João Filipe Clemente

Pode-se Congelar Vinho?

Eu pensava que não, mas aí começo a ler uma matérias e vejo que, para minha enorme surpresa,  sim essa possibilidade existe e pouco ou nada altera o caldo de baco! Pesquisando na net me deparei com esta matéria (http://gourmetbrasilia.blogspot.com.br/2010/11/voce-ja-congelou-um-vinho.html) de 2010 publicada por Rodrigo Leitão em seu blog Gourmet Brasilia, mostrando que esse tema não é nem assim tão recente. A prova desse método de preservação de vinho, no entanto, foi feita de forma exemplar pelo respeitado jornalista Luiz Horta, um de meus exemplos nesta vinosfera que habito, numa extensa matéria publicada no Caderno Paladar do jornal O Estado de São Paulo mais recentemente, há cerca de uns 60 dias, sob o titulo: “Vinho Amanhecido Não é Vinagre”. Pelo didatismo do tema, tomei a liberdade de o reproduzir parcialmente, aqui. Caso queira ler a matéria por inteiro (deve), sugiro acessar este link.

“Selecionei quatro estilos de vinho – branco, tinto, espumante e doce fortificado –, escolhi um rótulo de cada estilo e comprei três garrafas de cada rótulo. Poderia (e farei depois, pois esse negócio de testar coisas vicia) ter usado um tinto mais jovem, um espumante nacional, ou um porto. Mas elegi vinhos que considerei com capacidade de resistir mais dias, para que a experiência durasse mais. A temperatura na noite da abertura das 12 garrafas, na minha cozinha, era 22°C. Os brancos estavam a 11°, os champanhes a 6°, os tintos a 14° e os jerezes a 16°. Tirei as rolhas, provei cada garrafa e anotei, numa ficha de degustação, para ter um padrão de avaliação para os dias subsequentes.

            De cada um dos tipos retirei uma taça, que congelei em quatro garrafinhas pet de água mineral, deixando um bom espaço para que não explodissem no congelador. Uma garrafa de cada tipo foi fechada com vacuvin e uma de cada tipo com a rolha original; as oito foram para a geladeira, que estava numa temperatura de 4°, na porta. As quatro remanescentes permaneceram abertas sobre a pia.

            Todos os dias que durou o teste retirei cerca de 50 ml de cada garrafa e provei. A cada abertura das garrafas, o volume de líquido diminuía (com a degustação) e o de oxigênio aumentava. No fechamento com vacuvin e rolha, claro, se não houvesse tal exposição diária ao ar, o resultado seria melhor. As garrafas da pia decaíram mais rapidamente.

           Pensava que iria apenas constatar o que já sabia: que o champanhe e o branco morreriam rápido, o tinto duraria bastante e o fortificado seria o campeão de longevidade. Estava certo só em parte. O champanhe (fechado com vacuvin, com rolha ou deixado aberto na pia) surpreendeu duplamente. Durou mais que o esperado e até ganhou sabor e complexidade.

            Mas a parte mais divertida e reveladora foram as garrafinhas pet. Retirei-as do freezer no domingo à tarde. Estavam como pedras. Deixei que descongelassem naturalmente, na mesa da cozinha, a 24°C. Quando estavam líquidas e por volta dos 10°, provei-as. Foi uma epifania. Já tinha congelado tintos antes, e o processo é bem eficaz para salvar esses vinhos, embora haja uma pequena alteração na textura pela formação de cristais de tártaro. O sabor permanece quase inalterado.

            Os demais vinhos, eu estava congelando pela primeira vez. O branco perdeu um pouco da acidez, ficou menos fresco, mas sobreviveu. O jerez ficou idêntico, mesmo vinho, sabor, aroma.

            O inesperado foi o champanhe descongelado. Fez fizz quando abri, manteve a perlagem, continuou fresco e ficou assim a noite inteira, perdendo só um pouco das borbulhas. A conclusão é que vinhos abertos podem ser congelados, com alguma perda na qualidade, mas mínima perto do que seria sem o congelamento.”

Agora resta-me uma duvida, para quê tudo isso? Somente no sentido de conhecimento acadêmico creio eu, porque de prático mesmo não vejo vantagem nenhuma e ainda há o perigo da garrafa estourar! Agora, que serve para animar o bate papo entre enófilos, lá isso serve e certamente será causa de vários elogios a seu vasto conhecimento enófilo, porque vinho bom mesmo é o que acaba rápido sem sobras para guardar! Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.

Happy Wine Time – é Hoje, é Hoje!

e com Doule Wine é só na Vino & Sapore toda a Sexta, então hoje é dia! Espero os amigos, até porque hoje os caldos são Lusos, em homenagem ao pessoal que embarca amanhã para mais uma viajem de descobertas Enogastroculturais por Portugal, um empreendimento Inês Cruz (Viavitis) e JFC. Da região Tejo, ex-Ribatejo, conheceremos alguns dos vinhos da Quinta da Lagoalva (Mistral), uma das vinícolas que faz parte de nosso roteiro estrá presente com três vinhos:

  • Quinta da Lagoalva Talhão 1 – um vinho branco elaborado com castas tipicamente portuguesas as; Fernão Pires, Arinto e Alvarinho, esta última em menor proporção. Somente com passagem em inox, é um vinho em que o frescor impera. Fresco e aromático, este saboroso branco é perfeito para um aperitivo ou para acompanhar peixes e frutos do mar. Esta deliciosa combinações de castas locais resulta em um vinho original e de grande apelo gustativo. Deverá de dar muito bem com as empanadas de bacalhau, creme de amarão e queijo disponíveis no combo.
  • Quinta da Lagoalva Castelão/Touriga Nacional – um blend 50/50 destas duas castas autóctones portuguesas que formam um caldo extremamente prazeroso de tomar. Um vinho de corpo leve para médio, muito saboroso e fácil de agradar. Com 50% passando em madeira, é um vinho muito rico em sabores que encantam o palato, macio, equilibrado com boa acidez o que lhe dá um certo frescor, mostra taninos redondos, sedosos e amistosos que alongam o final de boca deixando um gostinho de quero mais. É uma ótima companhia para bacalhau, então acredito que as empanadas de bacalhau e as de frango podem ser harmonizações interessantes.
  • Quinta da Lagoalva Reserva – Este Reserva é um vinho muito agradável e fresco de ser tomado, com muita fruta aparente e taninos muito bem equacionados sendo que as nuances de baunilha deixam claro a presença de madeira aqui colocada como apoio e anteparo ao restante do conjunto. Um estilo mais moderno e muito prazeroso de tomar. É um tinto incrivelmente elegante e macio, mostrando madeira de excelente qualidade perfeitamente integrada. A feliz combinação das castas Alfrocheiro Preto, Cabernet Sauvignon e Syrah resulta em um tinto complexo e envolvente. Boa companhia para as Salteñas ou quem sabe um chouriço português assado?

       Aguardamos você num ambiente descontraido, aconchegante e sem fescura como deve ser o trato com o vinho. depois, se ainda estiver com fome, jante no Emilia Romagna um restaurante de boa comida, boa carta e gente simpática bem ao lado da Vino.  Salute, kanimambo e bom fim de semana.

Uma Experiência Enófila na África do Sul

      O Guilherme Cezaroti, assíduo leitor deste blog, esteve por terras sul africanas recentemente com sua familia. Eu que estive por lá dos meus tenros 11 anos até aos 18, sei o quanto esse país é lindo e complexo culturalmente. Uma experiência única com uma diversidade incrível de paisagens e culturas, seja em Durban, Cape Town, Johannesburg ou Nelspruit. O Guilherme, a meu convite, compartilhou conosco um pouco dessa experiência e dá algumas dicas de quem por lá queira se aventurar.

A viagem para a África do Sul é muito agradável.

         Cape Town é uma cidade bonita, arejada, limpa e organizada. A sinalização é muito boa e depois que a gente se acostuma em dirigir do lado direito tudo fica mais fácil. Há uma variedade muito grande de restaurantes e os preços de comida e bebida são bastante atrativos se comparados aos brasileiros. O conhecido vinho The Wolftrap Blend, do produtor Boekenhoutskloof, é quase onipresente nos restaurantes e lojas da cidade e não custa mais do que R$25 nos lugares mais caros.

       Depois de conhecer Cape Town, vale a pena alugar um carro e ir para Franschhoek, capital gastronômica da África do Sul. Franschhoek fica a cerca de 1h30 de Cape Town, por estradas boas e fáceis e dirigir. As estradas que levam a Franschhoek são ladeadas de pequenas vinícolas, sendo que na última delas (R45) há praticamente uma ao lado da outra, todas com pequenas produções que são vendidas localmente, dificilmente chegando ao exterior. Existem diversas “guest houses”, um conceito diferente de pousada, porque os quartos são grandes e quase sempre há uma sala e uma cozinha onde o hóspede pode preparar seu almoço ou seu jantar, se aproveitando da proximidade de um mercado. Além disso, em geral a guest house tem uma sala de jogos/lazer onde se pode passar algum tempo degustando uma garrafa de vinho apreciando a vista ou batendo papo.

     Todavia, com a presença de inúmeros restaurantes, com preços bastante atrativos para os brasileiros (a comida custa de um terço a um quarto do que custa aqui), é pouco provável que alguém prefira fazer a refeição nos quartos. Em Franschhoek, a avenida principal é uma continuação da estrada R45, e há poucos quarteirões para cada lado da avenida.

      Bem próximas de Franschhoek, mas ainda na estrada, temos a La Motte Private Cellar, muito conhecida por lá por seus vinhos brancos. Nós fomos visitar duas vinícolas pequenas, a Haute Cabrière e a La Petite Ferme. A primeira tem um restaurante bastante conhecido na região, mas fomos pela manhã e não pudemos aproveitá-lo. É uma vinícola jovem e pequena, com vinhedos ao redor, muitos nas encostas dos morros. Provei o Pinot Noir 2008, Chardonnay/Pinot Noir 2011 e o Unwooded Pinot Noir 2011, vinhos bons e simples, sem algum destaque especial. Os espumantes da linha Pierre Jourdan (provei o Cuvée Brut, o Blanc de Blanc e o Belle Rose) são bons, mas ainda falta uma certa evolução em termos de frescor. A segunda vinícola – La Petite Férme – tem um restaurante muito bom (em geral é necessário reserva), com vista para os vinhedos e para o vale onde está a cidade (tintos e brancos maravilhosos e a bom preço. Possuem um sauvignon blanc fumé que só estava sendo vendido para consumo no restaurante, para quem nunca provou sauvignon blanc com notas tostadas é uma excelente dica.

     Na cidade, a Wine-Wine é um excelente (talvez o melhor) local para a compra de vinhos regionais. Como ainda ia rodar bastante de carro e achei que poderia comprar aqueles vinhos em outros lugares, deixei passar a oportunidade. Recomendo não cometerem o mesmo erro, porque o preço e a variedade são imbatíveis. Lá podem ser encontrados produtores como Capaia, Mellasat (que tem um pinotage branco) e Philip Jonker (produtor de um infinidade de espumantes muito bons).

       A outra loja que indico é a La Cotte Inn Wine Sales, uma loja ainda com prateleiras de madeiras com aspecto mais antigo, mas é a loja que representa o maior número de produtores da região e com preços razoáveis. Lá comprei o Klein Constantia Vin de Constance 500ml e o Nederburg late harvest 2011 por cerca de R$ 100 os dois. Para que procura vinhos doces e champagnes franceses, esta loja tem uma variedade excelente. E foi o único lugar onde encontrei o vin de Constance à venda.

      Próxima destas duas lojas esta a Chocolates Huguenot, feitos artesanalmente com cacau de origens variadas. Não é barato, mas passa longe dos preços que se vê por aqui e há um horário do dia em que é possível acompanhar a produção. É um ótimo lugar para quem gosta de passar férias tranquilas, passeando pelo campo, sem muito agito.

      Além disso, a variedade de vinhos no free shop de Johannesburgo era muito pequena, ainda que com preços estupidamente atraentes para os padrões brasileiros.

Este blog está aberto a colaborações deste tipo, opiniões hedonísticas de viagens e visitas a regiões vinícolas do mundo dos amigos leitores seguidores de Baco. Não se acanhe e faça como o Guilherme, compartilhe essas emoções registrando os melhores momentos dessas aventuras.Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui ou no Happy Wine Time da Vino & Sapore às Sextas.

Desafio de Cabernets do Chile

         No último dia 26 de Outubro, tivemos o prazer de realizar na Vino & Sapore um embate bastante interessante. Importante diferencial é que ele foi feito com consumidores e não críticos de vinho, consequentemente entendo que seja uma visão mais hedonística e privilegiada do pensamento de boa parte do mercado. Nesse desafio às cegas com cerca de apenas 30/40 minutos de aeração dos vinhos, colocamos frente a frente um Ícone dos cabernets chilenos o consistente e respeitado Don Melchor com suas 22 edições, este o de 2007, e da mesma safra também o Manso de Velasco que dispensa apresentações. Afora esses dois mais conhecidos, mais três rótulos menos midiáticos porém, a meu ver, de grande valor o que me fez escolhê-los para este embate; Anya Ícono 2010, William Févre Chacai 2008 e Casa Lapostolle Cuvée Alexandre  2009. Óbvio que melhor seria se todos fossem da mesma safra, porém isso é um pouco complicado de se conseguir.

        O mais interessante, mais uma vez provando que conceitos genéricos neste mundo do vinho não têm vez, é que cada um desses vinhos mostrou uma cara bem diferente dos outros. Vejamos como cada um se comportou:

Concha y Toro Don Melchor 2007 –  com 3% de Cabernet Franc mostrou ser, como sempre, super consistente tanto que creio que em 22 edições somente em uma meia dúzia andou por baixo dos 90 pontos na visão da grande critica. A referência em cabernets chilenos junto com mais uma meia dúzia de importantes e renomados rótulos. Eu o considerei bastante pronto a beber apesar de ainda ter aí mais uns bons seis anos pela frente de franca evolução. De inicio fechado no nariz, abre-se aos poucos mostrando-se bastante frutado. Muito equilibrado na boca, taninos muito finos, complexo, boa acidez, ótimo final de boca, muito boa persistência, um vinho sem arestas e muito apetecível, feito para agradar. Um caldo muito bom, mas acho os sugeridos R$400 de preço de venda algo fora de propósito, porém é um vinho que tem seu histórico, seus séquito e quem pague então a vinícola o precifica bem sendo que até no Chile anda caro, por volta dos 130 dólares. Este exemplar veio de um amigo que o trouxe da Inglaterra, 50 libras, especialmente para este momento. Importação  VCT Brasil.

Casa Lapostolle Cuvée Alexandre 2009 – com 15% de Carmenére, ainda muito jovem e algo desbalanceado com o vegetal da carmenére se sobrepondo ao cabernet sauvignon e álcool aparente tanto no nariz como na boca. Os 40 minutos foram pouco e creio que deveria melhorar com mais uma hora de aeração quando deveria encontrar seu ponto de equilibrio. Custa ao redor dos R$120,00 mas neste embate mostrou-se um patamar abaixo dos restantes competidores. Importação Mistral.

Torres Manso de Velasco 2007 – um 100% Cabernet Sauvignon de vinhas velhas, potente, complexo, rico, equilibrado com taninos ainda bem presentes, encorpado porém com taninos finos e aveludados de muita qualidade. Um senhor vinho, melhor de boca que de nariz, que faz jus a sua fama e vai durar muitos anos ainda, vinho que não é para gente ansiosa! rs Dê-lhe tempo, compre agora e tome daqui a dois ou três anos acompanhada por uma paleta de cordeiro ou picanha suculenta! Vinho na casa dos R$190/200,00 aqui em Sampa. Importação Devinum.

William Févre Chacai 2008 – com 15% de Cabernet Franc, um vinho absolutamente sedutor no nariz que te convida a levar a taça à boca. Aromas intensos de frutos vermelhos e alguma especiaria. Na boca mostra uma certa complexidade, rico, boa estrutura, taninos finos e sedosos, final de boca muito agradável e fresco que pede o próximo gole. Certamente o vinho mais pronto e vibrante de todos apresentados, tendo entusiasmado a maioria. Custa ao redor de R$130,00 porém a nova safra que obteve 93 pontos no Descorchados 2012 (igual ao Don Melchor), deve chegar por volta dos R$190,00 e virá em quantidade minguada que deve sumir rapidamente! Importação Dominio Cassis.

Anya Ícono 2010 – o mais jovem dos vinhos e o que mais se ressentiu da falta de um maior tempo de aeração. Foi também o mais intrigante dos vinhos provados neste noite com aromas animais, estrebaria se sobrepondo á fruta que aparece mais ao longo do tempo na taça. Na boca é cheio, untuoso, encorpado pedindo comida e certamente será um grande companheiro para uma carne suculenta como um bife de chorizo! Recebeu 92 pontos da revista Vinho Magazine e custa ao redor dos R$115,00 o que o transforma no best buy deste embate e um vinho para comprar e guardar abrindo uma garrafa aqui outra daqui a seis meses, depois mais seis,…… Importador Palácio dos Vinhos.

         Óbvio que a esta altura vocês já está mesmo é querendo saber quem foi o ganhador e concordo, já não é sem tempo! Há no entanto, que se considerar que o painel foi muito parelho tendo havido votos de primeiro lugar para 4 dos 5 competidores. Eis a classificação abaixo:

  1. William Févre Chacai 2008

  2. Don Melchor 2007
  3. Manso de Velasco 2007
  4. Anya Ícono 2010
  5. Cuvée Alexandre 2009

     Mais um desafio realizado e mais uma vez a constatação de algo que ao longo dos anos neste blog acontece muito amiúde em nossos painéis e desafios, nome não ganha campeonato! Ás cegas, o que vale mesmo é vinho na taça assim como no futebol é bola na rede. Por isso curto tanto a diversidade e o garimpo por coisas novas saindo da mesmice, é isso que faz viajar por nossa vinosfera uma experiência única e tão prazerosa. Por falar em viajar, um amigo leitor, o Guilherme, vai compartilhar conosco sua experiência pelos vinhedos da África do Sul nesta próxima Quinta-feira, não deixe de sintonizar neste canal! Salute e kanimambo.

Nem Todo o Vinho Argentino é Igual!

         Para quem adora sistematizar e generalizar as coisas do vinho, eis aqui mais uma oportunidade de descobrir o porquê dessa prática não ser viável em nossa vinosfera. Rutini,  um produtor com uma grande diversidade de rótulos com uma vasta gama de produtos para todos os níveis e bolsos e um dos principais produtores argentinos, trazida ao Brasil pela Zahil. A linha dos Trumpeter talvez seja a mais conhecida, gosto muito do Syrah/Malbec e do Reserva, e daí subimos uma longa escada. Dessa vasta linha de produtos, a Zahil nos convidou a provar sete exemplares com maior ênfase nos Cabernets e me surpreendi.

         Começamos pelo Chardonnay que é um vinho que sempre me agrada pois, dentro do estilo mais amadeirado, é um vinho equilibrado, sem exageros e sempre traz um frescor de final de boca muito saboroso, não negou o que já conhecia dele e que já me acostumei a recomendar como um dos vinhos desta cepa elaborados na Argentina.

Todos vinhos muito bem feitos, me surpreendi com o grande equilibrio do saboroso Cabernet/Merlot que, em minha opinião se mostrou melhor que o já tradicional e amplamente conhecido Cabernet/Malbec, porém dois rótulos me chamaram a atenção e foram o destaque entre os que nos apresentaram:

      Rutini Cabernet – num estilo diferenciado mais para velho mundo do que novo mundo, puxando para a delicadeza e elegância, rico mas sem excessos com tudo no lugar. Bem aromático, nos convida a levar a taça à boca onde ele nos seduz. Rico, complexo, boa estrutura, taninos finos, com um final longo fazia tempo que não provava um cabernet deste naipe vindo da terra dos Hermanos. Muito bom e custa ao redor dos 135 Reais.

     Antologia – fazia muito tempo que queria provar este vinho, mas nunca tive a oportunidade que finalmente se fez presente. Valeu a pena esperar, um grande vinho na taça e pena que era só uma prova, pois a vontade era me apoderar da garrafa! Que beleza meus amigos, um senhor vinho que consegue unir potência, sem exageros, com elegância. Um vinho repleto de finesse, dos aromas complexos e bem integrados a uma sensação de prazer na boca que me entusiasmou. Um prova que derruba preconceitos de que argentino só faz vinhos potentes e excessivos em tudo, inclusive no álcool. Há de tudo por lá como em qualquer outro importante país produtor e este  vinho deixa isso muito claro. Este deveria vir á mesa de fraque e cartola!

Bons vinhos que valem ser conferidos pelos amigos. Salute, kanimambo e seguimos nos vendo por aqui.

Como Você Escolhe Vinhos Numa Loja?

       Cada um tem seu jeito de garimpar vinhos numa loja, mas nem sempre estas atendem essa necessidade. Por cultura ou modismo, as lojas tendem a organizar suas prateleiras por país, mas será que é isso mesmo que você quer? Como você se sentiria mais á vontade ao entrar numa loja para escolher seu vinho?  Esta enquete visa descobrir isso então clique e dê sua opinião.

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Salute e kanimambo.

Sem Palavras, Porto Vintage e Queijo da Serra!!!

Ou Quase.  Sublime e clássica harmonização engrandecida pelas pessoas presentes. Divino Queijo da Serra (DOP) da Quinta da Lagoa (pastor/produtor) em Canas do Senhorim comprado in loco, com um maestral Fonseca Guimaraens Vintage 95 com ainda muitos anos de vida pela frente, não esta garrafa porque dela não sobrou gota, e gente fixe sem a qual nenhuma harmonização se completa!

As Vitimas

Os Carrascos

Kanimambo aos amigos que marcaram presença e chorem os que fizeram doce! rs Fui, salute e nos vemos por aí ou por aqui, porque como já dizia o mestre Saul Galvão, o que vale mesmo é ser feliz. Um ótimo fim de semana para todos.

Salvar

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Camarão à Piri-Piri com Encostas do Xisto Alvarinho

           Que pena que blog ainda não tem aromas! Queria ter podido captar os aromas que tomaram conta de minha casa em mais esta harmonização de Domingo, para poder postá-los aqui, maravilha!! Quem sabe um dia, mas hoje só posso postar essas fotos mostrando a sequência de elaboração deste delicioso prato de camarões conhecidos na África do Sul também como L.M. Prawns, uma iguaria inventada no restaurante Piri-piri em Lourenço Marques (L.M.), hoje Maputo, Moçambique. Na minha juventude iam muito bem acompanhadas por uma Laurentina (cerveja) bem gelada, mas como tudo evolui na vida, ou quase tudo, hoje acompanhei o prato com um dos mais baratos e bons Alvarinhos do mercado, o Encostas do Xisto.

        Para fazer este prato tem que ser camarão rosa grande, tipo “pistola” e o bolso nem sempre permite pois falamos de  de 500 a 750grs por pessoa! No meio do feriado, para minha agradável surpresa, o Pão de Açucar o estava vendendo pela metade do preço, não resisti! Aqui vai a receita para os mais aventureiros e os que vivem próximo de boas opções de fornecimento desta iguaria, como o Nilson, Ronaldo e José Filipe de Floripa ou os amigos do Nordeste. Para cerca de 25 camarões graúdos como estes, separe três pimentas malaguetas, cinco dentes de alho, uma tablete de 200grs de manteiga, sal, limão e, obviamente, o vinho porque cozinhar com vinho é essencial! Pré aqueça o forno a 250ºC.

Preparo

  • Não tem segredo. Corte o camarão nas costas, da cabeça ao rabo, e retire aquela tripa escura lavando bem, porém mantendo casca e cabeça. Com uma faca, faça um corte mais profundo abrindo o camarão quase até metade do corpo.
  • Sob a base da manteiga amassada, esprema os dentes de alho e pimenta malagueta, ambos frescos, formando uma pasta. Adicione sal a gosto e unte bem os camarões no corte que você fez neles.
  • Coloque em uma travessa refratária e no final lambuze os camarões por fora com a sobra da pasta feita, caso prefira um pouco mais sequinhos evite esta última parte. Leve ao forno e quando começar a dourar, cerca de uns 20 minutos dependendo do forno, esprema um pouco de limão uma a duas vezes. Quando ficar bem dourado está pronto servir acompanhado de batatas fritas e salada tropical (com frutas) adicionando um pouco mais de limão para quem quiser. O camarão deve ficar crocante por fora e tenro e úmido por dentro. Se preferir sofisticar o acompanhamento, um risoto de limão siciliano deve ficar da hora.

        Para acompanhar pode ser uma cerveja tipo lager bem gelada, mas o Alvarinho cai muito bem também e o Encostas do Xisto deu conta do recado de forma soberba e não custa 60 reais. Todo o frescor dos vinhos verdes, presença mineral com toques cítricos e uma intensa paleta olfativa que nos faz levar a taça á boca onde nos deixa uma agradável sensação de crocância que pede bis. Um vinho bem feito e muito saboroso ainda mais pelo preço já que os vinhos elaborados com esta uva costumam ser bem mais caros e muito mais agradável que a famosa cerva que incha o bucho! rs Uma harmonização que deixa na boca aquele gostinho de quero mais, camarões e Xisto!

       Ah, guarde as cabeças dos camarões, dizem que dá uma sopa da hora e eu vou testar uma receita. Se der certo passo para os amigos e se meus patricios tiverem alguma receita me enviem, aceito colaborações. Por hoje é só, salute, kanimambo e seguimos nos encontrando por aqui ou………..já sabe onde!

Expo Azeite 2012, Estive Por Lá!

           Fui entusiasmado mas a sensação foi de que me meti numa furada, talvez até provocado pela meu desconhecimento de causa. De São Paulo a Campinas para visitar uma “Feira de Azeites” no centro da cidade, Instituto Agrônomo, para ver cinco bancadas com três importadores e dois produtores buscando importadores no saguão de entrada do instituto. Três horas de viagem e trinta minutos de feira, isso porque encontrei por lá o amigo Bruno Viana da ABS de Campinas, foi muito pouco. Quem passasse pela região sequer saberia do evento pois não havia uma placa externa que indicasse a existência do mesmo. No canto do mesmo saguão, duas dezenas de cadeiras para cursos rápidos sobre os mistérios do azeite,  posteriormente fiquei sabendo que eram cursos de culinária, tudo isso num calor danado enfim, uma boa ideia ( a feira) que, a meu ver, foi mal executada e ficou bem aquém de minhas expectativas! 

           Aparentemente o concurso  esse sim foi bem movimentado com um monte de participantes, mas destes somente vimos uma exposição dos azeites que participaram. Aparentemente, pelo que me foi informado pelos organizadores no comentário abaixo, o congresso foi bem movimentado e um grande sucesso, mas desse não participei, fui pelos azeites e, nesse sentido, me frustrei. Enfim, me disseram que outras edições realizadas em São Paulo, comprovado pelos filmes e fotos de edições anteriores publicado no próprio site da Expoazeites, tiveram outro viés e que a participação de produtores e importadores foi bem maior, quem sabe numa próxima edição  minha opinião mude, mas esta, a meu ver, foi uma furada e deixou muito a desejar como “Feira de Azeites”. Aparentemente um acidente de percurso pelo que pude ver das outras edições (filmes e vídeos) que serviram de base para meu interesse da ida a Campinas.

         Tendo dito tudo isso, tenho que reconhecer que pelo menos consegui descobrir algo muito interessante nesta minha viajem de descobrimentos pelo misterioso mundo dos azeites que começo a realizar. Descobri uma linha de ótimos azeites uruguaios, uma enorme surpresa porque ainda por cima estes pequenos produtores se situam numa região de que gosto muito, Colonia de Sacramento no sul do país, a uma hora de Buenos Aires pelo Barco-Bus. Fiquemos de olhos abertos e papilas gustativas prontas pois estamos prestes a conhecer uma outra faceta deste simpático país de bons vinhos e povo amistoso. Em breve falarei desses novos azeites que, em tendo o preço adequado, certamente acharão um espaço nas prateleiras da Vino & Sapore.

Salute, kanimambo e nos vemos por aqui.

Última Chamada!

        Faltam pouco mais de dez dias e ainda temos quatro vagas a preencher nesta incrível viagem de descobrimentos pela diversa, rica e saborosa  enogastronomia portuguesa, sua cultura e história. Serão 15 dias inesquecíveis de grandes vinhos numa viagem de norte a sul de Portugal, ainda dá tempo! Clique na imagem para ver o roteiro e entre em contato, há condições especiais de pagamento e é mais barato que passar uma semana no nordeste brasileiro, vem conosco?!

Salute, kanimambo e uma ótima semana para todos.