Degustações

Garimpando Itália

        Venho tentando tirar o atraso na minha litragem de vinhos italianos, falha em 2009, e devagarinho vou chegando lá. Estes são alguns que me agradaram bastante e que agora compartilho com vocês. Tinha publicado este post na Sexta, mas devido a falhas na internet (fiquei sem sinal no meio) tinha saído só parcialmente, então tomei a liberdade de o apagar e repostar hoje. Eis cinco rótulos de que gostei e que acho possuem uma relação custo x beneficio bastante interessante.

Comecemos por esta variação de Sangiovese de regiões produtoras diferentes; Toscana, Umbria e Marche com preços variando entre R$56 e 68,00.

  • Poggio Bertaio Stucchio da região da Umbria, o mais surpreendente dos vinhos provados. Vibrante, boa intensidade aromática com presença de fruta madura e algo de baunilha, na boca mostra-se com bom volume, taninos finos e aveludados, muito equilibrado, com um final de boa persistência e algo especiado. Um belo vinho que satisfaz sobremaneira e quando penso nele penso também num belo filé à parmeggiana, será?
  • Garofoli Montereale Rosso da região de Marche é o mais jovial e descompromissado dos três vinhos. Saboroso, taninos suaves e macios, boa acidez e fácil de agradar, me pareceu  uma ótima companhia para pizza, hamburger e carnes grelhadas sem temperos fortes.
  • Palagetto Chianti Colli Senesi, ó único que não é 100% Sangiovese, levando uma pitada de Colorino e Merlot. Foi o vinho que se mostrou com maior estrutura de boca, porém sem perder a elegância possuindo taninos de qualidade e aveludados. Apresenta  já alguma complexidade tanto aromática como de sabores adicionando á fruta, algo de cacau, café e nuances terrosas. Boa acidez, característica de um bom chianti, bem balanceado é um chianti que agrada bastante e apresenta um bom preço pelo prazer que entrega. Só faltou uma bela pasta com molho ao sugo ou porpeta !

                    

e vinhos da região do Veneto de um produtor muito especial, Tedeschi. Muita qualidade de uma DOC italiana nem sempre bem compreendida gerando muita coisa boa mas também alguns caldos de muita baixa qualidade que denigrem o nome Valolicella. Não é o caso aqui! Estamos diante de um grande produtor com vinhos muito agradáveis  que tive o prazer de provar na companhia dos amigos da Vinea.

              Tedeschi é sinônimo de qualidade no Vêneto onde a família produz vinhos desde 1824. Seus Amarones são grandes vinhos, mas a qualidade impera desde o mais básico Valpolicella provado, neste caso o Classico Superiore 2006. Mais uma bela tacada da Vinea que só vem enobrecer, mais ainda, seu bom portfólio. Neste encontro, no entanto, dois vinhos tiveram forte impacto sobre mim não só por sua riqueza, mas também pelo preço que é um fator importante a ser considerado e avaliado.

Capitel dei Nicalo Appassimento Breve Valpolicella 2005, um vinho intermediário entre o Valpolicella Superiore e o Superiore Ripasso blend de Corvina, Corvinone e Rondinella, levando ainda 10% de um mix de Rossignola, Oseleta, Negrara e Dindarella todas uvas autóctones da região. Enche a boca de prazer por cerca de R$89,00 sendo rico, pleno de sabor, bom volume de boca, taninos redondos e sedosos, gastronômico e balanceado com boa persistência. A meu ver, a melhor relação Qualidade x Preço x Prazer desta degustação.

Capitel San Rocco Classico Superiore Ripasso 2005. Gosto muito dos vinhos elaborados pelo método Ripasso (uso do resto das borras do Amarone ou adição de uvas parcialmente secas ao sol numa segunda fermentação dando-lhe mais cor e estrutura) que são mais palatáveis e fáceis de beber do que os Amarones e a um preço que cabe no bolso sem provocar grandes rombos. Sem contar que não há a necessidade de esperar um tempão olhando o vinho decantar para depois o tomarmos. rs. Bem, falemos deste bom Ripasso, o vinho que mais me entusiasmou desta leva de bons rótulos trazidos pela Vinea. Taninos macios e doces, fruta madura compotada, taninos muito finos e perfeitamente balanceados com uma acidez perfeita, rico em sabores, complexo e guloso formando um conjunto que encanta e satisfaz por um preço justo, R$113,00. Gamei!

Salute e kanimambo

Sucesso! Nota Dez para o Encontro de Vinhos

 Sei, o Dicas da Semana deveria estar sendo publicado hoje, mas nesta semana, excepcionalmente, ficará para amanhã. Hoje tenho que tirar o chapéu para os amigos e colegas blogueiros, Beto Duarte (Papo de Vinhos) e Daniel Perches (Vinhos de Corte) que deram um show com o Encontro de Vinhos realizado nesta última Quinta-feira no hotel San Raphael no centro da cidade. Show de bola e só uma pena que ele tenha ocorrido logo após o Decanter Wine Show, pois o acumulo etílico foi “demasiado mucho” por mais que tenha cuspido!

                 Para começar, foi composta uma banca de cerca de 18 degustadores que provaram às cegas 23 rótulos de vinhos tranqüilos e um espumante, com o intuito de eleger os TOP 5 do evento. Na disputa, diversos rótulos enviados por seus importadores / produtores das mais variadas origens e faixas de preço.

                    Tinha vinho de mais de R$300 nessa disputa e a grande surpresa da prova foi o fato de o ganhador ter sido um vinho de meros R$49! Vejam só a cara de alegria incontida na cara do amigo Rogério, sócio-diretor da Ravin e responsável por nos trazer esse achado. Por sinal, já tinha comentado este rótulo há pouco mais de 60 dias neste post.  e desta vez dei-lhe uma nota cima de 90 pontos, o que não é normal de minha parte, tendo sido também a minha melhor nota do dia.

                Os TOP 5 constam da foto acima e fiquei especialmente feliz por ver o Pezzi King Zinfandel trazido pela Wine Lovers, da Catia Betta que segura a garrafa na foto abaixo demonstrando seu orgulho pelo prêmio obtido ao pegar o segundo posto com míseros 0,05 pontos do primeiro no que se poderia chamar de um empate técnico! Este vinho já fez parte de um de meus Desafios de Vinho tendo supreendido a todos ao levantar o caneco de melhor vinho da prova realizada em Setembro de 2009, resultado este que você pode conferir clicando aqui. Um belo vinho que recomendo aos amigos procurando um bom representante californiano dessa cepa.

             Bem os TOP 5 escolhidos pela banca degustadora, repito, ás cegas, você já viu, agora eis os meus; Veja Sauco Crianza / Pezzi King Zinfandel / Bem bi Bré /Quinta do Vale Dona Maria e Naira Malbec. Para se entender o equilíbrio daí para baixo, nada menos que quatro rótulos empatados em sexto lugar com 85 pontos – Vero Tempus Alba, Simonsig Tiara, Bianchi Cabernet Sauvignon e o Innominabile dos amigos Villaggio Grando de Santa Catarina.

           Depois da prova, muito papo e pouco vinho na taça porém dois deixaram marcas. O Incrível Sassicaia, um grandíssimo vinho que o Rogério da Ravin abriu para celebrar sua vitória e o Ballena Tannat/Viognier um uruguaio, trazido pela D’Olivino, que não conhecia e me seduziu! Ficam aqui os meus agradecimentos aos amigos Beto e Daniel e mais uma vez os meus parabéns. É uma vitória  deles, o sucesso e repercussão foram ótimos, que nós blogueiros comemoramos juntos pois serve para mostrar nossa representatividade nesse universo do vinho.

Salute e kanimambo

Direto do Front no Decanter Wine Show/2010

               Era para ter postado algo ontem, mas não consegui. De qualquer forma, espero que o resumo da ópera de hoje possa ajudar os amigos de BH e Floripa neste estupendo evento repleto de grandes caldos. Que o portfólio da Decanter é de primeira todos já sabemos e, quem ainda não sabe está perdendo. Melhor, o Adolar e sua turma de produtores não escondem garrafas de baixo da mesa não, aqui você prova grandes vinhos mesmo!

Sou um amante de vinhos brancos e como sempre a Decanter mostrou um portfólio invejável. Faltaram alguns produtores que considero geniais como o Chateau Tracy e Domainde du Salvard (Loire),  Domaine Bouzerau (Borgonha) e José Parientes (Espanha), mas sobra qualidade.

  • Anselmo Mendes e sua coleção de grandes hits da região do Vinho Verde. Seu Muros Antigos Loureiro é uma delicia que, ainda por cima, possui um ótimo preço . Sempre muito bom o Alvarinho Muros Antigos e o estupendo, já um clássico elaborado em barricas francesas sem tosta alguma, o Muros de Melgaço Alvarinho. Agora traz dois novos produtos, o Contato; vinho de mais corpo, maior presença vegetal perfeitamente balanceado e o Anselmo Mendes Parcela que é um outro campeão em formação pois sequer rótulos possui anda.
  • Tiara de Viña Alicia – Dentro do que pude provar de vinhos brancos argentinos, este se destaca e não é de hoje. Riesling, Alvarinho e Savignin num assemblage diferenciado e de muita qualidade que encanta e surpreende.
  • Altas Quintas Colheita Branco – Mais um português de primeira linha com esta novidade em que 80% de Verdelho se mesclam á clássica Arinto para gerar esse estupendo  vinho fresco, complexo e vibrante com passagem por seis meses de barrica muito bem colocada. Bão demais da conta sô!
  • Grans-Fassian – Um produtor do Mosel que traz um vino “básico” muito bom, Riesling QbA, por volta dos R$74 e um estupendo Spatlese Piesporter Goldtropfchen 2007 que nos alicia com sua incrível finesse, seu equilíbrio e riqueza de sabores. Um clássico vinho doce da região que certamente está entre os melhores que já provei.
  • Quinta dos Roques Encruzado – um vinho que está virando um clássico da região e um dos tops brancos portugueses. Aliás, eis aí um belo Desafio de Vinhos a ser organizado, só de brancos portugueses!

Nos vinhos de sobremesa, uma outra face de nossa vinosfera pouco explorada pelos aficionados dos bons caldos, algumas preciosidades entre elas o Spatlese da Grans-Fabian que mencionei acima, mas tem muito mais:

  • Recioto della Valpolicella I Castei de Michelle Castellani (tinto) é imperdível e um clássico da região, divino!
  • Brumaire Doux de Alain Brumont, região de Mandiran na França, um vinho que me foi apresentado pelo Beto Acherboim no apagar das luzes do evento e que me forçou, eheh, a pegar mais uma taça. Mamma mia, que vinho e que equilíbrio entre doçura e acidez! Estonteante e surpreendente.
  • Pendits, produtor de Tokaj, Hungria – elaborados com a uva Furmint, são vinhos para levar a almofadinha , ajoelahar e agradecer aos Deuses por tão divinos caldos. O Furmint Edes é um colheita tardio delicioso com um preço de R$98 e um preparo para o que vem a seguir. Um espetacular Tokaj Aszú (quer dizer botritizado em Hungaro) 6 Puttonyos 2001, uma safra ruim em que poucos produziram seus vinhos (imagino como deva ser nas boas safras!) absolutamente divino! Quando achamos que atingimos o ápice, que não pode existir algo melhor, chega-nos o Tokaj Aszú Esszencia 2000 (para alcançar nível de Esszencia precisa ter no mínimo 180grs de açúcar residual) e nos derruba, fragilizados que já estávamos pelo néctar anterior. MA-RA-VI-LHA!!!!! Preço condizente com a raridade,  razão por minha falha de formação enófila até agora, já que jamais havia colocado uma dessas preciosidades na boca, variando entre R$400 a 600,00.
  • Vinho do Porto – Os ótimos Warre’s são sempre uma perdição e, mesmo havendo lá um belo Vintage 92, tenho que reconhecer que o LBV 2000 é muito especial e, para mim, o mais marcante deles.

Espumantes e Champagnes de qualidade compõem o portfólio deste importante importador e uma série de produtores estão presentes. Provei alguns e estes me marcaram mais:

  • Barnaut – excelente o Blanc de Noir Brut Grand Cru elaborado com Pinot Noir, uma das melhores relações Qualidade x Preço x Prazer neste competitivo mercado de champagnes gama de entrada na faixa dos R$180,00.
  • Bedin – o Prosecco estra-dry deles acaba com qualquer preconceito contra estes vinhos e o preço é super camarada, em torno dos R$55,00. Vale muiiito a pena.
  • Case Bianche – produtor novo que não conhecia, possui um Prosecco Brut Vigna Del Cuc Brut de grande qualidade e que vale a pena ser conferido pelos amantes de espumantes. Custa em torno de R$77,00 e vale!
  • Kriter – um espumante borgonhês bastante interessante. Recomendo especialmente o Rosé que é muito bom.
  • Raventos i Blanc – produtores do saboroso cava L’Hereu, possui uma linha de alta gama muito bom. O Elisabet Raventos 2003 é especial, mas fui seduzido mesmo foi pelo Gran Reserva Brut.

Preciosidades Tintas. Estes são aqueles vinhos que não devem deixar de ser degustados. São a fina flor dos expositores presentes e que compõem a primeira linha dos vinhos deste estupendo portfólio da Decanter. Não falarei muito sobre eles porque são vinhos difíceis de descrever pois nos deixam estupefatos, de queixo caído, imersos que ficamos por emoções mil que nos correm nas veias deixando-nos literalmente embasbacados mexendo com todo o nosso sistema sensorial. Exagero? Bem, se acha isso minha sugestão é fazer um tour por estes magníficos tintos e depois deixe-se levar até o Tokaj, é o nirvana meus amigos!

  • Ben Shild Syrah Reserva – um dos melhores exemplares de syrah australiano que eu já tive oportunidade de tomar. Um grande vinho.
  • Cote Rotie la Divine de Jean-Luc Colombo – este ajoelhei para receber o néctar em minha taça. Magnifico, só ele já vale a entrada!
  • Pio Cesare Barbera d’Alba Fides – sempre uma prova e exemplo dos grandes vinhos produzidos por Pio Cesare. Este rótulo é dos que mais me seduz, mas ficar por aqui e provar a linha toda é uma grande experiência.
  • Vinha do Lordelo de Domingos Alves de Souza – uma preciosidade que deverá se tornar ícone da região do Douro. Já estupendo,  um vinho para se comprar algumas garrafas e acompanhar sua evolução ao longo dos próximos anos.
  • Monte Vide’Eu – Bouza é um dos melhores produtores Uruguaios e a bodega um local incrível a se visitar. Este vinho top da casa, assemblage de tannat, Merlot e Tempranillo é de tirar o fôlego e esta safra de 2006 está magnífica.
  • Chateau de La Tour – Pierre Labet produz bons vinhos básicos, mas é nos top, aqueles produzidos em seu domaine, que as preciosidades aparecem. O caro Clos-Vougeot Grand Cru é objeto de desejo de muitos, mas o que mais me seduziu foi o Beaune 1er Cru Coucherias, um grande Borgonha por um preço que, se não é barato porque os bons borgonhas não o são, é condizente com o vinho. Um bom começo para as degustações dos tintos.
  • Michele Castellani – Mais um produtor que vale provar a linha toda, é uma aula de Valpolicella e vinhos da região do veneto. Já falei do Recioto, agora destaco o Amarone Cinque Stelle Ca’del Pipa uma verdadeira maravilha, como fala um amigo meu, um Amarone de gala!

Achados. É, nem só de preciosidades vive nossa vinosfera. São objetos de desejo sim e certa presença no wish list da maioria com espaço na adega de poucos. Voltando á realidade, eis alguns achados numa faixa de preços que nos possibilita desfrutar de bons vinhos sem gastar muito. Muito bons vinhos dentro de seu contexto.

  • Michele Castellani – É, está em todas mesmo e desta vez com seu Valpolicella Clássico campo de Biotto por R$57 e o delicioso Classico Ripasso Costamaran por R$80,00.
  • Legado Munoz Garnacha – Por apenas R$29,50, talvez o melhor achado de um vinho para o dia a dia. Da região de La mancha na Espanha, surpreende muito positivamente.
  • Quinta da Plansel Marquês de Montemor – toda a tipicidade do Alentejo por apenas R$35,00, uma ótima opção nesta faixa de preços.
  • Amalaya da Bodega Colomé – rótulo bastante interessante para quem gosta de um estilo mais potente de vinhos argentinos com boa extração e concentração. R$42,00.
  • Callia – aqui toda a bodega é um achado pois produz vinhos bem feitos, equilibrados e saborosos em diversas faixas de preço e todas elas muito competitivas. Recomendo especialmente o Callia Magna Viognier, o Callia Alta Reserve Malbec, Callia Magna Syrah com preços na casa dos R$35 a 45,00.
  • Anselmo Mendes Muros Antigos Loureiro – com frutos do mar, uma caldeirada de lulas e coisas do gênero, não tem para ninguém por apenas R$49,00. Prazer garantido neste verão que se aproxima.
  • Caldas Douro – também do Domingos Alves de Souza, um tradicioal blend de cepas autóctones da região duriense por um preço bem camarada. R$49,70.
  • Rocca delle Macie – um grande produtor da Toscana com alguns grandes vinhos. Do que estava exposto, me surpreendi com o Sasyr IGT 2007, um blend de Sangiovese com Syrah por R$75,00. Sabores e aromas diferentes num corte inusitado. Vale muito a pena.
  • Terranoble – o Carmenére básico deles por R$26,00 é algo raro, mas o Reserva pinot por R$69,00 talvez seja o melhor custo x beneficio da casa. Vale a pena provar os dois novos lançamentos Lahuen Carmenére La Costa e Los Andes.

Tristezas. É, nem tudo é festa sempre há tristezas nestes eventos. A tristeza de não ter podido ver e provar mais! Já sei estou chorando de barriga cheia, mas existem produtores com rótulos que queria conhecer e não consegui. Gente como Luigi Bosca, Tommaso Bussola, Cesani, os vinhos da rara cepa Wildbacher de origem Austriaca mas presente no Veneto italiano há mais de 200 anos, entre outros. Enfim, os amigos de BH e Floripa que aproveitem, espero que o resumo acima lhes ajude a traçar um plano de “combate” pois a tarefa é árdua. Eu espero por 2012 e mais um Decanter Wine Show, quem sabe com 100 produtores e três dias?! Hoje tem mais, tem Encontro de Vinhos dos amigos Beto e Daniel, haja fôlego!!!!

Parabéns a todos da Decanter que fizeram deste evento um grande sucesso e um obrigado especial aos amigos Cézar e Yani. Salute amigos e kanimambo

Ps. Amanhã publico o Slide show aqui no post

Mais uma Esbórnia Viníca

             Não adianta, juntou meia dúzia, neste caso sete, enoblogueiros e um convidado e tinha que dar nisso. Grandes vinhos e, mais que tudo, grandes momentos! Agora, ruim mesmo é que seis desses blogueiros são paulistas e há muito não se encontravam, tendo que vir um carioca para fazer acontecer. Realmente ……!!!!!  Valeu Claudio (Le Vin au Blog), foste o mentor do encontro e sim, temos que repetir mais vezes e lá mesmo no La Marie onde o Chef e proprietário Edson di Fonzo, também um amante do vinho, prepara alguns pitéus para nos alegrar a alma nesse encontro mágico de pessoas, boa comida, belos vinhos e um local aconchegante e simpático.

Um menu degustação divino em que brilhou um suflê de bacalhau regado com um azeite com toque de limão siciliano que faz com que os aromas vindo do prato sejam inebriantes. Depois, um medalhão de filé mignon com shitake e molho puxado no vinho tinto acompanhado de um risoto de quatro cogumelos e queijo de cabra finalizando a esbórnia gastronômica com um cassoulet muito saboroso e suave no palato. O Edson, caprichou e nós nos esbaldamos.

         Para acompanhar esses pratos, um verdadeiro caleidoscópio viníco, um deles muito especial e altamente controverso. Gente que adorou, outros que gostaram e uma boa leva que o rejeitou.  Não vou me alongar na análise dos vinhos, mas algums comentários tenho que fazer:

Era dos Ventos – um branco da uva Peverella produzido por aqui mesmo no Brasil, que o Eugênio já comentou amplamente em seu blog Decantando a Vida e que foi o vinho mais complicado e difícil, um daqueles com estilo; ame-o ou deixe-o!  Muito foi deixado nas taças, porém o Marcus adorou e eu tenho que reconhecer que gostei, não amei, por ser diferente de tudo ao que estamos acostumados. Parece já oxidado com, como bem lembrou o Marcus, alguma semelhança com um Jerez. Faltou aqui a comida apropriada para talvez fazer com que o vinho fosse melhor entendido. Untuoso, seco, falta-lhe acidez, achei que poderia ser um companheiro interessante para uma posta de bacalhau grelhado no azeite e alho ou um presunto cru na entrada. Enfim, diferente e certamente um vinho para abrir em confraria porque a controvérsia vai rolar solta!

Tamayas Sauvignon Blanc single Vineyard 2007 – que começou no banco, mas foi rapidamente chamado a tomar o lugar do Peverella que não agradou á maioria. Um SB algo diferente, com passagem por madeira, álcool bem presente, paleta olfativa intensa com frutos tropicais, bem fresco com uma acidez muito presente, um verdadeiro energético na boca! O Marcus, portador deste caldo e autor do Azpilicueta, o descreveu bem em seu post de 1 de Abril. 

Angelica Zapata Cabernet Franc 2002 – Por incrível que pareça, estes oito anos ainda não foram o bastante e este saboroso vinho com a chancela de qualidade de Catena Zapata certamente seguirá evoluindo. Muito saboroso e rico, um belo vinho que faz jus ao nome.

Sonsierra Reserva 2002 – Um vinho de uma safra ruim que mostra que os bons produtores sabem dar a volta ás dificuldades impostas pela natureza. Bom vinho e a meu ver absolutamente pronto devendo ser tomado entre este e o próximo ano, quando deve começar seu caminho descendente. O que mais se acomodou ao medalhão de filé, mesmo não ocorrendo a harmonização que dele se esperava. Bem característico dos vinhos da Rioja, é um vinho que me agradou bastante, bem frutado e de taninos finos.

Brancaia 2007 – Mais um bom vinho que nos enfeitou a mesa, mas sinceramente não achei que seja vinho para TOP 100 da Wine Spectator. Certamente um vinho que sobressai por sua elegância, taninos finos, boca macia de boa persistência e talvez fosse o que melhor se harmonizaria com o Medalhão, mas quando abrimos a garrafa o prato já era! Pelo preço, achei bastante interessante sendo um vinho que agrada fácil.

Xavier Chateauneuf-du-Pape 2007 – Para comprovar que a melhor harmonização costuma mesmo ser entre vinhos e pratos da mesma região. Sózinho o vinho mostrou qualidades, muito jovem ainda, mas não chega a encantar. Com o Cassoulet, no entanto, transformou-se mostrando toda a sua exuberância e grande companheiro tendo crescido muito e feito dessa combinação, que alegrou a alma, um enorme prazer ao palato. Um belo vinho que necessita de tempo e comida!

Finca de Villacreces 2004 – Faltou caldo para tanto marmanjo! Para mim o melhor vinho da noite, mesmo que não tenha harmonizado com os pratos, até porque harmonizou muito bem com as pessoas e o meu palato, eheh! Tempranillo temperada com Cabernet Sauvignon e Merlot, Iniciou o diálogo dele comigo já no olfato. Intenso, rico, complexo, daqueles vinhos que conquistam à primeira fungada e nos convidam a levar a taça à boca. Estupendo vinho na boca, muita fruta escura, taninos finos presentes, muito boa acidez, bem estruturado com um volume de boca gostoso, cremoso, final longo, delicioso com toque de baunilla advindo de barricas muito bem dosadas.

             O Cristiano, Vivendo Vinhos,  sugeriu que numa próxima reduzíssemos o número de rótulos e aumentássemos o número de garrafas de cada. No caso desse Villacreces fez todo o sentido, tomaria mais!! Sniff, sniff. Vinhos muito bons, como sempre e apesar de das controvérsias com o Peverella, ótima comida e mais que tudo isso, ótima companhia! Ah, ia-me esquecendo, duas mesas ao lado, o pessoal da Valduga (Fabiano Olbrisch) jantava tendo como companhia um Villa Lobos, seu Cabernet Sauvignon top de linha, vinho no qual ainda demos uns golinhos. Surpreendeu, pelo menos a mim, já que o tinha provado logo após o lançamento e não tinha me empolgado. Com tempo o vinho evoluiu e achei interessante, um vinho que merece um retorno com mais calma e mais caldo na taça!

Salute e kanimambo

Desafio de Vinhos Ibéricos

                É saí de férias, mas programei este post para vos deixar tentados por esta proposta. Juntar os amigos e despertar os sentidos numa degustação às cegas ou simplesmente curtir os vinhos, a escolha é sua, só a seleção que é minha e garanto que vai ser bem legal.  Dando sequência aos meus Desafio de Vinhos  e aproveitando que a Espanha faturou o campeonato e ganhou de Portugal no processo, pretendo lançar junto com a Vino & Sapore, um Desafio Ibérico diferente. A tradicional banca degustadora se reunirá em dia e local a ser definido após a minha volta, só que desta vez você amigo leitor também poderá participar. Os mesmos vinhos que degustaremos neste embate Portugal x Espanha, você também poderá degustar comprando um kit Desafio Ibérico na Vino & Sapore. Depois, após a publicação do resultado do Desafio aqui no blog, você poderá comparar suas notas e avaliação. Numa caixa de vinho, três representantes espanhóis e três portugueses, uma garrafa de cada:

  • Espanha – Códice (Tierra de Castilla) R$46 / Cuatro Pasos (Toro) R$65 e Viña Sastre Roble (Ribera del Duero) R$78.
  • Portugal – Quinta do Casal Branco (Ribatejo) R$54 / Quinta de Roriz Reserva (Dão) R$67 e Bafarela Reserva (Douro) R$84.

            Todos vinhos de muita qualidade em sua faixa de preço, vinhos que provei, recomendo e cabem no bolso. Um de cada, Espanha e Portugal, na faixa dos R$50, dos R$65 e dos R$80 mais ou menos 5. A preços de prateleira, teríamos um custo total de R$391,00, mas nesta promoção haverá 10% de desconto para uma caixa e 15% para pedidos de duas caixas ou mais. Como estarei de férias, envie sua reserva para comercial@vinoesapore.com.br (não precisa pagar agora) com seu nome, região onde mora, telefone para contato e quantidade de caixas desejadas. Na volta eu trato desse assunto entrando em contato com cada um. Junte sua turma e faça esse Desafio Ibérico, a diversão é garantida e o prazer idem!

          Vejamos se o resultado no copo é igual ao do campo de jogo, eu cá tenho minhas dúvidas! Por enquanto é isso, na volta das féria falamos. Salute e kanimambo.

Vidal Fleury, Aqui e no Viva a Granja

               Fui convidado pelo Marcio, editor do portal Viva a Granja, a escrever uma coluna de vinhos no site que fala das coisas de minha querida Granja Viana onde vivo já faz 28 anos e encontrei meu shangrilá neste mundo louco que é a São Paulo metropolitana. Toda a segunda-feira publicarei matéria quase sempre inédita e que, posteriormente, virá parar aqui no blog. Alternando dicas e comentários de vinhos com wine education, iniciei minhas atividades como colunista nesta última Segunda (28), falando de uma saborosa degustação que tive a honra de participar, em que traçamos 11 rótulos da Vidal Fleury que agora nos chega pelas mãos dos competentes amigos da Vinea.

              Dentro de minha filosofia de garimpar o mercado por aqueles vinhos que nos oferecem mais do que o valor pago, ou pelo menos geram essa percepção, minha primeira matéria para o Viva a Granja, tratou de dois rótulos realmente imperdíveis em função da ótima relação Qualidade x Preço x Prazer. Desses, você vai ter que clicar aqui para ler mais, mas hoje quero falar de outros dois rótulos marcantes e que, a meu ver, talvez sejam os grandes vinhos da degustação.

             Provamos vinhos de R$56,00 a 560,00, todos muito bons. Um Condrieu muito bom, mas puxado no preço, um Côtes du Rhône básico muito saboroso por apenas R$56,00 (verdadeiro achado!), um Chateauneuff-du-Pape de muita qualidade, um estupendo Hermitage e dois Côte-Rotie (assemblage de Syrah com Viognier) que é um vinho que me encanta; o La Chatillonne 2004 que custa R$554,00 e o Brune et Blonde da mesma safra por R$328,00, ambos magníficos exemplares de Côte-Rotie mas tenho que confessar que o que me deu maior prazer foi o mais barato que me seduziu pela incrível e complexa paleta olfativa que convida a levar a taça à boca onde o vinho nos traz um enorme prazer com seu bom equilíbrio, textura gostosa completada por taninos finos que compõem um conjunto de grande elegância com um final carnudo e mineral, um grande vinho que deixa, desde já, saudades. Para mim, o melhor vinho de todos eles, mas que matou o delicioso Entrecôte de Paris que foi servido. Do ponto de vista de harmonização, o Côtes-du-Rhône Village de apenas R$65,00 matou a pau!

           Dois vinhos, no entanto, me marcaram pois são vinhos de grande qualidade por um preço que, dentro do que nos entregam de prazer e satisfação, muito em conta. O Vacqueyras, aquele que meu bolso elegeria como o vinho do encontro, e o Crozes-Hermitage, dois belos vinhos numa faixa de preços bem competitiva se olharmos o que mais existe no mercado dessas AOCs.

Vacqueyras Rouge 2007, por R$109,00 um vinho realmente sedutor e, parafraseando aquele velho anuncio,  muito “bom de boca”. Assemblage de Grenache (50%) com Syrah e Mourvédre que mostra boa estrutura e harmonia montado sobre um tripé de acidez x álcool x taninos muito bem balanceados e sem arestas. Paleta olfativa sedutora com muita fruta, toque floral, alguma especiaria e nuances terrosas. Na boca é muito rico, bom volume de boca, taninos delicados de muito boa qualidade, harmônico, boa textura, médio corpo para encorpado, boa concentração e pasmem, somente 13.5% de teor alcoólico, com um final de boca muito apetecível e longo que deixa aquela vontade de quero mais na taça. Fico pensando nele acompanhando uma perna de cabrito assada e minha boca se enche d’água!  Show de bola e a maioria dos convidados o colocou como destaque da degustação e realmente merece todos os elogios.

Crozes-Hermitage 2007, 100% Syrah de muita elegância. Os Hermitage, uma pequena colina, são vinhos bastante másculos, encorpados e de longa guarda. Os Croze-Hermitage são os vinhos que vem da colina atrás de Hermitage e estão um degrau abaixo, mas o patamar é tão alto……! Este vinho é mais manso, mais amistoso ao palato e deve ser tomado agora, quando já nos dá muito prazer, e nos próximos dois a três anos imagino eu. Teor alcoólico muito educado, para os dias de hoje, com 13%, equilibrado, frutas negras e couro no olfato, algo defumado na boca, salumeria, taninos aveludados e um final saboroso de boa persistência e elegante. Um vinho que surpreende e custa R$112,00, um boa compra.

              Por hoje é só. Amanhã é dia de post com a degustação virtual da Confraria em que diversos amigos blogueiros e eu, estaremos comentando e compartilhando com os amigos nossas impressões sobre vinhos Sauvignon Blanc sul-africanos. Até lá. Salute e kanimambo pela visita.

Encontro Mistral 2010 – Uma Experiência Ímpar

          Dois dias são pouco para tantos néctares num evento que poderia se chamar; Mistral Wine Experience! Há poucos encontros de grandes produtores como este e a equipe toda da Mistral e sua assessoria de imprensa estão de parabéns pela organização, simpatia e eficiência. Uma pena que não pude estar presente na Terça, pois a cobertura do evento estaria mais completa, porém a Fispal me chamou e, mesmo sem o mesmo glamour, tive que comparecer. Tinha uma lista de 19 produtores a visitar o que obviamente se tornou impossível de fazer tendo, a muito custo, encarado nove!

Quinta da Pellada – Já começo por aquele que mais me surpreendeu e encheu olhos, olfato e palato de enorme satisfação fazendo aflorar emoções, muitas emoções! Para quem conhece, os meus amigos portugueses certamente sabem do que estou falando, uma coleção de néctares que deveria ser servida acompanhada de uma almofada para tomar de joelhos!

 

Vinhos espetaculares, um dos grandes produtores que fazem e honram o nome do Dão com galhardia. Entre os mais tradicionais vinhos de gama de entrada, os Quinta de Saes, muito bem feitos e com preço, no nosso triste contexto, bom, e os de topo de gama como Pape, Carrocel e Doda (corte do Dão e Douro), veio uma novidade, um estupendo branco tendo como protagonista a uva encruzado, o Primus 2009. Delicia, comprovando o fato de que esta cepa é origem de alguns dos melhores brancos produzidos em terras lusas. Todos vinhos excepcionais, mas provar vinhos de extrema elegância, riqueza de sabores, harmônicos, equilibrados e frescos mostrando sua aptidão gastronômica como o Carrocel, Doda e Quinta da Pellada Touriga Nacional elaborados com leveduras indígenas, é uma honra que, por si só, já valia a entrada. Tiro meu chapéu para o prorietário e enólogo Álvaro Castro e já coloquei mais alguns rótulos em meu wish list.

Pazo de Senorans, a albariño tratada com maestria e de forma diferenciada. Na Espanha o tradicional da elaboração com vinhos desta cepa, tende a ser feita com um bom estágio em barricas que lhe dá uma característica muito particular, mas não é o caso aqui. Neste caso falamos de uma apologia da fruta com o mais “básico” dos vinhos, Pazo de Señorans 2008, um vinho para ser consumido jovem, preferencialmente entre dois a três anos, passando por 20 dias “sur lie” e o resto o inox faz. Muito vibrante e alegre, cítrico, maçã verde, balanceado, muito bom. Já o Pazo Seleccíon de Anada 2002, é um vinho que tanto pode ser tomado jovem, quando apresentará uma determinada característica de maior frescor, ou em até 10 anos quando seus aromas terciários mostrarão uma outra faceta do vinho. Gente, 38 meses “Sur Lie”, engarrafado com estágio em bodega entre 12 a 18 meses antes de sair ao mercado! É de uma complexidade incrível com um frutado mais maduro (pêssegos, nectarina), guloso, certamente um dos melhores vinhos desta cepa que já tive o prazer de provar. Este 2002 vai para o pódio, um grande vinho branco.

Dr. Burklin-Wolff, um dos mais importantes produtores da região de Pfalz, vinícola familiar que detém algumas das melhores áreas de vinhedos de Riesling. Uma linha extremamente gratificante de se levar á boca e eu me encantei por três rótulos em especial.  O Riesling Qba Trocken 2006 que custa ao redor dos R$75,00 é um belo exemplo do estilo de Riesling que me seduz; boa intensidade aromática, mineral no ponto, sutil e delicado com um final de boca algo especiado e longo. Como gama de entrada, me surpreendeu! O Bohlig Premier Cru Trocken 2007 é muito bom, nariz mais tímido, porém cresce muito na boca mostrando-se muito balanceado. Agora, o Ruppertberger Gaisböhl Auslese 2002 (vinho de sobremesa) é de lamber os beiços e pedir bis em função de seu incrível equilíbrio de doçura e acidez com uma riqueza de sabores que encanta, maravilha!

Quinta do Vale Meão, um dos grandes produtores do Douro, colecionador de prêmios e pontuações altíssimas dadas pelos maiores experts em nossa vinosfera. Vinhos tradicionalmente mais encorpados e densos que precisam de tempo para mostrar todas as suas qualidades. Dizem que o Quinta Vale Meão 2000, seu primeiro vinho, está agora no topo de sua exuberância. Eu não sei, nunca o provei, mas tenho uma garrafa de 2001 que pretendo abrir no ano que vem, agora o 2007 está estupendo mostrando que esta safra no Douro é mesmo excepcional. Como nos Vinhos do Porto, o clima desta safra traz harmonia e elegância aos vinhos tornando-os mais amistosos desde já sem inibir a capacidade de evolução. Grande vinho e seu segundo rótulo, Meandro 2007, mostrou as mesmas características e custa um terço do preço. Podendo, compre e guarde o Quinta Vale Meão por uns quatro a cinco anos, mas aproveite o Meandro desde já!

Bollinger, um produtor de Champagne que dispensa apresentações, mas que minha boca não conhecia, eheh. São champagnes de outra categoria do que estamos habituados a ver por aí na faixa dos R$180 a 200,00. Muito mais complexos e envolventes, bom corpo com um volume de boca pouco comum, são mais caros, mas são especiais e até certo ponto exclusivos já que a produção é pequena para os parâmetros da região. Estupendo o Bollinger Special Cuvée, mas o Bollinger Grande Anné Vintage 1999 mexe com a gente de uma forma difícil de explicar, deixando marcas na memória que demorarão a sumir. Para ocasiões muito especiais e inesquecíveis, como ele!

Cazes, um produtor francês biodinâmico do Languedoc que voltou a casa depois de um breve período perambulando por outros lugares. Sou fã de seu Canon du Marechal , um muito agradável assemblage de syrah com merlot, mas o que me seduziu mesmo nesta prova foi seu Ambré 1996 um vinho doce fortificado com 15% de teor alcoólico que passa 7 anos em tonéis de 10.000 ltrs e parece um Porto Tawny envelhecido, um vinho que arrebata corações e finaliza uma refeição como poucos. Belissímo vinho!

Nativa, estava curioso por conhecer esta novidade da Mistral. Pertence ao grupo Santa Rita (Sta. Rita / Dona Paula e Carmen entre outros) e é um projeto totalmente orgânico com produção nas diversas regiões produtoras no Chile. O projeto é tocado pelo enólogo chefe Felipe Ramirez que aportou toda a sua experiência obtida na França trabalhando com um dos papas da Biodinâmica, Marcel Deiss. Gostei bastante do que vi e provei, os preços poderiam ser um pouco melhores até para poder divulgar mais este estilo de produção, em especial do Gewurztraminer 2008 que possui uma personalidade diferenciada, menos floral,nariz mais sutil, boca seca , mais voltado para comida do que para aperitivo. Um outro branco muito bom é o Chardonnay Gran Reserva 2006, surpreendentemente fresco para a idade. Passa 12 meses em barrica francesa, 20% novas, mas o vinho se mostra leve, sutil, bem frutado mostrando que madeira bem usada pode sim exaltar em vez de encobrir as qualidades de um vinho. O Cabernet Reserva é bastante interessante, mas seu grande vinho é o Nativa Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2006 muito equilibrado, macio, boa textura, um vinho que agrada sobremaneira.

Isole e Olena, uma vinícola italiana de fina estirpe, um dos mais importantes nomes da Toscana e um verdadeiro terremoto de sensações. Não sobra pedra sobre pedra, após provar seus seis vinhos, todos de grande qualidade.  Só o Chardonnay não me encantou, no resto, todos teriam amplo espaço em minha adega! A safra de 2006 na Toscana, tem muitas das características da de 2007 no Douro ou seja, vinhos muito elegantes fruto de um clima muito propicio para a produção nos vinhedos. O Chianti Classico com 12 meses em barricas de 4º e 5º uso tendo como protagonista a Sangiovese devidamente coadjuvada por 15% de canaiollo e o restante com diversas outras cepas autorizadas, é sofisticado, fino, rico e macio na boca, porém o Ceparello com 100% de Sangiovese e 18 meses de barrica é de cair o queixo, um lorde de fraque e cartola, boa estrutura, rico, complexo e imensamente longo. Espetáculo, escrevo e babo! rsrs. Na linha Colezione de Marchi, nome da família, um bom e agradável Syrah, mas o Cabernet Sauvignon rouba a cena com seu ótimo corpo, muito expressivo de seu terroir tanto que essa personalidade muito própria corria solta na boca dos convidas presentes que o haviam provado. Um grande vinho. De babar mesmo, o Vin Santo 2000 elaborado com trebbiano e Malvasia passando 7 anos em barrica. Para completar minha alegria e entrar em êxtase, só faltou um queijo Bleu de Bresse!

 

Livio Felluga, o Friulli em sua quinta essência! Magnificos vinhos brancos, um deleite para quem, como eu, é apaixonado por este estilo de vinhos. Todos muito frescos, equilibrados e ricos, tendo adorado o Friullano 2008 que possui uma paleta olfativa cativante e é vibrante na boca, seduzindo ao primeiro gole. Estupendo o Illivio Pinot Bianco 2007, 10 meses de barrica imperceptíveis, untuoso, equilibrado, fino e o maravilhoso Terre Alte 2007, blend de Sauvignon Blanc, Friulano e Pinot Bianco, complexo, grande finesse, balanceado, longo, inesquecível. Pena que não tenho bolso para estes vinhos, adoraria tê-los na adega e poder me deliciar com esses verdadeiros néctares de vez em quando. Baita experiência, somente viável num encontro destes!

           Magníficos, saborosos e marcantes momentos passados nestes dois dias em que pude comparecer. Vão aqui duas dicas; enviem o programa com guia de produtores antes pois isso ajuda na organização da visita e comecem umas duas hora antes. É muita coisa para pouco tempo, mesmo que se possa comparecer os três dias! Meus agradecimentos e parabéns à Mistral, Ciro e equipe, Sofia Carvalhosa  e Hyatt que se supera a cada evento desses.

Salute e kanimambo, agora é esperar 2012!

Viña Sastre na Ville du Vin

                       Faz já mais de uma semana que vinha ensaiando este post com minhas impressões sobre esse saboroso encontro que tive a convite dos amigos Juan e Javier da Peninsula, importador exclusivo desta conceituado produtor da Ribera Del Duero. Sim, este é mais um post sobre vinhos de Espanha, vinhos que quem não conhece deve colocar em seu wish list.

Falemos no entanto da Ville du Vin, uma das mais importantes redes multimarcas especializadas na venda de vinhos finos com diversas lojas em São Paulo e em Vitória. Recentemente estive em sua bonita loja do novo shopping Vila Olimpia, no bairro do mesmo nome na zona Oeste de Sampa, mas foi na sede da Vila Nova Conceição, onde também existe um bistrô, que a degustação foi realizada. O lugar é muito aconchegante e repleto de bons vinhos e muita diversidade, alguns deles verdadeiras preciosidades. Preços bons, ótimas promoções, um lugar que vale a pena visitar. Fica na Diogo Jácome 361, tel. 3045.8137.

                       Bem, mas vamos ao que realmente nos interessa, la bodega y  los vinos!  Considerando-se de onde vem, uma bodega infante nascida em 1992 em La Horra, vilarejo próximo a Burgos no centro da Ribera a cerca de 840 mts de altitude, zona muito fria. Projeto novo, porém de família vinheteira de ligações com a terra desde os anos 50. Com 57 hectares dos quais somente 47 ativos onde se plantam a Tempranillo conjuntamente com Cabernet-sauvignon e Merlot (três das seis cepas autorizadas pela denominação), produção orgânica (ainda não certificada) e uso de leveduras naturais, produz cerca de, apenas 300.000 garrafas ano com um total de 8 pessoas que acompanham as fases da lua no processo produtivo, seguindo importantes parâmetros da biodinâmica também. Operação enxuta que visa qualidade acima de tudo. Quem provar estes vinhos sentirá isso no palato! Provamos quatro de seus seis rótulos, um melhor que o outro, mas desde o “mais simples”, vinhos de grande qualidade e personalidade e claramente diferentes entre si. Digo isto, porque não é tão incomum assim provar diversos vinhos de um mesmo produtor e não conseguir sentir a diferença entre os produtos, numa forma meio padronizada de ser!

Viña Sastre Roble 2008, passa 10 meses em barricas de segundo uso e é elaborado com 100% Tempranillo colhido de vinhedos com idade entre 17 e 30 anos. Surpreendentemente macio e de taninos finos já equacionados, muito saboroso, equilibrado, boa persistência, um vinho difícil de não agradar que tem sido muito elogiado em um dos restaurantes em que o coloquei na carta. Ótima opção de gama de entrada com boa relação custo x prazer, estando no mercado por volta dos R$80,00.

Viña Sastre Crianza 2004, de uma grande safra na região, em podendo é vinho para se comprar de caixa e uma das melhores opções de crianza no mercado, passando 14 meses em barricas novas de carvalho francês . É de lamber os beiços, mas falemos dele. Não é um degrau acima do roble, é uma escadaria e olha que o roble já é muito bom! Produzido com uvas de vinhedos entre 20 e 60 anos de idade, mostra-se muito complexo tanto no nariz como na boca numa harmonia digna de elogios.  No palato uma riqueza de sabores ímpar, boa textura e volume de boca, fruta madura, terroso, taninos aveludados de grande qualidade ainda presentes dando-lhe estrutura, boa acidez e um final longo com toques minerais que pede bis. Outros melhores estariam por vir, mas este fez a minha cabeça e me seduziu. Para quem gosta de pontuação, este está no Guia Penin com 91 pontos e custa ao redor de R$130 no mercado, valendo cada tostão! Difícil encontrar outro crianza por esse preço que gere este nível de prazer, pelo menos dos que eu já provei.

Pago de Santa Cruz 2004, entre os quatro, talvez o vinho mais “másculo” dos quais são produzidos tão somente 15.000 garrafas anualmente. Elaborado com tempranillo de videiras com mais de 70 anos advindos de uma só parcela localizada numa colina da propriedade, é envelhecido em barricas novas de carvalho americano onde permanece por 18 meses e mais um período em garrafa antes de sair para o mercado. Já comentei este vinho anteriormente e só veio confirmar todas as minhas primeiras impressões, um grande vinho que consegue mesclar bem potência com elegância, encorpado, musculoso, com grande volume de boca, untuoso e carnudo, taninos aveludados, terroso e um final em que aparecem especiarias e frutos negros com enorme persistência. Um vinho de primeiríssimo nível com preço na mesma linha, cerca de R$420,00.

Regina Vides 2001, se o pago é o vinho “másculo”, este é seu oposto, o mais feminino dos vinhos provados, e que vinho! Somente são produzidas cerca de 6.000 garrafas ano com uvas de mais de 90 anos cultivadas em três parcelas. Fermenta em inox e depois faz a malolática em barricas novas de carvalho francês de primeiro nível. Paleta olfativa complexa, porém com maior destaque para suaves especiarias, fruta madura e algo de baunilha. Daqueles vinhos para sentar e curtir nas calmas, vinho de reflexão, profundamente elegante e fino, frutado ( no nariz é mais compotado do que na boca) grande equilíbrio entre taninos sedosos e boa acidez, rico e um final mineral que seduz. Para quem pode, preço ronda os R$990,00, um grande vinho de uma das melhores safras espanhola de muitas décadas e tendo a acompanhar Parker e Penin que lhe deram mais de 92 pontos.

                  Tenho um cliente que diz não gostar dos vinhos da região do Douro/Duero. Creio que ainda terei que lhe oferecer um Viña Sastre Crianza às cegas! Grandes vinhos que merecem um espaço em sua adega e na sua taça, na minha já estão. Ah, você pergunta, mas se são todos tempranillo porque produzem Cabernet e Merlot? Boa pergunta que não fica sem resposta. Para elaborar o vinho top da bodega, o Pesus, um dos principais vinhos espanhóis da atualidade o qual ainda não tive a oportunidade de provar, sendo rótulo para um publico muito limitado. Pouquíssima produção, qualidade excepcional e um preçinho que é de doer, inclusive lá!

Salute e kanimambo

Encontro Mistral – Direto do Front

Primeiro dia deste importante evento realizado a cada dois anos e tempo não só de rever alguns quantos vinhos e pessoas, como navegar por mares nunca dantes navegados atrás de novidades e aquele rótulo especial perdido atrás de outros mais reluzentes. Foi um dia cansativo, até porque uma evento desses precisaria de pelo menos mais umas quatro a cinco horas, mas devo voltar na Quarta, então certamente registrarei outras descobertas. Falemos do dia de hoje!

               Não estava nos meus melhores dias, até a câmera esqueci, mas deu para sentir o clima, rever amigos e já fuçar alguns interessantes rótulos que merecem destaque. Não fui com o objetivo de provar os grandes vinhos, mas sim de buscar vinhos de qualidade com preços camaradas. No entanto, difícil não colocar na taça algumas preciosidades, ao fim e ao cabo estamos no Enontro Mistral!

Cá del Bosco – que Champagne que nada! Depois de provar este Franciacorta Cuvée Prestige Branco, blend de 75% Chardonnay, 15% Pinot Noir e 10% Pinot Bianco, cortado com lotes reserva de safras anteriores e 28 meses sur lie, me pergunto do porquê comprar os Chandon, Veuve Cliquot e outros champagnes básicos disponíveis no mercado? Mais caros e não chegam aos pés deste estupendo espumante que anda, pela taxa cambial vigente, algo em torno de R$170,00. De tirar o fôlego, mousse e perlage de encantar os olhos e na boca só estrelas, imperdível. Mais uma, não deixe de provar o tinto Curtefranca 2005; um blend bordalês em  75% cortado por 25% de Nebbiolo e Barbera!  O preço não é dos mais competitivos, por volta dos R$130, mas é um vinho que desperta nossos sentidos e mexe com nossas emoções, muito bom. Grazzie Bruno!

Mas de Daumas Gassac (Languedoc) e sua bonita e simpática diretora Victorine Babé que fala um português bem legal. Uma linha básica bastante interessante, especialmente o Moulin de Gassac Syrah 2008 e Guilhem Rouge 2008, ambos vinhos de boa qualidade para o dia a dia, saborosos e frescos, leves, taninos macios, fáceis de se gostar tanto na taça quanto no bolso já que custam ao redor de R$40/42. Agora, seu Daumas de Gassac Rouge 2008 é um grande vinho e, do jeito que gosto, complexo fruto de um assemblage de 80% Cabernet e o restante um “pout pourri” de 20 cepas entre elas Tannat, Malbec, Tempranillo, Pinot Noir, um verdadeiro vinho de influência globalizada. O preço segue a complexidade do vinho, algo em torno de R$200.

Castello di Montepó/Jacopo Biondi Santi, sem grandes comentários, todos seus vinhos são de muita qualidade, inclusive seu mais básico, o Braccale Rosso Maremma 2005 que custa algo em torno de R$78,00. Excelente  o Morellino di Scansano Riserva 2000, um baita vinho porém foi com o Sassoaloro 2005 que me entendi melhor . Vinho de muito boa estrutura, rico, taninos aveludados mas firmes ainda mostrando garra para encarar um bom par de anos. Preço ao redor de R$135,00.

Paolo e Noemia D’Amico, tendo como anfitriã a simpática Noemia D’Amico que, para nossa surpresa, é brasileira! Com produção numa região pouco conhecida, a de Lazio, o forte são seus brancos, entre eles os charconnays e, em especial, o Calanchi di Vaiano 2006 (cerca de R$85) que passa tão somente um mês em barrica para mero afinamento e que está delicioso e muito bem balanceado. Surpreendeu o fato de que o Falesia 2006 que passa 12 meses em barrica tinha básicamente a mesma cor do Calanchi! Muito bons e vale a pena encostar por aqui um tempinho.

Quinta da Lagoalva, nos traz a nova safra (2009) do Castelão/Touriga Nacional que é um vinho sedutor e que se mostrou em ótima forma, boa relação Qualidade x Preço x Prazer com seus cerca de R$45, melhor ainda quando o dólar vai para os R$1,75! Já o projeto de seu Late Harvest que comentei aqui, chega finalmente ao Brasil com apenar, repito, apenas oitenta e poucar garrafas. Está estupendo, rico e muito bem equilibrado é uma delicia na boca, sedutor e conquistador, mas o preço acompanha a limitada disponibilidade, cerca de R$153. Se disponível, não deixe de provar.

Vallontano, nasce um dos grandes goleiros do Brasil, apesar da idade, o Luis Henrique Zanini! Brincadeiras á parte, foi no ano passado que pela primeira vez na mídia, eu publicava foto de seu mais recente lançamento, o espumante rosé. Desta feita ele lança sua obra prima, um espumante muito especial que será interessante colocar às cegas contra outros graúdos no mercado. É o LH Zanini Extra Brut 2008, um senhor espumante com jeito de champagne. Só 2500 garrafas produzidas, 24 meses de autólise e sem uso de licor de expedição. Não deixe de provar!

Masi Tupungato, o projeto da Italiana Masi em terras mendocinas onde tem plantados os únicos vinhedos de Corvina neste canto do mundo, 140 hectares para ser exato.  Usando a Corvina pelo método ripasso (com a secagem das uvas) eles fazem uma segunda fermentação quando é adicionada a Malbec, nascendo assim o Paso Doble 2007, vinho saboroso, macio e fácil de se gostar e hoje em torno de R$38,00 o que é uma das melhores opções nesta gama de preços. Gostei bastante também do Paso Blanco 2009 um Torrontés que leva um corte de Pinot Grigio tornando o vinho muito balanceado e fresco, próprio para frutos do mar grelhados ou aperitivo e custa só R$35,00 ou próximo disso.

Para finalizar os que mais me marcaram ontem, não poderia deixar de mencionar a visita à Família Symington sempre muito bem representada pelo João Machete Pereira e Dominique Symington. Graham´s, Altano, Quinta de Roriz, Malvedos, DoW’s, Quinta do Vesuvio, Blandy’s Madeira e outros mais, este grupo produz qualidade e os prêmios internacionais só comprovam isso. Os Portos Vintage 2007, boa parte dos quais tive a oportunidade de provar e alguns estão neste Encontro, tiveram pontuação de 100 pontos, 99, 97, 94, ou seja um ano que mais do que de Vintage Clássico, mostrou ser um Ano Symington, não teve para ninguém! Minha paixão por seus vinhos é declarada e conhecida, então que tal conferirem se eu tenho razão para isso? Do mais básico Altano Douro, passando pelo delicioso e fino Altano Biológico, Prazo de Roriz e Quinta de Roriz Reserva com sua riqueza e mineralidade ímpares e sedutoras, aos novos vinhos tintos da Quinta do Vesuvio e o estupendo Post Scriptum o melhor “2º vinho” que já provei, é só alegria. Depois, antes de ir embora, não deixe de finalizar com seus deliciosos Portos Tawny envelhecidos e Vintages 2007 disponíveis. Só isso já basta! Tem mais no entanto, tem um posicionamento de preços muito interessante com seu Altano básico custando por volta dos R$42,00, um Prazo de Roriz e Altano Biológico por volta dos R$65,00 e o Post Scriptum e Pombal do Vesuvio por volta dos R$104,00. Imaginem então se a taxa voltar para comedidos R$1,75 a 1,78!

Salute e na Quarta retorno com câmera para colher imagens e mais sabores neste incrível Encontro Mistral. Amanhã tem mais. Fotos colhidas com o celular na Quarta-feira já que, pasmem, a peça aqui esqueceu de checar a bateria da camera e não levou a reserva (o que faço sempre) e murphy, obviamente, deu as caras!

kanimambo

Falando um Pouco mais de Espanha

Como havia dito, é incrível a quantidade de bons vinhos chegando ao mercado e de todos os preços e estilos. Ainda tenho de falar do encontro que tive com os vinhos da Viña Sastre (Peninsula), isso faço na semana que vem, mas agora aqui vão algumas dicas de vinhos que se mostraram muito bem dentro de suas respectivas faixas de preço.

Erumir Crianza 2004 –  um dos bons custos x beneficio encontrados recentemente nesta viajem pelos vinhos de Espanha. Este é da região de Penédes, ali próximo a Barcelona, sendo um blend de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tempranillo. Vinho muito agradável, bem frutado, leve para médio corpo, maduro, pronto a tomar, taninos suaves e macios que formam um conjunto amistoso e fácil de gostar. Preço ao redor de R$45 a 50,00 e a importação é da Mercovino.

Vega Sauco Piedras Crianza 2005 – mais um que agrada sobremaneira tanto na boca quanto no bolso. Este vem da região de Toro e é um rótulo elaborado tão somente para o Brasil com a Tinta de Toro, que nada mais é do que a famosa Tempranillo cultivada na região. Tem a nossa cara, é vinho vibrante e de médio corpo , produzido com cepas de vinhedos entre 18 a 30 anos. Possui boa estrutura e interessante volume de boca, taninos amistosos e finos presentes e bem integrados, equilibrado, final com toques de torrefação e algo mineral com boa persistência. Surpreende pelo preço de R$49,00 e é de importação da Ravin.

Vega Sauco Reserva Adoremus 2001 – Ainda em Toro e com o mesmo produtor,  só que damos um salto de qualidade bastante grande num vinho também elaborado com 100% Tinta Del Toro, “pero” de vinhedos de mais de 30 anos e de uma safra genial e muito especial para toda a Espanha. Vinte e quatro meses de barrica muito bem integrada ao vinho que se mostrou complexo, rico, taninos maduros e sedosos, licoroso, fruta confitada com nuances de couro, um vinho espetacular, daqueles que a gente precisa de tempo para apreciar e refletir após cada gole até que não sobre uma só gota o que, neste caso, seria algo muito fácil de acontecer! Importação Ravin e preço R$169,00.

Juan Gil 12 meses 2006 – um vinho 100% monastrel, verdadeiramente encantador. Esta cepa, pouco divulgada por aqui, é comum nesta região de Espanha e produz vinhos muito amistosos e agradáveis de diversos níveis de complexidade. Este, como diz o nome, passa por 12 meses de barricas francesas e mostra-se muito equilibrado, paleta olfativa frutada de boa intensidade com nuances florais que convidam a levar a taça à boca onde comprova seu apelo olfativo. Fino na boca, taninos sedosos, corpo médio, bom volume de boca, fruta madura e um final muito saboroso e mineral com toques de baunilha e torrefação. Ótima relação preço x qualidade, por volta dos R$90,00 (importação Mercovino) e um desvio por outros sabores de Espanha afora a já famosa Tempranillo.

               Como podemos ver, entre este post e o anterior quando falei da Señorio de Sarría, vinhos de regiões menos conhecidas e uvas como Graciano e Monastrel para provar que a Espanha também possui diversidade bastante interessante devendo ser melhor explorada, tanto por consumidores como pelos importadores. Bem, por hoje é só e aproveitem o fim de semana para se aventurarem por novos caminhos e novos sabores, esse é o grande barato do mundo do vinho.

Salue e kanimambo.