Degustações

Noite Mundial de Malbecs, The Day After!

        Noite de dia 17 de Abril, certamente a grande maioria dos aficionados pelos caldos de Baco tinham ontem uma taça de Malbec nas mãos. Em atos solitários, em confrarias, com a esposa ou amigos, em degustações, ontem foi dia de celebrar esta cepa e na Vino & Sapore levei adiante uma bela degustação de sete tintos e um espumante de malbec, todos argentinos. Presentes; Salta, Mendoza e San Juan. Não me estenderei muito sobre o tema nem sobre os vinhos, mas os mais diversos estilos foram contemplados e numa degustação às cegas o ganhador foi ………. Bem, primeiro a lista de participantes e um comentário especial sobre o espumante que entrou de última hora e surpreendeu, muito bom com grande equilibrio e bom corpo, o Alma Negra Rosé de Malbec Bru, talvez a maior surpresa da noite!

Vinhos Provados > DV Catena Malbec-Malbec, Bodega Riglos Quinto, Decero Malbec, Colomé Estate, AVE, Altos las Hormigas Terroir,Las Moras Black Label Malbec servidos na ordem da foto abaixo.

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Eis o resultado dos top 5 escolhidos pelos 12 felizes participantes do evento realizado às cegas e completado por um festival de empanadas argentinas:

  • 1º Lugar – Bodega Riglos Quinto Malbec
  • 2º Lugar – Las Moras Black Label Malbec ( o mais barato do painel)
  • 3º Lugar – DV Catena Malbec-Malbec
  • 4º Lugar – Colomé Estate Malbec
  • 5º Lugar – Decero Malbec

Uma observação; o Quinto foi degustado às cegas também, numa outra prova de 22 vinhos do mundo (Bordeauxs, Rhônes, Sicilia, Espanha, Portugal) de diversos preços tendo sido destaque do mesmo pois nesse dia havia vinhos bem caros na parada e ele levou o troféu! Salute, kanimambo e amanhã tem mais.

Vertical de Mas la Plana na Saca Rolha

        Mais uma vez a confreira Raquel Santos compartilha suas impressões conosco sobre a última reunião da confraria Saca Rolha. Desta feita um clássico da modernidade espanhola,  um vinho único na região, uma deliciosa vertical do Mas la Plana. vejam o que ela tem a nos dizer:

Mas la Plana Vertical

Quem gosta de vinhos, gosta de falar sobre eles. Uma hora ou outra vai querer comparar aquela garrafa que conheceu e gostou, com as experiências de outras pessoas. Esse desejo de partilhar sensações, nos leva a uma eterna busca: “ O vinho essencial “. Aquele que nos transporta a um mundo de experiências agradáveis que tivemos ou ainda queremos ter.

Nas degustações que chamamos de “ verticais “, essa prática pode ser estabelecida comparando o mesmo vinho,  produzido em anos diferentes. Ou seja, podemos observar com o passar dos anos,  sua maturidade, o potencial de evolução, através da cor, aromas e sabores. No último encontro da Confraria Saca Rolhas, tivemos a oportunidade de conhecer quatro safras do mítico vinho espanhol MAS LA PLANA.

Foi o 1º vinho espanhol moderno que ganhou destaque mundial.  Miguel Torres, seu criador, movido por seu espírito inovador,  produz um vinho na região do Penedés/ Catalunya – terra dos Cavas – elaborado exclusivamente com a uva  Cabernet Sauvignon – terra dos Tempranillos . Em 1979, foi eleito o melhor vinho desta casta na Olimpíada Gaut Millau de Paris, à frente do Chateau La Tour, ambos de 1970.  A família Torres produz vinhos desde 1870 na região da Catalunya, mas sua inquietude fez com que estendesse seus domínios ao Chile, EUA e mais recentemente à China.

Todo vinho tem um apogeu, um momento que nunca se sabe quando acontece, a partir do qual traçam uma curva descendente. O tempo de vida de um vinho varia de acordo com a sua qualidade, isto é, vinhos de boa qualidade tendem a ser mais longevos. Daí, a necessidade de prová-los em anos diferentes. As safras degustadas foram: 1996, 1999, 2005, 2007 e a primeira dúvida que tive foi: Qual a ordem da sequência da degustação? Do mais novo para o mais antigo ou o contrário? Decidimos começar pelo mais antigo, já que o mais jovem normalmente tem mais frescor, uma cor vermelha mais vibrante , os taninos mais ásperos,  que com o tempo ficam mais macios. Também tendem a serem mais frutados tanto no nariz quanto na boca. Com o tempo seus componentes vão se integrando, tornam-se mais intensos e aprimoram toda a gama de aromas e sabores. Optamos por começar pelo mais antigo que provavelmente seria o mais “ domado “ entre eles.

Mas la Plana na Taça

Mas La Plana 1996

Na taça já se podia ver sua evolução pela cor rubi bem escuro com halo alaranjado. Aromas potentes de frutas negras compotadas e madeira bem integrada. Na boca confirma a presença de frutas com bom corpo, boa acidez e taninos presentes bem finos. Muito elegante e apesar dos seus 17 anos ainda demonstrou capacidade de evolução na taça.

Mas la Plana 1999

Aqui já pudemos ter a perfeita noção do que seria a diferença entre as safras. De cor mais vibrante e aromas um pouco fechados de início, mas que dado o seu devido tempo, revelou-se com muito frescor.  Além de frutas, podia-se notar algumas flores e madeira perfumada. Na boca, mostrou bom extrato, além de taninos e acidez presentes,  muito bem equilibrados. Notamos que continha a maior graduação alcoólica entre eles(14,7º), porém  estava bem integrado  e não chegou a interferir. Foi o que mais evoluiu na taça! Com final longo e ( confesso ) deu vontade de parar por aqui mesmo!

Mas La Plana 2005  

Sua cor não era muito diferente do anterior (1999). Porém, os aromas apareceram com mais desembaraço. Notei também uma presença mais acentuada de álcool (14º) , que talvez por essa razão, fez com que parecesse algo mais vibrante, mais jovial, porém com muito equilíbrio. Deixou a sensação de que essa safra será igual ao 1999, daqui a seis anos. Um irmão mais novo, mas irmãos  podem ser parecidos, nunca iguais!

Mas La Plana 2007.

Apresentou as mesmas características de equilíbrio e elegância notadas anteriormente. Aromas que vão se abrindo pouco a pouco, revelando ótima integração entre  madeira e frutas. Taninos finíssimos, porém presentes que vão amaciando cada vez mais com a evolução na taça. Acidez que pede comida.

Este exercício comparativo entre esses quatro exemplares do MAS LA PLANA  me fez pensar em várias  coisas:

  • Uma das qualidades de um vinho é quando identificamos nele uma personalidade,  que se mantém, independente das alterações climáticas e a maturação do tempo, senti isso aqui.
  • O que os espanhóis chamam de “ crianza “ ou seja “ criação “, está diretamente ligado ao tempo de maturação de um vinho, que quando somados à qualidade da vinha, ao terroir e à mão do seu criador, percebemos suas características e seu potencial de evolução.
  • Outra coisa, que chamou a atenção de todos, foi o teor alcoólico, que tende a aumentar cada vez mais com o passar dos anos em função do aumento de temperatura no mundo. As mudanças climáticas estão na nossa taça também!
  • E finalmente, que o homem é o elemento mais importante na criação de um vinho. A partir de um desejo, talvez de perpetuar sua passagem pela Terra,  movido pela criatividade,  e utilizando todas as ferramentas que  dispõe para criar algo que se assemelhe o máximo com ele mesmo.”

     Valeu Raquel e agora meu comentário pessoal: o 99 está divino e o 2005 segue o mesmo caminho, me encantei com os dois e assino embaixo, dois grandes vinhos! Salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui.

De Volta à Argentina – os Vinhos de Cafayate

      Em função do “paro” em Buenos Aires nosso voo para Mendoza rodou então ficamos uma dia a mais no pedaço, mas aproveitamos bem. Algumas surpresas, uma revisão de avaliação, quebra de preconceitos e vinhos de qualidade (mais de 65)  na taça, boas experiências vividas nestes últimos momentos de presença na região de Salta.

El Porvenir  – Enquanto estávamos na Felix Lavaque, tivemos a felicidade de receber a visita do Mariano Quiroga Adamo, jovem e talentoso enólogo da El Porvenir (recente nesta casa) um produtor de médio porte elaborando cerca de 400 mil litros anuais dos quais 85% se exportam. Provamos três de seus vinhos, e muitos mais nos dias seguintes, porém vou deixar aqui minhas impressões sobre os que mais me chamaram a atenção entre os diversos bons caldos que habitaram minha taça nestes últimos dias na região de Salta.

Laborum Torrontés 2012 – já mencionei antes de que me surpreendi com a enorme evolução qualitativa dos Torrontés e este vinho só veio confirmar a regra. Uvas colhidas em três fases diferente de maturação resultam num vinho fino e elegante, fresco, frutado com toques cítricos e muito, mas muito saboroso.

Laborum Malbec 2011 – Nariz bem intenso e linda cor purpura, nos convidam a levar a taça á boca onde mostra um meio de boca muito bom e frutado, boa acidez e final bem longo e muito apetitoso! Vinho para curtir nas calmas, sem pressa para dar-lhe tempo de se expressar na sua plenitude. Um belo vinho.

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San Pedro de Yacochuya – Confesso que fui com um pé atrás. Sei que é um marco da região, mas essa potência toda e super extração “Rollandistica “ não faz minha cabeça e numa degustação de há tempos já tinha me decepcionado com ele. Confesso que revi posição, mesmo não sendo meu estilo de vinho. Apenas 21 hectares aqui (+ seis em Tolombon  ), dos quais 8 hectares com mais de 100 anos. Michel Rolland é sócio comercial sendo responsável pela elaboração dos vinhos, porém não pelo estilo já que isso é uma filosofia dos irmãos  Marcos e Arnaldo Etchart. Maceração longa de 30/40 dias, uvas supermaduras, tudo busca o perfil superlativo que fez a marca deste produtor e projetou a região de Cafayate internacionalmente.

Coquena Tannat – provamos amostra de tanque deste vinho que vem do vinhedo de Tolombon e que deve estar por ser engarrafado. Mesmo não pronto, já mostrou qualidade e creio que deveremos estar diante de mais um bom tannat desta região e espero que chegue logo ao Brasil.

Coquena Malbec 2011 – na hora não me encantou, porém recentemente tomei uma garrafa que trouxe e me surpreendeu. Dependendo do preço a que chegar ao Brasil, pretende ser uma alternativa low budget da marca, vale a pena pois está muito equilibrado e as notas vegetais mais agressivas que senti na prova na bodega, deram espaço para notas mais frutadas bem saboroso e de bom volume de boca que é a assinatura da casa.

Yacochuya 2009 – 24 meses de barrica, especiarias bem presentes. Potente em boca, taninos ainda algo “amarrantes” na boca (muito jovem), untuoso, carnudo, para tomar de garfo e faca! Tenho, todavia, que rever minha posição sobre este vinho que me confirmou que tudo na vida merece uma segunda chance. Vinho potente sim, porém muito rico também e demonstra uma complexidade que não tinha conhecido na minha prova anterior. Para os amantes deste estilo de vinho, certamente um grande vinho com enorme capacidade de guarda.

El Transito – com uma capacidade de produção de cerca de 150 mil garrafas  produz uma linha algo mais comercial e um pouco rustica no estilo. Sua linha básica é bastante interessante, me atraiu mais, e fácil de gostar com especial destaque para o Cabernet Sauvignon 2009 com bom volume de boca, especiarias, frutas negras no nariz, taninos finos sem passagem por madeira.

Etchart – um gigante e um dos primeiros a estar presente por aqui. Comprado em 96 pelo grupo Pinot Ricard, esperava uma visita sem grandes surpresas, de vinhos fáceis sem grandes emoções e………me enganei redondamente. Vivendo e aprendendo que preconceito é uma …..! Enfim, são 450 hectares de vinhas e mais de 9 milhões de garrafas ano porém do que provei, muitas e boas surpresas, sem contar a hospitalidade e simpatia numa prova em baixo das árvores do lado da casa de hóspedes. Lugar lindo.

Torrontés, provamos três. O Privado é simples e fácil, o Reserva já mostra ao que vem, mas é o Etchart Gran Reserva Tinaje 2012 que mexe com a gente ou, pelo menos, comigo. Um dos melhores provados nesta viagem. Todo ele muito sutil e fino, leve floral com notas de pêssego no nariz. Na boca é delicioso e sedutor com notas de grama molhada recém cortada, alguma lima mostrando um frescor muito gostoso e de final longo.

Arnaldo B, um dos melhores custo x beneficio dos vinhos provados em todos os sete dias de viagem á Argentina. Caiu nosso queixo quando nos disseram que este vinho custa algo ao redor de R$50 a 60 no mercado brasileiro já que nossa percepção de valor foi bem superior a isso! É o vinho principal deles e provamos o 2008 que é um blend essencialmente de Malbec/Cabernet Sauvignon e Tannat, mas que no futuro próximo pode vir a receber o aporte de outras cepas. Elegante, fino, de bom corpo e ótima textura, untuoso e rico, daqueles vinhos que acaba muito rapidamente e uma garrafa sobre a mesa será certamente pouco, ainda mais a esse preço!

Amostras de barrica. O anfitrião e enólogo da casa, Ignacio Lopez, se entusiasmou e quis nos mostrar algumas de suas criações em processo de desenvolvimento. Eles estão experimentando coisas novas e nos deram o privilégio de provar algumas amostras. Das quatro variedades provadas (CS, Tannat, Bonarda e Ancelotta) curti muito o Tannat que apresentou um frescor e fruta muito interessante prometendo um futuro bem interessante tanto em blends como solo. Gamei no Ancelotta!! Fino, denso, notas achocolatadas, uma aposta do enólogo em algo novo na região (sugeri que ele visitasse alguns de nossos produtores no Sul) que vai dar o que falar, aguardemos. Em principio estes caldos devem vir para enriquecer ainda mais o Arnaldo B, porém não me surpreenderia se viesse também uma linha de varietais de alta gama.

      Por hoje é só, mas ainda tem a Vertical de Mas la Plana, mais posts sobre a viagem á Argentina que fiz a convite da Wines of Argentina, otras cositas más! Devagarinho retomo o ritmo do blog então kanimambo pela paciência e não se esqueçam, dia 17/04 é o Dia Mundial do Malbec, aguardem surpresas! Salute.

E por Falar em Bacalhau e Vinho!

      lembrei-me que faz pouquíssimo tempo que a confraria Vino Paradiso se reuniu na Vino & Sapore para, sob a batuta gastronômica do confrade Ney Laux, viver uma experiência de harmonização de Bacalhau e Vinho. O prato escolhido e primorosamente preparado pelo Ney, foi um Bacalhau com Natas para o qual escolhemos três vinhos.

baca natas e vinho

         O espumante Luis Pato Maria Gomes Bruto, por sinal estupendo, foi nosso abre alas e preparação das papilas para o que estava por vir. Muito aromático, ótima perlage, fina e persistente, encheu a boca de prazer. Já os vinhos tranquilos, esse escolhemos para testar as diversas tendências de harmonização e o resultado foi muito interessante comprovando o que já tinha como convicção; para o Bacalhau com Natas, vinho branco sempre!

       Os confrades ficaram divididos entre o Chardonnay Wente de origem americana (San Francisco) e do Muros Antigos Alvarinho já com alguns anos de garrafa. O tinto, muito bom por sinal, deverá ser uma ótima pedida para um bacalhau à Lagareiro ou grelhado, porém aqui passou por cima do prato que estava bem delicado.

Wente Chardonnay – um belo vinho com madeira presente porém sem exageros e com uma acidez bem equilibrada. Harmonizou bem, porém para meu gosto pessoal a madeira sobressaiu um pouco o que me leva a crer que se daria melhor com um prato algo mais pesado, pero no mucho, como um Bacalhau á Brás por exemplo.

Muros Antigos Alvarinho – É um vinho verde mas não é um vinho qualquer! Um dos mestres produtores da região, Anselmo Mendes sabe o que faz no vinhedo e na cantina, um belo Alvarinho! Acho que a evolução lhe fez muito bem dando-lhe um maior equilíbrio e ressaltando seu ótimo volume de boca. Para mim, casou á perfeição, porém como em harmonização não existem verdades absolutas, muitos preferiram o Wente.

   Mais uma dica de harmonização de Bacalhau & Vinho para você testar e fazer seu próprio juízo de valor.  Está chegando a hora, então feliz Páscoa sempre lembrando que é um momento de renovação. Salute e Kanimambo.

Finalmente – Os Vinhos de Colomé!

 JFC em Colomé    Demorou mas cheguei à segunda parte dessa epopeia que foi a visita a este lugar mágico. Já falei um pouco da vinícola, do local e dos vinhos Amalaya, porém hoje quero falar sobre os vinhos Colomé . As uvas vêm de vinhedos de três diferentes altitudes; 2300 (Calchaqui), 2700 (El Arenal) e 3100  (Payogasta – os vinhedos mais altos do mundo) e geram vinhos realmente surpreendentes, porém há também algo do vinhedo San Isidro situado a 1700 metros de altitude em Cafayate.

       Após visita ás instalações e ao incrível museu, fomos brindados por uma degustação muito especial em que quase todos seus vinhos passaram por nossas taças. Tecerei alguns breves comentários sobre estes vinhos, porém alguns deles me marcaram muito positivamente e esmo recomendando a todos, estes, a meu ver, são imperdíveis havendo a oportunidade!

Colomé Torrontés 2012 – divino exemplar de Torrontés, nariz sedutor e enorme equilíbrio de boca, fresco e amplo. As uvas são colhidas em duas etapas, uma mais cedo para garantir uma maior acidez e a segunda para uma maior complexidade de aromas e peso em boca. Um belo parceiro para as famosas empanadas salteñas e cozinhas especiadas como a Tailandesa e Mexicana. No Brasil por cerca de R$52,00 é uma bela pedida!

Malbec Lote Especial 2010 – Na verdade são três, um de cada vinhedo; Cafayate – Calchaqui e El Arenal, todos com 10 meses de barrica ½ a ½ francesas e americanas.  Foi da opinião de todos presentes que o de San Isidro é mais sedutor em tudo, tanto no olfato como no palato. Todos muito bons, porém o equilíbrio encontrado no San Isidro faz toda a diferença, um vinho delicioso que terei que encomendar já que por aqui não tem e eu esqueci, vejam só, de trazer umas duas ou três garrafas!.

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Colomé Estate Malbec 2010 – leva 85% de Malbec de El Arenal, porém os restantes 15% tem um pouco de tannat, Syrah e Petit Verdot c 20% do vinho passando por barricas francesas de 1º uso e o restante de segundo uso. Um belo vinho, muito marcante com personalidade própria, ótima textura, bom corpo mas repleto de finesse. Na linha de seus vinhos considerados top, me pareceu o de melhor relação qualidade x preço x prazer. Custa por aqui em terras brasilis, algo ao redor de R$98,00 e vale!

Autentico Malbec 2011 – Sem passagem por madeira, advindo de cepas oriundas dos vinhedos mais antigos (1854) e clones destes, consequentemente, caro e de baixa produção! Vinho para guarda devendo estar pronto daqui a três ou quatro anos, bebê-lo agora é puro infanticídio.

Colomé Reserva Malbec 2009 – Só 7000 garrafas produzidas, 90% malbec e o restante um tempero de Syrah e Petit Verdot. Potente, denso, untuoso, 24 meses de barricas novas francesas, boca quente com toques mentolados. Vinho para guardar e beber com calma, está muito novo ainda, porém demonstra muita complexidade e  capacidade de evolução. R$ 270 por aqui.

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Lote Especial Sauvignon Blanc – ao estilo neo zelandês , nariz de muito boa intensidade, fresco e equilibrado. Me surpreendeu!

Lote Especial Tannat 2010 – apenas 1430 garrafas produzidas, 14 meses de barrica e 14.9% de teor alcoólico. O DSC03397Vinho! Trouxe uma garrafa para cá (aqui no Brasil não há) e todos adoraram. Álcool perfeitamente enquadrado e imperceptível, macio, frutos negros, algum tabaco, extremamente rico e absolutamente sedutor. Meu primeiro contato com os tannats de Salta que posteriormente tiveram sua qualidade confirmada por rótulos provados de outros produtores. OJO na Tannat de Salta!

Syrah Lote Especial – não tem a mesma pegada do tannat, álcool mais aparente e algo disperso. Correto, mas não deixa marcas!

DSC03390Colomé Lote Especial Misterioso branco – um field blend em que até agora foram identificadas cinco cepas; chardonnay/semillon/sauvignon blanc/riesling e torrontés porém há mais! Complexo, muito aromático e vibrante na boca, delicioso, uma pena que só tem por lá. Produção de somente 1600 garrafas e as duas que trouxe já foram! Sniff….

       Uma das coisas que mais me surpreenderam nos vinhos foi o álcool bem integrado e moderado mostrando enorme elegância. Essa coisa de vinhos muito potentes, álcool desacerbado e de grande extração mostra ser muito mais a marca de um produtor da região, do que uma marca de Salta como somos erroneamente levados a crer, conforme pude sentir e comprovar nas visitas subsequentes realizadas. Enfim, hora de partir e a certeza de que este lugar vai deixar saudades. Alguns de seus vinhos estão no Brasil, ótimo, mas voltar aqui vai ser um projeto de médio prazo e, quem sabe, porquê não com um pequeno grupo?

Borbulhas na Confraria Saca Rolhas por Raquel Santos

       A Confraria Saca Rolha se encontra mensalmente na Vino & Sapore para degustar e descobrir novos sabores assim como, vez ou outra, rever alguns que deixaram saudades. Uma das participantes é a amiga Raquel Santos, formada sommelier pela escola da competente e mui respeitada Alexandra Corvo, que convidei para ser nossa porta voz e compartilhar com os amigos as experiências sensoriais desses encontros. Este é o primeiro de seus posts num espaço que espero venha a ser mais regular e vire uma coluna muito em breve. Seguem suas impressões sobre nossa reunião “borbulhante” do mês passado.

 Era uma segunda feira de tempo fechado e chuvoso, mas a noite prometia. Na agenda cintilava mais um encontro da Confraria  Saca Rolhas. O tema não podia ser mais animador, espumantes! Quem não se entusiasma diante dessa possibilidade? Confesso que a oportunidade de comparar vinhos que possam parecer equivalentes, ejam pela mesma casta, mesma região ou mesmo método de vinificação me atiçam a curiosidade. É a maneira mais eficiente de  perceber como cada vinho é único, tem vida própria, como  pessoas…

Com os espumantes, eu diria que esse encontro envolve também um certo “glamour”. Quando olhamos a garrafa, já podemos ver que trata-se de um vinho em traje de gala. Na taça, os diferentes tons de dourado, com as borbulhas fazendo aquele som frizzzzz…….temos a certeza que chegamos à festa!  Nosso anfitrião, João Filipe, já havia enviado à todos um e-mail para confirmação da presença com alguns toques do que seria degustado (só para ficarmos sem chance de recusa…rs..rs..) e manter o alto nível de expectativa. Chegando lá, garrafas no gelo e taças à mesa!

Espumantes

Depois de uma prévia apresentação, confesso que a escolha dos vinhos  superou todas as minhas expectativas! Eram oito espumantes, sendo sete safrados! Foi meu primeiro contato com tantos vinhos desse nível ao mesmo tempo. Enfim, começamos os trabalhos com um Cava da região do Penedés:

            1. CAVA (NU) Reserva Brut –  feito pelo método tradicional pela Bodegas Maset – Espanha . Nariz cítrico com alguns toques florais. Na boca bem seco, pérlage fina com acidez e álcool presentes, porém suaves e equilibrados. No final revela os aromas de fermento, típicos do método tradicional/champenoise.

Uvas: Xerel-lo, Macabeo e Parellada.

Para ser apreciado numa tarde de verão, em momentos descontraidos, pelo frescor que proporciona. Preço ao redor de R$ 65,00

            2. HERDADE DO PERDIGÃO Bruto 2009– Espumante Brut  feito pelo método clássico (tradicional) – Portugal/Alentejo. Aromas frescos, marinhos e minerais. Na boca boa pérlage, maçãs em compota, boa acidez e final harmonioso.

Castas regionais: Antão Vaz e Arinto. Preço ao redor dos R$ 100 a 110,0

          3. COLINAS BRUT NATURE -2008– Portugal/Bairrada. Feito com as tradicionais castas para elaboração de espumantes ( Chardonnay e Pinot Noir) onde se agrega Arinto para aporte de maior frescor e vivacidade. Aromas tímidos e muito suave na boca. Boa pérlage e acidez “seca”. Preço por volta dos R$ 95,00.

Dentre esses dois espumantes portugueses, achei muito interessante o primeiro (Herdade do Perdigão), talvez por expressar muito bem a tipicidade da região do Alentejo que tem influência dos ventos vindos do Atlântico.

Continuando a nossa sequência, era chegada a hora dos tão bem falados Espumantes Brasileiros! Não é de hoje que se ouve falar que a vocação do terroir do Rio Grande do Sul tende cada vez mais para a produção desse vinho.

          4. CAVE GEISSE TERROIR ROSÉ -2008– Brasil/Pinto Bandeira. Método tradicional, aromas expressivos de frutas vermelhas e cítricos. Na boca muita pérlage (enche a boca). Acidez e álcool equilibrados e final frutado de morango e framboesa. Muito gastronômico e festivo! 100% Pinot Noir. Preço ao redor de R$ 120,00.

         5. ÓRUS ROSÉ PAS DOSÉ -2009- Brasil/Garibaldi – Produzido pelo enólogo Adolfo Lona, pelo método tradicional, com as uvas Chardonnay, Pinot Noir e Merlot, não leva licor de expedição (extra brut). Tem 12 meses de contato com as leveduras e outros 12 meses de descanso na garrafa. A cor em taça é bem interessante! Tons acobreados e alaranjados. Aromas suaves com complexidade, lembrando frutas secas e fermentos lácteos. Na boca é elegante e refrescante, com final floral, frutas brancas (maçãs/peras), evoluindo para notas amendoadas. Para ser apreciado com tempo. Das 578 garrafas produzidas, provamos a de nº 371. Preço por volta dos R$ 120,00

Dois produtores de peso: Mário Geisse e Adolfo Lona. Todo conhecimento e tecnologia aliado a matéria prima que encontraram por aqui, além de muita perseverança em acreditar que seria possível sim, produzir vinhos de altíssima qualidade em terras brasileiras resultaram nesses dois maravilhosos exemplares! Orgulho!

          6. FERRARI PERLÉ BRUT – 2004 – Itália/Trento. Espumante Blanc de Blanc (100% Chardonnay) , tem 5 anos de autólise ( contato c/ as leveduras ) , o que lhe confere uma grande complexidade de aromas e sabor. Aromas potentes de pão doce, creme patissier, frutas e flores brancas. Acidez, alcool, pérlage presentes e equilibrados. Final longo, mantendo toda a sua intensidade por bom tempo. Preço: R$ 198,00

       7. LOUISE BRISON – 2004 – França/Champagne. Elaborado com 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, por um pequeno produtor de apenas 13 hectares. Adepto da política da viticultura sustentável e que consegue manter a tradição dentro da modernidade. Muito elegante e pérlage intensa. No nariz lembra fermento de pão, frutas brancas e um floral suave de campo. Em boca os aromas se mantem presentes, compondo com sabores delicados e final longo. Preço ao redor dos R$ 200,00.

Impossível  comparar esses dois espumantes de altíssima qualidade! Seria como comparar um italiano/a e um/a frances/a. Eles tem a mesma idade, mas o italiano é falante e gesticula muito as mãos. Demonstra inteligência, sofisticação e não faz questão nenhuma de esconder suas qualidades. Sua vibração é contagiante e todos querem ficar ao seu lado. Já o francês, demonstra que tem também muitas qualidades. Porém apresenta-as com sutileza e mais finesse. Vai se revelando aos poucos, o que o torna muito instigante e misterioso. Ele atrai pela curiosidade de desvendá-lo. Difícil escolher entre um ou outro! Se puder fique com os dois…..rs..rs…

        8. CUVÉE EDMOND BARNAUT GRAND CRU  BRUT – 2006 – França/Champagne. Corte tradicional de Champagne (40% Chardonnay, 40% Pinot Noir e 20% Pinot Meunier), é um dos únicos 17 produtores que recebe a classificação ” Grand Crú” e também o único nesta seleção que levou a uva Pinot Meunier no blend. Na taça apresenta uma cor palha dourada com intensa pérlage, remetendo imediatamente ao clima festivo de grandes comemorações! Aromas sutis de brioches, flores e frutas. Na boca é intenso e ao mesmo tempo macio, pela quantidade de borbulhas finíssimas e delicadas. Boa acidez com um toque de mineralidade. Muito fresco, elegante, equilibrado e gastronômico. Final longo, demonstrando potencial para evoluir ainda mais! Preço: R$ 240,00

Encerramos com ” chave de ouro”! Um grande Champagne, para uma grande noite!

         Foi uma oportunidade única que mesmo numa situação de análise dos vinhos em que nos encontrávamos, (confraria) que é sempre diferente de quando estamos bebendo, comendo e conversando por puro deleite, fomos levado para uma viagem onde pudemos conhecer 8 tipos de espumantes, sendo 7 safrados ( 2004, 2006, 2008, 2009 ), 1 espanhol, 2 portugueses, 2 brasileiros, 1 italiano e 2 franceses. E o melhor foi que “o deleite” que falei acima, não ficou fora da viagem! Ainda tivemos comidinhas para fazer um contraponto de sabores entre um vinho e outro. Além de muita conversa, risadas, enfim………um clima alto astral que só as borbulhas dos espumantes podem proporcionar. Afinal, acho que é exatamente isso que as pessoas procuram quando pensam em espumantes. E esses mostraram a que vieram!

Fui dormir feliz e mesmo na cama, ainda podia sentir as famosas estrelas no céu da boca!

Colomé, Um Oásis no Meio do Deserto

       Chegar em Colomé já é por si só uma odisseia! Vilarejo de cerca de 700 habitantes espalhados por pequenas casas de terracota (com aquecimento solar), fica situada no vale de Calchaqui a cerca de  250kms e cinco horas de carro (melhor SUV) da cidade de Salta no norte da Argentina.  Boa parte da estrada é asfaltada, mas os últimos 80kms são de estrada de areia de uma pista só (boa parte) subindo a mais de 3450 metros de altitude (Piedra del Molino) para depois chegar a cerca de 2300 metros após passar por um altiplano com uma reta de 10kms cercada de cactos por todos os lados e um paredão que cresce no horizonte.

Caminho de Colomé

        Não é um passeio para quem não tenha um mínimo de espirito de aventura! A região é linda, agreste, rios secos atravessam a estrada e a cidadezinha (que separa o asfalto da areia) de Cachi é uma graça com sua praça central em estilo colonial espanhol onde nos salta aos olhos a limpeza do local. De repente chegamos á Bodega, um espetáculo á parte pois aqui, entre o cinza/bege da areia, aparece o verde das vinhedos e alfazemas em flor, um verdadeiro oásis no meio do deserto.

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       A estância cheia de história circunda a primeira bodega argentina datada de 1831, repleta de obras de arte espalhadas pelos mais diversos cômodos (outra das paixões de Donald Hess proprietário da vinícola), decoração lindíssima, árvores centenárias, jardins delicados e algo minimalistas é um lugar que a vinícola hoje somente usa para receber convidados e mostra um certo toque místico comprovado pelo Buda que nos recebe logo no primeiro pátio. Acreditem ou não, no meio do vinhedo experimental e próximo à bodega, um museu construído para mostra das obras de um só artista, é o James Turrel Museum, uma experiência sensorial única!  O lugar em si, mesmo que não tivesse vinho, já valeria as longas horas da viagem, com vinho então……! Sou, decididamente, um privilegiado e não podería ter melhor forma de iniciar este tour pelos diversos terroirs argentinos, mas tinha mais ………….tinha vinho e do bom!

Colomé I

       A sala de jantar que nos recebeu para a primeira parte de nossa degustação é por si só, já uma obra de arte que nos seduz por completo ao entrar. Acompanhando um jantar delicioso que pouparei os amigos dos detalhes, provamos a linha de vinhos Amalaya (á espera de um milagre) que vem de vinhedos mais próximo a Cafayate a capital do vinho em Salta.

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Amalaya Branco – Este já conhecia e me agrada sobremaneira pois o Riesling adicionado ao Torrontés, transfere um frescor delicioso a este vinho.

Amalaya Rosé –  de malbec que leva uma pequena parte de Torrontés possui uma cor lindíssima e convidativa. O Torrontés dá um toque diferenciado a este vinho que surpreendeu a todos por seu frescor e final seco de boa persistência. Uma pena que o importador não traz este vinho para o Brasil.

Amalya tinto – sempre muito bom e consistente ano após ano, um velho e conhecido parceiro de taça. Redondo, saboroso, untuoso, taninos sedosos e um final muito apetecível é daqueles vinhos pouco midiáticos mas que satisfaz e surpreende mais ainda em função do preço, por volta dos R$40 aqui no Brasil, o mesmo do branco.

Amalaya Gran Corte –um vinho que surpreendeu, mais um, por diversos motivos; teor alcoólico de 14% o que para um vinho argentino desta região é mais do que educado e muito bem integrado, preço no Brasil ao redor dos R$70,00 e muito fino. Blend de Malbec, Tannat e Cabernet Franc com 12 meses de passagem por barrica é um vinho guloso com notas tostadas e fruta madura em abundância. Taninos aveludados e macios, bom volume de boca e um final muito saboroso.

     Começamos assim nosso primeiro dia de viagem a Salta e certamente não o poderíamos fazer de forma mais saborosa e para tanto vale aqui a mão e atenção que nos dedicou Pedro Aquino sommelier nascido e criado na região que foi nosso anfitrião. Os vinhos da Bodega Amalaya primam pela bela relação Qualidade x Preço x Prazer o que bate em cheio com minha visão de nossa Vinosfera e, portanto, merecem minha recomendação. O lugar tem muito mais a mostrar e no dia seguinte muitos mais vinhos foram provados, mas isso é papo para outro dia e outro post.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Ps. para dar zoom nas fotos clique duas vezes sobre elas.

 

 

 

 

Dicas da Semana – Achados 2012 e Liquidação na Vino & Sapore

Começo o ano puxando a sardinha para o meu lado, rs, porém são duas dicas, modéstia á parte, muito boas pois quem já me conhece e segue há algum tempo sabe que não vendo gato por lebre!

 1 – Degustação – Achados 2012 em Dose Dupla na Vino & Sapore

       Como já tinha comentado, quis montar uma degustação com alguns dos vinhos mais representativos no quesito Qualidade X Preço X Prazer publicado no post Achados 2012 da semana passada e convoquei alguns de meus parceiros para colaborar com a causa sempre levando em conta a diversidade tanto de faixas de preços quanto de origens e uvas. A recepção à ideia foi muito positiva e os rótulos se acumularam num número muito acima do esperado e viável para somente um encontro desses. Face essa situação nos perguntamos, mas porquê não uma degustação Dose Dupla? Uma dia 23 de Janeiro e a outra dia 6 de Fevereiro como preparo para o Carnaval.  

       Pois bem, ideia aprovada em reunião de diretoria (rs), eis os vinhos que optamos por compartilhar com os amigos em cada um desses dias, ao final dos quais teremos algo mais sólido para rechear o estômago. Vejam abaixo a lista de rótulos, origens e parceiros nessa viagem por uma grande diversidade de sabores.

Degustação Achados 2012 A – 23 de Janeiro  
     

Rótulo

Origem

Imp./Prod.

Collin Cremant de Limoux Brut França/languedoc Premium
Colina Branco Portugal/Bairrada Ideal Drinks
Casa da Passarela Tinto Portugal/Dão Vínica
Domaine Petite Cassagne França/Languedoc Premium
Surani Primitivo di Manduria Itália/Puglia Vínica
Altos las Hormigas Malbec Terroir Argentina/Mendoza Mistral
Dezzani Barbaresco Itália/Piemonte Calix
Tierga Garnacha Espanha/Aragon Dominio Cassis
     
Degustação Achados 2012 B – 6 de Fevereiro  
     

Rótulo

Origem

Imp./Prod.

Cave Geisse Blanc de Blanc Brut Brasil Familia Geisse
Villa Raiano Greco de Tufo Itália/Campania Decanter
Canforrales Rosado Espanha/La Mancha Almeria
Colonia las Liebres Bonarda Argentina/Mendoza Mistral
Paul Mas Grenache Noir França/Languedoc Decanter
Amalaya Gran Corte Argentina/Salta Decanter
Martúe (blend) Espanha/Pago de la Guarda Almeria
Altano Quina do Ataide Portugal/Douro Mistral

     Afora compartilhar esses sabores com os amigos, a idéia é viajar também pela diversidade de preços não nos atendo tão somente a vinhos de maior escalão. Aqui, provaremos vinhos de R$40 a 150,00 tendo, portanto, a oportunidade de tomar, também, uma posição sobre o tema preço nos vinhos. Afinal, vinho barato pode ser bom? Tem crítico de alto escalão por aí que acha que não!

     Realizarei essa degustação, como já de praxe, na Vino & Sapore (Granja Viana) com inicio às 20 horas e o custo será de R$50,00 por pessoa limitado a 12 participantes. Quem optar por já se inscrever nos dois e pagar no ato da reserva, terá 10% de desconto. Sete dessas vagas em cada um dos dias já se encontra reservada, então sobraram tão somente cinco lugares em aberto, por isso não hesite, ligue ou envie seu e-mail logo; Tel. (011) 4612.6343/1433 E-mail comercial@vinoesapore.com.br.

2 – Mega Wine Sale Vino & Sapore 2013

       Neste ano de 2013 estou programando uma série de mudanças na Vino & Sapore após dois anos de funcionamento. Para que possamos levar adiante esses novos projetos, precisamos dar uma secada no número de rótulos então estamos matando uma série deles para abrir espaço e trazer novidades tanto de rótulos quanto de novos fornecedores. Iniciamos essa Mega Sale na semana passada e muitos dos rótulos já se esgotaram, lembro que trabalhamos lá com o mesmo conceito daqui; diversidade e qualidade, não quantidade! Obviamente que gostaría de o receber na loja para um tour particular pelos mais de 80 rótulos disponibilizados na promoção, porém caso tenha interesse clique aqui e veja a lista sempre lembrando que algunsdesses rótulos já podem ter acabado então consulte. se estiver longe, consulte também, pois há sempre a possibilidade de lhe podermos enviar via PAC do correio ou Jadlog com o devido acréscimo do frete. O contato vocês já sabem: Tel. (011) 4612.6343/1433 E-mail comercial@vinoesapore.com.br.

mega wine Sale V&SClique na imagem para ver a lista. Salute, kanimambo e na Sexta falo de Colomé, a primeira bodega Argentina datada de 1831! Uma visita algo mística que me encantou pelo lugar e pelos vinhos.

Diversidade Argentina

           Nesta minha recente viagem exploratória pela vinosfera argentina, ficou mais claro que nunca, que esta não é só terra de Malbec e que, mesmo desta cepa, a diversidade impera só que está muito mal trabalhada tanto pelos produtores quanto pelos importadores. Queria compartilhar com os amigos leitores um pouco dessa experiência de diversidade e fui comprando ao longo da viagem alguns vinhos que ainda não estão disponíveis no Brasil e que agora disponibilizo numa degustação especial na noite de dia 20 de Dezembro, um dia antes do fim do mundo pois se acontecer vamos felizes (rs), para tão somente 12 pessoas lá na Vino & Sapore!

         Na última degustação do ano, pretendemos mostrar um pouco da diversidade da vinosfera argentina com oito diferentes vinhos entre cepas, vinificação e processos distintos entre si. São vinhos que me surpreenderam na viagem a Salta e Mendoza a convite da Wines of Argentina.

Diversidade Argentina

Trumpeter Rosé de Malbec Brut – os espumantes da Rutini, casa produtora da linha Trumpeter, não são trazidos ao Brasil, mas este rosé me impressionou muito positivamente e os incentivei a rever essa estratégia pois, se bem precificado, certamente seria um sucesso!

Colomé Lote Especial Misterioso – é uma família de rótulos de reduzida produção, em torno das 1500 garrafas cada, sendo que este vinho vem de um vinhedo antigo cultivado num estilo mais conhecido na região do Douro em Portugal, um Field Blend. Os antigos plantavam as uvas todas juntas por segurança e estes vinhedos velhos por vezes têm uvas não identificadas, porém geram vinhos de grande qualidade. Este branco advém de um Field Blend antigo em que pelo menos cinco das cepas foram já identificadas – Chardonnay, Torrontés, Sauvignon Blanc, Semillon e Riesling.

Colomé Lote Especial Tannat – a Tannat de Salta me surpreendeu por sua complexidade e elegância, perfil aromático sedutor, taninos domados e bem integrados com um final de boca longo e saboroso. Este exemplar me deixou especialmente satisfeito e espero que achem o mesmo. Somente 1400 garrafas produzidas de vinhedo a 2300 metros de altitude, um dos mais altos do mundo.

Tacuil RD Corte – Raul Davalos é um nome meio místico na região de Colomé, ele que foi um dos desbravadores e pioneiros na região. Sua bodega  de nome Tacuil, está situada a cerca de 2600 metros de altitude e seus vinhos, que são de guarda porém não têm passagem por barrica, Raul é inimigo dessa prática, envelhecendo seus vinhos em tanques de cimento. Este vinho, corte de Malbec e Cabernet, é um vinho encorpado, viril, que necessita de aeração para que mostre todo seu potencial, um vinho diferenciado a que Parker deu 92 pontos na safra de 2010.

La Celia Heritage Cabernet Franc  – a La Celia, agora pertencente ao grupo San Pedro chileno, é pioneira no Vale do Uco em Mendoza no cultivo da Cabernet Franc com vinhos muito interessantes. Tive oportunidade de provar o ótimo Pioneer seu mais novo lançamento ainda não presente no Brasil, porém não o encontrei então trouxe um rótulo num patamar acima, a linha Heritage. Esta uva está produzindo vinhos muito interessantes na região que me seduziram e mostram claramente que há muito mais além da Malbec por aquelas bandas.

Quieto Reserva 2010 – vinho ainda por engarrafar e com rótulo provisório de uma das mais excitantes bodegas provadas nesta rápida viagem, a Montequieto. Me entusiasmei com o que vi, escutei e provei (por sinal a safra de 2011 ainda em tanques está divino!). Um blend de Cabernet Franc (olha ela de novo), Malbec e Syrah muito bem elaborado por um jovem enólogo muito criativo, o Fernando Sota. Uma mostra de que os blends deste país produtor estão alcançando parâmetros de qualidade muito bons e devem ser encarados com mais seriedade.

De Angeles 2008 Gran Malbec – uma mostra de uma linha mais tradicional argentina com bastante potência, denso, escuro e firme com madeira bem integrada mostrando a tipicidade dos vinhos com a mão de Michel Rolland. Um vinho num estilo mais tradicionalmente conhecido dos brasileiros, bem feito e marcante.

Achaval Ferrer Dolce – um vinho doce, colheita tardia de Malbec, que acompanhou muito bem pedaços de chocolate com amêndoas, o que faremos aqui também, nos surpreendendo a todos. Vinho que sequer consta do site da importadora, pequenas quantidades e muito sedutor vendido em algumas poucas lojas como a Lo de Joaquin Alberdi em Palermo Soho com link aqui do lado em “lojas”

        Para acompanhar os vinhos serviremos em parceria com a Cachaçaria Água Doce Sabores do Brasil, nossos amigos e vizinhos; Iscas de Tilápia, Bolinhos de Carne de Sol, Empanadas de Carne (estas são da Caminito) e finalizaremos com um escondidinho de Carne de Sol e chocolate Florentine da Heidi ou um panetonde Loison Grand Cacau, na hora vemos! Tudo isso por apenas R$100 por pessoa e na compra de qualquer vinho da loja nessa noite tão somente, um desconto especial de 7%!

       Começa ás 20 horas e reservas deverão ser feitas via o e-mail comercial@vinoesapore.com.br ou então ligue para o telefone (11) 4612-6343 entre as 11 e 20 horas para maiores informações. Salute, kanimambo e espero vê-los por lá!

Dicas da Semana – Le Grand Degustation 2012

      Todos os anos finalizo o período de mais um ciclo da vida com uma grande degustação, mas desta feita botei para quebrar! rs Neste próximo dia 12 de Dezembro pretendo realizar, se houver quorum, a Grand Degustation 2012 na Vino & Sapore, um encontro que pretendemos venha a ser de longa persistência na memória de cada um dos participantes. Não é todo o dia que temos a oportunidade de degustar grandes vinhos na companhia de ótima gastronomia formando uma harmonização perfeita com os doze participantes desse encontro. O evento, no entanto, só ocorrerá caso tenhamos um quorum minímo de dez pessoas (já temos seis confirmados) e terá como parceira na gastronomia a amiga e Chef Wendy Elago já conhecida de alguns. Vejam abaixo o que espera os amigos que vierem a participar desse gostoso evento.

 Abertura: Receberemos os amigos participantes com o novo lançamento da Cave Geisse, o Blanc de Blanc elaborado com 100 % de Chardonnay. Um dos melhores produtores de espumantes no Brasil com reconhecimento internacional tendo o enólogo Mario Geisse, responsável também pelos vinhos da chilena Casa Silva, recentemente sido convidado a elaborar um Champagne por um produtor 1er Cru de lá. Uma grande honra já que é o primeiro Sul Americano a alcançar esse feito.

Entrada: Tapas de Camembert e Presunto Cru espanhol que será devidamente escoltado por um clássico da Rioja, o Viña Tondonia Reserva Branco 1991.  No mínimo uma experiência diferente pois é um branco diferenciado que prima pela complexidade e evolução oxidativa sem perder a acidez, porém sem aquele frescor típico dos vinhos brancos mais jovens já que falamos de um branco com vinte aninhos de vida!

Degustação: Três vinhos marcantes provados em 2012:

  • Tierga Garnacha 2008 – Espanha
  • Le Difese 2009 – Itália/Toscana
  • Watershed Shiraz 2001 – Austrália

Preparação para o Jantar: Para limpar o palato preparando-o para a continuação da refeição – Sorbet de limão

Primeiro Prato: Puligny-Montrachet 1er Cru Les Champs de Gain 2008, a quintessência dos chardonnays, de Domaine Bouzereau terá como parceiro Cauda de Lagosta com risoto de limão siciliano

Segundo Prato: Pio Cesare Barolo 2007, um produtor e um rótulo de fama mundial e história na elaboração de grandes vinhos, terá como companhia um Ragu de Ossobuco sob uma cama de polenta mole.

Sobremesa: Pandoro de Zabaione da Loison, produtor italiano de panetones, que terá a companhia de um Passito de Malvasia delicioso elaborado pela Gravisano.

Final: nossos já conhecidos Café do Atelié do Café

Grátis: A caminhada em volta da Estação do Sino (onde a Vino & Sapore está instalada) para fazer a digestão! rs

      De cada vinho serão servidos 50ml por participante e o investimento para participar desta verdaderia “Festa de Babete” regada por Baco será de R$320,00 por pessoa, com desconto de R$20 por participante no caso de duas pessoas ou mais. Caso deseje participar desta verdadeira viajem por sabores e aromas diferenciados,  nosso último evento do ano, agradeço entrar em contato através do e-mail: comercial@vinoesapore.com.br .