João Filipe Clemente

Dicas da Semana

      Depois de uma semana de reclusão por pura falta de tempo,  minhas dicas desta semana se concentram em degustações que é a forma mais barata de ampliarmos nossos conhecimentos enófilos. Uma série de eventos bem interessante na região metropolitana e no interior de São Paulo, agende-se!

Grandes Cabernets do Chile, Cordeiro e Skeffington Porto Tawny 20 anos na Vino & SaporeMais uma degustação temática seguida de jantar harmonizado.  Só o título do evento já para dar água na boca, não? Ainda não, pois bem então aqui vai a descrição mais detalhada de mais esta degustação às cegas que será promovida Vino & Sapore (Granja Viana) neste próximo dia 26/09 a partir das 20 horas, para somente 12 privilegiados participantes! (somente 6 vagas ainda disponíveis)

        Como sempre,  os participantes serão recebidos por uma taça de espumante para limpar o palato para o que está por vir e a festa de sabores já começa aqui, Cave Geisse Nature. Quem ainda não conhece certamente se surpreenderá com a qualidade na taça e entenderá a fama que precede este produtor dos melhores espumantes brasileiros , já quem a conhece terá o prazer de a reencontrar. A seguir, feitas as devidas apresentações, tomaremos ás cegas cinco grandes cabernets chilenos, uns mais conhecidos e renomados tendo pela frente gente do mesmo calibre porém menos conhecidos do grande público.

Don Melchor  – um vinho que virou ícone dos Cabernets chilenos e que, ano após ano, é reconhecido pela grande maioria da imprensa internacional especializada como um dos grandes vinhos tintos chilenos com pontuações sempre altíssimas. Falar deste vinho é chover no molhado, porém uma coisa é certa, estamos na frente de um divisor de águas, um vinho de qualidade inegável. Pontuação média dos últimos anos fica entre 92/94 pontos na Wine Enthusiast, Wine Spectator e Wine Advocate (Robert Parker).

Torres Manso de Velasco 2007 – o ano foi especial no Chile e este vinho é outro que encanta a maioria dos que o conhecem . Robusto, esta versão de Cabernet produzido em terras chilenas pela gigante espanhola Miguel Torres, mostra que não tem medo de cara feia.  Elaborado com vinhas muito velhas, próximo a 100 anos, é o vinho ícone da vinícola no Chile.  A Revista Adega recentemente o colocou entre seus TOP 100 do ano e lhe deu 94 pontos, resta-nos ver, na taça, se eles estão certos.

Casa Lapostolle Cuvée Alexandre Cabernet 2009 – o irmão mais comedido do famoso Clos Apalta que já foi o eleito Melhor Vinho do Ano pela  Wine Spectator há alguns anos atrás, o que acarreta uma tremenda responsabilidade sobre a vinícola. A casa é famosa por infligir sobre seus vinhos um estilo francês por opção tendo á frente de seus vinhos o famoso enólogo globe-trotter Michell Rolland. Também advindo de vinhas velhas, vinhedos plantados em 1920, este vinho obtém regularmente notas que variam de 89 a 92 pontos dependendo do ano e nesta safra de 2009 obteve 89 pontos do Guia Descorchados e 91 de Beppi Crosariol articulista do The Globe and Mail.

William Févre Chacai 2008 – elaborado por um dos principais produtores de Chablis na França, este é seu vinho ícone (tem um acima mas prefiro este) produzido em seu mais novo projeto agora no Chile. Poucos o conhecem, porém na safra 2009 já emparelhou com o Don Melchor com 92 pontos no Guia Descorchados. Foi um vinho que se destacou na Wines of Chile de 2011 tendo me surpreendido muito positivamente e com isso encontrou seu espaço em nosso portfolio. Como será que ele encarará as feras de mais renome e mais tempo de mercado?

Anya Ícono 2010 – o nome já diz tudo, é o ícone desta vinícola e o vinho mais novo deste painel. É também mais um vinho advindo de uma safra de grande qualidade havendo gente afirmando que talvez seja a melhor da década passada superando 2005 e 2007 com uma variável, é de safra par! O vinho veio com uma recomendação da revista Vinho Magazine que recentemente montou um painel de Cabernets do Chile e Argentina, tendo este vinho sido considerado um dos melhores com 92 pontos. Pedi ao importador uma garrafa e confirmei, é realmente um grande vinho que chegou de mansinho para tomar seu lugar ao sol, vamos ver como se comporta às cegas, mas já está nas prateleira da Vino & Sapore.

          Para alguns já estaria de bom tamanho, mas tem mais! Mais uma vez, Ney Laux ,do famoso restaurante Granjeiro Pattio Viana mais conhecido no pedaço como Restaurante do Ney,  parceiro de diversas outras degustações estará presente com um prato especial, cordeiro no vinho com alecrim, que será devidamente acompanhado pelo vinho William Févre  Espino Gran Cuvée Cabernet,  caso seja liberado a tempo pela dupla Anvisa/Receita Federal, ou outro similar.

         A esta altura você já se daria por satisfeito, certo? Pois bem, nós não! Fara finalizar uma noite que esperamos seja memorável, abriremos uma garrafa de Skeffington Porto Tawny 20 anos, da casa Taylor’s e recém chegado ao Brasil pelas mão do Palácio dos Vinhos, que será acompanhada pelas gostosas Ballas de Chocolate da Isa Amaral. Eu já provei o 10 anos e se o 20 seguir a escrita, estamos feitos!! Encerrando uma noite enogastronomica especial, nossos seletos cafés gourmet “Ateliê do Café” serão servidos antes de nos despedirmos.

     Preço para tuuuuuuuudo isso, apenas R$165,00 por cabeça e para quem vier em duas ou mais pessoas, 10% de desconto com pagamento sendo efetuado no ao da reserva.

Jantar com Paulo Laureano na Kylix  dia 02 de Outubro – meu amigo Simon, dono da melhor loja de vinhos da região de Higienópolis agora assessorado por minha ex-colunista (é dancei!) Eliza Leão, nos trazem um jantar harmonizado com vinhos portugueses elaborados pelo dono do mais famoso bigode português da atualidade, o consagrado enólogo Paulo Laureano.

Enopira de volta aqui no blog com a etapa Espanhola de seu Torneio de Países! Desta feita a vez é da Espanha tendo o Luiz Otavio escalado uma super equipe para este embate que selecionará os melhores  para a Gran Finale  de Agosto de 2013a

DIA: 20/09/2012 ás 20:00h – entrarão em campo, digo na taça, os seguintes players:

1-                  Aalto 2008- DO Ribera del Duero- R$ 330,00

2-                  Victorino 2007- DO Toro- R$ 399,00

3-                  La Bienquerida 2007- DO Bierzo- R$ 267,00

4-                  Sierra Cantabria Colección Privada 2006-DOCa Rioja- R$ 271,00

5-                  El Puntido 2005- DOCa Rioja- R$ 351,00

6-                  Pago de Carraovejas Reserva 2005-DO Ribera del Duero-R$ 384,00

7-                  Viña al lado de La Casa 2004- R$ 314,00- DO Yecla

8-                  Edetária tinto 2004- DO Terra Alta- R$ 346,00

Só jogador tarimbado e renomado! De perder o fôlego e imperdível. Após a degustação ainda será  Carré de javali para arrematar a noite, ufa!! Preço por pessoa, R$190 e limitado a 15 vagas. Para maiores informações, fale com o Luiz Otavio – FONE: (019) 3424-1583-  Cel. (19) 82040406 – luizotavio@enopira.com.br

       Bem é isso e quem estiver afins não se esqueça, na Vino & Sapore, hoje é dia de Happy Wine Time, vê se aparece! Salute e kanimambo

 

 

Fettucine Com Camarão e Limão Siciliano / Chenin Blanc

           Como prometi ontem, mais uma harmonização de Domingo só que esta teve a presença de um Chenin Blanc que ajudou muito o cozinheiro pois o prato ficou aquém do costume. Com o vinho no entanto, houve uma melhora tremenda e recomendo muito esta “maridaje”. Comecemos falando do vinho, um gama de entrada da MAN Vintners produtor sul-africano que trabalha muita bem essa uva entre outras. Pouca gente conhece a Chenin Blanc o que é uma pena, é um vinho muito fresco e vibrante que acompanha maravilhosamente frutos do mar e peixes. Originária da região do Loire onde se produzem alguns néctares tanto secos como de sobremesa, especialmente na AOC de Vouvray, se deu muito bem na África do Sul onde existe um pouco de tudo entre eles alguns ótimos vinhos como o deste produtor que deve ser servido a 6ºC quando mostra todo seu potencial, mesmo sendo um vinho de pouco mais de 40 Reais. Muita fruta tropical no nariz, já na boca me apareceu uma maçã verde, boa mineralidade, frescor típico da cepa, e uma crocância sedutora, quem gosta de Sauvignon Blanc certamente apreciará este vinho que recomendo até porque o verão está chegando só que cuidado, o vinho desce rápido mas o conteúdo alcoólico é de 13.5% então se não se mancar………! Não é um grande vinho nem se propõe a isso, mas é cumplidor e muito agradável valendo muito o preço e certamente voltará a marcar presença em minha taça muitas mais vezes.

       O prato é receita de um amigo de nossa vinosfera o Charlston Dalmonico da importadora Berenguer, gente finíssima, que há tempos me enviou esta receita que volta e meia faço e ás vezes acerto! rs Sou limitado na cozinha, falta-me o dom e a técnica, então estas receitas que posto são bastante fáceis e qualquer um dos amigos a pode preparar.  Como sempre, gosto de cozinhar com vinho então…..

Separe:

  •  Uma garrafa de vinho, esse MAN Vintners Chenin Blanc é uma ótima opção, e uma taça. Aproveite e já prove para ver se a temperatura é a adequada.
  • 400grs de pasta de gran duro, um pouco mais largo tipo Fettucine, Pappardele ou, como o que fiz, Bavette.
  • 500grs de camarão rosa pequeno tipo IQF, descascado sem cabeça (lave bem, limpe e guarde)
  • Azeite, cebola pequena dois dentes de alho e dois limões sicilianos, mix de pimenta em grão, tomate cereja, cebolinha e salsinha.

   Preparo:

  • Enquanto cozinha o macarrão na água com sal, coloque a cebola e alho bem picados para fritar num azeite bem quente, coloque um pouco do vinho na taça e beba.
  • Antes da cebola dourar, jogue o camarão, misture bem e quando o camarão começar a ficar vermelho da fritura, esprema os dois limões sobre eles.  Coloque mais um pouco de vinho na taça que a esta altura já deve estar vazia!
  •  Deixe apurar por uns cinco minutos  se tanto e tempere com um pouco da pimenta, sal  e misture bem jogando depois o tomate cereja cortado em metades e a cebolinha. Para finalizar coloque um pouco da salsinha e não esqueça de encher a taça, taça vazia, dá azar!
  •   Agora escorra a pasta e jogue o camarão por cima do macarrão misturando bem.  Leve á mesa e termine de matar o vinho com o prato! Se tiver muito mais gente na mesa, abra outra garrafa e estamos conversados! rs

      Como já dizia W.C. Fields, ou seria a chef Julia Child – há controvérsias, “gosto de cozinhar com vinho, às vezes até o coloco na receita’! Satisfação garantida, harmonização da hora e felicidade alcançada, testem e depois me digam se estou errado. Tudo muito simples, vinho saboroso e comida gostosa sem contar a ótima companhia! Por menos de 80 paus comem e bebem, moderadamente,  4 pessoas e ainda tem troco para a saladinha de entrada e a sobremesa.  Salute, kanimambo pela visita e um ótimo fim de semana prolongado para todos. Quem vai aparecer hoje no primeiro Happy Friday da Vino & Sapore?

Dicas da Semana

       Dica para o fim de semana prolongado, fique em casa! eh, eh Gente, São Paulo e região metropolitana fica tão tranquila nestas horas que até dá para aproveitar aquelas coisas que nunca fazemos por falta de tempo a perder no trânsito e nos metermos em muvucas mil! Tem até seleção na Sexta, mas boas mesmo são as dicas a seguir. A primeira é a viagem Enogastrocultural a Portugal agora em Outubro e a outra é o novo projeto da Vino & Sapore, os Happy Fridays!

Portugal com Inês Cruz e eu. Estamos levando um grupo de somente 15 aficionados das coisas boas da vida numa viagem de 15 dias por um Portugal enogastronomico pleno de diversidade e descobertas. Faltam pouquissímas vagas a serem preenchidas e certamente você não vai querer perder esta oportunidade. Clique na imagem para mais detalhes ou me contate enviando seu comentário, terei o maior prazer em tê-lo a bordo. Se quiser já se adiantar, ligue para a Cleide (11) 3257-1667 da Primordial Turismo e garanta seu lugar!

Happy Friday na Quinta! Coisa de português, eu sei, mas tinham que inventar um feriado logo no inicio de mais uma atividade na Vino & Sapore?!! Neste mês de Setembro, começando amanhã (Quinta 6/09), a partir das 18 horas tem Vinos Y Empanadas (Caminito) na Vino & Sapore. Você escolhe uma taça (100ml) de um dos três vinhos á prova no dia mais dois dos três sabores de empanadas disponíveis no dia, por apenas R$20,00. Mais, até ás 20 horas tem Double Wine em que a segunda taça fica por nossa conta. Este projeto conta com diversos parceiros fornecedores da loja, um por Happy Friday, tendo já aderido para Setembro a Dominio Cassis, W&W Wine, Almeria e Vinho Sul. Nesta quinta nosso parceiro é a Dominio Cassis com os seguines vinhos:

  • Espino Gand Cuvée Chardonnay, um delicioso branco produzido no Chile pelo produtor francês de Chablis, William Févre, num estilo diferenciado e muito elegante com madeira muito bem colocada, ótimo frescor e boa mineralidade. Premiado pelo Guia Descorchados, principal guia de vinhos chilenos, e recém posicionado no TOP 5 do Encontro de Vinhos de Ribeirão Preto, é um vinho que certamente se dará muito bem com a empana de queijo.

  • Cabal Malbec Reserva é um vinho que surpreende em função do que entrega de prazer por um preço abaixo dos quarenta Reais. Muito equilibrado, sem excessos de álcool ou concentração, mostra toda a fruta típica da casta em perfeita harmonia. Um vinho agradável, de médio corpo que deverá se dar muito bem com a empanada integral de mix de cogumelos.

  • Cientrueños é um recém chegado ao Brasil e vem fazendo muito sucesso. Espanhol, elaborado com 100% Garnacha de Navarra num projeto algo lúdico da bodega La Calandria, é um vinho que seduz com muita fruta e riqueza tanto no olfato quanto na boca, taninos sedosos, finos, médio corpo mostrando-se bem equilibrado com um final saboroso onde despontam notas de especiarias. Nos parece uma ótima companhia para a empanada de carne com uva passa.

     Amanhã postarei mais uma etapa de minhas harmonizações de Domingo com um vinho elaborado com a pouco conhecida cepa Chenin Blanc, então não deixe de dar uma passada por aqui! Salute e kanimambo, nos vemos amanhã?

Grito de Alerta – Estão Querendo Meter a Mão no Nosso Bolso!

       Meus amigos, estamos numa semana decisiva na batalha contra as Salvaguardas ao Vinho Brasileiro e por isso mais este manifesto final e longo contra elas. Já escrevi muito sobre este tema, mas tenho visto que o consumidor segue estando muito pouco informado sobre o tema, em grande parte por falta de clareza dos formadores de opinião, por falta de postura de alguns, da dubiedade mostrada por outros, etc., então cá vão mais algumas, muitas porque o tema é complexo, linhas. Faltou coerência,  faltou determinação, faltou posicionamento pois muitos ficaram estes últimos meses acendendo uma vela para Deus e outra pro diabo just in case! Uma tristeza, fatos que me causaram muita decepção, mas com os quais aprendi muito também, pois pude separar o joio do trigo! Por outro lado, respeito por aqueles que se posicionaram contráriamente, discordo radicalmente e os contestarei sempre mas respeito pois todos têm direito a sua própria opinião e liberdade de escolha, e estes, pelo menos, se posicionaram clara e abertamente, mostraram cara e a deram para bater uma pena que poucos tenham tido essa coragem se escondendo de mim, de você e do consumidor em geral.

     Antes que saia o resultado final e o MDIC se manifeste oficialmente, tem fofoca de tudo o que é lado – passa não passa -, quero pela última vez antes do veredito, tecer alguns outros comentários que sintetizam um pouco tudo o que já falei.Vamos deixar claro, de uma vez por todas, estão querendo meter a mão no nosso bolso! A Ibravin ( Instituto Brasileiro do Vinho) em conjunto com outras entidades de classe ligadas aos produtores de vinho, devidamente apoiados pelos maiores produtores de vinho Brasileiro como Miolo, Lovara, Valduga, Domno, Dal Pizzol, Aurora, Perini, Garibaldi, Don Giovanni, entre outros, pleiteou ao governo federal a instituição de salvaguardas ao vinho brasileiro que podem estabelecer mudanças nas tarifas do vinho importado extra-zona (produtores fora do Mercosul inclusive do Chile) e/ou o estabelecimento de quotas de importação a ser determinado pelo MDIC (ministério da Industria e Comércio). Tudo isso foi claramente colocado sob bases falsas e de graves deturpações dos números visando eludir os órgãos competentes pela análise da petição e o publico em geral, como pôde ser comprovada na defesa impetrada pelos mais diversos órgãos nacionais e internacionais.

         Agindo sem base justificável, já que não cumpre a premissa básica estabelecida pela OMC que determina que tais ações somente são válidas em casos extremos de grande prejuízo á indústria local ou risco eminente de, conforme pode ser comprovado pelos próprios sites desses produtores e seus balanços, já existe um enorme repudio internacional a esta tentativa de verdadeiro golpe contra o consumidor e retaliações certamente deverão ocorrer causando enormes prejuízos á nação. Aparentemente não aprendemos nada com o retrocesso tecnológico causado pela reserva de mercado da informática e restrição ás importações de veículos quando nos faziam andar em verdadeiras carroças pagando absurdos valores por isso e querem repetir a dose em que o principal lesado será você que, por mais uma vez, será chamado a pagar mais essa conta gerada pelos barões do vinho brasileiro que por grave erro estratégico, pegaram altas somas a quase custo zero do BNDES sem se preocupar do que fazer para escoar sua produção e produzindo mais do que a demanda de mercado.

       Apesar dos esforços de diversas entidades e profissionais do setor em trazer a Ibravin para dialogar e construir um projeto conjunto para o vinho no Brasil, lamentavelmente eles se recusaram a descer de seu pedestal preferindo o embate e a imposição de ideias por razões que desconhecemos porém desconfiamos. Querem salvaguardas pela concorrência nos vinhos finos que é uma infima parte seus negócios porém seus balanços mostram que faturamento e market share não é o real problema ou então mentem em seus sites! Concluindo, os problemas dos vinhos finos brasileiros no mercado, assim como outros produtos de nossa vitivinicultura, estão diretamente ligados a causas internas graves como; o excesso de impostos locais sob toda a base de insumos, da produção e da comercialização do vinho que é tratado tributariamente como bebida alcóolica porém é fiscalizado como alimento, da falta de estrutura de distribuição, da falta de investimento mercadológico visando divulgar a cultura do vinho como fonte alimentar, falta união entre os produtores no sentido de um trabalho conjunto de estimulo de consumo, um projeto mais focado tanto interna como internacionalmente no suco de uva natural (grande arma comercial que temos), etc., etc., etc.. O problema é consequentemente de ordem interna e as salvaguardas não são a solução, mas sim mera ação paliativa de empurrar o problema com a barriga. Somos a favor do vinho e sua cultura, independentemente de sua origem, porém claramente contrários ás salvaguardas e aqueles que estão por trás desta aberração por entender que caso isso venha a ser instituído, estaremos iniciando um período de trevas em que todo o crescimento qualitativo da última década será jogada no lixo e sofreremos um enorme retrocesso tanto na produção quanto no consumo.

      É sabido que, a cada vez que se aumentam impostos por uma questão de proteção á indústria local, o status quo não se altera pois, em vez desta adotar uma estratégia para aproveitar e conquistar market share, eles aumentam seus preços no mesmo porcentual faturando uma grana extra. Eles e o governo que já não precisa de grandes desculpas para aumentar impostos de forma a alimentar um estado cada vez mais paquidérmico de custos fixos para lá de administráveis! Ninguém nos dias de hoje muda seus hábitos de consumo por decreto, os produtores nacionais têm que ser competentes, como já mostraram ser no segmento de espumantes, e deixar de lamúrias pois suas vendas de vinhos finos não vão aumentar enquanto seus preços não estiverem condizentes com a qualidade entregue. Não adianta produzir mais do que seu mercado consome ou de sua capacidade de escoamento comercial, como têm feito de forma equivocada, mas sim de focar em seus pontos fortes e brigar, usando seu forte lobby, por ações mais positivas como as defendidas pelo pessoal da UVIFAN que reúne um grupo de pequenos produtores do sul que, estes sim, merecem nosso apoio, lembrando que há que se separar o joio do trigo!

        Da forma como está proposto pelos peticionários das salvaguardas, o retrocesso  será inevitável. No fritar dos ovos, seremos nós consumidores que, mais uma vez, vamos ser chamados a arcar com a conta gerada pelos barões do vinho. Chega de os carregar no colo, estão grandinhos (e gordos) demais para isso. Como se já não pagássemos um absurdo pelo que compramos aqui, seja nacional ou importado,  isso será um verdadeiro assalto á luz do dia! Estão querendo meter a mão no seu bolso e, quando o fizerem, não nos esqueçamos dos que estão por trás de tudo isto.

      Podemos ter surpresas e o técnico se sobrepor ao politico, coisa difícil de ver neste país especialmente nos últimos dez anos, mas as marcas deixadas pela tentativa de golpe e de meter a mão nos nossos bolsos, vão demorar para cicatrizar. Dizem que a esperança é a última que morre, mas também o faz e se as salvaguardas passarem será o fim da esperança por bom senso e seriedade nas hostes do poder.

      Dei meu recado final, venho atuando e fazendo o que está ao meu alcance para reverter esta possível aberração, especialmente tentando esclarecer ao leitor amigo sobre o golpe que armaram contra nós. Não é o primeiro, os selo foi o primeiro, e certamente não será o último pois já mostraram do que são capazes e diálogo não está no DNA deles, mas agora só nos resta esperar. Aproveite este momento, no entanto, para separar o joio do trigo e faça algo. Tome uma atitude, chame seus amigos e mostre-lhes o tamanho do golpe e quem está por trás disso, propague a mensagem e mostre que você se importa, porque depois não adianta ficar se lamentando!

      Falo de separar o joio do trigo e, dentro do que conheço, tento sempre fazer um contraponto ressaltando uma lista de produtores nacionais contrários a toda essa safadeza, selo e salvaguardas, elaborada pelos barões do vinho e seu oligopólio. São gente que merece nosso apoio; Vallontano, Angheben, Cave Geisse, Adolfo Lona, Villaggio Grando, Antonio Dias, Maximo Boschi, Courmayeur, Villa Francioni, Quinta das Neves e Bella Quinta que em algum momento se manifestaram publicamente contrários.

     Por uma vinosfera mais sã e mais coesa, salute e kanimambo lembrando que você tem armas constitucionais para lutar contra esse status quo, use-as, tome uma atitude. NÃO ás salvaguardas, NÃO aos barões do vinho que a defendem, NÃO a quem quer meter a mão nosso bolso!

Pensamentos para Começar Bem a Semana

 

        Uma ótima semana para todos lembrando que nesta Quinta, para quem não for viajar, na Vino & Sapore teremos nosso primeiro Happy Friday com Vino y Empanadas e Double Wine! Em breve aqui no blog mais informações lembrando que, como diz a imagem abaixo, não importa se o copo está meio cheio ou meio vazio, o que fica claro é que há espaço para mais vinho!

Salute e kanimambo!

Azeites, não entendo nada!

      Como quando me iniciei em nossa vinosfera, só sei se gosto ou não, mas estou aprendendo. A maioria de nós pouco conhece sobre o assunto, porém existem fatos incontestáveis e um azeite de qualidade sobre um prato médio fará milagres, isso não é opinião é realidade!  Sem contar que, junto com o vinho, faz parte da famosa dieta mediterrânea que comprovadamente é benéfica à saúde prevenindo uma série de doenças. Conhecer um pouco mais desse liquido conhecido como o “ouro do mediterrâneo” é conhecer um pouco mais da história da humanidade. No site Portal de São Francisco  achei o seguinte texto dentro de um longo e interessante post sobre o tema: “ Entre os séculos VII e III a.C. o óleo de oliva começou a ser investigado pelos filósofos, médicos e historiadores da época pelas suas propriedades benéficas ao ser humano. Sabe-se ainda que, há mais de 6 mil anos, o óleo era usado pelos povos da mesopotâmia como um protetor do frio, quando estes untavam seus corpos com ele. A longevidade relacionada à utilização do óleo de oliva não existe por acaso. A ciência sempre teve um especial interesse por este óleo justamente pela sua marcante presença na história. Durante anos de estudos e investigações, ela acabou comprovando os seus efeitos (principalmente nos estudos realizados na década de 50) na prevenção do câncer de fígado e em outras doenças, como, por exemplo, as cardíacas.”  

       Estou vendo se consigo me organizar para fazer um curso sobre o tema, mas enquanto isso vou lendo e pesquisando na busca de conhecimento. Nesse processo me deparei com o ótimo site “Azeite On-Line” (onde provavelmente farei meu curso) de onde tirei estas três dicas que podem nos ajudar a comprar melhor e derrubam alguns mitos criados sobre mais esse elixir dos deuses.

Tipo da Embalagem

Garrafas de vidro ou latas, que além de ter uma apresentação atrativa e informativa para o consumidor, tem como principal função a correta preservação das qualidades e características do produto. Os principais “inimigos” do azeite são a luz, temperatura, umidade e o oxigênio, que provocam alterações de sabor e aroma no azeite. A embalagem que oferece melhor proteção a estes quatro fatores é a garrafa de vidro escura, seguida da lata e da garrafa de vidro transparente. A vantagem do vidro escuro sobre a lata é devido ao fato do vidro ser um isolante térmico (“barreira ao calor”) melhor que o metal da lata, além da eficiente proteção contra luz, oxigênio e umidade. A lata, após aberta para uso, também apresenta maior risco de sofrer a ação do oxigênio e da umidade, em função de que nem todas as apresentações de embalagem de lata apresentam sistema adequado de fechamento.

Origem do Produto

Nem sempre o azeite cuja marca é originária de um determinado país, assegura que o azeite foi produzido naquele país. Na Itália, por exemplo, que consome e exporta mais do que produz, há diversas empresas que importam azeites de outros países e envasam com marcas italianas, obtendo produtos de boa qualidade, mas não necessariamente azeites obtidos de azeitonas produzidas na Itália. O mesmo pode ocorrer com outros países.  Nestes casos, normalmente se encontra no rótulo dizeres como “Embalado na Itália” ou “Envasado em Portugal”, mas não informam onde o azeite foi produzido.

 As marcas que são produzidas e envasadas em um determinado país utilizam dizeres como, por exemplo, “Produto Espanhol”, ou “Este produto cumpre com as especificações do país de origem”, “Produzido e embalado em Portugal”, ou “Denominação de Origem Protegida (D.O.P.)”, o que assegura que aquele azeite é de origem conhecida (país e/ou região). Azeite produzido e envasado (ou engarrafado) por um produtor, no país de origem da marca são um indicativo, apesar de não ser uma certeza, de que o azeite pode apresentar uma melhor qualidade

Acidez / Tipo de azeite

Apesar de a acidez ser um fator importante na classificação do azeite, ele não é adequado para sinalizar se é um produto mais gostoso em termos de sabor, aroma e intensidade. A acidez indica se o produto é “azeite extra virgem” (até 0,8%), considerado o tipo mais “nobre”, pois a sua extração foi feita apenas por processos mecânicos. Entretanto, não obrigatoriamente azeites extra virgem de acidez menor, por exemplo, 0,2% de acidez, são melhores que produtos com acidez maior, por exemplo, 0,7%. O produto classificado como “azeite de oliva”, nem sempre menciona a acidez, pois é pouco relevante para este tipo de produto, pois eles são obtidos inicialmente por processos mecânicos, nos quais não atingiram a acidez para se classificarem como “extra virgem”, e foram submetidos a processos químicos para redução da mesma, sendo posteriormente acrescidos de uma pequena fração de “extra virgem” em sua composição (veja maiores detalhes no link “produção”);

Tipo de Processo de Extração

Algumas marcas “extra virgem” informam que o processo de extração foi de “primeira prensagem a frio”. Como atualmente todos os azeites são obtidos apenas com uma única “prensagem”, ou “extração, esta informação tem pouca utilidade de diferenciação. Entretanto a segunda informação, “a frio”, é relevante, pois indica que não houve aquecimento no processo de extração do azeite, o que pode indicar que as qualidades de aroma e sabor estão melhores preservadas. Algumas empresas utilizam aquecimento no momento de extração, mas esta informação dificilmente está informada no rótulo

A Cor do Azeite

Outro mito muito presente está relacionado com a cor do azeite. O consumidor brasileiro tem a tendência de considerar azeite com coloração verde mais intensa como um azeite “encorpado”, “mais forte”, “mais gostoso”, de sabor e aromas mais intensos. Esta é uma avaliação equivocada. O que define as características sensoriais de um azeite, como o sabor, o aroma e suas respectivas intensidades, são dezenas de compostos presentes na azeitona que são resultantes da variedade, maturação do fruto no momento do processamento, bem como das condições do micro clima e do terreno em que a oliveira está localizada.

A cor verde do azeite está associada à maior ou menor presença de clorofila (pigmento natural de cor verde), que não influi na qualidade sensorial do azeite, eventualmente pode conferir notas sensoriais mais amargas.Normalmente, azeites mais verdes são obtidos de azeitonas processadas nas etapas iniciais da colheita e podem ter sabor e aroma associados a “frutos verdes”, como erva cortada, banana verde e maçã verde. A cor do azeite pode variar de intensidade entre o verde intenso e o amarelo ouro e normalmente está associada ao estágio de maturidade do fruto: cor de azeite mais verde, obtido de azeitona mais verde, cor de azeite mais amarelada pode significar azeitona mais madura.

          Bom fim de semana hoje sem dicas, a não ser gastar uns trocados num bom azeite, que aparecerão aqui na Segunda. Salute, kanimambo e nos vemos por aqui ou na Vino & Sapore com uma taça de vinho e dois dedos de prosa.

Minha Terra Também Tem!!

         Mozambique Wine Fair, nunca se sabe, pode ser que em Outubro você esteja pelas bandas de Maputo então aqui vai uma dica do que fazer. Por outro lado, vai a dica também para os produtores nacionais que se interessam por exportar para países menos tradicionais e fora da rota Estados Unidos, Europa e China pois é uma boa oportunidade para expor seus vinhos.

DATAS/DATES: 25 – 26 DE OUTUBRO DE 2012

LOCAL/VENUE: MAPUTO SHOPPING CENTER

HORA/TIME: 15:00HRS – 22:00HRS

 Para maiores informações, contate  BRANDW!SE– MOÇAMBIQUE Av. Olof Palm Nr. 896 Esq. C/Av. Agostinho Neto Tel.  +258 21 – 30 30 86 Fax. +258 21 – 30 30 87  Cel. +258 86 3070 800/900 E-mail: geral@brandwise.co.mz  ou acesse http://www.facebook.com/BRANDWISE.MOZ Maputo – Moçambique

Aproveitando a estadia por lá, não deixe de dar uma passada pela Polana e seu histórico hotel com uma vista lindissíma, ir até a marginal para tomar uma cerveja e petiscar frutos do mar (ameijoas e caracóis entre outras delicias) olhando o mar e o sol se pôr, comer no PiriPiri, traçar um prato de camarões á Laurentina, passar na baixa e tomar um café enquanto se perambula pelos diversos pontos de venda de artesanato, visitar o bazar (mercado) com seus aromas de especiarias indianas, a estação de caminhos de ferro de onde saí por inúmeras vezes a caminho da escola na África do Sul, Museu de História Natural, a Catedral, enfim há muito para se curtir em Maputo durante esses três dias, afora degustar bons vinhos.  Salute e kanimambo, aproveitem a viajem.

Quem Garimpa Acha!

     Só não sabemos o quê e isso é o barato, a adrenalina do garimpo! Refosco al Peduncolo Rosso, como diz o Gerosa do Blog do Vinho, “Provar vinhos de uvas nativas e pouco divulgadas é como garimpar um livro em edição original em um sebo. Tem aquele apelo da descoberta de algo que existia há muito tempo, mas você desconhecia. De descobrir o novo, que na realidade é antigo, mas estava escondido. Melhor ainda quando o conteúdo surpreende.”, sim porque isso nem sempre acontece! Neste caso, este vinho do produtor Livon trazido pela Mercovino, surpreende e muito positivamente.

       A DOC é situado no nordeste da Itália quase encostado na Slovenia a leste, é a Colli Orientali dei Friulli com um formato que mais parece um camarão num país que tem a bota como referência. A região do Friulli como um todo não é muito conhecida entre nós e muito menos suas uvas. Mesmo com uma participação interessante de cepas estrangeiras, gosto dos Merlots e Cabernets da região que provei, é possuidora de uma leva de uvas autóctones desconhecidas da maioria, inclusive por mim, como as; Refosco, Schiopettino, Ribolla, Pignolo, Friulano, etc.

       A cepa de que falo hoje de nome estranho (sempre penso num furuncolo no pé! rs) Refosco al Peduncolo Rosso poderia ser traduzido como Refosco de racimo vermelho, já que existe o verde mais presente na Slovenia e Croácia, e é o mais “conhecido” da família dos Refoscos. Tive que pesquisar um pouco porque pela primeira vez me deparei com um destes vinhos na taça e desconhecia a cepa. De amadurecimento tardio é uma uva que prima pela boa acidez e taninos firmes produzindo vinhos bem estruturados.

       Falemos deste vinho que tem a conceituada Livon como produtor, é o Livon Colli Orientalli dei Friulli Refosco al Pedunculo Rosso, ufa! Possui uma bonita cor rubi, aromático com frutos negros (ameixa) bem presentes com algum tostado de fundo. A entrada de boca é franca com uma fruta fresca bem aparente, crescendo no meio de boca quando aparecem seus taninos bastante finos e sedosos, corpo médio, terminando algo especiado com boa persistência. O que mais chama a atenção afora a fruta, é a ótima acidez o que comprova o que li sobre a característica da cepa, muito gastronômico, me vi tomando-o algo mais fresco, próximo aos 15 a 16ºC, acompanhado de diversos estilos de charcutaria e, quem sabe, até  um frango grelhado na brasa ou aquela tipica fried chicken americana ou, arriscando um pouco, uma feijoada light?! Enfim, sem devaneios mil, um vinho bastante harmonioso e vibrante que me agradou e me fez lembrar do fato que vivemos aprendendo e por isso o garimpo é tão importante porque se não o que nos resta será viver na mesmice e isso é uma tremenda chatice! ). O preço gira ao redor dos R$95,00.

       Fui, salute, kanimambo pela visita e sigam singrando por mares nunca navegados, a viajem vale a pena!

Dicas Para Comprar Melhor

Mais do que perguntas e respostas, hoje toco num tema bem básico porém nem sempre do conhecimento de todos, como pedir seus vinhos em uma loja e dou algumas dicas nesse sentido. Tá certo que o atendimento e, especialmente, o conhecimento dos pseudo sommeliers que atendem nas lojas não é o que deveria ser, mas até por isso é importante que você seja objetivo deixando claro o que você quer. Por exemplo; não entre numa loja pedindo uma Champagne quando o que você quer é um espumante básico para a festinha do escritório, pois certamente se surpreenderá com o preço! A pedido de alguns amigos, eis algumas dicas do que evitar e outras do que mencionar para quem o atenda de forma a possibilitar que seus anseios sejam atendidos. Não é uma lista de regras a seguir, mas dicas fruto de minha experiência que  acredito fazem muita diferença na hora da compra:

Vinho do Porto – ao pedir estes vinhos certifique-se de que tipo de Porto você quer. Tawny, Ruby, envelhecido, reserva, etc. Aqui mesmo no blog tenho alguns posts sobre o tema que podem lhe ser úteis nesse processo basta procurar em Categorias – Vinhos do Porto. No entanto, estes dois posts sobre os diversos estilos de Tawny e também de Ruby são bem esclarecedores.

Espumantes – Champagne e Prosecco não são sinônimos de espumantes. Mais uma vez, entender o que se está pedindo é essencial para ser bem atendido. Leia o post que escrevi nos idos de 2007 que continua bem atual.

Estilo e Origem do vinho – indique ao atendente o estilo de vinho que procura. Se é vinho encorpado, se é vinho mais elegante e macio, se tem preferência por um país de origem ou uva preferida e não tenha medo de experimentar novos sabores.

Faixa de preço, isso é muito importante pois há bons vinhos em todas as faixas. Quando for comprar e precisar de consultoria na compra, sempre especifique a faixa  de preço que está buscando. Se for baixa e o atendente virar o nariz, faça o mesmo e procure outra loja onde você possa ser melhor atendido, pois serviço e educação são essenciais em qualquer situação.

Vai dar um presente? Se não conhecer o presenteado muito bem, tente descobrir que vinhos (pelo menos uva ou origem) essa pessoa tem tomado e passe essa informação na hora da busca, junto com faixa de preço que pretende gastar, pois ajudará muito sua causa. O atendente não é adivinho e o tal do bom e barato é muito relativo a cada um.

Conhecimento em nossa vinosfera se ganha com litragem e diversidade. Tente frequentar o máximo de degustações possíveis onde você poderá conhecer os vinhos antes de os comprar reduzindo sua margem de risco. Vinho neste país, aliás não só vinho(!) é muito caro então comprar bem é economizar. Compre alguns vinhos que já conheça e goste, seu porto seguro, mas não deixe de provar coisas novas e diferentes pois aí que jaz o grande barato do mundo do vinho, a descoberta de novos sabores!

Monte uma planilha simples em casa em que conste o nome do rótulo, safra,origem, uvas se souber, estilo – branco/tinto/sobremesa, etc. – preço, onde e quando comprou, quando tomado e sua avaliação. Essa avaliação tem que ser algo que lhe faça sentido, nada de criar ou copiar algo complexo, tem que ser algo que na hora seja fácil de lembrar seus sentimentos ao tomá-lo. Eu usava referências muito objetivas tipo:

  • Qualidade – Grande vinho / muito bom / bom / medíocre
  • Observação – só escrevia se o vinho valesse a pena e tratava de sabores e emoções percebidas usando palavras chaves. Quando não valia a pena somente marcava – sem comentários.
  • Preço – Vale o que paguei / superou expectativas / fraco demais da conta
  • Compra – comprar de novo / só em promoção / para esquecer

Dessa forma, com um leve olhar eu já sabia o que era descartável e o que não. Até hoje volta e meia recorro a essas planilhas para me lembrar de um ou outro vinho.

Crie um vinculo com a loja que produzir a maior sinergia consigo. A que acerta mais no atendimento de suas expectativas e alimente essa relação, você só sairá ganhando pois nada melhor que você tratar com alguém que entenda do produto, de suas necessidades e as atenda de forma agradável e sincera.

Não suponha que o mais caro é o melhor. É comum pensar que os vinhos mais caros sejam os melhores, porém isto nem sempre é verdade e a precaução na compra de um vinho de alto valor tem que ser precedido de muita pesquisa e, preferencialmente, prova. Há inúmeros casos de ótimos vinhos de preço intermediário que batem grandes nomes e preços idem então, pesquise antes e, se já tiver uma relação de confiança com seu fornecedor, peça-lhe ajuda.

Tenha especial cuidado quando se compra vinho em sites de compra coletiva, clubes de vinho e lojas virtuais. Você não tem como conferir as condições do produto e como ele viajará até você, lembre-se que é algo que você irá ingerir! Por outro lado, se der zica, o que ocorre mesmo que amiúde, vai reclamar para quem?! Compras on-line só em situações muito especificas e com um retrospecto bem conhecido ou por recomendação de alguém que confie.

Cuidado com ofertas mirabolantes, compare preços, não descontos! Mais uma vez, a relação com o lugar onde compra é essencial pois dela advém a confiança. Um vinho branco muito abixo da média de preços da concorrência, comprado sem ver e sem alusão de safra na internet, pode lhe trazer uma dor de cabeça danada! As margens neste ramo são bem menos altas do que a maioria pensa então se os porcentuais que lhe estão oferecendo são muito altos, coloque as barbas de molho e prossiga com muita precaução lembrando que, quando a esmola é demais o santo desconfia! Preferencialmente,restrinja suas compras de promoções e barganhas de quem você já conhece e nunca o faça quando em viagens longe de sua residência. Se o vinho apresentar problemas vai reclamar pro bispo!

Seja feliz! O vinho, como já dizia o saudoso mestre Saul Galvão que nos deixou à quase três anos, existe para nos dar prazer então compre bem para que isso se concretize e depois, tome-o em boa companhia. Salute e kanimambo, nos vemos por aqui ou aonde a taça nos levar.

Malbec e Bacalhau, Não é que Deu Tango!

      Adoro essa experiências! Algumas dão errado, mas me esbaldo quando dão certo e esta deu muito certo porque há mil formas de preparar bacalhau e os mais diversos estilos de Malbec então é uma questão de prova e uma certa dose de sede de novidade com uma pitada de ‘aventura”. rs Na enogastronomia “inventar” pode ser uma muito boa pois vivemos nos surpreendendo e aprendendo.

     Faz uns quinze dias estava provando este vinho na loja e me surpreendi muito positivamente com sua elegância e finesse, algo não muito costumeiro nos vinhos dos Hermanos mais conhecidos por sua concentração e potência. Levei o resto da garrafa para casa para provar com mais calma e aproveitei para tentar harmonizá-la com um prato de Penne com Bacalhau e Brócolis, ficou da hora, mas vejamos por quê e que vinho é esse.

         O vinho é o Gougenheim Valle Escondido Malbec 2010 com educados 13.5% de teor alcoólico elaborado na sub-região de Tupungato em Mendoza a cerca de 1000 metros de altitude. Na cor é rubi com toques violáceos típicos da cepa sem a típica super extração que resulta em vinhos muito escuros. Nariz sedutor de frutos negros com nuances florais, pelo menos assim me pareceu, que convidam a levar a taça à boca onde ele se mostra extremamente sedutor, equilibrado e elegante com taninos macios e sedosos, boa estrutura, corpo médio e um final muito agradável algo especiado que pede mais uma taça. Leve passagem por madeira  (4 meses) muito bem balanceada que lhe aporta alguma complexidade de sabores ressaltando suas virtudes. Parker lhe deu 87 pontos, eu lhe daria talvez um pontinho a mais pela boa relação Qualidade x Preço x Prazer pois é um vinho de preço final ao redor dos R$49,00 a 55,00 dependendo da loja, mas o tenho visto em promoção por R$39,00 o que o torna irresistível e imperdível!  

        Tudo levava a crer que poderia encarar meu bacalhau com galhardia e efetivamente isso se comprovou. O prato é leve e o vinho deu-lhe um pouco mais de corpo sem se sobrepor em função de seu equilíbrio e elegância, uma harmonização como a que sempre buscamos em que ambos os players crescem quando juntos, o famoso 2 + 2 = 5 que faz com esse mundo da enogastronomia não seja binário e eu adoro isso! Não é sempre que conseguimos, mas nesta “maridaje” me dei bem. Por sinal, o prato foi regado com o incrível azeite não filtrado da Malhadinha (Alentejo) o que fez o prato crescer um montão, esse ando consumindo a conta-gotas!!

       Se ainda fizer um friozinho e você quiser aproveitar para tentar algo diferente, tente harmonizá-lo com Fondue de Queijo, acho que pode dar samba, ou harmonize-o com amigos num alegre bate papo acompanhando uma linguiça de pernil com ervas como aperitivo, também vale por sua versatilidade, e o preço está muito camarada! A importadora é a Almeria que vem primando por nos ofertar alguns “achados” por preços bem convidativos. Dizem que o Syrah deles também é muito bom, mas esse ainda não provei e quando o fizer vos conto.

Salute, kanimambo e uma ótima semana para os amigos.