João Filipe Clemente

Destaques 2011 de los Hermanos – Argentina & Chile

        Este ano me surpreendi mais com os vinhos do Chile, que andavam meio por baixo neste blog, e de menos com os vinhos Argentinos que, na minha taça, sofreram de falta de criatividade sendo que os vinhos mais elaborados estão se tornando excessivamente caros, mesmo para o nosso mercado habituado a preços nas alturas, inclusive lá na Argentina. Algo para se pensar e refletir, tendo já tratado deste tema aqui.

       Os conceitos, que repetirei a cada post para que não pairem dúvidas, para a escolha destes Destaques de 2011 levam em conta os vinhos que mostraram algo acima de seus pares em sua faixa de preço, vinhos que surpreenderam. Grandes vinhos, como são a maioria dos Chutando o Balde ou Sem Noção, são ótimos, mas ao preço que cobram, têm que ser isso mesmo! Esses relacionarei nas listas que virão a seguir, porém hoje cito alguns que me marcaram, cada um em seu estilo e proposta diferenciada, inclusive de preços que podem e devem variar em função da carga tributária em cada Estado. Minha base de preços é das mais caras do mundo, São Paulo! Enfim, preparem-se para uma maratona de dicas e vinhos a começar por estes rótulos Argentinos e Chilenos que foram Destaque em minha taça.

  • Cabal Reserva Malbec – Uma grata surpresa porque está abaixo dos R$40 e passa 12 meses em barrica e 12 em adega. Madeira presente sem exageros, muito saboroso e equilibrado em que tudo se une numa sinfonia bem orquestrada sem destaques a não ser o conjunto. Dentro desta faixa de preços, um dos melhores malbecs que provei este ano.
  • Lugi Bosca De Sangre – Luigi Bosca é sinônimo de bons vinhos e este não é diferente. Lançamento recente, é um vinho algo mais poderoso e estruturado do que a maioria dos vinhos da casa que primam pela finesse. O De Sangre, no entanto, consegue unir a estrutura a um final elegante e muito saboroso num corte pouco usual de Cabernet, Merlot e Syrah intenso e de taninos bem presentes que pedem algum tempo de aeração. Custa algo ao redor de R$90,00.
  • Alma Negra Pinot Noir– comprado e tomado por influência da amiga Gabi, é um pinot que surpreende por unir os dois mundos num só em perfeita e gostosa harmonia. Um vinho que satisfaz tanto aos amantes dos caldos do velho como do novo mundo. Faz jus aos vinhos da casa já que o Malbec também é muito bom. Com preço ao redor dos R$76,00, é uma boa opção de Pinot argentino sem exageros de extração e álcool.
  • Carlos Basso Signature Blend – da Viña Amalia, este rótulo leva o nome de seu criador e proprietário da bodega. Um vinho complexo e muito rico elaborado com Cabernet, Malbec, Merlot e Syrah que mostra uma estrutura tânica aveludada, muita fruta e um final longo e saboroso, algo especiado. Por volta dos R$100, um rótulo que só vem confirmar a boa fase porque passam os blends argentinos.
  • Paso de Piedra Cabernet Sauvignon – Vina Alicia é uma bodega do grupo Luigi Bosca que trabalha vinhos mais butique. Este Cabernet é uma delicia, taninos finos, boa acidez,nariz bastante aromático que comprova que esta cepa gera ótimos vinhos na Argentina e que deveria ser mais olhada pelos amigos apreciadores destes caldos. Preço ao redor dos R$65,00 e vale cada centavo.
  • Dos Fincas Cabernet/Merlot – esta linha de vinhos elaborado pela Viña Amália, é da gama de entrada da vinícola e surpreende pois custa pouco mais de R$30,00. A Wine Enthusiast lhe deu 91 pontos, o que acho meio exagerado, porém é aquele vinho que ultrapassa expectativas e certamente entrega mais do que se paga por ele. Para agradar quem aprecia vinhos e não assustar quem não é tão chegado, uma ótima pedida para fazer bonito em eventos e uma bela pepita que encontrei neste meu garimpo por mares fora das obviedades e vinhos mais comerciais que estão por aí há anos sem nada acrescentar!

         O Chile foi dos países Hermanos aquele que mais me surpreendeu este ano com vinhos realmente muito interessantes e de bom preço considerando-se a qualidade entregue. Nas listas que produzirei com os Achados de 2011 por faixa de preços, um monte de rótulos chilenos certamente estarão presentes. Nem todos pude incluir no portfolio da loja e outros provados nem dão as caras no Brasil, mas no todo uma linha de produtos para se tirar o chapéu. Os vinhos ícones estão pela hora da morte e, cá entre nós, super valorizados não valendo o que estão cobrando por eles, porém num patamar de até R$200 se acham grandes vinhos que, ás cegas, certamente darão pau em muitos dos rótulos mais afamados.

  • Lauca Reserva Cabernet Sauvignon – Conheci os vinhos desta vinícola há cerca de uns dois anos e fiquei feliz por vê-los finalmente chegar por aqui. Possuem m bom Pinot, mas o que mais me surpreendeu depois de tanto tempo provados, foi este Cabermet. Para quem gosta de bons Cabernets e não está a fins de mais goiaba e pimentão tão comuns nos cabs chilenos. No mais, já escrevi sobre ele aqui e custa algo ao redor de R$50,00 que, junto com o Sucre Cabernet Reserva, são boas opções a preço acessível á maioria.
  • Estampa Carmenére/Malbec – por falar em vinhos acessíveis, este por volta dos R$40,00 é um achado e tanto junto com seu irmão Cabernet/Petit Verdot . Este produtor há muito que anda na contramão do que a maioria dos chilenos fazia, tendo se especializado somente na produção de blends evitando os varietais. Cortes inusitados e no final resultados sempre muito positivos. A malbec aporta uma fruta mito saborosa que equilibra e completa o herbáceo mais peculiar da carmenére formando um conjunto vibrante e harmônico. Pelo preço então, um achado e tanto.
  • Chono San Lorenzo Estate– um baita vinho encorpado e rico, vinho premium da Geo Wines (leia-se Alvaro Espinosa – um craque na arte de fazer vinhos) elaborado com uvas orgânicas de vinhedos com mais de 40 anos. Um vinho denso, encorpado que se mostra bastante gastronômico mas que precisa, ainda jovem com pouco mais de três anos de vida, de um tempinho de aeração para que ele nos entregue todas a sua complexidade de forma mais exuberante. Um belo vinho , blend de cinco uvas, que deve acompanhar carnes untuosas de forma magnífica. Custa ao redor dos R$115 e não frustra quem paga o preço.
  • El Milagro Syrah – um delicioso exemplar desta cepa que se deu muito bem no Chile. Nesta faixa de preços, entre R$50 a 55, este e o Sucre Syrah Reserva, que já mencionei em outros anos, são dois dos melhores rótulos para quem gosta desta cepa. Sedutoramente aromático, mostra muita tipicidade da cepa com gostosa fruta e especiarias que formam um belo conjunto de boa acidez e madeira aplicada no ponto. Um vinho irresistível e muito bem feito pela Viñedos Puertas.
  • Chocalan Grand Reserva Blend – se o Chono é um blend de cinco uvas, este vai além, são seis; Cabernet Sauvignon, Carmenere, Syrah, Malbec, Merlot e Petit Verdot. Bom corpo e textura, taninos macios e sedosos, complexo e harmonioso, final de boca elegante com notas de chocolate e boa persistência, um vinho que surpreende. Preço ao redor dos R$100,00.
  • Chacai – 0 vinho top da vinícola William Févre, importante produtor francês conhecido por seus bons Chablis, é o Antis, porém é o Chacai que mais me chamou a atenção e agradou. Gosto muito de sua linha Espino também, especialmente o Chardonnay, mas este realmente enche a boca de prazer e, com isso, cumpre o papel de todos grandes vinhos. A uva protagonista é Cabernet Sauvignon, este 2008 possui 15% de Cabernet Franc o que o enquadra como um varietal e o de 2007 tinha uma proporção grande de Carmenére. A versão 2009 (que bateu o Don Melchor no Descorchados de 2012 com 93 pontos), no entanto, é quase que só Cabernet Sauvignon. O que se destacou na minha taça foi o 2008 que se mostrou concentrado, jovem com taninos finos muito presentes, notas defumadas, frutos negros, um belo vinho que tem ainda muitos anos pela frente. Dos mais baratos nesta faixa de qualidade e complexidade, cerca de R$125,00.

        Com isto terminei os Chilenos e Argentinos. Amanhã tem mais. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui ou na Vino & Sapore onde sempre haverá uma taça amiga para o receber.

Para Refletir no Fim de Semana

           Meus amigos, não deu! Não consegui terminar os posts programados. O pouco tempo que sobrou na semana, dediquei ás colunas, que têm prazo, então o restante dos Destaques de 2011 fica para esta semana que se inicia:

  • Vinhos Ibéricos – Portugueses e Espanhóis
  • Vinhos dos Hermanos – Vinhos  Argentinos, Chilenos e Uruguaios
  • Velha Guarda – Vinhos Franceses e Italianos
  • Vinhos de Sobremesa e Espumantes

Na semana seguinte publico as listas com os Achados de 2011 por faixa de preços. Enquanto isso, reflita!

 

Silêncio – evita um monte de problemas

 

Sorriso – soluciona a maioria deles

 

Kanimambo, salute, sorriam muito e um ótimo fim de semana para todos.

Dica da Semana – Degustando Vinhos de Verão dia 24/01

           Apesar do verão estar relutando em dar suas caras e a chuva imperar, é chegada a hora! Vamos começar bem o ano provando alguns vinhos muito interessantes que foram destaque na minha taça durante o ano de 2011. Lembrando ,  a melhor maneira de se conhecer vinho aumentando sua experiência sem gastar fortunas no processo é degustando e compartilhando emoções. Já dizia Alexis Lichine, “No que se refere a vinho, sempre recomendo que se joguem fora tabelas de safras e manuais investindo num saca-rolha. Vinho se conhece mesmo é bebendo! “.

         Tendo isso em mente, daquilo que pesquiso e garimpo nas diversas degustações e eventos de que participo, seleciono aqueles que se destacam e, sempre que possível comercialmente,  faço com que essas experiências sensoriais diversas encontrem seu espaço nas prateleiras da Vino & Sapore onde este encontro se realizará ás 20 horas.  Selecionei para este primeiro evento do ano,  uma coleção de vinhos para você se deliciar  e abrir a mente para novos sabores explorando a delicadeza, sutilezas e frescor destes vinhos que podem estar sobre a mesa de cada um neste verão e outros por vir.

  • Cava Palau Brut – um blend das típicas cepas espanholas Parellada, Macabeo e Xa´rello.
  • Garcia Viadero Albillo – mais um vinho espanhol, desta feita uma uva pouco usada em varietais e desconhecida da maioria. Aparentemente só dois produtores elaboram vinhos com 100% Albillo então esta será uma viagem diferente.
  • Tormentoso Chenin Blanc – esta cepa é ícone da região do Loire (França) de onde vêm alguns caldos divinos. Na África do Sul a cepa se adaptou muito bem gerando alguns vinhos de muita qualidade e muito vibrantes. Este é um bom exemplo do que esta uva pode gerar de prazer em região tão diferente.
  • Alain Brumont  Gros Manseng /  Sauvignon Blanc – de La Gascogne na França, um vinho que surpreende pois a Gros Manseng aporta sabores diferentes a este Sauvignon Blanc resultando num vinho muito fresco que casa bem com salmão e queijos de cabra.
  • Costaripa Rosamara Chiaretto (mudamos o vinho rosé que era o Clos la Neuve))– da região do Veneto/Italia, especificamente do entorno do lindo lago Di Garda, vem um rosé diferenciado, marcante e delicioso. Muito gastronomico, vejo-o como um ótimo parceiro para um prato de atum selado. Uma diferente composição de uvas  a que estamos habituados a ver num rosé por estas bandas; 60% Groppello, 40% Marzemino e o restante em partes iguais de Sangiovese e Barbera.
  • Cocquard Beaujolais – da região da Borgonha vem este vinho elaborado com a uva  Gamay, um vinho tinto de cor clara e taninos suaves que cresce ao ser resfriado e combina bem com pratos mais leves e carnes brancas.
  • Anakena Pinot Noir Leyda Valley – de um dos melhores vales na costa do Chile onde a Pinot dá alguns de seus melhores rótulos do país, provaremos este vinho que nos remete a um estilo mais elegante e fino.

           Apenas R$45 por participante com R$10 sendo revertido em crédito na compra de qualquer um dos rótulos em degustação. Comece bem o ano garimpando bons vinhos e curtindo uma noite agradável gastando pouco, essa é nossa proposta e convite. Como é dia 24, o pessoal de Sampa vai poder relaxar no dia 25 pois é feriado, oba! Pagamento no ato da reserva. São somente 12 vagas e algumas já foram reservadas, então não hesite, pois já estamos em cima da hora. Junte uma turma e reserve pelo e-mail: comercial@vinoesapore.com.br ou pelos telefones (11) 4612.6343 ou 1433 das 11 às 20 horas. Local >  Vino & Sapore na Granja Viana, Km 24 da Rodovia Raposo Tavares, clique aqui para ver mapa.

Salute, kanimambo e venha receber o verão comigo e os bons caldos que espero gostem.

Destaques 2011 – Vinhos do Velho Mundo a Preço de Argentinos e Chilenos

        Muitos ainda se atém aos vinhos dos hermanos mais famosos por uma mera questão de preço e por acreditar naquela falácia de que vinho europeu barato é ruim e o bom é caro! Isto, comparativamente, não é verdadeiro e estes destaques do ano de vinhos do Velho Mundo a Preços de Argentinos e Chilenos, é um claro exemplo disso.  Um destaque internacional, só para corroborar minha constatação, foi a publicação dos TOP100 da Wine Spectator em que o português do Dão, Quinta de Cabriz Colheita Selecionada tinto 2008 alcançou a 40º posição e obteve 90 pontos, isto para um vinho de preço entre os R$27 a 30,00! Há, no entanto, quem prefira os varietais e os blends dos hermanos por uma questão de gosto e aí não há o que discutir, porém se o que o leva a praticamente só tomar vinhos chilenos e argentinos é o preço, então esta é uma bela lista de vinhos de baixo custo que vale conferir e descobrir novos sabores. Vinhos europeus, todos abaixo de R$50,00, na foto os destaques principais, mas não posso deixar de mencionar três vinhos que deram o que falar ao longo do ano passado; um da Espanha, um da Itália e outro de Portugal, respectivamente o Legado Munoz Garnacha, Confini Sangiovese  e o Caza da Lua do Douro, todos na casa dos R$30,00 e todos em falta nas importadoras neste inicio de 2012.

            Na caixa, mais seis rótulos para fazer você mudar seus (pre)conceitos sobre os vinhos do Velho Mundo. São verdadeiros best buys, os famosos BB, Bons e Baratos.

Ribereño – Espanha/Ribera del Duero –  diferentemente da maioria dos vinhos desta região que costumam ser de maior corpo, este foi feito para agradar e cumpre seu papel. Saboroso, frutado, taninos macios e bom companheiro para paella e pratos de bacalhau mais leves. O produto é do grupo Valduero que elabora alguns vinhos diferenciados e muito saborosos como o Una Cepa, outro vinho que srá destaque aqui porém sob outro tema, a dos vinhos espanhóis. Está nas lojas por volta de R$40 a 43,00.

Vasari – Itália/Montepulciano Abruzzo  –  Uma enorme surpresa para um vinho desta região e uva, já que a maioria costuma ser algo rala especialmente os desta faixa de preço. Quando bem feito, no entanto, é um vinho muito agradável de se tomar. Este tem Due Bicchieri do guia italiano Gambero Rosso e 86 pontos de Robert Parker o que indica que estamos frente a frente com um vinho de qualidade. Não tem passagem por madeira e apresenta taninos sedosos, muita fruta negra no nariz e algo terroso , redondo, gostoso de tomar.  Deve se dar bem com polenta com ragu de ossobuco, carnes assadas e amigos! Preço varia de R$40 a 45,00.

Quinta da Estação – Portugal/Douro – Um vinho macio, redondo, fácil de beber e gostar. Acompanha pratos mais leves, pizzas, pasta, lanches, um coringa na adega que agrada a maioria. Preço por volta dos R$40 a 45,00.

Paul Mas Syrah – França/Languedoc – Paul Mas é um enólogo e empresário do vinho ligado no mundo e como tal gera vinhos mais comerciais visando o mercado internacional. Este Syrah é muito saboroso, equilibrado de taninos sedosos e um final levemente especiado de média persistência.  Acompanha bem queijos de média consistência como Ementhal, Gouda e St. Paulin.  Boa opção de Syrah nesta faixa de preço, em torno de R$42 a 46,00.

Vale da Mina Reserva – Portugal/Alentejo – Mais um português, existem um monte de boas opções lusas nesta faixa, e desta feita um vinho de maior corpo, taninos presentes, balanceado, rico, madeira bem colocada, aromas algo florais com nuances de frutos do bosque mais um bom produto elaborado pelas mãos de Cristiano Van Zeller, um dos Douro Boys, neste seu projeto alentejano. Este já encara um churrasco e um bacalhau no forno! Meu subconsciente insiste em chamá-lo “mapa da mina”, porquê será?! Preço varia de R$42 a 47.

Paiara – Itália/Puglia – companheiro de pizzas de peperoni, massas com molho bolonhês, polpettone, quem sabe até uma polenta com calabresa, este inusitado corte da autóctone  Negroamaro e a internacional Cabernet Sauvignon gera um vinho bastante agradável de tomar com aromas e sabores diversos e um corpinho até que bem desenvolvido (rs) para um vinho desta faixa de preço. Quer arriscar, acompanhe um hambúrguer de picanha ou sanduiche de pernil, pode dar certo! Precinho, por volta dos R$3o/32,00.

          Em meus Achados de 2011 por faixa de preços, estes  e outros rótulos estarão presentes, mas só a partir da semana que vem deverei iniciar a publicação das 6 listas que estou montando:

  • Vinhos para o Dia a Dia – até R$35,00
  • Vinhos para o Fim de Semana – de R$35 a 60,00
  • Vinhos do Mês – de 60 a R$100,00
  • Vinhos de Celebração – de R$100 a 200,00
  • Vinhos para Chutar o Balde! – de R$200 a 400,00
  • Vinhos sem Noção – acima de R$400,00

     Por enquanto é só, porém ainda tenho para publicar uma série destes destaques. Até lá, kanimambo e espero seguir recebendo sua visita aqui e, porquê não, na Vino & Sapore onde a maioria desses rótulos se encontra aninhada.

Salute!

Destaques de 2011 – Rosés e Brancos

              Antes de começar listando minhas seleções de Achados de 2011 por faixa de preços, decidi nesta semana postar alguns destaques por temas, independentemente de preços. Pretendo compartilhar alguns bons vinhos que foram destaque por “n” número de razões, inclusive a relação custo x beneficio, mas não só pois isso sozinho não categoriza o rótulo a estar aqui, acima de tudo ele tem que surpreender nossas emoções e sensibilidade deixando marcas. Compartilharei com vocês algumas seleções de seis vinhos; Velho Mundo a Preço de Argentina e Chile, Varietais da América do Sul incluindo Brasil, Vinhos do Chile, Argentina, França, Portugal e Espanha, Rosé e Brancos. Para começar, hoje comento os destaques em Rosés e Brancos, vinhos de verão.

Não sendo um grande apreciador de rosés, me curvei perante três rótulos muito interessantes.

Van Zeller´s Rosé – um vinho de muito frescor e a tipicidade dos rosés mais leves porém mais frutados e fáceis de beber com um precinho que vale a pena, ao redor dos R$35,00. Um português do Douro que vale cada centavo numa tarde de sol e petiscos abrindo caminho para o almoço.

Clos la  Neuve Cuvée Desiré o primeiro vinho da famosa Provence (França) que efetivamente me seduziu. Cor linda, fresco como tem que ser, mas seco com um residual de açúcar bastante baixo e um perfeito equilíbrio. Fino e elegante com nuances de pêssego e damasco se sobrepondo aos tradicionais morango e cereja mais costumeiros e que aqui aparecem de forma mais sutil numa segunda camada tanto aromática como palativa. Sedutor em seus R$69!

Costaripa Rosamara Chiaretto del Garda, uma grata surpresa italiana que tem como principal atração sua aptidão gastronômica. Delicioso, vinhoso, elaborado num estilo diferente e algo mais austero, intenso e vibrante com um certo toque de oxidação muito sutil, é uma ótima companhia para atum selado ou pratos similares, até paella. O mais caro deles, porém o mais marcante valendo bem os cerca de R$80 que ele custa.

       Bem, agora falemos de alguns brancos marcantes de diversas origens, estilos e preços. Separei seis rótulos a partir de 44 Reais até 100, porém tenho que dar um prémio especial de “Honra ao Mérito” para o Thomas Mitchel Chardonnay, um australiano delicioso, em falta na importadora, por apenas R$42,00 uma grande compra caso o encontrem por aí!

Tormentoso Chenin Blanc (África do Sul) – esta cepa que tem o Loire (França) como origem, també tem história na África do Sul onde gera vinhos muito interessantes. Este rótulo da Man Vintners é muito saboroso e marcante elaborado somente com vinhas velhas com mais de 30 anos,e uma leve passagem por madeira lhe aporta uma complexidade surpreendente. Muito pêssego, nariz sedutor que te convida a levar a taça à boca, muito boa acidez e um balanço impecável por apenas R$49.

Esmero Branco (Portugal) – um vinho português do Douro que só vem confirmar a grande fase que Portugal passa com seus incríveis vinhos brancos. Produziram somente 3300 garrafas de vinhas velhas de cerca de 30 anos, mas nem por isso o preço está na casa do chapéu, falamos de um vinho de cerca de R$80,00 e vale! Muito balanceado, álcool educado (13%) e muito bem integrado, complexo, boa estrutura de boca, final longo e muito agradável com nuances de frutos brancos, um belo vinho que me seduziu. Deverá ser boa companhia a um prato de bacalhau à portuguesa, cozido com batatas.

 Paco & Lola Albariño (Espanha) – esta cepa produz vinhos muito frescos e elegantes em ambos os lados da fronteira do norte de Portugal com a Espanha. Muito refrescante, sutil e sensual tanto no olfato quanto no palato, rico com uma forte personalidade cítrica, bem balanceado apesar da acidez marcante, boa persistência com um final de boca muito saboroso. Perfeito companheiro para frutos do mar e o verão. Preço na casa dos R$98,00.

Schloss Vollrads Riesling Kabinet Trocken (Alemanha) – uma delicia! Seco, mineral acentuado,muito bem equilibrado, pois o mineral aparece firme mas sutil e elegantemente  acompanhado de notas cítricas compondo uma paleta olfativa muito agradável. Na boca suas incríveis 11 gramas de açúcar residual são imperceptíveis equilibrados por uma acidez muito boa e essa mineralidade presente. Corpo um pouco acima da média dos vinhos deste estilo, 12% de álcool, frutado e harmonioso. Também na casa do R$98, é um belo vinho que casa á perfeição com joelho de porco assado.

Rayun Chardonnay Reserva (Chile) – um belo Chardonnay sem madeira que passa 8 meses sur lie deixando-o muito saboroso. Por não passar por madeira mantém um frescor não muito comum aos vinhos desta cepa chilenos que tendem a ganhar muito corpo e ser demasiado amadeirados. Por cerca de R$45,00 é um verdadeiro achado e um verdadeiro Best-Buy.

Alain Brumont Gros Manseng/Sauvignon Blanc (França) – De La Gascogne, próximo a Mandiran, um corte inusitado com uma uva local que poucos conhecem. Muito boa acidez com uma certa complexidade que lhe aporta a Gros Manseng, um vinho difícil de não gostar e que, pelos cerca de R$50,00 que custa, gera um prazer infimamente superior ao custo. Casa perfeitamente com salmão!

         Como curti muito todos eles, acabaram se encorporando ao portfolio da Vino & Sapore, porém busque-os na loja de sua confiança pois todos são vinhos especiais e foi dificil filtrar para chegar a somente esses. Por hoje é só e espero postar a maioria dos destaques ainda esta semana, então espero sua visita. Por agora, salute e kanimambo.

Deuses do Olimpo 2011

  Antes de começar a listar meus melhores de 2011 e destaques por país neste ano que passou, gostaria de compartilhar com os amigos os néctares que invadiram minha vinosfera particular e se aninharam, ainda bem, na minha taça. São vinhos de grande qualidade que me deixaram, assim como quem compartilhou essas garrafas comigo, um pouco mais felizes pois, como já dizia o mestre Saul Galvão, “vinho só existe para dar prazer” e estes cumpriram sua missão com enorme galhardia. Foi um ano de muitos vinhos mais antigos e uma seleção de vinhos de sobremesa que beiraram a perfeição em seus mais diversos estilos.

Da esquerda para a direita:

Cune Inperial Gran Reserva 1999 – ainda muito vivo e vibrante. Absolutamente sedutor assim como a companhia no dia, a Confraria das Enoladies.

Chateau Palmer 1984 – gentilmente partilhado pelo amigo César e que, na união com o prato e pessoas presentes, mostrou o real significado da harmonização perfeita. Maravilha que já comentei aqui em post recente.

Angelica Zapata Estiba Reservada 2005 – 100% Cabernet Sauvignon e um dos melhores vinhos argentinos que já tive o prazer de tomar mostrando que nesta sub-região de Mendoza o Cabernet reina. Tomado com as amigas Enoladies, foi um vinho marcante que virou a cabeça até de quem não é lá tão chegada na taça!

Poggio di Sotto Brunello di Montalcino 2006 – o vinho que mudou meu conceito e impressão sobre os famosos vinhos desta região da Toscana. Provei, este lamentavelmente não tomei, num encontro do Consorzio de Brunello e sacudiu minha estrutura sensorial como poucos fizeram neste ano que passou. Divino!

Vina Tondonia Branco 91 – sempre uma experiência única tomar estes vinhos de Rioja que são extremamente marcantes com sabores diferenciados, uma complexidade ímpar, difícil encontrar brancos velhos desta envergadura. Para os apreciadores deste estilo, imperdível e este foi tomado na companhia dos amigos da confraria Valor du Vin.

Vega Sicilia Único 1999 – meu post sobre esta lenda em minha taça é bem recente então não falo mais nada. Uma outra experiência maravilhosa  fruto do desapego e generosidade enófila do amigo Fernando. Bão demais!

Bollinger Special Cuvée – não é á toa que é conhecido como um dos melhores, se não o melhor, champagne não safrado. Um exemplo de elegância e perfeita harmonia gerando enorme prazer numa explosão de estrelas na boca! Mais um vez uma dádiva na taça compartilhada com as Enoladies que este ano tomaram belos vinhos na confraria.

Dalva Porto branco velho 1963 – este provei na Expovinis e caí de joelhos, aliás nestes vinhos de sobremesa o fiz por diversas vezes, agradecendo a Baco por este verdadeiro elixir do deuses. Uma raridade do qual tive o privilégio de trazer um quarto da garrafa de volta para loja onde 10 participantes do curso de vinhos tiveram oportunidade de bicar e se embasbacar com os aromas e sabores na taça. Inesquecível e quem for comigo na viagem a Portugal terá o prazer de também o provar.

Caratello 2001 – um Vin Santo de lamber os beiços. Este tomei, com a benção e companhia do amigo Beto Duarte, por duas vezes e me lambuzei todinho!!!

Tokaji 6 Puttonyos 2004 da Pendits – o supra sumo dos vinhos de sobremesa, um vinho soberbo que gera emoções diferenciadas e únicas tendo sido compartilhado conosco pelo amigo César.

Moscatel de Setubal, Roxo Superior 1971 – Este comprei em Portugal para o amigo Alexandre comemorar seus 40 anos em 2010. Ele celebrou com outros rótulos e guardou este até que o vinho completasse seus 40 aninhos e, em mais um exercício de generosidade enófila , o compartilhou comigo e com o Cristiano num almoço de inicio de ano memorável! Ao ser aberto encheu a sala de aromas absolutamente sedutores que se comprovaram na boca de uma forma impossível de descrever. Este só tomando para saber! Talvez meu principal vinho do ano junto com o Brunello, o Dalva, o…….deixa pra lá!

S. Leonardo Porto Tawny 20 anos – Tinha esquecido como este vinho é excepcional e a meu ver, o melhor Tawny 20 anos que já tive oportunidade de provar. Absolutamente divino e só lamentei o fato de que quando o comprei não ter tido a disponibilidade financeira de comprar uma meia dúzia. Por aqui no Brasil não sei se alguém o está trazendo, mas os amigos de Portugal podem se esbaldar com este imperdível néctar, m grande Porto e uma vinho absolutamente maravilhoso que tomado na boa companhia do Ale e Cris, acompanhados de suas bonitas e simpáticas esposas, ganhou em muito na harmonização.

          Bem, esses saõ os doze que sentam no altar de Baco, mas sempre cabe um décimo terceiro que neste ano foi muito especial pois é mais um daqueles vinhos raros que poucos conhecem.

Quo Vadis Fondillon Solera 72, um vinho raro e excepcional tomado numa degustação especial com diversos outros surpreendentes rótulos deste produtor (Francisco Gomez) de Alicante na Espanha. Juntos nessa degustação promovida na Vino & Sapore pela Vinhos do Mundo e com a presença dos amigos Didu e Walter Tommasi que, tanto quanto eu, ficaram de queixo caído! Ainda não postei nada sobre ele porque queria estudar um pouco mais sobre este estilo de vinho antes de me aventurar a falar dele, mas me faltou tempo. Com mais de dez anos de amadurecimento em barrica, no nariz parece um Jerez, pelo estilo produtivo em processo oxidativo de solera, mas na boca mostra seu caráter doce, ótima acidez mostrando um tremendo equilíbrio, uma experiência e tanto que nos marcou a todos. Maravilha!

       Semana que vem apresentarei alguns dos destaques de 2011 a começar por Brancos e Rosés marcantes independentemente de preços. Depois, os Achados de 2011 por faixas de preço ou seja, Janeiro vai ser o mês das listas que, espero, irão lhe ajudar na escolha de seus vinhos neste ano de 2012. Salute e kanimambo!

Preparem-se Para os Aumentos de 2012!

        Meus amigos, começamos o ano e, como sempre, chegam as más noticias de aumento de preços. A grande maioria das razões apresentadas pelos fornecedores (importadores e produtores nacionais) são meras desculpas esfarrapadas, mas algumas têm lá sua razão de ser. Uma delas, um imposto criado aqui no Estado de São Paulo e que é uma verdadeira aberração tributária nos dias de hoje chama-se Substituição Tributária, porém deveria-se chamar Antecipação Tributária! Esta Aberração e seu primo famoso, o monstrinho Maledetto do Selo Fiscal , só atazanam o bolso do consumidor e alimentam uma máquina governamental inchada, pouco produtiva e históricamente ineficiente sem falar de outros ralos.

        Este imposto parte do principio de que a loja ou distribuidor pratica uma determinada margem de lucro e o taxa na origem (produtor ou  importador). Primeiramente que esta estimativa de ganhos é muito superior ao que os lojistas, restaurantes é outro papo, efetivamente praticam e segundo, não contempla o fato de que existem vinhos (ainda bem que poucos) estragados, garrafas que quebram, promoções e liquidações, abertura de garrafas em degustações cortesia, etc que não geram qualquer receita ou a reduzem consideravelmente! Este  porcentual que era de 10,76% aumenta agora em 2012 para 14,35 ou seja, um aumento de, PASMEM, 25% o que provocará um aumento em cascata que deverá resultar em um acréscimo aproximado de 4% sobre o preço final. Se adicionarmos a isso  as diferenças cambiais a serem aplicadas mais os aumentos tradicionais decorrentes de inflação, novo salário minimo, aumento de aluguéis, etc., deve chegar a algo ao redor de 10% a 15%, até mais dependendo do importador e/ou produtor. Espero que o bom senso impere neste inicio de ano, vamos ver o que virá por aí!

       Por curiosidade, dêm uma olhada nos números abaixo. Chupei essas imagens do blog do Didu (link aqui do lado), aliás um ferrenho opositor dessas aberrações todas que só encarecem e complicam a comercialização e crescimento do mercado. Ao vermos este gráfico que não inclui o Maledetto e a ST entre outras aberrações como a taxa de Marinha Mercante e impostos em cascata, fica um pouco mais claro do porquê de nosso status quo de preços, não? Clique na imagem para aumentá-la.

       Não é fácil não moçada, eta país díficil de se trabalhar e agora talvez as pessoas entendam porquê o vinho é tão caro no Brasil. A carga fiscal, o custo financeiro, a inoperância dos orgãos estatais, custos portuários e de logistica, selo fiscal, tudo colabora para que tomemos os vinhos mais caros do mundo. Vai dormir com um barulho desses!

Trazendo Vinhos do Exterior – Isenções

Alguns dos posts de maior acesso neste blog são extamente os que tratam das isenções para trazer vinhos do exterior. Pesquisando sobre eventuais mudanças, me deparei com este esclarecedor video da receita federal que creio possa ser útil aos ínúmeros leitores deste blog então segue link:

“Isenções para viajantes chegando ao Brasil”

Salute, kanimambo e seguimos nos encontarndo por aqui.

Caminhos de Portugal

         Você pode ver no portal da Globo, por sinal muito legal – clique aqui para ver uma das reportagens, vale ver todas, e se tornar um espectador ou pode tomar uma decisão e se tornar protagonista embarcando comigo e com a Inês numa incrível viagem de descobrimentos de sabores, cultura e história por um Portugal como poucas vezes foi mostrado e degustado.  Natal passou e Ano Novo chegou, momento de tomar decisões e lembrar da sábia frase de Vandré, “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”. O melhor é que agora você também tem a opção de meia viagem por menos de três mil Euros e sete vezes no cartão sem juros! Esta é a sua hora e seu momento, tome uma atitude e seja feliz, embarque nesta viagem! Veja mais aqui e no programa abaixo ou entre em contato conosco para ter mais informações sobre esta nova opção que disponibilizamos. Para aumentar a imagem, clique nela.

O Vinho É……………

          Recebi da amiga Sonia Denicol e gostei muito, razão para compartilhar esta saborosa mensagem com os amigos de nossa Vinosfera.

  • “O mundo do vinho tem sentidos comuns com estes tempos de festas.  Todo bom vinho que chega a nossa taça é fruto do trabalho conjunto das mãos que transformam a uva em vinho, que o encerram em garrafas vestidas em belos rótulos, e que o fazem chegar até nós. Sentido de união, de uma cadeia construtiva em torno de um objetivo comum.
  • O vinho agrega as pessoas que apreciam a boa mesa. Forma confrarias que perduram  por longos anos. O sentido da amizade.
  • O vinho relaxa e descontrai. A combinação da alegria e do prazer.
  • Guardamos um grande vinho para beber com quem é especial para  nós: um jantar com amigos, um nascimento, um aniversário, um casamento, uma  celebração especial. O sentido de  partilha.
  • O vinho requer o tempo das estações para estar pronto. Exercício da  paciência.
  • Quando a natureza entrega mais uma boa safra de grandes vinhos, então é momento para agradecimento.
  • E quando todo o trabalho de um ano é perdido, como o que aconteceu recentemente  com as chuvas de granizo que destruíram muitas produções no Rio Grande do Sul,  então é preciso secar as lágrimas e começar tudo de novo. Hora de persistir.
  • Acreditar que a natureza será pródiga na próxima safra. A mais pura fé.
  • Persistência e fé que nascem da forte relação do homem com sua  terra e seus frutos. O sentido do amor.
  • Amor que respeita os ciclos da terra, dando-lhe o tempo de descanso para que  devolva ao homem frutos bons e saudáveis. Em tempos modernos chama-se  sustentabilidade, que nada mais é do que seres humanos e natureza em  harmonia e equilíbrio.
  • E a  cada ano o forte desejo de produzir um grande vinho tem o sentido da  realização dos sonhos, que move a todos nós. O sentido de objetivos e  metas.”

       Que 2012 seja de fé em nós mesmos e em nossos objetivos com a persistência e dedicação necessárias para perseguir nossas metas. Esperamos que seja pleno de saúde, alegria e, porquê não, din-din no bolso porque isso sempre ajuda no resto. A todos, nosso kanimambo especial e esperamos vê-los também lá na Vino & Sapore lembrando que ainda na segunda quinzena de Janeiro daremos inicio a nossa agenda de degustações. Semana que vem inicio a publicação de meus Achados de 2011 e de meus Deuses do Olimpo.