Degustações

Syrahs – Uma Viagem Fora de Seus Habitats Mais Conhecidos, França e Austrália

Syrah Grape Fred Miranda         Mais uma viagem de descobertas de novos sabores, algo inerente a qualquer confraria que se preze, onde a experimentação tem que conviver com os eventuais encontros com grandes vinhos e, obviamente, a confraternização entre amigos. A meu ver, esse Las Moras 3 Valleys é hoje um dos grandes Syrahs até R$200 disponível no mercado e páreo para muito nomes graduados e bem mais caros, vinhaço! Provamos, todavia, uma série de outros vinhos bem interessantes mostrando uma diversidade entre eles muito interessante. Uma dica, fiquem de olho nos Syrahs Sul Africanos e Chilenos, muita coisa boa vindo dessas regiões. Em nossos encontros, no entanto, quem conta nossas experiências é a Raquel, então vejamos o que ela achou dos vinhos de mais esse encontro da confraria Saca Rolha.   

         “ Syrah ou Shiraz? Eis a questão. Tudo depende da procedência dessa uva que sempre viveu à sombra das espécies mais famosas, como a Cabernet Sauvignon em Bordeaux ou a Pinot Noir na Bourgogne.

         Sua origem tem várias versões e uma delas é que vem da antiga Pérsia, de uma cidade chamada Shiraz. A outra versão, é que foi trazida do oriente, e pelo caminho passou pelo sul da Itália, na cidade de Siracusa, na Sicília. De lá rumou para o vale do Rhône, onde se estabeleceu como a casta principal, com o nome de Syrah. Por ser uma uva resistente, com boa produtividade, não teve muitas dificuldades em se espalhar por outros territórios, onde foi se adaptando e cativando corações por sua personalidade peculiar. Produz vinhos densos, escuros, cheios de frutos negros, maduros, e ricos em especiarias que nos fazem imediatamente lembrar a sua possível procedência oriental.

         Fora da França, destacou-se mais tarde na Austrália. Com características diferentes e apesar de ser considerado “o novo mundo”, produz a Shiraz, como lá é chamada, desde o século XIX. E por volta dos anos 80, quando o vinho australiano se projetou no mundo, a Shiraz tornou-se sua uva ícone, devido à qualidade e volume de produção de seus vinhos.

         E foi justamente pensando nessa vocação, meio nômade, cigana, de se espalhar pelo mundo, se adaptando, interagindo sem impor rígidas exigências, mas ao mesmo tempo, deixando sua marca bem evidente por onde for criando raízes, que focamos nosso encontro do mês: os diferentes países (fora os óbvios), onde o plantio da Syrah/Shiraz tenha se desenvolvido e os vinhos recebido algum destaque. Foram escolhidos 5 vinhos:

          1. Falesco – Tellus Syrah 2011

              Esse vinho italiano, da região do Lazio (que tradicionalmente não é conhecida como uma região vinícola) já nos chamou a atenção pelo formato da garrafa, mais achatada que o usual, lembrando as antigas garrafas romanas. Na taça mostrava-se bem escuro e denso. Aromas de frutas maduras (cerejas, ameixas). Boa acidez, bom corpo, taninos presentes e bem incorporados. Sobressaíram ameixa preta seca, picância de pimenta e madeira. No final ficou bem caramelado.

          2. Maset del Lleo – Syrah Reserva 2006

             Catalunya, Espanha. Aromático, com especiarias, canela, baunilha, frutas e madeira. Muito aveludado na boca. Taninos finíssimos, com bom extrato de frutas negras maduras. Evolui bastante na taça, trazendo aromas defumados e florais (violeta). Os sabores também vão se amalgamando aparecendo café e chocolate. Final longo com persistência de ameixa preta seca.

         3. Montes Alpha Syrah 2007

              Valle de Colchagua, Chile. De início, causou alguma estranheza, com um certo aroma químico que sobressaía. Depois foram aparecendo alguns herbáceos (eucalipto, mentol, alecrim) e um fundo de côco. Na boca, bem pungente, com o álcool em evidencia. Boa acidez, bom corpo, taninos elegantes. Com tempo, evoluiu bem na taça. Apareceram o café, chocolate, defumados e frutas maduras. Fez lembrar um bom assado. Talvez o mais gastronômico de todos!

         4. Quinta dos Termos – Reserva do Patrão 2009

              Beiras Interior, Portugal. Bem escuro na taça. Frutado e denso (ameixa preta, jabuticaba, amora, cereja). A boa acidez traz um frescor e leveza contrastando com o peso do corpo e a potencia dos taninos. É um vinho que fala alto, mas fala bem! Mostra toda a tipicidade da Syrah, com suas especiarias perfumadas e picantes. Com tempo na taça evoluiu muito. Os taninos ficaram mais dóceis, e os aromas e sabores mais equilibrados. Um vinho que ganharia muito se fosse decantado por algum tempo.

         5. Las Moras – 3 Valleys – Gran Shiraz 2009

              San Juan, Argentina. Esse vinho já ganhou pontos (pelo menos nas nossas expectativas) quando foi servido em taças Riedel. Quando levei a taça ao nariz……..bem…..eu sei que a taça ajuda, mas não melhora nenhum vinho! Foi uma explosão de aromas que desencorajava qualquer impulso de dar o primeiro gole e perder aquele “playground” olfativo! Mas a curiosidade de conhecê-lo por completo, não me deixou demorar muito para apreciar também os seu sabores. Todo exotismo e nuances muito típicos dos vinhos feitos com as uvas Shiraz/Syrah estavam ali. Tudo muito equilibrado, sem cair na mesmice e mostrando claramente aquele “terroir” dos 3 vales (Tulum, Zonda, Pedernal) a oeste da Argentina. Muito expressivo e bem feito!

Syrahs no Saca Rolha

          A uva Shiraz/Syrah está, juntamente com a Cabernet Sauvignon, Merlot e Pinot Noir, entre as tintas chamadas de internacionais, ou seja, as cepas que se espalharam por vários locais do planeta por onde foram levadas e conseguiram se desenvolver bem. Além do Vale do Rhône na França e na Austrália, onde a produção dos vinhos com esta casta é muito significativa, existem fortes expressões na Itália, Espanha, Portugal, África do Sul, EUA, Argentina e Chile. Produz vinhos sedutores, e muito gastronômicos. Combina muito bem com aqueles pratos de carnes de sabores marcantes, com molhos adocicados feitos com frutas exóticas e picantes. nfim, eu diria que seus vinhos não tem nada de básico. Portanto escolha-o quando quiser sair do lugar comum. “

         Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Brunellos da Bueno-Cipresso – Eu Estive Lá.

Bem, não foi exatamante “lá”, o que teria um encanto diferente, rs, mas a Vinheria Percussi já vale bem a pena!  Pois bem, foi lá que provei recentemente em lançamento nacional e com a presença de alguns Vinheria Percussi Ijornalistas, críticos e colunistas especializados, entre os quais tive o privilégio de estar, os Bueno-Cipresso Brunellos di Montalcino. Curto demais a  Vinheria Percussi, um lugar para lá de especial que me encanta pelo seu charme, pela comida, pelo Lamberto e pelo mestre Jonas, um maitre á moda antiga, craque com quem tive a oportunidade de conviver por uns dez dias em viagem de trabalho que fiz à Argentina em 2012.

Não vou ficar aqui falando muito das pessoas, mas de um tenho que falar, do Roberto Cipresso que afora suas atividades em Brunello é também o enólogo da Achaval Ferrér e isso já diz muito sobre a qualidade de seu trabalho, adoro o Quimera e o o incrível e raro passito deles, sem falar do Mirador 2006 que talvez tenha sido o melhor Malbec que já tomei! Isso, por si só, já é uma tremenda recomendação que nos faz querer conhecer mais de seus vinhos,  mas pelo que provei nesse dia espumante Bueno Icreio que o Galvão acertou na escolha do parceiro e sócio com quem levar adiante esse projeto. Provamos nesse dia um espumante Bueno Cuvée Prestige Brut muito bem feito que reflete bem a qualidade de nossos espumantes, seguido de um Brunello 2007, um Brunello 2005 e um Brunello Riserva 2004, todos fermentados em carvalho Esloveno porém envelhecem em barricas francesas de 500ltrs. Perguntei do paradeiro dos 2006, um dos melhores anos da região em décadas, porém esse lamentavelmente está esgotado no mercado. De lembrança para os convidados, um agradável Bellavista Estates Sauvignon Blanc que eles fazem aqui no sul e que tem a “boa” mão do amigo e competente enólogo Miguel de Almeida.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2007 – pelo que senti, é esse o vinho que eles querem trabalhar. São 24 meses de madeira e depois mais 36 de garrafa antes de sair ao mercado, Muito bom, mas todo ele mais pronto, uma homenagem ao equilíbrio. Muito fruto negro, aromas de boa intensidade com a madeira aparecendo de forma sutil. Na boca mostra todo esse equilíbrio de que falei, poderoso sem bombar, final aveludado, algo balsâmico e de boa intensidade. Bom, mais pronto e sedoso no palato, algo típico da safra, porém ainda com muita vida pela frente.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino 2005 –  mesmo tempo de madeira do 2007, porém em função da safra algo diferente, mais jovem na boca. Nariz muito intenso e sedutor, mais escuro na taça, mais denso de boca, muito complexo, meio de boca muito rico, notas terrosas, final algo mineral, um vinho que consegue unir de forma irrepreensível a força com a elegância. Para mim, o vinho que fez minha cabeça, ainda com muito para evoluir, porém preço por preço (o 2007 e este têm um preço sugerido de R$350) tivesse eu essa grana disponível, este seria o meu escolhido. Muito bom vinho.

Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004 – um vinho explosivo! Robusto, uma criança irrequieta aos dez anos de vida. Pelo Consorzio di Brunello, que rege as normas de produção e comercialização do vinho, um Riserva não pode ser vendido antes de seis anos e este exemplar seguiu o escrito, três anos de madeira com mais três de estágio em garrafa. Safra quente, fruta madura, grande estrutura, escuro na taça, quase mastigável, incrível como está ainda num estágio infantil de sua vida com acidez bem marcante. Vinho para uma vida e para quem gosta de força bruta e quiser tomar já, será um prato, digo, taça cheia, mas é um vinho que, a meu ver, pede tempo e paciência para aproveitar tudo o que ele ainda tem por oferecer. Para momentos para lá de especiais e com preço digno de tal, deverá estar no mercado ao redor dos R$500,00 a garrafa. Um grande Brunello que mostra toda a exuberância da Sangiovese Grosso, a uva da região.

Bueno-Cipresso

Um comentário e opinião sobre o tema de precificação dos vinhos. Pelo que conheço de vinhos similares no mercado, creio que os preços estão em linha. Talvez uns 10% acima de alguns outros mais renomados, mas se pegar a média anda por lá. Como consumidor quero sempre melhores vinhos por melhores preços, então ……. os Brunelos ao redor de R$320 e o Riserva em torno dos R$450,00 me pareceriam mais condizentes com a realidade, but who am I to judge!

Ah,tinha iniciado este post com o texto abaixo, porém revi e achei que tinha ganho mais importância do que o vinho e isso me pareceu imperdoável, então editei o post e finalizo com esse mesmo texto; Gostaria de tecer um comentário sobre um outro tema que me incomoda. Tem gente que cai de pau nos vinhos da Bueno em função de sua opinião pessoal sobre o proprietário e investidor o jornalista Galvão Bueno, nada a ver! Na minha terra normalmente se perguntaria, mas o que é que o …. tem a ver com as calças?! Vou, no entanto, ser mais polido e dizer que simplesmente não se deve misturar alhos com bugalhos e pronto. Sinceramente, pouco me interessa quem é o proprietário pois na essência o que realmente importa é o enólogo envolvido na criação e o caldo dentro da garrafa ou, melhor ainda, na minha taça! Tem vinho do Ronaldo, do Messi, do Raul, etc., mas se o caldo não for bom, e não sei se é, de que adianta a marca? Da Bueno, o que provei até agora, tanto de produção local como importada, gostei. Posso tecer críticas a políticas comerciais e preços, inclusive a estratégias de relacionamento com o mercado como na malfadada tentativa das salvaguardas, isso são outros quinhentos, porém tenho que me ater aos fatos e não sou do tipo que compra ou recomenda algo só porque brilha, então o vinho é o astro a ser olhado, provado e avaliado, o resto é marketing e, em alguns casos, puro preconceito. Pronto, falei!

Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui e não esqueça de nosso encontro no Riedel Tasting onde ainda temos algumas vagas disponíveis.

Um Banho de Sauvignon Blanc no Saca Rolhas

 Sauvignon-blanc-wine-and-grapes-770x537 - wine folly A Confraria Saca Rolhas aproveitou o verão quente para se refrescar numa viagem pelas diversas faces desta saborosa e fresca casta de uvas brancas. A meu ver, a Sauvignon Blanc é, entre as uvas brancas mais conhecidas, a que melhor absorve as características de cada terroir em que é plantada, especialmente quando vinificada sem madeira como é a maioria. Nesta saborosa viagem guiada por Baco, pudemos ter um pouco dessa experiência inclusive com a presença de dois vinhos que fiz questão que estivessem presentes pelo fato de me terem impressionado muito bem em recentes degustações, o chileno Terrunyo e o surpreendente Bellavista Estate Bueno.  A uva proporciona vinhos bastante agradáveis em todas as faixas de preços então neste verão há muito o que explorar e nós fizemos isso! Tendo feito este comentário, transfiro a palavra para a porta voz da confraria, a amiga e confreira Raquel Santos que compartilha conosco suas impressões de mais uma agradável noite de alegria e confraternização. Clique na imagem para maiores informações sobre a uva e suas características de acordo com o site Wine Folly.

Com esse calor estonteante que vem fazendo em São Paulo, quando se pensa em vinhos, a primeira ideia que vem à cabeça são os brancos geladinhos, frescos e leves.

         Optamos por conhecer melhor a uva Sauvignon Blanc, que tem como característica principal, a sua refrescância e jovialidade. Os vinhos provenientes desta casta, raramente passam por madeira e salvo algumas exceções, devem ser consumidos jovens. A peculiaridade da Sauvignon Blanc começa no seu amadurecimento, no vinhedo, que é mais rápido que as outras uvas brancas. Desenvolve-se melhor em regiões frias, onde demora mais para amadurecer, ganhando assim mais tempo para adquirir estrutura e complexidade.

         Sua origem se divide entre Bordeaux e o Vale do Loire, na França. Em Bordeaux, tornou-se importante, quase sempre associada a Sémillon na produção de vinhos brancos secos, mais austeros e densos, bem ao estilo dos bordaleses, e doces, como os famosos Sauternes. No Vale do Loire, seus vinhos feitos somente com a SB, são os Sancerre e Pouilly-Fumé. Em duas colinas de calcário e argila, cortadas pelo rio Loire e entremeadas por florestas, que num clima continental, frio, com muita névoa, a Sauvignon Blanc encontrou seu lar perfeito. Seus vinhos expressam esse terroir com tanta naturalidade que quando os provamos, eles nos transportam para aquela paisagem verdejante, como nos contos de fadas, com direito a castelos e lufadas de vento no rosto.

          Fora da França, a Sauvignon Blanc encontrou na Nova Zelândia o clima favorável onde conseguiu mostrar todo seu esplendor. Na ilha do sul, em Marlborough, região setentrional, com muitos ventos vindos do Oceano Pacífico, os dias longos com noites frias, outonos secos, foram propícios para que as uvas amadurecessem lentamente. Nesse clima a Sauvignon Blanc atingiu seu apogeu, resultando em vinhos extremamente vivazes, de grande qualidade que destacaram a Nova Zelândia no mundo. Existem, no entanto, outros lugares onde são produzidos vinhos com a Sauvignon Blanc com qualidade. Nas regiões frias do Chile, África do Sul, e com controle de técnicas de cultivo na Austrália, Califórnia e até no Brasil.

 DOMAINE COLLIN CRÉMANT DE LIMOUX BRUT CUVÉE TRADITION

                 Antes de começarmos a degustação propriamente dita, preparamos nossas papilas com esse ótimo Crémant de Limoux, da região do Languedoc. Trata-se de um espumante elaborado pelo método tradicional, com as uvas Chardonnay, Chenin Blanc, Pinot Noir e Mauzac. Muito fresco, aromático e leve. Além da boa acidez, bom corpo e sabores cítricos, pêra e maçã. Foi uma bela introdução para vinhos de verão.

Saca rolha - Sauvignon Blanc

MAISON SCHRÖDER&SCHŸLER CHARTRON LA FLEUR BORDEAUX SAUVIGNON BLANC 2011

                O 1º vinho da noite veio de Bordeaux, da região chamada Entre-deux-mers, que é o triangulo entre os rios Dordogne  e Garonne, e onde se produz a maioria dos vinhos brancos secos de lá. Esse vinho já havíamos provado no desafio de Bordeaux-margem esquerda x margem direita. Mas sempre é bom repetir o mesmo vinho, porém em um contexto diferente. Nesse caso, ele mostrou toda a personalidade que está impressa no estilo de Bordeaux, com as características da Sauvignon Blanc. Ou seja, muito aromático e fresco, apesar da estrutura densa, encorpada e boa persistência. Um vinho bem complexo, que vai evoluindo sempre. Ótima acidez, que o faz um bom acompanhante de comida e no final, sem perder o frescor, mostrou seu lado mineral, com um sabor de cinza ou fumaça. Muita elegância!

 WILD ROCK INFAMOUS GOOSE SAUVIGNON BLANC 2012

         O 2º vinho, veio justamente fazer um contraste, em relação ao anterior, mostrando a versatilidade que uma única casta, com tratamento diferente (clima, solo, cultura, etc ) proporciona vinhos com a mesma característica, porém com personalidade diferente. Da Nova Zelândia, região de Marlborough, esse chegou marcando  presença! Com uma vivacidade incrível, aromas típicos herbáceos da SB de grama cortada, mineralidade de maresia, cítricos e acidez que fazia salivar. Com o tempo apareceu algo defumado que foi evidenciado pela mousse de haddock e salmão defumado que tínhamos para acompanhar os vinhos. Grande persistência!

 BELLAVISTA ESTATE BUENO SAUVIGNON BLANC 2012

          O 3º vinho, veio da região da Campanha Gaúcha no Rio Grande do Sul. Fruto da fusão entre a Miolo e a Bellavista Estate, de propriedade do Galvão Bueno (o jornalista esportivo ) que se aventurou no mundo dos vinhos e criou a linha Bueno. Contou com a assessoria do enólogo Michel Rolland, e investiu na produção de vinhos de qualidade Premium. Esse, 100% SB, no início causou uma certa estranheza no nariz, algo químico, canforado. Talvez uma mineralidade, que logo foi se transformando. Apareceram ervas aromáticas ( funcho, manjericão ) e um leve frutado ( marmelada ). Boa acidez, bom extrato com frescor. Um vinho muito agradável!

 CASA SILVA COOL COAST SAUVIGNON BLANC 2012

         O 4º vinho, do Vale do Colchágua, no Chile, que é sub dividido em três regiões: Costa ou Paredones, nas escarpas da cordilheira dos Andes. Entre Cordilheiras, zona plana e central e Andes, região de altitude onde está a sub região de Apalta. E foi na região da Costa ou Paredones, de frente para o Oceano Pacífico, que a SB de adaptou melhor por ser uma região mais fria, menos ensolarada, que recebe os ventos oceânicos, além do solo pedregoso. De lá pudemos provar um vinho quase transparente, muito fresco, cítrico, mineral e com ótima acidez. Apesar de sua leveza, tinha uma forte presença aromática e estrutura na boca com certa cremosidade e longa persistência. Acompanhou bem o queijo de cabra, mas acho que escoltaria bem desde  pescados simples, até pratos mais cremosos. Muito versátil!

 JOSE PARIENTE SAUVIGNON BLANC 2009

         O 5º vinho veio de uma região que não tem a tradição da Sauvignon Blanc. Na Espanha, em Castilla y Leon, uma grande planície ao longo do rio Duero, encontra-se uma D.O. (denominação de origem) chamada Rueda. Nesse local a uva principal é a Verdejo, mas a SB também é autorizada. Aqui mais uma vez, o clima é o grande determinante na produção de uvas com qualidade para criação de vinhos frescos e bem estruturados. Com dias de grande amplitude térmica, verões quentes e longos, e invernos muito frios, influência marítima do oceano Atlântico pelos ventos que se guiam através vale do rio Duero (o mesmo que atravessa Portugal, como Douro ).

         Esse vinho começou timidamente mostrando alguns aromas vegetais, herbáceos e com algum tempo, toda a tipicidade do SB apareceu com força. Muito bem equilibrado na acidez, corpo, e sensação alcoólica na boca de calor. No final, me pareceu um pouco pesado (acho que o fator idade influenciou), deixando de lado aquele frescor que sempre se espera desse tipo de vinho.

 CONCHA Y TORO TERRUNYO SAUVIGNON BLANC 2011

          Nosso 6º vinho veio do Chile, mais precisamente do Vale de Casablanca. Trata-se da linha Premium da gigante Concha y Toro, que possui vinhedos nessa região, com vocação para o cultivo das castas Chardonnay e Sauvignon Blanc. Suave no nariz, mostrando muita elegância e sutileza. Sem arestas que chamem a nossa atenção para algo, a despeito de qualquer outra. É o que se pode dizer de um vinho com equilíbrio. Acidez e frescor que cumprem a expectativa que se espera de um Sauvignon Blanc.

CHATEAU DE TRACY MADEMOISELLE “T” POUILLY FUMÉ 2011

               O 7º, e último vinho da noite! Voltamos  à região onde tudo se originou. Pouilly-Fumé, no Vale do Loire na França. São vinhos excepcionais e profundos, principalmente como de uma maneira natural, simples e direta, conseguem descrever, todo aquele “terroir” presente ali há tantos anos. Seus SB são secos, minerais e refrescantes com um leve toque defumado e esse não fugiu à regra. Um vinho para viajar! 

          A Sauvignon Blanc, depois da Chardonnay, é a casta branca mais conhecida e plantada no mundo. Os vinhos elaborados com ela, apresentam grandes variações, expressando as características dos diferentes terroir aos quais ela encontra facilidade em se adaptar. Gosta de climas marítimos, frios, nebulosos, solos calcários e arenosos. Os vinhos geralmente são frescos, sem amadurecimento em madeira, para serem consumidos jovens, com comidas leves. Por isso são ótimos no verão e combinam muito com o nosso clima e a nossa culinária costeira de peixes e frutos do mar.

         Aproveite esse verão, que pelo jeito será longo, e ponha sua garrafa de SB no gelo e refresque-se! ”   Bem meus amigos, por hoje é só e semana que vem tem mais. Falando de vinhos, Garimpando Gostosuras com a amiga Rejane, dicas e curiosidades de nossa vinosfera e “otras cositas más”! Um ótimo fim de semana para todos, salute e kanimambo.

        

  

   

 

 

Degustar, degustar, degustar a melhor forma de se ganhar conhecimento!

         Pelo menos isso é o que dizia Alexis Lichine e eu também acredito piamente nisso, litragem é necessário! rs Por outro lado, num país onde o vinho, como tudo por sinal, está custando os olhos da cara, a degustação serve como uma forma de filtrar rótulos possibilitando compras mais seguras. Enfim, as degustações são sempre uma ótima forma de você descobrir a diversidade de nossa vinosfera sem gastar muito e por isso mesmo a dica desta semana é para você se programar pois há muitas boas oportunidades de adquirir conhecimento de agora até final de Março. Afinal, o saca rolha é nossa principal chave de acesso aos mistérios deste saboroso mundo regido por Baco!

20/02 – Em Piracicaba o amigo Luiz Otavio manda ver legal num Desafio Douro x Duero que também tenho programado mais para a frente. A partir das 20:00 horas – no ENOPIRA. VINHOS APRESENTADOS: 1- Esmero 2005- R$ 150,00 / 2- Alonso del Yerro 2006- R$ 234,00 / 3- Abandonado 2009- R$ 558,00 / 4- Aalto PS 2009- R$ 795,00 / 5- Casa Ferreirinha Colheita 1998- R$ 420,00 / 6- Sastre Regina Vides 2003- R$ 990,00 / 7- Barca Velha 1991- R$ 1.400,00 / 8- Veja Sicilia Único 2000 – R$ 2.000,00. Depois da degustação será servido: Borrego/Anho/Lechazo/Cordero assado com batatas/patatas. PREÇO POR PESSOA: R$ 400,00. Somente 15 vagas. LOCAL: ENOPIRA – Rua Mamede Freire nº 79 I Piracicaba SP. FONE: para Informações e Inscrições: (019) 3424-1583- Cel. (19) 8204-0406. Luiz Otávio – Informações e Reservas pelo E-mail- luizotaviol@uol.com.br

23/02 – Na Granja Viana, Cotia, Uvas Brancas Diferentes – Já dei a dica há cerca de uma semana, mas agora é para valer, realizarei uma degustação especial com vinhos brancos na Vino & Sapore só que com um diferencial; você escolhe as uvas!

Existem no mundo algo ao redor de 1.250 uvas viníferas em uso, no total são cerca de 3.000, e destas 350 são de castas brancas, porém a grande maioria dos consumidores se atém a basicamente duas; Chardonnay e Sauvignon Blanc, eventualmente a Riesling, a Torrontés  ou a Pinot Grigio ou seja, não mais de meia dúzia! Nossa dica de hoje, aproveitando o forte calor, é viajar por outros caminhos e sabores, deixando-se levar de mente aberta e paladar idem, no sentido de descobrir novas experiências sensoriais.

Selecionei algumas uvas menos conhecidas e desta feita os participantes escolhem, previamente (no ato da efetivação da reserva), quais serão as degustadas; Rabigato, Avesso, Viognier, Encruzado,  Chenin Blanc, Greco di Tufo, Torrontés, Gewurztraminer, Grillo, Viura, Verdejo, Semillon, Vermentino, Albariño, Grechetto, e Rjgiallia. A Degustação será acompanhada de Salmão Defumado Marithimus, Mousse de Haddock Chez Maria e Queijos para a gente brincar de harmonização. Quando sua reserva você já escolhe as seis uvas de sua preferência a as com mais votos serão as apresentadas.

Dia 26 de Fevereiro a partir das 20 horas na Vino & Sapore. O custo será de R$75,00 por pessoa devendo este valor ser pago no ato da reserva. Deixe seus preconceitos de lado e solte-se, viaje, saia da mesmice e curta a diversidade de nossa vinosfera. Apenas 12 vagas das quais 8 já estão reservadas! Para reservar: comercial@vinoesapore.com.br, tel. (11) 4612-4647 ou 1433. ESGOTADO !

Dia 13/03 Encontro de Vinhos no Rio de Janeiro – Em 2013 o Rio de Janeiro foi palco para a segunda edição do Encontro de Vinhos e a aceitação do público foi excelente” comenta Beto Duarte, idealizador do projeto. Cerca de 800 pessoas estão previstas para visitarem o evento, que contará com uma média de 40 expositores e mais de 200 rótulos disponíveis para degustação.

Nomes como Concha y Toro, Interfood, Villa Francioni, Pizzato, Wine Lovers, Nicola, Serrado Vinhos, Basso, Cantu, Qual Vinho, Smart Buy Wines, Manz, Ideal Drinks e Wines of Argentina, entre outros, já confirmaram sua presença como expositores. O Encontro de Vinhos oferecerá ao expositor a oportunidade de ampliar sua rede de relacionamentos e ao visitante ótimas opções de rótulos, tanto para o profissional que busca novas referências quanto para o consumidor final que procura boas opções de compra.

Em Abril haverá a edição de São Paulo e eu não abro mão, está sempre na minha lista de eventos obrigatórios a visitar, até porque é promovido com muita competência por dois amigos, o Beto Duarte (Papo de Vinho) e o Daniel Perches (Vinhos de Corte). Vai nessa que eu assino embaixo. Para maiores informações acesse o site: www.encontrodevinhos.com.br .

Dia 13/03 Wine Dinner no Emilia Romagna na Granja Viana (Cotia – São Paulo) – organizei esse agradável encontro de bons vinhos e boa culinária mediterrânea numa viagem de sabores por um menu degustação composto de entrada, três pratos e sobremesa devidamente harmonizados com 5 diferentes vinhos (100ml cada e 50ml o de sobremesa). Em breve detalhes, porém o valor deverá ficar em cerca de R$150,00 por pessoas e limitado a 18 pessoas. Aguardem, mas se quiserem já garantam seus lugares fazendo suas pré reservas.

RiedelDia 26/03 Degustação de Taças Riedel – Imperdível!! Em local ainda a ser definido na Granja Viana, uma viagem incrível desvendando os mistérios das taças de vinhos Riedel e sua influência sobre sabores e aromas. Venda especial de taças no dia. Faça já sua pré reserva pelo e-mail; comercial@vinoesapore.com.br ou por telefone (011) 4612.6343 ou 1433. Seguidor de baco que se preze não pode perder essa!

         Em Abril tem mais, mas por hoje é só. Salute, kanimambo e até o próximo post.

Merlots Premium Brasileiros ás Cegas

Começamos o ano de 2014 encarando paradigmas sobre o vinho brasileiro. Decidimos provar alguns dos principais e mais conceituados Merlots nacionais colocando-lhes um adversário no mesmo patamar para que tivéssemos um real parâmetro comparativo, um exemplar da Patagônia argentina. Pessoalmente, acho que na relação Qualidade x Quantidade, temos hoje o melhor Merlot da América latina, quiçá das Américas. Há ótimos vinhos chilenos, argentinos e até americanos, porém a média de nossa produção é realmente muito boa e com os mais diversos estilos, afinal Michel Rolland andou por aqui e deixou seu legado, sendo vinhos aos quais os seguidores de Baco deveriam dar um pouco mais de atenção enterrando seus preconceitos. Não acredita?! Tudo bem, mas pelo menos lhes dê uma chance; prove e às cegas!! .     

         Tendo dito isso, vou deixar a amiga e confreira Raquel Santos, a porta voz da Confraria Saca Rolhas, nos passar sua opinião sobre o evento e vinhos e no final dou um pitaco sobre o que provamos. Diz aí Raquel!

          No nosso primeiro encontro do ano, resolvemos começar pondo o pé no chão e ordem na casa.  Não que o ano que passou tenha sido ruim, longe disso. Basta ver quantas vezes a Confraria Saca Rolhas foi citada na lista dos “Deuses do Olimpo” neste blog! Realmente foi muito bom. Ótimas degustações, ótimos vinhos!

         Resolvemos fazer uma degustação às cegas, com vinhos nacionais, equivalentes, de qualidade premium e elaborados com a uva Merlot, das safras entre 2005 a 2008. Sabíamos que entre eles havia um intruso e isso sempre é bom para desequilibrar as referências pré concebidas e mexer um pouco com nosso sensorial.

         O fato de conhecermos melhor o que temos por aqui, poderia nos dar parâmetros para compará-los com outros merlots já degustados em outras ocasiões, do mesmo nível, em termos de qualidade, faixa de preço, e perceber da evolução da produção brasileira. A uva Merlot, proveniente da região de Bordeaux na França, proporciona vinhos com taninos macios, aromas elegantes e sabores frescos, frutados que evoluem muito com o tempo. Atualmente já é consenso entre os enólogos que é a casta que melhor se desenvolveu na serra gaúcha.

         Pudemos comprovar isso na taça com os belos exemplares que nos foram selecionados:

Salton Desejo 2006 – Aromas muito frescos de ervas, especiarias, cítricos ( lembrando casca de laranja). Na boca era suave, com média acidez, taninos finos e pouco corpo. Com o tempo, evoluiu bastante na taça, mostrando outro lado, mais consistente de madeira, couro e chocolate. Bento Gonçalves/RS. Preço médio: R$75,00

Miolo Terroir 2008 – Ataque alcoólico com presença de acidez e taninos. Na boca é muito frutado e vai se equilibrando cada vez mais com o tempo. Vale lembrar que esse vinho foi promovido pelo produtor como “melhor Merlot do mundo” depois de vencer uma competição internacional em sua faixa de preço. Vale dos Vinhedos/RS. Preço médio: R$130,00

 Pizzato DNA 99 2005 – Sua primeira safra, proveniente de um único vinhedo, que gerou seu famoso Merlot de 99, mereceu destaque pela qualidade e complexidade. De aromas frescos, mentolados e elegantes. Muito equilibrado, e grande potencial de evolução na taça. Foi se modificando incessantemente, com sabores e aromas sedutores. Vale dos Vinhedos/ RS. Preço na Vinícola: R$170,00

Valduga Storia 2006 – Muito aromático, com especiarias, madeira e frutas. Na boca, a madeira se confirma e aparecem nuances de caramelo, tostado, chocolate amargo, etc….. evolui muito na taça. Muito equilibrado! Bento Gonçalves/RS. Preço médio R$160,00

 Patritti Primogénito 2009 – À primeira vista, ou melhor, à primeira fungada, causou estranheza, por algo químico ou muito forte que não conseguimos identificar. Pareceu-nos bem diferente dos anteriores. Sabores marcantes de especiarias (anis), pinho, ameixas, frutas vermelhas e madeira bem incorporada. E apesar da potencia inicial, demonstrou bom equilíbrio e vocação gastronômica, com destaque para a acidez que pedia algo que o acompanhasse ou fizesse um contraponto. Esse era nosso intruso, que chegou metendo o pé na porta, mas depois se comportou muito bem! Patagônia/ Argentina. Preço médio: R$110,00

Merlots na Confraria Saca Rolhas

 Ao fim da degustação, algumas características ficaram evidentes para nós: Houve uma significativa evolução dos vinhos de qualidade em nosso país. Apesar de não se mostrarem desde o início, na taça, deixam claro seu potencial evolutivo, porém ao mesmo tempo que crescem na taça, também se cansam  logo. São como crianças felizes e saudáveis, que depois de um dia de brincadeiras agitadas, caem no sono instantaneamente em qualquer canto.

         Outra questão que me chamou atenção, depois pesquisando o assunto, foi a tentativa da mídia ou mesmo do produtor, de equiparar o produto nacional com o estrangeiro. A ideia de igualar seu produto a um Bordeaux ou promover um vinho como “o melhor Merlot do mundo”, soa, a meu ver,  um pouco exagerado. Eu, defensora que sou do vinho brasileiro, acho que temos muito à caminhar nesse sentido. Além disso temos a questão do custo Brasil, onde os impostos aqui aplicados não são nada incentivadores, tanto para produtores como para consumidores. Enfim, isso é assunto para muitos outros posts e que temos que continuar pensando e adequando à nossa realidade.

         Essa foi uma degustação para refletirmos o que foi, o que é e o que poderá ser, no futuro a produção de vinhos no Brasil. Se olharmos para trás, nos anos 80, quando a produção era ínfima e o que é hoje, podemos ver que existe uma grande evolução. E se compararmos com os países que produzem vinho à séculos, nós estamos apenas começando.  

       Como disse deixei para o fim meus pitacos sobre mais este encontro da Confraria. Como a degustação foi ás cegas, deixei para abrir os rótulos somente após uma votação quanto ao melhor vinho da noite. Houve uma clara divisão, porém a maioria optou pelo vinho mais pronto e mais redondo de todos, o Salton Desejo, seguido do DNA e do Primogênito. Pessoalmente, achei que o DNA e o Primogênito roubaram a cena um degrau acima dos demais, mas isso é muito pessoal! Incrível a vida ainda presente nesse DNA com já oito anos nas costas e que ainda promete grande evolução na garrafa, quem conseguir guardar verá! Por outro lado, afora o posicionamento de preço do Desejo da Salton que está muito em linha com o mercado, o restante está num patamar que realmente pretende ser exclusivo, vinho para poucos e, considerando que cada um monta a estratégia que lhe for mais interessante, algo que temos que respeitar ainda mais quando vendem tudo o que colocam no mercado.

     Não podia deixar de ressaltar que o Storia 2005 segue sendo imbatível. Já tinha provado o 2008 e agora o 2006, mas ficaram bem aquém da primeira edição deste ícone da Valduga, uma raridade no mercado que quando achado passa das absurdas 400 pratas! Enfim, mais uma noite muito agradável em que aprendemos um pouco mais das coisas desta nossa complexa vinosfera com toda a sua diversidade e variáveis, tendo tido como abertura o saboroso e fresco Angas Brut, o espumante australiano mais exportado, que preparou nosso palato para o que estava por vir. Kanimambo, salute e um ótimo fim de semana para todos lembrando que ainda temos algumas poucas vagas disponíveis para dia 13 na Vino & Sapore.

 

      

Escolha seu Espumante da Virada

      Deixei de falar dos espumantes que participaram desse gostoso evento realizado na Vino & Sapore  em 27/11 quando lá reunimos 22 pessoas num exercício de degustação diferenciada, porque esperava que a confreira e já “colunista” deste blog, a Raquel Santos que esteve presente, nos presenteasse com mais um de seus gostosos textos o que finalmente ocorreu, valeu Raquel. Concordo com sua abertura, porém quando participamos de algum evento onde um ganhador tem que ser apurado, a pontuação é essencial e a uso quando participo de eventos desse tipo, como os da Gowhere Gastronomia ou os Desafios de Vinho por mim organizados.

Aproveitando para falar de pontuação, chegamos num estágio em que boa parte dos enófilos tende a relevar um vinho de 86 pontos como se esta nota fosse de pouca monta. Para esses, se não tiver 90 ou mais pontos o vinho é medíocre e pior ainda se não tiver nota! Ledo engano e como perdem esses incautos seguidores de Baco!!

Nas minhas avaliações mais técnicas, tendo a ser bastante comedido nas notas que dou e vinhos acima dos 90 pontos são poucos. Um vinho de 80 pontos é bom, um acima de 85 é muito bom. Já acima de 90 e até 95 pontos já falamos de vinhos de grande qualidade e acima disso néctares excepcionais, então sou contra a banalização das notas e por isso mesmo não divulgo no blog as que eu dou nas provas em que participo. Neste caso especifico, no entanto, vou dizer que nenhum vinho tirou menos de 89 (Vértice) e o máximo que dei foi 94 (Ferrari Perlé) ou seja todos vinhos de muita qualidade! Bem, mas agora que já falei um monte, não perco o hábito (rs), deixa a Raquel falar um pouco de sua experiência na degustação de 27 de Novembro e, se ainda não se decidiu, faça sua escolha do espumante da virada, pois ainda dá tempo!

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Nunca dei muita atenção às notas dadas para classificações de vinhos em degustações. A comparação entre eles, sempre me pareceu um julgamento anacrônico, como concurso de miss. A busca do melhor, o mais belo, o perfeito, sem considerar que cada um tem sua graça, sua característica própria. Além do que, a escolha de um “melhor”, deixa um outro na posição de “pior”, que nem sempre corresponde à um julgamento justo. Como concursos de misses, as meninas desfilam sua beleza numa passarela e o júri analisa uma a uma. Aparentemente todas são lindas e a decisão  final acontece por conta da simpatia, postura, desempenho na passarela, carisma, etc… Ou seja, os traços de personalidade contam mais do que os traços físicos, mesmo sendo um concurso de beleza com padrões estéticos pré estabelecidos.

         Agora imaginem um concurso de Espumantes. Todas as garrafas lindas, vestidas em traje de gala na passarela. Um júri com fichas à postos para julgá-los.

         No nosso caso, a degustação foi às cegas. As garrafas devidamente cobertas com papel alumínio, escondendo sua procedência, e deveríamos levar em consideração apenas as característicasde cada um e as sensações organolépticas, ou seja, aspectos da personalidade de cada um, como a cor em taça, aromas, sabores, corpo, persistência em boca, etc… já que o método de elaboração era comum a todos, Champenoise ou Tradicional. O desempenho na passarela contou com o auxílio luxuoso de três lindos canapés, para fazer a harmonização com cada uma das bebidas :1. Barquete com paté de salmão defumado e dill / 2. Cestinha de massa filo com queijo brie e chutney de damasco / 3. Torradinha com atum selado e molho terê.

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         Adotei um critério próprio de classificação para me ajudar nessa avaliação :

         1. O que eu mais gostei (que não significa que seja necessariamente o melhor)

            Ferrari Perlé 2005 – Itália . Lindo tom dourado na taça. Denso, com muito extrato, nariz complexo, ótima acidez, muito festivo e achei que não necessitava de nada para acompanha-lo. Só ele se bastava.

         2. O que eu menos gostei ( que não significa necessariamente o pior)

           Cave Geisse Terroir Nature 2009 – Brasil. Amarelo claro e pérlage delicada e pequenina. Boa acidez, frutado, lembrando maçãs, damascos e cítricos. Bem seco e curto na boca. Ficou muito bom com o canapé de brie com damascos e acompanharia uma longa conversa pela noite adentro.

          3. Os ótimos.

         Champagne Barnaut Grand Cru Grand Reserve – França. Cor amarela presente, pérlage exuberante que enchia a boca. Nariz incrível com florais, frutas, cítricos e principalmente uma casquinha de tangerina que era um charme. Acidez muito boa que escoltou bem o atum com molho oriental, também de sabor marcante.

         – Órus Pas Dosé Adolfo Lona – Brasil, produção limitada a 628 garrafas. Cor salmão, linda na taça. Delicado e elegante. Ótima acidez que equilibrava muito bem sabores cítricos e adocicados (laranja).

         – Labet Crémant de Bourgogne – França. O mais clarinho de todos. Nariz delicado e sabores bem presentes e complexos. Boa acidez e super equilibrado. Para qualquer ocasião!

         4. Os muito bons.

         – Franciacorta Lo Sparviere 2007 – Itália. Amarelo pálido, com muita pérlage( bem no centro da taça e constante). Boa acidez, sabores cítricos, minerais e amanteigados. De persistência média. Foi o que harmonizou melhor com o salmão defumado.

         – . Juvé y Camps Gran Reserva da Familia 2007 – Espanha. Dourado claro e brilhante. Muito fresco no nariz com sabores minerais e leve amargor. O mais austero deles, com grande potencial de evolução e persistência na boca. Bom para acompanhar aperitivos e por isso ficou muito bom com todos os canapés

         – Vértice Gouveio 2006 – Portugal.  Clarinho, mineral, com boa acidez, notas de panificação e brioches. Bem encorpado e equilibrado. No final, sobra um toque oxidado, o mais velho deles. Talvez acompanhando um assado ( lembrei de um leitão com maçãs assadas) faça um bom contraponto.

         Para finalizar, como nosso anfitrião e organizador do evento já nos contou aqui, opções não nos faltam. E observem que estamos apenas falando de espumantes elaborados pelo método tradicional, com segunda fermentação na garrafa.  Se achou que ficou ainda mais difícil de escolher o seu, opte por todos eles! Um de cada vez, é claro. Feliz 2014!

A Rioja Classica, a Rioja dos Viña Tondonia!

        Mais uma grande noite na Confraria Saca Rolha que se reúne mensalmente na Vino & Sapore, para explorar alguns dos muitos mistérios por trás de alguns rótulos de grande renome e prestigio em nossa vinosfera. Explorar vinhos de mais idade então, essa é uma experiência que me encanta e seduz, especialmente quando falamos de um vinho branco de 20 anos. Daqueles vinhos únicos que revertem regras e mudam conceitos, mas deixemos nossa porta voz, a amiga, confreira e sommelier Raquel Santos, falar por nós:          

         Em nosso encontro anterior, tentamos desbravar a região de Rioja na Espanha. Digo “tentamos” porque nesse mundo, dos vinhos, isso é uma tarefa quase que impossível de se conseguir em apenas uma vez.

         Passamos pelas principais regiões e conhecemos produtores importantes. Vimos também que uma das características desses vinhos é sem dúvida a arte do envelhecimento em barricas, e posteriormente, o tempo de maturação nas caves, inclusive para seus vinhos brancos. Foi Tondonia cemitérioexatamente aí que ficou faltando uma dose maior de investigação. Alguém lembrou do mítico Tondonia que tem um dos brancos mais originais dessa nossa vinosfera. Esse vinho é produzido pela família López de Heredia desde 1877 na cidade de Haro, capital de La Rioja. Combinamos então uma degustação dos  branco e tinto Reserva que passam 6 anos em barricas de carvalho. Além desse longo tempo que ficam em contato com a madeira, são vinhos de vida extremamente longa. Suas caves de crianza (envelhecimento) com seus nichos peculiares lhes deram fama e o nome sugerido de “o cemitério”, enfim, estamos diante de mitos a serem venerados e desfrutados.

         Confesso que a oportunidade de conhecer o famoso Tondonia me deixou bem ansiosa alguns dias antes. Era como ficar cara a cara com um ídolo, ou alguém que só se conhece de ouvir falar, e de repente todo aquele imaginário que vivia em minha cabeça pudesse se tornar realidade, ou não! São vinhos caríssimos e a ideia de compartilhar uma garrafa dessa nos permite por à prova esses mitos, uma das inúmeras vantagens de fazer parte de uma confraria.

         Como de costume, sempre iniciamos com um espumante, que nos ajuda a preparar as papilas, enquanto esperamos a presença de todos e vamos colocando a conversa em dia. Brindamos com o espumante Campos de Cima Extra Brut da vinícola do mesmo nome. Da região da Campanha Gaúcha, quase na fronteira com o Uruguay. Bem refrescante, frutado e seco. Para quem não conhece, vale a pena experimentar. Mais um exemplar entre muitos outros bons espumantes brasileiros.

         O próximo vinho, veio para acalmar os ânimos e concentrar a atenção do que teríamos pela frente: Vilarino 2012, da região de Vinho Verde – Portugal – elaborado com a casta Azal. Leve, floral, com um toque vegetal, porém com presença marcante. Boa acidez e bastante frescor.

         Enfim chegamos, era a hora do Viña Tondonia Blanco Reserva 1993.

Tondonia Branco 93         Na taça mostrava-se de um amarelo âmbar dourado, típico de vinhos envelhecidos. Afinal estávamos falando de um vinho branco de 20 anos!  Enquanto era servido, já podia-se sentir os aromas que invadiram o ambiente. Todos tentavam decifrar aqueles aromas e expressavam ao mesmo tempo, admiração, espanto e um certo olhar desconcertante de uns para os outros. Realmente era algo diferente! Revelava-se em camadas sucessivas que iam nos distraindo e faziam adiar o primeiro gole a cada aproximação da taça. Na boca, o primeiro ataque nos traz a boa acidez da Viura muito bem incorporada com uma untuosidade cremosa, rica em sabores cítricos, florais, minerais, etc….O tempo na taça só fazia aumentar a riqueza de aromas e sabores que evoluíram para especiarias (erva doce, anis), palha, flores secas, frutas cítricas. Tudo isso sem perder a vivacidade e o frescor, e evidenciando  mais ainda os seus coadjuvantes (presunto de Parma, azeite e pão). Verdadeiramente um vinho único que todos desejavam repetir a dose. Resolvemos então dar sequencia na degustação enquanto outra garrafa era providenciada e colocada na temperatura ideal de serviço.

                  Viña Tondonia Tinto Reserva 2001.

         Um típico Riojano, feito com as típicas castas: Tempranillo, Garnacha, Graciano e Mazuelo.Tondonia tinto 2001 Como  o branco, passa 6 anos por barrica de carvalho , o que torna seus taninos finíssimos e muito elegantes. Mostra grande evolução de aromas e sabores de especiarias, frutas vermelhas em geleia, tabaco, etc. Muito bem estruturado, com ótimo corpo e carácter austero, ainda mostra-se com muito frescor. Apesar dos seus 12 anos, ainda é uma criança com muita vida pela frente. Eu já ouvi por aí que esse vinho não envelhece nunca!

        Depois dessa dupla, acho que todos precisavam de um tempo para digerir  essa experiência com vinhos tão ricos e poderosos. Foi então sugerido colocar à prova mais dois vinhos intrusos, de regiões diferentes.

        

O primeiro foi o italiano Gianni Rosso di Montalcino 2010.

         Bem equilibrado, com presença de madeira, cerejas e muito aromático.

O segundo foi o francês Perrin & Fils Vinsobres Les Cornuds 2009 da região do Rhône. 

         Um vinho bem típico daquela região. Notas de frutas vermelhas (cerejas), algo picante, como uma pimenta do reino, e álcool aparente, mas não incômodo.

         Dois ótimos vinhos, dentro de suas características. Com certeza quero dar mais atenção a eles outro dia.

Clipboard Saca rolhas Rosso e Cornuds

          Voltamos no Blanco! Eu, que sempre fui defensora dos “branquinhos”, estava adorando ver aquele riquíssimo exemplar afrontar qualquer tinto que pusessem na sua frente!

         Foi bom ter reservado um tempo para os vinhos da Tondonia. Aliás, tempo é a palavra mágica quando se fala de vinhos evoluídos, elegantes e com personalidade forte como estes, é o mínimo sinal de respeito que devemos a eles. Afinal demoram tanto tempo presos naqueles tonéis ou nas garrafas para atingir seu apogeu, que quando chega o momento de libertá-los, precisamos ter calma, paciência e também elegância pois assim como nas mil e uma noites, o gênio tinha poderes ilimitados. Garanto que eles retribuem em dobro. E com alegria, compartilham conosco toda a sabedoria que adquiriram em sua longa jornada.

Espumantes, a Voz do Povo ….

Faz duas semanas realizei uma mini feira de espumantes na Vino & Sapore, foi a Taste & Buy Espumantes com 22 espumantes em degustação. Lá, um pouco mais de 50 potenciais compradores, curiosos do mundo do vinho e fiéis seguidores de Baco tiveram a oportunidade de provar diversos rótulos e fazer seu juízo de qualidade e também de valor que são fatores essenciais à decisão de compra. Não é de hoje que repito o mantra de Alexis Lichine, “No que se refere a vinho, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais investindo num saca-rolha. Vinho se conhece mesmo é bebendo! “. Por outro lado, num país onde o custo de vida é absurdamente alto, o vinho não foge à regra então essas degustações também têm a função de reduzir o risco na compra, porque não tem nada mais “pé” que gastar numa compra às cegas e não gostar do produto comprado, né?!

Apesar do brilho de rótulos como Labet Cremant de Bourgogne, Juve y Camps Vintage Brut e o Rosé de Pinot Noir, de qualidade inconteste,  os top de vendas dão sempre uma idéia da preferência comercial de cada produto pois o povo tende a fazer sua escolha do ponto de vista da relação qualidade x preço ou seja, bom que caiba no bolso. Eis aqui a lista dos cinco top de vendas do dia:

DSC03147Cecilia Beretta Prosecco Brut Superiore DOCG Valdobiadenne-Conegliano Millesimato 2011 – nome nobre para um dos melhores proseccos. Paleta  olfativa de frutos tropicais bem presentes, notas florais e um perlage bastante fino e abundante convidam a levar a taça à boca. Na boca a surpresa, corpo! Só que delicado e elegante, muito equilibrado, frutado, nuances de brioche, acidez bem presente porém balanceada, seco no ponto, vibrante e de final muito agradável com boa persistência. TOP of Sales!!

DSC03134Cecilia Beretta DOC Extra-dry Poggio delle Robinie – seguindo as pegadas de seu irmão mais nobre, é vibrante, “crocante”, muito equilibrado com ótima perlage, nariz algo floral com notas de pessego, na boca é verdadeiramente apetecível e fresco com notas de frutas tropicais, maçã verde, que pede a próxima taça. Informal e sedutor, não foi á toa que se deu tão bem no dia.

VG BrutVillaggio Grando Brut 2013 – Espumante de altitude (1300 metros na serra catarinense) único pois é elaborado com as três uvas de champagne; Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Perlage intensa, abundante, tamanho médio e muito persistente formando um delicado colar de espuma na borda da taça e uma cor amarelo palha bem clarinho. Baunilha bem presente no nariz, frutos secos e algumas nuances de padaria de forma bastante sutil e delicada. Na boca mostra-se harmonioso, fresco com toques mais cítricos e bastante longo, muito agradável e apetecível. Grande relação custo x beneficio!

DSC03140Sanjo Bardocco Sidra – Um intruso? Sim e não. Sim porque não é vinho (não foi elaborado com uvas vitis viníferas), porém não, pois é elaborado pelo processo Charmat possuindo mais que 3bar de pressão atmosférica, consequentemente um espumante, ou não?!  Faz lembrar um Moscatel, docinho, boa acidez, surpreende os mais céticos substituindo com ampla vantagem muitos dos lambruscos meia-boca disponíveis no mercado e na mesma faixa de preços. Esqueça o que conhece de Sidras, esta está em outro patamar.

DSC03139Contessa Borghel Rosé – cor rosada linda, aromas frutados sutis com boa perlage e surpreendente espuma que formou um colar persistente, pura sedução na taça. Elaborado 50/50 com Pinot Nero e Raboso (Friulli – Itália), na boca é saboroso, puro frescor que equilibra sobremaneira o leve residual de açúcar que passa batido, vibrante, leve, apenas 11% de teor alcoólico, combina com férias e verão!

Bem, por hoje é só e as conclusões ficam com cada um. Para situações onde a quantidade é maior, certamente esses rótulos são uma ótima escolha, agora no caso de celebração a dois e considerando tão somente os rótulos presentes no evento, (veja lista aqui)  eu sou mais um Juve y Camps ou o Labet Cremant de Bourgogne sem duvida alguma, seguidos do Cave Geisse Nature e Angas Cuvée Brut o australiano que chegou em cima da hora e surpreendeu.

Salute, kanimambo e amanhã tem mais!

Tá Escolhendo Espumantes?

        A diversidade saindo fora da mesmice porém sem jamais perder de vista a qualidade, serviço especializado e preços justos, são as marcas da Vino & Sapore. Todo os conceitos e filosofia que norteiam o conteúdo deste blog estão presentes lá, porém, como uma imagem fala mais que mil palavras, montei este clipboard com os rótulos de espumantes hoje disponíveis que tomo a liberdade de compartilhar com os amigos me colocando à disposição.
  Clipboard Portfolio Geral Espumantes na Vino & Sapore

Parafraseando o saudoso Bertoldo Brecha, Veeeeenha!  rs

http://www.youtube.com/watch?v=WB4hTjH9IH8

Salute e kanimambo.

Degustando Oito Espumantes Top às Cegas

Como divulguei amplamente, nesta semana realizei uma degustação temática de espumantes, com uma prova às cegas em que oito espumantes top, todos elaborados pelo método tradicional, estiveram em degustação. Anteriormente, divulguei a todos os rótulos que seriam degustados no dia, exceção feita a um que era o meu, já tradicional nos eventos ás cegas que promovo, Intruso. No encontro, apreciadores de vinho dos mais diversos níveis de conhecimento, porém sem a participação de profissionais do setor, com um resultado bastante interessante que, como tudo na vida,  deve ser interpretado com a devida parcimônia. É o resultado de uma degustação, num dia especifico com um grupo determinado de pessoas e sempre haverão controvérsias, até entre os que estavam presentes. De qualquer forma, acho o resultado válido, pois representa a avaliação de um grupo interessante de amantes do vinho.

De ressaltar que a qualidade geral apresentada foi muito boa mostrando bastante diversidade tanto de uvas, como de origens porém todos elaborados pelo método tradicional (champenoise). Eis as feras:

Seleção Espumantes Top

  • Orus Pas Dosé – Adolfo Lona é o produtor e enólogo, Garibaldi, RS, Brasil. Rosé Nature sem adição de licor de expedição, elaborado com um blend de Chardonnay, Pinot Noir e Merlot. Somente 628 garrafas produzidas este ano, já esgotado no produtor. Doze meses de autólise e 12 de afinamento em garrafa, 17/20 pontos de Jancis Robinon.  Preço, R$138,00.
  • Labet Cremant de Bourgogne (meu Intruso) – 100% Chardonnay, Revista Adega 91 pontos, preço, R$132,00.
  • Cava Juve y Camps Gran Reserva da Familia 2007 – 50% Xarel-lo, 30% Macabeo (Viura), e 10% cada Parellada e Chardonnay. Guia Penin (93 pontos) e Guia Proensa (94 pontos), 36 meses de autólise e garrafa. Preço, R$175,00
  • Ferrari Perlé 2005 (Trento Itália)  – 100% Chardonnay, 90 pontos da Wine Spectator, 60 meses de autólise. Preço R$265,00
  • Vértice Gouveio 2006 – Uva Gouveio, típica do Douro e usada em blend de vinhos brancos na região. Fermentação parcial em barricas de carvalho, 60 meses de autólise e 17 pontos em 20 dados pela Revista de Vinhos (Portugal). Preço, R$149,00.
  • Cave Geisse Terroir Nature 2009– Pinto Bandeira, RS, Brasil. Meio a meio Chardonnay e Pinot Noir de Pinto Bandeira – RS. Autólise de 36 meses, preço  R$125,00. Avaliação internacional, Jancis Robinson (Reino Unido), 17/20 pontos. Somente 6.700 garrafas produzidas.
  • Franciacorta Lo Sparviere 2007 –  Pequeno produtor da região, 100% Chardonnay com 36 meses de autólise.  Preço, R$155,00
  • Champagne Barnaut Grand Cru Grand Reserve – 66% Pinot Noir e restante Chardonnay, 24 meses de autólise, 17,5 pontos de Jancis Robinson, 92 pontos da Wine & Spirits, 90 de Robert Parker e 5 estrelas da Revue du Vin de France. Preço, R$249,00

And the Winner Is?

Cave Geisse Terroir Nature 2009

Cave Geisse Terroir Nature

seguido de

 Labet Cremant de Bourgogne / Ferrari Perlé / Barnaut Grand Reserve Grand Cru de Champagne.

Este é o resumo da ópera, já os detalhes de cada ato serão revelados pela amiga e confreira Raquel Santos, que esteve presente e se comprometeu a escrever mais um de seus gostosos textos sobre as experiências por aqui vividas que publicarei assim que ela me envie, porém a surpresa foi geral e certamente o resultado serviu para dar a extrema unção no eventual preconceito que alguns dos presentes pudessem ter. Uma seleção de vinhos de primeiro nível com espumantes bem parelhos do ponto de vista qualitativo. Quando publicar a matéria da Raquel, também darei minhas preferências, mas no meu conceito e avaliação mais técnica, as notas ficaram entre 89 e 93, se é que isso diz algo! rs Mais uma noite muito agradável e desta feita no unimos à chef e amiga Wendy Elago com quem desenvolvemos três canapés para testar a harmonização de cada um dos espumantes, um tempero a mais para tornar a degustação algo mais interessante ainda.

 Wendy canapés 2

A cada espumante servido as pessoas o degustavam solo e depois com cada um desses canapés deliciosamente elaborados pela Wendy. Um à base de pasta de salmão defumado Marithimus com dil, outro de cestinhas crocantes com brie e suave chutney de damasco dando um toque mais asiático e o terceiro de atum selado com crosta de gergelin com pepino agridoce e um leve toque oriental de molho tarê, que harmonizou especialmente bem com o Orus. Uma experiência bastante interessante. Quer conhecer mais das artes da Chef Wendy, então acesse seu site www.comidapraalma.com.br , quer falar com ela; comidapraalma@gmail.com, eu recomendo.

Salute, kanimambo e um ótimo fim de semana para todos. Com este calor, um belo espumante vai certamente harmonizar e lembre-se, neste Sábado a partir das 16 horas, um Taste & Buy Espumantes com 2o rótulos em degustação na Vino & Sapore!

Ps. preços são indicativos com variação de mais ou menos R$10,oo no mercado de São Paulo.