Degustações

Vinhos de Espanha I – Señorio de Sarría

Já disse e repito, se pudesse ter uma loja só com produtos enogastronomicos Ibéricos, viveria nas estrelas. No entanto, isso é um pouco mais complicado do que parece e requer uma especialização e caixa que estão longes de minhas posses. Fico então, como “mero” consumidor me deliciando com a rica e diversa gastronomia assim como sorvendo os bons caldos hoje disponíveis no mercado.

                De Portugal, há muito que nos deparamos com bons rótulos de preços bem acessíveis e algumas verdadeiras estrelas de nossa vinosfera, inclusive alguns grandes vinhos brancos que poucos ainda conhecem.  Da Espanha era um pouco diferente. Primeiramente, os produtores espanhóis sempre eram muito bem vendidos especialmente nos mercados de maior consumo como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, entre outros, ficando o Brasil como um mercado de menor interesse e de menor investimento. Segundo, as importadoras não davam muita bola e eram poucos os rótulos que aqui chegavam, na maioria de vinhos mais caros o que deu a estes vinhos, uma áurea de vinhos de elite e, por último, creio que o mercado por falta de conhecimento e disponibilidade, também não se interessava muito.

                  Tudo isto vem mudando rapidamente depois que a crise tomou conta dos mercados internacionais, havendo a necessidade de os produtores buscarem novos nichos no mercado mundial e o importadores viram nisso uma oportunidade tendo aumentado em muito o número de rótulos espanhóis em seu portfólio. Antigamente restrito a Rioja e Ribera Del Duero com os eventuais brancos de Rueda e Rias baixas na Galícia e rosados de Navarra, agora se encontram vinhos de boa qualidade e bom preço de todas as regiões. Toro, Bierzo, Cigales, Penédes, Priorato, Navarra, Jumilla enfim, uma imensidão de rótulos e origens para tudo o que é preço e gosto. Estive em uma degustação divina da Viña Sastre (Ribera Del Duero) realizada nas bonitas instalações da Ville du Vin em Moema com o apoio do Juan e Javier da Peninsula, a qual comentarei na semana que vem, mas hoje quero falar de algo absolutamente novo no mercado; a Import Gourmet e os Vinos da Señorio de Sarria.

              Esta empresa recentemente instalada por aqui, nos traz vinhos e produtos gastronômicos espanhóis, tendo sido uma grata descoberta em meus garimpos para compor portfólio da Vino & Sapore. Possui diversos vinhos, outros estão por chegar, em diversas gamas de qualidade. Eu tive oportunidade de degustar diversos, entre eles três rótulos de que gostei bastante com um, em especial, que me encantou. Da linha mais básica, com preço em lojas que deve chegar ao redor de R$50, o Señorio de Sarria Rosado e o Crianza, assim como da linha mais alta, o Viñedo 7 que é um varietal de Graciano.

Señorio de Sarría Rosado 2008 – eles possuem um premiadíssimo rosado (Viñedo 5) que é considerado como um dos melhores de Espanha na atualidade, mas eu gostei bastante deste chamado básico. Foge um pouco daqueles aromas mais comuns de morango e cereja frescos, leves e meio adocicados, mostrando alguma evolução tanto no nariz como na boca, mostrando-se mais complexo e interessante, cremoso, saboroso e muito agradável. Sua ótima acidez o faz uma boa companhia para pratos mais ligeiros, saladas, frutos do mar grelhados, paella, salmão e até um peru á califórnia acho que casaria legal. Por vinhos como este é que a região ganhou fama de produtor de belos rosés.

Señorio de Sarría Crianza 2006 – incrível que já se encontrem crianzas no mercado nesta faixa de preços, lembrando que um vinho crianza passa por 18 a 24 meses de envelhecimento entre barricas e garrafa. Neste caso, um vinho bastante interessante fruto de um corte de Tempranillo e Cabernet Sauvignon que passa por doze de barrica e seis em garrafa com um resultado muito agradável mostrando uma paleta olfativa de frutos do bosque negros (mirtillo/framboesa) com toques balsâmicos e algo herbáceo de fundo. Na boca a fruta aparece mais, de forma muita fresca apoiada numa acidez gastronômica que deixa um final de boca muito apetitoso e chamativo à próxima garfada. Bom volume de boca, taninos aveludados, um vinho que, se não é nenhum  blockbuster, certamente faz bonito á mesa e é fácil de se gostar.

Viñedo Nº 7 2005 – pulamos alguns degraus e provamos um vinho que, tenho que confessar, jamais tinha provado em varietal. A Graciano é comumente usada nos cortes das diversas regiões espanholas assim como a Garnacha, mas um 100% Graciano, foi minha primeira vez e adorei! Tem o estilo de vinho que me seduz; riqueza de aromas e sabores, taninos finos, equilíbrio e uma tremenda elegância, um vinho que deveria vir vestido de fraque e cartola.  Nariz de boa intensidade em que sobressai uma fruta vermelha fresca, algum alcaçuz e nuances de terra molhada que convidam a levar a taça à boca. De boa estrutura e volume de boca, possui taninos suaves e sedosos, rico, frutado, harmonioso, longo e muito delicado com um final mineral com toques de baunilha muito sutis, um vinho absolutamente sedutor que deverá estar nas lojas por volta dos R$100.

                Eles possuem diversos outros rótulos, alguns dos quais fiquei curioso de provar, sendo um produtor para se ficar de olho. Vinhos de Espanha, certamente vinhos a serem provados e apreciados, tenho gostado muito do que tenho visto e degustado, então este será o primeiro de uma série de posts com vinhos deste importante país produtor quando comentarei alguns dos frutos do garimpo. Por hoje é só, salute, kanimambo e tenham um ótimo fim de semana.

Desafio de Petit Verdot, Desvendando os Ganhadores

              Adoro estes meus Desafios de Vinhos quando coloco às cegas uma série de rótulos sob um mesmo tema. Falar e provar desta cepa ainda pouco divulgada no mercado foi em si, já um grande desafio e uma experiência riquíssima para mim e, tenho a certeza, também para boa parte da banca degustadora. Aliás, quase deu casa cheia!

     Venho ao longo dos tempos verificando os benefícios que um pouco desta cepa bordalesa nos cortes de diversos vinhos consegue fazer por eles. Sempre em pequenos porcentuais, a Petit Verdot aporta cor, sabor e corpo aos vinhos dando-lhes uma riqueza e complexidade que muito me satisfazem. É uma cepa difícil em sua terra natal, de amadurecimento muito tardio o que muitas vezes faz com que boa parte da colheita se perca tornando seu uso escasso e caro devido à quebra de produtividade. Nos países mais quentes no entanto, esse tempo de amadurecimento se dá de forma mais administrada devido ás condições climáticas. Um exemplo no Velho Mundo são os vinhos espanhóis, região de verões mais quentes e longos, elaborados com ela.

               Já no Novo Mundo, de condições climáticas mais adequadas, a cepa vem sendo vinificada como varietal com a ocorrência de um fato que já verificamos na vinificação de vinhos Tannat, que é a “amansada” nos vinhos, produzindo rótulos mais harmônicos, menos tânicos enquanto preserva suas características de estrutura  e riqueza de sabores. Foi para ver como estes vinhos se comportam que, desta feita, reuni dez exemplares para este Desafio na busca do Melhor Vinho, melhor Custo x Beneficio e Melhor Compra.

                  Nos reunimos no bonito e bom restaurante Ávila, que por sinal possui uma bela adega climatizada construida pela Joshuá Adegas, onde o Tavares e sua equipe nos atenderam muito bem.  Nove rótulos de que todos tinham conhecimento mais um surpresa, foram servidos ás cegas e em ordem aleatória após alguns saborosos e refrescantes goles de dois espumantes sobre os quais falarei em outra altura. Certamente o que os amigos querem mesmo saber, é o resultado desse gostoso embate, então falemos um pouco de cada um desses vinhos participantes julgados por uma competente banca de degustadores conforme já listado em meu post anterior com a lista dos participantes .

              Como o aereador que iríamos testar não chegou a tempo, os vinhos foram decantados por cerca de uma hora cada um. Eis os vinhos com suas notas conforme ordem de serviço.

Enrique Mendoza Petit Verdot 2005 representante espanhol de Alicante, trazido pela Peninsula e que possui um preço de mercado ao redor de R$120,00. No nariz uma presença  herbácea e algum foral que fazia lembrar violetas. A fruta apareceu mais no palato, de taninos redondos e macios, complexo, um pouco fechado abrindo-se com o tempo em taça, final algo defumado e quente sem prejudicar o conjunto que agradou bastante e posteriormente acompanhou bem a fraldinha. Média de 86,7 pontos.

Pisano RPF Petit Verdot 2007 representando os bons vinhos uruguaios. Importação da Mistral, custa USD31,50 ou seja, algo próximo a R$57 nas taxas atuais. Uma paleta olfativa muito rica, o que não é tão tradicional á cepa, em que o café com aniz estava bem presente, toffee, baunilha, realmente muito interessante e convidativa. Na boca a boa estrutura da cepa, taninos aveludados e de boa qualidade, algo balsâmico com um final suave onde apreceram alguns toques de especiarias. Obteve a média de 86,20 pontos

Morkell Petit Verdot 2004, sul-africano trazido pela d’Olivino, preço ao redor de R$130,00, o mais evoluído de todos os rótulos participantes. Halo de evolução presentes na taça mostrando sua idade, trazendo ao olfato suaves notas tostadas e fruta vermelha. Na boca é um vinho resolvido, de boa textura e volume de boca adequado, algo de couro com nuances terrosas, maduro, muito rico, complexo, de taninos finos, macios e elegantes, final de boca sutil e saboroso mostrando toques minerais. Um vinho literalmente encantador, sem a pujança que se poderia esperar da cepa, porém mostrando uma personalidade muito própria e impressionando muito positivamente a totalidade da banca degustadora. Um belo Petit Verdot, um grande vinho que merece ser conferido, aliás como a maioria dos outros rótulos presentes, tendo faltado garrafa para tanta demanda. Delicioso e a nota só confirma isso, média de 90,70 pontos.

Perez Cruz Limited Edition PV 2008, o primeiro chileno da noite e ainda não disponível no Brasil. O importador dos bons vinhos deste produtor, a Wine Company, deverá estar por trazê-lo dentro em breve, mas este viajou somente para este encontro. Baseado no preço do Syrah, acredito que deverá chegar por volta dos R$130,00. Nariz complexo, herbáceo, algo de farmácia e um tico a mais de álcool do que necessário, porém sem ser algo marcante que incomode. Na boca, presença de mentol, alguma casca de laranja confeitada, taninos de qualidade ainda um pouco adstringentes, mostrando-se muito novo, grande estrutura, vinho que precisa de mais tempo em garrafa quando deverá mostrar todo o seu potencial. Vinho para guardar por mais uns dois ou três anos. Média de 87,10 pontos.

Trumpeter Reserva Petit Verdot 2008, o primeiro argentino a se apresentar, novo, com nariz tímido, frutado com algumas nuances florais bem sutis. Na boca sobra um pouco de álcool, taninos um pouco rústicos e doces, final de especiarias com algo de noz moscada, conforme lembraram alguns dos degustadores. Não chega a encantar, mas acredito que precisa de mais tempo em garrafa já que ainda não encontrou seu equilíbrio. Trazido pela Zahil e custando cerca de R$64,00, obteve a média de 84,95 pontos

Landelia Petit Verdot 2005, importado pela Ana Imports e gentilmente cedido pelo colega e membro da banca, o Jeriel da Costa, com preço de mercado ao redor de R$60,00, foi um vinho ansiosamente esperado diversos dos amigos presentes. Foi também o vinho que mais criou polêmica com um pedaço da mesa achando que estava prejudicado e aoutra metade enchendo-o de elogios. No nariz mostrou notas de torrefação e algo químico que foi se dissipando com o tempo. Na boca, fruta compotada, taninos potentes e algo rústicos, alcaçuz, acidez alta e final de boca macio. A nota média não foi das melhores, 83,90, mas por tudo o que falaram deste vinho, certamente é um rótulo que merece uma segunda chance.

Tomero Petit Verdot 2006, mais um argentino presente, desta feita trazido pelas mãos da Domno do Brasil produtor dos saborosos espumantes Ponto Nero, em especial do extra-brut de que tanto gosto. Um vinho que já se encontrou, tendo mostrado sua maturidade tanto nos aromas como no sabor. Fruta madura de boa intensidade com sutis nuances de baunilha, mostrando-se com ótimo volume de boca e boa textura. Os taninos estão sedosos, muito boa acidez, rico, com um final muito saboroso e mineral onde aparece também um toque cítrico muito interessante e cativante. Muito consistente com minhas experiências anteriores, um vinho que obteve a boa média de 88,10 pontos.

Casa Silva Gran Reserva Petit Verdot 2007, de importação exclusiva da Vinhos do Mundo com um preço de mercado ao redor dos R$89,00, foi um vinho que insisti que estivesse presente já que o tinha conhecido, e adorado, numa degustação da Casa Silva em que estive presente no ano passado. Chileno, demonstrou notas herbáceas, couro e nuances balsâmicas no olfato, formando uma paleta algo peculiar e não muito convidativa. Na boca mostrou-se melhor, redondo, taninos aveludados, bom corpo e um final especiado bastante acentuado de média persistência que não chega a encantar.  Achei que o 2006 (recomendo) que provei estava bem superior a este, talvez mais pronto? Média de 84,45 pontos.

Pomar Petit Verdot 2008, o nosso vinho surpresa e sim, Cristiano, é Venezuelano sem importador no Brasil. Da mesma bodega que nos surpreendeu a todos no Desafio de Cepas Ícones, desta feita ficou aquém do que se esperava e mais um dos rótulos em que as notas variaram demais. Tipo ame-o ou deixe-o!  Nariz intenso, frutado, mas algo monocromático, sem grande complexidade que não chega a empolgar. Entrada de boca algo dispersa que necessita de tempo para se encontrar. Acidez instável, algum álcool em excesso, taninos macios e um final algo doce. Um adolescente irrequieto e imprevisível que melhorou com um tempo em taça e, mesmo com todas essas variáveis, obteve a surpreendente média de 85,11 pontos. Preferi o Reserva, um blend mais equilibrado.

Ruca Malen Reserva Petit Verdot 2007, o último representante de uma noite muito gostosa e intrigante repleta de bons vinhos. Argentino, importado pela Hannover Vinhos, foi para mim a mais agradável surpresa de todas, especialmente em função do preço, somente R$54,00. Possui uma paleta olfativa com forte presença de frutas negras compotadas com um leve toque de farmácia, mostrando-se bastante convidativa. Na boca possui boa estrutura, volume de boca adequado, taninos finos ainda presentes, mas sem qualquer agressividade, equilibrado com uma acidez interessante e gastronômica, final saboroso ainda que a madeira tenha aparecido um pouco.  Nota média de 86,25 pontos.

 Sempre listo a preferência de cada um dos membros da banca degustadora, mas hoje não “carece”! Pela primeira vez em mais de um ano destes Desafios, tivemos uma unanimidade em torno do Melhor Vinho Petit Verdot da noite, o Morkell. Realmente um grande vinho e Nelson Rodrigues que me perdoe, neste caso a unanimidade foi sábia! Para compor o pódio, em segundo lugar o ótimo Tomero, seguido pelo Perez Cruz, Enrique Mendoza e Ruca Malen. Pelo voto direto, a Melhor Compra foi o Pisano RPF e pelo cálculo matemático inventado pelo amigo e confrade (médico fisiologista do glorioso alvinegro praiano, salve/salve, campeão paulista 2010) Dr. Luis Fernando, tivemos como Melhor Custo x Beneficio o Ruca Malen.

             Uma grande noite em que ficou constatado que há muito mais vida além dos cabernets e malbecs que andam por aí. Temos que nos abrir para as novidades, para novas experiências, para as cepas menos comuns, porém extremamente ricas. Kanimambo à banca degustadora pela agradável presença, lembrando que os comentários, assim como as notas, são o resultado da média do pensamento de todos e que, certamente, cada um tem sua própria avaliação/opinião que deverá aparecer nos blogs do Alexandre, Jeriel, Álvaro e Evandro que são sempre ótimas fontes de informação. Por sinal, meus parabéns ao Evandro, seu blog da Confraria 2 Panas está detonando, legal!

              Salute, e agora preciso pensar no próximo desafio, o de Junho. Que tema, que vinhos, que lugar? Nos vemos por aqui.

Gam Affari e gli vini d’Italia

            É, no ano passado bem que me faltou uma maior litragem de vinhos italianos, mas gradativamente começo a compensar essa falha. Tenho provado muito para definir os vinhos italianos que colocarei em meu portfólio e entre eles, os vinhos trazidos pela simpática Antonella da Gam Affari. Os vinhos dela não estão em loja, ainda, mas podem ser apreciados nos bons restaurantes de Sampa como o Bassi, La Tambouille e la Vechia Cucina entre outros.

           O portfólio da importadora ainda é pequeno, mas tive o prazer de tomar três de seus rótulos, um de uma cantina em Montalcino e outra da região de Chianti porém ambas do mesmo proprietário o Sr. Giannelli. No Inicio dos anos setenta, a família decidiu se concentrar nas atividades de desenvolvimento da pequena fazenda que possuíam próximo a Florença. De lá para cá, reformularam vinhedos, investiram em tecnologia e numa nova cantina, compraram terras em Montalcino (azienda Canneta) e por ultimo em Maremma.

               Comecei provando um I Mori Chianti DOCG 2007, boa safra na região, em uma prova com mais cerca de 20 vinhos. Corte típico da região com uma maior participação de Sangiovese e 10% cada de Canaiolo e Colorino duas cepas coadjuvantes, mas essenciais aos bons chiantis.  De bom corpo, taninos já domados, boa fruta vermelha no nariz, algo terroso, saboroso e bem feito, todavia não chega a arrancar suspiros. Certamente uma boa companhia para uma pasta com molho de tomate.

Dias depois, num jantar em casa de amigos, levei o Canneta Rosso de Montalcino DOCG, também 2007 que se mostrou muito bem. Aguardava um vinho com uma certa austeridade e muito encorpado, mas o que chegou na boca foi algo muito diferente. Ficamos agradavelmente surpresos por sua maciez e elegância, taninos muito finos e sedosos, delicado, harmônico e sutil, mostrando caracteristicas quase femininas. A paleta olfativa não possui grande intensidade, mas mostrou-se igualmente delicada e sedutora. Um belo vinho que merece um bom prato e um jantar á luz de velas tendo se dado bem com as massas recheadas.

               Para finalizar, um Chianti Riserva DOCG 2005 que, a meu ver, foi o melhor dos três vinhos provados mostrando-se com toda a garra e exuberância que espera de um vinho deste porte, bastante complexo, ótima estrutura, bom volume de boca e riquissímo. A Sangiovese é maestra, mas neste corte vai um tico de merlot que parece deixar sua marca dando-lhe uma complexidade diferente que me encantou. Daqueles vinhos que enche a boca de prazer combinando ótima estrutura e bom corpo com finesse, coisa que me pareceu uma característica deste produtor, frutado e muito bem equilibrado por uma acidez presente que clama por um bom prato. Um vinho que certamente teria espaço em minha adega e que recomendo tranquilamente.

           Pelo que a Antonella me disse, o vinho deles que vem arrebatando corações, é mesmo o Moresco IGT 2003 que o amigo Paulo Queiroz teve oportunidade de provar e comentar aqui. Enfim, mais um a conferir e a Gam Affari está de parabéns pela escolha, só falta estar mais disponível nas lojas especializadas.  Salute e caso deseje comprar estes vinhos ou saber mais sobre eles, contate a Gam através do e-mail: gam@gamimports.com.br ou ligue para (11) 5080-3816.

           Ainda nesta semana o resultado do incrível Desafio de Petit Verdot quando tivemos a oportunidade de provar dez ótimos exemplares num belo encontro realizado lá no restaurante Ávila.

Prova Freetime de Chardonnays do Novo Mundo

                           A Chardonnay é a uva branca mais conhecida e consumida no mundo. Originária da Borgonha e com excepcional poder de adaptação, espalhou-se por todos os países produtores, brindando-nos com vinhos de alta qualidade que servem de referência para as outras variedades brancas. Para surpresa de muitos não é a França seu maior produtor, ficando em segundo lugar, mas sim os Estados Unidos com 48 mil hectares plantados; dos países do Novo Mundo, vem a Austrália em terceiro e a África do Sul fica em sexto, o Chile em sétimo, a Argentina em oitavo e a Nova Zelândia em décimo. Por ser uma uva muito versátil, pode gerar vinhos elegantes e minerais como os Chablis, amanteigados como os Meursaults ou frutados e potentes como os vinhos do Novo Mundo. Foi baseado nesses dados que o amigo Walter Tommasi da Revista Freetime promoveu mais uma de suas sempre interessantes provas temáticas, Chardonnays do Novo Mundo.

          Juntos para avaliar os vinhos dessa prova, alguns craques de nossa vinosfera; Aguinaldo Záckia, Alessandro Tommasi, Beto Acherboim, Didú Russo, Fábio Miolo, Fernando Quartim, José Luiz Pagliari, Marcello Borges, Miguel Lopes, Nelson Luiz Pereira, Paulo Sampaio, Ralph Shaffa, Sergio Inglês de Souza e Walter Tommasi. Vejamos o resultado da média de suas opiniões e avaliações.

 EQ MATETIC 2007 – CHILE – Palha verdial, brilhante. Complexo, frutado, abacaxi, pêssegos, cítrico, pimentabranca, herbáceo, toque lácteo e tostado bem integrado. Macio, harmônico, ótima acidez, untuoso, bem estruturado, bom corpo e persistência longa, final de boca agradavelmente frutado. CASA DO PORTO –  Preço R$175,00 – Nota 87,4 e Campeão da Noite.

ANDELUNA RESERVE 2006 – ARGENTINA – Dourado Intenso. Abacaxi em compota, limão siciliano, pêssego, leveduras, lácteo e tostado. Leve agulha, ótima acidez, estruturado, corpo médio, persistência longa, quente, retrogosto com abacaxi e tostado, típico Novo Mundo. WORLD WINE – Preço R$ 55,00 – Nota 86,4

WILLIAM COLE COLUMBINE 2004 – CHILE – Amarelo dourado, toque de evolução. Abacaxi em calda, baunilha, lácteo e tostado, aromas evoluídos. Macio, bom balanço de acidez com álcool, persistência longa e retrogosto frutado, ligeiro amargor. ANA IMPORT – Preço R$ 76,00 – Nota 86,3

BILL 2007 – CHILE – Amarelo dourado, média concentração, brilhante. Cítrico, tostado, químico, pêssego, sottobosco e ervas aromáticas. Boa acidez e estrutura, fresco, persistência longa e retrogosto com toques de pêssego. ANA IMPORT – Preço R$110,00 – Nota 86,2 

BOGLE 2007 – EUA – Palha com toque verdial, brilhante.Químico, especiarias, cravo, tostado, floral, caramelo. Boa acidez, bom equilíbrio de boca. Corpo bom e persistência correta, retrogosto lácteo. WINE LOVERS – Preço R$ 89,00 – Nota 86.0

BOWL RIDGE 2005 – USA – Dourado brilhante. Abacaxi evoluído, caramelo, lácteo, toque de especiarias e tostado intenso. Na boca, equilibrado, acidez correta, corpo bom e persistência longa, retrogosto frutado e tostado reafirmando o olfativo, típico Novo Mundo, no limite. WINE LOVERS – Preço R$124,00 – Nota 86,0

VENTOLERA 2008 – CHILE – Palha verdial brilhante. Aromas florais, toques cítricos e minerais. Elegante, acidez correta, seco, corpo bom e persistência média, retrogosto cítrico. CASA DO PORTO – Preço R$ 68,00 – Nota 86,0

ARBOLEDA 2007 – CHILE – Palha verdial. Abacaxi maduro, pimenta, químico e toques de baunilha, lácteos e levedura. Boa acidez, corpo correto, persistência média para longa e retrogosto frutado com toque amanteigado. EXPAND GROUP – Preço R$ 85,00 – Nota 85,9

CRIOS SUSANA BALBO 2007 – ARGENTINA – Dourado, alta concentração de cor. Aromas intensos de abacaxi, lácteo, baunilha e toque herbáceo. Amanteigado, acidez correta, seco, corpo bom e persistência média para longa. CANTU – Preço R$ 50,00 – Nota 85,9

SOL DE SOL VIÑA AQUITÂNIA 2007 – CHILE – Palha verdial pouco intenso. Predominância cítrica, casca de laranja, abacaxi e toques herbáceos. Acidez marcada, bom corpo e persistência, final de boca com ligeiro amargor. ZAHIL – Preço R$ 155,00 – Nota 85,7

LARIVIERE YTURBE 2007 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Frutas exóticas, lichia, maracujá, manteiga e tostado. Boa acidez, corpo bom e persistência longa, ligeiro amargor final. – PORTO MEDITERRÂNEO – Preço R$ 65,00 – Nota 85,7

MEERLUST 2006 – ÁFRICA DO SUL – Amarelo com toques verdiais. Olfativamente floral, abacaxi em compota, lácteo, tostado e toques evoluídos. Redondo, muito bem balanceado em sua relação acidez, álcool, fresco, corpo e persistência corretos, com retrogostro frutado. PARALELO 35 –  Preço R$179,00 – Nota 85,6

TERRA 2006 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Mineral, especiarias, mel, abacaxi, herbáceo, erva-doce. Acidez correta, taninos presentes, corpo médio e persistência longa. VINEA – Preço R$ 55,00 – Nota 85,3

RUTINI 2008 – ARGENTINA – Amarelo palha com toque verdial. Delicado, floral e frutas brancas frescas, melão. Vinho fácil, com acidez correta, corpo e persistência médios, final fresco. ZAHIL – Preço R$66,00 – Nota 85,3

DE MARTINO QUEBRADA SECA 2007 – CHILE – Dourado claro e brilhante. Floral com leve especiaria lembrando cravo, toque mineral. Harmônico, boa acidez, corpo e persistência médios, final de boca com ligeiro amargor. DECANTER –  Preço R$ 84,00 – Nota 85,2

FINCA DE LAS PALMAS TRAPICHE 2007 – ARGENTINA – Dourado brilhante. Fechado, abacaxi, baunilha, tostado. Alta acidez, corpo médio, persistência longa, madeira evidente na boca, amargor marcado. INTERFOOD  – Preço R$ 53,00 – Nota 85,2

SEPTIMO DIA 2008 – ARGENTINA – Dourado com um leve verdial. Aromas químicos, especiarias como cravo e canela, toque floral. Boa acidez, ligeiramente alcoólico, bom corpo e persistência, amargor tolerável. INTERFOOD – Preço R$ 50,00 – Nota 84,8

DUETTE INDÓMITA GRAN RESERVA 2007 – CHILE – Amarelo intenso, brilhante. Químico, pólvora, marcado pela madeira. Boa acidez, estruturado, retrogosto amadeirado. BARRINHAS – Preço R$ 75,00 – Nota 84,4

BELLINGHAM OUR FOUNDER’S 2007 – ÁFRICA DO SUL – Dourado translúcido. Olfativo ligeiramente prejudicado, químico, sottobosco, lácteo, tostado, oxidação presente, ligeiro papelão. Boa acidez, maduro, bom corpo e persistência, retrogosto lácteo. EXPAND GROUP – Preço R$ 68,90 – Nota 84,0

ECHEVERRIA UNWOODEN 2008 – CHILE – Palha brilhante. Pera em calda, leve cítrico, casca de laranja e toque químico, sem tipicidade. Alta acidez, corpo médio, persistência média, retrogosto frutado. PARALELO 35 – Preço R$ 50,00 – Nota 83,3

           Como diz o Walter na matéria em sua revista; “No intuito de facilitar aos leitores, as principais características organolépticas (características percebidas pelos sentidos humanos, como cor, sabor e odor ) dos Chardonnays do Novo Mundo, por inicialmente terem sido produzidos em regiões quentes com uso intensivo de barricas, são: vinhos bem estruturados, marcados pela madeira, toques lácteos, muito frutados, tendo o abacaxi maduro e outras frutas tropicais como principais referências; costumam também ser mais pesados, alcoólicos e menos ácidos. Por outro lado, os irmãos do Velho Mundo que servem de referência a aqueles que buscam fazer a mudança são: vinhos mais elegantes, minerais, cítricos, frescos, menos estruturados e pouco marcados pela madeira. Muitos produtores do Novo Mundo já chegaram lá, outros estão a caminho e outros ainda mantêm o mesmo padrão que lhes deu destaque até hoje.”  Eu sou mais o estilo velho mundista, prefiro os vinhos menos “excessivos”, elegantes e minerais com pouca ou nenhuma madeira. De qualquer forma, faça você sua própria prova e defina seu estilo. Para ver um pouco mais desta uva, clique aqui em Uvas & Vinhos.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Prova de Barbera

                Volta e meia o amigo Walter Tommasi da revista Freetime, por sinal uma bela revista focada no mundo dos executivos, me chama para compor sua banca de avaliação em provas de vinho com os mais diversos temas. Aprendo muito já que os vinhos são sempre de grande qualidade e os colegas presentes gente do maior gabarito em nossa vinosfera. A Barbera, uva do Piemonte (cidades de Alba e Asti próximo a Turin) sobre a qual já falei aqui, é essencialmente feminina, por isso ser tão apreciada (rsrs), gerando vinhos deliciosos, equilibrados, taninos finos e de muito boa acidez sendo uma ótima escolha para estar sobre a mesa neste Dia das Mães que se aproxima. Provamos onze vinhos, alguns de grande relação Custo x Benefício, então aproveitem para ver abaixo como foi a performance de cada rótulo na ordem de classificação final e média dos comentários a banca, lembrando que a degustação foi às cegas como manda o figurino.

Barbera D’Alba Fides 2006 – Pio Cesare – Granada de média concentração, halo de evolução. Complexo, frutas vermelhas em compota, figo seco, toque balsâmico, floral, café, tostado e especiarias lembrando pimenta-preta. Na boca, o tripé acidez, taninos e álcool perfeitamente equilibrado, sem arestas, persistência longa e retrogosto balsâmico com um toque de chocolate amargo. DECANTER – Preço R$ 191,20 – Nota 88,6. Este foi meu segundo vinho e um dos Barberas que mais me encantam por sua complexidade.

Villa Giada Barbera D’Asti Surí 2007 – Andrea Faccio– Rubi, média concentração, leve halo. Aromas evoluídos, frutas vermelhas, cereja, ameixa, especiarias, terroso, animal, couro. Na boca, muito macio, ótima acidez, taninos finos, corpo médio, persistência longa e retrogosto terroso. EXPAND GROUP –  Preço R$ 59,00 – Nota 87,6. Talvez a maior surpresa da noite no cômputo geral.

La Cresta Barbera D’Alba 2005 – Rocche dei Manzoni  – Violáceo, média concentração, sem halo. Boa complexidade com destaque para frutas vermelhas, floral, especiarias, pimenta-branca, baunilha, café. Acidez correta, taninos finos, corpo médio e persistência longa. Redondo. INTERFOOD CLASSIC –  Preço R$ 141,50 – Nota 87,4

Camp Du Rouss D’Asti 2005 – Luiggi Coppo – Rubi, média concentração, leve halo. Aromas confeitados, complementados por frutas evoluídas, cereja, sottobosco e empireumáticos. Na boca elegante, ótima acidez, taninos finos, corpo médio e boa persistência, ligeiro amargor. MISTRAL –  Preço R$ 79,00 – Nota 87,1

Valfieri D’Asti Superiore 2002 – Granada, média concentração, halo de evolução presente. Aromas evoluídos, ameixa, sottobosco, toque químico e um agradável tostado. Ótima acidez, taninos finos, bom corpo e persistência, retrogosto lembrando alcaçuz. VINEA – Preço R$ 114,00 – Nota 87,0

Braida – Il Monello D’Asti 2006 – Giacomo Bologna – Granada, pouca concentração, halo de evolução. Balsâmico, frutas vermelhas em compota, especiarias, couro e toque de baunilha. Vinho simples, mas honesto, bem equilibrado, corpo médio, boa persistência, final frutado. EXPAND GROUP – Preço R$ 58,00 – Nota 86,9

Cipressi della Court D’Asti 2006 – Michele Chiarlo – Rubi, média concentração, sem halo. Ameixa, tostado, caixa de charuto, floral, violeta, levemente adocicado. Ótima acidez, taninos presentes, corpo e persistência corretos, ligeiramente alcoólico. ZAHIL – Preço R$ 128,00 – Nota 86,7

Brea Barbera D’Alba 2005 – Azienda Bróvia – Rubi, média concentração, sem halo. Frutas vermelhas em compota, violetas, pimenta, baunilha e tostado e leve mentolado. Macio, tripé equilibrado, ligeiro retrogosto frutado, toque adocicado, fácil de beber. PREMIUM – Preço R$148,00 – Nota 86,4

Barbera D’Asti Libera 2007 – Bava  Azienda Cocconato – Violeta, muito concentrado, sem halo. Frutas vermelhas maduras, toques floral, herbáceo, especiarias, pimenta-preta e lácteo. Redondo, acidez correta, taninos finos, corpo médio, persistência longa, retrogosto frutado. WORLD WINE – Preço R$ 74,00 – Nota 86,4. Não sendo superior ao Fides de Pio Cesare, nesta noite foi o vinho que me arrebatou o coração. Ótima acidez e muito vibrante na boca, um vinho realmente sedutor mostrando toda a tipicidade e sutileza dos bons vinhos produzidos na região.

Seghesio Barbera D’Alba 2006 – Violáceo, alta concentração, sem halo. Cereja, especiarias, noz-moscada, lácteo e toque herbáceo. Ótima acidez, taninos finos, corpo e persistência média, retrogosto vinoso. MISTRAL – Preço R$ 82,00 – Nota 86,2

Arquatesi – Colli Piacentini 2008 – Granada, média concentração, sem halo. Vinoso, morango, químico, animal, toque herbáceo. Boa acidez, taninos ainda verdes, bom corpo e persistência, vinho jovem e rústico. ANA IMPORT – Preço R$ 52,00 – Nota 84,1

        Cada um dos degustadores teve seu preferido, comum nestes casos de provas ás cegas, porém tendências ficaram claras. Veja quem esteve presente neste delicioso encontro, os vinhos preferidos de cada um e nota dada.

  • Aguinaldo Záckia Albert – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • Alessandro Tommasi – Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Nota 90
  • Alvaro Cezar Galvão – La Cresta Barbera D’Alba – Nota 90
  • Beto Acherboim – Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Nota 89,5
  • Carlos Hakim – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • Gustavo Andrade – Barbera D’Alba Fides – Nota 89
  • João Filipe Clemente – Barbera D’Asti Libera – Nota 89
  • Nelson Luiz Pereira – Seghesio Barbera D’Alba – Nota 89
  • Paulo Sampaio – Barbera D’Alba Fides – Nota 88,5
  • Ralph Schaffa – Barbera D’Asti Libera – Nota 88,5
  • Walter Tommasi – Barbera D’Alba Fides – Nota 91

OS CAMPEÕES

Melhor Vinho da Noite

Barbera D’Alba Fides – Pio Cesare – Nota 88,6 – Decanter – Preço R$ 191,20

Melhor relação Custo x Beneficio

Villa Giada Barbera D’Asti Surí – Expand – Nota 87,6 – Expand – Preço R$ 59,00

              Espero que tenham aproveitado e que tenhamos podido jogar uma luz nos vinhos elaborados com esta cepa. Muito mais existe no mercado e fica claro, mais uma vez, que preço não é documento em nossa vinosfera, mesmo que o Melhor Vinho tenha sido o exemplar mais caro na prova, coisa que deve ser esperada. Senti-me muito honrado em sentar com essas feras para desfrutar desta bela disputa de vinhos, de onde saiu a idéia para meus Desafios de Vinho.  Logo após esta prova ainda fizemos uma degustação vertical do famoso vinho chileno VIU 1. Estupendo o 1999, ótimo o 2001, mas marcante mesmo, o vinho que mais me chamou a atenção pelo nível de complexidade, vigor e elegância, um grande vinho de uma grande safra.

 Salute, kanimambo e tenham um bom fim de semana.

Novo Desafio de Vinhos – Petit Verdot

                    O primeiro grande Desafio do ano em terras tupiniquins. Em 2010 já promovi o de Aussie Whites na Wine Society, o de espumantes num embate LusoxBrasileiro em Lisboa, um encontro de avaliação de 25 rótulos e agora este, um Desafio de Vinhos Petit Verdot. Esta uva, de difícil trato no Velho Mundo, especialmente em seu berço francês, devido a amadurecer muito tardiamente com perdas muito grandes, aporta corpo, cor e alguns aromas florais muito interessantes aos blends. Por sua dificuldade de cultivo, é tradicionalmente usada em blends com uma pequena parte do corte já que sua presença é muito marcante. No Novo Mundo, com condições climáticas diferenciadas e com a maior tecnologia, tanto de manejo quanto de vinificação, disponíveis hoje em dia, vimos diversos rótulos no mercado com vinhos elaborados com 100% desta cepa. Tenho tido ótimas e positivas surpresas, então nada melhor que colocar diversos destes rótulos frente a frente para buscar aquele que, nesse embate, demonstre todas as suas qualidades na disputa pela triplice coroa. Vejamos quem serão os competidores, lembrando que foram convidadas diversas importadoras e estas abaixo apoiaram o evento:

  • Tomero Petit Verdot – Argentina – Importação da Domno do Brasil
  • Perez Cruz Limited Edition PV 2008 – Chile – Wine Company (ainda não disponível no Mercado)
  • Morkell Petit Verdot 2004 – África do Sul – D’Olivino
  • Ruca Malen Reserva Petit verdot 2007 – Argentina – Hannover Vinhos
  • Pisano RPF Petit Verdot 2007 – Uruguai – Mistral
  • Trumpeter Reserva Petit Verdot 2008 – Argentina – Zahil
  • Enrique Mendoza Petit Verdot 2005 – Espanha/Alicante – Peninsula
  • Casa Silva Gran Reserva Petit Verdot 2007 – Chile – Vinhos do Mundo
  • Landelia Petit Verdot 2005 – Argentina – Ana Import (Contribuição do confrade Jeriel)
  • Surpresa (não tem graça se não tiver um) 2007

     Dez desafiantes ao titulo de Melhor Vinho, Melhor Compra e Melhor relação Custo x Beneficio que passarão pela avaliação e crivo de uma banca degustadora composta por: Denise Cavalcante (jornalista e assessora de imprensa especializada em vinhos), Jeriel da Costa (Blog do Jeriel), Daniel Perches (Blog Vinhos de Corte), Alexandre Frias (Diario de Baco e Enoblogs), Marcio Marson (Eivin), Álvaro Galvão (Blog Divino Guia), Ralph Schaff (Restauranteur), Ricardo Tomasi (Sommeliere/Specialitá Vinhos), Evandro Silva e Francisco Stredel (Confraria 2 Panas), José Roberto Pedreira e Fabio Gimenes (Clube do Vinho de Embu), Marcel Proença/Eduardo Milan e Dr. Luis Fernando (com a faixa de campeão paulista no peito) todos enófilos tarimbados na arte da degustação e euzinho aqui. Uma banca á altura do Desafio e dos vinhos presentes que estão posicionados numa faixa de preços entre R$60,00 a 130,00.

          Pela robustez da cepa, creio que os vinhos mais antigos levam alguma vantagem por já se encontrarem mais prontos, mas como não existem verdades absolutas em nossa vinosfera, podemos esperar de tudo. De qualquer forma o ideal será decantar todos esses vinhos, talvez umas duas horas para os mais novos e os 2004/05 por pelo menos uma hora, o que será um pouco complicado já que são dez vinhos. Daí que pensei na solução ideal que encontrei na Expovinis e que explica essa foto aí em cima. O fato de decantar tem duas funções, a de efetivamente decantar resíduos (borra) de vinhos não filtrados e aerear o vinho fazendo com que no contato com o oxigênio, este evolua mais rapidamente amaciando taninos e enaltecendo aromas e sabores. Este “wine gadget” promete fazer isso num piscar de olhos e achei que este Desafio fosse um momento especial para o experimentar. Com a ajuda do Stanley Adwell, responsável pela expansão de negócios da Vinturi Essential Wine Aerator na Améria Latina, vamos ter um kit desses disponível para a prova quando farei o seguinte; para os vinhos mais idosos darei uma passada pelo aereador e os mais jovens duas passadas. Depois falarei mais deste inovativo sistema inventado por Rio Sabadicci nos Estados Unido, mas para os mais impacientes, acessem o link para a Vinturi (inglês) clicando aqui.

             Onde? Sempre muito importante o local que nos recebe para a prova pois o trato e serviço dos vinhos assim como o cardápio do jantar que é servido em seguida, é essencial para a degustação que será feita. Pois bem, já faz um tempinho que a Denise vem me enviando releases sobre o Restaurante Ávila que venho publicando como um local a ser conferido. Agora chegou a nossa vez de conferir pois eles serão nossos anfitriões esta noite. Depois comento como foi, mas para os mais apressadinhos, vejam o site deles, realmente o local é muito agradável e bem montado.

Salute e kanimambo. Nos próximos dias só Itália, confiram aqui os vinhos da I Mori, trazidos da Toscana pela Gam Imports e o resultado de uma bela prova de vinhos Barbera do Piemonte.

Direto do Front na Expovinhoff

                 Direto do Front volta nestes dia de importantes eventos em nossa vinosfera tupiniquim. Ontem, foi dia de Expovinhoff, evento organizado pelo Beto Duarte e a Fernanda Fonseca contando com a ajuda de uma série de amigos blogueiros e apoio dos mais diversos produtores e importadores. Num astral descontraído, um encontro dos amantes do vinho com diversas novidades, com pessoas queridas e nem sempre fáceis de se encontrar, com queijos de diversas origens, com o gostoso ambiente do já tradicional Pandoro um ícone gastronômico da região dos jardins, enfim, um momento muito especial. Alguns destaques entre o que provei, vinhos de grande qualidade alguns muito marcantes, em especial, como não poderia deixar de ser dois grandes vinhos portugueses, mas tem mais. Não me estenderei, mas deixo aqui uma lista de rótulos a serem conferidos pelo amigo, eu gostei demais:

Max Brands – um Amarone de tirar o chapéu e lamber os beiços, Cesari Bosani 2001. Tudo de bom, um estupendo exemplar que exuberante no nariz e na boca, enorme complexidade, ótima estrutura e volume de boca, quase cremoso, macio, taninos marcantes porém finos e elegantes, gostei demais. Custa mais R$300, mas é um negócio!

Cave Jado – um belo e delicado espumante, feminino e sedutor, o Louise Brison Millésime 2004 que durante este momento de feiras está por R$155,00, preço único no meio desse mundo dos champagnes no Brasil, e o delicioso vinho de sobremesa o Domaine Nigri Cuvée 2007, recém chegado ao Brasil e já arrebatando corações. Quando se acha que ele vai ficar enjoativo pelo excesso de doçura, entra uma acidez vibrante nos catapultando as sensações gustativas a níveis inebriantes. Adorei e espero para ver como ficará o preço que, por tradição do importador, costuma ser bem convidativo.

Smart Buy – importador focado em vinhos americanos trouxe diversos bons rótulos, nem sempre muito em conta, mas merecedores de todos os elogios. A grande estrela na minha opinião, foi o Montelena Chardonnay 2007. Um vinho espetacular, na linha dos grandes borgonhas, sutil, cremoso, envolvente, quando a gente se toca já era, somos levados ao nirvana de forma arrasadora. Um grande vinho que desde já está com um pé na minha lista de Deuses do Olimpo deste ano. Maravilha!

Wine Company – presentes com sua linha Sucre de produção própria no Chile, mostrou que ano após ano seus vinhos vêm melhorando tendo atingido um muito bom nível de qualidade com ótimo preço. Destaque para sua linha reserva, em especial para seu Sucre Reserva Syrah 2007, um vinho que foi muito bem na degustação às cegas para escolha dos TOP 5 do evento. O Melhor de tudo isso é que o preço em Sampa deverá ficar entre R$45 a 50,00, beleza de relação Qualidade x Preço x Prazer.

Domaine L’Oustal Blanc – da região de Minervois no Languedoc, vem este produtor de vinhos muito sofisticados e diferenciados para a região. Como bom olheiro, o Adolar da Decanter já fechou acordo com eles e em breve deveremos ter estes gostosos vinhos por aqui. Isabel, esposa de Claude Fonquerle, proprietários do domaine, é de cabo Verde então fala português com um sotaque intrigante advindo de sua vida na França. Foi ela que de forma simpática me apresentou a seus vinhos enquanto Claude sondava as atividades na feira.  Gostei muito do branco, mas me marcou mesmo o vinho de entrada Naick 7, em homenagem á filha de 7 anos, um delicioso corte de Cinsault e Carignan.

Brites Aguiar – Brites Aguiar Tinto 2006, um grande vinho, caro, mas estupendo e sem excessos. Um volume de boca e estrutura ímpares, muita elegância, taninos maduros, frutado, complexo, longo, um vinho que encanta e deixa marcas na memória. Como na linha do Bafarella que comentei na Sexta passada, a Touriga Franca é protagonista com 60% do corte aos quais são adicionados 35% de Touriga Nacional e o restante é de Tinta Roriz.  Grande vinho que é trazido pela Santa Ceia. Me surpreendeu também o branco DFE Douro Branco produzido por eles, porém ainda não disponível no Brasil, devendo ser trazido pela Ana Import que já importa alguns outros rótulos deste ótimo produtor.

Ghisolfi – um produtor do Piemonte sem importador que afora um Barolo interessante possui um saborosissimo Nebbiolo Langhe que na cantina custa em torno dos cinco euros, o que me leva a crer que, se chegar por aqui deverá custar em torno de R$75,00. Injusto, eu sei, mas dentro da média de mercado, talvez até um pouco melhor. Para quem busca novos produtores italianos, eis aqui uma boa dica.

Casa do Porto – O Rodrigo trouxe alguns ótimos vinhos para a degustação, entre eles o Erasmo, chileno de prima com alma francesa e o Ventolera Sauvignon Blanc e Chardonnay também chilenos e duas ótimas opções de vnhos brancos, sendo que acho o Sauvignon Blanc muito especial. Dificil no entanto, não nos rendermos aos vinhos de Julian Reynolds, caldos alentejanos de grande qualidade. Tendo a concordar com o Luis Otavio, promoter de grandes eventos em seu Enopira em Piracicaba, que não expressam muito as características do terroir, mas em sua modernidade são vinhos deliciosos sem perder seu elo com a tradição sendo esta, talvez, sua grande “arma” para ter o destaque que tem. Desde o Carlos Reynolds, seu gama de entrada, muito saboroso e equilibrado até o estupendo Gloria Reynolds, um vinho que nos enche de prazer se apresentando com uma personalidade muito própria. Mais um que não é barato, mas é um vinhaço para ninguém botar defeito, um vinho sem arestas.

TOP 5 – resultado das notas dadas por uma diversa banca degustadora da qual tive a honra de participar, numa prova às cegas, deu nos seguintes rótulos de destaque do dia:

  1. Giusti & Zanza Perbruno 2005 – Toscana/Itália – Importador Cantu
  2. Judas 2006 – Perdriel/Mendoza/ Argentina – Importador Max Brands
  3. Kuleto Estate Cabernet Sauvignon 2004 – Califórnia/Napa Valley/EUA – Importador Smart Buy
  4. Sucre Reserva Syrah 2008 – Maule/Chile – Importador Wine Company
  5. Chateau Montelena Chardonnay 2007 – Califórnia/Napa Valley/EUA – Importador Smart Buy

Meus Top 5 da Degustação às cegas

Chateau Montelena Chardonnay 2007  / Sucre Reserva Syrah 2008 / Silver Oak Cabernet 2005 (Alex. Valley/EUA – Smart Buy) / Lidio Carraro Tannat Grande Vindima 2006 / Perbruno 2005.

             Fotos não tem! Coisas de quem tem filhos em casa, a máquina nova saiu de viagem com a filha e a mais antiga que, depois de muito procurar encontrei no quarto do filho e levei ao evento, estava sem bateria e a reserva, obviamente, também estava descarregada!!! Enfim, se lá vie, hoje tem o primeiro dia da Expovinis. Lamentavelmente não poderei estar por lá em função de alguns problemas de última hora, mas amanhã não deixarei escapar. Beto e Fernanda, valeu gente, o evento foi muito legal, parabéns pela iniciativa e, conversando com o pessoal presente, precisamos de duas destas por ano!

Salute e kanimambo.

Curtas da Semana

Estive ontem no evento promovido pelo IVDP (Instituto do Vinho do Douro e Porto) no Hotel Unique aqui em Sampa. Sem câmera fotográfica, sorry, já que minha filha está de viagem e me levou a “preciosa”, eis sem grandes delongas nem muito lero-lero, os vinhos que mais me chamaram a atenção e que talvez você queira conferir num futuro próximo.

  • Grainha branco – sempre uma revisita muito agradável que deixa claro que os grandes vinhos de Portugal não estão restritos aos tintos. Grande companhia para comida, é um vinho vibrante, sutil e encantador. Importado pela Vinea.
  • Quinta Nova de Nossa Sra. Do Carmo Reserva 2006 – vinho de grande reputação em nossa vinosfera e que demonstra na boca e no nariz o porquê da fama. Rico, boa estrutura, com um final muito saboroso e elegante. É GRANDE mesmo e delicioso! Importado pela Vinea
  • Pintas Character – mais um dos grandes vinhos do Douro que tive a oportunidade de descobrir o ano passado e agora revi. Enche a boca e os sentidos de prazer, um vinho sóbrio, uma certa austeridade, taninos finos, vinhaço! Importado pela Vinci
  • Quinta do Portal Moscatel 1996 – Grandíssimo Moscatel do Douro que encanta no nariz e seduz na boca. Tinha provado na casa do João Pedro em Portugal quando do Desafio Luso-Brasileiro de Espumantes e agora repeti a prova. Imperdível! Importado pela Paralelo 35.
  • Warre´s LBV 1999 – é um produtor que tem neste vinho um de seus mais cobiçados e premiados rótulos. Eu que gosto e provo muitos LBVs, digo que este entre meus top 5, bão demais da conta sô! Macio, frutado, complexo, muito equilibrado e longo, muito longo. Importado pela Decanter
  • Don Manuel Tawny básico – um belo exemplar de porto tawny básico que me agradou sobremaneira sendo ótima companhia para panetones, colomba Pasquale, doces conventuais portugeses, etc. Nesta linha de gama de entrada no misterioso e delicioso mundo dos Vinhos do Porto, é comum nos depararmos com produtos meia-boca e é sempre um prazer saber que ainda existe gente produzindo bons produtos nesta faixa. Gostei muito. Importado pela Malbec do Brasil.
  • Rozés Tawny 10 anos – na minha opinião o que mais se sobressaiu dentre aqueles que provei no evento, e olha que foi uma porção. Ficou por longo tempo na boca e na memória pois ainda me recordo dele. Belo Tawny envelhecido. Importado pela Domaine Montes Claros.
  • Bafarela Reserva 2007 – o que mais me surpreendeu neste encontro, fugindo do tradicional, elaborado pela casa Brites Aguiar. Novo, boa estrutura, rico, complexo e absolutamente sedutor, possuindo aquela característica dos grandes vinhos que permite que se tome já com grande gozo, mas que evoluirá maravilhosamente bem por mais um bom par de anos. Um corte com as tradicionais cepas do Douro, mas com predominância de Touriga Franca que talvez seja seu segredo. Importado pela Santa Ceia.

Ontem foi só um refresco, uma pequena mostra do que está por vir. Segunda tem Expovinhoff, terça o primeiro dia da Expovinis, haja fígado e cuspideira! São dez dias para deixar qualquer enófilo nas nuvens por um bom tempo e uma navegação essencial para os apaixonados pelo doce néctar. E este ano ainda teremos o Decanter Wine Show e o Evento Mistral, então preparem-se.

Novidades no Mercado:

  •  A Miolo acaba de anunciar que estará agregando a seus produtos importados do grupo Osborne (seu parceiro em diversas atividades produtivas), uma linha de vinhos italianos. A empresa oferecerá o Barolo Serralunga, elaborado por Davide Rosso, da Vinícola Giovanni Rosso, e o Carandelle, de Lorenzo Zonin, da Vinícola Podere San Cristoforo. O Barolo Serralunga permaneceu durante três anos amadurecendo em barricas novas de carvalho francês e o Podere San Cristoforo Carandelle elaborado com Sangiovese na região da Toscana possui como característica a fermentação foi espontânea com leveduras indígenas.
  • A Domo do Brasil, jovem vinícola do grupo Valduga que também possui um projeto de importação e distribuição de rótulos estrangeiros, vai finalmente apresentar ao publico os frutos de sua nova parceria, desta feita com os amigos da Enoport, com diversos rótulos que eu já tinha antecipado em Março deste ano; Os vinhos são o Romeira, Catedral, Devesa e Vinhas Altas da linha Signature e os vinhos Alma Grande e Magna Carta da linha Prestige, todos da Vinícola Caves Velhas, provenientes de várias regiões de Portugal como Douro, Alentejo, Dão e Vinhos Verdes.

 

Frase da Semana – escutada na rádio Jovem Pan hoje pela manhã e que não tem nada a ver com vinho, porém tem tudo a ver com nossa vida e a importância das escolhas que muitos de nós teremos que fazer em Outubro:

Fraldas e Politicos devem ser regularmente trocados e pelas mesmas razões ( Eça de Queiroz)

Pense nisso! Salute, kanimambo e um bom fim de semana para todos.

Fui Rever um Barolo e Descobri um Barbaresco

A convite dos novos importadores da Batasiolo no Brasil, a Ferace Distribuidora (ex-franquia da Expand) do Rio de Janeiro e seu distribuidor em São Paulo a Ravin, estive presente num agradável jantar no La Vechia Cucina de Sergio Arno. A primeira surpresa da noite estava á porta do salão, quando me deparei com o amigo e mentor de meus primeiros passos no mundo do vinho, o Ângelo Fornara que já algum tempo trabalha para os irmãos Dogliani, proprietários deste importante grupo produtor, que possuem um dos poucos sites de produtores internacionais com a opção do idioma português. Sempre bom rever os amigos e brindamos com um espumante delicioso que me encantou e seduziu por seu refinamento;  Batasiolo Método Classico Dosage Zero – Chardonnay (75%) com Pinot Noir vinificados em separado quando após cerca de 8 meses em tanques de aço, os enólogos decidem o cuvée mediante a assemblage dos dois vinhos com a segunda fermentação sendo efetuada em garrafa  como manda o figurino. A perlage é abundante, fina e persistente, ótima mousse, complexo, longo, muito frescor e seco na medida certa, um belo exemplar de espumante que, se o preço estiver bom já que ainda não chegou para comercialização, deverá estar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Essas, no entanto, foram só as primeiras surpresas da noite, pois tinha mais por vir:

Chardonnay 2007, uma ótima companhia para um Tartar de Vitelo muito saboroso que demonstrou claramente o que ocorre quando a harmonização é perfeita, o ganho de sabor e êxtase é geométrico! Uma maravilha esta combinação, não só pela maestria do Chef, mas também pelas ótimas qualidades de um vinho muito bem feito onde os 6 meses de carvalho serve de aporte a uma paleta olfativa muito frutada e um palato muito balanceado, de bom volume de boca e boa acidez. Após os seis meses de barrica, passa ainda mais seis em garrafa. Muito agradável, um vinho elaborado com uvas da região do Langhe crescendo entre os vinhedos de Nebbiolo.

Babaresco 2006, me seduziu pelo nariz e me encantou no palato onde se mesclou maravilhosamente ao Risoto de Funghi com Fonduta de queijo Brie. Doze meses de carvalho em barricas de 750 ltrs, mais doze meses de guarda e afinamento na garrafa dão luz e brilho  a este vinho que encanta pelo nariz complexo onde aparecem nuances animais, tabaco, com notas terrosas e florais, até algo tostado. Na boca é vibrante, taninos suaves e sedosos, rico, estrutura e secura no ponto, sem exageros nem excessos, tudo no ponto tendo como resultado uma perfeita harmonia. Na minha modesta opinião, o vinho da noite e mais um que terá que fazer o caminho até a Granja Viana para se aninhar nas prateleiras da Vino & Sapore.

Barolo Corda della Briccolina 2003, derivado de um “vigneto” de apenas 1,63 hectares situado no território de Serralunga d’Alba no coração da região de Barolo. É um de meus Barolos preferidos da Batasiolo, o outro sendo o Cerequio, uma outra belezura. Já tinha feito uma degustação com os Barolos deste produtor há dois anos, tendo escrito uma matéria sobre o assunto. O mesmo 2003 que tomei na degustação anterior evoluiu de forma diferente e, não sei se para melhor. Está mais pronto, mas me pareceu que perdeu um pouco daquele vigor, mineralidade e frescor que me seduziu na primeira degustação, ou será que fiquei mais exigente e chato? Segue sendo um grande vinho, mas eu o tomaria agora até no máximo 2012, depois não sei.  De vinhedos com mais de 45 anos, passa por no mínimo 24 meses de carvalho francês resultando num vinho de muito bom corpo, mas fino e elegante que cresce muito com o tempo em taça mostrando um final aveludado e mineral, mesmo que sem o “vibe” de dois anos atrás.

Moscatel Tardio e Moscato d’Asti , dois vinhos brancos de sobremesa para acompanhar uma Panacota com Calda de Frutas Vermelhas e Gengibre. O Moscatel, mesmo que muito bom, ficou um pouco abaixo da panacota devido á ausência de uma maior acidez. Já o Moscato d’Asti Bosc Dla Rei, meu velho conhecido de cara nova, com uma acidez estupenda, algo frisante na entrada de boca, casou maravilhosamente com a sobremesa mostrando-se muito harmônico e vibrante. òtima companhia como sobremesa assim como aperitivo num encontro informal, chá da tarde (rs). Vai faltar prateleira!!!

Ótima companhia, ótimos pratos, belíssimos vinhos, como diz o amigo Didu, deve ser uma pé ser vendedor de parafusos! Como os ingleses dizem, “cant get much better than this”, mas ainda bem que em nossa vinosfera sempre existirá uma nova surpresa ao virar a esquina, mesmo que a mesma de sempre.

Salute e kanimambo.

Novidades

Tenho degustado muitos vinhos na busca por novidades em rótulos que possa disponibilizar na loja (Vino & Sapore) agora prevista para inaugurar no inicio de Junho e, espero, sem mais atrasos! O portfólio da loja terá a minha cara, ou melhor, a cara deste blog com produtos conhecidos, porém com uma ênfase em novidades em vinhos de menos exposição na mídia todavia mostrando ótima relação Qualidade x Preço x Prazer nas diversas faixas de preço que estou acostumado a comentar aqui. Será um lugar para os apreciadores fuçarem, levarem o que já conhecem e descobrir rótulos novos do mundo inteiro, ou quase. Para chegar nessa seleção de rótulos só provando e grande parte dessas degustações faço em casa tendo me deparado com uma série de ótimas e agradáveis surpresas. Entre as muitas garrafas provadas, alguns destaques como os portugueses Vale da Mina, Van Zellers Rosé, Quinta do Correio e Quinta do Valle Longo; o chileno Caliterra Chardonnay Reserva; o espumante brasileiro Ponto Nero Rosé; o argentino Filosur Torrontés e um surpreendente Lambrusco tinto que foi muito bem com um sanduiche de mortadela com pistache, tomate sechi e queijo prato, vibrante, barato e divertido!

 

         Ainda tinha, no entanto, uns vinte e cinco vinhos que pretendia provar. Uns de preço lá em cima e outros de preço lá em baixo, as extremidades das faixas de preço onde mora o maior risco de decepções. Tanto de um vinho caro não atender as expectativas como do vinho barato ser ruim. Optei por deixar os amigos enófilos e consumidores falarem por mim e foi uma tremenda de uma sacada. Primeiramente porque é importante a opinião de diversas pessoas cada uma delas com suas preferências e subjetividades e segundo porque é sempre bom reunir os amigos. Pois bem, a escolha do local recaiu sobre o melhor restaurante italiano da região da Granja Viana e arredores, o Emilia Romagna da Chef Carolina Napolitano devidamente capitaneada pelo maitre Wiliam com ajuda do Clayton e restante da equipe. O local é extremamente agradável, bem decorado e charmoso e possui uma cozinha de onde saem pratos deliciosos e bem servidos. Para acompanhar, uma boa carta de vinhos com vinhos de boa qualidade e preços muito justos, um restaurante verdadeiramente amigo dos enófilos e amantes da boa enogastronomia. Fica aqui a minha dica que vale não só para quem mora na região, pois é uma ótima pedida para quem está a fins de dar uma saidinha de São Paulo, especialmente nos fins de semana.

Pois bem, dos vinte e cinco vinhos provados, alguns vinhos de grande qualidade e outros nem tanto. O melhor vinho, em minha opinião, um magnífico syrah chileno I Latina, um vinho complexo e de grande categoria tendo como seu rival pelo topo da pirâmide, o Bogle Pinot Noir de Russian River Valley na Califórnia e o mendocino Arroba Malbec, um vinho de autor diferenciado e extremamente elegante na contramão dos potentíssimos e excessivos rótulos argentinos que se encontram por aí nessa faixa de vinhos topo de gama. Algumas outras surpresas muito agradáveis que surpreenderam pelo prazer gerado com preços baixos, foram os portugueses Terras de Cartaxo e Marques de Montemor, o espanhóis Pedrera Monastrell e Mesta Tempranillo assim como os chilenos Punto Final Sauvignon Blanc e o Terranoble Reserva Pinot Noir.

            Certamente uma bela experiência sensorial que me ajudou muito na escolha de alguns rótulos e eliminação de outros. Aos amigos enófilos presentes; Denise, Zé Roberto, Eduardo, Fábio, Marcel, Evandro e Ralph os meus mais sinceros agradecimentos pela presença e apoio, foi de muita valia, até porque todos entendem do riscado e são consumidores/garimpadores vorazes. Importante, a degustação foi aberta, mas os preços só forneci no final, depois que cada um já tinha dado suas notas!

Salute e kanimambo