Degustações

MOVI – Um Exemplo Chileno a Ser Seguido Pelos Produtores Brasileiros

     Há poucos dias participei da degustação promovida pelos 21 membros desta associação e A-DO-REI o que ouvi e provei, um exemplo a ser seguido. MOVI – Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile é uma associação de 21 produtores loucos por vinho que põem a mão na massa para produzir apenas algo ao redor de 40.000 caixas ano, ou por volta de 500 mil garrafas no total! Tem gente nesse grupo que produz ínfimas 1000 caixas ano ou seja, são produtores artesanais movidos por um projeto pessoal onde a paixão é colocada em prática “refletindo o caráter e identidade do terroir de seu local de origem”.

       Cada um tem seus canais de venda específicos e toca seu negócio de forma indepentente, porém a associação trata de promover conjuntamente as empresas e seus produtos e que produtos! Faz tempo que não participo de uma degustação tão marcante com presença de vinhos deste patamar de qualidade mostrando que a vida para além dos grandes conglomerados e rótulos midiáticos chilenos existe e é de primeira linha. Nascido há quatro anos com doze produtores, hoje totaliza 21 porém o grupo segue aberto a outras inclusões. Eis a lista dos produtores dos quais tivemos o privilégio de provar uma seleção de vinhos realmente top; Armidia, Bravado Wines, Bustamante, Clos Andino, Flaherty Wines, Garage Wine Co., Gillmore, I-Wines, Lafken, Lagar de Bezana, Meli, Peumayen, Polkura, Reserva de Caliboro (Erasmo), Rukumilla, Starry Night, Trabun, Tremonte, Tunquen Wines, Villard e o maior deles, a Von Siebenthal. Fique de olho nos rótulos desse pessoal, valem muito a pena serem conhecidos!

        Não sou de dar nota para vinhos, exceto em concursos e degustações do qual participo e haja essa necessidade, porém se tivesse que o fazer neste dia creio que 80% desses vinhos teriam pontuação acima de 90 pontos o que, para mim, não é comum fazer. Pessoalmente costumo classificar meus vinhos em:  Ruim / Fraco / Médio (Honesto) / Bom / Muito Bom / Excelente e DTC (De Tirar o Chapéu) e nesta degustação, afora uns três ou quatro rótulos “somente” bons, todos vinhos de grande categoria e uma meia dúzia marcantes. Na semana que vem compartilho um resumo dos vinhos tomados, mas desde já fico triste pois o MEU vinho da degustação não tem importador, ainda! Vou ter que pedir para os amigos me trazerem umas garrafas, fazer o quê.

      Esta introdução aos vinhos da MOVI, tem o objetivo de dar um toque aos pequenos produtores artesanais brasileiros que não participaram dessa excrecência de Salvaguardas ao Vinho Brasileiro, sim não esqueçerei tão cedo, que a Ibravin e os barões do vinho quiseram nos impor, UNAN-SE! Montem sua própria associação com projetos mercadológicos conjuntos, saiam pelo Brasil mostrando sua cara aos formadores de opinião e publico em geral. Deixem de ficar se lamentando pelos cantos, hajam, tomem uma atitude tipo MOVI e façam acontecer porque como já dizia Vandré; “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”!

      Salute, kanimambo e um ótimo feriado a todo, semana que vem falo dos vinhos provados. Quem ficar em Sampa e região vai aqui uma dica; nesta Sexta na Vino & Sapore tem Happy Wine Time! Vá conferir os  bons vinhos que estarão disponíveis á taça com empanadas Caminito e outros quitutes num ambiente informal, descontraido e gostoso com a cara da Granja Viana.

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Festival de Tempranillos ou Não!

       Sou fã desta uva e adorei a ideia das Enoladies, confraria de mulheres, em se reunir para provar vinhos desta cepa das mais variadas regiões da Espanha. Para apimentar um pouco o painel, inclui um (pensei eu) único vinho que não era 100% Tempranillo e não as deixei ver os contra rótulos das garrafas, mesmo sabendo o vinho sendo servido. Exercício sensorial legal, descobrir qual era o vinho que tinha um tempero extra! Seis vinhos que vieram de; Rioja, La Mancha, Ribera del Duero, Pago de la Guardia (Toledo), Castilla y Leon (Sardon del Duero) e Toro. Para começar os “trabalhos”, já marca registrada de todas as degustações que promovo, um espumante para limpar o palato preparando-o para o que está por vir, e desta feita um delicioso Collin Cremant de Limoux (Languedoc) muito fresco e cremoso, mais um fruto do garimpo que faço por esta vinosfera e que vale cada tostão gasto.

Canforrales Selección  (La Mancha) – um vinho bem saboroso e equilibrado, taninos sedosos, redondo e pronto que foi bem solo porém com a chegada dos outros vinhos de outro patamar de qualidade se ressentiu. Pelo preço, no entanto, um vinho que cumpre seu papel com galhardia. Abaixo de R$70,00.

Sierra Cantabria Crianza (Rioja) – riojano em sua essência, amadeirado no ponto, aquela baunilha típica, complexo e rico, taninos sedosos que evoluem na taça muito bem, fruta madura, notas terrosas, finalizando com toques achocolatados. Um vinho sedutor, tradicional, que não nega as caracteristicas desta região de origem. Preço ao redor de R$110,00.

Rivola (Castilla y Leon) – a Abadia Retuerta é uma Bodega que produz grandes vinhos em Sardon del Duero e este é um vinho de gama de entrada que leva 40% de Cabernet que apareciam nas nuances vegetais, em especial a azeitona, muito bem integradas, cremoso na boca um vinho que encantou a maioria. Muito boa paleta olfativa que convida ao próximo gole. Preço ao redor dos R$95,00

Elias Mora Tinto (Toro) – este rótulo é uma de minhas últimas descobertas, um vinho que consegue unir força com elegância num conjunto rico que encanta ao primeiro gole, pois é na boca que ele se mostra em todo seu esplendor com notas de fruto negros e algum tostado. O final de boca encanta, longo, algo especiado e vibrante. Preço por volta dos R$98,00.

Martúe (Campos Pago de la Guardia) – um vinho de Pago na Espanha significa que estamos diante de uma região ou vinhedo  de excepcional qualidade (são somente 13 no país) e este vinho não nega a raça. Já o comentei aqui, mas a cada garrafa que abro mais me seduz, um vinho encorpado,  muita fruta madura, complexo, taninos firmes mas aveludados e aqui minhas desculpas publicas às Enoladies pois este vinho também não era 100% Tempranillo, onde eu estava com a cabeça?!!  É sim um blend que justifica a complexidade do vinho, em que a menor parte é Tempranillo, mas valeu de qualquer forma porque o vinho é da hora. Cabernet Sauvignon (33%), Merlot (22%), Tempranillo (21%), Petit Verdot (13%) y Syrah (11%), um vinho imperdível, na minha opinião a melhor relação custo x prazer deste painel de vinhos, que custa R$98,00. Esteve presente no Happy Wine Time da Vino & Sapore faz umas duas semanas e foi um enorme sucesso.

Uma Cepa (Ribera del Duero) – uma garrafa por planta, é essa a relação fruta x garrafa desse vinho. Um vinho marcante, de produção meticulosa que aparece na taça. Já vendeu por R$135 chegou a 170,00. Está num patamar acima dos outros vinhos, mas o objetivo desses encontros não é só didático, é também se dar bem e este vinho cumpre com honras esse intento, um vinhaço que encanta e, se achado em promoção, tem que comprar de caixa. Denso, muito saboroso, untuoso, ótima textura, especiarias, frutos negros, musculoso porém com um toque de elegância no final de boca, fazendo jus aos vinhos da região que tradicionalmente se mostram bem mais encorpados do que os de Rioja. Um grande vinho a ser conhecido e não foi à toa que foi considerado o melhor vinho do encontro seguido do Elias Mora e Martùe.

No todo, uma seleção muito boa e muito saborosa que seduziu a maioria que posteriormente se esbaldou com um belo pedaço de Chipaguaçu, um quitute da hora trazido pela Mariana, mas esse é papo para outro post. Por hoje é só. Salute, kanimambo e nos vemos por aí ou por aqui, quem sabe onde nossos caminhos nos levam!

 

 

Desafio de Cabernets do Chile

         No último dia 26 de Outubro, tivemos o prazer de realizar na Vino & Sapore um embate bastante interessante. Importante diferencial é que ele foi feito com consumidores e não críticos de vinho, consequentemente entendo que seja uma visão mais hedonística e privilegiada do pensamento de boa parte do mercado. Nesse desafio às cegas com cerca de apenas 30/40 minutos de aeração dos vinhos, colocamos frente a frente um Ícone dos cabernets chilenos o consistente e respeitado Don Melchor com suas 22 edições, este o de 2007, e da mesma safra também o Manso de Velasco que dispensa apresentações. Afora esses dois mais conhecidos, mais três rótulos menos midiáticos porém, a meu ver, de grande valor o que me fez escolhê-los para este embate; Anya Ícono 2010, William Févre Chacai 2008 e Casa Lapostolle Cuvée Alexandre  2009. Óbvio que melhor seria se todos fossem da mesma safra, porém isso é um pouco complicado de se conseguir.

        O mais interessante, mais uma vez provando que conceitos genéricos neste mundo do vinho não têm vez, é que cada um desses vinhos mostrou uma cara bem diferente dos outros. Vejamos como cada um se comportou:

Concha y Toro Don Melchor 2007 –  com 3% de Cabernet Franc mostrou ser, como sempre, super consistente tanto que creio que em 22 edições somente em uma meia dúzia andou por baixo dos 90 pontos na visão da grande critica. A referência em cabernets chilenos junto com mais uma meia dúzia de importantes e renomados rótulos. Eu o considerei bastante pronto a beber apesar de ainda ter aí mais uns bons seis anos pela frente de franca evolução. De inicio fechado no nariz, abre-se aos poucos mostrando-se bastante frutado. Muito equilibrado na boca, taninos muito finos, complexo, boa acidez, ótimo final de boca, muito boa persistência, um vinho sem arestas e muito apetecível, feito para agradar. Um caldo muito bom, mas acho os sugeridos R$400 de preço de venda algo fora de propósito, porém é um vinho que tem seu histórico, seus séquito e quem pague então a vinícola o precifica bem sendo que até no Chile anda caro, por volta dos 130 dólares. Este exemplar veio de um amigo que o trouxe da Inglaterra, 50 libras, especialmente para este momento. Importação  VCT Brasil.

Casa Lapostolle Cuvée Alexandre 2009 – com 15% de Carmenére, ainda muito jovem e algo desbalanceado com o vegetal da carmenére se sobrepondo ao cabernet sauvignon e álcool aparente tanto no nariz como na boca. Os 40 minutos foram pouco e creio que deveria melhorar com mais uma hora de aeração quando deveria encontrar seu ponto de equilibrio. Custa ao redor dos R$120,00 mas neste embate mostrou-se um patamar abaixo dos restantes competidores. Importação Mistral.

Torres Manso de Velasco 2007 – um 100% Cabernet Sauvignon de vinhas velhas, potente, complexo, rico, equilibrado com taninos ainda bem presentes, encorpado porém com taninos finos e aveludados de muita qualidade. Um senhor vinho, melhor de boca que de nariz, que faz jus a sua fama e vai durar muitos anos ainda, vinho que não é para gente ansiosa! rs Dê-lhe tempo, compre agora e tome daqui a dois ou três anos acompanhada por uma paleta de cordeiro ou picanha suculenta! Vinho na casa dos R$190/200,00 aqui em Sampa. Importação Devinum.

William Févre Chacai 2008 – com 15% de Cabernet Franc, um vinho absolutamente sedutor no nariz que te convida a levar a taça à boca. Aromas intensos de frutos vermelhos e alguma especiaria. Na boca mostra uma certa complexidade, rico, boa estrutura, taninos finos e sedosos, final de boca muito agradável e fresco que pede o próximo gole. Certamente o vinho mais pronto e vibrante de todos apresentados, tendo entusiasmado a maioria. Custa ao redor de R$130,00 porém a nova safra que obteve 93 pontos no Descorchados 2012 (igual ao Don Melchor), deve chegar por volta dos R$190,00 e virá em quantidade minguada que deve sumir rapidamente! Importação Dominio Cassis.

Anya Ícono 2010 – o mais jovem dos vinhos e o que mais se ressentiu da falta de um maior tempo de aeração. Foi também o mais intrigante dos vinhos provados neste noite com aromas animais, estrebaria se sobrepondo á fruta que aparece mais ao longo do tempo na taça. Na boca é cheio, untuoso, encorpado pedindo comida e certamente será um grande companheiro para uma carne suculenta como um bife de chorizo! Recebeu 92 pontos da revista Vinho Magazine e custa ao redor dos R$115,00 o que o transforma no best buy deste embate e um vinho para comprar e guardar abrindo uma garrafa aqui outra daqui a seis meses, depois mais seis,…… Importador Palácio dos Vinhos.

         Óbvio que a esta altura vocês já está mesmo é querendo saber quem foi o ganhador e concordo, já não é sem tempo! Há no entanto, que se considerar que o painel foi muito parelho tendo havido votos de primeiro lugar para 4 dos 5 competidores. Eis a classificação abaixo:

  1. William Févre Chacai 2008

  2. Don Melchor 2007
  3. Manso de Velasco 2007
  4. Anya Ícono 2010
  5. Cuvée Alexandre 2009

     Mais um desafio realizado e mais uma vez a constatação de algo que ao longo dos anos neste blog acontece muito amiúde em nossos painéis e desafios, nome não ganha campeonato! Ás cegas, o que vale mesmo é vinho na taça assim como no futebol é bola na rede. Por isso curto tanto a diversidade e o garimpo por coisas novas saindo da mesmice, é isso que faz viajar por nossa vinosfera uma experiência única e tão prazerosa. Por falar em viajar, um amigo leitor, o Guilherme, vai compartilhar conosco sua experiência pelos vinhedos da África do Sul nesta próxima Quinta-feira, não deixe de sintonizar neste canal! Salute e kanimambo.

Nem Todo o Vinho Argentino é Igual!

         Para quem adora sistematizar e generalizar as coisas do vinho, eis aqui mais uma oportunidade de descobrir o porquê dessa prática não ser viável em nossa vinosfera. Rutini,  um produtor com uma grande diversidade de rótulos com uma vasta gama de produtos para todos os níveis e bolsos e um dos principais produtores argentinos, trazida ao Brasil pela Zahil. A linha dos Trumpeter talvez seja a mais conhecida, gosto muito do Syrah/Malbec e do Reserva, e daí subimos uma longa escada. Dessa vasta linha de produtos, a Zahil nos convidou a provar sete exemplares com maior ênfase nos Cabernets e me surpreendi.

         Começamos pelo Chardonnay que é um vinho que sempre me agrada pois, dentro do estilo mais amadeirado, é um vinho equilibrado, sem exageros e sempre traz um frescor de final de boca muito saboroso, não negou o que já conhecia dele e que já me acostumei a recomendar como um dos vinhos desta cepa elaborados na Argentina.

Todos vinhos muito bem feitos, me surpreendi com o grande equilibrio do saboroso Cabernet/Merlot que, em minha opinião se mostrou melhor que o já tradicional e amplamente conhecido Cabernet/Malbec, porém dois rótulos me chamaram a atenção e foram o destaque entre os que nos apresentaram:

      Rutini Cabernet – num estilo diferenciado mais para velho mundo do que novo mundo, puxando para a delicadeza e elegância, rico mas sem excessos com tudo no lugar. Bem aromático, nos convida a levar a taça à boca onde ele nos seduz. Rico, complexo, boa estrutura, taninos finos, com um final longo fazia tempo que não provava um cabernet deste naipe vindo da terra dos Hermanos. Muito bom e custa ao redor dos 135 Reais.

     Antologia – fazia muito tempo que queria provar este vinho, mas nunca tive a oportunidade que finalmente se fez presente. Valeu a pena esperar, um grande vinho na taça e pena que era só uma prova, pois a vontade era me apoderar da garrafa! Que beleza meus amigos, um senhor vinho que consegue unir potência, sem exageros, com elegância. Um vinho repleto de finesse, dos aromas complexos e bem integrados a uma sensação de prazer na boca que me entusiasmou. Um prova que derruba preconceitos de que argentino só faz vinhos potentes e excessivos em tudo, inclusive no álcool. Há de tudo por lá como em qualquer outro importante país produtor e este  vinho deixa isso muito claro. Este deveria vir á mesa de fraque e cartola!

Bons vinhos que valem ser conferidos pelos amigos. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Quem Garimpa Acha!

     Só não sabemos o quê e isso é o barato, a adrenalina do garimpo! Refosco al Peduncolo Rosso, como diz o Gerosa do Blog do Vinho, “Provar vinhos de uvas nativas e pouco divulgadas é como garimpar um livro em edição original em um sebo. Tem aquele apelo da descoberta de algo que existia há muito tempo, mas você desconhecia. De descobrir o novo, que na realidade é antigo, mas estava escondido. Melhor ainda quando o conteúdo surpreende.”, sim porque isso nem sempre acontece! Neste caso, este vinho do produtor Livon trazido pela Mercovino, surpreende e muito positivamente.

       A DOC é situado no nordeste da Itália quase encostado na Slovenia a leste, é a Colli Orientali dei Friulli com um formato que mais parece um camarão num país que tem a bota como referência. A região do Friulli como um todo não é muito conhecida entre nós e muito menos suas uvas. Mesmo com uma participação interessante de cepas estrangeiras, gosto dos Merlots e Cabernets da região que provei, é possuidora de uma leva de uvas autóctones desconhecidas da maioria, inclusive por mim, como as; Refosco, Schiopettino, Ribolla, Pignolo, Friulano, etc.

       A cepa de que falo hoje de nome estranho (sempre penso num furuncolo no pé! rs) Refosco al Peduncolo Rosso poderia ser traduzido como Refosco de racimo vermelho, já que existe o verde mais presente na Slovenia e Croácia, e é o mais “conhecido” da família dos Refoscos. Tive que pesquisar um pouco porque pela primeira vez me deparei com um destes vinhos na taça e desconhecia a cepa. De amadurecimento tardio é uma uva que prima pela boa acidez e taninos firmes produzindo vinhos bem estruturados.

       Falemos deste vinho que tem a conceituada Livon como produtor, é o Livon Colli Orientalli dei Friulli Refosco al Pedunculo Rosso, ufa! Possui uma bonita cor rubi, aromático com frutos negros (ameixa) bem presentes com algum tostado de fundo. A entrada de boca é franca com uma fruta fresca bem aparente, crescendo no meio de boca quando aparecem seus taninos bastante finos e sedosos, corpo médio, terminando algo especiado com boa persistência. O que mais chama a atenção afora a fruta, é a ótima acidez o que comprova o que li sobre a característica da cepa, muito gastronômico, me vi tomando-o algo mais fresco, próximo aos 15 a 16ºC, acompanhado de diversos estilos de charcutaria e, quem sabe, até  um frango grelhado na brasa ou aquela tipica fried chicken americana ou, arriscando um pouco, uma feijoada light?! Enfim, sem devaneios mil, um vinho bastante harmonioso e vibrante que me agradou e me fez lembrar do fato que vivemos aprendendo e por isso o garimpo é tão importante porque se não o que nos resta será viver na mesmice e isso é uma tremenda chatice! ). O preço gira ao redor dos R$95,00.

       Fui, salute, kanimambo pela visita e sigam singrando por mares nunca navegados, a viajem vale a pena!

Garimpando na Wines of Chile

        Bobeei e perdi a degustação dos ícones chilenos, porém compromissos profissionais vêm antes do prazer! Grandes vinhos foram servidos assim como, pelo que soube, um belo almoço para fazer jús aos caldos de baco, mas o almoço de cunho profissional também teve lá seus encantos pois tive oportunidade de conhecer gente nova, vinhos diferentes e me deliciar com um belo pedaço de picanha.

Do que provei na Wines of Chile, muita coisa a garimpar, algumas me chamaram a atenção e vou aqui mencioná-las:

Na linha do mais acessível:

Surpreende a linha dos vinhos da Torreon de Paredes (DOCG Vinhos – RJ) especialmente de seus Merlots e curti muito seu Sauvignon Blanc básico, coisa para custar nas lojas ao redor de R$32 a 35,00 em Sampa.

Gostei bastante também do Clava Pinot Noir , produzido pela Viña Quintay na fria região de  Casablanca, que é vinho para algo ao redor de R$55,00 e agrada sobremaneira. Importador Premium

Viña Mar espumante Brut Charmat que afora as tradicionais Chardonnay e Pinot, leva uma dose de Sauvignon Blanc no blend. O Chile não é conhecido por bos espumantes, mas este é muito agradável e, pelo preço ao redor dos R$45 a 47,00, chega para brigar com os nacionais. Importador Épice

Diferente

Nestes eventos busco sempre pelo diferente tentando achar vinhos que saiam da mesmice e, ainda bem, na maioria das vezes encontro alguns rótulos o que se confirmou nesse evento.

A Vina de Martino, reconhecido e tradicional produtor que a Decanter traz ao Brasil apresentou seu Viejas Tinajas 2011, um vinho produzido com a uva Cinsault de vinhedos com mais de 30 anos, que não é comum por estas bandas. Fermentado em ânforas de argila de mais de 100 anos, é o tipo de vinho jovem e vibrante, corpo médio para leve com taninos macios e muita fruta no nariz. Para quem gosta de provar vinhos diferenciados, uma bela opção por cerca de R$87 a 90,00 nas lojas especializadas. Sugiro refrescar para tomar a 14/15º tops.

COYAN – este já há tempos está no mercado e já tive procura na loja, porém nunca tinha tido a oportunidade de o provar, e que vinho! Produzido pelas Bodegas Emiliana, é de produção Biodinâmica e, de acordo com o site do produtor, composto de cinco uvas > Syrah / Merlot / Cabernet Sauvignon / Mouvédre /  Carmenére e Petit Verdot. Treze meses de barrica e temos na taça um vinho de qualidade superior, muito equilibrado e riquíssimo na boca porém certamente evoluirá muito bem pelos próximos dois a três anos quando deverá estar divino. Gostei muito e recomendo, É trazido pela la pastina e custa algo ao redor dos R$120,00.

A Confirmação

Toda a vez que vou num Wines of Chile e a Odfjell está presente, não resisto e tenho que ir provar seu Orzada Carignan, um vinho que me dá uma extrema satisfação de tomar por seu equilíbrio, sabores e  aromas diferenciados típicos da cepa. Mais uma vez confirmou que não tem para ninguém e eles manejam esse vinho elaborados de uvas provenientes de vinhedos velhos com mais de 80 anos. Um delicioso vinho trazido pela World Wine e comercializado por volta dos R$70 a 75,00 aqui em Sampa. Seus outros vinhos também são bastante interessantes, mas este Carignan ……..!

Grande

Dom Amado 2007 (DOCG Vinhos – RJ), que na foto  mais parece parente de nosso Dom Laurindo, é um senhor vinho que poucos conhecem, mas ao qual o Guia Descorchados deu 94 pontos. Um baita vinho que carece da imagem mais midiática de seus irmão top chilenos, mas que o conteúdo da garrafa deixa a muitos no chinelo. Cabernet Sauvignon com Merlot, ainda se mostra jovem demais precisando de um tempo de aeração para mostrar todo seu esplendor devendo evoluir em garrafa por pelo menos mais uma meia dúzia de anos. Marcante, encorpado, taninos finos, com personalidade, é um vinho que marca presença. Para momentos especiais, um grande vinho com preço condizente,  ao redor dos R$210,00

           É isso. Lógico que tinha muito mais rótulos por lá e não devo ter provado mais de 30 rótulos, porém esses foram os vinhos que mais me impressionaram entre os diversos degustados. Salute, kanimambo e abra sua mente e taça para coisas novas saindo da mesmice!

Ps. Deu pau no meu celular e as fotos dançaram! Assim que e se conseguir, coloco aqui.

La Calandria, a Busca pela Pura Garnacha

Dois rapazes (Javier e Luis) e um sonho, o de recuperar a essência da cepa Granacha em sua terra natal, Navarra no norte da Espanha. Amigos de infância, cada um traçou seu próprio caminho vindo a se juntar mais recentemente para desenvolver um projeto que denominaram “Pura Garnacha”, um projeto lúdico, algo poético que de cara já mexe com a gente de uma forma diferente. A busca por preservar as raízes de uma região.

Já faz um tempinho que os amigos Wilton e Martin da Dominio Cassis, importadora que também se integrou no projeto aqui no Brasil, me convidaram para seu “quincho” onde, num churrasco em que uma saborosa e macia paleta de cordeiro foi servida, nos foi apresentado o projeto, seus autores e seus vinhos.

Tudo é poesia, tudo é paixão e o resultado só poderia dar nisso, vinhos muito bem feitos, diferenciados e marcantes. Baixa produção significa cuidados especiais tanto com a uva no vinhedo como na cantina e os vinhos refletem bem esses cuidados pois são muito bem feitos deixando a cepa dizer a que veio. Rapidamente, um pequeno apanhado desses bons vinhos provados:

  • Sanrojo um rosé elaborado pelo processo de sangria com somente 6000 unidades engarrafadas – nariz muito fresco, tuti fruti, seco, bom corpo para um rosado e acidez acentuada, um vinho típico de verão, mas com um algo mais!
  • Volandera, o vinho “básico” deles elaborado por maceração carbônica que surpreende muito positivamente inclusive pela falta das agulhas que costumam ser peculiares a vinhos elaborados desta forma. O Luiz, enólogo, me explicou que o que costuma gerar isso é a cepa Viura (branca) que costuma ser adicionado ao vinho e no caso deles o vinho é 100% Garnacha o que faz uma enorme diferença. Nariz frutado e sedutor, na boca é muito fresco, taninos suaves, equilibrado e se levemente refrescado, 14º, mostra-se em toda sua plenitude. Um vinho com uma personalidade, sim vinho também tem, vibrante e jovial. Me parece que poderá ser bom companheiro para acompanhar  Peru à Califórnia.
  • Cientrueños, um vinho do qual, como o Volantera acima, somente se produzem 11.000 garrafas. Parte do vinho (50%) passa por barricas de 500 litros por cerca de 4 meses e parte passará, creio que este lote ainda não, por um estágio em ânforas. Ótima companhia ao cordeiro servido, mostrou-se de médio corpo, taninos sedosos, finos e bem equilibrado com um final saboroso onde despontam notas de especiarias. Um belo vinho!
  • Tierga, o topo de gama e um senhor vinho! No nariz, sente-se um pouco do que está por vir com seus 16% de teor álcoolico dando o ar de sua graça, mas sem atrapalhar a fruta bem presente e algumas notas florais . Produção ínfima, coisa de 4000 garrafas de uma região inóspita onde alguns poucos hectares de vinhedos geram cerca de 700 grs de uva por planta em parreiras com mais de 60 anos de vida.  No visual é escuro, opaco mostrando boa concentração que tinge a boca ao primeiro gole. Aqueles 16% de álcool passam despercebidos na boca pois possuem uma estrutura que ancora perfeitamente essa potência de forma muito equilibrada com taninos firmes porém de muita qualidade. Encorpado, riquíssimo, final longo um vinho que deixa marcas na memória e saudades na taça.

A garnacha é uma cepa que surpreende os mais incautos e a maioria das pessoas a desconhece mal sabendo que é originária da Espanha e não da França onde ela é conhecida como garnache. Em breve falarei um pouco mais da cepa, mas por enquanto curtamos os deliciosos caldos elaborados com ela.

Salute, kanimambo e espero vocês para uma taça lá na Vino & Sapore onde dou plantão  todo o final de dia!

Nem Tudo é Vinho

        Vinho é parte integrante de um todo e, em alguns momentos, também protagonista. Apesar do foco principal da 1º Granja Viana Wine Fest onde brilharam entre outros os produtos da Herdade da Malhadinha Nova do Alentejo/Portugal sobre os quais tecerei meus comentários mais abaixo, brilharam também outros expositores que entraram como coadjuvantes e saíram como protagonistas deste verdadeiro festival enogastronomico que marcou a história da Granja Viana, na região metroplitana de Sampa.

       Até poucos dias antes do evento, estava desolado com a falta de participação de meu produtor artesanal de antepastos italianos por problemas de saúde na família. Eis que do céu cai o anjo Gabriel, um dos sócios da Carciofi Alimentos, com a proposta de participar do evento. Na hora provamos e aprovamos os deliciosos produtos e agora também estão disponíveis na Vino & Sapore. Destaque de vendas (itens vendidos) possui um portfolio enxuto porém de muita qualidade sendo que, para mim, seu Tapenade de Azeitona preta e a inusitada Compota de Cebola são excepcionais. Parceria firmada, esta foi uma das descobertas proporcionadas por este gostoso evento.

       Do lado deles e estrategicamente colocado encostado no balcão dos Vinhos Verdes, a Marithimus, parceiro de longa data deu show com seus frutos do mar, salmão e truta defumados produzidos em Santa Catarina. Seus produtos são de extrema qualidade e neste evento lançaram seus novos produtos, os patés de salmão e de truta. Como todos os outros produtos por eles produzidos, a qualidade impera e são deliciosos.

       O azeite chileno Olivares elaborado com a variedade de azeitona Arbequina importado pela Dominio Cassis é campeão de vendas na Vino & Sapore e muito bom com um toque apimentado muito saboroso. Neste evento, no entanto, foi dado a degustar o azeite não filtrado da Herdade da Malhadinha e gente, que es-pe-tá-culo!

         A Herdade da Malhadinha Nova não me é estranha pois já em Janeiro de 2009 tecia comentários sobre seu vinho TOP o Malhadinha que, hoje, é seu segundo vinho já que o primeiro agora é o Marias da Malhadinha. Até hoje o Malhadinha 2003 segue sendo um de meus vinhos preferidos entre os milhares já provados e na Expovinis foi um dos poucos produtores que tive a oportunidade de provar. Por sinal, seu Aragonês, ainda por chegar ao Brasil, é divino também. Afora termos tido a oportunidade de provar o excelente Malhadinha 2008 que, a meu ver ainda se encontra algo fechado e muito ainda por evoluir, encantou a grande maioria dos que que tiveram a oportunidade de o provar tendo sido apontado como o melhor vinho da mostra, também provamos seu vinho de entrada o Monte da Peceguina que é um senhor vinho elaborado com um blend de uvas autóctones da região e uvas chamadas internacionais; Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah e Cabernet Sauvignon. Para eles um gama de entrada, para outros provavelmente já intermediário, senão top! Um belo vinho que poderia certamente estar uns 15% mais barato para realmente “estourar de vez” no mercado, mas sem duvida alguma uma bela surpresa que me encantou. Como diz o Miguel em seu blog Pingamor (link aqui do lado), Sai da garrafa com uma cor escura, jovem. Aroma com boa intensidade. Boca com bom volume e boa acidez. Muito frutada, tem a companhia de tosta, chocolate preto. Ligeiro toque vegetal. Bom final, guloso. À semelhança dos anos anteriores, este vinho apresenta-se já prontíssimo a beber, com um perfil guloso, frutado, com alguma complexidade. Temos aqui a receita para o sucesso, com um vinho fácil de gostar mas não modesto, um vinho moderno, jovem e urbano.” Concordo; vinho com caráter, corpo médio que tem tudo para agradar e como dizem na terrinha, muito apetecível.

        Ah, mas falava de azeite. Gente, um baita azeite como há muito não provava. Nem sei a que preço chegará por aqui (lá custa uns 10 a 15 euros) mas certamente os amantes dos bons azeites não poderão deixar de o provar pois é absolutamente marcante. Elaborado sem filtragem com 100% da variedade Galega, acidez máxima de 0,2% é riquíssimo e sedutor. Não sei nem sobre o quê servir, não tenho esse conhecimento de causa, mas molhar um paõzinho português ou italiano e sorver todos seus sabores já é divino e para mim já basta! Este eu recomendo e ainda preciso fazer um curso sobre azeites porque cada vez me apaixono mais por eles.

       O legal desse produtor, afora a qualidade de seus produtos, é a estória por trás dos rótulos que são todos desenhados pelas crianças da família e cada desenho leva o nome da criança que o desenhou. Algo lúdico numa vinosfera cada vez mais impessoal e industrial! Acho demais e uma visita virtual, se não física, ao produtor é certamente algo a fazer parte da “wish list” da maioria dos amantes da boa enogastronomia, na minha já está!

Salute e kanimambo

Decanter Wine Show – o nome já diz tudo.

       A Decanter cresce ano a ano e não só em quantidade, pois o Adolar com a assessoria do Guilherme, vem adicionando produtores de primeiríssimo nível ao portfolio da empresa.  Este evento, agora anual, nos trouxe vinhos somente do Velho Mundo onde chamaram atenção alguns países menos conhecido entre nós como Eslovenia, Croácia, Hungria (tintos) e Grécia mas “secondo me” como fala meu amigo Didu, os campeões foram vinhos mais tradicionais, mesmo que não tão conhecidos do enófilo.

       As preciosidades presentes foram muitas; Chateau de La Gardine Chateauneuf Cuvée des Generations, Bel Air Perponcher Bordeaux Girolate, Chateau Lagrézete le Pigeonnier Cahors Malbec, Chateau de la Tour Clos-Vougeot Grand Cru, Jean-Luc Colombo Cornas Les Ruchets, Pio Cesare Barolo Ornato e Luis Canas Hiru 3 entre outros, grandes vinhos de preços idem já que nenhum deles custa menos do que R$500,00 a garrafa. Não são vinhos para qualquer um nem qualquer momento, porém não fui lá para provar grandes vinhos e me esbaldar nos caldos de Baco. Talvez se fosse meramente por interesse hedonístico pessoal isso fosse válido, mas não foi o caso pois tenho um compromisso com meus leitores. Hoje, cada vez mais, meu foco é garimpar e encontrar bons vinhos, melhor ainda se forem ótimos, que se encaixem no bolso da maioria então tento estabelecer algumas metas nessas incríveis degustações; provar vinhos de até no máximo uns R$150 e eventualmente alguns poucos rótulos até R$300 para momentos especiais. Hoje, também uma preocupação, descobrir coisas novas e exóticas! Eis aqui o resumo daquilo que mais me chamou a atenção:

Attila Gere Hungria – fiquei muito curioso já que existe uma uva por lá que não conhecia e que, apesar do nome, nada tem a ver com Portugal. É a Portugieser Villany , muito aromática e frutada um vinho simples e fácil de gostar por R$65,00 mata a curiosidade de forma agradável sem romper bolso de ninguém.  Afora esse, mas num patamar de preços bem mais acima, gostei muito do Kékfrankos Prestige, do Cabernet Franc Selection e do ótimo Kopar, todos bem mais caros.

SIMCIC Eslovênia – marcantemente especialista em vinhos brancos, gostei bastante do Sivit Pinot (Pinot Grigio) que por R$90 se encaixa no orçamento da maioria, mas achei demais mesmo o Rebula (uva autóctone) Opoka com longa passagem por madeira, o vinho! Pena que o preço também está nas alturas, mas coisa rara é assim mesmo.

Korta Katarina Croácia – Muito bom o Posip, uva autóctone, vinho branco diferente e sedutor. Preço é um complicômetro.

Alemanha: Um caso á parte de belos vinhos brancos e a Decanter tem uma das melhores “coleções” de vinhos desta região.

  • Horst Sauer  da região de Franken (das garrafas diferentes Bocksbeutel de formato arredondado) gostei demais do Eschemdorfer Silvaner Kabinett Trocken por R$132 e do Eschemdorfer Furstenberg Muller-Thurgau Kabinett Trocken por R4106,00. Parei por aqui, mas a escada sobe e se estes já são muito bons os vinhos mais top prometem!
  • Reichsrat Von Buhl da região de Pfalz me surpreendeu com seu delicioso espumante (Sekt) Rosé elaborado com 100% Pinot, o Spätburgender Sekt Rosé Brut por R$130,00.
  • Grans-Fassian do Mosel possui dois rótulos de brancos doces que encantam. O Riesling Spatlese Piesporter Goldtropchen por R$170,00 e o Riesling Auslese Trittenheimer Apotheke por R$240,00.

Chateau Lagrézette Cahors, França é o berço do Malbec, mas um Malbec diferente do que estamos habituados a tomar por aqui! O top Le Pigeonnier é fantástico, mas curti mesmo foi o mais simples deles, o Purple. O nome tem tudo a ver com a cor e não tem nada a ver com os Malbecs argentinos. Boa pedida por cera de R$65,00.

Altas Quintas Alentejo, Portugal. Seus vinhos tintos são clássicos na região, curto muito o Trincadeira que está em falta e o sempre confiável Altas Quintas Colheita, mas o que mais me tem chamado a atenção em seu portfolio é o ótimo branco Altas Quintas Colheita um blend de Verdelho com Arinto. Os vinhos brancos portugueses ficam cada vez melhores e essa é uma dica para você, navegue por eles, pois estão demais! Pena que os preços vêm aumentando com a fama e este está por R$127,00.

Domaine du Salvard Loire, França, mais um clássico que possui um muito bom e acessível (R$80) blend de Chardonnay com Sauvignon Blanc o Cheverny Le Vieux Clos, mas que tem no seu top branco, com o mesmo corte de uvas, o L’Heritiére um grande vinho com passagem de 15 meses em barrica, que certamente surpreenderá a maioria. De uma incrível cremosidade.

Elena Walch do Alto Adige Itália próximo á fronteira da Áustria é uma produtora de vinhos surpreendentes. Para quem gosta de vinhos diferenciados é uma taça cheia!  O Muller Thurgau só no inox, é puro frescor e boa fruta por R$91,00. O Lagrein, uva autóctone da região que me agrada bastante, vem em duas roupagens, o bom Lagrein Alto Adige por R$104,00 e o estupendo Lagrein Riserva Castel Ringberg Alto Adige um senhor e sedutor vinho por R$266,00.

Frans Haas, também do Alto Adige. Possui um muito bom Nanna Vigneto dele Dolomiti que é um complexo corte de Riesling, Chardonnay, Gewurztraminer e Sauvignon blanc, porém me seduziu mesmo o Pinot Grigio Kris dele Venezie por R$64,00.

Pio Cesare, Piemonte Itália. Seus vinhos já se tornaram clássicos da região. Seu Barbaresco e seus Barolos são reconhecidamente grandes vinhos, mas desde há muito que tenho uma queda especial por seu encantador Barbera d’Alba Fides que já comentei aqui no blog por diversas vezes. Preço, R$220,00.

      Para finalizar, meus dois TOP do evento que, não por acaso creio eu, são lusos! Fazer o quê, o sangue fala mais alto, rs, mas acho que consigo bem separar as coisas.

Cossart Gordon. Vinhos madeira de primeiro nível, R$265,00, mas seu Bual 15 anos (adoro os madeiras elaborados com esta uva) é excepcional um vinho de exceção, uma ótima pedida para finalizar uma refeição numa clara e estrelada noite de verão ao ar livre olhando o céu ou no inverno sentado ao lado da lareira acesa. Vinho, entre outros predicados, romântico!

Quinta dos Roques do sempre simpático e competente Luis Lourenço. Seu Dão Encruzado (uva branca autóctone da região) entra ano sai ano é sempre um destaque que merece ser conhecido e custa R$105,00. Seu Quinta dos Roques Dão é um achado por R$81,00, seu Quinta dos Roques Touriga é divino e cresce muito com pelo menos meia dúzia de anos nas costas, recomendo até um pouco mais, mas seu Quinta dos Roques Dão Garrafeira 2003 (só produzido em 2000, 2003 e agora 2008 – em fase de amadurecimento na adega) com uma produção que varia nas grandes safras, entre 2000 a 3000 garrafas é de cair o queixo! Pura elegância e complexidade, rico e encantador, sofisticado e fino como poucos. Daqueles vinhos, como costumo dizer, que deveriam vir á mesa de fraque e cartola! Uma maravilha engarrafada por R$250,00 e vale!!!

Coisas que Perdi e me Deixaram Tristes, sniff/sniff

         Nestes eventos sempre tem coisa que queremos ver mas que no calor do evento passamos batido e só nos tocamos depois. Aliás, vai aqui uma sugestão para os organizadores do evento, que tal enviar os catálogos para os compradores de convites e membros da imprensa, com pelo menos uma semana de antecedência? Facilitaria muito a vida de todos pois possibilitaria uma melhor programação da visita. Eu, por exemplo, já tenho no meu site os vinhos que serão degustados dia 14 de Julho (Sábado) em meu 1º Granja Viana Wine Fest que realizarei na Vino & Sapore. Enfim, estes me deixaram tristes, não deveria ter perdido!

  • Paul Mas (França) Arrogant Frog Tutti-frutti tinto e branco.
  • Quinta da Neve (Brasil) Cabernet/Sangiovese/Merlot
  • Vinícola Hermann (Brasil) Matiz Alvarinho
  • Munoz-Artero (Espanha) Finca Munoz Reserva de La Familia e Cepas Viejas de Castilla
  • Hiedler (Áustria) os Gruner Veltliner
  • Chateau de Tracy (França)  os Pouilly-fumée

      É isso meus amigos, mais um grande evento e algumas descobertas que quis compartilhar com vocês. Um ótimo fim de semana que ficará melhor ainda se você garantir desde já a presença no meu 1º Granja Viana Wine Fest, e nos vemos por aqui ou na Vino & Sapore onde sempre haverá uma garrafa aberta para tomarmos uma taça juntos. Salute, com o Quinta dos Roques Garrafeira, e kanimambo!

Paella y Vino – The Day After

Faz um mês, nossa há quanto tempo, que tivemos a oportunidade de nos sentarmos na Vino & Sapore com amigos para mais uma degustação harmonizada. Mais uma vez um grande sucesso já que conseguimos atingir nossos objetivos ao conseguirmos montar as bases estruturais de toda e qualquer harmonização; Prato, Vinho, Pessoas e Momento! A ideia deste encontro veio da quantidade de pessoas, clientes e eleitores, que me perguntavam sobre os vinhos mais adequados para harmonizar com Paella e optei por diversificar os vinhos em prova.   Na Granja Viana a reputação da Paella preparada no forno a lenha pela Dona Sagrario é irretocável e célebre há décadas, então a fonte do alimento sólido para esta experiência enogastronomica só  poderia vir de lá e não deixou duvidas, delicia! Já os vinhos, aí a escolha foi bem mais difícil pois as potencialmente boas “maridajes” no mercado eram enorme. Optei por mixar o tradicional ao inusitado, rótulos mais conhecidos com aqueles menos midiáticos e só provando para ver o que dará certo.

  • Ramon Bilbao Branco – um Viura fermentado em barrica de que gostei muito quando visitei o tradicional e famoso Don Curro. Ótima acidez, saboroso, equilibrado e complexo com bom corpo, um vinho que entusiasmou o pessoal mas que não aguentou a paella valenciana que junta carnes brancas e frutos do mar.
  • Señorio de Sarría Rosado – um vinho de Navarra, região famosa por seus rosés, elaborado com a uva símbolo da região, a garnacha. Menos residual de açúcar do que estamos acostumados a ver nos vinhos deste estilo, mais seco e com uma acidez bem presente, acompanhou muito bem a paella com um toque mais refrescante e provavelmente seria minha escolha para uma tarde de verão.
  • La Calandria Cientruenos Garnacha – um vinho que acaba de chegar ao mercado, pequeno produtor que cria mais que vinhos, cria poesia engarrafada. Tentando restaurar a essência e tradição da Garnacha nos vinhos tintos de Navarra, um vinho diferenciado. Muita fruta, pouca madeira, taninos suaves paleta olfativa deliciosa e sedutora que evolui para bala de cereja, porém sem qualquer açúcar residual no palato. Um vinho que combinou muito bem com a Paella sem brigar com ela em nenhum momento tendo se mostrado um vinho muito alegre e jovial que certamente também deverá acompanhar muito bem um variado dortido de tapas. Uma maridage muito agradável que fez a cabeça de alguns.
  • Finca San Martin Crianza – um Rioja delicioso e sedutor que provei o ano passado e me surpreendeu muito positivamente já que, inclusive, possui um preço muito bom. Mas é na boca que ele realmente mostra a que veio e arrasou neste encontro com a Paella. Uma maridaje clássica, que mostrou uma incrível harmonia com o prato. O vinho mostra muito de um estilo mais clássico qdos vinhos de Rioja alta, porém algo mais light. Madeira muito bem colocada, taninos finos e maduros, um caldo vibrante que seduz e que, na minha opinião, foi a melhor harmonização num encontro em que os vinhos, como um todo, foram muito bem com o prato.
  • Trapezio Plus – nenhuma degustação que armo fica completa sem algo diferente e este vinho, fruto do corte entre a Merlot, maior porcentual, e a Cabernet Franc produzido na Argentina, surpreendeu a todos. O vinho por si só já surpreende pois prima pela elegância muito mais que potência que creio ser típico dos vinhos advindos de Agrelo em Lujan de Cuyo, pois tenho tido essa sensação da maioria dos vinhos dessa sub-região em Mendoza. Taninos bem posicionados, médio corpo, frutos negros muito agradáveis, final algo especiado, equilibrado e fresco. Uma ótima descoberta neste encontro em que a harmonização geral foi muito bem.

Destes cinco vinhos, quatro muito boas harmonizações, o ganhador fica por conta de cada um já que houve preferências por diversos. Só o branco, que todos adoraram, acabou destoando o que não lhe tira valor, uma pena pois o produtor não mais exportará esse rótulo. Mais uma noite muito agradável onde a alegria imperou e nos mostrou que as pessoas são claramente parte integrante de qualquer harmonização.

Salute, kanimambo e amanhã tem mais.

 

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