Degustações

Alentejo x Douro. Resultados de um Páreo Difícil.

Maravilha este Derby português. Parece o nosso campeonato brasileiro atual, todo mundo parellho com uma diferença muito pequena de pontuação entre os lideres deste embate. Foram doze vinhos de muita qualidade e algumas supresas tendo o gostoso Santa Julia Brut (Ravin) como abre alas para um embate dos mais saborosos.

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Dentro os alentejanos, tinha uma especial predileção pelo Vila Santa, Herdade do Pinheiro e Cortes de Cima, mas acabei descobrindo o delicioso Herdade Paços do Conde Reserva que balançou meu coreto. Dos Douros, um monte de pontos de interrogação e uma certeza, o saboroso e fresco Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, que confirmou minhas expectativas, mas me surpreendi com outros. No geral, a comprovação de que vinhos despe porte precisam de tempo para se mostrar e os aprecio melhor quando com quatro a cinco anos de vida, momento em que desabrocham e mostram todo o seu potencial.

Por outro lado, tenho que tirar o chapéu e agradecer pelo grande número de amigos que tem composto a banca de degustadores destes Desafios de Vinhos. Colaboradores importantíssimos destes embates que realizamos mensalmente. Tenho a certeza que se divertem tanto quanto eu, pelo menos assim espero, enquanto desvendamos um pouco mais dos segredos de nossa vinosfera. Agora falemos dos vinhos provados, de suas notas e das sensações que nos despertaram, lembrando que os comentários são um apanhado das anotações de cada um. Obviamente que cada degustador tem suas opiniões particulares, parte das quais nossos colegas blogueiros presentes certamente exporão em seus blogs, mas na prova o que conta é a média de opiniões que é o relatado abaixo.  A ordem comentada, é a mesma do serviço dos vinhos.

DSC01619Alentejo – Corte de Cima 2007 (Adega Alentejana) – um vinho ainda muito novo que precisa de tempo para se mostrar. Creio que se tivéssemos aqui o 2005, que está em seu apogeu, certamente a história poderia ser outra.  Mesmo assim, o vinho não decepcionou não, tendo mostrado muita fruta vermelha no nariz com algumas nuances de baunilha e algum álcool aprecendo, mas sem incomodar. Na boca, apesar da uma hora de decantação que lhe foi dada, o vinho ainda buscava uma maior harmonia. Taninos doces, macio, médio corpo, média persistência e um leve amargor de final de boca. Um bom vinho que vai melhorar muito com mais algum tempo de garrafa. Obteve a média de 84,95 pontos e que, na Revista de Vinhos, oscila entre os 16 a 17 pontos. Preço, ao redor de R$90,00.

DSC01614Alentejo – Herdade Paços do Conde Reserva 2005 (Lusitana de Vinhos & Azeites) – mostra que a idade faz diferença nestes vinhos. Paleta olfativa complexa e de boa intensidade em que se destaca a fruta madura, nota lácteas e algo adocicado. Na boca encanta ao primeiro gole, mostrando bom volume, taninos aveludados, redondo, pleno de sabor com frutas e especiarias inebriando o palato num conjunto muito equilibrado e muito apetitoso com um final algo mineral de boa persistência. Veio com um belo “palmarés” e confirmou que era um sério candidato a levar o premio individual de melhor Vinho da Noite. Destaque especial para o design de garrafa e rótulo que dignificam o vinho. Obteve a média de 87,75 pontos e custa em torno de R$98,00, somente para os leitores deste blog.

DSC01620Alentejo – Monte da Cal Reserva 2004 (Winebrands) – para uns o vinho estava prejudicado com um nariz que denotava indícios de bouchoné, para outros nem tanto. No palato não se sentia tanto, desta forma possibilitando que lhe fosse dado uma nota. Muito mentolado e herbáceo, taninos ásperos, um vinho difícil que nitidamente precisa de uma nova avaliação. Por não termos parâmetros, mas levando-se em consideração que é um vinho com 17/20 pontos na Revista de Vinhos,  acho que o grupo terá que rever o vinho em uma outra ocasião. Mesmo assim, conseguiu obter uma média de 80,75 pontos e custa ao redor de R$65,00.

DSC01615Alentejo – Vila Santa 2007 (Casa Flora) – um vinho que marcou presença e, não por acaso, um dos meus preferidos que fiz questão de de ter presente nesta prova. Nariz marcante, frutas vermelhas (cerejas) com toques florais (violeta) muito atraentes e convidativos. Na boca mostra-se novo com taninos ainda bem presentes, porém finos e sem qualquer agressividade, boa acidez implorando por um bom prato, boa textura, rico, um vinho muito apetecível e mais um que veio para brigar pela liderança. Obteve a média de 88 pontos contra os 91 que a Wine Enthusiast lhe deu. Preço ao redor de R$85,00.

DSC01608Douro – Casa Ferreirinha Vinha Grande 2003 (Zahil) – talvez o vinho mais pronto de todos que pouco ou nada mais ganhará com maior guarda. Desta casa sai o mítico Barca velha o que, por si só, já é razão bastante para nos aventurarmos em seu portfólio de bons rótulos, a começar por este que está absolutamente macio, sedoso e sedutor. Ótima entrada de boca de muita finesse, macio, redondo, saboroso, uma acidez no ponto, equilibrado um vinho muito equilibrado e sem arestas. Muita fruta vermelha do bosque em perfeita harmonia entre olfato e palato, com um final com algo de especiarias. Levantou suspiros e adjetivos como estupendo, sensacional, etc. Mais um candidato que obteve a média de 88,70 pontos e custa R$88,00 na importadora.

DSC01616Alentejo – Herdade da Sobreira 2004 (Interfood) – notas de chocolate e fruta madura no nariz. No palato encontramos taninos potentes bem trabalhados mostrando estarmos frente a frente a um vinho mais encorpado e robusto, de grande estrutura que ainda poderá gerar grande satisfação por mais uns bons quatro a cinco anos pela frente. Uma estilo um pouco mais tradicional, é um vinho que pede um prato de boa consistência e “sustança” para o acompanhar. Muito saboroso e equilibrado, um belo vinho. Obteve a média de 86,10 pontos e custa ao redor de R$90 na importadora.

Alentejo x Douro Quinta-do-fredo 3Douro – Quinta do Fredo 2007 (BR Bebidas) – um vinho muito novo recém saído das fraldas, que precisa de tempo para se estabilizar. A garrafa usada foi de mostra da barrica, sendo que a primeira importação está prevista para chegar até ao final do ano, talvez final de Novembro. Mesmo assim mostrou-se bem, com aromas frutados misturados a nuances de farmácia (acetona) e alguma especiaria. Na boca é intrigante, evolui na taça e mostra taninos de qualidade, final com alcaçuz/anis, um vinho diferenciado que precisa, neste momento, mais do que a uma hora que lhe demos de aeração. Deve evoluir muito bem pelos próximos dois a três anos. Obteve a média de 82,45 pontos e deverá custar algo ao redor dos R$80,00, mais ou menos 10%.

DSC01611Douro – Churchill Estate 2006 (Expand) – aromas bastante intensos de fruta compotada com nuances lácteas, próprio de uma boa aplicação de barrica. Na boca é cheio, complexo, equilibrado, taninos aveludados, boa estrutura, um vinho muito saboroso com um final agradável e de boa persistência que pede por mais uma taça. Obteve a média de 85,55 pontos contra os 90 que lhe foram dados pela Wine Spectator e custa R$88,00 nas lojas da importadora.

DSC01617Alentejo – Herdade do Pinheiro Reserva 2003 (Beirão da Serra) – aromas bastante complexos em que se sobressai muita fruta madura e toques de couro. Apesar do avançado halo aquoso e cor já mais atijolada, o vinho segue vibrante com boa presença de taninos finos e maduros, complexo, algo de fruta seca na boca, rico e mesmo que sem o brilho de sua primeira passada por nossos Desafios, mostrou-se um conjunto bastante harmônico e equilibrado demonstrando ser um dos bons rótulos alentejanos hoje disponíveis no mercado. Obteve a boa média de 88,25 pontos e custa algo ao redor de R$75,00.

DSC01610Douro – Duorum 2007 (Casa Flora) – de aromas ainda tímidos e fechados com nuances de cassis e algo terroso. Mostra-se melhor em boca com bom volume, corpo médio de boa estrutura, elegante, de taninos firmes finos e sedosos, carnoso sem nunca ser “over”, bem equilibrado, evoluindo bem em taça  o que sugere que poderia ter sido decantado por um período algo maior, minha sugestão é de 45 minutos a uma hora quando ele deve se abrir mais e mostrar todo o seu potencial. Muito gostoso e fácil de agradar sendo um vinho bastante gastronômico e fresco com um final algo mineral. Um belo vinho que obteve uma média de 84,90 pontos e custa ao redor de R$60,00.

DSC01612Douro – Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo 2004 (Vinea) – ao conrário do restante dos Desafiantes, este não passa por madeira preservando a fruta e frescor. Mostra-se bem evoluído e frutado nos aromas com leves e sutis toques florais. No palato ainda mostra saúde, bom corpo, intenso e complexo, taninos doces e sedosos com um final de boca gostoso porém um pouco curto. Vinho correto, bem feito, sem adereços nem arestas, bastante franco e agradável. Obteve a média de 84,60 pontos e custa R$75,00 na importadora.

DSC01613Douro – Lavradores da Feitoria 3 Bagos 2005 (Mistral) – fruta em geleia, herbáceo, algo de salumeria e boa presença mineral no nariz que demosntra uma certa complexidade. No palato mostra-se ainda bem firme, boa textura, concentrado, equilibrado com uma acidez gostosa que chama comida, num estilo muito próprio e um final algo especiado. Obteve a média de 85,10 pontos e custa em torno de R$75,00 na importadora.

Desafio terminado, tivemos o interessante fato de que, apesar de o Alentejo ter levado este derby com um total de 5158 pontos contra os 5112 pontos do Douro, o grande campeão da noite, a melhor performance individual ficando com o título de Melhor Vinho, foi o Casa Ferreirinha Vinha Grande 2003, do Douro. Na sequência, Herdade do Pinheiro Reserva, Vila Santa, Herdade Paços do Conde Reserva e finalizando o podium o Herdade da Sobreira, todos do Alentejo. Entre o primeiro e o quarto classificado, uma diferença de menos de um ponto o que poderíamos considerar ser um empate técnico. Uma bela seleção de vinhos com esta quina um degrau acima dos demais num desafio definido pelo fotochart!

O Melhor Custo x Beneficio ficou com o Duorum 2007 e a Melhor Compra o Herdade do Pinheiro Reserva, este último por voto direto. Agora vejamos o vinho preferido de cada degustador e sua pontuação:

  • Ralph Schaffa – Vila Santa – 89 pontos
  • Claudio Werneck – Paços do Conde reserva – 91,5 pontos
  • Breno Raigorodsky – Vila Santa – 90 pontos
  • Francisco Stredel – Herdade do Pinheiro Reserva – 91 pontos
  • Alexandre Frias – Paços do Conde Reserva – 87 pontos
  • Evandro Silva – Vinha Grande – 90 pontos
  • Luis Fernando Leite de Barros – Herdade do Pinheiro Reserva – 91 pontos
  • Fabio Gimenes – Vinha Grande – 96 pontos
  • Zé Roberto Pedreira – Vinha Grande – 91,5 pontos
  • Simon Knittel – Vinha Grande – 89 pontos
  • Daniel Perches – Paços do Conde Reserva – 93 pontos
  • João Filipe Clemente – depois de meia hora de indecisão e por meio ponto sobre o Paços, o Vila Santa – 88,5 pontos.

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Caso queira localizar uma loja próximo a você onde possa comprar um ou mais dos rótulos acima, contate o importador ou produtor acessando Onde Comprar.

Salute e kanimambo. Mês que vem tem mais!

Salvar

Alentejo x Douro, um Belo Desafio!

        Um Derby de muita qualidade e vinhos muito parelhos na opinião dos amigos presentes. Mais um Desafio se foi, o oitavo, e outros a caminho com o apoio dos amigos e parceiros do vinho que fazem com que estes encontros mensais sejam um sucesso e uma fonte de aprendizado. Como não pudemos reunir a todos os amigos fisicamente, a forma foi compartilhar virtualmente aqui um pouco das sensações sentidas. Para quem não acompanha estes posts com assiduidade, sempre gosto de deixar claro que estas degustações são o que o célebre critico espanhol José Penin chama de Catas Hedonisticas que nada mais é do que uma prova realizada com um viés técnico porém sem jamais perder de vista o prazer e o sabor. Sempre ás cegas, sempre decantados, sempre seguindo as temperaturas de serviço adequadas e agora, novo padrão, sempre com as boas e resistentes taças Cabernet de 250ml da Arcoroc trazida pela Arc International e disponíveis em seus distribuidores.

          Desta feita doze vinhos, todos tintos, sendo seis do Alentejo e seis do Douro servidos aleatoriamente. Como Desafio Alentejo x Douro 002sempre, já tradição neste tipo de prova, interessantes surpresas no evento realizado com o apoio do Restaurante Franciacorta e o esmerado serviço do Steffano e equipe. Depois falo do jantar, mas a comida estava demais e a cozinha merece um destaque especial. Estes embates são também uma forma de garimpo, de mostrar que há vida, e muito boa vida, abaixo de R$100,00 e quem nem sempre o melhor vinho é o mais caro. Insisto na tese de que nome, origem e camisa não ganham título, mas sim performance o que, no nosso caso, significa o caldo na taça e na boca, o resto é marketing. Por outro lado, cada dia é um dia diferente do outro em que mudam as condições individuais e um vinho que tenha se dado muito bem em um determinado dia, não necessariamente repete a performance em outro, até porque os adversários são outros e as comparações inevitáveis.

              Colaboraram, enviando seus Desafiantes, os já costumeiros parceiros como Zahil, Winebrands, Interfood, Lusitana de Vinhos & Azeites, BR Bebidas, Portal dos Vinhos que nos ajudou na obtenção do Cortes de Cima, Vinea, Mistral, Expand e Casa Flora que mui gentilmente acedeu a minha solicitação especial na participação com dois vinhos que se mostraram importantíssimos no embate. Também o produtor alentejano Herdade do Pinheiro, ganhador de nosso embate de vinhos portugueses de Agosto. Importante frisar que na foto, o Quinta do Fredo é o sem rótulo e não é reserva, sendo esta garrafa apenas uma mostra de barrica. Quando dos comentários, entrarei em maiores detalhes e mostrarei a arte dos rótulos que já recebi.

Clipboard Alentejo X Douro

         Para escolher o Melhor Vinho, melhor Custo x Beneficio, Melhor Compra e a região  ganhadora dete verdadeiro Derby, uma banca composta de 13 pessoas: Breno Raigorodski (Colunista e Juiz FISAR) / Zé Roberto Pedreira e  Fábio Gimenes (Confraria de Embu) / Simon Knittel (Kylix) / Ralph Schaffa (Restauranteur) /  Dr. Luis Fernando Leite de Barros (Enófilo) / Francisco Stredel e Evandro Silva (Confraria 2 Panas) / Daniel Perches (Vinhos de Corte) / vindo do Rio,  o amigo Claudio Werneck (Le Vin au Blog)/ Alexandre Frias (Diario de Baco & Enoblogs) / nossa convidada especial  Eliza Leão (Lusitana de Vinhos e Azeites) e  eu. Dos 13, desconsideramos as notas da Eliza por uma questão ética, mesmo considerando-se que a prova foi às cegas, com notas em ficha de avaliação padrão ABS sendo a mais alta e a mais baixa eliminadas e o restante somado e dividido por 10 dando-nos o resultado de pontuação e ganhador.

Nos próximos dias comentarei os vinhos e os resultados, mas hoje quero mesmo é falar do delicioso espumante que diversos 013tomamos antes do evento. Um deliciosa forma de preparar o palato para o que estava por vir ou, no popular, para limpar a serpentina. Sempre tento trazer alguma novidade e esta foi para mim uma grata surpresa porque já o tinha provado no final do ano passado e este me pareceu bem superior, talvez mais fresco. há que se tirar o chapéu para eles já que conseguiram elaborar um espumante com qualidades, pelo menos a meu ver, que agrada bastante. Foi o Santa Julia Brut, um saboroso corte de Pinot Noir com Chardonnay e Viognier, que chama a atenção na taça por sua tonalidade amarelo palha, brilhante, porém com laivos rosados, provavelmente advindos do alto porcentual de Pinot usado no corte. Perlage abundante, fina e muito persistente. No nariz é tímido com leves nuances florais, certamente uma característica trazida pela Viognier. Na boca é muito agradável, balanceado, Sta Julia - Serviçocremoso, saboroso e refrescante com algo de frutas tropicais. Elaborado pela bodega Santa Julia do grupo Zuccardi, a importação está hoje a cargo da Ravin. Com um preço bastante competitivo e em linha com os bons espumantes nacionais, é certamente mais uma boa opção a ser considerada na hora de escolher o que comprar. Neste verão, certamente uma ótima opção para receber os amigos nos fins de semana e fazer bonito, especialmente para quem gosta de mostrar produtos diferenciados e menos comuns aos já amplamente conhecidos pelos aficionados. Os espumantes argentinos entre nós, nunca gozaram de muita estima ao contrário dos vinhos tranqüilos, mas pelo que tenho provado as coisas começam a mudar, OJO!

            Amanhã , ou depois, comento em detalhes a nossa epopéia e depois o delicioso jantar acompanhado do muito bom Aveleda Follies Alvarinho (Interfood) e do campeão de custo x beneficio, o saboroso Herdade Paços do Conde (Lusitana) ótimos companheiros aos pratos apresentados, pelo menos a meu ver.

Salute e kanimambo

Painel de Vinhos até R$50,00 – Última parte (de R$30 a 50,00)

               Chegamos ao final de mais esta viagem e, enquanto retomo o fôlego para partir em mais um garimpo por vinhos de qualidade que caibam no bolso, fiquem aqui com meus comentários e impressões sobre a última lista dos vinhos que, a meu ver, são altamente recomendados dentro desta faixa de preços. No todo, uma prova de que existe vida, e boa, nos vinhos mais econômicos. Nem todos podemos gastar os tubos em grandes rótulos, somente de forma mais parcimoniosa, e a busca destes rótulos é essencial para quem gosta e tem o costume de tomar vinho diariamente sem correr o risco de criar um enorme rombo no orçamento ou, ainda, para quem se inicia nas prazerosas trilhas do universo de Baco. Espero que esta coleção de rótulos provados possam lhe ajudar em seu próprio garimpo, são vinhos que Tomei, Gostei e Recomendo.

Prova RegiaProva Régia 2008 (Interfood-Portugal) 100% da cepa Arinto de aromas tropicais, na boca é refrescante, sedutor, rico e elegante mostrando-se algo crocante. Uma grande companhia para frutos do mar e um vinho delicioso que deixa na boca um gostinho de quero mais.

Bordeaux La GatteLa Gatte Tradition Bordeaux 2005 (Mistral-França) um vinho jovem que não passa por madeira e está com um preço ao redor de R$45. Pleno de sabor, leve, suave, fácil de beber e harmonizar com os pratos de nosso dia-a-dia, mineral e harmônico, um grande achado e uma ótima introdução a Bordeaux num preço bem acessível, ainda mais com o Real se valorizando como está.

Alaia 2004 (Peninsula-Espanha) Apresenta bastante complexidade de sabores e aromas para um vinho Alaianesta faixa de preço e uma experiência única já que é um corte muito bem elaborado com uma uva autóctone pouco conhecida por aqui, a Prieto Picudo, que é a cepa protagonista, tendo a Tempranillo e Merlot como coadjuvantes e um leve aporte de madeira. Aromático, muita fruta negra no nariz, já mostrando sua face mineral. Na boca está tudo lá, a fruta fresca, algo de chocolate, num corpo médio e equilibrado, redondo mostrando boa textura e taninos finos, mas acima de tudo o que mais me encanta neste vinho é sua identidade e personalidade diferenciada. Encontrei-me ontem à noite com o amigo Juan (Peninsula) e ele me confirmou, é seu rótulo mais vendido. Não é à toa!

Hacienda la Laguna Cabernet/Merlot (Zahil-Chile), este provei recentemente numa degustação da Zahil e achei que cabe bem aqui nesta pequena seleção de rótulos. Corte mais tradicional, correto, bem feito, redondo, sem arestas pode não chegar a empolgar, mas é um vinho difícil de alguém não gostar. Uma ótima opção para um evento de qualidade que certamente agradará a todos, apreciadores ou não.

Bordeaux Chateau Giraud ChevalChateau Giraud-Cheval-Blanc Bordeaux 2006 (Winery-França) ainda um pouco fechado, mas mostrando complexidade, boa estrutura, taninos finos, elegantes e amistosos, bem equilibrado, final aveludado e saboroso um bom vinho para acompanhar comida, mais do que para tomar solo e um preço muito camarada.

Quinta da lagoalvaQuinta da Lagoalva 2004 (Mistral-Portugal), vinho correto, bem feito e equilibrado do qual poderia tomar garrafas. Com 50% passando em madeira, é um vinho que está absolutamente sedutor, leve para médio corpo, muito rico em sabores que encantam o palato, macio, equilibrado com boa acidez o que lhe dá um certo frescor, mostra taninos redondos, sedosos e amistosos que alongam o final de boca deixando um gostinho de quero mais.

Diversos 074Castillo de Molina Sauvignon Blanc 2008 (Casa Palla), um vinho de primeira linha muito fresco e mineral que encanta ao olfato e satisfaz o palato deixando-nos com água na boca a pedir mais, já que a garrafa desaparece rapidamente. Ótima companhia para frutos do mar e certamente deverá acompanhar bem umas costelinhas na brasa. Mais um belo vinho branco encontrado nesta faixa de preços.

CeirósCeirós Douro 2006 (BR Bebidas/Vinhas do Douro), direto da garrafa para a taça, o vinho é impactante, vinhoso de aromas não muito sedutores.  Deixe-o respirar e desfrute de um vinho untuoso, fruta madura (ameixa), bom volume de boca, rico, taninos presentes, mas bem equacionados num final de boca longo, macio e algo apimentado. Um vinho essencialmente gastronômico para quem não tem pressa. Decante por cerca de 45 minutos, o vinho se transforma!

Diversos 075Monte da Cal 2006 (Winebrands-Portugal), um vinho algo rústico, mais tradicional, encorpado que necessita de um prato condizente para mostrar todos os seus atributos, Se pensar nele como um vinho para bebericar com os amigos, esqueça e escolha outro, mas se quiser um bom vinho numa noite fria de inverno para acompanhar um puchero ou algo similar, os alentejanos o acompanham com uma bela carne de porco com feijão branco, não se esqueça deste rótulo que certamente fará bonito. Rico, boa textura, denso, um vinho muito bem feito para quem aprecia vinhos de boa estrutura e não que gastar muito.

Trumpeter Malbec 07 (Zahil-Argentina), esta casa, Rutini, trabalha muito bem com esta cepa produzindo vinhos Varios 024bastante elegantes e esta família Trumpeter, é um dos grandes campeões custo x beneficio no mercado. O Malbec 2007 está especialmente saboroso e macio, bem frutado, bom volume de boca, taninos sedosos, corpo médio com um final especiado e muito agradável. Um bom malbec, sem exageros e sem arestas que o faz extremamente prazeroso de ser tomado tanto solo como acompanhando uma boa carne.

Varios 029Filipa Pato Ensaios Branco 2008 (Casa Flora-Portugal) corte de Bical e Arinto que passa um mês fermentando com leveduras indígenas, pare em tanques de inox e parte em madeira. Aromas delicados, de boa intensidade, muito fresco, saboroso, cítrico e mineral, tem um final de boa persistência que convida á próxima taça. Uma ótima opção como aperitivo e boa companhia, certamente, para umas pataniscas de bacalhau ou sardinhas na brasa.

Diversos 095Estação Douro 2006 (Decanter-Portugal), os amigos que me perdoem, mas o tugas estão deitando e rolando. Mais um bom rótulo que vem do Douro com preço bem acessível para a qualidade. Algo frutado e floral no olfato, na boca é franco e direto dizendo logo ao que veio, te agradar. Não complica, é redondo, taninos finos e  sedosos corpo médio e amistoso ao palato com um final muito saboroso que pede a próxima taça, fácil de harmonizar e mais fácil ainda de gostar.

                É isso meus amigos, mais uma jornada terminada e outra já em andamento, que compartilharei com vocês lá para o final de Novembro, pois navegar é preciso! Caso queira localizar uma loja próximo a você onde possa comprar um ou mais dos rótulos abaixo, contate o importador ou produtor acessando Onde Comprar

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Painel de Vinhos até R$50,00 – Parte I (de R$30 a 50,00)

 Dando sequência a minha viagem de descobrimentos, entramos numa faixa de preços em que os vinhos intragáveis ou ruins pouco caravela1aparecem, apesar de ainda existirem. Nesta faixa a maioria dos vinhos costuma ser mais apetecível, mas isto depende muito do gosto e palato de cada um. Eu, até em função do blog, estou sempre aberto a provar e buscar coisas novas e, por outro lado, tenho uma tendência para vinhos de corte e de maior elegância fugindo um pouco das “excessividades” , seja lá de que origem forem. Busco sempre o maior equilíbrio, então esta seleção segue um pouco esse estilo, fugindo das bombas alcoólicas e de excesso de extração, sempre levando em consideração o preço que acho fator preponderante, ou seja; quais as opções de compra que eu tenho por um determinado valor? Vale o que estão cobrando?

            Nesta segunda parte deste grande painel de vinhos, dou ênfase nos vinhos entre R$30 a 50,00 classificando-os, como já dito anteriormente, entre; Básicos, vinhos corretos que, se não chegam a encantar, desencanto também não causam e como este assunto é de enorme subjetividade, são vinhos que podem agradar a uns mais do que outros;  Recomendados, rótulos que merecem ser provados e são uma boa compra dentro de seu contexto e os Altamente Recomendados, aqueles caldos que valem muito a pena sendo, dentro de sua faixa de preços, vinhos de altíssima qualidade que nos enchem de prazer e satisfação. Por incrível que pareça, foi nesta última classificação que encontrei um maior número de rótulos. Não sei se fui bonzinho, mas ao meu palato, vinhos muito bons que são um adendo à lista de Melhores de 2008 nesta faixa.

Básicos:  não foram muitos os vinhos provados que caíram nesta classificação. Dos 47 classificados, somente seis rótulos por aqui. O constante Marson Reserva Cabernet Sauvignon 05, o Casa Antica Reserva Marselan 06, o Terragnolo Cabernet Sauvignon 05 todos brasileiros, os franceses Oucitan Fitou 06 e Oucitan Minervois 07  e o Sutil Chardonnay Reserva do Chile (estes últimos todos da Winery).

Recomendados: Da Argentina Vina Amália Malbec 06 (All Wine) e Ikella Malbec 06 (Wine Company) dois vinhos que mostram boa tipicidade da uva ícone do país assim como o Maya Torrontés 07 (Winery) 2007 um vinho bastante agradável, fresco e balanceado; do Brasil gostei bastante do Terragnolo Reserva Merlot 05 (Eivin), do Angheben Touriga Nacional , dos vinhos da Cordilheira de Sant’Ana Reserva dos Pampas (Eivin) branco (09) e tinto (04) cortes muito bem elaborados e fáceis de se gostar e o surpreendente Marson Encruzilhada Cabernet Sauvignon 05, um vinho muito saboroso e frutado; Do Chile três rótulos me chamaram a atenção a começar pelo Sutil Reserva Cabernet Sauvignon (Winery), Ventisquero Syrah 06 (Cantu) e o In Situ Carmenére Reserva 05 (Vinea) um trio bastante amistoso e interessante; do velho Mundo três rótulos que são bastante atrativos, correto e agradáveis a começar pelo português Cadão 04 sempre muito redondo e apetecível, o italiano Alido Sangiovese 07 e o francês Domaine La Bastide Douce Follie (ambos da Decanter). Vinhos que valem bem o que se paga por eles e que podem surpreender a muitos dos amigos. Um espumante de que gostei bastante e também me surpreendeu, já que vem da Argentina que não tem grande retrospecto nestes vinhos, é o Toso Brut da Pascual Toso (Interfood) que está bem balanceado, apresenta boa perlage de média persistência, fresco, saboroso com toques cítricos e um preço que fica ali bem na fronteira entre as duas faixas de preço contempladas por este painel, uma boa opção como, aliás, são todos os vinhos desta casa.

Recomendado até R$50 004

Altamente Recomendado: Bem, aqui me esbaldei e me surpreendi muito positivamente, pois provei vinhos de muita qualidade, alguns deles muito especiais e marcantes. No geral, um nível muito bom e acho que os amigos que se aventurarem por aqui certamente sairão satisfeitos, ou assim espero.

Marquês de Borba 2007 (Casa Flora-Portugal), dizem ser um dos melhores de sempre. Eu não sei, pois conheço só umas três ou quatro safras, mas destas eu garanto que este é o melhor de todos eles. Primeiramente uma constância muito boa de qualidade, é daqueles rótulos que são um porto seguro. Este estava muito saboroso, rico, frutado, equilibrado, redondo com taninos sedosos e um final muito agradável. Imperdível e tomar um vinho desta qualidade por um preço próximo aos R$40,00, só mesmo sendo português.

Sutil Reserva Malbec 2007 (Winery-Chile) mais um rótulo de malbec chileno que me encanta. Tenho dito que ando preferindo os Cabernets argentinos aos chilenos e os Malbecs chilenos aos argentinos e os fatos vêm cada vez me dando mais razão. Estes malbecs chilenos vêm com menos extração, menos álcool, sem perder a o frutado típico da cepa, mostrando sutilezas muito peculiares ao terroir que têm me agradado bastante. Este está especialmente saboroso e fino.

Ostatu branco jovem 2008 (Cultvinho-Espanha) o qual provei e comentei recentemente, é um corte de Viura e Malvasia de vinhedos de mais de 60 anos, possui  delicados e sutis aromas cítricos, frutos brancos como pêra e melão, com nuances minerais que encantam à “primeira fungada”. Na boca, complementa aquilo que prometia no nariz mostrando-se muito fresco, cremoso, saboroso e fácil de encantar.

Alain Brumont La Gascogne Tannat/Merlot 2005 (Decanter-França) certamente um dos melhores vinhos de todo este painel e imperdível. Vinho vibrante, nariz sedutor, fruta compotada que convida à boca onde mostra um volume muito agradável, boa textura, corpo médio, bem equilibrado, taninos finos com um final muito saboroso e longo mostrando ótimo frescor. É tomar e pensar naquele bife ancho do Varanda! Estupendo vinho por um ótimo preço.

Lindemann’s Cawarra Chardonnay/Semillon 2007 (Expand-Austrália) mais um achado deste gostoso painel e mais um branco. Cada vez mais os brancos com suas nuances aromáticas delicadas e grande frescor vêm tomando conta de meus sentidos. Este é mais um desses vinhos encantadores, diferenciado, rico, mostrando uma certa complexidade ao palato, harmônico, corpo médio, certamente uma ótima companhia para um Fondue de Queijo.

Ikella Cabernet Sauvignon 2006 (Wine Company-Argentina) que leva uma parte de Malbec (15%) o que o torna quase que um bi-varietal. Como já comentei no Sutil Malbec, ando gostando muito dos Cabernet Sauvignon argentinos e este só veio confirmar isso estando, a meu ver, um degrau acima do Malbec da mesma linha. Possui aromas sutis e gostosos, médio corpo de taninos macios, redondo, entrada de boca bem frutado evoluindo para alguma especiaria e um final muito interessante com nuances de café e média persistência.

Altamente Recomendado até R$50 008

Vina Amália Sauvignon Blanc 2008 (All Wine-Argentina) com um tempero de Sauvignon Gris que faz toda a diferença dando-lhe mais complexidade e corpo sem perder o frescor e tipicidade. Um vinho em que os sabores citrinos são bem marcantes, ótima acidez e boa persistência.

Trivento Amado Sur 2005 (Expand-Argentina) um corte muito interessante de Malbec, Bonarda e Syrah de médio corpo, ótima estrutura, bom volume de boca, complexo e diferente com uma personalidade muito própria decorrente deste corte diferenciado. Um vinho que revisitei e que confirmou minhas primeiras impressões e uma ótima companhia para um churrasco ou um bife de chourizo.

La Celia Cabernet Reserva Franc 2004 (Interfood-Argentina) mais um que me seduziu por completo e estará certamente na minha seleção de adega ao final deste painel. Tomei refrescado a 16º e o teor alcoólico de 14% estava plenamente harmonioso, não se sentindo em momento algum, uma paleta olfativa atraente algo vegetal com nuances florais, na boca mostra boa estrutura, redondo, taninos sedosos, madeira e fruta em equilíbrio, boa estrutura e um final de média persistência que me fez lembrar café moka. Um vinho de qualidade que acompanhará muito bem uma boa carne e para gente que, como eu, gosta de variar.

Quinta do Ameal Loureiro 2007 (Vinho Seleto-Portugal) um dos meus brancos preferido que visita minha mesa com uma certa assiduidade. Revisitei com a nova safra disponível no mercado, a 2007, que se apresenta com bem mais frescor que a anterior. Este quanto mais novo melhor! Um dos bons exemplos do que os vinhos elaborados com a casta autóctone Loureiro podem gerar.  Muito fresco, aromático, saboroso, suave e repleto de sutilezas num estilo que nos faz lembrar os bons vinhos alemães da região do Mosel e que acaba muito, mas muito rapidamente!

Quinta do Casal Branco 2006 (Portal dos Vinhos/D’Olivino-Portugal). É um vinho tinto do Ribatejo que me agradou muito estando, creio eu, em seu apogeu onde deve se manter por mais um ou dois anos. De qualquer forma, não esperaria e tomaria já porque está muito gostoso. Bem feito, aromas frutados, médio corpo, taninos finos e macios, redondo, rico e absolutamente pronto com um final muito agradável.

Quinta do Encontro Merlot/Baga 2006 (Winebrands-Portugal) uma pechincha pelo que oferece em troca. A Merlot aparece em conjunto com a Baga, cepa habitualmente vigorosa, amaciando-a e tornando o vinho mais amistoso. Boa fruta silvestre no nariz, corpo médio, na boca mostra fruta madura, bom equilíbrio, sente-se um certo frescor fruto de acidez bem dosada, saboroso final de boca de média persistência com taninos sedosos mas ainda bem presentes. Vinho que deve se beneficiar muito com mais um ano de garrafa ou alguma decantação. Tudo isso por um preço abaixo dos RS35,00?! Difícil de se encontrar no mercado hoje em dia e certamente acompanhará muito bem um porco no rolete ou leitão pururuca.

         Como disse, a lista dos altamente recomendados nesta faixa de preços é bastante longa, exatos 24, então deixo os últimos 12 rótulos para amanhã. Caso queira localizar uma loja próximo a você onde possa comprar um ou mais dos rótulos abaixo, contate o importador ou produtor acessando Onde Comprar.

Salute e kanimambo.

Derby Português – Alentejo x Douro

Clipboard Alentejo X DouroNa impossibilidade de postar no fim de semana em função de mais uma ‘travada’ do speedy , começo a semana anunciando um famoso derby, um Alentejo x Douro para ninguém botar defeito, é este o tema de mais um Desafio de Vinhos promovido por este blog. Desta feita, 15 degustadores terão a oportunidade de provar ás cegas doze vinhos com cada uma das regiões sendo representada por seis desafiantes. Teremos os tradicionais resultados individuais (Melhor Vinho, Melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra) e, pela primeira vez, um pela região. Parte dos vinhos conheço e outros não, mas mais uma vez ficará clara a alta qualidade dos vinhos portugueses e os preços competitivos praticados no mercado, fatores essenciais que deixam Portugal como a terceira mais importante origem de vinhos importados. Vinhos essencialmente de corte, uvas autóctones, sabores diferentes do que nos acostumamos a tomar por aqui, habituados que estamos aos varietais de uvas internacionais que nos são oferecidos aos montes por nossos hermanos chilenos, argentinos e uruguaios assim como a própria produção brasileira.

            Desta feita o Desafio se dará num restaurante relativamente novo em São Paulo, o Franciacorta, uma sugestãoDesafio Alentejo x Douro 001 de nossa amiga e parceira Eliza da Lusitana. Estive lá, um restaurante gracioso, cheio de charme que vale a pena ser descoberto pelos amigos. Apesar do nome Italiano, é essencialmente um bistrô de orientação francesa e influência da região que, esta noite, topou “inventar” comigo na criação de um menu especial com receitas familiares minhas para o jantar que se seguirá ao Desafio de Vinhos. Algo inusitado que, esperamos, venha a ter o resultado que almejamos. Depois falo um pouco mais sobre este lugar aconchegante e de gente simpática.

A banca de degustadores já confirmada que me acompanhará nesta empreitada será a de quase sempre e composta pelos amigos; Dr. Luis Fernando Leite de Barros (enófilo), Evandro Silva e Francisco Stredler (Confraria 2 Panas), Emilio Santoro (Portal dos Vinhos), Simon Knittel (Kylix), Ricardo Tomasi (Sommelier/Specialitá), Ralph Schaffa (Restauranteur), Alexandre Frias (Diario de Bacco), Claudio Werneck (Le Vin au Blog-RJ), Fabio Gimenes e José Roberto Pedreira (enófilos da Confraria de Embu), Denise Cavalcante (Assessora de Imprensa) e como convidados especiais o colaborador, colunista e jurado FISAR Breno Raigorodski e a amiga Eliza Leão da Lusitana de Vinhos e Azeites, num total de 15 membros. Como a Eliza tem um vinho desafiante inscrito no Desafio, sua nota, por uma questão ética mesmo com a degustação sendo às cegas, será excluída do resultado final. Agora, você quer saber mesmo é quem são os Desafiantes ao Podium, então lá vai:

CVR AlentejoALENTEJO – A equipe é composta de alguns dos mais saborosos e conceituados rótulos de média/alta gama dos vinhos da região.

  • Herdade do Pinheiro Reserva 03 (Beirão da Serra) – o grande campeão do Desafio de Vinhos Portugueses e um dos vinhos da região que me agradam sobremaneira, corte de 50% Aragonez, 25% Trincadeira e o restante de Touriga Nacional. Preço aproximado de R$75,00 com mais presença nos pontos de venda do Rio de Janeiro, algo em São Paulo de forma muito isolada e praticamente inexistente nos outros mercados nacionais. Outros competidores, outra prova, veremos se a performance será a mesma, porque a última foi arrasadora.
  •  Monte da Cal Reserva 04 (Winebrands), um vinho bastante conceituado em Portugal, mas que nunca tive o prazer de provar. De acordo com a Revista de Vinhos , que lhe dá 17/20 pontos, é um vinho vigoroso e austero que vamos ver como se sai neste embate. As cepas usadas no corte são as mesmas do Herdade da Sobreira; Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet. Preço na importadora,  R$65,00
  •  Herdade da Sobreira (Interfood) mais uma obra de Paulo Laureano, é um corte de Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet que, só pelo corte, já dá indicações de teremos pela frente um vinho potentoso, austero e de grande estrutura. Preço em torno de R$90,00.
  •  Herdade Paços do Conde Reserva 07 (Lusitana), corte de Syrah, Touriga Nacional, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet,  mais um vinho de grande qualidade e arrebatador de corações que chega com um retrospecto avassalador. Novo, vai precisar da horinha de decanter que lhe atribuímos, e apesar de ter um preço em torno de R$120,00, para nossos leitores e seguidores o preço estará em torno de R$98,00 então dentro do limite de R$100,00 que estipulei.
  • Cortes de Cima 07 (Portal dos Vinhos/Adega Alentejana). Preferiria ver aqui o 2005 que acho estar em sua plenitude, mas este 2007 ainda não provei e espero que uma hora de decanter deva prepará-lo melhor para a prova. Tradicionalmente um vinho que oscila entre os 16 e 17 pontos na revista de Vinhos, este é mais um dos meus muitos xodós do Alentejo que custa em torno de R$90 a 95,00 tendo sido uma contribuição do amigo Emilio já que meu contato com a importadora anda meio emperrado. O corte foge um pouco ao tradicional, típico do produtor e marca registrada da casa que gosta de inovar e criar, 56% Syrah, 20% Aragonez , 11% Cabernet Sauvignon, 8% Petit Verdot, 5% Touriga Nacional.
  •  Vila Santa 07 (Casa Flora), mais um dos belos vinhos que o Alentejo produz e que me agrada sobremaneira, um corte de Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet. O da safra anterior estava delicioso, agora veremos como está este e como se comportará cara a cara com seus pares e os adversários do Douro. Na Revista de Vinhos o 2006 obteve 16,5/20 pontos e 91 pontos da Wine Enthusiast.  O preço médio no mercado ronda os R$85,00.

mapa da região do DouroDOURO: Equipe que traz uma novidade ainda não disponível no mercado, mas por chegar, alguns nomes consagrados e vinhos diferenciados fugindo um pouco do pseudo padrão da região a que estamos acostumados por aqui.

  • Quinta Nova de Nossa Sra. do Carmo DOC 04 (Vinea), é um daqueles vinhos diferenciados, inclusive pela ausência de barricas de carvalho no seu processo, elaborado com um corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Amarela. Provei e gostei, um vinho diferenciado e muito saboroso que espero venha a se dar bem nesta prova e que obteve 16/20 pontos na Revista de Vinhos. O preço atual é de R$75,00.
  •  Quinta do Fredo 07 (BR Bebidas/Vinhas do Douro), corte de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Francesa e Tinta Barroca, elaborado pelo método tradicional de pisa a pé, uma das novidades que está para chegar e que teremos o privilégio de degustar “en premmier”. Tomei um gole da garrafa de prova e gostei das sensações que senti, acho que estaremos diante de um vinho muito interessante e aguardo ansioso a avaliação da banca de degustação. Um vinho desenvolvido especialmente para o Fredo da BR Bebidas com apenas 2.000 garrafas produzidas. O preço deverá ficar por volta dos R$65 a 80,00.
  • Duorum 07 (Casa Flora) com 16,5/20 pontos na Revista de Vinhos, é um projeto novo de dois enólogos que marcam a história do vinho em Portugal nas últimas décadas – João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco – que elaboraram este vinho com vinhas velhas de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. O vinho tem sido bastante elogiado pelos críticos e colegas blogueiros em Portugal e o “gole” que tomei em uma feira prometeu, agora é conferir. O preço gira em torno de R$60,00
  •  Casa Ferreirinha Vinha Grande 03 (Zahil) elaborado com as tradicionais castas da região; Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca, de um tradicional produtor (Sogrape) com história para contar vem este vinho que dizem estar em seu age, repleto de charme e elegância. Na Revista de Vinhos obteve 16/20 pontos e custa R$88,00 na importadora.
  •  Três Bagos 2005 (Mistral) com 15,5 pontos da Revista de Vinhos, mais um vinho que não conheço e pelo que li um vinho também mais austero e sisudo, porém de grande elegância e com grande potencial gastronômico, o que nem sempre aparece nestas degustações ás cegas. Corte de Touriga Nacional /Touriga Franca /Tinta Roriz / Tinta Barroca, esperemos para ver como se sairá no embate e seu preço está por volta dos R$75,00.
  •  Churchill Estate 2006 (Expand) um vinho que há tempos aguça minha curiosidade tendo visto que a Wine Spectator lhe deu 90 pontos tanto em 2004, como 2005 e agora nesta safra de 2006. De acordo com eles, um vinho de ótima estrutura e profunda elegância, mais um a conferir. Preço na importadora por volta dos R$88,00.

         As diversas menções à Revista de Vinhos tem a ver que, por acaso, a revista que um amigo me trouxe de Portugal trazia um artigo de tintos até R$10,00 onde a maioria dos desafiantes tinha sido avaliado e por, quer queiramos quer não, a revista é uma importante fonte de referência para os vinhos portugueses. Quem ganhará, alguém arrisca? Nem a região?!

 No fim de semana que vem retorno à programação com a coluna do Breno, speedy permitindo, e amanhã a segunda parte do resultado do painel de vinhos até R$50,00, desta feita com vinhos entre R$30 e 50,00. Nos vemos por aqui.

Salute e kanimambo.

Descobrindo Bons Vinhos até R$50,00 – Parte II (até R$30)

            Antes de falar do restante dos vinhos Altamente Recomendados, quero aproveitar para agradecer o apoio de diversos parceiros que possibilitaram que este painel fosse realizado. É o caso da  BR Bebidas, Portal dos Vinhos, Winery, Interfood, Expand, Vinea, Aurora, Marco Luigi, Wine Company, Eivin (Distribuidor para Marson, Terragnolo e Cordilheira Sant’Ana), Vinho Sul e Decanter sem apoio dos quais este trabalho não poderia ter sido levado adiante.

           Ao final de todos os posts com o resultado deste painel, listarei aqueles que eu colocaria em minha adega particular de 35 garrafas. Uma seleção pessoal dos vinhos provados que teria em casa para os mais diversos momentos e eventos, aqueles que, a meu ver, são verdadeiros destaques dentro todos os provados. Agora fiquem com a última parte dos vinhos até R$30,00.

Diversos 062Marco Luigi Reserva Merlot 05, um dos merlots mais saborosos no mercado desta faixa de preço. Já o recomendei antes e é uma revisita que valeu muito a pena e, a meu ver, está no auge onde deve permanecer por mais um ano, talvez um pouco mais. É macio, sedoso, muito elegante e pleno de sabor, do tipo que quando você se dá conta a garrafa está vazia.

Diversos 051Trivento Pinot Noir 08 (Expand-Argentina), um nariz de muita tipicidade para um vinho tão barato. Na boca é saboroso, suave, frutas vermelhas, equilibrado, sedoso, fácil de agradar e uma ótima companhia para um queijo e vinho e bate papo com os amigos. Boa introdução aos vinhos desta cepa.

Alamos Malbec 07 (Mistral-Argentina), toda a linha de produtos sob este rótulo são de muita qualidade e com o Real cada vez mais valorizado, se tornam muito acessíveis. Boa fruta, álcool educado, saboroso, bom volume de boca, taninos aveludados, boa persistência um vinho fácil de se gostar e ótima companhia para uma carne assada, ou grelhada.

Aurora pinot brut 010Aurora Espumante Brut Blanc de Noir, penso que o único espumante brasileiro elaborado 100% com Pinot Noir pelo método Charmat. Campeão, um espumante muito bem feito, dourado e brilhante na cor, perlage constante e de bom tamanho, na boca apresenta-se cremoso com ótima acidez que lhe aporta um frescor muito gostoso que pede sempre mais uma taça e deixa na boca um gostinho de quero mais. Um espumante algo diferente, menos cítrico com nuances aromáticas sutis, porém de boa intensidade, que nos fazem lembrar frutas vermelhas frescas, algo de levedura, bom corpo sendo, certamente, um espumante muito fácil de agradar e difícil de não gostar. Um dos grandes achados que fiz nestes últimos 90 dias e certamente um dos grandes destaques deste painel. O Blanc de Blanc, elaborado só com Chardonnay, também vale sua atenção, com uma paleta olfativa diferenciada em que se nota maior presença de brioche e leveduras, mas segue com bastante frescor e algo mais citrico. Prefiro o Pinot, mas o Chardonnay também é bastante interessante e valem cada centavo já que são espumantes na faixa de R$25,00.

Degustação Vinea 003ASan Esteban Cabernet Sauvignon VSE Classic 07 (Vinea-Chile), um vinho muito saboroso e fácil de tomar, redondo, taninos maduros e macios, uma boa opção de cabernet chileno bem equilibrado para uma faixa em que isto não é tão fácil de se encontrar.

Varios 007Loios tinto 08 (Casa Flora-Portugal), mais um daqueles achados especiais que merecem destaque. Frutos silvestres em abundância com nuances tostadas compõem uma paleta olfativa convidativa e atraente. Na boca essa fruta explode de forma vibrante, bom frescor, equilibrado, taninos finos presentes e sedosos com um final de boca sedutor. Um vinho literalmente guloso.

Diversos 023Monsaraz tinto 07 (Vinho Seleto-Portugal), mais um alentejano que não nega fogo e nos dá grande satisfação. Ganhou um dos principais prêmios do mercado em 2009, o Sabores do Ano, que é fruto de um painel de provas que englobou 8.150 consumidores que realizaram degustações ás cegas dos produtos concorrentes ao troféu Sabor do Ano, tendo o vinho Monsaraz obtido uma nota média superior aos restantes produtos concorrentes. De médio corpo, apresenta aromas de frutos negros, maduros com suaves nuances de madeira colocadas de forma sutil. Na boca é rico, possui taninos suaves e macios, equilibrado e de boa persistência.

Quará Malbec 07, violeta na taça, fruta intensa no nariz e macio, bom corpo, denso, saboroso, taninos presentes sem agressividade, boa acidez e um teor de álcool comedido quando pensamos em Malbecs argentinos. Um vinho bem feito, honesto e uma ótima opção para acompanhar um churrasco encarando bem um bife de tira ou picanha por um preçinho bem camarada.

Diversos 040San Marzano Salice Salentino 07 (Casa Flora-Itália), ainda não provei um vinho ruim deste produtor que só produz sucessos a bons preços. Este corte de Negroamaro com um tico de Malvasia compõe um vinho franco, fruta madura algo compotada, de taninos ainda presentes que amaciam com um tempo em taça, bem equilibrado com um final algo especiado. Companhia para uma pizza de peperone ou uma pasta com calabresa e bastante tomate em pedaços.

Na próxima semana comentarei os vinhos entre R$30 e 50,00 que provei. São 47 os classificados, dos quais 25 Altamente Recomendados. Ainda estou achando que fui muito bonzinho e periga dessa seleção mudar enquanto reviso notas, mas acho que estamos mesmo é diante de um belo lote de vinhos que merecem toda a sua atenção. Por enquanto curtam alguns destes rótulo e, se quiser ver algo mais, pesquise aqui no blog e veja meus Melhores de 2008 nessa faixa.

Salute e kanimambo

Descobrindo Bons Vinhos até R$50,00 – Parte I (até R$30)

           Dentro do painel de vinhos até R$50,00 sobre o qual falei nesta segunda-feira, dividi a relação de vinhos garimpados seguindo o padrão de faixas de preço que uso tradicionalmente no blog e já de conhecimento daqueles que frequentam estas páginas; até R$30,00 e de R$30 a 50,00, gerando diversos posts já que seria impossível colocar tudo em um só. Começo com a faixa mais baixa de preços com vinhos até R$30,00 devendo os produtores e importadores serem contatados diretamente para saber os preços exatos de cada rótulo.

           Com os aumentos de preços que ocorreram no final do ano passado e inicio deste, uma série de vinhos ficaram num patamar mais alto, mas mesmo assim consegui classificar quarenta vinhos nesta faixa. Vinhos que para nós são “baratos”, mas que para níveis internacionais são caríssimos já que lá fora esse nível de vinhos custa algo ao redor de dois a três Euros ou quatro a cinco Dólares. Como  dito anteriormente, classifiquei estes vinhos como; Básicos, vinhos corretos que, se não chegam a encantar, desencanto também não causam e como este assunto é de enorme subjetividade, são vinhos que podem agradar a uns mais do que outros;  Recomendados, rótulos que merecem ser provados e são uma boa compra dentro de seu contexto e os Altamente Recomendados, aqueles caldos que valem muito a pena sendo, dentro de sua faixa de preços, vinhos de altíssima qualidade que nos enchem de prazer e satisfação.

           Em outras pesquisas e provas já realizadas anteriormente me deparei com uma série de vinhos de muita qualidade e ótimo preço que já relacionei anteriormente e, afora a revisita a alguns desses, tentei buscar rótulos novos que ainda não havia comentado ou sugerido. Me surpreendi com o bom número de vinhos disponíveis no mercado que na degustação comprovaram tanto qualidade técnica como gustativa tendo-se mostrado  algo diferenciados para os vinhos que se espera encontrar nesta faixa. Pude também tomar alguns espumantes de ótima qualidade que só nos vem provar que estamos muito bem abastecidos desse tipo de vinho também e a preços bem módicos. Mas comecemos do inicio lembrando que entre parênteses menciono o importador e país de origem, quando sei:

Básicos (8): Uxmal Cabernet/Merlot 07 (Mistral – Argentina) / Alma de Chile Syrah 07 (Winery – Chile) / Montado 08 (Portugal)/ Sucre Carmenére 08 (Wine Company – Chile) / Marco Luigi Tributo Touriga Nacional 08 / Notus Cabernet Sauvignon 08 (Brasart – Argentina) / Marson Vale da Ferradura Blend (Eivin/Marson) / Sta. Helena Varietal Carmenére (Interfood – Chile).

 Recomendado (15): Começo por dois Proseccos brasileiros que foram gratas surpresas apresentando boa perlage, frescor, sem amargor final, melhores que a grande maioria dos Proseccos italianos que andam por aqui, o Aurora e o Marco Luigi Tributo. Para não dizer que os Proseccos italianos não têm lá seus rótulos de qualidade, o Moinet Prosecco (Winery-Itália), surpreendeu, mostrando perlage abundante, frescor, algo cítrico e bem saboroso, também sem aquele amargor final, uma surpresa muito agradável. Nos vinhos brancos, os que mais me atraíram nesta faixa de preços, uma série de rótulos já começaram a me agradar porque, até por uma questão de custo, apresentam nada ou muito pouca madeira, teores de álcool mais baixos e suaves, mostrando mais a fruta e o frescor que é o que mais me atrai nestes vinhos brancos mais ligeiros; Monsaraz Branco 08 (Vinho Seleto – Portugal) / Sucre Sauvignon Blanc 08 (Wine Company – Chile) / La Consulta Pinot Grigio (Interfood – Argentina)/ Santa Helena Varietal Chardonnay 08 (Interfood – Chile) / Mapu Sauvignon Blanc 08 (Vinho do Sul – Chile) / Alma de Chile Chardonnay 07 (Winery – Chile) / Nieto Senetiner Chardonnay 08 (Casa Flora – Argentina) todos uma boa pedida para quem quer gastar pouco e se iniciar nesses varietais e no corte português de uvas autóctones, boas opções para eventos, casamentos, etc. e certamente uma boa escolha para os dias quentes do verão que se aproxima. Como dica, comprar e tomar estes vinhos com o máximo dois anos de idade já que foram elaborados para serem tomados jovens.

            Já nos tintos, encontrei mais vinhos que classifiquei como altamente recomendados, uma grata surpresa, do que por aqui. De qualquer forma, gostei do Merlot Cumbres Andinas 06 (Vinea-Chile), Danti Rubicone Sangiovese 07 (Winery-Itália), Chateau Grand Palais Bordeaux 04 (Winery – França), Cadão Douro 04 (BR Bebidas) e o Pattio Sur Tannat/Merlot (Decanter-Uruguai) vinhos francos, fáceis, simples que acompanham bem a pizza de Sábado ou a macarronada com porpetta de Domingo sem fazer feio.

Recomendado até R$30 009

Altamente Recomendados (18): Uma grande surpresa porque tive a oportunidade de tomar bons e surpreendentes vinhos nesta faixa de preços, além do que esperava, que em alguns casos já demonstraram uma certa complexidade. São vinhos que mostram um algo mais e que não farão feio se servidos a pessoas que já tenham um maior conhecimento e palato mais apurado. Pelo estilo dos vinhos, o ideal é servir os tintos refrescados, por volta dos 15º, quando suas qualidades são melhor ressaltadas. Aqui embaixo uma parte desses bons rótulos garimpados e amanhã tem a segunda parte que este post já está longo demais.

Cumbres Andinas Sauvignon Blanc 08 da Butron (Vinea-Chile) um branco num degrau acima dos demais provados nesta faixa. Especialmente agradável, ótima paleta olfativa que convida a tomar, acidez muito boa tornando-o muito fresco, sedutor e refinado para um vinho deste preço.

Sucre Cabernet Sauvignon 07 (Wine Company-Chile), um bom ano no Chile e uma confirmação. Já tinha provado e gostado do 2006, mas este está ainda melhor. Muito macio, frutado, suave, sedoso, rico e bem equilibrado é um vinho que seduz fácil e combina muito bem com uma pizza de calabresa, uma carne grelhada, etc..

Gran Theatre Bordeaux 06 (Ravin-França), o que poderíamos de chamar de um “básicão” desta região, porém muito bem feito, saboroso, equilibrado, correto um vinho que agrada e uma ótima porta de entrada para o ‘mundo encantado de Bordeaux”.

Marco Luigi Reserva Malbec 07, (Brasil) uma enorme e agradável surpresa. Frutado, sedoso, teor de álcool civilizado, um vinho elegante e pleno de sabor, na contramão dos argentinos. Uma lufada de ar fresco e um dos grandes achados deste painel e um vinho com uma personalidade própria, sem querer copiar ninguém, refletindo seu terroir.

Don Pascual Tannat 2007 (Expand-Uruguai), mais um daqueles que nos surpreende e mostra o quão bem os uruguaios trabalham esta cepa. Café, chocolate, fruta negra, aromas que convidam a levar a taça à boca. Taninos maduros, redondos e macios, boa textura, uma ótima companhia para um descompromissado churrasco com os amigos.

Abadias Vega Tempranillo 06 (Expand-Espanha),  importante a temperatura neste vinho elaborado com 100% desta cepa, acompanha umas tapas com galhardia tendo sido mais um dos achados deste painel. Nariz frutado sem grande intensidade é na boca que ele se mostra e seduz. Vinho de bom volume de boca, leve para médio corpo, equilibrado, taninos corretos e aveludados, boa acidez, rico com um final de boca muito agradável de média persistência. Surpreendente pelo preço e uma boa companhia para ensopados.

Mapu Cabernet Sauvignon/Carmenére 07 (Vinho Sul-Chile) aromas de frutos negros, amora e especiarias. Fresco, frutado, equilíbrio entre a elegância da Cabernet Sauvignon e a suavidade da Carménère. Mostra-se bem harmonioso, redondo, pronto a beber e muito agradável.

Terranoble Carmenére 08 (Decanter-Chile), boa tipicidade da casta porém sem aquele aroma vegetal agressivo que costuma incomodar nos vinhos desta cepa. Equilibrado, de boa textura, taninos doces já equacionados com um final de boca algo apimentado. Eu que costumo guardar certa distância dos vinhos desta cepa, fui agradavelmente surpreendido por este mui agradável vinho.

Diversos 101

Faltam mais 10 rótulos que apresentarei amanhã, realmente é muita coisa para um dia e um post só. Os da faixa de R$30 a 50,00 ficam para a semana que vem e há algumas preciosidades. Caso queira localizar uma loja próximo a você onde possa comprar um ou mais dos rótulos abaixo, contate o importador ou produtor acessando Onde Comprar ou converse com seu lojista de confiança que, afora estes rótulos, certamente lhe poderá sugerir outras boas opções. Eu garimpei somente uma milésima parte do que há por aí.

Salute e kanimambo

Descobrindo Bons Vinhos até R$50,00 – Apresentação

caravela1Quem mentiu para você dizendo que vinho barato é ruim? Uma tremenda falácia igual aquela que diz que todo o vinho caro é bom ou que quanto mais velho o vinho melhor! São “verdades” cheias de vazamentos que se descobrem quando garimpamos o mercado e constatamos que as coisas não são bem assim apesar de encontrarmos a maioria dos vinhos descartados na base dessa pirâmide de preços e constatarmos que conforme a subimos a qualidade melhora. Todo grande vinho é caro, nessa afirmação eu ainda não encontrei “vazamento”, mas que nem todo o vinho caro é bom, isso eu também posso assinar embaixo. Na verdade, esses conceitos de grande, bom, ruim, pior, melhor, caro e barato são muito relativos e subjetivos, mas acho que deu para entender o recado, não? Até porque as coisas de nossa vinosfera não são binárias, muito menos uma ciência exata! Garimpando encontramos bons vinhos que podem ser apreciados e degustados sem que o bolso sofra em demasia. Esta foi uma tremenda de uma viagem de descobrimentos que me trouxe enorme prazer tendo encontrado uma série de vinhos excepcionais pelo preço e no seu contexto.

          Este painel montado com o apoio de alguns amigos e parceiros, assim como algumas degustações no período, foram uma verdadeira busca por essas pepitas escondidas num emaranhado de mais de 20.000 rótulos importados e um monte de outros nacionais, mesmo que num universo bem mais restrito. Já tenho uma série de posts e listas publicadas com vinhos nesta faixa de até R$50,00, porque acredito que é o segmento de iniciação a nossa vinosfera e porque é o nosso vinho do dia-a-dia. Tá bom, eu sei, tem gente que tem o privilégio de ter como vinho do dia-a-dia, rótulos na faixa de R$80/100,00 o que é ótimo e me deixa feliz, mesmo que com uma pequena sensação de inveja (positiva), mas como não faço parte desse seleto grupo, nem a maioria que me lê, tenho que correr atrás de bons caldos por bons preços e é isso que fiz com este trabalho que durou cerca de noventa dias com prova de um pouco mais de noventa vinhos, um pequeno mar de garrafas. O resultado é que acabei niglegenciando o “Vinhos da Semana” que, com o término desta viagem, retorna logo.

Diversos 082

          Tentei evitar os vinhos que já tinha comentado ou listado por aqui, como os da lista dos melhores de 2008 que podem ser vistos aqui e aqui, tentando buscar outros rótulos e com isso aumentar o número de opções de escolha. Uma pequena viagem de descobertas que cataloguei sob quatro categorias; os que não achei com qualidade e não compraria de novo e , consequentemente, estão fora destas listas. Dos que sobraram, cerca de 75, dividi entre; Básicos, vinhos que não encantam mas que também não desencantam podendo ser opções interessantes; os Recomendados, rótulos que merecem ser provados e são uma boa compra dentro de seu contexto e os Altamente Recomendados, aqueles caldos que valem muito a pena e, dentro de sua faixa de preços, são vinhos de altíssima qualidade que nos enchem de prazer e satisfação. Na coluna dos jornais, que saíram no inicio do mês, falo somente dos altamente recomendados por falta de espaço, mas aqui no blog compartilharei com os amigos tanto essa categoria como a de Básico e a de Recomendados. O mais incrível é que, desses setenta e poucos rótulos cerca de quarenta são altamente recomendados!

          Durante os próximos quinze dias publicarei os posts sobre o tema, enquanto isso fica aqui uma mensagem de esperança. Há sim, vida neste segmento de preços, não se deixe enganar, mas vá com cuidado porque também encontramos produtos que pouco empolgam e alguns, talvez até porque o gosto e o palato já se habituaram a coisas melhores, que realmente não valem a pena. A relação de vinhos e comentários que publicarei serão uma mera indicação, um pequeno filtro que poderá lhe ajudar em sua escolha, mas está repleta de subjetividades e nada substitui seu gosto pessoal. Independentemente de análises técnicas, o que vale é o que lhe dá prazer então só posso desejar que seu garimpo lhe possa dar toda a satisfação que esta viagem me proporcionou.

Salute e kanimambo.

Vinhos da Espanha na Cultvinho

                Que o mundo do vinho tupiniquim anda em polvorosa com uma tremenda dança de cadeiras, isso já não é mais noticia. Que estamos vendo um crescimento acentuado de novas pequenas importadoras com foco em nichos, também não. Mesmo não conhecendo algumas, temos a De La Croix, a Cave Jado e a Emporio Sorio (Córsega) todas com vinhos franceses, porém com nichos diferenciados, a Wine Lover’s com vinhos americanos, a Vinho Sul, Porto Mediterraneo e Brasart com vinhos chilenos e argentinos, a  Tradebanc com vinhos italianos, Vinhas do Douro  e por aí afora. Faltava alguém que focasse a Espanha, mas não falta mais.

CultvinhoChegou a Cultvinho, uma empresa movida pela paixão e razão, ou melhor, pela Sandra e Armando o casal que abraça esta causa. Já são 43 rótulos, 14 deles abaixo de R$100,00, com projetos de chegar a próximo do dobro dentro de um tempo. Inicialmente centrado em pequenas vinícolas familiares de pequena produção e grande qualidade o foco de região é a Rioja Alavesa, que possui uma característica de vinhos mais modernos, e algo de Ribera Del Duero, mas a idéia é expandir esses horizontes para outras regiões de Espanha já havendo alguns rótulos do Priorat, Málaga e Penedès.

         Junto com alguns outros colegas blogueiros, tive a grata satisfação de participar de uma degustação seguida de almoço lá no Café Journal, um local muito bonito, simpático, com uma decoração rústica chic e intimista que serve um Buffet primoroso. Gosto de degustações em locais que possuem Buffet porque permite-nos brincar num playground de sensações diversas harmonizando vinhos e comidas, fazendo exercícios loucos, enfim me esbaldo! O maior foco, no entanto, é nos vinhos e estes vieram confirmar a ótima escolha de bodegas feita pelo casal. Nessa parceria, o Armando aporta com toda a sua experiência industrial e empresarial de diretor de multinacional automobilística por vários anos tendo sido presidente da Mercedes Benz Espanha onde consolidou sua relação com o vinho, ele que é português. A Sandra, sua esposa brasileira da gema, já na apresentação da empresa e seus planos, mostrou claramente de onde vem a paixão nessa parceria. Uma dupla que, “despacio”, certamente vai encontrar seu espaço! Uma bela sacada que eu aplaudo, inclusive pela boa relação custo x  beneficio apresentada.

Cultvinho 003Tanto o Álvaro (Divino Guia) como o Beto (Papo de Vinho) quanto o Daniel (Vinhos de Corte), todos com links aqui do lado, já fizeram alguns comentários, porém não posso deixar de dar meus pitocos aqui e registrar minhas impressões dos vinhos provados e que teve, a meu ver, dois grandes destaques entre os diversos bons rótulos provados. Provamos um vinho branco e cinco tintos de muito boa qualidade.

Ostatu Tinto Jovem 2008, um 100% tempranillo muito frutado, produto da maceração carbônica por que passa, num estilo de vinificação a la Beaujolais Noveau. Muito gastronômico, aliás como foram a maioria dos vinhos provados, para ser servido fresco, ao redor de 14º acompanhando umas tapas. Bom, correto, mas é um estilo de vinho que não me encanta. Preço R$54,00.

Nobleza Dimidium 2007, aromas gostosos, muita fruta, madeira sutil. Na boca é de corpo médio, taninos aveludados, acidez moderada, final algo seco e especiado de média persistência. Vinho agradável, sem arestas e de preço justo, R$64,00.

Ostatu Crianza 2006 de nariz muito tímido, ganharia muito com uns 45 minutos de decanter, cresce na boca onde se mostra complexo, redondo mostrando boa estrutura e taninos finos, guloso e de boa persistência que só melhorará com mais alguns anos de garrafa apesar de já ser muito apecetível. Preço justo por um crianza desta qualidade, R$94,00.

Cultvinho 008Erial 2007, um senhor vinho já na paleta olfativa complexa e encantadora em que sobressai a fruta e um chocolate expressivo que convidam a levar a taça à boca. No palato é equilibrado, muito boa estrutura, denso e rico preenchendo a boca com sabores sedutores, taninos maduros e sedosos com um agradável final de boca. Provavelmente o melhor vinho desta degustação que é vendido a R$114,00 no site da Cultvinho, mas que ainda não foi o meu vinho.

Cultvinho 007Prios Maximus Roble 2007, apesar da muito boa coleção de vinhos apresentados, foi este que me seduziu por completo tendo, inclusive, achado que foi o que mais facilmente se harmonizou com os mais diversos pratos provados e apresentado a melhor relação custo x beneficio entre os vinhos tintos provados. Possui um nariz de boa intensidade, muito frutado e fresco, com algo difícil de encontrar num tinto, toques cítricos que o tornam muito interessante. Na boca é encantador com bom volume de boca, equilibrado, harmônico repetindo a fruta do nariz, macio, um vinho vibrante e muito gostoso que só cresceu com a comida em função da ótima acidez. Com um preço de R$78,00, um achado que recomendo aos amigos.

Cultvinho 004Ostatu Branco Joven 2008, faz parelha com o Prios no meu pódio do dia. Corte de Viura e Malvasia de vinhedos de mais de 60 anos, possui  delicados e sutis aromas cítricos, frutos brancos como pêra e melão, com nuances minerais que encantam à “primeira fungada”.  Com o tempo em taça aparecem alguns aromas mais doces, provavelmente em função da presença da malvasia.  Na boca, complementa aquilo que prometia no nariz mostrando-se muito fresco, cremoso, saboroso e fácil de encantar. Com uma salada, queijinho de cabra/endívias e tomatinhos cereja, frutos do mar ou acompanhando uma costelinha na brasa, certamente um grande prazer.  Um destaque ainda maior porque é uma das melhores opções disponíveis no mercado nesta faixa de preços, excelentes R$38,00 que faz com que ele seja o campeão na relação de Qualidade x Preço x Prazer. Maravilha!

            A linha de rótulos é vasta, cada um tem seu gosto e aprecia mais determinados estilos de vinho do que outros, então aventure-se pelo site e curta alguns desses bons caldos. Do que provei e o que pude conhecer da empresa e seus projetos, gostei e recomendo. Sigo achando que os vinhos espanhóis ainda estão longe de terem a participação de mercado que merecem e torço para que este novo empreendimento incentive mais importadores a alçarem vôo naquela direção. Aliás, até porque não posso deixar de puxar a sardinha para meu lado, os vinhos da Peninsula Ibérica são show!

Salute e kanimambo.

Desafio de Uvas Ícones – Quem Faturou?

           Talvez uma das mais enriquecedoras degustações que já realizamos. Um Desafio diferente que fez com que tomássemos consciências de nossas limitações e o quanto ainda temos para aprender. Aos amigos que compuseram a banca de degustadores que julgariam esta prova, lancei um desafio extra, descobrir qual a cepa de cada um desses vinhos servidos às cegas. Fácil? Então, você que pensa que já sabe tudo, experimente fazer um exercício semelhante e depois falamos. Passamos por dois processos, provar e analisar os vinhos e puxar por nossas memórias para tentar achar as tipicidades de aromas e sabores que compunham cada cepa na taça. Muito bom, mas por outro lado, também nos mostra o quanto isso é menos importante no vinho quando comparado ao todo, se tornando um “mero” detalhe do conjunto!

            Nosso principal objetivo, no entanto, é apurar os ganhadores da noite e, como sempre nestes desafios, algumas surpresas;  atletas de primeiro nível que não estão numa boa noite, outros menos cotados que se superam, momentos em que o vinho se assemelha à vida. Não existem verdades absolutas em nossa vinosfera e duas garrafas do mesmo vinho e safra, guardadas de forma igual e no mesmo local, podem evoluir de forma diferente então cada um destes Desafios vem carregado de indagações de como os vinhos se comportarão. Mais uma vez, um belo painel que tenho o privilégio de organizar com o apoio de um monte de gente que já destaquei em posts anteriores. Agora quero compartilhar a experiência., comentando um pouco sobre os vinhos conforme a ordem em que foram servidos, lembrando que notas e comentários são a média e coletânea do que colhi nas planinhas de degustação. Ao final listo o vinho preferido de cada degustador e a nota dada por ele.

Uvas Ícones 006Barbera Le Orme 2006 de Michele Chiarlo (Zahil) representando a Itália, com 88 pontos da Wine Spectator, é um vinho da região de Asti mostrando bem sua tipicidade com uma cor rubi, brilhante com bastante fruta vermelha ao nariz. Na boca é macio, sedoso e equilibrado, rico com um final muito fresco pedindo comida. Um vinho gastronômico, mas versátil que também se toma muito bem sozinho ou acompanhado de um bom prato de queijos e frios, sendo fácil de agradar desde os mais neófitos dos enófilos até aos mais tarimbados. Muita elegância num vinho que costumo denominar como amistoso e confirmou minha opinião anterior. Obteve a média de 85,73 pontos e custa R$79,00.

 

Uvas ìcones 001Touriga-Nacional Reserva 2005 da Quinta Mendes Pereira (Malbec do Brasil) representando Portugal, recebeu 16,5/20 pontos da Revista de Vinhos portuguesa, tendo-se mostrado á altura das expectativas. De nariz intenso, fruta confeitada e algo balsâmico com sutis nuances florais . Na boca apresentou-se com taninos firmes porém finos, harmônico, saboroso, complexo, acidez no ponto mostrando-se também bastante gastronômico (arroz de pato?) com um final de boa persistência. Um belo vinho que alcançou a pontuação média de 86,36 e custará, assim que chegar, por volta de R$90,00.

 

Uvas Ícones 010Zinfandel Pezzy King 2005 (Wine Lover’s) o competidor mais difícil de conseguir já que quem tinha não quis participar e quem queria não tinha o rótulo disponível. Ao falar com a Giselda, por indicação do amigo Álvaro, no entanto, a coisa mudou de figura. Não são muito os rótulos disponíveis no Brasil e, consequentemente, não são sabores a que estejamos acostumados. Este possuía uma paleta olfativa muito intensa e convidativa onde se destacavam toques de licor de cereja, fruta em compota e amoras. Na boca segue intenso, de bom volume de boca, taninos maduros e sedosos, harmônico com um final algo adocicado com coco e chocolate perfeitamente balanceado por uma acidez correta que deixa um retrogosto de quero mais. Belo Vinho que obteve a média de 88,91 e custa R$110,00. Tem uma história de que cliente VIP tem 20% de desconto, então vale conferir no site deles.

 

Uvas Ícones 005Tempranillo Sierra Cantabria Crianza 2004 (Peninsula) foi o desafiante espanhol que veio com um senhor retrospecto, o de ter obtido 90 pontos da Wine Spectator e ficando entre os top 100 de 2008 dessa conceituada revista. Acho que os 40 minutos de decantação foram pouco para este renomado vinho que se apresentou fechado, nariz tímido em que aparecem aromas de fruta vermelha fresca (ameixa) e algum tostado. Na boca segue fechado, algo austero, taninos ainda jovens e firmes ‘pegando” um pouco, acidez muito boa que convida a comer e pede um prato com “sustança”. Final de boca mostra um certo desiquilibrio, coisa que um tempo mais em garrafa, ou o dobro do tempo em decanter, devem harmonizar mostrando todo o potencial do caldo. Obteve uma média de 83,41 pontos e custa ao redor de R$109,00. Um vinho que necessita de uma segunda visita!

 

Uvas Ícones 007Carmenére Ochotierras Gran Reserva 2005 (Brasart), o representante Chileno desta cepa que possue amantes e ferrenhos opositores. Eu não sou fã, mas gosto de alguns rótulos, entre eles este. Vinho pronto não devendo melhorar mais do que já está. Nariz balsâmico com nuances vegetais e alguma especiaria. No palato apresenta-se redondo, macio, equilibrado com taninos sedosos, boa acidez e estrutura mostrando-se muito elegante e saboroso. Obteve a média de 84,68 pontos e custa em torno de R$90,00.

 

Uvas Ícones 012Pinotage Morkell PK 2004 (D’Olivino), o desafiante sul africano desta cepa que também é pouco conhecida por aqui com muita coisa bastante rústica e barata (existem exceções) e caldos como este, com muita qualidade, um vinho que enobrece a casta. Classificado por alguns membros da banca como, misterioso e intrigante, mostra no olfato aromas complexos em que aparecem com maior destaque cacau e frutas secas, com boa evolução em taça. Na boca é harmônico, boa estrutura, denso e rico de sabores com um final muito agradável com toques de especiarias. Vinho para tomar com calma e mais uma boa participação dos vinhos desta importadora. Obteve a média de 87,73 pontod e custa ao redor de R$120,00.

 

Uvas Ícones 015Pomar Reserva 2006, o nosso vinho surpresa da noite, e que surpresa! Da Venezuela, Bodegas Pomar, região de Lara a 480mts de altitude vem este saboroso corte de 60% Petit Verdot, 23% Syrah e o restante de Tempranillo, um assemblage diferente e criativo que surpreendeu a todos tendo sido escolhido por um dos membros da banca, como o melhor vinho da noite. Como vinho surpresa, posso introduzir qualquer coisa no painel, então a escolha por um vinho que não fosse varietal, mas que trazia consigo uma enorme dose de exotismo. Por ser um corte foi fácilmente identificado pela maioria, porém a sua origem deixou a todos perplexos. Fruta madura, ervas e alguma especiaria compõem uma paleta olfativa muito agradável que convida levar a taça à boca onde se mostra muito equilibrado, elegante, complexo com boa evolução em taça, taninos aveludados e muito gostoso. Um conjunto sem arestas que obteve o reconhecimento de quase todos, houve uma única nota mais baixa, que resultou numa média de 86,45 pontos e não está disponível para venda.

 

Uvas Ícones 018Pinot Noir J. Cacheux Bourgogne Les Champs D’Argent 2006 (Decanter), nosso desafiante  francês e talvez o vinho mais fácil de identificar pois já no exame visual se mostrava com toda a sua tipicidade com uma cor rubi clara, brilhante, quase clarete. Nos aromas muita sutileza com a presença de frutos do bosque como morangos e framboesas assim como leves nuances florais. Na boca, taninos finos e sedosos ainda bem presentes, rico e complexo mostrando nuances de salumeria, um vinho sedutor como são a maioria dos bons Pinots, em especial os da Bourgogne. Obteve a média de 86,45 pontos e custa ao redor de R$119,00.

 

Uvas Ícones 008Shiraz Bridgewater Mill de Adelaide Hills 2005 (Wine Society), o representante da Austrália onde essa cepa virou rainha. De boa tipicidade, nariz discreto mostrando alguma fruta vermelha e especiarias. Na boca aparece uma madeira mais presente, porém sem subjugar o caldo, e álcool um pouco saliente sem ofuscar um conjunto muito agradável, de bom corpo, taninos presentes, aveludado e macio, acidez moderada, elegante com um final bem saboroso que satisfaz e nos faz pedir mais. Obteve 86,91 pontos e custa ao redor de R$87,00.

 

Uvas Ícones 017Malbec Rutini 2006 (Zahil), o nobre desafiante desta cepa que já virou sinônimo de Argentina, mesmo sendo francesa (como a maioria), mas que vem crescendo também no Chile e até aqui no Brasil já começam a aparecer alguns exemplares. Rubi violáceo, bem típico da casta, apresenta um perfil aromático composto de frutas escuras, algo vegetal e nuances florais que despistaram muitos da banca. De boa estrutura, no palato é suave, com taninos finos e sedosos, elegante, equilibrado com um final muito agradável e levemente frutado mostrando boa persistência. Um Malbec algo diferenciado que obteve 85,59 pontos e custa R$119,00.

 

Uvas Ícones 009Merlot Valduga Storia 2005 (Portal dos Vinhos), uma cepa que já se tornou símbolo da Serra Gaúcha. Eu que adoro este vinho, não o dentifiquei em função de uma intensidade aromática muito além do que tinha experimentado em vezes anteriores. A forte presença de café tostado, moka, que impacta a primeira “fungada” mostra a forte presença de madeira e a necessidade de um período maior de decantação para que o vinho encontre seu melhor equilíbrio olfativo quando aparece um pouco mais os aromas frutados com nuances florais. Na boca, alguma fruta negra, leve toque químico, untuoso, rico e complexo com um final algo tânico com retrogosto que nos lembra caramelo e muito boa persistência. Obteve uma média de 88,14 pontos e custa algo ao redor de R$110, porém devido à raridade, já se houve falar de R$130 e mais!

 

Uvas Ícones 014Tannat Abraxas 2002 (Dominio Cassis), rótulo premium do produtor, do qual somente 600 garrafas foram produzidas numa região diferente das tradionais áreas produtivas no Uruguai, em Rocha. Mais um dos vinhos que mostraram bem o que são, muita tipicidade num tannat de prima que ainda se apresenta fechado com taninos ainda bem presentes e firmes, porém sem qualquer agressividade, mostrando que ainda tem muito anos de vida e avolução pela frente. Nos aromas, algo herbáceo com nuances frutadas ainda tímidas que evoluem na taça. Na taça é uma explosão de sabores, rico e complexo com alguma madeira ainda por integrar, mas sutil, dando suporte a um conjunto gordo e harmonioso que enche a boca de prazer e ainda promete mais para daqui a alguns anos. As garrafas rareiam por aí, eu ainda tenho uma, e acredito que em 2012 estaremos perante um verdadeiro néctar. Obteve 86,77 pontos e custa por volta de R$105,00.

 

              Apurados os resultados, o grande campeão da noite, o Melhor Vinho foi o Pezzy King Zinfandel (atropelando por fora). Pelos pontos obtidos e bom preço, a Melhor Relação Custo x Beneficio ficou com o Barbera D’Asti Le Orme e o vinho considerado como a Melhor Compra, o Bridgewater Mill Shiraz. Na segunda colocação no rol dos Melhores Vinhos da noite, o nosso Valduga Storia Merlot, seguido do Morkell PK Pinotage, do Bridgewater Mill Shiraz e completando o podio, o Abraxas Tannat 2002. O nosso vinho surpresa vindo da Venezuela direto para este Desafio de Vinhos na Zahil, obteve um honroso oitavo lugar entre vinhos e países produtores já consagrados mundialmente. Mas quais foram os vinhos preferidos de cada membro da banca de degustadores? Pois bem, para matar a curiosidade dos amigos, aqui está:

  • Emilio Santoro – Pezzy King Zinfandel – 89 pontos
  • Marcel Proença – Pezzy King Zinfandel – 93 pontos
  • José Luiz Pagliari – Morkell PK Pinotage – 91 pontos
  • Francisco Stredel – Pezzy King Zinfandel – 93 pontos
  • Evandro Silva – Bridgewater Mill Shiraz – 90 pontos
  • Ralph Shaffa – Storia Merlot – 91 pontos
  • Ricardo Tomasi – Storia Merlot – 91 pontos
  • Cristiano Orlandi – Rutini Malbec – 93 pontos
  • Fabio Gimenes – Pomar Reserva – 92 pontos
  • José Roberto Pedreira – Pezzy Kink Zinfandel – 92 pontos
  • Simon Knittel – Storia Merlot – 88,5 pontos
  • João Filipe Clemente – Pezzy King Zinfandel – 89 pontos

       È isso gente, mais um Desafio de Vinhos terminado e mais um monte de lições a serem devidamente registradas. Por falar nisso, já ia-me esquecendo, quem acertou mais rótulos/cepas? O amigo Marcel da Assemblage Vinhos, com nove cepas identificadas tendo sido premiado pelos amigos da Zahil com uma garrafa do saboroso e recém chegado Barbera d’Asti I Cipressi Della Court de Michele Chiarlo. Vosso humilde servo aqui ficou nas cinco! Como disse, muito que aprender, um “pequeno gafanhoto’ em nossa vinosfera, na busca de conhecimento.

UFA, terminei! Salute e kanimambo, curtam o slide show abaixo e seguimos nos encontrando por aqui.

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