Degustações

Sabores do Piemonte – Últimas 4 Vagas!

No próximo dia 26 de Junho, realizarei na Vino & Sapore uma degustação harmonizada de dar água na boca! Como já de praxe, todo o mês uma degustação de alto nível num encontro gostoso e descontraído harmonizando Vinho, Comida e Pessoas! Desta feita vamos mergulhar nos Sabores do Piemonte porém, como o vinho é servido ás cegas, haverá um intruso nesse exercício, um vinho fora da região. Nestes encontros mensais, exploramos a riqueza dos sabores do vinho e o resultados destes quando colocados juntos com boa gastronomia e um ingrediente essencial, o grupo de pessoas que temos o privilégio de juntar nesses eventos  Desta feita nossa viagem pelos sabores da enogastronomia nos leva ao Piemonte e seus soberbos vinhos, assim como o clássico Ossobuco que será acompanhado de Risoto Milanese elaborado pela hábeis mãos do amigo Ney Laux (Restaurante do Ney no Pattio Viana) cuja cozinha dispensa apresentações sendo seu restaurante considerado uma das 10 maravilhas da Granja Viana com história para contar!

       Seis vinhos, cinco do Piemonte mais um, sempre tem que ter uma surpresa, todos provados ás cegas.  Primeiro uma rodada para avaliar os vinhos, depois nova rodada, desta feita acompanhada do prato para avaliarmos a  harmonização. O que será melhor, a típica harmonização dos sabores regionais ou o intruso levará?! Para finalizar a viagem, Tiramissu com espumante Asti (será que harmonizará?) e nosso delicioso café do Ateliê do Café. Eis a lista de vinhos que estaremos colocando nesta degustação:

  • Dezzani L’Assiona Monferrato  (4 “grappoli” em 5 no guia Duemilavini) – um vinho delicioso e intrigante elaborado com uma uva pouco conhecida da maioria, a Albarossa. Esta cepa é fruto do cruzamento das castas Nebbiolo e Barbera, um vinho que por si só já vale a experiência.
  • Prunotto Mompertone Monferrato Rosso – um campeão de vendas e saborosissímo blend de Barbera com Syrah, vinho que pode surpreender mesmo que sem a fama de seus outros concorrentes da noite.
  •  Dezzani Barbaresco (2 estrelas em 3 no guia I Vini di Veronelli) – 100% Nebbiolo, a mais representativa casta da região, numa versão mais light do que os barolos, mas não por isso menos prazerosa!
  •  Piero Busso Barbera d’Alba (4 estrelas de 5 na revista inglesa Decanter) – 100% Barbera. A barbera vive uma crise de identidade e há de tudo no mercado, dos mais ralinhos aos mais encorpados e complexos até os carregados de madeira! Este rótulo é produzido por um pequeno produtor ôrganico e mostra todo o esplendor que essa uva pode gerar com um vinho de muito boa concentração e produção limitada.
  •  Cascina Ballarin Tre Ciabot Barolo (3 “grappoli” em 5 no guia Duemilavini e Wine Spectator 90 pontos para a Safra de 2003) – um “affordable” Barolo pronto a beber em seus 4 anos e pouco de vida, uma mescla de uvas de três diferentes vinhedos, entre eles um da importante sub-região de La Morra., é um despertar para os grandes e carissímos Barolos de guarda.
  •  Intruso – no mesmo patamar de qualidade e altamente respeitado em nossa vinosfera, permanecerá nas sombras (rs) sem se identificar até ao final da degustação que, obviamente, se dará ás cegas.

      Investimento de retorno garantido para no máximo 13 pessoas dos quais 9 já reservaram, então só sobraram cinco! O custo será de R$190,00 com os já costumeiros 10% de desconto para casal ou grupo de amigos. Fico no aguardo de vossa manifestação e reservas, lembrando que as atividades se iniciarão às 20 horas e nos sentaremos á mesa impreterivelmente ás 20:30. Ligue para (11) 4612.6343/1433 ou envie mensagem para comercial@vinoesapore.com.br .

Salute e kanimambo!

Andresen Porto Colheita 1910, o Melhor Vinho de Minha Vida – PURA EMOÇÃO!

Bem, depois de tanto suspense finalmente citarei o nome do elixir que me seduziu e me levou ao nirvana. Me considero um degustador experiente com alguns milhares de rótulos na bagagem, de tudo o que é estilo, cor e origem, mas mesmo com esse “calo” me emocionei como nunca dantes perante um vinho. Como disse, a degustação se deu na Expovinis e foi algo fora deste universo, pois se tratava de uma prova vertical em que estavam presentes nada menos nada mais do que 13 vinhos de 13 safras diferentes, sendo a primeira de 1998 e a última a de 1900 tomados nessa ordem. Sim você leu corretamente, 1900! É até provável que você já tenha lido sobre elas em posts publicados por outros privilegiados participantes desse evento promovido pela  J.H. Andresen de Vila Nova de Gaia, onde história e grandes vinhos se misturam em perfeita harmonia. Hoje capitaneada por Carlos Flores, a empresa foi fundada por um jovem dinamarquês de apenas 19 anos de idade em 1845, Jann Hinrich Andresen nome que até hoje prevalece na porta desta casa produtora portuense mostrando que mesmo com as mudanças de proprietário a história e tradição foram mantidas.

Foi Carlos Flores que nos recebeu nesta magnifica degustação comentada com louvor pelo conceituado critico português e jornalista do vinho Rui Falcão – Revista Wine a Essência do Vinho, e os divertidos pitacos de quem hoje comanda as caves, o enólogo Álvaro van Zeller. Show de bolae uma tremenda sinergia entre os três só batida pela excelência deste Portos Colheita na taça e na boca. A maioria dos vinhos é mantida nos cascos (600 litros) sendo engarrafados aos poucos e de todos os vinhos provados, somente um já não existe no casco e está totalmente engarrafado, o de 1937 engarrafado em 1980, uma joia rara que meu amigo César tem o privilégio de ter em sua rica adega (me aguarde César! rs).

Carlos Flores teve o privilégio de seu antecessor ter sido um “colecionador” de Portos já que ao longo de sua vida só comprou e fez vinho sem vender, estocando e envelhecendo esses caldos com toda a paciência do mundo. Da mesma forma, Carlos já trabalha nos vinhos da próxima geração que provavelmente não verá saírem ao mercado, estranho não? Começam a entender a razão de tanta emoção na taça? É pura historia, tradição e cultura engarrafadas!!  Para elaboração desses Tawnies Colheita Velhos, Álvaro de Castro separa os melhores caldos em 50  cascos para envelhecimento nas caves da empresa. O restante dos vinhos é colocado no mercado com uma média de doze anos de idade e nunca menos de oito! Uma característica importante destes vinhos é que, depois de engarrafar, ele permanece dormente por cerca de 10 anos e só depois desse período é que se inicia um novo processo de evolução, agora na garrafa. Estes vinhos com mais de 40 anos em casco, ganham cor e taninos que tiram da madeira em que sencontram e devem ser servidos por voltas dos 10 a 12ºC.

Afora 0 1937, esgotado na adega, que está engarrafado e consequentemente com “packaging” final e comercial, todos os outros são amostra de cascos sem rótulos comerciais.  Iniciamos a degustação com o muito bom 1998 e eu tomando minhas anotações. Na sequência os 97 / 95 / 92 (divino) / 91 (excelente) a essa altura e já entrando em êxtase me perguntei, que diabos faço eu aqui tentando explicar o inexplicável, analisando estes elixires que são impossíveis de ser descritos? Parei de tomar notas, relaxei e curti a viagem pois chegaram á mesa o; 82 (grande!) / 81 (genial) / 75 (dá para ficar melhor?) / 68 (maravilha, uma obra de arte) / 63 (para tomar de joelhos) / 37 (impressionante) /10 (obrigado meu Deus por ter me dado este privilégio!) / 00 (acabaram-se os adjetivos qualitativos e os vinhos)!!!!!

Andresen Porto Tawny Colheita 1910 o Vinho da Minha Vida

 Se você esperava que eu ficasse aqui descrevendo este vinho com sua riqueza e complexidade, sua elegância, incrível textura e sofisticados aromas, acidez impressionante para um vinho de mais de 100 anos e um final interminável, esqueça pois o vinho é muito mais que isso! É indescritível, vai fundo, passa do olfato e palato mexendo com todas as nossa emoções, um vinho que beira a perfeição, se é que ela existe, e nos alcança a alma. Um ancião vibrante e cheio de vida!

Soberbo seria dizer pouco desse incrível elixir de Baco que, vi na Revista de Vinhos portuguesa, custa algo ao redor de 2.500 Euros a garrafa. Quem tiver essa grana eu sugiro ver com a vinícola se pode engarrafar em garrafas de 200ml (rs) e comprar umas duas dúzias para ir tomando ao longo da vida no escurinho do quarto, uma boa musica instrumental de fundo , olhos fechados deixando a emoção tomar conta e viajar no tempo! De chorar de felicidade e emoção á flor da pele ainda hoje quando escrevo estas linhas na tentativa de compartilhar com os amigos esta experiência que espero não venha a ser única em minha vida. Uma pena que não consegui uma garrafa dessas para meu altar de baco, mas vinho de excelência é assim mesmo, a persistência é interminável, na mente!

Hoje, um kanimambo muito especial ao pessoal da Essência do Vinho e ao Rui especialmente por sua apresentação, ao Carlos Flores por sua generosidade ao Álvaro de Castro pelo que está a fazer na adega, ao Jann Hinrich, ao Albino Pereira dos Santos que fundou esta nova fase da vinícola em 1942, a todos aqueles que contribuíram com estes incríveis caldos. pelo que sei ainda não enontraram o parceiro certo aqui no Brasil, então não sei quem o revende e tão pouco quanto custará por terras brasilis. Interessante que a grande parte dos vinhos que deixaram marcas na minha mente tenham sido doces; Pendits Tokaji Essenzia 2000, Porto Dalva Branco 63, S. Leonardo Porto Twany 20 anos, Moscatel Roxo 1971, Quinta do Vesuvio Vintage 2007, entre outros.  Não sei o que me espera amanhã, quanto mais o resto da minha vida, mas até hoje, nada melhor que o Andresen Colheita 1910 preencheu a minha taça!

Salute e que baco lhe proporcione a mesma experiência que tive num futuro não tão distante, seja com este rótulo ou com qualquer outro, pois sentir essas sensações é pura emoção, algo tão marcante que se torna inesquecível. Um vinho de reflexão e meditação para ser aplaudido de pé, e foi!

Save The Date – 1º Granja Viana Wine Fest dia 14 de Julho

           A Granja Viana e meus amigos leitores, que reclamam de que tudo o que eu faço é só durante a semana,  mereciam um evento deste porte e a Vino & Sapore vem preencher esta lacuna trazendo algo inusitado para a vinosfera granjeira, coisa para deixar os seguidores de Baco e da boa enogastronomia felizes com tantas descobertas de novos sabores e experiências sensoriais, uma verdadeira viagem de descobrimentos num Sábado! Um Festival de Vinhos a ser realizado numa área coberta de 100m² adjacente à loja na charmosa Estação do Sino, Rua José Felix de Oliveira no bucólico centrinho da Granja. Como acredito em diversidade, teremos mais de 50 vinhos em prova de dez países diferentes, 15 expositores, mesas de degustação de frutos do mar defumados direto de Santa Catarina, Strudels salgados e doces, mesa de antepastos artesanais, queijos diversos, Ballas de Chocolate da Isa Amaral, chás especiais da IntiZen, etc.

           Um festival de Vinhos e Sabores acompanhado de um trio de jazz e outras atividades lúdicas para alegrar ainda mais o ambiente. Em breve mais detalhes, mas reserve já o dia 14 de Julho, você não vai se arrepender! Os convites, por apenas R$60,00 com crédito de R$20,00 para compras de rótulos em prova, deverão estar disponíveis para venda ainda nesta próxima semana.

        Salute e kanimambo. Como estamos no meio do feriado, deixei para finalizar meu post do Melhor Vinho de Minha Vida nesta próxima Segunda, os amigos ansiosos que me perdoem!

O Melhor Vinho de Minha Vida

         Aos cinquenta e sete anos, já tomei e provei muita coisa. Grandes e inesquecíveis vinhos, vinhos que são verdadeiras lendas, algumas zurrapas, muito vinho saboroso e bem feito que cabe no meu bolso e me deu muito prazer de tomar, mas igual a este nunca!

Meus leitores e clientes costumeiramente me fazem a mesma pergunta, “de que vinho você gosta mais?” Impreterivelmente a resposta é sempre a mesma, não sei!  Tenho uma queda por vinhos harmônicos, elegantes e bem equilibrados repletos de personalidade, adoro os vinhos ibéricos, mas já tive na boca incríveis vinhos franceses, italianos, australianos, sul africanos e até chilenos e argentinos, creio que mais do que tudo, adoro a diversidade. Até brasileiro já me encantou, porém igual a este nunca!

Tive alguma experiências hedonísticas de cair o queixo e deixar marcas na memória que não se apagam com o passar do tempo. Algumas já escrevi aqui no blog e nas colunas que escrevo, outras não como a recente prova dos Bordeauxs de 2009 ou o encontro com o Consorzio de Brunello que ainda aparecerão por aqui, mas igual a este nunca!

         A esta altura vocês já devem estar se perguntando, afinal, o que este Tuga está inventando, mas calma, pois como minha mãe já dizia, o apressado come cru e, afinal, o suspense faz parte deste momento, de abrir as cortinas e mostrar esse magnifico elixir digno do cálice de Baco e de meu altar de divindades. Lamentavelmente não fiquei com a garrafa vazia, só tirei foto, mas aguarde um pouquinho mais! Nada de glamour, não é nenhum produtor midiático, conhecido do mundo enófilo mundial, é um artesão do vinho que guarda há décadas, alguns há mais de cem anos, cerca de 6500 cascos e pipas do doce néctar em suas caves.

          Foi na Expovinis, no dia 25 de Abril de 2012 entre as 16:30 e 17:30, num salão repleto, gente saindo pelo ladrão, com cerca de uns 80 felizardos entre membros da imprensa, estudiosos e enófilos que tiveram o privilégio de conseguir entrar. Um evento quase que único no mundo, já que haviam vinhos sendo servidos que nos últimos 30 anos só tinham sido provados duas vezes! A grande maioria dos vinhos eram amostras dos cascos, não estava engarrafada para comércio à excessão do 1937. Para nos ungir  com estes néctares, nos esperavam um “apresentador” e reconhecido especialista, o pai das crianças, ou melhor dos anciões, e seu alquimista mor que, nunca tinha visto isso antes, foram ovacionados de pé por um longo tempo ao final do evento histórico.

           São vinhos que nos tocam a alma, que nos fazem viajar, que mexem com nosso imaginário e com todos nossos sentidos, em especial  com nossas emoções que afloram à pele de forma intensa e até meio desgovernada. Mesmo agora, quando tento escrever sobre eles, me arrepio e meus olhos emudecem, uma experiência absolutamente fantástica e inebriante. Como fala meu amigo Didu, o mundo dos parafusos não consegue fazer isso com a gente! Bem, mas depois de todo esse blá, blá, blá o post já ficou longo demais, então na Quinta falarei mais do produtor, dos caldos provados  e, em especial, desse que foi o Melhor Vinho de Minha Vida, até agora!

        Nesta Terça teremos a coluna da Eliza, na Quarta os finalistas do concurso das Vinopiadas, Quinta já sabem, e na Sexta dicas para um mês repleto de eventos de primeiro nível. Por hoje é só, uma ótima semana para todos, salute e kanimambo. A luta continua, abaixo com as salvaguardas e quem as apoia!

Salvaguardas, mais Um Bufão Nessa Trama

      Eu bem que falei em meu post do recente dia 21 para colocar as barbas de molho e nada de festejar e soltar rojões pela nota publicada na revista Veja, pois não seria a primeira vez que eles passariam por cima de parecer técnicos para satisfazer os barões, os donos do oligopólio produtor do Rio Grande do Sul num conchavo de interesses jamais tratado de forma tão desavergonhada e publica! É incrível a capacidade deles se multiplicarem nesse emaranhado de excrescências que são, tanto o Selo Fiscal repetidamente recusado pelas autoridades judiciárias do país nas mais diversas instâncias basicamente pela inexistência de razão de ser conforme o próprio parecer técnico da Receita, como essa coisa do capeta que agora inventaram as tais das Salvaguardas. Pela segunda vez, o ministro de estado, codinome Pepe Vargas, que tem a seu favor ser membro da corte real e fiel parceiro do governador da província, vem a publico para deixar claro que as decisões nestes casos não são técnicas e sim politicas com claro ranço autoritário e uma tremenda prepotência típica de quem se acha acima do bem e do mal.

  • A Receita deu parecer negativo, então vai-se direto ao ministro que manda instituir o selo.
  • A Justiça veta essa imposição, então vão nos empurrar goela abaixo através de uma possível edição de Medida Provisória já em fase de estudo.
  • Deixa claro que  as coisas estão meio paradas na análise do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio) órgão competente e autônomo, em função do tempo necessário para estudo e defesa,  mas que a decisão das salvaguardas já está tomada! Palpite em seara alheia que é, no mínimo, falta de cortesia para com seu colega ministro,  para não dizer ser pura prepotência e arrogância pelega.

       Ou seja, é de dar nojo tanta sujeira, tanta falta de compostura dessa quadrilha que vem tomando conta do país. Triste, muito triste e difícil continuar escrevendo pois o que tenho vontade de colocar neste post de hoje é impublicável e certamente me poderia trazer problemas de ordem jurídica.

       Uma coisa é certa, quanto mais esses bufões abrem a boca, mais claro fica que isso é coisa do capeta, dos tubarões de plantão e de que tanto descaramento só gera uma enorme irritação que culminará em retaliações que sairão muito caro ao país como um todo. Porém, como para essa gente o país pouco importa  já que por trás de uma bandeira nacionalista fascista e retrógrada só pensam mesmo é no poder e em outras coisas tão podres quanto, não será de se estranhar que essa excrescência passe e aí não tem mais como, a punição terá que ser nas urnas e no boicote, uma pena, pois em vez de falarmos de vinho falamos de safadeza no vinho!

       Quer ver, ouvir  e entender melhor toda essa mixórdia, então acesse as matérias publicadas pelo Alexandre Lalas no seu Wine Report  e pelo amigo Didu em seu blog. Hoje não termino como meu tradicional “salute e kanimambo”, não tou com humor para tal e brinde hoje não se aplica, mas sim com uma frase do Lalas e um recado meu.

Xô capeta, vade retro e “ Cala a Boca Pepe”!!

Recuperando Forças!

          Enquanto me recupero de uma semana de dez dias puxados, começo a programar meus posts futuros esperando que o Natal tenha sido pleno de paz e harmonia junto a seus entes mais queridos em volta de uma mesa farta e bons vinhos na taça. Da semana passada ficou faltando eu compartilhar com os amigos minha Experiência II sobre a qual espero ainda falar esta semana. Como dizem que uma imagem vale mais de mil palavras, por enquanto segue um teaser enquanto aguardam. Essa parelha de grandes vinhos foi só parte de uma grande noite reservada entre alguns poucos amigos e proporcionada por gente muito especial!

Semana das Boas na Taça e no Prato

         Nesta última semana tive a oportunidade e o privilégio de desfrutar da presença de amigos e clientes em duas degustações de grande satisfação e alegria, sendo que a ùltima ficou para a história. Duas estupendas e marcantes experiências, numa mesma semana puro privilégio!

Experiência I – Começamos pela degustação TOP de Final de Ano na Vino & Sapore que foi de muito bom nível tendo havido um empate técnico entre dois vinhos. Éramos 14 participantes degustando os seguintes vinhos:

Prieure Lichine Margaux 2005 – Para mim o mais complexo de todos, um prazer hedonístico de muita qualidade fazendo jus ao apelido do mais feminino dos Bordeauxs. Aromas florais, boca de boa concentração, rico, untuoso sem perder a elgância tipica da AOC. Melhor se tivesse decantado, mas mesmo assim um vinho de prima que deve evoluir muito pelos próximos 10 anos já que vem de uma safra estupenda na região.

Canalicchio di Sopra Brunello di Montalcino Riserva 2004 – pura elegância e finesse, para mostrar que Brunello não é só potência. Com tudo no ponto certo, sem arestas mostrando-se sedoso e sedutor, especiado com um final de boca muito saboroso de grande persistência.

Marques de Grinon  Petit Verdot 2005 – adoro este vinho que normalmente apresenta ótimo corpo e taninos firmes mas finos. Desta feita não performou como esperado tendo se mostrado muito rustico e de taninos rebeldes e agressivos. Coisas do mundo do vinho, algumas garrafas podem nos trazer surpresas mesmo quando já bem conhecidos.

Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2007 – um vinho que cada vez mais demonstra a grande fase por que passa o Douro, a grande safra que foi 2007 e a excelência dos vinhos desta casa produtora. Encorpado, violetas no nariz, riquissímo no palato, eqilibrado com uma acidez gastronomica que só evoluiu com o prato surpreendendo muitos dos presentes.

        Todos vinhos estupendos de safras nota 10, que tiveram como acompanhamento um dos dois pratos; Cabrito no Forno com batatas douradas ou de Sorentini de funghi com creme de funghi elaborados pelo restaurante Emilia Romagna, nosso parceiro e vizinho. Os pratos estavam ótimos e a harmonização mostrou que o Brunello e a massa fizeram uma tremenda parelha assim como o Quinta Nova e o Cabrito que também foi bem acompanhado pelo Prieure Lichine.  Para meu gosto o Prieure Lichine foi o vinho da noite e o tomaria solo, sem comida e tendo na companhia a única e perfeita harmonização. Com os pratos sigo a maioria conforme acima, mas não havíamos terminado, não!

       Para finalizar, um Graham´s Tawny 10 anos com panettone  de amêndoas italiano da Loison, mais uma ótima harmonização que foi batida por uma outra que fizemos na semana anterior em que juntamos panettone básico de frutas secas da Loison com um incrível Moscatel de Setúbal  98 da Bacalhôa, dos deuses!!

Experiência II – Essa é daquelas para jamais esquecer e os personagens envolvidos só ajudam a tornar a experiência num verdadeiro momento de êxtase. Só que essa eu conto em outro post, porque este já está ficando longo demais.

Salute, kanimambo e espero você para uma taçinha lá na Vino & Sapore.

Copa América de Vinhos – Confirmações e Surpresas

          Como tinha comentado em meu último post, hoje quero comentar esta prova e disputa de grandes vinhos realizado pelo amigo Gustavo do Enoleigos (ainda acho que ele tem que mudar de nome, pois de leigo ele não tem é nada) nas simpáticas instalações da Winet  do também amigo Deco, gente jovem e competente que é o futuro de nossa vinosfera. Foram 21 vinhos degustados ás cegas e algumas surpresas. Porquê de Copa América, porque foram relacionados vinhos da Argentina, Chile, Uruguai e Brasil, a nata da região e só rótulos de grande “respeitabilidade” com alguns poucos intrusos no processo. Muito já foi falado pelo próprio Gustavo em seu blog, assim como pelo Deco, o Beto “Papo de Vinhos” Duarte e Evandro “Dos Panas” Silva, todos blogueiros de primeira linha, então não vou me estender muito sobre o resultado que teve em seus TOP 10 os seguintes vinhos: 10º Valduga Storia (BR) / 9º Marichal Collection Tannat (UR) / 8º Perini 4 (BR) / 7º Vina Maipo Ltd. Edition Syrah (CH) / 6º Trivento Golden Reserve Shiraz (AR) / 5º Jean Bousquet Malbec Reserva (AR) / 4º Perez Cruz Liguai (CH) / 3 º Suzana Balbo Brioso (AR) / 2º Lidio Carraro Quorum (BR) e em Primeirissímo lugar desempatando com os votos do último degustador a apresentar suas notas, o Zuccardi Zeta (AR).          

      Meus comentários vão mesmo para algumas surpresas que mexeram comigo me levando à reflexão sobre conceitos e necessidade premente de rever, agora de forma aberta, alguns vinhos provados de forma a comprovar minha análise sensorial, ou não, e algumas confirmações já esperadas.

Sem surpresas

  • Ravin envia quatro rótulos para a disputa e três deles se qualificam entre os TOP 10, sendo um deles o grande ganhador da peleja, o Zeta que é um baita vinho, só acho o preço algo salgado demais, tendo sido meu segundo colocado. Por sinal, meu primeiro também foi deles.
  • Lidio Carraro envia dois rótulos. Quorum, para mim o melhor vinho deles e o Elos Touriga/Tannat que a cada prova só me confirma ter sido uma escolha infeliz de corte e o resultado desta prova demonstrou bem isso com o Quorum em segundo e o Elos em último e minha pior nota.
  •  Valduga Storia 2006 – Um bom vinho lançado no intuito de aproveitar os sucesso do 2005 que foi e segue sendo um vinho estupendo. Este 2006 falta algo ficando bem distante do patamar de excelência estabelecido por seu predecessor que segue arracando suspiros e uaus de quem tem o privilégio de o tomar.

 Surpresas

  • Marichal Collection Tannat – Vinho de R$55 (o mais barato na prova) nos TOP 10, entre vinhos de mais de quatro vezes o preço, e meu PRIMEIRO!!!! Preciso abrir outra garrafa, pois foi o último dos vinhos provados, então preciso ter a certeza que o palato já não tivesse isso para a glória! A principio, a maior surpresa para mim que precisa ser conferida.
  • Perini 4 – diferentemente de muitos dos presentes, nunca tinha ouvido falar! Do vinho, já que a Perini dispensa apresentações na vinicultura tupiniquim. Foi uma grata surpresa até porque também é um vinho de cerca de R$66,00 lá no Rio Grande do Sul. Corte de Ancellota, Cab. Sauvignon, Merlot e Tannat, foi meu sétimo vinho.
  • Jean Bousquet Malbec Reserva – mais um vinho que surpreende e que possui uma excelente relação Qualidade x Preço x Prazer pois custa algo ao redor de R$57. Foi meu sexto vinho.

        Mais uma bela experiência que comprova que preço não é tudo, apesar de que o ganhador é sim um dos mais caros, e que está na hora de enterrar preconceitos com relação aos vinhos nacionais pois, podem até padecer de uma certa irregularidade e falta de estratégia comercial , mas já temos disponíveis vinhos tintos de muito gabarito, sem falar dos nossos ótimos espumantes que esses sim são bem preçificados. Salute, kanimambo e, trabalho permitindo, antes do Natal ainda publico algo mais.

Tintos Marcantes

           Nesta segunda parte de comentários sobre os vinhos da Mercovino que provei recentemente, falarei sobre os tintos já que dos brancos já postei recentemente. Provamos alguns vinhos muito bons, especialmente os do Velho Mundo que apresentaram, inclusive, uma relação custo x beneficio melhor do que os do Novo Mundo, pelo menos em minha opinião. Não é de hoje que comento de que acho os vinhos top argentinos e chilenos, que entram no país cheios das benesses tributárias que os europeus não possuem, caros demais para o que apresentam salvo algumas poucas exceções. Para mim, estão valorizados além da conta, mas se seguem esse caminho certamente é porque há mercado, então…….

           Dos vinhos do Novo Mundo, um vinho que fazia muito tempo não provava, foi o destaque pelas características do caldo e por se situar numa faixa de preço que, bem garimpado, trás muito boas relações Qualidade x Preço x Prazer. Neste caso, meu destaque vai para o Lauca Reserva Cabernet Sauvignon Reserva 2008 da região do Vale do Maule, que passa 8 meses por barricas francesas. A primeira grande surpresa é a ausência total dos tradicionais aromas de goiaba e pimentão, com a paleta olfativa mostrando muito mais seu agradável e sedutor caráter frutado. Na boca, taninos muito bons, equilibrado, bom corpo, rico, álcool bem integrado formando um conjunto muito prazeroso e, como dizem meus conterrâneos, apetecível com um final saboroso de boa persistência que nos chama à próxima taça. Como o preço se encontra numa faixa de R$48 a 50,00, temos aqui um best buy!

          Dos vinhos do Velho Mundo, algumas preciosidades sendo que um deles, o Solar dos Lobos Colheita Selecionada,  já comentei aqui e teve a proeza de me emudecer! Houveram outros, no entanto, que também se destacaram como o Pujanza Norte 2006, um baita vinho da Rioja Alavesa altamente pontuado e de grande sucesso na mídia especializada, vinho para horas de curtição, o muito bom Solar dos Lobos Reserva 2007  escuro, denso e fechado, o ótimo Saint-Joseph Clos de Cuminaile 2008 um 100% Syrah da região do Rhône  que encanta e só peca por um rótulo, na minha opinião, algo feioso mas, como já diz o ditado, quem vê cara não vê coração, então esqueça o rótulo e mergulhe de cabeça. Meu grande destaque, no entanto, vai para um vinho da Ribera del Duero por apresentar alguns atrativos a mais, entre eles o preço que deve rondar os R$135,00, é o Una Cepa 2007, boa relação face o que ele entrega. Belissimo vinho em que uma bela e intensa paleta olfativa te convida a levar a taça à boca onde ele explode em complexidade. Ainda está muito jovem, algo fechado pedindo tempo mas nada que um decanter e um pouco de paciência não curem rapidamente. Denso, muito saboroso, untuoso, ótima textura, especiarias, frutos negros, musculoso porém com um toque de elegância no final de boca, fazendo jus aos vinhos da região que tradicionalmente se mostram bem mais encorpados do que os de Rioja. Apenas 1500kgs de produção por hectare, 14 meses de barricas de diversas origens este vinho é especial também pelo fato de que cada videira produz somente uma garrafa e daí o nome.

           Nos próximos posts falarei de mais algumas pepitas recém garimpadas como um incrível e rico Merlot sul africano que leva 9% de Petit Verdot na sua composição e custa apenas R$35,00 e o delicioso cava Palau Brut, achados!

Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui. Vai viajar comigo?

Brancos de Dar Água na Boca

           Semana passada estive em uma degustação bastante interessante em que comecei a cuspir já a partir das 9:30 de la matina! Por sinal, tem formas de fazer isso e o da imagem não é um deles!! rs Foram vinte e quatro vinhos na prova mais uma série de outros no almoço e jantar, dia longo porém muito proveitoso com a confirmação de alguns rótulos e algumas ótimas surpresas, especialmente nos vinhos brancos.  Com a apresentação do conceituado critico Jorge Lucki e da enóloga galega Suzana Esteban presentemente residindo em Portugal onde já atuou em algumas vinícolas de ponta como Quinta do Crasto e Côtto no Douro e agora na Solar dos Lobos/Alentejo, a importadora Mercovino apresentou seus vinhos a uma dúzia de privilegiados convidados. Muito didática e com alguns tópicos bastante interessantes, foi uma degustação em que provei vinhos de muita qualidade e na qual, como sempre, aprendi um pouco mais. Eis alguns dos destaques dos vinhos brancos, de diversas origens e estilos, que me marcaram e agora compartilho com vocês , numa outra oportunidade falarei dos tintos do novo e velho mundo.

Dios Ares Branco – Rioja/Espanha – 100% Viura > Da região de Alavesa de onde vêm os vinhos mais modernos desta importante e histórica denominação espanhola, é um vinho de boa tipicidade olfativa com algum floral que nos incentiva a levar a taça à boca onde se mostra muito equilibrado com acidez bem evidente, boa persistência, muito saboroso e apetecível. Preço por volta dos R$50.

Garcia Viadero – Ribera del Duero/Espanha – 100% Albilio >pelo fato desta uva não ser reconhecida pela DOC, o vinho não pode levar essa denominação no rótulo, mas isso não tem nada a ver porque o vinho é sedutor e muito agradável. A cepa é pouco conhecida e só me lembro de ter visto dois rótulos elaborados com 100%, tendo este me seduzido por sua complexidade. Se não soubesse que só passa por inox, juraria que tinha madeira pois aquele abacaxi e baunilha típicos estão bem presentes no nariz. Na boca é sedutor, mostra uma certa complexidade e versatilidade podendo acompanhar bem desde saladas, frutos de mar e, penso, até um bacalhau mais leve. Preço por volta dos R$50.

Solar dos Lobos branco – Alentejo/Portugal – corte de Chardonnay, Sauvignon Blanc, Arinto e antão Vaz > Sem passagem por madeira porém um vinho de muito bom corpo e textura, teor alcóolico algo alto (14% como no Dios Ares) porém bem balanceado requerendo um pouco mais de atenção com a temperatura. As uvas são vinificadas em separado e o blend é efetuado ao final do processo. Boa acidez, gastronômico, frutado,  um vinho que já enfrenta pratos mais estruturados e faz bonito. Preço ao redor dos R$65.

Esmero Branco – Douro/Portugal – corte de Gouveio/Fernão Pires e Viosinho uvas típicas da região > um dos meus preferidos que só vem confirmar que Portugal vem fazendo ótimos vinhos brancos. Produziram somente 3300 garrafas de vinhas velhas de cerca de 30 anos, mas nem por isso o preço está na casa do chapéu, falamos de um vinho de cerca de R$80,00 e vale! Muito balanceado, álcool educado (13%) e muito bem integrado, complexo, boa estrutura de boca, final longo e muito agradável com nuances de frutos brancos, um belo vinho que me seduziu.

Schloss Volrads Kabinett Trocken – Rheingau/Alemanha – 100% Riesling > uma delicia! Seco, mineral acentuado, típico da casta, muito bem equilibrado porque hà vinhos que extrapolam e enjoam! Este está no ponto, se é que se pode dizer isso de um vinho, pois o mineral aparece firme mas sutil e elegantemente  acompanhado de notas cítricas compondo uma paleta olfativa muito agradável. Na boca suas incríveis 11 gramas de açúcar residual são imperceptíveis equilibrados por uma acidez muito boa e essa mineralidade presente. Corpo um pouco acima da média dos vinhos deste estilo, 12% de álcool, frutado e harmonioso como sugerido pela importadora, foi mais um vinho que me entusiasmou e, pudesse, teria tomado a garrafa todinha, que cuspir que nada! Preço ao redor do R$100.

           Por hoje é isso e assim que der falo dos tintos provados. Algumas boas surpresas, a maioria do velho mundo, mas um chileno de bom preço me chamou a atenção, Lauca Reserva Cabernet Sauvignon de R$49, uma surpresa muito agradável que revi depois de alguns anos.

Salute, kanimambo e insisto, vem comigo a Portugal em Fevereiro?