Valdivieso Single Vineyard (Bruck) e Perez Cruz Cot (Wine Company). De tirar o chapéu, em especial por sua elegância e finesse, verdadeiramente sedosos ao palato. Num patamar um pouco abaixo, o Casillero Del Diablo Malbec, também muito saboroso.

             Falando da Odfjell, impossível não passar e tomar seu incrível Orzada Carignan, um vinho muito especial produzido com uvas vindas de um vinhedo com mais de 80 anos de idade, um sonho hedonístico que me embala com Pró Chile 005regularidade. Outro imperdíve de ser revisitado foi o stand da Casa Marin (Vinea), que está um degrau acima das demais com seus brancos e tintos geniais da região de San Antonio, tendo trazido para este evento seu òtimo Pinot Noir e o magnifíco e meu preferido, Miramar Syrah, um deleite para o nariz e palato. O Chile produz excelentes Syrahs e este é de uma finesse, riqueza de sabores e de uma harmonia impressionantes que eu já comentei extensamente aqui. Alguns outros dos poucos vinhos provados que me chamaram a atenção, são os Eclat 2007, Semillon botritizado muito bom, rico e de muito boa acidez, O Valdivieso Syrah Reserva, um dos melhores Syrahs chilenos nesta faixa de preços (R$54), o estupendo Validivieso Premium Merlot (malbec já mencionei acima) e o crém de la crém da vinícola em sua 11º edição, o Caballo Loco recentemente engarrafado, mas já mostrando todo o seu imenso potencial. Não sendo muito fã de Carmenéres, tiro o chapéu para um vinho de gama média o Montgras Reserva Carmenére, muito fino e equilibrado.

Minha mais interessante descoberta, no entanto, foi que os amigos da Lusitana se associaram a um pessoal que estará trazendo o aporte financeiro necessário para o crescimento da empresa que alçará vôo para além das coisas de Portugal. Começam peloPró Chile 006 Chile, e muitíssimo bem, com a vinícola Lauca da família Guerra, empresa com 700 hectares de vinhas, exportando para mais de 35 países e, pasmem, ausentes do Brasil até agora. Grande achado do amigo Henrique Cachão tendo me deliciado com alguns ótimos vinhos nas mais diversas faixas de preço, uma vasta coleção de rótulos em quatro segmentos diferentes.

            Lauca é o nome da Llama de estimação que circula pelos jardins e vinhedos da sede da vinícola sendo ele quem dá o nome ao empreendimento. Vinhos que me chamaram a atenção seja pela linha Lauquita,  gama de entrada do portfólio da vinícola com previsão de preços abaixo dos R$30,00 tendo achado seu Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon muito bem feitos e com uma riqueza, equilíbrio e estrutura surpreendentes para a faixa, seja nas gamas mais altas.

  • Pró Chile 007Seu Lauca Reserva Pinot Noir com uma produção de somente 5000kgs por hectare, macerado manualmente á moda antiga em barricas serradas ao meio, fermentação em madeira nova por cerca de seis meses é divino. Com muita tipicidade da casta, mais para Borgonha do que novo mundo, um vinho realmente encantador que seduz facilmente e, espero, possa vir a fazer parte dos vinhos freqüentadores de minha mesa.
  • Pró Chile 008Na linha premium, o excelente Lauca Gran Reserva, um corte de Cabernet Sauvignon/Carmenére e Syrah que passa 14 meses em barrica e 12 meses em garrafa antes de sair para o mercado, este é 2006. Um vinho de grande complexidade, elegante e macio na boca, longo, realmente um vinho estupendo que enche a boca de prazer. Não sei os preços, mas conhecendo a filosofia de trabalho da Lusitana, acho que teremos neste dois vinhos, dois expoentes do que costumamos chamar de ótima relação Qualidade x Custo x Prazer.

Esperemos para ver os rótulos que o Henrique vai trazer, mas se vierem estes, nós enófilos agradecemos e bateremos a sua porta. Bem, é isso por hoje. Uma pena que não pude ficar por mais tempo e aproveitar esta oportunidade, mas não adianta, como sempre digo, sempre haverão mais vinhos do que temos oportunidade de tomar, então temos que nos contentar com os que podemos provar e que já são muitos!

Salute e kanimambo.

Filipa Pato – Vinhos de Autora

Filipa Pato IIINunca tinha estado frente a frente com Filipa Pato, mas muito já tinha ouvido falar. Sou consumidor de seus vinhos, especialmente do Ensaios tinto e do agradabilíssimo 3b, um espumante rosado delicioso. Todos falam de sua beleza e jovialidade, já eu me impressionei mesmo foi com sua presença, pequenina em tamanho, mas grande em paixão pelo que faz, por aquilo que elabora. Fica com dois metros de altura quando começa a falar empolgadamente sobre seus vinhos, seus projetos e sua família.  Se o pai, Luis Pato, é o mestre da Bairrada e domador da Baga, ela deveria ser conhecida com a “pequena notável” com seus projetos arrojados e desafiantes como, agora com seu marido, William, em uma nova empresa, os “Vinhos Doidos”. Aqui dará vazão a toda sua irreverência e criatividade na elaboração de vinhos diferenciados, mas isso é outra história. Por enquanto vamos de vinhos “menos doidos” produzidos de uvas e vinhedos controlados por ela com uma produção atual em torno de 68.000 garrafas e com capacidade de chegar a umas 100.000. Volume pequeno e alta qualidade, uma equação que nos tem dado vinhos muito agradáveis, para dizer o mínimo. Já mencionei neste blog, que Filipa é uma estrela com luz própria, agora confirmo e complemento a frase, em plena ascenção. 

            Desta feita fui convidado para um jantar com apresentação de seus vinhos, com maior foco no FLP, um branco doce bastante interessante, sobre o qual falarei mais adiante. Saí do restaurante, no entanto, encantado com sua obra como um todo. Que belos vinhos, a começar pelo delicioso 3b um espumante que é assíduo visitante aqui em casa e que já recomendei por diversas vezes. Este, no entanto, é de 2008 e está ainda mais fresco e vibrante, bem do jeito que é a autora. Tenho que comprar mais umas garrafas, até porque as minhas já acabaram.

            Ensaios brancos 2008, corte de Bical e Arinto que passa um mês fermentando com leveduras indígenas, pareFilipa Pato 001 em tanques de inox e parte em madeira. Aromas delicados, de boa intensidade, muito fresco, saboroso, cítrico e mineral, tem um final de boa persistência que convida á próxima taça. Uma ótima opção como aperitivo e boa companhia, certamente, para umas pataniscas de bacalhau ou sardinhas na brasa.

            Lokal Silex 2004, um vinho divino que não conhecia. Dizia Filipa, que o vinho ficou muito duro quando elaborado e que ela buscava algo mais elegante. Pois bem, não sei como ele era, mas sei que está delicioso e elegante Filipa Pato 005ao atingir a maturidade após cinco anos de vida, devendo crescer mais ainda com mais uns dois ou três anos de garrafa, quem sabe mais. Fermenta em inox e depois passa um ano em balseiros de 2.000 litros. É um corte de Touriga Nacional (85%) e Alfrocheiro produzido no Dão em uma pequena localidade de onde se avista a Serra da Estrela. O vinho me seduziu tendo, a meu ver, sido o vinho da noite. Nos aroma é bem frutado com leve floral (violeta) bem típico dos vinhos do Dão com forte presença da Touriga Nacional e nuances achocolatadas depois de um tempo em taça. Aos cinco anos, mostra-se ainda jovem com taninos finos ainda bem presentes, mas já sem qualquer agressividade, tomando-se muito bem sendo que este passou um tempinho em decanter, essencial para o poder apreciar em toda sua plenitude.  È retinto na cor, escuro, muito equilibrado, denso com bom volume de boca, rico, aveludado com um final algo especiado e bastante longo. Encanta a forte presença mineral em boca sendo um vinho que, apesar de ter se dado bastante bem com o bom rosbife servido, deverá se apresentar melhor acompanhando pratos mais robustos. Um vinho que acaba rápido em taça e deixa saudade.

            FLP 2008, um vinho doce de sobremesa com apenas 12% de teor alcoólico num estilo algo alemão, produzido com seu pai Luis Pato. Elaborado com Sercealinho (cruzamento de uvas Serceal com alvarinho com mais de 20 anos de idade só disponíveis nas terras de Luis Pato), Serceal e Bical pelo processo de crio-extração que consiste em congelar o mosto das uvas obtendo-se maior concentração. Com baixo teor alcoólico, cerca de 100grs de açúcar Filipa Pato 007residual e uma acidez em torno de 7 a 8grs, é gostoso, saboroso e com bom frescor, aromas sutis e delicados, boa persistência e, de acordo com Filipa, um vinho que deve crescer com tempo em garrafa. Tenho que confessar que não chegou a me encantar como vinho de sobremesa. Brinquei com a Filipa, de que seria um vinho para o chá da tarde, e é assim que o vejo. Um vinho leve, saboroso, fácil de agradar para juntar amigos e amigas num bate-papo descontraído ao entardecer. Para o final de uma refeição, o recomendaria com uma salada de frutas e uma bola de sorvete de baunilha. Foi servido com uma tradicional sobremesa de Romeu e Julieta (estávamos no Dalva & Dito, novo restaurante de Alex Atala com cozinha brasileira) em que o mestre adicionou uma bola de um sorvete de goiaba bem leve, salvando a harmonização com essa incrível liga com o vinho. A Filipa também o recomenda com cozinha oriental, sendo o Japão um dos principais importadores deste saboroso vinho. Eu fiquei pensando aqui com meus botões, será que não harmonizaria legal com Pato c/Laranja?! Acho que terei que fazer o sacrifício (rsrs) e fazer esse teste.

            Antes de finalizar, queria tecer meus comentários sobre algo além do vinho, mas que me chamou a atenção. A relação entre pai e filha. O amor, o respeito e a admiração um pelo outro são algo digno de salientar e não muito comum nos dias de hoje. Talvez isso tenha sido o que mais me marcou ao ouvir Filipa falar sobre seu pai nessa noite e ao Luis Pato falar de sua filha em outros momentos. Brindo à longevidade dessa admiração mútua com uma taça de 3b da Filipa e outra do novo espumante de Touriga Nacional do Luis Pato. Afinal, porquê se contentar com uma quando podemos aproveitar da maestria dos dois?! Os vinhos da Filipa Pato são de exclusiva distribuição da Casa Flora.

Salute e kanimambo.