João Filipe Clemente

Coluna da Eliza – Foie Gras, Patrimônio Culinário e Cultural da França

      A Eliza voltou, e trouxe na bagagem muitas experiências que estará compartilhando conosco em sua coluna quinzenal por aqui em Falando de Vinhos. Nem tudo, no entanto, será sobre vinhos, pois vivendo por dois anos na região de Montpelier as experiências são também gastronômicas e culturais.  Hoje fala de um produto que para muitos é tabu e para outros uma delicatesse, porém sem duvida alguma é um clássico francês!

         

      Nunca vou esquecer do meu primeiro contato com essa especialidade francesa. Restaurante La Vecchia Cucina do Chef Sergio Arno em São Paulo… jantar festivo… experimentei sem saber o que estava comendo, achei simplesmente delicioso! Depois de saborear metade da entrada, decidi perguntar para o meu “vizinho” o nome de tamanha iguaria… confesso que bateu uma dor no coração… eu nunca tinha ouvido falar “bem” do foie gras… conhecia somente o discurso do fígado gordo e doente do pato que foi forçado a comer e nada mais. Mas a gula fala mais alto. Comi tudo.

          Hoje, sou consumidora moderada. Depois de experimentar e re-experimentar diferentes marcas e tipos de preparação durante os meus 2 anos de imersão na sociedade francesa, ler muito sobre o assunto e ouvir diferentes opniões por aqui, assumo que sou completamente apaixonada pelo seu sabor e sua textura, mas como somente quando tenho muita vontade. E você?

Um pouco de história

       Tudo deve ter começado às margens do rio Nilo. Segundo historiadores, os primeiros registros da engorda de gansos foram encontrados no Antigo Egito. Um desenho numa tumba de 4 mil e 500 anos é a grande testemunha dessa tradição: nele estão representados um ganso e uma escrava que o alimenta com figos.

            Acredita-se que os egípcios observaram que os gansos e os patos, que se preparavam para a longa viagem de migração, comiam muito mais para estocar a energia necessária na forma de gordura. Desta forma, reforçando o comportamento natural das aves migratórias, eles começaram a “incentivar” gansos a comer mais e mais. E, meu instinto me diz, que uma vez gordinhos, eles eram mais apetitosos.

            A prática fez sucesso e foi adotada pelos gregos e, em seguida, pelos romanos. Patos e gansos continuaram à ser engordados a base de figos durante todo o Império Romano. O fígado gordo, muito apreciado, ganhou o nome de Jecur Ficatum, ou seja, “fígado com figos”. Mais tarde, ainda no Império Romano, outros animais foram engordados com figos e o termo Ficaum, “figos” passou a ser utilizado em todas as criações. Ficaum, foie, fegato, fígado… a semelhança chama a atenção e não é uma coincidência: o fígado gordo fez tanto sucesso que o termo utilizado na época deu origem ao nome do orgão fígado nas línguas românicas.

            Após a queda do Império, a tradição foi mantida principalmente pelos judeus, que utilizavam a gordura do pato nas suas preparações culinárias. Mas o mais surpreendente é que, na França da idade média, o fígado gordo não conhecia barreiras econômicas, religiosas nem sociais. Os camponeses engordavam os seus próprios animais e os consumiam com regularidade, preparando-os de diferentes formas. Paradoxalmente, os reis também apreciavam muito a iguaria e o foie gras era servido nos banquetes reais.

            Com a descoberta das américas e do milho, Cristovão Colombo contribuiu, e muito, para o desenvolvimento da produção do foie gras. Prático e super adaptado à alimentação dos patos e gansos, o milho substituiu o figo, permitindo assim, uma rápida difusão da técnica de gavage, principalmente na região da Alsace e no suldoeste da França.

            Durante o século XIX, criaram-se as regras de produção e o processo industrial. A iguaria foi então difundida no mundo todo e tornou-se um símbolo festivo da culinária francesa.

            Hoje, o foie gras de canard faz parte da cultura do país e é patrimônio culinário e cultural protegido pela lei. Ele faz parte de uma gastronomia que, desde 2010, a Unesco reconheceu como Patrimônio cultural imaterial da humanidade. A arte de manger à la française, mundialmente conhecida, inclui todo o ritual, seus produtos de terroir e suas tradições…

 Definição e regras de produção

      A definição oficial é fortemente contestada pelas associações protetoras dos animais. “Fígado sadio de um pato ou ganso adulto, robusto e em boa saúde, criado segundo a tradição.” Será?

            Pois bem, segundo a tradição, os futuros patos e gansos gordos permanecem ao abrigo do primeiro dia de vida, até a 4ª ou a 5ª semana. Desde que as suas plumas estejam suficientemente espessas para protegê-los, eles ganham a liberdade e são criados soltos durante dois meses e meio. Nada de chocante, à primeira vista, eles parecem mais bem tratados que os nossos frangos de granja. No entanto, com cerca de 12 semanas de vida, já adultos, eles são confinados e submetidos à gavage. A polêmica se inicia neste momento. Eles vão receber uma alimentação controlada, forçada e progressiva, durante 2 semanas. E eles vão engordar, muito e muito rápido.

            Por lá o assunto não é tabu. A França é, de longe, a maior produtora e também a maior consumidora de foie gras do mundo. Um lar francês, a cada dois, o consome, especialmente nos dias de festa.

A Polêmica

         A gavage é uma prática condenada e proíbida em 13 países da União Européia.  Vegetarianos ou não, muitos a consideram uma crueldade sem justificativa. Esta prática consiste na ingestão forçada, com a ajuda de um funil metálico (também chamado de sonda gástrica), de uma pasta feita à base de milho, altamente calórica. Patos e gansos são obrigados a comer, pela ação da força física. Claro que esta prática pode ser considerada nada bonita de se ver, especialmente quando ela é realizada em grande escala e os animais são mantidos imobilizados… mas a verdade é que o aumento do consumo e a busca constante pela redução dos custos anda atropelando o bem estar animal em todas as criações… Assustador, não?

Bonne semaine à tous et à la prochaine!

Mais que Dicas da Semana – Um Calendário de Eventos

               É, não são coisas para esta semana, mas de dia 23 de Junho a 18 de Agosto existe uma farta programação de eventos de degustação para os quais você precisa se programar pois todos são de grande qualidade e imperdíveis. Uma grande oportunidade de provar desde os vinhos que cabem mais comumente no bolso, ótimo para descobrir os vinhos a comprar de forma mais segura, como de grandes vinhos que nem sempre ou muito pouco vêm a terminar seus dias em nossas taças.

Dia 23 de Junho Encontro de Vinhos – um encontro muito especial, simpático, descontraído e sempre recheado de bons vinhos que os amigos Beto (Papo de Vinhos) e Daniel (Vinhos de Corte) organizam algumas vezes por ano e desta feita em Campinas. Pessoal da região, não percam! Juntem os amigos, aluguem uma van e aproveitem ao máximo pois vale muito a pena. Fui convidado a colaborar com a eleição dos TOP 5 do evento, mas Sábado é meu melhor dia na loja então não posso me ausentar então, vá por mim e me diga quais seus top 5!

“Dando continuidade ao Road Show iniciado no Rio de Janeiro em março e depois de passar por São Paulo em abril, o Encontro de Vinhos chega à cidade de Campinas. O evento segue o mesmo formato dos anteriores, sempre trazendo descontração e um ambiente agradável para os participantes, sem nunca deixar de lado a importância da informação sobre os vinhos para profissionais e consumidores.

O local escolhido para o evento foi o Casarão Festas e Eventos, que fica no charmoso bairro do Gramado há mais de 25 anos. De fácil acesso e muito conhecido pelos moradores da cidade e região, o Casarão oferece um ambiente aberto, espaçoso e com decoração de alta qualidade. Alguns importadores e produtores brasileiros já confirmaram presença como Cantu, Ravin, Península, La Cristianini, Vinhos da Áustria, Casa Valduga, Domno do Brasil, Pericó, MS Import, Chez France, Wine Lovers, Vinho Sul, PIzzato, Domínio Cassis e Miolo.

Especialmente para Campinas, o Encontro de Vinhos traz com exclusividade a produtora dos vinhos Ferratus, de Ribera Del Duero. Maria Luisa Cuevas vem para o Encontro de Vinhos para mostrar porque os vinhos Ferratus nunca receberam notas abaixo de 90 nos principais guias espanhóis e internacionais. Como o vinho ainda não tem importador no Brasil, será uma oportunidade única provar o Ferratus Sensaciones, 95 pontos no Guia Repsol e 94 no guia Peñin.

A entrada custa 60 reais e dá direito a provar todos os vinhos. Para maiores informações clique aqui. http://www.encontrodevinhos.com.br/

26 de Junho, Sabores do Piemonte na Vino & Sapore – como já de praxe, todo o mês uma degustação de alto nível num encontro gostoso e descontraído harmonizando Vinho, Comida e Pessoas! Desta feita vamos mergulhar nos Sabores do Piemonte porém, como o vinho é servido ás cegas, haverá um intruso nesse exercício, um vinho fora da região. Nestes encontros mensais, exploramos a riqueza dos sabores do vinho e o resultados destes quando colocados juntos com boa gastronomia e um ingrediente essencial, o grupo de pessoas que temos o privilégio de juntar nesses eventos  Desta feita nossa viagem pelos sabores da enogastronomia nos leva ao Piemonte e seus soberbos vinhos, assim como o clássico Ossobuco que será acompanhado de Risoto Milanese elaborado pela hábeis mãos do amigo Ney Laux (Restaurante do Ney no Pattio Viana) cuja cozinha dispensa apresentações para a maioria.

       Seis vinhos, cinco do Piemonte mais um,todos provados ás cegas.  Primeiro uma rodada para avaliar os vinhos, depois nova rodada, desta feita acompanhada do prato para avaliarmos a  harmonização. O que será melhor, a típica harmonização dos sabores regionais ou o intruso levará?! Para finalizar a viagem, Tiramissu com espumante Asti (será que harmonizará?) e nosso delicioso café do Ateliê do Café. Eis a lista de vinhos que estaremos colocando nesta degustação:

  • Dezzani L’Assiona Monferrato  (4 “grappoli” em 5 no guia Duemilavini) – um vinho delicioso e intrigante elaborado com uma uva pouco conhecida da maioria, a Albarossa. Esta cepa é fruto do cruzamento das castas Nebbiolo e Barbera, um vinho que por si só já vale a experiência.
  • Prunotto Mompertone Monferrato Rosso – um campeão de vendas e saborosissímo blend de Barbera com Syrah, vinho que pode surpreender mesmo que sem a fama de seus outros concorrentes da noite.
  •  Dezzani Barbaresco (2 estrelas em 3 no guia I Vini di Veronelli) – 100% Nebbiolo, a mais representativa casta da região, numa versão mais light do que os barolos, mas não por isso menos prazerosa!
  •  Piero Busso Barbera d’Alba (4 estrelas de 5 na revista inglesa Decanter) – 100% Barbera. A barbera vive uma crise de identidade e há de tudo no mercado, dos mais ralinhos aos mais encorpados e complexos até os carregados de madeira! Este rótulo é produzido por um pequeno produtor ôrganico e mostra todo o esplendor que essa uva pode gerar com um vinho de muito boa concentração e produção limitada.
  •  Cascina Ballarin Tre Ciabot Barolo (3 “grappoli” em 5 no guia Duemilavini e Wine Spectator 90 pontos para a Safra de 2003) – um “affordable” Barolo pronto a beber em seus 4 anos e pouco de vida, uma mescla de uvas de três diferentes vinhedos, entre eles um da importante sub-região de La Morra., é um despertar para os grandes e carissímos Barolos de guarda.
  •  Intruso – no mesmo patamar de qualidade e altamente respeitado em nossa vinosfera, permanecerá nas sombras (rs) sem se identificar até ao final da degustação que, obviamente, se dará ás cegas.

      Investimento de retorno garantido para no máximo 13 pessoas dos quais 8 já reservaram, então só sobraram cinco! O custo será de R$190,00 com os já costumeiros 10% de desconto para casal ou grupo de amigos. Fico no aguardo de vossa manifestação e reservas, lembrando que as atividades se iniciarão às 20 horas e nos sentaremos á mesa impreterivelmente ás 20:30.

Dia 26 e 27 de Junho, Decanter Wine Show – minha sugestão, dia 26 no Sabores do Piemonte e dia 27 marcando ponto neste show espetacular que a importadora Decanter promove. Ocorria a cada dois anos e todos nós que militamos no meio aguardávamos ansiosamente o dia. Ainda o fazemos só que agora anualmente e com uma característica bem criativa, até pelo tamanho e qualidade do portfolio, um ano só vinhos europeus e no outro só Novo Mundo. Este ano temos a versão europeia para nos esbaldarmos com algumas preciosidades trazidas por:

França:  Antonin Guyon da Borgonha,De Sousa et Fils da Champagne ,Château de Tracy de Pouily Fumé, Domaine de L’Oustal Blanc de Minervois, Domaine Paul Mas, Mahler- Besse negociants de Bordeaux, Montirius de Vacqueyras e Domaine Paul Planck da Alsacia.

Da Itália: três grandes estrelas estarão presentes. Gulfi (Matteo Catania) da Sicilia, produtor orgânico do ano, pelo guia D’Agata & Comparini, a produtora do ano pelo guia Duemilavini da AIS, Elena Walch do Trentino (Elena e  Werner Walch, proprietários) e  Franz Haas também do Trentino.

 Da Espanha: destaque para José Pariente  da Rueda que irá apresentar seus vinhos pela primeira vez no Decanter Wine Show e o pequeno Celler de L’Encastel do Priorat.

 De Portugal: grandes nomes como Alves de Souza do Douro, Anselmo Mendes do Vinho Verde, Altas Quintas do Alentejo e Dona Maria do Alentejo.

Da Alemanha: farão estréia no Decanter Wine Show, Dr. Heger de Baden, Horst Sauer da Francônia, Reicast Von Buhl de Pfalz.

 Da Hungria: o mais prestigiado produtor de tintos do país, Attila Gere.

Da Eslovenia: Marjan Simcic, proprietário da vinícla Simcic de Brda e da Croácia, Korta Katarina.

 A Grécia será representada pelo Domaine Sigalas de Santorini.

Em Sampa, Hotel Tivoli é o lugar e o horário das 16 às 22 horas, para não perder (eta semana porreta!) e se interessar, mais informações clicando no site aqui.  No Rio de Janeiro dia 25, Porto Alegre 28 e em Belo Horizonte dia 29.

14 de Julho, 1º Granja Viana Wine Fest na Vino & Sapore – Jazz ao vivo, mais de 50 rótulos, provas de chás gourmet, antepastos, queijos e comidinhas! Das 14 ás 21 horas haverão vinhos diferenciados para você provar e descobrir novos sabores. Já mencionei algo aqui, porém mais informações passarei na semana que vem. De qualquer forma, por R$60,00 o convite com R$20 revertendo em crédito para compra, um evento imperdível para todos de Sampa, especialmente zona Oeste, que deve ser reservado desde já! Já confirmados; Decanter / Winebrands / Dominio Cassis / Vinhos do Mundo / Calix / KMM / Almeria / W &W Wine / Mercovino / Cave Geisse e outras ainda em fase final de negociação. Saia de seu porto seguro e venha descobrir novos sabores de pequenos produtores e importadores idem, afora alguns mais consagrados.

16 a 19 de Agosto , GourVin 2012 em Campos de Jordão – o evento do amigo Luiz Otavio (Enopira) no Orotour Hotel, que de certa forma dá sequência ao Vamos à Montanha,  que segue seu caminho rumo a outros lugares, está de babar. Verdadeiras aulas de harminização, degustações temáticas para satisfazer os mais exigentes enófilos de plantão. Vou deixar você espiar só um pouquinho, porém se quiser ver a programação completa e ver como participar, clique aqui e vá em frente, você não se arrependará!

Sexta-Feira- 17/08/2012

Atividadenº 3- A Syrah/Shiraz pelo mundo

Importadora- Decanter

Coordenação- Luiz Otávio Peçanha

Palestrante- Luiz Otávio Peçanha

Local- Sala Itapeva- Orotour Garden Hotel

Dia- 17/08/2012- 10:00h

Preço- R$ 180,00

Vagas- 30

Vinhos apresentados:

1-     Colombo Côte-Rotie La Divine 2009

2-     Colombo Hermitage Le Rouet 2006

3-     Colombo Cornas Le Ruchets 2004

4-     Kilikannon Greens Reserve 2007

5-     Bem Schild Reserve 2005

6-     Fox Creek Reserve 2005

7-     Villard Tanagra 2008

8-     Gere Syraz 2007

9-     Craggy Range Le Sol 2007

Situação- 22 reservas, 08 vagas em aberto

Salute, kanimambo e um ótimo final de semana para você.

Andresen Porto Colheita 1910, o Melhor Vinho de Minha Vida – PURA EMOÇÃO!

Bem, depois de tanto suspense finalmente citarei o nome do elixir que me seduziu e me levou ao nirvana. Me considero um degustador experiente com alguns milhares de rótulos na bagagem, de tudo o que é estilo, cor e origem, mas mesmo com esse “calo” me emocionei como nunca dantes perante um vinho. Como disse, a degustação se deu na Expovinis e foi algo fora deste universo, pois se tratava de uma prova vertical em que estavam presentes nada menos nada mais do que 13 vinhos de 13 safras diferentes, sendo a primeira de 1998 e a última a de 1900 tomados nessa ordem. Sim você leu corretamente, 1900! É até provável que você já tenha lido sobre elas em posts publicados por outros privilegiados participantes desse evento promovido pela  J.H. Andresen de Vila Nova de Gaia, onde história e grandes vinhos se misturam em perfeita harmonia. Hoje capitaneada por Carlos Flores, a empresa foi fundada por um jovem dinamarquês de apenas 19 anos de idade em 1845, Jann Hinrich Andresen nome que até hoje prevalece na porta desta casa produtora portuense mostrando que mesmo com as mudanças de proprietário a história e tradição foram mantidas.

Foi Carlos Flores que nos recebeu nesta magnifica degustação comentada com louvor pelo conceituado critico português e jornalista do vinho Rui Falcão – Revista Wine a Essência do Vinho, e os divertidos pitacos de quem hoje comanda as caves, o enólogo Álvaro van Zeller. Show de bolae uma tremenda sinergia entre os três só batida pela excelência deste Portos Colheita na taça e na boca. A maioria dos vinhos é mantida nos cascos (600 litros) sendo engarrafados aos poucos e de todos os vinhos provados, somente um já não existe no casco e está totalmente engarrafado, o de 1937 engarrafado em 1980, uma joia rara que meu amigo César tem o privilégio de ter em sua rica adega (me aguarde César! rs).

Carlos Flores teve o privilégio de seu antecessor ter sido um “colecionador” de Portos já que ao longo de sua vida só comprou e fez vinho sem vender, estocando e envelhecendo esses caldos com toda a paciência do mundo. Da mesma forma, Carlos já trabalha nos vinhos da próxima geração que provavelmente não verá saírem ao mercado, estranho não? Começam a entender a razão de tanta emoção na taça? É pura historia, tradição e cultura engarrafadas!!  Para elaboração desses Tawnies Colheita Velhos, Álvaro de Castro separa os melhores caldos em 50  cascos para envelhecimento nas caves da empresa. O restante dos vinhos é colocado no mercado com uma média de doze anos de idade e nunca menos de oito! Uma característica importante destes vinhos é que, depois de engarrafar, ele permanece dormente por cerca de 10 anos e só depois desse período é que se inicia um novo processo de evolução, agora na garrafa. Estes vinhos com mais de 40 anos em casco, ganham cor e taninos que tiram da madeira em que sencontram e devem ser servidos por voltas dos 10 a 12ºC.

Afora 0 1937, esgotado na adega, que está engarrafado e consequentemente com “packaging” final e comercial, todos os outros são amostra de cascos sem rótulos comerciais.  Iniciamos a degustação com o muito bom 1998 e eu tomando minhas anotações. Na sequência os 97 / 95 / 92 (divino) / 91 (excelente) a essa altura e já entrando em êxtase me perguntei, que diabos faço eu aqui tentando explicar o inexplicável, analisando estes elixires que são impossíveis de ser descritos? Parei de tomar notas, relaxei e curti a viagem pois chegaram á mesa o; 82 (grande!) / 81 (genial) / 75 (dá para ficar melhor?) / 68 (maravilha, uma obra de arte) / 63 (para tomar de joelhos) / 37 (impressionante) /10 (obrigado meu Deus por ter me dado este privilégio!) / 00 (acabaram-se os adjetivos qualitativos e os vinhos)!!!!!

Andresen Porto Tawny Colheita 1910 o Vinho da Minha Vida

 Se você esperava que eu ficasse aqui descrevendo este vinho com sua riqueza e complexidade, sua elegância, incrível textura e sofisticados aromas, acidez impressionante para um vinho de mais de 100 anos e um final interminável, esqueça pois o vinho é muito mais que isso! É indescritível, vai fundo, passa do olfato e palato mexendo com todas as nossa emoções, um vinho que beira a perfeição, se é que ela existe, e nos alcança a alma. Um ancião vibrante e cheio de vida!

Soberbo seria dizer pouco desse incrível elixir de Baco que, vi na Revista de Vinhos portuguesa, custa algo ao redor de 2.500 Euros a garrafa. Quem tiver essa grana eu sugiro ver com a vinícola se pode engarrafar em garrafas de 200ml (rs) e comprar umas duas dúzias para ir tomando ao longo da vida no escurinho do quarto, uma boa musica instrumental de fundo , olhos fechados deixando a emoção tomar conta e viajar no tempo! De chorar de felicidade e emoção á flor da pele ainda hoje quando escrevo estas linhas na tentativa de compartilhar com os amigos esta experiência que espero não venha a ser única em minha vida. Uma pena que não consegui uma garrafa dessas para meu altar de baco, mas vinho de excelência é assim mesmo, a persistência é interminável, na mente!

Hoje, um kanimambo muito especial ao pessoal da Essência do Vinho e ao Rui especialmente por sua apresentação, ao Carlos Flores por sua generosidade ao Álvaro de Castro pelo que está a fazer na adega, ao Jann Hinrich, ao Albino Pereira dos Santos que fundou esta nova fase da vinícola em 1942, a todos aqueles que contribuíram com estes incríveis caldos. pelo que sei ainda não enontraram o parceiro certo aqui no Brasil, então não sei quem o revende e tão pouco quanto custará por terras brasilis. Interessante que a grande parte dos vinhos que deixaram marcas na minha mente tenham sido doces; Pendits Tokaji Essenzia 2000, Porto Dalva Branco 63, S. Leonardo Porto Twany 20 anos, Moscatel Roxo 1971, Quinta do Vesuvio Vintage 2007, entre outros.  Não sei o que me espera amanhã, quanto mais o resto da minha vida, mas até hoje, nada melhor que o Andresen Colheita 1910 preencheu a minha taça!

Salute e que baco lhe proporcione a mesma experiência que tive num futuro não tão distante, seja com este rótulo ou com qualquer outro, pois sentir essas sensações é pura emoção, algo tão marcante que se torna inesquecível. Um vinho de reflexão e meditação para ser aplaudido de pé, e foi!

è Hoje, è Hoje, é Hoje!

       Bom dia pessoal e desculpem os amigos que ansiosamente esperam por saber qual O Melhor Vinho de Minha Vida, mas ainda não é hoje! Publicaria ontem, mas tive problemas, hoje é Dia dos Namorados e não cabe, então ficou para amanhã, Quarta-feira ok? Dia dos Namorados é todo dia, como são os dias; da criança, da mulher, das mães e por aí afora. As convenções, no entanto, dizem que hoje tem que se comemorar mais, então vamos nessa, boa comida, bom vinho e, obviamente, boa companhia! Para quem vai sair hoje á noite, eis algumas dicas de última hora:

Dia dos Namorados na Speranza – Sax ao vivo e promoção com vinhos garantem clima romântico neste dia 12. A Cantina e Pizzaria Speranza, em seus dois endereços (Bixiga e Moema) vai celebrar os namorados nos dias 11 e 12 de junho. Nas duas casas da Família Tarallo, haverá um saxofonista tocando repertório variado e de bom gosto para garantir o clima romântico da ocasião. Além disso, haverá promoção de vinhos. Na compra de uma garrafa do vinho português Altano Graham´s (R$ 60,00) ou do argentino Alto las Hormigas (R$ 65,00), o cliente ganha uma garrafa de 1/4 do vinho Alamos Malbec.

        Os vinhos serão boas companhias tanto para as excepcionais pizzas da pizzaria mais premiada de São Paulo quanto para as massas, os risotos e carnes que compõem o cardápio da cantina, com 53 anos e história.A casa não aceitará reservas para esses dois dias, garantindo o atendimento dos clientes por ordem de chegada. Para maiores informações acesse o site www.pizzaria.com.br. Ah, minha sugestão, que não podia ser outra, vá de Altano!

Namorando no Dom Curro neste Dia dos Namorados – No dia dos namorados, 12 de junho, terça-feira, o Don Curro recebe os casais de braços abertos, convidando os clientes a comemorar com eles os 54 anos de vida do restaurante completados em maio. A casa está em festa, pois atuar há tanto tempo nesse mercado mantendo qualidade e serviço inquestionável e ainda com os mesmos donos é um marco difícil de ser alcançado. A sugestão do Don Curro para o dia não podia ser outra: partilhar a famosa Paella Don Curro elaborada com arroz, açafrão espanhol, mariscos, cigalas, lulas, frango, camarões, pimentão vermelho e ervilhas frescas (R$266,00).  Muito apreciado também a Plancha del Marinero com linguado, camarões, lulas, coquinas, cigalas e lagosta, feitos na chapa com azeite, alho, e servidos com batatas coradas (R$168,00), atende bem duas pessoas.

       De presente aos casais, uma taça da cava Codorniu rosado, um coração artesanal de chocolate para adoçar o momento romântico e, após a sobremesa, um sortido do legítimo turrón espanhol de Jijona, de importação própria. O restaurante fica na Rua Alves Guimarães, 230, Pinheiros, aqui em Sampa. Fone: (11) 3062-4712 ou acesse o site, http://www.restaurantedoncurro.com.br/ , e já comece a babar!

         Fondue em Casa – Agora, não tá a fins de sair, lembre-se que muitas vezes o menos é mais!  Aproveitando o friozinho, uma garrafa de vinho (recomendo o Rayun Chardonnay Reserva ou Espino Grand Cuvée Chardonnay nos brancos ou um tinto á sua escolha) e um fondue de queijo (pode ser de pacotinho mesmo, sem frescura e nesse caso recomendo o da Emmi ou Tigre), uma lareira acesa (se houver, se não vai de aquecedor mesmo) e o resto o amor toca! Para quem quiser um algo mais, complete com um Fondue diferente, a do Bazzar (pote que esquenta em banho maria) que com alguns poucos morangos e uvas thomson acompanhado por um bom porto e a noite estará completa, ou quase! Uma opção adicional para quem mora em campinas e região e não quer o fondue de chocolate, é terminar com a mesma taça de porto e  os gostosos brigadeiros do Sr. Brigadeiro, satisfação garantida!!

        Salute a todos os enamorados que podem hoje estar juntos e a todos que não podem fica o recado, quem faz o dia é você!

Save The Date – 1º Granja Viana Wine Fest dia 14 de Julho

           A Granja Viana e meus amigos leitores, que reclamam de que tudo o que eu faço é só durante a semana,  mereciam um evento deste porte e a Vino & Sapore vem preencher esta lacuna trazendo algo inusitado para a vinosfera granjeira, coisa para deixar os seguidores de Baco e da boa enogastronomia felizes com tantas descobertas de novos sabores e experiências sensoriais, uma verdadeira viagem de descobrimentos num Sábado! Um Festival de Vinhos a ser realizado numa área coberta de 100m² adjacente à loja na charmosa Estação do Sino, Rua José Felix de Oliveira no bucólico centrinho da Granja. Como acredito em diversidade, teremos mais de 50 vinhos em prova de dez países diferentes, 15 expositores, mesas de degustação de frutos do mar defumados direto de Santa Catarina, Strudels salgados e doces, mesa de antepastos artesanais, queijos diversos, Ballas de Chocolate da Isa Amaral, chás especiais da IntiZen, etc.

           Um festival de Vinhos e Sabores acompanhado de um trio de jazz e outras atividades lúdicas para alegrar ainda mais o ambiente. Em breve mais detalhes, mas reserve já o dia 14 de Julho, você não vai se arrepender! Os convites, por apenas R$60,00 com crédito de R$20,00 para compras de rótulos em prova, deverão estar disponíveis para venda ainda nesta próxima semana.

        Salute e kanimambo. Como estamos no meio do feriado, deixei para finalizar meu post do Melhor Vinho de Minha Vida nesta próxima Segunda, os amigos ansiosos que me perdoem!

Concurso de VinoPiadas – Seleção de Finalistas

    Depois de uma semana de deliberações e análises profundas, o júri interno selecionou seis piadas que agora ficarão ao sabor do humor dos leitores amigos e participantes. Será a votação popular que elegerá o ganhador do 1º Concurso de VinoPiadas promovido por este blog. Abaixo a lista dos selecionados com seu link, caso queira rever antes de votar, e do lado a enquete para você votar. Pode botar mãe, pai, irmão, tia, esposa, cunhado todo mundo para votar!  Faça sua campanha, e dentro de quinze dias anunciarei o ganhador. Se for de Sampa vai ter que vir buscar na loja e tomar uma taça, ou mais (rs) comigo, caso contrário envio por correio!

Boa sorte aos amigos e mais uma vez grato a todos que participaram. Salute e kanimambo

 

Coluna da Eliza – Alain Chabanon, uma Preciosidade do Languedoc

      A Eliza voltou, mas por enquanto recupera baterias e mata saudades da mommy  porque ninguém é de ferro! Em breve, certamente, o mercado a absorverá novamente pois gente boa com bagagem e a gana qe essa menina tem, não tá sobrando não!  Trouxe na bagagem muitas experiências que certamente estará compartilhando conosco em sua coluna quinzenal por aqui em Falando de Vinhos. Hoje fala de um produtor que, por sinal, me parece uma ótima  dica para importadores já que o produtor ainda não está presente por estas bandas. Fala aí Eliza!

 

Alain Chabanon, uma preciosidade do Languedoc!

 

            Presente em quase todas as lojas de vinho da região, este engenheiro agrônomo dá o que falar por aqui (lá!). Adorados pela crítica, pelos profissionais e pelos consumidores, seus vinhos são únicos, complexos, ricos, equilibrados, maravilhosos! E olha que eu tive o imenso prazer de prová-los todos (alguns mais de uma vez)!  

            Filho de professores, Alain Chabanon estudou enologia à Bordeaux e à Montpellier e trabalhou em diferentes domaines antes de se instalar no terroir de Montpeyroux, sul da França, em 1990. Sua ambição era de elaborar grandes vinhos, finos e elegantes… mas sua natureza perfeccionista conseguiu muito mais! Atualmente com uma produção de 50 mil garrafas por ano, e uma linha composta por um branco, um rosé e seis tintos, este vigneron está satisfeito com as suas terras e os frutos de seu trabalho. Seus 20 hectares de terra, espalhados em diferentes “cidadezinhas” são todos trabalhados em agricultura orgânica e biodinâmica. Um verdadeiro ritual cuidadoso que é traduzido em sensações e em palavras: “Um dia um senhor me ligou, e me disse que ele experimentou emoções extremamente fortes degustando meus vinhos… no início eu fiquei um pouco surpreso… mas finalmente eu entendi e eu entendo, e isto me deixa muito feliz porque nós tocamos o essencial do homem, quer dizer, o prazer, algo além da felicidade… é muito bom poder provocar isso…” compartilha Alain Chabanon na abertura do seu site (http://www.alainchabanon.com/index.html).

            Eu, particularmente, sou apaixonada pelo seu ícone, descrito como uma réussite exceptionnelle, L’Esprit de Font Caude, um vinho que interage conosco e transforma um momento ordinário num momento mais do que especial. Seu nome, poético e cheio de significação – Font Caude significa “nascente quente” na língua occitana, língua esta utilizada à mais de 10 séculos atrás pelos trovadores da região para proclamar poemas e canções – é uma homenagem à nascente que existe na propriedade, onde a água brota à 19°C, faça chuva ou faça sol.

            Elaborado com 50% de Syrah et 50% de Mouvèdre, “o espírito da nascente quente” inspira e surpreende; vinho profundo, saboroso, denso, rico e cheio de elegância. Magia? Não, ele é o fruto de um savoir faire único e de muito trabalho! Vou pincelar alguns momentos importantes para vocês, mas quem quiser saber mais me avisa! Uma das principais etapas, a maceração, dura 5 semanas. Durante este período, um dia sim, um dia não, o vinho é pisado. Depois, ele passa 12 meses nas cubas, 24 meses nas barricas de carvalho francês compradas à Bordeaux – já com 2 anos de utilização – para que depois, finalmente, o blend seja feito. Você já estava pensando que o processo termina por aí? Ainda não… mais uns bons 12 meses de estágio seguidos de um engarrafamento sem colagem e nem filtragem… ou seja, a colheita de 2006 começou a ser disponibilizada no mercado em 2011 e a de 2007 ainda não saiu!!

            Pois é, vinificação é sinônimo de tradição na casa de Alain Chabanon e cada garrafa de L’Esprit de Font Caude resume uma verdadeira epopeia vitivinícola…  tudo isso  com a ajuda de apenas um funcionário… quantas horas será que ele dorme?

Bonne semaine à tous et à la prochaine!

O Melhor Vinho de Minha Vida

         Aos cinquenta e sete anos, já tomei e provei muita coisa. Grandes e inesquecíveis vinhos, vinhos que são verdadeiras lendas, algumas zurrapas, muito vinho saboroso e bem feito que cabe no meu bolso e me deu muito prazer de tomar, mas igual a este nunca!

Meus leitores e clientes costumeiramente me fazem a mesma pergunta, “de que vinho você gosta mais?” Impreterivelmente a resposta é sempre a mesma, não sei!  Tenho uma queda por vinhos harmônicos, elegantes e bem equilibrados repletos de personalidade, adoro os vinhos ibéricos, mas já tive na boca incríveis vinhos franceses, italianos, australianos, sul africanos e até chilenos e argentinos, creio que mais do que tudo, adoro a diversidade. Até brasileiro já me encantou, porém igual a este nunca!

Tive alguma experiências hedonísticas de cair o queixo e deixar marcas na memória que não se apagam com o passar do tempo. Algumas já escrevi aqui no blog e nas colunas que escrevo, outras não como a recente prova dos Bordeauxs de 2009 ou o encontro com o Consorzio de Brunello que ainda aparecerão por aqui, mas igual a este nunca!

         A esta altura vocês já devem estar se perguntando, afinal, o que este Tuga está inventando, mas calma, pois como minha mãe já dizia, o apressado come cru e, afinal, o suspense faz parte deste momento, de abrir as cortinas e mostrar esse magnifico elixir digno do cálice de Baco e de meu altar de divindades. Lamentavelmente não fiquei com a garrafa vazia, só tirei foto, mas aguarde um pouquinho mais! Nada de glamour, não é nenhum produtor midiático, conhecido do mundo enófilo mundial, é um artesão do vinho que guarda há décadas, alguns há mais de cem anos, cerca de 6500 cascos e pipas do doce néctar em suas caves.

          Foi na Expovinis, no dia 25 de Abril de 2012 entre as 16:30 e 17:30, num salão repleto, gente saindo pelo ladrão, com cerca de uns 80 felizardos entre membros da imprensa, estudiosos e enófilos que tiveram o privilégio de conseguir entrar. Um evento quase que único no mundo, já que haviam vinhos sendo servidos que nos últimos 30 anos só tinham sido provados duas vezes! A grande maioria dos vinhos eram amostras dos cascos, não estava engarrafada para comércio à excessão do 1937. Para nos ungir  com estes néctares, nos esperavam um “apresentador” e reconhecido especialista, o pai das crianças, ou melhor dos anciões, e seu alquimista mor que, nunca tinha visto isso antes, foram ovacionados de pé por um longo tempo ao final do evento histórico.

           São vinhos que nos tocam a alma, que nos fazem viajar, que mexem com nosso imaginário e com todos nossos sentidos, em especial  com nossas emoções que afloram à pele de forma intensa e até meio desgovernada. Mesmo agora, quando tento escrever sobre eles, me arrepio e meus olhos emudecem, uma experiência absolutamente fantástica e inebriante. Como fala meu amigo Didu, o mundo dos parafusos não consegue fazer isso com a gente! Bem, mas depois de todo esse blá, blá, blá o post já ficou longo demais, então na Quinta falarei mais do produtor, dos caldos provados  e, em especial, desse que foi o Melhor Vinho de Minha Vida, até agora!

        Nesta Terça teremos a coluna da Eliza, na Quarta os finalistas do concurso das Vinopiadas, Quinta já sabem, e na Sexta dicas para um mês repleto de eventos de primeiro nível. Por hoje é só, uma ótima semana para todos, salute e kanimambo. A luta continua, abaixo com as salvaguardas e quem as apoia!

Salvaguardas, mais Um Bufão Nessa Trama

      Eu bem que falei em meu post do recente dia 21 para colocar as barbas de molho e nada de festejar e soltar rojões pela nota publicada na revista Veja, pois não seria a primeira vez que eles passariam por cima de parecer técnicos para satisfazer os barões, os donos do oligopólio produtor do Rio Grande do Sul num conchavo de interesses jamais tratado de forma tão desavergonhada e publica! É incrível a capacidade deles se multiplicarem nesse emaranhado de excrescências que são, tanto o Selo Fiscal repetidamente recusado pelas autoridades judiciárias do país nas mais diversas instâncias basicamente pela inexistência de razão de ser conforme o próprio parecer técnico da Receita, como essa coisa do capeta que agora inventaram as tais das Salvaguardas. Pela segunda vez, o ministro de estado, codinome Pepe Vargas, que tem a seu favor ser membro da corte real e fiel parceiro do governador da província, vem a publico para deixar claro que as decisões nestes casos não são técnicas e sim politicas com claro ranço autoritário e uma tremenda prepotência típica de quem se acha acima do bem e do mal.

  • A Receita deu parecer negativo, então vai-se direto ao ministro que manda instituir o selo.
  • A Justiça veta essa imposição, então vão nos empurrar goela abaixo através de uma possível edição de Medida Provisória já em fase de estudo.
  • Deixa claro que  as coisas estão meio paradas na análise do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio) órgão competente e autônomo, em função do tempo necessário para estudo e defesa,  mas que a decisão das salvaguardas já está tomada! Palpite em seara alheia que é, no mínimo, falta de cortesia para com seu colega ministro,  para não dizer ser pura prepotência e arrogância pelega.

       Ou seja, é de dar nojo tanta sujeira, tanta falta de compostura dessa quadrilha que vem tomando conta do país. Triste, muito triste e difícil continuar escrevendo pois o que tenho vontade de colocar neste post de hoje é impublicável e certamente me poderia trazer problemas de ordem jurídica.

       Uma coisa é certa, quanto mais esses bufões abrem a boca, mais claro fica que isso é coisa do capeta, dos tubarões de plantão e de que tanto descaramento só gera uma enorme irritação que culminará em retaliações que sairão muito caro ao país como um todo. Porém, como para essa gente o país pouco importa  já que por trás de uma bandeira nacionalista fascista e retrógrada só pensam mesmo é no poder e em outras coisas tão podres quanto, não será de se estranhar que essa excrescência passe e aí não tem mais como, a punição terá que ser nas urnas e no boicote, uma pena, pois em vez de falarmos de vinho falamos de safadeza no vinho!

       Quer ver, ouvir  e entender melhor toda essa mixórdia, então acesse as matérias publicadas pelo Alexandre Lalas no seu Wine Report  e pelo amigo Didu em seu blog. Hoje não termino como meu tradicional “salute e kanimambo”, não tou com humor para tal e brinde hoje não se aplica, mas sim com uma frase do Lalas e um recado meu.

Xô capeta, vade retro e “ Cala a Boca Pepe”!!